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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Programa Nacional de Vacinação: as assimetrias regionais e o refúgio das redes antivacinas em Portugal

O Relatório Anual da Direção Geral de Saúde mostra que a maioria das vacinas infantis tem uma taxa de cobertura superior a 95% em Portugal, mas há concelhos que ficam abaixo dos 60%.A região algarvia mantem baixas taxas de vacinação Desigualdades persistem nas vacinas do HPV, gripe e covid-19.

As autoridades de saúde portuguesas estão a combater as baixas taxas de vacinação no Algarve através de uma estratégia focada na busca ativa de utentes e na proximidade comunitária Os centros de saúde realizam auditorias frequentes aos sistemas informáticos para identificar crianças e jovens com doses em atraso, avançando de imediato com contactos diretos através de telefonemas, SMS ou cartas registadas. Para mitigar o isolamento geográfico de concelhos como Aljezur e Vila do Bispo, equipas móveis de enfermagem deslocam-se às zonas rurais para administrar as vacinas localmente.Nas escolas da região, as autoridades cruzam os dados de matrícula com o registo vacinal para sinalizar alunos em falta e alertar os encarregados de educação. Paralelamente, os serviços de saúde pública trabalham com as autarquias locais para traduzir materiais informativos e integrar as comunidades estrangeiras residentes no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Por fim, os profissionais de saúde desenvolvem ações de esclarecimento direcionadas para combater mitos e a hesitação vacinal junto de grupos específicos da população. Parece-me insuficiente. 

O debate em torno do movimento antivacinas e da proliferação de comunidades dogmáticas em Portugal exige uma análise objetiva das causas e uma revisão urgente do enquadramento legal. A experiência demonstra que o confronto direto com correntes New Age e determinadas comunidades de permacultura é ineficaz: nestes meios, o ceticismo em relação às vacinas e ao conhecimento científico assenta na construção de identidades, no sentimento de pertença e na rejeição do que consideram a "frieza" do sistema dominante. Esta mentalidade, contudo, gera consequências graves e conduz a mortes perfeitamente evitáveis.

A fixação destas famílias estrangeiras em Portugal - com particular incidência no interior (Beira Alta, região Centro) e no Algarve - resulta diretamente de um fenómeno de "fuga às regras". Países como a França e a Alemanha identificaram o risco do isolamento comunitário e do desrespeito pela saúde pública, endurecendo substancialmente os seus regimes jurídicos. Entre 2018 e 2020, tornaram a vacinação infantil obrigatória para o acesso ao ensino e erradicaram ou restringiram severamente o ensino doméstico (homeschooling).

Enquanto a Europa Central fechou as brechas legais, Portugal manteve-se como um dos países mais permissivos do continente, tornando-se um refúgio para quem procura educar os filhos fora do sistema oficial em redes locais sem controlo rigoroso. Embora a adesão da população nacional ao Programa Nacional de Vacinação seja massiva, a vacinação de menores não é juridicamente obrigatória, o que deixa uma margem de manobra perigosa. 

De salientar que há uma faixa social portuguesa em que a hesitação vacinal dos pais são na maioria da classe média-alta e alta. [artigo científico aqui]

Para proteger a saúde pública e a integração social das crianças, Portugal precisa de importar medidas coercivas inspiradas no modelo alemão, assegurando a devida conformidade constitucional:
  1. Condicionamento de acesso e sanções: nenhuma criança deve ser admitida em creches, escolas (públicas ou privadas), ATL ou colónias de férias sem o boletim de vacinação em dia. Caso seja detetada a ausência de vacinas, deve aplicar-se um prazo limite de três meses para regularização, sob pena de cancelamento da matrícula. Paralelamente, ao tornar o ensino presencial obrigatório e banir o ensino doméstico, os pais incumpridores devem ficar sujeitos a multas administrativas pesadas (a exemplo dos 2.500 euros aplicados na Alemanha).
  2. Abrangência a adultos e profissionais de risco: a obrigatoriedade vacinal deve estender-se a quem lida diretamente com populações vulneráveis - pessoal médico, trabalhadores de hospitais e lares, professores e funcionários de creches ou centros de acolhimento. A ausência de imunização deve proibir a contratação ou motivar a suspensão de funções.
Cabe ao Estado Português atuar legislativamente antes que a permissividade jurídica continue a expor a comunidade a riscos evitáveis.

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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Dia Mundial da Consciencialização da Violência contra a Pessoa Idosa


A Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030) é uma oportunidade para reunir governos e a sociedade civil para ação orquestrada em prol da melhoria de vida das pessoas idosas.

A violência contra idosos é um problema subnotificado mundialmente que existe tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos. Embora a extensão dos maus-tratos contra idosos seja desconhecida, sua importância social e moral é incontestável.

Por isso, a ONU instituiu o dia 15 de junho de 2006 como o Dia Mundial da da Consciencialização sobre a Violência contra a Pessoa Idosa para definir abordagens culturalmente contextualizadas para detectar e lidar com a violência contra esse grupo populacional.

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) apoiou nos últimos cinco anos 8.540 pessoas idosas vítimas de crime e violência, o que representa uma média de cinco por dia, divulgou hoje a instituição.
Os dados estatísticos da APAV indicam um aumento de 26,5% no número de idosos apoiados entre 2021 e 2025, sendo que a ajuda foi dada em resposta a 15.804 crimes e outras formas de violência
A violência doméstica continua a ser o crime mais frequentemente registado, representando 78,9% das situações acompanhadas pela APAV, o que corresponde a 12.465 crimes.

Seguem-se a ameaça ou coação (3,7%), a ofensa à integridade física (3,7%), a difamação ou injúria (3%) e a burla (2%).
A maioria das vítimas apoiadas era do sexo feminino (76,3%), tinha entre 65 e 74 anos (49,4%) e nacionalidade portuguesa (92,7%), sendo mais de metade (55,9%) dos agressores do sexo masculino.
A APAV assinala que "a violência contra pessoas idosas ocorre maioritariamente em contexto familiar, sendo a pessoa agressora, na maioria das situações, filha ou filho da vítima (32,3%), seguida do cônjuge (21,5%)", acrescentando que 29,8% dos agressores tem entre 25 e 64 anos.
A associação salienta também que "mais de metade das vítimas apoiadas (53,6%) encontravam-se em situação de vitimação continuada", entre as quais 23,4% que viveram situações de violência durante um período compreendido entre dois e seis anos antes de procurar apoio.
Quase metade das vítimas (46,6%) não apresentou queixa nem viu a sua situação denunciada às autoridades.
Para a instituição, "estas estatísticas reforçam a necessidade de continuar a investir na prevenção, deteção precoce e apoio especializado às pessoas idosas vítimas de crime e violência, bem como na sensibilização da sociedade para uma realidade frequentemente invisível".
A APAV, criada em 1990, presta apoio jurídico, psicológico e social, gratuito e confidencial, por telefone, através da Linha de Apoio à Vítima 116 006, 'online', no Chatbot APAV, e presencialmente nos seus gabinetes espalhados pelo país.




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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Testemunho impactante de Richard Zimmler em defesa do SNS

Há duas semanas, passei por um grande susto de saúde. Agora que a situação se acalmou e me sinto bem, quero escrever sobre isso para agradecer a todas as pessoas que me ajudaram. Eis o que aconteceu: 
Tive uma consulta com um novo médico porque tenho um problema com o meu intestino há alguns meses.  Ele receitou-me alguns suplementos. Tomei o primeiro, o Movicol, nessa tarde, e tive uma reação alérgica grave – choque anafilático. Um minuto depois de tomar o medicamento, comecei a sentir comichão na boca, nas costas, na barriga e nos pés. Sabia que a situação poderia piorar, por isso liguei imediatamente para o consultório do médico. A sua esposa (também médica) disse-me para tomar um anti-histamínico. Não tínhamos nenhum em casa, por isso o Alex e eu fomos à farmácia local. Foi uma sorte imensa…Enquanto estávamos lá, a minha pressão arterial baixou drasticamente e fiquei muito fraco e tonto. As farmacêuticas tentaram medir a minha pressão arterial, mas estava demasiado baixa para conseguir uma leitura!  As farmacêuticas foram maravilhosas e ajudaram-me a tomar o anti-histamínico. Sentaram-me numa cadeira, levanvaram-me as pernas e deram-me sal para colocar debaixo da língua.  A tontura fez com que a minha visão ficasse turva e eu estava tão fraco que não conseguia levantar-me. As farmacêuticas ligaram para o 112 e a ambulância chegou cerca de quinze minutos depois. 
Os paramédicos foram extremamente gentis comigo, tal como as farmacêuticas. Nessa altura, a minha pressão arterial tinha voltado a subir para cerca de 9/5. Já me sentia menos fraco. Os paramédicos colocaram-me numa cadeira de rodas e levaram-me para as urgências do Hospital de S. António, onde tenho todos os meus médicos. Foi a minha estreia mundial numa ambulância! O Alexandre veio comigo. Na sala onde acabei por ficar (não sei bem onde era), os médicos administraram-me soro intravenoso, cortisona e um anti-histamínico. A minha pressão arterial subiu lentamente depois disso. Três horas depois, às 20h, a pressão estava em cerca de 11/7 e mandaram-me para casa (depois de comer uma maçã assada e uma sopa diluida!). A médica disse para tomar o anti-histamínico durante três dias e, depois, começar a tomar os outros suplementos recomendados. Mas falei com a minha terapeuta francesa e ela disse para esperar uma semana porque o meu corpo precisava de descansar. 
É óbvio que nunca mais vou tomar Movicol.
Agora estou bem. Felizmente, não estou a sentir quaisquer consequências do choque anafilático. Tenho uma consulta marcada para 6 de maio com um alergologista para identificar qual o ingrediente do Movicol que causou o choque.
Escrevo agora para expressar os meus agradecimentos aos enfermeiros, médicos e as minhas queridas farmacêuticas pelo sua ajuda maravilhosa e eficiente. Estou extremamente grato, tal como o Alexandre. No dia seguinte ao meu incidente, levei 7 exemplares dos meus livros à farmácia (do Mercado da Foz) e dediquei um a cada um das farmacêuticas que me ajudaram.
Um grande obrigado ao Laurentino e ao Rui, os paramédicos. E à Inês e ao Pedro, os médicos do serviço de urgências. E a todos no SNS.  
Um pequeno pedido: por favor, lutem para manter o elevado nível de cuidados do SNS. Como sou dos EUA, sei o que é viver sem um sistema nacional de saúde. Isso significa que as pessoas vivem com um nível constante de stress, preocupadas com o que lhes acontecerá se adoecerem e se perderão todas as suas poupanças caso precisem de hospitalização. Um exemplo: após o grave AVC da minha mãe, ela ficou em estado vegetativo e passou duas semanas num hospital em Nova Iorque. Praticamente não recebeu cuidados. A conta de duas semanas foi de 120 000 euros. Sim, leu bem: 120 000 euros por duas semanas numa cama. Isso é completamente normal nos EUA. Quer isso em Portugal? Espero que não! Felizmente, o seguro privado da minha mãe pagou 119 000 euros da conta, mas os seguros privados são extremamente caros nos EUA.  É uma situação terrível que espero que nunca venhamos a viver em Portugal. E podem ter a certeza de que lutarei para manter a elevada qualidade dos cuidados de saúde no Serviço Nacional de Saúde.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Mensagem de Natal do Primeiro-Ministro - a essência de um regime cleptocrata


A mensagem de Natal de Luís Montenegro não foi neutra. Foi uma armadilha retórica para deslocar a responsabilidade do Governo para as pessoas. Segundo o Primeiro-Ministro, o país está bem e a economia cresce. Se não sentes isso na tua vida, se o salário é curto, o problema não é estrutural, é teu. Falta-te ambição. Falta-te “mentalidade de campeão”.

É aqui que a analogia com Cristiano Ronaldo se torna ofensiva. O modelo deste Governo não é quem segura o SNS ou a escola pública, é um multimilionário a jogar na Arábia Saudita, um regime autoritário que usa o desporto para lavar a sua imagem internacional. A mensagem é simples. Se ele conseguiu, tu também consegues. Ronaldo é a exceção absoluta. Usar uma exceção para julgar a vida de milhões de portugueses que trabalham, descontam e cumprem é profundamente desonesto.

Sete minutos de ladainha. Dizem que está tudo óptimo, mas quando chega à prática temos o menor aumento percentual do salário mínimo dos últimos anos e um ataque cerrado aos direitos laborais. Sinal claro de que a propaganda vive melhor do que as pessoas.

Enquanto vendem a ilusão do “país rico”, os números mostram onde fica a riqueza:
Jerónimo Martins: faturou 33,4 mil milhões € em 2024 (lucro: 599M€).
Sonae: cerca de 10 mil milhões € de volume de negócios (lucro: 223M€).
EDP: 801M€ de lucro.
Galp: 961M€ de lucro.
Banca: lucros recorde de 6,3 mil milhões €, à custa dos juros pagos pelas famílias.

A riqueza existe. A distribuição é que não. O “trickle-down” é uma mentira contada muitas vezes. A produtividade sobe, mas os ganhos ficam nos salários e prémios dos CEOs e nos dividendos, não nos salários de quem trabalha.

E sobre o essencial? Silêncio.

Ignorou as falhas graves no SNS, a habitação que esmaga vidas e ignorou a transparência. O mesmo Primeiro-Ministro que pede “mentalidade” opôs-se a revelar detalhes de 55 imóveis e lidera um Governo com um património conjunto de 20,9 milhões €, com três ministras a concentrarem mais de 11M€.
A distância entre quem governa e quem trabalha é abismal.

Esta mensagem não serviu para unir o país. Serviu para disciplinar. Para justificar desigualdade.
Para transformar problemas colectivos em culpas individuais.

sábado, 20 de dezembro de 2025

Mariana Mortágua despediu-se do Parlamento e ouviu elogios de quase todas as bancadas


Mariana Mortágua despediu-se do Parlamento e ouviu elogios de quase todas as bancadas. Cumpriu e fê-lo, com elevação e ética, características que infelizmente já não abundam muito na Assembleia da República.
Como sempre, vejo as redes sociais a destilar ódio a quem combateu o sistema, como pôde. À Mariana devemos sobretudo o seu empenho em desmascarar a rede do BES e isso não interessa para esta gente que nunca gostaram de quem interfere e denuncia o poder podre do país. Doutorada em Economia pela Universidade de Londres. A Mariana já tem emprego, estejam descansados. Em princípio será Professora Universitária no ISCTE. Destaco três livros que são actuais, infelizmente:

1. "Isto é um Assalto" (2013)
Com ilustrações e BD de Nuno Saraiva e design de Rita Gorgulho, este livro descreve o assalto que Portugal está a sofrer. Eles estão a cobrar impostos acima das nossas possibilidades, a retirar subsídios de férias e de Natal que eram as nossas possibilidades, a destruir o Serviço Nacional de Saúde, a escola pública e a Segurança Social que deveriam ser a devolução dos nossos tributos. Eles querem tudo. Eles, a finança, cobram uma renda sobre o nosso futuro e ainda querem convencer-nos de que somos culpados. Por isso, em Isto é um Assalto, faz-se a conta e cobra-se a fatura: verá como os bancos foram financiados pelos nossos impostos, como a austeridade e a chantagem da dívida estão a criar o maior desemprego da história do nosso país, como a troika destrói a vida das pessoas.

2."Privataria" de 2015
«Portugal foi tricampeão de privatizações em 2012, 2013 e 2014, ocupando sempre, nesses anos, o primeiro lugar em volume de vendas a nível europeu. Esta revolução, pela sua escala e pelos setores alcançados - os correios e os aeroportos, por exemplo, tinham sido sempre públicos -, é isso mesmo: uma revolução. Mas a apropriação por privados (ou entidades estatais estrangeiras) de monopólios naturais e outros recursos estratégicos iniciou-se vinte anos antes. Com entoações diferentes, a justificação política foi sempre a da superioridade da gestão privada, aliada à pressão das instituições europeias para a redução do défice e da dívida, uma constante ao longo do tempo, ora em função das regras do "mercado comum", ora dos critérios de convergência para a moeda única, ora do memorando com a troika ou ora ainda do tratado orçamental europeu.»

3. "No Sonho Selvagem do Alquimista" de 2021
Como se cria o dinheiro? Quem é que controla a criação do dinheiro? E quem o detém? Como é que as nossas vidas são condicionadas pelo sistema financeiro mundial?
Neste livro destinado ao grande público, Mariana Mortágua explica os principais processos de criação de moeda e o modo de funcionamento dos bancos. Acompanhando a sua evolução desde a Idade Média, a autora reflete sobre o poder associado às relações financeiras e de dívida. E sobre as novas formas de poder financeiro, nomeadamente a «banca-sombra» e as criptomoedas. O principal argumento é que a moeda, a banca e a finança são demasiado importantes para se manterem fora do espaço de discussão e decisão democráticas.

E quanto ao seu papel, tão criticado pelos portugueses, quando fez parte da flotilha por Gaza, infelizmente a situação continua calamitosa, agravada com as inundações deste Inverno. O acordo de paz na Faixa de Gaza, que vigora desde 10 de outubro é um frágil cessar-fogo entre Israel e o grupo radical palestiniano. Os Palestinianos continuam vítimas de Netanyahu. Israel continua a restringir a ajuda humanitária vital (77% da população ainda sofre de fome aguda, apesar do cessar-fogo) e vários relatos mostram que o país viola o cessar-fogo, não apenas o Hamas como os media destacam mais, os habitantes de Gaza sofrem com tendas inundadas, fome, poluição e doenças.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Gen Z are demanding schools and hospitals, not superyachts and helicopters



A wave of youth-led “Gen Z” protests is sweeping the world. A recurring slogan during the recent protests in Morocco was “We want hospitals, not stadiums”, reflecting how publicly funded services such as health and education are being sidelined. Electricity and water outages triggered the protests in Madagascar that toppled the government. Rooted in high levels of inequality, deficits in public services, and generational frustration, these protests reflect the fracturing of the social contract between governments and young citizens

This week will see the World Summit for Social Development in Qatar. This is the first such summit in 30 years to focus the world’s attention on the pressing need to provide health, education, social protection and other vital services for all. Such public services are the most powerful and proven way to build more equal, fairer societies. This summit offers a critical opportunity to radically improve public service delivery, something that is at the heart of the rebuilding of a new social contract between angry citizens and their governments.

Sadly, the trend is firmly in the wrong direction. In 2024, Oxfam highlighted that 84 percent of countries have cut investment in education, health and social protection. Nine out of ten countries have backtracked in one or more areas. The United Nations’ Sustainable Development Goals in all these areas are way off track. Cuts to aid from rich countries are also making things worse for the Global South. US foreign assistance cuts alone could cause more than 14 million additional deaths by 2030.

Yet the world is not short of wealth: total global wealth is immense. The vast majority is in the hands of rich individuals and is barely taxed. Global private wealth grew by $342 trillion since 1995 – eight times more than global public wealth. The case for taxing this wealth – to fund health, education and other public services – is overwhelming, and thanks to the leadership of Spain and Brazil, is also gaining momentum that is long overdue.

Over the next 10 years, $70 trillion is going to be handed by the rich to their children, cementing inequality into the next generation, in what has been described as an “inheritocracy”. Meanwhile, good education and health are increasingly only available to those who have enough money. This is squandering the talent of a generation. How many potential climate scientists or engineers will never get to even go to high school? In many countries, children from rich families are hundreds of times more likely to get to go to university than those from poorer backgrounds. For girls from poorer families, the chances are lower still. It is no wonder this spills over into anger and resentment.

The concept of a welfare state is being eroded before our eyes in the face of an ideological commitment to austerity and a shrinking state. This is tragic given the clear evidence that robust welfare systems are key for reducing inequality, redressing social disadvantage, and rebuilding trust. In contrast, failure to deliver these risks unrest. Improvements in service delivery lead to higher satisfaction and trust in government, while poor or corrupt service delivery erodes trust.

The Gen Z protests have shown that the next generation is no longer willing to patiently wait for traditional party politics to address these concerns. They are organising digitally and acting outside established institutional channels. If governments do not respond to people’s aspirations with improvement in public services and stronger social protection and fail to act on inequality, they risk further resistance and protests. In this sense, the Gen Z uprisings are the canary in the coalmine for inequality and public-service deficits.

The good news is that none of this is inevitable. There are many examples of countries that have bucked the trend. Take, for example, Thailand with its world-class public healthcare system available to all citizens. Or the hundreds of millions of children who have benefited from primary education being made free across Africa. Good public services are within the reach of every government.

To do this, governments should focus on building national public wealth and not private wealth. They should reject the snake oil solutions that propose “private finance first” policies and that promote as a panacea privatisation, commercialisation and financialisation of essential public services, like health, education, water, care and social protection. This is a dangerous dead end.

Over the last year, we saw the creation of 49 new billionaires in the field of health and pharmaceuticals. Yet half the world’s population is still not covered by essential health services, with 1.3 billion people impoverished by out-of-pocket health spending. The only beneficiaries from privatised healthcare are the richest, at huge human cost.

The Gen Z movements inject urgency into the World Summit for Social Development agenda – governments ignore the provision of public services at their peril. They must respond not with bullets and batons, but with classrooms and clinics.

domingo, 2 de novembro de 2025

Petição pela Demissão da Ministra da Saúde e pela Defesa de um SNS Público e Funcional

Assinar e divulgar a Petição aqui

Para: Assembleia da República, Primeiro-Ministro e Presidente da República

Nós, cidadãos abaixo-assinados, manifestamos a nossa profunda indignação e exigimos a demissão imediata da Ministra da Saúde, em consequência das falhas graves e reiteradas no funcionamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que têm colocado em risco vidas humanas — incluindo bebés, crianças e grávidas.

Situação atual
O SNS encontra-se entupido, envelhecido e incapaz de responder às necessidades básicas da população.
Casos recentes expõem a gravidade:
  1. Bebés a nascerem em ambulâncias, estradas e até na rua, por falta de resposta hospitalar atempada.
  2. Grávidas enviadas de hospital em hospital sem atendimento adequado, resultando em mortes evitáveis.
  3. Crianças encaminhadas para hospitais sem pediatria e grávidas para hospitais sem urgência obstétrica.
  4. Doentes obrigados a ligar previamente para a Linha SNS 24 para serem atendidos em hospitais públicos.
Isto é ilegal: nenhum hospital pode recusar atendimento de urgência, com ou sem contacto prévio com o SNS 24. O direito à saúde e ao socorro médico é constitucional e universal — e está acima de qualquer linha telefónica ou norma administrativa.

Também é ilegal negar o direito ao acompanhante:
  1. em partos,
  2. em internamentos,
  3. em pediatria,
  4. e em urgências, onde muitas vezes os cidadãos são impedidos de ter alguém ao seu lado em momentos de grande fragilidade.
A gestão hospitalar não está acima da lei e deve respeitar estes direitos fundamentais.

Dados que confirmam,
  1. Listas de espera: primeira consulta cresceu 46% face a 2022; cirurgias aumentaram 13%.
  2. Apenas 60% dos atendimentos nas urgências respeitam o tempo definido pela triagem.
  3. Taxa de ocupação hospitalar em 91%, a mais elevada da última década.
  4. Portugal tem apenas 3,5 camas hospitalares por 1000 habitantes, muito abaixo da média europeia.
  5. Centros de saúde degradados, sem condições físicas nem humanas: horários reduzidos, falta de médicos, enfermeiros e auxiliares.

Direitos fundamentais violados
1. Constituição da República Portuguesa
O artigo 64.º garante a todos os cidadãos o direito à proteção da saúde e o acesso universal e tendencialmente gratuito aos cuidados de saúde. O Estado tem o dever de assegurar esse direito.
2. Lei n.º 15/2014 (Direitos e Deveres do Utente)
Artigo 3.º: nenhum utente pode ser privado de cuidados de saúde por motivos económicos, sociais ou administrativos.
Artigo 12.º: todos os utentes têm direito a acompanhante, em internamento e em urgência, incluindo grávidas, crianças, pessoas dependentes ou com deficiência
3. Portaria n.º 142/2017, de 14 de abril
Regulamenta e reforça o direito a acompanhante nos serviços de urgência e internamento do SNS. Os hospitais são obrigados a criar condições para que este direito seja respeitado. A gestão hospitalar não está acima da lei.
4. Portaria n.º 23/2025/1, de 29 de janeiro
Estabelece que, mesmo que o utente chegue ao hospital sem contacto prévio com a Linha SNS 24, deve ser:
Facultado o acesso à Linha para encaminhamento;
E, caso não seja possível, deve ser inscrito no serviço de urgência e sujeito a triagem hospitalar.
A portaria sublinha que “não pode resultar falta de resposta em saúde ajustada à condição clínica do utente”, incluindo no acompanhamento dos seus familiares.

Isto significa que nenhum hospital pode recusar atendimento por falta de chamada prévia à Linha SNS 24, sendo essa prática ilegal e contrária à Constituição, à Lei e à Portaria

Direitos humanos em risco
  1. O direito ao atendimento médico imediato não pode ser condicionado a chamadas telefónicas ou autorizações burocráticas.
  2. O direito a um acompanhante em partos, internamentos, pediatria e urgências é legalmente reconhecido e não pode ser negado arbitrariamente.
  3. A ausência de condições nos centros de saúde prejudica utentes e funcionários, criando sobrecarga, stress, burnout e desumanização.
  4. As falhas do SNS têm efeitos psicológicos devastadores: famílias traumatizadas, profissionais culpabilizados, utentes sem confiança no sistema.
Responsabilidade política
Quando o Estado falha em proteger a vida e a dignidade dos cidadãos, deve haver responsabilização política imediata.
Não é aceitável continuar a normalizar tragédias evitáveis. A demissão da Ministra da Saúde é uma exigência ética, política e social.

O que exigimos
1. Demissão imediata da Ministra da Saúde.
2. Garantia de atendimento hospitalar imediato a qualquer cidadão, sem exigência de contacto prévio com o SNS 24.
3. Cumprimento integral do direito a acompanhante em partos, internamentos, pediatria e urgências.
4. Reforma urgente da Linha SNS 24 e SNS Grávida, que não pode substituir o acesso direto ao hospital.
5. Plano emergencial de reforço de recursos humanos e infraestruturas, com contratação imediata de médicos, enfermeiros, auxiliares e investimento nos centros de saúde.
6. Investimento público sério no SNS, com aumento de camas hospitalares, modernização de instalações e condições de trabalho dignas.
7. Protocolos nacionais de transporte de grávidas e recém-nascidos, para evitar tragédias evitáveis.
8. Auditoria independente ao SNS, com relatórios públicos e responsabilização administrativa e política pelas falhas graves

A saúde é um direito constitucional, não um privilégio. Não podemos assistir passivamente a um colapso que ceifa vidas e destrói a confiança no SNS.

Assinamos esta petição por justiça, dignidade e responsabilização política. Porque nenhum bebé deve nascer numa estrada, nenhuma grávida deve ser abandonada, nenhum cidadão deve ser recusado ou deixado sozinho num hospital.

sábado, 27 de setembro de 2025

Há uma nova fraude a preocupar os portugueses


Uma nova fraude por SMS está a circular em Portugal, utilizando indevidamente a identidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e da linha SNS 24. Os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) emitiram esta semana um alerta, denunciando uma tentativa de fraude com o objetivo de recolher dados bancários dos utentes.

Qual é a fraude sobre o SNS?
De acordo com a informação divulgada pela SPMS, a mensagem fraudulenta informa o destinatário sobre alegados "valores em dívida" ao SNS. O conteúdo do SMS exige o pagamento do montante em causa no prazo de cinco dias, criando um sentido de urgência que visa pressionar a vítima a agir sem verificar a veracidade da informação.

Além disso, a mensagem inclui um link que direciona para uma página falsa, com aparência semelhante à de portais oficiais. Nesse site fraudulento, são solicitados dados pessoais e bancários, bem como instruções para pagamento por multibanco. A SPMS esclarece que esta comunicação é completamente falsa e que nenhum serviço do SNS utiliza mensagens escritas para notificar utentes sobre dívidas ou para recolher informações sensíveis.

Como funciona o SNS 24?
Em comunicado, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde reforçam que nem o SNS nem a linha SNS 24 recorrem ao envio de SMS para cobrança de valores em atraso. As entidades oficiais de saúde não pedem dados pessoais ou bancários através deste meio de comunicação.

Assim, qualquer mensagem que contenha pedidos de pagamento ou solicitação de dados confidenciais deve ser considerada suspeita. O comportamento recomendado pelas autoridades é claro: não responder, não clicar em links e apagar a mensagem de imediato.

Aumenta o número de burlas digitais em Portugal
Da mesma forma, nos últimos meses, tem-se verificado um aumento significativo no número de fraudes digitais em território nacional. Os esquemas mais comuns incluem o envio de mensagens com conteúdos alarmantes, muitas vezes associados a instituições públicas ou entidades de confiança, como o SNS.

Com efeito, estas fraudes aproveitam-se da credibilidade das instituições portuguesas para manipular os utentes e obter informações financeiras. Para combater este tipo de crime, é fundamental adotar uma postura de vigilância constante e reportar qualquer tentativa suspeita às autoridades competentes.
Autoridades fazem apelo à vigilância

A SPMS, em conjunto com outras entidades públicas, reforça o apelo para que os cidadãos mantenham uma atitude preventiva face a este tipo de ameaças. Em caso de dúvida, o contacto com os canais oficiais do SNS ou com a Polícia Judiciária permite esclarecer a veracidade da mensagem.

A partilha de dados bancários deve ser feita apenas em plataformas seguras e com entidades verificadas. Ao mesmo tempo, é essencial não divulgar qualquer informação pessoal a remetentes desconhecidos.

sexta-feira, 11 de julho de 2025

Dia Mundial da População


Crónica de Pedro Vieira

não é não.
não, filha, a imigração não está no topo dos problemas deste retângulo amaldiçoado e abençoado; a desigualdade, o acesso à habitação, à saúde e a educação de qualidade, sim.

não, amor, não são os imigrantes amontoados em camaratas que andam a destruir o teu direito constitucional à habitação; são os "imigrantes" dos vistos gold, os fundos imobiliários predadores e os autarcas amigos de hotéis de 5 estrelas e alojamentos locais e fantasias de equídeos com chifres que estão a rebentar com o tecido social das cidades.

não, miga, os imigrantes não estão cá a mamar subsídios e a viver à tua conta; eles andam a contribuir para um sistema que é desbaratado pelos destruidores de bancos e pelas multinacionais à boleia de borlas fiscais e pelos liberais com pés de barro que se agarram às tetas do estado que adoram vilipendiar.

não, fofo, a imigração nunca foi tão alta como agora; continua a haver 3% de deslocados no mundo, valor igual desde o final da segunda guerra mundial, lançada pelos tiranos que o teu novo partido favorito gosta de glosar.

não, meu bem, o teu novo partido favorito não existe para te defender e gritar "vergonha"; existe para te convencer que a culpa é dos de baixo, enquanto mama nos de cima.

não, mor, os imigrantes não roubam empregos e puxam os salários para baixo; eles deslocam-se para os lugares onde há trabalho disponível, mesmo por valores indecentes, e muitos regressam às famílias e lugares de origem quando têm a vida mais orientada.

não, coração, não és só tu que preferes estar junto dos teus; eles também.

não, querido, os imigrantes não têm sangue de monhé ou de preto; têm sangue com hemoglobina como o teu.

não, riqueza, os imigrantes não matam mais do que o teu companheiro violento e abusador.

não, minha jóia, os imigrantes não estão a invadir-nos; em muitos lugares, estão a repor vida, num país que adora exportar cortiça, conservas e jovens sem futuro.

não, cariño, tu não és descendente de um pastor de cabras da zona de Viseu com pouco jeito para escolher guarda-costas; és descendente de iberos que ninguém sabe de onde vieram, de celtas e de romanos, de fenícios, cartagineses, mouros, castelhanos e de franceses, mais os negros de África e de europeus de fracas sortes e de gente dos orientes. e de neandertais, também, e às vezes nota-se. és como um daqueles pratos do honest greens - cantina preferida dos colarinhos brancos jovens e dos empreendedores, na qual são os imigrantes que cozinham - aqueles pratos com muitas cores e paladares, sem perceberes bem o que lá está.

não, meu doce, os imigrantes não são os teus inimigos de classe; esses são os que enviam anualmente o valor de um SNS para offshores, enquanto se riem da tua fúria (e das tuas filas de espera e das tuas crianças nascidas em ambulâncias) no deck de um iate.

não é não é não

sábado, 27 de julho de 2024

"Fora da Lei". Inquérito confirma espera excessiva por consultas em hospitais


O estudo da DECO, realizado entre abril e maio deste ano, questionou mais de 700 portugueses (721) entre os 30 e os 79 anos. Cerca de metade receberam a indicação, por parte do médico de família, de que a consulta tinha prioridade normal. Significa isto que, por lei, a mesma deveria ocorrer num prazo máximo de 120 dias, o que não se verificou num quarto dos casos. Já nas consultas prioritárias (22 por cento), o Tempo Máximo de Resposta Garantido foi ultrapassado em quase metade das situações.
Os prazos referidos no inquérito aplicam-se à primeira consulta de especialidade no hospital, com exceção das que são motivadas por doença cardíaca ou oncológica, que devem acontecer no prazo de 15 a 30 dias, consoante a prioridade.

O presidente da Associação de Administradores Hospitalares (AAH) assume “preocupação” e admite que “faltam e vão faltar médicos”. Entrevistado na RTP3, Xavier Barreto considera “totalmente inaceitável” doentes que esperem por consulta nos hospitais “há 400 dias”. Para o dirigente da associação, a reorganização do SNS tem de ser feita, uma vez que “os hospitais têm aumentado a atividade “cinco por cento, seis por cento e até mais”, mas a procura também aumenta.

"Reclamem sem receios"
A DECO alerta ainda para outra conclusão do estudo: 91 por cento dos inquiridos encaminhados para uma consulta da especialidade nos hospitais nunca reclamaram de que o tempo de espera ultrapassou o que está definido por lei. 

Perante este dado, Xavier Barreto transmite uma mensagem aos doentes para que “reclamem sem receios de represálias. Não tenham medo”.

O desconhecimento que os consumidores têm dos seus direitos é sublinhado no estudo. Por exemplo, um em cada quatro inquiridos desconhecia a existência de Tempos Máximos de Resposta Garantidos, 24 por cento não sabia que podia reclamar e 28 por cento acreditam que não valia a pena reclamar por não resultar “qualquer consequência”. Apenas “uma minoria afirmou saber os prazos em concreto”. 
 
A DECO refere ainda que entre os 721 inquiridos “o número de consultas muito prioritárias declarado no estudo foi residual. Porém, mais de um quinto dos inquiridos assinalou "não sei qual o grau de prioridade". Susana Santos, especialista na área de Saúde da Deco PROteste, foi também entrevistada na manhã desta quinta-feira no programa Bom Dia Portugal.

sexta-feira, 26 de abril de 2024

Resumo da Festa de ontem do 50º Aniversário do 25 de Abril

Seguramente vi, no Porto, 750 jovens (foto minha, ontem)

O que aconteceu ontem é politicamente central. Mais de milhão de pessoas só em Lisboa, 600 mil talvez, maior ou pelo menos do tamanho da Geração à Rasca, um milhão em todo o país contando Porto, outras cidades, e os milhares de associações e grupos que o festejaram. A manifestação tinha milhares de jovens, impressionante, com cartazes e exigências, claras, de direitos sociais. Uma festa de gente decente, alegre, famílias, amigos, abraços entre iguais. Não foi convocada pelas celebrações oficiais, pelo contrário, são milhares de grupos auto organizados, sindicatos, movimentos sociais, que foram pelo seu pé, sem financiamento Estatal, gente individual e gente organizada, na rua, pelo direito ao futuro. Foi um "voto com os pés", na rua, contra a degeneração expressa na votação de 10 de Março e a eleição de grupos neofascistas. Os media insistem numa agenda irrelevante e, perdoem, nas redes sociais vão atrás da "banana": Bogalho, discursos de Marcelo, tudo isso é fait divers. Ontem aconteceu algo a sério - uma massa de gente veio para a rua dizer direito ao trabalho, Palestina livre, fim ao genocídio em Gaza, direito a casa própria, democracia no trabalho, também lá estávamos, ser livre, em cada esquina um amigo, fascistas não passarão. Um voto de protesto com os pés, em movimento. Que bela festa pá, um dia assim por dia e já os nossos problemas como sociedade tinham "milagrosamente" sido resolvidos, como em 1974-1975 quando "caíram do céu", lei-se das lutas colectivas, direito ao trabalho com direitos, casas, SNS, educação.

Festa do 50º Aniversário do 25 de Abril, em Lisboa

Da minha pequena contribuição, fiquei IMENSAMENTE feliz de ver antigos alunos meus (gerações 25-30-35) na rua, com os seus filhos de 3-7 anos empunhando com ânimo um cravo na mão. Dois vieram a Portugal só para se juntar à festa no Porto.

Festa do 50º Aniversário do 25 de Abril, no Porto

E depois ontem assistimos ao Nuno Melo que agora é Ministro da Defesa a ter que prestar Homenagem ao estratega do 25 de Abril Otelo Saraiva de Carvalho, a quem tinha chamado terrorista! Força aí, malta jovem. 

quinta-feira, 4 de abril de 2024

Inglaterra: Doenças transmitidas pela água aumentaram 60%


As doenças transmitidas pela água, como a disenteria e a doença de Weil, aumentaram 60% desde 2010 em Inglaterra, revelam novos números.
A análise das internações hospitalares do NHS pelo Partido Trabalhista descobriu que o número de pessoas internadas no hospital com doenças transmitidas por infecções transmitidas pela água aumentou de 2.085 em 2010-11 para 3.286 em 2022-23.
A análise segue a indignação generalizada depois que vazamentos recordes de esgoto foram revelados esta semana. Os dados da Agência Ambiental mostraram que o esgoto bruto foi descarregado durante mais de 3,6 milhões de horas em rios e mares no ano passado – um aumento de 129% em relação aos 12 meses anteriores.
O aumento do esgoto bruto nos rios significa que há um risco maior de infecções, argumentam os ativistas, uma vez que as pessoas têm maior probabilidade de entrar em contacto com as bactérias presentes nos dejetos humanos.
No último ano, por exemplo, 122 pessoas foram diagnosticadas com leptospirose (doença de Weil), o dobro do número de 2010. A doença, que pode causar danos hepáticos e insuficiência renal, é transmitida através de água contaminada com urina de animais infectados, geralmente ratos ou gado. A urina infectada entra na boca, nos olhos ou em um corte, geralmente durante atividades como canoagem, natação ao ar livre ou pesca. Os casos de febre tifóide, que também se espalha através de águas poluídas, aumentaram de 445 para 603.
O secretário do Meio Ambiente do Partido Trabalhista, Steve Reed, disse: “É repugnante que este governo conservador tenha feito vista grossa ao despejo ilegal de esgoto que colocou milhares de pessoas no hospital. Para piorar a situação, os consumidores enfrentam contas de água mais elevadas, enquanto os chefes da água embolsam milhões em bónus.
“Os trabalhadores colocarão as empresas de água sob medidas especiais para limpar a água. Reforçaremos a regulamentação para que os chefes da água que violam a lei enfrentem acusações criminais e daremos ao regulador novos poderes para bloquear o pagamento de quaisquer bónus até que os chefes da água tenham limpo a sua sujidade.”
A análise ocorre no momento em que os organizadores da corrida de barcos de Oxford e Cambridge emitiram novas orientações de segurança para a corrida no sábado, alertando os remadores para não entrarem na água e cobrirem quaisquer feridas abertas, depois que altos níveis de bactérias E. coli foram encontrados no curso do rio Tamisa.
Em vez da celebração tradicional em que os membros da equipa vencedora saltam frequentemente no rio, as tripulações serão incentivadas a lavar-se numa estação de limpeza dedicada no final. Alguns remadores relataram que ficaram gravemente indispostos depois que água suja entrou nas bolhas que eles tiveram ao segurar os remos.
Alastair Chisholm, diretor de políticas da Chartered Institution of Water and Environmental Management, disse: “Nossa pesquisa mostra que 86% do público deseja a reforma da água no próximo governo. A nossa crise fluvial não está apenas a afetar a saúde da natureza, mas também a adoecer as pessoas. Isso tem que mudar. Precisamos de uma reforma urgente.”
Richard Benwell, executivo-chefe da Wildlife and Countryside Link, disse: “A poluição e a perda da natureza são um desastre de saúde pública. Biliões de dólares poderiam ser economizados todos os anos para o NHS limpando rios imundos, reduzindo a poluição do ar e trazendo a natureza de volta à vida. Todas as partes devem fazer com que os grandes poluidores paguem e garantir que as empresas de água invistam na recuperação da natureza em prol da saúde pública.”
Richard Walker, empresário e ex-presidente do Surfers Against Sewage, que era um doador conservador antes de mudar em janeiro para apoiar o Trabalhismo, disse: “A maneira como os conservadores permitiram que nossas costas, rios e córregos ficassem cheios de excrementos é a metáfora perfeita pela forma como trataram o país nos últimos 14 anos. O plano trabalhista tomará as medidas duras necessárias para que os nossos serviços vitais voltem a servir o interesse público.
“Todos merecem desfrutar da nossa bela costa e dos nossos rios sem medo de adoecer porque algum gato gordo está a distribuir dividendos em vez de investir em melhorias vitais.”
Um porta-voz do governo disse: “Fomos claros que o volume de esgoto despejado em nossas águas é completamente inaceitável e as empresas de água precisam melhorar rapidamente.
“Já estamos tomando medidas duras para responsabilizá-los, incluindo a exigência de níveis recordes de investimento acelerado, garantindo uma monitorização de 100% dos transbordamentos de tempestades e uma quadruplicação das inspeções das companhias de água, e estamos atualmente consultando sobre a proibição dos chefes de água. bônus, quando ocorreram infrações criminais.
“Isso se soma às metas rigorosas em vigor para as empresas de água reduzirem os derramamentos de esgoto – ações antecipadas em águas balneares designadas para fazer a maior diferença nesses locais o mais rápido possível.”

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

O Programa do Chega para as Legislativas de 2019 e que foi removido do seu site


Em Novembro de 2019 fui ler o programa do Chega, o vídeo onde analisei o mesmo alcançou rapidamente em várias plataformas 1 milhão de visualizações e o programa do Chega foi retirado da página do Partido. Mas guardei-o, aqui está em pdf, fim do SNS, da escola pública, das carreiras (incluindo na polícia), e até vejam a venda de escolas aos professores. Aqui em link o programa (retirado pelo partido online em 2019) e o vídeo onde o analiso.

Raquel Varela, 6 de Dezembro de 2019
Quando tornei público no Último Apaga a Luz o programa do Chega este foi partilhado e visto por mais de 400 mil pessoas, previ de imediato que o iam tirar do site, o que aconteceu já esta semana. Fiz download antes, aqui em link têm as barbaridades onde se propõe acabar com o Estado Social, acabar com as escolas e os hospitais onde estão os filhos dos polícias e GNRs, acabar com as carreiras e os salários. Mas Ventura surpreendeu-me. É que eu já tinha visto políticos dar o dito pelo não dito, mas destas forma é inédito, trata-se do grau zero da ética e da moralidade política. Ventura fez algo inédito na história da vida portuguesa, com uma linguagem que jamais tinha sido usada pelo pior dos políticos – o Chega anunciou esta semana “uma clarificação em sentido inverso”, ou seja, ser eleito com um programa e mudá-lo totalmente um mês depois. Um pequeno Estaline que em vez de fotografias apaga as ideias com que foi eleito, ideias que fazem de Passos Coelho e do PSD, que o pariu, um menino doce. Os portugueses têm suportado políticos ignóbeis em anos de Governação, o PS governa o declínio, sem oposição infelizmente. Mas nunca vimos nada tão baixo como este troca tintas do Ventura, este senhor que hoje vive de ser deputado, do orçamento público, e ao sabor do vento muda o programa no sentido “totalmente inverso”. É bom que quem votou nele e o aplaudiu na manifestação corrija rapidamente o erro (podemos errar, mas não persistir nos erros), e deixe de pensar como se tivesse 5 anos – “dizer umas verdades” não faz de ninguém uma pessoa séria.
Em Link o Programa do Chega – uma demonstração nunca vista do mais baixo que uma sociedade pode descer.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

O farsante André Ventura, que critica a nova lei da emigração


Antes de chegar ao Parlamento, André Ventura saltou da Autoridade Tributária (AT) para a Finpartner, uma empresa de contabilidade e assessoria fiscal com intensa actividade nas áreas da engenharia fiscal via offshore e vistos gold, o que não deixa de ser engraçado, à luz da narrativa em torno da “pátria” e das posições anti-emigração que agora defende. Porque isto da pátria não é para qualquer gajo que chegue de barco de borracha em fuga da miséria. Isso seria cristão demais para um farsante como Ventura. Tratando-se de um oligarca russo, angolano ou chinês, que aterre em Lisboa no seu jacto privado, então já somos capazes de ter aqui alguma coisa para lhe vender. Nacionalidade portuguesa pelo preço certo em euros.

Isto do trabalho, na óptica do André Ventura, tem muito que se lhe diga. É que eu ainda sou do tempo em que, em 2019, o líder do Chega deu uma entrevista a uma estação televisiva de uma igreja qualquer, onde afirmou, com a convicção a que nos habituou, que, mal fosse eleito, deixaria todas as suas outras ocupações para se dedicar a tempo inteiro a servir o país. Porque defendia, convictamente, que os deputados o deviam ser em exclusividade de funções. Claro que, uma vez eleito, Ventura continuou a servir os interesses da Finpartner, durante quase mais dois anos, durante os quais teve acesso a informação privilegiada resultante da sua posição no Parlamento, que pode ou não ter entregue ao seu principal empregador. E desengane-se quem achar que Ventura saiu da Finpartner por imperativo de consciência. Saiu, isso sim, porque a contradição se tornou insustentável. E porque os próprios militantes do Chega começaram a ficar indignados. Tivessem deixado Ventura tranquilo na sua vida, e ainda hoje lá estaria.

Indo um pouco mais atrás, até 2014, recorde-se que André Ventura assinou um parecer, enquanto inspector tributário ao serviço da AT, que contribuiu para isentar uma empresa de Lalanda de Castro, ex-patrão de José Sócrates, do pagamento de 1,8 milhões de euros de IVA. Este caso foi investigado no âmbito do processo dos Vistos Gold, por suspeita de favorecimento de Lalanda e Castro, que também está referenciado na Operação Marquês, Panama Papers e é acusado de corrupção no processo Máfia do Sangue. E sim, este Ventura que serviu de peão na manobra de evasão fiscal de Lalanda e Castro, que prejudicou todos os portugueses, é o mesmo Ventura que demoniza todos os beneficiários do RSI, incluindo crianças.

Em 2021, as contribuições dos imigrantes subiram para um valor recorde: 1293 milhões de euros. Paralelamente, as prestações sociais de que beneficiaram ficaram-se pelos 325 milhões, o que significou um saldo positivo de 968 milhões para os cofres da Segurança Social.
Em 2022, novo recorde. Desta vez, as contribuições ascenderam a 1861 milhões, as prestações sociais caíram para 257 milhões e o saldo disparou para os 1604 milhões.
Mais um ano, mais uma chapada na retórica desonesta da extrema-direita xenófoba e racista.
Mais uma chapada na narrativa canalha que faz dos imigrantes o bode expiatório da agenda do ódio.
Mais uma chapada na instrumentalização do medo e da ignorância, da demagogia da divisão, do cheio nauseabundo do isolacionismo nacionalista.
A verdade, digam o que disserem os descendentes de Salazar, é que precisamos destas pessoas. Porque são eles quem aceita os trabalhos precários e mal pagos na construção civil, no turismo, na restauração e no serviço doméstico. Sem eles, estes sectores colapsariam, ou ficaram perto do colapso.
Porque falta mão-de-obra, e porque os portugueses não querem esses trabalhos. Preferem emigrar.
Portanto, sim, estes imigrantes, sejam brasileiros, paquistaneses, indianos ou nepaleses, fazem falta à economia portuguesa.
E contribuem para contas públicas mais saudáveis. Muito mais saudáveis.
Portugal precisa deles.
O resto é conversa de populistas que não têm mais do que ódio e ditadura para oferecer ao país.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Manuela Ferreira Leite - A Primeira Anarco-capitalista de Portugal

Escrito na Pedra - A alucinada liberal


Quando Ministra das Finanças, "falsificou" à  CEE os 3%  do OGE à custa dos fundos de reforma, foi às reformas que não lhe pertence. Roubou os trabalhadores! 

Hemodialisados com 70 anos deviam ser obrigados a pagar tratamentos. Manuela Ferreira Leite defendeu esta ideia? Verdadeiro

terça-feira, 7 de novembro de 2023

António Costa pediu a demissão. E agora?


Não está em causa se o 1º Ministro tem ou não culpa. Até ao trânsito em julgado, António Costa é inocente. E disso tratará a Justiça. O que está em causa é um processo crime grave que é incompatível com o desempenho das funções e com o normal funcionamento das instituições. Por isso, António Costa fez bem em demitir-se. E agora? O que vai acontecer? Existem vários cenários. O Presidente da República pode indigitar um novo 1º ministro, à semelhança do que aconteceu com Durão Barroso quando foi para o Parlamento Europeu, em que Santana Lopes foi indigitado por Jorge Sampaio. Ou pode dissolver a AR e convocar novas eleições ou António Costa ficar em gestão, para ultrapassar o problema do OE 2024. São vários os cenários políticos. Existe a hipótese de Mariana Vieira da Silva ou Fernando Medina serem 1º Ministro de forma interina até às próximas eleições e fazer aprovar o OE 2024. O Presidente da República sempre afirmou que esta maioria absoluta seria a "maioria absoluta do António Costa", contrariando a ideia de que se este saísse, o PS teria legitimidade para continuar a Governar. Por isso, vinculado às suas palavras, Marcelo Rebelo de Sousa, só poderá convocar novas eleições. Mas para quando? Essa é a verdadeira questão. Na minha opinião, o Presidente da República deveria arranjar uma solução política que fizesse este OE 2024 ser aprovado para o país não ficar em governação por duodécimos. Isso seria péssimo para Portugal. Contudo, também sou da opinião de serem convocadas novas eleições, podendo as mesmas realizarem-se no próximo ano e já com este OE aprovado. Esperam-se ainda algumas declarações e reações dos partidos, sendo certo que o Presidente da República convocou o Conselho de Estado para a próxima 5.ª-feira. Como se colocarão os partidos e qual o futuro do PS? Ainda é cedo para falar. Mas os primeiros nomes que saltam à vista para suceder António Costa, provavelmente não serão esses, como por exemplo Pedro Nuno Santos, Mariana Vieira da Silva ou Fernando Medina. Porém não se admirem destes nomes: Álvaro Beleza e José Seguro. Nomes que não estão ligados à "máquina governativa" do PS. Aguardemos os próximos episódios.

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Como reconhecer os sintomas do AVC - podemos salvar vidas


Durante o churrasco, Inês caiu. Queriam chamar uma ambulância mas ela insistiu que estava bem e que só tropeçara por causa dos sapatos novos. Ela estava um pouca pálida e tremia. Inês passou o resto da noite bem disposta e alegre. Mais tarde, o marido dela telefonou a informar, que a mulher fora internada no hospital. Às 23 horas falecera. Ela tinha tido um AVC durante o churrasco. Se os outros soubessem reconhecer os sintomas do AVC, ela poderia ainda estar viva. Algumas pessoas não morrem logo mas ficam durante muito tempo sujeitas a apoios e numa situação de desespero.
Só demora 1 minuto a ler o seguinte. 
Um neurologista disse, se ele consegue chegar ao pé de um individuo que sofreu um AVC, ele pode eliminar as sequelas de um AVC. Ele disse, o truque é diagnosticar e tratar a pessoa durante as primeiras 3 horas. 
Como reconhecer um AVC?
 Há 4 passos que devem ser seguidos para reconhecer um AVC. 
- Peça à pessoa para rir (ela não vai conseguir). 
- Peça à pessoa para dizer uma frase simples (por exemplo: hoje está um dia bonito). 
- Peça à pessoa para levantar os dois braços (não vai conseguir bem). 
- Peça à pessoa para mostrar a língua (se a língua estiver torta ou virar dum lado para o outro, é um sintoma). 
Se a pessoa tem alguns destes sintomas chamar imediatamente o 112, explicando tudo o que se está a passar. O paciente será atendido como prioritário num Serviço de Urgência onde o tratamento será prontamente instituído e o diagnóstico realizado.
Um cardiologista disse, se for possível divulgar estas dicas a um número elevado de pessoas, podemos ter a certeza, que alguma vida - eventualmente a nossa própria possa ser salva.
Mandamos todos os dias tantas coisas inúteis, também podemos encher as linhas com coisas importantes, não acham?
Se também consideram importante, partilhe.

domingo, 29 de outubro de 2023

Dia Mundial do AVC 2023: Consciencialização e Prevenção para Salvar Vidas


No dia 29 de outubro de 2023, o mundo une-se para celebrar o Dia Mundial do AVC (Acidente Vascular Cerebral). Essa data tem como objetivo aumentar a consciencialização sobre esta doença, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.

O AVC é uma emergência médica, sendo atualmente a principal causa de morte e incapacidade permanente em Portugal. A cada hora que passa, há três portugueses que sofrem um Acidente Vascular Cerebral, um deles não sobreviverá, e metade dos sobreviventes poderão ficar com sequelas incapacitantes.

O tema do Dia Mundial do AVC, deste ano de 2023, proposto pela OMS, é: “Juntos, somos maiores que o AVC”, enfatizando a importância da colaboração entre profissionais de saúde, autoridades governamentais, organizações não governamentais e sociedade em geral, para prevenir, diagnosticar e tratar melhor esta doença.

O que é um AVC?
O Acidente Vascular Cerebral ocorre quando o suprimento de sangue para uma parte do cérebro é interrompido ou reduzido, resultando numa lesão cerebral. Existem dois tipos principais de AVC: o isquémico, quando um vaso sanguíneo é bloqueado por um coágulo ou placa de ateromatose, e o hemorrágico, que acontece quando um vaso sanguíneo se rompe e causa sangramento no cérebro.

Consciencialização e Prevenção
A consciencialização sobre o AVC é essencial para prevenir a ocorrência de casos e reduzir as suas consequências. É importante que as pessoas conheçam os principais fatores de risco, como hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, sedentarismo e obesidade. Além disso, é fundamental incentivar hábitos de vida saudáveis, como a prática regular de exercício físico, alimentação equilibrada, com redução da ingestão de sal, controle da pressão arterial, evitando o consumo excessivo de álcool e o tabagismo. É importante refletir no facto de que cerca de 80% dos AVC podem ser prevenidos com hábitos de vida saudável e controlo dos fatores de risco.

É também importante promover a educação da população, para reconhecer os sinais de alarme de um AVC, como instalação súbita de falta de força num lado do corpo, dificuldade em falar, visão turva, tonturas e dor de cabeça intensa e súbita.

São importantes as campanhas com divulgação dos sinais de alarme mais frequentes, habitualmente designados por “3 Fs”: Falta de Força num braço, Face assimétrica, com boca ao lado e Dificuldade em Falar. Ao reconhecer esses sinais, é imprescindível buscar atendimento médico imediato, pois cada minuto conta para minimizar os danos causados pelo AVC. A população deve saber que, perante estes sintomas, deve ligar imediatamente para o número nacional de emergência: 112. Desse modo, o INEM aciona a Via Verde do AVC, sendo disponibilizados meios de auxílio para transportar o doente ao hospital com capacidade para proporcionar o tratamento adequado, no mais curto espaço de tempo.

Nas mulheres os sinais são diferentes. Consulte  aqui (em Inglês)

Atendimento de Emergência
Nos últimos 25 anos houve enormes progressos no tratamento da fase aguda do AVC. Existem novos tratamentos, muito eficazes, conseguindo por vezes reverter completamente os sintomas, mas que sua eficácia depende em grande parte da rapidez com que o doente chega ao hospital.

Os profissionais de saúde devem estar preparados para agir rapidamente e realizar exames como a tomografia computadorizada, para diagnosticar o tipo de AVC e determinar a melhor abordagem terapêutica. Nalguns casos podem ser administrados medicamentos trombolíticos, para dissolver o coágulo, noutros estes poderão ser retirados através de trombectomia, após cateterização dos vasos cerebrais por um neurorradiologista de intervenção, conseguindo assim restaurar o fluxo sanguíneo cerebral.

Reabilitação
Após o tratamento agudo, a reabilitação desempenha um papel fundamental na recuperação dos doentes. A fisioterapia, a terapia da fala e a terapia ocupacional são essenciais para ajudar os sobreviventes do AVC a recuperar as suas capacidades motoras, cognitivas e de comunicação. É importante que haja um suporte contínuo para que cada individuo possa retomar as suas atividades diárias e reintegrar-se na família e sociedade.

Conclusão
A comemoração do Dia Mundial do AVC é uma oportunidade para aumentar a consciencialização sobre esta doença devastadora. É responsabilidade de todos nós promover uma cultura de cuidado com a saúde, adotando hábitos saudáveis e estando atentos aos sinais de alerta. Juntos, podemos fazer a diferença na luta contra o AVC.

sexta-feira, 5 de maio de 2023

OMS declara fim da pandemia



 A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou nesta sexta-feira (5/05), em Genebra, na Suíça, o fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) referente à COVID-19.

A decisão foi tomada pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, após receber a recomendação do Comitê de Emergência encarregado de analisar periodicamente o cenário da doença.

Durante a 15ª sessão deliberativa do Comitê, na quarta-feira (4/05), seus membros destacaram a tendência de queda nas mortes por COVID-19, o declínio nas hospitalizações e internações em unidades de terapia intensiva relacionadas à doença, bem como os altos níveis de imunidade da população ao SARS-CoV-2, coronavírus causador dessa enfermidade.

O fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional não significa que a COVID-19 tenha deixado de ser uma ameaça à saúde. A propagação mundial da doença continua caracterizada como uma pandemia, tendo tirado uma vida a cada três minutos apenas na semana passada. “O que essa notícia significa é que está na hora de os países fazerem a transição do modo de emergência para o de manejo da COVID-19 juntamente com outras doenças infecciosas”, destacou Tedros Adhanom.

sábado, 26 de novembro de 2022

Relatório da OMS - Resistência aos antibióticos, não há tempo a perder


"Não há tempo a perder". O relatório OMS 29.4.19 sobre resistência a antibióticos apresenta um cenário catastrófico, para a saúde e para a economia global. Até 10 milhões de mortes por ano nas próximas três décadas, com custos sociais e picos de desigualdade comparáveis ​​aos da crise financeira de 2008. (1)

Resistência aos antibióticos, o problema e as suas causas

Resistência a antibióticos é um fenómeno que ocorre quando as bactérias 'aprendem a resistir' aos antibióticos, uma vez que são capazes de derrotá-los. E quando microorganismos antes considerados quase inofensivos começam a resistir a diferentes classes de antibióticos (resistência multi-antibióticos), o problema se torna grave. Aumento da mortalidade, internações prolongadas, indisponibilidade de tratamentos eficazes.

O exorbitante custar das especulações insanas das gigantes das drogas, como sempre, é terceirizada para a comunidade global. Que durante meio século revirou os cofres de Grande Farmácia, comprar antibióticos como balas para tosse. Sem que ninguém, até alguns anos atrás, levantasse dúvidas sobre os custos individuais e sociais de seu abuso. A não ser adicionar uma caixa de fermentos lácteos - às receitas ou sugestões de venda livre - para 'restaurar a flora intestinal', numa visão de conto de fadas de interação de armas químicas com o microbioma.

Criação animal por sua vez contribuiu e ainda contribui para causar e agravar a resistência aos antibióticos, uma vez que os medicamentos veterinários nas explorações de 'gado' têm sido utilizados de forma sistemática e não local, como uma 'maneira mais simples' de prevenir o aparecimento de focos de infecção. Se não também para compensar a falta de higiene e melhorar o desempenho da produção. O legislador europeu interveio, portanto, com uma reforma drástica (registo UE 2019/6), com o objetivo expresso de limitar ao mínimo o uso de antimicrobianos e antibióticos nas fazendas.

'Não há tempo a perder'. Relatório da OMS 29.4.19

'Sem Tempo para Esperar. Protegendo o Futuro das Infecções Resistentes a Drogas.' O relatório publicado em 29.4.19 pela OMS deriva das atividades do Grupo de Coordenação de Agências da ONU dedicados à resistência antimicrobiana (IACG, 'Grupo de Coordenação Interagências da ONU sobre Resistência Antimicrobiana'. (2) A gestão de uma crise sanitária e socioeconómica com impacto global pressupõe, de facto, uma abordagem partilhada, de acordo com a visão 'Uma Saúde'. Onde os 'Objetivos de Desenvolvimento Sustentável'(ODS), na agenda da ONU 2030, representam tanto objetivos quanto ferramentas para sobrevivência e solução de problemas. Em particular no que diz respeito aos direitos dos acesso a comida e água condições de segurança, saúde e higiene.

O estado atual, pelo menos 700 mortes a cada ano são atribuídas a doenças resistentes a medicamentos, 230 apenas a formas de tuberculose que não respondem ao tratamento. Doenças comuns tornam-se incuráveis ​​e protocolos que salvam vidas perdem sua eficácia. As cadeias de abastecimento de alimentos, por sua vez, aumentam a fragilidade, devido ao impacto de patógenos multirresistentes em 'segurança alimentar' (segurança alimentar) e assim por diante 'segurança alimentar«(segurança do abastecimento alimentar, ou seja, disponibilidade de alimentos para as populações). O IACG prevê que a resistência antimicrobiana levará 24 milhões de pessoas à pobreza extrema até 2030.

'Resistência antimicrobiana é uma das ameaças mais sérias que enfrentamos como comunidade global ' (Amina Mohammed, vice-secretária-geral da ONU e copresidente do IACG)

O cenário de previsão tem uma escala diferente, anuncia uma epidemia sem precedentes. Antibióticos, antivirais, antifúngicos estão se tornando ineficazes. A IACG relata 10 milhões de mortes a cada ano, globalmente, até 2050. Com prevalência nos países LMIC ('Países de renda média pequena'), mas sem excluir as economias mais maduras. O fenômeno é, de fato, registrado em níveis alarmantes em todos os países, independentemente do nível de renda nacional. Continuamos humanos e continuaremos a ser, todos nós, independentemente de apólices de seguro e contas correntes. Sem nunca perder, em todo caso, a esperança de alcançar aquela cobertura universal de saúde até então proclamada em vão pela própria ONU e pelos políticos que dela participam. Palavras vazias.

'Uma saúde', a sinergia indispensável

'Uma saude,. A saúde humana, o bem-estar animal, a segurança alimentar e a protecção do ambiente nas suas várias vertentes - incluindo a gestão dos resíduos e das águas residuais - são questões estreitamente relacionadas e devem ser geridas em sinergia. O relatório do IACG enfatiza a necessidade de uma abordagem coordenada e sistêmica, multissetorial. A Europa já embarcou neste caminho, começando com o Livro Branco sobre segurança alimentar (12.2.2000). E, no entanto, é essencial desenvolvê-lo, também no contexto internacional, em várias frentes.


'Abuso e uso excessivo antimicrobianos existentes em humanos, animais e plantas estão acelerando o desenvolvimento e a disseminação da resistência antimicrobiana', destaca o relatório do IACG. É necessário estabelecer sistemas regulatórios mais rígidos, conscientização sobre o uso correto de antibióticos, financiamento de pesquisas e desenvolvimento de novas tecnologias para combater a resistência aos seus princípios ativos, abolição do uso de antimicrobianos de importância crítica e outros medicamentos veterinários como promotores de crescimento na pecuária.

'As recomendações do relatório reconhecer que os antimicrobianos desempenham um papel fundamental na proteção da produção, saneamento e comércio de alimentos, bem como na saúde humana e animal, e promover seu uso responsável em todos os setores. Os países devem incentivar sistemas alimentares sustentáveis ​​e práticas agrícolas que reduzam o risco de resistência antimicrobiana, trabalhando juntos para promover alternativas viáveis ​​ao uso de antimicrobianos, conforme estabelecido nas recomendações do relatório'(José Graziano da Silva, FAO, Diretor-Geral)
Salmonela e campylobacter, aumenta a resistência

Relatórios recentes da EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos) e o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) mostram como os antimicrobianos utilizados no tratamento de doenças transmissíveis entre animais e humanos (por exemplo, campilobacteriose e salmonelose) estão a perder eficácia e a resistência aos antibióticos não mostra sinais de diminuição.

Em alguns países da UE resistência a fluoroquinolonas (como ciprofloxacina) em tais bactérias Campylobacter é tão alto que esses antimicrobianos não funcionam mais para o tratamento de casos graves de campilobacteriose. Salmonella em humanos também é cada vez mais resistente às fluoroquinolonas, bem como sua resistência a diferentes classes de antibióticos (MDR, Resistência a Múltiplos Medicamentos).

Antibióticos, consumo em Portugal

O consumo de antibióticos em ambulatório aumentou ligeiramente entre 2013 e 2019 em Portugal, mas registou uma redução acentuada a partir de 2020 devido à pandemia de covid-19, avança um relatório da Direção-Geral da Saúde (DGS) hoje divulgado.

“Em ambulatório, a redução de incidência de infeções respiratórias bacterianas pela restrição à circulação e aglomeração de pessoas e pelo uso generalizado de máscara e, por outro lado, a redução de acesso a consulta médica determinaram uma franca redução de consumo de antibióticos”, adianta o relatório anual do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistências aos Antimicrobianos (PPCIRA) da DGS.

Publicado hoje, no Dia Mundial da Higiene das Mãos, o documento refere que o consumo de antibióticos em ambulatório teve uma “tendência ligeiramente crescente” entre 2013 e 2019, mas mantendo-se sempre abaixo da média europeia.

“Em 2020, pelo contexto pandémico, verificou-se uma marcada redução de consumo, que parece sustentada em 2021. Esta redução foi mais marcada do que a da média europeia”, adiantam ainda os dados do PPCIRA.

No entanto, o rácio de antibióticos de largo espetro sobre os de espetro estreito aumentou entre 2018 e 2021 e de forma mais acentuada do que na média europeia, o que faz com que Portugal tenha o “quinto pior resultado à escala europeia neste indicador”, alerta o relatório divulgado pela DGS.

Já relativamente ao consumo hospitalar de antibióticos, o documenta refere que se tem mantido estável desde 2013 e abaixo da média europeia.

“O consumo de um grupo de antibióticos de uso hospitalar mais associado ao tratamento de infeções causadas por bactérias multirresistentes tem-se mantido estável desde 2014, resolvendo a tendência crescente que se verificou entre 2011 e 2014”, nota ainda o relatório.

“Parece-nos que o contexto pandémico teve influência significativa nos indicadores de consumo de antibióticos”, admitem os autores do relatório do PPCIRA, programa prioritário de saúde criado em 2013.

O documento conclui também que a adesão ao cumprimento da higiene das mãos aumentou progressivamente a partir de 2016, sendo “particularmente significativo o aumento ocorrido entre 2019 e 2020 no contexto pandémico”.

Nas unidades de saúde, “entre esses dois anos, a taxa de cumprimento global e a taxa de cumprimento do primeiro momento de higiene das mãos aumentaram de 75,7 para 82,7% e de 68,0 para 76,2%, respetivamente”, refere o documento.

De acordo com os dados do programa, entre 2015 e 2020, verificou-se uma redução da incidência da taxa global de infeção em locais cirúrgicos, de infeção da corrente sanguínea adquirida em hospital, de pneumonia associada a tubo endotraqueal em unidades de cuidados intensivos de adultos e neonatais e de infeção por `Clostridioides difficile´.

“O período pandémico levou a significativo decréscimo da amostra de vigilância epidemiológica de infeções hospitalares, decorrente sobretudo da dedicação dos grupos locais do PPCIRA à batalha contra a covid-19”, reconhece o relatório.