domingo, 11 de outubro de 2026
O desafio da Educação Ambiental na era digital: como desconstruir a bolha virtual e os seus epifenómenos
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
O valor de olhar o mundo: como a fotografia de natureza cuida de nós, do património e de quem vive desta arte
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| A paciência de um segundo que se torna eterna. Fotografar a natureza é isto: congelar a perfeição de um instante para que a memória visual do nosso património biológico nunca se perca. |
sexta-feira, 25 de setembro de 2026
O Caso de Souto de Moura nos Açores: Sustentabilidade e Habitação Social em Destaque
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| Mofo |
É precisamente nesta interseção entre as políticas públicas de sustentabilidade e a sua aplicação prática que ganha relevância a análise de casos concretos, como o do loteamento de habitação social nas Sete Cidades, em São Miguel (Açores), projetado pelo arquiteto Eduardo Souto de Moura em coautoria com Adriano Pimenta. Concluído por volta de 2010, este conjunto habitacional oferece uma oportunidade para avaliar, no longo prazo, se os princípios teóricos da sustentabilidade se traduziram em qualidade de vida duradoura para a comunidade.

Confrontando as três dimensões basilares promovidas no âmbito das comemorações do Dia Nacional da Sustentabilidade com a realidade deste projeto público, destacam-se os seguintes pontos de reflexão:
1.Sustentabilidade ambiental e adequação climática: embora o projeto procure reinterpretar a volumetria tradicional das habitações açorianas, a opção pelo betão visto como material predominantemente exposto revelou-se problemática perante a humidade extrema e a pluviosidade do microclima das Sete Cidades. A colonização biológica da fachada exterior (líquenes e fungos) e as elevadas exigências de ventilação para controlar a humidade ambiente demonstram que a sustentabilidade exige o respeito pelos materiais e pelas técnicas construtivas locais.
2. Sustentabilidade económica e custo de vida: a habitação de cariz social destina-se a populações com recursos limitados. Quando o desempenho térmico e a gestão da humidade de uma solução arquitetónica obrigam a consumos contínuos de eletricidade (através do uso frequente de desumidificadores e aquecedores) ou exigem manutenções exteriores constantes, o encargo financeiro sobre os residentes e a administração pública torna-se elevado, contrariando o princípio da eficiência no ciclo de vida do edifício.
3. Sustentabilidade social e aceitação comunitária: a relação dos moradores com as habitações foi marcada por críticas quanto à funcionalidade do espaço interno e ao conforto habitacional. O caso evidencia a importância do planeamento participativo e da escuta ativa das comunidades locais, garantindo que o desenho arquitetónico responde às reais necessidades quotidianas dos utilizadores.
A análise deste conjunto habitacional com mais de uma década de vivência oferece uma reflexão crítica sobre a necessidade de alinhar a arquitetura contemporânea com a arquitetura vernácula, demonstrando que a verdadeira sustentabilidade depende da durabilidade, da funcionalidade e da dignidade proporcionadas a quem habita o espaço.
Além disso, a questão da eficiência energética e do conforto térmico é, de facto, uma das fragilidades mais apontadas a este projeto de habitação social. A escolha do betão visto como material predominantemente exposto traz desafios acrescidos no microclima extremamente húmido, frio e chuvoso da cratera das Sete Cidades. Sendo um material de elevada inércia térmica e reduzida permeabilidade ao vapor de água, o betão exige um esforço acrescido de aquecimento e ventilação para que as superfícies interiores atinjam uma temperatura de conforto e evitem o ponto de orvalho, resultando na necessidade frequente de recorrer a equipamentos elétricos. Por sua vez, este consumo elétrico continuado traduz-se num elevado encargo financeiro para as famílias, o que anula o próprio propósito de uma habitação de custos controlados. A conjugação entre a insuficiência dos sistemas de ventilação mecânica para a libertação do vapor de água quotidiano, a elevada humidade do microclima local e o comportamento higrotérmico do betão gera condensações internas, o aparecimento de fungos e um ambiente interior bastante desconfortável. Este cenário evidencia o desfasamento entre o desenho conceptual e os padrões reais de habitabilidade e sustentabilidade, mesmo num edifício cujo projeto cumpre formalmente os requisitos do certificado energético (com classificação estimada de nível B).
No que concerne às proeminentes "torres" de betão - que constituem o prolongamento vertical dos corpos dos fornos e chaminés exteriores -, estas foram igualmente alvo de fortes críticas e estranheza por parte da comunidade e dos residentes. Do ponto de vista estético e formal, a escala monumental e austera destas chaminés em betão cru contrasta vivamente com as delicadas chaminés e fornos da arquitetura tradicional micaelense, habitualmente caiados de branco e de proporções mais modestas. Esta linguagem visual agressiva levou a que a população local percepcionasse estas estruturas não como um tributo à memória construtiva dos Açores, mas antes como uma imposição industrial e descaracterizadora. Paralelamente, no plano funcional e do conforto quotidiano, a opção por chaminés de tal envergadura acopladas à fachada gerou sérios constrangimentos. A exposição contínua destas elevadas massas de betão ao vento rigoroso e à chuva constante das Sete Cidades favorece o arrefecimento das superfícies e potencia fragilidades na estanquidade e nas juntas de ligação às habitações, criando zonas propícias a infiltrações e condensações. Além disso, a altura e a geometria destas estruturas tornaram as tarefas habituais de limpeza, manutenção e controlo da tiragem da salamandra bastante mais complexas para os moradores. Deste modo, o elemento que no projeto representava uma reinterpretação poética do forno açoriano acabou por ser vivenciado no dia a dia como uma solução sobredimensionada e pouco prática.
[Fases do projecto aqui]
quarta-feira, 27 de maio de 2026
Adaptação Profunda - os 6R de James Bendell
domingo, 5 de outubro de 2025
Les Français ne paient pas le vrai prix de l’alimentation
sábado, 16 de março de 2024
Bauman e a dificuldade de amar
terça-feira, 11 de maio de 2021
Modernidade Líquida, o que é? Conceito, contexto e características
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
Entrevista a Zygmunt Bauman: "Vivemos o fim do futuro"
sexta-feira, 20 de julho de 2012
‘Nós hipotecamos o futuro’, critica sociólogo polaco Zygmunt Bauman
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Acções para mitigar os impactes ambientais do Homem a nível (g)local

1.1. Eu Não Faço Lixo O compromisso desta campanha é assumir o desafio da sustentabilidade e reduzir a quantidade de lixo. Mais uma iniciativa da Lipor que, neste sítio, explica e sugere, com uma linguagem fácil e atractiva, boas práticas ecológicas.Tem ainda um simulador de quantidade de lixo (papel e cartão, plástico, metal, vidro, orgânicos e ainda outros tipos de lixo) e um fórum para trocar ideias.
1.2. Os Amigos da Terra lançaram neste mês uma nova fase da campanha pela regulação e redução do lixo na UE. A União Europeia precisa de novos objectivos e uma nova Directiva. Actua. Segue todas as orientações no sítio Love Recycling
2. Montanha / Agenda 21 / Agricultura Sustentável / Ecoaldeias
2.2. Centro Comunitário Semente de Futuro, sediado em Arouca, numa propriedade rural, onde se pratica um modelo de agricultura biodinâmica, a integração social de pessoas com deficiência,idosos e crianças da região e práticas de desenvolvimento sustentável.
2.3. Chão Sobral, projecto sócio-ambiental de minimizar e superar os efeitos da desertificação de aldeias da região de Oliveira do Hospital.
3. Educação / Terra Política / Mobilidade / Terra Urbana
3.1. Na página pessoal do investigador Simon Batterbury contem publicações e institutos de pesquisa em Ecologia Política e ligações de interesse para os amantes de bicicleta.
3.2. Vale a pena conhecer Harpa, um projecto ecopedagógico localizado em Alhandra
3.3. Acesso a museus de todo o Mundo e também muitas músicas.É só clicar em Saber Cultural e navegar.
4. Planificando a Sustentabilidade e Não-Violência
4.1. Pelican Web é um sítio mantido pelo investigador Luis T. Gutierrez, com artigos da sua autoria e um conjunto enorme de ligações gratuitas baseadas nos Objectivos do Milénio.
4.2.Pangea, uma ONG catalã, com imensos recursos ao serviço da eco-solidariedade
5. Alterações Climáticas
A UNEP lançou em 21 de Fevereiro deste ano, a Climate Neutral Network contribuindo para uma troca de ideias entre países, cidades e empresas relamente empenhadas
na redução de emissão de gases de efeito estufa.
6. Oceanos
A 13 de Dezembro de 2007 foi assinado em Lisboa o novo Tratado Reformador da União Europeia, vindo a ser conhecido por Tratado de Lisboa. No mesmo dia, uma comissão representando todos os sectores da economia portuguesa com interesses no mar publicou online um blogue Pelo Mar com vista à discussão da problemática da gestão e conservação dos recursos marinhos no âmbito deste mesmo documento (alínea d, artigo 2.º-B, título I).
7. Terra Económica / Terra Filosófica / Educação Ambiental e Espiritualidade
A nível mundial, Goetheanum constitui o centro mundial da Sociedade Antroposófica. A nível do Brasil já existe um Portal, com muitas informações
quarta-feira, 10 de março de 2004
A relação meio ambiente-meio urbano: do global para o local
Remexendo velhos papéis para encontrar o gancho urbano-ambiental







