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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Bodies ft. Buzz Kull - Kill Shelter

Melhor som aqui
Letra
We shared the looks
and the womb
you came before me
our love was new
I was stuck
in a rhythm of hate
speaking in tongues
the devil can wait

[refrão]
We masked ourselves and our bodies
you never knew any better
we couldn’t tell anybody
our love was lost and forever

Physical form
now at its peak
a crowd around you
feed from the weak
moment of tense
days by the few
ignore the action
a lie I knew

[refrão]

A dança da alienação: estilo, significado e filosofia em "Bodies" (Kill Shelter ft. Buzz Kull)
A colaboração entre o projeto Kill Shelter e o artista Buzz Kull no tema "Bodies", lançado em 2018 no álbum Damage, junta duas forças proeminentes da música alternativa contemporânea numa obra densa, fria e hipnótica. No plano estilístico, a composição enquadra-se rigorosamente nos domínios do Darkwave, Post-Punk e EBM (Electronic Body Music), fundindo baterias eletrónicas mecânicas e pulsantes com linhas de sintetizador incisivas, guitarras atmosféricas carregadas de reverberação e uma interpretação vocal cavernosa e monótona. Esta sonoridade resulta de uma fusão geográfica e criativa singular entre duas nacionalidades distintas: o produtor e multi-instrumentista Peter White, responsável pelo projeto Kill Shelter a partir de Edimburgo, na Escócia, e o produtor Marc Henry, a mente por trás de Buzz Kull, vindo de Sydney, na Austrália.

O significado da canção e do seu videoclipe gravita em torno da alienação urbana, da objetificação e da anestesia emocional na era moderna. A narrativa conceptual reduz o ser humano à sua dimensão puramente física - meros "corpos" em movimento, desprovidos de ligação interpessoal ou profundidade psicológica. O videoclipe traduz visualmente este estado de desconexão através de uma estética lo-fi e claustrofóbica, dominada por iluminação estroboscópica, fortes contrastes em preto e branco e visões fragmentadas que simulam a sensação de transe e isolamento numa pista de dança escura.

No plano literário e filosófico, a obra inspira-se profundamente no Existencialismo e no Niilismo, abordando a perda de identidade, a inutilidade da procura de sentido e a solidão coletiva. Há também um claro eco do Distopismo Literário de autores como J.G. Ballard ou Philip K. Dick, onde a tecnologia e a modernidade industrial não servem para libertar o indivíduo, mas sim para o desumanizar, transformando a existência numa rotina puramente mecânica e corpórea.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Desarmar a inteligência artificial, a mensagem do Papa ponto por ponto


Da ordenação de um robô-monge na Coreia à nova encíclica Magnifica Humanitas, o Papa Leão XIV junta-se a cientistas para lançar um aviso urgente: a IA e a Realpolitik ameaçam a nossa essência. O Pontífice exige reformas éticas globais para que permaneçamos, simplesmente, humanos

Conhece o robô de 130 cm chamado Gabi que foi, recentemente, ordenado monge num templo na Coreia do Sul? Se não conhece, faz mal, mas pode conhecê-lo através deste link. Este robô humanoide, recém-nascido (data de fabricação: 03.03.2026), recebeu há poucas semanas um colar de 108 contas de oração no templo sul-coreano de Jogyesa. Esta é, segundo a ordem de Jogye, a maior denominação budista da Coreia, uma tentativa de travar a falta de participação religiosa e de interesse pelo templo, em especial por parte da população mais jovem.

De facto, nada grita mais que o mundo está a mudar, se é que ainda era preciso gritá-lo, do que a ordenação de um robô-monge. Há 135 anos, a Igreja Católica pressentiu o mesmo, quando o Papa Leão XIII publicou a Carta Encíclica Rerum Novarum (‘Das Coisas Novas’), demonstrando a sua preocupação com a questão operária da época, ou seja, um clamor de ação para recuperar operários que pareciam cada vez mais distantes da Igreja.

Ora, se nos finais do século XIX a preocupação era com a possível perda de um grupo populacional das sociedades europeias modernas, agora, com o Papa Leão XIV, a preocupação é com a possível perda de toda a humanidade. A apresentação pública da encíclica Magnifica Humanitas, sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da IA (link), pelo próprio Papa – algo bastante incomum – ao lado de especialistas em IA, como o autodeclarado ateu e cofundador da Anthropic, Chris Olah – algo ainda mais incomum – é uma demonstração da aceleração dos nossos tempos. Ou, como escreve o Papa Leão XIV, é uma forma de “sabedoria para interpretar as tendências do nosso tempo”. Em especial, a fuga do poder do monopólio dos Estados e a sua dispersão por sujeitos privados e transnacionais, com mais poder do que os próprios sistemas estatais e mais distantes de qualquer lógica de bem comum.

Leio esta encíclica em quatro eixos gerais.
Teologicamente, a IA desafia a dignidade ontológica – aquela que pertence a cada ser humano simplesmente porque existe, foi desejado, criado e amado por Deus. Pelo contrário, a era da IA acelera os processos e sonhos de autossuficiência e autoaperfeiçoamento infalível, desligando-os dos próprios sentidos de religação e comunhão. A IA conduz-nos para nós mesmos, tentando alcançar a plenitude ou a autossuficiência excluindo o Criador ou tentando corrigir a fragilidade que faz parte da condição humana.

Ao nível da política internacional, o Papa Leão XIV já havia manifestado a sua visão do mundo, em particular a Donald Trump. Na encíclica, essa visão torna-se mais clara. Denuncia a cultura do poder, “feita de polarizações e violências”, que normaliza a guerra; dispara os “imperialismos” e “potências que desejam conservar a sua supremacia e potências que aspiram a conquistá-la”; desconfia da corrida tecnológica a armas “cada vez mais poderosas”, “desumanizantes” e que “parecem não conhecer limites”. Sobre o recente entusiasmo pela realpolitik, é claro: é “irresponsável”, pois coloca-nos num estado resignado que aceita a guerra como inevitável, desqualificando sistematicamente a paz e o diálogo. A guerra, como instrumento reabilitado de política internacional, é assim criticada, reconhecendo-se, neste contexto, a “crise do multilateralismo” e as fragilidades das Nações Unidas. Para o Papa, são necessárias “reformas profundas” e não apenas “ajustes técnicos”, indo ao núcleo dos fundamentos éticos das nações, orientando o “multilateralismo para o verdadeiro bem comum”.

Relativamente à guerra, mais especificamente no que toca à teoria da “guerra justa”, há uma viragem: considera oficialmente superada a sua teoria clássica, reduzindo o uso das armas à legítima defesa. Além disso, no quadro da dimensão mediática e digital, denuncia que os conflitos atuais são culturalmente preparados e normalizados no ambiente digital através de narrativas maniqueístas, desinformação e medo, sendo amplificados por algoritmos concebidos para privilegiar o confronto. Neste campo, apela à memória histórica e critica a ilusão de uma guerra tecnológica “limpa” ou “inevitável”, reafirmando que o recurso à força é sempre um sinal de pobreza relacional com efeitos desastrosos para os civis. Insta, assim, a humanidade a ativar as suas ferramentas mais eficazes de promoção da vida: o diálogo, a diplomacia e o perdão.

Por fim, sobre os desafios atuais da IA, a encíclica não defende uma posição ludita; pelo contrário, reconhece o seu valor potencial. Todavia, alerta que ela não é eticamente neutra, refletindo a visão eficiente, uniformizadora e reducionista de quem a concebe, financia, regula e utiliza. Aqui, o Papa alerta-nos para o risco da síndrome de Babel: “a idolatria do lucro, que sacrifica os mais fracos; a uniformidade, que anula as diferenças; a pretensão de uma linguagem única – mesmo digital” que desumaniza. A encíclica apela a que se desarme a IA, que se quebre a equivalência entre poder técnico e direito de governar; ou seja, que sejam retirados os monopólios, tornando-a um bem comum, habitável e plural. Isto só é possível com o cultivo de um “saudável realismo” onde, segundo Leão XIV, a técnica é acolhida, mas enquadrada por valores éticos e espirituais.

A mensagem desta encíclica parece clara: permanecer humanos. O que, em si mesmo, diz muito do mundo em que vivemos – humanos a dizerem a humanos para se manterem humanos. Num mundo dominado pela técnica, o verdadeiro progresso mede-se pelo cuidado e pela relação, não pelo poder. O modelo é o de Neemias que reconstruiu Jerusalém “tijolo por tijolo” através da oração, planeamento e trabalho conjunto. O legado que o Papa quer construir é uma “civilização do amor” – por oposição à cultura do poder, do descartável, do desencontro, do imediato e da hiperestimulação –, um projeto social e político que coloca o amor, a fraternidade e a justiça como princípios organizadores da sociedade. Este amor deve traduzir-se em “estruturas de justiça”, dando corpo institucional à fraternidade, combatendo as desigualdades causadas pela tecnologia e tornando o “outro” um aliado necessário na construção do bem comum.

sábado, 16 de maio de 2026

A mercantilização da vida: onde a poesia de Zeca Afonso enfrenta a frieza do "Trabalho XXI"


Rendido a esta interpretação de Gisela João.  E revoltado (ou não, já imaginava a posição do IL que defende flexibilização laboral e aponta rigidez como travão aos salários!!) e enfrentando a desumanização e a máquina trituradora, sem chão, do neoliberalismo, plutocracia, nepotismo,tecnofeudalismo e cleptocracia.

A desumanização das relações e a mercantilização do afeto vertidas em "Que Amor Não Me Engana" espelham de forma crua as dinâmicas socioeconómicas contemporâneas, encontrando um eco surpreendente nas discussões em torno da nova proposta de reforma laboral do Governo — o pacote "Trabalho XXI". 

Quando José Afonso canta sobre a urgência de um amor que não atraiçoe e a amargura de quem olha em redor e, "à porta do muro", não vê ninguém, ele traduz liricamente o isolamento do indivíduo perante estruturas que priorizam a métrica e a eficiência em detrimento da dignidade humana. 

Essa mesma tensão entre a necessidade de conexão genuína e a frieza dos sistemas reflete-se diretamente na flexibilização proposta pelo novo quadro legislativo, nomeadamente através do regresso do banco de horas por acordo individual e do alargamento dos contratos a termo para cinco anos no caso de termos incertos. 

Estas medidas, embora desenhadas sob a premissa de dotar o mercado de maior agilidade e produtividade, correm o risco de aprofundar a precariedade existencial do trabalhador, transformando o tempo de vida e de descanso numa mercadoria transacionável e adiável, onde a segurança psicológica é sacrificada em nome da sobrevivência económica. 

O "engano" de que Zeca falava materializa-se hoje na ilusão de autonomia individual perante plataformas digitais e algoritmos de inteligência artificial que passam a gerir recursos humanos e a ditar despedimentos e avaliações; uma realidade tão desprovida de empatia que a nova lei se vê obrigada a legislar para garantir um controlo humano mínimo sobre as decisões das máquinas. 

No fundo, ao cruzar a poesia de resistência com a nova legislação laboral, percebe-se que a busca por um "amor que não engana" continua a ser a busca por um ecossistema social e profissional que reconheça o trabalhador não como uma ferramenta de rendimento descartável, mas como um ser humano que necessita de amparo, tempo e verdade nas suas relações.

Vamos rebentar o Pacote Laboral do Luís?


Luís Montenegro chama-lhe reforma laboral, modernização do mercado de trabalho, adaptação aos novos tempos e reforço da competitividade das empresas. As palavras mudam conforme o governo, mas a lógica mantém-se sempre igual: retirar direitos a quem trabalha para aumentar a margem de manobra de quem manda. E é importante perceber isto com clareza, porque muitos destes pacotes laborais são apresentados de forma técnica, confusa e quase burocrática, precisamente para que a maioria das pessoas não compreenda imediatamente o impacto real que terão na sua vida quotidiana.

O problema começa logo na própria ideia de “flexibilidade”. Quando um governo fala em flexibilizar horários, facilitar mecanismos de gestão ou adaptar relações laborais às necessidades das empresas, quase nunca está a falar de melhorar a vida do trabalhador. Está a falar de dar ao patrão mais poder para alterar horários, reorganizar turnos, exigir disponibilidade constante e gerir os trabalhadores como peças ajustáveis de uma máquina.

Na prática, isto significa uma vida mais instável. Significa pessoas que deixam de conseguir organizar a semana, marcar consultas, acompanhar os filhos, planear fins de semana ou simplesmente descansar sem ansiedade. Hoje já existem milhares de trabalhadores que vivem permanentemente agarrados ao telemóvel à espera de alterações de turno, chamadas de última hora ou pedidos “urgentes” da empresa. O que este pacote faz é normalizar essa realidade e transformá-la num modelo de funcionamento quase permanente.

E há aqui uma dimensão humana que raramente aparece nos debates televisivos. Um trabalhador não é apenas força de produção. Não é um recurso humano, como gostam agora de dizer. É uma pessoa com corpo, desgaste físico, vida familiar, problemas pessoais, necessidade de descanso e limites emocionais. Quando o trabalho invade tudo, quando a pessoa deixa de conseguir separar vida profissional de vida pessoal, começa um processo lento de destruição psicológica que depois aparece disfarçado em palavras modernas como "burnout", ansiedade crónica ou fadiga emocional. Antigamente chamava-se simplesmente: esgotamento.

Outro aspecto profundamente perigoso deste pacote é a facilitação da precariedade. Contratos mais frágeis, períodos experimentais mais longos, despedimentos indirectamente simplificados e mecanismos que tornam mais fácil substituir trabalhadores permanentes por vínculos temporários criam uma sociedade assente no medo. E o medo é uma das ferramentas mais eficazes de controlo laboral.

Um trabalhador precário raramente reclama.
Aceita mais abusos, faz mais horas, tolera humilhações, evita conflitos e cala injustiças porque sabe que pode ser substituído rapidamente. Quando alguém vive com receio constante de perder o emprego, deixa de negociar condições, passa apenas a tentar sobreviver. É precisamente isso que interessa a muitos sectores patronais: mão-de-obra cansada, insegura e facilmente descartável.

Fala-se muito da necessidade de aumentar a produtividade, mas raramente se diz uma verdade simples: nenhum país constrói prosperidade sustentável à custa de salários baixos e insegurança permanente. Portugal é talvez o melhor exemplo disso. Tivemos décadas de “flexibilidade laboral”, salários comprimidos e precariedade massiva. O resultado não foi uma economia altamente desenvolvida. Foi uma geração inteira obrigada a emigrar, trabalhadores qualificados a ganhar perto do salário mínimo e milhares de pessoas empregadas em full-time que continuam pobres.

Depois existe uma questão central que quase nunca é explicada devidamente à população: o enfraquecimento da contratação colectiva e dos sindicatos. Quando se atacam mecanismos colectivos de negociação, o trabalhador fica isolado perante a empresa. E essa relação nunca é equilibrada. Nunca foi.

Uma empresa possui departamentos jurídicos, recursos financeiros, poder hierárquico e capacidade para pressionar. O trabalhador tem contas para pagar ao fim do mês. É por isso que os direitos laborais nasceram da luta colectiva e não da generosidade patronal. O descanso semanal, as férias pagas, o limite de horas de trabalho, a licença de maternidade, os subsídios e as indemnizações não apareceram porque os patrões decidiram ser bondosos. Foram conquistados com greves, repressão, despedimentos e décadas de conflito social.

Sempre que um governo tenta enfraquecer essa capacidade colectiva de resistência, está objectivamente a transferir poder para o lado empresarial. E quando o equilíbrio desaparece, os abusos aumentam inevitavelmente. Não por maldade individual deste ou daquele patrão, mas porque o próprio sistema funciona assim.

Se houver possibilidade de reduzir despesa à custa do trabalhador, grande parte das empresas acabará por fazê-lo para sobreviver à concorrência.

Há ainda outro problema profundamente grave que raramente entra no debate: a destruição lenta da própria ideia de estabilidade de vida. Durante décadas, trabalhar significava, pelo menos teoricamente, conseguir construir alguma segurança. Ter uma casa, formar família, fazer planos a médio prazo, acreditar minimamente no futuro. Hoje, cada vez mais trabalhadores vivem numa espécie de suspensão permanente. Não sabem quanto tempo ficarão empregados, não conseguem prever rendimentos, não conseguem planear a vida e vivem constantemente entre recibos, contratos curtos, avaliações de desempenho e medo de cortes.

Uma sociedade assim torna-se inevitavelmente mais ansiosa, mais individualista e mais frágil.
As pessoas deixam de participar civicamente, deixam de ter energia psicológica para contestar injustiças e acabam reduzidas a uma rotina de sobrevivência. Trabalham mais horas, vivem pior e sentem-se permanentemente culpadas por não conseguirem acompanhar tudo.

O mais perverso é que tudo isto é apresentado como inevitável, como se fosse uma lei da natureza. Dizem-nos que “o mercado exige”, que “a economia obriga”, que “a competitividade internacional impõe sacrifícios”. Mas não há nada de inevitável aqui. São escolhas políticas muito concretas. Escolhe-se proteger lucros ou proteger trabalhadores. Escolhe-se distribuir riqueza ou concentrá-la. Escolhe-se tratar o trabalho humano como parte digna da vida colectiva ou como mero instrumento de rentabilidade.

E aquilo que este tipo de pacote revela, no fundo, é uma visão muito clara da sociedade, uma visão onde quem trabalha deve estar permanentemente disponível, agradecido por ter emprego e disposto a sacrificar descanso, estabilidade e saúde mental em nome de uma produtividade que quase nunca beneficia verdadeiramente quem produz a riqueza.

É precisamente por isso que a Greve Geral de 3 de Junho é tão importante!
Porque chega um momento em que continuar calado deixa de ser prudência e passa a ser rendição. Quem hoje acha que isto não afectará directamente a sua vida acabará mais cedo ou mais tarde por sentir na pele horários mais desumanos, maior insegurança, mais pressão e menos qualidade de vida. Os direitos laborais nunca foram oferecidos, foram conquistados, e cada vez que os trabalhadores desistem de os defender, o poder económico avança mais um passo sobre aquilo que resta da sua dignidade.

No dia 3 de Junho, estar presente não é apenas um acto político. É um acto de defesa própria!

quarta-feira, 11 de março de 2026

NECRØ - Hanged Man


Lyrics:

[Verse 1]
All gifts are temporary
A gap in time into nothingness
We are left
Amongst strangers

[Refrão]
A perpetual sound
The pulse of the world
This is the heart
Of a hanged man

Our loss is lost
Our grief is gone
This is the heart
Of a hanged man

[Verse 2]
I had so much time to speak
To choose violence over fear
Feet, sticks and shields
Make sense of this fear
I had so much time to speak

[Verse 3]
Burning
Crashing
Longing
Hurting

[Refrão]

A canção "Hanged Man", presente no EP Death Beats (2023), carrega um simbolismo profundo retirado diretamente da carta XII do Tarot, O Enforcado. O significado da faixa gira em torno de temas como o sacrifício voluntário, a estagnação e a necessidade de observar o mundo sob uma nova perspectiva através da suspensão. Liricamente, a música explora estados de paralisia emocional e isolamento, enquanto a sua estrutura rítmica mecânica e os vocais ecoantes reforçam uma sensação de claustrofobia e inevitabilidade, caraterística da exploração da mortalidade que o projeto propõe.

Página Oficial

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Governo paga 20 mil euros para ter SportTV em São Bento - uma atitude sem noção e insensível, típico de narcisistas


Ser confrontado com a notícia de que o Governo de Luís Montenegro decidiu gastar cerca de 20 mil euros para instalar o canal Sport TV na residência oficial do Primeiro Ministro e no Parlamento nesta altura do país é, no mínimo, um sinal de desfasamento profundo entre o que este executivo escolhe como prioridade e aquilo que os cidadãos realmente vivem.
Este contrato de três anos, celebrado por ajuste direto com a NOS, garante acesso ‘premium’ a canais desportivos que transmitem futebol, incluindo a liga portuguesa e competições europeias, e será pago com dinheiro público até 2028 — um montante que se justifica facilmente, mas que politicamente soa a falta de empatia e sentido de realidade face ao sofrimento de quem perdeu casa, energia ou meios de subsistência na sequência das tempestades. 
Não é a questão do valor — 20 mil euros não vão desestabilizar um Orçamento do Estado — é a hierarquia de prioridades que está em causa 
Quando o Governo admite défices para cobrir os apoios às vítimas das calamidades, quando milhares aguardam apoios urgentes e quando a própria resposta estatal foi lenta e insuficiente em muitas regiões, optar por gastar dinheiro dos contribuintes em canais desportivos para o Primeiro Ministro e para o Parlamento é uma demonstração flagrante de falta de noção sobre as expectativas e necessidades do país Esta decisão transmite uma mensagem implícita de desconexão social: enquanto cidadãos lutam com as consequências de uma catástrofe natural, o executivo parece mais preocupado com entretenimento institucional do que com a eficácia da resposta à crise. 
 A incapacidade de priorizar o essencial reflete, sobretudo, uma falta de empatia que não combina com responsabilidade governativa séria. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Seriously, what is a human being?


Friends,
It seems appropriate right now to try to clarify one of the most basic questions America is (or should be) struggling with: What does it mean to be a human being?
The confusion is mounting.

Three illustrations:

1. Corporations
Corporations are not human beings. That should be self-evident.

But in 2010, the Supreme Court ruled (in its Citizens United case) that corporations are the equivalent of “people” under the First Amendment to the Constitution, with rights to free speech.

This ruling has made it nearly impossible for the government to restrict the flow of money from giant corporations into politics. As a result, the political voices — and First Amendment rights — of most real human beings in America are being effectively drowned out.

But in coming years, states will have an opportunity to circumvent Citizens United by redefining what a “corporation” is in the first place. Absent state charters that empower them to become “corporations,” business organizations are nothing more than collections of contracts — between investors and managers, managers and employees, and consumers and sellers.

In the 1819 Supreme Court case Trustees of Dartmouth College v. Woodward, Chief Justice John Marshall established that:
“A corporation is an artificial being, invisible, intangible [that] possesses only those properties which the charter of its creation confers upon it …. The objects for which a corporation is created are universally such as the government wishes to promote.”

Montana is now readying a proposition for its 2026 ballot that would empower organizations that sought to be corporations there to do many things — except to fund elections. (I’ve written more on this, here.)

2. Artificial Intelligence
AI is not human, although it’s becoming increasingly difficult for many real people to tell the difference between “artificial general intelligence” and a real person.

As a result, some real people have lost touch with reality — becoming emotionally attached to AI chat boxes, or fooled into believing that AI “deepfake” videos are real, or attributing higher credibility to AI than is justified — sometimes with tragic results.

In his typically ass-backward pro-billionaire way, Trump has issued an executive order aimed at stopping states from regulating AI. But some governors — most interestingly, Florida’s Ron DeSantis — have decided to establish guardrails nonetheless.

DeSantis is calling on Florida’s lawmakers to require tech companies to notify consumers when they are interacting with AI, not to use AI for therapy or mental health counseling, and to give parents more controls over how their children use AI. DeSantis also wants to restrict the growth of AI data centers by eliminating state subsidies to tech companies for such centers and preventing such facilities from drying up local water resources.

In a recent speech, DeSantis said:
“We as individual human beings are the ones that were endowed by God with certain inalienable rights. That’s what our country was founded upon — they did not endow machines or these computers for this.”

I never thought I’d be agreeing with Ron DeSantis, but on this one he’s right.

Corporations are legal fictions. Human AI is a technological fiction. Neither has human rights. Both should be regulated for the benefit of human beings.

3. Non-Americans and suspected enemies
The third illustration of our current confusion over what is a human being is endemic in Trump’s policies toward immigrants and many inhabitants of other nations, now especially in and around Venezuela.

Yesterday, a federal agent shot and killed a 37-year-old woman during an immigration raid in Minneapolis. Despite what Trump and Kristi Noem say, a video at the scene makes clear that the shooting was not in self-defense. Minnesota Gov. Tim Walz said: “We have been warning for weeks that the Trump administration’s dangerous, sensationalized operations are a threat to our public safety,” adding that it cost a person her life.

ICE agents are arresting and detaining people on mere suspicion that they are not in the United States legally — sometimes deporting them to foreign nations where they’re brutalized — without any independent findings of fact (a minimum of “due process”).

Meanwhile, Trump and Stephen Miller, his assistant for bigotry and nativism, are busy dehumanizing immigrants. For example, Trump describes Somalian-Americans as “garbage.”

Last weekend, the U.S. killed an estimated 75 people in its attack on Venezuela, as it abducted Venezuelan president Nicolás Maduro and his wife. The U.S. has been bombing and killing sailors on small vessels in the Caribbean and off the coast of Venezuela on the suspicion they’re smuggling drugs into the United States — on the vague pretext that they’re “enemy combatants,” although Congress has not declared war.

Trump’s justification for all such killings has shifted from preventing drug smuggling to “regaining control” over oil reserves that Venezuela nationalized 50 years ago.

In all these cases, the Trump regime is violating fundamental universal human rights considered essential to human dignity.

Corporations and AI are not human beings, but people who come to the United States seeking asylum indubitably are human. So too are undocumented people who arrived in the United States when they were small children and have been here ever since. As are our neighbors and friends who, although undocumented, are valued members of our communities.

As are the Venezuelans who have been murdered by the Trump regime. So, what does it mean to be a human being?

It means the right to be protected from the big-money depredations of giant corporations, and from the emotional lure of AI disguised as a human.

And it means to be treated respectfully — as a member of the human race possessing inherent, inalienable rights.

These are moral imperatives. But America is doing exactly the reverse.

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Catfishing de homens: o que é e o que pode fazer?


O catfishing ocorre quando alguém cria uma identidade falsa na internet ou em ambientes digitais para enganar outras pessoas, geralmente em contextos de relacionamentos ou amizades online. As motivações variam: algumas pessoas recorrem a esta prática para cometer fraude financeira, outras por “brincadeira”, desejo de vingança (mesmo que infundado), manipulação emocional, entre outros.

Em português, não existe uma tradução amplamente reconhecida para catfishing, mas algumas expressões usadas incluem burla romântica, fraude de identidade online, golpe sentimental ou, como referimos na Quebrar o Silêncio, fraude emocional ou romântica.

Sinais de Catfishing
Perfis demasiado perfeitos ou misteriosos
Fotos excessivamente atraentes, poucas imagens disponíveis ou ausência de presença noutras redes sociais. Contas recentes com poucos conteúdos ou sem atualizações, ou ainda com poucas interações que pareçam reais (ie: ter poucas amizades ou poucos seguidores).
Relutância em fazer videochamadas ou em encontros presenciais
Um ou uma catfish arranja desculpas para evitar interações que possam expor a sua verdadeira identidade. É comum alegarem que estão ocupados, que é uma má altura ou simplesmente que o telemóvel não tem câmara ou está avariado, para evitar fazer videochamadas.
Histórias inconsistentes ou demasiado dramáticas
Muitas vezes, inventam histórias de vida trágicas (mortes de familiares, doenças graves, perda de filhos) e alteram a narrativa conforme necessitam, apresentando factos contraditórios, para gerar empatia da vítima.
Rapidez em demonstrar emoções intensas
Expressões de amor ou amizade profunda demasiado cedo, sem um verdadeiro conhecimento mútuo. É comum tentarem passar de amizade para algo mais íntimo referindo que nunca se sentiram tão próximos como se sentem da vítima. Recorrem ao bombardeamento de elogios, procurando levar a outra pessoa a sentir-se única e especial.
Pedidos de dinheiro ou favores
Muitas vezes, um ou uma catfish tenta obter dinheiro com pretextos como emergências médicas, problemas financeiros ou custos de viagem para encontros que nunca acontecem. Motivos que aliados a histórias dramáticas (para apelar à simpatia da vítima), como por exemplo comprar comida para bebé, funcionam como um meio de extorquir dinheiro mesmo que seja quantias de baixo valor . 
Evitam partilhar informações pessoais verificáveis
Recusam-se a fornecer dados concretos como morada, trabalho, família ou número de telemóvel. Por vezes, cedem informações que são vagas (como a localidade onde vivem) ou contraditórias (idade, profissão).

Consequências para as vítimas
Danos emocionais e psicológicos
O engano pode levar a sentimentos de vergonha, humilhação, ansiedade ou depressão.
Perda de confiança nas relações
Muitas vítimas tornam-se desconfiadas e evitam novos relacionamentos por medo de serem enganadas novamente.
Danos financeiros
Se a vítima enviou dinheiro, pode perder quantias significativas sem possibilidade de reembolso.
Manipulação emocional e abuso
Alguns catfish exploram a vítima emocionalmente, levando-a a acreditar em mentiras e a tomar decisões que a prejudicam.
Exposição e chantagem
Em certos casos, pode haver ameaças para expor informações ou imagens íntimas da vítima, podendo haver uma sobreposição com extorsão sexual.

Se suspeitar que está a ser vítima, saiba o que pode fazer
Verificar a identidade da pessoa
Pesquisar imagens de perfil no Google, procurar a pessoa noutras redes sociais e verificar a coerência das suas histórias.
Recusar pedidos de dinheiro
Não enviar dinheiro a alguém, especialmente quando não tem a certeza de quem é a pessoa com quem fala.
Exigir interações reais
Insistir em videochamadas ou encontros presenciais (em locais públicos e com acompanhamento de uma pessoa amiga) para confirmar a identidade. E mesmo que consiga, desconfie sempre, se algo não lhe parecer bem.
Não partilhe dados pessoais e sensíveis
Não forneça os seus dados pessoais e informações sensíveis como números de cartões, morada, número de identificação fiscal, etc.
Confiar nos instintos
Se algo parece suspeito, confie no seu instinto. Questione e afaste-se.

Catfishing e extorsão sexual
O catfishing e a extorsão sexual (sextortion) podem sobrepor-se quando alguém cria uma identidade falsa para enganar vítimas e depois as chantageia. Um catfish pode dedicar meses ou até anos a construir uma relação falsa para extorquir dinheiro ou obter favores. É comum haver uma manipulação emocional que desempenha um papel central, levando a vítima a baixar a guarda.
Nos casos de extorsão sexual, a abordagem pode ser ainda mais rápida, com a transição do engano para a chantagem a ocorrer num único dia ou até em escassos minutos. As duas podem ter um impacto danoso e grave nas vítimas. Jovens e adultos vulneráveis são os principais alvos, mas qualquer pessoa pode ser apanhada neste tipo de esquema.

Homens e rapazes vitimados
O catfishing pode ter um impacto grave nos homens e rapazes, mas estes casos são frequentemente ignorados ou minimizados. Muitos homens, que são enganados por perfis falsos, enfrentam não só a dor emocional da traição, mas também sentimentos de vergonha, auto culpabilização e humilhação, exacerbados por normas sociais que os pressionam a serem emocionalmente resilientes. Esta vergonha pode impedi-los de procurar apoio ou denunciar o crime, deixando-os vulneráveis a abusos prolongados.

Os rapazes, especialmente os adolescentes, podem ser alvos fáceis para predadores que recorrem ao catfishing como ferramenta para manipulação e abuso. A falta de educação sobre segurança digital e a crença de que os homens estão menos expostos a este tipo de fraude contribuem para um risco acrescido.

Os rapazes gay, bissexuais ou trans (GBT) podem ser particularmente vulneráveis devido ao medo do preconceito, do outing (exposição forçada da sua orientação sexual e/ou identidade de género) e da falta de espaços seguros para explorar a sua identidade. Muitos recorrem a plataformas online para conhecer pessoas e construir ligações, ligações estas que podem ser exploradas por predadores. Alguns catfish manipulam vítimas GBT, ameaçando expô-las a familiares ou comunidades hostis, usando a vergonha e o medo como estratégias de controlo. Além disso, os rapazes GBT podem sentir-se encurralados, sem saber a quem recorrer, intensificando o isolamento social.

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Música do BioTerra: Killing Joke - In Cythera


Saw, all those things,
I should have said,
While I had the time.
You, who stood by me,
When I lost the plot,
You were always kind.

All, through these mortal joys,
Through my anger,
And endless rain.
And during, my addictions,
Yet the love you showed,
Still remained the same.

[Refrão]
I'm grateful,
For all the times we've shared.
Through struggles, and madness,
You're there.

If, I don't return,
Before your time is up,
I promise, to set your place,
On a table, the one I throw your cup.

And to, ourselves we lie,
As we, break down inside,
Cause we never, said enough,
How much we really loved.

[Refrão]
I've seen you, in a dream,
On a sunny day, where the skies are clear.
I'll see you, in Cythera,
On an island, far away from here.

[Refrão]

O título remete para Citera (Cythera), ilha grega associada ao nascimento de Afrodite, símbolo de amor, beleza e fertilidade. Jaz Coleman usa essa referência mítica de forma irónica e sombria: em vez de um refúgio de amor, “In Cythera” retrata um mundo onde esses valores foram corrompidos ou destruídos.

A canção pode ser lida como uma elegia ao colapso da civilização ocidental. A antiga promessa de harmonia, beleza e sentido (representada por Cythera) foi substituída por decadência, guerra, vazio espiritual e desumanização. O “regresso” a Cythera não é redentor, mas marcado por perda e desilusão — um mito que já não pode cumprir a sua função.

Há também uma dimensão existencial e espiritual: o ser humano procura significado num mundo que perdeu os seus centros simbólicos. Jaz Coleman escreve num tom quase fúnebre, como se estivesse a cantar sobre os restos de uma cultura que já não acredita nos seus próprios mitos.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

O Movimento 969 e a Ma Ba Tha (Myanmar)



Diferente da imagem tradicional do monge budista sereno, o movimento liderado por Wirathu — que chegou a ser apelidado pela revista Time como "O Rosto do Terror Budista" — utiliza uma retórica de ódio e exclusão.

1. A Simbologia do "969"
O nome não é aleatório; ele foi criado para se opor ao número "786", usado por muçulmanos no sul da Ásia para identificar estabelecimentos halal.
9: As nove virtudes de Buda.
6: Os seis ensinamentos do Dharma.
9: As nove características da Sangha (comunidade monástica).

O uso desse selo em lojas e casas servia para identificar estabelecimentos "puros", incentivando um boicote econômico contra não-budistas.

2. A Ideologia do "Cerco"
A base do grupo não é uma disputa teológica sobre o Nirvana, mas sim uma paranoia demográfica. Wirathu argumenta que:

O budismo está em risco de extinção devido às taxas de natalidade mais altas de minorias muçulmanas (os Rohingya).

Recursos económicos estão sendo "roubados" por estrangeiros.

A "pureza" das mulheres budistas precisa ser protegida por leis que proíbam o casamento inter-religioso.

3. A Transição para a Ma Ba Tha
Em 2014, o movimento evoluiu para a Ma Ba Tha (Associação para a Proteção da Raça e da Religião). Com uma estrutura muito mais organizada, eles conseguiram pressionar o governo birmanês a aprovar as "Leis de Proteção de Raça e Religião", que restringiam conversões religiosas e casamentos entre budistas e muçulmanos.

O Impacto Prático: A Crise Rohingya
O fundamentalismo pregado por esses grupos serviu como combustível ideológico para as operações militares em 2017 no estado de Rakhine.

Desumanização: Monges influentes compararam minorias a "pestes" ou "invasores", facilitando a aceitação popular da violência.

Silenciamento: Budistas moderados que tentaram pregar a tolerância foram frequentemente intimidados ou rotulados como "traidores da fé".

Por que os monges têm tanto poder?
Em Myanmar e no Sri Lanka, o monge não é apenas uma figura religiosa; ele é o pilar moral da sociedade. Se um monge diz que a fé está em perigo, a população rural e as classes médias tendem a acreditar mais nele do que em políticos civis. Isso cria um escudo de "santidade" que torna difícil para o Estado punir discursos de ódio.

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Killing Joke - Requiem


Requiem
Killing Joke

Man watching city fall
The clock keeps on ticking
He doesn't know why
He's just cattle for slaughter
The Requiem

When the meaningful words
When they cease to function
When there's nothing to say
When will it start bothering you?
The Requiem

Only a hint of religion
Uncensors to its false depravity
The sound of breaking glass
This is a reflection
The Requiem

“Requiem” funciona como um canto fúnebre para a civilização moderna. O próprio título remete para a missa dos mortos, sugerindo desde logo luto, fim e julgamento. Jaz Coleman apresenta um mundo em colapso moral e espiritual, onde a violência, o medo e a alienação são estados permanentes. Não há redenção nem narrativa linear: a letra é construída como uma sucessão de imagens ameaçadoras, quase proféticas, que apontam para a morte de valores humanos básicos.

A canção expressa uma sensação de inevitabilidade — algo terminou, e o que resta é assistir às consequências. O tom não é de protesto esperançoso, mas de constatação sombria. O “requiem” não é apenas para indivíduos, mas para um sistema inteiro, para uma era que perdeu sentido e direção. Há também uma dimensão ritual e quase xamânica: a voz de Jaz Coleman soa mais a invocação ou aviso do que a canto tradicional.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Música do Bioterra: Siouxsie & The Banshees - Painted Bird

Melhor som aqui


Letra
The master crafts a colorful facade
To entice the eyes of a passer-by
But the plumage is a trick of the light
A synthetic coat of neon bright

[refrão]
Painted bird
All the world is your cage
Fluttering wings
In a fit of rage

A masquerade of feathers and glue
To hide the grey and the residue
But the flock can see through the disguise
With their sharp beaks and their beady eyes

[refrão]

They'll peck at the red and they'll peck at the blue
Until the original shade comes through
They'll strip you bare and they'll leave you for dead
With a crown of thorns upon your head

[refrão]

Painted bird [4X]

A letra de "Painted Bird" foi inspirada no romance "O Pássaro Pintado" (The Painted Bird), de Jerzy Kosiński. utiliza uma metáfora visceral e cruel para explorar o isolamento e a não-conformidade. A narrativa foca num pássaro que, após ser artificialmente pintado e adornado, torna-se um estranho entre os seus; por carregar cores que não pertencem à natureza, ele passa a ser alvo de um ataque sistemático e violento de seus semelhantes, que o bicam até a morte.

Essa imagem serve como uma crítica contundente à dinâmica entre o indivíduo e o coletivo, ilustrando como a sociedade frequentemente reage com agressividade àquilo que foge dos padrões estabelecidos ou que ousa ser diferente. Através de imagens visuais fortes, como as "penas tingidas" e os "olhares de escárnio", a canção evoca uma sensação de claustrofobia e inevitabilidade, sugerindo que o destino de quem é marcado pela singularidade é, muitas vezes, o sacrifício diante de um grupo que não tolera o exótico. Em última análise, Siouxsie transforma a figura do pássaro num símbolo da beleza corrompida e da brutalidade humana mascarada de instinto.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

A Desumanização - por Valter Hugo Mãe interpretado por Márcia, Camané e Dead Combo




No filme, sete compositores foram convidados para elaborar temas que reflitam as mundividências de cada um dos sete personagens, para que funcione ao longo do documentário como uma espécie de coro de tragédia grega que faz progredir a narrativa. Todos os temas partem das entrevistas preparatórias que o realizador fez a cada um dos personagens.

Para o escritor Valter Hugo Mãe e o seu poema “Contabilidade”, Márcia, autora do álbum “Casulo", foi convidada para construir um tema com uma melodia cuidadosamente preparada e interpretada pelos Dead Combo, banda formada por Pedro Gonçalves e Tó Trips, conhecidos sobretudo pelas suas músicas que misturam influências do fado e do rock, trilhas sonoras de westerns e temas regionais da América do Sul e África. A Márcia e aos Dead Combo junta-se também o fadista Camané, uma das principais vozes do fado em Portugal.

POEMA CONTABILIDADE

venho para te cortar os
dedos em moedas pequenas e
com elas pagar ao coração o
mal que me fizeste
*
o pior amor é este, o que já é
feito de ódio também. o pior amor
é este, o que já é feito de ódio também,
o pior é o amor é este, o que
já é feito de ódio também

Valter Hugo Mãe