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sábado, 6 de dezembro de 2025

Que fazer aos cigarros electrónicos usados?


Além dos graves riscos à saúde associados ao uso de cigarros eletrónicos, esses dispositivos também representam uma ameaça significativa ao meio ambiente. O seu descarte inadequado gera uma série de consequências nocivas.

Frequentemente, quando os dispositivos chegam ao fim da sua vida útil, são abandonados como lixo comum em locais públicos, como parques, calçadas ou beiras de estrada. Além do impacto visual, esse descarte irregular pode causar danos materiais — como furos em pneus de veículos — e contribuir para a poluição ambiental.

No entanto, os problemas são ainda mais profundos. Os cigarros eletrónicos contêm metais pesados, como antimónio, níquel e chumbo, que podem infiltrar-se no solo e nos corpos de água quando descartados de forma incorreta. Muitos modelos, especialmente os descartáveis, são alimentados por baterias de íon-lítio, que oferecem risco de incêndio ou explosão se manuseadas inadequadamente, mesmo em aterros sanitários. Além disso, as carcaças de plástico podem degradar-se em microplásticos, agravando a contaminação do solo e da água.

De acordo com as normas ambientais, os cigarros eletrónicos usados devem ser encaminhados para pontos de coleta especializados em resíduos eletrónicos ou para instalações autorizadas a manusear resíduos perigosos, garantindo assim um descarte seguro e responsável.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Ucrânia: 13.500 km² de vias navegáveis ​​​​contaminadas por minas e explosivos


Aproximadamente 13.500 km² de vias navegáveis ​​na Ucrânia, incluindo o rio Dnieper, lagos e a costa do Mar Negro, estão potencialmente contaminadas por minas e restos explosivos de guerra, estimou o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) a 12 de novembro. Esta área é comparável em tamanho ao Montenegro, observou a agência da ONU.

Até à data, os mergulhadores do Serviço Estatal de Emergência da Ucrânia conseguiram limpar apenas 190 km², ou 1,4% da área contaminada, e removeram mais de 2.800 engenhos explosivos, segundo o PNUD. Para acelerar os esforços de desminagem, a Ucrânia está a utilizar robôs subaquáticos capazes de localizar munições a profundidades até 300 metros, mesmo em condições de baixa visibilidade e fortes correntes.

Desde 2014, enfrentando um conflito no leste do país e a anexação da Crimeia, e desde 2022 uma invasão em grande escala, a Ucrânia é agora o país mais contaminado por explosivos do mundo. Segundo o governo ucraniano, 136.952 km², ou 23% do território, continuam afetados por minas terrestres e munições não detonadas.

Já em 2024, Natalia Gozak, diretora da Greenpeace Ucrânia, alertou à Reporterre que a guerra era “um fardo tóxico para gerações”. Em três anos de guerra, a invasão russa da Ucrânia gerou o equivalente a 230 milhões de toneladas de CO₂, de acordo com um estudo da Initiative on Greenhouse Gas Accounting of War, publicado em fevereiro.

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Ministro invocou motivos de agenda para não receber Francesca Albanese



Francesca Albanese veio esta semana a Portugal para dar algumas conferências sobre o genocídio em Gaza e o Direito Internacional. Na quarta-feira esteve no ISCTE, esta quinta-feira irá ao CCB e na sexta é a vez da Universidade de Coimbra. Pelo meio está previsto um encontro no Ministério dos Negócios Estrangeiros, mas o ministro Paulo Rangel, que recentemente teve de recuar na sua posição sobre a bandeira portuguesa no navio que transporta explosivos para Israel, invocou motivos de agenda para não a receber. E em vez de ser recebida por um secretário de Estado, será um diretor-geral do Ministério a marcar presença no encontro.

Na manhã desta quinta-feira, a relatora especial da ONU foi recebida por deputados na Assembleia da República. No final do encontro, a coordenadora bloquista Mariana Mortágua lamentou que o ministro tenha optado por não receber Francesca Albanese “como era sua responsabilidade como representante do Governo português”. E considerou a ausência como “mais uma das contradições do Governo” no que diz respeito à Palestina, a juntar à da defesa dos dois estados sem reconhecer o Estado da Palestina. E para o Bloco a prioridade agora passa por reconhecer o Estado da Palestina e parar o massacre, caso contrário “não vai ter população para reconhecer daqui a uns meses”.

Mariana Mortágua destacou a importância da presença de Albanese no Parlamento português, elogiando a forma clara e simples como coloca o problema que está em causa: que “as ações de Israel só podem ser enquadradas num projeto racista, expansionista, de ocupação do território palestiniano e extermínio da sua população” e que por isso “não se trata de uma resposta, de uma defesa, não se trata sequer de uma vingança, mas sim de “um plano de longo prazo” para a Palestina com aquelas características.

A coordenadora do Bloco criticou ainda o ministro Paulo Rangel por dizer na ONU que Israel tem o direito à legítima defesa mas que cometeu “excessos” em Gaza. “O genocídio não é excesso, é crime internacional”, prosseguiu Mariana, concluindo que o argumento dos “excessos” não faz mais do que revelar “a natureza da cumplicidade” de muitos estados com Israel. A coordenadora do Bloco agradeceu ainda a pressão feita por Albanese para a retirada da bandeira portuguesa do navio Kathrin, considerando-a “decisiva” para a “vitória da mobilização popular e da pressão que fizemos” junto do Governo que tinha começado por negar que houvesse navio e depois que houvesse explosivos a bordo.

Em conferência de imprensa na quarta-feira, Albanese congratulou-se com a retirada da bandeira do cargueiro Kathrin, mas sublinhou que “a questão mais urgente é saber o que é que Portugal vai fazer para não ter qualquer relação política, diplomática ou económica com Israel que possa prejudicar os palestinianos. O que é que o Governo vai fazer sobre o reconhecimento do Estado da Palestina. O que é que é preciso?”, questionou.

Albanese diz acreditar que “os arquitetos deste genocídio vão ser responsabilizados” e que a pressão sobre os governos para aplicarem o Direito Internacional “é um imperativo moral para todos nós”. Questionada sobre se o corte de relações diplomáticas com Israel não seria um passo excessivo, responde que “há um genocídio a acontecer, e mesmo se não lhe quiserem chamar genocídio, crimes de guerra, crimes contra a humanidade, o que seja: não se apoia um país no momento em que este comete atrocidades, e isto não começou ontem.”

A relatora das Nações Unidas defendeu que “este deve ser o momento para o Governo de Portugal ter um papel exemplar. Eu vejo como o vosso país vota nas Nações Unidas. Este é o momento de passar à ação. Qual é a coerência em dizer que concordam com a autodeterminação mas não reconhecem o Estado da Palestina? Isto é uma incoerência. Onde está o compasso moral da Europa?”, voltou a perguntar, contrapondo que “[os palestinianos] têm o direito de existir como povo num ou em dois Estados”.

Francesca Albanese foi também questionada pelos jornalistas sobre o recente anúncio de considerar o secretário-geral da ONU como persona non grata. “Já não há palavras. O mandato do secretário-geral vai ser marcado por este genocídio. Ele tem estado debaixo de grande pressão mas foi muito corajoso. Quanto ao facto de ter sido declarado persona non grata, já somos dois. É o que é”, concluiu.

terça-feira, 10 de setembro de 2024

Ucrânia tem 139.300 km2 de território minado - o equivalente a um Portugal e meio


Minas terrestres custam 10 mil milhões de euros por ano à Ucrânia, aponta relatório

As minas terrestres custam à Ucrânia 10 mil milhões de euros por ano, segundo um relatório do Ministério da Economia do país e do Tony Blair Institute for Global Change publicado esta terça-feira.

O relatório aponta que as minas forçam a criação de zonas de exclusão, o que dificulta as exportações e a captação de impostos.

"Esta não é apenas uma questão ucraniana, é um imperativo global. O mundo deve unir-se para apoiar a desminagem urgente da Ucrânia, não só para apoiar a resiliência e a recuperação económica da Ucrânia mas também para garantir a estabilidade do abastecimento alimentar a centenas de milhões de pessoas vulneráveis em todo o mundo", disse Tony Blair, presidente do instituto com o seu nome, citado pela Reuters.

De acordo com um relatório da ONU e do governo ucraniano, publicado em fevereiro deste ano, a Ucrânia é neste momento o país mais minado do mundo. As regiões mais afetadas são Kharkiv, Sumy, Chernihiv e Mykolaiv.

Atualmente, 139.300 quilómetros quadrados de território ucraniano - uma área superior à de Inglaterra - estavam minados, conclui o relatório.

Uma estimativa do Banco Mundial, citada pela Reuters, afirma que serão necessários mais de 31 mil milhões de euros para desminar todo o território da Ucrânia.

quinta-feira, 15 de junho de 2023

Minas são usadas em 'quantidades surpreendentes’ na Ucrânia, que pode ter 30% de seu território contaminado



Simples, mortais e eficientes: as minas explosivas são usadas em "quantidades surpreendentes" na Ucrânia, incluindo alguns tipos proibidos por tratados internacionais, tornando o país um dos maiores campos minados do mundo, segundo especialistas.Contexto: Minas terrestres fazem mais de 5 mil vítimas por ano no mundo

Cerca de 30% do território ucraniano poderia estar contaminado com minas, mas é "impossível contá-las e cartografá-las" num país em guerra, admitiu Baptiste Chapuis, organização não governamental Handicap International, após uma visita à Ucrânia.

Do ponto de vista militar, a guerra na Ucrânia marca o grande retorno do uso de minas — disse Stéphane Audrand, especialista em riscos internacionais, observando que elas são usadas em "quantidades surpreendentes" no conflito iniciado em fevereiro do ano passado.

As minas terrestres convencionais direcionadas a veículos inimigos são permitidas, mas dispositivos antipessoal que buscam mutilar ou matar humanos são proibidos pelo Tratado de Ottawa, assinado em 1997 por mais de 160 países. A Ucrânia é signatária da convenção, mas grandes potências como Rússia, China e Estados Unidos não.

Munição proibida
Minas são um componente chave da linha defensiva russa. De acordo com um relatório recente do centro de estudos Rusi, com sede em Londres, “a Rússia espalhou extensivamente minas antitanque e antipessoal. Estas últimas são frequentemente colocadas com múltiplos mecanismos de ativação para evitar que [tropas inimigas] cruzem" as linhas de defesa.

Em conformidade com a convenção de Ottawa, a Ucrânia começou a destruir suas minas antipessoal, mas suspendeu o processo em 2014, no início da guerra no Donbass, quando a Rússia anexou à força a península da Crimeia.


As minas antipessoal foram usadas por todos [na guerra russo-ucraniana], mas não em proporções comparáveis — disse à AFP uma fonte humanitária sob condição de anonimato.

As minas podem matar ou ser projetadas para, principalmente, mutilar, arrancando extremidades do corpo ou atingindo o abdômen. E mesmo após o fim de um conflito armado, esses artefatos podem permanecer enterrados, com enorme risco para a população civil.

As minas “prejudicam civis há décadas e põem em risco o retorno da vida econômica e social por muito tempo”, explicou Chapuis.

Especialistas acreditam que a desminagem na Ucrânia pode levar décadas, complicada pelas inundações causadas pela recente ruptura da barragem de Kakhovka.

Antes disso, "sabíamos onde estavam os perigos", disse Erik Tollefsen, chefe da Unidade de Contaminação com Armas do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Agora não sabemos. Esta é uma grande preocupação porque vai afetar não só a população mas também quem vem ajudar — acrescentou. — As partes no conflito não divulgaram o número de minas, sabemos apenas que são enormes.

Diversidade preocupante
Algo "específico do conflito ucraniano é a excepcional diversidade nos tipos de munição utilizados", disse Chapuis. Além das minas antitanque e antipessoal, os grupos de monitoramento documentaram o uso extensivo de bombas de fragmentação, que dispersam minibombas em uma área mais ampla.

As minibombas não detonadas com o impacto permanecem no solo como minas e são uma ameaça letal — esses artefatos podem permanecer sem explodir em 15% a 30% dos casos. Isso motivou a elaboração da convenção de Oslo de 2008 contra seu uso, mas Rússia e Ucrânia não são signatárias e ambas as teriam usado durante a guerra, de acordo com a ONG Coalizão Contra as Bombas de Fragmentação.

As forças russas são conhecidas por esconder dispositivos explosivos improvisados, plantando-os em animais ou carcaças, além de criar armadilhas elaboradas em estradas, campos e florestas.

Mesmo no mar, as minas são amplamente utilizadas.
No início do conflito, os ucranianos possivelmente impediram que os navios russos chegassem às suas costas com minas no Mar Negro — disse Audrand, acrescentando que essas minas são "muito eficazes, baratas e, em termos de impedir o acesso, funcionam", mas, ao mesmo tempo, representam um grande risco para o tráfego naval.

    quarta-feira, 20 de julho de 2022

    The dirty truth about clean energy metals

    Sungun copper mine- Fars Media Corporation

    Everyone knows what needs to be done to bring down CO2 levels; pump less of it into the atmosphere. But instead of reducing overall energy consumption, the focus is on increasing ‘green’ energy consumption: electric vehicles, massive electric storage installations, solar ‘farms’ and monster wind turbines. More consumption to cure the cancer of overconsumption. Ah, yes, and tree planting. Anything but serious reduction of fossil fuel consumption.

    The voices calling for careful considerations of the impacts of a transition to ‘clean’ energy are drowned by the misplaced optimism of a green future. Few are asking commonsense questions that, if not answered now could easily create a worse environmental disaster later – and even compound the climate crisis. The elephant in the room few want to acknowledge is the destruction of people and the environment that will result from the hunger for so-called green energy minerals – mainly copper, cobalt, nickel and lithium.

    Because of the growing demand and consequent high prices for these materials, mining companies will end up operating mega-mines in places that would otherwise be politically, environmentally, socially and/or economically unwise. These include ecologically fragile sites, biodiversity hotspots, indigenous territories, and politically unstable countries.

    Some mines will deforest thousands of hectares and contaminate water resources with heavy metals. Deforestation, especially in tropical countries, will significantly reduce the Earth’s biodiversity. While the resolution adopted at the COP 26 to stop deforestation by 2030 will help somewhat, 10 more years of deforestation will bring us closer to several tipping points regarding climate, and will irremediably reduce biodiversity. Lost species cannot be brought back in 10, or 100 years’ time. Once they are extinct they are gone forever.

    The biodiversity crisis, it’s worth mentioning, is considered almost as critical as the climate crisis – and the two are intimately interrelated. Climate change is leading to loss of biodiversity; meanwhile, loss of biodiversity makes ecosystems less resilient, and less able to absorb CO2… and we all know what follows.

    The environmental degradation that accompanies mining will affect other key ecosystem services, such as purifying air and water, regulating stream and river flows, and reducing erosion and flooding. These and dozens more ecosystem services are critically endangered. If we act now, we can at least try to limit the most damaging of the impacts.

    Then there are the human rights violations that are so closely tied to mining. Many communities, whether indigenous or campesino, will not agree to relocate willingly. Besides violating fundamental human rights, forced relocation upsets all facets of communal and personal life, identity, livelihoods and connection with the land. And, given the amount of mining for metals needed to feed the so-called “clean energy transition”, forced relocation will be part and parcel of any such transition.

    Materials
    According to an International Energy Agency (IEA) report, in order to “hit net-zero globally by 2050, would require six times more mineral inputs in 2040 than today” (emphasis in the original).

    The minerals considered by the IEA report are copper, nickel, cobalt and lithium, as well as graphite and rare earths. They are sometimes referred to as the ‘critical minerals’. Given the power and greed of the fossil fuel barons and the relative failure of COP26, it is extremely unlikely the world will reach net zero emissions by 2050. But even a less optimistic scenario still calls for a quadrupling of mineral inputs from today’s levels. That’s one hell of an increase in a relatively short time – especially when considering the social, cultural and environmental impacts mineral extraction is having right now.

    Questions to ask
    Following are just some of the questions we should be asking ourselves in order to avoid deepening the environmental crisis:
    • Where will those minerals come from?
    • Are there enough of these metals in the world to make sure that not only the wealthy citizens of the North will reap the benefits from them?
    • What will be the social, cultural and environmental impacts of extracting and processing these metals?
    • What steps can be taken to assure that the rights of local communities are not violated, and that they don’t end up paying the costs of producing these minerals?
    • What will happen if we create an even bigger environmental crisis while trying to fix the climate crisis? And what can we do now to avoid that scenario?
    Perspective
    It is understandably hard to grasp the amount of land and materials that a ‘green energy’ transition will entail. Sixty-seven tons of pure copper goes into each medium-sized off-shore wind turbine. Similarly, a plug-in electric vehicle needs 2 to 4 times more copper than the standard internal combustion vehicle. The battery in that same electric vehicle uses as much lithium as 10,000 smartphone batteries. Meanwhile, energy storage installations will need to increase capacity by more than 20 times current levels.

    Nickel is another essential component of vehicle batteries, and its production is particularly destructive. For example the contamination generated by the Norlisk nickel mine and processing plant in Russia’s Artic region has devastated at least 350,000 hectares of forests.

    Though most lithium deposits are not usually located deep underground, operations to extract it can dry up aquifers, affect communities’ access to water, and lower its quality. Lithium operations use an inordinate amount of water. In some cases, up to 500,000 gallons to produce just one ton of lithium.


    In its analysis of the mineral needs for a net-zero future, the IEA did not include non-mineral materials. Balsa wood is one of these. Because of its light weight, it is highly coveted for the blades in giant wind turbines. Even though ‘balsa fever’ has only recently been an issue, it is already causing social and environmental problems in the Amazon.

    A matter of scale
    Most people don’t have the slightest idea of the impacts of large-scale mining. A single such mining project can easily impact thousands of hectares of land – land that can be covered in primary tropical forest harboring dozens of endangered species of animals and plants, as well as protecting key watersheds, and mitigating the effects of climate change. The same forested land could also be a major or potential tourist draw and provide drinking water to thousands. It could also be the source of food, fiber, medicines and building materials for local communities, and be held sacred by local populations.

    Because of decreasing metal content found in most metal ores, which in the case of copper can be less than 0.5% (1,000 kg of ore yields 5 kg of pure copper), the environmental impacts are hard to imagine. In the case of the La Escondida copper mine in Chile’s Atacama desert, the tailings pond alone – which is used to store toxic waste from copper processing – measures 5,500 hectares (13,375 acres). The dams holding the tailings ponds are prone to collapse, and when they do they annihilate everything in their path. In 2019, for example, the collapse of the tailings dam at Samarco mining operations, owned by Brazilian company Vale, killed 270 Brazilians and devasted the river system in the vicinity of the town of Brumadinho. Four years earlier, a similar disaster killed 19 locals and wiped out the town of Bento Rodrigues, creating the worst environmental disaster in Brazil’s history. The toxic sludge reached the Atlantic Ocean, 660 kilometers away. Experts say it could take decades for the river system to recover, if at all. The mine was co-owed by BHP Billiton, the world’s largest mining corporation.

    The dirty truth about clean energy metals
    The low metal content in ores is accompanied by natural occurring contaminants. Heavy metals, like lead, arsenic and cadmium are almost invariably found alongside copper. Nickel ores are likewise contaminated with heavy metals.

    Then there is the issue of scale. The largest open-pit operations can move almost one million tons of material (both ore and waste) per day. They do this 365 days a year. To break up the hard rock that these metals are found in, as well as to access the metals, millions of pounds of explosives are used. The Bingham Canyon copper mine in Utah, for example, uses 1,000 tons of explosives per day. And the deeper the miners have to go to access the metals, the more dire the environmental impacts.

    Diesel is a key component of the most common blasting material, and the trucks that haul ore and waste can consume thousands of liters of diesel per day to transport the broken up mineralized subsoil to the surface for milling. And this is only for the extraction phase: the refining of metals like copper consume much more energy than the actual extraction. For these reasons, companies are reluctant to release their product’s real CO2 footprint, nor the amount of toxic substances dumped into the environment.

    One could sum up the situation regarding mining and ‘green metals’ in one simple phrase from a 2020 United Nations Conference on Trade and Development report: “Most consumers are only aware of the ‘clean’ aspects of electric vehicles,” says Pamela Coke-Hamilton, UNCTAD’s director of international trade. “The dirty aspects of the production process are out of sight.”


    Mining and Poverty
    Then there is the issue of poverty. Mining for colbalt in the Democratic Republic of Congo (DRC) has not only created environmental disasters, but also fueled violent armed groups and debilitating corruption. The country, in spite of being rich in mineral resources, including cobalt and copper, is one of the world’s poorest.

    Cases like that of the DRG, and Zaire, two important copper exporters, highlight a well-known curse associated with the dependence of developing countries on exporting raw minerals to rich ones. Niger, exporter of uranium, and Ghana exporter of gold, are both affected by high rates of poverty, just one aspect of the phenomenon that has come to be known as the natural resource curse: countries rich in natural resources are often afflicted by poverty, corruption, authoritarian governments, and violent conflict.

    African nations are not alone in this. Bolivia, which has for centuries enriched other countries with its tin and silver, is still plagued by endemic poverty (and it has now opened itself up to lithium investments). Meanwhile, the some of the poorest Mexican municipalities are precisely where most gold mines are located. The same applies to the mining provinces in Peru.

    These are the countries and sites that many companies had avoided because of political instability. But with demand for green energy metals raising their price, corporations are now willing to consider them as investment opportunities.

    One deeply troubling aspect of the new green metal rush is that the miners and governments will keep going out of their way to avoid correctly valuing the other types of wealth within a mining concession, including the value that ecosystem services provide local communities and the world. Some of these are mentioned above, and include erosion prevention, regulating stream flows, biodiversity conservation, and ironically, mitigating the effects of climate change.

    There is a reason for such perversity. For if mining companies were forced to put a real price tag on ecosystem services and all other kinds of wealth within a proposed mining project that would be negatively affected, the balance would be invariably tilt in favor of protecting these areas. As you can imagine, this kind of information is the last thing that mining companies and the buyers of their ‘green energy metals’ want to acknowledge, at least publicly

    Getting Real
    There is a real possibility that what I am presenting will be seen as alarmist and exaggerated. Let me bring it all home by using an example not too distant from where I live, the Intag region of northwest Ecuador. Approximately 15 kilometers away as the parrot flies, several transnational mining corporations have been trying to develop a large-scale open pit copper mine. The Llurimagua mining concession is within the Tropical Andes, the most diverse of the world’s Biodiversity Hotspots. It is covered in primary cloud forests, which not only protect dozens of species of animals facing extinction, but also 43 sources of rivers and streams.

    All of this is in one mining concession of less than 5,000 hectares (12,500 acres). Some animals that make their home in the orchid-rich forest are critically endangered. These include a fish species and three frogs, two of which have been reported nowhere else on the planet. Several primates who live here are also on the list of endangered species, including the Brown-headed Spider Monkey, one of the most threatened primates in the world. Pumas, ocelots, and the Andean bear are likewise inhabitants of this biodiverse wonderland.

    A 1990’s preliminary environmental impact study prepared by experts for a small copper mine in this area predicted that the mining operations would deforest so much land that the local climate would dry up. The study also predicted contamination of rivers with lead, arsenic, chromium and cadmium. Four communities would have to be relocated to make room for the mine and its accompanying infrastructure. The study did not analyze the impact to thousands of farmers who depend on rain for their livelihood.

    Then, the following year, the company inferred that the copper deposit could be five times larger. In 2018, Codelco reported that the Llurimagua copper deposit could even be much, much larger. The Llurimagua area is not, by any means, unique.

    These are precisely the biological and cultural jewels and human rights that the growing demand for green metals is putting at risk. Companies know this, and are taking steps to insulate themselves from the loss of reputation that will come from producing or buying metals from these sites. It is what is motivating mining corporations and the buyers of their products, including car manufacturers, to join organizations that will supply them with certificates of compliance with social and environmental standards. Instead of certifying the companies, the organizations certify individual mines, which means a company can sell its reputation based on one mine, but produce and sell dirty metals from the rest of its portfolio. Currently, there are dozens of these greenwashing outfits. Keep tuned because more are bound to sprout up in the coming months and years.

    The main objective of this text is not to be alarmist, nor to prevent an energy transition. It is to draw attention to its peril and consequences. And, to motivate a serious discussion in order to avoid the impacts to people and the environment briefly detailed above.

    The most important measures to take right now are to create red lines with local stakeholders in order to keep mining and other extractive industries out of these special sites. One of the most important is respecting the right of local populations to decide their own future. Consultations need to be genuine, and if consent is given for extractive activities, it needs to be done freely, without pressure and only after thoroughly knowing the proposed activities’ impacts. Sacred lands, biodiversity hotspots, native forests and habitats harboring endangered species must be off-limits to mining. Given that mining can contaminate water in perpetuity, projects that pose a risk of contaminating water sources with heavy metals or cancerous substances must be strictly prohibited. Mining too, has no place in the world’s seabeds or the Artic. These are just some of the no-go sites that governments must exclude from mining if we are not to aggravate the existing environmental crisis and create new ones.

    More than enough damage has been done to cultures, species and whole ecosystems sacrificing them in the name of economic development. Now it is being done in the name of the clean energy transition. A transition that will be anything but clean if the materials come from these special places.

    Isn’t that the same mentality that got us where we are today?

    quinta-feira, 1 de julho de 2021

    Magawa, o rato herói que deteta minas no Camboja, vai reformar-se

    Ao longo de uma carreira de cinco anos ajudou a limpar cerca de 225 metros quadrados de terreno e detetou 71 minas e 38 munições que não explodiram.
                                      

    Magawa, um rato gigante africano, vai reformar-se depois de cinco anos a trabalhar na deteção de minas no Camboja, uma experiência que ajudou a salvar muitas vidas e até lhe rendeu um prémio por bravura.

    "Ele já está um pouco cansado", disse à AFP Michael Heiman, chefe do programa de desminagem do Camboja da organização não-governamental belga Apopo. "O melhor é que se reforme", acrescentou.

    Nos últimos cinco anos, Magawa ajudou a limpar cerca de 225 mil metros quadrados de terreno, cerca de 42 campos de futebol, segundo a ONG, que treinou Magawa durante um ano na Tanzânia, seu país de origem.

    No total, o roedor detetou 71 minas e 38 munições que não explodiram.

    Em setembro, Magawa recebeu uma medalha de ouro da British Animal Protection Association (PDSA), que anualmente recompensa um animal por bravura. Magawa foi o primeiro rato a receber esta recompensa.



    De acordo com o PDSA, entre 4 e 6 milhões de minas foram instaladas no Camboja entre 1975 e 1998 e mais de 64 mil pessoas morreram por causa delas.

    A ONG belga Apopo, que atua na Ásia e em África, treina ratos para ensiná-los a identificar a tuberculose e também os usa para localizar minas, já que estes animais têm um talento especial para tarefas repetitivas quando são recompensados com as suas refeições preferidas. Além disso, por serem pequenos, estão protegidos das explosões.


    Para detectar a dinamite dos explosivos, o rato sabe que precisa de mover a terra para alertar os humanos para a sua descoberta.

    Essa técnica é mais rápida do que um detetor de metais.

    Magawa, que mede 70 centímetros, consegue inspecionar uma área equivalente a um campo de ténis em 30 minutos, tarefa que levaria quatro dias por um humano com detector de metais.

    Segundo a ONG, um grupo de cerca de 20 ratos especialmente treinados acaba de chegar ao Camboja e iniciará sua missão no país para detectar minas.

    Mas vai levar tempo para que igualem Magawa, que é "um rato extraordinário", de acordo com Michael Heiman. "Sentiremos a sua falta", acrescentou.

    domingo, 13 de dezembro de 2020

    Breve viagem à lógica do horror

    Por Helena Araújo

    Com o intuito de facilitar a leitura, transcrevo para aqui um thread bastante longo de Francisco Feijó Delgado no Twitter. Espero que ele não me leve a mal. 

    Diz, portanto, Francisco Feijó Delgado ( @sheeko ):
     
     O @cvazmarques  foi acusado de tirar a afirmação de JRS fora de contexto. Vendo a entrevista toda e lendo a clarificação adicional, há pouca dúvida: é JRS que tira do contexto e produz afirmações de uma ligeireza enorme. Vejamos.


    Quem vê a entrevista e lê a justificação sai com a seguinte ideia transmitida por JRS: que os nazis, nas suas cabeças, justificaram o extermínio dos judeus – um mal necessário – com razões humanitárias para com os judeus. 

    Deixo claro que não estou a acusar o JRS de revisionismo ou sequer de dizer que acha que as acções dos nazis foram humanas. Claro que não. O que contesto é que haja qualquer consideração humanitária para com os judeus como razão para o holocausto. 

    Os nazis podiam invocar considerações “humanitárias”, só que não há, no processo, qualquer desejo de minimizar o sofrimento das vítimas, mas sim de distanciar progressivamente os carrascos das suas vítimas.

    A historiografia do processo que culminou com o extermínio em massa dos Judeus é complexa, em parte pq se desenvolveu sob o conceito de “trabalhar para o líder”, em que os diversos agentes procuravam interpretar e executar aquilo que consideravam ser os desígnios do Führer. 

    É por isso que não existe uma ordem ou directriz de Hitler a mandar exterminar os judeus.

    JRS invoca a preocupação pelos judeus, citando uma carta de um oficial nazi, Höppner, a Eichmann em que propõe um método de morte rápida para lidar com os judeus de Łodz: uma “solução mais humana”. Mas é JRS que tira tudo isto do contexto e faz uma afirmação pouco cuidadosa. 

    É JRS que tira Höppner do contexto, tira a palavra “humanidade” do contexto, e tira o gasear dos judeus do contexto.

    A palavra humanidade significa compaixão, benevolência. Ser-se humano preocupar-se, minorar o sofrimento de outros e dar-lhes dignidade. Ignorando casos individuais, é possível dizer que houve compaixão pelos judeus no criar do processo que iria levar ao seu extermínio?

    A própria frase é um paradoxo, a não ser que se deixe de tratar os judeus como humanos, mas como sub-humanos. Então aí sim, podemos matar indivíduos de forma humana, como matamos animais. Foi isso que aconteceu? Já lá iremos.

    JRS cita Höppner para atribuir um lado compassivo ao processo dos nazis. “Estão a morrer de fome, não podemos alimentá-los. Se é para morrer, mais vale morrer de uma forma mais humana.”

    Antes de mais, não questiona sequer onde está a humanidade no porquê de estarem a morrer de fome, ou no porquê de não os poderem alimentar? Como é que uma pessoa pode ser “humana” na morte doutrem, sendo que em tudo desumaniza a sua vida?

    Vale a pena contextualizar: Höppner era o chefe do Gabinete Central de Reinstalação (UWZ), especialista em deportações. Na altura os judeus estavam a ser deportados em cada vez maior número com a ideia de os colocar no Governo Geral, e se no início eram os das províncias ocupadas, em breve viriam a ser também os da Alemanha. A ghettização facilitaria o controlo e a deportação. Mas trazia problemas logísticos que se agravaram com a demora nas deportações e pouca orientação de Berlim, deixando líderes locais a ter de decidir por si. 

    Uns advogavam o declínio e a morte dos judeus, usando a fome deliberadamente, e outros o uso dos judeus como trabalhadores forçados. É neste contexto que Höppner escreve o memorando, numa altura em que a existência do ghetto, pensada como temporária, se eternizava: os judeus incapazes para o trabalho iriam morrer de fome, porque inicialmente a ideia era vender-lhes comida, extorquindo-lhes os bens, mas os bens acabaram. 

    O superior interesse do povo alemão era incompatível com subsidiar publicamente a alimentação dos judeus inaptos. 

    Havia portanto *um problema* a resolver. Não era a primeira vez que Höppner advogava, embora não tão explicitamente, a liquidação de indivíduos que causavam problemas burocráticos. Já em 1940:



    E ainda em 1940, um ano antes do tal memorando, em polaco, mas com rápida tradução em inglês:



    Nessas alturas, Höppner não teve qualquer pejo em propor a liquidação de pessoas para resolver os *problemas* com que se deparava. Em nenhuma dessas vezes achou por bem justificar as acções com razões humanitárias. 

    Vale a pena voltar ao memorando, q não acaba com «Seria melhor do que deixá-los morrer à fome», mas «Auf jeden Fall wäre dies angenehmer, als sie verhungern zu lassen.», i.e, “em qualquer dos casos, seria mais agradável do que deixá-los morrer à fome”. Agradável para quem?

    No parágrafo seguinte, num outro "exemplo de compaixão": propõe a esterilização das mulheres para acabar com o problema judaico naquela geração. Ficam as perguntas: - Houve alguma compaixão em Höppner? - Houve alguma preocupação em minorar o sofrimento dos judeus? 

    O uso da palavra “humanidade” está presente no discurso de muitos outros oficiais nazis, começando pelo próprio Hitler.



    Wilhelm Kube recusou-se a mandar liquidar judeus por fuzilamento enquanto não houvesse uma forma mais discreta e “humana”, tendo o seu superior, Heydrich, desautorizado-o.


    Kube, que no massacre do Ghetto de Minsk atirou rebuçados para crianças que estavam num fosso de areia para morrer, foi mais tarde assassinado.

    Himmler, que não apreciara a sua relutância relativamente às acções contra os judeus alemães, considerou o seu assassinato uma benção, que de qualquer maneira, o homem já tinha lugar marcado num campo de concentração.

    O facto é que há inúmeros exemplos de que as tais “razões humanitárias” eram humanitárias para os carrascos, não para as vítimas. O extermínio já tinha começado, mas matar pessoas com esquadrões de fuzilamento em grande quantidade é difícil: 




    A evolução foi tudo menos “humana” e, mais uma vez, com o objectivo de tornar o extermínio mais exequível. Até morte por explosivos foi testada, mas ir apanhar restos de corpos nas árvores não era agradável:





    O facto é que Hitler e os nazis criaram um ambiente que, como afirma Kershaw, não fez do genocídio um acidente, sem qualquer ponta de compaixão ou consideração pelos judeus.


    E Goebbels rejubilava com a vingança sobre a praga judia: «a única maneira de lidar com eles é com a brutalidade necessária»:



    As palavras têm de ser postas no contexto, interpretadas e calibradas. Alguém insuspeito que entrasse em Auschwitz até poderia pensar que o trabalho liberta. 

    Eichmann, no seu julgamento disse «nunca matei ninguém, nunca dei ordem para matar». E no entanto, foi um dos operacionais do extermínio dos judeus. Assassino não é só quem aperta o gatilho, e humano não é só quem se apressa a matar.

    Da mesma maneira que os nazis invocaram “razões humanitárias”, também Eichmann invocou que o trabalho dele não era matar ninguém. 

    A “humanidade”, era, no seu aspecto sistémico, uma qualidade interesseira, em que a compaixão era dirigida aos carrascos. Era uma maneira de eles se próprios se libertarem:

    De facto, a deturpação do conceito de “humanidade” tornou tudo ainda mais perigoso.


    JRS diz que eram pessoas normais nos campos, e pergunta o que levou essas pessoas a participar em acções de extermínio. Mas as pessoas normais já se tinham envolvido nas matanças. O que esta forma “humana” fez, foi facilitar ainda mais isso.





    Mas quem assiste à entrevista e lê o que escreve, vê JRS afirmar que os nazis eles próprios estavam convencidos de que estavam a fazer um mal necessário e que ainda tinham em conta o sofrimento dos judeus, tentando minorá-lo.

    A tal “humanidade” não era uma razão para o extermínio, como JRS diz, mas sim o instrumento fundamental para pôr uma indústria daquela escala a funcionar. Em Auschwitz, finalmente, poucos alemães teriam que directa e pessoalmente matar alguém.

    Eram meros operadores, técnicos especializados, que “só” tinham que deixar cair o conteúdo de uma lata por um tubo. Muito mais “humano” do que metralhar mais uma fila de judeus deitados sobre a fila que tinham metralhado há instantes.