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segunda-feira, 17 de março de 2025

O vínculo amargo




Esta curta-metragem de animação, chamada "The Bitter Bond, foi lançada pela Born Free Foundation e denuncia a criação de leões em cativeiro na África do Sul. Porque existem reservas privadas onde são criados para que quem quiser e puder pagar possa ir e disparar.
Não há maior hipocrisia do que a do ser humano.

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Animais homossexuais – Uma questão de irracionalidade?


Para os animais, não há sequer a expetativa do “assumir” da sua orientação sexual, ao contrário dos humanos, pressionados socialmente por essa mesma palavra, como se se tratasse de alguma responsabilidade de notificação da sociedade, satisfazendo uma necessidade mesquinha de julgamento alheio. Eles são simplesmente aquilo que são, sem qualquer dilema moral ou complicação a nível social
No passado 17 de maio, celebrou-se o Dia Internacional de Luta contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia, tendo sido alcançados 32 anos da remoção da homossexualidade enquanto doença classificada da Organização Mundial de Saúde. Este momento de celebração recordou-me, que pela altura do meu nascimento, o estigma social dirigido a homossexuais – e “por defeito” a todas as pessoas que hoje se identificam enquanto LGBTQI+ – era ainda promovido pela referida entidade.

Tudo isto me reavivou memórias de várias conversas e discussões, quer em ambiente escolar, quer em convívio entre amigos, conhecidos ou familiares. Naturalmente, inúmeros disparates – baseados em preconceitos ou pura ignorância – são proferidos em catadupa quando tratamos estes temas, que gostamos de afirmar como sendo “fraturantes”. A partir de algumas dessas considerações decidi escrever este artigo, sobre o qual vos convido a refletirem.

Há alguns anos, apanhei-me numa discussão com amigos e conhecidos. Entre imperiais, debatia-se a expressão “escolha”, no que respeita à orientação sexual de uma pessoa. Comecei por expor que a orientação sexual não seria uma escolha, mas que independentemente da mesma, determinado indivíduo poderia escolher ter uma relação homossexual por qualquer motivo que lhe aprouvesse. A conversa foi então desbravando caminho até ao ponto em que alguém afirmou: “escolha ou não, comportamentos homossexuais não são naturais”. Perante esta afirmação, retorqui: “Quer comportamentos homossexuais, quer orientação homossexual, são algo de natural. Na medida em que existem transversalmente na natureza, não são um fenómeno exclusivo dos humanos.”

De facto, independentemente de se tratarem de animais gregários ou solitários, a homossexualidade e comportamentos homossexuais estão descritos em variadas espécies do Reino Animal, desde besouros a chimpanzés bonobo, ou até mesmo em golfinhos e elefantes. Já em 1999, Bruce Bagemihl, na obra intitulada “Biological Exuberance: Animal Homosexuality and Natural Diversity” (Exuberância Biológica: Homossexualidade Animal e Diversidade Natural – tradução livre), descreve a prevalência de comportamento e/ou orientação homossexual como praticamente universal no reino animal, tendo sido observada em mais de 1500 espécies de animais, com sólida documentação em mais de 450 das mesmas. Portanto, é no mínimo algo de frequente e comum entre as diferentes espécies animais.

Após ser escutado com alguma atenção, reparei num revirar de olhos e sorriso condescendente da parte de alguém, acabando por me dizer: “Mas os outros animais são irracionais. Nós, seres humanos, somos racionais”.

Confesso que ainda hoje preciso de respirar fundo sempre que ouço aquela frase, seja naquele contexto, seja noutro qualquer. O que me incomoda mais, na verdade, é a forma e não tanto o conteúdo, pois trata-se sempre de uma “declaração”, como se não houvesse qualquer espaço para uma teoria ou proposta diferente. Efetivamente, é um lugar comum abordarmos o tema da racionalidade enquanto domínio exclusivo dos humanos, até mesmo por pessoas altamente letradas. É uma questão cultural que acredito estar intimamente relacionada com crenças religiosas, mais concretamente com as que assentam parte da sua construção dogmática no antigo testamento. Ora, segundo a Bíblia Sagrada (Génesis), Deus terá criado a Árvore da Vida e a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, no jardim do Éden. Ao “homem” era permitido alimentar-se de todas as árvores, com excepção da sagrada Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal.

Não querendo ser muito exaustivo e também por se tratar de uma história sobejamente conhecida, em suma, Eva cedeu à tentação quando se deixou encantar pelo discurso de uma serpente, seduzindo Adão seguir-lhe o gesto.

Deixando para segundo plano a trama bíblica, além das consequências reais mais óbvias destes escritos – a culpabilização crónica da mulher e a demonização das serpentes – vale a pena debruçarmo-nos sobre a consequência exclusivamente associada ao consumo do fruto proibido. Ou seja, Adão e Eva acederam à fonte do conhecimento, apercebendo-se automaticamente da sua condição de nudez e ganhando a noção de vergonha. Por simples que possa parecer, este é o momento chave, ditado biblicamente, que nos torna seres racionais, ao invés dos restantes animais criados por Deus e que nunca provaram daquele fruto.

À parte destas crenças, não há fundamentos científicos para afirmar a irracionalidade das restantes espécies animais, fazendo com que esse argumento, associado à sua potencial expressão homossexual, seja inválido, pura e simplesmente. Os animais podem exibir comportamentos homossexuais tanto pela sua orientação, como pela simples procura de prazer, ou até mesmo em busca de vantagens sociais.

Quando me perguntam se acredito não haver diferenças entre nós e as restantes espécies, reconheço que evoluímos no sentido da elaboração de sociedades, da definição de regras e da criação de instituições, procurando garantir a prosperidade da nossa espécie. No entanto, perdemos a simplicidade que caracteriza as pequenas comunidades de animais, onde coisas como a orientação sexual são simplesmente irrelevantes, não por irracionalidade, mas sim por racionalidade. Para os animais, não há sequer a expetativa do “assumir” da sua orientação sexual, ao contrário dos humanos, pressionados socialmente por essa mesma palavra, como se se tratasse de alguma responsabilidade de notificação da sociedade, satisfazendo uma necessidade mesquinha de julgamento alheio. Eles são simplesmente aquilo que são, sem qualquer dilema moral ou complicação a nível social.

Enfim, talvez possamos aprender algo com os ditos “irracionais”…

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Almodôvar vai ter um hotel e um safari com animais da savana de África




Em 2018, após uma reunião com a Câmara Municipal de Almodôvar, tornou-se público o desejo que a empresa angolana Africa Land: Turismo e Natureza, gerida por Paulo Catalo, tinha em inaugurar um parque zoológico e um enorme hotel no município. Três anos depois, o sonho começa a passar do papel para a realidade, graças a um investimento de dois milhões de euros.

A 23 de dezembro foi disponibilizada a consulta pública deste novo projeto, que pode ser vista até 3 de fevereiro, adiantando a vontade da empresa em “recriar o ambiente dos Safari que se realizam em África, contemplando um conjunto de exemplares de animais típicos da savana africana, felinos e herbívoros (21 exemplares de carnívoros e 65 exemplares de herbívoros), que servem como referencial da conservação da vida animal aliada às vertentes de educação e investigação.”

Com esta abertura pode-se começar a questionar a segurança dos animais que ali estarão, mas a Africa Land antecipa-se a esta preocupação: “O espaço foi concebido e dimensionado tendo em conta o bem-estar dos animais, no sentido de lhes serem proporcionadas as melhores condições, tão próximas quanto possível dos seus ecossistemas naturais.”

O Africa Safari Park — Almodôvar vai nascer na propriedade da Herdade da Camacha, localizada a cerca de sete quilómetros da vila de Almodôvar.

Segundo os planos da empresa, o novo safari assentará em três pilares cruciais: conservação, para chamar a atenção da sociedade para as questões da sustentabilidade e proteção da biodiversidade; educação, onde visam desenvolver um projeto de formação e divulgação dos temas relacionados com a sobrevivência das espécies que lá estarão presentes e investigação, graças à criação de um espaço onde este pilar terá um papel de extrema relevância na procura de soluções para os problemas e ameaças crescentes a estes ecossistemas, a sua diversidade e riqueza.

Nos primórdios do projeto, os felinos ficariam localizados na zona norte, mas à medida que o tempo foi passando, acharam que era melhor passá-los para a área sul do recinto, após um parecer do Instituto da Conservação da Natureza e Departamento de Conservação da Natureza e Florestas do Alentejo. O projeto passou, ainda, a incluir uma faixa de proteção à ribeira de Oeiras, vedada à circulação de animais, e foram delimitadas áreas vedadas para a circulação dos animais para proteção de núcleos relevantes de regeneração de azinheiras.

Com uma área total de 147,67 hectares, o Africa Safari Park — Almodôvar estará dividido em três zonas diferentes. A primeira é a portaria, constituída pela entrada principal do empreendimento, uma área de estacionamento principal, um abrigo de veículos transfer, a área reservada aos contentores para deposição de resíduos sólidos urbanos e um portão de acesso à via de serviço/via de segurança do parque.

O Africa Safari Lodge, o estabelecimento hoteleiro de cinco estrelas, é descrito como sendo a zona dois, e inclui um edifício central e 32 unidades de alojamento com 72 camas e capacidade para 108 hóspedes. Além disso, quem lá pernoitar poderá desfrutar de um spa, piscina exterior, restaurante, bar e uma sala para eventos e conferências. A visita ao safari funcionará mediante uma reserva prévia, dando-se prioridade a todos os visitantes que ficarem alojados no hotel.

Já o tão aguardado zoo, que se estende por 141 hectares, terá as áreas de herbívoros e de carnívoros, edifícios de apoio, área técnica, quarentena e centro de interpretação. Ao vermos o documento é possível verificarmos alguns animais que farão parte da savana, caso tudo corra conforme planeado: elands, palancas, oryxs, kudos, hartebeests, leões, girafas, linces-ibéricos, caracais, chitas, tigres, zebras, entre vários outros.

As visitas ao parque serão feitas em veículos todo-terreno, que terão capacidade para nove ou 12 passageiros. Ainda não há data de abertura, mas a empresa responsável já estima que, diariamente, terão aproximadamente 200 visitas (cerca de 5160 por mês e 54810 por ano). Este novo espaço planeia criar 18 postos de emprego permanentes em Almodôvar. O hotel deverá empregar outros 40 funcionários. Totalizará quatro por cento dos empregos na freguesia de Almodôvar.

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Chitas e leões à beira da extinção.

                                  

Lions and cheetahs are closer to extinction than the authoritative Red List of Threatened Species suggests, according to conservation scientists who warn that sharp drops in populations could be going undetected.

Africa's marquee big cats are currently listed as "vulnerable", but with declines in lion numbers close to the threshold for a higher risk category and heated debate over how many cheetahs are actually left in the wild, experts are asking if this is enough.

An "uplisting" does not guarantee protection, they say, but it would more accurately reflect their dire situation and could channel resources to help them survive in the wild, where they are most recently menaced by poaching and the pet trade.

The stone lions guarding Beijing's Forbidden City, the bronze ones at Admiral Nelson's feet on Trafalgar Square, the constellation Leo and the emblems of a score of top European football clubs all attest to the cultural significance of these majestic creatures.

But as apex predators, they are also lynchpins in their ecosystems -- as South African conservationist Paul Funston puts it, the "big daddy holding a lot of things in place."

For half a century, the International Union for the Conservation of Nature (IUCN) Red List has classified species along a spectrum from "least concern" and "near threatened" to "vulnerable", "endangered", "critically endangered" and "extinct in the wild".

Broadly, if at least half the population of a species is lost within three generations, it moves to a more threatened category.

Last stop on the slide to oblivion is "extinct".

Threatened status can trigger national protective measures, restrictions in international trade and funding from states or NGOs.

Lions and cheetahs were both reconfirmed as "vulnerable" in 2014 and are unlikely to change category in a Red List update at the IUCN congress in Marseille, from Friday.

But some experts want the IUCN to go further.

"Cheetahs should be classified as 'endangered'," Sarah Durant, an expert on cheetahs and a member of the IUCN's cat specialist group, told AFP via Zoom.

Following the 2014 assessment, to which she contributed, Durant and another 50 conservation experts made that case in a peer-reviewed study.

One-size-fits-all criteria applied by the IUCN, they argued, do not do justice to all species.

- Catastrophic declines -

Overall, the cheetah's global numbers were estimated to have dropped about 30 percent to roughly 7,000 over the space of three generations, or 15 years.

To put that in perspective, the ratio of people to cheetahs on Earth is roughly a million-to-one.

While steep, the decline was still well short of the 50-percent threshold for an uplisting to "endangered".

But that assessment is likely over-optimistic, scientists say, because the data comes overwhelmingly from protected areas, such as national parks and game reserves, even though that is not where most cheetahs are found.

About three-quarters of the big cat's range -- and an estimated two-thirds of its population -- is in unprotected zones where the solitary feline must contend with scarce prey, fragmented habitat and deadly encounters with pastoralists defending their livestock.

"We're measuring population decline in the area where they're actually doing best," Durant said.

More long-term, the picture is even bleaker.

The cheetah was once a top predator across most of Africa, the Middle East, central Asia and India, but today it occupies only a sliver -- less than 10 percent -- of its historic range.

And since 1900, their numbers have dropped by more than 90 percent.

"These are catastrophic declines," said Durant, a professor in conservation science at the Zoological Society of London.

Lions have not fared better, even if their population in the wild exceeds 20,000, said Funston, senior director of the lion programme at conservation NGO Panthera.

In the 2014 assessment, to which he contributed, their global population was found to have dropped by 43 percent over three generations -- 21 years -- missing a reclassification threshold by a whisker.

- Hunted -

Unlike cheetahs, lions live in groups, or prides, and almost exclusively within protected areas.

But that doesn't mean they are always easy to locate.

"Every time we go and look in any real detail, we find that there are fewer lions than we thought, typically three, four, even ten-fold fewer," Funston told AFP.

In 2017, Funston led an intensive survey of two large national parks in southeastern Angola where conservation authorities had put the population at about 1,000.


"Actual numbers were so low we couldn't derive a proper scientific estimate," he said.

"We concluded that there were 10 to 30 lions left."

The top driver of lion decline is industrial-scale bush-meat poaching, either of the lions themselves or their prey.

Trophy hunting, habitat loss and conflict with humans also menace the animals.

- 'Influencer' effect -

Since 2014, new threats have emerged.

"Particularly in southern Africa, we are suddenly seeing an increase in the poaching of lions for body parts" -- especially teeth, claws and bones -- to supply a booming market in Southeast Asia and China for bogus health and virility elixirs, Funston said.

This illegal traffic has been spurred on by South Africa's decade-old and controversial commercial captive lion-breeding industry, according to a recent report he co-authored.

From 2011 to 2019, poaching for body parts -- evident from the dismembered carcasses left behind -- accounted for more than 60 percent of all lion mortality within Limpopo National Park in Mozambique, with a clear increase from 2014 onwards.

For cheetahs, the new threat comes from the Gulf states, where a demand for pets has fuelled a brisk trade in cubs, especially from the horn of Africa, where a sub-species teeters on the brink of extinction.

Social networks are driving a demand for live big cats as well.

"Influencers are flying out of Dubai to get photographed with a cheetah or lion to boost Instagram traffic," Durant said, highlighting a recent expose by the website Bellingcat.

One key to protection is investment.

In central and western Africa, spending is only about $50-$100 annually per square kilometre, according to Funston.

Little wonder, he said, that both regions have lost more than 90 percent of their large wildlife.

In southern Africa however, where lion populations have gone up, $500 to $800 is invested annually per square kilometre.

Craig Hilton-Taylor, who heads the IUCN's Red List Unit, defended its classification process as "robust" and said experts looked at a full range of issues.

But he acknowledged that without the efforts of southern African countries, "the lion would have been uplisted from 'vulnerable' to 'endangered'."

"If the experts do the assessment again, and project forward rather than just looking in the past, they might be able to get it over the threshold," he told AFP.

Fonte e mais imagens aqui

sábado, 24 de outubro de 2020

A UE deve combater o colapso da biodiversidade



Tradução de Ana Pacheco
Original
The EU Must Fight the Collapse of Biodiversity
Os trabalhos de Charles Darwin sobre biologia evolutiva, com a aplicação do principio da selecção natural: “sobrevivência do mais apto” inspiraram uma série de ideologias e actividades humanas que vão desde o fascínio fascista pela eugenia e pureza de raça, ao desenvolvimento de organismos geneticamente modificados na agricultura e à economia “Laissez-faire”.
A mentalidade da sobrevivência do mais apto continua muito viva na geopolítica de hoje. A centralização de poder foi racionalizada, como um meio natural de segurança, que, por sua vez, exige competição por recursos e ideologias opostas.
Actualmente, as ilhas Galápagos, um ecossistema com elevada biodiversidade, onde Darwin efectuou a sua pesquisa, sofrem com a sobrepesca das frotas pesqueiras chinesas que saqueiam as áreas marinhas ao seu redor, numa flagrante demonstração de poder. Com esta actuação, a China contribui para a destruição do oceano, que abriga espécies criticamente importantes, como os tubarões-martelo, alterando toda uma cadeia alimentar onde a humanidade se inclui.
Este exemplo não é apenas um evento isolado. Na verdade, a destruição da biodiversidade passou a ser a norma. Os humanos causaram o desaparecimento de 83% dos mamíferos selvagens, e 50% das plantas, nas últimas quatro décadas. Acresce que, ainda mais impressionante, o último relatório da Plataforma Intergovernamental para a Biodiversidade e Ecossistemas (IPBES) anunciou que teve início a sexta extinção em massa do planeta. Como mostra a revisão de Dasgupta, esta extinção está directamente relacionada com a aceleração da globalização económica actual.
De salientar que uma extinção em massa não se limitaria aos reinos vegetal e animal. Como humanos é fundamental que entendamos a nossa pertença e interdependência à natureza, se quisermos salvar a humanidade da fome, do colapso civilizacional e da extinção.

Porquê que a biodiversidade é importante?

Biodiversidade é vida.
A maioria das pessoas demonstra um grande desconhecimento acerca da biodiversidade que os rodeia: que uma complexa ligação de plantas e insectos acarreta a polinização das plantas, que por sua vez produz alimentos. Espécies chave – animais que têm um papel central em determinados ecossistemas, como os castores que projectam paisagens, regulam fluxos de água e contribuem para a filtração da mesma. O fitoplâncton e a vegetação marinha e terrestre usam o dióxido de carbono para a produção de oxigénio. Certas espécies de animais e plantas que participam na despoluição de solos, enquanto outras o descompactam, permitindo o estabelecimento de vida. Os mangais que protegem os litorais de inundações e tempestades devastadoras, ao mesmo tempo que alimentam a vida marinha.
Individualmente, as espécies desempenham funções cruciais no solo, subsolo, nas profundezas oceânicas e em diversas paisagens terrestres. Juntas, cada espécie complementa outras, colaborando de forma interdependente para o benefício comum dentro dos ecossistemas e entre ecossistemas. Em suma, a biodiversidade é a base da resiliência ecossistémica, que é essencial para combater as mudanças climáticas.
A biodiversidade é essencialmente uma arte e ciência da natureza. É informação em movimento e inteligência dos modelos, cores, formas, texturas, cheiros e aprendizagem. É a própria evolução, e nós fazemos parte dela. As culturas humanas costumam emanar de bio-regiões, resultando em diferentes hábitos alimentares, arquitecturas e negócios económicos. O termo francês “terroir” integra este conceito na perfeição: a cultura que exerce a sua força sobre os ecossistemas, criando uma economia e pessoas resilientes.

A Visão Global da Biodiversidade
Contudo, dois fenómenos interligados estão a enfraquecer as culturas humanas e a biodiversidade natural. Primeiro, a globalização económica que favorece as economias de escala em relação à produção tradicional. Para tal, contribuem os fortes benefícios macroeconómicos, que produzem efeitos colaterais: padronização, uma vez que, os humanos precisam de forma crescente de solo para as suas monoculturas, e urbanização, dependente da forma como a economia desenvolve os sectores industriais e de serviços. Como resultado temos a invasão exponencial humana dos habitats naturais.
O segundo fenómeno é a uniformização das técnicas agrícolas de cultivo. Estas aumentaram significativamente após a Segunda Guerra Mundial e com a Revolução Verde (na qual os países em desenvolvimento começaram a usar pesticidas e culturas de elevado rendimento), assim como, o uso de poluentes e combustíveis fósseis. Como consequência, este comportamento acarretou um ataque aos solos e à água das quais a biodiversidade depende. Com o tempo, esta uniformização enfraqueceu a saúde dos ecossistemas em todo o mundo, degradando a sua capacidade de armazenar carbono, água e vida. Para os humanos, isto significa que a água está poluída e que as cadeias alimentares estão contaminadas. Como resultado, os alimentos são menos nutritivos, porque os solos perderam nutrientes que a biodiversidade produz.
Além destes fenómenos decorrentes do crescimento económico e das estratégias de desenvolvimento, a biodiversidade passou a ser um objecto directo de consumo. Como as espécies-chave, exemplo dos tigres, leões e elefantes, que são cada vez mais raras, também é mais lucrativo caçar. Em 2014, a Interpol alertou que o tráfico de animais selvagens se tornou a quarta actividade mais lucrativa em todo mundo – correspondendo a cerca de 15 mil milhões de euros anuais em receitas. Este sector ilegal combina altos níveis de violência com corrupção, resultando em abusos sistémicos dos direitos humanos de defensores ambientais e comunidade indígenas. Em 2017, cerca de quatro defensores ambientais foram mortos por semana. Com eles, o conhecimento precioso para redesenhar de forma sustentável os habitats humanos foi perdido.
Todas estas questões estão intrinsecamente ligadas a níveis crescentes de desigualdade económica. Na verdade, a desigualdade realmente prevê a perda de biodiversidade. Este é um aviso severo: a padronização económica não apenas despojou os ecossistemas da sua vitalidade, como também despojou as comunidades humanas da sua capacidade de administrar a natureza e contribuir para a sua complexidade. Para ilustrar, os acordos de livre comércio entre a Europa e os países latino-americanos promovem produções em grande escala que invadem os ecossistemas locais e os meios de subsistência tradicionais. Isso reduz os preços das culturas tradicionais e empurra os agricultores para a pobreza, ao mesmo tempo que estimula a dependência económica de aportes agroquímicos. Na verdade, não há nada de gratuito ou libertador neste tipo de actuação.
O resultado? Desintegração social e ecológica. Quanto mais a política falha em reconhecer os fundamentos aberrantes sobre os quais se sustenta, mais rápido irá gerar conflito a várias escalas.

Qual o papel da União Europeia neste contexto?
Para que a UE tenha sucesso na luta concomitante contra as alterações climáticas e o colapso da biodiversidade, deve abordar os fatores fundamentais da desintegração ecológica. O Acordo Verde da UE é um passo significativo na direção certa. Ainda está em fase de desenvolvimento estratégico, para o qual o setor de política externa deve contribuir de forma proactiva e construtiva. Algumas áreas já precisam de mais atenção e maior priorização.
A biodiversidade, a economia circular e as estratégias do campo à mesa devem ser apoiadas pela reforma de antigos mecanismos como a Política Agrícola Comum (PAC), que em seu estado actual mina a credibilidade do Acordo Verde quer na Europa, quer nos restantes países fora da Europa. A PAC na Europa é o principal motor da perda de biodiversidade e um dos principais contribuintes para as emissões de dióxido de carbono. O próximo quadro financeiro plurianual deve fornecer incentivos robustos para mudanças sistémicas em direção a abordagens agroecológicas e restauração de ecossistemas.
Acresce que, a PAC incentiva a concorrência desleal com parceiros em todo o mundo, incluindo países da África Ocidental. Em Burkina Faso, a PAC pode diminuir a contribuição dos meios de subsistência tradicionais para a economia nacional e criar pobreza desnecessária, pois os produtos europeus subsidiados inundam os mercados e automaticamente excluem os produtores de leite, por exemplo. Na melhor das hipóteses, a UE é uma celebração da diversidade em todas as suas formas. Portanto, deve também celebrar as paisagens produtivas da biodiversidade como um marco político em seus investimentos internos e externos.
Num mundo onde a competição geopolítica leva países e povos a saquear a natureza, é essencial que a UE construa a sua reputação como parceiro de política externa, que apoia novos contratos socio-ecológicos a nível mundial. Devemos mapear e reconhecer as interdependências ecológicas que regulam o nosso planeta, e então governar de acordo com elas. Devemos alinhar políticas, investimentos e projetos com a gestão social e económica da natureza. A UE deve investigar como conceber a sua política externa de forma a preservar, regenerar e institucionalizar a saúde dos ecossistemas locais ao longo dos seus compromissos diplomáticos. Assumir este compromisso também implica habilitar ou incentivar os sistemas sociais e políticos a assumirem uma função de administração do seu ambiente natural, por exemplo, fortalecendo os direitos humanos e ambientais em conjunto.
A UE também deve contribuir urgentemente para tornar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) das Nações Unidas mais coesos em questões ambientais. Um estudo recente demonstra que as metas ambientais dos ODS não preservam a biodiversidade. Em vez disso, distorcem os dados em direção a indicadores socioeconômicos que promovem o progresso em detrimento da natureza. O financiamento de desenvolvimento da Europa deve resolver esse problema.
Finalmente, dentro do Acordo Verde, a UE deve ser extremamente cuidadosa para não comparar o clima com as metas ambientais. É cada vez mais claro que a tecnologia digital europeia e as ambições verdes dependem das atividades de mineração que terão efeitos negativos nos principais ecossistemas que regulam o clima. A menos que a UE invista em maior pesquisa e desenvolvimento de novas baterias, a demanda industrial e popular por extração mineral levará rapidamente a UE a ultrapassar as fronteiras planetárias - limites naturais essenciais cuja extensão levaria a danos dramáticos e irremediáveis a uma escala global.

domingo, 20 de maio de 2018

Leões criados para morrer: o comércio de ossos de leão entre a África do Sul e a China



África do Sul é o maior exportador legal do mundo de ossos e esqueletos de leão. Entre 2008 e 2015, o Departamento de Assuntos Ambientais sul-africano (DEA) concedeu licenças para a exportação de mais de 5360 esqueletos de leões, sendo que quase 98% deles tiveram como destino países asiáticos.

“Existem quase 8000 leões a definhar em mais de 200 instalações de reprodução na África do Sul. Estes animais são criados cinicamente com o único propósito de gerarem dinheiro”, disse Will Travers, presidente e cofundador da Born Free Foundation, cujo relatório salienta o papel do governo da África do Sul no comércio de partes de leão. 


“Os turistas impulsionam involuntariamente esta indústria desprezível ao participarem em atividades como passear com leões e acariciar crias, ao mesmo tempo que os voluntários criam os filhotes de leão sem suspeitas, acreditando erradamente que os animais vão ser libertados na natureza. Quando atingem a idade adulta, muitos destes animais são transferidos para estabelecimentos de caça para que sejam mortos em espaços cercados por ‘caçadores desportivos’. Os seus ossos são depois vendidos num comércio internacional sancionado pelo governo sul-africano”, explicou. 


Em 2017, a ministra do Ambiente, Edna Molewa, aprovou uma quota de exportação anual de 800 esqueletos de leões criados em cativeiro. Esta medida foi criticada por muitos conservacionistas e organizações. “Os lucros estão a ser colocados à frente da gestão saudável e ética da vida selvagem”, acusou o novo relatório da Born Free Foundation. 

“A cruel realidade é que os emblemáticos leões da África do Sul são comercializados a uma escala industrial para satisfazerem a procura insaciável da China pelos seus ossos”, disse Ian Michler, membro da equipa por trás do documentário Blood Lions (“Leões de Sangue”).


Foto: Ian Michler/Blood Lions
Qual é a obsessão da China e do Vietname com estes ossos?

Os comerciantes asiáticos começaram a interessar-se pelos leões africanos após o declínio drástico verificado nos números de tigres na natureza, cujas partes corporais são usadas na medicina tradicional chinesa há mais de 1000 anos. Os ossos destes grandes felinos são transformados em pó e depois usados em comprimidos, emplastros e em diversas preparações medicinais. 

A coroa vai, no entanto, para o vinho de osso de tigre, que a medicina tradicional chinesa apregoa como uma cura para diversos problemas de saúde, incluindo úlceras, cãibras, reumatismo, malária e impotência. Para o seu fabrico, os ossos são mergulhados em vinho de arroz. Quantos mais anos for deixado em amadurecimento, mais elevado será o preço da garrafa. 

Apesar da ausência de provas científicas que corroborem as suas supostas propriedades curativas, esta bebida é muito popular e os seus produtores estão agora a usar ossos de leão para substituir os outrora fornecidos pelos tigres. 


O esqueleto de um tigre mergulhado em vinho de arroz na China | Foto: International Tiger Coalition

“Não há qualquer dúvida de que a procura por ossos de tigre contribuiu para a quase dizimação das populações de tigres selvagens e há uma profunda preocupação de que a substituição pelos ossos de leão nesta cadeia de fornecimento possa acelerar o declínio das populações de leões selvagens”, declarou a equipa do Blood Lions. 


O relatório revela as próprias dúvidas do DEA relativamente à criação de leões em cativeiro. “O próprio DEA reconhece que apenas tem uma compreensão limitada da estrutura económica da criação de leões e do comércio de ossos e também de que não possui informação científica que prove que a indústria tem qualquer valor a nível da conservação da espécie. Vários grupos de conservação e cientistas também fizeram notar que não existe um sistema independente de monitorização do bem-estar dentro da indústria”, diz o estudo. 

Segundo a Sociedade para a Prevenção de Crueldade contra Animais (SPCA), terão sido mortos mais de 50 leões em apenas dois dias numa quinta na província sul-africana do Estado Livre, durante a última semana de abril. Os inspetores da SPCA, que vão apresentar uma denúncia formal, disseram ter-se deparado com uma cena “deplorável” na quinta, que descreveram como um “matadouro de leões”.

“Foi terrível. Para mim, o leão é um animal imponente, majestoso. E aqui está ele a ser esquartejado por pessoas só para ganharem dinheiro. É absolutamente repugnante”, disse Reinet Meyer, inspetora da SPCA.

O relatório da Born Free Foundation também chama a atenção para a relação entre a exportação de troféus e produtos de leões criados em cativeiro e o tráfico ilegal de outros produtos de vida selvagem e concluiu que, se o país quiser mostrar que se importa com a segurança da sua vida selvagem, assim como com a do resto do mundo, “são necessárias medidas urgentes para acabar com a criação de leões em cativeiro, a 'canned hunting' [caça desportiva num espaço cercado] e a venda dos ossos e esqueletos destes animais”.

Fonte: Uniplanet

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

"#Unchainemee"- campanha internacional para abolir o uso de Animais no Circo



Cada Animal Preso no Circo tem uma Cara” é o início de uma campanha internacional de ajuda ao resgate de todos os Animais domésticos e selvagens que trabalham ainda em Circos por todo o mundo.

Por todo o mundo há cada vez mais países a abolir o uso de Animais no Circo, devido ao importante e eficaz trabalho de Associações de defesa de direitos dos Animais.

Muitas organizações dedicam-se também ao resgate, reabilitação física e psicológica e transferência destes Animais para santuários onde possam viver uma vida sem encarceramento nem exploração.

Para apoiar este trabalho um grupo de cidadãos da área das artes e espectáculo juntou-se para criar 12 filmes que mostram a vida de escravidão que todos os animais, sejam eles domésticos ou selvagens, continuam a viver no Circo. Além da questão moral de fundo -- não temos o direito de explorar e manter ninguém em cativeiro para nossa diversão.

Em Portugal, participam neste projecto as muito conceituadas actrizes e actores: RITA BLANCO, ADRIANO LUZ, MARIA JOÃO LUÍS, JOÃO LAGARTO, CARLA BOLITO, FILIPE DUARTE, ANA BRANDÃO, RUBEN ALVES, MITÓ MENDES, MARCELLO URGEGHE, MANUELA COUTO E DIOGO AMARAL.

Sobre #unchainmee 

#unchainmee é um grupo informal de cidadãos a nível nacional e internacional, que se juntou para esta primeira campanha que defende a abolição de animais de qualquer espécie em Circos.

Sendo todos os membros de #unchainmee admiradores do circo enquanto arte e espectáculo com humanos, consideram inaceitável que animais de tantas espécies continuem a ser encarcerados e forçados a actuar.

No seio desta iniciativa nasceu uma produção internacional da autoria da realizadora Teresa Ramos que arranca agora em Portugal com 12 filmes que relatam histórias verdadeiras de animais que viveram no circo e foram resgatados. À semelhança da primeira fase portuguesa, estas histórias serão relatadas também noutros países e representadas por prestigiados actores dos mesmos.

Sobre Regulamentação versus Resgate e Libertação

A lei portuguesa, por exemplo, esquece a defesa e libertação dos animais ainda presos no circo, apenas proíbe a sua reprodução (e apenas de espécies selvagens) permitindo ainda a sua exploração.

Mas mesmo esta lei não é cumprida, visto que, na altura do Natal, continua a ser comum ver os circos apresentarem leões e tigres bebés, para oportunidades fotográficas com espectadores, quando isso é ilegal.

Uma observação do comportamento dos animais que se encontram encarcerados nos circos permite concluir que os sintomas de confinamento, como os movimentos repetitivos, as estereotipias, a coprofragia e tantos outros que estão muito bem documentados por médicos veterinários e biólogos especializados em etologia, demonstram bem a vida de escravidão a que são forçados os animais quando são mantidos nos circos.

Uma das histórias relatadas, a da Elefanta Shirley, mostra que, se os próprios zoos mais avançados do mundo começam a reconhecer, aberta e honestamente, que não conseguem oferecer aos seus animais a qualidade de vida e o espaço suficiente para lhes darem existência decente, então não há como conceber que os circos – ambulantes por natureza e com sistemas de jaulas como únicos alojamentos para os animais – possam manter os animais em boas condições.

Por Fim 

#unchainmee salienta também que este é um problema que afecta igualmente animais de espécies selvagens e de espécies domésticas (estas muito esquecidas ao olhos da lei e do público no mundo inteiro), como de resto se demonstra através das histórias que os filmes contam. A conclusão que se apresenta é de que todos os animais – e não apenas de espécies selvagens – que se encontram nos circos devem ser resgatados e colocados em santuários onde possam recuperar e preservar a sua integridade. O público deve ser incentivado a escolher apenas circos onde não haja Animais. 

Outras leituras


quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Dia Mundial do Leão

O Dia Mundial do Leão celebra-se a 10 de Agosto.

O Dia Mundial do Leão (World Lion Day) tem o objectivo de proteger este animal e o seu habitat. Estima-se que existem somente entre 30 mil e 100 mil leões selvagens no mundo, em África e na Ásia. A falta de proteção humana contra os caçadores e a destruição das florestas colocam a sobrevivência do leão em causa, assim como o seu parente, o tigre, que também tem um dia a si dedicado.

Foto: National Geographic

sábado, 25 de junho de 2005

FILME: não contribua para a miséria e sofrimento dos animais de circo e não assista a touradas

Com o Verão começam as festas mas aparecem teimosamente os circos com animais e as touradas, inevitavelmente.

Além do apelo e sensibilização da Animal contra os circos com animais e as touradas descobri através da Renata Martins uma Associação Brasileira que está empenhada na erradicação no Brasil a utilização de animais nos Circos. Inclui um link actualizado de Circos Sem Animais.
Tem ainda um filme bastante pedagógico e que provoca em nós fortes emoções.

Ligamos a TV e lá estão os programas infantis mostrando animais de circos como se fossem bem tratados e felizes.
Não permitiremos que nossas crianças cresçam se divertindo às custas de animais humilhados, escravizados e constantemente torturados.Não é possível se domar animais selvagens sem surrá-los, sem estabelecer uma relação de medo e dor. O fato dos animais estarem presos, enjaulados e acorrentados, deveria bastar para que não freqüentássemos circos com animais.
Circos do passado apresentavam aberrações como atração. O mundo evoluiu e esses números foram eliminados; os romanos jogavam seres humanos para os leões, como forma de entretenimento.  Cultura evolui. Até quando vamos ter que ver animais em circos, em sociedades civilizadas? Até quando vamos permitir que se continue explorando criaturas inocentes em nome de tradição e cultura?
Nós não aceitamos mais, por isso fizemos este web site, baseados em fatos. E se você também está do lado daqueles que lutam por respeito por todos os seres vivos, não saia deste site sem deixar seu recado. A abordagem deste web site não se reporta apenas à questão dos animais. A questão aqui é mais profunda. É a ética como ponto de partida para as mudanças que desejamos em nossa sociedade e o respeito por humanos e não humanos. É o mínimo que se pode esperar de uma sociedade civilizada.

Pelos artistas, sempre e incondicionalmente.
Pelo fim de animais em circos.


Cultura é tudo aquilo que contribui para tornar a humanidade mais sensível, mais inteligente e civilizada. A violência, o sangue, a crueldade, tudo o que humilha e desrespeita a vida jamais poderá ser considerado "arte" ou "cultura". A violência é a negação da inteligência.
Uma sociedade justa não pode admitir actos eticamente reprováveis (mesmo que se sustem na tradição), cujas vítimas directas são milhares de animais.
É degradante ver que nas praças de touros torturam-se bois e cavalos para proporcionar aberrantes prazeres a um animal que se diz racional.
Portugal não se pode permitir continuar a prática do crime económico que é desperdiçar milhares de hectares de terra para manter as manadas de gado, dito bravo. A verdade é que são precisos dois hectares de terreno, o equivalente a dois campos de futebol, para criar em estado bravio cada boi destinado às touradas. Ora isto é tanto mais criminoso quando Portugal é obrigado a importar metade da alimentação que consome. Decerto os milhares de hectares desperdiçados a tentar manter bois em estado bravio, produziriam muito mais útil riqueza se aproveitados em produção agrícola, frutícola, etc.
Uma minoria quer manter as touradas e as praças de touros, bárbara e sangrenta reminiscência das arenas da decadência do Império Romano. De facto nas arenas de hoje o crime é o mesmo: tortura, sangue, sofrimento e morte de seres vivos para divertimento das gentes das bancadas. Como pode continuar tamanha barbaridade como esta, das touradas, no século XXI?
Só pode permanecer como tradição o que engrandece a humanidade e não os costumes aberrantes que a degradam e a embrutecem.

sábado, 5 de fevereiro de 2005

Documento denuncia Zoo de Lisboa abate animais ilegalmente



Documento denuncia Zoo de Lisboa abate animais ilegalmente Administração do zoo admite abate e justifica acto com a lei que regulamenta parques Susana Leitão
O Jardim Zoológico de Lisboa "abate animais ilegalmente". O abate acontece "às segundas-feiras, às 08.15, junto ao gabinete de compras, perto do armazém, num matadouro, também ele ilegal". Esta é uma das queixas que consta de documentação que denuncia algumas situações ocorridas no zoo, e aque o DN teve acesso.A administração do zoo admite que abate animais, mas diz que não é ilegal, justificando o acto com a legislação. E o veterinário do parque argumenta ser normal todos os zoos do mundo praticarem a eutanásia. "Só há um decreto lei que regulamenta a actividade do parque e que é o que aplicamos no zoo, Decreto-lei 59/2003 Artigo 13, nº. 1. Com base neste artigo decidimos que determinados animais têm de ser abatidos. Todos os zoos praticam a eutanásia, todos os zoos têm de praticar a eutanásia", afirmou ao DN o veterinário-administrador da instituição, Fernando Paisana. O responsável defende que "se o animal é abatido é porque tem de ser. É porque um conjunto de veterinários, e não só um, decidiu que assim tinha deser. E vamos continuar a abater". Acrescentando "Se tenho uma exploração com animais em vias de extinção, nasce um macho e nasce outro macho, um destes tem que ser abatido. Por norma, contactamos a Associação Europeia de Zoos e Aquária (EAZA) e perguntamos se há algum zoo interessado no animal, se não há o animal tem que ser abatido, com base legal". Muita da carne que alimenta os carnívoros do parque é oferecida por particulares. No entanto, na maior parte das vezes chega ao zoo ainda com vida."Num local qualquer matamos um burro, ou um cavalo, cortamos aos bocados e damos aos leões», explica Fernando Paisana. «Uma coisa que fazemos com rigor é não dar carne aos nossos animais sem que seja inspeccionada por um veterinário, e de forma tão rigorosa como se fosse para consumo público" ,salienta. O presidente da Animal - Associação Nortenha de Intervenção no MundoAnimal -, Miguel Moutinho confirmou ter conhecimento desta situação ecritica a atitude, argumentando que "a maneira como os burros (e,eventualmente, cavalos ou outros animais) são mortos no Jardim Zoológico de Lisboa, revela que há várias infracções ao Decreto-lei n.º 28/96, de 2 de Abril, que regulamenta a protecção dos animais no abate". Por seu lado, Fernando Paisana garante que todos os passos são efectuados com o "conhecimento da Direcção-Geral de Veterinária. E a única recomendação que esta dá é que o animal seja abatido com o mínimo de dor. São abatidos atiro, morte instantânea, aqui no zoo, não pode ser noutro sítio".Outra situação denunciada no dossier é a falta de condições em que vivemalguns animais, nomeadamente felinos, grandes primatas, e outros animais de grande porte (ver texto ao lado). O veterinário administrador do zoo assume também que há, de facto, animais mal instalados, mas sublinha que a situação será resolvida. "Temos problemas nos grandes primatas e nos felinos. Não é oj ardim que é uma porcaria. A ala dos felinos, com excepção dos leões, está mal. As restantes estão bem. Os primatas estão pessimamente, mesmo assim estão melhor do que em grandes zoos da Europa".
Jaulas podem ter os dias contados na Maia
Paula FerreiraSansão vai, em breve, viajar para um jardim zoológico na Holanda. O jovem orangotango vive no Zoo da Maia num espaço exíguo. Com acara encostada ao vidro da jaula, os olhos não perdem a expressão triste,apesar das manifestações de carinho de uma funcionária do zoo. "Ele é um barato, é o meu preferido", diz a tratadora das focas, inactiva até que oespectáculo aquático regresse, em Fevereiro.DN-Ursula Zanggerfuturo. Objectivo é acabar com as jaulas e instalar os animais em ilhas, comtoda a segurança para os visitantesO orangotango representa o paradigma deste zoo. Carlos Teixeira, presidenteda Junta de Freguesia da Maia, entidade que gere o espaço temático dedicadoà vida selvagem, lembra que o Sansão "veio de um jardim onde se encontravaainda em piores instalações". Não encontrou as condições ideais, isso énotório, embora, como ressalva o autarca, pelo menos "tem aquecimento".Conscientes de que aquele espaço não é o indicado para o primata, osresponsáveis trataram de arranjar uma alternativa. Na passada semana chegou a resposta um zoo dos Países Baixos vai acolher Sansão que poderá ver a suaqualidade de vida melhorar bastante.Este é um dos caminhos encetados para adaptar o zoo às exigências da novalegislação. Se no momento não é possível aumentar a área do parque, com 3,5hectares, optou-se por diminuir o número de animais, sobretudo no que dizrespeito aos mamíferos. Os próximos a serem contemplados com mais espaço serão os leopardos. Um animal será cedido a outro zoo e as duas jaulasexistentes transformadas numa única.O espaço, considera o presidente da autarquia, é uma questão des ensibilidade, mas não está esquecido. "Temos um acordo verbal com a Câmarada Maia que permitirá triplicar a área". O sonho de Carlos Teixeira é acabarcom as jaulas e instalar os animais em ilhas com toda a segurança para os visitantes. Até lá, vão diminuindo o número de efectivos. Em relação aos pumas, jaguares, tigres ou panteras "não há dificuldades" em conseguir interessados. Mas, em outros casos, a estratégia é evitar que procriem, "uma vez que somos contra a eutanásia", afirma o responsável do zoo. Para evitar o crescimento das espécies, separam os animais na altura do cio ou optam pela utilização de anticoncepcionais. Mas a procriação é também uma mais-valia. Ontem, o urso pardo encontrava-se sozinho. A sua companheira estava na maternidade com o ursinho nascido emDezembro. Mãe e filho deverão regressar daqui a um mês para deliciar ascrianças, principais clientes do Zoo da Maia. Em breve, os visitantes poderão visionar o que se passa na maternidade através de circuito vídeo,reforçando a componente pedagógica do parque temático. Essa necessidade foi,segundo Carlos Teixeira, a principal observação da equipa do Instituto de Conservação da Natureza e da Direcção-Geral de Veterinária, que está a acompanhar o processo de licenciamento do zoo, o qual deverá ser concluído em Abril
Lei proíbe exibição de animais O Decreto-lei n.º 59/2003 de 1 de Abril, transposição para a legislação portuguesa de uma directiva comunitária aprovada há três anos, obriga todos os jardins zoológicos a salvaguardar os parâmetros de bem-estar de cada animal, assim como proíbe a exibição de animais unicamente para fins comerciais. Ou seja, os jardins zoológicos, e parques temáticos, vão ser obrigados a ter um papel pedagógico e de preservação da natureza e de espécies. A mesma legislação assegura a fiscalização aos recintos. Se estas exigências não forem cumpridas até Abril deste ano, os recintos deverão ser encerrados de vez. Entretanto, a administração do zoo de Lisboa garantiu ao DN que até lá irá começar as obras para melhorar as instalações dos animais,c om ou sem ajuda do Estado.
Zoológico tem más condições 
O Jardim Zoológico de Lisboa não tem "condições mínimas" para alojar os animais. "As instalações são muito pobres. Aliás, é mesmo um dos mais pobresda Europa". A caracterização foi feita por Daniel Turner, da Born Free Foundation, uma organização de defesa dos animais, que esteve recentemente em Portugal para investigar aquele recinto. E a análise realizada é bastante crítica no que toca ao funcionamento do parque, confirmando um conjunto dequeixas reunidas no dossier interno a que o DN teve acesso. A associação Animal diz "não estranhar estas denúncias", apesar de o seu autor preferir manter o anonimato. "Todos os dias recebemos cartas, email sou telefonemas com as mesmas reclamações. No entanto, as pessoas não se identificam, o que nos impossibilita de dar seguimento jurídico às questões", explica Miguel Moutinho, presidente daquela associação. Por seu turno, o responsável da Born Free Foundation explica porque é que as instalações do recinto lisboeta não têm condições "Quando o zoo foi construído não se teve em conta os animais, mas sim o público. Uma prática que tem vindo a manter ao longo dos anos", afirma Daniel Turner. Segundo o dossier, os "casos mais aberrantes são os dos grandes primatas e felinos". O especialista britânico explicou ao DN que a depressão em alguns animais é bastante visível e resulta das "condições miseráveis em que são mantidos e pela falta de estímulos. Esse tipo de distúrbio comportamental, nomeadamente a repetição permanente dos movimentos estereotipados, assim como a auto-mutilação, é passível de ser revertida, mas para isso era necessário devolver aos animais algumas das condições que eles teriam no seu habitat natural".Daniel Turner alerta para o facto de as instalações dos grandes animais,como os elefantes, girafas, gorilas ou chimpanzés terem "condições miseráveis . E, aproveita para lembrar a Aldeia dos Macacos. "Aquela aldeia, como lhe chamam", ironizou, "está na mesma há anos. Os animais têm de facto espaço, mas a qualidade do mesmo é má, pois não têm vegetação para fazer oque fazem na vida selvagem, como andarem de ramo em ramo". Um dos grandes problemas, explica, é que "muitos Zoos não entendem que o importante é a qualidade das instalações e não a quantidade".O responsável deixa um alerta "Será que as grandes empresas que patrocinam estes animais sabem em que condições é que estes vivem? Julgo que não. Caso contrário, tudo seria mais grave".S.L

"People say they don't care about politics; they're not involved or don't want to get involved, but they are. Their involvement just masqueradesas indifference or inattention. It is the silent acquiescence of the millions that supports the system. When you don't oppose a system, your silence becomes approval, for it does not hing to interrupt the system. People use all sorts of excuses for their indifference. They even appealto God as a shorthand route for supporting the status quo. They talkabout law and order. But look at the system, look at the present social"order" of society. Do you see God? Do you see law and order? There is nothing but disorder, and instead of law there is only the illusion ofsecurity. It is an illusion because it is built on a long history ofinjustices: racism, criminality, and the enslavement and genocide of millions. Many people say it is insane to resist the system, butactually, it is insane not to."*/Mumia Abu-Jamal/*

quarta-feira, 15 de dezembro de 2004

Sete passos para ajudar a ANIMAL a pôr fim ao uso de animais em circos em Portugal

As imagens que foram mostradas recentemente pela Associação Animal acerca dos maus tratos a que estão submetidos os animais nos circos é chocante e faz-nos repensar na capacidade de invertermos a situação. Faça a sua parte. Ajude a ANIMAL a pôr fim ao uso de animais em circos em Portugal. Protegendo os animais, desejando que sejam livres e defendendo no terreno os seus direitos é um passo importante para a protecção da biodiversidade e um contributo muito grande que fazemos em prol de uma Ética da Terra!

Sete passos para ajudar a ANIMAL a pôr fim ao uso de animais em circos:
1. Sempre que identificar a actividade de qualquer circo perto de si, seja em que zona do país for, por favor tente descobrir que espécies de animais tem esse circo, quantos animais de cada espécie tem, em que condições são mantidos no cativeiro e de que maneira são treinados e usados nas actuações. Por favor, recolha esses elementos e partilhe essa informação com a ANIMAL, através de info@animal.org.pt.

2. Tente sempre registar, em fotografia ou vídeo, imagens da maneira como os animais são mantidos nas jaulas desses circos e de possíveis manifestações evidentes de violência contra esses mesmos animais nos treinos e nas actuações e, por favor, partilhe essas imagens com a ANIMAL, contactando-nos através de info@animal.org.pt.

3. Alerte a sua comunidade local, os seus familiares e o seu grupo de amigos e conhecidos para a crueldade que é manter animais em circos e usá-los em actuações circenses. Reforce, junto das pessoas com quem contacta, o apelo ao boicote aos circos com animais. Apele às escolas, empresas e outras instituições que conhece para que não organizem visitas a circos com animais.

4. Escreva para a secção de opinião dos leitores e para os editores dos jornais locais e nacionais e partilhe com os outros leitores dos órgãos de imprensa escrita que lê as razões pelas quais o uso de animais em circos deve acabar e por que se justificam estas preocupações éticas. Em www.Animal.org.pt, saiba o que sofrem os animais em circos e encontre aí a informação que precisa para ajudar a ANIMAL a expor o mal do uso de animais em circos.

5. Escreva, por e-mail, por fax e/ou por carta (via postal) para as juntas de freguesia, médicos veterinários municipais e presidentes das câmaras municipais da sua área, dizendo-lhes que manter animais em circos é errado porque atenta contra as necessidades biológicas, psicológicas e emocionais mais elementares destes animais, cuja actuação forçada em circos só se consegue pelo condicionamento e treino violentos. Escreva a estas entidades e diga-lhes que, como cidadão/cidadã e como munícipe, não quer que o seu concelho seja palco de espectáculos de circo com animais, que têm vidas miseráveis para que o seu uso seja possível, pedindo a estes autarcas que não autorizem a presença de companhias de circo com animais nos concelhos que administram.

6. Contacte a ANIMAL para obter mais informações e imagens do sofrimento dos animais em circos. Informe-se em www.Animal.org.pt e organize sessões locais de esclarecimento acerca do sofrimento dos animais que são usados em circos para que mais pessoas fiquem a saber por que razão não devem visitar circos com animais.

7. Junte-se à ANIMAL e torne-se membro de uma comunidade de milhares de pessoas que integram nas suas preocupações diárias a maneira como os animais são e devem ser tratados. Seja da espécie que ajuda. Seja da espécie ANIMAL. Contacte-nos através do info@animal.org.pt.

A ANIMAL acredita que todos os animais – com especial destaque para os animais selvagens – não pertencem aos circos. Acredita que as características biológicas dos animais são absolutamente incompatíveis com a sua manutenção em jaulas exíguas, enferrujadas, sem higiene, onde são mantidos durante todo o tempo entre as actuações e os treinos, com alimentação e abeberamento insuficientes e irregulares. Acredita que, além do mal que é manter animais neste ou em qualquer outro tipo de cativeiro, é ainda menos aceitável treiná-los através da força do chicote ou da paulada, do uso do aguilhão eléctrico ou da electrocussão para que, por exemplo, ursos andem de bicicleta, babuínos montem póneis, tigres ou leões saltem por entre arcos em chamas ou elefantes se sustentem em duas ou numa só pata. Acredita que esta crueldade é um absurdo e que o circo ideal não tem nenhum animal. E, por fim, a ANIMAL acredita que o uso de animais em circos deve acabar. Se também acredita nisto, não visite circos com animais. Mas não se fique por aí. Junte-se à ANIMAL para defender o fim da manutenção e uso de animais em circos.