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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

As assembleias populares - uma resposta adequada da Juventude Portuguesa enfrentando os lobistas da Habitação inacessível



Ricos a contar notas + falta de literacia + a crise habitacional = o pessoal com a corda no pescoço a votar em quem aperta o nó. O amor dos pobres pelo Chega devia dar um estudo sobre a Síndrome de Estocolmo.
Visto no centro da Maia.

Melhor som aqui
A canção "Marchem Connosco" do grupo Sindicato Sonoro, com produção de Mundo Segundo, foi lançada originalmente em 2011 no EP Não Há Crise, um período marcado pela intervenção da Troika  O tema central da faixa gira em torno da consciencialização social, da revolta contra a apatia e da necessidade urgente de luta e união perante as dificuldades políticas, económicas e sociais.

A obra abre com um sample de excertos de "Manifesto Anti-Dantas" de Mário Viegas (1978) uma crítica dura e direta a uma geração que aceita passivamente ser representada por líderes ineptos, preferindo refugiar-se no conforto da televisão e das distrações quotidianas em vez de agir. A partir daí, a letra faz um apelo constante para que as pessoas saiam do comodismo e vão para a rua, sublinhando que a palavra é uma arma legítima contra o poder instituído, a precariedade do sistema monetário e as imposições que limitam a liberdade. Através do refrão marcante que convida a sair do fundo do poço e a questionar tudo o que é imposto, a música promove a solidariedade, a honra, a dignidade e a união entre diferentes gerações, origens e classes. Paralelamente, os artistas afirmam o papel da sua identidade cultural e do rap feito na língua de Camões como ferramentas de resistência que mantêm a consciência desperta, provando que, mesmo em tempos de crise e adversidade, a arte e a ação coletiva são fundamentais para reivindicar justiça e mudança.

Relação e Atualidade com as Acampadas em Portugal
A profunda atualidade do tema com as acampadas em Portugal reside no facto de as suas reivindicações originais espelharem exatamente as crises atuais, em especial a emergência habitacional, o aumento do custo de vida e a perda do poder de compra que hoje mobilizam cidadãos a ocupar praças no Rossio e no Porto. Quando a música convoca "a luta está na rua, marchem connosco" e denuncia o "calvário desse sistema monetário e desse crédito bancário precário", ela traduz o sentimento de sufoco financeiro que leva as pessoas a usar as tendas no espaço público como última forma de protesto e visibilidade social. Além disso, ao criticar quem se resigna no comodismo doméstico em vez de exigir direitos, a canção continua a funcionar como um manifesto direto a favor do ativismo e da ocupação do espaço público, reforçando que a conquista de uma vida digna exige contestação ativa e presença física nas ruas.

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Basta!

Portugal distópico: parque público habitacional de apenas 2%; área florestal pública de apenas 2%; assimetria demográfica gritante em plano inclinado, com elevada concentração populacional no Litoral e o Interior quase vazio. E, no meio disto, uma partidocracia a bater sistematicamente na mesma tecla, em vez de assumir uma governança de efetiva coesão social e territorial.

Para travar esta enorme desestruturação, Portugal tem de vestir a camisola e dizer, em alto e bom som: BASTA! Queremos um plano estratégico a 15 até 20 anos e BASTA de mudar tudo (Ministério da Educação, Ministério da Administração Interna, Ministério do Ambiente, etc.) de 4 em 4 anos ou pior, de 2 em 2 anos. O que fazem? Recomeçam TUDO do ZERO, com novos nomes, novas meta-línguas, mais burocracia, e cada vez mais merdificação, socialwashing e - ainda mais grave - citizenwashing. E a riqueza de poucos sempre a subir e a concentrar-se. Em Portugal, os dados mais recentes do Banco de Portugal mostram que quase 60% da riqueza nacional está concentrada nos 10% mais ricos, enquanto para a metade mais pobre das famílias sobra apenas cerca de 6%.

Se desejamos realmente um País progressista, inclusivo e democrático, é imperativo que cada novo Governo respeite os pactos da  República  e os planos de longo prazo, aperfeiçoando-os em vez de os destruir. Caso contrário, continuaremos sem sair do fosso estrutural. BASTA!

𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐚𝐥, 𝐚𝐨 𝐟𝐢𝐦 𝐝𝐞 𝟓𝟎 𝐚𝐧𝐨𝐬: 𝐅𝐚𝐝𝐨, 𝐅𝐚́𝐭𝐢𝐦𝐚, 𝐅𝐮𝐭𝐞𝐛𝐨𝐥, 𝐅𝐨𝐥𝐢́𝐭𝐢𝐜𝐚, 𝐑𝐞𝐝𝐞𝐬 𝐒𝐨𝐜𝐢𝐚𝐢𝐬 𝐞 𝐑𝐞𝐚𝐥𝐢𝐭𝐲 𝐒𝐡𝐨𝐰
1. Sugestão de leitura. Livro muito actual. Publicado em 2014



𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐚𝐥, 𝐚𝐨 𝐟𝐢𝐦 𝐝𝐞 𝟓𝟎 𝐚𝐧𝐨𝐬: 𝐅𝐚𝐝𝐨, 𝐅𝐚́𝐭𝐢𝐦𝐚, 𝐅𝐮𝐭𝐞𝐛𝐨𝐥, 𝐅𝐨𝐥𝐢́𝐭𝐢𝐜𝐚, 𝐑𝐞𝐝𝐞𝐬 𝐒𝐨𝐜𝐢𝐚𝐢𝐬 𝐞 𝐑𝐞𝐚𝐥𝐢𝐭𝐲 𝐒𝐡𝐨𝐰
2. Sugestão musical- Valete: Anti Herói . Lançada em 2007

domingo, 11 de outubro de 2026

Rap, Grunge e Techno: as novas tribos da contracultura dos anos 90, consolidando o legado punk e pós-punk dos anos 80

Como recordei anteriormente, o movimento punk e o pós-punk dos anos 80 moldaram-nos não apenas o gosto musical, mas a própria coluna vertebral e a ética de vida. O underground dessa altura era, na sua essência, um espaço de total liberdade e inclusão radical: não éramos homofóbicos, racistas, gordofóbicos, idadistas ou transfóbicos. Rejeitávamos qualquer preconceito, discriminação ou moralismo tacanho. A margem era o nosso refúgio de igualdade, onde a diferença de cada um era acolhida sem rótulos ou julgamentos.

Com a chegada dos anos 90, essa matriz de liberdade desdobrou-se em novas tribos. Fala-se frequentemente do rap, do grunge e do techno como "movimentos de subversão cultural" dos anos 90 em Portugal. No entanto, mais do que ruturas absolutas, muitos destes fenómenos herdaram ou diluíram o espírito de resistência que o punk e o pós-punk já tinham conquistado nos anos 80. Ainda assim, ao redefinirem a música, a estética e os pontos de encontro da juventude, acabaram por moldar a forma como se vivia à margem no Portugal dessa década.

Ao contrário do rock tradicional, o rap português não nasceu nos clubes do centro da cidade, mas sim na periferia e nos bairros sociais da Grande Lisboa, da Margem Sul (como São João da Talha, Cova da Moura, Chelas ou Miratejo) e do Porto. O movimento começou a ganhar corpo no final dos anos 80 através dos B-Boys e do breakdance em pontos de encontro como o Areeiro ou as Amoreiras, atingindo dimensão nacional em 1994 com a histórica compilação Rapública, onde sobressaiu o icónico «Não Sabe Joaquina» dos Black Company. Enquanto as subculturas anteriores expressavam a sua angústia através da poética e do niilismo, o hip-hop trouxe o realismo cru, dando voz à denúncia do racismo institucional, do desemprego, da discriminação policial e das vivências da periferia através de nomes como General D, Boss AC, Da Weasel, Mind Da Gap, Dealema ou Chullage. A sua estética era vincadamente pragmática e Do It Yourself: sem acesso a marcas americanas, usavam-se calças e camisolas de fato de treino vários tamanhos acima (oversized), casacos desportivos, ténis clássicos como os Adidas Superstars ou Nike Air Max, bonés virados e hoodies largos, enquanto o grafiti cobria os muros e os comboios suburbanos.

Em simultâneo, o grunge (cujos adeptos eram frequentemente apelidados de gungas na gíria jovem portuguesa) conquistou a juventude através do impacto do rock alternativo vindo de Seattle, com bandas como Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden ou Alice in Chains. A estética gunga representou uma rejeição direta ao consumo ostensivo e ao estilo "engomado" do mainstream, traduzindo-se num desleixo calculado e numa postura melancólica de desassossego. O uniforme de rua era inconfundível: camisas de flanela xadrez desgastadas e abertas sobre t-shirts de bandas, calças de ganga rotas ou desfiadas, casacos de malha cardada oversized, gorros de lã descatados e calçado como os ténis Converse All Star velhos ou botas estilo Doc Martens. Ser gunga significava adotar uma atitude antirótulos e anti-sistema, habitando os pontos de encontro ao ar livre, escadarias da cidade, concertos de garagem e os festivais de Verão emergentes.

Por sua vez, o techno afirmou-se como uma força contracultural igualmente poderosa, mas articulada de forma oposta aos discursos verbais do rap ou do grunge. Se estes lutavam através da palavra e da denúncia explícita, o techno afirmava-se pela abolição do discurso, pela despersonalização e pela libertação do corpo na dança. A cultura acid house e as free parties rejeitavam o circuito comercial dos clubes com seguranças e consumos mínimos, deslocando a festa para armazéns devolutos, pedreiras, herdades e praias isoladas - verdadeiras Zonas Autónomas Temporárias. Nas raves, a atenção deixava de estar num palco ou num culto de personalidade: o DJ tocava frequentemente na penumbra e a pista não tinha orientação fixa, promovendo a dissolução do ego e a igualdade absoluta. A batida hipnótica contínua (4/4) e os eventos que se prolongavam até ao meio do dia seguinte eram um ato de resistência contra a rotina de trabalho e a moral tradicional. A estética raver rompeu por completo com o visual escuro dos anos 80, priorizando o conforto e a liberdade de movimento com tons néon e fluorescentes, tecidos sintéticos, calças baggy e cargo e uma panóplia de acessórios funcionais: pequenas bolsas de cintura, óculos de sol futuristas usados no escuro, apitos, chupetas, chapéus bucket para o sol da manhã e, acima de tudo, a garrafa de água e os ténis de sola grossa (como as lendárias Buffalo), desenhados para suportar maratonas de impacto no betão.

terça-feira, 28 de abril de 2026

GENER8ION - STORM starring Yung Lean


[Verse 1]
I got, got, got
I-I-I
You got a death wish
Got a death wish
Someone said:
"Hey, you got a death wish"
It’s on my hit list
I’m on the blacklist
On the Forbes list
Put it on my lip
I take another one

[Pre-Chorus]
And you won’t die for some if you don’t stand for none

[Chorus]
So just go ahead and run
Run, run, run, run, run
Just go ahead and run
Run, run, run, just go a-
If you won’t die for some (If you won’t die for some)
If you don’t stand for none (If you don’t stand for none)

[Verse 2]
Got a death wish
It’s on my hit list
I’m on the blacklist
On the Forbes list

[Chorus]
So just go ahead and run
Run, run, run, run, run
Just go ahead and run
Run, run, run, run, run
If you won’t die for some (If you won’t die for some)
If you don’t stand for none (If you don’t stand for none)

[Outro]
Hey, hey (Hey, hey) 5X
You got a death wish

O significado da canção "STORM" reside na exploração do caos interior, da alienação e da busca por libertação num mundo que parece estar permanentemente à beira de um colapso. O título funciona como uma metáfora dupla, referindo-se tanto à turbulência emocional da juventude como a uma mudança social inevitável e, por vezes, violenta. Através da entrega vocal melancólica de Yung Lean, a letra evoca um sentimento de niilismo e sobrevivência, sugerindo a necessidade de resiliência individual dentro de um sistema opressor, onde o indivíduo se torna tão frio e implacável quanto o ambiente hostil que o rodeia para conseguir navegar a incerteza.

Musicalmente, a produção de GENER8ION utiliza sonoridades industriais e batidas metálicas que simulam uma maquinaria rígida, criando uma tensão constante entre a ordem institucional e o caos emocional. A canção sugere que este caos não deve ser evitado, mas sim abraçado como um catalisador para a transformação. O significado culmina numa ideia de catarse e transmutação, especialmente visível na transição para a segunda parte da composição, onde a música se torna mais melódica e coral. Este momento simboliza que, após a libertação da energia agressiva, pode surgir uma nova forma de união transcendente.

Em última análise, "STORM" aborda o vazio existencial de uma geração que, apesar da hiperconectividade, luta contra o ruído constante da pressão social e da informação. A obra representa, portanto, um momento de rutura: o som do colapso de velhas estruturas e o nascimento de algo novo e desgovernado através da força da juventude. É um comentário sobre a necessidade de encontrar uma voz própria e de transformar a dor em movimento coletivo antes que o sistema consuma a individualidade.

A colaboração entre o projeto francês GENER8ION, liderado pelo produtor Surkin, e o artista sueco Yung Lean, resultou numa obra audiovisual de impacto imediato que utiliza a música para explorar as tensões da juventude contemporânea. O tema "STORM" apresenta-se como um híbrido entre o eletrónico industrial e o Cloud Rap melancólico, mas é na sua representação visual, dirigida por Romain Gavras, que reside a maior carga interpretativa. As filmagens tiveram lugar na Bélgica, no Collège Cardinal Mercier, em Braine-l'Alleud, cuja arquitetura neo-gótica e imponente confere ao vídeo uma atmosfera de autoridade e tradição, evocando o imaginário dos colégios internos britânicos para criar um cenário de isolamento e claustrofobia.

A escolha do Collège Cardinal Mercier, na Bélgica, como cenário para as filmagens foi uma decisão estratégica que fundamenta toda a narrativa visual da obra. A arquitetura neo-gótica e o ambiente académico do colégio transmitem uma sensação imediata de tradição, autoridade e claustrofobia, servindo como o palco perfeito para representar uma instituição que molda, e muitas vezes limita, o comportamento dos jovens. Este cenário oferece um contraste estético poderoso, onde a beleza clássica e organizada do espaço serve de contraponto à energia caótica, brutal e moderna da música de GENER8ION e à performance de Yung Lean. Este choque propositado entre o "velho mundo", representado pelas paredes de tijolo e corredores históricos, e o "novo mundo", marcado pelo rap e pela agressividade juvenil, é uma das marcas registadas da direção de Romain Gavras. Além disso, ao filmar na Bélgica enquanto evoca um estilo visual internacional, o vídeo adquire uma qualidade universal, deixando de ser apenas um retrato de um problema britânico ou francês para se tornar uma observação abrangente sobre a condição da juventude europeia contemporânea.

Relativamente ao debate sobre a masculinidade, o projeto não parece ter como objetivo glorificar comportamentos tóxicos, mas sim expô-los como uma performance social inevitável em ambientes de repressão institucional. Ao retratar rituais de iniciação agressivos no interior deste colégio histórico, o realizador utiliza uma estética cinematográfica de luxo para evidenciar o vazio e a brutalidade dessas interações. A presença de Yung Lean, que encarna o papel de líder, reforça este sentimento; a sua postura não é a de um herói triunfante, mas a de alguém preso a um papel que exige uma dureza constante perante os seus pares.

O ponto de viragem para a denúncia surge através da coreografia de Damien Jalet, onde a violência física bruta se transfigura em expressão artística coletiva nos pátios e corredores do Collège Cardinal Mercier. Esta transição sugere que a energia canalizada para a masculinidade tóxica é, na verdade, uma forma distorcida de necessidade de pertença e movimento. Ao transformar o confronto em dança, "STORM" retira a máscara da agressividade e revela a vulnerabilidade escondida sob os códigos de conduta masculinos. Assim, a obra funciona como um espelho crítico, utilizando a beleza monumental do cenário belga para prender o espetador a uma reflexão desconfortável sobre como as instituições e os grupos moldam a identidade dos jovens.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Música do BioTerra: Clams Casino - Angels


Filmes
I origins (2014) Another Earth (2011) The Divide (2012) Looper (2012) A Dangerous Method (2011) Music Videos: Yoshi City - Yung Lean Daedelus - Drown Out album teaser

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Eu penso renovar o Homem usando borboletas

Quando era criança tinha uma figueira num quintal muito próximo de casa. Confesso que não era lá grande e rápido escalador, mas só a vontade e persistência de chegar ao cimo dela era ENORME! Percebe-se porquê na postagem do BioTerra de hoje! Sempre que regresso a uma figueira, permaneço no chão, aprecio seu volume, seus ramos e cheiros. Descobri há uns anos uma figueira a crescer nas paredes do castelo de Monsaraz. Os cimos das árvores são poemas vivos, lições de vida e de Vida!


Retrato do Artista quando Coisa

A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como
sou - eu não aceito.
Não aguento ser apenas um

sujeito que abre
portas, que puxa válvulas,
que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora,
que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.

Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem
usando borboletas.

Manoel de Barros (biografia)
Documentário "Só 10% é mentira"

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Encontros Improváveis: Cecília Meireles e Clams Casino



Não digas onde acaba o dia.
Onde começa a noite.
Não fales palavras vãs.
As palavras do mundo.
 
Não digas onde começa a Terra,
Onde termina o céu
Não digas até onde és tu.

Não digas desde onde és Deus.
Não fales palavras vãs.

Desfaze-te da vaidade triste de falar.
 
Pensa,completamente silencioso,
Até a glória de ficar silencioso,
Sem pensar.
Cecília Meireles

Melhor som aqui

Imogen Heap (wikipedia)
Site

Este vídeo contém cenas da popular série de televisão americana de drama adolescente Riverdale.

As imagens mostram especificamente a personagem Cheryl Blossom (interpretada por Madelaine Petsch) em vários momentos dramáticos, incluindo cenas na mansão da família Blossom e junto ao rio Sweetwater.