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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Podemos ir além do modelo capitalista e salvar o clima – eis os três primeiros passos



Temos uma responsabilidade urgente. O nosso sistema económico actual é incapaz de lidar com as crises sociais e ecológicas que enfrentamos no século XXI. Quando olhamos em redor, vemos um paradoxo extraordinário. Por um lado, temos acesso a novas tecnologias notáveis ​​e a uma capacidade coletiva de produzir mais alimentos, mais bens do que aqueles de que necessitamos ou do que o planeta pode suportar. No entanto, ao mesmo tempo, milhões de pessoas sofrem em condições de extrema privação.

O que explica este paradoxo? O capitalismo. Por capitalismo, não nos referimos aos mercados, ao comércio e ao empreendedorismo, que existem há milhares de anos, muito antes do aparecimento do capitalismo. Por capitalismo, referimo-nos a algo muito peculiar e específico: um sistema económico que se resume a uma ditadura controlada por uma ínfima minoria que detém o capital – os grandes bancos, as grandes corporações e o 1% que detém a maior parte dos ativos investíveis. Mesmo vivendo em democracia e tendo opções no nosso sistema político, as nossas escolhas nunca parecem alterar o sistema económico. São os capitalistas que determinam o que produzir, como utilizar a nossa força de trabalho e quem beneficia. O resto de nós – as pessoas que de facto produzem – não tem voz.

Para o capital, o objectivo primordial da produção não é satisfazer as necessidades humanas ou alcançar o progresso social, muito menos atingir metas ecológicas. O objetivo é maximizar e acumular lucro. Esse é o objetivo primordial. Esta é a lei capitalista do valor. E para maximizar os lucros, o capital exige um crescimento perpétuo – produção agregada sempre crescente, independentemente de ser necessária ou prejudicial.

Assim, acabamos com formas irracionais de produção como resultado: temos a produção em massa de coisas como SUVs , mansões e moda rápida, porque estas coisas são altamente lucrativas para o capital, mas uma subprodução crónica de coisas obviamente necessárias, como habitação pública e transportes públicos, porque estas são muito menos lucrativas para o capital, ou não lucrativas de todo.

O mesmo acontece com a energia. As energias renováveis ​​já são muito mais baratas do que os combustíveis fósseis. Infelizmente, os combustíveis fósseis são até três vezes mais rentáveis ​​. Assim, o capital obriga os governos a ligar os preços da electricidade ao preço do gás natural liquefeito mais caro, e não ao da energia solar barata. Da mesma forma, a construção e manutenção de autoestradas é muitas vezes mais rentável para os empreiteiros privados, fabricantes de automóveis e companhias petrolíferas do que uma moderna rede de caminhos-de-ferro públicos seguros e de alta velocidade. Por conseguinte, os capitalistas continuam a pressionar os nossos governos para subsidiar os combustíveis fósseis e a construção de estradas, mesmo enquanto o mundo arde.

Desde a eleição de Donald Trump, muitas grandes empresas de investimento abandonaram com entusiasmo os seus compromissos climáticos , que, em prol do bem comum, tinham limitado a sua rentabilidade. Este deveria ser um momento esclarecedor para todos nós: o capitalismo preocupa-se com as perspectivas da nossa espécie tanto quanto um lobo se preocupa com as de um cordeiro.

E aqui estamos nós: presos às prioridades do capitalismo, que são incompatíveis com as da humanidade. O engenho humano legou-nos tecnologias e capacidades esplêndidas. Mas, como divindade cruel, o capital não só nos impede de as utilizar para o nosso bem colectivo, como também nos obriga a empregá-las para a nossa ruína colectiva.

O sistema também nos prende em ciclos intermináveis ​​de violência imperialista. A acumulação de capital nas economias avançadas depende de inputs maciços de mão-de-obra barata e de recursos naturais do Sul global. Para manter este arranjo, o capital utiliza todas as ferramentas ao seu dispor – dívida, sanções, golpes de Estado e até invasões militares directas – para manter as economias do Sul subordinadas.

A solução está mesmo à frente dos nossos olhos. Precisamos urgentemente de ultrapassar a lei capitalista do valor e democratizar a nossa economia, para que possamos organizar a produção em torno de prioridades sociais e ecológicas urgentes. Afinal, somos os produtores dos bens, dos serviços e das tecnologias. É o nosso trabalho e os recursos do nosso planeta que estão em causa. Por isso, devemos reivindicar o direito de decidir o que é produzido, como e com que finalidade.

Como pode ser feito? Existem três condições necessárias para a transformação da nossa economia, de uma ditadura sem futuro para uma economia democrática, funcional e ecologicamente sustentável.

A primeira condição é uma nova arquitectura financeira que penalize “investimentos” privados destrutivos e possibilite o financiamento público para fins públicos. No cerne desta arquitectura, precisamos de um novo banco público de investimento que, em associação com os bancos centrais, converta a liquidez disponível em tipos de investimento compatíveis com a prosperidade comum e sustentável.

A segunda condição é a utilização extensiva da democracia deliberativa para decidir metas sectoriais, regionais e nacionais (por exemplo, em relação ao crescimento ou mesmo à redução de diferentes produtos) para as quais as novas ferramentas de financiamento público serão dirigidas.

E a terceira condição é uma Grande Lei de Reforma Corporativa com o objetivo de democratizar as corporações, favorecendo e promovendo a formação de empresas geridas segundo o princípio de um funcionário, uma ação, um voto.

Vivemos à sombra do mundo que poderíamos criar. Um mundo no qual seríamos capazes de evitar um colapso ecológico quase certo, em vez de estarmos à espera que o capitalismo nos empurrasse para além do ponto de não retorno. Um mundo onde a abolição da insegurança económica, da precariedade, da pobreza, do desemprego e da indignidade seja possível, enquanto levamos vidas com sentido dentro dos limites planetários. Isto não é um sonho distante. É uma perspectiva tangível.

Jason Hickel é professor na Universidade Autónoma de Barcelona e investigador sénior visitante na LSE. 

Yanis Varoufakis é o líder do MeRA25, antigo ministro das Finanças e autor de Tecnofeudalismo: O Que Matou o Capitalismo .

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Documentário: The Epstein Files and the 100 Most Powerful Figures


This documentary examines publicly released records related to the Jeffrey Epstein case using primary documents and verified reporting.

Sources include:
  1. U.S. Department of Justice releases (Jan–Feb 2026)
  2. Unsealed federal court filings (SDNY; U.S. Virgin Islands)
  3. Congressional statements (Feb 10, 2026)
  4. Reporting from BBC, Reuters, AP, and The New York Times ...
  5. The film analyzes how names appear in official materials such as flight logs, depositions, correspondence, and contact records.
This work focuses on evidentiary clarity — not speculation.

Legal Protection & Standards

This content is protected under:
  1. First Amendment free speech protections
  2. Public Record Doctrine (FOIA; federal transparency rules)
  3. Fair Use (17 U.S.C. §107) for news reporting, commentary, and education
  4. Public Figure Doctrine (New York Times v. Sullivan, 1964)
Supported by Supreme Court precedent including:
  1. Bartnicki v. Vopper (2001)
  2. Cox Broadcasting v. Cohn (1975)
  3. Florida Star v. B.J.F. (1989)
All individuals discussed are presumed innocent unless legally convicted.

Editorial Standards
This documentary distinguishes between:
✓ Documented fact (name appearing in records)
✓ Reported public outcome (resignation, investigation)
✓ Analytical commentary

It does not make criminal accusations.

Purpose
This film exists for:Historical documentation
  1. Legal literacy
  2. Public record clarification
  3. Educational analysis
  4. It is not intended to defame, accuse, or sensationalize.
The list above contains only billionaires, powerful politicians, or royalty.
✅ CLEARED IMPACT
Evidence shows they never engaged with Epstein or successfully avoided his approaches. Their reputation remains intact or even improved.
⚪ NO IMPACT
Found only in Epstein's surveillance files monitoring them without their knowledge. No actual contact, no consequences.
🟢 MINIMAL IMPACT
Brief mentions in address books or attendance at large public events. Easily explained as coincidental proximity. Media attention fades quickly.
🟡 MODERATE IMPACT
Notable PR challenges requiring public statements. Media coverage and online discussions continue, but no legal consequences or job losses.
🟠 SERIOUS IMPACT
Active investigations or lawsuits underway. Significant professional pressure with outcomes still uncertain. Career stability at risk but position maintained.
🔴 CRITICAL IMPACT
Resignations occurring or expected soon. Official investigations opened. Career significantly damaged with institutional relationships strained.
⚫ CATASTROPHIC IMPACT
Complete career ruin. Federal prosecution proceedings, permanent professional exclusions, or total institutional separation with no realistic path forward.

IMPORTANT NOTE: According to the U.S. Department of Justice, none of the individuals listed have been convicted or found guilty. The DOJ’s investigative process remains ongoing.

Note (4:40): 
(49) Sergei Belyakov served as Former Deputy Minister of Economic Development of Russia. 
(50) Al Gore served as Vice President of the United States from 1993 to 2001.
The on-screen labels were blurred due to a rendering error.

Trump was initially placed in the serious impact level, but after considering his history of navigating multiple controversies simultaneously, I moved him to moderate. Similar to Mark Zuckerberg, he has demonstrated a strong ability to manage legal and media challenges. In general, billionaires often have a higher chance of surviving media impact than politicians, since politicians depend more heavily on public legitimacy.

sábado, 27 de dezembro de 2025

Porque votas chega?

Não há nada de revolucionário em votar no Chega.
Há desespero, há raiva, há frustração acumulada. E isso é compreensível, o que não é compreensível é confundir raiva com lucidez.
Durante décadas, Portugal foi governado pelos mesmos blocos políticos. Muitos de vós votaram neles. Outros abstiveram-se. Outros desligaram.
Agora, de repente, apresentam-se como “os que sempre viram a verdade”, como se tivessem acabado de acordar para um país que sempre existiu.
Não acordaram para a verdade!

Acordaram para um discurso simplista que vos disse exactamente aquilo que queriam ouvir!
Há algo que convém não esquecer: uma parte significativa das figuras do Chega vem precisamente desses blocos políticos que dizem combater. Vieram do PSD, do CDS, do sistema que hoje acusam de todos os males.

Durante anos, enquanto lá estiveram, o país não lhes parecia assim tão intolerável. A indignação só apareceu quando perderam espaço, influência ou a possibilidade de subir na hierarquia.

Para alguns, a ruptura não foi moral nem política. Foi uma derrota interna. E a conversão súbita em “anti-sistema” raramente é sinal de virtude tardia. É, muitas vezes, apenas ressentimento reciclado.
É confortável acreditar que existe um culpado único para tudo. É confortável apontar o dedo a “eles”: os imigrantes, os pobres, os dependentes de subsídios, os professores, os jornalistas, os “esquerdistas”, seja lá o que isso signifique esta semana.

É muito mais difícil aceitar que os problemas de um país são estruturais, antigos, complexos, e que não se resolvem com slogans nem com gritos.

Pergunta simples: sabem definir, sem caricaturas, o que é direita e esquerda em política? Sabem distinguir liberalismo económico de conservadorismo moral?

Sabem explicar por que razão o mesmo líder um dia é carne e noutro é peixe? Num dia é liberal e noutro "Esquerdalha"? Num dia é um malfeitor e noutro "respeitador da lei"? Num dia é um racista psicopata e noutro anda a rezar à virgem santíssima?

Não é coerência. É oportunismo.
Não é coragem. É teatro.
O discurso muda conforme a oportunidade. Num dia é lei e ordem, no outro é vitimização. Num dia é liberal selvagem, no outro é sindicalista.

Não há visão de país. Há apenas estímulos emocionais dirigidos a quem está cansado demais para pensar. E pensar dá trabalho.

Pensar obriga a admitir que a corrupção não nasce apenas nos partidos. Nasce na pequena fraude aceite, no jeitinho, na cunha, no “não faz mal”, no “todos fazem”.

Nasce na falta de cultura cívica, na ausência de leitura, na recusa do contraditório, no desprezo pelo conhecimento.

Não é um problema de ideologia. É um problema de carácter colectivo!

Dizem que “andaram a roubar-nos”. Onde estavam vocês enquanto isso acontecia? A participar? A fiscalizar? A informar-se? Ou simplesmente a viver, desligados, até alguém vos apontar um bode expiatório conveniente?

A raiva pode ser compreensível. Mas não é um projecto político. Nunca foi. E quando a raiva governa, não cai sobre os poderosos. Cai sempre sobre os mais fracos. Sobre quem tem menos voz, menos recursos, menos defesa.

Falam muito de crianças e de futuro. Então pensem nisto: que exemplo é ensinar um filho a resolver problemas com ódio, com humilhação, com desprezo pelo outro?

Que futuro se constrói quando se troca pensamento crítico por frases feitas?

Quando foi a última vez que leram um livro? Um qualquer. Quando foi a última vez que ficaram meia hora em silêncio, sem televisão, sem tablet, sem telemóvel, apenas a pensar? Não a reagir. A pensar.
Talvez descubram algo desconfortável: que muitas das palavras que repetem não são vossas. Que a indignação foi cultivada. Que a realidade é mais complexa do que vos disseram. E que ninguém vos está a salvar.

Esse momento dói. Mas liberta.

Porque perceber que o mundo não se conserta esmagando outros é o primeiro passo para deixar de ser manipulado.

Porque perceber que a democracia exige mais do que raiva é o primeiro passo para a levar a sério.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Just 0.001% hold three times the wealth of poorest half of humanity, report finds


Fewer than 60,000 people – 0.001% of the world’s population – control three times as much wealth as the entire bottom half of humanity, according to a report that argues global inequality has reached such extremes that urgent action has become essential.

The authoritative World Inequality Report 2026, based on data compiled by 200 researchers, also found that the top 10% of income-earners earn more than the other 90% combined, while the poorest half captures less than 10% of total global earnings.

Wealth – the value of people’s assets – was even more concentrated than income, or earnings from work and investments, the report found, with the richest 10% of the world’s population owning 75% of wealth and the bottom half just 2%.

In almost every region, the top 1% was wealthier than the bottom 90% combined, the report found, with wealth inequality increasing rapidly around the world.

“The result is a world in which a tiny minority commands unprecedented financial power, while billions remain excluded from even basic economic stability,” the authors, led by Ricardo Gómez-Carrera of the Paris School of Economics, wrote.

The share of global wealth held by the top 0.001% has grown from almost 4% in 1995 to more than 6%, the report said, while the wealth of multimillionaires had increased by about 8% annually since the 1990s – nearly twice the rate of the bottom 50%.

The authors, one of whom is the influential French economist Thomas Piketty, said that while inequality had “long been a defining feature of the global economy”, by 2025 it had “reached levels that demand urgent attention”.

Reducing inequality was “not only about fairness, but essential for the resilience of economies, the stability of democracies, and the viability of our planet”. They said such extreme divides are no longer sustainable for societies or ecosystems.

Produced every four years in conjunction with the United Nations Development Programme, the report draws on the biggest open-access database on global economic inequality and is widely considered to shape international public debate on the issue.

In a preface, the Nobel prize-winning economist Joseph Stiglitz repeated a call for an international panel comparable to the UN’s IPCC on climate change, to “track inequality worldwide and provide objective, evidence-based recommendations”.

Looking beyond strict economic inequality, it found that inequality of opportunity fuels inequality of outcomes, with education spending per child in Europe and North America, for example, more than 40 times that in sub-Saharan Africa – a gap roughly three times greater than GDP per capita.

Such disparities “entrench a geography of opportunity”, it said, adding that a 3% global tax on fewer than 100,000 centimillionaires and billionaires would raise $750bn a year – the education budget of low and middle-income countries.

Inequality was also fuelled by the global financial system, which is rigged in favour of rich countries, the report said, with advanced economies able to borrow cheaply and invest abroad at higher returns, allowing them to act as “financial rentiers”.

About 1% of global GDP flows from poorer to richer countries each year through net income transfers associated with high yields and low interest payments on rich-country liabilities, it said – almost three times the amount of global development aid.

On gender inequality, the report said a gender pay gap “persists across all regions”. Excluding unpaid work, women earn on average only 61% of what men earn per working hour. Including unpaid labour, that figure falls to just 32%, it added.

The report also highlighted the critical role played by capital ownership in the inequality of climate-changing carbon emissions. “Wealthy individuals fuel the climate crisis through their investments even more than their consumption and lifestyles,” it said.

Global data shows the poorest half of the global population accounts for only 3% of carbon emissions associated with private capital ownership, the report calculated, while the wealthiest 10% account for about 77% of emissions.

“This disparity is about vulnerability,” it said. “Those who emit the least, largely populations in low-income countries, are also those most exposed to climate shocks. Those who emit the most are more insulated against the impacts of climate change.”

The evidence shows that inequalities can be reduced, particularly by public investment in education and health and by effective taxation and redistribution programmes. It notes that in many countries, the ultra-rich escape taxation.

“Effective income tax rates climb steadily for most of the population, but then fall sharply for billionaires and centimillionaires,” the report said. Proportionately, “these elites pay less than most of the households that earn much lower incomes”.

Reducing inequality is a political choice made more difficult by “fragmented electorates, under-representation of workers, and the outsized influence of wealth”, it concluded. “The tools exist. The challenge is political will.”

sábado, 6 de dezembro de 2025

Portugal engana-se. Diverge, empobrece e finge crescer



Nenhum país se renova enquanto continuar a expulsar os competentes, os íntegros e a promover quem vive das conveniências e das redes de interesse, escreve o economista Óscar Afonso.

⚡ECO Fast
Portugal tem registado uma frágil convergência em relação à média da União Europeia, mas enfrenta uma divergência estrutural que se agrava.
Os dados da Comissão Europeia revelam que, entre 1999 e 2024, Portugal perdeu 5,2 pontos percentuais no nível de vida relativo, contrastando com o progresso de várias economias de leste.
Sem reformas estruturais profundas, o país continuará a descer no ranking europeu, com previsões de empobrecimento relativo e emigração de talentos qualificados.

Portugal tem registado, nos últimos anos, alguma convergência de nível de vida em relação à média da União Europeia (UE) nos dados oficiais da Comissão Europeia (CE). Contudo, esse progresso revela-se muito frágil — porque assenta em fatores conjunturais que mascaram fragilidades estruturais: Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), turismo e a vaga de imigração descontrolada, além da imagem de destino seguro para turismo e investimento face à guerra na Ucrânia — e insuficiente para compensar a trajetória de divergência desde o início do milénio (entre 1999 e 2024), o foco da análise desta crónica. A divergência é ainda maior quando se corrigem os dados para refletir números mais atualizados da população residente, refletindo a vaga de imigração recente.

O contraste torna-se particularmente evidente quando comparado com o percurso das economias de leste, que protagonizaram um notável processo de aproximação ao nível de vida europeu, ultrapassando vários países que, em 1999, se situavam claramente à sua frente, incluindo Portugal. Acresce que estes países entraram bastante mais tarde na UE, tendo por isso recebido muito menos fundos — que, ao contrário de Portugal, souberam transformar em produtividade, rendimento e progresso para a generalidade da população.

Enquanto no leste europeu os apoios comunitários foram canalizados para modernizar economias inteiras, por cá serviram demasiadas vezes — para usar uma expressão suave — para alimentar interesses instalados, reproduzir privilégios e fortalecer uma elite facilitadora. E o mais triste é que nada disto é novo: Está, infelizmente, nos nossos “genes institucionais”. É um padrão antigo e persistentemente português, amplamente documentado por Antero de Quental, Eça, Garrett, Ramalho Ortigão, Fernando Pessoa, Saramago, Sophia ou Vergílio Ferreira — todos eles descrevendo, ao longo de séculos, a mesma teia de favoritismos, patrimonialismo e captura do Estado por minorias privilegiadas.

Uns investiram para criar futuro, nós desperdiçámos para preservar um sistema. Em suma, enquanto as economias de leste aproveitaram os fundos para convergir, Portugal continua a avançar aos solavancos, preso a um modelo que favorece a esperteza oportunista em detrimento do mérito, do trabalho sério e da inteligência criadora.

Somos um país onde demasiadas portas se abrem não pelo que se sabe ou pelo que se faz, mas por quem se conhece — um padrão que os nossos maiores escritores denunciaram, com uma precisão quase profética, muito antes de existir UE. E assim, geração após geração, mantemo-nos reféns dos mesmos bloqueios estruturais, enquanto outros que começaram muito atrás já vão muito à frente.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

This is one of the primary tools that the Elite arre using to force Fertility Rates Down all over the Globe



Fertility rates have been rapidly declining all over the globe. If this trend continues, the global population will fall dramatically in the years ahead even if we do not experience major wars, worldwide pandemics, nightmarish famines and historic natural disasters. Of course this is exactly what many among the global elite have been seeking to achieve for a very long time. They kept warning us that “the population bomb” was an existential threat to humanity, and they have been working very hard to bring down birth rates.

Sadly, their efforts have succeeded to a very large degree. In more than 50 percent of the nations on the entire planet, the total fertility rate is now below replacement level

The TFR is expressed as a single figure to reflect the number of children per birthing person in a specific population, most commonly a country.

When assessing for population growth or decline, experts use a “replacement” or “maintenance” TFR of 2.1. This indicates that each person is “replaced” by someone else, so there’s no population growth or decline, barring other factors like migration.

Since the 1950s, however, global TFRs have been decreasing drastically. Research suggests that more than 50% of countries worldwide are below the 2.1 maintenance TFR, and by the year 2100, experts predict that 93% of countries will be below this rate.

This is extremely alarming, but most people don’t even know that it is happening.

Here in the United States, the fertility rate fell to a brand new record low last year

The fertility rate in the U.S. dropped to an all-time low in 2024 with fewer than 1.6 children being born per woman, federal data released Thursday shows.

The U.S. was once among only a few developed countries with a rate that ensured each generation had enough children to replace itself — about 2.1 kids per woman. But it has been sliding in America for close to two decades as more women are waiting longer to have children or never taking that step at all.

We are not even coming close to replacing ourselves.

This has all sorts of grave implications for the future of federal programs such as Social Security.

In much of Europe, things are even worse

Native fertility across the entire Western world has collapsed below replacement and shows no sign of recovery. Italy sits at 1.24 children per woman, Spain 1.23, Germany 1.36, Poland 1.26, Canada 1.33, Australia 1.58.

The only reason why western populations are still growing is because of immigration.

Without immigration, the number of people living in most western nations would be declining precipitously.

The same thing is true in China. Even though the one-child policy ended nearly a decade ago, the fertility rate in China has continued to plummet.

In fact, at this point it has fallen all the way to one

In the last few years, despite the end of the one-child policy in 2016 and the government encouraging larger families, fertility rates have dropped to one.

So why is this happening?
Without a doubt, decades of propaganda have successfully convinced women all over the planet to have fewer children.

It will not be easy to undo that conditioning.

In addition, the global elite have poisoned our air, our water, our soil and our food, and we are constantly being blasted with dangerous levels of electromagnetic radiation.

As a result, male sperm counts have declined precipitously since the 1970s

A 2017 meta-analysis, for example, based on data from North America, Europe, Australia, and New Zealand, found that sperm count had declined by 52 percent between 1973 and 2011. A follow-up in 2022 by some of the same authors showed a similar reduction across an even wider range of countries.

One of the ways that we are being poisoned is through the use of phthalates.

The elite knew more than 40 years ago that ingesting phthalates can severely damage the reproductive system


Earl Gray was astonished by what he found when he cut into the laboratory rats. Some had testicles that were malformed, filled with fluid, missing or in the wrong place. Others had shriveled tubes blocking the flow of sperm, while still more were missing glands that help produce semen.

For months, Gray and his team had been feeding rats corn oil laced with phthalates, a class of chemical widely used to make plastics soft and pliable. Working for the Environmental Protection Agency in the early 1980s, Gray was evaluating how toxic substances damage the reproductive system and tested dibutyl phthalate after reading some early papers suggesting it posed a risk to human health.

Sitting on a screened porch on a humid summer day more than 40 years later, Gray recalled the study and the grisly birth defects. “It was in enough animals, so we knew it wasn’t random malformations,” said Gray, 80, who retired after nearly 50 years with the agency.

Even though the danger was very clear, the widespread use of phthalates continued.

It is being estimated that the damage to human health from phthalates in the United States is now costing us more than 66 billion dollars a year

The costs to society are huge. A 2024 NYU-led study that catalogued health effects from phthalates exposure in the United States — including contributions to diabetes levels and infertility — estimated that dealing with phthalate-related diseases cost $66.7 billion in a single year. That is triple the economic impact of health impacts from “forever chemicals,” another class of chemicals widely implicated in disease. Treating all cancer, by comparison, costs the U.S. $209 billion annually, according to one estimate by the government-run National Cancer Institute.

This is a crime against humanity.

And yet to this day phthalates continue to be used in food manufacturing facilities all across America

“You have hoses that are loaded with phthalates, you have plastic tanks that stuff is stored in, you have pumps that are plastic — that’s where you get a lot of phthalates,” said Tom Neltner, a longtime chemical campaigner and chemical engineer who worked in food manufacturing.

The American Chemistry Council said FDA has approved using certain phthalates in food-contact applications like tubing, conveyor belts and vinyl gloves, concluding that dietary exposures do not exceed safe levels.

“The leadership in FDA, both political and the senior career leadership, for decades in the food safety space, didn’t think chemicals merited much attention,” said Jim Jones, who was brought in as a deputy commissioner to overhaul food safety at the agency in 2023 after a career at EPA.

By allowing them to do this to us, we are literally committing societal suicide.

But most people that will read this article will forget all about it by next week.

Of course they are poisoning and killing us in dozens of other ways as well.

What will it take for the general population to finally wake up?

They are destroying humanity and everything around us, and someday they will be held accountable.

But for now, most of the population just continues to pretend that everything is just fine.

Meanwhile, the agenda of the global elite continues to march forward, and they are absolutely thrilled that birth rates continue to fall all over the globe.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

2,9 milhões de euros. É este o valor que Portugal perde todos os dias


Não é um erro de cálculo. É o dinheiro que as multinacionais retiram do país diariamente através de esquemas de planeamento fiscal agressivo. Estamos a falar de mais de 1000 milhões de euros por ano que deviam entrar nos cofres públicos, mas que desaparecem para paraísos fiscais ou jurisdições mais simpáticas.

​E quem é que paga o rombo? Pagas tu.
​A máquina fiscal é implacável, mas só com quem não tem como fugir. Caem em cima do trabalhador por conta de outrem, caem em cima da pequena empresa que luta para pagar salários, caem em cima da classe média. Para nós, a carga fiscal é asfixiante, para os gigantes que lucram milhões cá dentro, é opcional.

Relatório da Tax Justice Network
O relatório da Tax Justice Network concluiu que durante seis anos, entre 2015 e 2021, Portugal perdeu cerca de cinco mil milhões de euros. Ou seja, por ano o país ficou com menos 800 milhões de euros. O estudo indica que estas perdas estão associadas a estratégias de transferência de lucros para paraísos fiscais e jurisdições fiscais mais brandas. Dos cinco mil milhões perdidos, cerca de 739 milhões de euros correspondem apenas a multinacionais com sede nos Estados Unidos

O contraste com Espanha é humilhante.
​Enquanto por cá fingimos que não se passa nada, aqui ao lado teve-se a coragem política de avançar. Espanha criou o Imposto de Solidariedade sobre Grandes Fortunas (para patrimónios acima de 3 milhões de euros). Resultado? Só no primeiro ano, foram buscar 623 milhões de euros aos mais ricos. O Tribunal Constitucional espanhol deu luz verde, ignorando os protestos da direita que queriam proteger os milionários.

Para atenuar os efeitos da evasão fiscal, as autoridades portuguesas têm em vigor uma taxa aprovada pelo G7, em 2021, e apoiada pelo G20, que passa pela cobrança de 15% sobre os lucros das multinacionais com vendas superiores a 750 milhões de euros.

​Lá, o dinheiro dos mais ricos serve para financiar o Estado Social. Cá, continuamos a proteger o grande capital enquanto o SNS, a Cultura, a Ciência, o Ambiente e a Escola Pública pedem socorro.

​E não se iludam com o atual cenário político. Com o crescimento da direita e da extrema-direita em Portugal, a tendência não será ir atrás dos poderosos. A história diz-nos exatamente o oposto, o discurso de "baixar impostos" serve muitas vezes para aliviar quem está no topo, enquanto a fatura e o desmantelamento dos serviços públicos sobram para quem vive do seu trabalho. Vêm sempre atrás do elo mais fraco.
A questão é até quando vamos permitir.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Enfrentamos uma emergência de desigualdade


Embora o texto esteja no FT , para assinantes, fui ler a OXFAM. Nesse artigo Lula, Ramaphosa e Sánchez apoiam a criação de um Painel Internacional sobre a Desigualdade. O termo «emergência da desigualdade» refere-se à crescente disparidade na distribuição de rendimentos e riqueza a nível global, que tem levado a uma maior instabilidade política e a uma diminuição da confiança nos sistemas democráticos. Relatórios recentes indicam que os 1% mais ricos capturaram uma parte significativa da riqueza, enquanto milhares de milhões enfrentam insegurança alimentar, destacando a necessidade urgente de agir para resolver estas questões. A OXFAM desafia este bullying geopolítico e tudo fez na cimeira de G20 em Joanesburgo para colocar na agenda o debate. Aconselho a leitura “G20 Extraordinary Committee of Independent Experts on Global Inequality”, pelo Professor Joseph Stiglitz.

Entre 2000 e 2024, o 1% mais rico captou 41% de toda a nova riqueza criada no mundo, refere o relatório. Ao mesmo tempo, uma em cada quatro pessoas no mundo, cerca de 2,3 mil milhões, enfrenta agora insegurança alimentar moderada ou grave, o que significa que salta refeições com regularidade. Esse número aumentou em 335 milhões desde 2019, acrescenta o relatório.

Recomenda-se no relatório a criação de um novo Painel Internacional sobre Desigualdade para aconselhar os governos sobre como enfrentar o problema, à semelhança do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas, designado pela ONU, que apoia o desenvolvimento de políticas climáticas.

Economistas e especialistas em desigualdade, incluindo galardoados com o Nobel e antigos altos responsáveis do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, afirmam na carta dirigida aos líderes mundiais estar preocupados com o facto de “concentrações extremas de riqueza se traduzirem em concentrações de poder antidemocráticas, a corroer a confiança nas nossas sociedades e a polarizar a política”.

A África do Sul, que acolheu a cimeira do G20 a 22 e 23 de novembro, fez com que a desigualdade global fosse um dos temas centrais, apesar de o próprio país ser classificado pelo Banco Mundial como o mais desigual do mundo.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

A pobreza gera dinheiro para muitas pessoas e sectores, directa e indirectamente.


A pobreza, além de ser um problema social evidente, é também uma fonte de rendimento para muitos sectores. Existem empresas que dependem diretamente da existência de trabalhadores com poucas alternativas e que, por isso, aceitam salários baixos, como acontece na agricultura intensiva, na restauração, nas limpezas, nas plataformas digitais e nas fábricas de têxteis. Sem pobreza, estes setores teriam custos muito maiores e lucros mais reduzidos. Outros negócios lucram com a fragilidade financeira das pessoas pobres, como bancos e financeiras que oferecem crédito caro ou empréstimos rápidos a juros elevadíssimos, explorando a falta de alternativas. Há ainda empresas de segurança privada, alarmes e serviços de vigilância que prosperam em contextos de maior desigualdade, porque a insegurança cresce quando há fraturas sociais profundas.

No setor social e no Estado, a pobreza cria também um grande número de empregos. Assistentes sociais, psicólogos, técnicos de apoio, gestores de instituições, funcionários de programas estatais, ONGs e IPSS dependem da existência de pessoas que necessitam de ajuda. Não significa que estas pessoas desejem que a pobreza se mantenha, mas é um facto que a existência de pobreza sustenta estas estruturas e gera carreiras inteiras. Algo semelhante acontece com organismos internacionais que lidam com desenvolvimento, desigualdade e exclusão, que movimentam grandes orçamentos devido à persistência dessas condições.

A desigualdade também alimenta setores indiretos, como o imobiliário, que beneficia quando muitas pessoas não têm capacidade para comprar casa e acabam presas a arrendamentos caros. Superfícies comerciais, cadeias de fast food e empresas de produtos baratos lucram quando a população tem poucas alternativas, porque consome aquilo que consegue pagar. Ao mesmo tempo, a pobreza é também rentável politicamente. Partidos de diferentes ideologias constroem discursos, programas e mobilizam eleitores em torno da questão da desigualdade, uns defendendo mais apoio social, outros defendendo incentivos ao trabalho, mas todos a usar a pobreza como parte da sua narrativa. A comunicação social também ganha com isto, porque a desigualdade gera histórias, reportagens, audiências e campanhas solidárias.

Em resumo, a pobreza não é apenas uma condição social; é também um elemento estrutural que alimenta mercados, empregos, discursos e modelos económicos. Há pessoas e instituições que trabalham para a combater, outras que lucram indiretamente com ela, mas o resultado final é o mesmo: a pobreza gera dinheiro para muitos, mesmo que traga sofrimento para quem a vive.

Referências:
Estudo da FFMS - A Pobreza em Portugal (2021)
Vidas em fuga da pobreza: a mobilidade social nas classes trabalhadoras em contextos de realojamento
(2007-2010)

domingo, 16 de novembro de 2025

Dia Mundial dos Pobres — e dos culpados

"Hoje celebra-se o dia mundial dos pobres.
Curioso: nunca celebramos o dia mundial
dos que produzem pobreza.
Erguem-se palcos, discursos, fotografias.
Fala-se de “apoio”, “solidariedade”, “valores”.
Mas ninguém pronuncia os nomes
dos que lucram com a miséria,
dos que apertam orçamentos
para que sobrem dividendos,
dos que tratam gente colada ao chão.

A pobreza não cai do céu —
é fabricada.
Tem autores, assinaturas, logótipos,
programas eleitorais,
conivências silenciosas.

E corporações que, ano após ano,
garantem que os mesmos continuem pobres
e os bilionários continuem a decidir.

Hoje, os poderosos dirão
que “ninguém fica para trás”.
Mentira: alguém fica para trás
porque alguém está sempre a empurrar.

É mais fácil decorar a palavra “equidade”
do que taxar fortunas;
mais fácil erguer campanhas
do que erguer salários;
mais fácil proclamar "caridade"
do que enfrentar interesses.

Pobreza não é tragédia humana —
é estratégia populista e ódio aos pobres
É o resultado frio
de permitir que o lucro vença o direito,
que o mercado vença a vida,
que a indiferença vença a vergonha.

Um dia mundial não chega.
O que falta é romper o silêncio cúmplice
e enfrentar e denunciar todos os dias
os que fazem da pobreza
uma máquina de produção contínua,
uma estratégia calculada,
um rendimento garantido.

Se é para lembrar os pobres,
então que nos lembrem também dos culpados.
E que se lhes retire — finalmente —
o privilégio de continuar a produzi-los."

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Zohran Mamdani - um marco histórico


Depois da Holanda e Irlanda mais uma luz ao fundo do túnel. Que boas notícias para todos nós.

Uma vitória histórica. Os meios de comunicação dominantes não o levaram a sério. Trump e os republicanos passaram o tempo a ameaça-lo. Grande parte dos democratas virou-lhe as costas. As elites económicas combateram-no.

Chamaram-lhe inexperiente, antissemita, comunista e os estigmas islamafóbicos foram uma constante. Mas Zohran Mamdani, 34 anos, muçulmano, de raízes africanas e indianas, pró-Palestina, defensor dos imigrantes, com politicas sociais claras, foi mesmo eleito esta madrugada para dirigir os destinos de Nova Iorque.

Os que se lhe opuseram vão agora diminui-lo e tudo fazer para que não vingue. É importante que o imaginário progressista não se difunda. Vão desvalorizar a vitória. Dizer que Nova Iorque é apenas simbolismo, com pouco significado político. Ou que foi só a especificidade do cosmopolitismo nova-iorquino a razão do triunfo.

Vão também dizer que é uma espécie de estrela pop que sabe comunicar nas redes, ou que é apenas sorriso e performance sem conteúdo, até porque aquilo que propõe será impossível de cumprir e outras coisas que tais. Propagar o medo. Não deixar que o acreditar ponha a cabeça de fora.

O mundo não vai mudar por artes mágicas por causa dele. Não tem nada de providencial. O seu feito foi ter gerado uma onda coletiva, transgeracional e multiétnica, à sua volta – simbolizada por dois dos seus maiores apoiantes, Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez.

Fê-lo em total contraciclo com o neoliberalismo desenfreado e o populismo musculado, discorrendo sobre habitação acessível, desigualdade, salários, saúde ou comércio local, e propondo medidas como a taxação dos super-ricos, alguns transportes gratuitos, creche universal ou congelamento de rendas.

A sua vitória significa uma ferida aberta na oligarquia financeira e na governação de Trump e o recuperar da esperança na política, independentemente do lugar. Passam o tempo a querer-nos convencer que nada pode mudar e vem ele com comprometimento e ideias claras, repescadas no socialismo e na social-democracia que a esquerda quando chega ao poder tende a esquecer, dizendo: sim, é possível.

Esta madrugada a “cidade que nunca dorme” despertou e, por ressonância, o mundo descrente lembra-se que o futuro não está escrito de antemão. Agora Mamdani terá à sua frente outros desafios. Mas já fez algo que parecia difícil neste ciclo, projetar um imaginário de mudança com mais democracia, equidade e justiça social. Não chega. Mas não é pouco. E é inspirador.

sábado, 1 de novembro de 2025

Principais Recursos dos Bilionários


Continuando a minha reflexão sobre os bilionários aqui elenco os principais recursos que os leva a alimentar esta gigante riqueza.

1. Capital financeiro
Uma parte grande da riqueza deles está investida em ações, participações em empresas, títulos, fundos, e outros instrumentos financeiros.
Esse capital financeiro dá-lhes poder para influenciar mercados, fazer aquisições, e multiplicar a riqueza através de investimentos.

2. Participações em empresas (empresas próprias ou holdings)
Muitos bilionários são fundadores ou detêm participações significativas em grandes empresas (tecnologia, indústria, energia, etc.).
Por exemplo, setores como finanças, bebidas e tecnologia são dominantes entre as origens da riqueza bilionária.
Esses ativos empresariais lhes dão controlo direto sobre cadeias produtivas, decisões estratégicas e inovação.

3. Propriedade imobiliária
Muitos bilionários investem em imóveis comerciais, terrenos, edifícios residenciais — uma parte importante do seu portfólio de riqueza é tangível.
A valorização das propriedades também contribui para o crescimento patrimonial.
4. Recursos naturais
Alguns controlam minas, terras agrícolas, reservas de petróleo ou outros recursos naturais, que são ativos físicos estratégicos.
Por exemplo, bilionários no setor energético ou de mineração tiram parte de sua fortuna da extração e gestão desses recursos. (No caso de Rinat Akhmetov, ele tem empresas em mineração e energia.)

5. Capital humano
Embora não seja “dono” de pessoas no sentido absoluto, muitos bilionários controlam grandes empresas que empregam dezenas de milhares de pessoas. Isso lhes dá poder sobre a direção estratégica, mas também sobre talento, inovação e produção.
Além disso, muitas das suas empresas dependem de capacidades técnicas, científicas e de gestão — ou seja, eles investem (e captam) talento.

6.Influência política e institucional
Bilionários muitas vezes têm ligações políticas, institucionais ou contato direto com decisores. Essa influência permite moldar políticas, regulamentos e leis que podem favorecer os seus negócios ou proteger o seu capital.
Também podem usar lobbies para manter vantagens competitivas ou para criar barreiras à entrada de novos concorrentes.

7. Acesso a infraestruturas críticas
Eles podem financiar ou controlar infraestruturas como data centers, redes de telecomunicação, energia, logística, etc. Esse é um recurso estratégico porque dá poder sobre recursos que sustentam a economia moderna.
No campo digital, por exemplo, gigantes tecnológicos (alguns bilionários) controlam plataformas, dados e serviços essenciais — o que lhes dá grande poder sobre a “economia da atenção” e dos dados.

8. Propriedade intelectual
Patentes, direitos de autor, marcas registradas são ativos intangíveis muito valiosos. Bilionários em tecnologia, farmacêutica ou biotecnologia frequentemente detêm patentes que lhes garantem receitas futuras e vantagem competitiva.

9. Redes de capital social
Além do capital formal (dinheiro, ativos), há recurso social: os bilionários geralmente têm redes poderosas de influenciadores, outros bilionários, políticos, investidores. Essas redes são um recurso estratégico porque permitem parcerias, financiamento, influência e acesso privilegiado a oportunidades.

10. Estruturas offshore e otimização fiscal
Muitos usam jurisdições fiscais favoráveis para armazenar parte de sua riqueza, o que lhes permite preservar capital, reduzir impostos e reinvestir de forma eficiente.
Isso também significa que parte da sua riqueza está “fora do radar” direto de muitos sistemas fiscais nacionais.

Ninguém devia ter mil milhões de euros

Vamos começar por aqui. E não, isto não é inveja, é matemática. É uma quantia absurda. A maior parte destas fortunas gigantescas é herdada. E a outra parte? Foi acumulada à custa do que não foi pago a quem realmente ajudou a construí-la. Por outro lado a tecnologia permite lucros globais com poucos custos; o valor das ações aumenta fortunas rapidamente; os impostos baixos e influência política protegem os ricos e finalmente a globalização, que concentra lucros nas grandes empresas.

Antigamente, alguns magnatas construíam bibliotecas, ou fundavam universidades, pelo menos sentiam a obrigação de devolver algo estrutural à sociedade.

Hoje? A ambição é ir ao espaço, ter o iate maior, o relógio mais caro e 50 carros na garagem. Não se importam de pagar valores absurdos por caprichos, só lhes custa pagar pelo trabalho. E o trabalho, a produção, o esforço humano, é a única coisa que realmente gera riqueza.

Mas para perceber o quão doentio isto é, temos de sair dos milhões e ir para o tempo de vida.
A nossa medida vai ser o Salário Mínimo em Portugal, €870 por mês. Com subsídios, são €12.180 por ano. Este é o valor de um ano inteiro da nossa vida de trabalho.

À escala de Portugal, a Família Amorim tem €5,4 mil milhões.
Para eles gastarem isto, ao ritmo de um ano inteiro do nosso trabalho, demorariam 443 000 ANOS.

A nossa espécie, o Homo Sapiens, existe há 300 000 anos. A totalidade da nossa história não chega.
À escala do Mundo, o homem mais rico, Elon Musk, tem €426 mil milhões. Demoraria 35 MILHÕES DE ANOS a gastar tudo.

Os dinossauros foram extintos há 65 milhões de anos. Isto não é tempo de vida. É tempo geológico.

Quem resumiu isto na perfeição foi a Billie Eilish esta semana. 
Billie Eilish pertence à Geração Z.

Num evento com bilionários na audiência, depois de anunciar que ia doar 11.5 milhões de dólares, confrontou-os diretamente: "És bilionário, porquê?"

Ela não está a falar de culpa pessoal. Está a falar desta distorção completa da escala humana.
O problema é um sistema que permite que um indivíduo acumule o equivalente a 35 milhões de anos de trabalho de outra pessoa, enquanto essa outra pessoa mal consegue sobreviver com o salário de um ano.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Novo estudo da OXFAM mostra que os 0,1% mais ricos dos EUA queimam carbono a uma taxa 4.000 vezes superior à dos 10% mais pobres do mundo


Segundo uma análise fornecida ao The Guardian, os super-ricos dos EUA estão a consumir carbono a uma velocidade 4.000 vezes superior aos 10% mais pobres da população mundial.

Estes multimilionários e multimilionários, que representam os 0,1% mais ricos da população dos EUA, estão também a reduzir o espaço climático seguro do nosso planeta a um ritmo 183 vezes superior à média global.

Os dados, produzidos pela Oxfam e pelo Instituto Ambiental de Estocolmo antes da cimeira climática COP30, destacam o fosso entre os ricos , grandes consumidores de carbono e principais responsáveis ​​pela crise climática, e os pobres, vulneráveis ​​ao calor, que sofrem as piores consequências. A China ocupa o 2º lugar.

Numa das extremidades da pirâmide social, os 0,1% mais ricos emitem, em média, 2,2 toneladas de CO2 por dia, o equivalente ao peso de um rinoceronte ou de um SUV.

Por outro lado, um cidadão da Somália emite apenas 82 gramas de CO2 por dia, o que equivale pouco à massa de um único tomate ou de meia chávena de arroz.

Entre estes dois extremos, a média para todos no planeta é de 12 kg por dia, aproximadamente o peso de um pneu de automóvel normal.

A análise foi fornecida para o lançamento do relatório anual da Oxfam sobre a desigualdade de carbono, que destaca como os estilos de vida luxuosos de superiates, jatos privados e grandes mansões se combinam frequentemente com investimentos em indústrias poluentes para criar pegadas individuais que desestabilizam o clima.

O estudo, divulgado na quarta-feira, descobriu que 308 dos multimilionários do mundo tinham uma contagem combinada de CO 2 que, se fossem um país, os tornaria o 15º país mais poluente do mundo.

A grande disparidade de carbono aumentou nos últimos 30 anos. Desde 1990, a quota das emissões dos 0,1% mais ricos aumentou 32%, enquanto a quota dos 50% mais pobres desceu 3%.

“A crise climática é uma crise de desigualdade”, afirmou Amitabh Behar, diretor executivo da Oxfam Internacional. “Os indivíduos mais ricos do mundo estão a financiar e a lucrar com a destruição climática, deixando a maioria global a suportar as consequências fatais do seu poder desenfreado.”

A desigualdade cria retroalimentações perigosas: quanto mais riqueza é acumulada nas mãos de poucos, mais a responsabilidade pela crise climática se concentra entre um pequeno número de indivíduos poderosos, que usam o seu dinheiro e influência para negar, atrasar e distrair das reduções de emissões.

O relatório apurou que quase 60% dos investimentos dos multimilionários são em “setores de alto impacto climático”, como empresas de mineração ou de petróleo e gás. Isto representa mais 11 pontos percentuais do que o investidor médio.

Um quadro semelhante foi pintado por um relatório separado, também divulgado na quinta-feira, pelo World Inequality Lab , que revelou que o 1% mais rico tem 2,8 vezes mais emissões associadas ao seu capital do que ao seu consumo.

Nos EUA, o relatório da Oxfam referiu que as empresas gastam, em média, 277 mil dólares por ano em lobby anti-clima, liderado pelas empresas de petróleo e gás natural. Na última Cimeira do Clima (COP) em Baku, havia 1.773 lobistas do sector do carvão, petróleo e gás, um contingente superior ao de todos os países, excepto três. O grupo afirmou que isto levou a um alívio das penalizações para os grandes emissores, ao retrocesso nos compromissos internacionais de transição para longe dos combustíveis fósseis e a contestações internas aos impostos sobre o carbono e à legislação destinada a reduzir as emissões. Mais preocupante ainda, segundo a Oxfam, é a tendência para os doadores ricos financiarem movimentos de extrema-direita e racistas, que estão na vanguarda da oposição às políticas de emissões líquidas zero.

As consequências são mortais. O relatório calcula que as emissões do 1% mais rico da população são suficientes para causar cerca de 1,3 milhões de mortes relacionadas com o calor até ao final do século, além de 44 biliões de dólares em prejuízos económicos para os países de baixo e médio-baixo rendimento até 2050. O sofrimento é desproporcionalmente maior no Sul Global, a região do mundo que menos culpa tem pelas alterações climáticas.

As emissões dos super-ricos estão também a afastar cada vez mais o mundo das metas do Acordo de Paris sobre o clima, que visa limitar o aumento da temperatura entre 1,5°C e 2°C acima dos níveis pré-industriais. Desde o acordo global de 2015, o 1% mais rico do mundo consumiu mais do dobro do orçamento de carbono restante em comparação com a metade mais pobre da humanidade combinada, afirma o relatório. A última década foi a mais quente de que há registo, elevando o aquecimento global acima da marca dos 1,5°C em 2024.

A Oxfam disse que os governos precisam de reduzir as emissões e a influência dos super-ricos com impostos sobre eles e indústrias que destabilizam o clima.

“Devemos quebrar o domínio dos super-ricos sobre a política climática, taxando a sua riqueza extrema, proibindo o seu lobby e, em vez disso, colocando os mais afectados pela crise climática no comando da tomada de decisões climáticas”, disse Behar.

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

A Inteligência Artificial é o maior engodo. Está à vista de todos.


Se eu tivesse sido aluna com power points, IA, tinha fugido - podiam ter tentado medicar-me com ritalina, e aí talvez eu ficasse quieta, dopada. A única coisa que vale a pena nas aulas não é aprender a usar uma tecnologia (ou aprender a mentir sobre ela). É a paixão do conhecimento, é saber que algo era óbvio e afinal é irrelevante, que comichão se dá na barriga a essa hora, ou quando estávamos plenamente convencidos de um argumento e ele se demonstra muito mais complexo, é a ousadia de pensar algo que nunca foi pensado, é pensar juntos, que invenção, senhores, uma aula é uma relação colectiva. Face a face, em diálogo, não a olhar para um quadro, ecrã, é em relação, olhar a olhar, grande parte de uma aula, recorda Dejours, está no corpo, no olhar surpreso dos alunos, entusiasmado do professor, na postura inquieta dos colegas, tudo isso são sinais de sublimação (prazer, sim prazer hoje está associado ao sexo, mas prazer deve estar associado ao trabalho, desejo, desejo de saber mais, desejo de ensinar mais, desejo de criar depois de falhar, errar). Por isso as aulas em U são maravilhosas. Parem de nos enfiar pela goela abaixo - através da imposição de governos - o lucro do Zuckerberg. 

As Plataformas foi a saída da Banca para a crise de 2008 e está a ser a saída prestes a rebentar numa bolha bancária mais apocalíptica. Entretanto, serviu para nos colocar a todos horas por dia a alimentar a IA, exaustos, como o nome de "modernização digital", impedindo-nos de ter serviços públicos. Tudo financiado com impostos nossos nos "fundos europeus" que são impostos nossos.  Nada funciona, estamos exaustos, e o grosso da IA serve para uma coisa - indústria militar. É aí a sua mais eficaz aplicação. Estamos em coma, sem ver o óbvio. Na educação atingiu-se o ponto mais baixo de sempre - a mentira, o plágio, estamos a caucionar como docentes a legitimação da mentira social. Estamos a ensinar a mentir como um acto "normal".

Serviu para nos colocar em situação patéticas online, sem conseguir ser atendido, na educação é a completa catástrofe,  na saúde os erros do algoritmo acumulam-se, recolhemos testemunhos de enfermeiras da saúde 24 que dizem "o resultado do telefonema é um algoritmo errado, nós sabemos porque estamos a falar com o doentes, mas temos x tempo e o algoritmo dá uma conclusão errada e ficamos ali, o que fazer?". Os médicos estão em sofrimento ético, cúmplices com estas práticas. Há robot maravilhosos a fazer cirurgias mas as maternidades fecham, com o financiamento a robots... Uma loucura! Há aeroportos bloqueados, serviços que colapsam. 

E milhões de pessoas todos os dias obrigadas a alimentar estas plataformas, com a cumplicidade de directores "amigos", capatazes de serviço, que obrigam a que professores, médicos, enfermeiros, dentistas, advogados, jornalistas, designs, arquitetos, passem horas a alimentar com dados gratuitos a sua própria forca. Mais - as plataformas obrigam a que façamos erros, porque elas erram e porque é exaustivo, e esses erros são usados contra quem trabalha como ameaça pelos direcções.  A IA, que tem meia dúzia de donos, trilionários, visa substituir o trabalho humano com garantias de qualidade zero ou perto disso - nada pode substituir  o trabalho real, o engenho, a relação presencial, nem pelo trabalho em si, nem pelas pessoas, que se realizam no trabalho. O que se está a fazer é escravizar milhões. 

A vida tornou- se um inferno, pós-covid. Passamos uma parte esmagadora do nosso dia a fazer tarefas inúteis que consistem em alimentar de dados as plataformas. A subir aulas online já prontas, a dar dados de alunos com avaliações, sumários detalhados, a colocar os trabalhos em detectores de plágio (como se fossemos polícias, e como se não soubéssemos quando eles copiam, mentem ou não sabem).
Já houve colapsos em aeroportos, programação, o ChatGPT acabou de contratar uma equipa de criativos para vender a IA porque a IA não consegue fazer nada critativo.  Trump, cujo apoio vem dos donos da IA e Plataformas, colocou esta semana um vídeo de IA a distribuir merda sobre os mais de 13 milhões de manifestantes. É este o estado a que chegámos. 

Chamam-nos objectores de consciência. Quando eu peço a alunos para ler e escrever um ensaio, há 20 anos que o faço, sem qualquer IA, eu não estou a pedir que ele saiba, estou a fazer com que ele aprenda. Aprenda errando, falhando, juntos. Eu não estou a dar-lhe "competências" mas conhecimento.  Ao fazer o ensaio ele vai-se deparar com a estrutura, como identificar  o tema, o problema, como estruturar argumentos, como corrigir gralhas, como escolher um título, tudo isso é conhecimento que passa de mim para ele, e dele para mim porque é uma relação de ensino-aprendizagem. 

Os donos da IA têm os filhos em escolas sem IA. 

O que se está a fazer com os filhos de quem trabalha, com o dinheiro de quem trabalha, é um gigante processo de expropriação de conhecimento dos filhos de quem trabalha. Da mesma forma que não sabem pregar um prego, andar sem GPS, não saberão pensar, escrever, dialogar, criticar. E por isso não saberão relacionar-se, a violência no namoro não se resolve com uma missa de um power Point sobre respeito, resolve-se nas relações reais de cooperação. Deixo uma nota de optimismo, nas minhas aulas, há quase 20 anos, só avalio por ensaios, escritos e debate oral em seminário, e tenho quase zero de absentismo. Os alunos estão a fugir das aulas power-point. E os professores estão fartos. Só falta organizar esta gente toda para resistir a este colapso ético, e em breve, bolha sistémica. Lê-se copos dos milhões de lucros dos donos destas plataformas, que sugam recursos públicos recorrendo à pilhagem generalizada de direitos de autor. E à nossa exaustão. São ladrões, de facto.

O texto do Dejours chama-se O Teletrabalho à Luz do Corpo está no novo livro do nosso Observatório para as Condições de Vida - OCV Trabalhar e Viver no Século XXI (Humus)

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Francisco Pinto Balsemão: um protector dos ricos


Francisco Pinto Balsemão foi membro do núcleo director do Bilderberg e representou Portugal no grupo durante 33 anos. Mais que político foi um empresário e da elite global, infuenciando a política económica e social em todo o Mundo e, sobretudo, Portugal.  Ele participou em praticamente todas as reuniões anuais desde 1988. Em 2015, Balsemão deu o seu lugar no "comité de direção" do Bilderberg a José Manuel Barroso. Em 2018, Balsemão criou um grupo semelhante ao Bilderberg em Cascais, onde foram convidados empresários e outras figuras importantes da sociedade portuguesa. Balsemão criou um grupo de Bilderberg à portuguesa em Cascais - "Encontros de Cascais". A direcção contava além dele com onze personalidades, entre empresários, banqueiros, gestores de topo e milionários, como Paula Amorim, Leonor Beleza, Carlos Carreiras, António Ramalho e Carlos Gomes da Silva.
Fundou com 19 deputados a Ala Liberal. A Ala Liberal era um grupo de deputados do partido fascista no poder.
Os «liberais» pertenciam às elites do Estado Novo e, no seu seio, exerceram aquilo que Tiago Fernandes designa, na esteira de Juan Linz, uma «semioposição» ao Estado Novo, estando em parte dentro e em parte fora do regime da ditadura.
Com o passar do tempo e o avolumar das desilusões, começaram a estar cada vez mais fora, sobretudo à medida em que se apercebiam de que as iniciativas que levavam a cabo no plano da legalidade – na revisão constitucional, nas leis de liberdade religiosa e de imprensa, em defesa dos presos políticos – eram sistematicamente votadas ao insucesso.
Em momento algum, porém, trilharam caminhos revolucionários ou romperam com o modelo de oposição legal, ou legalista, em que sempre se moveram.
Foi, até à sua morte, membro do Conselho de Estado, órgão de consulta do Presidente da República.
Portanto Balsemão nunca foi um social democrata, antes pelo contrário, foi defensor da elite neoliberal e protegeu os milionários.

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