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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

A ilusão do consumo e o silêncio da extinção: uma crítica da ecologia política ao poder corporativo

A ilustração contrapõe a marcha inevitável da fauna selvagem rumo à porta da extinção à apatia de uma multidão imersa no consumo frenético, nas redes sociais e na validação individual. A provocação estampada na base - "We didn’t notice them leaving" - expõe não um mero esquecimento coletivo acidental, mas o resultado de um projeto de alienação sistémica. Sob as lentes da ecologia política, da economia ecológica e do decrescimento, o cartaz denuncia como a captura democrática operada por corporações transnacionais desestrutura a resiliência comunitária, coloniza as subjetividades e cega a sociedade para o colapso biológico.

A economia ecológica e a farsa da separação
A economia ecológica demonstra que o sistema económico capitalista é um subsistema aberto, limitado pelas leis da termodinâmica e pela capacidade de suporte da biosfera. O cartaz capta a rutura dessa lógica: a civilização consome como se o ecossistema fosse infinito. O letreiro "SALE" e o carrinho com o "LATEST MODEL" revelam a redução de toda a riqueza natural a valor de troca. A biodiversidade não possui precificação direta no mercado e, por isso, torna-se invisível ao cálculo capitalista até à sua liquidação total. O movimento dos animais simboliza a ultrapassagem dos limites planetários. Enquanto a produção industrial avança, a perda de habitats acelera sem que os indicadores macroeconómicos tradicionais registem essa perda de património biológico real.

Captura democrática, coaptação e ecologia política
A ecologia política desfaz a ilusão de que a destruição ambiental é culpa de uma "natureza humana" gananciosa de forma genérica. Trata-se da ação de atores com poder assimétrico. Grandes multinacionais exercem uma captura direta do Estado e das instâncias decisórias através do fenómeno de regulatory capture. Por meio de lobbying, financiamento de campanhas e estratégias de greenwashing, as corporações bloqueiam legislações ambientais rígidas e desmontam coletivos locais de resistência que historicamente atuam como guardiões da biodiversidade.

Paralelamente, o conceito de Soluções Baseadas na Natureza (SBN), originalmente voltado à restauração ecossistémica integrando saberes comunitários, é frequentemente cooptado pelo poder corporativo para virar mecanismos de compensação que permitem a continuidade da poluição no Norte global enquanto mercantilizam territórios no Sul global. A sacola com a sátira "JUST BUY IT" e os balões de curtidas virtuais corporificam a transferência da culpa do colapso ecológico para o consumidor. O sistema ensina a sociedade a canalizar a sua agência política para escolhas de consumo "sustentáveis" individuais, desmobilizando a organização coletiva.

O decrescimento como ruptura e a redefinição da prevenção ecológica
Para conter a marcha representada no lado esquerdo da imagem, a literatura do decrescimento e da prevenção ecológica defende que ajustes tecnológicos marginais são insuficientes. O modelo que exige a compra constante do "modelo mais recente" é incompatível com a finitude planetária. O decrescimento propõe a redução planeada do consumo de energia e materiais, priorizando a sobriedade, a reparabilidade e o bem-estar social em vez do lucro privado. A prevenção ecológica exige desmantelar a máquina publicitária que associa a felicidade ao acúmulo de mercadorias. A multidão absorta em telemóveis exemplifica a "colonização da atenção", onde o espetáculo digital bloqueia a percepção da urgência ecológica concreta.

O limite da pedagogia, o ambientalismo coercivo e o estado de exceção ecológico
A eficácia da educação ambiental crítica revela-se manifestamente insuficiente perante a dimensão da crise. Apesar de as novas gerações serem expostas a conteúdos de consciencialização ecológica, observa-se a sua rápida absorção pela "mercantilização das mentes". O trabalho pedagógico é constantemente anulado por um ecossistema mediático e de consumo desenhado para converter o conhecimento em apatia funcional e as preocupações éticas em meras tendências de estilo de vida.

Perante o fracasso da pedagogia e a captura anarco-capitalista da democracia liberal, a resposta teórica e prática desloca-se da persuasão moral para a soberania coerciva. No ensaio Political Theory and Climate Change: The Case for Eco-Authoritarianism (2021), Ross Mittiga defende explicitamente que, se os regimes liberais continuarem incapazes de garantir a segurança básica dos seus cidadãos perante a emergência climática, a restrição de certos direitos políticos e o recurso ao estado de exceção ecológico tornam-se moralmente legítimos. Esta incapacidade estrutural já tinha sido diagnosticada por David Shearman e Joseph Wayne Smith em The Climate Change Challenge and the Failure of Democracy (2007). Para estes autores, a democracia liberal falhou no combate à degradação ambiental devido à sua vassalagem aos mercados e ao poder corporativo, o que exige a transição para uma "epistocracia verde" - um modelo de governação liderado por autoridades técnicas e peritos ecologistas capazes de tomar decisões imunes ao ciclo eleitoral.

Críticos ao Estado de Excepção Ecológica
No entanto, o risco de o estado de emergência ser cooptado pelo próprio capital é alertado por Joel Wainwright e Geoff Mann em Climate Leviathan: A Political Theory of Our Planetary Future (2018). Os teóricos mapeiam a emergência do "Leviatã Climático", uma forma de soberania global de exceção onde o capital transnacional e as forças estatais se fundem para gerir a escassez de recursos sob o pretexto da urgência biológica, preservando contudo as assimetrias da estrutura de classes. Em contrapartida, sob a perspetiva da implementação pragmática, Yifei Li e Judith Shapiro, em China Goes Green: Coercive Environmentalism for a Troubled Planet (2020), analisam o "ambientalismo coercivo". Os autores demonstram como o uso centralizado do poder estatal - contornando a morosidade e as negociações paralisantes do parlamentarismo liberal - consegue impor metas de restauração ecológica e racionamento de recursos a uma velocidade incompatível com a lentidão das democracias de mercado.

O Diagnóstico de George Tsakraklides: nem reforma de esquerda, nem mercado de direita 

Finalmente temos uma corrente colapsista, ecologia profunda contemporânea e anarco-socialista proposta por George Tsakraklides. Como defende que o colapso da civilização industrial é inevitável por limites biofísicos e termodinâmicos, o seu pensamento não oferece "soluções de políticas públicas" viáveis para aparelhos de Estado ou corporações. Tsakraklides rejeita a viabilidade de reformar o sistema. Para ele, qualquer tentativa institucional de "salvar o sistema" não passa de uma maquilhagem do que ele chama de necrosistema.  George Tsakraklides desenvolve uma crítica incisiva à esquerda tradicional e aos movimentos ecologistas mainstream - como o Extinction Rebellion, a Greenpeace ou intelectuais como George Monbiot -, acusando-os de cobardia intelectual ao transformarem a sobrepopulação num tabu intocável. Na perspetiva do autor, o argumento comum da esquerda de que o problema reside exclusivamente no consumo excessivo do "1%" ou no capitalismo predatório assenta numa falácia estatística, pois ignora que o impacto ecológico absoluto é uma equação direta da pegada per capita multiplicada por biliões de indivíduos a exigir energia, tecnologia e alimentos. Como biólogo, Tsakraklides contesta a utopia ecologista de que é possível reeducar comportamentalmente oito mil milhões de pessoas para as tornar "ecologicamente neutras", sustentando que a espécie humana possui uma tendência biológica evolutiva para a expansão e ocupação de território que nenhuma propaganda ideológica conseguirá travar. O ensaísta defende que o receio de acusações de ecofascismo ou eugenia fez com que as organizações ambientais institucionais capitulassem diante da correção política para protegerem o seu financiamento e aceitação mediática. Além disso, Tsakraklides rejeita propostas como o Green New Deal ou a "transição energética" defendidas pelo ecologismo dominante, classificando-as como ilusões que apenas alimentam uma nova vaga de extrativismo mineral para sustentar uma escala demográfica insustentável, desculpabilizando a responsabilidade do próprio consumo de massa da população global.

A crítica de George Tsakraklides à direita política- abrangendo conservadores, liberais e o Partido Republicano nos EUA - é visceral e intransigente. Se o autor acusa a esquerda de ingenuidade e cobardia por alimentar uma «ilusão sustentável», enxerga a direita como o motor ideológico e o braço executivo do necrocapitalismo. Na sua perspetiva, a direita comete a heresia científica definitiva ao colocar o dogma do crescimento económico perpétuo, da desregulamentação e do mercado livre acima das leis invioláveis da termodinâmica e da biologia. Tsakraklides ridiculariza a crença de que a tecnologia, a inovação privada ou a "mão invisível" resolverão o esgotamento planetário, classificando o mercado livre como um algoritmo cego concebido para devorar matérias-primas e gerar lucro imediato. A acumulação de capital é descrita como uma força patológica que atua como um cancro, consumindo o hospedeiro ecossistémico até ao colapso inevitável.

Sendo a sobrepopulação um pilar central da sua reflexão, o ensaísta ataca frontalmente o natalismo conservador e a oposição aos direitos reprodutivos, sustentando que essas agendas servem unicamente para garantir mão de obra barata e expandingir a base de consumidores para as corporações. Ao alimentar o mito antropocêntrico de uma Terra com capacidade infinita, a direita recusa enfrentar a crise ambiental porque fazê-lo exigiria admitir o fracasso do capitalismo industrial. Em obras como Frankenpolitics, Tsakraklides evidencia como o setor empresarial privado e a direita fundiram o Estado e o capital, reduzindo a política a uma fachada destinada a proteger os lucros das indústrias extrativas enquanto a biosfera colapsa.

Esta transição ecológica desmantela a figura do político mercenário através de imperativos legais e fiscais draconianos: a proibição constitucional do lobbying corporativo, o racionamento severo de recursos primários, a taxação punitiva do sobreturismo e o encerramento forçado de indústrias ecocidas. Quando a deliberação democrática se torna refém da lógica do capital, a sobrevivência exige que a autoridade coerciva intervenha diretamente sobre as forças de mercado. A frase «We didn't notice them leaving» deixa, assim, de ser um lamento sobre o esquecimento passivo para se converter na certidão de óbito da ilusão liberal-democrática perante o ecocídio.

Bibliografia
  1. Agamben, G. (2004). Estado de Sítio. Edições 70.
  2. Carvalho, I. C. M. (2012). Educação Ambiental: a formação do sujeito ecológico. Cortez Editora.
  3. Daly, H. E. (1996). Beyond Growth: The Economics of Sustainable Development. Beacon Press.
  4. Escobar, A. (2011). Encountering Development: The Making and Unmaking of the Third World. Princeton University Press.
  5. Georgescu-Roegen, N. (1971). The Entropy Law and the Economic Process. Harvard University Press.
  6. Kallis, G. (2018). Degrowth. Handbooks in Health Economic Series, Resilience Press.
  7. Latouche, S. (2009). Farewell to Growth. Polity Press.
  8. Leff, E. (2001). Saber Ambiental: Sustentabilidade, Racionalidade, Complexidade, Poder. Vozes.
  9. Li, Y., & Shapiro, J. (2020). China Goes Green: Coercive Environmentalism for a Troubled Planet. Polity Press.
  10. Loureiro, C. F. B. (2004). Trajetória e Desafios da Educação Ambiental Crítica. Editora Cortez.
  11. Mann, G., & Wainwright, J. (2018). Climate Leviathan: A Political Theory of Our Planetary Future. Verso Books.
  12. Martínez-Alier, J. (2002). The Environmentalism of the Poor: A Study of Ecological Conflicts and Valuation. Edward Elgar Publishing.
  13. Mittiga, R. (2021). Political Theory and Climate Change: The Case for Eco-Authoritarianism. American Political Science Review, 116(3), 994-1008.
  14. Ophuls, W. (1977). Ecology and the Politics of Scarcity. W. H. Freeman and Company.
  15. Shearman, D., & Smith, J. W. (2007). The Climate Change Challenge and the Failure of Democracy. Praeger.
  16. Tsakraklides, G. (2019). The Nothing Manifesto: Building a zero-impact movement. Independently Published
  17. Tsakraklides, G. (2020). Frankenpolitics: How corporate power and technology created a monster. Independently Published.
  18. Tsakraklides, G. (2021). Biology Lessons in Degrowth. Independently Published.
  19. Tsakraklides, G. (2022). Necrocene: The psychology of human collapse. Independently Published.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Espetacular vitória dos ecologistas galegos: a Junta da Galiza rejeita o projeto da multinacional portuguesa Altri de construir uma celulose em plena Galiza verde


O governo da Galiza negou a autorização ambiental à Altri devido à recusa do governo central em conectar a fábrica de celulose à rede elétrica.

O governo de Alfonso Rueda admite que o projeto de uma fábrica de celulose em Palas de Rei (Lugo) é inviável, após o governo central tê-lo excluído do planejamento energético do estado.

Várias pessoas seguram cartazes após uma performance em Palas de Rei (Lugo) organizada na primavera passada por moradores contrários à Altri, juntamente com a construtora Concomitentes. 

O governo da Galiza decidiu não aprovar a autorização ambiental integrada para o projeto de macrocelulose que a multinacional de papel Altri e a empresa galega de eletricidade Greenalia pretendiam instalar na cidade de Palas de Rei, em Lugo, e que nos últimos anos provocou a maior reação social vista na Galiza desde o desastre da fábrica Prestige, em 2002.

A informação foi anunciada na sexta-feira pela Ministra da Economia e Indústria do Governo de Alfonso Rueda , María Jesús Lorenzana , que se baseou na inviabilidade do projeto da empresa dirigida por José Soares de Pina, após o Governo de Pedro Sánchez ter excluído a Altri, no ano passado, dos seus planos de desenvolvimento energético para os próximos anos, privando-a, assim, da ligação à rede elétrica necessária para o seu funcionamento.

"Cabia ao governo central fornecer a ligação à empresa. O arquivamento [do processo] e sua expiração estão ligados à falta de ligação; se não houver ligação à subestação, o projeto é arquivado ", afirmou Lorenzana, acrescentando que considera "difícil" reviver a ideia da fábrica de celulose de Palas porque a próxima revisão do planeamento energético do Estado só ocorrerá em 2030.

O governo galego (Xunta) tomou a sua decisão após meses de protestos em torno de um projeto que o governo de Alberto Núñez Feijóo tentou disfarçar como uma fábrica de fibras têxteis ecológicas, mas que causou indignação na sociedade galega quando se descobriu que se tratava de uma fábrica de celulose convencional, a ser instalada numa área protegida junto a um sítio Natura 2000 e ao Caminho de Santiago, que emitiria gases e partículas tóxicas através de uma chaminé de 75 metros, equivalente às emissões de CO2 de 21.500 carros , e que extrairia 46 milhões de litros de água do rio Ulla, dos quais 30 milhões de litros, purificados mas ainda contaminados, seriam devolvidos ao aquífero que desagua no estuário do rio Arousa .

Apesar de tudo, o governo galego (Xunta) emitiu um parecer favorável sobre o impacto ambiental da Altri no ano passado , um primeiro passo que foi posteriormente condicionado à exclusão do projeto do financiamento europeu através de fundos de descarbonização que a multinacional procurava. A Ministra da Indústria, Rueda, também indicou que "esta semana" informou a empresa de que ela tem três meses, o prazo legalmente estipulado, para "justificar a ligação" que apresentou na proposta do projeto, a qual o governo central negou. Caso não o faça, " o arquivamento formal do processo da Altri será automático ".

sábado, 3 de janeiro de 2026

Pretendem vender a Beira e outros territórios nacionais para serem a pilha eléctrica da Europa do norte



O primeiro flyer oficial já está pronto e pode ser impresso!

O que você pode fazer?

Compartilhe este post em todas as suas redes sociais, envie para seus amigos e use todos os meios digitais que tiver à disposição.

Leve a mensagem para o mundo real. Imprima flyers e cartazes – alguns poucos exemplares por conta própria, se puder. Ou peça apoio à sua administração local. Ninguém deve se comprometer financeiramente demais – mas se cada um fizer um pequeno esforço, podemos criar uma grande campanha.

Distribua os flyers nas ruas. Pergunte aos seus comércios e cafés favoritos se você pode deixar flyers ou colocar cartazes. Use o espaço público dentro dos limites legais. Cole um cartaz no interior do vidro do carro (onde não atrapalhe a visão). Incentive seus amigos a fazer o mesmo.

IMPORTANTE: Antes de imprimir, sempre verifique se o QR code funciona. Já circula um flyer onde isso não ocorre. Portanto, use apenas esta versão por enquanto. Nas próximas semanas, vamos lançar novos designs.

Claro, todos estão convidados a criar seu próprio design! A única solicitação: inclua o QR code correto. 
Sejamos criativos!

Mostremos solidariedade e senso de comunidade. Demonstremos força e determinação.
Vamos fazer Lisboa vibrar em 31 de janeiro!

Juntos somos fortes!

domingo, 16 de novembro de 2025

Dia de José Saramago


José Saramago, nascido em 1922 na aldeia ribatejana de Azinhaga e falecido em 2010, em Lanzarote, consolidou-se como uma das vozes literárias mais singulares e influentes da língua portuguesa. A sua vida, marcada por origens humildes, por um percurso autodidata e por uma profunda consciência social, moldou uma obra que interroga, de forma obstinada, as estruturas de poder, as fragilidades humanas e as possibilidades éticas do mundo contemporâneo. Tipógrafo, serralheiro mecânico, funcionário público, tradutor e jornalista, Saramago chega à literatura “tarde”, mas com uma maturidade que lhe permite transformar o romance num espaço de experimentação filosófica, histórica e política.

A obra saramaguiana caracteriza-se por uma escrita inconfundível: longos parágrafos, uso singular da pontuação, diálogos integrados no fluxo narrativo e um narrador irónico, muitas vezes cúmplice, que desmonta convenções literárias e desafia o leitor a participar no processo interpretativo. Essa forma, longe de ser mero artifício, revela uma visão do mundo onde a realidade é sempre problemática, polifónica, sujeita a reinterpretações constantes. A sua linguagem, simultaneamente coloquial e metafísica, cria um espaço literário em que o quotidiano se cruza com o fantástico, não como fuga, mas como método de conhecimento.

O pensamento de Saramago assenta numa postura humanista e crítica. Ateu declarado, questionador pertinaz de instituições — sobretudo políticas e religiosas —, o escritor vê a literatura como instrumento de desvelamento do que se oculta por trás dos discursos oficiais. Em obras como Memorial do Convento, O Ano da Morte de Ricardo Reis ou História do Cerco de Lisboa, revisita a História para expor as suas lacunas e manipulações, revelando a força das narrativas no exercício do poder. Noutros romances, como Ensaio sobre a Cegueira e Ensaio sobre a Lucidez, constrói alegorias sociais que expõem a fragilidade das democracias, a tendência humana para a violência e a responsabilidade moral que cada indivíduo carrega, mesmo — ou sobretudo — quando tudo parece ruir.

A dimensão ética está também presente na centralidade que atribui à compaixão, à solidariedade e à memória das injustiças. Para Saramago, a humanidade só se reconhece plenamente quando se vê ao espelho das suas próprias misérias e contradições. Daí a insistência em narrativas que funcionam como experiências-limite, onde personagens comuns enfrentam situações extremas que as obrigam a reflectir sobre o sentido da liberdade, da dignidade e da convivência social.

A vida de Saramago, especialmente após conquistar o Prémio Nobel da Literatura em 1998, tornou-se também um gesto público de coerência com suas ideias. Ele utilizou a visibilidade para afirmar posições políticas contundentes, muitas vezes polémicas, mas sempre sustentadas por uma convicção ética profundamente enraizada. A sua mudança para Lanzarote após o episódio de censura de O Evangelho segundo Jesus Cristo é emblemática do modo como articulava criação literária, vida pessoal e intervenção pública.

No conjunto, vida, obra e pensamento formam uma unidade coerente: Saramago é um escritor que concebe a literatura como forma de resistência e de revelação; um intelectual que recusa simplificações e dogmas; um observador crítico que acredita, apesar de tudo, na possibilidade de o ser humano se tornar melhor. A sua escrita permanece como convite — e desafio — para que continuemos a interrogar o mundo com a mesma lucidez inconformada que ele cultivou ao longo de toda a vida.

sábado, 15 de novembro de 2025

Há alternativas ao eucalipto? Sim, há - exige uma mudança hercúlea de paradigma de floresta portuguesa


Ponto Prévio - Os bosques maduros são florestas antigas, ricas em biodiversidade especializada, mas extremamente raras em Portugal. Estes ambientes representam manchas cada vez mais escassas no território, resultado de séculos de exploração, degradação e fragmentação.

Vamos à análise
Pinheiro (Pinus, sp.) e Eucalitpto são lixo florestal! Um lixo florestal, pois endivida os pequenos proprietários e só crescem acácias depois dos incêndios. Há que haver uma política ecológica forte e interdisciplinar para restaurar a nossa floresta nativa, também rica em fibras para celulose, mas com crescimento mais lento. 

1.Na região Norte e Centro sugiro Choupo/álamo (Populus spp.)- porém a cadeia industrial em Portugal ainda está pouco desenvolvida e Bétula (Betula alba)

2. Outras árvores autóctones 
2.1..Medronheiro (Arbutus unedo)
Resiste bem ao fogo e rebenta vigorosamente.
Pode gerar rendimento pela produção de fruto.
2.2. Loureiro, amieiro, freixo, salgueiro
Adequados a zonas húmidas e linhas de água.
Muito úteis na restauração de ecossistemas.

3. Alternativas para sistemas agroflorestais / multifuncionais
3.1. Castanheiro + pastoreio
Elevado valor económico.
Melhora solos.
3.2. Olival ou nogueira combinados com floresta
Produção alimentar + proteção paisagística.
3.3. Sistemas silvopastoris com sobro ou azinheira
Produção de cortiça + sombra para gado. 

4. Reciclagem - contribuidor em ascensão
Portugal tem boa taxa de reciclagem, mas ainda expandível. Associação de Empresas de Resíduos alerta para a situação crítica dos aterros
Reduz significativamente a necessidade de pasta virgem.
Adequado para papel de impressão, embalagem e papel tissue (com mistura).

Sim, há um estudo da Wildforests que diz que o eucaliptal não é um deserto ecológico. Porém, salvaguardam que a diversidade e os padrões de vida das espécies animais em florestas plantadas para produção de madeira é ainda um assunto pouco estudado. Contribuir para este conhecimento foi um dos objetivos que levou a The Navigator Company a disponibilizar as suas propriedades para que o trabalho de campo do projeto WildForests pudesse ser realizado.

Antes do arranque deste projeto, a empresa já tinha identificado vários destes mamíferos nas propriedades que gere e já realizava algumas destas boas práticas, estando a integrar, caso a caso, outras recomendações emanadas do WildForest. A manutenção de pequenas manchas de vegetação nativa nas plantações, assim como de afloramentos rochosos e de árvores que permitem criar corredores ecológicos, contínuos ou descontínuos (stepping stones) são alguns exemplos. De resto, todo o projeto permite saber mais sobre as espécies presentes em eucaliptais e sobre as práticas que a favorecem, ajudando a The Navigator Company a tomar as melhores opções de gestão florestal a integrá-las na sua estratégia de conservação da biodiversidade.

Artigo científico aqui

domingo, 2 de novembro de 2025

Petição pela Demissão da Ministra da Saúde e pela Defesa de um SNS Público e Funcional

Assinar e divulgar a Petição aqui

Para: Assembleia da República, Primeiro-Ministro e Presidente da República

Nós, cidadãos abaixo-assinados, manifestamos a nossa profunda indignação e exigimos a demissão imediata da Ministra da Saúde, em consequência das falhas graves e reiteradas no funcionamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que têm colocado em risco vidas humanas — incluindo bebés, crianças e grávidas.

Situação atual
O SNS encontra-se entupido, envelhecido e incapaz de responder às necessidades básicas da população.
Casos recentes expõem a gravidade:
  1. Bebés a nascerem em ambulâncias, estradas e até na rua, por falta de resposta hospitalar atempada.
  2. Grávidas enviadas de hospital em hospital sem atendimento adequado, resultando em mortes evitáveis.
  3. Crianças encaminhadas para hospitais sem pediatria e grávidas para hospitais sem urgência obstétrica.
  4. Doentes obrigados a ligar previamente para a Linha SNS 24 para serem atendidos em hospitais públicos.
Isto é ilegal: nenhum hospital pode recusar atendimento de urgência, com ou sem contacto prévio com o SNS 24. O direito à saúde e ao socorro médico é constitucional e universal — e está acima de qualquer linha telefónica ou norma administrativa.

Também é ilegal negar o direito ao acompanhante:
  1. em partos,
  2. em internamentos,
  3. em pediatria,
  4. e em urgências, onde muitas vezes os cidadãos são impedidos de ter alguém ao seu lado em momentos de grande fragilidade.
A gestão hospitalar não está acima da lei e deve respeitar estes direitos fundamentais.

Dados que confirmam,
  1. Listas de espera: primeira consulta cresceu 46% face a 2022; cirurgias aumentaram 13%.
  2. Apenas 60% dos atendimentos nas urgências respeitam o tempo definido pela triagem.
  3. Taxa de ocupação hospitalar em 91%, a mais elevada da última década.
  4. Portugal tem apenas 3,5 camas hospitalares por 1000 habitantes, muito abaixo da média europeia.
  5. Centros de saúde degradados, sem condições físicas nem humanas: horários reduzidos, falta de médicos, enfermeiros e auxiliares.

Direitos fundamentais violados
1. Constituição da República Portuguesa
O artigo 64.º garante a todos os cidadãos o direito à proteção da saúde e o acesso universal e tendencialmente gratuito aos cuidados de saúde. O Estado tem o dever de assegurar esse direito.
2. Lei n.º 15/2014 (Direitos e Deveres do Utente)
Artigo 3.º: nenhum utente pode ser privado de cuidados de saúde por motivos económicos, sociais ou administrativos.
Artigo 12.º: todos os utentes têm direito a acompanhante, em internamento e em urgência, incluindo grávidas, crianças, pessoas dependentes ou com deficiência
3. Portaria n.º 142/2017, de 14 de abril
Regulamenta e reforça o direito a acompanhante nos serviços de urgência e internamento do SNS. Os hospitais são obrigados a criar condições para que este direito seja respeitado. A gestão hospitalar não está acima da lei.
4. Portaria n.º 23/2025/1, de 29 de janeiro
Estabelece que, mesmo que o utente chegue ao hospital sem contacto prévio com a Linha SNS 24, deve ser:
Facultado o acesso à Linha para encaminhamento;
E, caso não seja possível, deve ser inscrito no serviço de urgência e sujeito a triagem hospitalar.
A portaria sublinha que “não pode resultar falta de resposta em saúde ajustada à condição clínica do utente”, incluindo no acompanhamento dos seus familiares.

Isto significa que nenhum hospital pode recusar atendimento por falta de chamada prévia à Linha SNS 24, sendo essa prática ilegal e contrária à Constituição, à Lei e à Portaria

Direitos humanos em risco
  1. O direito ao atendimento médico imediato não pode ser condicionado a chamadas telefónicas ou autorizações burocráticas.
  2. O direito a um acompanhante em partos, internamentos, pediatria e urgências é legalmente reconhecido e não pode ser negado arbitrariamente.
  3. A ausência de condições nos centros de saúde prejudica utentes e funcionários, criando sobrecarga, stress, burnout e desumanização.
  4. As falhas do SNS têm efeitos psicológicos devastadores: famílias traumatizadas, profissionais culpabilizados, utentes sem confiança no sistema.
Responsabilidade política
Quando o Estado falha em proteger a vida e a dignidade dos cidadãos, deve haver responsabilização política imediata.
Não é aceitável continuar a normalizar tragédias evitáveis. A demissão da Ministra da Saúde é uma exigência ética, política e social.

O que exigimos
1. Demissão imediata da Ministra da Saúde.
2. Garantia de atendimento hospitalar imediato a qualquer cidadão, sem exigência de contacto prévio com o SNS 24.
3. Cumprimento integral do direito a acompanhante em partos, internamentos, pediatria e urgências.
4. Reforma urgente da Linha SNS 24 e SNS Grávida, que não pode substituir o acesso direto ao hospital.
5. Plano emergencial de reforço de recursos humanos e infraestruturas, com contratação imediata de médicos, enfermeiros, auxiliares e investimento nos centros de saúde.
6. Investimento público sério no SNS, com aumento de camas hospitalares, modernização de instalações e condições de trabalho dignas.
7. Protocolos nacionais de transporte de grávidas e recém-nascidos, para evitar tragédias evitáveis.
8. Auditoria independente ao SNS, com relatórios públicos e responsabilização administrativa e política pelas falhas graves

A saúde é um direito constitucional, não um privilégio. Não podemos assistir passivamente a um colapso que ceifa vidas e destrói a confiança no SNS.

Assinamos esta petição por justiça, dignidade e responsabilização política. Porque nenhum bebé deve nascer numa estrada, nenhuma grávida deve ser abandonada, nenhum cidadão deve ser recusado ou deixado sozinho num hospital.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Os cartazes abjectos do Chega - como denunciar



Não partilho as fotos dos cartazes abjectos.
Partilho que já mandei queixa para CNE, PGR, Internet Segura e outros órgãos de soberania. Qualquer cidadão pode fazer. Não é preciso ser especialista em direito para perceber a violação do artigo 240 do código penal.
Aproveitem agora, porque se continuarmos muito por este caminho e voltarem novos salazares, piar é verbo que pode deixar de existir no dicionário.

"Venho por este meio denunciar e solicitar a atuação da Comissão Nacional de Eleições, Ministério Público e demais órgãos de soberania perante os cartazes colocados em locais públicos associados à candidatura presidencial de André Ventura.
Cartazes que têm por objetivo difamar e acicatar o ódio relativamente a comunidades imigrantes e à comunidade cigana. Tais mensagens, além de chocantes do ponto de vista social e humanitário, além de causarem alarme público e social, violam claramente a Constituição e em específico o Artigo 240 do Código Penal português, "Discriminação e incitamento ao ódio e à violência".
Para mim, enquanto cidadão, é inconcebível que num estado de Direito como é Portugal, cartazes daquele teor sejam expostos e mantidos no espaço público sem serem rapidamente retirados. Tal como não é compreensível que os continuados promotores destas mensagens, contrárias aos princípios da democracia, continuem impunes, apesar de o Artigo 240 prever até penas de prisão em diferentes alíneas."

Seguro diz que cartazes do Chega são inaceitáveis e violam valores constitucionais

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Urbanidade - Guia de A a Z da Resiliência Urbana


«As cidades não são apenas tijolos e esgotos. São organismos vivos — testados diariamente por ondas de calor, inundações, secas e perturbações.
A questão não é apenas como sobrevivemos, mas como prosperamos de forma diferente após cada choque.
Este guia de A a Z explora os princípios, as práticas e as provocações que fazem com que as cidades não só recuperem, mas também avancem.

Resiliência em 4 Movimentos:
Antecipação e Adaptação — Não espere pelo desastre. Planeie-se para ele.
Inclusão e Justiça — Proteja primeiro aqueles que estão em maior risco.
Natureza e Pensamento Sistémico — As cidades prosperam quando trabalham com a natureza, e não contra ela.
Força Institucional — Os governos locais precisam de autoridade, não apenas de conselhos.»

Fonte: UN Habitat

Saber mais:

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Pró - Democracia


Texto muito poderoso. Obrigado Helena Freitas. Já tinha abordado isto nesta postagem . Vivemos em tempos do absurdo, de grave iniquidade social, muita desinformação e estamos a sofrer das escolhas desumanas dos globocratas (para melhor perceberem, os multibilionários e bilionários, sejam eles russos, norte-americanos ou chineses ou de outra nacionalidade) . É necessário VER esta época, sair do absurdo e criar coragem e ver quem está a fazer boas práticas sócio-ambientais e travar a tempo, novo fascismo e desconstruir o patriotismo pacóvio. Também relembro outra reflexão que fiz aqui, com o título "Demorar a chamar os fascistas pelo nome, custará a nossa democracia". Varoufakis diz, e bem, que esta época é tecno-feudalista. Só um exemplo: porque não nos revoltamos contra McDonald´s, Burger Kings, Coca-Cola e aceitamos como "normalidade". Não é! Porque aceitamos a Temu, Shein, Shopee, AliExpress, Amazon como "normalidade"? Não é! Porque nos inscrevemos e pagamos para a Netflix, Prime Video, Disney+ ou Filmin que são "estrangeiras"? Porque não contestamos a Galp, a Navigator, a Altri? E por aí fora. Neste texto alerto para um problema existencial grave: a lavagem do cidadão (citizen washing). E, desculpem: porra, a culpa não é dos imigrantes "ilegais", a culpa não é do envelhecimento da população. Não gosto da palavra "estrangeiros" nem "povos indígenas", nem "idosos". Gosto da palavra "povos originários", "pessoas", "humanidade". Gosto também da palavra "urbanidade" . Gosto da palavra "Renaturalizar", "Regenerar" e "Prevenir". As causas são as nossas ESCOLHAS e atitudes e EXIGIR Sustentabilidade REAL e não lavagem verde!

domingo, 28 de setembro de 2025

O papel ecológico dos fungos e cogumelos


"...Os fungos são especialistas em reciclagem. Como saprófitas — o termo técnico para organismos que se alimentam de matéria orgânica morta ou em decomposição —, são capazes de decompor matéria orgânica, decompondo moléculas orgânicas complexas em formas mais simples que podem ser reutilizadas por plantas e outros organismos fotossintéticos. Através da ação dos fungos, a morte torna-se a base de uma nova vida: o ciclo mais fundamental da vida. Este é o papel ecológico fundamental dos fungos e a razão pela qual são a pedra basilar de qualquer ecossistema próspero.

Mas em breve o outono estará entre nós aqui no hemisfério norte, e com ele os fungos darão um espetáculo que vai muito para além do seu importante papel ecológico. Um passeio na floresta durante o outono traz as cores quentes das folhas caídas e o cheiro húmido e vagamente adocicado da decomposição. Todo o verde glorioso do verão que passou deve agora ser reciclado. É uma época de festa para os fungos, por isso, qual a melhor altura para cuidar da reprodução? 

Por toda a floresta, os cogumelos começam a brotar numa variedade de formas e cores que rivalizam com as das flores da primavera. Tal como as flores para as plantas, os cogumelos são os órgãos reprodutores dos fungos, e muitas vezes a única parte visível dos organismos, compostos principalmente por redes complexas de filamentos longos e semitransparentes chamados hifas.  

Não se espalham apenas pelo solo da floresta. Se apontar um pouco mais alto, em direção aos troncos das árvores, também poderá avistar alguns dos fungos especializados em cascas de árvores, como o bonito galeirão-do-mato (Laetiporus sulphureus) na foto acima..."
Ler o texto completo aqui

domingo, 21 de setembro de 2025

Porto contra os eucaliptos e na defesa da floresta tradicional

O país não pode estar entregue à celulose, além disso, o eucalipto não é assim tão bom negócio quanto isso.

"Com mais um bocado de trabalho, o carvalhal dá mais rendimento", argumentou Carlos Evaristo, apontando a um estudo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Embora demore mais anos a crescer, uma floresta de carvalhos "permite subprodutos como os cogumelos ou o mel, valoriza a paisagem e atrai turistas - ninguém gosta de fazer turismo no meio dos eucaliptos", acrescentou, lembrando o mote principal da manifestação: os fogos florestais.

"O eucalipto é uma árvore que beneficia do fogo para se reproduzir", diz Carlos Evaristo. A árvore, originária da Austrália, não só medra no fogo como "é terreno fértil para outras invasoras como mimosas e acácias", argumentou, defendendo a substituição do eucaliptal por floresta autóctone. "Os carvalhos e sobreiros desenvolveram estratégias melhores para lidar com o ciclo do fogo", argumentou.

"A monocultura do eucalipto é uma paisagem monótona que só degrada os solos", que não é só consequência, mas também causa. "Num interior abandonado, o eucalipto cresce por ele próprio, não precisa de manutenção, não produz emprego e contribuiu mais para a desertificação", defende Carlos Evaristo.


O que precisamos é de uma floresta para o futuro, uma floresta com várias espécies misturadas e com espécies nativas, espécies que já estão adaptadas às nossas condições climáticas há milhares e milhares de anos, portanto, não precisamos de espécies exóticas que nos trazem os  problemas atrás referidos.

domingo, 13 de julho de 2025

O Império é um constante insulto à nossa inteligência

Fonte: Caitlin Johnstone

Os EUA impuseram sanções à relatora especial do Conselho dos Direitos do Homem da ONU, Francesca Albanese, por ter usado a sua posição para se opor ao genocídio mais exaustivamente documentado da história. 

Simultaneamente, os EUA retiraram o HTS, o franchising sírio da Al-Qaeda, da sua lista de organizações terroristas, porque o seu líder levou a cabo com êxito a mudança de regime em Damasco que o império ocidental perseguia há anos. 

Ao mesmo tempo, o Reino Unido acrescentou o grupo de ativismo não violento anti-genocídio Palestine Action à sua lista de organizações terroristas proibidas por se opor ao holocausto de Gaza. 

Ao mesmo tempo, o Primeiro-Ministro israelita que está a levar a cabo esse holocausto nomeou para o Prémio Nobel da Paz o Presidente americano que está a ajudar a perpetrar atrocidades genocidas. (…) O império ocidental é um insulto incessante à nossa inteligência. 

Os defensores da paz são terroristas, os arquitetos do genocídio merecem prémios da paz, os jornalistas são perigosos (…) 

Fazem tudo o que podem para nos tornar estúpidos através da propaganda, do controlo da informação de Silicon Valley e de sistemas de ensino doutrinários, e depois tratam-nos como se fôssemos idiotas para o resto das nossas vidas. O império depende da ignorância. Quanto mais estúpidos, racistas, ingénuos e facilmente distraídos nos tornarmos, mais agendas nefastas o império pode implementar. (…)”

The US has imposed sanctions on UN Human Rights Council Special Rapporteur Francesca Albanese for using her position to oppose the most thoroughly documented genocide in history.

At the same time, the US has removed Syria’s Al Qaeda franchise HTS from its list of designated terrorist organizations, because its leader successfully carried out the regime change in Damascus that the western empire had been chasing for years.

At the same time, the UK has added nonviolent anti-genocide activism group Palestine Action to its list of banned terrorist organizations for opposing the Gaza holocaust.

At the same time, the Israeli prime minister who is carrying out that holocaust has nominated the American president who is helping him perpetrate genocidal atrocities for a Nobel Peace Prize.

At the same time, Israel has continued its ban on foreign journalists entering Gaza, while also arresting the Israeli journalist who helped expose the IDF officials who cooked up fake atrocity propaganda about burnt babies on October 7.

At the same time, the Trump administration has enraged its MAGA base by concluding that Jeffrey Epstein had no client list for any kind of sexual blackmail operation and definitely committed suicide.

The western empire is one nonstop insult to our intelligence. The peace advocates are terrorists, the genocide architects deserve peace prizes, the journalists are dangerous, and Epstein was just a wealthy socialite who made a few mistakes.

They do everything they can to make us stupid via propaganda, Silicon Valley information control, and indoctrination schooling systems, and then they treat us like we’re morons for the rest of our lives.

The empire depends on ignorance. The more stupid, racist, gullible, and easily distracted we become, the nastier agendas the empire can roll out. Now here we are watching a live-streamed genocide unfold right in front of our eyes for nearly two years while being tube fed a daily diet of the most ridiculous lies imaginable.

As Aaron Bushnell said, this is what our ruling class has decided will be normal.

sábado, 12 de abril de 2025

IPBES - were are making an X-IT


We have important news…

Starting 1 May 2025, ipbes.net will no longer post to X.

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quarta-feira, 2 de abril de 2025

Dia Mundial da Consciencialização sobre o Autismo


Houve um ano, não me recordo agora qual, em que eu só postava pintores no FB. Muitos deles desconhecidos. Os que encontrava dava-os a conhecer também ao Tiago. A preocupação que tinha era que tínhamos um aluno autista, na altura com 14 anos e acreditava que além de o obrigar a concentrar-se em tarefas da matemática e incentivá-lo ao cálculo (quantos jogos tivemos que ir buscar à pré-primária), leituras de textos simples, trenei com ele a educação visual. De facto, de repente, não saía nada. Mas depois, passado 3 ou 4 aulas, sucedia que ele pedia papel branco, craiões e marcadores e pintava seu gosto. Os resultados eram bonitos de se ver. As combinações de formas e cores eram realmente boas. Tivemos pena que os pais tivessem sido mal orientados no passado. O Tiago talvez com essa idade já estivesse mais desenvolvido em termos de linguagem e interacção social.

O Dia Mundial da Consciencialização sobre o Autismo é assinalado, anualmente, a 2 de abril. Este dia foi criado através da resolução 62/139 da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, a 18 de dezembro de 2007.

O seu objetivo é consciencializar os cidadãos para esta condição e incentivar à inclusão das pessoas com autismo na sociedade.

Em 2025, o tema é «Promover a Neurodiversidade e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas», destaca a relação entre a neurodiversidade e os esforços globais de sustentabilidade, destacando a forma como as políticas e práticas inclusivas podem impulsionar mudanças positivas para os indivíduos autistas em todo o mundo e contribuir para a realização dos ODS.

domingo, 22 de dezembro de 2024

Sabedoria indígena dos EUA


"Se falar com os animais, eles falarão consigo e conhecer-se-ão. Se não falar com eles, não os conhecerá, e o que não sabe, temerá. O que se teme, destrói-se." ~ Chefe Dan George, Tsleil-Waututh Nation

"If you talk to the animals, they will talk with you and you will know each other. If you do not talk to them, you will not know them, and what you do not know, you will fear. What one fears, one destroys.”
~ Chief Dan George, Tsleil-Waututh Nation

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Os bilionários



Dou por mim, muitas vezes  pensar que quem manda nisto tudo é o poder do dinheiro e que os governos, eles próprios, são dominados por esse poder. Já aqui escrevi que o poder do feiticeiro reside na ignorância dos seus irmãos tribais. 
O texto atribuído ao grande divulgador Cal Sagan que se transcreve acima diz, por palavras sábias, esta minha convicção.