quarta-feira, 28 de maio de 2025
Cântaros para água sempre fresca
terça-feira, 20 de maio de 2025
No auge da crise
domingo, 26 de novembro de 2023
Monge eremita Santo Antão, o Anacoreta, o Pai de Todos os Monges
terça-feira, 1 de agosto de 2023
Manifesto - Urge Mitigar as Alterações Climáticas Antropogénicas
terça-feira, 23 de maio de 2023
A Bem dos Nossos Descendentes
sexta-feira, 13 de agosto de 2021
Está de Férias? Carlos Fiolhais recomenda-lhe livros de ciência para o Verão
O Verão é tempo de leitura. Sendo um bom tempo para ler qualquer género de literatura, venho recomendar, com breves comentários, alguns livros de divulgação científica saídos recentemente entre nós.
A ordem é alfabética do apelido do autor.
– Bernardo, Luís Miguel. Sobre As Causas do Atraso Científico Português. Uma digressão histórica. UMinho Editora.
Livro de um físico e historiador de ciência, apresentado por mim recentemente em Braga, que disseca em pormenor as razões do nosso menor desenvolvimento. Está acessível gratuitamente na Net.
– Carvalho, A. M. Galopim, As Pedras na Ciência e na Cultura. Âncora.
Uma verdadeira enciclopédia de geologia da autoria do estimado decano dos divulgadores de ciência portugueses.
– Cobb, Mathew. Uma História do Cérebro. O passado e o futuro da neurociência. Temas e Debates / Círculo de Leitores.
Um ensaio, de um psicólogo e geneticista inglês, sobre a história das nossas ideias sobre cérebro, no qual o autor nos conta episódios fascinantes da neurociência, e nos dá, no final, um panorama dos problemas actuais.
– Eagleman, David. O Cérebro em Ação. Nos bastidores do cérebro em constante mudança. Lua de Papel.
Na sequência do seu livro O Cérebro. À descoberta de quem somos (na mesma editora), o autor, neurocientista norte-americano, explica melhor, neste livro, que tem um prefácio meu, o modo como funciona o nosso órgão mais precioso.
– Greene, Brian, Até ao Fim dos Tempos. O Homem, o Universo e a nossa busca pelo sentido da vida. Desassossego.
O físico norte-americano especialista na teoria das supercordas e autor de O Universo Elegante e O Tecido do Cosmos, ambos saídos na Gradiva, fornece-se nos neste livro a sua visão “unificada” do mundo.
– Haskell, David George, As Canções das Árvores. História sobre as grandes redes da natureza. Gradiva.
O autor, biólogo norte-americano nascido no Reino Unido, autor de um outro livro sobre a floresta, que já lhe valeu vários prémios, fala neste livro, também premiado, num tom por vezes poético, da nossa profunda ligação ao mundo das árvores. Tem prefácio de António Bagão Félix.
– Hesse, Boris, Einstein e Lenine em Moscovo. Polémicas filosóficas da ciência soviética, Parsifal.
É bem conhecido o terror estalinista que afectou a ciência: basta pensar em Lysenko. Mas há mais histórias negras desse tempo. Com selecção e introdução do físico Rui Borges, são apresentados textos de um cientista russo pouco conhecido, nascido em 1883, que resistiu aos ataques à “ciência burguesa” e que, preso e executado em 1936, foi das primeiras vítimas de Estaline.
– Klein, Grady e Bauman, Yoram, Introdução ao Cálculo em Banda Desenhada, Gradiva.
A BD pode ser uma maneira leve e divertida de aprender ou consolidar o cálculo infinitesimal. Dos autores, que já tinham publicado na mesma editora Introdução à Economia em Banda Desenhada, o primeiro é cartunista e o segundo define-se como o “primeiro e único economista stand-up do mundo.”
– Moalem, Shäron. A Melhor Metade. Sobre a superioridade genética da mulher. Temas e Debates / Círculo de Leitores
Um médico e escritor canadiano escreve sobre a diferença entre os sexos humanos num livro que é dedicado à “sua melhor metade”. Já sabíamos que as mulheres vivem em média mais tempo do que os homens. Mas ficamos a saber que o facto de terem um cromossoma X em vez de um Y as torna mais fortes. A ler tanto por mulheres como por homens…
– Nurse, Paul. O Que é a Vida? Compreender a vida em 5 lições.
Sir Paul Nurse, Prémio Nobel da Medicina de 2001, ex-presidente da Royal Society e director do Francis Crick Institut em Londres, apresenta, numa obra breve, o fenómeno da vida de um modo assaz pedagógico: sendo tão diferentes, o que é que os seres vivos, dos quais fazemos parte, têm em comum?
– Rees, Martin. Sobre o Futuro. Perspetivas para a Humanidade. Desassossego.
Sir Martin Rees, o astrónomo real inglês, ex-presidente da Royal Society e autor de Para o infinito. Horizontes da ciência (Gradiva), que já visitou Portugal a convite da Fundação Francisco Manuel dos Santos, fala das ameaças que pairam sobre a Terra e sobre o poder e os limites da ciência.
– Roveli, Carlo, Anaximandro de Mileto ou o nascimento do pensamento científico. Edições 70.
O conhecido físico teórico italiano, que em vários livros tem tentado revelar os mistérios do tempo, fala aqui de um dos primeiros filósofos gregos, que ele considera o fundador da ciência, e discorre sobre o pensamento científico. Depois de Anaximandro, começámos a compreender a ciência sem a necessitar dos deuses.
– Simões, Ana e Diogo, Maria Paula (eds. gerais), Ciência, Tecnologia e Medicina na Construção de Portugal, Tinta da China.
Da pena de muitos autores, são quatro volumes que, no seu conjunto, fornecem uma vasta e variada panorâmica da história da ciência em Portugal. Vai ser certamente uma obra de referência. Eu e o David Marçal escrevemos, no último volume, um texto sobre a cultura científica ao longo do século XX.
Boas leituras!
Autor: Carlos Fiolhais é Professor de Física na Universidade de Coimbra
terça-feira, 3 de agosto de 2021
Sal, Palavra Antiga Com Larga Descendência Na Língua Portuguesa
terça-feira, 6 de julho de 2021
Entrevista ao Professor António Galopim de Carvalho
quinta-feira, 10 de junho de 2021
No dia 10 de junho celebra-se em Portugal o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Um pouco de Geologia
sexta-feira, 29 de maio de 2020
Porcelanas
Por Professor Galopim de Carvalho
(Um simples apontamento)
Foi Marco Polo (c. 1254-1324) que a deu a conhecer na Europa, através do material que trouxe de lá, por ocasião da sua viagem ao Oriente. Mas foram os navegadores portugueses do século XVI que, no seu retorno, introduziram a porcelana nos mercados europeus, e foi o eborense Gaspar da Cruz (1520 –1570), um frade da Ordem dos Pregadores que, no seu “Tratado das cousas da China”, descreveu os processos pelos quais se obtinha ali esse tipo de cerâmica.
Quando as primeiras porcelanas chegaram à Europa, foram os italianos que, pela brancura e pelo brilho desta cerâmica, iguais aos da parte da concha envolvente da abertura do búzio "porcellana" (nome vulgar de um gastrópode do género "Cypraea"), lhe deram esse mesmo nome. Abertura que então lhes lembrou a vulva da porca, "porcella" em italiano.
A partir da sua chegada a Portugal e conhecido o modo de fabrico, foram descobertas e seleccionadas importantes jazidas de caulino e aperfeiçoadas as técnicas de produção. Portugal, Espanha, Inglaterra, França e Alemanha progrediram no fabrico de porcelana, chegando, no século XVIII, a atingir o nível de qualidade então reconhecido na China, permitindo uma hábil imitação dos modelos antigos.
Atualmente, a matéria-prima destinada a esta indústria é constituída por caulino, feldspato, quartzo (via de regra, uma areia) e uma pequena porção de argila gorda. Na respectiva pasta cerâmica, o feldspato actua como fundente de alta temperatura, o quartzo forma o esqueleto do produto final e a argila gorda (uma esmectite) confere a plasticidade necessária à citada pasta.
Um parêntese para lembrar que caulino, cujo nome provém de Kao Ling, uma localidade na província de Jiangxi, na China, é uma argila muito branca, praticamente destituída de óxido e hidróxido de ferro, pelo que permanece branca após cozedura. Os ingleses chamam-lhe “China clay”, numa alusão nítida à importância desta matéria-prima no país do Sol Nascente.
As peças de porcelana distinguem-se das dos demais produtos cerâmicos pela sua dureza, brancura, brilho vítreo, impermeabilidade, elevada resistência mecânica e translucidez, características que lhe advêm do facto de serem cozidas e vitrificadas a temperaturas na ordem dos 1300 a 1500 ºC, em ambiente redutor. Por ser um material isento de porosidade, com características semelhantes às do vidro, torna-se bastante higiénico e ideal como loiça de serviço à mesa.
A primeira produção de porcelana na Europa, mais precisamente em Meissen (Mísnia, em português), cidade da Saxónia, teve lugar num tempo em que a alquimia começava a dar lugar à química. Deve-se ao trabalho do químico alemão Johann Friedrich Böttge (1682-1719) que, para tal, utilizou caulino puro. Em 1710 surgiu nesta cidade o embrião da Staatliche Porzellan-Manufaktur, uma das fábricas de porcelana mais prestigiadas. Apesar das tentativas de manter em segredo a respectiva tecnologia, ela acabou por se estender a outras congéneres alemãs e, depois, a toda a Europa, onde ficou conhecida por “porcelana alemã” ou “porcelana de Saxe”.
O fabrico da porcelana em França, em começos do século XVIII, teve início em Sèvres, nos arredores de Paris, em 1756, ganhando nome como “Real Fábrica de Porcelana”, após a tomada de posse por Luís XVI, em 1760, que procedeu à melhoria dos equipamentos. Igualando a qualidade da porcelana alemã, e sob a direcção do químico e mineralogista francês, Alexandre Brongniart (1770-1847), Sèvres tornou-se o maior centro distribuidor deste produto na Europa. Interrompida aquando da Revolução Francesa, ressurgiu como empresa nacional, ao tempo de Napoleão. A “Manufacture National de Sèvres” e o “Musée National de la Céramique” estão, desde 2010, reunidos num único estabelecimento público.
História da Cerâmica em Portugal
FAIANÇAS
(Um simples apontamento)
quinta-feira, 17 de março de 2016
Geopoema, por António Galopim de Carvalho
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| A new subduction zone forming off the coast of Portugal heralds the beginning of a cycle that will see the Atlantic Ocean close as continental Europe moves closer to America. Fonte Geology In Esta notícia refere-se a um artigo publicado online pela revista Geology, em Junho de 2013, Nela se dá conta da descoberta, ao largo da costa de Portugal, de uma possível zona de subducção nas suas primeiríssimas fases de formação. Tal significa que daqui a uns 200 milhões de anos, o Oceano Atlântico poderá vir a desaparecer e que as massas continentais da Eurásia e da Laurência se voltarão a juntar num novo supercontinente. Neste trabalho, assinado por João Duarte, geólogo português a trabalhar na Universidade de Monash, na Austrália, e a sua equipa, juntamente com António Ribeiro e Filipe Rosas, da Universidade de Lisboa, Pedro Terrinha, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, e, ainda, Marc-André Gutcher, da Universidade de Brest (França), são revelados os primeiros indícios de transformação da margem sudoeste ibérica (uma margem passiva, do tipo atlântico) numa margem activa, do tipo pacífico. Há mais de três décadas, em 1979, no 1º Encontro de Geociências, reunido em Lisboa, António Ribeiro, surpreendeu os presentes, ao apresentar a comunicação a que deu o nome de ”Geopoema”. Numa antevisão notável, este geólogo que, já então, se distinguia entre os seus pares pela excelência do trabalho que produzia, anunciava que o Atlântico iria começar a fechar, que, daqui a uns milhões de anos, engoliríamos os Açores e, que, passados mais um ror deles, a Eurásia cavalgaria a América do Norte, imaginando, em jeito de brincadeira, “a estátua do Marquês do Pombal sobre a estátua da Liberdade”. Na imagem: Distribuição dos epicentros dos sismos históricos e instrumentais na envolvente da Península Ibérica (in J. Cabral 1993) Para conhecer mais: |
domingo, 21 de junho de 2015
Minerais e fósseis, “uma e a mesma coisa”
sábado, 24 de março de 2007
Biografias - Galopim de Carvalho
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| Galopim de Carvalho [Ciência Hoje] |
Sopas de Pedra
em co-autoria
Sorumbático
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