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sexta-feira, 26 de junho de 2026

China zera tarifas para produtos de países africanos - já vemos as diferenças


A China anunciou em 28 de abril que vai abolir  as tarifas de importação para produtos de 53 países africanos. Na prática, isto significa abrir as portas do maior mercado de consumo do planeta a quase todo o continente africano. Não estamos a falar de ajuda humanitária nem de discurso diplomático. Estamos a falar de comércio, investimento e influência.

A medida, que entrou em vigor a 1 de maio, abrange praticamente todo o continente, excluindo apenas o Essuatíni devido às suas relações com Taiwan.

O mais impressionante é que esta decisão não surgiu por acaso. Nos últimos anos, Xi Jinping transformou a África numa das prioridades estratégicas de Pequim. Empresas chinesas construíram estradas, linhas ferroviárias, pontes, centrais elétricas e portos. Hoje em dia, a China já possui o controlo ou participação em cerca de um terço da infraestrutura portuária africana. Agora, além de investir, Pequim está a facilitar a entrada dos produtos africanos no mercado chinês.

Por trás desta decisão existe uma disputa muito maior. Enquanto várias potências ocidentais reduziram a sua presença económica em diversas regiões africanas, a China fez o oposto. Investiu, financiou projetos e ampliou o comércio. O resultado é que muitos governos africanos passaram a encarar Pequim como um parceiro estratégico para o desenvolvimento a longo prazo.

O que Xi Jinping está a construir em África vai muito além de acordos comerciais. É uma rede de influência económica que pode redefinir o equilíbrio de poder nas próximas décadas. E enquanto muitos ainda observam apenas as guerras e crises do momento, a China continua a avançar silenciosamente onde o futuro está a ser construído. É exatamente por isso que a África se tornou uma das peças mais importantes do tabuleiro geopolítico mundial.

Impactos Económicos na Agricultura e Mineração
  1. Agricultura (O maior beneficiado imediato): a remoção de tarifas aumentou de imediato a competitividade de preço dos produtos africanos face a concorrentes da América Latina ou da Ásia (que enfrentam taxas de 20% a 25%). O benefício foca-se na redução de custos logísticos e aduaneiros. Isso estimula o investimento chinês em infraestruturas locais, como cadeias de frio e processamento, elevando os rendimentos rurais. [1, 2, 3]
  2. Mineração (Consolidação do fornecimento): minerais estratégicos para a transição energética (como o cobre, cobalto, lítio e grafite) ganharam maior fluidez. A isenção de tarifas incentiva as empresas mineiras em África a avançar da extração de minério bruto para o processamento local profundo, agregando valor antes da exportação. [1, 2]
O Contraste com as Potências Ocidentais
  1. Unilateralidade sem contrapartidas: a política da China é não-recíproca. Os produtos africanos entram na China sem taxas, mas os países africanos não são obrigados a reduzir as suas tarifas sobre os produtos chineses. [1, 2]
  2. Diferença face aos EUA: contrasta diretamente com programas americanos como o AGOA (African Growth and Opportunity Act), que exige contrapartidas políticas, de direitos humanos e de abertura de mercado. Adicionalmente, Washington aplicou recentemente tarifas pesadas a várias nações africanas. [1]
  3. Diferença face à União Europeia: os acordos da UE (EPAs) exigem frequentemente uma abertura recíproca dos mercados africanos a longo prazo, o que gera receios de desindustrialização local na África. A China posiciona-se assim como o "parceiro mais amigável". [1]

Produtos Africanos com Maior Potencial de Exportação
Abaixo encontram-se os produtos que registam maior crescimento e procura no mercado chinês: [1, 2, 3]


Categoria [1, 2, 3, 4, 5, 6]Produtos de DestaquePaíses Líderes Beneficiados
Frutas e AgroMaçãs, Abacates, CitrinosÁfrica do Sul, Quénia, Egito
CommoditiesCafé, Cacau, Sésamo, Castanha de CajuEtiópia, Costa do Marfim, Tanzânia
Minerais CríticosCobalto, Cobre, Grafite, LítioRDC, Zâmbia, Tanzânia
Bens ProcessadosÓleo de abacate, Couros, Alimentos processadosQuénia, Nigéria, Marrocos

Apesar do otimismo, analistas alertam que as tarifas eram apenas uma das barreiras. Para mitigar o enorme défice comercial com a China, África precisa de superar barreiras não-tarifárias (como exigências fitossanitárias) e melhorar as suas infraestruturas de transporte. A facilidade de comércio impulsionou também o uso do Yuan (RMB) em detrimento do dólar nas transações bilaterais. [1, 3, 4]

Pode HAARP provocar terramotos? Verdade por trás do boato que surge após cada desastre natural


Sempre que ocorre um grande desastre natural, o termo HAARP volta a ser tendência nas redes sociais. Já aconteceu depois de terramotos, furacões, inundações ou incêndios florestais. Os recentes sismos registados na Venezuela não foram exceção.

Em plataformas como a X circularam mensagens que afirmavam, sem provas, que os Estados Unidos teriam usado o projeto HAARP para provocar os terramotos. Vários meios especializados em verificação desmentiram estas afirmações e lembram que não existe evidência científica que as sustente.

O que é afinal o projeto HAARP
HAARP é o acrónimo de High-frequency Active Auroral Research Program (Programa de Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência). Trata-se de uma instalação científica situada no Alasca cujo objetivo é estudar a ionosfera, uma camada da atmosfera terrestre localizada entre cerca de 60 e mais de 500 quilómetros de altitude.

Segundo explica a própria entidade, utiliza ondas de rádio de alta frequência para gerar pequenas perturbações controladas nessa região da atmosfera e compreender melhor fenómenos que afetam as comunicações por rádio, a navegação por satélite e outros sistemas tecnológicos. Entre 1993 e 2014 foi gerida pela Força Aérea e pela Marinha dos Estados Unidos e, desde 2015, pertence à Universidade do Alasca Fairbanks.

A instalação sublinha ainda que as suas experiências são públicas e que a investigação está centrada exclusivamente no estudo da ionosfera.

Porque é associado a terramotos e outros desastres
Apesar de o programa ter uma finalidade científica, há anos que o HAARP é alvo de numerosas teorias da conspiração.

Em diferentes momentos foi-lhe atribuída falsamente a capacidade de provocar terramotos, furacões, inundações, incêndios florestais ou até controlar o clima. Após a DANA que assolou a Comunidade Valenciana em outubro de 2024, por exemplo, voltaram a circular nas redes sociais mensagens que garantiam, sem provas, que a catástrofe tinha sido provocada pelo HAARP.

Uma investigação da equipa de verificação da Euronews documentou como estas teorias da conspiração se propagaram em diferentes idiomas e desmontou várias das afirmações que se tornaram virais.

Narrativas semelhantes também reapareceram após os terramotos em Marrocos e na Birmânia ou depois do furacão Milton nos Estados Unidos. Após os terramotos na Venezuela, voltaram a difundir-se publicações que afirmavam que os Estados Unidos tinham utilizado o HAARP para danificar infraestruturas do país ou provocar os sismos. Mas trata-se de um boato sem base científica.

Pode o HAARP provocar terramotos ou controlar o clima
A resposta, segundo os responsáveis pelo projeto e a comunidade científica, é negativa.

No seu apartado de perguntas frequentes, o HAARP salienta que as ondas de rádio que utiliza interagem apenas com a ionosfera e não com a troposfera nem com a estratosfera, as camadas inferiores onde se desenvolve o tempo atmosférico. Por isso, garante que não tem capacidade para modificar o clima.

Os investigadores acrescentam que o HAARP também não pode provocar nem intensificar fenómenos naturais como terramotos, furacões ou inundações. Os sinais emitidos pelo HAARP destinam-se a estudar processos físicos na atmosfera superior e não têm capacidade para alterar a crosta terrestre nem os processos geológicos responsáveis pelos sismos.

Os verificadores que analisaram as mensagens difundidas após o terramoto na Venezuela recordam ainda que não existe nenhuma evidência científica que relacione o HAARP com a atividade sísmica.

Teoria da conspiração que ressurgue após cada grande desastre
O caso da Venezuela segue um padrão habitual na desinformação sobre fenómenos naturais. Sempre que ocorre um terramoto ou um episódio meteorológico extremo, voltam a surgir publicações que atribuem o fenómeno a tecnologias secretas ou a alegadas armas climáticas, apesar de não existir evidência científica que sustente essas afirmações.

O HAARP tem sido um dos protagonistas recorrentes dessas narrativas. As autoridades do projeto insistem que o HAARP tem uma finalidade exclusivamente científica: estudar a ionosfera para melhorar o conhecimento sobre as comunicações e o denominado 'clima espacial', um conceito distinto do clima terrestre. Segundo os responsáveis, a instalação não tem capacidade para controlar o clima nem para provocar terramotos.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Kasper Bjørke: Young Again (feat. Jacob Bellens)

Melhor som aqui

[Verse 1]
Enough is enough, no one stops the caterpillar
The weight of the world already too much to bear
You do it too loud, mix it up with vanilla
The sound is the best I have heard for a million years

[Verse 2]
From the thunder that came, I was never the same
And I would stop to think of what to do
I was taking a leap I was playing for keeps with you

[Verse 3]
Too many touches on my skin
That's lying between now and then
Too many kisses on my chin
So severe

[Verse 4]
I can't believe the state I'm in
I can't believe what's happening
We'll never be this young again
Guinevere

[Verse 5]
The comic relief that makes room for my decision
To tighten the rope so that you never will forget
The music that comes from when playing with precision
The words are too rough, I can't shake it from off my head

[Verse 6]
I was making a mess for the better I guess
With a desire to be understood
There were people around with the need to get down for good

[Verse 7]
The many touches on my skin
That's lying between now and then
The many kisses on my chin
So severe

[Verse 8]
I can't believe what's happening
I can't believe the state I'm in
We'll never be this young again
Guinevere

Significado da canção
Kasper Bjørke e Jacob Bellens são dois artistas de nacionalidade dinamarquesa que, nesta colaboração de 2009 intitulada "Young Again", criaram uma faixa que transita entre o synth-pop, o indie dance e o electro-house. Se analisarmos apenas a letra, a música foca-se na nostalgia, na efemeridade da juventude e na aceitação da passagem do tempo, deixando o aviso agridoce de que nunca seremos tão jovens como no momento presente.

O uso do nome Guinevere nesta canção baseia-se no forte simbolismo que a personagem carrega na literatura, servindo como uma metáfora perfeita para a mensagem de melancolia e nostalgia da música. O compositor Jacob Bellens, conhecido pelo seu estilo abstrato e romântico, utiliza a icónica rainha de Camelot para evocar o arquétipo do amor proibido e trágico. Na mitologia arturiana, o romance de Guinevere com Lancelot é sinónimo de uma paixão avassaladora, mas que carrega consigo a dor e a inevitabilidade da ruína, o que se alinha perfeitamente com o desabafo melancólico presente na letra da canção.

Além disso, a figura de Guinevere está intrinsecamente ligada ao fim de uma era dourada, já que a sua traição acabou por ditar a queda de Camelot e a destruição da Távola Redonda. Ao cruzar essa referência com o refrão que repete que nunca mais seremos assim tão jovens, a música transforma a personagem num símbolo da perda da inocência e da passagem implacável do tempo. Ao escolher um nome mítico e intemporal em vez de um nome comum, o autor eleva a pessoa a quem canta ao estatuto de uma musa distante e inalcançável, transformando a canção num lamento poético sobre as marcas que os amores intensos deixam na nossa pele e a saudade de um passado que não volta atrás.

No entanto, o conceito de biofilia - que remete para a ligação inata do ser humano com a natureza e com o mundo vivo - torna-se o pilar central da obra quando olhamos para a sua componente visual. No teledisco, realizado por Karim Huu Do , esta ligação é explorada de forma artística e surrealista, mostrando plantas, musgos e fungos a brotarem diretamente da pele e dos corpos das personagens. Esta fusão funciona como uma metáfora poética onde o ciclo da vida humana é equiparado ao ciclo botânico do nascimento, florescimento e decomposição. Assim, ao contrastar a batida eletrónica e sintética com imagens puramente orgânicas, a obra completa acaba por sugerir que, independentemente do quão urbanos ou tecnológicos nos tornemos, a nossa essência permanece biológica e inevitavelmente ligada à Terra.

domingo, 30 de novembro de 2025

Islamismo, cães, gatos, FIFA e legislação sobre alimentação de animais de rua em Portugal


Marrocos estará a considerar o abate de 3 milhões de cães de rua antes do Campeonato do Mundo de Futebol de 2030 para "melhorar" a aparência da cidade. Os activistas dos direitos dos animais estão indignados. Cerca de 300 mil cães são mortos todos os anos, e este número tem aumentado desde que Marrocos foi escolhido como um dos países anfitriões.

A maioria dos muçulmanos acredita que os cães são animais impuros e, inclusive , procuram evitar todo e qualquer contato com eles, principalmente com a saliva do animal.
O engraçado é que essa crença, ao contrário do que muitos deles pensam, não está no Alcorão. O Alcorão (ou seja, Allah) não fala que os cães são impuros. O que acontece é que os muçulmanos seguem, além do Alcorão, suas interpretações: as Sunas e os Hadiths.

Sunas são as tradições e os ensinamentos transmitidos pelo profeta Muhammad (Maomé em português), que é o mais recente e último profeta do Deus de Abraão.

Hadith é um corpo de leis, lendas e histórias sobre a vida do profeta Muhammad. 

No fundo em todas as religiões do mundo há contradições e modificar uma postura incongruente e pouco ética de cada religião, demora o seu tempo.

Não deveria acontecer em parte nenhuma do mundo, infelizmente nuns países pior do que noutros e Portugal, não é exceção. Até há regulamentos municipais em Portugal que proíbem, com coimas, alimentar cães e gatos de rua.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

André Ventura, mentiroso e racista

André Ventura, mentiroso e racista. Criou um vídeo da IA, dizendo que ocorreu maus-tratos de um cavalo em Portugal, por parte dos ciganos. É falso!

Verdade dos Factos
O vídeo é antigo e passa-se no Egipto
2º  Uma imagem desse vídeo (captura de ecrã) é mostrado num crowdfunding de uma cidadão belga, que registou o mesmo problema em Marrocos
O cavalo em questão é Montana, um magnífico garanhão árabe berbere puro-sangue! Nasceu em Marrocos há 12 anos e passou a maior parte da sua vida como cavalo de charrete.
Sabe como é a vida de um cavalo de charrete lá?
Bem, é simples: uma vida de sofrimento! Dia após dia, puxam cargas extremamente pesadas, transportando muitas vezes turistas inocentes que desconhecem o seu sofrimento! Do amanhecer ao anoitecer, puxam sob o calor intenso, sem comida nem água, porque os seus donos muitas vezes não têm condições para os alimentar! Um veterinário? Muito caro ou indisponível! Um ferrador? Qual a vantagem quando "sabe" como fazer você mesmo! Desparasitação, vacinas, osteopatia, etc. Longe de ser uma prioridade! Depois sofrem com os ferimentos causados ​​pelo atrito do arreio, pelas chicotadas e pelos golpes que recebem por já não se conseguirem mover para a frente…
Muitas vezes, desmaiam de exaustão, desidratação, fome e dor… Depois ou morrem, ou são vendidos nos souks. Montana teve a sorte de ser muitos outros... Caiu nas mãos de Manon e Brahim e foi parar ao estábulo Amazir Cheval, onde cuidaram dele como merecia.
Trataram-lhe das feridas, alimentaram-no, prestaram-lhe todos os cuidados necessários (veterinário, osteopata, dentista, nutricionista, ferrador, etc.) e, acima de tudo, muito amor!
E uma cidadã belga Céline Trullemans  recorreu ao crowdfunding para que Montana ficasse na Bélgica.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Gen Z are demanding schools and hospitals, not superyachts and helicopters



A wave of youth-led “Gen Z” protests is sweeping the world. A recurring slogan during the recent protests in Morocco was “We want hospitals, not stadiums”, reflecting how publicly funded services such as health and education are being sidelined. Electricity and water outages triggered the protests in Madagascar that toppled the government. Rooted in high levels of inequality, deficits in public services, and generational frustration, these protests reflect the fracturing of the social contract between governments and young citizens

This week will see the World Summit for Social Development in Qatar. This is the first such summit in 30 years to focus the world’s attention on the pressing need to provide health, education, social protection and other vital services for all. Such public services are the most powerful and proven way to build more equal, fairer societies. This summit offers a critical opportunity to radically improve public service delivery, something that is at the heart of the rebuilding of a new social contract between angry citizens and their governments.

Sadly, the trend is firmly in the wrong direction. In 2024, Oxfam highlighted that 84 percent of countries have cut investment in education, health and social protection. Nine out of ten countries have backtracked in one or more areas. The United Nations’ Sustainable Development Goals in all these areas are way off track. Cuts to aid from rich countries are also making things worse for the Global South. US foreign assistance cuts alone could cause more than 14 million additional deaths by 2030.

Yet the world is not short of wealth: total global wealth is immense. The vast majority is in the hands of rich individuals and is barely taxed. Global private wealth grew by $342 trillion since 1995 – eight times more than global public wealth. The case for taxing this wealth – to fund health, education and other public services – is overwhelming, and thanks to the leadership of Spain and Brazil, is also gaining momentum that is long overdue.

Over the next 10 years, $70 trillion is going to be handed by the rich to their children, cementing inequality into the next generation, in what has been described as an “inheritocracy”. Meanwhile, good education and health are increasingly only available to those who have enough money. This is squandering the talent of a generation. How many potential climate scientists or engineers will never get to even go to high school? In many countries, children from rich families are hundreds of times more likely to get to go to university than those from poorer backgrounds. For girls from poorer families, the chances are lower still. It is no wonder this spills over into anger and resentment.

The concept of a welfare state is being eroded before our eyes in the face of an ideological commitment to austerity and a shrinking state. This is tragic given the clear evidence that robust welfare systems are key for reducing inequality, redressing social disadvantage, and rebuilding trust. In contrast, failure to deliver these risks unrest. Improvements in service delivery lead to higher satisfaction and trust in government, while poor or corrupt service delivery erodes trust.

The Gen Z protests have shown that the next generation is no longer willing to patiently wait for traditional party politics to address these concerns. They are organising digitally and acting outside established institutional channels. If governments do not respond to people’s aspirations with improvement in public services and stronger social protection and fail to act on inequality, they risk further resistance and protests. In this sense, the Gen Z uprisings are the canary in the coalmine for inequality and public-service deficits.

The good news is that none of this is inevitable. There are many examples of countries that have bucked the trend. Take, for example, Thailand with its world-class public healthcare system available to all citizens. Or the hundreds of millions of children who have benefited from primary education being made free across Africa. Good public services are within the reach of every government.

To do this, governments should focus on building national public wealth and not private wealth. They should reject the snake oil solutions that propose “private finance first” policies and that promote as a panacea privatisation, commercialisation and financialisation of essential public services, like health, education, water, care and social protection. This is a dangerous dead end.

Over the last year, we saw the creation of 49 new billionaires in the field of health and pharmaceuticals. Yet half the world’s population is still not covered by essential health services, with 1.3 billion people impoverished by out-of-pocket health spending. The only beneficiaries from privatised healthcare are the richest, at huge human cost.

The Gen Z movements inject urgency into the World Summit for Social Development agenda – governments ignore the provision of public services at their peril. They must respond not with bullets and batons, but with classrooms and clinics.

terça-feira, 22 de julho de 2025

Participação no 5.º ISA Forum of Sociology: Investigadoras destacam comunicação e justiça socioambiental em territórios insulares



Entre os dias 6 e 11 de julho de 2025, decorreu na Mohammed V University, Universidade Mohammed V, em Rabat, Marrocos, o 5.º ISA Forum of Sociology.  Ana Bijóias Mendonça* e Fátima Alves*, participaram neste encontro internacional com a apresentação de duas comunicações centradas nos desafios da comunicação, participação e justiça socioambiental em contextos insulares.

No dia 9 julho, na sessão dedicada às dinâmicas socioambientais, as investigadoras apresentaram a comunicação “Building Brighten Futures: Knowledge and communication on socio-environmental topics in two Macaronesian regions”, onde partilharam resultados de investigação que sublinham a importância de abordagens colaborativas e culturalmente enraizadas na construção de futuros mais sustentáveis. O trabalho apresentado destaca:
  1. A relevância das racionalidades leigas e dos saberes locais como recursos fundamentais para enfrentar a crise climática;
  2. A urgência de ultrapassar a ilusão de inclusão e reforçar políticas de proximidade, verdadeiramente participativas;
  3. A necessidade de consolidar redes de atores como alicerces para processos de codecisão orientados para a justiça socioambiental;
  4. A importância de escutar, traduzir, comunicar e coconstruir soluções com todas as vozes que habitam os territórios.
Já no dia 11 de julho, foi apresentada a comunicação “Powering Communication and Societal Engagement with Climate Research and Policies in Insular Territories”, baseada num estudo de caso comparado entre a Região Autónoma da Madeira e a Comunidade Autónoma das Canárias. A investigação analisou os mecanismos de construção e disseminação do conhecimento sobre alterações climáticas, revelando que os discursos institucionais continuam a privilegiar abordagens top-down. Apesar da retórica participativa, persistem resistências por parte dos poderes institucionalizados do conhecimento, dificultando o envolvimento efetivo das comunidades locais e de outros atores territoriais. O trabalho evidenciou:
  1. As dissonâncias e contradições que envolvem a comunicação sobre desafios socioambientais globais, com maior expressão nos territórios insulares;
  2. A necessidade de implementar mecanismos de comunicação mais alargados, céleres e eficazes;
  3. A importância de fomentar processos verdadeiramente inclusivos, coparticipados e consequentes que possam coadjuvar a tomada de decisão.
A presença das investigadoras neste fórum internacional reforça o compromisso com uma ecologia do conhecimento que valoriza a pluralidade epistémica e promove uma transição justa, enraizada nos contextos locais e atenta à diversidade de vozes e experiências que compõem os territórios.

Os resumos podem ser consultados no link abaixo.

*Grupo de Investigação Sociedades e Sustentabilidade Ambiental do Centre for Functional Ecology - Science for People & the Planet, Laboratório Associado TERRA da Universidade de Coimbra e da sua Extensão na Universidade Aberta de Portugal


Bijóias Mendonça, A., & Alves, F. (2025). Building brighten futures: Knowledge and communication on socio-environmental topics in two Macaronesian Regions. Em 5th ISA Forum of Sociology «Knowing Justice in the Anthropocene»—Book of Abstracts (pp. 120–120). International Sociological Association (ISA). https://www.isa-sociology.org/uploads/imgen/2252-5th-isa-forum-of-sociology-abstracts-book.pdf

Bijóias Mendonça, A., & Alves, F. (2025). Powering communication and societal engagement with climate research and policies in insular territories. Em 5th ISA Forum of Sociology «Knowing Justice in the Anthropocene»—Book of Abstracts (pp. 121–121). International Sociological Association (ISA). https://www.isa-sociology.org/uploads/imgen/2252-5th-isa-forum-of-sociology-abstracts-book.pdf

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

O Igudar


O Igudar, localizado em Agadir, Marrocos, representa um dos sistemas bancários mais antigos conhecidos no mundo. Estas estruturas, também conhecidas como "agadir" ou "igoudar" (plural de "agadir"), são antigos celeiros comunitários utilizados pelo povo Amazigh (berbere).
Serviam para guardar bens valiosos como grãos, azeite, joias e documentos importantes.
Esses celeiros eram frequentemente construídos em locais elevados ou fortificados para proteção contra roubos e ataques. A arquitetura de Igudar foi projetada pensando na segurança, paredes grossas e portas reforçadas.
Cada família ou indivíduo dentro de uma comunidade teria um espaço designado no Igudar e confiaria a essas estruturas comunitárias seus bens mais preciosos. O sistema baseava-se na confiança colectiva e na cooperação dentro da comunidade.

sábado, 11 de maio de 2024

Jornalista José Vegar - Pobreza cultural e ideológica da extrema-direita nacional


É extremamente curioso ver o desacerto estratégico, que revela de imediato a actual pobreza cultural e ideológica, da extrema-direita nacional ao atacar emigrantes magrebinos no Porto.
Como qualquer cidadão minimamente informado sabe, os argelinos e marroquinos, embora tendo agência pessoal, isto é, vontade e capacidade de decisão, não são o alvo da extrema-direita, mas apenas a peça executora e controlada de um contexto global económico e social.
Por outras palavras, os alvos da extrema-direita nacional, se esta estrategicamente os escolhesse, e os decidisse combater, nos únicos formatos admissíveis, que são os fixados na Lei e na Constituição, e nunca pela acção directa violenta, são o coordenador da rede emigratória, o proprietário do imóvel, no caso onde os magrebinos foram atacados em casa, e o empregador.
Sendo estes os alvos, a extrema-direita nacional enfrenta um enorme problema, e talvez o exercício de violência sobre os emigrantes magrebinos não seja sinal de um desacerto estratégico, mas antes de uma impotência e de um desespero na acção, o que é ainda mais grave para os seus ideólogos e militantes.
Na verdade, os alvos que elenco são inacessíveis para a extrema-direita nacional, cada um pela sua razão.
O coordenador da rede internacional migratória é-lhe desconhecido, sendo apenas um dos milhares de operadores que dão materialidade e execução aquilo que hoje se chama “a economia do biscate” (gig economy) que assenta, essencialmente no fornecimento de mão de obra barata, maioritariamente não ocidental, aos mercados dos países desenvolvidos.
Ou seja, em Portugal fornece a mão de obra à hotelaria, distribuição, construção, agricultura, pequeno comércio e bem-estar físico, noutros países desenvolvidos a outros nichos do mercado, como é o caso da carne nos EUA e na Alemanha.
O proprietário do imóvel e o empregador, na esmagadora maioria dos casos sócios de pme´s, são intocáveis para a extrema-direita, porque, teoricamente, mas não na realidade nacional, são a sua base de apoio sociológica.
Por último, e mais uma vez basta ler a abundante literatura científica disponível, não é o emigrante magrebino, como não é o emigrante brasileiro, paquistanês, africano ou nepalês, que estão no terreno a roubar o trabalho ao cidadão nacional.
O emigrante ocupa o posto de trabalho porque aceita trabalhar com remuneração e direitos extremamente inferiores aos dos cidadãos nacionais, e caso essa força de trabalho não estivesse disponível, os postos de trabalho seriam extintos, ou substituídos pela tecnologia e pela deslocação da operação, sendo este o caso gravíssimo da manufactura nos EUA, que em muito explica a delirante, mas abundante, base de apoio de Trump.
Sendo este o contexto, os actos violentos no Porto não são mais do que, no ângulo político, tontices imaturas, e, no ângulo legal, crimes.
Ou seja, a extrema-direita nacional está totalmente encurralada.
Vasculhando o seu património cultural e ideológico, poderia apoiar-se no tradicionalismo moral, no nacionalismo, no patriotismo, na ordem e segurança, e no racismo.
Mas não o pode fazer por duas razões, uma de ordem cultural, outra de ordem posicional.
No caso do tradicionalismo moral, assenta na família monogâmica heterossexual católica perpétua, não tem qualquer base demográfica de suporte, especialmente em meio urbano, porque esta é uma das áreas onde os cidadãos nacionais mais abandonaram os valores tradicionais católicos.
No caso do nacionalismo, a pertença nacional à União Europeia, por um lado, a dependência de várias cadeias mercantis globais, e a ausência de um inimigo directo, tornam a causa impopular para a população.
O patriotismo é também uma causa de complexa criação de exaltação nos cidadãos, tanto porque é imaterial, como porque é impraticável, no caso da obtenção de capital e de mão de obra, e também dado que, infelizmente, a sua manifestação activa banalizou-se, seja nos cantos dos estádios, seja nas reivindicações profissionais.
Hoje, de novo infelizmente, canta-se o hino por qualquer razão menor.
Resta então à extrema-direita o racismo, que mais uma vez não tem massa demográfica de apoio, e todo o universo da Ordem e da Segurança.
Infelizmente para a extrema-direita nacional, o Chega, com visão estratégica, ocupou todas as dimensões da ordem e da segurança, da corrupção dos políticos ao menosprezo cultural pelas forças de segurança.
Seguindo os extremos políticos e sociais desde 1989, os de esquerda e direita, dos de ideário apenas político aos de agenda ecológica, não vejo nenhuma entidade mais encurralada que a extrema-direita nacional.
A extrema-esquerda tem uma causa poderosa, a da luta contra o capital global e contra os efeitos da sua implacabilidade, e os movimentos de agenda social, dos ecológicos aos de defesa dos direitos das minorias, um apoio demográfico em crescendo.
A extrema-direita nacional continua como começou em democracia, por volta de 1986.
Nunca soube criar uma agenda política que a fizesse respeitada e apoiada, caindo sempre na tentação de se transformar em grupo de violência que mata, magoa e fere.
É uma pena, porque, ao contrário do que muitos defendem em Portugal, continuo a ter a crença que todas as culturas, formas e formações políticas e sociais extremas têm lugar em democracia e contribuem, mesmo que não o queiram e desprezem a democracia, para tornar melhor uma sociedade democrática.
É que discutir uma ideia faz-nos sempre ganhar mais conhecimento.

terça-feira, 22 de agosto de 2023

O estranho Estreito de Gibraltar


Situado entre o extremo sul da Espanha e o Marrocos, o Estreito de Gibraltar liga o mar Mediterrâneo ao oceano Atlântico.
O Estreito de Gibraltar tem 58 quilómetros de comprimento e estreita-se a 13 km de largura entre a "Punta de Tarifa" (Espanha) e a "Punta Cires" (Marrocos), o ponto mais próximo entre Europa e África.
O estreito é uma fossa importante, com uma média de 365 metros de profundidade no arco formado pela cordilheira do Atlas do Norte da África e o alto planalto da Espanha.
Na desembocadura leste do estreito também estão presentes um território ultramarino do Reino Unido (Gibraltar - 6,8 km² e 35 mil habitantes) e um enclave espanhol no território marroquino (Ceuta - 18,5 km² e 85 mil habitantes).

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Rochas fosfatadas na Noruega


A Norwegian miner has completed the exploration of a phosphate deposit that it claims is large enough to meet phosphorous demand for batteries and solar panels for the next 100 years.

Norge Mining, which will develop the site, says that it has discovered up to 70 billion tonnes of the mineral.

Around 90% of mined phosphate is used to produce fertiliser for the agriculture industry. Phosphorous is also used to produce lithium-ion phosphate batteries used in green technologies and batteries. The mineral is in high demand but currently faces significant supply issues.

According to the US Geological Survey, proven phosphate reserves equal 71 billion tonnes globally, only slightly larger than the total discovered in Norway.

Prior to this discovery, the largest phosphate deposit was located in the western Sahara region of Morocco, equalling around 50 billion tonnes. This is followed by China with 3.2 billion tonnes, Egypt with 2.8 billion tonnes and Algeria with 2.2 billion tonnes, according to US Geological Survey estimates.

Phosphorous appears on the EU’s list of strategic raw minerals. The bloc is almost entirely reliant on imports of phosphate and is concerned about its supply.

“The discovery is indeed great news, which would contribute to the objectives of the Commission’s proposal on the Critical Raw Material Act,” a spokesperson for the EU executive told Euractiv.

A polluting refining processes
Phosphorus refining is a highly carbon-intensive process. “This is part of the reason why there is no more production of this critical raw material in Europe; there was some production in the Netherlands many years ago, but they stopped it because of the heavy pollution,” Michael Wurmser, founder of Norge Mining told Euractiv.

Wurmser told reporters that Norge Mining will use carbon capture and storage to reduce the carbon emissions of the refining process.

“Europe is in an excellent position: we can use our advantage in clean tech innovation and skills development to turn the industry into a powerhouse of innovation and change and, in doing so, achieve the highest social and environmental standards,” said Bernd Schäfer, managing director of the European Raw Materials Alliance, earlier this year.

The discovery was initially made by Norge Mining in 2018 using information provided by the Norwegian Geological Survey. However, a drilling programme conducted by the company has found that ore reserves extend much deeper than initially estimated.

The deposit also contains vanadium and titanium, which are also classified as critical raw minerals by the EU. Vanadium is used to produce liquid batteries required by power companies.

Norge Mining is currently awaiting a permit from the EU and the Norwegian Government. Norwegian ministers have been supportive of the project and are treating it as a high priority, according to Norge Mining.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

O fósforo salvou nosso modo de vida - e agora ameaça acabar com ele


A agricultura convencional depende do fósforo mineral, cuja metade das reservas estão no Saara Ocidental sob controlo de Marrocos e que sabemos hoje estar em decréscimo de produção.  
China, EUA, Russia, Austrália e alguns países sul-americanos têm pequenas fracções das restantes reservas, que vão reter para si.
A Europa não tem quaisquer reservas mas envia diáriamente milhares de toneladas de fósforo recuperável pelo esgoto abaixo. 
A dura realidade é que a Europa está tão vulnerável por falta de inputs agrícolas como por falta de combustíveis fósseis e só consegue mitigar isso adoptando práticas agrícolas que promovam circularidade do que chamamos resíduos orgânicos.
Enquanto produtores em Modo de Produção Biológico todos os dias contribuímos para a melhoria dos solos, para a eliminação de resíduos nos aterros e para a eliminação de importações de fósforo e produtos agrícolas.
Reportagem New Yorker
Scientists warn of ‘phosphogeddon’ as critical fertiliser shortages loom

Praias tunisinas estão a encolher. Porquê?



No Magrebe (Marrocos, Tunísia, Argélia e Líbia), a Tunísia regista as taxas de erosão mais elevadas das últimas três décadas, com uma média de quase 70cm por ano, admite o Banco Mundial. Pelo menos 85% da população da Tunísia, com mais de 12 milhões de habitantes, vive junto à costa, o que faz com que o país seja desproporcionadamente afetado pela erosão costeira. A subida do nível do mar, causada principalmente pelo derretimento global do gelo induzido pelo aquecimento e pelo aumento da temperatura da água, é um dos principais culpados da erosão costeira.

Com a erosão das praias tunisinas, os pescadores da cidade costeira de Ghannouch dizem que os seus barcos e redes são cada vez mais danificados pelas rochas o que faz o seu rendimento sofrer quebras de 20% em relação a anos anteriores. O sobredesenvolvimento imobiliário nas praias e a destruição de defesas naturais como as dunas estão a duplicar o efeito da subida do nível do mar.

A aceleração das alterações climáticas trouxe também um aumento das temperaturas, agravando a seca na Tunísia. Juntamente com a subida do nível do mar, isto está a prejudicar não só o sector pesqueiro do país, mas também a sua agricultura e turismo.

80% da areia costeira da Tunísia vem do interior, segundo Gil Mahé, director de investigação do laboratório de hidrociências da Universidade Francesa de Montpellier, atualmente a trabalhar no INSTM na Tunísia. "As barragens... [são] o grande impacto que aumenta a vulnerabilidade das costas arenosas à erosão", diz ele. Três anos de seca deixaram muitas das 37 barragens do país esgotadas ou vazias, e levaram o governo a subir os preços da água da torneira para as famílias e empresas. O país está a investir na construção de mais barragens para tentar armazenar tanta água doce quanto possível.

A subida do nível do mar e o desaparecimento da areia prejudicaram gravemente os negócios de praia, tendo o turismo registado um grande declínio ao longo da última década. À medida que a erosão costeira se agrava, a água salgada move-se para o interior, arruinando áreas aráveis. Há já projetos em parceria com instituições internacionais como o Banco Mundial e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento para reduzir a erosão através de soluções baseadas na natureza. Uma iniciativa instalou 0,9 km de vedações de retenção de areia e 1,1 km de frondes de palmeiras presas ao solo para reduzir o impacto das ondas numa praia de Djerba, onde a erosão costeira provocou fortes inundações de zonas húmidas.

A erosão costeira é um fenómeno há muito conhecido e documentado. Todos os anos chegam-nos notícias de que o mar ‘engoliu’ mais uma enorme fatia. Da Califórnia, à Carolina doNorte, da Florida, ao Rio deJaneiro, de Yorkshire a Ovar. Mas a ganância, a sede do lucro rápido, a especulação imobiliária, a corrupção têm impedido a tomada de medidas sérias para conter o problema.

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sábado, 14 de janeiro de 2023

Hannsjörg Voth- Himmelstreppe, Marrocos , 1984


Demorou sete anos para construir de 1980-1987.

Trata-se de um escultura, em argila, intitulada Himmelstreppe (ou “escada para o céu”), em forma de cunha repleta de 52 escadas estreitas.

O artista alemão contou com a ajuda da população da região para construir estes monumentos, pois seguiu cálculos astronómicos precisos por se tratar de uma pirâmide projetada para observar as estrelas. Astrónomos de todo o mundo afluem para ver as estrelas e constelações astronómicas e desfrutar de momentos excepcionais de meditação que conecta a terra com o céu, num espaço desértico saturado de calma e tranquilidade.


Biografia: Hannsjörg Voth

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Let me tell you something- O Estado Global da Democracia

Let me tell you something... The Almost Forgotten Selma March.
Aos países como EUA, Rússia, China, Marrocos, Índia, Qatar, Myanmar, Angola, Irão, regimes autocráticos/teocráticos, regimes que violam os Direitos Humanos e países europeus governados pela extrema-direita tenho um textinho para vós:

"True peace is not merely the absence of tension; it is the presence of justice.
To cure injustices, you must expose them before the light of human conscience." - Martin Luther King, Jr. (Montgomery, Alabama, March 25, 1965)


Martin Luther King, Jr.- Selma March, 1965

História

Relatórios

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Marrocos usa gás natural de Espanha depois de Argélia fechar torneira



Marrocos tem estado fortemente dependente do gás natural proveniente de Espanha desde que problemas diplomáticos levaram a Argélia a parar as exportações para o país do norte de África.

Foi há um ano, em novembro de 2021, que a Argélia deixou de fornecer gás natural a Marrocos, fechando o gasoduto Magreb-Europa (GME) que passa por Marrocos em direção à Península Ibérica.

Marrocos, que ainda está altamente dependente da eletricidade e gás importados, avançou com um acordo com Espanha que permitiu que gás voltasse a circular no gasoduto a partir de julho deste ano.

Devido a problemas nas relações entre os dois países de África, Madrid foi obrigada a certificar que o gás que estava a exportar para Marrocos não era de origem argelina.

Desde que o gasoduto voltou a ligar Espanha a Marrocos que a quantidade de gás natural que chega ao país africano tem vindo a aumentar de mês para mês, atingindo um recorde em novembro deste ano, explica a Mees. Ainda assim, a quantidade é inferior a que chegava a partir da Argélia.

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Deu-me agora uma saudade de Cabo-Verde

Deu-me agora uma saudade de Cabo-Verde. Canárias, Marrocos e Guiné-Bissau. Quem vai a África fica DEFINITIVAMENTE marcado: é o colorido, o calor, o Sol que é diferente, o mar, as gentes. Apaixonamo-nos para a vida. Depois à noite, além de quente, é um estrelário faíscante. E muitos afectos.

Não sei bem o que fazer
Nem sei como te dizer
Cada vez que me chegas me sinto mais longe de ti
Teu pudor foi transmitido
E será neutralizado
Teu pudor foi transmitido

Não importa o quanto faça
Pouco importa a cor do ouro
Na corrida ao teu afeto
A medalha sempre é bronze
Sou órfã da tua ternura

Muito me salta à vista
Quando chegas reta e firme
Que pouco posso fazer para te fazer mudar?
Teu pudor foi transmitido
E será neutralizado
Teu pudor foi transmitido

Se soubesses abraçar
De vez em quando beijar
E aos recantos imperfeitos
Com menos rigor apontar
Quem seria eu?
Sou órfã da tua ternura

Quando estamos tu e eu
E ao meu lado adormeces
Um oceano nos separa
Mas tu não sabes de nada
A canção que se repete
A tristeza que me cala

O amor foi recebido
Apesar do que tu calas
O amor foi recebido
Apesar do que tu calas

terça-feira, 16 de março de 2021

Documentário: Ocupação, SA- legendado em Português



Uma história de traição, roubo e resistência. É assim que a jornalista brasileira Laura Daudén, argumentista e uma das realizadoras do documentário Ocupação S.A, se refere ao Sahara Ocidental.

O território, no Norte da África, é a última colónia africana, segundo o Comité Especial de Descolonização das Nações Unidas. Depois de quase cem anos de dominação espanhola, desde 1976 a luta é contra uma ocupação ilegal protagonizada pelo país vizinho, o Reino de Marrocos.

Gravado no segundo semestre de 2020 e lançado em dezembro, o filme de Daudén e Sebastián Ruiz Cabrera explica em detalhe como as riquezas do Sahara Ocidental têm vindo a ser roubadas, sob o patrocínio de empresas multinacionais – que financiam a ocupação ilegal e beneficiam dela.

Muitas dessas empresas estão sediadas na Espanha, onde vive Daudén. A partir de sua casa, ela concedeu esta entrevista ao Brasil de Fato e ressaltou a relevância do tema.

Traição
A jornalista brasileira afirma que, para compreender a luta dos saaráuis – povo do Sahara Ocidental –, é preciso recordar o papel da Espanha durante e após a colonização.

“Primeiro, essa é uma história de traição, em que uma ex-metrópole entrega a sua colónia para outros dois países [Marrocos e Mauritânia] de maneira absolutamente ilegal e à revelia dos direitos humanos”, lembra.

Quando deixou de ser metrópole, a Espanha comprometeu-se com o processo de auto-determinação dos saaráuis, que se deveria concretizar com um plebiscito mediado pelas Nações Unidas. Até hoje, esse plebiscito nunca ocorreu, e as empresas espanholas continuam a tirar proveito das riquezas do Sahara.

Roubo
Com uma população de aproximadamente 650 mil pessoas, o Sahara Ocidental é rico em fosfato e possui uma das zonas de pesca mais abundantes do planeta. Mas o espólio não se limita a esses recursos: até a areia da praia de Mogán, nas Ilhas Canárias, na Espanha, foi roubada do Sahara.

“Hoje, o que se vê é uma proliferação de empresas internacionais, espanholas, europeias, americanas, de todas as partes”, diz Daudén. “Então, o poder económico capitalista faz as vezes de diplomacia e serve como reforço dessa ocupação", aponta.

Para além dos recursos extraídos sem qualquer compensação, o filme chama atenção para os investimentos internacionais na área ocupada ilegalmente.

A aliança entre o setor privado e o setor público espanhóis, como forma de driblar bloqueios e restrições, fica clara ao longo dos 40 minutos de Ocupação S.A. “A gente imaginava que encontraria esses laços [na produção do filme], mas não em tal nível”, admite a jornalista.

Daudén traça um paralelo “absurdo” com a realidade brasileira, para demonstrar o que está em jogo para os saaráuis.

“É como se o Brasil invadisse e roubasse parte do território argentino, e de repente começasse a colocar fábricas ali, a tirar o que está debaixo da terra, sem nenhum tipo de compensação”, ilustra.

“Não há nada na história, em documentos, decisões internacionais, que permita a Marrocos utilizar desses recursos naturais. É uma ocupação absolutamente ilegal. Todas as decisões do Tribunal de Justiça da União Europeia reafirmam que o Sahara Ocidental não faz parte do Marrocos e qualquer atividade de exploração económica atropela o direito internacional”, completa a jornalista.

Depois de reunir as informações, a produção do filme entrou em contacto com as empresas que financiam a ocupação ilegal e se beneficiam dos recursos roubados. Daudén aponta que houve dois tipos de respostas.

“Certas empresas falavam que não tinham negócios no Sahara Ocidental. Foi o caso, por exemplo, do fundo Alantra, que é dono da Unión Martín, uma das empresas que rouba peixe”, descreve. “Ou seja, o capitalismo está tão verticalizado, com todo o processo de fusões e aquisições, que eles não tinham ideia do que estávamos a dizer”.

“Por outro lado, tínhamos empresas mais preparadas”, acrescenta a jornalista. “Foi o caso da Siemens Gamesa e da Cepsa, que dizem ‘estamos lá, sim, e não há problema’.”

Resistência
Desde 1973, a resistência saaráui é protagonizada pelo movimento de libertação Frente Polisário.

Após 29 anos de cessar-fogo com Marrocos, o movimento declarou o recomeço da guerra em novembro de 2020, após ataques a civis saaráuis que protestavam pacificamente em uma área conhecida como Gurguerat – uma fenda no deserto por onde passam os recursos roubados.

“É impressionante como eles conseguem tornar a esperança um verbo, como disse o Paulo Freire”, enaltece Daudén.

“Depois de tantos anos, eles conseguirem manter um movimento unido, forte, e uma organização coerente com a Constituição da República Árabe Saaráui Democrática até hoje, na região mais inóspita do deserto da Sahara, é um dos exemplos mais notáveis de luta e construção política que eu conheci”, finaliza.

terça-feira, 1 de maio de 2018

The Sisters of Mercy - Some Kind of Stranger


Melhor som aqui
Letra
And yes I believe in what we had 
But words got in the way 
And only yesterday as I was leaving 
Lord knows I've tried to say but 
I've heard a million conversations 
Going where they've been before 
Seen the way that careful lingers 
Undecided at the door 

And all I know for sure 
All I know for real Is knowing doesn't mean so much 
When placed against the feeling 
The heat inside 
When bodies meet 
When fingers touch 

All my words are second-hand and 
Useless in the face of this 
Rationale and rhyme and reason 
Pale beside a single kiss 
And I've heard so many things 
I fail to understand at all I'd settle anytime for 
Unknown footsteps in the hall outside 

And all I know for sure 
All I know for real Is knowing doesn't mean so much 
When placed against the feeling 
The heat inside 
When bodies meet 
When fingers touch 
Because the world is cruel 
And promises are broken 
Don't try to tell me anything 
Don't try to tell me 
You'll be true to me you know 
The real truth is never spoken 

And I know the world is cold 
But if you hold on tight to what you find 
You might not mind too much though 
Even this must pass away 

And memories may last for years 
But names are just for souvenirs 
Some kind of angel 
Let me look into your eyes 

Don't give me whys and wherefores 
Reason or surprise 
I don't care for words that don't belong 

And I don't care what you're called 
Tell me later if at all I can wait a long long time 
Before I hear another love song 

Come here I think you're beautiful 
My door is open wide 
Some kind of angel come inside 

Come here I think you're beautiful 
I think you're beautiful beautiful 
Some kind of angel come inside  [4X]

Significado da canção
"Some Kind of Stranger" é a faixa que encerra de forma épica e melancólica o álbum de estreia dos The Sisters of Mercy, First and Last and Always (1985). Escrita pelo vocalista Andrew Eldritch e pelo guitarrista Gary Marx, a canção carrega uma atmosfera fúnebre, lenta e profundamente introspectiva, cujo significado central gira em torno do vazio emocional, da falência da comunicação e da busca por um refúgio temporário na intimidade com desconhecidos.

A música abre com um desabafo sobre o desgaste de um relacionamento de longo prazo, quando Eldritch canta que acredita no que eles tinham, mas que as palavras se atravessaram no caminho. O vocalista expressa um cansaço profundo em relação ao diálogo e às convenções sociais das relações, argumentando que ouviu um milhão de conversas que iam dar exatamente ao mesmo sítio. Existe aqui um forte sentimento de desilusão, onde as promessas são feitas para serem quebradas e a linguagem perdeu totalmente o poder de conectar as pessoas de verdade, deixando claro que, para o narrador, a verdade real nunca é dita.

Diante da frieza do mundo exterior e do fracasso das suas relações afetivas, o eu lírico clama por uma presença que não exija bagagem emocional, nomes ou promessas futuras, implorando para que algum tipo de anjo ou algum tipo de estranho entre na sua vida. Ele escancara as portas da sua intimidade e assume que não se importa com o nome da outra pessoa, sugerindo que lho diga mais tarde, se é que o fará. Neste contexto, o encontro passageiro com alguém desconhecido deixa de ser apenas uma futilidade e passa a ser uma busca desesperada por calor humano puramente físico e instintivo, livre das amarras, das expectativas e das mentiras do convívio quotidiano.

O significado da música ganha camadas ainda mais melancólicas quando olhamos para o que acontecia nos bastidores da banda em 1985. Andrew Eldritch estava a passar pelo término de um namoro de longa data durante as gravações e o clima interno nos The Sisters of Mercy estava insustentável. Gary Marx, o coautor da faixa, já tinha decidido que deixaria o grupo assim que o álbum ficasse pronto. Mais tarde, o próprio guitarrista comentou em entrevistas que versos que falam sobre ver a forma como o cuidado hesita, indeciso à porta, pareciam referências diretas às tensões e à indecisão dos membros da banda, que sabiam que o fim daquela formação estava anunciado.

Resumindo, "Some Kind of Stranger" é o retrato de um isolamento niilista e a trilha sonora de alguém que, exausto de tentar fazer-se entender através de palavras inúteis e cansado de promessas vazias, decide abrir a porta à noite e aceitar qualquer conexão efémera e sem nome, contanto que ela afaste a solidão por algumas horas.

Sobre o filme
"Only Lovers Left Alive", "Só os amantes sobrevivem" (2013) realizado por Jim Jarmusch, afasta-se por completo do típico filme de terror ou de ação com vampiros, revelando-se uma obra poética, melancólica e profundamente focada na atmosfera, na arte e na música. A história acompanha dois vampiros eruditos e apaixonados que estão juntos há séculos. Adam, interpretado por Tom Hiddleston, é um músico de rock underground que vive isolado numa Detroit decadente e deserta. Ele sofre de uma depressão profunda causada pelo rumo que a humanidade tomou, a quem chama "zombies", sentindo-se desiludido com a falta de criatividade e o declínio do mundo moderno. Do outro lado do mundo, em Tânger, Marrocos, vive a sua alma gémea, Eve, interpretada por Tilda Swinton, uma mulher luminosa e apaixonada pela literatura. Ao perceber que Adam está prestes a desistir da própria existência, Eve viaja até Detroit para se reajuntar a ele. Em vez de caçarem humanos, os dois conseguem sangue limpo e de qualidade em hospitais através de subornos, tratando o sangue quase como um vinho raro ou uma droga fina. O ritmo calmo da sua rotina é quebrado com a chegada inesperada da irmã mais nova de Eve, Ava, uma vampira jovem, impulsiva e irresponsável que não partilha do mesmo autocontrolo do casal, provocando o caos na vida pacífica que eles tentavam manter. No fundo, o filme usa a imortalidade dos vampiros como uma metáfora sobre o peso do tempo, a preservação da arte e da ciência, e como o amor é a única coisa capaz de nos salvar da decadência do mundo.