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domingo, 11 de outubro de 2026

O desafio da Educação Ambiental na era digital: como desconstruir a bolha virtual e os seus epifenómenos


O meu profundo conhecimento das subculturas juvenis dos anos 80 e 90 - como os góticos, punks e metaleiros - foi fundamental para a minha caminhada. Eram movimentos que se destacavam por ser abertamente antirracistas e livres de homofobia, transfobia, idadismo ou gordofobia. Já na viragem para a década de 90, acompanhei de perto as dificuldades da terceira geração de imigrantes dos países lusófonos, marcada pelo preconceito, pela falta de mobilidade social e pela marginalização.

Hoje, com 40 anos de atividade enquanto Educador Ambiental, continuo a priorizar o contacto direto no terreno com as dúvidas, inquietações e dinâmicas dos jovens, onde a realidade do nosso tempo se espelha de forma genuína. No entanto, confesso que na era digital este trabalho é significativamente mais desgastante. Enfrentamos uma juventude visivelmente mais conservadora, o crescimento da machosfera, a atração por líderes autoritários e a manifestação aberta do racismo, da desigualdade social e do discurso de ódio. Reconhecer e intervir nestas contradições é crucial para combater a masculinidade tóxica, desconstruir preconceitos e transformar a mercantilização das mentes em cidadania ativa.

O meu compromisso passa por desenvolver uma pedagogia viva assente na Carta da Terra, nos tratados internacionais de conservação da Natureza e nos Direitos Humanos. Através de visitas de estudo, ciência cidadã e vivências transformadoras, ligamos a justiça socioambiental ao respeito pela diversidade, criando um espaço seguro onde as angústias da juventude possam ser canalizadas para um rumo eco-pacifista e uma esperança regeneradora.

É precisamente por isso que considero fundamental a leitura da obra "Carta à Terra – e a Terra responde", da economista e ativista francesa Geneviève Azam. Lançado originalmente em 2019 e editado em plena pandemia, este livro já alertava para os perigos do solucionismo tecnológico e para a aceleração de uma era digital que nos afasta do mundo sensível, com graves consequências na degradação das relações humanas e ambientais.

Azam desenvolve uma crítica severa ao capitalismo verde e à ilusão tecnocrática de que a crise ecológica se resolve com meras leis de mercado. Rejeitando a ideia de uma Natureza passiva ou inerte, a autora apresenta o planeta como um organismo vivo e rebelde que reage às agressões humanas através de catástrofes climáticas e colapsos ecológicos. Num apelo premente à resistência política, à sensibilidade e à desobediência civil, a obra propõe um novo modo de habitar o mundo.

Esta edição  fica ainda mais enriquecida com o prefácio do líder e pensador indígena brasileiro Ailton Krenak, que constrói uma ponte entre o pensamento crítico de Azam e a cosmovisão ancestral dos povos originários. Krenak denuncia o erro da sociedade ocidental moderna de se descolar do corpo da Terra para criar a ilusão de um domínio ilimitado. Ridicularizando a obsessão tecnocrática de colonizar outros planetas enquanto destruímos a nossa própria casa, Krenak relembra-nos que o amanhã não está à venda e que a nossa sobrevivência depende de recuperar a escuta, o afeto e a comunhão com o território.

Esta obra torna-se, assim, uma leitura urgente para quem trabalha com as novas gerações. Ela valida e fundamenta a necessidade de retirar os jovens da bolha digital, reconectando-os sensorialmente com a Natureza e capacitando-os para transformar a crise contemporânea numa cidadania empática, ativa e regeneradora.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

O valor de olhar o mundo: como a fotografia de natureza cuida de nós, do património e de quem vive desta arte

A paciência de um segundo que se torna eterna. Fotografar a natureza é isto: congelar a perfeição de um instante para que a memória visual do nosso património biológico nunca se perca.

Vivemos mergulhados num fluxo diário de notícias avassaladoras e num estado de hiperestimulação que mantém o nosso sistema nervoso em constante stress. Reconhecer esta realidade não significa cruzar os braços ou virar as costas aos problemas reais do mundo. Significa, pelo contrário, perceber que, para termos capacidade de intervir, pensar e agir de forma consciente, precisamos de estar inteiros. É precisamente nesta procura de equilíbrio que a fotografia de natureza surge, não como uma fuga fútil da realidade, mas como uma prática profunda de ancoragem, regulação mental e cidadania ativa.

Ao pegar numa câmara ou num telemóvel e caminhar ao ar livre, a nossa atenção muda de frequência. O ruído incessante dos ecrãs dá lugar ao tempo orgânico da terra, da luz e das estações. Para fotografar a luz a moldar uma paisagem ao final do dia ou a biodiversidade que nos rodeia, é preciso desacelerar, treinar a paciência e cultivar uma atenção plena que raramente exercitamos no quotidiano. Esta imersão reduz os níveis de ansiedade e regenera a clareza mental, lembrando-nos de que a capacidade de observar com calma é o primeiro passo para compreender e empatizar com o território que habitamos.

Além disso, vivemos numa época em que é impossível ignorar os valores culturais e materiais que definem as nossas comunidades. O património biológico não existe isolado; ele está profundamente entrelaçado com a história humana, com as paisagens moldadas pelo trabalho ancestral, com a arquitetura tradicional e com a identidade material de cada lugar. Proteger a natureza é também proteger a memória viva e os recursos materiais de que a sociedade depende. Ao fotografar uma paisagem natural ou humanizada, estamos a documentar esse ecossistema complexo onde cultura, história e biologia se cruzam e se sustentam mutuamente.

Contudo, a grande beleza deste passatempo reside no facto de não se esgotar no bem-estar individual ou na contemplação. A fotografia de natureza e de paisagem é hoje uma das ferramentas mais poderosas da ciência cidadã e da conservação do património. Quando registamos uma espécie ou uma transformação no território e partilhamos essa imagem com a respetiva localização e data em plataformas abertas como o iNaturalist, BioDiversity4All ou o eBird, o nosso olhar transforma-se em dados reais. Sem o saberem, milhares de fotógrafos amadores em todo o mundo ajudam diariamente a mapear a biodiversidade, a monitorizar o impacto das alterações climáticas, a identificar espécies ameaçadas e a documentar a evolução material do nosso território.

Com a devida ética de não perturbar os ecossistemas nem o habitat dos animais, fotografar a natureza torna-se um ato duplo e profundamente generoso. É uma escolha consciente de cuidar de nós próprios para continuarmos capazes de cuidar do mundo, transformando o ato de contemplar a riqueza biológica e cultural que nos rodeia numa força concreta para a defender e preservar.

E quando pensamos no valor desta memória visual que todos tentamos guardar, torna-se impossível não olhar para quem faz do olhar o seu ganha-pão. Num momento em que o setor criativo enfrenta tanta precariedade, valorizar e remunerar justamente o trabalho dos fotógrafos profissionais é uma questão de respeito pelo conhecimento e pela cultura. São eles que dedicam a vida a documentar o nosso património com rigor, técnica e uma sensibilidade insubstituível. Celebrar a fotografia amadora e a ciência cidadã ganha ainda mais força quando aprendemos também a reconhecer, apoiar e dar o devido valor ao trabalho de quem vive desta arte.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

O Caso de Souto de Moura nos Açores: Sustentabilidade e Habitação Social em Destaque

Mofo

O Dia Nacional da Sustentabilidade, instituído pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 56/2023, de 9 de junho, assinala-se a 25 de setembro, coincidindo com a data de adoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) pelas Nações Unidas. Esta efeméride reforça que o caminho para um país mais sustentável exige uma abordagem holística sobre as dimensões ambiental, social e económica, garantindo um envolvimento inclusivo e participativo de toda a sociedade para «não deixar ninguém para trás».

É precisamente nesta interseção entre as políticas públicas de sustentabilidade e a sua aplicação prática que ganha relevância a análise de casos concretos, como o do loteamento de habitação social nas Sete Cidades, em São Miguel (Açores), projetado pelo arquiteto Eduardo Souto de Moura em coautoria com Adriano Pimenta. Concluído por volta de 2010, este conjunto habitacional oferece uma oportunidade para avaliar, no longo prazo, se os princípios teóricos da sustentabilidade se traduziram em qualidade de vida duradoura para a comunidade.

Confrontando as três dimensões basilares promovidas no âmbito das comemorações do Dia Nacional da Sustentabilidade com a realidade deste projeto público, destacam-se os seguintes pontos de reflexão:

1.Sustentabilidade ambiental e adequação climática: embora o projeto procure reinterpretar a volumetria tradicional das habitações açorianas, a opção pelo betão visto como material predominantemente exposto revelou-se problemática perante a humidade extrema e a pluviosidade do microclima das Sete Cidades. A colonização biológica da fachada exterior (líquenes e fungos) e as elevadas exigências de ventilação para controlar a humidade ambiente demonstram que a sustentabilidade exige o respeito pelos materiais e pelas técnicas construtivas locais.   

2. Sustentabilidade económica e custo de vida: a habitação de cariz social destina-se a populações com recursos limitados. Quando o desempenho térmico e a gestão da humidade de uma solução arquitetónica obrigam a consumos contínuos de eletricidade (através do uso frequente de desumidificadores e aquecedores) ou exigem manutenções exteriores constantes, o encargo financeiro sobre os residentes e a administração pública torna-se elevado, contrariando o princípio da eficiência no ciclo de vida do edifício.

3. Sustentabilidade social e aceitação comunitária: a relação dos moradores com as habitações foi marcada por críticas quanto à funcionalidade do espaço interno e ao conforto habitacional. O caso evidencia a importância do planeamento participativo e da escuta ativa das comunidades locais, garantindo que o desenho arquitetónico responde às reais necessidades quotidianas dos utilizadores.

A análise deste conjunto habitacional com mais de uma década de vivência oferece uma reflexão crítica sobre a necessidade de alinhar a arquitetura contemporânea com a arquitetura vernácula, demonstrando que a verdadeira sustentabilidade depende da durabilidade, da funcionalidade e da dignidade proporcionadas a quem habita o espaço.

Além disso, a questão da eficiência energética e do conforto térmico é, de facto, uma das fragilidades mais apontadas a este projeto de habitação social. A escolha do betão visto como material predominantemente exposto traz desafios acrescidos no microclima extremamente húmido, frio e chuvoso da cratera das Sete Cidades. Sendo um material de elevada inércia térmica e reduzida permeabilidade ao vapor de água, o betão exige um esforço acrescido de aquecimento e ventilação para que as superfícies interiores atinjam uma temperatura de conforto e evitem o ponto de orvalho, resultando na necessidade frequente de recorrer a equipamentos elétricos.   Por sua vez, este consumo elétrico continuado traduz-se num elevado encargo financeiro para as famílias, o que anula o próprio propósito de uma habitação de custos controlados. A conjugação entre a insuficiência dos sistemas de ventilação mecânica para a libertação do vapor de água quotidiano, a elevada humidade do microclima local e o comportamento higrotérmico do betão gera condensações internas, o aparecimento de fungos e um ambiente interior bastante desconfortável. Este cenário evidencia o desfasamento entre o desenho conceptual e os padrões reais de habitabilidade e sustentabilidade, mesmo num edifício cujo projeto cumpre formalmente os requisitos do certificado energético (com classificação estimada de nível B).  

No que concerne às proeminentes "torres" de betão - que constituem o prolongamento vertical dos corpos dos fornos e chaminés exteriores -, estas foram igualmente alvo de fortes críticas e estranheza por parte da comunidade e dos residentes. Do ponto de vista estético e formal, a escala monumental e austera destas chaminés em betão cru contrasta vivamente com as delicadas chaminés e fornos da arquitetura tradicional micaelense, habitualmente caiados de branco e de proporções mais modestas. Esta linguagem visual agressiva levou a que a população local percepcionasse estas estruturas não como um tributo à memória construtiva dos Açores, mas antes como uma imposição industrial e descaracterizadora.   Paralelamente, no plano funcional e do conforto quotidiano, a opção por chaminés de tal envergadura acopladas à fachada gerou sérios constrangimentos. A exposição contínua destas elevadas massas de betão ao vento rigoroso e à chuva constante das Sete Cidades favorece o arrefecimento das superfícies e potencia fragilidades na estanquidade e nas juntas de ligação às habitações, criando zonas propícias a infiltrações e condensações. Além disso, a altura e a geometria destas estruturas tornaram as tarefas habituais de limpeza, manutenção e controlo da tiragem da salamandra bastante mais complexas para os moradores. Deste modo, o elemento que no projeto representava uma reinterpretação poética do forno açoriano acabou por ser vivenciado no dia a dia como uma solução sobredimensionada e pouco prática.  

 [Fases do projecto aqui]

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Adaptação Profunda - os 6R de James Bendell

1. Resiliência
O que mais VALORIZAMOS que queremos manter, e como?
2. Renúncia
Do que precisamos nos DESFAZER, para não piorar as coisas?
3. Restauração
O que poderíamos TRAZER DE VOLTA para nos ajudar à medida que situações difíceis se desenrolam?
4. Reconciliação
Com quem e com o que eu poderia FAZER AS PAZES para reduzir o sofrimento?
5. Reapropriação
O que em nossas vidas, comunidades, economias e na natureza podemos TOMAR DE VOLTA dos sistemas e crenças dominantes?
6. Regeneração
O que ou quem podemos NUTRIR devido ao nosso amor pela Vida?

A adição de uma 5ª e 6ª perguntas incorpora de forma mais eficaz todos os tipos de reflexões pessoais e conversas comunitárias que as pessoas estão tendo ao se tornarem conscientes do colapso. Elas envolvem mais atenção à ação social em escala comunitária para aumentar as possibilidades dentro de sistemas em colapso. Elas nem exigem nem convidam a negação de nossa situação, mas ampliam como encontramos caminhos para nossa própria ação positiva dentro de uma metacrise e colapso.

Vários Rs foram propostos como adições ao framework original, e muitos mais poderiam ser propostos no futuro. Os que propus desde os três no artigo Deep Adaptation de 2018 foram todos pelo mesmo motivo pelo qual propus aqueles: como incentivar o tipo de reflexões e conversas que não são tão normais nem de uma cultura ou mentalidade progressista nem derrotista. Para esse propósito, agora os considero um conjunto completo, então não vou propor mais.

Escrevi sobre o 5º R de Reapropriação no livro Breaking Together, fiz uma súmula dos 5R´s neste artigo e abordo o 6º R num ensaio sobre Regeneratividade. Como a origem deste framework dentro da consciência ambiental, escolhi representar os 6Rs do Deep Adaptation com um símbolo amplamente reconhecível de vida. 

domingo, 5 de outubro de 2025

Les Français ne paient pas le vrai prix de l’alimentation



Champion des produits laitiers, des eaux et de la nutrition spécialisée avec ses marques Activia, Actimel, Evian, Volvic et Aptamil, le groupe Danone a renoué avec la croissance après une période compliquée au tournant des années 2020. Redressé par Antoine de Saint-Affrique, le groupe revendique un modèle combinant performance économique et responsabilité sociale, théorisé en 1974 par Antoine Riboud. Son patron insiste sur le rôle social des entreprises. « Le chef d’entreprise a un rôle dans la cité, car l’entreprise est un endroit absolument unique : c’est l’un des rares où l’on fasse encore société, où l’on apprenne à la fois le compromis et la constance d’un temps. C’est un endroit où on partage, et où des gens extrêmement divers d’opinion, de religion et d’origine construisent quelque chose pour le futur. Donc c’est aussi un facteur de stabilisation », estime-t-il.

Antoine de Saint-Affrique soutient l’initiative du président du Medef, Patrick Martin, d’organiser le 13 octobre « un énorme meeting » du patronat pour revendiquer l’apport des entreprises au débat public. « Sauf si je suis en déplacement, j’y serai pour rappeler une chose très importante, qui est que l’entreprise est créatrice de valeur et probablement le dernier lieu de consensus et de dialogue social. Il faut le réaffirmer de manière extrêmement forte. »

Consommation diverse
Alors que la grogne patronale monte face à l’instabilité politique, le dirigeant appelle à faire de la pédagogie. « Au-delà de l’opportunité de telle ou telle mesure, il faut revenir à un débat factuel, et ancré dans la réalité. Expliquons par exemple que quand on dépense 100 et que l’on emprunte 46, ce n’est pas un modèle durable. Ni pour le pays ni pour l’entreprise. Sur ces sujets, il y a une vraie vertu à la répétition et aux faits simples (…) pour arriver à des solutions de bon sens et de compromis ».

Bon indicateur de la consommation des Français, qui ont souvent ses produits dans leurs frigos, Danone évolue comme ses concurrents dans une conjoncture fragile. « En France, la consommation est diverse mais elle ne se porte pas trop mal. Le grand défi de notre pays reste beaucoup plus l’industrialisation que la consommation (…). Il y a souvent un décalage entre ce que le consommateur paye et la réalité des prix. Les Français ne paient pas le vrai prix de l’alimentation », insiste le dirigeant, appelant à ne pas faire de l’alimentaire « un produit d’appel ». Cela menace la rémunération des agriculteurs, un sujet sur lequel s’est engagé Danone avec des contrats de long terme, pour accompagner les investissements des fermes et des pratiques agricoles plus vertes.

« Quand vous vendez une baguette à quelques centimes d’euros ou une bouteille de côtes-du-rhône à prix cassé pour faire venir des gens dans vos magasins, vous créez un modèle qui n’est pas durable pour les agriculteurs. Et vous mettez en cause la souveraineté alimentaire du pays en entraînant la totalité de la filière vers le bas . C’est cela, l’enjeu, aujourd’hui », conclut Antoine de Saint-Affrique.

sábado, 16 de março de 2024

Bauman e a dificuldade de amar


Zygmunt Bauman é autor de inúmeras obras com a palavra líquido em seu título. A noção de liquidez proposta pelo filósofo e sociólogo polaco, falecido no começo desse mês, é aplicada aos mais variados temas como a modernidade, o amor, o medo, a vida e o tempo, expressando a fluidez, isto é, a imensa facilidade com que estes elementos escorrem pelas mãos do homem moderno. A ideia, extraída de “O Manifesto Comunista” de Marx e Engels, vem da célebre afirmação de que tudo que é sólido se desmancha no ar e de que tudo que é sagrado é profanado: assim é a modernidade e sua essência que se alastra pela vida do homem moderno transformando-o não só como indivíduo, mas também como ser relacional.
O primeiro livro do Bauman que li foi “Amor Líquido” o qual, carinhosamente, valendo-me das palavras de Caetano, defino como “um sopapo na cara do fraco”, que me fez e faz, já que essa sorte de questionamento é constante, pensar na forma como nos relacionamos hoje em dia. Um ponto alto do livro, aos meus olhos, é o capítulo no qual Bauman fala sobre a dificuldade de amar o próximo destacando o modo como lidamos com os estranhos. Penso que nessa dificuldade é que se encontra a raiz de tantos dos nossos problemas seja na esfera pessoal ou pública. E é sobre isso que eu gostaria de refletir conjuntamente hoje.
Vivemos em uma sociedade fortemente marcada pelo conflito ser x ter na qual o homem passa a se expressar pelas suas posses, elementos definidores de sua própria identidade, o que reflete na busca por certa conformidade que ceifa a pluralidade de existências e segrega o que é diferente, estranho. O modo como as cidades se dividem é exemplo disso, os nichos considerados seguros são aqueles onde todos se parecem, exacerbando a nossa dificuldade em lidar com os estranhos que passam a ser evitados através de sistemas de segurança, muros, priorização de espaços que assegurem a conformidade de seus freqüentadores como os shoppings e etc. Evitar a todo custo o incômodo de estar na presença de estranhos, começar a enxergar naquele que sequer se sabe o nome um inimigo em potencial e desconfiar de tudo e de todos só é possível graças ao desengajamento e ruptura de laços para o sociólogo polaco.
Se levarmos em conta que amar outra pessoa não é amar o que projetamos nela e sim a sua humanidade e singularidades, não será difícil compreender que o amor é um desafio nos tempos de modernidade líquida. A busca pela felicidade individual nos transforma em tribunais individuais e, na disputa pela sentença a ser proferida, não raro, o que se vê é sair vencedor aquele que se recusa a ouvir o outro. Facilmente, pois, livramo-nos dos compromissos e de tudo aquilo que nos pareça incômodo. Ainda que tão agarrados a nós mesmos, paradoxalmente, é bastante comum que a solidão seja companhia (e problema) constante de quem vive a descartar.
Os muros que construímos ao nosso redor, físicos ou emocionais, têm mesmo esse condão de isolar e criar dois mundos em cada um de seus dois lados: o de dentro e o de fora. O último, espaço cativo dos que nos incomodam- aqui incluídos tanto quem nos relacionamos de forma íntima, quanto aqueles que preferimos distantes, inviabilizados de estar perto, enfim, aniquilados ao prender, matar, limitar a circulação, fixar em zonas periféricas e etc. É que Narciso acha feio tudo que não é espelho, já diria, mais uma vez, o sempre genial Caetano Veloso.
Dessas reflexões que vão (muito) longe e que, por ora, encerro aqui fica sempre uma mensagem muito clara para mim: amar (mesmo) é um ato revolucionário e só ama quem tem coragem o bastante para lidar com esse desafio porque sabe que, por mais que nem tudo sejam flores, esse amor “sólido” é que nos impulsiona a querermos ser melhores seja como pessoa ou sociedade. Parece distante e utópico, mas está dentro de nós: ame profunda e verdadeiramente. Até quem você não conhece.

terça-feira, 11 de maio de 2021

Modernidade Líquida, o que é? Conceito, contexto e características



Cunhado pelo sociólogo polaco Zygmunt Bauman, o termo Modernidade Líquida refere-se à impermanência das características sociais. Em suma, o teórico sugere que as relações interpessoais, económicas e políticas se tornaram inconstantes e dinâmicas, moldáveis como a matéria no seu estado líquido.

Surgido num contexto pós-guerra, Modernidade Líquida é um conceito que se opõe à Modernidade Sólida. Enquanto a primeira é marcada pela imprevisibilidade, na segunda, as relações e comportamentos são mais fortes e duradouros. De acordo com Bauman, a Modernidade Líquida é o agora.

Pois bem, diante de um contexto globalizado, onde tudo ocorre de forma imediatista, a sociedade tende a procurar conforto em características da Modernidade Sólida. Todavia, os atributos da Modernidade Líquida continuam a destacar-se nas relações de mais âmbitos que marcam a vida da humanidade contemporânea.

Contexto histórico da Modernidade Líquida
A segurança deu lugar ao medo de ficar para trás, algo que se tornou uma característica marcante da Modernidade Líquida

Segundo Bauman, a Modernidade Líquida nasceu após a Segunda Guerra Mundial. Contudo, as suas características só vieram a tornar-se realmente notáveis a partir da década de 1960. Acontece que, com a instabilidade económica mundial que marcou a segunda metade do século XX, a sensação de segurança deu lugar à incerteza.

Além disso, o surgimento de novas tecnologias e a consolidação da globalização contribuíram para um maior dinamismo comunicacional. Assim, a sensação de que tudo estava em constante mudança resultou na liquefação das formas sociais e até mesmo da própria identidade do indivíduo.

Esta transição da Modernidade Sólida para a Modernidade Líquida trouxe consigo uma contínua sensação de angústia, ansiedade e medo. O temor do desemprego, da violência, do terrorismo e da estagnação tornou-se gritante, afinal, num mundo onde tudo acontece num ritmo hiperveloz, não se pode ficar para trás.

A Modernidade Sólida e a Modernidade Líquida
A Modernidade Sólida possui características opostas à Modernidade Líquida, como a estabilidade, a segurança e a manutenção das tradições

Assim como o próprio nome sugere, a Modernidade Sólida era caracterizada pela inflexibilidade e solidez das relações humanas, intelectuais e comportamentais. A título de exemplo, a busca pela verdade era um compromisso para os pensadores desse período, algo notável na Filosofia Moderna.

Além disso, as relações familiares eram mais fortes e duradouras, já que se prezava a manutenção da tradição. Apesar de também contar com os seus aspetos negativos, os quais chegaram a ser reconhecidos por Bauman, o principal benefício da Modernidade Sólida era a confiança na rigidez das instituições e das relações humanas.

Em suma, esta modernidade era duradoura em todos os âmbitos. Logo, mesmo que não contasse exclusivamente com características positivas, a Modernidade Sólida transmitia ao indivíduo uma sensação de segurança e controlo sobre a vida, as instituições e as relações.

Características da Modernidade Líquida
A Modernidade Líquida é marcada pela sobreposição do ter ao ser, afinal, a mesma é fruto da lógica capitalista

Marcada pela sobreposição das relações económicas às relações sociais, a Modernidade Líquida abriu espaço para uma fragilidade de laços interpessoais que acabou por se refletir nas instituições. Logo, a lógica do consumo deu lugar à lógica da moral e o ter passou a antepor-se ao ser, ao mesmo tempo em que o afeto se tornou um produto.

As relações de trabalho estabelecidas durante a Revolução Industrial foram substituídas pelo indivíduo enquanto empreendedor de si mesmo, onde a responsabilidade é apenas de quem trabalha. Desta forma, cada pessoa passou a ser a sua própria instituição e, por isso, as instituições também se tornaram líquidas.

A lógica capitalista deixou de ser questionada e passou a ser tida como inerente à sociedade. Assim, a ciência, a educação, a saúde e até mesmo as relações humanas foram submetidas ao consumo. Isto resultou na substituição da coletividade e da solidariedade, bem como na transformação do cidadão em consumidor.

Relações humanas e Amor Líquido
O Amor Líquido é caracterizado pela fragilidade das relações humanas, que podem ser desfeitas a qualquer momento

Na Modernidade Líquida, as relações humanas passaram a ser "conexões" superficiais e com potencial para serem facilmente desfeitas. Estas características foram intensificadas pelo fenómeno da internet e das redes sociais virtuais. Assim surgiu aquilo a que Bauman chama Amor Líquido.

Ao contrário do que se observava na Modernidade Sólida, a companhia afetiva e amorosa já não é duradoura. Logo, a mesma é dinâmica e instável, de caráter quase instantâneo, visando apenas o prazer individual. Desta forma, o sujeito torna-se objeto e, quanto mais conexões, melhor.

A lógica de consumo
Na Modernidade Líquida, o consumo ocorre de forma irracional e o próprio indivíduo torna-se um produto ou objeto

O consumo irracional é uma imposição da Modernidade Líquida. Visto que até mesmo as pessoas e as suas relações se tornam um objeto ou produto comercializado, a lógica capitalista passa a sugerir que tudo tem um preço. Desta forma, poder, estatuto e posse tornam-se prioridades na Modernidade Líquida.

Embora a Modernidade Sólida também contasse com a procura por estatuto — basta lembrar os casamentos arranjados realizados por conveniência —, no período que lhe sucede, o prestígio social ganha uma carga simbólica mais intensa. Assim, o sujeito passa a ser definido por aquilo que possui e consome: essa é a promessa de felicidade.

Política em crise
Na modernidade impermanente, o Estado perde força e as instituições privadas tornam-se mais influentes

Como seria de esperar, a política não deixou de ser afetada pelo fenómeno da Modernidade Líquida. Como resultado disso, passou a existir uma maior separação entre poder e política. Para ilustrar o que aconteceu neste processo, o Estado perdeu força e os serviços públicos começaram a deteriorar-se.

Desta forma, as iniciativas privadas ganharam mais espaço e influência. Além disso, muitas das responsabilidades estatais passaram a ser encargo do indivíduo. Assim, Bauman identificou uma crise da democracia e o colapso da confiança na política. Além disso, as desigualdades sociais tornaram-se ainda mais gritantes.

Medo constante
O medo e a insegurança são duas características em destaque na Modernidade Líquida, na qual o indivíduo abdica da sua privacidade nas redes, mas se isola em condomínios fechados

Por fim, entre as características da Modernidade Líquida, uma das mais notáveis é a segurança fluida. De acordo com Bauman, a globalização e a inconstância económica geraram o medo do desemprego, do terrorismo e da violência, que podem vir de qualquer parte do globo.

Desta forma, a sensação de segurança passa a ser transmitida pela vigilância constante. Logo, para se sentir protegido, o indivíduo abdica da sua privacidade nas redes, mas isola-se em condomínios fechados e casas muradas. Esta insegurança, por sua vez, acaba por ser projetada no ódio ao outro.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Entrevista a Zygmunt Bauman: "Vivemos o fim do futuro"

Em 1963, o sociólogo polaco Zygmunt Bauman foi censurado e afastado da Universidade de Varsóvia por causa de suas ideias, consideradas subversivas no comunismo. Hoje, aos 88 anos, imigrante em Londres, é considerado um dos pensadores mais eminentes do declínio da civilização. Ele ainda dá aulas na London School of Economics, ministra palestras pelo mundo inteiro e publicou quatro dezenas de livros que viraram best-sellers. O mais recente é Vigilância líquida. 
Bauman é autor do conceito de “modernidade líquida”. Com a ideia de “liquidez”, ele tenta explicar as mudanças profundas que a civilização vem sofrendo com a globalização e o impacto da tecnologia da informação. Nesta entrevista, ele fala sobre como a vida, a política e os padrões culturais mudaram nos últimos 20 anos. As instituições políticas perderam representatividade porque sofrem com um “deficit perpétuo de poder”. Na cultura, a elite abandonou o projeto de incentivar e patrocinar a cultura e as artes. Segundo o autor, hoje é moda, entre os líderes e formadores de opinião, aceitar todas as manifestações, mas não apoiar nenhuma. 

ÉPOCA – De acordo com sua análise, as pessoas vivem um senso de desorientação. Perdemos a fé em nós mesmos? 
Zygmunt Bauman – Ainda que a proclamação do “fim da história” de Francis Fukuyama não faça sentido (a história terminará com a espécie humana, e não num momento anterior), podemos falar legitimamente do “fim do futuro”. Vivemos o fim do futuro. Durante toda a era moderna, nossos ancestrais agiram e viveram voltados para a direção do futuro. Eles avaliaram a virtude de suas realizações pela crescente (genuína ou suposta) proximidade de uma linha final, o modelo da sociedade que queriam estabelecer. A visão do futuro guiava o presente. Nossos contemporâneos vivem sem esse futuro. Fomos repelidos pelos atalhos do dia de hoje. Estamos mais descuidados, ignorantes e negligentes quanto ao que virá. 

ÉPOCA – Segundo o senhor, a decadência da política acontece desde o século passado. A situação piorou agora? 
Bauman – A decadência da política é causada e reforçada pela crise da agenda política. As instituições amarram o poder de resolver os problemas à política. Ela seria capaz de decidir que coisas precisariam ser feitas. Nossos antepassados conceberam uma ordem que dependia dos serviços do Estado-nação. Mas essa ordem não é mais adequada aos desafios postulados pela contínua globalização de nossa interdependência. Com a separação do poder e da política, a gente se encontra na dupla situação de poderes livres do controle político e da política que sofre o deficit perpétuo do poder. Daí a crise de confiança nas instituições políticas, uma vez que a política investiu nos parlamentos e nos partidos para construir a democracia como atualmente a compreendemos. Mais e mais pessoas duvidam que os políticos sejam capazes de cumprir suas promessas. Assim, elas procuram desesperadamente veículos alternativos de decisão coletiva e ação, apesar de, até agora, isso não ter representado uma alteração efetiva. 

ÉPOCA – As redes sociais aumentaram sua força na internet como ferramentas eficazes de mobilização. Como o senhor analisa o surgimento de uma sociedade em rede? 
Bauman – Redes, você sabe, são interligadas, mas também descosturadas e remendadas por meio de conexões e desconexões... As redes sociais eram atividades de difícil implementação entre as comunidades do passado. De algum modo, elas continuam assim dentro do mundo off-line. No mundo interligado, porém, as interações sociais ganharam a aparência de brinquedo de crianças rápidas. Não parece haver esforço na parcela on-line, virtual, de nossa experiência de vida. Hoje, assistimos à tendência de adaptar nossas interações na vida real (off-line), como se imitássemos o padrão de conforto que experimentamos quando estamos no mundo on-line da internet. 

ÉPOCA – Os jovens podem mudar e salvar o mundo? Ou nem os jovens podem fazer algo para alterar a história? 
Bauman – Sou tudo, menos desesperançoso. Confio que os jovens possam perseguir e consertar o estrago que os mais velhos fizeram. Como e se forem capazes de pôr isso em prática, dependerá da imaginação e da determinação deles. Para que se deem uma oportunidade, os jovens precisam resistir às pressões da fragmentação e recuperar a consciência da responsabilidade compartilhada para o futuro do planeta e seus habitantes. Os jovens precisam trocar o mundo virtual pelo real.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

‘Nós hipotecamos o futuro’, critica sociólogo polaco Zygmunt Bauman


Em agosto de 2011, uma revolta em Londres chamou a atenção do mundo. Sem liderança aparente ou qualquer tipo de exigência, jovens foram às ruas. Incendiaram e saquearam lojas, invadiram shopping centers e destruíram símbolos da sociedade de consumo que os excluía.

A questão era intrigante. O que levou essas pessoas a essas ações violentas? Embora compartilhassem o contexto de crise econômica e falta de oportunidades com aqueles que levaram a cabo os movimentos da Primavera Árabe, os jovens do Reino Unido não queriam transformar a ordem. Segundo Zygmunt Bauman, “foi uma revolta de consumidores desqualificados”. Eles queriam, na verdade, participar do sistema. O sociólogo viu naquela revolta o símbolo do momento em que vivemos.

Bauman foi uma testemunha das mudanças desse século de extremos. Nascido em 1925, na Polónia, sobreviveu ao nazismo, vivenciou o comunismo e, há 40 anos, pesquisa e mora na Inglaterra. Sua maior contribuição foi o conceito de modernidade líquida. Por mais que nossas relações não tenham perdido densidade ou complexidade, elas passaram a ser mais fluídas e incertas.

As mudanças no modo de produção desencadearam uma série de pequenas revoluções no cotidiano que, aos poucos, criaram o contexto para que a sociedade atual se desenvolvesse. De uma fábrica que detinha cada etapa da confecção de um bem, temos hoje cadeias de produção que se espalham pelo mundo como teias que se entrelaçam graças à tecnologia da informação e aos transportes cada vez mais rápidos.

O tempo que era linear tornou-se instantâneo e o conhecimento passou a ser a base para a geração de valor. Em poucos anos, o capital que era sólido e fixo, ganhou enorme liberdade no espaço e no tempo.

Como consequência, todo o tecido social foi afetado. No nível do trabalho, a atualização e a capacitação profissional passam a ser constantes e a renovação dos quadros não mais obedece uma ordem linear.

Foi rompida a sequência entre escola, universidade e trabalho. O mercado busca cada vez mais a especialização e muitos diplomados acabam em subempregos ou desempregados.

Na arquitetura, os não-lugares – shopping centers, estradas, aeroportos – representam pontos de conexão em uma rede de fluxos indefinidos. Governos ficam à deriva em um contexto que Bauman classifica como “divórcio entre política e poder”.

Na vida pessoal, a constante necessidade de se redefinir, de se aprimorar e de se adaptar cria um ambiente de insegurança e angústia. A saída, para muitos, é o consumo. Um alívio rápido que permite que se estabeleçam laços com determinado grupo ou ideia, mesmo que de maneira fugaz, pois sempre haverá algo mais novo ou mais interessante.

Os estímulos constantes e a necessidade de criar para agregar valor fecham o ciclo de um sistema que se retroalimenta e se expande a uma velocidade que parece sempre maior do que se pode acompanhar.

Para Bauman, aqueles jovens demonstraram a crise de um sistema consumista que hipotecou o futuro, desmantelou gradualmente as estruturas que mantinham a coesão social e comercializou a moral. O correspondente da GloboNews, Silio Boccanera, foi até a casa de Zygmunt Bauman, em Leeds, para conversar com um dos sociólogos mais importantes de nosso tempo. Veja as duas partes da entrevista concedida ao programa Milênio, da Globo News.

Parte I
Parte II

Biografia:

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Acções para mitigar os impactes ambientais do Homem a nível (g)local


1.Lixo Zero




1.1. Eu Não Faço Lixo O compromisso desta campanha é assumir o desafio da sustentabilidade e reduzir a quantidade de lixo. Mais uma iniciativa da Lipor que, neste sítio, explica e sugere, com uma linguagem fácil e atractiva, boas práticas ecológicas.Tem ainda um simulador de quantidade de lixo (papel e cartão, plástico, metal, vidro, orgânicos e ainda outros tipos de lixo) e um fórum para trocar ideias.

1.2. Os Amigos da Terra lançaram neste mês uma nova fase da campanha pela regulação e redução do lixo na UE. A União Europeia precisa de novos objectivos e uma nova Directiva. Actua. Segue todas as orientações no sítio Love Recycling

2. Montanha / Agenda 21 / Agricultura Sustentável / Ecoaldeias

2.1. Projecto Criar Raízes tem procurado dar resposta a problemas do concelho, nomeadamente o despovoamento das aldeias mais periféricas de São Pedro do Sul. A estreia nacional do novo documentário de Victor Salvador, Névoa no Vale (ver trailer e mais algum material aqui), ocorreu passado dia 5 de Abril, justamente no local que deu origem ao filme, Covas do Monte,Serra de S. Macário, distrito de Viseu.

2.2. Centro Comunitário Semente de Futuro, sediado em Arouca, numa propriedade rural, onde se pratica um modelo de agricultura biodinâmica, a integração social de pessoas com deficiência,idosos e crianças da região e práticas de desenvolvimento sustentável.

2.3. Chão Sobral, projecto sócio-ambiental de minimizar e superar os efeitos da desertificação de aldeias da região de Oliveira do Hospital.

3. Educação / Terra Política / Mobilidade / Terra Urbana

3.1. Na página pessoal do investigador Simon Batterbury contem publicações e institutos de pesquisa em Ecologia Política e ligações de interesse para os amantes de bicicleta.

3.2. Vale a pena conhecer Harpa, um projecto ecopedagógico localizado em Alhandra

3.3. Acesso a museus de todo o Mundo e também muitas músicas.É só clicar em Saber Cultural e navegar.

4. Planificando a Sustentabilidade e Não-Violência

4.1. Pelican Web é um sítio mantido pelo investigador Luis T. Gutierrez, com artigos da sua autoria e um conjunto enorme de ligações gratuitas baseadas nos Objectivos do Milénio.

4.2.Pangea, uma ONG catalã, com imensos recursos ao serviço da eco-solidariedade

5. Alterações Climáticas

A UNEP lançou em 21 de Fevereiro deste ano, a Climate Neutral Network contribuindo para uma troca de ideias entre países, cidades e empresas relamente empenhadas
na redução de emissão de gases de efeito estufa.

6. Oceanos

A 13 de Dezembro de 2007 foi assinado em Lisboa o novo Tratado Reformador da União Europeia, vindo a ser conhecido por Tratado de Lisboa. No mesmo dia, uma comissão representando todos os sectores da economia portuguesa com interesses no mar publicou online um blogue Pelo Mar com vista à discussão da problemática da gestão e conservação dos recursos marinhos no âmbito deste mesmo documento (alínea d, artigo 2.º-B, título I).


7. Terra Económica / Terra Filosófica / Educação Ambiental e Espiritualidade


Para quem desejar mais informações acerca das actividades antroposóficas em Portugal (Educação, Medicina e Terapias, Agricultura, Arquitectura, Literatura, etc…) por favor endereçar o seu pedido para e será colocado em contacto directo com a(s) iniciativa(s) em questão.
A nível mundial, Goetheanum constitui o centro mundial da Sociedade Antroposófica. A nível do Brasil já existe um Portal, com muitas informações

quarta-feira, 10 de março de 2004

A relação meio ambiente-meio urbano: do global para o local

Por Marilia Steinberger (adaptado)



Remexendo velhos papéis para encontrar o gancho urbano-ambiental
Quando Lynch(1), há cerca de trinta anos, escreveu um artigo intitulado "A Cidade como Meio Ambiente", nos fez um convite que soou como um exercício de futurologia: imaginar que o crescimento da população e a evolução da tecnologia tivessem urbanizado todo o globo e que uma única imensa cidade cobrisse a superfície da Terra. Apresentou essa perspectiva como um pesadelo pois tal cidade seria monótona, impessoal, abstrata e sem contato com a natureza. Mas ele não parou por aí. Pediu que supuséssemos, estar nas nossas mãos, planejar um setor da hipotética cidade mundial para melhorar suas condições de vida. Argumentou que tínhamos meios para produzir uma atmosfera agradável no local onde vivemos nosso cotidiano. Ao mesmo tempo, constatou que já estávamos conscientes da feiúra e do desconforto que o colosso urbano impingia a seus habitantes. Nas suas palavras:
"Os meios e a consciência devem entrelaçar-se... A enormidade, complexidade, diversidade de funções e estilos de vida do colosso urbano nos causam...dúvida sobre nossa capacidade de controlar a qualidade do meio ambiente...É fácil criticar a cidade. O que não é tão óbvio são suas potencialidades para nos trazer...prazer, potencialidades que surgem não apenas como decorrência do...meio íntimo - a casa e o bairro - mas da forma da cidade em toda sua grandeza."

Alexander(2), poucos anos depois, ao esboçar seu livro "O Meio Ambiente", também nos fez uma proposta intrigante. Começou com uma questão: qual é o problema fundamental do desenho do meio ambiente? Respondeu que consistia em se criar um meio ambiente que fosse real e total. A partir daí, afirmou que as obras de arquitetura moderna e as cidades contemporâneas, não eram suficientemente reais. Sucederam-se novas indagações:
"Que é algo real? Algo que se aceita...e está consubstanciado com sua própria natureza. ...Como se poderá fazer para que todo o meio ambiente e todos os lugares onde vivemos sejam...reais? Uma cidade só pode chegar a ser real, se todos seus milhões de cidadãos estiverem embuídos do conceito de realidade. Como podem cooperar milhões de atos individuais de edificação de maneira que o meio ambiente por eles criado seja total e real?O...meio ambiente total é aquele que permite a seus participantes chegar a ser pessoas totais por meio de seus próprios esforços...

Todo meio ambiente...sempre se estabelece a partir de um sistema combinatorial de imagens, que denomino de linguagem de padrões... Quando as linguagens de padrões usadas pelos construtores de meio ambientes são privadas e fragmentárias, como o são atualmente, é inevitável que gerem entornos fragmentários. ...pode-se construir uma linguagem de padrões compartilhada."

Que há de comum entre esses dois artigos? Não apenas a contemporaneidade da década de 60. Ambos nos convidam a sentir o pulsar da relação meio ambiente-meio urbano com um enfoque que vai da "fantasia do grande para o pequeno". Grandes são os desafios da cidade mundial e do meio ambiente total. Pequenos nos achamos nós perante eles. Ambos nos intimam a sermos todos construtores do meio ambiente no meio urbano e do meio urbano sobre o meio ambiente. Ambos nos puxam para dentro do texto e nos convocam a participar do seu imaginário, que é também o nosso (.....)

II
Duas perspectivas de análise da relação urbana-ambienta

Do início dos anos 80 até nossos dias a relação meio ambiente-meio urbano vem se consolidando a tal ponto que, por vezes, chegamos a não distinguir quando se está falando de um ou de outro dos temas remanescentes. De fato, acreditamos ter ocorrido uma ampliação desse relacionamento que, agora, passa a ser visto com enfoques múltiplos que extrapolam aquele mais visível da poluição urbana. Por esse motivo, não podemos admitir que chamem os anos 80 de "década perdida", expressão muito ao gosto dos analistas econômicos. Hoje é notório o aumento da conscientização mundial sobre o meio ambiente. Além disso, novos atores tem papel relevante nas decisões afetas à questão ambiental: os movimentos sociais e as organizações não governamentais proliferam.

Onde, senão nas cidades, vem acontecendo essa revolução ambiental? Nesse ponto é importante esclarecer que a cidade não é só o "palco" dessa revolução, pois a relação meio ambiente-meio urbano é sinérgica. O meio ambiente, nesse período, ultrapassa a fronteira local para ganhar a estrada cósmica-global e, com ele, o urbano também. A globalização é, fundamentalmente, urbana.

Com essas idéias referenciais fomos ler alguns autores que, nos anos recentes, tem dado contribuições sobre o assunto. Quando fechamos os livros, a sensação era que, durante as leituras, tínhamos estado como que "brincando com um caleidoscópio": uma infinita combinação de imagens coloridas ia aparecendo diante dos nossos olhos. Cada uma era como um fragmento do Cosmo, do Planeta e do Globo que se refletia no espelho da nossa mente.
Paralelamente, a essa sensação se juntou um sentimento, porque não dizer, de um certo desalento pois, no momento em que tudo é cósmico, planetário e global, tudo está longe e fora do alcance das nossas mãos. As soluções propostas pelos autores consultados, na sua maioria, são institucionais e dependem do esforço conjunto em organizações como a ONU, dos Estados-Nações se aliarem em blocos regionais, das ONGs e etc. A humanidade, a sociedade industrial capitalista, o homem em geral, o urbano e o rural, o do norte e o do sul, o pobre e o rico, todos são predadores da natureza. Todos ajudamos a criar "problemas do tamanho do mundo." Problemas que transcendem a nossa natureza como seres viventes.

Nesse momento, com o nosso caleidoscópio imaginário entre as mãos, num exercício de abstração, percebemos que as reflexões dos autores tem adotado duas perspectivas distintas mas coexistentes:
- uma primeira considera que o meio ambiente é mais abrangente e trata o meio urbano como uma de suas expressões, ou seja, como um dos seus sub-sistemas que deve estar em busca de um permanente equilíbrio com o sistema maior. Nessa perspectiva, o meio urbano está em conflito com o meio ambiente. Percebe-se a cidade como foco de externalidades negativas que devem ser corrigidas para cumprir, eficientemente, o papel que lhe cabe no modelo capitalista internacionalizado. Aqui, as cidades assumem características de cidades mundiais. Vamos denominar essa perspectiva de "global";
- uma outra privilegia o meio urbano como um espaço que possui uma dinâmica ambiental própria e única, resultante de uma interação entre o ambiente natural e ambiente construído, cuja harmonia é intrínseca e não extrínseca. Isso não lhe confere autonomia nem isolamento, mas apenas especificidade. Nessa perspectiva não há cidades ideais e sem problemas, mas há cidades e cidadãos buscando soluções condizentes com a sua estrutura ambiental. Em suma, a cidade tem uma personalidade e cada cidade tem a sua personalidade. Em contraposição à primeira perspectiva, chamaremos esta de "local".

Os nomes que escolhemos para batizar as duas perspectivas, "global e local", não tem a pretensão de reforçar ou retomar a discussão apaixonada que tem se travado entre as correntes dos localistas e globalistas. Ao contrário, pretendemos mostrar que as duas convivem e que nenhuma é mais nem menos correta. Aqui, tão somente usamos esses termos como uma necessidade de visualizar o tamanho da lente com que a relação meio ambiente-meio urbano tem sido focada. Embora essa afirmação, à primeira vista, pareça estranha, vamos observar que quase todos autores consultados abordam ambas perspectivas. Para demonstrar voltemo-nos, agora, para recortar fragmentos de seus escritos. Na seleção, apenas um critério: identificar, nos textos, maneiras como a global(ização) e a local(ização) podem contribuir para mudar a qualidade do relacionamento meio ambiente-meio urbano.

Em Aguiar(7) é clara a presença das duas perspectivas. Por um lado ele explicita a relação meio ambiente-meio urbano no seu conceito de meio ambiente total a partir de uma visão sistêmica. Por outro lado, nos mostra o cidadão - ser humano e o cidadão - planetário. Além disso, vê a cidade, simultaneamente, como foco de problemas e geradora de potencialidades ambientais. Assim:
"A luta pela convivência harmônica com o meio ambiente é...missão de todos cidadãos...O cidadão originário era um habitante da cidade. Hoje a cidadania atinge outra dimensão...transcende a internacionalização e invade a planetarização. O conceito de meio ambiente é totalizador. Embora possamos falar em meio ambiente marinho, terrestre, urbano...essas facetas são partes de um todo sistemicamente organizado onde as partes... dependem umas das outras...No meio urbano, onde há maior concentração de população, os problemas tendem a se radicalizar, pois...pobreza, doença, falta de higiene... contribuem para a agressão...ao meio ambiente. A cidade...é a representação máxima do distanciamento entre homem e natureza...mas é também o lugar de decisões...de poder... É a praça onde ...são urdidos acordos e radicalizados confrontos... É na cidade que aparecem os movimentos sociais..."
Ortiz(8), ao discorrer sobre a existência de uma "cultura internacional-popular", nos traz uma abordagem que parece remeter para a imposição do global perante o local. De fato, ele nos diz que o local não está em contradição com o global mas, ao contrário, estão interligados, pois a globalização se realiza através da diferenciação. Embora ele não explicite a relação meio ambiente-meio urbano, referindo-se, em separado, à ecologia planetária e ao anonimato das grandes cidades, nos deixa pistas para construirmos essa relação quando sugere que a sociedade deve inventar novas instâncias para integração das pessoas e propõe a mídia e as empresas como tais instâncias. 

E aí nos perguntamos: não é a cidade o local privilegiado da ação de instâncias como essas e também sede dos movimentos sociais ecológicos? Vejamos:
"...movimento ecológico...uma espécie de movimento social da sociedade civil mundial...A preocupação ecológica não tem pátria, seu enraizamento é o planeta. ...mundialização percorre dois caminhos...a desterritorialização constituindo um tipo de espaço des-localizado. Porém...o espaço, categoria social...deve se localizar, preenchendo o vazio de sua existência com a presença de objetos mundializados. Com o advento da sociedade urbano-industrial, a noção de pessoa já não mais se encontra centrada na tradição. Os laços de solidariedade se rompem. O anonimato das grandes cidades e do capitalismo corporativo pulveriza relações sociais, deixando os indivíduos soltos na malha social. A sociedade deve inventar novas instâncias para a integração das pessoas. Uma cultura mundializada deixa raízes em todos os lugares...Sua totalidade transpassa os diversos espaços, embora...de maneira desigual."

Numa linha similar de abordagem, está Ribeiro(9) nos contando sua experiência com os denominados "bichos de obra", habitantes das pequenas aldeias do sistema mundial formadas nas cercanias canteiros de grandes obras, um ator social, segundo ele:
"...dominado por sua ocupação profissional, tendencialmente descarnado da especificidade e da profundidade de uma identidade cultural e étnica, e que vê a si mesmo como um cidadão do mundo, de um sistema mundial cada vez mais homogêneo..."
Ele conclui que há uma brecha para a reconstrução de uma nova identidade mesmo que seja às custas do que chamou de "interação-integração de segmentos populacionais heterogêneos."

Tomemos agora Santos que, numa entrevista recente(10), se declarou avesso às teorias que exaltam a globalização da sociedade moderna e partidário da riqueza da combinação urbana, com os seguintes argumentos:
"...o mundo inteiro é uma ficção. A...aldeia global não existe. ...desconfio de tudo que é apresentado como sendo global...falta sentido a esse conceito. Meu ponto de partida são os valores. Estes podem se tornar mundiais, mas o ponto de partida é local. ...o sentido verdadeiro das coisas é sempre produzido por valores locais que produzem cidadania...A cidade, ao contrário do campo, recusa o capital...Os homens são mais diversos e, portanto, a combinação urbana é mais rica. O futuro está aqui. ...a grande quantidade de gente pobre é uma fonte de sabedoria...O pobre é o agente menos acomodado que a classe média. O pobre se relaciona com a cidade como um lugar...que exige um deciframento permanente."
Aqui, as duas perspectivas estão presentes, por contraposição, na medida em que Santos usa o local para rechaçar o global. A relação meio ambiente-meio urbano aparece nas entrelinhas quando ele introduz na discussão as classes sociais e considera que a pobreza das cidades não é fonte de poluição, mas sim fonte de sabedoria.

Foi também num artigo de Santos(11) que encontramos uma frase das mais polêmicas sobre o assunto. Vamos a ela:
"...o lugar torna-se o mundo do veraz e da esperança e o global, mediatizado por uma organização perversa, o lugar da falsidade e do engodo. Se o lugar nos engana, é por conta do mundo. ..o que globaliza separa; é o local que permite a união."
Poderíamos nos contentar em reconhecer que, mais uma vez, Santos usou o local para contrapor o global ou dizer que, nessa frase, ele se mostrou o mais ardoroso defensor do local. Mas, seria pouco. Ficamos nos perguntando o significado do jogo de palavras entre o lugar e o mundo, o local e o global, o veraz e o falso, o que une e o que separa. Arriscamos dizer que representa a dialética de um processo uno e simultâneo, de global(ização) e de local(ização).
Dentre os autores que selecionamos, Sachs(12) reproduz com mais fidelidade o "mix" das nossas duas perspectivas, nos trazendo de volta algumas das posturas travestidas com roupagens novas, mas nos brindando com outras que introduzem mudanças qualitativas na relação meio ambiente-meio urbano.

Vejamos suas propostas para minimizar os conflitos meio ambiente-meio urbano baseadas na "novidade" do desenvolvimento sustentado. Ele nos diz que o planejamento do desenvolvimento deve considerar cinco dimensões de sustentabilidade: social, econômica, ecológica, cultural e espacial. Na última, destaca a necessidade de se obter:
"uma configuração rural-urbana mais equilibrada e uma melhor distribuição territorial dos assentamentos humanos e das atividades econômicas, com ênfase no que se segue: reduzir a concentração excessiva nas áreas metropolitanas; explorar o potencial da industrialização descentralizada..."

Ele também dedica uma parte do seu paper à outra "novidade", a explosão urbana, começando por frizar que:
"O tamanho da explosão urbana, aliada à lista de necessidades não atendidas, significa que a replicação no Sul de métodos utilizados no Norte aumentaria as desigualdades existentes, beneficiando uma minoria e marginalizando a maioria dos habitantes urbanos.
...a atual tendência...à transformação do nosso planeta em um arquipélago urbano deve ser considerada como uma fatalidade. O conceito de economias de aglomeração deve ser revisto à luz das oportunidades criadas para a especialização flexível e a industrialização descentralizada..."

Ao mesmo tempo, é também Sachs, com uma postura inovadora, quem mais enfatiza os avanços institucionais da sociedade civil e destaca a personalidade das cidades. Assim:
"O surgimento da sociedade civil como um terceiro sistema de poder, unindo-se ao Estado e aos poderes econômicos deve ser visto como um evento importante...Um dos desafios será reconhecer esta nova configuração política e trabalhar na institucionalização de uma democracia genuinamente participativa em todos os níveis: local(rural e urbano), nacional e global. As cidades são ecossistemas e, como tais, são fontes potenciais de recursos. ...As cidades são como pessoas: pertencem à espécie urbana, mas tem sua personalidade própria. A resposta ao desafio urbano deve levar em conta as configurações específicas dos fatores naturais, culturais e sócio-políticos, do passado histórico e das tradições de cada cidade. Em lugar de se propor soluções homogeneizadoras, a sua diversidade deve ser considerada como um valor cultural de grande importância.

Bibliografia

(1) Lynch, Kevin. The city as environment. In: Scientific American. september 1965, pp. 209-219
(2) Alexander, Christopher. El medio ambiente. Conferencia leída en el Second International Symposium on Regional Development, Tokyo, Sept 1968. Publicado in La Estructura del Medio Ambiente. Barcelona; Tusquets Editor, 1971
(7) Aguiar, Roberto A. Ramos de. Direito do meio ambiente e participação popular. Brasília, IBAMA, 1994, pp.20-54
(8) Ortiz, Renato. Mundialização e cultura. São Paulo, Ed. Brasiliense, 1994, pp.7-219
(9) Ribeiro, Gustavo Lins. Bichos de Obra - fragmentação e reconstrução de identidades. Revista Brasileira de Ciências Sociais, nº 18, fev de 1992
(10) Entrevista: Milton Almeida dos Santos. O Mundo não existe. Revista Veja, 16 de novembro, 1994
(11) Santos, Milton. A aceleração contemporânea :tempo mundo e espaço mundo. In: O Novo Mapa do Mundo - Fim de Século e Globalização. São Paulo. Ed. Hucitec - Anpur, 1993, pp.20-25
(12) Sachs, Ignacy. Estratégias de transição para o século XXI. In: Para pensar o desenvolvimento sustentável. Brasília, IBAMA/ENAP e São Paulo, Brasiliense, 1993, pp.38-41
(13) Douglas, Ian. The city as a ecossystem. In: Progress in Physical Geography, vol 5, number 3, september 1981