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sábado, 22 de agosto de 2026

Hoje assinala-se o Dia Internacional de Homenagem às Vítimas de Atos de Violência Baseados em Religião ou Crença.

Marilyn Monroe "The Springtime of Life", near Mailbu, CA, 1946- foto de André de Dienes

Embora estas efemérides procurem proteger a liberdade de consciência, torna-se impossível ignorar o papel que a própria religião - ou a sua manipulação ideológica - desempenhou e continua a desempenhar na eclosão de conflitos e na perda de vidas humanas. Ao longo da história, dogmas religiosos têm sido instrumentalizados para alimentar um nacionalismo sectário, onde a fé deixa de ser uma busca espiritual individual e passa a funcionar como uma fronteira de exclusão política. Quando a identidade nacional se confunde com a ortodoxia religiosa, a divergência deixa de ser apenas uma diferença de opinião e passa a ser vista como uma ameaça à soberania, pavimentando o caminho para a perseguição, a guerra e a violência estatal.

Acompanho, com muita apreensão, a aceleração e crescimento  galopante dos evangélicos e da manipulação em massa de gente nova a aderir a discursos evangélicos e pentecostais, os chamados "soldados/soldadas de Cristo". O movimento "Mulheres Conservadoras em Portugal" é o clímax de uma orquestração, que já vem detrás.  A aproximação à direita brasileira ganha particular relevância pelo papel que as igrejas evangélicas desempenham no Brasil como importante base de apoio da direita e estão no Parlamento Brasileiro. Imitam o Novo Conservadorismo norte-americano, constituindo, portanto, uma real ameaça à democracia. 

Contudo, os números são impressionantes. A liberdade de religião e de crença permanece um dos direitos fundamentais mais transgredidos no mundo contemporâneo, afetando cerca de 4,9 mil milhões de pessoas - o equivalente a mais de 60% da população global - que vivem sob regimes com limitações severas ou perseguição ostensiva à prática espiritual, segundo o relatório da Fundação ACN (Aid to the Church in Need). A violência motivada pela fé não se restringe a uma região ou dogma específico, distribuindo-se de forma heterogénea e vitimando comunidades de diversas matrizes.

Entre as populações mais afetadas, estima-se que mais de 365 milhões de cristãos enfrentem níveis elevados de discriminação ou opressão, registando-se perto de 5.000 assassinatos anuais por razões diretamente ligadas à sua fé, concentrados maioritariamente na África subsariana, com a Nigéria a responder por mais de 80% destas vítimas mortais, de acordo com os dados monitorizados pelo WWL da Open Doors International. Paralelamente, minorias muçulmanas sofrem repressão sistémica em várias geografias, como ilustrado pela detenção de mais de 1 milhão de Uigures em campos de reeducação em Xinjiang, na China, documentada pelo Relatório de Avaliação do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (OHCHR), e pelo deslocamento forçado de cerca de 740.000 muçulmanos Rohingya forçados a fugir de Mianmar para o Bangladesh, segundo os registos do Portal de Dados Operacionais do ACNUR/UNHCR. O antissemitismo também tem apresentado surtos globais, com aumentos superiores a 300% em incidentes violentos e de intimidação registados em países ocidentais após a escalada de conflitos no Médio Oriente a partir do final de 2023, de acordo com as estatísticas da Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (FRA).

A gravidade do panorama estende-se ao enquadramento jurídico de vários Estados. Em cerca de 13 nações - localizadas maioritariamente no Médio Oriente, Norte de África e Sul da Ásia —, crimes como a apostasia e a blasfémia preveem formalmente a pena de morte, enquanto em mais de 80 países a renúncia à religião maioritária ou a crítica a dogmas resulta em penas de prisão efetiva, acusações criminais ou privação de direitos civis, como documenta a Humanists International no seu Freedom of Thought Report. Nestes cenários, a ausência de crença também é severamente punida, tornando ateus e agnósticos alvos frequentes de sanções estatais.

A esta realidade soma-se a expansão de novos movimentos de traço sectário que instrumentalizam o estatuto de liberdade religiosa para exercer coerção psicológica, exploração financeira ou violação de direitos individuais. O grande desafio da comunidade internacional e dos Estados de direito reside em equilibrar a salvaguarda da liberdade de consciência com a aplicação rigorosa da lei, garantindo que o pretexto da fé não sirva para legitimar abusos, nem que o poder estatal seja utilizado para silenciar a diversidade de crenças.

O Afeganistão sob o domínio do Taliban representa um dos exemplos mais radicais de como a instrumentalização da religião pode anular o Estado de direito e refundar a identidade de um país sob uma lógica de exclusão absoluta. Desde o regresso do grupo ao poder em agosto de 2021, a interpretação ultrafundamentalista da lei islâmica de matriz Deobandi foi erguida como a única fonte de soberania e legitimidade, transformando a fé num instrumento de controlo social totalitário.

Esta fusão entre dogma e governação resultou no apagamento prático da diversidade cultural e religiosa do país. Minorias históricas, como a comunidade Hazara (maioritariamente xiita, representando entre 10% a 15% da população afegã), enfrentam episódios recorrentes de violência, marginalização e deslocamento forçado sem qualquer garantia de proteção estatal, conforme documentado nos Relatórios sobre o Afeganistão da Amnistia Internacional. Ao mesmo tempo, o desvio da ortodoxia oficial, a conversão a outro credo ou o abandono da fé são classificados como apostasia — um crime punível com a pena de morte no enquadramento penal do regime, o que força qualquer dissidência espiritual ao anonimato absoluto sob risco de vida.

Paralelamente, a narrativa religiosa serve de justificação para uma segregação de género sem paralelo no mundo contemporâneo, frequentemente descrita por organismos internacionais como um sistema de apartheid. Mais de 1,4 milhões de raparigas afegãs foram deliberadamente privadas do acesso ao ensino secundário e universitário por decretos do regime, segundo o Relatório sobre a Situação da Educação no Afeganistão da UNESCO, enquanto mais de 80 diretivas executivas restringem o trabalho feminino, a frequência de espaços públicos e o direito das mulheres de circularem sem um tutor masculino (mahram), como detalhado nos Destaques da Situação das Mulheres da ONU Mulheres.

O cenário afegão ilustra como o extremismo religioso transcende a dimensão espiritual para dar lugar a um pseudo-nacionalismo dogmático. A pertença à nação deixa de assentar na cidadania ou no direito de nascimento e passa a depender da submissão a um código ideológico estrito, no qual a divergência não é apenas encarada como uma heresia, mas como uma ameaça à própria sobrevivência do Estado.

domingo, 5 de outubro de 2025

Fanatismo: o que acontece no cérebro?


A ciência mostra que o fanatismo — seja religioso, político ou ideológico — não é apenas uma questão de opinião. Ele afeta o funcionamento do cérebro, moldando a forma como pensamos, sentimos e reagimos.
Emoção acima da razão
Pesquisas em neurociência indicam que o fanatismo ativa intensamente o sistema límbico, especialmente a amígdala cerebral (hipófise - ligada ao medo e à raiva) e o núcleo accumbens, no estriado ventral (centro do sistema de recompensa).
Nesses momentos, há forte liberação de dopamina, que sinaliza prazer e reforça a motivação. Isso gera uma sensação de pertencimento e recompensa ao defender a crença, semelhante ao que ocorre em vícios.

Prejuízo no pensamento crítico
Ao mesmo tempo, há redução da atividade no córtex pré-frontal dorsolateral, área responsável por análise racional e flexibilidade cognitiva. O resultado é a dificuldade de revisar ideias ou aceitar informações que contradizem a crença.

Viés de confirmação
O cérebro passa a selecionar apenas informações que confirmam aquilo em que já se acredita. Críticas ou fatos contrários são percebidos como ameaças, acionando reações defensivas e emocionais.

Efeito semelhante a vício
Assim como nas dependências químicas, o fanatismo reforça circuitos de dopamina ligados à recompensa. Cada vez que a crença é reafirmada, o núcleo accumbens regista esse reforço como uma vitória, consolidando ainda mais a convicção.
Esse ciclo cria uma dependência emocional difícil de quebrar.
Inteligência preservada… mas seletiva
É importante destacar que o fanatismo não elimina a capacidade cognitiva geral.

Um fanático pode ser um ótimo profissional, resolver problemas complexos e aprender coisas novas normalmente.
Porém, quando o tema toca o objeto de devoção, o pré-frontal (nosso racional) “se cala” e o sistema emocional domina.
Isso cria uma “zona cega cognitiva”: fora dela, a razão funciona; dentro dela, a emoção prevalece.
Impacto na sociedade
O fanatismo não diminui a inteligência global, mas estreita o campo da razão quando o tema envolve a crença central. Isso pode levar a intolerância, polarização e resistência ao diálogo.

É possível mudar?
O fanatismo não é uma doença, mas um padrão de funcionamento do cérebro e das relações sociais.

A boa notícia é que, graças à neuroplasticidade, ele pode ser reduzido ou até revertido.
Educação crítica, diálogo empático, diversidade de experiências e práticas que equilibram emoção e razão (como mindfulness e terapia cognitiva) ajudam a reativar o pré-frontal e diminuir o domínio das emoções extremas.

Referências científicas
Kaplan, J. T., Gimbel, S. I., & Harris, S. (2016). Neural correlates of maintaining one’s political beliefs in the face of counterevidence. Scientific Reports, 6, 39589.
Asp, E. W., Ramchandran, K., & Tranel, D. (2012). Authoritarianism, religious fundamentalism, and the human prefrontal cortex. Neuropsychology, 26(4), 414–421.
Zmigrod, L., Rentfrow, P. J., & Robbins, T. W. (2018). The partisan brain: An Identity-Based Model of Political Belief. Trends in Cognitive Sciences, 22(2), 152–163.

domingo, 5 de junho de 2022

Música do BioTerra: The Psychedelic Furs - Until She Comes


Until she comes again
I can hear the things she said
I feel no thoughts to move my head

Until she comes again
And with her step
I move my feet
And with her hand
I feel my skin
And with her need
I find I'm saved
And with her dreams
I'm laid

Until she comes again
The sun goes out and night comes in
The time goes round and day grows dim

Until she comes again
And with her step
I move my feet
And with her hand
I feel my skin
And with her need
I find I'm saved
And with her dreams
I'm laid

Until she comes again
With all my savings and my sins
There's no good reason to begin

Until she comes again
And with her step
I move my feet
And with her hand
I feel my skin
And with her need
I find I'm saved
And with her dreams
I'm laid

Until she comes again
With all her dreams tied in her hand
There is no way to understand

Until she comes again
Until she comes again
The sun goes out and night comes in
The time goes round and day grows dim
Until she comes again


Gosto tanto deste tema. Fico abalado com a violência doméstica e feminicídio em Portugal. Ainda são números muito preocupantes (ok, também conheço agressão da esposa sobre o marido, mas é muito mais raro). O séc. XXI. é o da Mulher, como previa George Steiner. A Europa está muito melhor neste aspecto. Há muitas mulheres na Política. Mas no resto do mundo, em particular, o mundo muçulmano e hinduísta, a emancipação da mulher ainda é "crime". 
Tudo parece mais negro e desesperante, até que Ela aparece.

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Zionism and Hindu Nationalism Bring Israel and India Together


When Israeli warplanes, artillery positions and armed drones rained missiles and bombs upon Gaza for 11 consecutive days last month, killing 253 Palestinians, 66 of whom were children, the Israeli Government received predictable support from the United States, but the words of solidarity it received from India has raised eyebrows around the world.

Whereas Congressional Republicans and Democrats in the U.S. offered boilerplate talking points in defense of Israeli military aggression against a largely defenseless civilian population, members of India’s ruling party – Bharatiya Janata Party (BJP) – and its allies unabashedly pontificated their solidarity with the self-proclaimed Jewish state on social media.

Indian journalist Rana Ayyub reviewed tweets posted under these hashtags and found that “a common thread that runs through is a visceral hatred for Muslims and a bloodlust to see Muslims massacred and shown their place,” adding, “Most handles followed by one or more BJP minister or the PM himself.”


These tweets echoed pronouncements made by members of Prime Minister Narendra Modi’s Government, including Member of Parliament Tejasyi Surya, who posted on Twitter, “We are with you. Stay strong, Israel,” and a BJP spokesperson, Guarav Goel, who posted, “Dear Israelis, you are not alone, we Indians stand strongly with you.”

These expressions of solidarity with Israel by members of India’s ruling party and its supporters make it easy to forget that the Indian relationship with Israel has been anything but close or even cordial, with previous Indian administrations expressing hostility towards Israel for its persecution of the Palestinian people and occupation of the Palestinian Territories.

“Palestine belongs to the Arabs in the same sense that England belongs to the English or France to the French,” Mahatma Gandhi wrote in 1938. A decade later India would become one of only 13 countries to vote against the United Nations Partition Plan, which divided historic Palestine into two separate states – thus forming the foundation of the Israeli state in 1948.


India also voted for a UN resolution that condemned Zionism as “a form of racism and racial discrimination,” stating, “The racist regime in occupied Palestine and the racist regime in Zimbabwe and South Africa have a common imperialist origin, forming a whole and having the same racist structure and being organically linked in their policy aimed at repression of the dignity and integrity of the human being.”

India’s Cold War alliance with the Soviet Union also made it a natural opponent of the United States’ geopolitical orbit, while its large Muslim population helped the country maintain close ties with the Arab world, particularly the Palestinians – but when the Communist superpower collapsed in 1991, New Delhi hit the reset button on its relationship with Tel Aviv.

A natural thawing of relations between the two former British ruled colonies has blossomed into a full blown “special friendship,” with many likening the bond between Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu and Modi as a full blown “bromance,” one that oversaw a record $1.5 billion arms deal in 2016, making Israel the second-largest weapons exporter to the Indian state. Bilateral trade between the two countries has ballooned from $200 million in the early 1990s to nearly $6 billion today.

This fledgling Modi-Netanyahu “bromance” is not only driven by trade deals, but also by shared values, as both Hindu nationalism and Zionism draw from the same spring of hate – ethno-nationalist ideologies. Whereas Hindu nationalists seek to transform India into a Hindu Rashtra (nation), one absent non-Hindu religious minorities, but particularly Muslims, Zionism aims to cleanse the Palestinian Territories of non-Jews, but particularly Muslims.



At the core of the Modi Government’s ideological DNA is the militant Hindu organization Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), which has long admired Israel’s brutality of the Palestinian people. RSS chief Mohan Bhagwat gave voice to this sentiment when he said in 2016, “Israel was attacked by surrounding Islamic countries on five occasions, but the Israeli people repulsed their aggressions and extended their boundaries due to strong resolve to save motherland.”

Somdeep Sen, an associate professor of international development studies at Roskilde University in Denmark, accurately observes, “The electoral successes of the BJP have meant that what was once a fringe Hindu nationalist love affair with Israel has now become a matter of public policy.”

It’s no surprise then that India has modelled its settler-colonial-project in Kashmir on Israel’s settler enterprise in the Palestinian Territories by turning military outposts into settlements, and settlements into bona fide towns and even small cities. In both projects, the occupying force rules over a restive Muslim majority population, and it’s for this reason India has turned to Israel for its supply of occupation management tools and strategies.

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Modi, de vilão nos EUA a pai da “Nova Índia” em menos de uma década



No ano em que comemora o seu sétimo aniversário na liderança do Governo indiano, Narendra Modi recebeu, em Março passado, uma notícia que veio pôr em causa décadas de promoção do gigantesco país como a maior democracia do mundo. No ranking do instituto sueco V-Dem, a Índia deixava a companhia das democracias liberais e deslizava para o grupo das autocracias eleitorais – em grande parte, segundo a organização sueca, graças ao culto da personalidade à volta de Modi e à centralização do poder na sua figura em menos de uma década.
E o diagnóstico preocupante da V-Dem para a democracia indiana não foi o único a ser conhecido desde o início do ano. Nos EUA, a organização sem fins lucrativos Freedom House tirou a Índia da coluna das “democracias livres” e passou-a para a das “democracias parcialmente livres”, com um total agregado de 67 pontos em termos de direitos políticos e liberdades civis – o que deixou o país numa posição entre o Equador e a Albânia e muito atrás de Portugal, que ocupa a 14.º lugar em todo o mundo com 96 pontos.
“O movimento nacionalista hindu que lidera o país encorajou a perseguição de muçulmanos, que foram acusados de espalharem o vírus e foram atacados por multidões de vigilantes. Em vez de actuar como defensor e promotor das práticas democráticas, e como um contrapeso à influência autoritária de países como a China, Modi e o seu partido estão a empurrar a Índia de forma trágica para o autoritarismo”, diz a Freedom House no seu relatório.
A sueca V-Dem é ainda mais cáustica na avaliação que faz dos sete anos de governação Modi: “Antes da eleição de Narendra Modi, em 2014, o Governo indiano raramente recorria à censura. Em 2020, os actos de censura tornaram-se rotineiros e já não se limitam a assuntos sensíveis do Governo. Neste aspecto, a Índia é agora tão autocrática como o Paquistão e mais autocrática do que o Bangladesh e o Nepal.”
A resposta do Governo indiano, pela voz do ministro dos Negócios Estrangeiros, S. Jaishankar, pôs em causa a independência e o rigor de institutos ocidentais como a Freedom House e o V-Dem, acusadas de fazerem uma leitura superficial das realidades no terreno e de serem menos duras com governos mais à esquerda.
“Vocês usam a dicotomia entre democracia e autocracia. Mas eu chamo a isso hipocrisia”, disse S. Jaishankar, a 15 de Março, ao jornal Indian Express. “Os vossos auto-intitulados guardiões do mundo não aceitam que alguém na Índia não ande à procura da aprovação deles, e que não esteja disposto a jogar o jogo deles.”
Os relatórios das organizações internacionais são corroborados por inúmeros artigos de opinião e notícias publicadas em vários países, por jornalistas e por académicos.
Em Março, o jornalista e escritor indiano Kapil Komireddi questionou, num texto publicado no The Washington Post e no PÚBLICO, “se haverá algum culto da personalidade no mundo democrático que rivalize com o de Narendra Modi”.
Komireddi deu alguns exemplos de como se vai materializando esse culto na Índia, como a mudança de nome de um estádio de críquete, em Fevereiro, de Estádio Sardar Patel (o primeiro vice-primeiro-ministro da Índia e um dos pais da independência) para Estádio Narendra Modi.
Num texto em que recorda o culto da personalidade e os escândalos de corrupção à volta da família Nehru-Ghandi (sem ligação a Mohandas Gandhi), o jornalista sublinha que Modi suplantou, em poucos anos, a marca deixada pelos seus antecessores ao longo de décadas.
“Uma vez acomodado no cargo, Modi empenhou-se em canonizar-se como pai daquilo a que os seus admiradores chamam de ‘Nova Índia’”, diz Kapil Komireddi. Uma Índia onde já nem resiste a tradição democrática no acesso ao poder no Partido Bharatiya Janata – “onde havia nepotismo, mas, teoricamente, qualquer pessoa que aderisse à ideologia pró-hindu poderia aspirar a liderá-lo”.
Apresentando-se como o líder que ia salvar a Índia da burocracia e de um Estado que sufocava a iniciativa privada e o desenvolvimento económico, Narendra Modi preparou a sua eleição para a chefia do Governo, em 2014, com uma década de governação no estado de Gujarat, no noroeste do país junto à fronteira com o Paquistão.
Logo no seu primeiro ano como ministro-chefe de Gujarat, Modi ficaria marcado pela forma como reagiu aos violentos motins de 2002, que fizeram mais de mil mortos em três dias (ou mais de 2000, segundo fontes não oficiais), a esmagadora maioria muçulmanos.
Apesar de nunca ter sido responsabilizado nos tribunais, a contribuição de Modi para os dias de ódio sectário é hoje vista com algum consenso na comunidade académica. Principalmente a acusação de que Modi agiu de forma lenta para controlar a situação e de não ter condenado os ataques de forma clara.
Segundo o historiador indiano Gyanendra Pandey – um especialista em pós-colonialismo no projecto Subaltern Studies –, os acontecimentos de 2002 não foram motins, mas sim “massacres politicamente organizados” – e outros investigadores, como o norte-americano Paul Brass, falam mesmo na existência de uma “campanha de limpeza étnica anti-muçulmanos, executada com excepcional coordenação e brutalidade”.
Entre os motins de 2002 e os anos que antecederam a sua primeira eleição como primeiro-ministro, em 2014, Modi foi alvo de condenação internacional, sendo proibido de entrar no território dos EUA, no Reino Unido e na União Europeia. Até hoje, foi a primeira e única personalidade a quem foi negado um visto de entrada nos EUA com base nas recomendações da Comissão de Liberdades Religiosas Internacionais.
O cerco internacional seria quebrado entre 2012 e 2013, quando se formou a convicção de que a sua vitória nas eleições era inevitável.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Dia Escolar da Não Violência e da Paz

Nove Horas Até a Eternidade (Nine Hours to Rama - 1963) - Legendado


"Nove Horas Até a Eternidade" retrata a vida de Nathuram Godse,  o assassino do Mahatma Gandhi. Como Godse planeou o assassinato é mostrado no filme. Como ele se tornou um ativista hindu que (injustamente) Gandhi foi responsabilizado pelas mortes de milhares de hindus pelos muçulmanos é revelada numa série de flashbacks.

A comemoração do dia 30 de Janeiro, a partir de 1964, teve como objectivo chamar a atenção para a necessidade de uma educação permanente pela Não-Violência e pela Paz. Nesta data (dia da morte de Mahatma Gandhi), procura-se igualmente sensibilizar para a tolerância, solidariedade e respeito pelos direitos humanos junto das escolas de todo o mundo.
Iniciativa pioneira, independente e não-governamental, levada avante pelo pedagogo e poeta catalão Llorenç Vidal

Volto a divulgar o meu dossiê Planificando a Paz [Dossiê]
Para os jovens: a esperança. Para os idosos: a sabedoria! 
Paz. 
Porque estar em paz é sinal franco de felicidade! 
A melhor sensação, grátis  e livre de Felicidade, é construir a Paz!