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quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Gabriel Pacheco

Gabriel Pacheco (ilustrador Mexicano, nascido em 1973), actualmente a viver em Itália.

Gabriel Pacheco formou-se em cenografia no Instituto Nacional de Belas Artes do México e estudou desenho e figura humana na ENAP (Guatemala). A sua obra é frequentemente associada ao surrealismo visionário, distinguindo-se pela criação de universos oníricos onde o real e o imaginário se cruzam. As suas imagens apresentam atmosferas misteriosas e personagens de forte intensidade emocional.
Trabalha sobretudo na ilustração de livros infantis e juvenis, mas também ilustra contos, poesia e textos clássicos. Recorre frequentemente a elementos simbólicos e narrativos, estabelecendo um diálogo profundo entre imagem e texto. Entre as suas principais influências encontram-se Hieronymus Bosch e Marc Chagall.
Ainda assim, afirma que, de um modo geral, foram os escritos de Octavio Paz, a visão do cineasta Theo Angelopoulos e a dramaturgia da coreógrafa Pina Bauch que o ensinaram a observar o mundo.
Do ponto de vista técnico, combina técnicas tradicionais e digitais, utilizando contrastes cromáticos, texturas subtis e composições cuidadas, que conferem às suas ilustrações um carácter poético e cinematográfico.
O seu trabalho tem sido amplamente reconhecido em mostras e prémios internacionais, destacando-se a Feira do Livro Infantil de Bolonha, a Ilustrarte (Portugal) e distinções como o Bolonha Ragazzi Award e o CJ Picture Book Award.
Outro facto interessante é que Luis é um fã leal de Federico García Lorca, famoso pela sua tentativa de introduzir o surrealismo na cultura espanhola.

terça-feira, 12 de maio de 2020

The Clash - Spanish Bombs

Melhor som aqui
Letra
Spanish songs in Andalucia
The shooting sites in the days of '39
Oh, please, leave the ventana open
Federico Lorca is dead and gone
Bullet holes in the cemetery walls
The black cars of the Guardia Civil
Spanish bombs on the Costa Rica
I'm flying in on a DC 10 tonight

[refrão]
Spanish bombs, yo te quiero infinito
Yo te quiero, oh mi corazón
Spanish bombs, yo te quiero infinito
Yo te quiero, oh mi corazón

Spanish weeks in my disco casino
The freedom fighters died upon the hill
They sang the red flag
They wore the black one
But after they died it was Mockingbird Hill
Back home the buses went up in flashes
The Irish tomb was drenched in blood
Spanish bombs shatter the hotels
My señoritas rose was nipped in the bud

[refrão]

The hillsides ring with: Free the people
Or can I hear the echo from the days of '39?
With trenches full of poets
The ragged army, fixin' bayonets to fight the other line
Spanish bombs rock the province
I'm hearing music from another time
Spanish bombs on the Costa Brava
I'm flying in on a DC 10 tonight

[refrão]
Oh mi corazón, oh mi corazón

Spanish songs in Andalucia, Mandolina, oh mi corazón
Spanish songs in Granada, oh mi corazón
Oh mi corazón, oh mi corazón
Oh mi corazón, oh mi corazón

Lançada em 1979 no aclamado álbum duplo London Calling, "Spanish Bombs" é uma das composições mais ricas e multifacetadas dos The Clash. A canção, escrita por Joe Strummer e Mick Jones, destaca-se musicalmente por construir um forte contraste entre a sua sonoridade e o seu conteúdo lírico. Estilisticamente posicionada no ponto de transição entre o punk rock inicial da banda e o post-punk com influências de new wave e jangle pop, a faixa combina guitarras melodiosas, um ritmo fluido com nuances de ska e reggae e uma melodia luminosa com uma letra sombria sobre guerra, assassinato e terrorismo. Um dos elementos mais marcantes da dinâmica musical é o refrão cantado num espanhol gramaticalmente imperfeito, fruto da abordagem direta e intencionalmente crua de Strummer ao tentar expressar afeição na língua local sem ter um domínio formal do idioma.

Historicamente, a canção estabelece uma ponte direta entre dois momentos de forte tensão política e social. De um lado, resgata a memória da Guerra Civil Espanhola (1936–1939), o sangrento conflito em que as forças republicanas de esquerda tentaram conter o avanço do fascismo liderado pelo General Francisco Franco. Do outro, reflete o contexto contemporâneo do final dos anos 1970, período em que Strummer viajou pela Andaluzia durante a conturbada transição espanhola para a democracia. Na época, a Espanha lidava com atentados bombistas do grupo separatista basco ETA em zonas turísticas da Costa del Sol, enquanto o Reino Unido vivia a violência do IRA e o surgimento de movimentos radicais.

Neste sentido, o significado de "Spanish Bombs" gira em torno do desencanto político, da perda da inocência revolucionária e da reflexão sobre a violência histórica. A letra confronta a visão romântica do heroísmo das Brigadas Internacionais da década de 1930 com a realidade brutal e cega do terrorismo moderno, questionando como causas ideológicas nobres acabam muitas vezes afogadas em sangue e destruição. Trata-se, sem dúvida, de uma música de intervenção política e social. No entanto, longe de operar como um mero panfleto ideológico, a intervenção da banda faz-se pela via da conscientização histórica, resgatando a memória da luta antifascista num momento em que a Europa vivia uma nova guinada à direita e enfrentava crises de segurança interna.

O impacto cultural da canção foi significativo. "Spanish Bombs" demonstrou a maturidade do movimento punk ao provar que o género podia articular temas geopolíticos e literários complexos sem perder a urgência ou a energia crítica. A música reintroduziu a narrativa da Guerra Civil Espanhola a uma nova geração de jovens nos anos 80 e influenciou profundamente o rock alternativo de cariz político que surgiria nas décadas seguintes, servindo de referência para bandas como os Manic Street Preachers, R.E.M. e artistas como Billy Bragg.

Por fim, as inspirações literárias e filosóficas da canção são explícitas e profundas. A figura do poeta e dramaturgo andaluz Federico García Lorca, assassinado por milícias fascistas em 1936, é evocada diretamente nos versos que recordam Granada como o local onde o poeta tombou. Além de Lorca, a obra Homenagem à Catalunha, de George Orwell, surge como uma influência fundamental na representação da complexidade e do romantismo trágico da resistência republicana, onde conviviam fações anarquistas e comunistas. Esse imaginário dialoga também com a literatura de  em Por Quem Os Sinos Dobram e com o idealismo do anarquismo e do socialismo libertário, transformando "Spanish Bombs" numa elegia poética sobre a solidariedade internacional e os custos humanos da luta pela liberdade.

domingo, 19 de agosto de 2012

Lorca e a homenagem de ciganos

Lorca e Dalí
"Federico García Lorca conta-se entre as primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola. Foi fuzilado, com apenas 38 anos, em Agosto de 1936, entre os dias 17 e 19, pelo seu alinhamento político com os Republicanos e por ser declaradamente homossexual. 

Todos os anos nesta data, em Viznar, perto de Granada, ciganos cantam, dançam e dizem poesia em honra de Lorca e de cerca de 3.000 fuzilados pelos franquistas, cujas ossadas se encontram por perto. De madrugada, à luz de velas e das estrelas, sem nada programado, sem nenhuma convocação formal." ~ Joana Lopes 

sábado, 7 de agosto de 2010

Federico García Lorca

A 19 de Agosto de 1936, Federico García Lorca era assassinado pelo fascismo de Franco.
Leiamos a sua poesia.
Garcia Lorca por Khadzhi-Murad Alikhanov

poeta pede a seu amor que lhe escreva
Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.
O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.
Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de mordiscos e açucenas.
Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.

[…] Era inevitável que o resgate dos restos de Federico García Lorca, enterrado como milhares de outros no barranco de Viznar, na província de Granada, se tivesse convertido rapidamente em autêntico imperativo nacional. Um dos maiores poetas de Espanha, o mais universalmente conhecido, está ali, naquele páramo, aliás em um lugar acerca do qual existe praticamente a certeza de ser a fossa onde jaz o autor do Romancero Gitano, junto com três outros fuzilados, um professor primário chamado Dióscoro Galindo e dois bandarilheiros anarquistas, Joaquín Arcollas Cabezas e Francisco Galadí Melgar. Estranhamente, porém, a família de García Lorca sempre se opôs a que se procedesse à exumação. Os argumentos alegados relacionavam-se, todos eles, em maior ou menor grau, com questões que podemos classificar de decoro social, como a curiosidade malsã dos meios de comunicação social, o espectáculo em que se iria tornar o levantamento das ossadas, razões sem dúvida respeitáveis, mas que, permito-me dizê-lo, perderam hoje peso perante a simplicidade com que a neta de Dióscoro Galindo respondeu quando, em entrevista numa estação de rádio, lhe perguntaram aonde levaria os restos do seu avô, se viessem a ser encontrados: “Ao cemitério de Pulianas”. Há que esclarecer que Pulianas, na província de Granada, é a aldeia onde Dióscoro Galindo trabalhava e a sua família continua a morar. Só as páginas dos livros se viram, as da vida, não.

José Saramago, in O Caderno de Saramago

terça-feira, 14 de junho de 2005

Boa Noite, Mãe! Eu vou com as aves



por Francisco Mangas 14 Junho 2005


Do tempo da infância, Eugénio de Andrade, "de abundante" apenas conheceu "o sol e a água". À língua portuguesa deixa vasta herança uma obra luminosa, musical, marcada pelo rigor da palavra. O poeta morreu na madrugada de ontem, no Porto, aos 82 anos, vítima de doença degenerativa. O corpo encontra-se na sede da Cooperativa Cultural Árvore, local de que Eugénio gostava e onde tinha vários amigos. Amanhã, pelas 16.30, faz a sua derradeira viagem até ao cemitério do Prado do Repouso, no Porto.

Parte da infância, a tal de sol e água em abundância, passou-a na aldeia da Póvoa da Atalaia, no concelho do Fundão. Era filho de camponeses, dizia. De abundante, na infância e pela vida fora, teve ainda a ternura da mãe. É ao lado da mãe que abandona a aldeia e parte para Castelo Branco, onde apreende as primeiras letras. Ao lado da mãe vê pela primeira vez a claridade de Lisboa "Ela certamente a pensar no homem que sempre amara, eu com o mar na cabeça, de que tanto lhe ouvira falar".

É em Lisboa, para onde vai viver em 1932, que o jovem de olhos claros chamado José Fontinhas - Eugénio de Andrade para sempre a partir da publicação do primeiro livro - convive com o pai. Mas dessa relação distante, envolta em ressentimentos, pouco ou quase nada fica. O amor pela mãe era único e pleno, sem espaço para mais ninguém. E, no entanto, "No mais fundo de ti,/eu sei que traí, mãe!// Tudo porque já não sou/o retrato adormecido/no fundo dos teus olhos!"

Eugénio de Andrade escreve os primeiros versos em Lisboa. E inicia o encontro, pelas bibliotecas públicas, da palavra dos outros. Dos outros poetas. Um deles é António Botto, a quem mostra os primeiros textos . Um livro de Botto - Ciúme -havia impressionado profundamente o jovem poeta. "Voltei a sentir a terra faltar-me debaixo dos pés. Pedi explicações que significava aquilo de amor para outro homem?".

Estimulado por António Botto, corria o ano de 1939, publica numa plaquette o poema Narciso, assina com o seu nome civil, que cedo rejeitará. Seguem-se outras obras que mais tarde recusará parcialmente. A consagração surge em 1948 Eugénio de Andrade publica As Mãos e os Frutos, que recolhe rasgados elogios da crítica mais exigente. A partir daí, torna-se referência das letras portuguesas. A sua poesia, ao contrário de outros autores, continua e continuará a cativar as novas gerações de leitores - porque é límpida, aparentemente simples, tem ritmo, musicalidade.

palavra com endereço. Ao invés de outros companheiros da sua geração, o autor de Rosto Precário não fez da palavra uma arma política. "O acto poético", defendia, "é o empenho total do ser para a sua revelação. Este fogo do conhecimento que é também o fogo do amor, em que o poeta se exalta e consome, é a sua moral. E não há outra". Eugénio, no entanto, escreveu poemas com endereço para Che Guevara, José Dias Coelho ou Catarina Eufémia. Palavras por encomenda do editor e amigo José da Cruz Santos. Um dos mais belos poemas a Vasco Gonçalves tem, aliás, a sua assinatura "(...) De tantas palavras que disseste algumas/ se perdiam, outras duram ainda, são lume/ breve arado ceia de pobre roupa remendada./ Habitavas a terra, o comum da terra, e a paixão/ era morada e instrumento de alegria. /Esse eras tu: inclinação da água. Na margem/ vento areias lábios, tudo ardia."

Exigia silêncio. As palavras são o ofício do poeta. "São a nossa condenação", dizia o autor de Os Afluentes do Silêncio. Ou também, como escreveu recentemente Daniel Faria, "o alimento derradeiro". Eugénio gostava das suas palavras, escolhidas com rigor depois de limpas e enxugadas, e das palavras do outros. Por isso, é um dos nossos melhores tradutores de Federico Garcia Lorca e de outros autores de língua castelhana.

Como antologiador, deixa a sua marca em obras como Daqui Houve Portugal, a antologia mais completa sobre o Porto - cidade para onde foi viver na década de cinquenta. Eugénio foi, como o mesmo rigor que impunha à sua escrita, um divulgador da poesia. Gostava de dizer os seus versos aos leitores mais jovens. Raramente recusava um convite para mostrar a sua arte nas escolas. Mas impunha uma firme condição as palavras são como cristais, o mínimo ruído podia poluí-las; por isso exigia silêncio. E assim, quase sempre, eram escutadas as suas frágeis palavras.

Dóceis animais. Gostava das palavras dos outros, mas tinha de ser ele a descobri-las. Um dia, na Livraria Leitura, uma poetisa viu Eugénio e apressou-se a comprar um livro da sua lavra e a oferecê-lo ao poeta. O autor de O Peso da Sombra ficou deveras desagradado com a generosidade da companheira de letras. Mal a poetisa virou costas, Eugénio atirou com o livro, com dedicatória e tudo, para o caixote de lixo mais próximo.

Outras das suas paixões eram os gatos. Foram durante muitos anos os seus silenciosos companheiros da noite. Essa admiração aos pequenos felinos, que conhecem a casa mas não conhecem o dono, fica firmada em vários poemas que lhes dedicou. No ano passado, todos os poemas sobre gatos surgiram no livro Os Dóceis Animais , ilustrado por Cristina Valadas, editado pela ASA.

Há cerca de de 25 anos, Eugénio encontra outro motivo para partilhar o seu amor Miguel, o afilhado que o poeta tratou como "o filho que nunca tive". Era Eugénio que levava a criança a escola, ajudava-a a executar os trabalhos de casa. Temia pelo menino quando o temporal se abatia sobre a cidade do Porto. Numa noite de grande intempérie - o poeta não gostava de sair à noite - chegou mesmo a chamar um táxi para ir a casa do Miguel confirmar se estava tudo bem.

O nobel não chegou. Em 2001, Eugénio foi distinguido com o Prémio Camões. Soube da notícia a olhar o mar, na Foz, na casa -fundação que tem o seu nome. Ficou feliz com a distinção, mas deixou fugir um lamento "Os prémios literários vêm sempre tarde". Deviam ser atribuídos quando ainda se é novo; nessa altura, sim, o dinheiro teria outro valor. Teria permitido ao poeta viajar mais e sem sacrifícios. Em 1948, quando publicou As Mãos e os Frutos, "para ir à Grécia, tive de vender alguns livros e quadros que amigos meus me tinham oferecido".

O Prémio Camões foi pouco para alguém que, por certo, desejaria mais. Mas o Nobel "é impensável! Em Portugal aconteceu uma vez, não voltará a suceder tão cedo. Não há nenhum membro da Academia Sueca que leia português", dizia Eugénio. E "eu também não escrevo para ganhar prémios". Depois, argumentava o autor de Matéria Solar , "o Nobel é um prémio como outro qualquer, só dá mais dinheiro, mas não tem importância nenhuma".

Rigoroso com a imagem, o poeta recusou deixar-se fotografar para os jornais quando foi distinguido com o Camões, "acho um excesso os jornais quererem tirar retratos nos dias dos prémios...". À primeira vista, poder-se-ia pensar que o poeta seria adverso ao culto da imagem. Mas basta uma visita à Fundação Eugénio de Andrade, a casa onde viveu os últimos anos, para se afastar as dúvidas em todas as paredes há retratos e fotografias do poeta, além de bustos e outras estatuetas.

Por onde passava, conta quem o conheceu de perto, ele tinha de ser a primeira figura. Só mesmo a vaidade de Jorge de Sena era suficientemente forte para ofuscar a presença de Eugénio.

"O amor da transparência é a minha fraqueza, mas a minha força também. Não significa o que digo que não haja em mim, e na poesia que faço, zonas de sombra", escreveu o poeta no catálogo da exposição sobre a sua obra, realizada no Porto em 1976. Foi a primeira grande homenagem nacional ao autor de Véspera de Água. Quando completou 80 anos, o Porto - uma vez mais por iniciativa do editor e amigo José da Cruz Santos - voltou a homenagear Eugénio de Andrade.

"não esqueci nada". O poeta não esteve presente. A doença degenerativa já o amarfanhava. Os derradeiros anos da vida foram terríveis; as palavras - razão da vida toda - abandonavam lentamente aquele que mais as amou. "Já não se passa absolutamente nada./E no entanto, antes das palavras gastas,/tenho a certeza/de que todas as coisas estremeciam/só de murmurar o teu nome/ no silêncio do meu coração.//Não temos já nada para dar./ Dentro de ti/não há nada que me peça água./O passado é inútil como um trapo./E já te disse as palavras estão gastas.//Adeus."

O filho de camponeses - que passou a infância numa dessas aldeia da Beira Baixa "que prolongam o Alentejo e, desde pequeno, de abundante" apenas conheceu sol e água, partiu ontem às primeiras horas da madrugada. Longe, muito longe da terra onde nasceu. A derradeira caminhada do poeta de Branco no Branco

«Não me esqueci de nada, mãe./Guardo a tua voz dentro de mim./ E deixo-te as rosas.../Boa noite. Eu vou com as aves!"