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A 3 de junho de 2026, Portugal foi eleito membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para o biénio 2027–2028, garantindo assim o regresso a um dos principais órgãos da ONU responsável pela manutenção da paz e da segurança internacionais.
Deslize pelo carrossel e conheça a história da entrada de Portugal nas Nações Unidas.
- Declaração do Milénio (2000) e ODS (2015): A ONU estabeleceu uma linguagem universal para o progresso humano. Os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (2000–2015) impulsionaram a maior redução da pobreza extrema e da mortalidade infantil da história global.
- Agenda 2030: Em 2015, foram adotados os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), alargando o foco para a desigualdade, transição energética e sustentabilidade ambiental.
- Acordo de Paris (2015): Sob os auspícios da UNFCCC, a ONU conseguiu um compromisso histórico para limitar o aquecimento global abaixo dos 2°C (com meta de 1,5°C) em relação aos níveis pré-industriais.
- Ciência do Clima: O painel científico da ONU (IPCC) consolidou a base científica indiscutível do aquecimento global antropogénico, moldando as políticas fiscais e energéticas globais.
- Responsabilidade de Proteger (R2P, 2005): Adotada na Cimeira Mundial de 2005, estabeleceu que a comunidade internacional tem o dever de intervir caso um Estado falhe em proteger a sua população de genocídio, crimes de guerra, limpeza étnica e crimes contra a humanidade.
- Criação do Conselho de Direitos Humanos (2006): Substituiu a antiga Comissão, introduzindo o Exame Periódico Universal (EPU), que avalia todos os Estados-Membros em igualdade de condições.
- Pandemia de COVID-19 e Iniciativa COVAX (2020–2022): A OMS liderou a resposta à maior emergência sanitária global do século XXI, enquanto o mecanismo COVAX distribuiu mais de 2 mil milhões de doses de vacinas a países em desenvolvimento.
- Iniciativa de Cereais do Mar Negro (2022–2023): A mediação da ONU e da Turquia permitiu a exportação de cereais ucranianos e fertilizantes russos, mitigando uma crise alimentar e de inflação em África e no Médio Oriente.
- Guerra do Iraque (2003): a intervenção militar liderada pelos EUA sem autorização expressa do CSNU demonstrou a vulnerabilidade do direito internacional e abalou a autoridade da ONU.
- Guerra Civil na Síria (desde 2011) e Conflito na Ucrânia (desde 2022): A utilização sistemática do poder de veto por membros permanentes (especialmente a Rússia e a China) paralisou qualquer resposta decisiva para travar agressões militares territoriais ou crimes de guerra massivos.
- Guerra Israel-Hamas e crise em Gaza: Exerceu uma pressão tremenda sobre a coesão interna e legitimidade do sistema ONU, expondo divisões profundas entre países do Sul Global e potências ocidentais
- Comportamento Indevido e Choques de Mandato: Casos de exploração e abuso sexual por forças da ONU na África Central e a introdução acidental de Cólera no Haiti (2010) por capacetes-azuis feriram gravemente a credibilidade da instituição.
- Expulsão de Missões de Paz: O encerramento de missões na África Ocidental e do Sahel (ex.: MINUSMA no Mali em 2023) refletiu o descontentamento local e a ascensão de novas alianças de segurança privadas ou bilaterais.
| Domínio | Ação / Evento Marcante | Significado |
| Pacto para o Futuro (2024) | Cimeira do Futuro da ONU (Nova Iorque) | Adoção do Pacto Digital Global, visando criar regras mundiais de governação da Inteligência Artificial e dos dados. |
| Reforma Financeira Global | "Bridgetown Initiative" e o Financiamento para o Desenvolvimento | Foco em reestruturar as arquiteturas do FMI e Banco Mundial para evitar as crises de dívida no Sul Global e custear a transição energética. |
| Governação da IA | Criação do Painel Científico da ONU para IA | Primeira tentativa formal de criar um equivalente ao IPCC para a regulação dos riscos e oportunidades da IA generativa e autónoma. |
O Diagnóstico: O sistema multilateral construído em 1945 já não reflete a demografia ou o equilíbrio geopolítico atual. O fosso entre as aspirações normativas e a realpolitik das grandes potências nunca foi tão visível.
A Conclusão: O fracasso em reformar o Conselho de Segurança e os mecanismos de financiamento internacional não invalida a instituição; pelo contrário, demonstra que um mundo fragmentado precisa de uma ONU revitalizada para evitar o colapso dos bens públicos globais (clima, saúde pública e regulação tecnológica).

