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terça-feira, 30 de junho de 2026

Para pior, já basta assim: quem acompanha agora a Agenda 2030 das Nações Unidas?


A 23 de junho, sem alarido, o Governo extinguiu o único órgão onde as regiões autónomas, as autarquias, o Conselho Económico e Social e a sociedade civil se sentavam à mesma mesa para acompanhar a Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. Chamou-lhe simplificação.

Com efeito, nessa data, o Diário da República publicou a Resolução do Conselho de Ministros n.º 132/2026, que altera o modelo de coordenação e acompanhamento da Agenda 2030 fixado pela Resolução n.º 5/2023. Em nome da simplificação, o Governo extingue a Comissão de Acompanhamento e revoga, em bloco, os números que lhe davam corpo. Vale a pena examinar o argumento, porque a palavra “simplificação” só funciona se ninguém perguntar o que foi simplificado.

A Comissão de Acompanhamento reunia-se por meios telemáticos, sem estrutura permanente, sem orçamento próprio, sem máquina administrativa que justificasse falar em fardo burocrático. Invocar a simplificação para a extinguir é, por isso, um argumento que se desfaz ao primeiro toque: não se elimina peso, porque peso não havia. Elimina-se outra coisa.

Elimina-se participação. A Comissão reunia representantes dos dois Governos Regionais, dos Açores e da Madeira, da Associação Nacional de Municípios Portugueses, da Associação Nacional de Freguesias, do Conselho Económico e Social e três personalidades de reconhecido mérito. Era a tradução institucional de duas opções de fundo: uma abordagem whole of government, que sentava a administração central à mesma mesa que as regiões autónomas e o poder local; e uma abordagem whole of society, que dava a parceiros sociais, sociedade civil e academia um lugar formal e regular para acompanhar a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Não eram fórmulas de circunstância. Eram os princípios que as Nações Unidas pedem aos Estados que traduzam em estruturas concretas e eram, em larga medida, o que tornou o Relatório Voluntário Nacional de 2023 tão bem recebido no Fórum Político de Alto Nível, em Nova Iorque, em junho de 2023. Esse relatório não foi escrito num gabinete: beneficiou diretamente do escrutínio e do contributo de quem se sentava nesta Comissão. Quem acompanhou o processo sabe que o valor não foi simbólico.
A nova resolução não substitui esta arquitetura por nenhuma outra. Concentra tudo na coordenação técnica, reportando diretamente à área governativa da presidência. Onde havia um órgão colegial, com representação plural, passa a haver um serviço a reportar, sem mediação institucional, a um gabinete. Não se cria mecanismo alternativo de pronúncia regular dos governos regionais, do poder local, do Conselho Económico e Social ou da sociedade civil.

A centralização não é um efeito colateral. É o conteúdo da decisão. Concentrar na figura de um ministro aquilo que antes era partilhado com regiões, autarquias e sociedade civil não é simplificar a governação da Agenda 2030: é estreitá-la. E estreitá-la num domínio cujo princípio fundador é, literalmente, “não deixar ninguém para trás” tem uma ironia que não deveria passar despercebida.

Há ainda uma segunda perda, mais silenciosa. A Resolução de 2023 comprometia expressamente o país com a apresentação do Relatório Voluntário Nacional nas Nações Unidas. A nova redação fala apenas, em termos vagos, de coordenar “as atividades de reporte”. As conclusões do relatório de 2023 apontavam para um novo exercício em 2027, precisamente o ano da Cimeira dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável). Esse compromisso deixou de ter tradução escrita. Para um país que apresentou o seu desempenho na Agenda 2030 como credencial na candidatura ao Conselho de Segurança, abdicar discretamente do próximo reporte internacional é uma opção que merece, no mínimo, ser explicada.

Não está em causa a boa-fé de quem decidiu. Está em causa o juízo da decisão. A única iniciativa relevante deste Governo em matéria de Agenda 2030 foi dar continuidade, com atraso considerável, ao Roteiro Nacional para o Desenvolvimento Sustentável que o executivo anterior deixara em consulta pública e que, mesmo esse, continua à espera de aprovação formal. Entretanto, o ato concreto, decidido e publicado, foi extinguir um órgão de participação que nada custava e algo valia.

Faltam quatro anos para 2030. Falta aprovar o Roteiro que dormiu meses e restabelecer um compromisso datado de reporte internacional à altura da ambição que Portugal mostrou em 2023. Mas a primeira coisa a fazer seria reconhecer que a participação não é burocracia a abater.

Conduzir uma agenda desta dimensão depois de desligar os instrumentos de participação é uma imprudência que o tempo se encarregará de cobrar.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Dia Mundial da Consciencialização da Violência contra a Pessoa Idosa


A Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030) é uma oportunidade para reunir governos e a sociedade civil para ação orquestrada em prol da melhoria de vida das pessoas idosas.

A violência contra idosos é um problema subnotificado mundialmente que existe tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos. Embora a extensão dos maus-tratos contra idosos seja desconhecida, sua importância social e moral é incontestável.

Por isso, a ONU instituiu o dia 15 de junho de 2006 como o Dia Mundial da da Consciencialização sobre a Violência contra a Pessoa Idosa para definir abordagens culturalmente contextualizadas para detectar e lidar com a violência contra esse grupo populacional.

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) apoiou nos últimos cinco anos 8.540 pessoas idosas vítimas de crime e violência, o que representa uma média de cinco por dia, divulgou hoje a instituição.
Os dados estatísticos da APAV indicam um aumento de 26,5% no número de idosos apoiados entre 2021 e 2025, sendo que a ajuda foi dada em resposta a 15.804 crimes e outras formas de violência
A violência doméstica continua a ser o crime mais frequentemente registado, representando 78,9% das situações acompanhadas pela APAV, o que corresponde a 12.465 crimes.

Seguem-se a ameaça ou coação (3,7%), a ofensa à integridade física (3,7%), a difamação ou injúria (3%) e a burla (2%).
A maioria das vítimas apoiadas era do sexo feminino (76,3%), tinha entre 65 e 74 anos (49,4%) e nacionalidade portuguesa (92,7%), sendo mais de metade (55,9%) dos agressores do sexo masculino.
A APAV assinala que "a violência contra pessoas idosas ocorre maioritariamente em contexto familiar, sendo a pessoa agressora, na maioria das situações, filha ou filho da vítima (32,3%), seguida do cônjuge (21,5%)", acrescentando que 29,8% dos agressores tem entre 25 e 64 anos.
A associação salienta também que "mais de metade das vítimas apoiadas (53,6%) encontravam-se em situação de vitimação continuada", entre as quais 23,4% que viveram situações de violência durante um período compreendido entre dois e seis anos antes de procurar apoio.
Quase metade das vítimas (46,6%) não apresentou queixa nem viu a sua situação denunciada às autoridades.
Para a instituição, "estas estatísticas reforçam a necessidade de continuar a investir na prevenção, deteção precoce e apoio especializado às pessoas idosas vítimas de crime e violência, bem como na sensibilização da sociedade para uma realidade frequentemente invisível".
A APAV, criada em 1990, presta apoio jurídico, psicológico e social, gratuito e confidencial, por telefone, através da Linha de Apoio à Vítima 116 006, 'online', no Chatbot APAV, e presencialmente nos seus gabinetes espalhados pelo país.




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segunda-feira, 8 de junho de 2026

Dia Mundial dos Oceanos alerta para importância das áreas marinhas protegidas


O Dia Mundial dos Oceanos, que se celebra hoje, alerta para a importância de uma rede global de Áreas Marinhas Protegidas (AMP) que “restaure ecossistemas”, lembrando que “todas as nações dependem de oceanos saudáveis”.

Reconhecido pelas Nações Unidas desde 2008, o Dia Mundial dos Oceanos envolve mais de duas mil organizações em 180 países.

Este ano, a efeméride tem como tema “Áreas Marinhas Protegidas Robustas para o Nosso Planeta Azul”.

“Podemos acelerar o progresso e ajudar a criar uma rede global de Áreas Marinhas Protegidas que restaure ecossistemas, construa resiliência e inspire esperança para o futuro”, lê-se na mensagem que assinala a data.

Segundo o portal do Dia Mundial dos Oceanos, a criação de AMP “rigorosamente regulamentadas” será “essencial para transformar os compromissos globais em resultados reais de conservação” e alcançar a meta de proteção de pelo menos 30% das áreas terrestres e marinhas do planeta até 2030.

Atualmente, à escala global, menos de 17% da área terrestre e apenas 8% dos oceanos estão protegidos.

Em outubro, Portugal previa antecipar para 2026 a meta de 30% de AMP, com a criação Reserva Natural Marinha D. Carlos, que cobre 173.000 quilómetros quadrados, abrangendo uma vasta cadeia de montes submarinos e planícies abissais entre Sagres e o Arquipélago da Madeira.

“Todas as nações dependem de oceanos saudáveis [para garantir] a estabilidade climática, a biodiversidade e o bem-estar humano. A proteção dos oceanos, incluindo o alto-mar, é uma responsabilidade partilhada”, acrescenta a mensagem do Dia Mundial dos Oceanos 2026.

Em janeiro entrou em vigor o Tratado do Alto-Mar, que estabelece o enquadramento legal para a designação de AMP em águas internacionais.

sábado, 6 de junho de 2026

Saber não basta - décadas de investigação nas ciências comportamentais demonstram que a informação, por si só, raramente produz mudanças significativas de comportamento

O Fosso entre Saber e Agir (The Value-Action Gap) [relatório disponível aqui]

Nunca soubemos tanto sobre o clima. Os modelos atmosféricos tornaram-se mais sofisticados, as redes de monitorização produzem dados em tempo quase real e os relatórios do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) oferecem diagnósticos cada vez mais robustos sobre os riscos associados às trajetórias atuais de desenvolvimento. Paradoxalmente, quanto mais sólido se torna o conhecimento científico, mais insuficiente se revela para promover a transformação social, económica e política que os próprios dados reclamam.

O problema central do nosso tempo já não é a falta de informação. O verdadeiro desafio reside no fosso persistente entre aquilo que sabemos e o que fazemos. Décadas de investigação nas ciências comportamentais demonstram que a informação, por si só, raramente produz mudanças significativas de comportamento. Quando os riscos são percecionados como distantes, abstratos ou excessivamente complexos, a consciência do problema não se traduz necessariamente em ação.

Esta dificuldade é agravada pela natureza sistémica das crises contemporâneas. Os desafios atuais não surgem de forma isolada. Pelo contrário, interagem entre si de forma não linear. As alterações climáticas afetam a segurança alimentar e hídrica; a instabilidade energética amplia desigualdades económicas; as tensões geopolíticas comprometem respostas coordenadas a problemas globais; e a degradação dos ecossistemas aumenta vulnerabilidades sociais preexistentes. Vivemos numa realidade marcada pela interdependência, na qual perturbações localizadas podem produzir efeitos em cascata à escala planetária.

Durante décadas, as sociedades habituaram-se a interpretar as crises como interrupções temporárias da normalidade. Hoje, essa visão tornou-se insuficiente. A sucessão de choques ambientais, económicos e geopolíticos sugere que a instabilidade deixou de ser uma exceção para se transformar numa condição. Adaptar-se à incerteza tornou-se uma exigência permanente.

Esta transformação tem consequências profundas. A exposição prolongada a narrativas de risco e urgência gera uma ansiedade difusa, alimentada pela perceção de que os problemas se acumulam mais rapidamente do que a capacidade coletiva para os resolver. A dificuldade crescente em imaginar futuros estáveis e desejáveis converte-se num fator de vulnerabilidade por direito próprio.

A psicologia ajuda-nos a compreender este fenómeno. A repetição constante de alertas pode reduzir gradualmente a intensidade da resposta emocional. Embora este mecanismo tenha valor adaptativo no curto prazo, pode tornar-se contraproducente quando prolongado. A preocupação converte-se em resignação, a confiança nas instituições enfraquece e as decisões passam a orientar-se pelo imediato. Um dos maiores riscos das sociedades contemporâneas poderá não ser apenas a multiplicação das crises, mas a erosão da capacidade coletiva para lhes responder.

No entanto, são muitos os progressos alcançados. A expansão das energias renováveis acelerou a um ritmo histórico, os custos da energia solar e do armazenamento diminuíram drasticamente e a capacidade científica para prever fenómenos extremos melhorou de forma notável. Estes avanços demonstram que a inovação, a cooperação e o investimento de longo prazo podem produzir mudanças significativas.

Sabemos hoje mais sobre os riscos que ameaçam as sociedades humanas do que em qualquer outro momento da história. Dispomos de conhecimento científico, capacidade tecnológica e experiência acumulada para enfrentar muitos desses desafios. O verdadeiro teste do nosso tempo já não reside na produção de mais informação, mas na capacidade de traduzir conhecimento em decisão, cooperação e compromisso coletivo. Saber continua a ser indispensável, mas deixou de ser suficiente.
Diário de Coimbra, 02/06/2026

Leituras recomendadas:
A. O Fosso entre Saber e Agir (The Value-Action Gap)
A premissa de que "dar informação não muda comportamentos" é o calcanhar de Aquiles da comunicação de ciência.
  • George Marshall (Livro: Don't Even Think About It: Why Our Brains Are Wired to Ignore Climate Change): Este livro explora exatamente o que a autora descreve: como o cérebro humano lida mal com riscos abstratos, distantes no tempo e geograficamente distantes.

  • Per Espen Stoknes (Livro: What We Think About When We Try Not To Think About Global Warming): Stoknes, um psicólogo e economista norueguês, identificou as "5 barreiras psicológicas" para a ação climática (Distância, Destruição, Dissonância, Negação e Identidade). O texto de Helena Freitas reflete quase diretamente o trabalho de Stoknes ao falar sobre a "redução da resposta emocional" e a "resignação".

B. O Conceito de Policrise e Efeitos em Cascata
A secção sobre crises que "interagem entre si de forma não linear" bebe diretamente da literatura sociológica contemporânea.
  • Adam Tooze (Historiador e Economista): Popularizou o termo "Policrise" para descrever como a crise climática, a geopolítica, a inflação e as pandemias já não são eventos isolados, mas uma rede interligada onde um choque amplifica o outro.

  • Thomas Homer-Dixon (Artigos sobre Complex Systems and Cascading Regimes): Investigador que estuda como o stress ecológico interage com o stress económico e político, levando ao colapso ou à necessidade de resiliência sistémica.

domingo, 24 de maio de 2026

Dia Europeu dos Parques Naturais

Todos precisamos de ligações para crescer, viver e aprender.

Ecossistemas saudáveis não existem isolados: eles só prosperam quando existem ligações ecológicas - corredores de vida selvagem, habitats interligados e paisagens que permitem às espécies deslocarem-se, adaptarem-se e florescerem.

Estas ligações ultrapassam frequentemente as fronteiras de qualquer Área Protegida individual.

A Estratégia de Biodiversidade da UE para 2030 visa criar uma "Rede de Natureza Trans-Europeia" .

O Regulamento da UE sobre o Restauro da Natureza contém metas específicas sobre a conectividade terrestre e fluvial, focando-se especialmente na Natura 2000: a maior rede coordenada de Áreas Protegidas do mundo. A Meta 3 do Quadro Global de Biodiversidade proclama a necessidade de proteger 30% da superfície terrestre e garantir que estes espaços sejam conservados de forma eficaz e estejam bem ligados entre si.

Estas prioridades políticas enviam uma mensagem poderosa: proteger a natureza não é suficiente. Temos de a reconectar. As Áreas Protegidas estão no centro desta transformação. São os blocos de construção das redes ecológicas da Europa. Através da cooperação transfronteiriça, do restauro de habitats, da criação de corredores e da gestão a longo prazo, as Áreas Protegidas estão a transformar a ambição política em ação prática no terreno.

No Dia Europeu dos Parques de 2026, não só celebramos os lugares que protegemos, mas também as ligações que os tornam mais fortes.

Áreas Protegidas, comunidades locais, decisores políticos, visitantes juntos a construir um futuro onde as nossas paisagens não sejam fragmentadas, mas verdadeiramente ligadas pela natureza.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Né Ladeiras - Beijai o menino

"Beijai o menino, beijai- o agora
Beijai o menino, de nossa senhora
Beijai o menino, beijai-no pé
Beijai o menino, que é de São José

Os filhos dos homens em berços dourados
E bós meu menino em palhas deitado
Em palhas deitado, em palhas querido
Filho de uma rosa dum cravo nascido

Os filhos dos homens em bós travesseiros
E bós meu menino preso a um madeiro

Sois um manso cordeiro que estais nessa cruz
Com os braços abertos perdoai-nos Jesus
Sois o Salvador do mundo que tudo salvais
Salvei nossas almas bendito sejais."

Este é o resultado de dois anos de pesquisa de material relacionado com a música e a cultura tradicional transmontana, nomeadamente as recolhas efectuadas por Michel Giacometti e por Jorge e Margot Dias. Foram assim redescobertos, cantares que remontam ao séc. XVI e outros cuja origem se perderam na bruma dos tempos e que aqui são reinterpretados á luz dos nossos dias.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

A probóscide de um mosquito pode revolucionar a bioimpressão 3D


Li recentemente na revista de divulgação científica New Scientist, uma notícia que mostra de forma extraordinária como a biodiversidade continua a surpreender-nos e a alimentar soluções tecnológicas em áreas que vão da medicina à engenharia de precisão. Não resisto a partilhar a descoberta, pelo modo como revela o papel notável da ciência e os horizontes sempre inesperados da investigação. Uma equipa de investigadores da Universidade McGill, no Canadá, descobriu que a tromba (probóscide) de um mosquito pode funcionar como um bico ultrafino para impressoras 3D, abrindo caminho para fabricar estruturas delicadas usadas na criação de tecidos e órgãos artificiais.

A equipa enfrentava um problema recorrente na bioengenharia: os bicos convencionais disponíveis eram demasiado grossos para produzir detalhes microscópicos. Em busca de alternativas naturais, analisaram diversas estruturas animais até concluírem que a probóscide das fêmeas de Aedes aegypti - o mesmo mosquito que transmite dengue, zika e chikungunya - apresentava as características ideais. O apêndice, evoluído para perfurar pele humana com precisão, permitiu imprimir filamentos com apenas 20 micrómetros de espessura, cerca de um quarto da largura de um cabelo.

A técnica, batizada 3D necroprinting, distingue-se também pela simplicidade e pelo baixo custo. Um técnico treinado consegue produzir cerca de seis bicos por hora, cada um por menos de um dólar, e estes podem ser acoplados a impressoras 3D já existentes. Quando congelados, mantêm-se utilizáveis durante um ano, embora aproximadamente 30% apresentem falhas após duas semanas de uso intensivo.

Nos testes realizados, os investigadores utilizaram estes bicos naturais para imprimir estruturas com uma bio-tinta usada na construção de andaimes de tecidos biológicos, incluindo moldes de vasos sanguíneos - um passo essencial na engenharia de tecidos. Especialistas externos sublinham que este avanço ilustra algo mais vasto: a engenharia continua, muitas vezes, a tentar acompanhar a sofisticação das soluções produzidas pela evolução ao longo de milhões de anos.

Para além da curiosidade tecnológica, este trabalho reforça uma ideia fundamental para a economia e para o futuro da inovação: a biodiversidade é uma reserva viva de engenhosidade, repleta de soluções que não conseguimos prever. Cada espécie - mesmo as mais discretas ou incómodas - encerra potencial para inspirar avanços em saúde, materiais, robótica e muitas outras áreas. A probóscide de um mosquito transformada em ferramenta de impressão é apenas um exemplo entre muitos outros.

Nota final: esta descoberta sublinha também a importância de continuar a estudar a biodiversidade de forma sistemática e profunda. Só conhecemos uma fração da variedade de formas, estruturas e estratégias que a vida desenvolveu ao longo da evolução. Investir em investigação biológica não é apenas preservar conhecimento: é ampliar o leque de soluções possíveis para desafios futuros, muitos dos quais ainda nem conseguimos antecipar. Cada organismo estudado é uma nova oportunidade de aprendizagem, inovação e, potencialmente, transformação tecnológica.

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

ONU: Guterres anuncia cortes orçamentais de 500 milhões de euros e redução de 2.681 postos de trabalho


O secretário-geral da ONU, António Guterres, atualizou esta segunda-feira a proposta de orçamento regular da organização para 2026, prevendo agora cortes de 577 milhões de dólares (496,4 milhões de euros) e uma redução de 2.681 postos de trabalho.

Numa apresentação perante a Quinta Comissão da ONU, responsável por assuntos administrativos e orçamentais, Guterres propôs reduzir as necessidades de recursos das Nações Unidas para 3,238 biliões de dólares (2,79 mil milhões de euros), uma redução de 15,1% face a 2025.

A tabela de pessoal foi revista para 11.594 postos de trabalho – incluindo Missões Políticas Especiais –, uma redução de 2.681 postos, ou 18,8%, em comparação com a tabela de pessoal aprovada para 2025.

"Embora as reduções propostas sejam substanciais, foram cuidadosamente calibradas para preservar o equilíbrio entre os três pilares da organização: paz e segurança, desenvolvimento sustentável e direitos humanos", assegurou Guterres, num momento em que a ONU atravessa uma grave crise de liquidez.

Os cortes integram a "Iniciativa ONU80", um projeto anunciado por Guterres que visa mudanças estruturais na própria organização, como a fusão de unidades, eliminação de duplicações funcionais e estruturais, e cortes em funções que são desempenhadas noutras partes do sistema, incluindo nas Missões de Paz.

Isenta de cortes ficou a agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos (UNRWA), com Guterres a justificar que quaisquer reduções poderiam ter "consequências drásticas na espinha dorsal de toda a resposta humanitária a Gaza".

"A Conta de Desenvolvimento e a defesa do desenvolvimento de África também foram isentas de cortes que inevitavelmente teriam impacto direto no nosso apoio aos Estados-membros, dificultando os esforços para a Agenda 2030, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a Agenda 2063 da União Africana", argumentou Guterres.

Para as missões políticas especiais, o orçamento revisto ascende a 543,6 milhões de dólares (467,6 milhões de euros), uma redução de 96,3 milhões de dólares (82,8 milhões de euros) ou 15% em comparação com o orçamento inicialmente proposto para 2026, e uma redução de 21,6% face a este ano.

Segundo o líder da ONU, estes ajustes refletem os apelos para um secretariado da organização internacional "mais eficaz, ágil e resiliente" e contém propostas para "alinhar os recursos com as prioridades organizacionais, modernizar as operações internas e refletir uma resposta pragmática ao contexto fiscal em constante evolução".

Porém, reduções desta magnitude "terão inevitavelmente impactos programáticos e operacionais em todas as entidades e acarretarão ajustes na forma como o secretariado executa as atividades que lhe estão atribuídas", alertou o antigo primeiro-ministro português.

"Estas medidas constituem reduções orçamentais substanciais que afetam as pessoas reais, as famílias e os futuros – e nunca devemos perder de vista esta dimensão humana", acrescentou.

As propostas incluem também a criação de centros administrativos em Nova Iorque e Banguecoque (Tailândia), a unificação do processamento de salários numa equipa global distribuída entre Nova Iorque, Entebbe (Uganda) e Nairobi (Quénia), e a transferência de funções desde as sedes mais caras - como Nova Iorque e Genebra - para locais de menor custo.

Desde 2017, o secretariado da ONU poupou 126 milhões de dólares (108,4 milhões de euros) com o fim de contratos de arrendamento comercial em Nova Iorque, especificou ainda Guterres.

Além disso, a ONU planeia desocupar dois edifícios alugados em Nova Iorque até 2027, gerando poupanças de milhões de dólares anuais a partir de 2028.

Apesar da carga de trabalho da ONU aumentar de ano para ano, os recursos estão a diminuir em todos os setores, contribuindo para isso o facto de que nem todos os Estados-membros pagam na totalidade as obrigações anuais e muitos também não pagam a tempo.  

Sobre o pagamento das obrigações anuais, Guterres criticou o "volume inaceitável de atrasos", frisando que a ONU terminou 2024 com um débito de 760 milhões de dólares (653,8 milhões de euros), dos quais 709 milhões de dólares (610 milhões de euros) ainda estão pendentes.

Além disso, Guterres assinalou que a ONU também não recebeu 877 milhões de dólares (754,2 milhões de euros) referentes às contribuições de 2025.

Assim, o débito é atualmente superior a 1,3 mil milhões de euros.

domingo, 2 de novembro de 2025

Por onde andam a democracia e o bem comum e qual o papel da petição?


Vivemos um tempo paradoxal. Nunca tivemos tantos meios para nos informarmos, comunicarmos e participarmos na vida pública — e, no entanto, a sensação dominante é a de afastamento. A democracia, esse bem conquistado à custa de tanto esforço e memória, parece hoje andar perdida entre o ruído e a indiferença. O bem comum, fundamento ético da convivência humana, foi sendo substituído por um pragmatismo egoísta, por uma lógica de mercado que transforma cidadãos em consumidores e a política em espetáculo.
A democracia não se esgota no voto. Ela exige presença, vigilância e um sentido de pertença. Precisa de cidadãos atentos, críticos, capazes de questionar e propor. Infelizmente, a apatia cresce à medida que se agravam as desigualdades, que o discurso público se torna tóxico e que os centros de decisão se afastam das pessoas. A desinformação — alimentada por algoritmos que premiam o escândalo — corrói o terreno fértil da confiança, sem a qual nenhuma comunidade pode florescer.
E o bem comum? Esse conceito, tão simples e tão esquecido, é o que poderia restituir sentido à democracia. Falar de bem comum é lembrar que a liberdade individual só faz sentido num quadro de responsabilidade partilhada. É reconhecer que a nossa saúde depende da saúde dos ecossistemas, que o nosso bem-estar depende da justiça social, que o futuro dos nossos filhos depende da coragem coletiva de mudar de rumo.
Por onde andam, então, a democracia e o bem comum? Talvez não estejam perdidos — apenas esquecidos nos gestos pequenos que deixámos de valorizar: no diálogo entre vizinhos, na participação local, na escola que ensina a pensar, na comunidade que cuida. É aí, no quotidiano concreto, que renasce a possibilidade de uma cidadania viva e solidária.

Porque a democracia não se herda — constrói-se. E o bem comum não se decreta — cultiva-se.

A democracia — como defende Pierre Rosanvallon (2008) — “não é um estado, é um processo contínuo de invenção coletiva”. E esse processo exige participação real, protagonismo cidadão e uma educação que ensine não apenas a competir, mas a cooperar. O bem comum, por sua vez, não é uma abstração moral: é, como lembra Martha Nussbaum (2011), a condição material e simbólica que permite que todas as pessoas floresçam em dignidade e interdependência.

Uma petição pode ter um papel estratégico e simbólico muito forte neste contexto de reflexão sobre democracia e bem comum.
Mesmo parecendo um instrumento modesto, ela representa a prática viva da cidadania participativa — um antídoto contra a apatia democrática. 

Para Rosanvallon (2015), estes “atos de vigilância cívica” são hoje essenciais para revitalizar a democracia representativa, criando laços entre a sociedade civil e as instituições.

Estudos recentes (por exemplo, Smith, 2009; Nabatchi & Leighninger, 2015) mostram que formas de democracia participativa — como petições, orçamentos participativos e assembleias cidadãs — aumentam a confiança pública e a qualidade deliberativa das políticas públicas.

Eis algumas vantagens claras:
🟢 1. Reforça a cidadania ativa
Assinar (ou criar) uma petição é um ato de participação direta. Mostra que as pessoas não se limitam a votar de quatro em quatro anos, mas querem intervir no debate público. Cada assinatura é um gesto de consciência cívica, e o conjunto delas cria uma voz coletiva que o poder político não pode ignorar.
🟢 2. Cria comunidade e convergência
Num tempo de fragmentação e polarização, uma petição pode reunir cidadãos em torno de um propósito comum — seja ambiental, social ou ético. Funciona como ponto de encontro entre pessoas que, mesmo diferentes, reconhecem a urgência de defender um valor partilhado.
É o bem comum, em forma de mobilização.
🟢 3. Traz visibilidade e pressão política
Uma petição bem articulada e divulgada atrai a atenção pública e mediática, obrigando decisores e instituições a reagirem. Mesmo quando não resulta imediatamente em legislação, força o debate, expõe contradições e obriga à transparência.
🟢 4. Educa e desperta
Muitas pessoas tomam contacto com certos temas através de uma petição — é um instrumento de consciencialização. Bem redigida, ela explica, contextualiza e propõe soluções. Ou seja, transforma a indignação dispersa em conhecimento e ação concreta.
🟢 5. Articula o local e o global
Peticionar é um ato simultaneamente local e global: pode começar num bairro, numa escola ou numa associação, e acabar a influenciar decisões nacionais ou internacionais. É uma ponte entre a democracia de proximidade e a política institucional.

👉 Em resumo:
1. Num tempo em que muitos se perguntam “por onde anda a democracia?”, uma petição é um modo de trazê-la de volta para as mãos das pessoas — não como ideal abstrato, mas como prática quotidiana.
2. Portanto, peticionar não é um gesto simbólico ou de "activismo de sofá": é agir sobre a realidade, dar forma política à indignação ética. É um exercício de corresponsabilidade e de reconstrução do bem comum a partir da base social.

Relembro o Exercício do direito de petição
Lei n.º 43/90 publicado no Diário da República n.º 184/1990, Série I de 1990-08-10

Referências bibliográficas selecionadas

  • Freire, P. (1996). Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra.

  • Habermas, J. (1996). Between Facts and Norms: Contributions to a Discourse Theory of Law and Democracy. MIT Press.

  • Nabatchi, T., & Leighninger, M. (2015). Public Participation for 21st Century Democracy. Jossey-Bass.

  • Nussbaum, M. (2011). Creating Capabilities: The Human Development Approach. Harvard University Press.

  • Orr, D. (2004). Earth in Mind: On Education, Environment, and the Human Prospect. Island Press.

  • Rosanvallon, P. (2008). La légitimité démocratique. Seuil.

  • Rosanvallon, P. (2015). Le bon gouvernement. Seuil.

  • Smith, G. (2009). Democratic Innovations: Designing Institutions for Citizen Participation. Cambridge University Press.

  • Sterling, S. (2010). Transformative Learning and Sustainability: Sketching the Conceptual Ground. Learning and Teaching in Higher Education, 5(11), 17–33.

  • UNESCO (2019). Education for Sustainable Development Beyond 2019. Paris: UNESCO.


segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Quase 80% dos mais pobres do mundo vivem em zonas expostas a riscos climáticos


Cerca de oito em cada 10 pessoas que vivem em situação de pobreza em todo o mundo, algo como 887 milhões, estão diretamente expostas a pelo menos um risco climático, como calor extremo, cheias, secas ou poluição do ar.

O alerta é feito num relatório publicado esta sexta-feira pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDP) e pela Universidade de Oxford, nas antevésperas da cimeira global do clima (COP30) que acontecerá em novembro no Brasil.

Para os autores da análise, o cruzamento de dados sobre riscos climáticos com dados sobre as várias dimensões da pobreza (saúde, educação, padrões de vida) revela “um mundo onde a pobreza não é apenas uma questão socioeconómica isoladas, mas sim uma que está profundamente interligada com pressões e instabilidade planetárias”.

Realçando que a exposição a riscos climáticos provavelmente agrava as dificuldades diárias enfrentada pelas pessoas a viverem em situação de pobreza, aprofundando as suas desvantagens, o relatório mostra que 651 milhões de pessoas desse grupo estão expostas a dois ou mais riscos climáticos. Ainda, estima-se que 309 milhões enfrentem três ou quatro riscos em simultâneo.

“A nossa nova investigação mostra que, para dar resposta à pobreza global e criar um mundo mais estável para todos, precisamos de confrontar os riscos climáticos que ameaçam quase 900 milhões de pessoas pobres”, diz, em comunicado, Haoliang Xu, administrador-interino da UNDP.

“Quando os líderes mundiais se reunirem no Brasil para a Conferência Climática, COP30, no próximo mês, as suas promessas climáticas nacionais devem revitalizar o estagnado progresso do desenvolvimento que ameaça deixar para trás as pessoas mais pobres do mundo.”

O risco climático que afeta o maior número de pessoas em situação de pobreza a nível global é o calor extremo, que atinge 608 milhões de pessoas. Segue-se a poluição do ar, que afeta 577 milhões, as cheias, que atingem 465 milhões de pessoas, e as secas, que agravam as dificuldades de 207 milhões dos mais pobres do mundo.

Impactos desiguais
Os efeitos da combinação da pobreza com os riscos climáticos não são sentidos da mesma forma em todo o planeta.

Salienta o relatório que o sudeste asiático e a África subsariana são as regiões onde a combinação desses factores é mais intensa, com 380 milhões e 344 milhões de pessoas pobres a viverem em locais afetados por risco climáticos, respetivamente.

No sudeste asiático, a exposição é “praticamente universal”, dizem os autores, uma vez que 99,1% dos mais pobres enfrentam pelo menos um risco climático e 91,6% dois ou mais. Esses valores são mais altos do que em qualquer outra parte do mundo.

“Apesar de estar a conseguir avanços significativos e históricos na redução da pobreza, o sudeste asiático precisa também de acelerar na ação climática”, destacam os especialistas.

Por outro lado, é nos países com rendimentos médios-baixos que os mais pobres mais são afetados pelos riscos climáticos. Nesses países, cerca de 548 milhões de pessoas pobres estão expostas a pelo menos um risco climático, representado 61,8% de todas as pessoas pobres do mundo que estão expostas a essas ameaças.

domingo, 21 de setembro de 2025

Turismo Imersivo: Da Massificação à Experiência com Significado


Hoje, viajar tornou-se uma prática tão comum que se arrisca a uma certa banalização. Em 2023, os residentes da União Europeia com mais de 15 anos realizaram mais de 1,1 mil milhões de viagens turísticas com pelo menos uma noite de estadia. Isso equivale a uma média de 2,4 viagens por pessoa por ano (Eurostat, 2023). No outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos, a maioria das famílias realiza uma média de três viagens por ano.

Apesar da dimensão impressionante destes números, esta massificação e repetição de itinerários semelhantes — praias, monumentos, capitais turísticas — faz com que muitas dessas viagens deixem de ser experiências marcantes ou transformadoras.

É neste contexto que surge com força uma tendência internacional: o turismo imersivo (immersive tourism), também referido como experiential travel ou curated travel. A sua proposta é clara: substituir a quantidade pela qualidade, levando o viajante a viver experiências autênticas e a criar ligações genuínas com as comunidades locais.

O que distingue o turismo imersivo?
Ao contrário do turismo de massas, o turismo imersivo privilegia pequenos grupos e experiências de proximidade, onde os visitantes deixam de ser meros observadores para se tornarem participantes ativos:

Aprendendo diretamente com artesãos locais em workshops práticos.
  1. Descobrindo saberes tradicionais, como a cestaria com plantas autóctones ou a produção de queijo de cabra numa pequena unidade artesanal
  2. Partilhando refeições com gastronomia regional preparada com produtos locais.
  3. Integrando-se em festividades comunitárias e tradições vivas.
  4. Explorando a natureza através de passeios guiados que revelam paisagens, histórias e biodiversidade.
Um estudo recente de Zhou & Wang (2024) sublinha que a qualidade destas experiências depende de dois fatores: o experiencescape físico (o ambiente, a temática, e as infraestruturas que envolvem a experiência) e o experiencescape interpessoal (proporcionado pela interação entre anfitriões e visitantes). Ambos os elementos, segundo os autores, potenciam emoções positivas, que aumentam a probabilidade de os viajantes recomendarem o destino ou regressarem no futuro.

Uma prática de Turismo Responsável
As viagens imersivas não são apenas gratificantes para os viajantes – representam também um avanço no movimento global pelo Turismo Responsável. Ao escolher este tipo de experiência:
  1. As economias locais beneficiam diretamente: artesãos, produtores, guias e pequenos negócios veem o seu trabalho valorizado e justamente compensado.
  2. O património cultural é preservado: os ofícios e práticas tradicionais ganham visibilidade e continuam a florescer.
  3. As comunidades são fortalecidas: receber viajantes aumenta o orgulho na identidade local e abre novas oportunidades.
  4. O ambiente é respeitado: o formato de pequenos grupos e as atividades de contacto com a natureza promovem práticas de baixo impacto.
Desta forma, o turismo imersivo gera benefícios mútuos. Os visitantes têm experiências autênticas – não encenadas - que se tornam o ponto alto da viagem: as histórias das pessoas que conheceram, os ofícios que experimentaram com as próprias mãos, as receitas que provaram e as tradições em que participaram. E, ao fazê-lo, cada viagem contribui para uma economia local mais forte e para a preservação do que torna cada lugar único.

sábado, 20 de setembro de 2025

Dinamarca - ilhas flutuantes artificiais cobertas de flores silvestre


Na Dinamarca, ilhas flutuantes artificiais cobertas de flores silvestres estão a transformar portos movimentados em bolsas de natureza.
Construídas com materiais ecológicos, estas ilhas oferecem locais de nidificação para aves, néctar para abelhas e borboletas e abrigo subaquático para peixes.
Não só aumentam a biodiversidade, como também purificam o ar e a água, absorvendo carbono e filtrando os poluentes.
Ancoradas em segurança, as ilhas comprovam que, mesmo em vias navegáveis ​​industriais, as cidades podem criar santuários verdes onde a vida selvagem prospera juntamente com a atividade humana. 

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Contributo sobre o Manifesto por um Pacto Nacional pela Floresta e pelo Território

A SPECO e 23 outras ONGA enviaram para o governo um contributo sobre o manifesto que ainda continua aberto à subscrição individual e de grupo sobre a necessidade de se estabelecer um Pacto Nacional sobre a Floresta e o Território.



São 23 as Organizações Não Governamentais e/ou Associações de Ambiente que se juntaram à Sociedade Portuguesa de Ecologia (SPECO) e assinaram este manifesto, que abaixo se junta, aberto à subscrição pública desde 25 de Agosto. Mais de 1500 cidadãos de diferentes quadrantes da sociedade, nomeadamente técnicos, professores, investigadores de laboratórios de Estado e de fundações, já o subscreveram.

Não podemos ficar parados. Cansámo-nos de esperar que as políticas estratégicas surtam efeito. Têm sido formadas comissões de estudo, disponibilizados financiamentos do PRR, do Fundo Ambiental, mas a acção continuada, a efectiva melhoria que se almeja para levar um pouco de dignidade e sustentabilidade ao Portugal interior tarda em concretizar.

Para além das povoações, também as Áreas Protegidas têm sido delapidadas e deixadas ao abandono. Depois de 1985 e 2017, 2025 foi já considerado o terceiro ano que afectou consideravelmente Áreas Protegidas, espaços que mereciam uma atenção redobrada pelo valor que representam, não só a nível nacional como europeu.

Precisamos de acção, já! Estamos dispostos a ajudar e a apoiar, a convocar a ciência, as empresas, os autarcas e as comunidades. Não podemos esperar por diagnósticos, novas comissões técnicas e independentes. As anteriores já diagnosticaram as causas e propuseram soluções, mas nada foi feito. Os erros perpetuam-se e o plano de ordenamento do território tarda em ser posto em prática.

É este apelo que as 22 ONGA transmitem ao Governo. Através deste Manifesto mostramo-nos disponíveis para apoiar um plano de acção que tenha efeitos directos no território. O ordenamento do território e a conservação da natureza nas suas Áreas Protegidas são as melhores ferramentas para o combate às alterações climáticas e para a sustentabilidade das populações do interior do país.

As organizações signatárias:



Leia o manifesto abaixo, e assine aqui.

sábado, 28 de dezembro de 2024

MOOCs e Educação Ambiental: a ligação


Os MOOCs (Massive Open Online Courses) têm uma relação direta e estratégica com a Educação Ambiental, sobretudo porque ambos partilham o objetivo de democratizar o acesso ao conhecimento e promover mudanças de valores, atitudes e comportamentos face aos desafios ambientais contemporâneos. Num contexto marcado por crises globais como as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e a degradação dos ecossistemas, torna-se essencial que a educação ambiental ultrapasse os limites da escola formal e alcance públicos mais amplos, algo que os MOOCs permitem de forma eficaz.

Ao serem cursos online, abertos e acessíveis a um número elevado de participantes, os MOOCs possibilitam a difusão de conteúdos científicos e educativos sobre sustentabilidade, conservação da natureza, ecologia e cidadania ambiental a pessoas de diferentes idades, formações e contextos socioculturais. Esta característica reforça o carácter inclusivo da Educação Ambiental e contribui para a construção de uma consciência ecológica global, ao mesmo tempo que valoriza experiências e realidades locais partilhadas entre participantes de diferentes regiões do mundo.

Os MOOCs assumem também um papel relevante na formação contínua de professores, educadores ambientais e técnicos da área do ambiente, permitindo atualização científica permanente e contacto com novas abordagens pedagógicas. Quando bem estruturados, podem integrar metodologias ativas, como estudos de caso, projetos comunitários, desafios práticos e fóruns de debate, favorecendo uma aprendizagem crítica e reflexiva, essencial para a Educação Ambiental transformadora.

Contudo, é importante reconhecer que os MOOCs apresentam limitações, como elevadas taxas de abandono, desigualdades no acesso à internet e a dificuldade em promover experiências diretas com a natureza. Por essa razão, devem ser encarados como ferramentas complementares, e não substitutas, das práticas educativas presenciais e das ações locais de educação ambiental.

Em síntese, os MOOCs constituem um importante instrumento de apoio à Educação Ambiental, ao ampliarem o alcance do conhecimento, fortalecerem redes de aprendizagem e contribuírem para a formação de cidadãos mais conscientes e participativos, desde que articulados com práticas pedagógicas críticas e orientadas para a ação sustentável.

Referências bibliográficas
  1. DOWNES, S. (2008). Places to go: Connectivism & connective knowledge. Innovate: Journal of Online Education, 5(1).
  2. FREIRE, P. (1996). Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra.
  3. HODGSON, V.; MCDONALD, J. (2019). Postdigital learning and the marginalisation of MOOCs. International Journal of Educational Technology in Higher Education, 16(1), 1–15.
  4. HOLLANDS, F. M.; TIRTHALI, D. (2014). MOOCs: Expectations and reality. New York: Center for Benefit-Cost Studies of Education, Teachers College, Columbia University.
  5. SIEMENS, G. (2005). Connectivism: A learning theory for the digital age. International Journal of Instructional Technology and Distance Learning, 2(1).
  6. SIEMENS, G.; DOWNES, S. (2008). Connectivism and connective knowledge. National Research Council Canada.
  7. UNESCO (2017). Education for Sustainable Development Goals: Learning objectives. Paris: UNESCO.
  8. UNESCO (2020). Education for sustainable development: A roadmap. Paris: UNESCO.
  9. WALS, A. E. J. (2010). Mirroring, gestaltswitching and transformative social learning: Stepping stones for developing sustainability competence. International Journal of Sustainability in Higher Education, 11(4), 380–390.
  10. YUAN, L.; POWELL, S. (2013). MOOCs and open education: Implications for higher education. CETIS White Paper.

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Diversidade: o segredo da resiliência humana e natural


Tal como na natureza, onde ecossistemas biodiversos são mais produtivos e resilientes, os grupos humanos prosperam na diversidade. Cada indivíduo contribui com competências, perspetivas e talentos únicos, que, combinados, criam uma "rede de interações" mais forte e funcional. 
Tal como espécies diferentes num ecossistema contribuem para o seu funcionamento e estabilidade, os contributos humanos complementares ajudam a superar desafios e a promover avanços em áreas diversas da ciência, cultura, arte e tecnologia.
Quando pessoas com diferentes formações e experiências se reúnem para resolver problemas complexos, as suas perspetivas variadas permitem explorar abordagens mais criativas e abrangentes - reflete o conceito ecológico de "nicho complementar", onde diferentes espécies ocupam papéis únicos e, juntas, tornam o sistema mais eficiente e equilibrado.
Além disso, a diversidade humana também atua como uma barreira natural contra a disseminação de ideias ou comportamentos prejudiciais, como no caso de ecossistemas ricos que resistem melhor a espécies invasoras. Num ambiente humano inclusivo, a multiplicidade de pontos de vista e experiências impede que preconceitos ou práticas destrutivas ganhem espaço de maneira descontrolada.
A ideia de resiliência também é crucial. Tal como os ecossistemas com elevada biodiversidade respondem melhor a perturbações, uma sociedade diversificada adapta-se melhor a mudanças e crises. Essa resiliência vem da capacidade de aprender com os erros, de absorver influências externas e de encontrar soluções inovadoras. 
Num contexto humano, isso poderia significar enfrentar crises económicas desafios ambientais ou adaptação às novas tecnologias. Os ecossistemas biodiversos cativam-nos pela sua beleza e complexidade. Da mesma forma, a diversidade humana enriquece a nossa convivência, fomentando a criatividade e a resiliência.

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Os desafios da Sustentabilidade

A aprovação da agenda 2030 representou um marco importante na agenda política global, testemunhando uma ambição coletiva para enfrentar os desafios globais mais urgentes através da concretização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Comparando a agenda precedente, os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, os ODS ofereceram um quadro mais abrangente e estruturado para abordar a complexidade e a amplitude dos problemas. Com efeito, a agenda 2030 traçou um rumo para a cooperação mundial, propondo um roteiro de referência para enfrentar diversos desafios como a erradicação da pobreza e a ação climática. No entanto, à medida que avançamos na implementação dos ODS e nos aproximamos da sua meta, torna-se imperativo refletir sobre a magnitude das nossas aspirações e a necessidade de adaptação contínua às circunstâncias em evolução. Apesar da ambição inicial e das melhores intenções, percebemos as limitações da agenda e a necessidade de a reavaliar, assegurando a prossecução mais ambiciosa de programas que respondam aos grandes desafios ambientais, sociais e humanos.
O princípio da equidade é fundamental para a implementação e sucesso da agenda 2030 e da própria transição ecológica. Esta transição não pode perpetuar as desigualdades prevalecentes, mas antes servir como catalisador para uma prosperidade inclusiva. O alinhamento neste trajeto transformador deve adotar metodologias de gestão de projetos que priorizem a colaboração, a inovação e a inclusão. O desafio ambiental imediato é a crise climática, uma ameaça que exige respostas coletivas rápidas e decisivas.
Embora o impulso inicial da agenda 2030 tenha sido significativo, as tendências financeiras atuais revelam uma realidade preocupante. O financiamento global abrandou, agravando a pobreza extrema pela primeira vez em décadas. Este facto sublinha a necessidade urgente de um compromisso renovado, bem como abordagens de financiamento inovadoras para se conseguir implementar as iniciativas de desenvolvimento sustentável.
De forma resumida, os desafios da sustentabilidade exigem um reforço da ambição, enfatizando no seus propósitos:
1. Uma orientação para a paz. No meio da escalada dos conflitos globais, priorizar a paz não é apenas um imperativo moral, mas uma condição para o desenvolvimento sustentável.
2. Enfrentar a tripla crise planetária. A convergência das alterações climáticas, da perda de biodiversidade, da escassez de água e da poluição plástica representa uma ameaça existencial. A resolução destas crises interligadas exige soluções holísticas e sistémicas.
3. O desafio da pobreza, da desigualdade e da educação. Apesar dos progressos, a pobreza e a desigualdade persistem como obstáculos ao desenvolvimento humano. A educação é uma ferramenta fundamental para o empoderamento e mobilidade social.
4- Liderança na transição verde e inovação tecnológica. A transição para um futuro sustentável demanda determinação nos setores da energia, sistemas alimentares e tecnologias digitais. As políticas regressivas que subsidiam os combustíveis fósseis dificultam o progresso, particularmente em regiões como a África - com contribuições mínimas para as emissões globais.
5. Uma governação democrática e finanças sustentáveis. A defesa dos valores democráticos, a promoção da transparência e a mobilização de finanças sustentáveis são essenciais para a construção de sociedades e economias justas e resilientes.

sábado, 28 de setembro de 2024

Centre for Functional Ecology | Promotional video


O “Centre for Functional Ecology - Science for People & the Planet” (CFE) reúne investigadores de todos os domínios da ecologia, das ciências do ambiente e do território, das ciências sociais e das humanidades. A dimensão multidisciplinar do CFE corresponde aos desafios societais contemporâneos em interação com a complexidade do compromisso global para a sustentabilidade.

Integra conhecimento desde os genes aos biomas, com o objetivo de estudar os mecanismos responsáveis pela conservação da biodiversidade e pela composição, estrutura e funcionamento das comunidades biológicas e ecossistemas, considerando a diversidade disciplinar indispensável à compreensão da relação entre as Pessoas e o Planeta, os territórios e as comunidades.

O CFE apresenta um forte compromisso com a transferência de conhecimento para o público em geral e para o setor produtivo, com ênfase na sustentabilidade dos territórios e bem-estar das comunidades locais.

Desde a sua criação em 2009, o CFE da Universidade de Coimbra apresenta um notável crescimento em dimensão, alcance e impacto. Atualmente, o CFE é composto por 126 investigadores doutorados integrados e um total de cerca de 400 investigadores organizados em 10 grupos de investigação estratégicos:

1. Biodiversidade, Conservação e Capital Natural

2. Ecossistemas Terrestres e Alterações Globais

3. Recursos Marinhos, Conservação e Tecnologia

4. Saúde do Solo

5. Sociedades e Sustentabilidade Ambiental

6. História, Território e Comunidades

7. Uma Só Saúde

8. Antropologia Forense e Paleobiologia

9. Bioeletrónica e Bioenergia

10. Ecologia e Ecotoxicologia Aquáticas

Cada um desses grupos apresenta os seus próprios objetivos claros de I&D, mas com colaborações muito fortes e fluidas entre todos os grupos de investigação, um marco do CFE desde a sua criação. O CFE apresenta também duas linhas temáticas transversais: Cátedra UNESCO em Biodiversidade e Conservação para o Desenvolvimento Sustentável e a Ciência Aberta.

A estratégia do CFE passa pela consolidação da trajetória altamente positiva no plano científico e formativo. A vibrante dinâmica de investigação alcançada nos últimos 5 anos, a incorporação de investigadores altamente qualificados e com forte dimensão internacional, o número e a qualidade dos artigos publicados e dos projetos aprovados, as sinergias estabelecidas com o setor privado e a participação de investigadores do CFE-UC em redes internacionais, incluindo no apoio na tomada de decisões, sustentam uma maior afirmação do CFE-UC a nível nacional e internacional.

O CFE, tendo a ecologia na sua matriz científica, produz conhecimento nas áreas das alterações globais, da gestão dos recursos hídricos e dos bens alimentares, da proteção dos oceanos, da biodiversidade, dos serviços dos ecossistemas, do património e das comunidades, e assumirá um maior compromisso pela sustentabilidade, numa visão concertada, transdisciplinar, transnacional e translacional, apoiada na partilha do conhecimento e na ciência aberta, e incorporando plenamente a Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, com os investigadores estimulados a dar prioridade ao pensamento sistémico com relevância ao nível local, nacional e internacional.

Em respeito pelos princípios orientadores da promoção de uma ciência aberta e socialmente responsável, o CFE-UC aposta em fortalecer algumas áreas prioritárias específicas, principalmente: agroambiental, fitossanidade, dieta mediterrânica, silvicultura, alterações globais, conservação da natureza, segurança alimentar, avaliação do risco ambiental, economia azul, ecossistemas marinhos e costeiros, economia circular, território, comunidades e desenvolvimento sustentável.

A formação avançada e a incorporação de estudantes no início e o desenvolvimento de ideias e projetos, é outra pedra angular da estratégia do CFE, sendo aposta uma forte afirmação no campo da formação técnica especializada e formação avançada, e na cooperação académica internacional, através do envolvimento em programas de Mestrado e Doutoramento internacionais, bem como a promoção do emprego científico.

Além disso, através da Cátedra UNESCO em Biodiversidade e Conservação para o Desenvolvimento Sustentável, as relações com os países de língua portuguesa continuarão a ser fortemente incentivadas. A longa história partilhada com esses países exige e privilegia tais colaborações, com um foco especial na conservação da biodiversidade e nas coleções biológicas, orientação e partilha de conhecimento.

Assim, a missão do CFE-UC é continuar a impulsionar os limites do conhecimento em todas as áreas da Ecologia e suas interfaces com a tecnologia e a sociedade, num compromisso permanente de produzir uma verdadeira Ciência para as Pessoas e para o Planeta.

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Dia Nacional da Sustentabilidade


A 25 de setembro celebrou-se o Dia Nacional da Sustentabilidade, uma data simbólica já que coincide com o dia que marca também a adoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) pela ONU (25 de setembro de 2015).

Este dia de celebração nacional foi instituído através da Resolução do Conselho de Ministros n.º 56/2023, de 9 de junho. O dia coincide com a data da adoção, pelas Nações Unidas, dos Objetivos do Desenvolvimentos Sustentável (ODS).

A ação local é essencial, e o compromisso de Portugal com a causa da Sustentabilidade está no centro da criação deste dia.

No caminho para um país mais sustentável exige-se uma abordagem holística que atue sobre as dimensões ambiental, social e económica, com vista a uma transformação global e duradoura, que se reflita, de modo coerente, em todas as políticas e estratégias de desenvolvimento do país.

A prossecução dos ODS deve ser inclusiva e participativa, não deixando ninguém para trás. É necessário garantir o envolvimento de todas e de todos os intervenientes – indivíduos, empresas, sociedade civil e setor público, setor privado, em linha com o modelo de coordenação e acompanhamento da prossecução dos ODS, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 5/2023, de 23 de janeiro (RCM 5/2023).

A RCM 5/2023 constitui uma iniciativa de vital relevância para a divulgação de informação, a promoção do conhecimento e a capacitação de todos os atores para a mudança consciente de comportamentos com potencial transformador rumo a um futuro sustentável.

As comemorações relativas ao Dia Nacional da Sustentabilidade são organizadas de forma descentralizada, com envolvimento dos vários níveis de governação e de intervenientes de diferentes setores, de acordo com os respetivos interesses e recursos, sob coordenação dos membros do Governo responsáveis pelas áreas da Presidência do Conselho de Ministros e dos Negócios Estrangeiros, em articulação com as demais áreas governativas responsáveis pela prossecução dos ODS a nível setorial.

Em cada ano, sob proposta dos membros do Governo responsáveis pelas áreas da economia, do trabalho, solidariedade e segurança social e do ambiente, é adotado um tema específico a abordar no âmbito das comemorações do Dia Nacional da Sustentabilidade.

A sustentabilidade enfrenta desafios globais que exigem um crescimento económico sustentável , capaz de garantir as necessidades do presente sem comprometer o futuro, como já descrito em 1987 no Relatório Brundtland.

A Agenda 2030 da ONU, em vigor desde 1 de janeiro de 2016, define 17 ODS e 169 metas para guiar o desenvolvimento sustentável até 2030, com o apoio unânime de 193 países, incluindo Portugal.

A sustentabilidade ganhou relevância nas estratégias das empresas, com impacto na governança, nos compromissos assumidos pelas administrações e nos produtos, que viram os seus processos alterados.

Este ano, foram várias as iniciativas para promover a sustentabilidade em Portugal, entre elas:
  1. Metropolitano de Lisboa: até 22 de outubro, nas estações da Baixa-Chiado e da Alameda, está patente uma exposição sobre os projetos de responsabilidade social e ambiental do Metropolitano de Lisboa;
  2. Sociedade de Geografia de Lisboa (SGL) e Comité Nacional para a Década do Oceano: jornada “Ciência para Alcançar o Desenvolvimento Sustentável”;
  3. INA: WebINAr “Sustentabilidade em Ação: Capacitação e Gestão Sustentável na Administração Pública”, com o objetivo de promover a compreensão da importância estratégica da sustentabilidade na gestão pública, discutir abordagens inovadoras e sustentáveis para enfrentar desafios contemporâneos e apresentar exemplos concretos e bem-sucedidos de integração da sustentabilidade em diversos setores da Administração Pública;
  4. PT Sustentável: promoveu diversas atividades descentralizadas, envolvendo diferentes setores e níveis de governação. O objetivo é divulgar informações e capacitar todos os atores sociais para mudanças conscientes de comportamento rumo a um futuro sustentável;
  5. Visões do Futuro: reuniu diversos parceiros, como Pisca Pisca, Cepsa, LIDL, Auchan, Sogrape, Sociedade Ponto Verde, entre outros. Houve mesas redondas, workshops focados na sustentabilidade, rastreios de saúde e um teatro infantil sobre o tema.
Estas iniciativas refletem o compromisso de Portugal com a sustentabilidade e a promoção de práticas que contribuem para um futuro mais verde e inclusivo.