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terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Richard Thorn


Richard Thorn (pintor/aquarelista Britânico, nascido em 1952)

Richard Thorn é um artista fundamentalmente pintor em aquarela, embora também trabalhe com acrílica, gouache e tintas aquosas, explorando a luz, a textura e a sensação de espaço nas suas composições. 

Técnica
A técnica de Richard Thorn caracteriza-se por:
  1. Aquarela como meio principal, usando também gouache, acrílico diluído e técnicas mistas.
  2. Lavagens amplas e transparentes, aplicadas em camadas, para construir atmosfera e profundidade.
  3. Uso frequente de pincel seco, raspagem e remoção de tinta para criar texturas naturais (vegetação, rocha, nuvens).
  4. Controlo da luz como elemento central: muitas obras são estruturadas a partir de contrastes subtis entre luz e sombra.
  5. Composição simplificada, evitando excesso de detalhe e focando-se na sensação do lugar, mais do que na descrição literal.
  6. Trabalho cuidadoso com valores tonais, frequentemente partindo de tons neutros e deixando a cor surgir de forma contida.
Em síntese, a técnica de Thorn privilegia a expressividade da aquarela, a economia de meios e a criação de paisagens atmosféricas e evocativas, próximas de uma abordagem impressionista contemporânea.

Estilo
A sua obra é frequentemente descrita como paisagística e inspirada pela natureza, captando as atmosferas do campo, da costa e da paisagem rural — especialmente no sudoeste da Inglaterra. 

Thorn busca retratar não apenas a imagem visual mas a “alma da cena” que pinta, com grande interesse pelo jogo de luz e a sensação de distância. 

Tem influências de impressionistas franceses e mestres ingleses da aquarela, como William Turner e John Cotman, bem como artistas americanos como Andrew Wyeth e Winslow Homer, que se refletem na sua sensibilidade à cor e atmosfera. 

Reconhecimento:
Robert foi premiado duas vezes com o Best Watercolour nas exposições abertas do Royal Institute of Painters in Water Colours — uma organização de prestígio para aquarelistas — e tem sido exposto internacionalmente (Inglaterra, Europa, EUA e China).

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Bev Jozwiak


Bev Jozwiak (pintora e aquarelista, EUA, nascida em 1953)
É uma artista premiada internacionalmente e professora que ministra workshops de aquarela. 
Bev Jozwiak é conhecida por seu trabalho em aquarela figurativa, com um estilo que pode ser descrito como:
1. Directo e expressivo: aplica a tinta com pouca mistura na paleta, trabalhando diretamente no papel. 
2. Uso forte de cores e emoção: ela usa variações de cor mesmo em tons escuros para manter brilho e profundidade, e seleciona temas que evocam emoção e energia. 
A sua arte muitas vezes mostra um equilíbrio entre realismo e uma qualidade gestual/vibrante, característica apreciada em aquarelas contemporâneas figurativas.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Chen-Wen Cheng


Chen-Wen Cheng (aquarelista de Taiwan, nascido em 1964) - "Follow you", 2024   
O seu estilo é reconhecido por uma abordagem delicada e detalhada na pintura, com foco em capturar a essência das paisagens, da natureza e da vida quotidiana. Ele é amplamente admirado pelas suas habilidades técnicas excepcionais e pela capacidade de usar a aquarela de maneira inovadora, misturando realismo com toques de abstracção.
A obra de Chen-Wen Cheng costuma ser caracterizada pela fusão entre a precisão dos detalhes e uma sensibilidade expressiva, que são típicas da aquarela. Ele também utiliza um processo gradual de camadas finas de tinta, o que permite que a obra ganhe profundidade e luminosidade.
Além de ser um artista respeitado, Chen-Wen Cheng também é um professor e contribui activamente para a promoção e ensino da técnica de aquarela. Ele é frequentemente convidado para exposições internacionais e workshops, onde compartilha o seu conhecimento com outros artistas.
Prémios e reconhecimento
Chen-Wen Cheng conquistou vários prémios e reconhecimentos, entre os quais: Golden Prize (Medalha de Ouro) no World Watercolor Competition (França, 2014) pela obra “Loving Mother”. 
Prémios em várias exposições importantes em Taiwan. Espólio do autor encontra-se em alguns importantes museus de Arte (Nova Iorque, México, Seul,etc.)

segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Festival Míscaros em versão alargada vai ser decorado com lixo da serra da Gardunha


O Míscaros – Festival do Cogumelo volta a realizar-se no Alcaide, aldeia do concelho do Fundão, com uma decoração feita a partir de lixo recolhido na serra da Gardunha e numa versão alargada além dos habituais três dias.

Entre os dias 17 e 19 realiza-se o habitual evento, centrado na gastronomia, animação de rua, artes, ‘workshops’, concertos e exposições, mas, nesta 14.ª edição, a organização “prolonga a experiência” a um “Míscaros nas Calmas”, de 24 a 26 e, até 09 de dezembro, continuam a ser dinamizados os passeios micológicos.

“Vai ser um primeiro fim de semana que é uma algazarra completa, e um outro, que vai ter também animação, mas mais calmo, para dar oportunidade às pessoas de desfrutarem mais tranquilamente, sem filas”, salientou, em declarações à agência Lusa, Fernando Tavares, o presidente da Liga dos Amigos do Alcaide (LAA), que organiza o Míscaros em parceria com a Câmara do Fundão.

Segundo Fernando Tavares, a decisão de ter o Mês do Cogumelo deveu-se à necessidade de dar resposta à habitual elevada procura, que nem sempre permitia a todos os visitantes experimentarem tudo o que pretendiam.

O responsável deu o exemplo das 180 vagas abertas para os primeiros passeios micológicos, que esgotaram em dois dias, e abriram esta semana as inscrições para mais três fins de semana em que é possível participar nestas visitas orientadas por especialistas, para identificar algumas das mais de 500 espécies existentes na serra da Gardunha, e também um passeio com cães.

“Queremos promover o respeito pela natureza e o conhecimento do nosso património micológico”, realçou o presidente da LAA.

A sensibilização ambiental é outra das prioridades, afirmou Fernando Tavares, segundo o qual o Míscaros não utiliza plástico desde 2015.

Este responsável explicou que foi feita uma recolha de lixo na serra da Gardunha, que vai ser reaproveitado para fazer as instalações e a decoração, em parte por crianças da escola do Alcaide, para envolver e consciencializar toda a comunidade.

“É importante saber que, por um lado, limparam-se zonas da Gardunha e, por outro, reutilizou-se e passou-se uma mensagem de sustentabilidade”, vincou.

Fernando Tavares frisou que, após 14 edições, os visitantes vão continuar a ser surpreendidos e destacou tratar-se de um evento “feito em casa das pessoas, que abrem as suas portas para os visitantes entrarem e experimentarem as refeições confecionadas por si, não é numa tenda, com vários expositores”.

O dirigente da LAA destacou que o Festival do Cogumelo vai ter à venda vinte espécies, através de produtores certificados, para garantir a segurança alimentar.

O habitual almoço comunitário de arroz de míscaro volta a realizar-se no dia 19, um domingo, e este ano vão estar a cozinhar ao vivo, entre outros, dois ‘chefs’ com estrela Michelin: Alexandre Silva e António Loureiro.

O vice-presidente da Câmara do Fundão, Miguel Gavinhos, enfatizou o impacto muito significativo que o Míscaros tem na economia e turismo locais, nomeadamente na hotelaria, já com a lotação esgotada no concelho e a notar-se a pressão nas unidades dos municípios vizinhos.

De acordo com o autarca, em declarações à agência Lusa, o Festival do Cogumelo representa uma circulação de “cerca de meio milhão de euros”, entre as transações feitas no evento e a hotelaria e espaços de restauração locais.

Este ano vai ser instalado um compostor comunitário no Alcaide para fazer o aproveitamento dos biorresíduos, que darão origem a fertilizantes.

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Economia necro-fóssil e a decadência do ambientalismo em Portugal


Ruínas difíceis de reestruturar. Quercus, foi durante muitos anos a maior associação ambientalista portuguesa até se “fragmentar”, dando origem a outras duas organizações, o FAPAS – Fundo para a Proteção dos Animais Selvagens, em 1990, e a ZERO- Associação Sistema Terrestre Sustentável, em finais de 2015. É a mais pura das verdades. O ambientalismo em Portugal devia ser mais agregador. A LPN é mais pelo peso histórico do que propriamente activismo. A GEOTA é um conjunto de académicos. A Íris Ambiente é a mais recente, nasceu em 2022. Há para todos os gostos, creio, mas a fragmentação é a decadência. É o que eu vejo. Terras lavradas. Muitos livros, muitas acções de formação e....regredimos, principalmente na teimosia dos cépticos climáticos. Ainda baseamos muito da nossa economia no necro-fóssil. E os globocratas não nos deixam em Paz. 2023 acentuou mais o poder cisório de valores, o discurso do ódio impera, o agronegócio impera, os microplásticos abundam, os truques económicos da Big Tech, que nos ofuscam e até o pão...já nem sabemos a sua origem, questionamos se não terão OGM, micropesticidas e microplásticos, mesmo o pão caseiro.

História e curiosidades sobre a Torre de Centocelas

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Pode ser o animal mais longo do mundo. Avistamentos em Portugal são comuns

Criatura gelatinosa encontrada em 2020 a 600 metros de profundidade pode chegar aos 45 metros. Avistamentos de sifonóforos em Portugal são comuns.


Não se trata de uma espécie nova, mas a dimensão do avistamento na costa da Austrália pode mesmo ser irrepetível. Nos últimos dois anos, pelo menos, nenhum outro animal conseguiu aproximar-se dos cerca de 45 metros de comprimento do sifonóforo avistado em Abril de 2020 na costa da Austrália.

Através da coluna científica Discovered in the deep [Descoberto nas profundezas], o jornal britânico The Guardian relembrou o gigante sifonóforo do género Apolemia, um “parente” da caravela-portuguesa, que foi visto e fotografado durante uma expedição de uma equipa de cientistas do Schmidt Ocean Institute. A confirmarem-se as expectativas, será um dos maiores sifonóforos já avistados, com alguns cientistas a suspeitar mesmo que pode tratar-se do animal mais longo do mundo, ultrapassando em cerca de dez metros as maiores baleias.

Em Portugal, não é todo incomum encontrarem-se estes organismos, como explica ao PÚBLICO Antonina Santos, do Departamento do Mar e Recursos Marinhos do IPMA. A especialista revela que a grande maioria dos casos de avistamento reportados pelos portugueses dizem respeito a espécimes até um metro. Um caso desta dimensão é inédito, diz uma das responsáveis pelo programa GelAvista, que se dedica à monitorização de organismos gelatinosos em Portugal.

“Este sifonóforo é um conjunto de indivíduos em cadeia. Costumo dizer que este tipo de organismo é uma aldeia, mas, com esses metros todos, digo que é uma cidade”, explica, com um toque humorístico, Antonina Santos.

Apesar de ser um único animal, o sifonóforo avistado na Austrália integra milhares de pequenos outros organismos individuais que repartem entre si as funções básicas necessárias para a sobrevivência do todo. Ou seja, alguns zoóides são responsáveis por garantir tarefas como a alimentação, a movimentação e a reprodução.

“Uma caravela portuguesa é um sifonóforo, mas, neste caso, temos animais coloniais. Estes sifonóforos vivem parte da sua vida unidos em cadeia, mas também podem viver afastados uns dos outros. É parte do seu ciclo de vida, a fase zoóide”, detalha a especialista.

O encontro com este gigante sifonóforo na costa da Austrália foi um acontecimento fortuito e causou estupefacção junto dos investigadores. O facto de a descoberta ter ocorrido nos momentos finais da expedição num dia em que o limite de tempo para o mergulho já tinha sido ultrapassado, impediu um estudo mais aprofundado.

“Fizemos uns círculos, captámos imagens e recolhemos uma amostra de tecido. Depois tivemos de seguir o nosso caminho [de regresso à superfície] “, recorda a bióloga Nerida Wilson do Western Australian Museum, em declarações ao The Guardian.

Este sifonóforo, da classe dos invertebrados marinhos, foi avistado a 600 metros de profundidade, nos desfiladeiros submarinos de Ningallo, no Oceano Índico. As imagens mostram os longos conjuntos de zoóides que formam este animal gigante.

Os investigadores apenas tiveram tempo para recolher algumas imagens e amostras deste organismo gigante. Por esse mesmo mesmo motivo, prossegue o trabalho de medição através das imagens recolhidas pelas câmaras do submersível usado nesta expedição. A dimensão do animal e os ângulos das fotos dificultam uma medição rigorosa, mas os biólogos estão confiantes de que este é o animal mais comprido alguma vez observado.

No entanto, esta pode ser uma luta contra o tempo, visto que há a probabilidade de estas longas cadeias já se terem, ao longo dos últimos dois anos, fracturado. “Vivem no mar aberto e e tanto podem estar perto da superfície como a vários metros de profundidade. Quando dão à costa, devido ao efeito das correntes e das marés separam-se com facilidade. Costumam dar à costa separados, portanto pode existir a eventualidade de isso ter acontecido”, prossegue Antonina Santos.

Se se cruzar com um destes sifonóforos durante um mergulho, não precisa de se preocupar. Estes animais são inofensivos, não representando perigo para um ser humano, tranquiliza a especialista Antonina Santos.

Fonte (com mais fotos): Público


terça-feira, 19 de julho de 2022

Workshop Floresta e Bioenergia - Será a floresta uma verdadeira solução para a produção de energia?


Numa altura em que se discute a necessidade de maior ambição no combate às alterações climáticas para cumprir o Acordo de Paris, e alcançar a neutralidade carbónica em 2050, a nível Europeu a floresta é tida por muitos como solução energética, especialmente face à urgente necessidade de fechar as centrais a carvão. Para a União Europeia, a utilização da floresta é tida como renovável e neutra em carbono, tendo em consideração que esta irá sequestrar esse carbono num ciclo que não implica um acréscimo de carbono para o sistema, como acontece com os combustíveis fósseis.Em Portugal, fruto de um política de promoção da queima de biomassa florestal residual como solução para a limpeza das florestas e em simultâneo para contribuir como energia limpa, que se iniciou em 2006, até ao final de 2022 teremos instalados cerca de 280 MW em centrais de biomassa dedicadas ou em regime de cogeração, na maioria das situações subsidiadas pelo consumidor de eletricidade. 

Até ao momento, em Portugal, a eventual conversão de centrais a carvão para biomassa ainda não é um dado adquirido. Nem sempre a opinião relativamente à aposta na biomassa como fonte de energia renovável é unânime. 

Levantam-se questões quanto à renovabilidade do recurso, uma vez que não há garantia que a biomassa florestal residual seja suficiente para alimentar as centrais de biomassa instaladas. Assiste-se a uma competição da indústria por um recurso que pode ser escasso, e acresce que a existência de subsidiação desequilibra o mercado. E permanece a grande dúvida: a substituição de queima de carvão por biomassa é uma solução ou será afinal a criação de um novo problema?

São estas e outras questões que irão ser debatidas no Workshop, envolvendo de forma aberta as diferentes partes interessadas, já que a sua opinião será importante para clarificar o presente e o futuro de uma floresta que se pretende explorada de forma sustentável e numa lógica de economia circular.

Este Workshop contou com as seguinte intervenções:

O papel da biomassa (residual florestal) no setor das energias renováveis. Luis Gil – DGEG – Direção-Geral de Energia e Geologia
O presente e futuro da bioenergia.Nuno Neto – Navigator
O impacte da substituição do carvão por biomassa.Filipe Duarte Santos
Estamos a comprometer a sustentabilidade de toda uma fileira?João Gonçalves – Centro PINUS
MODERADOR: Francisco Ferreira

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Primeiro Instituto Macrobiótico do país vai fechar


Esta terça-feira, 25 de janeiro, foi anunciado o encerramento do Instituto Macrobiótico de Portugal, que conta com mais de 40 anos de atividade. Nas redes sociais, Geninha Horta Varatojo – que fundou o Instituto ao lado do marido, Francisco, falecido em 2017 – atribuiu o fecho de portas às dificuldades financeiras trazidas pela pandemia e deixou uma mensagem de esperança.

Leia o comunicado:

“Como criar uma forma de vida mais saudável, harmoniosa e sustentável. Esse é o legado do Instituto Macrobiótico de Portugal. Depois de mais de 40 anos de actividade, o Instituto Macrobiótico de Portugal informa que irá encerrar. A nossa cozinha e loja encerram já no final do mês de Fevereiro mas as nossas aulas irão prosseguir até ao mês de Julho.

As dificuldades financeiras acentuadas nestes últimos três anos de pandemia ditaram o fim de um projecto de vida. Continuará, no entanto, temos essa convicção, através dos imensos alunos, professores, assistentes e demais interessados em promover uma Vida mais feliz para nós e para o Planeta. Foram muitos anos dedicados a esta Grande Vida, que alia tradições milenares aos conhecimentos mais modernos.

Quatro décadas a promover saúde e desenvolvimento pessoal, social e ambiental. A longa jornada do Instituto, iniciada por Francisco Varatojo, pode ter chegado ao fim mas continua em cada um dos que, um dia, cruzaram as portas do Instituto nas mais variadas actividades promovidas. Foram inúmeras aulas, palestras, workshops, formações, showcookings, consultas, terapias, retiros e até festivais.

O fim de um ciclo dita sempre o início de outro. Para nós e para os milhares que cruzaram o nosso caminho, foi uma caminhada com desafios, mas gratificante e cheia de sentido. A todos os alunos, professores, curiosos e interessados que, de alguma forma, nos procuraram, o meu muito obrigada.“

Por fim, Geninha esclareceu: “Até ao mês de Julho estamos com a escola a funcionar normalmente, com todos os cursos que já estão a decorrer e com muitos novos que estão ainda por vir. Continuarão a receber as nossas novidades. Obrigado por continuarem por aí!”.

Saber mais:

sábado, 13 de novembro de 2021

Agricultura alternativa - Agricultura imperativa


Vou contar, brevemente, que, quando era estudante, ainda em Viçosa, MG, ouvi uma palestra dela. Aliás, essa foi a primeira guinada que dei em relação à Agricultura Ecológica. Fui conquistado pela densidade das informações que a Professora trazia e, principalmente, com a tranquilidade quando respondia às perguntas, em tom quase agressivo, dos professores do departamento de solos daquela universidade. Imagino que a agressividade era filha do desconforto, talvez insegurança, ao verem seus conhecimentos serem postos à prova pela percepção da professora de que as verdades sobre a ciência do solo importadas de países do norte não se adequam aos trópicos. Afinal, quando ela falava em “manejo ecológico do solo”, título da sua obra-prima, ela queria dizer: que tal manejarmos nossos solos a partir dos conhecimentos que temos sobre a casa onde vivemos? 
Não tenho dúvidas que a pergunta ainda cabe!

Passaram-se dez anos e tive a oportunidade de viajar com ela para a cidade de Coro, Venezuela, para a II Assembleia do MAELA – Movimento Agroecológico da América Latina e do Caribe. Fomos e voltamos juntos, o que me permitiu criar certa relação com Ana. Era o juvenil indo jogar uma partida de futebol com seu ídolo de infância, com a figurinha preferida do seu álbum. 

Quando tivemos a oportunidade de convidá-la para dar um curso em Ipê, RS, sede do então CAE-Ipê, não deixamos escapar. Esse vídeo mostra algo dos dois dias que passamos entre sala de aula e idas a campo, aproveitando da companhia e dos conhecimentos da autora mais brilhante que temos no hoje denominado movimento agroecológico. No campo, junto às famílias produtoras, ela pedia para ser chamada de Ana. Nem doutora, nem professora,apenas Ana!

Quero fazer apenas duas menções sobre esse vídeo. A primeira, sobre os rostos que nele aparecem. Técnicos e técnicas, agricultoras e agricultores que ajudaram a fazer história na produção ecológica de alimentos. Interessante observar que todos seguem na mesma batida. Não usar venenos na produção agrícola permitiu crescimento pessoal, profissional, econômico. Ninguém ali morreu de fome, como ouvimos centenas de vezes ocorreria se abandonássemos os agrotóxicos. 

Outra menção é sobre a forma simples como Ana passa informações profundas. Esse vídeo é um deleite, uma aula de como dar uma aula. Admirável síntese de todo um cabedal de informações que a Professora e Doutora Ana Primavesi (ela que me desculpe por isso) nos deixou. Aproveitá-lo, é tarefa nossa. A dela, está mais do que cumprida!

Laércio Meirelles, julho 2021

segunda-feira, 31 de maio de 2021

Workshop com Ernst Götsch - Plantio multi estratificado


Nesse início do mês de fevereiro de 2020, Ernst Götsch esteve em Portugal pra implantar as linhas de árvores de um sistema complexo que inclui macieiras, ameixas, mirtilo, uva, limão, amora, freixo, choupo, morangos e vegetais de ciclos mais curtos. Quando esquentar um pouquinho, cada faixa entre as árvores vai receber duas linhas duplas de pimentas picantes, entre outras que vão ajudar a ocupar e a nutrir todo o sistema. 
A iniciativa é da Mendes Gonçalves, conhecida pela marca Paladin, uma empresa que tem uma lista imensa de produtos e consegue absorver a grande variedade de espécies que estão a plantar. Um destaque desse desenho, e que é uma dúvida comum sobretudo pra plantios comerciais, é que os estratos das árvores foram distribuídos em linhas diferentes. 
Enquanto umas linhas concentram os estratos baixo e alto, outras recebem os medio e emergente. Isso facilita o manejo e a colheita. O objetivo principal é partir de uma área cujo histórico recente foi o de monocultivo de grãos e trabalhar para transformar esse pedaço de terra semi-urbano em um belo sistema biodiverso, estratificado, e que garanta colheitas sucessivas desde os primeiros ciclos.

English

At the beginning of February 2020, Ernst Götsch was in Portugal to implement the lines of trees in a complex system that includes apple trees, plums, blueberries, grapes, lemon, blackberry, ash, poplar, strawberries, and short-cycle vegetables. When it gets a little warmer, each strip between the trees will receive two double lines of chili peppers, among others that will help occupy and nourish the entire system. 
The initiative is from Mendes Gonçalves, known for the brand Paladin, a company that has an extensive list of products and manages to absorb the wide variety of species planted in the system. A highlight of this design, which is a common question, especially for commercial plantations, is that the strata of the trees were distributed in different lines. 
While some lines concentrate the low and canopy layers, others receive the medium and emergent. It facilitates management and harvesting. The main objective is to start from an area with a recent history grain monoculture and to transform this semi-urban land into a beautiful, stratified, biodiverse system that guarantees successive harvests since the first cycles.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Agricultura Sintrópica em Portugal- Desenhos de plantio para o Mediterrâneo! Projeto de enriquecimento de olival, por Ernst Götsch

Trabalho realizado no workshop de Agricultura Sintrópica na Herdade do Freixo do Meio, na região do Alentejo, em Portugal, em março de 2018.

A belíssima Herdade do Freixo do Meio

Modelo 1:

Exemplificação para a transformação de um olival de aproximadamente 50 anos de idade para um sistema complexo, multiestrato, que se assemelhará ao ecossistema natural e original do local tanto em sua dinâmica, quanto em seu funcionamento e estratificação.

Uso atual:

Design: Ernst Götsch

Vista superior do sistema em seu estado atual, considerando o atual diâmetro da copa:

Design: Ernst Götsch

Passos para o enriquecimento do sistema

1 - na fila das oliveiras existentes:

a) modelo ilustrativo - estado atual

Design: Ernst Götsch

a') modelo esquemático - estado atual:

Design: Ernst Götsch

b) modelo ilustrativo - intervenção passo 1: enriquecimento de mais 1 estrato agregando, a cada intervalo de oliveiras, 3 pessegueiros ou pistaches.

Design: Ernst Götsch

c) Modelo ilustrativo - intervenção passo 2: agregando mais um estrato composto por nogueira e choupo.

Design: Ernst Götsch

Trabalho realizado durante o workshop

A fila das árvores foi transformada em um canteiro contínuo em que agora estão plantadas verduras, aromáticas, flores e figo da índia, de modo adensado e considerando espaço, estrato e tempo de vida de cada um desses integrantes.

Considerando os recursos (ainda escassos no momento da implantação), decidimos por fazer os canteiros estreitos (aproximadamente 40cm de largura) proporcionais em sua largura à quantidade de matéria orgânica que tivemos - visto a capacidade produtiva da vegetação rasteira existente atualmente neste olival. Na medida em que tivermos trocado esta vegetação rasteira por uma outra mais funcional para o sistema, composta por gramíneas mais produtivas e herbáceas conhecidas por seu sistema radical bastante eficiente (como por exemplo Verbascum, funcho, cardos, cenoura brava, etc) nossos recursos aumentarão.

Mais tarde, com todas as árvores agregadas - sobretudo aquelas plantadas com o intuito de produzir matéria orgânica, tais como choupo, sabugueiro, Quercus, etc - poderemos aumentar a largura daqueles canteiros e usá-los para o cultivo de anuais de inverno e da primavera, sem a necessidade de capinar, afofar o solo, irrigar, e também sem precisar do aporte de fertilizantes (adubos) externos.

2 - Canteiros do meio:

(idênticos com relação à posição entre as oliveiras, com os canteiros para as hortaliças do “modelo b”)

Espécies usadas além das verduras: 

a) Fruteiras ou noz arbórea, cítricos (limão, tangerina, laranja) ou pêssego ou pistache.

Espaçamento: a cada 3 metros 1 árvore (estrato baixo médio)

b) Vines together with their future living tutors – fig, Morus nigra, Schinus molle, weeping willow.

Plante juntas todas as 5 espécies em uma área linear de 30 cm (vide figura). Planta-se uma videira em ambos os lados do plantio dos tutores.

Em todos os canteiros, idênticos àqueles feitos nas filas das oliveiras, ocupar plenamente com verduras, aromáticas, figo da índia e flores.

c) Organização dos canteiros com as videiras e espaçamento:

spacing: fruit trees with pistachio/vines along with trees for their tutorial structure

Complete bed composition: (trees, vines and vegetables)

Design: Ernst Götsch

d) desenho dos mesmos canteiros com as árvores e as videiras adultas:

Design: Ernst Götsch

O sistema é composto, em sua maioria, por espécies caducifólias a serem podadas (todas elas) anualmente no inverno. Com isso adquirimos matéria orgânica abundante para poder criar canteiros largos, com uma rica camada de material ramial. E, adicionalmente, com luz suficiente e proteção de geadas para poder cultivar um amplo conjunto de verduras – como, por exemplo, tomate, pimentão, repolho etc, sem necessidade de aporte de fertilizantes e sem irrigação.

3 - Secção transversal da mesma plantação (atual olival) em 8 ou 10 anos, com árvores e as videiras agregadas adultas.

Design: Ernst Götsch
Em nome do Life in Syntropy...
Workshop 2018
… we want to express our deepest gratitute to Herdade do Freixo do Meio, represented by the competent farmer Alfredo Sandim and to Silvio Gouveia, who made our trip to Portugal possible. We also want to thank all the amazing-hard-working participants. Not one ran away  from the rain and the cold, 🙂
Vista aérea da área do workshop. As duas linhas à direita foram implantadas.
Felipe, Ernst, Gregoire, Dayana e Alfredo
Um ninho quase pronto

AVISO

Todos os desenhos de Ernst Götsch são específicos para o lugar onde acontece a intervenção. A Agricultura Sintrópica não segue nem propõem receitas. É a partir de um conjunto de critérios éticos e avaliativos que a Agricultura Sintrópica instrumentaliza o agricultor para planejar e manejar seu sistema de acordo às suas condições. Histórico da área, clima, solo, altitude, pluviosidade, exposição solar, declividade, acesso a implementos e adubação (entre outros fatores) determinam as espécies e o espaçamento utilizado. Portanto, os modelos apresentados por Ernst Götsch são demonstrativos, e não devem ser indiscriminadamente copiados sob o nome de Agricultura Sintrópica.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Precisamos de ajuda para colocar as plantas invasoras no mapa

Fonte: Invasoras
O que acham da ideia de formar uma equipa e colaborar no mapeamento das plantas invasoras em Portugal?
O Invasoras.pt estabeleceu uma colaboração com a iniciativa “Noite Europeia dos Investigadores 2015”, tendo como objectivo a dinamização da plataforma de Ciência Cidadã disponível no nosso site  – Mapa de avistamentos de plantas invasoras em Portugal.
Para o efeito, convidamos-vos a formar equipas de voluntários entusiastas (e.g., professores e os seus alunos, colegas de turma, clubes de ambiente ou floresta, grupos de amigos ou equipas que se dinamizem de outra forma) dispostas a abraçar o desafio de colaborar no mapeamento das plantas invasoras, na plataforma do Invasoras.pt, e a passar a mensagem sobre a problemática das invasões biológicas.
No decorrer da iniciativa serão realizados workshops em que as equipas/ chefes de equipa podem participar. O primeiro workshop será realizado no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra no dia 14 de Março. Cada workshop incluirá a apresentação da plataforma e formação sobre identificação das principais plantas invasoras. No entanto, o Invasoras.pt disponibiliza muita informação, pelo que mesmo não assistindo ao workshop é possível participar no desafio. 
Além de participar no mapeamento, cada equipa é convidada a desenvolver um trabalho livre – vídeo, entrevista, artigo para jornal, cartazes, entre outros – que será posteriormente apresentado na Noite Europeia dos Investigadores que terá lugar no dia 25 de Setembro de 2015, no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra. O objectivo é encontrar formas originais e eficazes de passar a mensagem das invasões biológicas.
Do que estão à espera? Aceitem o nosso desafio, formem uma equipa, tornem-se cidadãos-cientistas e venham ajudar-nos a mapear as plantas invasoras em Portugal e a divulgar este tema!

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Francesco Tonucci - “Gastamos muito para encher nossos filhos de brinquedos, convertendo-os de brincadores para possuidores”


“As crianças precisam de mais liberdade e alguns brinquedos, devem ser autónomos, brincar com os amigos e, na medida do possível, ir para a escola, caminhando, sozinhos e a pé.” É assim que Francesco Tonucci, pedagogo e pensador italiano resume sua filosofia e agenda política. Ele, que é autor e promotor do conceito “Cidade das Crianças”, um projeto que aposta na transformação das cidades por meio das crianças que nela habitam, defende que todas as políticas urbanas deveriam se estabelecer para garantir o direito ao brincar das crianças.

Célebre por ser “radical na defesa da infância”, o autor também publica sob o pseudônimo Frato uma série de quadrinhos em que discute, de forma irônica, o cenário escolar e a estrutura familiar contemporânea, que muitas vezes, impede a criatividade e a possibilidade de criação e reinvenção das crianças.

Em entrevista ao site El Intransigente, periódico Argentino, Tonnucci, que esteve no país em agosto deste ano, afirmou que os pais precisam deixar de superproteger seus filhos e permitir que desenvolvam suas próprias experiências de autonomia, entendendo o brincar para o pleno desenvolvimento das pessoas.

El Intransigente: É fundamental que as crianças brinquem, mas quão importante isso é?

Francesco Tonucci: O brincar está conectado de uma maneira muito forte com o movimento e com a autonomia. Temos que ajudar os adultos a entender a importância disso. Para explicar, lhe conto uma anedota; meu filho mais novo chegou do seu primeiro dia na escola primária e me contou “a professora nos disse que agora é hora de parar de brincar, temos que levar as coisas a sério.” Essa foi a mensagem da escola ao meu filho. E, desde então, venho tentando dizer às pessoas que esta é uma frase absurda, equivocada e perigosa. Não tenho dúvidas que os primeiros anos são os mais ricos e importantes na vida de uma pessoa; é o período em que se fundam todos nossos cimentos.

A “Cidade das Crianças” é uma iniciativa que nasceu em 1991, em Fano, na Itália, e apresentou uma nova filosofia de governança dos municípios, tomando as crianças como parâmetro e como garantia das necessidades de todos os cidadãos. Inspirados no projeto, nasceu a rede de cidade das crianças. Em Roma, na Itália, as crianças passaram a compor um parlamento infantil, capaz de incidir sobre as políticas públicas locais.

El Intransigente: E o jogo ajuda…

Tonucci: Nestes anos iniciais não existem professores no sentido público, não existem métodos. Simplesmente há uma criança que brinca com o mundo. Essa é a importância do jogo; ele é uma experiência em que as crianças vivem no nível espontâneo e não é necessário ensiná-las isso. É brincando que as crianças têm sua primeira relação com o mundo.

El Intransigente: Todo tipo de brincar é valioso? Brincar ao ar livre é o mesmo que brincar no computador?
Tonucci: Brincar é uma experiência que tem algumas características: sair no sentido de não ficar sob controle direto dos adultos, encontrar-se com amigos, aproveitando um tempo livre para viver a experiência da aventura, do descobrimento, da surpresa, da maravilha, do risco. Tendo estes elementos, todos os jogos são bons. Inclusive os tecnológicos.

El Intransigente: Por que é importante que as crianças brinquem sozinhas?

Tonucci: Não é possível brincar acompanhado de adultos. Quando os pais dizem, “acompanho meus filhos todos os dias para que brinquem na praça” é uma contradição. O verbo brincar só se conjuga com o verbo deixar. Na Europa é impressionante, mas aqui [na Argentina] também creio que acontece, em especial nas classes sociais mais ricas; para uma criança é quase impossível sair sozinho pelas ruas. E isso os impede essa experiência básica.

Muitas vezes nós, adultos, pensamos em substituir esta experiência que desfrutamos nós mesmos e parece que as crianças não conseguem viver. Substituímos isso comprando muitos brinquedos, dando instrumentos que permitem que a criança passe muito tempo se entretendo sozinho em casa, especialmente com as novas tecnologias, e os acompanhando em todos os lugares. Todas respostas inadequadas. Estamos gastando muito dinheiro para encher nossos filhos de brinquedos, convertendo-os de “brincadores” para consumidores, “possuidores”. Para brincar bem, é preciso ter poucos brinquedos, mas amigos para aproveitá-los.

El Intransigente: O que oferece o brincar a uma criança?
Tonucci: Lhe permite descobrir o mundo. É uma maneira de encontrar-se com o desconhecido. Significa viver a experiência do risco, de saltar o obstáculo, viver o desafio de superá-lo ou não. Ver se hoje posso fazer o que antes não podia, se posso superar meu medo de viver esta experiência.

El Intransigente: Por que é importante viver a experiência do risco?

Tonucci: Se não é possível, vamos criar uma acumulação de desejos e de necessidade de transgressão que se expressarão mais tarde, na adolescência, quando um garoto tem autonomia suficiente como as chaves de casa no bolso ou quando essa expressão de seu desejo se converte em uma explosão perigosa.

Muitas das questões que hoje tratamos como os dramas da adolescência, como abuso de álcool, de drogas, acidentes de moto, – até os casos de suicídio juvenil -, tem a ver com a falta de experiências de autonomia nos primeiros anos de vida da criança. É vivendo a experiência do obstáculo que nos damos conta de que não podemos superá-lo e é aí que vivemos a desilusão. E a desilusão também é uma experiência que as crianças não vivem porque seus pais os superprotegem.

Após a entrevista, o professor proferiu palestra organizada pela Fundação Arcor em parceria com o governo argentino. Como indicado pelo portal Latin Lab de experiências de valorização e promoção da infância na América Latina, Tonnucci discute que os grandes devem escutar as crianças para transformar positivamente as comunidades em que vivem.

Veja em dois vídeos, a palestra completa em espanhol.



Fonte: Educação Integral