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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Sobreturismo nas montanhas: o impacto ambiental que ninguém quer ver


A pressão humana sobre as montanhas está a atingir um ponto de rutura irreversível. Um mega-estudo que analisou quase 50 anos de investigação científica global sobre o turismo de montanha  ("Environmental and Economic Impacts of Mountain Tourism: A Critical Review") revela que, a partir de 2019, o alerta disparou: a urgência climática e o fenómeno do overtourism (sobreturismo) estão a sufocar os ecossistemas de altitude.

Para percebermos a gravidade real deste cenário, a ciência aponta para quatro grandes problemas silenciosos que estão a acontecer agora mesmo

1. Microplásticos no topo do mundo: o estudo do Everest
No que toca à poluição por plásticos, o estudo mais emblemático e surpreendente é o "Mount Everest's microplastics", publicado em 2020 na prestigiada revista One Earth pela investigadora Imogen Napper e a sua equipa. Os cientistas analisaram amostras de neve e de água de ribeiros recolhidas em vários pontos da montanha, incluindo no "Balcony" a 8.440 metros de altitude - praticamente no topo do monte Everest.
Os resultados foram alarmantes: encontraram microplásticos em absolutamente todas as amostras de neve analisadas. A análise laboratorial revelou que a esmagadora maioria destas partículas eram fibras de poliéster, acrílico, nylon e polipropileno. A conclusão dos investigadores é direta: a fonte desta poluição não é o lixo trazido pelo vento de cidades distantes, mas sim o próprio vestuário técnico de alta performance, as cordas e as tendas utilizadas pelos montanhistas de elite durante a sua subida.

2. O colapso da gestão de resíduos no Himalaia
Para compreender o impacto sistémico do lixo físico e da falta de infraestruturas em áreas remotas, o artigo de referência é o "Contemporary environmental issues in Sagarmatha (Everest) National Park", publicado pelo geógrafo Alton C. Byers na revista Mountain Research and Development.
Este estudo clássico mapeou no terreno como o crescimento descontrolado do turismo de aventura nas últimas décadas colapsou por completo a capacidade de carga da região. Byers documentou a proliferação de lixeiras informais a céu aberto ao longo dos trilhos de aproximação, onde toneladas de plástico, metal e dejetos humanos são depositados sem qualquer tratamento, contaminando diretamente os lençóis freáticos e os ribeiros que abastecem as populações locais que vivem no sopé das montanhas.

3. O impacto silencioso sobre a fauna selvagem
No que diz respeito à perturbação da vida selvagem, destaca-se uma enorme meta-análise publicada na revista PLOS ONE por Courtney L. Larson e os seus colaboradores, intitulada "Effects of recreation on animals in protected areas". Os investigadores analisaram sistematicamente 274 estudos científicos independentes para perceber como as atividades de lazer afetam os animais.
A grande conclusão é que mesmo atividades consideradas de "baixo impacto", como uma simples caminhada (hiking) ou corrida em trilhos de montanha, desencadeiam respostas fisiológicas de stress muito fortes na fauna local. A presença humana constante força os animais a abandonar áreas ricas em alimento, altera os seus padrões de sono e de caça e reduz significativamente as suas taxas de sucesso reprodutivo, empurrando espécies já ameaçadas para altitudes ainda mais extremas e inóspitas.

4. A destruição invisível do solo e da flora alpina
Por fim, para entender a degradação física dos trilhos, os investigadores Jeff Marion e Yu-Fai Leung publicaram o artigo "Trail environments and visitor impacts" no Journal of Environmental Management. Os autores explicam a mecânica por trás do pisoteio turístico.
As plantas que crescem em ambientes alpinos enfrentam condições meteorológicas extremas e, por isso, têm um crescimento incrivelmente lento - algumas demoram décadas a crescer escassos centímetros. O estudo demonstra que bastam algumas dezenas de passagens de caminhantes fora dos trilhos oficiais para compactar o solo de forma irreversível. Esta compactação impede que as sementes germinem, bloqueia a infiltração da água da chuva e destrói a microflora do solo. Sem vegetação para segurar a terra, a chuva e o vento iniciam um processo rápido de erosão que rasga a montanha e pode provocar derrocadas de terra severas.

Conclusão
Anda-se a querer matar aquilo que pode ser realmente a galinha dos ovos de ouro do futuro, apenas porque pensam unicamente no imediato, do que acham que agrada o povo, sobretudo o povo eleitor, que acreditando que este tipo de turismo vai dar dinheiro aos montes e toda a vida, apoiam iniciativas e ideias que lhes são vendidas como garantia de futuro.
Também é possível trazer mais valias para o território sem estragar e comprometer o futuro, tem é que se fazer como deve ser feito, com sustentabilidade, com visão e não da maneira mais fácil porque, assim, acabarão por matar a galinha. Muitos países já estão a pagar muito caro e nós continuamos a não aprender com os erros dos outros.
Na Tailândia fecharam das praias mais conhecidas, na Islândia reduziram o número de turistas e proibiram o acesso a uma série de locais, em alguns países, como aqui ao lado em Espanha, em algumas zonas naturais e protegidas, as visitas são condicionadas apenas em determinados dias da semana e quando entrara o número de pessoas autorizado fecham o acesso nesse dia
Na Costa Rica visitas em áreas protegidas só com guias autorizados e com limite diário, nos Estados Unidos, Nova Zelândia e Austrália, nos principais Parques Naturais é necessária reserva antecipada para visitas e têm que ser acompanhadas por guias. E há muitos mais exemplos, mas muitos mais.
E em todas estas áreas protegidas vive gente. Gente que precisa dos turistas e vivem do turismo, o que demonstra que não é preciso estragar e destruir para se ganhar com o turismo de natureza.
Por cá, neste país, quer-se viver um ano inteiro do que se trabalha em 4 ou 5 meses. No turismo de natureza sustentável tem que se trabalhar todo ano.
Mas esses estrangeiros devem ser burros, não percebem nada disto. Nós é que somos as sumidades, nós é que somos o exemplo.
Aqui cada vez se abre mais, cada vez se quer mais confusão, mais lixo, cada vez se levantam mais restrições. Vende-se ao povo a ideia que viver numa área protegida é uma desgraça que só é minimizada se massificarmos. Mesmo sabendo que estão a mentir ao povo. O imediato, o agora, é que conta para quem convence o povo desta forma.

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domingo, 28 de junho de 2026

'Fracking', a técnica que mudou o panorama energético mundial

Chega a casa e acende as luzes. Em seguida, toma um banho de água quente e, quando termina, prepara o jantar. Hoje é frango grelhado com ervilhas salteadas. Esta poderia ser a sua rotina, tal como a de milhões de pessoas em todo o mundo que têm acesso ao gás nas suas casas. E é que este abastecimento tornou-se um dos pilares invisíveis da vida quotidiana moderna. Pelo menos em Portugal, está por trás de quase tudo o que fazemos. Tanto é assim que é mais comum questionarmo-nos sobre o seu preço do que sobre a sua origem.

Esta última questão não condiciona nem perturba o nosso quotidiano, mas também nos deveria interessar: de onde vem esse gás que sustenta as tarefas básicas do nosso lar? No caso nacional, provém de outros países, seja através de gasodutos ou sob a forma de gás natural liquefeito transportado a bordo de grandes navios metaneiros. E é aí que surge um termo que continua a gerar controvérsias entre o sector energético e o meio ambiente: o fracking (fracturação hidroeléctrica).

Como é realizado o fracking?
Os dados mais recentes revelam que uma parte significativa do gás natural consumido em Portugal é importada de países onde a exploração de hidrocarbonetos não convencionais, incluindo o fracking, tem um peso relevante. Por outras palavras, embora Portugal não explore gás natural através de fracking no seu território, parte do gás que consome é proveniente de países onde essa técnica é amplamente utilizada, nomeadamente dos Estados Unidos. Em 2024, por exemplo, cerca de 40% do gás natural liquefeito (GNL) importado pelo nosso país teve origem no país actualmente governado por Donald Trump.

Integrado no mercado internacional, este método de extracção permite aumentar a disponibilidade energética e, consequentemente, reduzir os preços. Um benefício tão relevante quanto superficial, que ignora as graves consequências desta técnica industrial para o ambiente, a saúde pública e a biodiversidade dos territórios onde é aplicada.

Não é de admirar que os Estados Unidos sejam, de longe, o país que mais utiliza esta técnica: foi lá que foi concebida, pelas mãos do multimilionário texano George Mitchell e do engenheiro Nick Steinsberger. No final do século XX, ambos descobriram que era possível libertar grandes quantidades de gás e petróleo retidos em rochas muito compactas, combinando duas inovações fundamentais: a perfuração horizontal e a injecção de fluidos a pressão muito elevada.

A fracturação hidráulica consegue atingir camadas profundas de xisto, para depois injectar no solo uma mistura de água, areia e aditivos químicos que fracturam a rocha: daí o seu nome. A areia mantém abertas essas microfracturas, permitindo que o gás ou o petróleo fluam para a superfície para serem recolhidos.

Por que gera tanta controvérsia o fracking?
Não são poucas as organizações científicas e ambientais que estudaram exaustivamente os efeitos do fracking nos ecossistemas. E é que, devido ao seu sucesso retumbante em termos económicos e geopolíticos na América do Norte, outros países com grandes reservas de combustíveis fósseis despertaram interesse por esta técnica: no mesmo continente, destaca-se o caso de Vaca Muerta, em Neuquén (Argentina), um jazigo que se tornou um dos maiores centros de exploração de hidrocarbonetos não convencionais do mundo.

O mesmo não acontece na Colômbia, onde a técnica ainda não foi regulamentada, embora o último governo se tenha posicionado abertamente contra a sua aplicação. O fracking, de facto, tem sido protagonista nos debates da campanha presidencial colombiana de 2026, e não é de admirar: num dos países com maior biodiversidade do mundo, a fracturação hidráulica pode colocar em risco ecossistemas de altíssimo valor ambiental, fontes de água doce e territórios habitados por comunidades rurais e indígenas.

É o que demonstram as evidências científicas: de acordo com um relatório da Agência de Protecção Ambiental dos Estados Unidos, o fracking pode fazer com que fluidos se infiltrem nas águas subterrâneas, causando poluição na água. Além disso, tal como explica a especialista Sandra Steingraber à National Geographic, em algumas zonas próximas de jazidas, a fracturação "é a principal fonte de smog". E não é só isso: pode até provocar terramotos em regiões onde antes quase não se registavam movimentos sísmicos.

Tudo isto, sem esquecer o impacto desta indústria na saúde das pessoas: os estudos realizados até à data sugerem que os bebés nascidos perto de poços de fracking podem apresentar uma maior incidência de baixo peso à nascença, parto prematuro ou anomalias congénitas. Além disso, os cidadãos idosos podem correr um risco maior de morte prematura.

Em relação a estas investigações, todas realizadas em zonas petrolíferas dos Estados Unidos, Steingraber salientou: "Isto é uma crise de saúde pública". Mas nada parece travar os países que impulsionaram a sua economia através desta estratégia. E enquanto o mercado internacional continua a crescer e a procura de gás se mantém em alta, os alertas científicos parecem ficar relegados para segundo plano.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Painéis solares em turfeiras podem ser uma dupla vantagem para o clima e para a natureza

Investigadores na Alemanha descobriram que a instalação de painéis solares em turfeiras novamente alagadas proporciona um habitat único para espécies de aves, além de gerar energia verde e, potencialmente, reter carbono.

A instalação de painéis solares em turfeiras novamente alagadas (rewetted) representa um novo tipo de uso da terra, oferecendo uma forma de gerar energia verde e de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. Agora, uma investigação da Universidade de Greifswald descobriu que este uso inovador do solo também pode beneficiar a natureza.

No estudo, publicado na revista Ecological Solutions and Evidence, os investigadores compararam a diversidade de aves num parque solar situado numa turfeira novamente alagada no norte da Alemanha. O local estava rodeado por turfeiras drenadas e exploradas de forma agrícola intensiva.

Os autores descobriram que o parque solar servia de habitat para várias espécies de aves ameaçadas e apresentava uma mistura invulgar de espécies associadas a ecossistemas agrícolas, zonas húmidas e até zonas florestais.

Hanna Rae Martens, ecologista de turfeiras na Universidade de Greifswald e autora principal do estudo, afirmou:

"A presença de espécies de zonas húmidas, como a escrevedeira-dos-caniços e o ameaçado petinha-dos-prados, mostra que o parque solar está realmente alagado e que as espécies típicas de turfeiras estão a regressar."

"No entanto, também registámos espécies como o pardal-montez e o petinha-das-árvores, que normalmente não se encontram em turfeiras. Todas parecem utilizar a estrutura dos painéis solares. Quando estou no terreno, vejo muitos petinhas-dos-prados pousados nos painéis, que voam para apanhar insetos e depois regressam ao seu poiso."

Cerca de 80% das turfeiras no Reino Unido estão degradadas. Na Alemanha, este número é ainda mais elevado, atingindo os 95%, devido principalmente à drenagem e à utilização agrícola. A nível global, as turfeiras drenadas são responsáveis por 5% das emissões de gases com efeito de estufa.

O alagamento de turfeiras drenadas poderia reduzir drasticamente estas emissões e restaurar a biodiversidade, mas existem dois problemas fundamentais. O primeiro é que, uma vez alagadas, a maioria das culturas agrícolas comuns já não pode ser produzida nestes terrenos. O segundo é que a restauração de turfeiras profundamente degradadas até um estado saudável e funcional pode demorar várias décadas.

O local do estudo é um dos primeiros a instalar painéis solares em turfeiras novamente alagadas. Ao abrigo de um programa do governo alemão, os proprietários de terras recebem incentivos financeiros para instalar painéis solares e alagar o terreno, proporcionando-lhes uma fonte alternativa de rendimento. As conclusões do estudo sugerem que, pelo menos a curto prazo, esta medida poderá também estar a impulsionar a biodiversidade.

"Nos casos em que a alternativa seria uma turfeira drenada e gerida de forma intensiva, a nossa investigação demonstra que os painéis solares em turfeiras novamente alagadas podem beneficiar a diversidade de aves", afirmou Hanna Rae Martens. "Mas não estamos a sugerir que se transformem todas as turfeiras da Alemanha, do Reino Unido ou de qualquer outro país em parques solares. As turfeiras saudáveis ou aquelas que têm um elevado potencial de restauração devem ser evitadas. Os parques solares são apenas mais uma ferramenta possível para apoiar o alagamento das turfeiras."

No estudo, que decorreu entre março e outubro de 2024, os investigadores utilizaram gravadores de áudio e inteligência artificial (machine learning) para comparar a diversidade de aves num parque solar em turfeira alagada com a de turfeiras drenadas vizinhas, utilizadas para a produção de pasto para gado.

Os investigadores alertam, contudo, que o seu estudo representa apenas um caso prático deste novo tipo de uso da terra. Hanna Rae Martens referiu:

"Até à data, existem cerca de cinco parques solares instalados em turfeiras novamente alagadas. São necessárias mais investigações para tirar conclusões sólidas sobre se estes resultados se repetem noutros locais e quais os fatores que contribuem para a composição das espécies."

Os investigadores pretendem agora expandir o seu estudo a mais locais, monitorizar outras espécies — como morcegos e insetos — e identificar quais os elementos das estruturas dos parques solares que podem ser otimizados para favorecer a biodiversidade.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Como os nossos sistemas de água passaram da crise ao colapso


O artigo de Tim Smedley, publicado no portal The New Climate, apresenta uma perspetiva alarmante sobre a transição de uma crise hídrica passível de gestão para um verdadeiro colapso sistémico. O autor argumenta que a humanidade ultrapassou o conceito de "escassez" — que implica uma falta temporária — para entrar num estado de "falência hídrica", onde consumimos o capital natural de água doce muito mais depressa do que a natureza o consegue repor. Smedley explica que o ciclo hidrológico global foi quebrado pela intervenção humana, através da desflorestação, da urbanização excessiva e da destruição de ecossistemas como as zonas húmidas, que funcionavam como "esponjas" naturais. Sem estes filtros e reservatórios biológicos, a água da chuva deixa de se infiltrar no solo para recarregar os aquíferos, resultando em cheias destrutivas seguidas de secas extremas, um fenómeno que ele apelida de "chicote climático".

O texto sublinha que as nossas infraestruturas de engenharia tradicionais, como barragens e canalizações de betão, foram concebidas para um clima estável que já não existe, tornando-as rígidas e incapazes de lidar com a nova volatilidade atmosférica. Para além do volume físico da água, o autor alerta para a "água virtual" — a enorme quantidade de recursos hídricos invisíveis que são exportados por regiões secas sob a forma de produtos agrícolas e industriais, como amêndoas, carne ou têxteis, acelerando o colapso local em benefício do mercado global. Smedley aponta também a poluição por químicos persistentes, como os PFAS, que degrada a qualidade da água restante, tornando a sua recuperação financeiramente inviável para muitas comunidades.

Para evitar o abismo total, o autor defende uma mudança radical de paradigma que ele detalha na sua obra "The Last Drop". Esta mudança envolve a adoção de Soluções Baseadas na Natureza (como as promovidas pela IUCN, o restauro de rios e a implementação de uma "transparência radical" no uso da água. O texto baseia-se em dados de organismos como a UN-Water e nos estudos de Johan Rockström sobre os Limites Planetários, concluindo que a solução não reside em dominar a natureza com mais cimento, mas sim em aprender a viver dentro dos limites biológicos do planeta, restaurando a capacidade da própria Terra de gerir e armazenar a água de forma cíclica e sustentável.

Saber mais:

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Satélites revelam que o sul da Europa está a ficar sem água. E nós somos o sul


Durante anos, a seca foi uma imagem associada a outros continentes. Agora, os mapas gravíticos que “pesam” a água do subsolo mostram uma mancha em aceleração sobre o sul e o centro da Europa. Em duas décadas de medições, os cientistas vêem aquíferos em queda de Espanha à Roménia e avisam que o que falta debaixo dos nossos pés pode transformar-se depressa em problema à superfície: nas torneiras, nos campos e nas prateleiras dos supermercados

Vastas reservas de água doce na Europa estão a encolher, sobretudo no sul e no centro do continente, com efeitos anunciados para a agricultura, os ecossistemas e o abastecimento urbano.

A conclusão resulta de uma análise a dados de satélite entre 2002 e 2024, conduzida por investigadores da University College London (UCL) em colaboração com a organização Watershed Investigations e o jornal britânico The Guardian, que desenha um mapa em contraste: o norte e o noroeste da Europa, incluindo partes do Reino Unido e de Portugal, aparecem mais húmidos, enquanto grandes áreas do sul e do sudeste, da Península Ibérica à Roménia e à Ucrânia, surgem cada vez mais secas.

Para chegar a estas tendências, a equipa recorreu a satélites que medem variações no campo gravitacional da Terra e permitem “pesar” quanta água está armazenada em aquíferos, rios, lagos, solos e glaciares, já que a massa da água altera o sinal.

Quando cruzaram esses registos com bases de dados climáticos, as curvas bateram certo. “A quebra do clima” está escrita ali, no subsolo, resume Mohammad Shamsudduha, professor de crise hídrica e redução de risco na UCL, citado pelo The Guardian. Shamsudduha lembra que já não se discute realisticamente limitar o aquecimento global a 1,5 °C e que o mundo caminha para mais 2 °C face à era pré-industrial, "com consequências já visíveis".

Uma análise específica à água subterrânea mostrou um desenho muito parecido ao da água total em terra, o que confirma que até as reservas consideradas mais resilientes estão a ser esvaziadas. No Reino Unido, nota este académico, o sinal é cada vez mais claro: o Oeste fica mais húmido, o Leste mais seco, com chuva total estável ou ligeiramente crescente, mas concentrada em aguaceiros intensos e verões com períodos longos sem precipitação, o que favorece cheias repentinas e menos recarga dos aquíferos.

Estratégia de resiliência hídrica
Do lado das pressões humanas, os dados da Agência Europeia do Ambiente indicam que, entre 2000 e 2022, o volume total de água captada de origens superficiais e subterrâneas na União Europeia desceu, mas as captações de água subterrânea subiram 6 %, puxadas pelo abastecimento público e pela agricultura. Em 2022, os aquíferos garantiam 62 % da água que chega às torneiras e um terço da procura agrícola nos Estados-membros.

Bruxelas responde com uma “estratégia de resiliência hídrica” que quer adaptar a gestão à nova climatologia, construir uma “economia inteligente em água” e melhorar a eficiência em pelo menos 10 % até 2030, com prioridade a reduzir perdas numa rede onde as fugas variam entre 8 % e 57 %.

É nesse contexto que vozes como a da hidróloga Hannah Cloke, da Universidade de Reading, também citada pelo jornal The Guardian, descrevem como “angustiante” ver confirmada estatisticamente a perda de água subterrânea num país, a Inglaterra, que tem atravessado grandes secas e avisos de chuva abaixo da média.

A Agência Europeia do Ambiente já pediu à Inglaterra que se prepare para a possibilidade de a seca se prolongar até 2026, e o Governo britânico anuncia nove novos reservatórios para reforçar a resiliência, mas Cloke contrapõe que infra-estruturas que só estarão prontas dentro de décadas não resolvem o problema imediato e defende mais reutilização, menos consumo, separação clara entre água potável e água reciclada e soluções baseadas na natureza para desenhar cidades e novas urbanizações.
“As alterações climáticas são reais, estão a acontecer e estão a afectar-nos”

Os investigadores avisam que o padrão de secagem observado em muitas regiões europeias terá impactos “de longo alcance” sobre a segurança alimentar, a actividade agrícola e os ecossistemas dependentes de água, em especial os habitats alimentados por aquíferos.

A redução das reservas em Espanha, exemplifica Mohammad Shamsudduha, pode sentir-se directamente num Reino Unido que depende fortemente de frutas e legumes importados daquele país e de outros parceiros europeus. E lembra que o que agora se vê no mapa europeu é uma versão próxima de fenómenos há muito descritos no Sul global, do sul da Ásia a partes de África e do Médio Oriente.

Secas prolongadas e aquíferos em queda estendem-se hoje também pelo Médio Oriente, Ásia, América do Sul, costa oeste dos EUA, Canadá e regiões frias como a Gronelândia, a Islândia e Svalbard. No Irão, Teerão aproxima-se do “dia zero” em que deixará de ter água canalizada, o Governo prepara racionamentos e o Presidente, Masoud Pezeshkian, já admitiu que a capital poderá ter de ser evacuada se essas medidas falharem.

Perante este quadro, Shamsudduha insiste na mesma ideia: é preciso aceitar “que as alterações climáticas são reais, estão a acontecer e estão a afectar-nos” e usar isso como ponto de partida para uma outra forma de gerir a água, abrindo espaço a soluções que ainda soam pouco convencionais, como a captação generalizada de água da chuva em países como o Reino Unido.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Global groundwater levels declining rapidly, but they can recover



The research, published in Nature, analysed measurements taken over the last two decades from 170,000 wells in 1,693 aquifer systems across more than 40 countries. The team found that groundwater levels are declining by more than 10 cm per year in 36% of the monitored aquifer systems and are rapidly declining by more than 50 cm per year in 12% of them, with the most severe declines under cultivated lands in dry climates.

Groundwater supplies roughly half of the water used for drinking and irrigation worldwide and sustains rivers and streams in the absence of rainfall. Depleted aquifers cause land subsidence which can damage infrastructure. In coastal environments, this depletion can induce seawater to intrude and contaminate freshwater wells.

Co-author Dr Mohammad Shamsudduha (UCL Institute for Risk & Disaster Reduction) said: “This is the most comprehensive analysis of global groundwater levels published to date. Unlike satellite observations that make coarse approximations of groundwater storage changes over areas the size of the United Kingdom, groundwater levels from monitoring wells provide a direct measure of groundwater resources at the scale at which groundwater is used.”

In addition, the researchers found that groundwater-level declines have accelerated over the past four decades in 30% of the world’s regional aquifers.

Co-author Professor Richard Taylor (UCL Geography) said: “This widespread acceleration in groundwater-level declines not only threatens drinking water supplies and global food production but also our use of groundwater to adapt to the amplification of floods and droughts caused by climate change.”

The team also examined examples where depleted groundwater resources recovered following human interventions. In a series of accompanying case studies ranging from Albuquerque, New Mexico to Bangkok, Thailand, the researchers analyse the practical and policy actions taken to replenish groundwater levels. They highlight how interventions including the successful implementation of water conservation policies, water transfers between basins, and the use of surface water and floodwaters, can replenish depleted aquifers.

Lead author, Dr Scott Jasechko of UCSB, said: “This study shows that humans can turn things around with deliberate, concentrated efforts.”

The study focuses on areas where long-term groundwater-level records exist. The 1,693 monitored aquifer systems examined in this study account for about 75% of all groundwater withdrawals worldwide. However, in some regions including tropical Africa and Latin America long-term records are more limited and further work is required to better understand groundwater-level trends in these environments.

This research was supported by the National Science Foundation, the Canadian Institute for Advanced Research, and the Zegar Family Foundation.

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segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Solstício de Inverno 2023 e Inverno Climatológico

O problema de seca na Andaluzia já perdura há mais de dois anos. Aqui uma excelente intervenção Fernando Díaz del Olmo alertando-nos para as consequências de um aumento de 3 ºC.
 

O solstício de Inverno irá ocorrer no próximo dia 22 de Dezembro pelas 3h27 de Lisboa e Londres (ou 4h27 de Madrid). 

Terá então início o Inverno astronómico, já que o Inverno climatológico teve início a 1 de Dezembro. E para já, e tendo em conta as previsões até ao final do mês, a situação não é animadora, quer para a agricultura quer para os cursos de água e ecossistemas, em particular da região Sul de Portugal e de Espanha. 

Dezembro é geralmente o mês mais chuvoso do ano no sudoeste peninsular, mas nos últimos vinte anos a precipitação caiu a pique. Em Faro, por exemplo, a precipitação média de Dezembro ronda os 100 mm, o que corresponde sensivelmente a 20% da média anual. Os últimos três meses do ano, quer no Algarve quer na Andaluzia Ocidental representam no seu conjunto cerca de 50% da média do ano. Isto significa que quando o Outono e o Inverno são secos ou muito secos a recuperação já será altamente improvável. Anos secos são comuns, e costumam ser compensados por anos húmidos. Sucede que desde 2010/2011 há uma sucessão de anos secos ou muito secos em boa parte do sudoeste da Península, associados também a um aumento generalizado das temperaturas. 

Está também demonstrado que o padrão de precipitação mudou: a tendência é para curtos períodos de precipitação intensa alternarem com longos períodos secos, e para a precipitação cair a pique no Inverno e ficar concentrada nas estações de transição, o que causa prejuízos às culturas agrícolas tradicionais e aos ecossistemas mediterrânicos das região. Se se está perante uma alteração temporária ou permanente só os próximos anos ou décadas poderão confirmar. 

Deserto de Tabernas, em Almeria, uma região com menos de 200 mm de precipitação média anual. A sua área sofrerá uma expansão se a tendência actual de queda da precipitação persistir. 

O que poderia suceder na pior das hipóteses? O clima mediterrânico evoluiria para um clima semiárido quente, idêntico ao que ocorre no Levante espanhol, Marrocos ou Síria, com precipitação média anual entre os 250 e os 400 mm em parte do Alentejo e do Algarve, e boa parte da Andaluzia Ocidental e da Estremadura. Nestas regiões o montado desaparecerá, bem como os pinhais de pinheiro-manso, tão comuns nas províncias de Huelva, Sevilha ou Cádis. Dezenas senão mesmo centenas de espécies de plantas ou animais dependerão do auxílio do Homem para sobreviver à extinção.

Na Andaluzia Ocidental a seca, as pragas e a sobrexploração dos aquíferos estão a provocar a morte a milhares de árvores adultas, como sucede nestes pinheiros em Doñana.

A raiz do problema está na alteração da posição do Anticiclone dos Açores e da dorsal anticiclónica africana, que durante o Inverno bloqueiam a passagem de depressões atlânticas, especialmente a Sul de Sintra-Montejunto-Estrela. A precipitação no sudoeste depende muito da instabilidade no Golfo de Cádis. Ora o triângulo com vértices em Gibraltar, Canárias e Açores corresponde a uma região do Atlântico onde na última década a estabilidade anticiclónica tem persistido com enorme intensidade no período invernal, o que provoca a situação de seca crónica que se vive no Algarve, Andaluzia ou boa parte do Alentejo. Aparentemente a atmosfera mudou e não há nada que possamos fazer senão adaptarmo-nos.

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Eu sonho com rios vivos



Eu sonho com rios vivos. Rios livres, onde peixes migram ao ritmo das estações. Rios com plantas de todos os tamanhos, feitios e de imensas cores. Rios com a bela e elegante lontra e com o rechonchudo castor. Os rios em Portugal já não são rios, imaginemos o futuro.

Para restaurar rios, ribeiras e pântanos precisamos do roedor engenheiro, o castor. Ao construírem barragens e canais, este engenhoso animal suaviza os riachos, minimiza os picos de cheia e armazena água, diminuindo o período de seca. Ao transformar um ribeiro monótono numa zona húmida diversa, cria habitat para insectos, anfíbios, aves e mamíferos. Ao aumentar as zonas alagadas, cria corta fogos naturais na paisagem e evita custos na gestão de zonas húmidas. É um animal adaptável, que podia existir desde as terras quentes do Alentejo às zonas frescas e húmidas do Minho.

Os peixes que vivem nos rios são a categoria de animais mais ameaçados de Portugal. O calmo gigante esturjão precisa de rios livres, uma grande variedade de habitats para completar o seu ciclo de vida e um compromisso longo para a conservação e restauro da natureza. Ao recuperar populações de esturjão, muitos outros peixes teriam condições para prosperar, como o salmão que migra entre o rio e o mar, ou o barbo que migra entre ribeiras e riachos, entre outros, como o sável, o saramugo, a boga ou a truta. As migrações de peixes transportam nutrientes ao longo de várias distâncias, dão vida à paisagem com abundâncias sazonais e, restauram dinâmicas antigas.

Entre esta quinta-feira, 19, e sábado, 21 de Maio, acontece a Conferência Europeia de Remoção de Barragens, em Lisboa.

As plantas aquáticas são uma das categorias de flora mais ameaçada do país. Nenúfares brancos e amarelos, ranúnculos com belas flores, trevos de quatro folhas aquáticos, entre muitas outras espécies. Filtram poluição e excesso de nutrientes, são alimento para muitas espécies e espelham a riqueza e diversidade do mundo natural.

A remoção de barreiras grandes e pequenas nos rios e ribeiros restaura funções que o ecossistema precisa para estar em harmonia, ajuda a restabelecer aquíferos, a renovar solos e a restaurar praias e zonas costeiras com novos sedimentos, o que minimiza a erosão e mitiga o efeito do aumento do nível do mar. Por esta razão, a União Europeia lançou o desafio de criar 25 mil quilómetros de rios livres até 2030.

Mas não é só remover barragens (obsoletas e excessivas), não é só reintroduzir o castor, não é só poluir menos, não é só reforçar populações de peixes, não é só diminuir o nosso uso de água, não é só proteger ou reintroduzir uma espécie de planta. São todas as medidas juntas, não há uma solução mágica, há vários passos na direcção certa. O castor cria oportunidades novas para as plantas ameaçadas e cria zonas abrigadas para os peixes se desenvolverem. As plantas aquáticas são uma fonte de alimento para o castor e outros herbívoros, melhoram a qualidade da água, filtrando poluição e excesso de nutrientes, e criam novas oportunidades para a vida selvagem. Peixes dão vida à paisagem. Rios livres dão espaço à natureza.

É preciso repensar a nossa relação com os rios e ribeiros. Se os recursos são finitos, então é preciso partilhar, partilhar recursos entre pessoas, e partilhar entre pessoas e a natureza. Até criar direitos para os rios, linhas de água são uma entidade em si e não apenas um recurso a explorar pelo ser humano.

Eu sonho com rios com lontras e libelinhas, rios que oscilam entre caudais bravos e tempestuosos e caudais calmos e mansos ao sabor das estações, rios onde salmões, trutas e bogas migram, rios com zonas húmidas com árvores centenárias e aves belas, como a cegonha-preta e o pequeno guarda-rios. Rios com castores, esturjões e belos nenúfares.

Eu sonho com rios que dão vida, eu sonho com rios vivos.

Fonte: Público

domingo, 27 de fevereiro de 2022

Biodiversidade da região do Barroso ameaçada

Diversidade do Barroso ameaçada by João Soares on Scribd


Por Ernestino Maravalhas
Powerpoint que integra uma apresentação oral proferida em Coimbra em setembro passado no âmbito do XIX Congresso Ibérico de Entomologia (Maravalhas & Arantes, 2021), onde é aflorado o tema da água no solo.

É sabido que o Barroso (que inclui parte do PNPG), represa muita água, necessária não só à manutenção da biodiversidade e das paisagens, mas igualmente das atividades agrícolas e para consumo humano, mas continuam a teimar em destruir os aquíferos que irão ser importantíssimos no longo termo. Não só para os locais, ou para a região, mas porventura para todo o país.

Este é um dos motivos pelos quais SOU CONTRA A MINERAÇÃO PREVISTA PARA A REGIÃO. E este é igualmente um dos motivos pelos quais deveremos aproveitar todo o represamento de água que existe, incluindo as grandes barragens, que obliteraram a paisagem mas que poderão vir a ser uma parte da solução do problema da água.

A ONU não foi capaz de evitar a guerra na Europa.

Será que a UE vai evitar a guerra pela água em Portugal? Eu não quero tornar-me eurocético, mas não vejo nenhuma ação da UE em favor da preservação da água num país mediterrânico exposto à desertificação.

PS - PF não me falem em dessalinização, por agora ainda não estamos no deserto...

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Um ataque devastador em Doñana

De acordo com o texto a que nós da WWF tivemos acesso , o Grupo Popular do Parlamento Andaluz preparou uma Proposta de Lei que visa anistiar uma área equivalente a 1.460 campos de futebol de cultivos ilegais sob plástico na área de Doñana (mais mais de 85% da área ilegal atual), o que significaria não apenas uma zombaria da sociedade espanhola e das organizações internacionais, mas também um dos maiores ataques ecológicos perpetrados por uma administração na história desta área protegida.

Como nós do WWF denunciamos em inúmeras ocasiões, Doñana foi submetida por décadas a cerco de agricultura intensiva e estufas para produção de morangos e outras frutas vermelhas que ocuparam milhares de hectares sem controle, isolando sua biodiversidade, secando seus córregos e poluindo e superexplorando seus aquíferos diante da passividade e conluio das administrações responsáveis .

Não só denunciamos esta situação, mas também trabalhamos para encontrar soluções que permitissem avançar para a sustentabilidade do setor agrícola em Doñana . Após anos de trabalho de todas as administrações e atores da área, finalmente. Em 2014, o Conselho do Governo da Andaluzia aprovou o Plano Especial Coroa Florestal de Doñana ou "Plano Morango", com o objetivo de reordenar o território regularizando as fazendas consideradas como terras agrícolas irrigáveis ( as que foram irrigadas com antes de 2004 e não converteram florestas áreas para agricultura sem licenças) e a obrigação de eliminar a área irrigada sem licenças que não atendesse aos dois aspectos mencionados.

Em todo este tempo, a Junta de Andaluzia não só não lançou ou executou a maioria das medidas previstas no Plano e não eliminou um único hectare de estufas ilegais, mas agora pretende revoga unilateralmente o Plano da Coroa Florestal , com a modificação de dois aspectos fundamentais: por um lado, propõe a alteração da data de regularização da irrigação das fazendas que estavam irrigadas em 2004 para 2014 , o que ampliaria substancialmente o leque de fazendas à anistia e, por outro lado, inclui aspectos para o não cumprimento da Lei Florestal da Andaluzia que permite a legalização de fazendas que passaram de cultivo florestal para agricultura sem permissão .
Com essas duas importantes mudanças, mais de 85% da área irrigada manifestamente ilegal que ameaça.
 
Doñana seria amnistiada
Especificamente, cerca de 1.460 hectares seriam amnistiados através da aprovação de uma Proposta de Lei sob o nome enganoso de "melhoria da organização das áreas irrigadas no município de Huelva, nos municípios de Almonte, Bonares, Lucena del Puerto, Moguer e Rociana del Condado (Huelva)” que pretende mudar as regras do jogo.

Descrédito internacional
A situação em Doñana é tão crítica que o aquífero foi oficialmente declarado superexplorado pelo Ministério da Transição Ecológica , organizações internacionais como UNESCO, IUCN e Ramsar mantêm Doñana sob estrita vigilância devido ao risco de entrar na lista de Patrimônios Mundiais da A humanidade em perigo e o Tribunal de Justiça Europeu da UE (TJUE) condenou o Estado espanhol em 2021 pela "extração excessiva de águas subterrâneas" na Área Natural de Doñana que violam o direito comunitário ao destruir sua biodiversidade e que têm sua origem no milhares de hectares de morangos e frutas vermelhas que saqueiam seu aquífero.

Perante esta situação, tanto a Junta de Andaluzia como o governo central são obrigados a tomar medidas reais e urgentes sob o risco de sanções significativas para o nosso país e prometeram perante organizações internacionais como a UNESCO que não haveria anistias para agricultores ilegais e o cumprimento integral do "Plano Morango" , pelo que a aprovação da Proposta de Lei do Partido Popular Andaluz significaria um descrédito internacional incalculável para o nosso país e especialmente para o Governo andaluz e os seus supostos esforços para salvar Doñana de secar. Longe de fazer um plano para salvar Doñana com esta Proposta de Lei, iria na direção oposta, abolindo as principais medidas incluídas no Plano.

Ruptura unilateral do consenso em Doñana
A aprovação do "Plano Morango" foi o resultado de anos de trabalho entre todos os setores e administrações afetadas e obteve o consenso e aprovação do Conselho de Participação de Doñana , que é responsável por monitorar o cumprimento do referido Plano em 2014.

A Parte nem o Governo da Andaluzia informaram o Conselho de Participação de Doñana desta Proposta de Lei, que visa impedir qualquer tipo de participação pública e destruir os acordos alcançados por meio de fatos consumados.

Descrédito internacional para morangos de Doñana e concorrência desleal
Os morangos de Doñana e Huelva enfrentam uma concorrência crescente na Europa, com maior oferta, influência de novos países produtores e a crescente procura dos consumidores europeus por garantias de sustentabilidade e legalidade no uso da terra e da água e de não afetar a biodiversidade de Doñana .

Há anos que colaboramos com todos os grandes supermercados europeus que compram morangos da região de Doñana e sempre defendemos perante eles a validade do Plano Forest Crown como enquadramento para a compra de morangos e frutos vermelhos da zona. Os próprios supermercados expressaram publicamente seu apoio ao Plano Forest Crown com cartas enviadas aos governos central e andaluz.

Se a proposta do PP for adiante, o WWF se desvinculará de seu compromisso com o referido Plano e seu zoneamento e informará imediatamente os mercados e consumidores europeus da tramitação deste Projeto de Lei e da quebra de consenso e pela primeira vez exigirá publicamente que estritas medidas de controle sejam tomadas para garantir que os frutos de Huelva não contenham morangos ou frutas vermelhas ilegais desta amnistia.

Além disso, o WWF informará esta grave ameaça a todas as organizações internacionais que garantem a integridade do estado de conservação de Doñana.

Esta amnistia unilateral para uma minoria de imigrantes ilegais, motivada unicamente por razões eleitorais e pela crescente pressão do Ministério Público, representa um duro golpe e uma concorrência desleal para os produtores de Doñana que se esforçam para cumprir a lei e se diferenciar em um mercado europeu cada vez mais saturado e mais exigente, sendo um aspecto totalmente inédito.

Agricultores legais, que fazem seu trabalho corretamente e compraram fazendas irrigadas legais a um preço alto, competirão no mercado com agricultores ilegais que têm sequeiro ou mesmo fazendas florestais que com esta Proposta de Lei de PP os igualariam no mercado, mas com um diferença desproporcional nos custos de produção.

Competição por água
Por último, o WWF recorda que esta Proposta de Lei é produzida a meio do processo de planeamento do terceiro ciclo do Plano Hidrológico (2021-2027) justamente quando terminou o período de consulta pública e que a modificação unilateral do Plano da Coroa Florestal de Doñana , um instrumento básico de planeamento para as administrações responsáveis ​​pela água, terá um impacto imprevisível neste planeamento e nos planos de abastecimento de água superficial à região de Doñana.

Fonte: aqui

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Algarve liofilizado: (não) juntar água e mexer

Apenas a sociedade, como um todo, poderá, se assim o entender, dar-se ao trabalho de pensar responsavelmente a fundo sobre o tema, agir em conformidade e exigir, actuando também, que as coisas mudem profundamente
Fonte: aqui

A liofilização é um processo comummente aplicado a alimentos e que, basicamente, consiste em congelá-los e depois sujeitá-los a um processo que lhes retira a água. Desta forma, obtém-se um estado de conservação que pode durar por décadas.

Pois bem, o Algarve está mais ou menos assim, a puxar para o liofilizado. Só que em mau. Fruto de uma sucessão de anos hidrológicos que deixaram a região em claro défice e stress hídrico, não está conservado, mas antes ressequido que nem uma passa.

Vai daí, a fim de nos hidratar, o Governo rumou ao Sul, através do ministro do Ambiente e da Ministra da Agricultura, trazendo-nos o Plano Regional de Eficiência Hídrica do Algarve (PREHA), qual Moisés descendo a ladeira do Monte Sinai com as Tábuas da Lei. E esta dupla ministerial, revelou-se de uma eficácia quase profética e milagrosa, pois imediatamente após a sua apresentação… choveu!

Quem sabe, sabe, e o resto é conversa.

Mas, pingas à parte, o problema da água no Algarve até já pôs o próprio Presidente da República a dizer que talvez seja o mais importante da região. Curiosamente, disse-o a poucos quilómetros da implantação de mais uns bons e fresquinhos hectares de regadio no sopé do Cerro de S. Miguel…

O plano apresentado parece mais reactivo do que propriamente proactivo. Ou seja, parece desenhar ferramentas para correr melhor atrás do prejuízo, mas não tanto servir para evitar sufocos.

No Algarve, mais do que haver pouca água, existem muitas e justificadas dúvidas quanto ao seu (re)abastecimento. Porque a incerteza na quantidade e distribuição da precipitação – que é o que nos abastece – é o padrão no contexto climático mediterrânico. Junte-se a isso o efeito ampliador do actual ciclo de alterações climáticas, e o problema é mesmo como gerir interrogações.

Quem chega de fora e olha o Algarve, não adivinha tal coisa, pois só vê certezas, com a água que não há, a ser gerida como se tivesse avonde, com uma displicência transversal. Seja em contexto urbano ou na agricultura, o uso que dela fazemos claramente não é pensado para um recurso limitado.

E o PREHA – em justiça, os elementos disponibilizados na apresentação do PREHA – não parece questionar grandemente tal atitude, ao longo dos seus prometidos 228 milhões de euros de investimento.

Cada vez que se nos seca um pouco a boca, os mesmos de sempre lá nos dizem: isto só lá vai com mais uma barragem. O PREHA não deixa de subscrever essa ideia, admitindo novas barragens nas ribeiras da Foupana e de Alportel – nesta última, curiosamente, até já se projecta um empreendimento turístico que, bruxo, antecipa uma localização marginal a um plano de água.

É certo que o plano também propõe uma abordagem às vertentes da eficiência, das perdas, da fiscalização (quem, com que recursos?) e das fontes alternativas de água. Neste último capítulo, diz que se vai dessalinizar água do mar, pescar água ao Guadiana e reaproveitar águas residuais.

Na primeira experiência tardamos em avançar, a segunda é um somatório interminável de “ses” (incluindo um acordo com Espanha para uma “solidariedade hídrica”, algo que temos tido em abundância…) e na terceira, sortudos os que as encontrem disponíveis, e audazes os que assumam o ónus de assegurar a qualidade das águas residuais que o Estado entrega, à luz do labiríntico Decreto-Lei n.º 119/2019!

Mas e porque soa a aposta nas barragens tão desadequada? Se ninguém nega a sua importância enquanto reservas, será então “apenas” pelo facto das barragens serem infra-estruturas pesadíssimas, com elevados custos económicos e ambientais? Ou será porque estão a ser pensadas fora da sua natureza obrigatoriamente estratégica?

Esta dúvida é legítima, principalmente no Algarve, onde apenas uma década após a conclusão da última – e maior – barragem regional, não se resolveu o que se prometia resolver.

O que correu mal, afinal? Talvez a realidade, com o seu impertinente hábito de se impor.

Mas esta pergunta sacrílega está para o pensamento “estratégico” português como a cruz para o Diabo: é de fugir. É por isso que, a cada nova apresentação de estudos, planos e estratégias, nunca se reflecte aprofundadamente sobre o que falhou nos anteriores estudos, planos e estratégias, o que leva a que se repitam erros. Sem que ninguém preste contas. E se há caso em que vale a pena pensar nisso, é este.

O PREHA reconhece, em maiúsculas, negrito e letras garrafais, que o “problema da SECA na região do Algarve não é circunstancial, é ESTRUTURAL”.

As primeiras barragens algarvias – Arade e Bravura – foram construídas na década de 1950. Em 1986, é concluída a barragem de Beliche. Nos anos 90, num curto intervalo, entram em operação as barragens do Funcho e de Odeleite. Há 10 anos, iniciava-se o enchimento da albufeira da barragem de Odelouca, a tal que tem a particularidade de ser a maior na região, e que, alegadamente, resolveria em permanência os problemas hídricos do Algarve.

Em igual período, a precipitação média para o Algarve desceu dos cerca de 650 mm, no período entre os anos 40 e 70 do Séc. XX, para os 570 mm, entre 1986 e 2018 (mesmo com uma média empolada por anos excepcionais como 1989, 1996 e 2010, cada um com valores na casa dos 1000 mm).

Ou seja, tudo indica estarmos numa tendência decrescente no que à chuva diz respeito.

Se chove cada vez menos, é nesse cavalo que apostamos? Ou seria melhor pensar num camelo?

Também em simultâneo, entre a década de 1950 e, grosso modo, os dias de hoje, o consumo de água no Algarve, no mínimo decuplicou. Tal explica-se por um aumento de cerca de 37% da população nesse período, pelo aumento da cobertura dos sistemas de abastecimento e saneamento na região, pelo aumento da pressão turística – incidindo principalmente nos meses de menor precipitação – e pelo forte incremento do regadio, principalmente na agricultura, graças a barragens e também às captações subterrâneas mais profundas, com recurso a bombagem.

Isto vem provar que a região, no que toca à água, como de resto noutras matérias, é pouco dada a fazer mealheiro. Porque a cada novo reforço de armazenamento, a cada nova folga, a região responde com mais e mais consumo.

Vai daí, sempre que aumenta as suas reservas de água (concretamente as superficiais) não é tanto porque queira criar alguma margem de segurança para os apertos que inescapavelmente sabe que vai passar algures no futuro, mas para poder continuar a estoirar água, empurrando com a barriga as preocupações.

No fundo, em vez de ajustar as suas necessidades às disponibilidades, o Algarve tem trilhado um rumo de procura de disponibilidades que cubram as crescentes necessidades que vai criando num contexto de cada vez menos chuva, ou seja, aposta numa jogada a crédito ambiental que tem tudo para correr mal, e cada vez pior.

A propósito, o Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas do Algarve, que versa também sobre esse tema, foi considerado na elaboração do PREHA?

Portanto, não é que ter mais reservas seja mau. Fazer investimentos – que poderiam ser dirigidos para medidas mais eficazes – para ter mais reservas que provavelmente vão ser sempre deficitárias, e que irão servir um modelo de má utilização e desperdício, é que é mau.

E é por isso que este Plano que agora se apresenta, não obstante a generosidade de algumas das suas propostas e a bondade de todas as pessoas que para ele contribuíram, corre o risco de apenas chapinhar na superfície do problema. Enquanto não se atacar a estrutura, não se resolvem os problemas reconhecidamente estruturais.

Mexer na estrutura passa por repensar a fundo muita coisa. Não apenas no consumo humano directo, mas também na perspectiva ecológica da água.

O facto dos aquíferos regionais se encontrarem, em média, com níveis abaixo dos 20%, originando não só escassez, mas degradação qualitativa da água e riscos de intrusão salina em algumas massas de água subterrâneas, é um problema de primeira ordem, pois a salinização de aquíferos e do solo é uma vanguarda da desertificação (e temos exemplos bem próximos).

Talvez fosse tempo de, por exemplo, aplicar o princípio do utilizador/pagador às águas subterrâneas, pelo menos para consumidores de larga escala. Talvez assim o regadio numa zona de escassez/incerteza hídrica deixe de ser tão irresponsável, só para dar um exemplo no sector responsável pela maior parte dos consumos.

Muitos outros poderiam ser dados, naturalmente, em todos os sectores de consumo.

Mas antes disso, e para não se gastar mais latim em vão, há que perceber que a resolução deste problema não virá de um plano. Infelizmente, também já percebemos que não virá dos decisores.

Apenas a sociedade, como um todo, poderá, se assim o entender, dar-se ao trabalho de pensar responsavelmente a fundo sobre o tema, agir em conformidade e exigir, actuando também, que as coisas mudem profundamente.

Ou não. Está nas nossas mãos.

Até lá, é escolher entre as sugestões de uma casta ex-ministra ou de uma optimista deputada, e rezar ou esperar que chova.

 

Autor: Gonçalo Gomes é arquiteto paisagista, presidente da Secção Regional do Algarve da Associação Portuguesa dos Arquitetos Paisagistas (APAP).
(e escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico)


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Descubra o que são estes buracos que os Persas fizeram no meio do deserto

Traçado de um qanat através do deserto. Fonte: Iagua
Quem é que nunca ouviu falar da civilização persa, uma cultura extremamente rica e influente? A verdade é que eles atraíram os melhores intelectuais da época, a fim de poderem florescer como uma nação, construindo cidades como Susa ou Persépolis.
Grande parte do seu sucesso foi devido à sua excelente gestão da água, tanto nas cidades como no campo. O império vivia sob altas temperaturas e um clima muito seco, por isso era essencial saber aproveitar as escassas chuvas.
Uma de suas melhores invenções foram os Qanat, uma infraestrutura subterrânea capaz de recolher e canalizar a água da chuva de aquíferos e vales, transportando-a para as cidades. Este sistema curioso foi nomeado Património Mundial pela UNESCO em Julho de 2016.
A técnica dos Qanats foi desenvolvida na Pérsia, no milénio I a.C. Essa maravilhosa invenção foi-se estendendo a outros países áridos como Marrocos, Argélia, Líbia, Médio Oriente e Afeganistão.
Primeiro, era escavado um poço principal numa colina, até ser encontrado um aquífero subterrâneo. Depois, um túnel horizontal era construído, desde o pé da colina até à fonte de água.
O túnel tinha uma tubagem e uma grande inclinação para transportar a água para o local desejado. Quanto maior o Qanat, menor era o seu declive.
Além do principal, os outros poços verticais eram construídos ao longo do Qanat. Estes garantiam a ventilação de água, assim como o seu controle e racionamento. Era também uma via de evacuação da terra, gerada ao esvaziar o túnel.
Graças a sua profundidade, o Qanat recolhia a água dos aquíferos e evitava a evaporação durante o transporte. Dentro desta infraestrutura, existem também áreas de descanso para os trabalhadores, tanques e moinhos de água.

Wikipedia
Sendo água filtrada pela terra, o fluxo era seguro e limpo, por isso era ideal tanto para beber como para rega.
No final do Qanat, havia um edifício que armazenava a água obtida, onde as pessoas também poderiam fazer suas próprias canalizações privadas.
Unesco
As cisternas públicas, chamadas Ab Anbar eram outro engenho maravilhoso. Elas tinham um sistema de captação de ar para manter a água fria no deserto.
O mais curioso de tudo é que este sistema antigo de gestão de água ainda continua em execução, e permite uma distribuição equitativa e sustentável da água.
Fonte: Histórias Com Valor

sexta-feira, 24 de março de 2006

As ironias, paradoxos dos tempos homo-economicus- A Água, a Coca -Cola e os direitos socioambientais


1. Relatório Alterantivo da Coca Cola

2. Texto de Daniel Cassol, 22 de Março
Enviado especial ao México

Comunidades rurais da Índia, que convivem com engarrafadoras da Coca-Cola, já sofrem com a falta de água na região. Uma fábrica é capaz de captar até um milhão de litros de água por dia. Na Colômbia, desde1990, oito trabalhadores de fábricas da multinacional, que atuavam noSindicato dos Trabalhadores da Alimentação, já foram assassinados porgrupos paramilitares com a conivência da empresa. Na Turquia, 14 motoristas da empresa, atuantes nos sindicatos, já a denunciaram por intimidação e tortura. Coca-Cola é isso aí. Os casos estão relatados no documento Coca-Cola – o informe alternativo ,divulgado na Cidade do México pela organizaçãoo não-governamental Waron Want. É por isso que, na visão dos ativistas da entidade, boicotar os produtos da transnacional não significa apenas defender a água. Quemdecide não consumir mais produtos da Coca-Cola é porque chegou a um alto grau de consciência política-afirma Gustavo Castro, do México.No país em que o atual presidente da República já foi presidente nacional da multinacional, a empresa está se apoderando dos recursos hídricos. De acordo com o relatório, a Coca-Cola está recebendo incentivos e isenções para privatizar os aquíferos do Estado de Chiapas, rico em água.
No México, a Coca-Cola entrou na vida familiar, é parte da paisagem e da vida das pessoas- relata Castro.


Contaminação e violência


O indiano Amit Srivastava, da organização India Resources, relata que no seu país a Coca-Cola arrasa comunidades onde possui fábricas engarrafadoras.

A quantidade de água utilizada pela empresa é tanta que em algumas regiões o nível dos rios já baixou até 10 metros emcinco anos. Quase toda a água que a Coca-Cola usa é para limpar máquinas e garrafas. Eles colocam produtos químicos na água e a contaminam, prejudicando solos, plantas e aquíferos, afirma.De acordo com Srivastava 70% da população indiana vive da agricultura e as consequências da presença da Coca-Cola no país são trágicas paraesse setor. Beber Coca-Cola é como beber o sangue dos agricultores da Índia- completa.O dirigente sindical Javier Correa, do Sindicato Nacional dosTrabalhadores da Industria de Alimentação da Colômbia, denuncia uma outra faceta da transnacional: a repressão aos sindicatos e aviolência contra os trabalhadores. Desde 1990, são nove sindicalistas funcionários daempresa mortos por grupos paramilitares, 14 presos e 48 vítimas deameaças de morte, como é o caso de Correa. São boas as relações entre a Coca-Cola e os paramilitares, denuncia.

Boicote internacional

Todos os casos de violação de direitos humanos, de exploração pedratória dos recursos hídricos e contaminação da água, levaram aCoca-Cola a patrocinar o IV Fórum Mundial da Água, na opinião de Amit Srivastava. O evento, que termina no dia 22 na Cidade do México, seriaum grande exercício de relações públicas da empresa: é inacreditável que a Coca-Cola esteja patrocinando um fórum internacional sobre água, porque sua relação com ela é extremamente insustentável- declara.No contexto do Fórum Internacional em Defesa da Água, evento paralelo ao oficial, a organização War on Want divulgou sua proposta de uma campanha internacional de boicote aos produtos da empresa.


A CocaCola não entende de ética. Não há como negociar com essa empresa,porque a única coisa que ela entende é de dinheiro. Por isso precisamos boicotar seus produtos-afirma Srivastava. De acordo com a organização, universidades estadunidenses, como a de Michigang e de Nova York, já cancelaram seus contratos com a empresa.


3.Conheçam as actividades da Coke Justice e da War on Want