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terça-feira, 30 de junho de 2026

Para pior, já basta assim: quem acompanha agora a Agenda 2030 das Nações Unidas?


A 23 de junho, sem alarido, o Governo extinguiu o único órgão onde as regiões autónomas, as autarquias, o Conselho Económico e Social e a sociedade civil se sentavam à mesma mesa para acompanhar a Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. Chamou-lhe simplificação.

Com efeito, nessa data, o Diário da República publicou a Resolução do Conselho de Ministros n.º 132/2026, que altera o modelo de coordenação e acompanhamento da Agenda 2030 fixado pela Resolução n.º 5/2023. Em nome da simplificação, o Governo extingue a Comissão de Acompanhamento e revoga, em bloco, os números que lhe davam corpo. Vale a pena examinar o argumento, porque a palavra “simplificação” só funciona se ninguém perguntar o que foi simplificado.

A Comissão de Acompanhamento reunia-se por meios telemáticos, sem estrutura permanente, sem orçamento próprio, sem máquina administrativa que justificasse falar em fardo burocrático. Invocar a simplificação para a extinguir é, por isso, um argumento que se desfaz ao primeiro toque: não se elimina peso, porque peso não havia. Elimina-se outra coisa.

Elimina-se participação. A Comissão reunia representantes dos dois Governos Regionais, dos Açores e da Madeira, da Associação Nacional de Municípios Portugueses, da Associação Nacional de Freguesias, do Conselho Económico e Social e três personalidades de reconhecido mérito. Era a tradução institucional de duas opções de fundo: uma abordagem whole of government, que sentava a administração central à mesma mesa que as regiões autónomas e o poder local; e uma abordagem whole of society, que dava a parceiros sociais, sociedade civil e academia um lugar formal e regular para acompanhar a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Não eram fórmulas de circunstância. Eram os princípios que as Nações Unidas pedem aos Estados que traduzam em estruturas concretas e eram, em larga medida, o que tornou o Relatório Voluntário Nacional de 2023 tão bem recebido no Fórum Político de Alto Nível, em Nova Iorque, em junho de 2023. Esse relatório não foi escrito num gabinete: beneficiou diretamente do escrutínio e do contributo de quem se sentava nesta Comissão. Quem acompanhou o processo sabe que o valor não foi simbólico.
A nova resolução não substitui esta arquitetura por nenhuma outra. Concentra tudo na coordenação técnica, reportando diretamente à área governativa da presidência. Onde havia um órgão colegial, com representação plural, passa a haver um serviço a reportar, sem mediação institucional, a um gabinete. Não se cria mecanismo alternativo de pronúncia regular dos governos regionais, do poder local, do Conselho Económico e Social ou da sociedade civil.

A centralização não é um efeito colateral. É o conteúdo da decisão. Concentrar na figura de um ministro aquilo que antes era partilhado com regiões, autarquias e sociedade civil não é simplificar a governação da Agenda 2030: é estreitá-la. E estreitá-la num domínio cujo princípio fundador é, literalmente, “não deixar ninguém para trás” tem uma ironia que não deveria passar despercebida.

Há ainda uma segunda perda, mais silenciosa. A Resolução de 2023 comprometia expressamente o país com a apresentação do Relatório Voluntário Nacional nas Nações Unidas. A nova redação fala apenas, em termos vagos, de coordenar “as atividades de reporte”. As conclusões do relatório de 2023 apontavam para um novo exercício em 2027, precisamente o ano da Cimeira dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável). Esse compromisso deixou de ter tradução escrita. Para um país que apresentou o seu desempenho na Agenda 2030 como credencial na candidatura ao Conselho de Segurança, abdicar discretamente do próximo reporte internacional é uma opção que merece, no mínimo, ser explicada.

Não está em causa a boa-fé de quem decidiu. Está em causa o juízo da decisão. A única iniciativa relevante deste Governo em matéria de Agenda 2030 foi dar continuidade, com atraso considerável, ao Roteiro Nacional para o Desenvolvimento Sustentável que o executivo anterior deixara em consulta pública e que, mesmo esse, continua à espera de aprovação formal. Entretanto, o ato concreto, decidido e publicado, foi extinguir um órgão de participação que nada custava e algo valia.

Faltam quatro anos para 2030. Falta aprovar o Roteiro que dormiu meses e restabelecer um compromisso datado de reporte internacional à altura da ambição que Portugal mostrou em 2023. Mas a primeira coisa a fazer seria reconhecer que a participação não é burocracia a abater.

Conduzir uma agenda desta dimensão depois de desligar os instrumentos de participação é uma imprudência que o tempo se encarregará de cobrar.

terça-feira, 3 de março de 2026

Dia Mundial da Vida Selvagem


Hoje, 3 de março celebra-se, anualmente, o Dia Mundial da Vida Selvagem. 

Este ano com o tema Plantas aromáticas e medicinais - preservar a saúde, o património e os meios de subsistência.
A 3 de março de 2026, das 12:30 h às 14:30 (hora de Lisboa) assista aqui à celebração oficial da ONU, que contará com histórias e apresentações sobre o uso sustentável e a conservação de plantas aromáticas e medicinais, por especialistas dos Estados-Membros, representantes de alto nível de organizações internacionais, partes interessadas da indústria, líderes comunitários locais e membros de redes juvenis.

Vídeo oficial (em inglês)
Sítio oficial da comemoração (versão espanhola - permite tradução para português).

Utilize ainda os materiais informativos e educativos no sítio do ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, I. P.

Como pode ajudar?
- Descubra mais acerca das plantas nativas da sua região.
- Ajude a conhecer onde elas existem inserindo as suas observações em plataformas de ciência-cidadã como a Biodiversity4all.
- Evite a colheita de plantas selvagens, a menos que tenha formação e autorização para tal.
- Se usar produtos à base de plantas, escolha os de origem sustentável.
- Se é pai/mãe ou professor(a) ensine os seus filhos(as) e alunos(as) a conhecer e proteger as plantas nativas.
- Maximize o seu impacto contribuindo para iniciativas de conservação.
- Tenha plantas aromáticas ou medicinais nativas em casa ou no seu jardim ou quintal.

Sabia que?
- Cerca de 25% dos medicamentos modernos são derivados de plantas.
- Estima-se que entre 50.000 a 70.000 espécies de plantas são usadas medicinalmente e cerca de 1.500 delas estão listadas nos Anexos da CITES - Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção - e mais de 800 no seu Anexo II.
- Algumas farmacopeias indígenas documentam milhares de remédios à base de plantas.
- No mundo, as plantas selvagens sustentam milhões de família rurais, através do comércio, da medicina e do artesanato.
- As práticas de cultivo e colheita de plantas aromáticas e medicinais garantem recursos vitais para muitas famílias, sendo que, no mundo, uma em cada cinco pessoas depende de plantas silvestres, algas e fungos para a sua alimentação e rendimento.
- A identidade cultural, as práticas espirituais e as tradições curativas são, frequentemente, indissociáveis da biodiversidade vegetal.
O objetivo deste dia é consciencializar os cidadãos para a proteção da fauna e flora, especialmente as espécies ameaçadas. Pretende-se, também, demonstrar os benefícios que a conservação das espécies tem para a vida no planeta e para a sobrevivência do ser humano.

Sobre o Dia Mundial da Vida Selvagem
Este dia foi criado na 16.ª Conferência das Partes da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção, em Março de 2013, por iniciativa da Tailândia. Mais tarde, a 20 de dezembro de 2013, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou este dia, através da Resolução 68/205

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Chaves para atrair os nossos jovens talentos, mantê-los no nosso País e outros a regressar Portugal

Portugal precisa acreditar mais no potencial empreendedor dos jovens. A falta de espírito empreendedor mata a inovação, a geração de empregos, a capacidade enriquecimento da população como um todo. Enfim, a solução não está no Estado, mas nas pessoas.


O empresário tem que trabalhar para tornar a sua empresa num ambiente amigável, motivador e positivo para todos os seus empregados. E tenha em mente as chaves que atraem e satisfazem especialmente a Geração Z e Millennials. Reuni o plano de ação em dez áreas muito práticas.
1. Assegurar horários de trabalho flexíveis
Os jovens de hoje não compartimentam as suas vidas, eles vivem-nas como um todo. É por isso que os horários fixos os estão a restringir e a repelir. Têm de se sentir no controlo do seu tempo e definir o seu dia de trabalho de acordo com as suas necessidades e circunstâncias pessoais. Isto permite-lhes conciliar o trabalho com a sua vida privada, satisfazer o seu desejo de outras experiências fora do trabalho e sentir-se muito mais felizes no dia-a-dia. Como resultado, a sua motivação e empenho são melhorados. Sempre que possível, não tente restringir as suas almas livres ou deixarão de ser criativos, produtivos e envolvidos.

2. Apostar no teletrabalho
O tempo é mais do que dinheiro para eles. Consideram-no o seu bem mais precioso. Eles não estão dispostos a perdê-lo ou desperdiçá-lo. Também o sabe, a deslocação pendular – especialmente em algumas grandes cidades – é um ladrão de tempo e experiência. É por isso que preferem evitá-los e trabalhar a partir de casa sempre que possível. Acolhem bem as fórmulas híbridas, mas não estão dispostos a abdicar desses momentos únicos por uma mera rotina. Portanto, o teletrabalho é um bem inquestionável para eles. Preferem ir fisicamente à empresa apenas em caso de necessidade. A sua empresa está preparada para satisfazer esta procura fundamental para atrair jovens talentos?

3. Oferecer numerosas oportunidades pessoais
Eles querem crescer, desenvolver-se e evoluir, e estão conscientes disso diariamente. Assim, a sua organização deve tornar-se uma fonte permanente de novas possibilidades de crescimento e desenvolvimento. É um fator de diferenciação fundamental quando escolhem uma empresa em detrimento de outra. O conformismo é alheio à sua natureza. Eles querem melhorar como profissionais enquanto fazem o seu trabalho.

4. Pagar uma remuneração justa e necessária
Todos nós trabalhamos para ganhar dinheiro. No entanto, a vida dos jovens de hoje não gira apenas em torno do trabalho. Trata-se de uma mudança de atitude muito clara e inegável. É por isso que não estão satisfeitos com um salário que lhes permita satisfazer as suas necessidades básicas. Eles também querem viajar, divertir-se, conhecer pessoas interessantes, socializar e ser felizes. Não é surpreendente, portanto, o facto de termos mencionado alguns parágrafos atrás: a maioria deles está a planear mudar de emprego dentro de dois anos. E a melhoria do seu salário é uma das principais razões.

5. Praticar a remuneração emocional
No entanto, a secção anterior não é apenas económica. Estes profissionais também valorizam muito outros complementos não monetários para a sua remuneração. Por exemplo, são estimulados por seguros médicos, descontos em ginásios, lojas ou infantários, viagens gratuitas…

6. Ser uma referência para a inclusão, diversidade e tolerância
Se não partilharem a essência da empresa, desistirão dela. Aspetos como a tolerância, diversidade e inclusão são pilares da sua existência e da sua forma de pensar. Não toleram a desigualdade e a injustiça, e não perdoam aos seus empregadores por isso. Exigem que todas as pessoas tenham igualdade de oportunidades na sua empresa. Independentemente da sua origem, etnia, sexo, idade e preferência sexual.

7. Proporcionar formação inovadora e personalizada
Lembre-se desta ideia: eles querem melhorar, desenvolver-se e crescer como um todo. Eles precisam de aprender coisas novas. Se eles sentirem que isto não está a acontecer, os jovens abandonarão a empresa. Por isso, implementar uma estratégia global para estimular e reforçar o talento. A formação mais recente tem de ser uma parte regular do seu trabalho. Deve ser adaptado às características específicas de cada empregado.

8. Gerar contactos e networking
De volta à órbita do desenvolvimento profissional, todos nós sabemos que a nossa rede de contactos é essencial. Os jovens também estão cientes disto. Encontrar pessoas importantes, esfregar ombros com referências sectoriais, ter líderes estimulantes e aproveitar as sinergias derivadas é muito estimulante e atrativo para estes profissionais. Não hesite em encorajar este clima de inter-relação e facilitar estes contactos.

9. Criar e consolidar um ambiente de trabalho positivo
Os jovens de hoje são sociais, solidários e de espírito aberto por natureza. E, não se esqueçam, são experienciais e hedonistas. Se não se sentirem à vontade com o ambiente e a relação com os colegas, despedir-se-ão do trabalho. Deve fomentar uma cultura de empresa baseada na colaboração, comunicação, tratamento impecável e um bom ambiente. A interfuncionalidade, a escuta empática e a preocupação sincera com as pessoas são valores essenciais para recrutar este talento e mantê-los à vontade.

10. Recrutar os melhores
O recrutamento de jovens talentos alimenta-se a si próprio. Se contratar trabalhadores brilhantes – zetas ou milenares – e os fizer sentir-se bem, eles atrairão os seus pares. Há muitas empresas com um espírito jovem, atual, renovado, empenhado e motivador para este segmento da força de trabalho. Todos eles têm uma equipa humana que é uma referência, facilitadora e admirável para os jovens de hoje.

É o primeiro passo: recrutar os melhores. Então a sua organização deve acolhê-los, acompanhá-los, motivá-los, estimulá-los e encorajá-los a atuar no seu melhor. Quando se trata de jovens talentos, a questão é ainda mais exigente. Porque este sector da população é muito mais fiel às suas expectativas, critérios e desejos do que os seus anciãos. Se quiser continuar a beneficiar deles, tem de os fazer sentir realizados, reconhecidos e altamente valorizados. Além disso, é preciso contribuir para os tornar mais felizes.

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Portugal esgota hoje os recursos naturais que tinha para todo o ano


Portugal esgota hoje os recursos naturais que tinha disponíveis para este ano, 23 dias mais cedo que em 2024, começando a partir de agora a consumir “a crédito”, indicam dados da organização internacional “Global Footprint Network”.

Tal significa que os recursos do planeta disponíveis para este ano terminariam hoje se todas as pessoas do mundo consumissem como os portugueses.

No ano passado Portugal atingiu o chamado dia da sobrecarga a 28 de maio, pelo que recuou 23 dias no calendário e está a consumir recursos mais rapidamente.

A associação ambientalista Zero admite, num comunicado sobre o assunto, que os melhores resultados do ano passado refletiam o período da pandemia de covid-19, quando houve um abrandamento da produção e consumo.

A associação destaca que 5 de maio é o pior resultado dos últimos anos e avisa que se cada pessoa do planeta vivesse como uma pessoa média portuguesa a humanidade precisaria de cerca de 2,9 planetas para sustentar as suas necessidades de recursos.

“Portugal é, já há muitos anos, deficitário na sua capacidade para fornecer os recursos naturais necessários às atividades desenvolvidas (produção e consumo)”, diz a associação, recordando que o resultado aproxima Portugal da média da União Europeia (UE) que teve o seu dia de sobrecarga no dia 29 de abril.

A associação diz no comunicado que o modelo de produção e consumo que suporta o estilo de vida dos portugueses é responsável pelo desequilíbrio, e explica que o consumo de alimentos (30% da pegada global do país) e a mobilidade (18%) estão entre as atividades humanas diárias que mais contribuem para a Pegada Ecológica de Portugal.

A Zero sugere medidas para inverter a tendência de antecipação do dia em que Portugal começa a usar o “cartão de crédito ambiental”, como apostar numa agricultura de qualidade, com mais produção de proteína vegetal, preservando os solos e reduzindo a poluição e consumo de água.

Também sugere reduzir as deslocações e viagens recorrendo ao teletrabalho e teleconferências, aumentar os modos suaves de transporte, como a bicicleta, e regulamentar para que os produtos colocados no mercado sejam sustentáveis (duráveis, podendo ser reparados, reutilizados e reciclados, por exemplo).

Cada português, diz ainda a Zero, pode contribuir privilegiando o uso de transportes públicos, consumindo de forma mais circular (não usar e deitar fora), e reduzindo o consumo de proteína animal.

Os dados para Portugal indicam, diz a associação, que cada português consome cerca de três vezes a proteína animal que é preconizada na roda dos alimentos, metade dos vegetais, um quarto das leguminosas e dois terços das frutas.

Os Países Baixos esgotam também hoje os recursos que a Terra pode renovar num ano. E os neerlandeses, como os portugueses, vivem como se existissem quase três planetas e tratam a natureza como um recurso inesgotável, diz a “Global Footprint Network”.

Segundo a organização o primeiro país a esgotar os recursos este ano foi o Qatar, logo em 6 de fevereiro. O Luxemburgo aparece em segundo lugar, consumindo tudo a 17 de fevereiro.

Do outro lado do mapa, dos países que conseguem poupar mais os seus recursos destaca-se o Uruguai, que apenas esgota os que lhe estão destinados a 17 de dezembro, e a Indonésia, a 18 de novembro.

A “Global Footprint Network” é uma organização internacional de investigação que fornece a decisores ferramentas para ajudar a economia humana a funcionar dentro dos limites ecológicos da Terra.

A 5 de junho, Dia Mundial do Ambiente, a organização anuncia a data do “Earth Overshoot Day”, o momento em que a necessidade de recursos e serviços ambientais por parte da Humanidade excede a capacidade do Planeta Terra para regenerar esses mesmos recursos.

domingo, 5 de novembro de 2023

Novas baterias. Vamos a isso! NASA desenvolve baterias mais seguras e potentes que as de lítio

As tecnologias desenvolvidas pela NASA não se restringem às missões espaciais e vem sendo usadas para desenvolver outros importantes setores, entre eles a aviação. O carbono proveniente das viagens aéreas equivale a cerca de 2% de todas as emissões globais de gases com efeito de estufa e a busca por combustíveis mais sustentáveis e baterias elétricas que possam substituir motores à combustão é um dos desafios da indústria.



A NASA tem uma divisão que trabalha justamente com pesquisa e desenvolvimento de baterias e está a trabalhar em projetos de baterias mais leves e seguras – e muito mais potentes do que as baterias de íões de lítio, usadas hoje nos veículos elétricos.

As baterias de íons de lítio, o atual padrão da indústria automóvel, contêm líquidos que as tornam vulneráveis ​​ao superaquecimento, incêndio e perda de carga ao longo do tempo. Por outro lado, o projeto SABERS (Baterias de Arquitetura de Estado Sólido para Maior Recargabilidade e Segurança) da NASA está desenvolvendo baterias experimentais de estado sólido que não têm estas desvantagens. Além disso, as baterias Até agora, testadas pela equipe conseguiram alimentar objetos a 500 watts-hora por quilograma – o dobro de um carro elétrico.

Dentro da bateria, células de enxofre e selénio empilhadas diretamente umas sobre as outras, sem invólucros, eliminando peso das baterias. Juntamente com as próprias células, múltiplas baterias podem ser empilhadas sem qualquer separação entre elas.

“Este design elimina até 40% por cento do peso da bateria e nos permite duplicar ou mesmo triplicar a energia que pode ser armazenada, excedendo em muito as capacidades das baterias de íons de lítio”, disse Rocco Viggiano, investigador principal do SABERS no Glenn Research Center da NASA em Cleveland.

Armazenar mais energia e diminuir o peso das baterias são dois requisitos básicos para a aviação. No entanto, a quantidade de energia que uma bateria pode armazenar é apenas um lado da equação. Uma bateria também deve descarregar essa energia a uma taxa suficiente para alimentar grandes componentes eletrónicos, como uma aeronave elétrica ou um veículo aéreo não tripulado.

O site da NASA traz uma explicação didática sobre esta questão: “uma bateria poderia ser descrita como um balde. A energia (ou capacidade) de uma bateria é a quantidade que o balde pode conter, enquanto a sua potência é a rapidez com que o balde pode ser esvaziado. Para alimentar uma aeronave elétrica, a bateria deve descarregar a sua energia, ou esvaziar o seu balde, a um ritmo extraordinariamente rápido”.

Para garantir maior potência, novos testes estão a ser realizados com materiais que ainda não foram usados em baterias, mas que que produziram um progresso significativo na descarga de energia. E esses novos materiais vão permitir ainda mais ajustes no design dos equipamentos.

Segurança
A segurança é outro requisito fundamental para o uso de baterias em aeronaves elétricas. Ao contrário das baterias líquidas, as baterias de estado sólido não pegam fogo quando apresentam mau funcionamento e ainda podem funcionar quando danificadas.

Para avaliar a segurança, os pesquisadores testaram as baterias sob diferentes pressões e temperaturas e descobriram que ela pode operar em temperaturas quase duas vezes mais altas que as baterias de lítio, sem tanta tecnologia de resfriamento. A equipe continua testando-o em condições ainda mais quentes.

Segundo a NASA, o principal objetivo do SABERS para este ano é mostrar que as propriedades da bateria atendem às suas metas de energia e segurança, ao mesmo tempo que demonstra que ela pode operar com segurança em condições realistas e com potência máxima.

Em parceria com a Georgia Tech, o projeto SABERS conseguiu utilizar diferentes metodologias. “A Georgia Tech tem um grande foco na micromecânica de como a célula muda durante a operação. Isso nos ajudou a observar as pressões dentro da bateria, o que nos ajudou a melhorar ainda mais os equipamentos”, disse Viggiano. “Isso também nos levou a entender do ponto de vista prático como fabricar uma célula como essa e a algumas outras configurações de design aprimoradas”.

Apesar de ainda estarem em fase de testes, as baterias desenvolvidas pela NASA trazem esperança de uma eletrificação mais sustentável, não apenas para a indústria aeronáutica, mas também para a automotiva. Vale lembrar que a mineração necessária para a fabricação de baterias de lítio e os processos de reciclagem destes equipamentos ainda são um desafio.

Com informações da NASA

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domingo, 22 de outubro de 2023

Os eco-eventos e o plástico


Os ecoeventos estão na moda, mas será que são efetivamente eventos sustentáveis?!
No caso desta fotografia que foi partilhada nas redes sociais, vemos dezenas de copos que supostamente deveriam ser entregues e devolvida a sua taxa de uso.
Mas isso não aconteceu, foram descartados sem qualquer triagem! Um resíduo que se transformaria num novo recurso foi desperdiçado e deixado à deriva.
É nestes momentos que me pergunto, porquê? Porque é que o ser humano não entende a importância de um simples gesto

quinta-feira, 6 de julho de 2023

Proteger os nossos oceanos e o meio ambiente do 5G e da radiação sonar sem fios


Tecnoecocídio: a destruição sistemática de nosso ecossistema pelo uso abusivo da tecnologia

Embora muitos tenham visto anúncios promovendo as capacidades sem fio rápidas do 5G conectando tudo e todos...e prometendo que essas tecnologias inteligentes fornecerão um futuro de energia renovável, a pesquisa científica e os esforços de defesa ambiental mostram o oposto do que essas indústrias com fins lucrativos prometem - com centenas de cientistas , ativistas de alterações climáticas e especialistas em saúde pública exigindo uma moratória na implantação dessas tecnologias.

Nossa missão é apoiar o movimento global para controlar a expansão sem fio na Terra, nos céus e no oceano porque representa uma ameaça imediata a toda a vida. É nossa esperança trazer uma maior consciencialização pública sobre os danos do 5G, satélites e oceanos “inteligentes” e iniciar um diálogo sobre opções tecnológicas mais sábias e equilibradas para um futuro mais seguro e que afirme a vida.

quinta-feira, 8 de junho de 2023

Mais de 90% das promessas climáticas dos países “não são credíveis”

Uma escultura de canguru em chamas, com a frase "O clima não é negociável", instalada à porta da Conferência do Clima em Bona

A maioria das promessas climáticas dos países não é fiável, revela um artigo publicado nesta quinta-feira na revista científica Science. Umas são mais ambiciosas – transpõem metas para a legislação nacional e já estão a mostrar resultados, como na União Europeia, por exemplo –, outras ainda estão bem longe disso. O estudo, que analisa a credibilidade dos compromissos climáticos de diferentes economias, demonstra que existe um abismo entre as palavras e as acções.

“A nossa mensagem é muito clara: promessas vazias não valem de nada”, afirma a co-autora Joana Portugal Pereira, investigadora portuguesa na Universidade Federal do Rio de Janeiro, no Brasil, e autora líder do sexto ciclo de avaliação do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla inglesa).

Numa videochamada a partir de Bona, na Alemanha, onde decorre a Conferência do Clima até ao dia 15 de Junho, a cientista referiu que “mais de 90% das promessas analisadas no estudo não são credíveis”. Este evento serve de antecâmara para a Conferência das Mudanças Climáticas (COP28), que se realiza em Dezembro no Dubai.

Fonte: Público

quarta-feira, 7 de junho de 2023

ONU apresenta avanços no trabalho para alcançar justiça para as vítimas do Daesh


Procurar justiça para todos os iraquianos afetados pelas atrocidades cometidas pelos membros do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, conhecido como Daesh, é o trabalho de Christian Ritscher.

Nesta quarta-feira, ele falou aos membros do Conselho de Segurança sobre o último relatório divulgado pela equipa que chefia, criada há cinco anos a pedido do Iraque.

Investigações
Segundo Christian Ritscher, a Equipa de Investigação da ONU para a Responsabilização por Crimes Cometidos pelo Daesh (UNITAD) continua a trabalhar para promover a responsabilização por crimes internacionais e apoiar o julgamento dos autores desses delitos em todo o mundo.

Ele também explicou a ação da equipa com as comunidades afetadas por crimes e sobreviventes dos ataques, bem como anciãos tribais e clérigos.

Ritscher também abordou o progresso das investigações para avaliar uma série de questões, incluindo o desenvolvimento e uso de armas químicas pelo Daesh, crimes contra crianças e muçulmanos sunitas, bem como ataques a cristãos além de investigações contínuas sobre atentados a yazidis e xiitas.

Crimes internacionais
O representante da ONU afirma que a cooperação com as autoridades iraquianas foi essencial para o trabalho, acrescentando que três pilares devem ser implementados para garantir que o sucesso seja alcançado: "tribunais competentes, provas aceitáveis e quadro jurídico adequado".

Para alcançar este objetivo, a Equipa de Investigação está empenhada em apoiar o processo liderado pelo Iraque “para estabelecer um quadro legal que permita que os crimes do Daesh sejam autuados como crimes internacionais perante os tribunais nacionais”.

Ritscher adiciona que a medida deve enquadrar a brutalidade dos ataques como crimes internacionais e não apenas como organização terrorista.

Longo trabalho
O chefe da investigação destacou que a cooperação com a Justiça iraquiana inclui o reforço da capacidade dos magistrados do país, trabalho contínuo e conjunto na construção de casos, além de um projeto de digitalização.

Até o momento, 8 milhões de páginas de documentos relacionados com o Estado Islâmico em posse das autoridades iraquianas e das autoridades da região do Curdistão foram digitalizados.

Ritscher elogiou o sucesso alcançado até agora, mas também alertou que o trabalho está longe de terminar: "O que queremos ver são julgamentos justos perante tribunais especializados no Iraque, com a participação ativa de vítimas e sobreviventes".

Ele acrescentou que a equipa está atualmente a trabalhar para fornecer apoio para investigações e julgamentos a 17 jurisdições de diferentes países.

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Teste nacional à semana de quatro dias arranca hoje. Sim ou não?

Quem não gostaria de trabalhar apenas quatro dias por semana, ganhando um dia extra de descanso e mantendo o seu rendimento? Se a semana de quatro dias de trabalho veio para ficar ainda não é claro, mas teve o dom de dar impulso à discussão sobre flexibilidade, saúde mental e até produtividade. Agora é a vez de Portugal testar este modelo, num piloto promovido pelo Governo, projeto que arranca com 39 empresas, abrangendo um total de 1.000 trabalhadores. Quais as vantagens e desvantagens deste novo modelo de trabalho?

Múltiplos benefícios têm sido apontados relativamente à adoção da semana de trabalho de quatro dias, sendo que o maior equilíbrio entre a esfera privada e a profissional é o que mais pesa na balança, em prol da saúde mental e do bem-estar. Recentemente, o Laboratório Português de Ambientes de Trabalho Saudáveis (LABPATS) recomendou a concretização da semana de quatro dias de trabalho, sem perda de remuneração, para uma melhor conciliação da vida profissional e familiar, e também para uma melhor e maior capacidade retenção das novas gerações.

“O trabalho é uma área da sua vida, mas não é a área da sua vida”, afirma Tânia Gaspar, coordenadora do trabalho desenvolvido pelo LABPATS. Mas a semana de quatro dias só funciona com algumas condições, defende. “Não pode haver decréscimo salarial, ou seja, que a pessoa não fique a receber menos, e que a pessoa não tenha que fazer o trabalho de todos os dias naqueles quatro dias, senão acaba por ficar completamente sobrecarregada.”

Reconhecendo que há atividades profissionais em que a semana de quatro dias é mais fácil de aplicar do que noutras, a psicóloga acrescentou ainda que “se a pessoa tiver de fazer o mesmo número de horas [da semana] numa fábrica, por exemplo, em quatro dias, vai haver quatro dias muito pesados e isso pode levar à exaustão”.

Na experiência que arranca esta segunda-feira, e tendo em conta as últimas informações divulgadas pelo Ministério do Trabalho, não haverá, perda de rendimento para os trabalhadores que beneficiarem de uma redução de horário, e também não é esperada concentração horária nos restantes dias. Haverá, sim, alguma flexibilidade no que toca à dimensão da redução horária.

No caso da Crioestaminal, Evolve e Onya Health, três das empresas que anunciaram publicamente que farão parte do piloto do Governo, a semana de quatro dias será alternada com a tradicional semana de cinco dias, o que dará uma redução das habituais 40 horas semanais para 32 horas semanais, de 15 em 15 dias.

Redução do stress, absentismo e rotatividade

Um relatório publicado no final de fevereiro por investigadores da Universidade de Cambridge, a partir do projeto-piloto de 61 empresas no Reino Unido, concluiu que trabalhar quatro dias por semana reduz o stress e mantém os níveis de produtividade.

Os investigadores sustentam que durante os seis meses em que estas organizações reduziram o horário de trabalho dos seus colaboradores em 20%, sem redução salarial, as baixas por doença diminuíram na ordem dos 65% e a rotatividade reduziu em 57%.

A investigação aponta também que 79% dos funcionários indicaram que o seu burnout (exaustão) foi reduzido e 39% disseram que os seus níveis de stress diminuíram.

Números especialmente importantes para a realidade nacional quando sabemos que, atualmente, os problemas relacionados com stress e saúde mental dos trabalhadores, resultando em absentismo, presentismo e quebras de produtividade, estão a custar às empresas portuguesas até 5,3 mil milhões de euros por ano, uma subida face aos 3,2 mil milhões estimados no ano passado, dava conta o II Relatório “Custo do Stresse e dos Problemas de Saúde Psicológica no Trabalho”, da Ordem dos Psicólogos Portugueses.

Mas, voltando ao Reino Unido, 61 empresas e 2.900 trabalhadores experimentaram, de junho a dezembro de 2022, este modelo de trabalho. E o piloto inglês ‘passou no teste’ com distinção.

Feito o balanço final, a maioria das empresas participantes (91%) não planeia voltar à semana de cinco dias. Só três empresas interromperam a experiência e duas ainda ponderam horários de trabalho mais curtos. As restantes encaram a experiência como bem-sucedida, tendo em conta os aumentos de receitas ou os menores níveis de burnout.

“Questionava-me se seria muito mais difícil para as empresas fazer semanas de trabalho de quatro dias e a resposta parece ser não. As organizações fizeram um excelente trabalho e estão realmente satisfeitas com ele”, comentava Juliet Schor, responsável pela investigação, à Bloomberg (acesso pago, conteúdo em inglês), no final de fevereiro, aquando da divulgação destes dados.

A economista e socióloga indica que foram obtidos “resultados muito semelhantes” aos de testes mais pequenos de empresas nos Estados Unidos, Irlanda e Austrália.

Os trabalhadores com uma semana mais curta gostaram da experiência devido às melhorias sentidas ao nível do stress e fadiga, mas também em termos do impacto na vida pessoal. O tempo que os homens passaram a cuidar das crianças aumentou, enquanto as mulheres dizem ter beneficiado do dia extra de folga, em simultâneo com uma maior satisfação com a vida e o trabalho.

Num exemplo entre diferentes áreas, os trabalhadores dos serviços e de organizações sem fins lucrativos encontraram mais tempo para praticar exercício físico, enquanto os da construção civil sentiram maiores benefícios em termos do sono.

Nenhum dos trabalhadores que participaram disse querer abandonar o modelo e 15% garantiram que nenhuma quantia de dinheiro os motivaria a regressar à semana de cinco dias. O absentismo, por sua vez, diminuiu de dois dias por mês para 0,7. E as receitas das organizações aumentaram 35% relativamente a períodos semelhantes do ano anterior e 1,4% durante o teste.

De forma geral, as empresas classificaram a experiência, que foi coordenada pela organização sem fins lucrativos 4-Day Week Global, com um 8,5, numa escala de um a dez.

O que acontece à produtividade?

Os resultados esperançosos no Reino Unido devem ser contrastados com outras realidades, e mais próximas ainda. Em Espanha, nove em cada dez profissionais preferiam trabalhar quatro dias por semana. Contudo, um novo estudo da Hays España, divulgado pelo Expansión (acesso pago, conteúdo em espanhol), revela que apenas 5% das empresas pensou realmente em implementar a semana de trabalho reduzida. Uma percentagem que fica muito distante da vontade de 93% dos colaboradores espanhóis.

Porquê? Receios ao nível da produtividade persistem. Cerca de 70% das empresas espanholas inquiridas pela Hays admitiram que não estão preparadas para implementar este modelo de trabalho. Preocupa-lhes que comprometa a produtividade (39%) e não estarem preparadas a nível operacional (37%).

Receios partilhados pelos empresários portugueses. Um inquérito realizado junto de 1.130 empresas associadas da Associação Empresarial de Portugal (AEP) mostra que “cerca de um terço dos empresários considera que a implementação da semana dos quatro dias não será benéfica para nenhuma das partes, e outro tanto que apenas é benéfica para os trabalhadores”.

Do inquérito resulta que os mais de mil empresários inquiridos temem os impactos que a generalização da medida teria: 71% antecipam que a medida teria um impacto “negativo ou muito negativo” nos lucros, na competitividade (69%) e na produtividade (65%). As preocupações dos gestores abrangem também o aumento das queixas dos clientes (70%) e dificuldades resultantes da organização dos processos internos (70%).

Para os empresários, quem terá mais benefícios com a implementação da semana dos quatro dias, “serão seguramente os trabalhadores e não as empresas”. Cerca de um terço considera que a implementação da semana dos quatro dias “não será benéfica para nenhuma das partes” e mais de um terço considera que “apenas é benéfica para os trabalhadores”.

A esmagadora maioria das empresas (77%) concorda (parcial ou totalmente) que, em alternativa, “seria preferível uma total flexibilidade no modelo a adotar, por acordo entre o trabalhador e a empresa”.

Se olharmos para a própria preparação do piloto português que arranca hoje, vemos esses recuos. Das 90 empresas que manifestaram, inicialmente, interesse em aderir à semana de quatro dias de trabalho, apenas 46 decidiram avançar para a segunda fase do piloto e, destas, “39 empresas, distribuídas por 10 distritos” passaram a esta nova fase, informa o Ministério do Trabalho. Destas 39, um total de “12 empresas são associadas do projeto e iniciaram a semana de 4 dias no final de 2022, ou início de 2023”.

“Lisboa, Porto e Braga são as principais localizações das empresas, entre as quais está um instituto de investigação, uma creche, um centro de dia, um banco de células estaminais que trabalha 7 dias, e empresas do setor social, indústria e comércio. Ao todo, o piloto arranca com cerca de mil colaboradores“, refere o Ministério. Na fase anterior, a mais de quatro dezenas de empresas abrangiam um total de 20.000 colaboradores.

“Das empresas que optaram por ainda não avançar nesta fase, a maioria mantém o interesse em implementar a semana de 4 dias, mas preferiu adiar para durante o segundo semestre de 2023 ou início de 2024“, refere a mesma fonte.

“O número de inscrições no projeto piloto em Portugal assemelha-se com a realidade internacional. O projeto piloto europeu contou com 20 empresas europeias, em Inglaterra 61 empresas avançaram com a experiência e, nos Estados Unidos, o piloto arrancou com 30 empresas assim como na Nova Zelândia”, conclui.

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Dia da Internet ou Dia Mundial da Sociedade da Informação


Pouco resta da primeira rede estática projetada para transportar alguns bytes ou enviar pequenas mensagens entre dois terminais: a internet é hoje uma realidade indissociável do dia a dia, ao ponto de haver quem lhe aponte a capacidade da omnipresença.

A atribuição de tal caraterística a roçar o divino tem razão de ser já que, das compras à educação, das relações afetivas ao ativismo, ao teletrabalho, entretenimento e até à saúde, a rede das redes está em todo o lado.

“A internet é cada vez mais indissociável da nossa vida e das nossas relações, quer humanas quer profissionais”, notou Tiago Silva Lopes, em conversa com o SAPO TEK, a propósito do Dia da Internet. Para o Diretor de Serviços e Produtos MEO, a internet é cada vez mais omnipresente, uma tendência que vai marcar cada vez mais a forma como irá evoluir.

Fazendo um retrato geral, a população em todo o mundo ultrapassou, recentemente, a marca de 8 mil milhões de pessoas em que 64,4%, ou 5,16 mil milhões, usam a internet. Impressionante (ou já nem por isso) é o tempo, em média, que cada utilizador passa por dia na internet, que de acordo com o Digital 2023 Global Overview Report, ultrapassa as seis horas e meia. Portugal contribui para subir os números, com uma média diária de sete horas e 37 minutos, em 13º num ranking liderado pela África do Sul, onde os internautas passam mais de nove horas online. O telemóvel é o dispositivo de eleição.

As horas que passamos online, no entanto, não são diretamente comparáveis com o passado, porque “em 1990 e pouco, no começo”, as pessoas tinham de ligar-se através do computador e estar “quase exclusivamente dedicadas áquilo que estavam a fazer naquele momento”, lembra Tiago Silva Lopes. “Ficamos sempre chocados quando pensamos: ‘Sete horas por dia? Não passo sete horas por dia na internet!’, mas passamos porque temos sempre o telemóvel ao lado ou porque no trabalho passamos muito do nosso tempo a trocar emails, em vídeo calls ou a pesquisar informação”.

Entre a diversidade de coisas que fazemos “na” internet a mais recorrente é realmente procurar informação (57,8%), seguida de comunicar com a família e amigos (53,7%) e ficar a par das notícias e atualidade (50,9%).

Ver vídeos e filmes online também é um hábito cada vez maior (49,7%), e isso também se nota com vários estudos recentes que apontam os serviços de streaming como responsáveis por grande parte do consumo do tráfego atual e futuro da internet.

Em março desde ano, a Statista colocava o Netflix na liderança, com 14,9% do tráfego, seguido de perto pelo YouTube, com 11,4%. Entre os serviços e plataformas que mais trafego internet consumem estavam também representadas redes sociais, em primeiro o TikTok e em segundo o Facebook.

“De uma forma mais purista, o objetivo da internet era ligar as pessoas e as coisas umas às outras e é o que continua a acontecer e que tem evoluído de forma extraordinária”, considera Tiago Silva Lopes. O gestor destaca que há cada vez mais pessoas no mundo com acesso a um equipamento conectado, e não às tecnologias do passado, “da ligação analógica a 64kbps ou da ligação 3G”, mas através de fibra ótica ou 5G.

Para o Diretor de Serviços e Produtos MEO, houve dois marcos tecnológicos importantes na evolução do acesso à internet: o 4G do lado do acesso móvel e as redes de banda larga no fixo. Praticamente todos os grandes players de internet atuais, nos conteúdos, no ecommerce, surgiram quando estas tecnologias começaram a ser disponibilizadas no mercado

Mas estamos destinados a estar sempre ligados?

Com computadores, telemóveis, tablets e smartwatches - além de todos os equipamentos que a Internet das Coisas vai ligar -, com o sem número de aplicações disponíveis, em várias áreas, estamos destinados ao “always on”? Muito provavelmente.

O gestor acredita que há algumas tendências que vão mudar, de forma substancial, a forma como interagimos com a tecnologia, nomeadamente o tema do interface voz, que vai ser cada vez mais o interface por defeito, em vez do teclado físico no computador ou do teclado digital no telemóvel. De resto, também a parte da tecnologia imersiva, “a realidade aumentada, a realidade virtual”, vai contribuir para que o mundo real e o mundo digital se fundam cada vez mais.

Temos uma internet muito diferente daquela que começámos a utilizar, “não na sua missão, na lógica da descentralização do acesso à informação para todos”, diz Tiago Silva Lopes, mas na forma como interagimos com ela “que é cada vez menos uma coisa modular, um apêndice ao qual recorremos de vez em quando, através de um computador ou de outro interface especifico para tal, e é cada vez mais uma utilização seamless, cada vez mais integrada e fazendo parte da nossa vida”.

No entanto, falta alguma literacia digital para sabermos lidar com a enorme quantidade de estímulos que temos hoje, considera o gestor, defendendo que esta devia ser uma área de maior aposta e investimento em Portugal.

Lembrando que que a internet foi criada “para nos ajudar a sermos cada vez melhores enquanto sociedade e a tirarmos cada vez mais partido da informação que existe”, considera que isso só acontece com conhecimento para lidar com as questões da privacidade e da cibersegurança ou com as fake news.

“A internet trouxe-nos a democratização do acesso à informação e idealmente ao conhecimento, mas ainda não conseguimos passar da informação ao conhecimento”, acrescenta. “É um pouco como saber ler e escrever e hoje não sabemos ler nem escrever na era digital como deveríamos e não nos dão a formação adequada para”.

E porque devemos ver sempre as coisas pela positiva, diz Tiago Silva Lopes, é um facto que a internet veio para ficar e que tem perigos, “mas quanto mais conhecimento tivermos, quanto mais soubermos usar as ferramentas que temos à nossa disposição, melhor estaremos” para responder a esses desafios. “Temos matéria prima cada vez mais extraordinária. Saibamos nós moldá-la e utilizá-la da melhor maneira”.

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

O mercado e o ensino em Portugal

Raquel Varela

Há uns anos a professora de matemática dos meus filhos (com a qual ninguém na turma precisava de explicações privadas ) encontrou-me no supermercado e disse-me que tinha pedido a reforma antecipada. Não se podia fazer nada inovador, “interessante com os miúdos”, não por causa dos miúdos! – ela tinha sido transformada numa “máquina de preparação para exames”, “deixou de ter pachorra” – “o director até me chamou para perguntar porque eu tinha ido para o pátio, onde havia um pequeno lago redondo”, explicar, se me lembro bem, algo como cálculo de formas geométricas. Com cada vez menos autonomia, imposta pelos directores nomeados e pela padronização “por baixo” dos exames, ela, cuja função era ensinar matemática a toda a turma, de forma apaixonante, desistiu. 
Estávamos então a fazer o inquérito às condições de trabalho dos professores, em que 19 mil responderam a 158 questões (uma taxa muito superior a qualquer sondagem realizada em Portugal), a taxa dos que desejavam reformar-se era mais de 80% bem como de exaustão emocional – mais de 70%.  Uma professora escreveu-nos, está publicado no livro do estudo, que saiu há 2 meses, que se sentiu mais acarinhada no IPO, onde tratava um cancro, do que na escola...Temos dezenas de testemunhos de professores que preferiram sair com menos dinheiro do que continuar a exercer “uma mentira”, em péssimas condições, depois das reformas Crato/Lurdes Rodrigues. Uma delas foi minha professora de história, cuja paixão e seriedade com que ensinou na escola pública foram determinantes para a minha vida. Agradeço-lhe, para sempre. 
Não há progressão na carreira e isso acabou com a carreira – os professores de facto ficam toda a vida a ganhar o mesmo (1200 ou 1400 euros, hoje um salário mínimo em Lisboa ou Porto), porque através da avaliação individual de desempenho com quotas apenas um ou dois – e de acordo com a pontuação da escola ( o que inflaciona as notas, obrigando-os a mentir nas avaliações, segundo os testemunhos que recolhemos) – progredirem. Pode haver 20 excelentes, mas só um pode passar. Imaginem eu dizer isto aos meus alunos, vão fazer um teste, todos podem ter 20, mas só um terá direito a passar com 20. Uma criança de 6 anos acharia uma injustiça, o Ministério e o Governo não. 
Acresce que a reforma agora é calculada de acordo com média dos 14 melhores anos – ou seja, vão ter uma vida triste sem acesso a bens de lazer na reforma.
À falta de autonomia, aos directores nomeados em vez de eleitos pelos pares, à ausência de cooperação imposta pela avaliação de desempenho, aos programas de “aprendizagens essenciais” (pressionados pelos empresários que querem trabalho barato) que retiram toda a paixão do conhecimento, ficando “tarefas” e “competências” desinteressantes, para alunos e professores, que aumentam a indisciplina, junta-se a cereja no bolo – a municipalização das escolas, em que deixa de haver um concurso onde são colocados pelas notas e passam a ser escolhidos, por um grupo de “notáveis” – sabe-se o futuro, a passar esta lei, os municípios mais ricos vão escolher e pagar mais a alguns professores, os outros vão sendo colocados em escolas piores, no fundo aquilo que já se fazia com as turmas – A para os melhores até ao J – para os desgraçados – passar a ser o modelo nacional. A isto vai-se juntar o apadrinhamento político, a perseguição, os favores, o assédio, como vão estes professores, na mão de empresários/municípios, que decidem os seus destinos, fazer greve ou contestar seja o que for?
O que está em causa nas escolas não é mais um retrocesso social imposto aos professores. É a destruição completa do que resta da escola pública onde ainda havia nichos de qualidade – os professores serão uma espécie de ubers da educação, levados de vila para vila, serão prestadores de serviços. Daí a importância, para todos nós, desta greve. Como mãe usei todas as estratégias individuais e privadas para dar a melhor educação aos meus filhos e “safei-os”, em parte, da degradação a que fui assistindo como investigadora. Mas como cidadã deste país digo-vos que as nossas soluções individuais – recorrer as explicações ou colocá-los em escolas privadas muito boas – além de caríssimas, não resolvem a questão fundamental do país. E por isso não resolvem os problemas dos nossos filhos. Que país queremos para eles?
A escola precisa de olhar os professores como intelectuais (sim, é uma profissão intelectual), com autonomia, recuperar a noção de currículo contra as “competências”, dar espaço pedagógico para que as aulas sejam apaixonantes, isso só se faz com conhecimento denso e profundo, precisa de ser uma escola que não desiste nem nivela por baixo, mas que ensina o melhor de tudo a todos (qualidade massificada, sim!); precisa de voltar a ter gestão democrática, eleição entre pares, avaliação colectiva, progressão sem quotas, cursos superiores com componente científica de 5 anos (e não de 3), e é preciso discutir de uma vez por todas se queremos ou não dar o melhor de qualidade a todos ou nivelamos sempre por baixo adaptando o currículo ao mercado de trabalho, pobre e desinteressante. Os notáveis, e os municípios, na sua maioria, são empresários que querem trabalho barato e pouco qualificado e os professores, com a municipalização, são uma peça deste jogo. 
A escola tem que debater e combater (é isso que esta greve faz!) a transformação dos professores em ubers digitais que formam alunos ubers digitais. A escola, afirmou-se, contra Deus e o Mercado, em defesa do Conhecimento, não pode servir o Mercado, tem que servir o conhecimento.  
Este é um debate por se fazer em Portugal, a greve que está em curso coloca o dedo na ferida de algumas destas questões e demonstra que, ao contrário de uma parte do país dirigente, contente com este rumo, os professores querem transformar e questionar decisões, tomadas sem os ouvir, sem os compreender, sem os escutar. Têm o meu apoio. A escola serve para dar aos alunos o melhor do conhecimento produzido pela humanidade, não serve, não pode servir, o Mercado. O Mercado tem que ser dominado pela democracia e pelo conhecimento. 
Não são os professores que devem ser escolhidos pelos “notáveis”, são os notáveis que devem ser escolhidos pelos professores. E assim deixariam de ser notáveis, que no fundo, é a Democracia.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

A disrupção digital da nossa geração


Para perceber os desafios digitais que se colocaram recentemente à nação e ao mundo, é necessário perceber o que é a disrupção digital e o porquê da sua necessidade na atualidade.

Parte significativa das evoluções humanas advieram de alguma necessidade, seja ela no campo de batalha com uma nova arma ou no mesmo campo de batalha como um instrumento médico, como foi o caso do raio X portátil à mão de Marie Curie.

É certo que a evolução ou as novas invenções recebem sempre resistência; resistência que acaba por ditar o fracasso de muitas iniciativas ou o atraso sistemático do seu uso pela população em geral.

Olhemos para o caso da pegada ecológica. Só foi percetível para as organizações que poderiam contribuir para a sua diminuição quando começaram a perceber que ter os colaboradores em casa as fazia poupar imenso valor, seja ele capital ou humano, devido à menor perda de colaboradores para situações de profissão mais confortáveis. Aqui, no caso da ecologia, a mudança é por reflexo e não por caso direto. Não pode ser considerada uma mudança disruptiva, mas, e o que levou a que esta mudança existisse? O que levou a que a pegada carbónica das organizações descesse a valores não vistos em mais de 50 anos num espaço temporal de 2 meses?

Voltando à componente da resistência humana à mudança. Essa é natural e está intrinsecamente ligada ao processo de defesa natural da nossa espécie. É por haver receio ao diferente, ao estável, ao “normal” que a nossa espécie encontra conforto e capacidade de se reproduzir em serenidade. Porém, esta evolução em números da nossa espécie não significa evolução, apenas significa crescimento.

As evoluções advêm de vários processos, alguns naturais, outros do estudo e os mais ousados do risco, do inesperado, da saída da zona de conforto. Olhando para o Padrão dos Descobrimentos com o Infante D. Henrique à cabeça, a sua tez não reflete tranquilidade, mas sim ousadia, desafio, curiosidade. Pode dizer-se que tal interpretação é feita pelo artista que desenhou o monumento; porém, quando nos colocamos em Sagres na falésia do Forte e olhamos para o horizonte, o que se sente é medo e em tempos alguém ali esteve e não teve medo de navegar até ao Bojador.

A disrupção é precisamente ditada por algo que não é previsto, que acontece, que não é medido em perfeitas condições, mas que há a necessidade de reagir e de se rapidamente adaptar. Usando este raciocínio, parta-se à aventura nestas linhas de texto para perceber.

A tecnologia é o suporte quase total da nossa existência atualmente. Se o que nos rodeia ainda não está digitalizado, como por exemplo entrar num parque de estacionamento e não ter de pagar em espécie, no futuro 100% desta operação o será. Extrapolando este raciocínio para tudo o que nos rodeia, é fácil perceber porque é ao ser humano tão difícil aceitar uma mudança neste cenário, e porquê?

Primeiramente porque o custo para aqui chegar foi imenso. Se falarmos de Portugal, o nosso país ainda é um dos mais iletrados no que respeita à tecnologia. Ela é cara e passar do analógico, dos procedimentos burocráticos em papel, para o digital foi extremamente oneroso para o nosso país e para o mundo em geral, mas acima de tudo demorado, muito demorado. A evolução carece de tempo para amadurecer e para que não haja rejeição. Qualquer coisa que altere este cenário de parcimónia é desconfortável e, portanto, descartada. Para acelerar esta inevitabilidade basta adicionar custo; o custo das coisas, das mudanças, do treino, do equipamento, etc.

Nas sociedades, a mudança ou qualquer tipo de alteração ao status quo é altamente estudado, experimentado, passando por uma infinita fita vermelha que condiciona tudo de forma sistemática. Mas algo mudou. Com o aparecimento da SARS-COV2, o mundo teve de parar e teve de continuar a ser sustentável do ponto de vista económico. De um dia para o outro tudo parou e todas as pessoas foram enviadas para casa, crianças, adultos, todos. A paragem foi penosa para a economia e para as organizações, mas foi benéfica para a humanidade.



Em Portugal, no meio do ensino superior, apenas a Universidade Aberta estava qualificada para uma operação 100% online, mas a necessidade era global. Processos que ditam abertura ou encerramento de ciclos de estudo foram rapidamente ajustados para que na segunda-feira seguinte os alunos pudessem voltar à escola, para que o país não levasse um duro golpe no seu futuro pela interrupção do ensino. Mas em que é que isto foi disruptivo?

A par do ensino superior também o não superior teve de parar. A par desta paragem, também as empresas tiveram de suspender a sua atividade e legiões inteiras de trabalhadores estiveram em casa parados durante algum tempo. Mas em que é que isto foi disruptivo?

As ruas ficaram vazias e a imprensa estava focada na onda de choque devido ao avultado números de vítimas. As ruas ficaram vazias e reportava-se que Veneza havia sido visitada por golfinhos. Tudo estagnou e porquê? Porque o processo de ajuste é lento e a sociedade toma o seu tempo para tudo, até para abrir uma carta e ir pagar um imposto que, tradição por cá, é feito à última da hora, tal como as compras de Natal. Aqui chegados, ou algo acontecia ou a queda poderia ter um reflexo geracional.

Nas organizações a tecnologia já permitia trabalhar remotamente, mas em quantidades menores. Os serviços maioritariamente presenciais ou mudavam ou paravam. Aqui deu-se o evento catalisador da mudança, o tal evento disruptivo. Do dia para a noite, a reboque do desconhecimento das possíveis consequências, as empresas, as escolas, as sociedades tiveram de redesenhar os seus serviços, equipas, processos e tecnologias para poder acomodar por cá milhões de portugueses a trabalhar, estudar, a conviver, a passar a consoada e, acima de tudo, a visitar familiares no hospital e em muitos tristes casos, a carpir os mortos da nação de forma totalmente remota.

Quando se pergunta o que é a disrupção digital, a resposta é simples e complexa pois depende do ramo ou sector onde esta aconteceu e do raio de ação do evento. Usando o caso do ensino superior, a disrupção aconteceu porque, sem tempo para fazer ajustes, houve a necessidade de transformar um setor tipicamente presencial em algo que dispensasse a presença em sala. Todos os trâmites de todas as ações que levam o seu tempo e que carecem de comissões para tudo e que chegam algumas a demorar meses ou anos com estudos, em 15 dias estavam ultrapassadas com a simples fé. Sem saber o impacto real de colocar uma nação a trabalhar em casa e o peso nas tecnologias ou se estas na prática suportariam tal ato, deu-se o salto em frente como fizera em tempos o nosso Infante. Recorde-se que até na saúde tudo mudou com o rápido aparecimento das vacinas. Todos estavam preocupados com os ensaios clínicos e os seus timings, mas enquanto se decidia, morriam pessoas diariamente.



Foi disruptivo? Foi. Nada voltou a ser o que era antes em todos os aspetos do nosso dia a dia. As pessoas estão em casa ainda. As pessoas mudam de emprego porque não querem perder tempo nas filas de estrada, compram no supermercado diretamente online e encomendam o seu jantar sistematicamente pelo smartphone. O ensino remoto deixou de ser considerado de segunda por ser online. Deixou também de ser considerado desacompanhado e deficitário face ao que há dentro das salas de aulas. Os processos digitalizaram-se, as pessoas digitalizaram-se, os hábitos digitalizaram-se e o ensino evoluiu. Os professores passaram a usar os mecanismos até então típicos e únicos das empresas para poder dar aulas. Havia riscos? Sim, o usar algo que ainda não se conhece a 100% deu direito a várias aberturas de jornal com os invasores das sessões Zoom para incomodar o processo de ensino.

É graças a este evento disruptivo a nível mundial que todos os dias o processo de digitalização aumenta; mais inteligência artificial nos processos, redes mais avançadas como por exemplo o 5G, processos dispersos pela Cloud, mais automatismo, mais mobilidade, mais Internet das Coisas, mais realidade aumentada, visitas virtuais, comunicações, mais segurança, mais carros e camiões a conduzir autonomamente e cada vez menor dependência de equipas grandes.

Isto é Disrupção Digital porque antecipou o resultado da normal a evolução digital e está disponível já hoje.

sábado, 19 de novembro de 2022

Earth Restorer's Guide to Permaculture Release- Rosemary Morrow, David Holmgren & Delvin Solkinson


About the book: 

Earth Restorer's Guide to Permaculture is an informative and inspiring guide that shares the methods and mindsets needed for our future planetary health. It teachers us:
● The roles of permaculture principles, ethics and design philosophy 
● Ecological literacy for the current and future states of water, soil and climate
● Global insights in how to design for the (present and future) impacts of climate change
● The role of urban settings, and the path to eco-cities and neighbourhoods 
● The increasing importance of marine permaculture and social permaculture 
● How to move from ‘me’ to ‘we’ as we collectively restore and regenerate our Earth   

“This is a vital book for our times of climate catastrophe, biodiversity loss, species extinction, and food and water scarcity…it shines the light on another path.”
- Dr Vandana Shiva, Indian scholar, author and environmental activist.

domingo, 13 de novembro de 2022

Chega ao fim primeira semana de negociações na COP27


Primeira semana de negociações chega ao fim na COP27. Os vários países presentes na Cimeira do Clima tentam chegar a acordos significativos para travar as alterações climáticas e limitar o aumento da temperatura a 1.5ºC.

A ministra do Ambiente do Egito, Yasmine Fouad, disse que os ministros que comecarão as discussões esta segunda-feira, bem como a presidência egípcia, iriam facilitar toda a discussão para colmatar a lacuna existente entre os países desenvolvidos e as nações em desenvolvimento, mas avisou que o sucesso das negociações depende “de todos”.

Na COP27 está a ser discutida, pela primeira vez, a possibilidade de uma compensação financeira, que seria atribuída aos países mais afetados pelas alterações climáticas.

A ministra do Ambiente das Maldivas, Aminath Shauna, referiu que o mais importante para o país e para as pequenas ilhas são as negociações sobre perdas e danos, algo que tem sido muito discutido e referiu que ter este ponto na agenda é algo que nunca tinha acontecido antes.


Os vários líderes mundiais estão numa corrida contra o tempo para tentar salvar o planeta. Na próxima semana, será a vez dos ministros se sentarem à mesa das negociações e tentarem fazer progressos ao nível do diálogo em três pontos fulcrais relacionados com as alterações climáticas: perdas e danos, adaptação e mitigação.

O encontro está a decorrer em Sharm-el-Sheik, no Egito, e prolonga-se até ao próximo dia 18 de novembro.


John Kerry, o enviado americano à COP27, anunciou um novo plano para obter financiamento climático para os países em desenvolvimento, através da venda de créditos de carbono a empresas que queiram compensar as suas emissões. Esta proposta, apresentada como "Energy Transition Accelerator", atraiu imediatamente críticas.  Rachel Kyte, co-presidente da Iniciativa Voluntária para a Integridade dos Mercados de Carbono, disse que o plano é uma "distração colossal". "Não se pode descartar de um momento para o outro as regras do mercado de crédito de carbono que deram tanto trabalho a conseguir”, acrescentou. Um editorial da Associated Press disse: "Quando se trata de ajudar as nações pobres a lidar com as alterações climáticas, o governo dos EUA deixa a sua carteira em casa e espera que o seu amigo, o grande capital, possa ajudar a pagar a conta". Muitos no Egipto responderam ao anúncio de Kerry com algum cepticismo, dizendo que as empresas americanas deveriam concentrar-se em cortar a sua própria poluição de carbono antes de pagarem pelos cortes de emissões no mundo em desenvolvimento. O anúncio vem também um dia depois de a ONU ter divulgado um relatório de peritos sobre os compromissos de carbono zero, que advertia que tais compromissos representam o risco de serem pouco mais do que "lavagem verde" se não forem apoiados por planos robustos. A capacidade de reclamar a redução de emissões através de compensações pode permitir às empresas evitarem reduzir a sua própria produção de carbono", dizia o relatório.

Site oficial
COP 27 - Sharm El-Sheikh Climate Change Conference

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

No Web Summit, a personagem central não foi a tecnologia, mas sim os seres humanos

O mundo passa por uma transformação digital que será cada vez mais imprevisível, sofisticada e complexa, sobretudo porque o sucesso dela dependerá sempre de nós, indivíduos.

Nós — humanos de carne, ossos e códigos — fomos personagens centrais do Web Summit por diversos ângulos: no clamor da primeira-dama ucraniana Olena Zelenska para que a tecnologia seja usada a favor da vida, nos cartazes pedindo internet livre no Irão, no crescente protagonismo de diferentes grupos sub-representados e nos múltiplos debates sobre a nossa relação com nossos empregos e com as organizações - das startups às gigantes.

Tive a oportunidade de cruzar com muitas falas, entrevistas e conversas especificamente a respeito desse novo pacto que se configura entre nós e as empresas, quando o assunto é carreira.

A primeira palavra que saltou aos olhos de todos foi flexibilidade. O debate não é mais sobre trabalho remoto, presencial ou híbrido. Não há propriamente uma fórmula a ser copiada - é um tema que depende muito de quem lidera, da cultura em questão e, também, das características de cada negócio. Estamos a falar, sobretudo, da crescente possibilidade de definir o lugar do trabalho na composição das nossas necessidades. Um mundo que seguirá tendo workaholics, mas não poderá mais criminalizar aqueles que redimensionam o peso do currículo sobre suas definições pessoais.

É um panorama que, ao apontar para o futuro, não olha mais para as descrições de cargos ou a extensão do currículo profissional. Obviamente as experiências continuam sendo importantes - mas elas não necessariamente definem o encaixe para uma posição atual. Falou-se muito sobre os empregos baseados em habilidades e competências - sem distinção entre hard e soft skills — afinal, essa separação per se implica um juízo de valor.

Foi inevitável, portanto, abordar o paradigma emergente da liderança nas corporações. Reconheceu-se que ainda falta treinamento suficiente para preparar pessoas realmente inspiradoras, solidárias, motivadoras e que, ao mesmo tempo, entreguem resultados. Entre os principais eixos de desenvolvimento das lideranças, destacam-se a capacidade de se comunicar bem com as equipas e colaborar entre diferentes clubes e parceiros. Não há mais espaço para déspotas encastelados em seus escritórios privativos.

Além disso, definiu-se a importância de líderes como indutores e responsáveis por um ambiente de trabalho pautado pelo bem-estar físico e mental. Como zeladores da segurança psicológica, não podem mais apartar esses pilares da performance das respectivas equipas. Produtividade e resultados estão, de forma indissociável, conectados às variáveis de saúde mental e segurança psicológica. Gerenciar recursos psicológicos será tão crucial quanto administrar métodos, orçamentos, estruturas e processos.

Não foram poucos os CEOs que ressaltaram a cultura organizacional como condição necessária para alavancar a prosperidade e a escala de suas empresas. E, bom lembrar, ela é uma metamorfose ambulante. E quem não se adapta fica pelo caminho.

Cultura, a propósito, não existe sem equidade e inclusão. É fundamental que sejamos intencionais no exercício de reduzir desigualdades e oferecer mais oportunidades. Saímos do QI (quem indica) para a AI (artificial intelligence). Ou seja: com base em mais dados e menos vieses, seremos mais capazes de definir as melhores pessoas para cada posição. Mas vem o desafio: como fazer isso em uma sociedade extremamente desigual?

Um dos caminhos mora, claro, na tecnologia — que pode oferecer inúmeras soluções para reduzir os abismos de habilidades, conhecimentos e competências. Em vez de mitigar os problemas, deve-se ampliar as oportunidades. Essa é uma tarefa ainda mais crítica na indústria tech, que tem 75% de brancos na força de trabalho — uma dos piores neste quesito. E, claro, isso se reflete na maneira pela qual desenvolvemos softwares e desenhamos serviços. No fim, é crucial pensar em quem está faltando à mesa na hora de tomarmos uma decisão importante.

Quando nos voltamos para as grandes questões planetárias não é diferente. Clima, guerra, violência de género, intolerâncias de múltiplas naturezas e pobreza cruzam-se na busca por respostas às nossas perguntas mais difíceis.

Uma coisa sabemos: o mundo passa por uma transformação digital que não é um projeto — mas um processo, uma jornada que será cada vez mais imprevisível, sofisticada e complexa. Sobretudo porque o sucesso dela dependerá sempre de nós, indivíduos.

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