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domingo, 7 de junho de 2026

Portugal deixa arder à vontade, o que é errado e perigoso

Grandes incêndios em julho de 2025

Em Portugal, os bombeiros não têm um plano estratégico de controlo de incêndios. Correm a salvar edifícios à medida que o incêndio se aproxima, enquanto deixam o fogo florestal arder para onde quiser, o que é imprudente». A denúncia é de Gary Morgan, perito mundial que melhor conhece o caso português. Foi contratado pelo Governo de António Costa para auditar o nosso dispositivo.

Depois da carnificina de 2017, que matou 116 civis e 13 operacionais, o anterior Governo deu instruções à Proteção Civil para se concentrar na salvaguarda da vida humana. A floresta pode arder à vontade, desde que não atinja aldeias e casas isoladas. O património edificado também pode ser destruído, desde que não tenha gente lá dentro. As evacuações tornaram-se banais.

Os Governos de Luís Montenegro conformaram-se com o mesmo objetivo. Os resultados desta política são catastróficos. No ano passado, Portugal sofreu o maior e o terceiro maior incêndios florestais da história. No dia 13 de agosto, deflagrou um em Piódão, concelho de Arganil, que alastrou aos concelhos vizinhos de Pampilhosa da Serra e Oliveira do Hospital, ainda no distrito de Coimbra. Manteve-se ativo durante dez dias. Invadiu os municípios de Seia, distrito da Guarda, Covilhã, Fundão e Castelo Branco, no distrito de Castelo Branco. Arderam 645 quilómetros quadrados, uma área superior à dos concelhos de Lisboa, Amadora, Odivelas, Oeiras, Cascais e Sintra. No final desse mês, deflagrou em Trancoso um incêndio que consumiu 320 quilómetros quadrados, área semelhante à soma dos concelhos do Porto, Matosinhos, Maia, Valongo e São João da Madeira.

«Os incêndios grandes, múltiplos e complexos continuam difíceis de conter», lamenta a OCDE, em relatório publicado há dois meses sobre o caso português. O nosso dispositivo tem um desempenho vexatório, quando analisado no plano internacional. A OCDE denuncia que «a coordenação e a tomada de decisão operacional continuam a ser dificultadas pela ausência de qualificações uniformes». Há muitos chefes no terreno, grande parte deles incompetentes. «A hierarquia tem sido priorizada em detrimento da especialização técnica, reduzindo, em última análise, a eficácia operacional», conclui o relatório.

Como mostra a experiência da Austrália, a força de braços é mais importante do que os aviões e os autotanques para travar a progressão dos fogos rurais. «Usar apenas água para apagar um incêndio florestal é assumir um risco inaceitável de propagação do incêndio», ensina Gary Morgan. Na Austrália, a opinião pública associa o combate aos fogos a sapadores florestais, de machado e sachola na mão, a abrir clareiras no terreno. «A intensidade do fogo determina como a barreira de terra mineral é criada, seja por maquinaria ou ferramentas manuais», descreve o homem que comandou essas forças durante dez anos, no estado de Victoria.

Os bombeiros tradicionais merecem o reconhecimento da sociedade, mas precisam de ser qualificados. «Devido ao grande respeito do público pelos bombeiros, muitas pessoas pensam que qualquer bombeiro pode suprimir todos os incêndios. Isso é um mito», escreve o perito australiano. Portugal já dispõe de forças especializadas em criar barreiras aos incêndios, para os travar no sítio e no momento adequados, mas precisam de ser reforçadas.

O pior é que o comando das operações no terreno está entregue às personalidades erradas. «Portugal tem pessoas com competências para evitar que os incêndios florestais não atinjam níveis catastróficos», garante Gary Morgan. Mas também denuncia que, muitas vezes, «a pessoa que assume a responsabilidade como Controlador de Incidentes não é competente nem capaz de tomar decisões estratégicas, nem tem uma abordagem voltada para a supressão de incêndios».

É preciso pôr os mais qualificados no comando. E, no terreno, corpos especializados no uso de máquinas de rasto, ferramentas manuais e fogo tático. «Uma parte do dispositivo não pode estar preocupada com casas, nem com pessoas. Se ninguém lhe tirar o alimento, o fogo agradece, passa por aldeias e destrói tudo», lamenta Akli Benali.

terça-feira, 12 de maio de 2026

O Adeus à Árvore da Vida: Ciência revela perda de 300 mil milhões de anos de história botânica


As plantas são a base da maior parte da vida na Terra, mas as Alterações Climáticas e a Crise Ecológica estão a remodelar rapidamente os seus habitats e a aumentar o risco de extinção de formas inesperadas.

Dois estudos recentes, publicados na revista Science no dia 7 de maio de 2026, utilizam modelação evolutiva de larga escala e projeções climáticas de alta resolução para preencher lacunas críticas no nosso conhecimento sobre como a flora global reagirá ao aquecimento do planeta.

O primeiro estudo, de Wang et al., revela um paradoxo preocupante: embora as migrações induzidas pelo clima possam aumentar a riqueza de espécies a nível local (em cerca de 28% da superfície terrestre), este "baralhamento" geográfico não reduz o risco global de extinção. A investigação estima que entre 7% e 16% das mais de 67 mil espécies analisadas correm alto risco até 2100. O dado mais alarmante é que cerca de 80% destas extinções serão causadas pelo desaparecimento absoluto de habitats adequados, e não apenas pela incapacidade das plantas em migrarem. Ou seja, mesmo que as espécies consigam acompanhar a velocidade das alterações climáticas, muitas deixarão de ter um local viável para viver.

Complementando esta visão, o estudo de Forest et al. foca-se na integridade evolutiva, analisando a "árvore da vida" de mais de 335 mil espécies de plantas com flor. Os investigadores concluíram que aproximadamente 21,2% da história evolutiva destas plantas está ameaçada — o que equivale à perda potencial de 307 mil milhões de anos de progressos biológicos únicos. O estudo identifica quase 10 mil espécies prioritárias (conhecidas como espécies EDGE), que são evolutivamente distintas e estão globalmente em perigo. A perda destas linhagens seria catastrófica, pois representam "ramos" únicos da árvore genética que não têm parentes próximos, eliminando potenciais recursos medicinais e características de resiliência que levaram milhões de anos a desenvolver.

Em conjunto, estas investigações demonstram que as estratégias de conservação atuais são insuficientes. Os autores defendem uma mudança de paradigma: não basta proteger áreas aleatórias; é urgente focar os esforços na identificação de refúgios climáticos estáveis e na preservação de linhagens evolutivas insubstituíveis, recorrendo também à expansão de bancos de sementes e, em certos casos, à migração assistida para evitar uma simplificação irreversível da biodiversidade terrestre.

Já em 2014 foi publicado Natural History is Dying, and We Are All the Losers, na revista Scientific American

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Dia Nacional da Cultura Científica


A atribuição do Grande Prémio Nacional Ciência Viva 2025 enche-me de alegria profunda e de imensa gratidão. Recebo este reconhecimento com emoção, porque vem de uma instituição que representa a expressão viva da nossa cultura científica.

A Ciência Viva é uma das histórias mais inspiradoras e bonitas do nosso país. Conseguiu algo que parece simples, mas que é profundamente transformador: aproximar a ciência das pessoas. De todas as pessoas. 

A Ciência Viva não é apenas uma agência; é uma ideia tornada movimento. É uma arquitetura de oportunidades que, ao longo de quase três décadas, fez da ciência uma dimensão quotidiana da vida cívica, chegando a escolas, famílias, museus, autarquias, investigadores, artistas e comunidades locais — sempre com um programa coerente, exigente e, simultaneamente, inclusivo. A sua força reside precisamente na diversidade dos públicos a que chega e na capacidade de renovar continuamente as formas de diálogo entre ciência e sociedade.

Neste dia 24 de novembro, Dia Nacional da Cultura Científica, não posso deixar de evocar Rómulo de Carvalho — mestre da curiosidade, da poesia e do rigor — e recordar as palavras visionárias de Mariano Gago, que descreveu esta data como “um momento privilegiado de equilíbrio, reflexão e ação sobre o papel do conhecimento no nosso futuro”. Essa visão permanece viva na Ciência Viva: na forma como estimula o pensamento crítico, alimenta a imaginação e fortalece uma cidadania que não teme fazer perguntas.

A ciência inspira. Abre janelas. Dá linguagem às perguntas que trazemos dentro. E quando vemos crianças e jovens portugueses aproximarem-se dela com paixão, confiança e vontade de transformar, sentimos que há futuro. Um futuro que nasce do espanto, da coragem de pensar mais longe e da liberdade de imaginar.

A ciência tem este poder raro: despertar, em todas as idades, o impulso de descobrir, experimentar e compreender. Ver crianças e jovens encontrar na ciência não apenas uma paixão, mas também um propósito, é uma das maiores conquistas do nosso país democrático. É a prova de que investir na cultura científica é investir em liberdade, futuro e esperança.

Como bióloga, sinto ainda uma responsabilidade acrescida. Num tempo marcado por desafios ambientais sem precedentes, este prémio recorda-me que comunicar ciência, envolver comunidades e valorizar o conhecimento são atos essenciais de cuidado com a natureza e com o mundo vivo. A transição para uma sociedade que reconhece a sua interdependência ecológica só será possível com mais ciência, mais participação e mais cultura científica.

Por tudo isto, este prémio é, para mim, um estímulo e um compromisso renovado: continuar a contribuir para uma ciência presente, aberta, dialogante e capaz de inspirar mudança.
Muito obrigada.

domingo, 23 de novembro de 2025

Hoje é Dia da Floresta Autóctone. Porém há poucos motivos para festejar

Hoje é Dia da Floresta Autóctone. Porém há poucos motivos para festejar. Se celebramos o “dia da floresta autóctone” com a imagem romântica de florestas antigas, biodiversas e protegidas, a realidade florestal em Portugal torna essa celebração algo ambígua: a maioria das florestas são plantações, privadas, de reflorestação e sem uma gestão unificada ou ecológica profunda.

Há mais motivos para preocupação (incêndios, gestão deficiente, fragmentação) do que para festejo triunfal de uma floresta “autóctone” bem conservada.                                                                      Embora haja sinais de progresso: os programas de reflorestação com espécies autóctones, a certificação e os relatórios recentes mostram que há algum movimento para melhorar a qualidade (não só a quantidade) da floresta.

Segundo o relatório FRA 2025 , estima-se para 2025 uma área florestal de 3,36 milhões de hectares, o que corresponde a cerca de 36,7% do território nacional. 

Isso representa um ligeiro aumento comparado a alguns momentos anteriores, embora haja incerteza: a estimativa baseia-se em tendências, já que o último IFN (Inventário Florestal Nacional) completo disponível é o IFN6, relativo a 2015. 

Por outro lado, a Carta de Uso e Ocupação do Solo (COS) 2023 aponta para uma percentagem de floresta de 31,8% do território continental, o que sugere uma diminuição — embora sejam metodologias diferentes (COS vs IFN). 

Mas os grandes desafios persistem:
1. A predominância de plantações (74% segundo FRA 2025) continua alta, o que significa que muito da floresta não é “autóctone original” nem está em estado natural antigo.

2. A fragmentação da propriedade, com muitos proprietários muito pequenos, limita a coordenação para a gestão sustentável ou preventiva (incêndios, biodiversidade, restauração).

3. A falta de planos de gestão em muitas áreas torna a floresta vulnerável: sem gestão sistemática, mesmo as iniciativas de reflorestação serão fragilizadas (manutenção, crescimento, proteção).

4. A privatização massiva torna difícil ao Estado impor metas de renaturalização ou conversão para espécies autóctones em larga escala, sem incentivos ou regulamentação forte.

5 .Segundo a avaliação da FAO (FRA 2025), cerca de 74% da floresta estimada para 2025 é floresta plantada (2,49 M ha), enquanto apenas ~26% é regeneração natural e menos de 1% é floresta primária (i.e., muito antiga / original). 

Isso reforça a ideia de que, mesmo que muitas formações sejam “autóctones” (espécies locais), grande parte da floresta é resultado de plantações (muito geridas, monoculturas de eucalipto e de Pinus), não remanescentes naturais primários.

6. Propriedade florestal
Continua a haver elevada percentagem de floresta privada: fontes da PEFC afirmam que 84% da floresta é de propriedade privada. 
Segundo o FRA 2025 citado por Florestas , mais de 92% da floresta portuguesa é privada (dado de 2020 usado como base). Só cerca de 2% da floresta é de domínio público (Estado).

A pequena propriedade é ainda muito comum: por exemplo, segundo o ECO, a área média por propriedade florestal em Portugal é de apenas 0,57 hectares, o que dificulta a gestão integrada. 

7. Gestão florestal / planos de gestão
Portugal tem uma das menores percentagens de floresta com plano de gestão de longo prazo na UE. 
Isso significa que, mesmo com propriedade privada dominante, nem toda a floresta é eficazmente “gerida” para prevenir riscos como incêndios, de modo coordenado.

8. Certificação florestal
Quanto à floresta plantada certificada (PEFC), há cerca de 248 mil hectares certificados em Portugal no final de 2022. 
Isso mostra um esforço de parte dos proprietários para uma gestão mais “sustentável” (no sentido de certificação), mas esse número é apenas uma fração da floresta total privada.

9. Incêndios e resiliência da floresta autóctone
Monoculturas de eucaliptos (o eucalipto ocupa cerca de 26,2% da área florestal segundo o PEFC)  e de Pinus, os matos, o desconhecimento das demarcações de territórios rústicos, com muitos proprietários muito pequenos e a falta de limpezas,  continuam a ser um fator crítico.

A solução não está em plantar mais árvores — está em gerir melhor
Plantámos muito nas últimas décadas.
O problema é o que acontece depois: falta manutenção; falta continuidade ecológica, falta criação de solos saudáveis, falta acompanhamento de 3, 5 ou 10 anos, falta gestão para reduzir o risco de incêndio.
O país troca sistematicamente a restauração ecológica por “eventos de plantação”.
É o equivalente florestal às “selfies de voluntariado”.

O que fazer então?
Aqui está um caminho realista — e urgente.
1. Agrupar a gestão da pequena propriedade ZIF, AIGP, condomínios rurais — chamem-lhe o que quiserem. Sem gestão conjunta, nada funciona. Só assim se consegue escala para limpar, planear, prevenir e restaurar.

2. Incentivos sérios para gestão a longo prazo
Precisamos de financiamentos que mantenham a floresta viva, não só plantada: fundo nacional de manutenção, contratos de 5–7 anos para gestão ativa, apoio à condução de povoamentos e criação de descontinuidades.

3. Restaurar floresta autóctone verdadeira
Não basta escolher espécies nativas.
É preciso: restaurar linhas de água, proteger solos, criar bosques contínuos, ligar manchas de habitats, aumentar a idade média da floresta.
A natureza não se reconstrói com eventos: constrói-se com décadas de persistência.

4. Reequilibrar o modelo das plantações industriais
Não se trata de eliminar o eucalipto — mas de o domar: limitar onde pode ser plantado, impedir a continuidade total, obrigar a mosaicos com espécies nativas.

5. Reforçar fiscalização e meios
Uma lei sem fiscalização é só poesia jurídica.
É preciso garantir: cumprimento de planos, gestão mínima obrigatória, controlo de novas plantações ilegais, eliminação de invasoras, recrutar mais técnicos e vigilantes da natureza e criar melhores incentivos 

6. A sociedade civil também tem um papel crucial
Exigir políticas públicas com base em dados, não slogans.
Apoiar projetos de restauração que fazem manutenção, não apenas plantação simbólica.
Aumentar a literacia ecológica (saber distinguir floresta de matagal e de plantação).
Um país que não entende o que é a sua floresta não pode defendê-la.

Conclusão: Celebrar menos, transformar mais
Em vez de celebrar uma floresta autóctone que quase não existe,
talvez seja tempo de trabalhar para que ela exista realmente.
A boa notícia?
Há conhecimento, há técnicos, há soluções e há vontade local.
O que falta é coragem política, coordenação e persistência.
Se queremos que o “Dia da Floresta Autóctone” deixe de ser simbólico e passe a ser real, então é preciso fazer o que nunca fizemos: gerir o território como um todo, com ciência, escala e visão ecológica.
Porque a floresta não precisa de aplausos — precisa de cuidado e de uma política florestal de médio e longo prazo.

Saber mais:

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Gonçalo Ribeiro Telles: “A limpeza das florestas é um mito”

O País está de novo a arder, como acontece todos os verões. O acontecimento é previsível mas não prevenido e os temas são sempre os mesmos: a floresta de eucaliptos e pinheiros, as falhas da proteção civil, a falta de condições de trabalho dos nossos bombeiros. Acrescentamos agora as alterações climáticas, que não merecem alguma atenção pot parte dos poderes políticos. Passaram 22 anos desde que fizemos esta entrevista a Gonçalo Ribeiro Telles, arquiteto paisagista e “pai” do ecologismo português. Não perdeu um pingo de atualidade. Vale a pena voltar a ler as suas palavras e perceber como nada aprendemos com a História, nenhuma lição retiramos dos nossos erros, continuando ano após ano na permissividade da celebração do eucaliptal.

Quais são as causas desta calamidade?

A grande causa é um mau ordenamento do território, ou seja, a florestação extensiva com pinheiros e eucaliptos, de madeira para as celuloses e para a construção civil. O problema foi uma má ideia para o País, a de que Portugal é um país florestal. Lançou-se a ideia de que, tirando 12% de solos férteis, tudo o resto só tem possibilidades económicas em termos de povoamentos florestais industriais.

De onde vem essa ideia?

É uma ideia antiga que começou nos anos 30 com a destruição, também por uma floresta extensiva, das comunidades de montanha do Norte de Portugal, que tinham a sua economia baseada na pecuária. As dificuldades por que passava a agricultura deram origem a que se quisesse transformar grandes áreas do País já são 36% em florestas industriais. Esta campanha transformou a silvicultura, que era a profissão básica, numa profissão de florestal, para dar resposta aos grandes interesses económicos. Houve ainda outra campanha, a do trigo, em que se organizou o País em função desta cultura, que tinha por base o mito da independência de Portugal em pão. Além das terras para o trigo, tudo o resto, num sistema de agricultura economicista, tem que ser floresta, produção de madeira. O resultado está à vista.

Passámos então a ser um País florestal.

Os romanos dividiam o território em três áreas, além da urbe: o ager, que era o campo cultivado intensamente; o saltus, a pastagem, a agricultura menos intensiva; e a silva, a mata de produção de madeira e de protecção. Todo esse ordenamento foi transformado, acabou-se com a silvicultura e começou o culto da floresta, que não temos. Se formos ao campo perguntar onde fica a floresta, eles só conhecem a do Capuchinho Vermelho, porque o que têm na sua terra são matas, matos, etc. No século XIX, o pinheiro bravo veio para responder às necessidades do caminho-de-ferro que estava em lançamento. Mais tarde é que vem a resina, a indústria da madeira e a celulose. O pior é que se transformou o País num território despovoado e que, dadas as características mediterrânicas, arde com as trovoadas secas.

Como deve ser reordenado o território?

O País está completamente desordenado. Por um lado, uma política agrícola que não considera o mosaico mediterrânico, com agricultura, pecuária, regadio e horticultura, os matos, as matas, todo um mosaico interligado e ordenado. Em Mação, por exemplo, aquela população vivia tradicionalmente da agricultura que fazia nos vales e nas naves.

E na serra existiam os matos pastados pelas cabras, pelos bovinos. Dos matos retirava-se o mel, a aguardente de medronho, a caça e as aromáticas. A França, nas zonas de mato, tem uma política de aromáticas de abastecimento da indústria de perfumes. A questão, hoje, é criar uma mata que produza madeira, mas que se integre nos agro-sistemas, uma paisagem sustentada, polivalente e nunca repetir, como já querem, a plantação de eucaliptos e de pinhal. As populações estão fartas disso e devem ser chamadas a depor. E tem que haver duas intenções ecológicas fundamentais: a circulação da água e a circulação de matéria orgânica, aproveitando-a para melhorar as capacidades de retenção da água do solo.

A excessiva divisão do território (em meio milhão de proprietários) dificulta as limpezas florestais?

A limpeza da floresta é um mito. O que se limpa na floresta, a matéria orgânica? E o que se faz à matéria orgânica, deita-se fora, queima-se? Dantes era com essa matéria que se ia mantendo a agricultura em boas condições e melhorando a qualidade dos solos. E, ao mesmo tempo, era mantida a quantidade suficiente na mata para que houvesse uma maior capacidade de retenção da água.

Com a limpeza exaustiva transformámos a mata num espelho e a água corre mais velozmente e menos se retém na mata, portanto mais seco fica o ambiente.

Se as matas estivessem bem limpas ardiam na mesma?

Ardiam na mesma e a capacidade de retenção da água não se dava, passava a haver um sistema torrencial. A limpeza tem que ser entendida como uma operação agrícola. Mas esta floresta monocultural de resinosas e eucaliptos, limpa ou não limpa, não serve para mais nada senão para arder. Aquela floresta vive para não ter gente. Se houvesse lá mais gente aquilo não ardia assim.

Defende uma mata com que tipo de madeiras?

Madeiras para celulose é difícil porque temos agora uma forte concorrência no resto do mundo. Os eucaliptais, para serem mais rentáveis, só poderiam sê-lo no Minho que é onde chove mais de 800 ml ao ano. O eucalipto precisa de muita água e Portugal não pode concorrer com o Brasil e a África em termos de custo. Só se transformarmos o Minho num eucaliptal. Pode-se optar pelas madeiras de qualidade da cultura mediterrânica como todos os carvalhos, o sobreiro, a azinheira e pinhais criteriosamente distribuídos.

Não são tão rentáveis…

O carvalho, por exemplo, acompanha toda uma panóplia de rendimento como a cortiça, a pecuária, a produção do mel, das aromáticas, a caça.

Há uma visão limitada do que pode ser rentável na floresta?

É muito bom para as celuloses e muito mau para as populações e para o País, que está devastado. O mundo rural foi considerado obsoleto, como qualquer coisa que vai desaparecer. Veja-se o disparate que foi a política de diminuição dos ativos na agricultura. Contribuiu para o aumento dos subúrbios, dos bairros de lata, da emigração. Trouxe alguma coisa melhor para a província? Não. Apenas um grande negócio para as celuloses e para os madeireiros.

As populações estão alertadas para essa multiplicidade de culturas?

Completamente alertadas; quem parece que não está são os políticos e os técnicos. Porque se perderam numa floresta de «números». Quem conhece as estatísticas diz que somos o terceiro país da Europa em número absoluto de tratores, só ultrapassados pela Alemanha e pela França. Somos um país de tracto res porque os subsídios dão para isso, porque interessa à importação dessa maquinaria toda. As pessoas foram levadas a investimentos, em nome do progresso, que não tinham qualquer racionalidade.

No caso de se aumentarem as áreas agrícolas, temos agricultores para tratar delas?

Temos. Estão desviados, foram convencidos de que eram uns labregos. Houve toda uma política de desprestígio do mundo rural tendo por base a ideia de que era inferior ao mundo urbano. Despovoámos os campos e essa gente toda veio para a cidade. Hoje, enfrenta o desemprego. Esqueceram-se que o homem do futuro vai ser cada vez mais o homem das duas culturas, da urbana e da rural. Hoje, 30% das pessoas que praticam a agricultura económica na Europa não são agricultores. É gente que vive na cidade, tem lá o seu escritório e tem uma herdade no campo onde vai aos fins-de-semana. A expansão urbana aumenta e não podemos viver sem a agricultura senão morremos à fome.

Que pode fazer o Estado, uma vez que 84% da nossa floresta está nas mãos dos proprietários?

Pode fazer planos integrados de ordenamento da paisagem. O Estado não domina totalmente a expansão urbana quando quer, não faz planos gerais de urbanização? Não se devia poder plantar o que se quer porque também não se pode construir o que se quer. Constrói-se mal porque, às vezes, o Estado adormece. Faltam planos gerais de ordenamento de paisagem, que a actual legislação não contempla, apesar de já ter instituído a Estrutura Ecológica Municipal através do Decreto-Lei 380/99. A Lei de Bases do Ambiente tem os conceitos e os princípios para um plano de ordenamento de paisagem, está lá tudo escrito, mas nunca foram regulamentados.

A actual legislação favorece as monoculturas?

Favorece porque a chamada «modernização» da agricultura é um escândalo de incompetência. As universidades de Agronomia em Portugal tiveram um período de grande pujança intelectual no fim do século XIX e no princípio do século XX. Agora, parece terem-se rendido ao economicismo.

Deve o Estado apoiar com subsídios e benefícios fiscais?

Com certeza. O proprietário está com a corda na garganta, faz aquilo que lhe der dinheiro já para o ano. Por isso, têm que se estabelecer limites e normas a sistemas, não a culturas, mas sem tirar às pessoas a liberdade de correr riscos.

E promover o associativismo florestal, como em Espanha, por exemplo?

Abrimos um bom caminho com as «comunidades urbanas» que estão na forja, pequenas áreas metropolitanas de freguesias e aldeias, acho muito bem. Estamos numa cultura mediterrânica e não se pode traduzir o desenvolvimento em unidades economicistas de produção em grande volume de dois ou três produtos. É da polivalência, da multiplicidade de produtos e da harmonia da paisagem que resulta a possibilidade de ter uma população instalada em condições de dignidade.

Essas comunidades é que deverão fazer a síntese de todos os interesses. Porque quando começamos a destacar os interesses por sector, a visão sistémica desaparece e os interesses da comunidade passam para empresas que ultrapassam as suas fronteiras comprometendo a sustentabilidade da região.

Não defendo que haja um sector agrícola e um sector florestal, para mim é exactamente o mesmo: a agricultura completa a floresta e a floresta completa a agricultura.

O Partido Socialista voltou a falar da regionalização como forma mais eficaz de ordenar o território. Concorda?

Defendi uma regionalização há muito tempo, que deu origem a um documento de que os grandes partidos fizeram muita troça. Dividia o País em cerca de 30 regiões naturais, áreas de paisagem ordenada, que estavam já organizadas histórica e geograficamente.
São as terras de Basto, as terras de Santa Maria, as terras de Sousa, a Bord’água do Tejo, etc. O País é isso e não é outra coisa. Esta regionalização podia contribuir para a efectivação dos planos de ordenação da paisagem, com uma participação democrática das respectivas populações.

O Governo acordou tarde para a calamidade dos incêndios?

Que podia o Governo fazer? O mal vem de longe. Mas não estou seguro de que se vá enveredar agora pelo caminho certo. Já estão a dizer que querem reflorestar tudo como estava. Fico horrorizado quando ouço isso. Significa que querem voltar aos pinheiros e aos eucaliptos. Perguntem às vítimas dos incêndios que ficaram sem as casas se querem outra vez pinheiros à porta. Destruíram as hortas… Porque ardem as casas? Porque o pinheiro está no quintal.

Olhando para o futuro, os incêndios podem constituir uma oportunidade para se reorganizar o território?

Também o terramoto permitiu que o Manuel da Maia, a mando do Marquês de Pombal, fizesse a Baixa lisboeta. Não desejo um terramoto, mas não percam esta oportunidade. O futuro do País e da sua identidade cultural e independência está em causa.

(Entrevista publicada na VISÃO 545, de 14 de Agosto de 2003)

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Mini-florestas: a arma secreta das cidades para combater alterações climáticas


Estas mini-florestas podem tornar-se ecossistemas maduros em apenas 20 anos e atuam como um oásis de biodiversidade – contêm 20 vezes mais espécies e tornam-se 30 vezes mais densas do que as florestas plantadas por métodos convencionais. Este resultado é alcançado com a plantação de entre três a cinco sementes, por metro quadrado, utilizando variedades nativas adaptadas às condições locais, sendo que são plantadas várias espécies – 30 ou mais – de forma a recriar uma floresta natural. O resultado, de acordo com os defensores do método, são ecossistemas complexos perfeitamente adequados às condições locais que melhoram a biodiversidade, crescem rapidamente e absorvem mais CO2.

O método é baseado no trabalho do botânico japonês Akira Miyawaki. Ele descobriu que as áreas protegidas ao redor de templos, santuários e cemitérios no Japão continham uma enorme variedade de vegetação nativa que coexistia para produzir ecossistemas resilientes e diversos. Na Holanda, o grupo de conservação IVN Nature Education ajudou cidades e famílias a plantar 100 florestas deste tipo, desde 2015. É estimado que este número duplique até 2022 e estão a ser reunidos esforços para fazer o mesmo noutros países. Na Bélgica e em França já foram plantadas, pelo menos, 40 mini-florestas. Grupos na Índia e na Amazónia seguiram os mesmos passos.

As florestas urbanas trazem muitos benefícios para as comunidades, além do impacto na biodiversidade. Os espaços verdes ajudam a melhorar a saúde mental das pessoas, reduzem os efeitos nocivos da poluição do ar e ajudam a regular o fenómeno das ondas de calor nas cidades. É o potencial para ajudar a combater as mudanças climáticas que faz das florestas Miyawaki uma opção bastante útil para muitos ambientalistas. Estima-se que florestas novas ou restauradas possam remover até 10 gigatoneladas de CO2 até 2050.

No entanto, diversos grupos de conservação enfatizam que as florestas de Miyawaki não devem ser vistas como uma alternativa para proteger as florestas nativas existentes. Segundo eles, áreas arborizadas pequenas e desconectadas nunca poderão substituir as grandes extensões de florestas que são vitais para a vida de tantas espécies.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

A terapia japonesa dos banhos de floresta (Shinrin-Yoku) que melhora a sua saúde e bem-estar


O Shinrin-yoku, ou "banho de floresta", é uma prática japonesa de bem-estar que consiste em imergir-se na natureza de forma consciente, utilizando todos os cinco sentidos para absorver a atmosfera da floresta. Originada nos anos 80, esta terapia natural visa reduzir o estresse, a pressão arterial e aumentar a imunidade através de passeios tranquilos entre as árvores. 
Principais Benefícios e Prática:
Saúde Mental e Física: Reduz o estresse (cortisol e adrenalina), melhora o humor, o sono e a concentração.
Fortalecimento Imunológico: As árvores libertam fitoncidas, substâncias naturais que, ao serem inaladas, reforçam o sistema imunitário.
Como Praticar: Não se trata de exercício físico, mas sim de caminhar lentamente, sem objetivo definido, respirando o ar puro e apreciando os sons e cheiros da floresta.
Conexão Sensorial: Focar no toque do musgo, no som do vento e na luz entre as folhas ajuda a desconectar da agitação urbana. 

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Forest Bathing - Shinrin-Yoku - Healing in Nature


Forests are known to have great healing properties. As humans, we have evolved in nature. It’s where we feel most comfortable. It has been scientifically proven that when we spend time in nature, our brain behaves differently. It affects how we feel and think, which has a direct impact on our immunity and healing powers.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

The Cure - A Forest


“A Forest”, do The Cure, é uma das canções mais emblemáticas da fase inicial da banda e combina um estilo musical minimalista e sombrio com uma letra aberta a múltiplas interpretações. Musicalmente, a canção se insere no post-punk, com fortes elementos do que viria a ser chamado de rock gótico. A base é construída sobre uma linha de baixo repetitiva e hipnótica, bateria simples e constante e guitarras com poucos acordes e efeitos de delay, criando uma atmosfera fria, tensa e claustrofóbica. A voz de Robert Smith surge quase distante, reforçando o sentimento de isolamento e inquietação.

Quanto ao significado, a letra descreve uma perseguição obsessiva por algo ou alguém que nunca se concretiza, simbolizada pela floresta escura. Esse cenário pode ser interpretado como uma metáfora para a solidão, o desejo não correspondido ou a busca por sentido, onde quanto mais o narrador avança, mais distante fica o objetivo. A ausência de uma conclusão clara intensifica a sensação de perda e frustração. Robert Smith já comentou que a música não foi pensada com um significado literal fechado, mas como a expressão de um estado emocional, especialmente sentimentos de alienação e confusão. Assim, “A Forest” funciona menos como uma narrativa concreta e mais como um retrato sonoro da angústia e do vazio, reforçado pela repetição quase obsessiva da música, que prende o ouvinte num ciclo sem resolução.

sábado, 2 de dezembro de 2006

The Miyawaki Method for Creating Forests



The Miyawaki Method is one of the most effective tree planting methods for creating forest cover quickly on degraded land that has been used for other purposes such as agriculture or construction. It is effective because it is based on natural reforestation principles, i.e. using trees native to the area and replicating natural forest regeneration processes. It has some significant benefits over more traditional forestry methods when used in smaller afforestation projects and is particularly effective in the urban environment. The trees planted by this method grow much faster, jump starting the forest creation process and capturing more carbon. Higher biodiversity has been recorded in Miyawaki forests than in neighbouring woodland, so it’s an ideal method for creating diverse forest ecosystems quickly. Within the context of the current climate change emergency and stark warnings about the global loss of biodiversity, being able to create diverse, healthy forests quickly could prove vital to meeting international targets and tackling these issues.
Two year old Miyawaki Forest. Photo credit: Afforestt
Miyawaki Method principles

The essential principle of the Miyawaki method is using species of trees that would occur naturally in that area and that work together to create a diverse, multi-layered forest community. This creates a resilient and thriving forest ecosystem with species that complement each other, restoring “native forests by native trees”. The selection of species to plant in a given area was originally linked to the theory of potential natural vegetation (PNV), in other words the vegetation that would occur in a specific area without further human interference. Extensive surveys have been carried out globally to determine the PNV across the world (see Hengl et al. 2018 for a summary), although there is fierce debate about the most effective way of defining ‘native’ species. In the UK the PNV is predominantly oak or oak/ash woodland, with beech woodland in the South East of England and boreal pine forest in Scotland. Estuarine and wet woodlands occur in specific habitats, particularly around The Wash and on the Somerset Levels. In spite of the inherent difficulties in defining native species, those that are adapted to local conditions (in the UK oak, willow, birch for example) will fare better and contribute more to increasing biodiversity than more recently introduced species (e.g horse chestnut, plane).

One of the most noticeable differences in a Miyawaki forest is that the seedlings are planted at very high densities. This replicates the regeneration process that occurs in a natural forest when a clearing in the canopy opens up due to a larger tree falling. The saplings grow very fast to compete for the light and then natural selection will favour the fastest growing individuals and act to thin out the trees. The result is a densely packed pioneer forest that grows in 20 to 30 years instead of taking 150 to 200 years. This has obvious benefits for projects that are working to maximise a forest’s carbon sequestration potential or recreate habitat for biodiversity and wildlife.

Afforestt Clifton Park project, Karachi, after planting and 2 years later. Photo credit: Afforestt

The history of the Miyawaki Method
The Miyawaki Method is named after its creator, Akira Miyawaki, a Japanese botanist and plant ecologist who has a particular interest in phytosociology, i.e. how plant species interact with each other within communities. Following the completion of a PhD in plant ecology, Miyawaki went to study with phytosociologist Reinhold Tüxen in Germany, where he learned about the concept of potential natural vegetation. When he returned to Japan and applied the PNV principles to the Japanese landscape, he became interested in the relics of ancient forests found around temples and shrines, known as Chinju-no-mori, sacred groves. These fragments of forest were composed of trees such as Japanese blue oak (Quercus glauca), Japanese chestnut (Castanea crenata) and Sakaki (Cleyera japonica), rather than the coniferous trees such as larch (Larix kaempferi) and Japanese cedar (Cryptomeria japonica), which had been introduced from other areas and dominated local forests. There was also a distinct layering in the forest structure, with slow-growing canopy species, tree layer species, smaller sub-tree layer species, shrubs and ground covering herbs.



When Miyawaki combined these concepts, he developed a new way of planting forests. This was based on the native vegetation that he postulated should be growing in that area, as deduced from PNV studies, and his understanding of how these species would interact and grow to produce a dynamic forest ecosystem. His early field trials showed great promise that this method could dramatically accelerate forest growth and result in a stable and diverse forest ecosystem. Since then Miyawaki forests have been successfully planted on more than 3000 sites globally.

How to plant forest using the Miyawaki Method
  1. Survey local forest fragments and identify PNV tree species that are best suited to the conditions
  2. Determine the forest community structure – identify the main canopy and tree layer species and select companion species based on their compatibility with the key species. This is assessed by looking at local indigenous vegetation and analysis of forest structures elsewhere in the world
  3. Conduct a soil survey to help decide on the type of mulch and soil nutrients required
  4. Collect seeds from local trees to grow seedlings or obtain seedlings of local variants of tree species. There are specific recommendations for how to raise the seedlings including growing them under shaded covers
  5. Apply a mulch made from local materials to protect and nourish the seedlings – this simulates the protection offered by humus / leaf litter in a natural forest
  6. Treat the soil and the seedlings with soil improvers or a mycorrhizal improver
  7. Plant the seedlings randomly and at high density, 20,000 to 30,000 per hectare instead of 1,000 per hectare, with stakes for support
  8. Water regularly and keep the site weed free for the first 2 years
Afforestt St Gobain project after planting and 5 months later. Photo credit: Afforestt

What are the benefits?
  1. Trees in a Miyawaki forest grow up to ten times faster at around a metre per year, reaching a stable multi-layered forest community in 20 to 30 years instead of hundreds of years
  2. The growing trees absorb more carbon in a Miyawaki forest than in a plantation or in standard afforestation projects because they grow more quickly and there are thirty times as many
  3. The Miyawaki method has been successful where other planting projects have failed, such as in arid Mediterranean habitats, due to high survival rates
  4. Native trees thrive in the conditions to which they are adapted and are more resilient to environmental changes
  5. Miyawaki forests have been found to have far higher biodiversity than neighbouring woodland, on average 18 times higher
Applications of the Miyawaki Method
The Miyawaki Method has been used successfully around the world in over 3000 projects and the numbers are now also rising in Europe. The ability to create a dense native forest quickly has made the technique useful for creating urban micro forests, for restoring rainforest and Japanese evergreen broadleaf forests and for planting in arid Mediterranean habitat where other forestry techniques have not been successful. Miyawaki forests have also proven effective when used for a specific purpose, such as providing tsunami protection, stabilising mine dump slopes, as typhoon protection and for carbon sequestration. There has been particular focus on planting Miyawaki forests in urban environments as there are significant benefits to tree planting in towns and cities, and this method maximises the space available. Urban forests reduce local temperatures (-1.3°C in one study), improve air quality by reducing pollutants, sequester carbon, and improve the wellbeing of residents, as well as creating a natural oasis for invertebrates and birds. There remains, however, much scope for research on the Miyawaki method. In particular the carbon sequestration rates could be significantly higher than on forest plantations because of the density both at planting and at the final forest stage.

Miyawaki Forest. Photo credit: Afforestt
Criticism of technique
There has been significant criticism of the concept of Potential Natural Vegetation, although very little of the Miyawaki Method itself. In particular, the idea of using fixed compositions of vegetation has garnered criticism because ecosystems are not static. There is no denying, however, that having a concept of the best adapted vegetation to a particular area can help afforestation projects to create forests that benefit native wildlife. Many research studies still use PNV as a tool to identify potential species that would be expected to occur in an area, whilst also acknowledging its limitations.

The Miyawaki method itself has been criticised for creating forests that look monotonous because the trees are all the same age. However, the diversity inherent in the planting and the biodiversity recorded at the sites demonstrate that a functioning ecosystem has been created, and that the appearance of the forests is more of an aesthetic issue. It is a more expensive method of planting because it requires more seedlings to cover a certain area, but the rapidity of the forest growth and the minimal maintenance required recompense some of that expenditure.

The Miyawaki Method is an effective way of jump starting the creation of a forest or woodland, with considerable benefits for carbon capture and recreating biodiversity. At Creating Tomorrow’s Forests we employ the Miyawaki Method alongside restoration of other habitats such as ponds and meadows, to create diverse, rich forest ecosystems for people and wildlife.

Esta técnica levou a que o seu autor recebesse, em 2006, o Blue Planet Prize, o equivalente ao prémio Nobel na ecologia.

segunda-feira, 22 de agosto de 2005

Não consigo dormir com esta ferida

Acordamos e deitamo-nos com o céu constantemente toldado de nuvens cinzentas em consequência dos inúmeros incêndios nos últimos dias em volta do Porto- Valongo, Paredes, Gondomar e Penafiel...
Todos nós estamos a ver o País de Norte a Sul a arder e outros portugueses estão a viver a angústia de perder os seus haveres....é uma ferida aberta!
À cidade chegam-nos os fumos, uma luz estranha do Sol que não é a luz clara e plena do Verão, o ar fica irrespirável e as cinzas espalham-se pelos jardins,pelos passeios, entram nas nossas casas.
Anos que vivemos sempre esta tragédia, os meios de combate e de prevenção já deviam existir, os cidadãos deviam ser mais sensíveis ao ordenamento territorial e onde está a valorização da floresta???
Mais de 140 mil hectares de mato e de floresta ardidos!!Parques naturais foram atingidos: a Serra da Estrela, o Alvão e novamente os parques da Arrábida e Montesinho.
Srs. Ministros só culpa do calor e da seca???
Impossível ignorar, impossível estar indiferente a este avanço da desertificação e delapidação do património agroflorestal sem apuramento de responsabilidades e uma verdadeira politica florestal.