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quinta-feira, 19 de março de 2026

A Convergência e Divergência entre Bioeconomia e Economia Ecológica


A transição global para um modelo de desenvolvimento sustentável exige uma reavaliação fundamental da forma como produzimos, consumimos e interagimos com o meio ambiente. Neste cenário, emergem duas abordagens distintas, embora interligadas, que procuram reformular a relação entre a economia e a natureza: a Bioeconomia e a Economia Ecológica. Embora partilhem o objetivo comum de reduzir o impacto ambiental, as suas premissas filosóficas, focos de intervenção e visões sobre o crescimento divergem significativamente, oferecendo caminhos que podem ser complementares, mas também conflituosos.

A Visão da Bioeconomia: Substituição e Eficiência Tecnológica
A Bioeconomia centra-se na substituição de recursos de origem fóssil e de processos industriais intensivos em carbono por alternativas de base biológica. O conceito evoluiu de um foco inicial na biotecnologia para uma visão mais abrangente, que inclui a produção sustentável de biomassa e a sua conversão em produtos de valor acrescentado (alimentos, bioprodutos e bioenergia).

A premissa fundamental da Bioeconomia é que a inovação tecnológica pode promover o "desacoplamento" (decoupling) entre o crescimento económico e a degradação ambiental. Procura-se a eficiência através da utilização da biomassa em cascata, onde cada componente do recurso é aproveitado, aproximando-se dos princípios da economia circular. Nesta ótica, a natureza é frequentemente vista como uma fornecedora de serviços e matérias-primas, enfatizando-se a criação de novos mercados.

A Perspetiva da Economia Ecológica: Limites e Escala Biofísica
Por outro lado, a Economia Ecológica parte do princípio de que a economia é um subsistema de uma biosfera finita e ecologicamente restrita. Esta disciplina não se foca apenas na eficiência, mas sobretudo na escala da atividade económica e na justiça distributiva. Fundamentada nas leis da termodinâmica, a Economia Ecológica argumenta que o crescimento económico perpétuo é impossível num planeta com recursos finitos e capacidade limitada de absorção de resíduos.

O foco não reside apenas em substituir o petróleo, mas em reduzir o "metabolismo social" — o fluxo total de energia e materiais que atravessa a economia. Esta abordagem reconhece o valor intrínseco da natureza e a necessidade de manter a resiliência dos ecossistemas. Para os economistas ecológicos, a sustentabilidade exige limitar o consumo e garantir que as atividades humanas não ultrapassam as fronteiras planetárias.

Pontos de Tensão e Síntese Necessária
As tensões surgem principalmente em torno do crescimento económico. Enquanto a Bioeconomia se alinha com o "Crescimento Verde", a Economia Ecológica é mais cética, defendendo frequentemente o "Decréscimo" (degrowth) ou uma "Economia de Estado Estacionário". Outro ponto de atrito é a visão da natureza: a Bioeconomia pode tender a instrumentalizá-la, enquanto a Economia Ecológica defende a sua preservação para além da utilidade económica.

Concluindo, estas duas correntes não devem ser vistas como mutuamente exclusivas. A Bioeconomia oferece as ferramentas tecnológicas para uma produção mais limpa, enquanto a Economia Ecológica fornece a estrutura macroeconómica e ética necessária para garantir que tais tecnologias sejam aplicadas dentro de limites seguros. A convergência para uma "Bioeconomia Ecologicamente Orientada" poderá ser o caminho mais robusto para uma verdadeira sustentabilidade.

CaracterísticaBioeconomiaEconomia Ecológica
Foco PrincipalSubstituição de recursos fósseis por biológicos (biomassa).Sustentabilidade biofísica e justiça social.
Visão da NaturezaFonte de matéria-prima e motor de inovação tecnológica.Ecossistema complexo que limita e sustenta a economia.
Solução PropostaBiotecnologia, biorrefinarias e novos mercados verdes.Redução da escala económica e respeito pelos limites planetários.
Relação com o PIBProcura o "Crescimento Verde".Defende frequentemente o "Decréscimo" ou o "Pós-crescimento".
Métrica de SucessoEficiência na conversão de recursos e lucro sustentável.Manutenção do capital natural e equidade distributiva.
Referências Bibliográficas 
  1. Bugge, M. M., Hansen, T., & Klitkou, A. (2016). What is the bioeconomy? A review of the literature. Sustainability, 8(7), 691.
  2. Daly, H. E., & Farley, J. (2011). Ecological Economics: Principles and Applications. Island Press.
  3. Georgescu-Roegen, N. (1971). The Entropy Law and the Economic Process. Harvard University Press.
  4. Kenneth Boulding (1966) - The Economics of the Coming Spaceship Earth
  5. Martinez-Alier, J. (2002). The Environmentalism of the Poor: A Study of Ecological Conflicts and Valuation. Edward Elgar Publishing.
  6. OECD (2009). The Bioeconomy to 2030: Designing a Policy Agenda. OECD Publishing.
  7. Vivien, F. D., Nieddu, M., Befort, N., Debref, R., & Giampietro, M. (2019). The hijacking of the bioeconomy predictions by the biotechnology narrative. Ecological Economics, 159, 189-197.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Filhoses, rabanadas e sonhos: apenas 10% dos óleos alimentares usados são reciclados



Em Portugal apenas são reciclados 10% dos óleos alimentares usados, com os restantes, que podiam produzir biodiesel, a acabarem a poluir o ambiente, porque um litro de óleo pode contaminar um milhão de litros de água.

O alerta, da empresa de combustíveis PRIO, que se afirma como a maior produtora nacional de biocombustíveis a partir de matérias-primas residuais, surge numa altura (Natal) em que há maior consumo de doçaria e também maior produção de óleos alimentares usados.

A empresa, em comunicado, apela à recolha desses óleos e respetiva reciclagem, e sublinha os impactos da não reciclagem nas infraestruturas de saneamento e no ambiente.

“Um litro de óleo alimentar usado pode contaminar até um milhão de litros de água, o que torna essencial dinamizar a correta recolha e reciclagem dos óleos alimentares usados. Esta prática não só previne a poluição, como permite reaproveitar este recurso”, diz-se no comunicado.

Com 1.000 litros de óleos alimentares usados é possível produzir cerca de 950 litros de biodiesel, “um combustível mais limpo que contribui para uma mobilidade sustentável”, acrescenta.

Citando dados oficiais, a entidade garante que só 10% dos óleos alimentares produzidos em Portugal são corretamente recolhidos e encaminhados, e que a maior lacuna é no setor doméstico, “onde o destino mais comum continua a ser a rede de esgotos, com fortes consequências para o ambiente”.

No comunicado recorda-se que para reciclar óleos alimentares usados deve deixar-se arrefecer o óleo e depois coloca-lo numa garrafa de plástico bem fechada, preferencialmente reutilizada, que deverá depois ser entregue num oleão ou noutro ponto de recolha apropriado.

Referindo que conta com a maior rede nacional de pontos de recolha de óleos alimentares usados, com mais de 1.380 oleões de norte a sul do país, a empresa defende que “é essencial adotar comportamentos responsáveis, como reciclar os óleos alimentares usados” e lembra que “cada gesto contribui para um futuro mais sustentável”.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Portugal descarta 17 milhões de peças de roupa infantil anualmente



Novas investigações da Epson revelam que Portugal envia 17 milhões de peças de roupa infantil para o aterro sanitário anualmente – o equivalente a 19 vezes a altura do Monte Evereste empilhadas numa única pilha.

Enquanto um em dois portugueses (56%) consideram ativamente roupas mais sustentáveis para si próprios, quase um em três [31%] admitem que se livram das roupas dos filhos da forma mais rápida e fácil possível. O estudo concluiu que os portugueses deitam fora 11 peças de roupa por criança todos os anos. Em comparação, os espanhóis descartam 14.

Para mostrar como a inovação pode ajudar a combater este crescente problema de desperdícios, a Epson colaborou com a estilista e pioneira da sustentabilidade Priya Ahluwalia para criar Fashion Play – uma coleção de moda de tamanho de boneca, impressa com a tecnologia digital de impressão têxtil Monna Lisa da Epson e feita a partir de resíduos têxteis com a pioneira Dry Fiber Technology da Epson, que transforma têxteis antigos em novas fibras sem água nem químicos agressivos.

De acordo com os resultados, as crianças em Portugal compram 63 peças de roupa todos os anos – totalizando 99 milhões em todo o país. Quase um em cada dois portugueses (41%) diz que os seus filhos têm peças não usadas com etiquetas ainda presas guardadas nos roupeiros, enquanto 52% deitaram fora ou reutilizaram roupas que NUNCA foram usadas.

Maria Eagling, Diretora de Marketing da Epson Europe, explica que “a moda oferece a todas as idades uma via criativa para a autoexpressão, mas todos temos um papel a desempenhar em fazer melhores escolhas no que toca ao que compramos e como nos livramos disso quando terminamos. Embora existam ações simples que os consumidores podem tomar – desde reduzir a quantidade que compram até dar prioridade ao usado – quisemos mostrar como inovações como a Dry Fiber Technology também podem ajudar a reduzir a quantidade de roupa que vai para o aterro”.

“A coleção Fashion Play é uma homenagem divertida ao nosso amor por nos vestirmos – que começa quando somos crianças – mas usar métodos e materiais como estes pode provocar uma mudança sísmica na indústria da moda e no planeta. Estamos muito entusiasmados por trabalhar com a Priya Ahluwalia, uma designer que admiramos imenso pelo seu esforço de upcycling e pelo seu compromisso em criar peças bonitas que não prejudicam o planeta”, acrescenta.

Fashion Play inspira-se na coleção Ahluwalia AW25. Para além da Dry Fiber Technology, outros métodos de produção usados para criar os conjuntos incluem a impressora digital têxtil de próxima geração da Epson, a Monna Lisa, que pode reduzir o consumo de água na fase de impressão a cores da produção de vestuário em até 97%.

Sobre a coleção Priya Ahluwalia sublinha que “ao viajar para a Índia e Nigéria, testemunhei a verdadeira dimensão do desperdício têxtil resultante da indústria ocidental de vestuário em segunda mão. Essa experiência ficou comigo, e desde então tenho-me esforçado por trabalhar de uma forma melhor para as pessoas e para o planeta, especialmente no sul global”.

“Esta colaboração com a Epson vai além da moda. Trata-se de iniciar conversas sobre sustentabilidade em múltiplos níveis, desde a forma como nos vestimos até ao que escolhemos para aqueles que amamos. Através desta coleção de miniaturas feita com a tecnologia Dry Fiber, esperamos mostrar que a inovação e a imaginação podem remodelar o futuro da moda”, adianta.

Para mais informação aceda ao relatório aqui

terça-feira, 25 de julho de 2023

Experts Say Decades of Recycling Hype Has Backfired Dramatically



You've just finished a cup of coffee at your favorite cafe. Now you're facing a trash bin, a recycling bin and a compost bin. What's the most planet-friendly thing to do with your cup?

Many of us would opt for the recycling bin – but that's often the wrong choice. In order to hold liquids, most paper coffee cups are made with a thin plastic lining, which makes separating these materials and recycling them difficult.

In fact, the most sustainable option isn't available at the trash bin. It happens earlier, before you're handed a disposable cup in the first place.

In our research on waste behavior, sustainability, engineering design and decision making, we examine what U.S. residents understand about the efficacy of different waste management strategies and which of those strategies they prefer.

In two nationwide surveys in the U.S. that we conducted in October 2019 and March 2022, we found that people overlook waste reduction and reuse in favor of recycling. We call this tendency recycling bias and reduction neglect.

Our results show that a decades-long effort to educate the U.S. public about recycling has succeeded in some ways but failed in others. These efforts have made recycling an option that consumers see as important – but to the detriment of more sustainable options. And it has not made people more effective recyclers.

A global waste crisis
Experts and advocates widely agree that humans are generating waste worldwide at levels that are unmanageable and unsustainable. Microplastics are polluting the Earth's most remote regions and amassing in the bodies of humans and animals.

Producing and disposing of goods is a major source of greenhouse gas emissions and a public health threat, especially for vulnerable communities that receive large quantities of waste. New research suggests that even when plastic does get recycled, it produces staggering amounts of microplastic pollution.

Given the scope and urgency of this problem, in June 2023 the United Nations convened talks with government representatives from around the globe to begin drafting a legally binding pact aimed at stemming harmful plastic waste. Meanwhile, many U.S. cities and states are banning single-use plastic products or restricting their use.

Upstream and downstream solutions
Experts have long recommended tackling the waste problem by prioritizing source reduction strategies that prevent the creation of waste in the first place, rather than seeking to manage and mitigate its impact later.

The U.S. Environmental Protection Agency and other prominent environmental organizations like the U.N. Environment Programme use a framework called the waste management hierarchy that ranks strategies from most to least environmentally preferred.

The familiar waste management hierarchy urges people to "Reduce, Reuse, Recycle," in that order. Creating items that can be recycled is better from a sustainability perspective than burning them in an incinerator or burying them in a landfill, but it still consumes energy and resources.

In contrast, reducing waste generation conserves natural resources and avoids other negative environmental impacts throughout a product's life.

R's out of place
In our surveys, participants completed a series of questions and tasks that elicited their views of different waste strategies. In response to open-ended questions about the most effective way to reduce landfill waste or solve environmental issues associated with waste, participants overwhelmingly cited recycling and other downstream strategies.

We also asked people to rank the four strategies of the Environmental Protection Agency's waste management hierarchy from most to least environmentally preferred.

In that order, they include source reduction and reuse; recycling and composting; energy recovery, such as burning trash to generate energy; and treatment and disposal, typically in a landfill. More than three out of four participants (78%) ordered the strategies incorrectly.

When they were asked to rank the reduce/reuse/recycle options in the same way, participants fared somewhat better, but nearly half (46%) still misordered the popular phrase.

Finally, we asked participants to choose between just two options – waste prevention and recycling. This time, over 80% of participants understood that preventing waste was much better than recycling.

Recycling badly
While our participants defaulted to recycling as a waste management strategy, they did not execute it very well.

This isn't surprising, since the current U.S. recycling system puts the onus on consumers to separate recyclable materials and keep contaminants out of the bin.

There is a lot of variation in what can be recycled from community to community, and this standard can change frequently as new products are introduced and markets for recycled materials shift.

Our second study asked participants to sort common consumer goods into virtual recycling, compost and trash bins and then say how confident they were in their choices.

Many people placed common recycling contaminants, including plastic bags (58%), disposable coffee cups (46%) and light bulbs (26%), erroneously – and often confidently – in the virtual recycling bins.

For a few materials, such as cardboard and aluminum foil, the correct answer can vary depending on the capacities of local waste management systems.

This is known as wishcycling – placing nonrecyclable items in the recycling stream in the hope or belief that they will be recycled. Wishcycling creates additional costs and problems for recyclers, who have to sort the materials, and sometimes results in otherwise recyclable materials being landfilled or incinerated instead.

Although our participants were strongly biased toward recycling, they weren't confident that it would work.

Participants in our first survey were asked to estimate what fraction of plastic has been recycled since plastic production began. According to a widely cited estimate, the answer is just 9%.

Our respondents thought that 25% of plastic had been recycled – more than expert estimates but still a low amount. And they correctly reasoned that a majority of it has ended up in landfills and the environment.

Empowering consumers to cut waste
Post-consumer waste is the result of a long supply chain with environmental impacts at every stage. However, U.S. policy and corporate discourse focuses on consumers as the main source of waste, as implied by the term "post-consumer waste."

Other approaches put more responsibility on producers by requiring them to take back their products for disposal, cover recycling costs and design and produce goods that are easy to recycle effectively.

These approaches are used in some sectors in the U.S., including lead-acid car batteries and consumer electronics, but they are largely voluntary or mandated at the state and local level.

When we asked participants in our second study where change could have the most impact and where they felt they could have the most impact as individuals, they correctly focused on upstream interventions.

But they felt they could only affect the system through what they chose to purchase and how they subsequently disposed of it – in other words, acting as consumers, not as citizens.

As waste-related pollution accumulates worldwide, corporations continue to shame and blame consumers rather than reducing the amount of disposable products they create.

In our view, recycling is not a get-out-of-jail-free card for overproducing and consuming goods, and it is time that the U.S. stopped treating it as such.

terça-feira, 28 de junho de 2022

Programa NextLap está à procura de projetos que queiram dar uma nova vida a pneus


Se tem um projeto de Economia Circular que permite, de alguma forma, dar uma segunda vida aos pneus usados, este programa de inovação está à sua procura. As inscrições para a segunda edição do NextLap estão abertas até ao dia 24 de julho.

O NextLap é um programa que pretende apoiar o desenvolvimento de novos produtos que reduzam o desperdício dos materiais dos pneus, desenvolvido pela Valorpneu, pela Genan e pela Betai. Ao longo de quatro meses, as entidades e os parceiros Pragosa, Decathlon, Infraestruturas de Portugal (IP) e TMG Automotive irão colaborar no desenvolvimento e validação dos novos produtos, para serem depois incorporados no seu portefólio e se transformarem em grandes negócios. Os melhores projetos terão oportunidade de fazer um pitch para o Comité de Inovação Global da Genan, na Dinamarca, e a ideia mais promissora receberá um prémio de 5.000 euros.

De forma a apresentar soluções diferenciadas na indústria, é permitida a participação de PMEs, startups, centros de investigação e empreendedores de todo o mundo que contem com ideias ou produtos desenvolvidos que possam tratar, reutilizar e trazer novas aplicações para os pneus inteiros ou fragmentados. A isto, juntam-se ainda projetos que tenham como intuito o reaproveitamento dos materiais derivados do pneu, como o granulado de borracha, fibras têxteis e aço, que serão também apoiados pelos diferentes parceiros do programa.

Os interessados devem inscrever-se no site.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Nzambi Matee, a queniana que transforma plástico em tijolos de construção

A empresa desta jovem recicla cerca de 500 quilos de plástico todos os dias para resolver o problema de poluição de lixo plástico no Quénia e, ao mesmo tempo, ajudar a resolver o problema de moradias inadequadas do país.


Nzambi Matee é uma jovem natural do Quénia que teve a brilhante ideia de reciclar o excesso de lixo plástico em material de construção. A Gjenge Makers é a empresa fundada por esta jovem ambiciosa e criativa.

Tudo começou em 2017, depois de Nzambi ter deixado o emprego de analista de dados e começado a testar diferentes materiais de pavimentação feitos de plástico e areia no quintal da casa da sua mãe.

Nzambi investiu todas as economias neste projeto e valeu mesmo a pena, porque acabou por ganhar uma bolsa para integrar um programa de empreendedorismo social nos Estados Unidos.

Durante a estadia nos EUA, Nzambi aprimorou a técnica dos produtos nos laboratórios da University of Colorado Boulder, onde também desenvolveu toda a maquinaria necessária para produzir os tijolos plásticos.

Atualmente, a Gjenge Makers produz todos os dias 1.500 pavimentadoras de plástico de diferentes formas e cores, não sendo apenas resistentes, mas também baratas.

Nzambi chegou a trabalhar como engenheira na indústria de petróleo do Quénia e foi aqui que se inspirou para realizar um projeto sustentável depois de encontrar repetidamente sacos plásticos nas ruas de Nairóbi.


A empresa recicla cerca de 500 quilos de plástico todos os dias para resolver o problema de poluição de lixo plástico no Quénia e, ao mesmo tempo, ajudar a resolver o problema de moradias inadequadas do país.

Os paralelepípedos da Gjenge Makers serviram para cobrir, recentemente, as estradas nas imediações do Centro de Treino de Mukuru, localizado na favela Mukuru Kyaba, na capital Nairóbi.

Até hoje, a empresa já reciclou cerca de 20 toneladas de resíduos plásticos e querem reciclar 50 em 2021.

Saber mais

Biografia
Nzambi Matee

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Documentário: The Rise of Lowsumerism (O Surgimento do Lowsumerism)


Antes de comprar algo, já se perguntou se realmente precisa desse artigo/produto? Ou mesmo se, ao adquirir um produto, não estará a prejudicar o planeta de alguma forma? É esse tipo de indagação que fez emergir uma nova tendência mundial, o chamado lowsumerism: low +(con)sumerism, ou baixo consumismo, um consumismo cada vez mais consciente e equilibrado. O lowsumerism não consiste apenas em gastar menos dinheiro ou de deixar de consumir, mas de fazer isso com sentido e consciência.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Pesquisadora cria tijolo sustentável a partir de resíduos sólidos

Fonte, 25/2/14
Você já pensou que o lodo de tratamento de água, a casca de arroz e as cinzas da queima de lenha podem ter alguma utilidade? Foi essa a conclusão que a engenheira civil Elisandra de Medeiros chegou em sua tese de doutorado na Universidade de Brasília (UnB).

Com esses materiais ela criou um tijolo sustentável. A ideia era desenvolver um produto de qualidade usando matérias-primas que iriam para o lixo. A princípio, ela não sabia quais seriam esses materiais, a única certeza é de que precisavam ser de regiões próximas ao Distrito Federal – para que o o projecto fosse viabilizado no futuro e utilizado por empresas brasilienses.

“Eu busquei resíduos que não tinham sido utilizados em outros trabalhos. Preocupei-me com que fossem aqui da região. Não adiantava o resíduo ser do Nordeste porque não haveria a viabilidade de ele ser utilizado por empresas próximas”, explicou Elisandra.

Para fabricar outros itens da construção civil, que têm argila na composição, como os revestimentos cerâmicos (entre eles pisos e azulejos), é possível usar o lodo, a casca de arroz e a cinza das lenhas
A engenheira colectou o lodo, a casca de arroz e as cinzas, e analisou quanto de cada um poderia ser misturado com argila e água para fazer um tijolo resistente. Ao todo, ela concluiu que cada tijolo sustentável poderia ter, no máximo, 25% desses materiais.

Qualidade e preço
A pesquisadora destaca que uma das vantagens é reaproveitar resíduos que seriam descartados. Ela diz também que o produto é viável para o mercado e pode até baratear o preço do tijolo. 
“É muito provável que esses blocos tenham uma queda de preço considerável no mercado, caso esses resíduos sejam utilizados. Na verdade, esses resíduos seriam doados. Seria feita uma doação pelas empresas. Haveria redução de preços e um bem social para a natureza, de uma forma geral”, sugere Elisandra.

Reutilização de resíduos
A engenheira também descobriu que não vale a pena apenas para o tijolo. Para fabricar outros itens da construção civil, que têm argila na composição, como os revestimentos cerâmicos (entre eles pisos e azulejos), é possível usar o lodo, a casca de arroz e a cinza das lenhas.
Para Elisandra, a inclusão de material reciclado e uma maior preocupação com reciclagem dentro da construção civil é quase uma obrigação. “É uma atividade onde naturalmente se suja e desperdiça muito. Não custa nada tomarmos algumas atitudes para melhorar isso.”

Tese de Doutoramento aqui

quarta-feira, 17 de julho de 2013

EcofotoArt- por Louise Nevelson


A artista compilou várias paletes industriais, atribuindo-lhes um significado de "biblioteca" de reutilização. Os números e as cores têm também uma sequenciação abstracta, elogiando/ criticando/ descrevendo a sociedade demasiado tecnocrata em que estamos inseridos?