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domingo, 16 de novembro de 2025

Miguel Real - A Morte de Portugal

Um livro muito interessante e peculiar e actual. Já é de 2007. Mas recuperei a leitura e identifico-me com este ensaio. Este pequeno ensaio diligencia desenhar os quatro complexos culturais por que Portugal se foi concebendo a si próprio ao longo de 800 anos de História: ora um país gerado exemplarmente no mais remoto dos tempos e contra as mais difíceis circunstâncias (Viriato); ora um país que, durante e após os Descobrimentos, se vê a si próprio como nação superior às demais, sintetizada na majestática arquitectónica do Quinto Império de padre António Vieira, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva; ora um país que, fracassado o sonho grandiloquente do Império, se lastima e se penitencia, considerando-se nação inferior, passível de máxima humilhação (Marquês de Pombal); ora, finalmente, país mesquinho, venenoso e bárbaro, permanentemente ansioso de purificação ortodoxa, no qual cada corrente política e intelectual tem sobrevivido da canibalização das correntes adversárias, negando-as e humilhando-as. Por efeito do ambiente educacional e social, cada português percorre na sua vida, recorrente e ciclicamente, estas quatro figurações da sua história e da sua cultura.

domingo, 26 de outubro de 2025

Agostinho da Silva dixit


“Valioso para mim é a noção de que o que importa não é educar, mas evitar que os seres humanos se deseduquem. Cada pessoa que nasce deve ser orientada para não desanimar com o mundo que encontra à volta. Porque cada um de nós é um ente extraordinário, com lugar no céu das ideias. Seremos capazes de nos desenvolver, de reencontrar o que em nós é extraordinário e transformaremos o mundo.” ~ Agostinho da Silva

Pensa nisto e agarra-te a este mantra, para não seres seduzido por André Ventura, facho, boçal e assim como atraído(a) pelos 60 acólitos (muitos com cadastro) na Assembleia da República. Dizem eles que querem limpar Portugal, mas são racistas e corruptos.
Parque de Serralves, Porto. Foto minha.

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Agostinho da Silva


"Temos, sobretudo, de aprender duas coisas: aprender o extraordinário que é o mundo e aprender a ser bastante largo por dentro, para o mundo todo poder entrar"

sexta-feira, 4 de abril de 2025

Amar, por Agostinho Silva


“Quem ama verdadeiramente ama o que lhe aparece, tal como é, e, ao mesmo tempo, o que será aquele mesmo ser desenvolvendo-se, como Deus o quer, em plena liberdade. Amar alguém ou alguma coisa é primacialmente instalá-lo num clima de plena liberdade, com todos os riscos que a liberdade comporta: desejar é limitar na liberdade, a nós e aos outros. Mas quando verdadeiramente amor existe, então realizamos na terra o que há de mais belo e de mais raro: porque todo o amor que ama o eterno é o amor de Deus amando-se a si próprio.”
 Agostinho da Silva

terça-feira, 29 de outubro de 2024

Neste dia dou vida e voz a Agostinho da Silva


"(...) Reservemos em nós a tarefa de compreender e unir; busquemos em cada homem e em cada povo e em cada crença não o que nela existe de adverso, para que se levantem as barreiras, mas o que existe de comum e abordável, para que se lancem as estradas da paz; empreguemos toda a nossa energia em estabelecer um mútuo entendimento; ponhamos de lado todo o instinto de particularismo e de luta, alarguemos a todos a nossa simpatia.
Reflitamos em que são diferentes os caminhos que toma cada um para seguir em busca da verdade, em que muitas vezes um antagonismo de nomes esconde um acordo real. Surja à luz a íntima corrente tanta vez soterrada e nela nos banhemos. Aprendamos a chamar irmão ao nosso irmão e façamos apelo ao nosso maior esforço para que não se quebre a atitude fraternal, para que não se perca o dom de amor, para que não cerre o coração à mais perfeita voz que nos chama e solicita.(...)"

Agostinho da Silva, (1988). Considerações e Outros Textos, p. 59. Lisboa: Assírio & Alvim.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Os atrasados do clima são os partidos Chega e Iniciativa Liberal- travemos e denunciemos os negacionistas climáticos

Aqui está um gráfico da própria Exxon Mobil, 1982. Ela previu que em 2023, o nosso CO2 atmosférico atingiria cerca de 415 partes por milhão, aumentando a temperatura média global da superfície em ~1,1 graus Celsius.

Atualização: A média de CO2 em 2023 foi de pouco mais de 420 PPM e a anomalia de temperatura média 1.18 ºC


"Perante o que já avançaram ciência e técnica e, em cada um, o ideal de humanidade, são o capitalismo e o socialismo duas formas idênticas e por isso concorrentes de estupidez"
– Agostinho da Silva

“O capitalismo é uma religião, e a mais feroz, implacável e irracional religião que jamais existiu, porque não conhece nem redenção nem trégua. Ela celebra um culto ininterrupto cuja liturgia é o trabalho e cujo objeto é o dinheiro!"
– Giorgio Agamben

"É preciso, para que essa ilha dos amores possa existir, que o Homem possa entender que o capitalismo existe não para ficar continuamente tendo mais lucros, e descontando mais juros e pagando mais dívidas ou pedindo mais dinheiro emprestado, mas para terminar num ponto em que a economia desapareça completamente, em que haja tudo para todos. E aí, o Homem possa passar à sua verdadeira vida que é a de contemplar o mundo, ser poeta do mundo e o mundo poeta para ele, de tal maneira que nunca mais ninguém se preocupa por fazer tal ou tal obra, mas por ser tal ou tal objecto no mundo, a identidade dele, a única, o ser único que existe no mundo entre os tais biliões de seres que no mundo existem"
– Agostinho da Silva

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Mandala


“Achei que seria a contemplação das coisas belas em dois caminhos mais amplos para que se pudesse aprender tudo em harmonia universal.”

Agostinho da Silva, 'Textos e Ensaios Filosóficos - Volume I'

Mandala: aprenda o que é e o significado na arte e espiritualidade
Publicado por Natália Cruz | Última atualização: 19/6/2025

Introdução
Mandalas são símbolos circulares com formas geométricas em seu centro. Enraizadas em tradições como o budismo e o hinduísmo, elas simbolizam o Universo e a mente humana, desempenhando um papel vital em práticas espirituais.

As mandalas têm origem no hinduísmo e no budismo e são usadas em rituais religiosos e de meditação. Elas também aparecem em outras culturas, como nas tradições dos povos nativos americanos, nesse caso, a mandala é conhecida popularmente como filtro dos sonhos.

Qual é o significado de mandala?
Em Sânscrito a palavra mandala significa círculo e é para os budistas e hindus um símbolo de espiritualidade, cura e conexão. Para os praticantes da religião budista e do hinduísmo, a mandala ajuda na meditação e na concentração. Em algumas práticas  meditativas, a mandala significa a jornada e o progresso espiritual de cada indivíduo. Os desenhos circulares simbolizam a ideia de que tudo na vida está, de alguma forma conectado, todos os acontecimentos são cíclicos  e a própria vida em si não tem um fim.

Os diferentes tipos de mandalas e como eles são usados em diferentes culturas
Existem muitos tipos diferentes de mandalas, incluindo mandalas de cura, mandalas de meditação, mandalas de areia, mandalas de cristal e mandalas de arte. Cada tipo tem um propósito diferente e é usado de maneiras diferentes em diferentes culturas. 

Por exemplo, as mandalas de areia são criadas pelos monges budistas tibetanos como parte de um ritual de meditação e, em seguida, destruídas para simbolizar a impermanência da vida.

Quais culturas utilizam as mandalas
As mandalas são utilizadas em diversas culturas ao redor do mundo, incluindo as culturas hindu, budista e tibetana, entre outras. Além disso, mandalas também são encontradas em tradições indígenas americanas, como a dos Navajos.

Qual é o significado espiritual das cores nas mandalas?
As cores têm significados espirituais diferentes em diferentes culturas. Por exemplo, o vermelho é frequentemente associado à paixão e à energia, enquanto o azul pode simbolizar a serenidade e a calma. 

Ao criar uma mandala, é possível usar as cores para expressar emoções e intenções.

Como as mandalas são usadas na terapia artística e quais são os seus benefícios
As mandalas são frequentemente usadas na terapia artística como uma forma de promover a expressão criativa e a cura emocional. Os benefícios incluem uma maior autoconsciência, redução do estresse e aumento da autoestima.

Como as mandalas são usadas na cultura popular atual
As mandalas têm sido cada vez mais usadas na cultura popular atual como símbolo de espiritualidade, bem-estar e criatividade. Elas aparecem em roupas, acessórios, livros de colorir e em muitas outras formas de media. 

Alguns argumentam que essa popularização pode banalizar a importância cultural e espiritual das mandalas, enquanto outros veem isso como uma oportunidade de difundir a mensagem de paz e harmonia que elas representam.

sexta-feira, 28 de abril de 2023

Cada pessoa deve ser total, completa, e ter liberdade para o ser


"Cada pessoa deve ser total, completa, e ter liberdade para o ser. Sempre bati no ponto, para mim importantíssimo, da liberdade total, não condicionada: cada um ser aquilo que é, coisa bastante restringida pela aparelhagem política e económica. O homem foi feito para ser um poeta à solta, seja qual for a sua expressão poética. Pode ser a música, a literatura ou coisa nenhuma... Olhar os gatos, as pedras, as árvores. Até pode acontecer que uma pessoa não seja absolutamente nada, de repente tenha uma ideia estupenda para o bem do mundo."

- Agostinho da Silva, AGOSTINHO, ENSINE-NOS, Entrevista a Lurdes Féria, 1986, IN Paulo Borges (org.), AGOSTINHO DA SILVA - DISPERSOS, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, Ministério da Educação, 1988, p. 115.

domingo, 13 de novembro de 2022

Encontros Improváveis: Agostinho da Silva e Irina Laube

Irina Laube [site]

"Se eu chegasse a ser dum Outro
mas de mim não me perdendo
e esse Outro todos os outros
que comigo estão vivendo
não só homens mas também
os animais e as plantas
e os minerais ou os ares
e as estrelas tais e tantas
terei decerto cumprido
meu destino e com que sorte
para gozar de uma vida
já ressurecta da morte."

Agostinho da Silva, "Uns Poemas de Agostinho", Lisboa, ulmeiro,1990, p.106 (2ª ed.)

Saber mais
  1. Documentário:  Agostinho da Silva - Um pensamento vivo
  2. Tese de Doutoramento: "Agostinho da Silva: Filosofia e Espiritualidade, Educação e Pedagogia" de Luís Carlos Rodrigues dos Santos

terça-feira, 13 de setembro de 2022

Agostinho da Silva - Um pensamento vivo [Filme completo]


"Parece que toda a gente está de acordo em que o mundo inteiro se encontra em crise. Como isto me parece demasiado vasto para eu poder ser útil, decidi que sou eu quem está em crise e talvez consiga sair dela com três princípios: o de me ver livre do supérfluo, o de não confundir o verbo amar com o verbo ter, o de prestar voto de obediência ao que for servir, não mandar. [...] Para tudo o que fordes e fizeres rogarei perfeito empenho e boa sorte, bom vento de navegar."

""Fazer/ajudar, naturalmente, porque é necessário - somos uns para os outros sem ter em mente recompensas. Pureza de espirito, simplesmente, amor verdadeiro." in Conversas Vadias. 

domingo, 3 de abril de 2022

Agostinho partiu há 28 anos para estar cada vez mais Presente



“(…) os povos chamados industrializados têm produzido muita máquina e têm destruído muita pessoa. Espero que os portugueses produzam menos máquinas, mas saibam mais desenvolver pessoas! Aquilo que se tem que fazer hoje no mundo não é mais coisas do que aquelas que se têm feito. O que é preciso é criar no mundo as condições necessárias para que as pessoas possam brotar delas próprias, para que gente que tem morrido aos milhões sem nunca realmente ter vivido a sua própria vida não tenha mais esse destino daqui por diante, possa viver vida completa. Isso é que é importante!”

~ Agostinho da Silva, in Antónia de Sousa, Diálogos com Agostinho da Silva. O Império acabou. E agora?, Casa das Letras, 2006, 6ª edição, p.33.

sábado, 16 de outubro de 2021

O CineEco e a crise socio-ecológica

Chapim-real / Great Tit (Parus major) macho / male

A primeira sessão do CineEco ocorreu em Seia em 1995, três anos depois de Severn Cullis-Suzuki em 1992 ter discursado na cimeira Rio-92, a conferência da ONU sobre o desenvolvimento sustentável, apelando, em nome das gerações vindouras e de todos os animais e seres que povoam o planeta Terra, à mudança de paradigma e reclamando um direito fundamental para essas gerações: a vida. Mais de 3 décadas passaram e é inevitável que nos questionemos sobre o que aconteceu neste tempo, o que (não) mudou e porquê, e o que podemos fazer? O discurso está alinhado com o conhecimento que se tem da gravidade da situação, mas as ações não: nem as dos estados, nem as das suas instituições, nem das empresas ou dos indivíduos. Aparentemente não é suficiente saber e conhecer, é preciso mais do que isso para mudar o curso da ação para que sejam possíveis mudanças transformadoras. Articular diferentes perspetivas e diferentes saberes, envolver diferentes atores em ações concertadas. Hoje, quero sublinhar o papel das Artes, nomeadamente do cinema, no combate à crise socioecológica cujo expoente máximo são as Alterações Climáticas e a perda de biodiversidade, dando voz às preocupações sociais, culturais e ambientais locais. O CineEco constitui-se como um desafio à transformação dos modos de vida e das formas de organização social em torno dos problemas socioecológicos globais, e constitui-se como uma estratégia para dar visibilidade à interioridade, dar voz aos territórios do interior despovoados e abandonados.
O CineEco traduz um movimento socio-cultural-ecológico único no país, atraindo anualmente filmes-documentários que refletem múltiplas culturas, que veiculam múltiplas narrativas e soluções para a construção de futuros socioecológicos mais sustentáveis, mais justos e menos desiguais. O cinema tem a potencialidade de convocar múltiplos agentes individuais e coletivos, múltiplos setores e múltiplas disciplinas, múltiplos saberes para o diálogo e a articulação de posições. A mudança social passa necessariamente por esta capacidade de articulações múltiplas e simultâneas, ao proporcionar uma análise reflexiva sobre os limites dos modelos de organização social vigentes e sobre as suas alternativas. O cinema tem essa possibilidade de apresentar a vida e a morte vistas de outras formas, implicando-nos nas narrativas pelas emoções, pelas poéticas da vida, pela imagem, o imaginário, a criatividade, e, como diria o Prof. Agostinho da Silva, abrindo-nos à possibilidade da utopia, de fazer o que ainda não foi feito.
A ficção cinematográfica ambiental, que é cada vez mais realista e nem tem de criar cenários improváveis para nos desafiar a pensar para além das fronteiras do possível, a meu ver é um instrumento privilegiado de mediação e de conexão emocional através do qual é possível conectar diferentes visões, diferentes saberes e diferentes poderes num diálogo maior em torno da multiplicidade e complexidade de formas que assume a relação da humanidade com a natureza.
Os 26 anos de CineEco permitiram a aproximação dos Senenses de todas as idades, em particular das escolas que estão envolvidas, às múltiplas questões ecológicas centrais para a região e para o mundo, através da democratização do conhecimento científico, da articulação de saberes, traduzido na tela pelas emoções que desencadeiam. Esta é a via de aprofundar diálogos e articular poderes e saberes na transformação da organização social insustentável que vivemos abrindo assim a possibilidade de construir futuros socio-ecológicos mais sustentáveis e de vidas melhores.

sábado, 14 de agosto de 2021

9 Povos de Origem Portuguesa que talvez não conheça



Os portugueses foram responsáveis pela formação de alguns povos. Descubra os 9 povos de origem portuguesa espalhados pelo mundo!

Que os portugueses descobriram vários territórios espalhados pelo mundo não é surpresa para ninguém. Todavia, o que muitos não sabem, nem desconfiam, é que ainda estão espalhados pelo mundo muitos povos que têm origem nos portugueses, conservando alguns dos seus hábitos e costumes, como a língua, a religião, entre outras tradições típicas.
Não, não falamos do povo brasileiro, por exemplo. Mas sim de outros, cuja existência provavelmente desconhece. Contudo, há que notar que algumas destas influências não sobreviveram à passagem do tempo. Já outras mantêm-se e há comunidades que ainda preservam essas marcas deixadas pelos portugueses no passado. Desvende de que povos se tratam e em que geografia se localizam e partilhe estas curiosidades com todos os amantes da história de Portugal e dos portugueses.

9 Povos de Origem Portuguesa que talvez não conheça
Povos de Origem Portuguesa
9 Povos de Origem Portuguesa que talvez não conheça
Mardicas, Indonésia
Este povo descende de escravos portugueses. A própria palavra “mardica” significa escravos libertos. Este povo era cristão e falava crioulo. Apesar de já não existirem, ainda há quem carregue apelidos portugueses no seu nome e saiba cantar canções em crioulo antigo.

Povos de Origem Portuguesa
9 Povos de Origem Portuguesa que talvez não conheça
Kristang, Malaca, Malásia
A comunidade Kristang foi formada por cristãos portugueses, no século XVI. Eles falam papiá kristang.

Povos de Origem Portuguesa
9 Povos de Origem Portuguesa que talvez não conheça

Aceh, Lamno, Indonésia
O grupo “mata biru” ou “olhos azuis” refere-se, precisamente, aos descendentes de portugueses. Atualmente, restam apenas algumas dezenas de sobreviventes desta comunidade. Embora conservem algumas tradições portuguesas, acabaram por se converter ao islamismo.

Povos de Origem Portuguesa
9 Povos de Origem Portuguesa que talvez não conheça
Ziguichor, Senegal
Em Zinguichor, encontra-se uma comunidade com dezenas de milhares de pessoas com apelidos portugueses e que se expressam em crioulo português. Ali existe um Centro da Língua Portuguesa e serviços públicos, onde a língua oficial é o português.
Povos de Origem Portuguesa
9 Povos de Origem Portuguesa que talvez não conheça
Bayingyi, Birmânia
Mercenários portugueses chegaram à antiga Birmânia, nos séculos XVI e XVII. Destacavam-se por serem católicos e caucasianos. Bayingyi deriva de “fheringi” que significa europeu. Este povo continua a existir, preservando uma religião e cultura de influência portuguesa.
Povos de Origem Portuguesa
9 Povos de Origem Portuguesa que talvez não conheça
Mardicas de Tugu, Indonésia
Na vila de Tugu, na ilha de Java, havia canções portuguesas que se continuam a ouvir. A explicação para isso estava no facto de haver um povo com origem portuguesa e holandesa. Os portugueses e os seus descendentes (mardicas) foram levados para Tugu como escravos, tendo aí permanecido.

Contudo, há 40 anos, morreu o último falante de crioulo. Atualmente, algumas influências permanecem, sobretudo na língua, nos costumes, nos instrumentos, nos nomes e na música.

Povos de Origem Portuguesa
9 Povos de Origem Portuguesa que talvez não conheça

Burghers Portugueses, Sri Lanka
No antigo Ceilão, existe um povo que fala crioulo português, os Burghers Portugueses. Trata-se de um grupo étnico de ascendência portuguesa, cingalesa e holandesa. Muitos dos seus membros têm apelidos portugueses nomeadamente: Pereira, Abreu, Salgado, Fonseca, Fernando, Rodrigo e Silva.

Povos de Origem Portuguesa
9 Povos de Origem Portuguesa que talvez não conheça
Korlai, Índia
Nesta pequena vila, o grupo Kristi (Cristo) continua a falar crioulo de origem portuguesa. Para eles, é a Nou Ling (“a nossa língua”). Em Korlai, há ainda ruínas de um forte português.

Curioso com esta lista de povos que ainda conservam influências dos portugueses de outros tempos? Com efeito, Portugal é um país de descobridores e os Descobrimentos são a prova máxima disso. Mas além dos territórios conhecidos, que sabemos que os portugueses colonizaram, são diversos os espaços por onde os portugueses passaram e deixaram a sua influência e marca. Histórias curiosas, embora o tempo vá apagando este passado e, por isso, alguns destes povos já tenham poucos membros capazes de exemplificarem essas heranças culturais de outros tempos.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Pensamento da Semana - As Liberdades Essenciais


As liberdades essenciais são três: liberdade de cultura, liberdade de organização social, liberdade económica. Pela liberdade de cultura, o homem poderá desenvolver ao máximo o seu espírito crítico e criador; ninguém lhe fechará nenhum domínio, ninguém impedirá que transmita aos outros o que tiver aprendido ou pensado. Pela liberdade de organização social, o homem intervém no arranjo da sua vida em sociedade, administrando e guiando, em sistemas cada vez mais perfeitos à medida que a sua cultura se for alargando; para o bom governante, cada cidadão não é uma cabeça de rebanho; é como que o aluno de uma escola de humanidade: tem de se educar para o melhor dos regimes, através dos regimes possíveis. Pela liberdade económica, o homem assegura o necessário para que o seu espírito se liberte de preocupações materiais e possa dedicar-se ao que existe de mais belo e de mais amplo; nenhum homem deve ser explorado por outro homem; ninguém deve, pela posse dos meios de produção e de transporte, que permitem explorar, pôr em perigo a sua liberdade de Espírito ou a liberdade de Espírito dos outros. No Reino Divino, na organização humana mais perfeita, não haverá nenhuma restrição de cultura, nenhuma coacção de governo, nenhuma propriedade. A tudo isto se poderá chegar gradualmente e pelo esforço fraterno de todos.

Agostinho da Silva, in 'Textos e Ensaios Filosóficos'

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Pensamento da Semana- Agostinho da Silva



"O que é necessário é que não tomem sobre si a história dos outros e abram caminhos novos, para os quais a imaginação convém mais que a memória, vale mais a iniciativa do que o hábito e é aconselhável que se procure ser modelo e não cópia"

- Agostinho da Silva, Ensaios Sobre a Cultura Portuguesa e Brasileira II, De que sobram idades, p.55.

sábado, 27 de julho de 2019

Já reparou naquilo a que chamo a agonia do trabalho?


"- Já reparou naquilo a que chamo a agonia do trabalho? Toda a nossa vida gira em função do trabalho. Quando se pergunta a alguém o que é, nunca temos a resposta: sou homem ou sou mulher. Diz-se: sou engenheiro, electricista, médico. Só se é gente em referência ao trabalho. Um desempregado sente-se um pária e, todavia, ele é gente, a coisa mais extraordinária que se pode ser. Espero que as máquinas venham restituir às pessoas, aliviando-as do trabalho, a capacidade criativa, aquilo que nelas se oculta. Mas a transição parece-me estar a ser difícil porque as pessoas demoram muito tempo a render-se ao novo. Exigem provas seguras, entram com cautela no desconhecido."

- Agostinho da Silva, AGOSTINHO, ENSINE-NOS (Entrevista a Lurdes Féria), 1986, in DISPERSOS, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1988, p. 113.

sábado, 1 de junho de 2019

Dia Mundial da Criança


Neste Dia Mundial da Criança, recordamos que uma das mensagens essenciais de Agostinho da Silva é a de preservarmos a criança interior:

"Mais que tudo quero ter
Pé bem firme em leve dança
Com todo o saber de adulto
Todo o brincar de criança"

Agostinho da Silva

domingo, 28 de outubro de 2018

Agostinho da Silva - Sobre As Escolhas


"Ora, se estamos todos muito bem preparados para reclamar liberdade para nós próprios, menos dispostos parecemos para reclamar sobretudo liberdade para os outros ou para lhes conceder a liberdade que está em nosso próprio poder; se conhecêssemos melhor a máquina do mundo, talvez descobríssemos que muita tirania se estabelece fora de nós como se fosse a projecção ou como sendo realmente a projecção das linhas autocráticas que temos dentro de nós; primeiro oprimimos, depois nos oprimem; no fundo, quase sempre nos queixamos dos ditadores que nós mesmos somos para os outros; e até para nós próprios, reprimindo todas as tendências que nos parecem pouco sociais ou pouco lucrativas, desejando muito que os outros nos vejam como simples, bem ajustados, facilmente etiquetáveis. Mas nenhum mundo realmente novo, e está o velho a cair aos pedaços, poderá realmente surgir sem que tenhamos por ideal exactamente o contrário: que a complexidade, que provavelmente é o natural do homem, como espelho, semelhança e imagem da totalidade que Deus é, se afirme sobre a simplicidade e deixemos finalmente de crucificar, para depois lhes levantarmos templos, todos aqueles que ousaram ser completos e complexos, e se não limitaram, para sua comodidade, ou nossa, a arrastar-se na vida, como lavras de gente."

- Agostinho da Silva, SOBRE AS ESCOLHAS (1970), TEXTOS E ENSAIOS FILOSÓFICOS II, Âncora Editora, 1999, p. 226.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

A Europa não se entende, por Agostinho da Silva

Ela Yeşildoğan- Detail shot of an Upper West Side cathedral

"... A Europa não presta para nada, a Europa não se entende, porque está a querer fazer uma coisa nova com uma trapalhada velha... [...] O que se deve é chegar a outra coisa muito importante: à liberdade cultural de cada homem! 
Já não se trata de esta região ou aquela ser desta ou daquela maneira: trata-se de ser à sua maneira cada pessoa! Temos de levar o mundo a um tal tipo de organização que permita a identidade cultural de cada homem, sem sofrer nenhuma espécie de atropelo. 
A liberdade cultural do Minho, ou da Catalunha, ou da Andaluzia, ou de qualquer coisa dessas, é apenas um degrau para passarmos ao último andar da casa, que é cada homem ter a sua plena liberdade cultural! 
Como se costuma dizer, fazer aquilo que lhe der na cabeça, ou no coração, ou nos pés, se preferir andar. Rumar exactamente como quiser rumar; e o mundo estar organizado de tal maneira que daí não resulte o caos, mas uma nova espécie de cosmos, isto é uma espécie de nova ordem. 
Que resulte um mundo que continue a ser mundo. As pessoas não se lembram que "mundo" é a palavra contrária de "imundo". [...] Mundo é um adjectivo, é o contrário de imundo. 
Nós não queremos um mundo imundo, queremos conservar o mundo cada vez mais mundo, cada vez mais puro... É preciso que cada pessoa seja cada vez mais pura. E o que é ser cada vez mais puro? É ser cada vez mais ele." 

- Agostinho da Silva, "Ir à Índia sem abandonar Portugal" in "Ir à Índia sem Abandonar Portugal, Considerações e Outros Textos", Assírio & Alvim, 1994, p. 44