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terça-feira, 14 de julho de 2026

Governo vai rever regime de gratuitidade dos museus e diz que são exigências da Comissão Europeia


No alinhamento da direita populista, a "infanta" Margarida Balseiro Lopes encontrou uma resposta genial: pagar para entrar em todos os museus. Deus nos livre de dar coisas de graça a este povo. A senhora Ministra da Cultura, com a lucidez que só os gabinetes bem iluminados do Palácio da Ajuda conseguem proporcionar, bateu no cerne da questão: os portugueses não gostam de arte; gostam é de borlas e  do ar refrigerado dos Museus. E se há coisa que desvaloriza uma pintura de Amadeo de Souza-Cardoso ou uma escultura renascentista é o ultrajante preço de zero euros. 

É uma questão de pura psicologia económica. Cientistas de algures já provaram que se não nos custar um rim a entrar num museu, os nossos olhos simplesmente recusam-se a focar o óleo sobre tela. O cérebro humano, esse órgão mercantilista, olha para um claustro manuelino gratuito e pensa: "Se não cobram por isto, de certeza que é gesso pintado ou as infiltrações são falsas".  

O plano é infalível. Em breve, os museus estarão vazios de gente, mas repletos de "valor". As obras de arte repousarão finalmente sozinhas, intocadas pelo olhar plebeu de quem não tem dez euros para gastar num domingo à tarde. E quando as salas estiverem perfeitamente desertas, a sustentabilidade estará alcançada: zero custos de manutenção com as pegadas do público.  As obras de arte repousarão finalmente sozinhas, intocadas pelo olhar plebeu de quem não tem dez euros para gastar num domingo à tarde. E quando as salas estiverem perfeitamente desertas, a sustentabilidade estará alcançada: zero custos com as pegadas do público.

A economista Clara Mattei explica isto na perfeição: a obsessão com a austeridade e com a mercantilização da vida não serve para equilibrar contas; serve para nos disciplinar. Para nos recordar que não temos direito à beleza ou ao lazer sem antes mostrarmos a carteira.

Quando a UE invoca o Artigo 56.º do TFUE para travar o "Acesso 52", ela está a demonstrar as suas prioridades, pois o direito de um cidadão é visto estritamente através da sua identidade enquanto consumidor ou destinatário de serviços num mercado globalizado, fazendo com que o acesso à cultura deixe de ser um direito social ou uma ferramenta de coesão nacional para a população local e passe a ser tratado como uma mercadoria que não pode sofrer distorções de concorrência.

Na minha investigação, argumento que o Estado moderno foi reconfigurado para blindar a economia da vontade democrática, e a reação de Bruxelas ilustra isto perfeitamente: o governo português tentou implementar uma medida de redistribuição social para dar acesso gratuito à cultura a quem paga os impostos que mantêm esses museus, mas uma instituição tecnocrática e não eleita intervém para invalidar uma decisão soberana em nome de regras de livre mercado. O resultado prático é a austeridade por via indireta, pois, como Portugal dificilmente conseguirá comportar financeiramente a extensão da gratuitidade a dezenas de milhões de turistas estrangeiros, a pressão da UE vai forçar o país a recuar e a retirar o benefício aos seus próprios cidadãos, o que prova que o mercado nivela sempre por baixo e que, se não pode ser mercantilizado para todos, não pode ser gratuito para ninguém.

Os tecnocratas europeus justificam a sua ação com a neutralidade da lei e a justiça da não-discriminação, mas, como cidadão atento, eu diria que esta igualdade abstrata esconde uma profunda desigualdade material. Exigir que um cidadão português, com um salário médio significativamente mais baixo do que a média europeia, pague o mesmo que um turista de um país com maior poder de compra para aceder ao património do seu próprio país é, em si, uma forma de violência económica, pelo que a lei europeia acaba por proteger o poder de compra do turista consumidor enquanto sufoca a capacidade do trabalhador local de aceder aos bens públicos que ele próprio financia. Concluindo, como Clara Mattei, eu diria que este caso não é sobre regras jurídicas neutras, mas sim sobre como as instituições europeias utilizam o direito económico para impedir os Estados-membros de protegerem os seus cidadãos das forças do mercado, empurrando os bens públicos para a mercantilização total.

Obrigado, Senhora Ministra. Finalmente compreendemos que a cultura não serve para nos elevar o espírito; serve para sabermos quanto pesa a carteira.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Greve Geral e Manifestação - é já amanhã


Se os patrões vão perder quase 800 milhões de euros por causa da greve, isso quer dizer que os trabalhadores que a fizerem produzem essa riqueza toda num dia só? E quanta dessa riqueza lhes cabe? Uma migalha? Duas?

De tanto quererem denegrir a greve, os patrões estão a abrir demais o jogo. Afinal, os trabalhadores são capazes de lhes fazer mais falta do que eles aos trabalhadores.

Saber mais:

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Álvaro Santos Pereira - salário pornográfico


Álvaro Santos Pereira recebe mensalmente, como governador do Banco de Portugal, 19.496,39 €, o equivalente a 22 salários mínimos. Os restantes administradores, na foto, ganham “só” cerca de 17 mil. Qualquer um deles ganha mais do que o Presidente da Reserva Federal Americana. Um disparate crónico e revoltante que ninguém tem coragem de eliminar!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Valete - Serviço Público

Verso 1 - Valete

Esta é logo pos vossos top rappers
Com essa musica que fede
Amam hip-hop mas põem-lhe os cornos com pop-rap
É so bling bling os sons que vocês sentem
De rappers que se vendem nem valem 50 cêntimos
C'o valete não há paralelo

Desliga o mic, eu rimo com uma foice e um martelo
A verdade doí eu trago assim incolor
Mas vocês vêm TV só para atenuar a dor
Do cavaquismo, ao guterrismo, até ao socratismo
Mudam o ismos mas a gente continua no mesmo

Vocês ultrajam gays e é de serem machos que se gabam
Mas de quatro em quatro anos votam naqueles que vos enrabam
Legitimam o sistema vilão que nos consome

Quem é o Sócrates para amassar o pão c'a gente come
É só retórica e enrolamento

Que se foda Valete e Sam, os storytellers 'tão no parlamento
Mentores da escola que desinteressa a muitos intelectos
A mesma escola que forma doutores analfabetos
Põem-vos num trabalho para serem explorados com agrado
Vocês são todos escravos e ainda por cima assinam contratos

Sample - Hugo Chavez

"A nosotros nos toca compañeros y compañeras ser el partero de nueva vitoria"
Refrão - Valete

Traz o teu povo vem combater
Aponta a arma não temos nada a perder
Já faltou mais p'a podermos abater
O opressor

Verso 2 - Valete
Capitalismo é a religião das massas nos nossos dias
Deixem Jesus em paz, o dinheiro é o vosso Messias
Igrejas são templos de estupidificação
Eu interpreto a vossa bíblia com um isqueiro na mão
Deus é omnipotente, omnipresente
Então vai à casa branca porque Deus está lá dentro
E é seguido por governantes que tens aplaudido

Governantes que deviam ter Lewinsky no apelido
E discursam de boca suja acelerados como Senna
É que o Bush não ejacula esperma, ejacula gasolina

Diz p'a saírem do Iraque e virem ter com o Keidje Lima
Que eu tenho armas de destruição maciça no meu bloco de rimas
Há 10% a engordar com 90% do guito
Põem 90% do people a fazer dietas, o que é que é isso?
É o terrorismo da globalização financeira

Que fode o 3º mundo de G-8 maneiras
E já não há forma de abrandarem (Não)
Eles destroem a Amazónia porque basta petróleo p'a respirarem
Este é o nosso mundo nu e cru
Se Adão soubesse no que isto ia dar só teria fodido a Eva no cu, nigga

Scratch - Hugo Chavez

"No hay imperialismo que haya sobrevivido cuando los pueblos nos decidimos a ser libres"
Refrão - Valete

Traz o teu povo vem combater
Aponta a arma não temos nada a perder
Já faltou mais p'a podermos abater
O opressor

Outro - Selma & Valete
Traz outros manos contigo e vem pró batalhão
Precisamos de mais tropas p'á revolução
Não quero fama nem glória
Só uma t-shirt de Che Guevara

quinta-feira, 30 de junho de 2005

Lei da Água -INFORMAÇÃO PROIBIDA


Mais um golpe na participação pública ....apoiemos a Associação Pública da Água!!

Na próxima sexta-feira, dia 1 de Julho de 2005, às 15:00, a Assembleia da República inicia o debate da Lei da Água, que lhe compete elaborar.

Serão discutidas na generalidade os Projectos de Lei apresentados pelos Grupos Parlamentares e as Propostas de Lei do Governo. A discussão na especialidade será feita em sede de Comissão Especializada para o Poder Local, Ambiente e Ordenamento do Território, incidindo apenas nos diplomas que a Assembleia da República aprovar na generalidade.

A discussão da Lei da Água na Assembleia da República foi uma vitória dos cidadãos, defendida tenazmente pela Associação Água Pública, que não conseguiu, no entanto, que esta apresentação fosse precedida do debate público aberto e da consulta institucional e de associações de cidadãos que julgamos indispensável, pela importância fundamental da água na vida de todos, nos sectores produtivos, nos sistemas ecológicos e na viabilização de um futuro habitável.

Lutamos agora contra o processo concertado de transformar esta sessão do órgão máximo Legislativo Português no simples carimbo de avalização do mesmo projecto que contestámos em Dezembro de 2003, e que aparece agora, em três cópias gémeas, pelas mãos do Governo PS, pelas do PSD e pelas do CDS.

A Associação Água Pública contactou os restantes três partidos com assento parlamentar, sabendo que nem o PEV nem o BE apresentaram até à data projectos de Lei da Água, não estando no entanto ainda excluída por este último a hipótese de apresentação de um diploma. Mas há pelo menos um projecto alternativo em discussão.

O PCP apresentou no dia 23 de Junho o “Projecto de Lei de Bases da Água” que é uma verdadeira alternativa à “proposta única” e que será debatido na sessão plenária da Assembleia da República de 1 de Julho.

O Grupo Parlamentar do PCP fez uma conferência de imprensa no dia 23 de Junho sobre o “Projecto de Lei de Bases da Água”, a que estiveram presentes jornalistas de diversos órgãos de comunicação de grande tiragem, mas a Associação Água Pública não conseguiu encontrar a mais breve referência em nenhum jornal nos dias seguintes.

Alertamos todos os cidadãos e particularmente aqueles que são utilizadores da água não apenas nas funções biológicas como pelo sector produtivo em que se integram, para a distorção que está a ser feita ao processo democrático para a imposição autoritária da mercantilização absoluta e selvagem da água da natureza, impedindo todo o debate, e até o conhecimento da existência, de formas alternativas de administração da água.

Lembramos como foram silenciadas todas as vozes dissonantes desde Dezembro de 2003 até hoje.

Lembramos que o Governo PS aprovou em Conselho de Ministros em Junho deste ano a cópia do projecto do governo anterior na sua versão de dezembro de 2003 decomposta em dois diplomas Lei Quadro da Água e Titularidade do domínio hídrico, com anúncio retumbante nos media sobre a aprovação, e omitindo frequentemente a “proposta”, induzindo a larguíssima maioria dos leitores à convicção de facto consumado, como se a legislação sobre o domínio público não fosse competência exclusiva da Assembleia da República.

Lei da Água na Assembleia da República

segunda-feira, 7 de março de 2005

Mais Educação Ambiental - Melhor Serviço Público

Em sequencia de um post dos Ambientalistas que assinalou devidamente o novo Portal do Ambiente para Jovens Europeus venho falar de recursos que a net hoje em dia prporciona e com resultados surpreendentes no ensino-aprendizagem em Educação Ambiental, particularmente os jogos, puzzles, enigmas e bases de dados.
A European Schoolnet continua a apostar com os jogos GreenWeeK e o Jeffyquizz, que realmente são muito divertidos e muito pedagógicos.

No que refere ainda à Educação Ambiental, não queria deixar passar em claro a importância a muitos níveis em haver um SERVIÇO PÚBLICO PARA A EDUCAÇÃO AMBIENTAL. Infelizmente estamos a quilómetros da BBC que proporcina 24 h sobre 24h, com atendimento personalizado, com informações de caracter extremante interactivas, galerias com imagens de alguns dos melhores fotógrafos da Natureza...além de contribuir, de forma (in)directa para os avanços no conhecimento da língua inglesa por parte dos nossos alunos.
Na Lusofonia temos também areas naturais incriveis, biótopos fabulosos, com biodiversidade enorme, bons fotógrafos no terreno, muitos naturalistas especializados.Muitos biologos, animadores socioculturias e engenheiros do ambiente sem emprego fixo ou desviados do seu percurso academico, engenheiros informaticos recrutados na sua maioria para outras areas, poderiam ser abertos concursos, por parte da RTP, para sua admissão, de forma a haver uma maior educação informal dos nossos cidadãos acerca das questões tecnico-científicas e ecológicas dO NOSSO PLANETA TERRA e sensibilizá-los para algumas estretégias de alteração de comportamentos individuais que lesam o colectivo e despertar nos leitores/telespectadores/utilizadores da net a consciência crítica acerca das suas opções politicas, economicas,religiosas, lúdicas e comerciais, no sentido de preservarmos o ambiente !!
Em lusofonia, sentiriamos mais confiantes, o intercambio de ideias seria muito mais fluente, criar-se-iam movimentos socioculturais estimulantes e haveria um maior conhecimento aprofundado dos problemas ambientais de todos os lusófonos!
Uma verdadeira Ecosolidariedade!

PORQUE NÃO EXISTE AINDA UM SERVIÇO PÚBLICO NA RTP PARA A EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM PORTUGAL?

Já tinha colocado aqui, ao lado, os sites da BBC, mas podem acede-los aqui directamente.