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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Programa Nacional de Vacinação: as assimetrias regionais e o refúgio das redes antivacinas em Portugal

O Relatório Anual da Direção Geral de Saúde mostra que a maioria das vacinas infantis tem uma taxa de cobertura superior a 95% em Portugal, mas há concelhos que ficam abaixo dos 60%.A região algarvia mantem baixas taxas de vacinação Desigualdades persistem nas vacinas do HPV, gripe e covid-19.

As autoridades de saúde portuguesas estão a combater as baixas taxas de vacinação no Algarve através de uma estratégia focada na busca ativa de utentes e na proximidade comunitária Os centros de saúde realizam auditorias frequentes aos sistemas informáticos para identificar crianças e jovens com doses em atraso, avançando de imediato com contactos diretos através de telefonemas, SMS ou cartas registadas. Para mitigar o isolamento geográfico de concelhos como Aljezur e Vila do Bispo, equipas móveis de enfermagem deslocam-se às zonas rurais para administrar as vacinas localmente.Nas escolas da região, as autoridades cruzam os dados de matrícula com o registo vacinal para sinalizar alunos em falta e alertar os encarregados de educação. Paralelamente, os serviços de saúde pública trabalham com as autarquias locais para traduzir materiais informativos e integrar as comunidades estrangeiras residentes no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Por fim, os profissionais de saúde desenvolvem ações de esclarecimento direcionadas para combater mitos e a hesitação vacinal junto de grupos específicos da população. Parece-me insuficiente. 

O debate em torno do movimento antivacinas e da proliferação de comunidades dogmáticas em Portugal exige uma análise objetiva das causas e uma revisão urgente do enquadramento legal. A experiência demonstra que o confronto direto com correntes New Age e determinadas comunidades de permacultura é ineficaz: nestes meios, o ceticismo em relação às vacinas e ao conhecimento científico assenta na construção de identidades, no sentimento de pertença e na rejeição do que consideram a "frieza" do sistema dominante. Esta mentalidade, contudo, gera consequências graves e conduz a mortes perfeitamente evitáveis.

A fixação destas famílias estrangeiras em Portugal - com particular incidência no interior (Beira Alta, região Centro) e no Algarve - resulta diretamente de um fenómeno de "fuga às regras". Países como a França e a Alemanha identificaram o risco do isolamento comunitário e do desrespeito pela saúde pública, endurecendo substancialmente os seus regimes jurídicos. Entre 2018 e 2020, tornaram a vacinação infantil obrigatória para o acesso ao ensino e erradicaram ou restringiram severamente o ensino doméstico (homeschooling).

Enquanto a Europa Central fechou as brechas legais, Portugal manteve-se como um dos países mais permissivos do continente, tornando-se um refúgio para quem procura educar os filhos fora do sistema oficial em redes locais sem controlo rigoroso. Embora a adesão da população nacional ao Programa Nacional de Vacinação seja massiva, a vacinação de menores não é juridicamente obrigatória, o que deixa uma margem de manobra perigosa. 

De salientar que há uma faixa social portuguesa em que a hesitação vacinal dos pais são na maioria da classe média-alta e alta. [artigo científico aqui]

Para proteger a saúde pública e a integração social das crianças, Portugal precisa de importar medidas coercivas inspiradas no modelo alemão, assegurando a devida conformidade constitucional:
  1. Condicionamento de acesso e sanções: nenhuma criança deve ser admitida em creches, escolas (públicas ou privadas), ATL ou colónias de férias sem o boletim de vacinação em dia. Caso seja detetada a ausência de vacinas, deve aplicar-se um prazo limite de três meses para regularização, sob pena de cancelamento da matrícula. Paralelamente, ao tornar o ensino presencial obrigatório e banir o ensino doméstico, os pais incumpridores devem ficar sujeitos a multas administrativas pesadas (a exemplo dos 2.500 euros aplicados na Alemanha).
  2. Abrangência a adultos e profissionais de risco: a obrigatoriedade vacinal deve estender-se a quem lida diretamente com populações vulneráveis - pessoal médico, trabalhadores de hospitais e lares, professores e funcionários de creches ou centros de acolhimento. A ausência de imunização deve proibir a contratação ou motivar a suspensão de funções.
Cabe ao Estado Português atuar legislativamente antes que a permissividade jurídica continue a expor a comunidade a riscos evitáveis.

Ler mais:

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Muitos homens evitam envolver-se na questão da crise climática porque o torna feminino

Arnold Schwarzenegger é um orgulhoso defensor do clima. Homens, não querem ser como o Arnold?



“(Sê homem) Devemos ser velozes como um rio caudaloso
(Sê homem) Com toda a força de um grande tufão
(Sê homem) Com toda a força de um fogo ardente” — “Mulan” (1998)

Preocupar-se com o clima torna-o feminino?

De certa forma, é uma pergunta tola. Mas, por outro lado, é um dilema crucial para aqueles de nós que estão empenhados na luta climática. Porque a triste realidade é que muitos homens evitam envolver-se por estarem convencidos de que isso irá prejudicar a sua masculinidade.

Pelo menos é o que indica um novo estudo.

O artigo revisto por pares é relativamente simples. O professor Michael P. Haselhuhn, da escola de negócios da UC Riverside, recrutou participantes para várias pesquisas e também examinou dados de pesquisas já existentes. Controlou a idade e a ideologia política, factores que podem influenciar a percepção das pessoas sobre a crise climática. E, consistentemente, encontrou uma clara relação entre a expressão de género e a preocupação com o clima.

Especificamente, os homens que atribuem maior importância a "ser homem" são menos propensos a preocupar-se com o aquecimento global, menos propensos a sentir responsabilidade pessoal pela redução do aquecimento e menos propensos a acreditar que o aquecimento é causado pelos humanos. 

Os homens que sentem mais ansiedade em situações que ameaçam a sua masculinidade — como perder no desporto — estão menos convencidos de que as alterações climáticas estão a afectar o planeta como um todo (e os Estados Unidos em concreto).

Porque é que os homens — ou pelo menos alguns homens — se preocupam que a consciência climática dilua a sua masculinidade conquistada com tanto esforço? Haselhuhn descobriu que o desafio surge entre os homens que percecionam a "afetividade" como uma característica feminina. O problema é que preocupar-se com o ambiente também é visto como uma característica afetuosa, pelo menos tradicionalmente.

“Não é só que os homens queiram parecer homens”, disse-me Haselhuhn. “Querem evitar parecer femininos.”

De certa forma, tudo isto é intuitivo e previsível: muitos homens têm egos frágeis escondidos sob as suas aparências arrogantes e robustas. Imagino que o estudo de Haselhuhn não tenha sido nenhuma surpresa para a jornalista Amy Westervelt e para a equipa por detrás do podcast Carbon Bros, uma análise fascinante e profunda da masculinidade tóxica e da negação das alterações climáticas. Basta pensar em Joe Rogan, que destila o negacionismo climático regularmente.

Mas o estudo de Haselhuhn chamou-me a atenção.

Para começar, identificou um mecanismo psicológico que leva os homens — ou pelo menos certos homens — a rejeitar a preocupação com as alterações climáticas. Então, o que podemos fazer, se é que podemos fazer alguma coisa, para contrariar este mecanismo? Se alguns homens receiam que o envolvimento com as questões climáticas possa fazê-los parecer excessivamente efeminados e, portanto, demasiado sensíveis, poderemos reformular a acção climática de formas menos ameaçadoras para estes homens?

Infelizmente, Haselhuhn não tinha uma boa resposta. Disse-me que, na sua pesquisa, tentou reformular a questão climática para que se concentrasse na proteção dos filhos e da família. Mas isso não fez grande diferença.

"Talvez isso ajude um pouco, mas não é a solução", disse.

Noutro estudo, descobriu que, se pedir aos homens que perdoem os colegas de trabalho por erros cometidos no ambiente profissional, eles geralmente dirão que não. Mas se der aos homens a oportunidade de afirmarem primeiro a sua masculinidade — ou seja, deixá-los contar histórias que comprovem a sua masculinidade — e só depois lhes pedir que perdoem, eles tendem a concordar mais facilmente.

Infelizmente, "isto não é tão útil no mundo real", reconheceu Haselhuhn. "Não se pode estar sempre a elogiar os homens e depois perguntar sobre o clima." O seu estudo também me chamou a atenção porque me fez refletir sobre o desporto. Escrevendo sobre desporto e clima nos últimos anos, às vezes pergunto-me: será que há tão pouco activismo climático nos desportos dos EUA porque o sector é tão dominado por homens?

sábado, 8 de novembro de 2025

COP30: Sánchez anuncia mais fundos face às alterações climáticas e alerta para o risco dos negacionistas



O Governo espanhol anunciou ontem uma contribuição adicional de 45 milhões de euros para o combate às alterações climáticas e reiterou a disponibilidade de Espanha para avançar nesse caminho e enfrentar o risco que representam os negacionistas.

Pedro Sánchez fez o anúncio durante a sua intervenção na reunião plenária de líderes convocada como preparação para a cimeira do clima COP30, que se realizará na cidade brasileira de Belém (nordeste).

O chefe do Governo defendeu que as alterações climáticas matam, recordando como exemplo a depressão isolada em níveis altos que atingiu a Comunidade Valenciana há um ano e provocou 237 mortos. Referiu também a vaga de incêndios florestais que, no verão passado, afetou Espanha e outros países.

Tudo isso, sustentou Sánchez, demonstra que a emergência climática “mata pessoas” e que “não se trata de ideologia, mas de ciência”.

Lamentou que ainda existam aqueles que negam ou relativizam o impacto das alterações climáticas, reconhecendo, contudo, que “não há evidência empírica, por mais avassaladora que seja, capaz de mudar a opinião de quem escolheu tapar os olhos”.

Perante essa realidade, dirigiu-se “aos que acreditam na ciência e têm a coragem moral de travar esta batalha”, àqueles “que não desistem nem se regem por cálculos políticos ou pelo medo de serem devorados por forças negacionistas”.

“A todos eles quero dizer que podem contar com Espanha. Fazemo-lo por convicção moral, porque honramos a palavra dada, mas sobretudo porque acreditamos na transição verde como motor de crescimento e transformação”, acrescentou.

Sánchez recordou que, desde que assumiu a presidência do Governo, em 2018, Espanha aumentou em 140% a sua capacidade instalada de energia solar e eólica e multiplicou exponencialmente a capacidade de autoconsumo.

Nesse sentido, considerou que a economia espanhola é uma das que mais cresce entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), demonstrando que é possível fazê-lo enquanto se reduzem as emissões de gases com efeito de estufa.

Sánchez lembrou que a União Europeia perdeu cerca de 44.500 milhões de euros anuais devido às consequências da crise climática.

Após apelar aos restantes líderes para não se resignarem, Sánchez afirmou que o Acordo de Paris traça o caminho a seguir, mas é necessário fazer mais do que até agora, garantindo o apoio de Espanha para que a UE continue a liderar essa ambição.

“Espanha cumpre”, assegurou o presidente do Governo, apontando dados como os 1.700 milhões de euros destinados no ano passado ao financiamento climático internacional.

A nova contribuição de 45 milhões de euros será distribuída pelos fundos de Adaptação e de Resposta a Perdas e Danos e pela Facilidade de Financiamento para Observações Sistemáticas da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Estudo: percepção e preocupação global da crise climática

Fica surpreendido com a nova investigação do Forest Stewardship Council (FSC) que mostra uma diminuição do número de pessoas que dizem ter medo das alterações climáticas, mesmo com o aumento da gravidade e da frequência dos desastres causados ​​pelo clima? Eu não.

Grande parte do que está a impulsionar isto é a tempestade perfeita de desinformação, polarização e manipulação que enfrentamos hoje. À medida que a transição para a energia limpa se acelera, os interesses particulares intensificam a disseminação de mentiras e medo para a atrasar e, como resultado, a desinformação sobre as soluções climáticas alastra. Leia mais sobre este assunto no Yale Environment 360 aqui.
Ao mesmo tempo, os algoritmos das redes sociais — muitos dos quais são agora optimizados deliberadamente para amplificar a indignação e a desinformação — estão a reduzir activamente o peso da informação factual, a dar força aos trolls, sobrecarregados por bots, e a fragmentar o nosso sentido de realidade partilhada. Ver a sua análise aqui 
Não é de admirar que as pessoas se sintam exaustas e confusas sobre o que é verdade, o que importa ou o que podem fazer.

Mas há mais do que isso. Observei esta mesma tendência decrescente no Canadá após a nossa devastadora e recorde época de incêndios florestais de 2023 e tenho vindo a aprofundar o assunto desde então. Descobri que, quando o medo não é acompanhado por um sentido de eficácia — a crença de que o que fazemos é importante —, os nossos mecanismos de defesa entram em acção. Desligamo-nos, ou até mesmo zombamos daquilo que nos assusta.

"Não há nada que eu possa fazer quanto a isso, então porque é que me deveria importar?"

Isto não é apatia. É a dissociação — uma forma de autoproteção. Mas quando se espalha, torna-nos ainda mais vulneráveis ​​ao que já mencionei: a crescente onda de desinformação, polarização e manipulação algorítmica, deliberadamente concebida para amplificar a confusão e atrasar a transição para a energia limpa.
Então, qual é o antídoto? 
(1) as outras pessoas se preocupam e
(2) as nossas ações importam: há esperança.

Penso nisto como ligar a nossa mente – o que sabemos – ao nosso coração – porque nos preocupamos, como as alterações climáticas afetam as pessoas, os lugares e as coisas que amamos – às nossas mãos, o que podemos fazer. Porque quando sentimos que podemos fazer a diferença, voltamos a envolver-nos.

Leia o estudo aqui.
Saiba mais sobre o conceito cabeça-coração-mãos aqui:

E diga-me nos comentários: identifica-se com isso? Por quê?

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

A maior desregulamentação climática da história dos EUA: Trump quer revogar limites às emissões


Em 29 de julho de 2025, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), sob a liderança de Lee Zeldin, anunciou a proposta de revogar o chamado endangerment finding — a declaração científica, aprovada em 2009, ainda no governo Obama, de que os gases com efeito estufa (nomeadamente CO₂) representam uma ameaça à saúde pública e ao bem-estar da população, anunciou a revista brasileira Veja. Esta constatação é a pedra angular legal que permite à EPA impor limites às emissões provenientes de veículos, centrais elétricas e operações de combustíveis fósseis.

Zeldin caracterizou esta proposta como “a maior ação de desregulamentação da história dos EUA”, afirmando que remover esta base legal abriria caminho para eliminar as normas existentes e impedir futuras regulações federais. A Veja refere ainda que o líder afirmou: “Estamos a encerrar o que chamo de graal sagrado da religião do clima”.

Para conseguir implementar com mais segurança as suas ideias, a Folha de São Paulo, diz ainda que Trump anunciou cortes de cerca de 65 % no pessoal da EPA, reduzindo significativamente a capacidade operacional da agência para fiscalizar e implementar políticas ambientais.

Mas ainda há luz ao fundo do túnel. Trump ainda não venceu. Um artigo de um só planeta diz que grupos ambientalistas e analistas jurídicos alertam que o plano de Trump enfrenta barreiras legais. Segundo eles, a constatação de 2009 baseia-se numa decisão do Supremo tribunal de 2007 que reconheceu que os gases com efeito de estufa podem ser considerados poluentes atmosféricos. A mesma fonte adverte também que o representante do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais (NRDC), David Doniger, é “praticamente impossível” que a EPA crie uma justificativa sólida para anular a constatação de 2009.

E porque isto é um problema? Por vários motivos, mas um dos mais importantes é que os EUA são o segundo maior emissor do mundo, pelo que andar para trás na regulamentação é colocar o planeta em maus lençóis.

Motivação política e expetativas legais
A política ambiental de Trump está inserida num plano estratégico amplo para resgatar a “dominância energética” dos EUA através dos combustíveis fósseis. Lee Zeldin foi nomeado para a EPA com o compromisso de acelerar desregulações e revitalizar a indústria automóvel e de combustíveis fósseis, diz o Diário de Notícias.

A administração afirma que o plano pouparia cerca de 52 mil milhões de dólares em custos (cerca de 47,84 mil milhões de euros) de conformidade regulatória. “No entanto, analistas legais e ambientais preveem batalhas judiciais intensas, por ferir decisões do Supremo Tribunal que sustentam a autoridade da EPA desde 2007”, lê-se no The Guardian.

Especialistas destacam ainda que empresas já investiram pesadamente em tecnologias limpas e transição energética — e que a instabilidade regulatória pode afastar investimentos duradouros, segundo a Reuters.

Para o The Guardian, se concretizadas, as medidas anunciadas representam um retrocesso sem precedentes na política climática dos Estados Unidos — com efeitos na saúde pública, na confiança institucional, no mercado global de energia limpa e na liderança internacional na emergência climática. Muitas destas medidas ainda estão sujeitas a consultas públicas (fase de 45 dias) e devem enfrentar desafios legais significativos nos tribunais federais.
Revogação das normas de emissões veiculares

Segundo noticiou a agência Reuters, em consequência da revogação da base legal, a EPA pretende também anular todas as normas federais de emissões de gases de veículos e motores, incluindo os limites para CO₂ emitido por escape. A revisão abrangerá também regras associadas, como eficiência de ar condicionado automóvel e monitorização de baterias. O impacto será particularmente grave no setor de transportes — o maior responsável pelas emissões nos EUA.

O relatório de "avaliação crítica" encomendado pelo regime de Trump para justificar este retrocesso na regulamentação climática dos EUA contém pelo menos 100 afirmações falsas ou enganosas, de acordo com um inquérito da Carbon Brief que envolveu dezenas de cientistas climáticos de renome.

Reversão das normas de emissões das centrais elétricas
Estas medidas já estavam a ser cozinhadas há muito. Desde junho de 2025, a administração Trump anunciou a intenção de reverter regulamentos que limitavam as emissões de dióxido de carbono e poluentes tóxicos, como o mercúrio, emitidos por centrais a carvão e gás natural. O argumento oficial é “que essas normas elevam os custos da eletricidade às famílias, enquanto Zeldin defende um “equilíbrio entre proteção ambiental e economia doméstica”, escreve o UOL Notícias.

Além disso, segundo noticiou o site da EuroNews, o governo de Trump considera que centrais elétricas não aumentam a poluição do ar, contudo, a mesma fonte afirma que 19 cientistas climáticos dizem que isso é um “absurdo” qualificando como factualmente incorreta a afirmação de que essas emissões “não contribuem significativamente para a poluição do ar”.

Retirada dos EUA do Acordo de Paris
Também não nos podemos esquecer que a 20 de janeiro de 2025, Donald Trump ordenou a segunda retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris, marcando o país como um dos poucos — como Irão, Líbia e Iémen — fora do pacto internacional de redução de emissões, mas 37 estados ainda estão comprometidos com o clima, representando 70% do PIB dos EUA por isso, ainda há esperança.

domingo, 10 de agosto de 2025

Vergonha


Miguel Sousa Tavares in "Expresso" de 07/08/2025

Numa jogada de mau gosto, o Hamas decidiu publicar fotografias de dois reféns israelitas em seu poder, famélicos e abatidos, acompanhadas da legenda “eles comem o mesmo que nós”, numa referência à estratégia de fome adoptada pelo Governo de Israel em Gaza. Netanyahu, como era de esperar, saltou logo sobre a oportunidade, acusando o Hamas de barbárie e anunciando a total ocupação de Gaza: esperava, talvez, que a fome que ele inflige a três milhões de pessoas (proibindo-as inclusivamente de pescar no seu mar!) não afectasse a alimentação dos reféns israelitas. E, em Bruxelas, Kaja Kallas, a responsável pela política externa da UE e que jamais teve uma palavra a condenar o genocídio em Gaza, acompanhou Netanyahu na sua indignação e exigiu a imediata libertação dos reféns, sem pedir nada em troca da parte de Israel. Num momento em que finalmente se levantam vozes dentro de Israel a condenar a ofensiva em Gaza — vozes de antigos chefes militares e de segurança, de organizações humanitárias ou do escritor David Grossman, falando também em genocídio —, a UE, enquanto organização, continua a fingir que não estamos a assistir em Gaza à mais sinistra limpeza étnica levada a cabo por um Governo dito democrático. Mas, como disse Yuli Novak, da organização israelita B’Tselem, “isto não poderia acontecer sem o apoio do mundo ocidental”.

Dentro da UE e escudado na sua inércia, Portugal tem sido um caso notável de hipocrisia e cobardia. Eu chego a ter vontade de rir ao assistir aos contorcionismos explicativos do ministro Paulo Rangel para tentar não ter posição sobre o assunto, fingindo que a tem, numa patética estratégia de “agarrem-nos senão reconhecemos o Estado da Palestina”. Primeiro, confiante na inércia de toda a União, Rangel afirmava que o reconhecimento, a existir, deveria ser uma decisão conjunta dos 27. Os reconhecimentos unilaterais feitos por Espanha e Irlanda não o abalaram, mas ficou claramente sem chão quando Macron anunciou que a França ia reconhecer o Estado palestiniano e a Inglaterra fez o mesmo. Aí, Rangel fez uma inolvidável intervenção na ONU, em que garantiu à assembleia mundial que Portugal tinha detectado uma alteração histórica na posição palestiniana, a qual abria caminho a um possível reconhecimento. Em suma, enquanto o PM inglês colocava exigências a Israel sob a ameaça de reconhecer a Palestina independente, o nosso ministro partia do princípio oposto para sustentar, sem se desmanchar, que a Autoridade Palestiniana aceitara as exigências de Luís Montenegro para poder ser reconhecida por Portugal como Estado. Note-se: a Autoridade Palestiniana na Cisjordânia e não o Hamas em Gaza. Entre essas exigências de Montenegro, Rangel destacou a reforma das instituições palestinianas e a realização de eleições: patéticas demandas para quem acabava de regressar de uma cimeira da inútil CPLP realizada na Guiné-Bissau — um país cujo Presidente amordaçou a democracia no seu país e governa sem ir a eleições — e antes de a chefia da mesma CPLP ser transmitida à Guiné Equatorial — onde jamais houve eleições e persiste há décadas uma ditadura familiar, brutal e corrupta como nenhuma outra. Sim, Portugal é hoje um exemplo eloquente da podridão moral em que vegeta a União Europeia, governada por políticos sem respeito pelo passado e pelos valores europeus.

Esta União Europeia envergonha hoje qualquer europeu que antes se orgulhava de pertencer a um espaço político onde a ética e a coerência de princípios contavam. Na cimeira da NATO, a União, com a honrosa excepção da Espanha, ajoelhou-se aos pés de Trump, aceitando gastar 5% do PIB em armas — e americanas, de preferência. Fica como símbolo dessa capitulação o português Luís Montenegro tentando dar “uma palavrinha” particular a Trump, dizendo-lhe que éramos velhos amigos dos Estados Unidos e sugerindo alguma misericórdia para connosco na rajada das tarifas, e o português António Costa, presidente do Conselho Europeu, acalmando as indignações surdas com a previsão de que o que a União cedera nas armas pouparia nas tarifas.

Viu-se. Na Escócia, Ursula von der Leyen começou por ser ainda mais humilhada por Trump do que o fora por Erdogan. Na Turquia, não tinha cadeira para se sentar, no clube de golfe privado de Donald Trump, na Escócia, para onde foi convocada, teve uma cadeira para se sentar enquanto esperava longamente que o Presidente americano acabasse um jogo de golfe com o filho e tivesse disponibilidade para a receber. Assim tratada como serventuária — ela e a Europa que representa —, não admira que depois tivesse sido sujeita a uma capitulação total e humilhante pelo abusador profissional americano. Von der Leyen aceitou um aumento das tarifas sobre as exportações europeias para os Estados Unidos de 15%, quase mil vezes o que vigorava e em troca de tarifas de 0% para as exportações americanas dirigidas à Europa. Desistiu de taxar as tecnológicas americanas ou de minimamente controlar os seus abusos. Aceitou comprar 750 mil milhões de dólares de energia aos Estados Unidos, assim interrompendo a estratégia de descarbonização em que a UE estava a ser pioneira e substituindo-a por uma total dependência energética de um só país — muito para lá daquilo que se criticava aos países europeus que compravam energia à Rússia. Agora, os EUA passam a determinar a política energética da Europa, aumentam livremente os preços, e Trump e os seus amigos do petróleo, negacionistas das alterações climáticas, encontram um mercado garantido à medida das suas ambições. Mas a senhora foi ainda mais longe, comprometendo-se a investir 600 mil milhões de dólares nos Estados Unidos e a gastar em armas americanas o grosso do investimento a ser levado a cabo para atingir os tais 5% do PIB em armamento. Se tudo isto fosse exequível e executado, acabava a Europa que conhecemos: livre, próspera, orgulhosa do seu sistema social. Mas, mesmo sem o podermos ainda dizer, Von der Leyen, que já enxovalhara a União e os valores europeus com o seu silêncio cúmplice perante o genocídio em Gaza, rematou agora a sua prestação prostrando-se aos pé de um fora-da-lei internacional e dando-lhe tudo o que ele queria, na esperança de o conseguir apaziguar. Mas até nisso esta funesta alemã que nos calhou em sorte está errada: quando se cede uma vez perante a intimidação e a chantagem, está escrito que se terá de ceder mais vezes. Trump é um vampiro que precisa de se alimentar todos os dias do sangue dos fracos, dos indefesos, dos que se ajoelham e dos que ele inveja.

Os tempos vão maus e mesmo incompreensíveis para quem gostaria de se orgulhar de ser português e europeu. Resta-nos ter vergonha: pode ser que eles reparem.

domingo, 23 de junho de 2024

Milhares de pessoas marcham em Londres pela proteção da natureza e do clima


Londres, 22 jun 2024 (Lusa) - Milhares de pessoas participaram hoje numa manifestação em Londres, promovida por organizações como a Extinction Rebellion (XR) e o World Wide Fund for Nature (WWF), para apelar aos políticos para que atuem pela natureza e pelo clima.

Esta manifestação acontece a menos de duas semanas das eleições legislativas de 04 de julho no Reino Unido. Segundo as recentes sondagens, os trabalhistas estão amplamente em vantagem, prevendo-se, assim, uma pesada derrota para os conservadores, no poder há 14 anos.

A atriz britânica Emma Thompson e o naturalista e apresentador britânico Chris Packham ocuparam os lugares da frente na marcha realizada em Londres, pedindo para se “restaurar a natureza agora”.

Chris Packham explicou que esta é a primeira vez que organizações tão diferentes se unem para uma manifestação, dando como exemplo o National Trust (Fundo Nacional para Locais de Interesse Histórico ou Beleza Natural), que defende a herança britânica, e o grupo ativista ambiental Just Stop Oil, representado por ecologistas que são muito controversos pelas ações contundentes que realizam.

Fazendo-se notar de forma muito colorida, a manifestação decorreu num ambiente de boa disposição, num percurso desde Hyde Park até ao parlamento, em Westminster.

Entre a multidão de manifestantes, que vieram de várias zonas do Reino Unido, havia muitos fantasiados de animais, incluindo girafas e ursos.

“Não há vida sem vida selvagem” e “Não há botão para começar do zero” eram algumas das mensagens dos cartazes erguidos na manifestação.

Em declarações à agência de notícias France-Presse (APF), a atriz britânica Emma Thompson dirigiu-se aos políticos: “Parem de ser tão profundamente irresponsáveis”.
“Não acredito na falta de compromisso deles” com o clima durante a campanha eleitoral, criticou a atriz, que é ativista ambiental, alertando que o planeta está “no meio da tempestade”, manifestando “surpresa ao ver quanta negação ainda existe”.

Emma Thompson disse que apoia o grupo Just Stop Oil, do qual dois ativistas pulverizaram, na quarta-feira, tinta nos monólitos do famoso sítio pré-histórico inglês de Stonehenge.

O Just Stop Oil reclama o fim da exploração de combustíveis fósseis até 2030.

“Penso que apoio todos os que estão a liderar este combate extraordinário”, disse Emma Thompson, defendendo que não se pode mais extrair petróleo do solo.

O naturalista e apresentador britânico Chris Packham disse não estar muito impressionado com o conteúdo dos programas dos vários partidos políticos britânicos.

“Quando se trata de enfrentar os verdadeiros grandes problemas, não há substância, compromisso ou determinação para enfrentá-los, e isso é realmente dececionante”, criticou Chris Packham

segunda-feira, 6 de maio de 2024

Acção Climática Já: mitigação e adptação


A mitigação refere-se aos esforços para reduzir ou prevenir a emissão de gases de efeito estufa. Adaptação é o processo de ajuste aos impactos atuais ou esperados das alterações climáticas. A necessidade de adaptação varia de um local para outro, dependendo do risco para os sistemas humanos ou ecológicos.

Mitigation refers to efforts to reduce or prevent emission of greenhouse gases. Adaptation is the process of adjusting to current or expected impacts of climate change. The need for adaptation varies from one location to another, depending on the risk to human or ecological systems.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Cientista climático famoso ganha um milhão de dólares numa acção contra bloggers de direita


Cientista climático famoso ganha um milhão de dólares numa acção contra bloggers de direita
Após mais de uma década, a vitória de Michael Mann surge num contexto de ataques exacerbados a cientistas que trabalham não só com as alterações climáticas, mas também com vacinas e outras questões.

Michael Mann, um proeminente cientista climático, ganhou a sua longa batalha legal contra dois bloggers de direita que alegaram que ele manipulou dados na sua investigação e o compararam a Jerry Sandusky, um homem condenado por abuso de menores, uma grande vitória para o investigador.

A vitória de Michael Mann surge num contexto de ataques exacerbados a cientistas que trabalham não só com as alterações climáticas, mas também com vacinas e outras questões. No entanto, alguns críticos receiam que este caso possa ter um efeito asfixiante na liberdade de expressão e no debate aberto no domínio da ciência.

Numa coluna de 2012 intitulada "O outro escândalo em Unhappy Valley", publicada num sítio Web do Competitive Enterprise Institute, Simberg escreveu que Mann tinha "abusado e torturado dados" sobre o aquecimento global e comparou Mann a Sandusky, um treinador de futebol americano da Universidade do Estado da Pensilvânia que tinha sido preso por abuso de jovens rapazes. Na altura, Mann era professor na Penn State.

Na National Review, Steyn citou o artigo e acrescentou: "Não sei se teria estendido essa metáfora até aos balneários com o mesmo zelo com que o Sr. Simberg o faz, mas ele tem razão."

Fonte: Público

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Os atrasados do clima são os partidos Chega e Iniciativa Liberal- travemos e denunciemos os negacionistas climáticos

Aqui está um gráfico da própria Exxon Mobil, 1982. Ela previu que em 2023, o nosso CO2 atmosférico atingiria cerca de 415 partes por milhão, aumentando a temperatura média global da superfície em ~1,1 graus Celsius.

Atualização: A média de CO2 em 2023 foi de pouco mais de 420 PPM e a anomalia de temperatura média 1.18 ºC


"Perante o que já avançaram ciência e técnica e, em cada um, o ideal de humanidade, são o capitalismo e o socialismo duas formas idênticas e por isso concorrentes de estupidez"
– Agostinho da Silva

“O capitalismo é uma religião, e a mais feroz, implacável e irracional religião que jamais existiu, porque não conhece nem redenção nem trégua. Ela celebra um culto ininterrupto cuja liturgia é o trabalho e cujo objeto é o dinheiro!"
– Giorgio Agamben

"É preciso, para que essa ilha dos amores possa existir, que o Homem possa entender que o capitalismo existe não para ficar continuamente tendo mais lucros, e descontando mais juros e pagando mais dívidas ou pedindo mais dinheiro emprestado, mas para terminar num ponto em que a economia desapareça completamente, em que haja tudo para todos. E aí, o Homem possa passar à sua verdadeira vida que é a de contemplar o mundo, ser poeta do mundo e o mundo poeta para ele, de tal maneira que nunca mais ninguém se preocupa por fazer tal ou tal obra, mas por ser tal ou tal objecto no mundo, a identidade dele, a única, o ser único que existe no mundo entre os tais biliões de seres que no mundo existem"
– Agostinho da Silva

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

John Clauser, que nunca foi Professor de Física é membro activo da CO2 Coalition


John Clauser, que nunca foi Professor de Física é membro activo da CO2 Coalition que é uma organização de defesa sem fins lucrativos nos Estados Unidos, fundada em 2015. As suas alegações negacionistas das alterações climáticas entram em conflito com o consenso científico sobre as alterações climáticas.

História
A Coligação CO2 é a sucessora do Instituto George C. Marshall, um grupo de reflexão focado em questões de defesa e climáticas que foi encerrado em 2015. William O'Keefe, diretor executivo do Instituto Marshall e ex-CEO do American Petroleum Institute, continuou como CEO da Coligação CO2. William Happer, professor emérito de física conhecido por discordar do consenso sobre as alterações climáticas, foi outro fundador da Coligação CO2 do Instituto Marshall. Happer disse que a associação com o contrarianismo climático afetou negativamente o financiamento do Instituto Marshall, a saber: "Muitas fundações que normalmente teriam apoiado a defesa não o fariam porque o nome Marshall estava associado ao clima". As atividades de defesa do Instituto Marshall foram transferidas para o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais
Nos seus primeiros quatro anos, a Coligação CO2 recebeu mais de 1 milhão de dólares em contribuições de fundações que apoiam causas conservadoras e de responsáveis da indústria energética.

Atividades
A Coligação CO2 foi uma das mais de 40 organizações a assinar uma carta datada de 8 de maio de 2017, ao presidente Donald Trump, agradecendo-lhe pela sua promessa de campanha de se retirar do Acordo de Paris, que Trump anunciou em 1 de junho de 2017.

Em 2021, a Coligação CO2 apresentou um comentário público opondo-se às regras de divulgação das alterações climáticas da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA. A Coligação afirmou que "Não há 'crise climática' e não há evidências de que haverá uma", e ainda "O dióxido de carbono, o gás supostamente a causa do aquecimento catastrófico, não é tóxico e não causa danos", afirmações que estão em desacordo com o consenso científico sobre as alterações climáticas.

Em 2022, a Coligação apresentou um comentário público sobre os riscos relacionados com o clima à Commodity Futures Trading Commission, concluindo que "a ciência real demonstra que não há emergência climática e que não há riscos financeiros ou outros riscos relacionados com o clima causados por combustíveis fósseis e CO2." O comentário criticou os relatórios de avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas e as Avaliações Climáticas Nacionais dos EUA, os resumos consensuais oficiais da ciência climática que informam as políticas públicas:

Francamente, a "ciência" citada para apoiar a investigação da CFTC e possíveis ações é meramente a opinião do governo do Painel Internacional para as Alterações Climáticas (IPCC) e do Programa Global de Pesquisa Climática dos EUA (USGCRP), que não é ciência e não pode ser usado como base científica para qualquer CFTC ou outra ação governamental."

Em 2023, um stand da CO2 Coalition foi expulso da convenção anual da National Science Teaching Association. A Coligação distribuiu uma história em quadrinhos infantil ensinando sobre o dióxido de carbono como uma parte essencial da vida. O cientista climático Andrew Dessler disse: "Ao focar 100 por cento nesta ideia de que as plantas precisam de CO2, eles estão intencionalmente enganando as pessoas, evitando os problemas reais do CO2, sobre os quais eles nem falaram." A Coligação também distribuiu um panfleto desafiando o que chamou de "a adoção pela NSTA da hipótese do 'aquecimento nocivo causado pelo homem', apesar de sua base em ciência falha e opiniões governamentais..." No contrato para comparecer à convenção, a organização havia concordado que os seus materiais seriam consistentes com a posição da NSTA sobre as alterações climáticas.

Em Fevereiro de 2023, a Coligação CO2 tinha publicado doze livros brancos, seis “questões climáticas aprofundadas”, oito resumos de políticas científicas, testemunhos de membros da coligação e publicações de membros da coligação. O grupo continua a falar publicamente e a emitir comunicados de imprensa sobre questões relacionadas com a produção de energia, as alterações climáticas e a defesa dos combustíveis fósseis.


quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

O que John Clauser diz está errado. Travemos a desinformação climática e os negacionistas climáticos


Diz assim o texto no facebook
J𝐎𝐇𝐍 𝐂𝐋𝐀𝐔𝐒𝐄𝐑, 𝐕𝐄𝐍𝐂𝐄𝐃𝐎𝐑 𝐃𝐎 𝐏𝐑𝐄̂𝐌𝐈𝐎 𝐍𝐎𝐁𝐄𝐋 𝐃𝐄 𝐅𝐈́𝐒𝐈𝐂𝐀 𝐃𝐄 𝟐𝟎𝟐𝟐: 
“𝑃𝑜𝑠𝑠𝑜 𝑎𝑓𝑖𝑟𝑚𝑎𝑟 𝑐𝑜𝑚 𝑚𝑢𝑖𝑡𝑎 𝑐𝑜𝑛𝑓𝑖𝑎𝑛𝑐̧𝑎 𝑞𝑢𝑒 𝑁𝐴̃𝑂 𝑒𝑥𝑖𝑠𝑡𝑒 𝑒𝑚𝑒𝑟𝑔𝑒̂𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑐𝑙𝑖𝑚𝑎́𝑡𝑖𝑐𝑎”.
“... 𝑃𝑜𝑟 𝑚𝑎𝑖𝑠 𝑞𝑢𝑒 𝑖𝑠𝑠𝑜 𝑝𝑜𝑠𝑠𝑎 𝑖𝑛𝑐𝑜𝑚𝑜𝑑𝑎𝑟 𝑚𝑢𝑖𝑡𝑎𝑠 𝑝𝑒𝑠𝑠𝑜𝑎𝑠, 𝑎 𝑚𝑖𝑛ℎ𝑎 𝑚𝑒𝑛𝑠𝑎𝑔𝑒𝑚 𝑒́ 𝑞𝑢𝑒 𝑜 𝑝𝑙𝑎𝑛𝑒𝑡𝑎 𝑁𝐴̃𝑂 𝑒𝑠𝑡𝑎́ 𝑒𝑚 𝑝𝑒𝑟𝑖𝑔𝑜. … 𝑂 𝐶𝑂2 𝑎𝑡𝑚𝑜𝑠𝑓𝑒́𝑟𝑖𝑐𝑜 𝑒 𝑜 𝑚𝑒𝑡𝑎𝑛𝑜 𝑡𝑒̂𝑚 𝑢𝑚 𝑒𝑓𝑒𝑖𝑡𝑜 𝑖𝑛𝑠𝑖𝑔𝑛𝑖𝑓𝑖𝑐𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑛𝑜 𝑐𝑙𝑖𝑚𝑎.
𝐴𝑡𝑒́ 𝑎𝑔𝑜𝑟𝑎, 𝑖𝑑𝑒𝑛𝑡𝑖𝑓𝑖𝑐𝑎́𝑚𝑜𝑠 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙𝑚𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑚𝑎𝑙 𝑞𝑢𝑎𝑙 𝑒́ 𝑜 𝑝𝑟𝑜𝑐𝑒𝑠𝑠𝑜 𝑑𝑜𝑚𝑖𝑛𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑛𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑜𝑙𝑜 𝑑𝑜 𝑐𝑙𝑖𝑚𝑎, 𝑒 𝑡𝑜𝑑𝑜𝑠 𝑜𝑠 𝑣𝑎́𝑟𝑖𝑜𝑠 𝑚𝑜𝑑𝑒𝑙𝑜𝑠 𝑏𝑎𝑠𝑒𝑖𝑎𝑚-𝑠𝑒 𝑒𝑚 𝑓𝑖́𝑠𝑖𝑐𝑎 𝑖𝑛𝑐𝑜𝑚𝑝𝑙𝑒𝑡𝑎 𝑒 𝑖𝑛𝑐𝑜𝑟𝑟𝑒𝑐𝑡𝑎.
𝑂 𝑝𝑟𝑜𝑐𝑒𝑠𝑠𝑜 𝑑𝑜𝑚𝑖𝑛𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑒́ “𝑜 𝑚𝑒𝑐𝑎𝑛𝑖𝑠𝑚𝑜 𝑑𝑜 𝑡𝑒𝑟𝑚𝑜𝑠𝑡𝑎𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑟𝑒𝑓𝑙𝑒𝑥𝑖𝑣𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑎 𝑛𝑢𝑣𝑒𝑚-𝑙𝑢𝑧 𝑠𝑜𝑙𝑎𝑟.
𝐴𝑠 𝑛𝑢𝑣𝑒𝑛𝑠 𝑠𝑎̃𝑜 𝑡𝑜𝑑𝑎𝑠 𝑏𝑟𝑎𝑛𝑐𝑎𝑠 𝑒 𝑏𝑟𝑖𝑙ℎ𝑎𝑛𝑡𝑒𝑠 𝑒 𝑟𝑒𝑓𝑙𝑒𝑡𝑒𝑚 90% 𝑑𝑎 𝑙𝑢𝑧 𝑠𝑜𝑙𝑎𝑟 𝑑𝑒 𝑣𝑜𝑙𝑡𝑎 𝑎𝑜 𝑒𝑠𝑝𝑎𝑐̧𝑜, 𝑡𝑜𝑟𝑛𝑎𝑛𝑑𝑜-𝑎𝑠 𝑜 𝑎𝑠𝑝𝑒𝑐𝑡𝑜 𝑚𝑎𝑖𝑠 𝑐𝑟𝑢𝑐𝑖𝑎𝑙, 𝑝𝑜𝑟𝑒́𝑚 𝑚𝑎𝑖𝑠 𝑛𝑒𝑔𝑙𝑖𝑔𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑑𝑜, 𝑑𝑜 𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 𝑐𝑙𝑖𝑚𝑎́𝑡𝑖𝑐𝑜.
𝐷𝑜𝑖𝑠 𝑡𝑒𝑟𝑐̧𝑜𝑠 𝑑𝑎 𝑇𝑒𝑟𝑟𝑎 𝑠𝑎̃𝑜 𝑜𝑐𝑒𝑎𝑛𝑜𝑠. 𝑆𝑜́ 𝑜 𝑂𝑐𝑒𝑎𝑛𝑜 𝑃𝑎𝑐𝑖́𝑓𝑖𝑐𝑜 𝑟𝑒𝑝𝑟𝑒𝑠𝑒𝑛𝑡𝑎 𝑚𝑒𝑡𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑎 𝑇𝑒𝑟𝑟𝑎.
𝐴 𝑐𝑜𝑏𝑒𝑟𝑡𝑢𝑟𝑎 𝑚𝑒́𝑑𝑖𝑎 𝑑𝑒 𝑛𝑢𝑣𝑒𝑛𝑠 𝑛𝑎 𝑇𝑒𝑟𝑟𝑎 𝑒́ 𝑑𝑒 67%; 𝑐𝑒𝑟𝑐𝑎 𝑑𝑒 50% 𝑠𝑜𝑏𝑟𝑒 𝑎 𝑡𝑒𝑟𝑟𝑎 𝑒 75% 𝑠𝑜𝑏𝑟𝑒 𝑜𝑠 𝑜𝑐𝑒𝑎𝑛𝑜𝑠.
𝐴𝑓𝑖𝑟𝑚𝑜 𝑞𝑢𝑒 𝑎𝑠 𝑝𝑟𝑜𝑝𝑟𝑖𝑒𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 𝑐𝑜𝑛𝑠𝑝𝑖́𝑐𝑢𝑎𝑠 𝑑𝑎𝑠 𝑛𝑢𝑣𝑒𝑛𝑠 𝑠𝑎̃𝑜 𝑎 𝑝𝑎𝑟𝑡𝑒 𝑞𝑢𝑒 𝑓𝑎𝑙𝑡𝑎 𝑛𝑜 𝑞𝑢𝑒𝑏𝑟𝑎-𝑐𝑎𝑏𝑒𝑐̧𝑎.
𝑷𝒐𝒔𝒔𝒐 𝒂𝒇𝒊𝒓𝒎𝒂𝒓 𝒄𝒐𝒎 𝒎𝒖𝒊𝒕𝒂 𝒄𝒐𝒏𝒇𝒊𝒂𝒏𝒄̧𝒂 𝒒𝒖𝒆 𝒏𝒂̃𝒐 𝒉𝒂́ 𝒆𝒎𝒆𝒓𝒈𝒆̂𝒏𝒄𝒊𝒂 𝒄𝒍𝒊𝒎𝒂́𝒕𝒊𝒄𝒂”.

O que John Clauser diz está errado. Não tem um artigo de revisão entre pares em questões de alterações climáticas e ainda: Anton Zeilinger, que venceu o Nobel com ele, afirma categoricamente, que Clauser não é um perito em alterações climáticas. 

Robin Monotti não tem credibilidade! A desinformação tem que ser travada. E mais, este negacionismo radical existe entre os membros dos partidos Chega e Iniciativa Liberal.

Aqui as respostas ao texto de Clauser, por 2 cientistas do clima, que estudam há anos esta questão:

1. Michael Mann, cientista climático da Universidade da Pensilvânia, disse que o argumento é “puro lixo” e “pseudociência”.
A “melhor evidência disponível” mostra que as nuvens realmente têm um efeito líquido de aquecimento, disse Mann por e-mail. “Em física, chamamos isso de ‘erro de sinal’ – é o tipo de erro que um calouro tem vergonha de ser apanhado ao cometê-lo”, disse ele.

2. Andrew Dessler, professor de ciências atmosféricas na Texas A&M University, concorda.
“As nuvens amplificam o aquecimento”, disse Dessler num e-mail, acrescentando: “A comunidade científica passou o último século a estudar [as alterações climáticas] e, neste momento, praticamente tudo o que está a acontecer foi previsto. John Clauser e sua turma ignoram isso porque não estão apresentando críticas científicas sérias.”

Se seguirem o link do realizador italiano na rede X vão dar de caras com a rede Deposit of Faith Coalition, ultra-católica, extrema-direita norte-americana. 

Saber mais:

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Os novos negacionistas


Quando Galileu descobriu que era a Terra que rodava em torno do Sol (e não o contrário), a doutrina dominante não aceitou e obrigou-o a renunciar à sua descoberta. Reza a história que à saída da igreja onde abjurara, Galileu se voltou para um amigo e lhe sussurrou: “E, no entanto, ela (a Terra) gira.”
O mesmo se passa hoje em relação à crise ecológica e ao crescimento económico exponencial das nossas economias. Quando se diz algo absolutamente razoável sobre a insustentabilidade de um sistema dependente do crescimento a todo o custo, a recepção violenta ou pedante (pelas elites, comentadores políticos, etc.) é sinal de que voltamos ao estilo da Idade Média.
Mas, independentemente do dogmatismo vigente, o facto é que não podemos continuar a aumentar o PIB para sempre. É muito simples: não é possível crescer o PIB sem aumentar ao mesmo tempo os fluxos de matérias e de energia – necessários para construir e fazer funcionar quase tudo o que se compra e vende. Mesmo quando uma inovação reduz o consumo material/energético de um bem ou serviço, esse ganho de produtividade/competitividade resulta em vendas acrescidas, o que leva a maiores consumos materiais e energéticos no total. Chama-se a isto o paradoxo de Jevons. Verifica-se sempre, desde que foi identificado no início da Revolução Industrial, e é o que demonstra a impossibilidade crónica do crescimento verde. Sem apelo.
E esta dependência de fluxos materiais e energéticos cada vez maiores implica uma destruição da Natureza na mesma proporção, porque estes têm de ser extraídos e transformados ao longo de toda a cadeia de produção: estamos a provocar a 6.ª extinção em massa, a desflorestar, sobrepescar, minerar, poluir, instalar megaparques solares e eólicos, e monoculturas industriais em todo o lado.
O relatório do Estado do Clima de 2023 publicado na revista BioScience é taxativo: “Estamos a deixar para trás as condições associadas com a civilização humana. Temos de mudar a nossa perspectiva de a emergência climática ser uma questão ambiental isolada para uma [perspectiva de] ameaça sistémica e existencial.” Continuar a acreditar que conseguimos “inovar tecnologicamente” as soluções para as múltiplas manifestações deste imenso problema é não perceber a natureza desse mesmo problema. É confundir causas com sintomas. É como tentar curar um cancro com aspirinas, por nos recusarmos a aceitar que temos cancro.
É este o novo negacionismo. No anterior, o climático, não se acreditava que o aquecimento global era provocado pela ação humana. Neste novo, (ainda) não se acredita que a destruição natural sem precedentes que estamos a viver seja provocada pela obsessão do crescimento económico exponencial.
Mas esse crescimento económico exponencial é matemática e fisicamente impossível num mundo com recursos finitos. Não só por causa dos desequilíbrios ecológicos, mas também devido a outras instabilidades como a financeira, a social ou a geopolítica.
O mundo como o conhecemos, e como se materializa nas nossas vidas diárias, está prestes a sofrer uma redução imensa na sua capacidade de aceder às quantidades de energia, materiais e estabilidades essenciais à sua continuação. E se não podemos fazer grande coisa relativamente aos sistemas macro, podemos fazê-lo em relação aos nossos sistemas socio-económicos locais, regionais, nacionais – e talvez europeus – preparando-(n)os para os choques que se avizinham.
É por isso que os artigos do JMT, de Pedro Norton, ou as lastimáveis conversas de café da CNN, são bem exemplificativos das "elites" em Portugal. Embrulham-se na sua incompreensão do que se está a passar, discorrendo disparatadamente sobre um qualquer acontecimento global, repentino, tipo “cometa dos dinossauros” ou apocalipse bíblico onde tudo acontece num repente – daqueles que, realmente, nunca aconteceram à espécie humana. Têm uma visão de progresso monolítica, subjugada ao imperativo do crescimento económico, fora da qual tudo para eles é "um inferno”.
Não contemplam qualquer possível transição, qualquer via de desenvolvimento alternativo. Não entendem que o tal "fim do mundo" se refere ao aproximar do "fim de um mundo", i.e. de um modo de viver: o nosso.
E estão 100% errados, porque isto foi algo que aconteceu, literalmente, a 100% das civilizações da história da humanidade. E nas 100% das vezes que isto aconteceu, as suas elites não reagiram: o que as tornava e mantinha como elites era o sistema em que viviam, mesmo quando este se desmoronava debaixo dos pés. Pelo que mantê-lo a todo o custo era – e é – o seu objetivo último.
O mundo como o conhecemos, e como se materializa nas nossas vidas diárias, está prestes a sofrer uma redução imensa na sua capacidade de aceder às quantidades de energia, materiais e estabilidades essenciais à sua continuação.
Hoje, com o velho mundo a desmoronar, surgem já várias alternativas sistémicas, económicas, democráticas, agrícolas, regenerativas, tecnológicas e em tantas outras vertentes. E o Decrescimento, enquanto corrente crítica, debruça-se precisamente sobre isto: convidar reflexões difíceis, mas honestas, imaginar e experimentar novas economias, novas medidas de progresso social, e experimentar formas de transitar, coletiva e estrategicamente, para uma sociedade onde será cada vez mais difícil o acesso a energia e materiais – por constrangimento, ou por opção.
O que não podemos – e não podemos mesmo – é deixar tudo na mesma, "nas mãos" de um nível de comentário político miserável, de elites políticas e económicas focadas meramente em lucros e eleições, e tudo dependente de uma premissa económica impossível.
Nas tantas histórias da humanidade, já se fez muito mais, por muito menos. Está na hora de mudar de página, de mundo – e de elites.

Texto original aqui

domingo, 8 de outubro de 2023

Oú va L´Humanité ? - Laurent Testot


Eu sei. São duas horas. Mas vale a pena o tempo dispensado. E sim, estou de acordo com este excelente investigador francês, Laurent Testot, desconhecido entre nós. A solução que ele prevê para toda esta plutocracia, 1%, injustiça ambiental, emergência climática, desvario dos mercados, etc.. é apoiar todas as formas de decrescimento.
Ele também tem um blog muito interessante [Histoire Globale]

terça-feira, 27 de junho de 2023

"Muito preocupante". Quais os 13 grupos de extrema-direita em Portugal?


Novo relatório do Projeto Global contra o Ódio e o Extremismo identifica 13 movimentos radicais de direita em Portugal. Partido de Ventura acusado de “envenenar” o discurso público “com uma retórica racista, anti-LGBTQ+, anti-imigração e anticigana”

“A rápida ascensão e influência do Chega é um aviso de que nenhum país é verdadeiramente imune a forças exclusivistas, demagógicas, e que até mesmo minúsculos partidos de extrema-direita podem expandir rapidamente a sua base de apoio”. Este é um dos alertas vertidos no relatório da organização não-governamental norte-americana Global Project Against Hate and Extremism (GPAHE) sobre Portugal, divulgado esta terça, 27, e a que a VISÃO teve antecipadamente acesso. “O fervor nacionalista branco e anti-imigração entre os grupos de extrema-direita em Portugal é muito preocupante”, refere a presidente e cofundadora Wendy Via num comentário que acompanha o conteúdo do documento, no qual são identificados 13 “grupos de ódio e de extrema-direita” nacionais.

Fundado em 2020 por Wendy Via e Heidi Beirich, duas veteranas da luta pelos direitos civis e especialistas em movimentos extremistas, o GPAHE combate o extremismo de direita enquanto “ameaça existencial às democracias prósperas e inclusivas” e recorre a informações públicas a partir da Imprensa, de documentos e relatórios oficiais dos governos, registos judiciais, publicações, sites e contas nas redes sociais dos grupos em questão. As suas denúncias e atividade têm auxiliado o congresso dos EUA, são acolhidas em conferências da ONU e ajudaram as multinacionais de tecnologia a bloquear conteúdos extremistas que violam as regras dos seus serviço. O relatório sobre a realidade portuguesa é o quinto de uma série que inclui França, Bulgária, Irlanda e Austrália.

Active Club Portugal, Alternativa Democrática Nacional (ADN), Associação Portugueses Primeiro, Blood and Honour (B&H) Portugal, Chega, Chega Juventude, Habeas Corpus, Ergue-Te/Partido Nacional Renovador (PNR), Escudo Identitário, Força Nova, Movimento Social Nacionalista, Portugal Hammerskins e Proud Boys Portugal são os 13 grupos, partidos e movimentos cujo perfil é identificado e detalhado no documento. Segundo a GPAHE, todos mantêm “crenças e atividades que menorizam, assediam ou inspiram violência contra pessoas com base nos seus traços de identidade”.

O “veneno” Chega

No caso do Chega, a ONG norte-americana sedeada no Alabama considera que o partido liderado por André Ventura “tem trabalhado para envenenar o discurso nacional com uma retórica racista, anti-LGBTQ+, anti-imigração e anticigana” e se transformou numa espécie de casa comum para identitários, conspiracionistas, supremacistas brancos, nostálgicos de Salazar, nacionalistas cristãos e outros extremistas de direita “que apoiam o autoritarismo”.

O relatório dedica ainda alguns parágrafos à Juventude Chega, o ramo oficial da geração mais nova que aderiu ao partido liderado pela deputada Rita Matias e que, segundo o relatório, tem “membros mais radicais”. O documento destaca mensagens e afirmações públicas de dois elementos do braço juvenil da formação política de Ventura, Francisco Araújo (ramo do Porto), João Antunes (ramo de Coimbra), que difundem conteúdos abertamente racistas e fascistas. Mas há mais: Gonçalo SousaAfonso GonçalvesAlexandre Gazur

Segundo a GAPHE, os dados globais recolhidos mostram que, em Portugal, “há hoje uma clara tendência de internacionalização entre elementos de extrema-direita”. E assinala ainda: “Onde antes o nacional-socialismo, a fidelidade ao regime salazarista ou as visões lusotropicalistas do império português dominavam grande parte da extrema-direita pós-25 de abril, hoje, a extrema-direita portuguesa bebe cada vez mais dos movimentos neofascistas franceses (Movimento Social Nacionalista), neofascistas italianos (Escudo Identitário/Força Nova), identitários franceses (Portugueses Primeiro/Escudo Identitário) e até dos supremacistas brancos americanos (Proud Boys Portugal)”, lê-se no documento. Embora menos influente do que nos seus homólogos franceses, a teoria da “Grande Substituição” – alegada conspiração de “elites” ou “globalistas” para “substituir” as populações europeias brancas por estrangeiros – também se apoderou de setores radicais de direita nacionais, de acordo com o relatório. “Os movimentos radicais de extrema-direita inspiram terrorismo, assassinatos em massa e políticas de restrições de direitos em todo o mundo e, como mostra o nosso relatório, os vários movimentos estão cada vez mais interligados”, refere Heidi Beirich, cofundadora do Projeto Global contra o Ódio e o Extremismo, numa outra nota que acompanha o documento. “A segurança comum e das democracias está em risco. É fundamental que as pessoas, local e globalmente, entendam o cenário radical de extrema-direita, como ele opera e como os pontos se ligam dentro dos países e transnacionalmente, a fim de combater as ameaças desses grupos, para que possamos estar à frente deles. Esperamos que estes relatórios ajudem os defensores e os decisores políticos a fazer isso.”

Pode ler o relatório na íntegra aqui, onde são explicitadas em detalhe as características de cada um destes partidos e movimentos.

quinta-feira, 25 de maio de 2023

Tina Turner: uma das muitas vítimas da "medicina alternativa"

Em 2016, vítima de um cancro intestinal, aconselhada por charlatães, optou por tratamentos fitoterápicos (e homeopatia).Resultado: ela destruiu os rins, sobreviveu apenas graças a um transplante, em estado lamentável.
"Nada é mais poderoso do que uma ideia, e nada é mais potencialmente prejudicial do que um equívoco ou um equívoco que todos consideram verdadeiro sem nunca questionar nem por um momento, ou apenas verificar.
A atual popularidade da chamada medicina alternativa em geral, e dos remédios fitoterápicos em particular, baseia-se em vários mitos comumente aceites, sendo o principal deles, o líder, a ideia de que tudo o que é "natural" é bom.
Esses mitos, no entanto, não resistem ao escrutínio crítico. Eles florescem porque tocam uma corda sensível na psicologia humana. A indústria multimilionária de mezinhas ​​usa esses mitos como um plano de marketing fabuloso e os usa para consolidá-los no público a tal ponto que se tornaram parte da cultura.
Conclusão: nenhum tratamento - seja ele qual for - sem orientação médica, um produto "natural" pode ser muito mais tóxico que um medicamento!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Indústria de combustíveis fósseis fora da política!


Petição

Os preços da energia estão disparando e as pessoas estão lutando e querendo aquecer suas casas. No entanto, o lobby dos combustíveis fósseis está investindo milhões para sabotar as políticas que poderiam nos ajudar a lidar com esta crise. Precisamos que os governos cortem os laços com essas megacorporações:
  1. Revogar o acesso destas empresas às instituições europeias, a começar pela retirada imediata dos cartões de acesso aos seus representantes.
  2. Aplicando um regime de conflito de interesses para políticas climáticas e energéticas, como as restrições às políticas de saúde que foram impostas à indústria do tabaco.
  3. Criar na Europa um grupo consultivo para a justiça social e ambiental com diferentes ONGs, grupos de pobreza energética e sindicatos.
Porque é importante?

Há uma invasão sem precedentes do lobby dos combustíveis fósseis em Bruxelas. [1] Ele trabalha noite e dia para impedir qualquer acordo político que substitua o gás e o carvão por energia renovável.

E ainda por cima, esta indústria poluidora está a angariar alguns lucros indecentes enquanto muitas famílias têm de escolher entre aquecer a casa ou pôr um prato de comida na mesa. [2]

A boa notícia é que não está escrito em lugar nenhum que eles devam ter acesso aos nossos cargos políticos. O lobby do petróleo russo teve esses privilégios de acesso revogados [3] e podemos fazer o mesmo com a indústria de combustíveis fósseis que causa tantos danos ao público e ao planeta.

Mas não há tempo a perder. Estas megacorporações querem interromper os planos destinados a ajudar as pessoas comuns a sobreviver neste inverno , como limitar as contas de eletricidade e gás ou aumentar os impostos sobre os lucros inesperados. [4] Precisamos que a classe política europeia rompa seus laços com os combustíveis fósseis sujos agora.

Nas últimas décadas, estes lobbies poderosos investiram milhões para impedir que a Europa faça a transição do gás para as energias renováveis. A indústria de combustíveis fósseis emprega as mesmas táticas das empresas de tabaco: patrocinar eventos políticos de postura ecológica e apresentar pesquisas duvidosas que subestimam os perigos da alteração climática. [5]

Agora pressionam para que a conta do gás não baixe e quem paga as consequências são as famílias europeias. Temos que responsabilizar as empresas de petróleo e gás e impedi-las de esfregar os ombros com a classe política.

Peça aos nossos dirigentes políticos que cortem os laços com o lobby dos combustíveis fósseis, começando pela retirada imediata dos cartões de acesso de seus representantes.

Referências:
  1. Desde fevereiro de 2022, houve mais de 100 reuniões entre representantes de empresas de petróleo e gás e membros da Comissão Europeia (ou seja, uma a cada dois dias):  [Em inglês]
  2. As empresas de combustíveis fósseis também superaram quase todas as delegações nacionais na COP27 em 2022
  3. Euronews
  4. EU Observer [Em inglês]
  5. Corporate Europe [Em inglês]
  6. Climatica
Estas são as nossas exigência [em inglês].

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Infodemia - uma nova crise do séc. XXI



Umberto Eco foi um daqueles homens que se pode designar como um polímata, isto é, como alguém é proficiente em mais do que uma área do saber. A nossa civilização está sequiosa de intelectuais. De construção sólida de conhecimento. Caso semelhante e em Portugal vejo em Pacheco Pereira. Nós crescidos passamos horas e horas "sagradas" a desconstruir as inverdades dos influencers digitais, mesmo na área da saúde e alimentação. Muitos mitos. Por outro lado são cada vez são menos os alunos que gostam da escola. Ano após ano o número de alunos que gostam da escola tem diminuído vertiginosamente. Atualmente estima-se que em média, um aluno gostará da escola e dos professores, em cada 23/25 por turma. É uma tragédia. Para além das várias crises, temos esta a da propagação de influencers com seguidores "fanáticos"...só escutam a eles e mais ninguém. Exercem sobre quem os ouve uma manipulação muito profunda, que depois para "re-educar" é uma tarefa herculiana.

No Youtube a Associação 25 de Abril tem apenas 3,44 mil subscritores. Jordan Peterson, um doente mental, homofóbico, de (extrema) direita, céptico climático tem 6,13 milhões de subscritores!! Prager U, um canal informativo de (extrema) direita norte-americano tem 3 milhões de subscritores. Outro exemplo. Os professores de Biologia nacionais têm que explicar aos alunos que a matéria de Biologia no Brasil é diferente de cá. Os conceitos são diferentes. Mil vezes a mesma tecla. Só o Samuel Cunha tem 1,06 milhões de subscritores (!!!) Mas há mais brasileiros a contrariar as nossas aulas- Guilherme Goulart, com 349 mil subscritores e Andrey "Tubarão", com 79,3 mil subscritores.

Excesso de informações e de influencers traz consequências para a saúde e prejudica o trabalho independente e científico dos próprios jornalistas. 
Interfere e muito na actividade pedagógica de académicos e professores em várias matérias.

É isso que Umberto Eco denuncia: muita informação e pouca ética.

E não é só o Youtube. O jornalista e professor da Fundação Cásper Líbero, Rodrigo Ratier, estudioso das media sociais, adverte que o WhatsApp, por sua própria natureza, “ não permite o contraditório. Não é uma praça pública digital, como é o Facebook, antes do reino algoritmo e as suas bolhas ideológicas, que um dia ambicionou ser. O WhatsApp é, desde o berço, um condomínio fechado, um clube restrito, uma rodinha de amigos que se esforçam em suas crenças (maluquices? preconceitos? fofocam, conspiram. Um ambiente em que a disputa por atenção privilegia o que parece espetacular, secreto, exclusivo, sensacional. Terreno fértil para boatos, distorções e mentiras de todo tipo”.

Uma das soluções viáveis, na minha perspectiva, é o aumento de imprensa local (mais de um quarto dos concelhos em Portugal não tem cobertura noticiosa frequente- dados de 2022) e a implementação de cidades dos 15 minutos. Cidades, aglomerados mais sólidos, com interações sociais mais ricas, reduzindo o ruído da desinformação e contribuindo para mitigação da pegada ecológica, maior sensibilidade para a conservação da natureza e para a preservação da biodiversidade.

Falhar melhor. O temperamento de cada um ditará se há na expressão de Samuel Beckett pessimismo, optimismo ou resignação. Ela é de tal modo poderosa, que corre o risco de vir a banalizar-se. Talvez já esteja à beira do lugar-comum. Dá bons títulos. É preciso voltar a lê-la no contexto em que nos foi oferecida pelo escritor irlandês em Worstward Ho, um dos seus últimos trabalhos. "Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Nunca ter tentado. Nunca ter falhado. Não importar. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor."

 Saiba tudo sobre infodemia aqui

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Umberto Eco- sobre as redes sociais


Umberto Eco, nascido a 5 de Janeiro.
"As redes sociais deram o direito à palavra a legiões de imbecis que, antes, só falavam nos bares, após um copo de vinho, e não causavam nenhum mal para a coletividade. Nós os fazíamos calar imediatamente, enquanto hoje eles têm o mesmo direito de palavra do que um prémio Nobel. É a invasão dos imbecis" .

As declarações foram feitas no dia 10 de Junho de 2015, no decorrer do evento no qual o filósofo e escritor recebeu o título de doutor honoris causa em comunicação e cultura, na Universidade de Turim.

Umberto Eco - biografia

Sites || Fundações

Textos e reflexões na  revista UOL

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Trump hosts event featuring QAnon, 'Pizzagate' conspiracy theorist at Mar-a-Lago

PHOTO: Former President Donald Trump announces that he will once again run for president in the 2024 presidential election during an event at his Mar-a-Lago estate in Palm Beach, Fla., Nov. 15, 2022.

A prominent adherent of the QAnon and "Pizzagate" conspiracy theories posed for photos with former President Donald Trump at his Mar-a-Lago resort Tuesday night after speaking at an event hosted at the club, according to photos and videos posted to social media.

The event came two weeks after Trump had dinner at Mar-a Lago with rapper Ye, formerly known as Kanye West, who recently spoke positively about Hitler, and far-right YouTuber Nick Fuentes, who the Department of Justice has labeled a white supremacist. The meeting sparked outrage despite Trump's claim he did not know who Fuentes was.

Videos and photos posted to social media appear to show Liz Crokin, a prominent promoter of QAnon and pro-Trump conspiracy theories, speaking at an event at Mar-a-Lago and later posing for photos with Trump. In one photo, the duo make a "thumbs up" sign together.

According to social media posts, the event was billed as a fundraiser in support of a "documentary" on sex trafficking - one of the pillars of the QAnon conspiracy theory. The website for the film, which includes multiple falsehoods and claims of mass sex-trafficking in Hollywood, boasts that it is "Banned by YouTube, Facebook, Instagram, Twitter, and PayPal."

Mar-a-Lago often hosts events for outside groups.

"You are incredible people, you are doing unbelievable work, and we just appreciate you being here and we hope you're going to be back," Trump said in remarks to the crowd, according to a video of his speech.

A representative for the Trump campaign did not respond to ABC News' request for comment.

"Tonight I had the privilege and honor to speak at America's Future fundraiser to combat child trafficking at Mar-A-Lago," Crokin wrote in a social media post, claiming that while she was at Trump's club she discussed "Pizzagate" -- a viral conspiracy theory that falsely claims prominent Democrats were running a child-sex trafficking ring out of a pizza shop in Washington, D.C.

Darlene Swaffar, a former Republican congressional candidate who attended the event, told ABC News she was happy to see the former president address attendees. She also said that other prominent conservatives who were in attendance included former national security adviser and retired Lt. Gen. Michael Flynn, former Alaska governor Sarah Palin, and Seth Keshel, a retired U.S. Army captain who has worked to challenge the results of the 2020 presidential election. Swaffar posted photos with both Flynn and Palin taken at the event.

Swaffar told ABC News the fundraiser had different events based on how much attendees gave. "For attendees there was a reception portion, and for those that contributed a little bit more there was the dinner portion," she said.

When asked about the event hosting a QAnon conspiracy theorist, Swaffar told ABC News she did not hear anything about QAnon or conspiracy theories at the event, saying she didn't see "any communication on that."

After the event at Mar-a-Lago, Crokin posted on social media that it was time to stop "tip toeing" around the Pizzagate conspiracy, saying "It’s time for the FULL TRUTH to come out!"

Conklin was featured last year in the HBO Docuseries "Q: Into the Storm." In a video, Rep. Marjorie Taylor Greene said she first was introduced to the conspiracy theory by Crokin.

According to a report on an another interview she gave, Crokin said of Trump that as president, Trump was "dismantling the deep state and one of his top priorities is to end sex trafficking."

Crokin did not respond to ABC News' request for comment on the event or whether she still believes in the QAnon and "Pizzagate" conspiracy theories.

In recent weeks, Trump's newly announced 2024 campaign has been playing defense on multiple fronts. On Wednesday, Trump's namesake real estate company was found guilty by a jury in New York of tax fraud. Last week, Trump on social media called for "termination" of "of all rules, regulations, and articles, even those found in the Constitution" over false claims of election fraud.