domingo, 31 de dezembro de 2017

Carl Sagan e as Árvores

PT
"Nós, humanos, parecemos bastante diferentes de uma árvore. Sem dúvida, percebemos o mundo de forma diferente do que uma árvore faz. Mas no fundo, no coração molecular da vida, as árvores e nós somos essencialmente idênticos. "~ Carl Sagan, Cosmos

EN
We humans look rather different from a tree. Without a doubt we perceive the world differently than a tree does. But down deep, at the molecular heart of life, the trees and we are essentially identical.” ~ Carl Sagan, Cosmos

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

As ruas e a arte de caminhar

A pé vê-se muito intensamente as cidades e paramos, pelo menos eu, travo e fixo e reflito e aprendo sempre mais. Mas também espanto-me e sinto as mesmas emoções com as "ruas" que as redes sociais nos dão a mostrar.
E pelas ruas não encontro "medos": Converso, falam comigo, há alguém que passeia um cão, indicam-me caminhos, não uso muito gps ou faço do gps móvel pretexto para conversar e sentir o barómetro da cidade, do local onde estou a caminhar.  E encontramos mensagens, nas paredes (refiro-me a arte de rua), a magia e a emoção e sonhos e mistérios quando avisto uma casa abandonada, uma quinta histórica. Por vezes estou em grupo. E o mais relevante  desligo o wifi e estar atento. Simples.

Arte de rua  Lisboa
Foto de autor

Review "The End of Nature" by Bill McKibben


What will the end of the world look like? In 1989, Nicholas Wade reviewed Bill McKibben’s “The End of Nature,” which argued that society’s unchecked materialism and hunger for natural resources would lead to humanity’s end. Read an excerpt below.

When, Milton reports in “Paradise Lost,” Adam asked the archangel Raphael to explain the movement of the heavens, he was rebuffed with some frosty words about man dwelling in “An edifice too large for him to fill, / Lodg’d in a small partition, and the rest / Ordain’d for uses to his Lord best known.” Bill McKibben, a frequent contributor to The New Yorker, quotes the put-down with approval at the conclusion of his interesting essay, “The End of Nature.” The greenhouse effect is his text, and his moral is that humankind should stick to its small partition, halting its implicit program of polluting, dominating and managing the natural world.

By the end of nature Mr. McKibben means the end of nature as a force independent of man. He sees nature being dominated in two ways. First, the pollution created by human societies has now begun to have global impact. The feared climatic warming from the greenhouse effect, which Mr. McKibben considers to be a sure thing, is another.

It would be easy to dismiss the thesis as a restatement of the limits-to-growth debate or as yet another instance of how everyone uses the greenhouse effect to promote his own agenda. It would be reasonable to argue with his unmitigated trust in the computer models used to predict the greenhouse warming and his exaggeration of the present powers of genetic engineering.

But all such pretexts for dismissing the book would be easy ways of avoiding the hard questions it raises. The economic frame of reference in which most public debate takes place sets no intrinsic value on natural beauty or uniqueness. Unless protected by special lawslike the Endangered Species Act, natural habitats almost always yield to the bulldozer.

The conventional reply to critics like Mr. McKibben is that prosperity and individual choice are also high values, that economic systems always adapt with unexpected success to scarcity or the constraints imposed by antipollution laws and that better or more cleverly applied technology is a surer answer to environmental destruction than repudiating technical advance. If the climate heats up, and if the rate of warming should prove too fast for natural systems to adapt to, then there could be widespread ecological collapse. Most climatologists are unwilling to state that any degree of greenhouse warming has begun. But for a man preaching apocalypse, Mr. McKibben speaks in a measured and civilized voice that deserves a hearing. Even those who reject his idea that humans should not exceed the limits of their small partition may pause to wonder if the balance between man’s progress and nature’s decline has been struck at the right point.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Poema da Semana: Onde a Lua cruza os espinhos das estrelas, por João Soares

Onde a Lua cruza os espinhos das estrelas


Onde a Lua cruza os espinhos das estrelas
Onde o Sol espreita pelas raízes da erva
Onde no oceano, no frio do abismo, se descobre o mais profundo prémio da vida

Onde no fruto se antecipa o universo à espera
do infinito ao infinito

Onde na curva do ramo da árvore a silhueta esbelta
do limbo do Éden sagrado

Onde enfim dialogo com os cogumelos e os insectos
e serei água e solo e luz e fogo

Possuo uma agenda cósmica, acima das fronteiras
acima do ódio, bem no alto do mais alto penhasco

João Soares, 17.12.16.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Franklin D. Roosevelt e as Florestas


"Uma nação que destrói os seus solos está a autodestruir-se.  As florestas são os pulmões da nossa terra, purificando o ar e dando nova força para o nosso povo~ Franklin D. Roosevelt

"A nation that destroys its soils destroys itself. Forests are the lungs of our land, purifying the air and giving fresh strength to our people "~ Franklin D. Roosevelt

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Poema da Semana: Vastidão de pétalas soltas na língua, por João Soares

Vastidão de pétalas soltas na língua


Sim, vastidão de pétalas soltas na língua

Sim, amplos campos nos dedos de vento e pólen

Sim, gigantes faúlhas de cores amestradas pela Lua e Sol,

perdido contente entre as nuvens do éter dos poetas

dos loucos dias e momentos cravados em pele e pétalas

e os cheiros tremendos da carqueja e esteva e

além os abelharucos

num exotismo presente, aqui, nada mais

aqui e, sim, à vastidão das pétalas soltas na língua.

João Soares, 16.12.16

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Encontros Improváveis- Nadir Afonso (citação) e Álfheimer - Pretty (música e video)


"O homem volta-se para a geometria como as plantas se voltam para o sol: é a mesma necessidade de clareza" ~ Nadir Afonso


O Natal cuja celebração original era Celta/Pagã, celebrava, no solstício do inverno, o fim da obscuridade e o retorno da luz e da esperança.

Portanto o Natal é uma transição interior e de harmonia que faça sentido. Esperança, Partilha. Genuíno. Renovação. Tempo de ação.

Um feliz Natal para todo os meus leitores e amig@s.
Merry Eco-Xmas to all my followers and friends

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Documentário- Cowspiracy: O Segredo da Sustentabilidade (dublado)




Um documentário dirigido por Kip Andersen e Keegan Kuhn, que trata de questões ambientais. Lançado em 26 de junho de 2014, o documentário debate sobre como a agropecuária intensiva tem contribuído para diminuição dos recursos naturais e aumento na emissão de gases.

Kip Andersen, protagoniza o papel de investigador onde vai a procura das organizações ambientais mais prestigiadas do mundo, como por exemplo, a Greenpeace, com a finalidade de questionar o porquê que tais organizações evitam ou temem falar sobre como a criação animal tem trazido impactos ao meio ambiente.
Contando com 1h30min de duração, o documentário trás diversos questionamentos, críticas e conclusões. Quem assiste pode sentir-se motivado a analisar as próprias práticas de consumo e pesquisar sobre os dados mostrados, seja para concordar ou discordar, o ponto é que, o documentário gera um senso crítico e de conscientização.

Saber mais:

Página Oficial 



quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Estudo Internacional revela que os eucaliptos reduzem de forma dramática a biodiversidade do território


O investigador Daniel Montesinos, do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), participou num estudo internacional, já publicado na revista "Global Ecology and Biogeography", juntamente com investigadores da Austrália, Chile, EUA e Índia.
Daniel Montesinos revela que "as substâncias químicas presentes nas folhas dos eucaliptos impedem o crescimento das raízes de outras espécies nativas, motivo pelo qual os eucaliptais contêm muita pouca biodiversidade fora da sua área nativa, na Austrália" e que "a plantação de eucaliptos é altamente prejudicial. O empobrecimento de espécies gerado pelos eucaliptos tem impacto em todo o ecossistema, por exemplo, ao nível do controlo da erosão dos solos ou da manutenção da biodiversidade".
O investigador, ressalva ainda que fora da Austrália, "ironicamente, algumas das espécies que de facto conseguem sobreviver debaixo dos eucaliptais são também espécies exóticas, criando um círculo vicioso de reduzida biodiversidade e espécies invasoras. Os resultados do trabalho mostram, já sem qualquer dúvida, o empobrecimento das superfícies plantadas com eucalipto, que mesmo que de longe possam ter uma aparência “verde”, são na realidade “desertos".

Fonte: Notícias de Coimbra

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Há cinco anos, o Brasil perdia Oscar Niemeyer, o Gênio do Concreto

Há cinco anos, o Brasil entrava em luto pela morte do artista que revolucionou a arquitetura moderna mundial e deu ao país um patrimônio que entrou para a história. Oscar Niemeyer (1907-2012) é considerado, ainda hoje, o maior arquiteto brasileiro. Reconhecido internacionalmente, o Gênio do Concreto deixou como legado a cidade que continua impressionando moradores e visitantes: Brasília.

A capital federal, maior e mais famosa obra de Niemeyer, é chamada pelo professor aposentado de arquitetura e urbanismo da Universidade de Brasília (UnB) Antônio Carlos Cabral de "obra indelével". Cabral, paulista, veio para a cidade por influência do trabalho de Niemeyer ; queria aprender com o ícone.

O preferido do próprio Niemeyer, segundo o também professor da UnB Frederico Holanda, era o Congresso Nacional. Holanda lembra a genialidade do mestre também no projeto do Palácio Itamaraty, que resgata influências clássicas, como nas colunas ao redor, parecidas com o Partenon, na Grécia, e ao mesmo tempo homenageia o antigo palácio, no Rio de Janeiro, com arcos plenos (meio círculos) nas janelas.

No entanto, Holanda acredita que a verdadeira revolução de Niemeyer aconteceu antes mesmo de Brasília: no início da década de 1940, o carioca projetou o conjunto arquitetónico da Pampulha, em Belo Horizonte, e depois considerou esse o seu verdadeiro começo. "Ele introduz uma dimensão poética que não era comum e se insurgiu contra a linha dominante, mais racional, canônica, de modulações rígidas, traçados reguladores e ortogonalidade", explica o professor da UnB. Enquanto Le Corbusier, mestre e "guru assumido" de Niemeyer (ler Carta de Atenas)  e Lucio Costa, era racionalista, Oscar era poesia, imaginação e fantasia, segundo Holanda.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Dia Mundial da Diabetes



Efeméride, assinalada dia 14, pretende sensibilizar sobre a doença.

O Dia Mundial da Diabetes é comemorado a 14 de novembro, em memória do dia de aniversário de Frederick Banting, que, juntamente com Charles Best, foi o responsável pela descoberta da insulina em 1922.

Este dia visa consciencializar as pessoas sobre a doença e divulgar as ferramentas para a prevenção da diabetes, que tem tido um aumento alarmante de casos no mundo.

Todos os anos, a Federação Internacional da Diabetes (Internacional Diabetes Federation – IDF, sigla em inglês) escolhe um tema para alertar para as problemáticas e necessidades que enfrentam os doentes diabéticos. Para 2018 – 2019 o tema é «A Família e a Diabetes».

Foi escolhido o período de dois anos para melhor alinhar do Dia Mundial da Diabetes ao atual plano estratégico da IDF e facilitar o planeamento, o desenvolvimento, a promoção e a participação. As ações da campanha terão como objetivo:

  • Aumentar a consciencialização sobre o impacto que a Diabetes tem sobre a família e a rede de apoio das pessoas afetadas.
  • Promover o papel da família na gestão, cuidado, prevenção e educação para a Diabetes.

 

A IDF estima que existam 425 milhões de pessoas a viver com diabetes e que cerca de metade desconhece esse diagnóstico, sendo maioritariamente casos de diabetes tipo 2.

Programa Nacional para a Diabetes prevê a aposta na prevenção

A diabetes é uma doença crónica e progressiva, associada a elevados custos sociais e dos sistemas de saúde.

De acordo com o Relatório do Programa Nacional para a Diabetes 2017, em Portugal estima-se que a diabetes afete 13,3% da população com idades entre os 20-79 anos, das quais 44% desconhecem ter a doença. Diariamente são diagnosticados com diabetes em Portugal cerca de 200 novos doentes.

Estima-se que a diabetes afete mais de 1 milhão de portugueses enquanto a «pré-diabetes» afetará cerca de 2 milhões.

O Programa Nacional para a Diabetes da Direção-Geral da Saúde (DGS) prevê a aposta na prevenção e tratamento atempado das complicações da diabetes, proporcionando a todas as pessoas o acesso aos melhores cuidados de saúde, meios de diagnóstico, tratamento e reabilitação. Para 2017-2018 foi estabelecido o objetivo de aumentar a percentagem de doentes com Rastreio de Retinopatia Diabética efetuado. Neste sentido foram rastreados 198.400 utentes em 2017, o que representou um aumento relativamente a 2016 (158.115 rastreados).

Para saber mais, consulte:

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Al Gore: Nada Pode Deter a Revolução Verde


Com o seu documentário de 2006, Uma Verdade Inconveniente, Al Gore,  o antigo vice-presidente dos Estados Unidos, garantiu a atenção do público para a ameaça das alterações climáticas. Este julho, estreia nos cinemas An Inconvenient Sequel. Gore, 69 anos, diz que a fasquia está mais elevada, mas as soluções são mais claras.

Quais acha serem os mal-entendidos do público relativamente às alterações climáticas?

Penso que a grande maioria das pessoas entende que as alterações climáticas são um desafio extremamente importante, que os seres humanos são responsáveis por isso e que temos de agir rapidamente e de forma decisiva para conseguir resolver o assunto. Os argumentos mais persuasivos vieram da Mãe Natureza. Os eventos meteorológicos extremos são cada vez mais frequentes e severos, e é cada vez mais difícil ignorar o que está a acontecer. E mesmo aqueles que não querem utilizar as palavras “ aquecimento global” ou “crise climática” estão a encontrar maneiras de dizer, “sim, temos de mudar para energia solar, eólica, baterias, carros elétricos e por aí a diante”. Temos tanto em risco.

Porque surgiram divergências políticas tão acutilantes sobre as alterações climáticas?

Há um antigo ditado popular no Tennessee que diz: “se vires uma tartaruga no cimo do poste de uma vedação, podes ter a certeza de que não chegou ali sozinha”. Uma maioria determinada – com apoio financeiro ativo de alguns dos grandes poluidores de carbono – atrasou o progresso durante uns tempos. Utilizaram o poder dos lobbies e ameaças de financiar opositores, utilizaram as mesmas técnicas que já vimos utilizar no passado pelas grandes tabaqueiras para criar falsas dúvidas. Todos nós somos vulneráveis ao que os psicólogos chamam “negação”: se alguma coisa é desconfortável, é mais fácil afastá-la, é mais fácil não nos envolvermos. Mas a solução é ouvir e aproximarmo-nos das pessoas a partir de onde elas estão.

Disse publicamente que a saída do Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas preconizada pela Administração Trump era uma “ação irresponsável e indefensável.” Qual é o caminho agora?

Mesmo que Trump consiga eliminar medidas que ajudem os EUA a reduzir as emissões, os desenvolvimentos no mercado — como a queda continuada do custo da eletricidade renovável — fazem com que os EUA possam atingir os objetivos definidos para os EUA no Acordo de Paris não obstante as ações de Trump. A Califórnia e Nova Iorque estão a progredir mais rapidamente do que o exigido pelo Plano de Energia Limpa. E há um número crescente de cidades que está a progredir ainda mais rapidamente. Além disso, a comunidade empresarial está muito à frente da comunidade política e muitas empresas orientadas para o consumo estão a prometer usar energia 100% renovável.

E o papel da China?

A China está a evoluir de forma bastante impressionante. Este é o quarto ano em que regista uma redução de emissões de dióxido de carbono e o terceiro em que apresenta uma queda no uso de carvão. No final deste ano, vai implementar um teto para as emissões e um plano de comércio. É líder mundial no fabrico de painéis solares e de turbinas eólicas, comboios rápidos e redes elétricas inteligentes. A China mostrou uma liderança forte neste tema.

O documentário Uma Verdade Inconveniente teve uma enorme ressonância em 2006 e ajudou a que se atingisse um momento de viragem no que respeita à sensibilização para as mudanças climáticas. Porque acha que isto aconteceu?

Dou grande parte do mérito a David Guggenheim, realizador do filme. Sinto-me envergonhado ao admitir que não achava que fazer o filme fosse boa ideia. Não acreditava que fosse possível transformar uma apresentação de diapositivos num filme. Mas ele convenceu-me e fez um trabalho fantástico.

O primeiro filme juntava partes de uma série de estudos científicos que mostravam que era preciso tomar medidas para parar o aquecimento global de responsabilidade humana, pelo que se tratou de uma feliz confluência de acontecimentos. Mas, depois, os grandes poluidores de carbono congregaram-se e começaram a aplicar muito mais dinheiro em campanhas de negação das mudanças climáticas e em argumentos pseudocientíficos falsos e, ajudados pelas contribuições e pelo dinheiro de grupos de pressão, conseguiram travar os progressos. Mais recentemente, voltamos a tomar as rédeas da iniciativa.

Qual é o seu objetivo neste novo filme, An Inconvenient Sequel?

O meu principal objetivo é contribuir para a dinâmica atual. Cem por cento dos proveitos do filme, e do livro, que estamos a fazer serão destinados à formação de mais ativistas do clima. Foi também o que aconteceu com o primeiro filme.

No novo filme, uma cena muito forte mostra o Al Gore a visitar a cidade conservadora de Georgetown, no Texas, onde o presidente da câmara republicano, Dale Ross, tem vindo a encetar esforços para que a cidade dependa de energia 100 por cento renovável. Parece que se deu muito bem com Ross. Como é que isso aconteceu?

A ligação foi estabelecida do ponto de vista humano, apesar de pertencermos a partidos diferentes. Ele é contabilista certificado, pelo que consegue perceber claramente o dinheiro que os cidadãos da cidade a que preside poderiam poupar se desse o arrojado passo de usar eletricidade 100% renovável. Esta oportunidade de poupar o dinheiro das pessoas e, ao mesmo tempo, reduzir a poluição está a ficar disponível em todo o mundo.

Qual é o segredo para trabalhar com pessoas que podem não concordar consigo em muitos aspetos?

Bem, é preciso ouvir as pessoas e falar com elas tendo em conta aquilo que pensam naquele momento. Acho que à medida que fui envelhecendo fui aprendendo a fazê-lo um pouco melhor. A Mãe Natureza é uma grande aliada quando tentamos convencer as pessoas sobre a seriedade de tudo isto, mas o mercado também o é.

No novo filme, diz que considera as recentes contrariedades na causa climática um fracasso pessoal. Pode explicar-nos porquê?

Houve momentos em que pensei que poderia ter feito mais. Se nos dedicamos a algo e não vemos o objetivo a concretizar-se, temos a tentação de pensar que talvez tenhamos falhado. Em alguns momentos mais sombrios da última década, não consegui deixar de pensar que estávamos a perder esta batalha. Não é o que penso neste momento. Acredito que vamos vencer esta luta.

Alguns ambientalistas dizem que é o mensageiro errado na causa do clima devido à sua filiação e história partidária, tal como Hillary Clinton pode ter sido a mensageira errada em novembro último. Dizem que o Al Gore afasta muitas pessoas. O que tem a dizer sobre isso?

A ciência social refuta esse argumento. O que fez crescer o negacionismo climático foi a grande recessão de 2008 e as despesas cada vez maiores dos partidários do negacionismo. Recentemente, verificou-se um regresso aos níveis de apoio público à ação sobre a crise climática que se registaram depois do lançamento de Uma Verdade Inconveniente.

O que é que o assusta mais no futuro?

Embora estejamos a vencer esta luta, não o estamos a fazer tão rapidamente quanto necessário. A acumulação continuada de poluição humana causadora de aquecimento global vem aumentar os danos que irão repercutir-se no futuro. Algumas das mudanças não são recuperáveis. Não podemos simplesmente ligar o interruptor e reverter o derretimento dos grandes mantos de gelo.

O que lhe dá esperança para o futuro?

Há muitas pessoas pelo mundo a trabalhar sobre esse assunto e isso deixa-me muito otimista. Seria uma grande ajuda ter políticas e leis que acelerassem a nossa resposta. Mas as forças dos mercados estão a trabalhar a nosso favor. A energia solar, a energia eólica e outras energias estão a ficar cada vez mais baratas e melhores. Mais cidades e empresas se estão a converter às energias 100% renováveis. Acredito que não há nada que possa deter a revolução da sustentabilidade.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

The model for recycling our old smartphones is actually causing massive pollution

Millions of new iPhones will be sold this month. What really happens to the millions that get thrown out?


This fall, iPhone 8s and Xs are hitting shelves across North America, setting in motion that most time-honored of rituals — the smartphone funeral.

Around 1.5 billion phones are sold a year, which means about as many get the heave-ho. With little ceremony, we shove them into drawers or pack them away into boxes.

Occasionally, we might just throw them away. We feel sheepish about it, and for good reason: Once trashed, they end up in landfills, leaching toxic chemicals into the soil. In fact, electronics account for up to 70 percent of landfills’ toxic waste.

To avoid this guilt, we try to take our phones — not to mention all those broken printers, dead Fitbits and cracked iPads — to recycling centers. Driving away after such a drop-off feels good: We did the responsible, eco-friendly thing.

But what happens to these devices after we leave? The answer is complicated and, in most cases, far from eco-friendly. Welcome to the murky world of e-waste “recycling,” a.k.a. the sordid afterlife of your smartphone.

The myth of e-waste “recycling”

If the recycler is a reputable organization, it first checks to see whether your electronics can be refurbished and reused. If so, they’ll be scrubbed of data (hopefully) and either donated or resold on the secondary market. Devices that won’t sell in the U.S. are typically shipped to distributors in South America or Asia. (Remember the Motorola Razr? Long after its popularity faded, there was a booming market for it in Latin America.)

Only when it’s cheaper for companies to reuse component parts — rather than manufacturing from scratch — will our old phones truly meet a better fate.

If the electronics are past the point of no return, they’re sent to recycling plants and put through powerful, all-purpose shredders. Metal components are then shipped to one of a handful of registered smelters, where they’re melted down. A few precious metals from the circuit boards, including gold and palladium, are recovered from the molten liquid, but the vast majority of materials are left to burn, releasing chloride, mercury and other vapors into the atmosphere.

But smelting is still a “good” option, if only because the alternatives are far worse. For nearly every above-board recycler, there’s a corresponding organization that makes money by collecting e-waste, packing it into shipping containers and selling it through a shadowy network of middlemen to scrapyards in countries such as China, India, Ghana and Pakistan.

The environmental cost of such a transaction is high — but the human cost is higher. Walk the streets of e-graveyards like Agbobloshie in West Africa or similar sites in Asia or another part of the developing world, and you’ll see hundreds, if not thousands, of microentrepreneurs, essentially cooking printed circuit boards to extract the metals within. From experience, I can say that the smell in the air is dizzying, and sticks in your nostrils and throat for days.

In the process, these workers are exposed to nickel, cadmium and mercury, among other toxic fumes, which leak into the surrounding air, ground and drinking water. This can lead to a wide variety of serious, sometimes life-threatening health problems, including cancers and birth defects.

Searching for a better afterlife for our smartphones

Environmental and human costs aside, there’s another glaring problem with how we currently treat end-of-life electronics. When we toss our gadgets in the trash, the gold in the circuit board goes with them. Though the amounts in any one phone are minute, the aggregate adds up: It’s estimated that the gold in the world’s e-waste equals as much as 11 percent of the total amount mined each year — literally millions of pounds of gold chucked in the garbage.

In response to these concerns, some manufacturers and retailers are starting to take steps in the right direction. Apple, Samsung, Best Buy and Amazon incentivize consumers to return old devices in exchange for cash or gift cards. (Hand over a non-cracked iPhone 6, for example, and you’ll get $145.) Yet one of the big obstacles remains technology. The trace amounts of minerals inside a typical phone simply don’t justify the enormous expense of extraction.

Our best hope lies in a much bigger shift in perspective: Having manufacturers design expressly with reusability in mind. This cradle-to-cradle approach to production is a cornerstone of the circular economy movement. Apple and other companies, for instance, have come under pressure to make screens, batteries and other components easier to replace and upgrade. “Fair trade phones,” with modular components, are still a novelty but gaining a foothold. A loftier goal: Smartphones that separate into component parts at the touch of a button, freeing up materials to reenter the supply chain.

The tipping point, as is often the case, will come down to economics. Only when it’s cheaper for companies to reuse component parts — rather than manufacturing from scratch—will our old phones truly meet a better fate. In the meantime, nearly 100 million pounds of toxic e-waste is generated each year. As a new wave of iPhones (not to mention Galaxies and Huaweis) floods the market, it’s time we found a way to let our old phones rest in peace, once and for all.

Peter Holgate is a circular-economy thought leader and the founder of Ronin8 Technologies. Reach him @peterjholgate

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Dia Mundial da Poupança



O Dia Mundial da Poupança celebra-se anualmente a 31 de outubro.

Origem da data

O Dia Mundial da Poupança foi criado com o intuito de alertar os consumidores para a necessidade de disciplinar gastos e de amealhar alguma liquidez, de forma a evitar situações de sobre-endividamento.

A ideia de criar uma data especial para promover a noção de poupança surgiu em outubro de 1924, durante o primeiro Congresso Internacional de Economia, em Milão. Todos os anos são organizadas diferentes atividades neste dia. Os eventos deste dia podem ser conhecidos no site oficial da data.

Poupança em tempos de crise

Muitos portugueses alegam que não fazem qualquer tipo de poupança, diária, semanal, mensal ou anual. Em outubro de 2015 tinham chegado à DECO 26.035 pedidos de famílias sobre-endividadas.

Contudo, alguns estudos mostram que é em períodos de crise que se registam os maiores índices de poupança. Empresas e famílias portuguesas fazem esforços para reduzir custos e conseguir poupar.
Ferramentas de poupança

Para auxiliar e facilitar a poupança, existem cada vez mais ferramentas e técnicas de poupança, fornecidas por entidades bancárias, governos e economistas. Para ajudar à poupança existem várias aplicações financeiras gratuitas que podem ser instaladas no smartphone. Na internet encontra também vários sites destinados à poupança.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

A Semana do Desarmamento / Semana Mundial da Paz



A Semana do Desarmamento/Semana Mundial da Paz, criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), é realizada em todo o mundo entre 24 e 30 de outubro, anualmente. No Brasil, projetos legislativos e propostas no Congresso tentam alterar o Estatuto do Desarmamento. Mas não é somente o brasileiro que debate a questão, os americanos também voltaram a discutir o assunto após a tragédia em Las Vegas, onde um atirador matou 59 pessoas.

Para a Organização das Nações Unidas (ONU), a necessidade de uma cultura de paz e de uma redução significativa de armas no mundo nunca foi tão grande “e ela se aplica a todos os tipos de armas”. Para conscientizar o mundo a respeito dessa necessidade, a Assembleia Geral da ONU proclamou a Semana do Desarmamento.

A ONU também ressalta que o custo humano e material das armas convencionais também é alto. “De pelo menos 640 milhões armas de fogo licenciadas em todo o mundo, aproximadamente dois terços estão nas mãos da sociedade civil. O comércio legal de armas de pequeno calibre excede quatro bilhões de dólares por ano. O comércio ilegal é estimado num bilhão de dólares. E essas armas convencionais, como as minas terrestres, causam destruição da vida e da integridade física, que continua por anos após os conflitos terem acabado”, afirma a organização internacional.

Para o ex-presidente dos Estados Unidos, Dwight D. Eisenhower, e comandante geral das Forças Aliadas durante a 2ª Guerra Mundial, “cada arma produzida, cada navio de guerra lançado ao mar, cada foguete disparado significa, em última instância, um roubo àqueles que têm fome e não são alimentados, àqueles que estão com frio e não têm o que vestir. O custo de um moderno bombardeiro pesado é este: a construção de uma moderna escola em mais de 30 cidades”.

Desde o nascimento das Nações Unidas, em 1945, as metas do desarmamento multilateral e da limitação de armas são consideradas fundamentais para a manutenção da paz e da segurança no mundo todo. Estas metas significam: redução e eventual eliminação das armas nucleares (recentemente, foi assinado um acordo na ONU entre 43 chefes de Estado proibindo armas nucleares); destruição de armas químicas; fortalecimento da proibição contra armas biológicas; suspensão da proliferação de minas terrestres e de armas leves e de pequeno calibre, entre outros objetivos.

A ONU aborda questões do desarmamento continuamente, além de trabalhar frequentemente para implementar acordos específicos de desarmamento entre partes em conflito. As missões de paz das Nações Unidas também utilizam a estratégia do desarmamento preventivo, que procura reduzir o número de armas de pequeno calibre em regiões de conflito.

A organização afirma que é plenamente consciente da relação direta entre desarmamento e desenvolvimento. “Podemos fazer progressos significativos em direção aos objetivos de desenvolvimento do milênio se alguns destes recursos (usados em gastos militares e seus armamentos) fossem redirecionados para esforços para o desenvolvimento econômico e social. Em um momento de elevação dos preços de alimentos e combustíveis e de incertezas na economia global, o mundo não pode ignorar o potencial de desenvolvimento do desarmamento e da não proliferação”, disse o secretário-geral Ban Ki-moon.

sábado, 14 de outubro de 2017

Documentário: Trashed - Para Onde Vai Nosso Lixo (2012)

Trashed dirigido por Candida Brady, é um documentário que serve como aula e alerta. Ele timidamente acusa governos de não se importarem com o destino do lixo e enfaticamente exorta o espectador a fazer sua parte, começando por evitar o uso de sacos plásticos e separar o material reciclável dentro de casa.

Jeremy Irons é o apresentador dessa reportagem global, e podemos vê-lo de botas no meio das montanhas de lixo de uma praia no Líbano, catando dejetos numa praia inglesa, respirando as dioxinas espalhadas no ar de uma cidadezinha da Islândia, visitando crianças deformadas pelo agente laranja no Vietnam.  Ele não tem o humor e a agudeza de um Michael Moore, nem a pose professoral de um Al Gore. Seu “papel” é do cara mais ou menos comum que se mostra preocupado com a situação e disposto a aprender. Daí pode surgir uma razoável identificação com o espectador médio, que inevitavelmente será afetado pelo que viu e ouviu em Trashed.

Mas até que isso aconteça, esse espectador terá que passar por uma preleção às vezes enfadonha. Explica-se, por exemplo, a diferença entre “cinzas de fundo” e “cinzas aéreas” nos efeitos nocivos da incineração, fala-se em “digestão anaeróbica” e quetais. São explicações longas e detalhadas, que não estão ali para divertir, mas para conscientizar. Quando chegam os créditos finais, estamos suficientemente enojados da nossa sociedade descartável. E preocupados com a saúde de Jeremy Irons.





quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Dia Mundial de Combate à Obesidade

Texto e imagem aqui
Num país onde, de acordo com os dados do Inquérito Nacional de Saúde (2014), mais de metade da população (52,8%) com 18 ou mais anos, ou seja, qualquer coisa como 4,5 milhões de pessoas, tem excesso de peso ou é obesa, não há nenhum fármaco para a obesidade com comparticipação do Estado. “A obesidade é uma doença com um grande impacto na saúde pública e nos sistemas de saúde. Mas apesar de termos um novo fármaco, este não é comparticipado. Aliás, nunca houve nenhum que o fosse no nosso país”, refere Paula Freitas, presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade que, a propósito do Dia Mundial de Combate à Obesidade, chama a atenção para um problema que considera ter de ser olhado “numa perspetiva mais global, uma vez que ainda há muitos doentes que são tratados pelas doenças associadas, como a diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia, apneia do sono, entre outras, sem que se resolva aquilo que as causa, ou seja, a obesidade”.
Sobre a inexistência de comparticipação dos medicamentos destinados ao combate à obesidade, a especialista defende que, apesar de os medicamentos não serem um “milagre” capaz de erradicar a doença, “são muito importantes para o seu combate. E perdas de peso da ordem dos 5 ou 10% traduzem-se em melhoria ou mesmo reversão das comorbilidades associadas à obesidade, como a diabetes, hipertensão arterial, apneia, problemas articulares, etc. Claro que é preciso que haja sempre, por parte do doente, uma alteração do estilo de vida. Por isso acho que deveria haver uma comparticipação condicionada por esta mudança”.
Numa altura em que tanto se tem falado sobre a população infantil, também ela vítima do flagelo que é a obesidade, confirmada pelos números - o mais recente estudo da Associação Portuguesa contra a Obesidade Infantil (APCOI), realizado junto de uma amostra de 17.698 crianças, no ano letivo 2016-2017, mostra que 28,5% das crianças no nosso país, com idades entre os 2 e os 10 anos, têm excesso de peso e, destas, 12,7% são obesas, o que nos torna um dos países da Europa onde os números da obesidade infantil são mais elevados -, a presidente da SPEO considera que é preciso fazer mais. “As crianças são muito recetivas a novas ideias. Penso que, aqui, se poderia fazer mais, muito mais, nomeadamente na educação para a saúde. Existem já vários projetos, iniciativas, mas falta ainda muito trabalho na promoção de uma ação global de educação para a saúde para todas as faixas etárias.”
Paula Freitas aproveita também o Dia Mundial de Combate à Obesidade para chamar a atenção para outra falha, neste caso a de nutricionistas e fisiologistas do exercício físico nos centros de saúde, capazes de prescrever quer o plano alimentar, quer o exercício certo para cada doente, tal como se faz com a terapêutica medicamentosa. “Os médicos aconselham os doentes a fazer caminhadas, a inscrever-se no ginásio, etc. Mas todos deveriam ter acesso a um fisiologista do exercício físico, de modo a ter uma prescrição de exercício à medida da sua condição física e das doenças concomitantes”
A prevalência da obesidade tem vindo a aumentar em todo o mundo, de tal forma que a Organização Mundial de Saúde lhe atribui mesmo a designação de epidemia global. Trata-se de um problema grave de saúde pública, uma das principais causas de doença e morte prematura, sendo um fator de risco para várias doenças, como as cardiovasculares, a diabetes e vários tipos de cancros. É, no entanto, possível de prevenir, graças a uma mudança nos estilos de vida, que passa por uma alimentação saudável e a prática regular de de exercício físico.

Dia Internacional da Rapariga


O Dia Internacional da Rapariga observa-se anualmente a 11 de Outubro.

A data foi instituída em 2011 pela Organização das Nações Unidas, através da Resolução 66/170, com o objectivo de promover a protecção dos direitos das raparigas de todo o mundo e de acabar com a vulnerabilidade, a discriminação e a violência que estas sofrem. Em 2012 celebrou-se a data pela primeira vez.

Muitas raparigas continuam a ser impedidas de estudar e são obrigadas a casar pelas famílias. Para chamar a atenção sobre os problemas, por todo o mundo realizam-se atividades neste dia que visam promover os direitos das raparigas e das adolescentes.

Dados mundiais sobre as raparigas (actualizado para 2016)
Existem 1,1 mil milhões de raparigas no mundo.
Uma em três raparigas casa antes dos 18 anos nos países em desenvolvimento, o que aumenta a probabilidade de violência pelo parceiro.
700 milhões das mulheres de hoje casaram antes dos 18 anos e um terço destas casou antes dos 15 anos.
As raparigas pobres têm 2,5 vezes mais hipóteses de casar na infância do que as raparigas ricas.
7 milhões de raparigas menores engravidam por ano nos países em desenvolvimento.
40% das gravidezes não são planeadas, com grande parte deste número a resultar de violações.
Mais de 3 milhões grávidas não têm acesso a planeamento familiar e cerca de 40% das jovens procuram contracetivos sem êxito.
Entre 100 a 142 milhões de raparigas terão sido submetidas a mutilação genital.
31 milhões de raparigas em idade de escola primária e 34 milhões em idade do secundário não vão à escola.

Datas semelhantes
Dossiê BioTerra aconselhado:

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Dia Mundial Contra a Pena de Morte



O Dia Mundial Contra a Pena de Morte encontra-se a 10 de outubro no calendário.

A data pretende defender a peça central dos direitos humanos – o direito à vida – sensibilizando os países contra a pena de morte.

Dia Mundial Contra a Pena de Morte foi criado em 2003 por iniciativa conjunta de organizações não governamentais, governos e organizações jurídicas. A Organização das Nações Unidas repudia a legalidade e o uso da pena capital, assim como a União Europeia.

Portugal foi o líder na abolição da pena de morte, já que foi o primeiro país do mundo a abolir a pena capital na Lei Constitucional, após a reforma penal de 1867.

Até há sete décadas, somente 14 países tinham abolido a pena de morte. Atualmente, 82% dos países suspenderam ou aboliram a pena de morte.

O Direito Internacional delimita a aplicação da pena de morte para "a maioria dos crimes graves", o que circunscreve o seu uso ao crime de homicídio intencional.

sábado, 7 de outubro de 2017

Palestra: Agrofloresta do Futuro - Agricultura Sintrópica Ernst Gotsch


A Agricultura Sintrópica é constituída por um conjunto teórico e prático de um modelo de agricultura desenvolvido por Ernst Götsch, no qual os processos naturais são traduzidos para as práticas agrícolas tanto em sua forma, quanto em sua função e dinâmica. Assim podemos falar em regeneração pelo uso, uma vez que o estabelecimento de áreas agrícolas altamente produtivas, e que tendem à independência de insumos e irrigação, tem como consequência a oferta de serviços ecossistêmicos, com especial destaque para a formação de solo, a regulação do microclima e o favorecimento do ciclo da água. Ou seja, o plantio agrícola é concomitante à regeneração de ecossistemas.




























Ao invés de receitas, há um conjunto de conceitos e técnicas que viabilizam o acesso a suas características fundamentais. O criador da Agricultura Sintrópica, Ernst Götsch, baseia sua cosmovisão transdisciplinar em muita ciência e a prática diária de mais de cinco décadas. A lógica que orienta sua tomada de decisão percorre um trajeto que nasce na ética de Kant e atravessa a física, a filosofia grega e a matemática. Ele também se apoia na biologia, química, ecologia e botânica, e se abastece da cena tecnológica do momento, adaptando técnicas e ferramentas de outras áreas. Portanto, a agricultura de Ernst Götsch se vale de um encadeamento coerente e sistemático de dados, livre de contradições internas, que não somente percorre uma narrativa lógica como também inclui uma expressão concreta no fim do caminho. Do planejamento à execução do plantio, há método, e há resultado prático. Mais que uma boa ideia, a Agricultura Sintrópica comprovadamente funciona, e pode responder aos maiores desafios sociais e ambientais do nosso tempo. Leia abaixo o artigo onde Ernst descreve os 15 princípios nos quais baseia a Agricultura Sintrópica.

Peculiaridades da Agricultura Sintrópica

Na Agricultura Sintrópica cova passa a ser berço, sementes passam a ser genes, a capina é a colheita, concorrência e competição dão lugar à cooperação e ao amor incondicional e as pragas são, na verdade, os agentes-de-otimização-do-sistema. Esses e outros termos não surgem por acaso, mas sim, derivam de uma mudança na própria forma de ver, interpretar e se relacionar com a natureza.

Muitas das práticas agrícolas preconizadas como sustentáveis baseiam-se na lógica da substituição de insumos. Troca-se os químicos por orgânicos, plástico por material biodegradável, defensivos por preparados. Porém, a forma de pensar ainda está muito próxima daquela a quem fazem oposição. Em comum, combatem as consequências da falta de condições adequadas para o crescimento saudável das plantas. A Agricultura Sintrópica, por outro lado, capacita o agricultor a replicar e acelerar os processos naturais de sucessão ecológica e estratificação, dando às plantas condições ideais para seu desenvolvimento, cada qual ocupando sua posição natural no espaço (estratificação) e no tempo (sucessão). É uma agricultura baseada em processos, e não insumos. A colheita agrícola passa a ser vista como um efeito colateral da regeneração de ecossistemas, ou vice-versa.

“O milho é emergente, com ciclo de vida curto, da placenta de Sistemas de Abundância”. É comum ouvir quem trabalha com agricultura sintrópica se referir a qualquer espécie mencionando ao menos essas quatro categorias. Elas se referem a critérios fundamentais que devem ser observados na orquestração dos cultivos sintrópicos. Há que se harmonizar o espaço (estratificação) ao longo do tempo (ciclo de vida), respeitando os passos sucessionais (Placentas, Secundárias e Clímax) dentro de cada um dos Sistemas (Colonização, Acumulação e Abundância ou Escoamento), segundo definições de Ernst Götsch. Uma agrofloresta sintrópica, portanto, se desenvolve e se transforma ao longo do tempo e do espaço, sempre “no sentido do incremento da quantidade e da qualidade de vida consolidada”, diz Ernst.



O que é Sintropia?







É muito fácil dizer que se quer trabalhar com a natureza e não contra ela. Mas de qual natureza estamos falando? Qual leitura e interpretação que fazemos dessa natureza observada? Esse é um dos principais pontos diferenciadores da agricultura sintrópica. E no centro desse entendimento está o conceito de sintropia.


Estamos mais familiarizados com o conceito de entropia da Termodinâmica, que se refere à função relacionada à desordem de um dado sistema, associada com a degradação de energia. Tudo que se refere ao consumo e à degradação de energia é, portanto, explicado pela Lei da Entropia que rege o mundo físico. Mas não é de hoje que se discute a inaplicabilidade da Lei da Entropia para descrever o que ocorre no mundo biológico. Ao tentar trazer o conceito de entropia para dialogar com os sistemas vivos, grandes cientistas concluíram pela necessidade de se descrever uma tendência que lhe fosse complementar. Para o matemático Fantappiè (1942), se por um lado a entropia trouxe o entendimento de que toda energia no universo que se encontra concentrada tende a se dissipar, simplificar e dissociar, a sintropia se manifesta pela formação de estruturas, pelo aumento de diferenciação e complexidade, tal como acontece com a vida. Ou seja, enquanto a entropia dispersa, a sintropia concentra. Sem usar o termo “sintropia”, o nobel de física Schrodinger também chega, na década de 40, a conclusão semelhante: “a vida se alimenta de entropia negativa”. A ideia da existência de alguma força oposta ou complementar à entropia - e que a vida no planeta Terra seria a manifestação dessa força - intrigou cientistas de diversas áreas, como Albert Szent-Györgyi (química), Nicholas Georgescu-Roegen (economia), Viktor Schauberger (ciências naturais), Ulisse di Corpo & Antonella Vaninni (psicologia), e, já nos anos 1970, viria compor as premissas da Teoria de Gaia, de Lovelock e Margulis.

Sintropia e Agricultura

Representação proposta por Ernst Götsch de fluxos de energia tanto em sua fase de dispersão (entropia) quanto na fase de complexificação (sintropia).

Ao trazer o conceito de sintropia para a agricultura, Ernst Götsch introduz uma perspectiva inédita associada a essa prática. A partir dela entende-se que, no contexto do ecossistema, fazem parte do metabolismo dos organismos não apenas os processos dissociativos, mas também a reorganização de resíduos entrópicos. Esse seria o mecanismo por meio do qual a vida prospera, gerando sempre, segundo Götsch, um saldo energético positivo, tanto no sub-local da interação quanto no planeta por inteiro. Portanto, quando dizemos que queremos trabalhar a favor da natureza e não contra ela, é dessa natureza que estamos falando. Ter a sintropia como matriz fundamental de interpretação e manejo dos sistemas cultivados é o que dá suporte para a capacidade regenerativa da agricultura sintrópica e é assim que entendemos que toda nossa agricultura deveria ser.

sábado, 30 de setembro de 2017

Entrevista a Paul Hawken sobre o livro "Project Drawdown"


Paul Gerard Hawken é um ambientalista, empresário, autor, economista e ativista americano. Wikipedia (inglês)

Ativista dos direitos civis, trabalhou como parte da equipe da MLK em Selma, participou da organização da Marcha em Montgomery.
Trabalhou para o Congresso de Igualdade Racial no Meridian Mississippi e logo após os assassinatos do "Mississippi Burning" ele também foi capturado pelo KKK e só escapou devido à intervenção do FBI
Seu livro "Natural Capitalism" é citado por Executivos de Negócios e Políticos de todo o mundo!
Ele iniciou vários negócios de sucesso e seu livro "Growing a Business" foi televisionado e exibido em 115 países

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Árvores economizam 430 milhões de euros por ano em metrópoles - estudo

Ao reduzir substancialmente a poluição e o custo do aquecimento, arrefecimento e tratamento da água
Funchal- Foto de autor

As árvores fornecem 430 milhões de euros por ano (cerca de US $ 505 milhões) em benefícios para cada megacidade porque fornecem serviços que tornam os ambientes urbanos mais limpos, mais acessíveis e mais agradáveis ​​para viver. Esses grandes municípios (com mais de 10 milhões de habitantes) são o lar de quase 10% dos 7,5 biliões de pessoas que vivem no planeta.

Esta é a conclusão de um estudo realizado por seis pesquisadores dos Estados Unidos e Itália, e publicado na revista 'Ecological Modelling'. O trabalho centra-se em 10 megacidades dos cinco continentes: Bombay (Índia), Buenos Aires (Argentina), Cidade do México (México), Cairo (Egito), Istambul (Turquia), Londres (Reino-Unido), Los Angeles (Estados Unidos), Moscovo (Rússia), Pequim (China) e Tóquio (Japão).

A área metropolitana das megacidades estudadas tem uma média de 2.530 quilómetros quadrados, com uma cobertura arbórea de 21% e um potencial colhido de outros 19%. Cada um tem 39 metros quadrados por habitante de densidade média de massa arbórea.

Os cientistas estudaram a cobertura existente e potencial das árvores nessas grandes cidades e qual a sua contribuição para os serviços ecossistémicos. Eles concluíram que os benefícios dos bosquetes e árvores de rua têm um valor médio anual de US $ 505 milhões por ano, equivalente a US $ 1,2 milhão por quilómetro quadrado de árvores ou US $ 35 per capita por cada residente na metrópole.


Theodore Endrey, da Faculdade de Ciências Ambientais e Florestais da Universidade Estadual de Nova York e principal autor do estudo, aponta que o valor dos serviços das árvores poderia ser facilmente duplicado simplesmente plantando mais espécimes.


"As megacidades podem aumentar esses benefícios em 85%", diz ele, acrescentando: "Se as árvores foram estabelecidas ao longo de sua área de cobertura potencial, eles filtram os poluentes do ar e da água, reduzem o uso de a energia dos edifícios e melhorar o bem-estar humano, enquanto fornece habitat e recursos para outras espécies na área urbana ".

Benefícios diretos e indiretos
Os pesquisadores levaram em conta os benefícios das árvores na redução da poluição do ar, o escoamento da água da chuva, os custos de energia associados ao aquecimento e arrefecimento e as emissões de dióxido de carbono (CO2).

Sublinham que o benefício médio das 10 megacidades analisadas é de 410 milhões de euros por ano em reduções de poluentes atmosféricos; 9,4 milhões em tratamento de águas pluviais salvaguardas; 6,8 milhões de sequestro de CO2 e 0,4 milhões de poupança de aquecimento e ar condicionado.
"As árvores têm benefícios diretos"

Fonte: Economista Es 
Tradução: João Paulo Soares  
Obrigado Paulo Pimenta de Castro (Portugal) e João Paulo Soares (Brasil)