sábado, 31 de outubro de 2026

ghostbells - Phantoms


Os Ghostbells são um duo de música eletrónica/darkwave/EBM sediado nos Estados Unidos (formado pelos músicos Jessica Perry e Jim Finley). A banda edita a sua música através da editora alemã Out Of Line Music.

No que respeita ao estilo musical, sobressai uma grande diversidade de nuances dentro do espectro dark e alternativo. A sonoridade constrói-se sobre as fundações do rock gótico e do post-punk, onde pontuam riffs de guitarra atmosféricos, linhas de baixo proeminentes e ritmos marcantes. A esta base junta-se uma dimensão de darkwave, synthwave e ambient através do uso de sintetizadores texturizados que criam uma atmosfera densa e imersiva. Adicionalmente, escutam-se influências de doom metal e metal atmosférico em passagens mais lentas, pesadas e dramáticas, alternando com momentos contemplativos de ethereal wave e neoclássico que apostam em arranjos dramáticos e vocais assombrados.

Quanto ao significado da canção, a temática de Phantoms / Ghostbells gira em torno dos "fantasmas" da memória, em que o conceito de phantoms representa memórias não resolvidas, traumas, remorsos e ausências que continuam a ecoar na mente como um sino distante (ghostbells). A obra aborda também a mortalidade e a impermanência, refletindo sobre o fim das coisas, o luto e a inevitabilidade da passagem do tempo, culminando num isolamento existencial marcado pela sensação de desconexão do mundo físico e pelo refúgio na introspeção do mundo interior.

Estas ideias ramificam-se por marcantes influências literárias e filosóficas. Na literatura, destaca-se o romantismo sombrio e gótico de autores como Edgar Allan Poe, Lord Byron e Mary Shelley, focando a perda, o sublime, a beleza na melancolia e o sobrenatural, bem como a poesia simbolista e decadentista de Charles Baudelaire em Les Fleurs du Mal e a melancolia da vertente mais introspetiva de Fernando Pessoa e dos seus heterónimos. No plano filosófico, a composição cruza o existencialismo de Søren Kierkegaard e Jean-Paul Sartre sobre o sentido da vida, o vazio e a finitude humana, o pessimismo filosófico de Arthur Schopenhauer e Emil Cioran focado na dor da existência e no fascínio pelo sofrimento estético, e o conceito de hauntologia de Jacques Derrida, segundo o qual o presente se encontra perpetuamente assombrado pelos "fantasmas" do passado e pelas expectativas de um futuro que nunca se concretizou.

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