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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Mais um estudo científico a alertar porque é que as crianças olham tanto para alimentos pouco saudáveis nas idas ao supermercado

A recente investigação australiana que revelou que as crianças passam cerca de 17% do tempo de compras fixadas em locais estratégicos e que 99% dessa atenção vai para produtos pouco saudáveis insere-se num corpo científico sólido e em constante crescimento. A forma como o design das lojas e as embalagens capturam a atenção infantil tem sido amplamente documentada por investigadores em todo o mundo. A ciência comportamental e a nutrição comunitária há muito que analisam o fenómeno do "pester power" (o poder de persuasão e insistência das crianças sobre os pais durante as compras), e as técnicas de monitorização visual moderna, como a tecnologia de rastreamento ocular (eye-tracking), apenas vieram confirmar numericamente o que a observação direta e a psicologia do consumo já haviam mapeado.

A atenção das crianças aos ultraprocessados não é acidental, pois responde a estímulos biológicos e visuais diretos. A este respeito, a fixação visual automática em alimentos calóricos demonstra como o cérebro está programado para o consumo; um estudo publicado no PMC (PubMed Central) revelou que o cérebro humano está naturalmente programado para detetar e fixar o olhar em alimentos com maior densidade calórica de forma mais rápida. No entanto, enquanto os adultos conseguem exercer autorregulação e desviar o olhar, as crianças mantêm o foco visual preso nesses produtos, tornando-as o alvo perfeito para estratégias no ponto de venda.

A par desta vulnerabilidade biológica, o impacto das mascotes e personagens nas embalagens surge como uma das ferramentas mais poderosas no retalho. A investigação divulgada pelo MDPI / Nutrients avaliou a influência das personagens de desenhos animados e das cores vivas na escolha alimentar infantil, concluindo que estes elementos ativam respostas emocionais e comportamentos impulsivos no momento de decisão, sobrepondo-se a qualquer noção de valor nutricional.

Por fim, a importância da posição nas prateleiras completa este ciclo de atração no retalho. A localização estratégica nas pontas de corredor e junto às caixas registadoras explora a vulnerabilidade do momento final da compra, e os relatórios analíticos sobre o ambiente de consumo publicados pela World Health Organization (WHO) alertam que a exposição contínua a alimentos ricos em gorduras, açúcar e sal (HFSS) nas zonas de maior circulação dos supermercados correlaciona-se diretamente com um aumento substancial nas solicitações de compra por parte dos mais novos.

Para ler mais sobre o impacto do ambiente alimentar e das estratégias de marketing na saúde infantil, pode consultar investigações focadas em estudos com eye-tracking, tais como a Atenção visual e atratividade das embalagens alimentares nas crianças (PMC / PubMed Central) ou a Monitorização ocular de estímulos de marketing alimentar no retalho (MDPI Nutrients). Caso pretenda aprofundar estudos de impacto comportamental e políticas públicas sem eye-tracking, recomenda-se o Manual da Organização Mundial da Saúde sobre restrições ao marketing alimentar infantil (WHO) e a análise sobre O papel da exposição no ponto de venda e o comportamento de compra familiar (Appetite / ScienceDirect).

domingo, 16 de agosto de 2026

A carne vegetal entre a urgência planetária e a realidade do prato

A transição para um sistema alimentar de base vegetal vive atualmente um dos seus momentos mais paradoxais. Se, por um lado, a comunidade científica mundial reforça que mudar a forma como nos alimentamos é uma urgência ambiental e de saúde pública, por outro, a realidade dos supermercados e o comportamento dos consumidores mostram que a aceitação da carne vegetal continua a enfrentar barreiras profundas.

Do ponto de vista da urgência global, o diagnóstico da ciência é inequívoco. Como lembra a Plant Based Foods Association (PBFA) na sua tomada de posição sobre o Relatório da Comissão EAT-Lancet, a chamada "Dieta da Saúde Planetária" não é uma tendência passageira, mas sim um modelo desenhado por especialistas globais para garantir a nutrição humana sem ultrapassar os limites ecológicos da Terra. A redução drástica do consumo de carne animal e o aumento de alimentos de origem vegetal surgem aí como imperativos para mitigar as alterações climáticas, conter a desflorestação e prevenir doenças crónicas. Esta urgência é suportada pela evolução geral do mercado, onde o mais recente relatório State of the Marketplace 2024-2025 da PBFA revela que quase 60% dos lares norte-americanos já consomem produtos de base vegetal com regularidade, impulsionados pela procura de hábitos mais saudáveis.

Contudo, este crescimento no setor plant-based não se traduz de forma direta na adesão aos análogos da carne. Quando a teoria científica chega ao prato do dia a dia, esbarra na psicologia e no orçamento do consumidor habitual de carne. Um estudo da Universidade de Adelaide, publicado no Journal of Marketing Management, revela que os apelos publicitários e a consciência ambiental não chegam para vencer a perceção de risco dos consumidores. Segundo a investigação australiana, a maioria dos comedores de carne continua a rejeitar as alternativas vegetais devido ao seu elevado preço (price premium), a dúvidas quanto ao sabor e textura, e à preocupação de que estes análogos sejam produtos altamente processados. Na verdade, dados de mercado de entidades como o Good Food Institute em parceria com a Euromonitor confirmam que o chamado "Triângulo da Adoção" (Sabor, Preço e Conveniência) é o fator decisivo:mesmo em mercados maduros, a principal razão para o abandono das alternativas vegetais não é a falta de consciência ambiental, mas sim o preço elevado e expetativas frustradas quanto à textura e sabor.  A este cepticismo soma-se a percepção de risco nutricional revelada por investigações em revistas especializadas como a Appetite e a Food Quality and Preference. Muitos consumidores flexitarianos hesitam em trocar um corte de carne simples por análogos vegetais que associam a produtos ultraprocessados e com listas extensas de ingredientes. Cria-se, assim, um paradoxo: o desejo de fazer uma escolha sustentável colide com a receita da saúde e do orçamento diário. Para a grande maioria dos comedores de carne, a transição só ganhará escala real quando a indústria superar a barreira dos rótulos e entregar produtos genuinamente saborosos, acessíveis e transparentes.

Concluindo, o fosso entre o relatório EAT-Lancet e as conclusões do estudo de Adelaide demonstra que a transição alimentar não se concretizará apenas com discursos morais ou campanhas publicitárias emocionais. Enquanto as alternativas vegetais à carne não garantirem uma verdadeira paridade de preço, transparência nos ingredientes e uma experiência gastronómica equivalente à carne convencional, a sustentabilidade continuará a despertar o interesse dos consumidores na teoria, mas poucas mudanças no carrinho de compras.

Veja a íntegra da edição de 2025 do relatório e um resumo em português da Comissão EAT-Lancet aqui


quarta-feira, 15 de julho de 2026

O 'bicho-de-sete-cabeças' que não é: como uma loja online unificada salvaria os museus públicos

Pelo que conheço de e-commerce, pôr de pé uma loja online que junte o espólio de mais de 30 museus e monumentos nacionais não é bicho-de-sete-cabeças, mas exige dividir os custos em dois momentos: o arranque e o dia a dia.

Para começar, o desenvolvimento do site - que tem de ser robusto para cruzar os stocks de museus diferentes -, a fotografia profissional das réplicas e livros, e a integração com sistemas de pagamento (como o MB Way, ou melhor ainda um agregador, como a Stripe ou a Adyen) e faturação ficaria entre os 21.500 € e os 43.000 €. É um investimento feito apenas uma vez.

O verdadeiro desafio está no que vem a seguir. Manter a loja viva e a faturar custaria entre 30.000 € e 61.000 € por ano. Este valor serve para pagar os servidores, o marketing digital (essencial para que os turistas saibam que a loja existe) e, acima de tudo, a logística: alguém tem de estar num armazém central a embalar as peças com cuidado e a despachar as encomendas.

Pode parecer muito dinheiro para a realidade da nossa cultura, mas as contas fazem-se depressa. Se cada cliente gastar, em média, 40 € (o preço de um catálogo e de uma lembrança), a loja só precisa de fazer 6 ou 7 vendas por dia para pagar todas as suas despesas e começar a dar lucro. Para os milhões de visitantes que os museus portugueses recebem todos os anos, isto é uma gota no oceano.

Fica claro que o problema nunca foi o preço da tecnologia, mas sim a falta de vontade política para gerir a nossa Cultura com uma visão sustentável, estratégica e promoção da Língua Portuguesa 
(P.S. sem nacionalismos ou ideologias) 

Ironia: a pretensa loja até existe, mas actualmente é um cemitério, desde 2012! . O que aconteceu? O dinheiro público foi gasto, mas as plataformas exigem manutenção contínua, interação constante entre as autarquias e a logística e como concluí, não há uma visão estratégica da Cultura Portuguesa além-fronteiras.

Neste aspecto (lojas virtuais de museus) não somos Franceses, Alemães, Holandeses nem os Países Nórdicos.

De Serralves à Vista Alegre: O sucesso das lojas digitais que o setor público devia imitar
As fundações privadas em Portugal estão, na verdade, bastante mais avançadas na transição digital do que o setor público. Como têm maior autonomia de gestão, orçamentos focados na internacionalização e processos de decisão mais ágeis, conseguiram criar plataformas de comércio eletrónico muito completas e intuitivas, que funcionam quase como montras de design e cultura.

Um dos melhores exemplos nacionais é a Loja de Serralves, no Porto, que se posiciona hoje como uma verdadeira concept store de arte contemporânea. No seu site, além de uma vasta livraria especializada em arte e arquitetura, é possível adquirir edições limitadas e numeradas de artistas consagrados, peças de decoração exclusivas, acessórios de moda desenhados por criadores portugueses e brinquedos didáticos de design premiado. Na mesma linha de excelência, as Lojas da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, dividem-se entre o catálogo do museu clássico e o do recém-renovado Centro de Arte Moderna (CAM). O seu espaço online destaca-se pela impressionante oferta de catálogos de exposições e ensaios históricos, mas também por peças de joalharia fina inspiradas na famosa coleção de René Lalique e por reproduções de azulejaria artística desenvolvidas em parcerias com galerias nacionais.

Para quem procura um nicho mais histórico e aristocrático, a Fundação das Casas de Fronteira e Alorna disponibiliza na sua loja virtual os "Cadernos da Fundação" - que reúnem investigações sobre o património barroco e a literatura dos séculos XVII e XVIII - , além de peças de azulejaria e produtos exclusivos inspirados na iconografia do próprio Palácio Fronteira. Por fim, num cruzamento perfeito entre a arte, a indústria e a preservação histórica, a Fundação Vista Alegre desempenha um papel crucial ao disponibilizar online réplicas exatas de peças de porcelana do século XIX, retiradas diretamente do espólio do seu museu histórico, bem como edições limitadas produzidas em colaboração com artistas contemporâneos globais.

A grande vantagem destas plataformas, além da óbvia comodidade de receber as peças em casa, é que muitas oferecem descontos de liquidação em livros e catálogos antigos que já não se encontram no mercado comum. Acima de tudo, comprar nestes canais digitais é uma forma direta de apoiar a sustentabilidade da cultura em Portugal, uma vez que a receita destas vendas reverte inteiramente para a manutenção do património, restauro de peças e financiamento de novas exposições e bolsas artísticas. 

Sim, os bilhetes normais são caros e proibitivos para o dia a dia. Mas conhecendo os dias específicos, podemos usufruir do melhor que estas fundações privadas têm para oferecer com o mesmo custo do programa Acesso 52 dos museus públicos: zero euros.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Julia Lezhneva, de 19 Anos, fascina em "Son qual nave ch'agitata" de Farinelli (a Ária impossível do Barroco)

Melhor som aqui
A interpretação de Julia Lezhneva de "Son qual nave ch'agitata", gravada quando tinha apenas 19 anos, continua a ser uma das demonstrações de pirotecnia vocal mais avassaladoras de que há registo. Ouvir uma jovem de 19 anos dominar uma peça que foi especificamente desenhada para o maior castrato do século XVIII é algo absolutamente arrebatador.

Esta ária não foi escrita por um compositor qualquer; foi composta por Riccardo Broschi em 1734 especificamente para o seu irmão, Carlo Broschi - mais conhecido na história da música como Farinelli.

Como foi talhada à medida da capacidade pulmonar quase sobre-humana e da agilidade invulgar de Farinelli, a partitura lê-se como uma autêntica corrida de obstáculos:
  • Coloratura vertiginosa: sequências longas e ininterruptas de notas rápidas, destinadas a imitar uma tempestade violenta no mar.
  • Grandes saltos vocais: transições súbitas entre oitavas que exigem um controlo de afinação e uma memória muscular absolutos.
  • Controlo de respiração impressionante: frases musicais que parecem eternas, sem dar margem para recuperar o fôlego.
O texto traduz-se como "Sou como um navio agitado", comparando a alma em sofrimento a uma embarcação fustigada por uma tempestade brutal.

Letra Original (Italiano)
Aria:
Son qual nave ch'agitata
Da più scogli e da più venti,
In un mar senza sponde
Co 'l darsi in preda all'onde
Va solcando il fondo al mar.

Parte B (Secundária):
Ma lo scorgo il mio nocchiero,
Che mi dice: "Non temere",
E mi mostra il porto altero
Onde il cor si può salvar.

Tradução (Português de Portugal)
Ária:
Sou como um navio agitado
Por múltiplos rochedos e ventos,
Num mar sem margens,
Que, entregando-se como presa às ondas,
Vai sulcando as profundezas do mar.

Parte B (Secundária):
Mas avisto o meu timoneiro (piloto),
Que me diz: "Não temas",
E mostra-me o porto seguro
Onde o meu coração se pode salvar.

A Estrutura Da Capo
Na atuação da Julia Lezhneva (e na partitura original), a estrutura segue o modelo Ária Da Capo (ABA). Isto significa que:
  • Ela canta a primeira parte (A - a tempestade).
  • Canta a segunda parte (B - a esperança do porto seguro), que tem um ritmo e ambiente ligeiramente diferentes.
  • Regressa ao início (Da Capo): repete toda a primeira parte (A), mas desta vez com a obrigação de improvisar e adicionar os ornamentos, agudos e variações acrobáticas que tanto nos impressionam.
Por que razão a versão de Lezhneva assombra o Mundo
Quando Lezhneva interpretou esta obra-prima, deixou o mundo da música erudita boquiaberto, não apenas pela sua juventude, mas pela sua precisão instrumental cirúrgica.

Enquanto muitas sopranos abordam a coloratura barroca com um vibrato pesado ou notas "aspiradas" (adicionando pequenos sons de "h" para separar as notas rápidas), Lezhneva faz exatamente o oposto.

A sua técnica baseia-se num tom cristalino, focado e puro, onde cada nota numa sequência rápida é individualizada, perfeitamente afinada e executada sem aparente esforço. Os seus trinados velozes e o fôlego interminável fazem com que a sua voz se comporte menos como cordas vocais humanas e mais como uma flauta barroca tocada na perfeição.


Detalhes do Concerto e o efeito "The 19-Year-Old Julia Lezhneva..." ("A jovem de 19 anos...")
Data exata: 8 de dezembro de 2011, ao vivo em Cracóvia
O Contexto: o concerto fez parte da gravação e digressão da ópera L'Oracolo in Messenia, de Antonio Vivaldi (onde a ária de Riccardo Broschi foi inserida como um acrescento de virtuosismo para a sua personagem, Trasimede), acompanhada pelo agrupamento barroco I Barocchisti sob a direção do maestro Diego Fasolis.

O pormenor dos "19 anos":
Se fizer as contas ao ano de nascimento da cantora (novembro de 1989), verá que ela tinha, na verdade, 22 anos na data exata desta gravação em Cracóvia.

No entanto, os vídeos desta atuação partilhados no YouTube e nas redes sociais ganharam enorme tração com o título "The 19-Year-Old Julia Lezhneva..." (A jovem de 19 anos...). Isto acontece por dois motivos muito comuns no mundo digital:
  • Confusão com a sua estreia: Julia Lezhneva saltou para a ribalta internacional precisamente aos 18/19 anos (em 2008-2009), quando venceu o prestigiado Concurso Mirjam Helin em Helsínquia e começou a fazer as suas primeiras grandes digressões europeias com esta ária no repertório. Para ver um vislumbre e recordar a aclamada prestação da cantora russa no concurso aqui
  • Efeito de "Marketing" Digital: O título "aos 19 anos" tornou-se uma marca viral tão forte na internet para descrever o início da sua carreira que os blogues e canais de música continuam a usá-lo para sublinhar a sua impressionante juventude e precocidade.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Criado site gratuito que ajuda PME a cumprirem diretiva europeia contra “greenwashing”



O Pacto Climático Europeu lançou uma nova ferramenta digital gratuita destinada a apoiar as pequenas e médias empresas (PME) portuguesas no cumprimento das exigências da mais recente diretiva europeia contra o “greenwashing”. A iniciativa surge num momento crítico: a Diretiva 2024/825 deverá ser transposta para a legislação nacional até 27 de março, entrando plenamente em vigor a 27 de setembro, altura a partir da qual as empresas poderão ver as peças publicitárias suspensas e enfrentar coimas significativas por práticas consideradas desleais.

Diogo Abrantes da Silva, embaixador do Pacto Climático Europeu, e o projeto #Pub, para uma comunicação nas empresas mais transparente, criaram uma ferramenta digital gratuita para apoiar as pequenas e médias empresas (PME) em Portugal a cumprirem a nova diretiva da União Europeia que as obriga a ser transparentes quanto à sustentabilidade dos seus produtos e as impede de usar alegações ambientais não comprovadas.

O site “diretivas.eu” pretende funcionar como um guia prático para empresários e gestores. A plataforma permite verificar se as imagens ou páginas de produtos, a sua comunicação institucional ou os seus rótulos estão de acordo com as novas regras europeias. E clarifica também os pontos mais técnicos e intrincados do texto da diretiva.

“A Diretiva 2024/825 é muito positiva, porque reforça a proteção dos consumidores contra práticas comerciais desleais, especialmente o “greenwashing”, e melhora a informação sobre sustentabilidade, durabilidade e reparabilidade dos produtos”, afirma Diogo Abrantes da Silva, gestor de marketing para ONGs, ativista ambiental e embaixador do Pacto Climático Europeu. “A diretiva cria, no entanto, muitos riscos às empresas que desconhecem as suas exigências, expondo-as, a partir de setembro, à vigilância e às sanções da ASAE ou de outras organizações regulatórias”.

A nova diretiva europeia visa reforçar a proteção dos consumidores, proibindo alegações ambientais vagas ou não comprovadas. Termos como “eco-friendly”, “verde” ou “neutro em carbono” deixam de poder ser utilizados sem evidência verificável. A legislação impõe ainda restrições a comparações ambientais enganosas, certificações pouco credíveis e estratégias que reduzam artificialmente a durabilidade dos produtos.

De acordo com uma análise realizada pelo projeto, entre os 286 websites analisados, 119 contêm menções sobre a sustentabilidade dos seus produtos que poderão ser classificadas como genéricas. Neste trabalho foram extraídos dados de websites de empresas deste setor, utilizando diretórios online de referência, como o Peggada. A ferramenta extraiu o texto da página inicial de cada um dos sites presentes na base de dados para verificar a existência de palavras-chave genéricas.

No caso do volume total de menções genéricas por categoria, o comércio online surge no topo da tabela com 197 menções, seguindo-se marcas ligadas à moda, sustentabilidade e ética com 48 menções. O terceiro lugar é ocupado por empresas de cosmética e higiene pessoal com um total de 29 menções.

Entre as restrições incluem-se mencionar que um produto é “neutro em carbono” apenas com base na compensação de emissões fora da cadeia de valor: não basta dizer que a marca planta árvores, ela terá de demonstrar que usa processos que resultam na redução real das emissões do próprio produto. Elementos visuais como folhas verdes ou gotas de água também podem ser interpretados como alegações ambientais implícitas: se a apresentação induzir o consumidor em erro sobre os benefícios do produto, será considerada prática desleal.

“É natural que sejam as empresas que têm a sustentabilidade no centro dos seus negócios as mais expostas às exigências da Diretiva”, afirma Diogo Abrantes da Silva. “Estas empresas têm um bom intuito, não devem ser elas as mais prejudicadas pela nova lei de proteção aos consumidores: o site ‘diretivas.eu’ é sobretudo útil para ajudar as empresas que já estão a trabalhar na transição climática”.

A ferramenta disponibilizada no site inclui um “scanner” capaz de analisar até 500 páginas de um website, detetando linguagem potencialmente proibida. Adicionalmente, um sistema de inteligência artificial avalia imagens e anúncios, identificando elementos visuais que possam induzir em erro — como o uso de símbolos associados à natureza sem base factual.

Para Diogo Abrantes da Silva, o objetivo não é penalizar empresas que já procuram adotar práticas mais sustentáveis, mas sim ajudá-las a comunicar de forma transparente e alinhada com a nova legislação. “Há muitas organizações com boas intenções que podem ser prejudicadas por desconhecimento. Esta ferramenta serve para esclarecer e prevenir riscos”, afirma.

Além da componente de diagnóstico, o site também orienta as empresas no acesso a certificações reconhecidas, como o Rótulo Ecológico da União Europeia, que valida produtos com menor impacto ambiental.

Integrado no âmbito do Pacto Climático Europeu — uma das iniciativas do Pacto Ecológico Europeu — o projeto reforça o esforço comunitário para promover práticas empresariais mais responsáveis e uma transição efetiva para uma economia de baixo carbono.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Eastgate Center: uma história de bioinspiração não muito verdadeira


No campo da biomimética, existem certas críticas sobre projetos baseados em visões superficiais da natureza e numa economia pretensamente verde, como aqui já foi referido.

Um desses projetos é um dos exemplos arquitetónicos mais famosos da biomimética: o edifício Eastgate Centre, localizado em Harare, Zimbabué, inaugurado em 1996.

O arquiteto Mick Pearce e a empresa Arup ter-se-ão inspirado parcialmente na estrutura das termiteiras locais para construir um edifício adequado a um clima tropical. Na África tropical, as térmitas da subfamília Macrotermitinae constroem ninhos enormes (até 9 metros) onde cultivam fungos em câmaras dentro do ninho.

No entanto, o projeto do edifício não se baseou totalmente no funcionamento real das termiteiras, como veremos adiante.

Modelos de regulação térmica das termiteiras
Na época em que Pearce projetou o edifício, existiam dois modelos propostos e aceitos para explicar a regulação térmica dentro das termiteiras: o modelo de fluxo termossifão e o modelo de fluxo induzido.

Fluxo termossifão: A ventilação é acionada pelo calor; o ar quente gerado pelo ninho sobe até ao topo da térmiteira onde, ao arrefecer, fica mais denso e é forçado para a região abaixo do ninho, repetindo o ciclo.

Fluxo induzido: Aplica-se às termiteiras que têm uma chaminé no topo, exposta a velocidades de vento mais elevadas do que as entradas ao nível do solo. Assim, o fluxo unidirecional atrai ar fresco junto ao solo para o ninho, passando pela chaminé e saindo para o exterior.

Projeto do edifício Eastgate Centre
Os arquitetos que projetaram o Eastgate Centre tentaram incorporar os princípios destes dois modelos. O edifício possui um extenso sistema de condutas dentro das paredes e pisos que movem o ar através da estrutura.

O calor gerado dentro do edifício, juntamente com o calor armazenado na estrutura, cria um efeito de termossifão que atrai o ar para cima. No telhado, localizam-se grandes chaminés, essenciais para criar o fluxo induzido.

No entanto, as histórias populares sobre o Eastgate Centre ignoram um detalhe importante: o edifício utiliza ventiladores de baixa capacidade durante o dia e de alta capacidade durante a noite para evitar a estagnação do ar. Assim, o ar quente acumulado durante o dia é substituído pelo ar fresco da noite. Isto funciona bem e evita o uso de ar condicionado caro, mas, escusado será dizer, nenhuma termiteira utiliza ventiladores.

Críticas ao projeto
O sistema de refrigeração permitiu uma poupança de 10% nos custos iniciais (ao não comprar sistemas de ar condicionado) e uma redução de 20% no preço dos alugueres em comparação com edifícios vizinhos.

Embora o objetivo prático tenha sido atingido, em termos de biomimética o projeto falhou, pois as térmiteiras não ventilam da forma que Mick Pearce pensava. Como escreveu a entomologista Marianne Alleyne:

“Se a biomimética e a bioinspiração desejam ser reconhecidas como áreas de estudo legítimas, é essencial que a ciência em que o campo se baseia seja sólida.”

Como as termiteiras realmente funcionam
Desde 1996, as suposições de Pearce foram refutadas pelos investigadores J. Scott Turner e Rupert C. Soar. Eles verificaram que, embora a temperatura interna varie menos que a externa, ela segue de perto a temperatura do solo circundante ao longo do ano.

O solo tem uma grande capacidade térmica, atuando como um "amortecedor" contra as variações diárias. A arquitetura e a ventilação têm pouco a ver com a temperatura interna, mas sim com a troca de gases. Ao fazerem moldes de gesso dos túneis, os investigadores descobriram que há pouca mistura entre o ar da superfície e o do ninho subterrâneo, propondo que a termiteira é, na verdade, um análogo funcional de um pulmão.

Metamateriais inspirados nas térmitas
Em 2023, David Andréen e Rupert Soar demonstraram que a geometria dos túneis pode otimizar o fluxo de ar e o controlo de humidade. Com base em digitalizações e experiências, criaram estruturas que podem ser integradas nas paredes de futuros edifícios, permitindo: circulação de ar otimizada por sensores; controlo térmico sem componentes mecânicos e consumo mínimo de energia.

Conclusão
As térmitas constroem paredes que interagem com o ambiente, trocando gases e energia em vez de criarem barreiras impenetráveis. Estas descobertas abrem caminho para edifícios com paredes porosas e sistemas de revestimento vivos, que farão parte da nossa "fisiologia estendida", tal como o ninho faz parte da colónia.

Referências:
  1. Termite-inspired metamaterials for flow-active building envelopes.
  2. Beyond biomimicry: What termites can tell us about realizing the living building.
  3. The termite mound: A not-quite-true popular bioinspiration story.
  4. How is the Eastgate Building NOT like a Termite Mound?

Além do erro biológico o Eastgate Centre levanta problemas de transição justa
O Eastgate Centre, em Harare, no  Zimbabwe, apontado como ícone arquitectónico de "inspiração na natureza" serviu apenas como um verniz ecológico para um edifício construído com materiais de elevado impacto ambiental, como o betão e o aço, e destinado a escritórios de luxo e comércio de elite. Enquanto o marketing celebrava a "sabedoria das térmitas", o projeto ignorou a justiça social: a energia que o edifício ainda consome provém de centrais a carvão poluentes e a tecnologia biomimética não é aplicada para melhorar a vida das populações mais pobres na periferia de Harare. Assim, o Eastgate torna-se um caso de estudo sobre como a biomimética pode ser cooptada para validar modelos de negócio tradicionais, focando-se na eficiência técnica para o capital em vez de numa regeneração ecológica e social profunda.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Esta é a lista de clientes divulgada por Marques Mendes


O candidato presidencial Luís Marques Mendes divulgou esta sexta-feira uma lista com os 22 clientes da sua empresa, na qual se encontram prestações de serviços em consultoria, comentário e participações em conferências, e que inclui a construtora de Famalicão Alberto Couto Alves.

Numa lista enviada à agência Lusa pela sua candidatura, encontram-se como clientes da sociedade LS2MM, Lda., no âmbito de consultoria estratégica: a Alberto Couto Alves, SGPS, SA; a Associação Portuguesa dos Industriais de Engenharia Energética (APIEE); a Atrys Portugal Centro Médico Avançado, SA, do Porto; a Denominador Comum – Consultoria de Negócios, SA, com sede na Póvoa de Lanhoso; e a Painhas SA, com sede no Porto.

À Lusa, o diretor de campanha, Duarte Marques, desafia os restantes candidato, “a bem da transparência”, a divulgarem “tudo o que se possa suscitar conflitos de interesses”.

McDonald’s e transportes pesados entre clientes

Na sequência de um artigo da revista Sábado, segundo o qual Marques Mendes ganhou mais de 700 mil euros nos últimos dois anos enquanto consultor da Abreu Advogados e na sociedade LS2MM, Lda, o candidato presidencial comprometeu-se a divulgar a lista da sua empresa familiar, após autorização dos clientes, mas não da sociedade de advogados, por colocar em causa o sigilo profissional.

Da lista da sua empresa constam igualmente, no âmbito de conferências proferidas por Marques Mendes: a ARP – Associação Rodoviária de Transportes Pesados de Passageiros; associação de Restaurantes McDonald’s, Brandom – Comunicação, Imagem e eventos, Lda; CBRE – Sociedade de Mediação Imobiliária, Lda; Cimpor – Serviços, SA; Eixo e Debate, Lda; El Circo del Marketing SL; Ger Imotion – Lda; GS1 Portugal; Marketividade – Marketing, comunicação e vendas, Lda; Primavera – Business Software Solutions, SA; Rede Global, SA; Shopitur, SA; a Tabaqueira II, SA; e Tedcom, Lda.

A SIC Sociedade Independente de Comunicação, SA, aparece na lista pelo espaço de comentário que manteve, assim como a Medipress Sc Jornalística e Editorial, Lda, no âmbito de artigos de opinião.

"Quem não deve não teme"
O diretor de campanha de Marques Mendes salientou, na declaração escrita enviada à Lusa, que o candidato presidencial divulgou esta lista “por dever de escrutínio e porque quem não deve não teme”.

“Cumpriu o que prometeu”, declarou, sublinhando que “o escrutínio deve ser para todos”.

“Isto é escrutínio e é correto. Outra coisa são insinuações vindas de alguns outros candidatos, só exibem desespero e baixa política”, afirmou Duarte Marques, que disse que “Marques Mendes resolveu fazer algo de inédito em Portugal em termos de transparência: divulgar a lista de clientes com que trabalhou, na sua vida”.

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Billy Bragg - Waiting for the Great Leap Forwards


“Waiting for the Great Leap Forwards”, lançada em 1988 por Billy Bragg, é uma canção que combina crítica política, autoironia e uma reflexão amarga sobre a relação entre ideais revolucionários e a realidade prática. Bragg desmonta, com humor e lucidez, a ideia do “grande salto em frente” — expressão historicamente ligada à retórica revolucionária — transformando-a numa metáfora para a promessa sempre adiada de mudança. A canção revela o cansaço e a frustração com a política institucional, mostrando como slogans, reformas e líderes que prometem transformação acabam frequentemente por reproduzir a mesma lógica de espera passiva. 

O artista não poupa ninguém, incluindo a si próprio: reconhece as contradições de ser um músico engajado que, ao mesmo tempo, depende da indústria cultural, e admite que até a rebeldia pode ser rapidamente transformada em mercadoria. 

Assim, critica a facilidade com que o mercado absorve e neutraliza o radicalismo, convertendo causas sociais em produtos de consumo. 

O humor é central à canção, não apenas como recurso estilístico, mas como arma política; serve para expor o absurdo da política-espetáculo e das ilusões utópicas embaladas em discursos grandiosos.

Apesar do tom cético, a música não capitula ao niilismo: permanece um fio de esperança, uma sugestão de que a verdadeira transformação não virá de um salto súbito, mas de uma prática constante de ação e questionamento. Em última análise, Bragg convida-nos a abandonar a espera pela mudança miraculosa e a encarar o processo político como algo construído no quotidiano — menos espetáculo, mais empenho real.

sábado, 7 de junho de 2025

O que é streaming? Entenda como funciona a tecnologia e conheça as principais plataformas


Streaming é a tecnologia de transmissão ou recepção contínua de dados via internet. A tecnologia permite que usuários acessem a diferentes tipos de conteúdos alocados nos servidores das plataformas de serviço.

Existem três tipos de streaming: de vídeo, de áudio ou de jogos. E a reprodução de conteúdos acontece sob pedido ou em tempo real (como no caso de live streaming).

A tecnologia de streaming serve para acessar a conteúdos da internet de maneira simplificada, sem a necessidade de downloads locais nos dispositivos.

A seguir, entenda o que é streaming, veja como a tecnologia funciona, e confira as principais plataformas do mercado.

O que é streaming?
Streaming é uma tecnologia de transmissão ou recepção contínua de dados via internet, de um servidor para o usuário. Essa tecnologia permite que dispositivos (como smartphones, PCs, smart TVs, entre outros) possam acessar vídeos, músicas, jogos e outros tipos de conteúdo em tempo real ou sob demanda.

Qual é o significado de streaming?
O termo “streaming” é derivado da expressão em inglês “stream”, que significa “fluxo contínuo”. No âmbito tecnológico, a palavra se refere à transmissão contínua de dados via internet, a exemplo de conteúdos em vídeos, áudios e games.

Para que serve o streaming?
O streaming tem a função de transmitir ou receber dados de forma contínua pela internet. Do ponto de vista do usuário (receptor), o streaming é a tecnologia necessária para assistir a filmes ou jogar online, sem a necessidade de baixar os conteúdos no dispositivo.

Já do ponto de vista dos prestadores de serviços ou criadores de conteúdos, o streaming consiste no meio necessário para que os dados armazenados nos servidores sejam disponibilizados aos usuários, seja no modelo sob demanda ou em tempo real.

Como funciona o streaming
O funcionamento do streaming se baseia na tecnologia de cloud computing, em que as empresas armazenam seus conteúdos (em áudio, vídeo, entre outros formatos) na nuvem para disponibilização sob demanda. Em casos de live streaming, os sinais do streamer são enviados para os servidores, e então são distribuídos em tempo real.

Os usuários então conectam seus dispositivos à internet e acessam as plataformas de streaming, seja via software de aplicação (apps) ou plataforma web. Alguns serviços podem ser utilizados de forma gratuita e sem a necessidade de login, mas a maioria das plataformas exige uma conta e assinatura paga para uso.

Se a conta tiver as permissões necessárias, a plataforma vai receber os dados dos servidores para reproduzir os conteúdos. E vale destacar que a qualidade dos serviços de streaming pode variar, de acordo com a velocidade da internet, configuração de dados móveis, taxa de bits, e limitações das próprias plataformas.

Consigo usar streaming sem internet?
Não. A tecnologia de streaming necessita que dispositivos estejam conectados à internet para receber os dados dos servidores e acessar aos conteúdos. Logo, os processos de transmissão e recepção de informações só ocorrem em ambiente online.

Alguns serviços de streaming permitem uso offline, desde que os conteúdos sejam baixados previamente. Mas nesses casos, não há transmissão de dados em tempo real, e ocorre apenas a reprodução de dados armazenados localmente.

Preciso pagar para usar streaming?
Não necessariamente. YouTube e Spotify são exemplos de serviços de streaming gratuitos, que podem ser utilizados (com limitações) sem uma assinatura. Contudo, a maioria das plataformas de streaming costumam exigir assinaturas pagas para acessos ilimitados aos conteúdos e experiência completa dos serviços.

Quais são os tipos de streaming?
A tecnologia de streaming pode envolver diferentes finalidades, mas inclui três tipos de transmissão de dados:
  • Streaming de vídeo: serviços que disponibilizam acesso a filmes, séries, documentários e vídeos sob demanda ou em formato live streaming (transmissão em tempo real);
  • Streaming de áudio: tipo de streaming que oferece acesso a músicas e audiolivros (sob demanda) ou conteúdos em tempo real (como podcasts, rádios, entre outros);
  • Streaming de jogos: serviço de jogos via streaming, que fazem com que consoles, PCs, TVs e smartphones rodem jogos diretamente da nuvem.

Quais são as principais plataformas de streaming?
Há diversos serviços de streaming voltados para vídeo, áudio ou jogos, dos quais a maioria exige uma assinatura paga. As principais plataformas de streaming abrangem:
  • Netflix: plataforma paga focada em filmes, séries e documentários, além de oferecer jogos em dispositivos móveis;
  • Amazon Prime Video: serviço mediante assinatura da Amazon, que oferece um amplo catálogo de filmes, séries originais, canais adicionais e eventos em tempo real;
  • Disney+: streaming pago da Disney, com foco em filmes, séries e documentários do conglomerado;
  • HBO Max: serviço pago da Warner Bros. Discovery, que disponibiliza filmes, séries originais e documentários;
  • Apple TV+: plataforma de streaming da Apple mediante assinatura, focada em filmes e séries originais, e com disponibilidade de eventos ao vivo;
  • Globoplay: serviço da Rede Globo com planos pagos e conteúdos gratuitos, que inclui um catálogo de filmes, séries, programas de TV, e transmissões ao vivo do conglomerado;
  • Mubi: plataforma paga da Mubi com enfoque em clássicos do cinema e em filmes aclamados pela crítica;
  • YouTube: serviço do Google de uso gratuito ou pago, que inclui vídeos de entretenimento, videoclipes, músicas, podcasts, live streaming, aluguer de filmes, entre outros conteúdos audiovisuais;
  • Spotify: plataforma de streaming de áudio com planos gratuitos ou pagos, que reúne ampla biblioteca de músicas, audiolivros, podcasts e rádios;
  • Deezer: plataforma de áudio com catálogo recheado de músicas e podcasts, e que pode ser usada gratuitamente ou por meio de assinatura;
  • Tidal: serviço pago da Block focado em músicas, mas que também inclui videoclipes e conteúdos exclusivos de artistas;
  • Amazon Music: serviço de streaming de áudio mediante assinatura da Amazon, que inclui músicas, podcasts e outros áudios em seu catálogo;
  • Apple Music: plataforma de streaming de áudio da Apple mediante assinatura, que contém músicas, rádios, entrevistas e conteúdos exclusivos;
  • Xbox Cloud Gaming (xCloud): serviço pago de jogos em nuvem da Microsoft, com amplo catálogo de games e títulos rotativos;
  • GeForce Now: serviço de streaming de jogos da Nvidia, que inclui planos gratuitos ou pagos, e que permite rodar jogos já adquiridos diretamente na nuvem;
  • Amazon Luna: plataforma de jogos via nuvem mediante assinatura da Amazon, que inclui games do catálogo e títulos por assinatura;
  • Twitch: serviço focado em transmissão de conteúdo em tempo real, que pode ser usado gratuitamente ou com uma assinatura paga;
  • Kick: plataforma focada em live streaming, com opções de uso gratuitas ou pagas.
Quais são os principais benefícios do streaming?
A tecnologia de streaming inclui diversos benefícios de uso, principalmente em questões de praticidade e recursos de reprodução de conteúdos. As principais vantagens do streaming incluem:
  • Bibliotecas amplas de conteúdo: o universo de streaming reúne uma grande quantidade de conteúdos disponíveis para os usuários;
  • Economia de armazenamento local: o streaming é baseado em conteúdos armazenados em servidores, de modo com que usuários não precisem baixar os conteúdos nos dispositivos;
  • Autonomia de uso: o streaming permite que usuários utilizem as plataformas via app ou plataforma web, bastando uma conexão com internet;
  • Recurso de pausar e voltar: é possível pausar ou voltar a reprodução, seja em conteúdos sob demanda ou em live streaming;
  • Disponibilidade em múltiplos aparelhos: usuários podem acessar plataformas de streaming de diversos dispositivos, como smartphone, computador, videogames, tablets, entre outros aparelhos;
  • Recomendações com base em preferências: plataformas de streaming costumam recomendar conteúdos com base nas preferências e visualizações dos usuários.
Quais são as principais limitações do streaming?
O streaming apresenta limitações de uso especialmente ligadas à conexão com internet e planos para uso. Dentre as desvantagens da tecnologia, estão:
  • Dependência de internet: o uso de serviços de streaming é dependente de conexão com internet, e do bom funcionamento dos servidores das empresas de streaming;
  • Alto consumo de dados: a transmissão contínua de dados consome grande quantidade de dados de internet, aumentando consideravelmente o uso dos dados móveis;
  • Conteúdos muito diluídos: devido a questões de direitos de licenciamento, conteúdos costumam ser disponibilizados em múltiplas plataformas, o que pode exigir assinaturas em vários serviços;
  • Exigência de assinaturas: a maioria dos serviços de streaming exige planos pagos para uso ou para uma experiência completa.
Qual é a diferença entre streaming e live streaming?
Streaming é uma tecnologia de consumo responsável pela transmissão contínua de dados via internet. Quando conectados à internet, dispositivos eletrônicos podem usar o streaming para acessar plataformas de vídeo, áudio ou jogos, seja no formato sob pedido (como Netflix) ou em tempo real (a exemplo da Twitch).

Já live streaming é um tipo específico de streaming, em que a transmissão contínua de dados via conexão com a internet ocorre em tempo real. Em outras palavras, trata-se da transmissão ou recepção de dados de eventos ocorrendo naquele exato momento, como um jogo de futebol ou lives de criadores de conteúdo.

Em suma: nem todo formato de streaming é uma live streaming, mas toda live streaming se caracteriza como streaming.

sábado, 10 de agosto de 2024

Ex-diretora do YouTube e pioneira em tecnologia Susan Wojcicki morre aos 56 anos


São Francisco, Estados Unidos, 10 ago 2024 (Lusa) – A ex-chefe do YouTube e pioneira em tecnologia Susan Wojcicki, que desempenhou um papel fundamental na ascensão da Google, morreu, aos 56 anos, vítima de cancro no pulmão, anunciou o marido na sexta-feira.

Susan Wojcicki passou quase duas décadas ligada às mudanças na Google, mecanismo de busca na Internet lançado na sua garagem, que se tornou um gigante global da tecnologia.

No YouTube, adquirido pela Google em 2006, Wojcicki administrou operações por quase uma década antes de deixar o cargo no ano passado para se concentrar nos seus projetos pessoais, familiares e na sua saúde.

O marido, Dennis Troper, escreveu no Facebook que a esposa lutava contra um cancro do pulmão há dois anos.

“Minha amada esposa há 26 anos e mãe dos nossos cinco filhos deixou-nos hoje”, escreveu.

“Susan não foi apenas a minha melhor amiga e parceira na vida, mas também uma mente brilhante, uma mãe amorosa e uma amiga querida para muitos. A sua influência na nossa família e no mundo foi imensurável”, acrescentou Dennis Troper.

Susan Wojcicki trabalhava na Intel quando os amigos Sergey Brin e Larry Page fundaram a Google na garagem da sua casa, em Menlo Park, Califórnia, em 1998.

Um ano depois, ingressou na empresa como 16.ª funcionária e primeira diretora de marketing.
Na Google, participou da criação do motor de busca de imagens e trabalhou nas aquisições do YouTube e da plataforma de publicidade DoubleClick.

“É difícil imaginar o mundo sem ela”, escreveu o diretor executivo da Google, Sundar Pichai.

Nomeada diretora executiva do YouTube em 2014, Susan Wojcicki introduziu novas formas de publicidade e ajudou a impulsionar o seu crescimento ao lançar um serviço de ‘streaming’ de televisão à medida que os telespetadores recorriam cada vez mais à Internet para programas e filmes.

Também é conhecida por abordar preocupações relacionadas à privacidade das crianças, ao discurso de ódio e à disseminação de desinformação, especialmente durante a pandemia de covid-19.

Grávida de quatro meses quando foi contratada, defendeu a licença parental remunerada.

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Lavagem verde da multinacional Dentsu


A empresa de publicidade Dentsu mostrou uma solução para limpar o ar. Para tal instalou um mural na Euston Road, um dos pontos mais poluídos de Londres. O mural mostrava uma mulher cor-de-rosa e roxa a apanhar os fumos numa rede. O molho secreto: uma tinta supostamente capaz de converter os poluentes do ar em "sais inofensivos". Acontece que, nos últimos cinco anos, a holding multinacional japonesa e as suas subsidiárias, celebraram pelo menos 27 contratos de relações públicas, publicidade e campanhas de marketing para 25 produtores de combustíveis fósseis diferentes, incluindo a Shell, a ExxonMobil e a BP. Em maio, os ativistas da Clean Creatives atribuíram à Dentsu um prémio satírico de "Excelência em Ficção Científica" pelo seu trabalho de promoção de projetos controversos de captura de carbono em nome da Chevron. Fonte.

sábado, 15 de junho de 2024

Nota



O meu blogue foi atacado por publicidade. Instalem no vosso PC um malware ou então cliquem 3 vezes e já podem comentar, visualizá-lo com toda a segurança e comentar. Grato por vossa atenção.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Guterres pede medidas urgentes para próximos 18 meses contra “inferno climático”


O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou esta quarta-feira que o planeta se aproxima do "inferno climático", instando os líderes mundiais a tomar medidas nos próximos 18 meses para "criar pontos de viragem" e livrar as populações do desastre.

No Dia Mundial do Meio Ambiente, Guterres fez um discurso no Museu Americano de História Natural de Nova Iorque, e, num "momento de verdade", expôs os limites climáticos que o planeta já ultrapassou e o que as empresas e os países - especialmente o G7 e o G20 - precisam de fazer durante os próximos 18 meses para permitir um futuro habitável para a humanidade. 

"Hoje é o Dia Mundial do Meio Ambiente. É também o dia em que o Serviço de Alterações Climáticas Copernicus da Comissão Europeia reporta oficialmente maio de 2024 como o mês mais quente de que há registo. Isto marca 12 meses consecutivos dos meses mais quentes de todos os tempos", disse.

"No ano passado, cada viragem do calendário aumentou a temperatura. O nosso planeta está a tentar dizer-nos algo. Mas parece que não estamos a ouvir", lamentou.

Aproveitando a localização do evento, Guterres fez uma comparação com o período em que um meteoro varreu os dinossauros do planeta, advogando que o mundo vive também agora um impacto "descomunal". Com uma diferença: "No caso do clima, nós não somos os dinossauros. Nós somos o meteoro", frisou. "Não estamos apenas em perigo. Nós somos o perigo. Mas também somos a solução", defendeu.

O ex-primeiro-ministro português alertou que, a este ritmo, todo o orçamento de carbono (o dióxido de carbono que pode ser emitido antes que o aquecimento global de 1,5°C seja inevitável) será destruído antes de 2030.

A Organização Meteorológica Mundial informou esta quarta-feira que há 80% de probabilidade de a temperatura média anual global exceder o limite de 1,5 graus em pelo menos um dos próximos cinco anos.

Em 2015, a probabilidade de tal acontecer "era próxima de zero", sublinhou o líder da ONU.

"Estamos a jogar à roleta russa com o nosso planeta. Precisamos de uma rampa de saída do inferno climático. E a verdade é que temos o controlo da roda. O limite de 1,5 graus ainda é possível", advogou Guterres, que tem na agenda climática uma das prioridades do seu mandato.

Explicando a importância em torno do limite de 1,5 graus, António Guterres indicou que o planeta é uma massa de sistemas complexos e conectados e que cada fração de grau de aquecimento global conta.

"A diferença entre 1,5 e dois graus pode ser a diferença entre a extinção e a sobrevivência de alguns pequenos Estados insulares e comunidades costeiras. (...) 1,5 graus não é uma meta. Não é um objetivo. É um limite físico", reforçou.

Num discurso duro em que usou uma dezena de vezes a palavra "verdade", o secretário-geral observou que a batalha pelo limite de 1,5 graus será vencida ou perdida na década de 2020, sob a vigilância dos líderes atuais.

Colocando a pressão sobre os líderes, Guterres sublinhou que "tudo dependerá das decisões que tomarem - ou deixarem de tomar - especialmente nos próximos dezoito meses".

Entre as medidas urgentes que devem ser tomadas no próximo ano e meio, o secretário-geral da ONU apontou a redução das emissões, a proteção das pessoas e da natureza dos extremos climáticos, o aumento do financiamento climático, e a repressão à indústria de combustíveis fósseis.

Na prática, Guterres instou, entre outros pontos, que o G7 e outros países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) se comprometem a acabar com o carvão até 2030 e criar sistemas de energia livres de combustíveis fósseis e reduzir a oferta e a procura de petróleo e gás em 60% até 2035.

Apelou também às instituições financeiras para que comecem a investir numa revolução global das energias renováveis e instou todos os países a proibirem a publicidade de empresas de combustíveis fósseis.

O líder das Nações Unidas criticou ainda o facto de os menos responsáveis pela crise climática serem os mais atingidos: "as pessoas mais pobres; os países mais vulneráveis; pessoas indígenas; mulheres e meninas".

Enquanto isso, "os padrinhos do caos climático - a indústria dos combustíveis fósseis - obtêm lucros recordes e celebram biliões em subsídios financiados pelos contribuintes", criticou.

"Nós temos uma escolha. Criar pontos de viragem para o progresso climático -- ou aproximar-se de pontos de viragem para desastres climáticos. Nenhum país pode resolver a crise climática isoladamente", dependeu.

Guterres aproveitou ainda para agradecer aos jovens, à sociedade civil, às cidades, às regiões, às empresas e a outros que têm liderado a luta por um mundo "mais seguro e mais limpo", afirmando que "estão do lado certo da história".

domingo, 7 de abril de 2024

Petição - Contra a Reversão da Nova Identidade Visual do Governo de Portugal


Os autores da petição pública declaram-se “unidos além de fronteiras profissionais ou ideológicas” e criaram-na para “repudiar” a recente decisão do primeiro-ministro Luís Montenegro (uma das primeiras do novo executivo e que já gerou profunda discussão) de reverter aquela que consideravam ser “a inovadora identidade visual do Governo de Portugal”. O governo revelou desta forma, consideram, “uma perspectiva alarmantemente retrógrada”.

“Esta ação não apenas desconsidera a vitalidade e a relevância da comunidade artística, criativa e de design, mas também subestima a capacidade intelectual e crítica de toda a população portuguesa”, justificam os autores desta petição.

Considerado “um trabalho de renome mundial”, a petição considera que a anterior identidade visual do governo, entretanto revogada, foi totalmente “ignorada” e que se “regrediu a práticas obsoletas”. “Tal medida reflete uma desconexão profunda com valores contemporâneos essenciais para a evolução da sociedade portuguesa no palco global”, acusa-se.

Ainda segundo esta petição pública, que soma já algumas milhares de assinaturas, a identidade visual anterior [de 2011], mas que agora é a vigorante novamente, é “tecnicamente inadequada e visualmente obsoleta”, contrariando os “princípios básicos do design eficaz” e colocando Portugal “numa posição de desvantagem no diálogo internacional e na economia criativa mundial”.

Por forma a reverter o que é entendido como um “golpe contra a cultura de inovação”, os autores da petição exigem que esta decisão “seja imediatamente parada”. “Portugal merece uma identidade que espelhe o seu legado histórico e a sua dinâmica contemporânea, uma identidade que nos propulse para o futuro, não que nos arraste para o passado”, concluem.

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Dez Argumentos para Apagar já as Contas nas Redes Sociais


Da mente brilhante do «pai» da Realidade Virtual, um ensaio acessível e profundo sobre o lado mais nebuloso da tecnologia
Como era a nossa vida antes das redes sociais? Seremos atualmente capazes de viver sem elas? E se alguém dissesse que, a bem da nossa sobrevivência, devíamos apagá-las a todas já, quem o faria?
Em Dez Argumentos para Apagar já as Contas nas Redes Sociais, Jaron Lanier, um insider que continua a agir como a voz da consciência do sistema do qual foi um dos pioneiros, oferece-nos dez poderosas explicações para a necessidade urgente de todos nós deixarmos essas perigosas plataformas online. Num crescendo argumentativo bem construído e fundamentado, Lanier demonstra como as redes sociais trazem à tona o que há de pior nos seres humanos e, com o acordo tácito de milhares de utilizadores ignorantes, nos enganam com ilusões de popularidade e sucesso, distorcendo a noção de verdade, desligando-nos dos outros mesmo quando estamos mais «conectados» do que nunca, tudo para nos roubarem o nosso livre-arbítrio, bombardeando-nos com anúncios direcionados.
Num mundo onde estamos sob a vigilância e a estimulação contínuas de algoritmos geridos por algumas das corporações mais poderosas da história da humanidade, que ganham dinheiro a manipular o nosso comportamento, como reconhecer esses perigos? Sem que a exposição da malevolência que governa os modelos de negócios das redes sociais na atualidade o impeça de continuar otimista em relação à tecnologia, Lanier aponta um cenário humanista para o futuro das redes sociais, tendo como valor supremo o bem-estar e o progresso equilibrado do homem.

Críticas da Imprensa
«A consciência de Silicon Valley.»
GQ

«Lanier mostra o valor tático de apelar à consciência individual. Face aos seus argumentos sérios, senti uma intensa vergonha pela minha própria presença no Facebook. Atendendo ao seu apelo, apaguei a minha conta.»
The New York Times

«O título diz tudo. […] Lanier defende a desvinculação das redes sociais, que promovem o vício […] e, na maioria das vezes, nos fazem sentir pior e com mais medo uns dos outros e do mundo.»
Kirkus Reviews