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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Melancolia foi um movimento cultural Europeu atingindo sobretudo a elite Inglesa dos séc. XVI e VII: John Eccles - The Mad Lover


Melancolia (do grego antigo: μελαγχολία, romanizado: melancholía; de μέλαινα χολή, mélaina cholḗ, 'bile negra') é um conceito encontrado ao longo da medicina antiga, medieval e pré-moderna na Europa que descreve uma condição caracterizada por um humor marcadamente deprimido, queixas físicas e, por vezes, alucinações e delírios. Além de uma condição patológica, a melancolia também se podia referir a um estado de espírito ou temperamento e, por vezes, era até usada como uma descrição da condição humana em geral.

A melancolia (ou mais precisamente a 'bile negra', da qual a melancolia deriva o seu nome) era considerada um dos quatro temperamentos que correspondiam aos quatro humores. Até ao século XVIII, os médicos e outros estudiosos classificavam as condições melancólicas como tal devido à sua causa comum percebida – um excesso de um fluido nocional conhecido como "bile negra", que estava comummente ligado ao baço. Hipócrates e outros médicos antigos descreveram a melancolia como uma doença distinta com sintomas mentais e físicos, incluindo medos e desalentos persistentes, falta de apetite, abulia, insónia, irritabilidade e agitação. Mais tarde, os delírios fixos foram adicionados à lista de sintomas por Galeno e outros médicos. Na Idade Média, a compreensão da melancolia mudou para uma perspetiva religiosa, com a tristeza a ser vista como um vício e a possessão demoníaca, em vez de causas somáticas, como uma potencial causa da doença.

Durante o final do século XVI e o início do século XVII, surgiu em Inglaterra um culto cultural e literário da melancolia, associado à transformação da melancolia, por parte do neoplatonista e humanista Marsilio Ficino, de um sinal de vício numa marca de génio. Esta melancolia da moda tornou-se um tema proeminente na literatura, na arte e na música da época.

Movimento cultural inglês

Durante o final do século XVI e o início do século XVII, surgiu em Inglaterra um curioso culto cultural e literário da melancolia. Num influente ensaio de 1964 na revista Apollo, o historiador de arte Roy Strong traçou as origens desta melancolia da moda até ao pensamento do popular neoplatonista e humanista Marsilio Ficino (1433–1499), que substituiu a noção medieval de melancolia por algo novo:

"Ficino transformou o que até então tinha sido considerado o mais calamitoso de todos os humores na marca do génio. Não admira que, eventualmente, as atitudes de melancolia se tenham tornado logo um complemento indispensável para todos aqueles com pretensões artísticas ou intelectuais."


The Anatomy of Melancholy (A Anatomia da Melancolia, ou na sua versão completa: O Que Ela É: Com Todos os Seus Tipos, Causas, Sintomas, Prognósticos e Várias Curas... Filosoficamente, Medicinalmente, Historicamente, Aberta e Dissecada) de Robert Burton, foi publicada pela primeira vez em 1621 e continua a ser um monumento literário definidor dessa moda. Outro grande autor inglês que se expressou extensamente sobre o facto de ter uma disposição melancólica foi Sir Thomas Browne na sua obra Religio Medici (1643).

Night-Thoughts (Queixume: ou, Pensamentos Noturnos sobre a Vida, a Morte e a Imortalidade), um longo poema em verso livre de Edward Young, foi publicado em nove partes (ou "noites") entre 1742 e 1745, tornando-se enormemente popular em várias línguas. Teve uma influência considerável nos primeiros românticos em Inglaterra, França e Alemanha. William Blake foi mais tarde contratado para ilustrar uma edição posterior.

Nas artes visuais, esta melancolia intelectual da moda surge frequentemente na retratística da época, com os modelos posados sob a forma de "o amante, com os braços cruzados e o chapéu desabado sobre os olhos, e o erudito, sentado com a cabeça apoiada na mão" – descrições retiradas do frontispício da edição de 1638 da Anatomia de Burton, que mostra exatamente essas personagens que, por essa altura, já se tinham tornado clichés. Estes retratos eram frequentemente ambientados ao ar livre, onde a Natureza oferecia "o cenário mais adequado para a contemplação espiritual", ou num interior sombrio.

Na música, o culto pós-elisabetano da melancolia está associado a John Dowland, cujo mote era Semper Dowland, semper dolens ("Sempre Dowland, sempre em pranto"). O homem melancólico, conhecido pelos contemporâneos como um "malcontente", é personificado pelo Príncipe Hamlet de Shakespeare, o "Melancólico Dinamarquês".

Um fenómeno semelhante, embora não sob o mesmo nome, ocorreu durante o movimento alemão Sturm und Drang, com obras como As Dores do Jovem Werther de Goethe, ou no Romantismo com obras como Ode sobre a Melancolia de John Keats, ou ainda no Simbolismo com obras como A Ilha dos Mortos de Arnold Böcklin. No século XX, grande parte da contracultura do modernismo foi alimentada por uma alienação comparável e por um sentimento de falta de propósito chamado "anomia"; a preocupação artística anterior com a morte passou a ser designada sob a rubrica de memento mori. A condição medieval de acedia (acédia em português) e o Weltschmerz romântico eram conceitos semelhantes, com maior probabilidade de afetar o intelectual.

Mais detalhado aqui

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Pearl Jam - Jeremy


Vídeo original aqui

At home
Drawing pictures
Of mountain tops
With him on top
Lemon yellow sun
Arms raised in a V
The dead lay in pools of maroon below

Daddy didn't give attention
To the fact that mommy didn't care
King Jeremy the wicked
Ruled his world

Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today

Clearly I remember
Pickin' on the boy
Seemed a harmless little fuck
Oh, but we unleashed a lion
Gnashed his teeth
And bit the recess lady's breast
How could I forget
He hit me with a surprise left
My jaw left hurtin
Oh, dropped wide open
Just like the day
Like the day I heard

Daddy didn't give affection
And the boy was something mommy wouldn't wear
King Jeremy the wicked
Ruled his world

Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today

Try to forget this... (try to forget this)
Try to erase this... (try to erase this)
From the blackboard

Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today

A Vida Fascinante e a Morte Trágica de Trevor Wilson, a Estrela do Vídeo "Jeremy" dos Pearl Jam

O videoclipe de "Jeremy" dos Pearl Jam esteve em alta rotação na MTV em 1992, tornando-se um marco visual para a "geração grunge". Para o jovem ator Trevor Wilson, que interpretou o perturbado Jeremy com apenas 12 anos, o vídeo trouxe uma fama avassaladora, mas curta. O artigo da Billboard, publicado na altura do 25.º aniversário do lançamento do teledisco, revelou que Wilson teve uma vida fascinante longe dos holofotes e que faleceu tragicamente em agosto de 2016, aos 36 anos.

A escolha para o papel
O realizador do vídeo, Mark Pellington, explicou à Billboard que procurava alguém que não parecesse o típico "totó" ou o cliché do rapaz rejeitado da escola secundária. Quando viu a cassete de audição de Trevor Wilson, soube imediatamente que tinha encontrado o ator certo.

"Ele estava doente no dia em que gravou a audição", recordou Pellington. "Ele não tentou agir de forma forçada ou dizer 'Ah, vejam como estou angustiado'. Estava apenas ali sentado, com um olhar entorpecido, meio apático e confuso. Só mais tarde soube que ele estava febril, mas tinha uma enorme expressividade sem ser histriónico."

No estúdio, Pellington disse a Trevor para olhar fixamente para a câmara e não dizer nada, acontecesse o que acontecesse à sua volta. O diretor de fotografia, Tom Richmond, elogiou o profissionalismo do rapaz, referindo que ele estava "100% focado, mas ao mesmo tempo relaxado e amigável".

A fama e a rejeição de Hollywood
O sucesso do vídeo foi imediato e Trevor Wilson tornou-se uma das caras mais conhecidas da MTV. Em 1993, os Pearl Jam ganharam o prémio de "Vídeo do Ano" nos MTV Video Music Awards e levaram Trevor com eles ao palco. O vocalista Eddie Vedder apresentou-o ao público dizendo: "Este é o Trevor. Ele está vivo."

Apesar do sucesso e de uma ligação forte com a banda — a mãe de Trevor revelou que o grupo lhe prometeu bilhetes vitalícios para qualquer concerto que dessem em Nova Iorque —, o jovem não ganhou gosto pela fama. Ele começou a achar a atenção desconfortável e rejeitou as cartas de fãs e o mediatismo. Decidiu abandonar a representação muito cedo para viver a vida nos seus próprios termos.

Uma vida dedicada ao Mundo
Depois de se afastar de Hollywood, Wilson focou-se nos estudos, desenvolveu uma paixão pela literatura clássica e pela política internacional. Teve uma vida repleta de viagens e de causas humanitárias:
  1. Fez um estágio no Egito através da Organização das Nações Unidas (ONU).
  2. Passou por vários projetos de desenvolvimento internacional e, pouco antes de morrer, estava a preparar-se para assumir um posto oficial na ONU em Myanmar (Birmânia).
O trágico acidente
Em julho/agosto de 2016, enquanto passava férias em Porto Rico antes de iniciar o seu novo trabalho na Ásia, Trevor Wilson foi nadar sozinho na praia de Ocean Park, em San Juan. Infelizmente, foi apanhado por uma corrente forte e acabou por se afogar. Um banhista ainda tentou salvá-lo e os paramédicos tentaram reanimá-lo no local, mas sem sucesso.

A mãe de Trevor, Diane, partilhou uma reflexão emotiva no artigo: "Tenho de pensar que era a hora dele, independentemente de tudo. Partir daquela forma foi muito pacífico, ele estava a fazer o que adorava e estava muito feliz, o que para mim é o mais importante."

A história real por trás da canção é profundamente trágica. Jeremy Wade Dell foi o rapaz real que inspirou Eddie Vedder a escrever a música "Jeremy".

Fonte: Texas History


Se a história de Trevor Wilson, o ator do videoclipe, é fascinante, a história real por trás da canção é profundamente trágica e tornou-se um dos casos mais marcantes e discutidos dos anos 90 nos Estados Unidos sobre saúde mental juvenil e isolamento social. O rapaz real que inspirou Eddie Vedder a escrever a música chamava-se Jeremy Wade Dell e tinha apenas 15 anos quando o incidente aconteceu, na manhã de terça-feira, 8 de janeiro de 1991, na Richardson High School, no Texas. Jeremy chegou atrasado à sua aula de Inglês e a professora, Fay Barnett, indicou-lhe que ele precisava de ir à secretaria obter uma autorização de atraso para poder entrar na sala. O jovem saiu do espaço, mas em vez de se dirigir à secretaria, foi até ao seu cacifo, onde tinha guardado um revólver Magnum de calibre .357 que tinha trazido de casa. Ao regressar à sala de aula, caminhou firmemente até à frente da turma, olhou para a professora e disse que já tinha o que realmente procurava. Antes que alguém conseguisse reagir, Jeremy colocou a arma na boca e disparou, morrendo instantaneamente à frente da docente e dos seus 30 colegas de turma.

Ao contrário do que o videoclipe dos Pearl Jam sugere, onde o ambiente escolar e familiar é dramatizado para fins artísticos, a realidade de Jeremy era muito mais complexa. Os seus pais eram divorciados e ele vivia com o pai, Joseph Dell. Embora a letra da música mencione que o pai não lhe dava atenção e a mãe não se importava, a família e os amigos mais próximos contestaram firmemente esta imagem mais tarde, afirmando que o pai tentava apoiar o filho e que o jovem sofria de problemas psicológicos profundos que iam além da dinâmica familiar. Jeremy tinha sido transferido recentemente de outra escola secundária e era descrito por alguns colegas como um rapaz tímido, calado, triste e com grandes dificuldades em integrar-se no novo ambiente escolar. Ele faltava muito às aulas, frequentava sessões de aconselhamento psicológico na escola e, pouco antes do incidente, chegou a escrever uma nota de suicídio que entregou a um colega, mas o aviso infelizmente não foi levado a sério a tempo.

Eddie Vedder, o vocalista dos Pearl Jam, não conhecia Jeremy Dell. Na altura, Vedder vivia em Seattle e leu a notícia do suicídio num pequeno artigo de jornal. O que mais chocou o músico não foi apenas o ato em si, mas o facto de um rapaz de 15 anos ter tirado a própria vida à frente dos colegas para fazer um comunicado final, sentindo que essa era a única forma de ser finalmente notado ou ouvido pelo mundo. Vedder explicou mais tarde em entrevistas que sentiu uma enorme responsabilidade ao escrever sobre o assunto, mas percebeu que se não o fizesse, a história de Jeremy seria reduzida a apenas três parágrafos esquecidos num jornal, quando na verdade o jovem merecia mais e as pessoas precisavam de refletir sobre o que leva um rapaz a chegar a esse ponto.

O sucesso estrondoso da música e do videoclipe acabou por se tornar um pesadelo prolongado para a família de Jeremy Dell e para os sobreviventes daquela sala de aula. Durante mais de 25 anos, a família de Jeremy manteve um silêncio absoluto, recusando dar entrevistas para não reviver o trauma e por sentir que a imagem do jovem tinha sido mercantilizada pela MTV e pela indústria musical. Apenas em 2018 é que a mãe de Jeremy, Wanda Crane, e uma das suas melhores amigas de escola, Brittany King, que estava na sala no momento do disparo, aceitaram falar publicamente pela primeira vez num canal de televisão local do Texas. Wanda Crane expressou a sua mágoa pelo facto de o mundo lembrar o seu filho apenas pelo momento da sua morte trágica, preferindo focar-se na memória de Jeremy como um rapaz talentoso, que adorava desenhar, pintar e que tinha um amor enorme por animais. Por sua vez, Brittany King partilhou que a música dos Pearl Jam lhe causava uma imensa ansiedade sempre que passava na rádio, pois sentia que a canção transformou um trauma real e doloroso numa peça de entretenimento pop, ignorando o impacto brutal que o suicídio teve na saúde mental de todos os jovens que testemunharam a cena.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Faleceu António Lobo Antunes

Morreu António Lobo Antunes (1942-2026): "Já estou coberto de glória, mas isso não interessa nada, queria era fazer livros bons"

António Lobo Antunes - o Escritor maior e grande contador de histórias
“Eu não quero nem que me compreendam, nem que me discutam, quero que apanhem os livros como quem apanha uma febre.”
Figura maior da literatura portuguesa tinha 83 anos. Entre crónicas e romances, deixa-nos uma vasta obra, com mais de 40 livros escritos entre 1979 e 2024. Venceu o Prémio Camões em 2007.
Especializou-sem em Psiquiatria na Faculdade de Medicina em Lisboa. Em 1970, foi mobilizado para o serviço militar, período que foi central na sua obra, começando pelos primeiros livros, “Memória de Elefante”, “Os Cus de Judas” e “Conhecimento do Inferno”.
A sua obra foi traduzida em várias línguas, e o escritor foi, durante décadas, apontado como candidato ao Prémio Nobel da Literatura.

António Lobo Antunes e actividade Política
António Lobo Antunes manteve, ao longo da sua vida, uma relação complexa e frequentemente crítica com a política, caracterizando-se por uma postura de independência e um ceticismo profundo em relação às instituições partidárias. Embora tenha tido momentos de aproximação, como quando integrou as listas da Aliança Povo Unido (APU) nas legislativas de 1980, o escritor rapidamente se afastou, justificando que a sua natureza individualista e rebelde era incompatível com a disciplina de qualquer partido. Mais tarde, em 1985, manifestou um apoio público à candidatura presidencial de Maria de Lourdes Pintasilgo, movido por uma convicção íntima nos seus valores. Em anos posteriores, chegou a admitir que, na falta de alternativas, o seu voto tenderia para o Partido Socialista, embora notasse com nostalgia que a força política já não era a mesma dos tempos de Mário Soares.

Para Lobo Antunes, a política era vista através de uma lente quase irracional; ele defendia que as opções políticas eram tão afetivas como as escolhas de clubes de futebol, argumentando que as ideologias tradicionais se estavam a dissolver em fórmulas caducas. Esta visão era acompanhada por uma indisfarçável antipatia pela classe política, moldada em grande parte pelo trauma da Guerra Colonial. O autor nunca perdoou os líderes que enviavam homens para o combate sem nunca terem vivido o horror da guerra. No plano social, as suas posições foram igualmente marcantes: causou polémica ao defender o Iberismo — a ideia de que Portugal e Espanha deveriam ser um só país — e utilizou frequentemente a sua voz para denunciar a pobreza, a desigualdade social e o abandono da classe média, que considerava serem as verdadeiras raízes da violência na sociedade. 

Recordo-me bem destas entrevistas: Por Outro Lado: 2001 e 2006

sábado, 27 de dezembro de 2025

Morreu Eurico Figueiredo, um resistente antifascista e histórico político de enorme relevo na nossa História e ambientalista.


Militante socialista desde 1974, académico e defensor das causas ambientais, deixa um legado marcado pela combatividade cívica e pela defesa de Trás‑os‑Montes. Tinha 86 anos.

Nascido em Vila Real, em 1939, Eurico Figueiredo entrou cedo na vida política. Aos 16 anos aderiu ao MUD Juvenil e, dois anos depois, participou na campanha presidencial de Humberto Delgado, assumindo riscos reais perante a vigilância da PIDE. Em Lisboa, destacou-se no movimento estudantil, presidindo à Comissão Pró-Associação dos Estudantes de Medicina e desempenhando um papel central na Crise Académica de 1962. Foi o primeiro secretário-geral do Secretariado Nacional dos Estudantes Portugueses, estrutura que articulava a contestação académica ao regime. A repressão não tardou: foi expulso da Universidade de Lisboa por trinta meses e detido três vezes pela polícia política.

Transferido para Coimbra, ajudou a reorganizar a resistência estudantil e participou na criação do clandestino Movimento Sindical Estudantil. Em 1965, perante o agravamento da repressão, partiu para o exílio na Suíça, onde manteve ligações estreitas aos movimentos oposicionistas. Militante do PCP desde os 18 anos, rompeu com o partido em 1967, em protesto contra a invasão da Checoslováquia pela União Soviética.

Com o 25 de Abril, regressou a Portugal e integrou o Partido Socialista, onde militou desde 1974. Desempenhou vários cargos dirigentes e foi deputado à Assembleia da República nos anos 80 e ao longo da década de 90. Em 1999, afastou-se do PS, divergindo da linha política de António Guterres. Participou mais tarde na fundação do PDR e aproximou-se do MPT, pelo qual foi candidato a eleições legislativas e europeias.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recebeu “com muita consternação” a notícia do falecimento, evocando Eurico Figueiredo como “um grande lutador pela Liberdade e pela Democracia, de uma verticalidade e de uma independência sem limite”. Numa nota divulgada este sábado, o chefe de Estado apresentou à família, aos amigos, correligionários e admiradores, bem como ao Partido Socialista, “o profundo pesar por uma perda de alcance nacional”.

Em reação à sua morte, o Partido Socialista lamentou a perda de um antigo deputado e ex-dirigente, recordando Eurico Figueiredo como “uma referência política incontornável para todos os socialistas”. Numa nota enviada às redações, o PS sublinhou a sua “tenacidade, combatividade e convicções”, mas também “uma imensa generosidade”, destacando ainda o seu papel como resistente antifascista, a participação ativa na campanha de Humberto Delgado e a intervenção nos movimentos estudantis de Lisboa e Coimbra.

O PS salientou igualmente o seu contributo pioneiro em áreas como a defesa do ambiente e a valorização de Trás-os-Montes e da identidade duriense, sublinhando que “a melhor homenagem” será a continuação do combate por “um país mais justo, mais coeso e solidário”.

Psiquiatra de formação, licenciado e doutorado em Medicina, Eurico Figueiredo foi professor catedrático e uma voz respeitada na área da saúde mental. A sua morte encerra o percurso de um resistente antifascista, académico e político que atravessou, com convicção e sentido cívico, algumas das páginas mais intensas da história contemporânea portuguesa.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Curve - Horror Head



Fireworks, blue and green
I can see what they sing
But you are away
You always smile

Boxing ring
The back of mules
You can really see, from the inside
Across the room

There's a horror in my head
When the blanket is gone
From the floor in my castle
Where I see the Sun from [2X]

In the comfort of this room 
The challenge died
Remember you and me
We laughed till we cried

Horror Head, cujo significado não é literal; é mais simbólico e emocional, como é comum na banda. Não fala de “terror” no sentido de monstros ou horror clássico, mas sim de um estado mental sombrio, quase claustrofóbico. A canção é frequentemente interpretada como uma elegia a um amante perdido ou uma exploração de sentimentos de perda profunda e catarse. No clipe oficial da canção Cabeça de Horror utiliza cores vibrantes e cortes rápidos para reforçar essa sensação de desorientação

sábado, 25 de outubro de 2025

Bicicultura Portugal


Sabiam que andar de bicicleta também faz bem ao cérebro?
Um estudo científico com quase 480 mil pessoas acompanhadas durante mais de 13 anos concluiu que, quem escolhe a mobilidade activa (especialmente a bicicleta), tem um risco menor de demência de todos os tipos.
Como se não bastasse, estes ciclistas também apresentaram volumes maiores em regiões fundamentais do cérebro.
Todas as deslocações de bicicleta contam quando fazemos da bicicleta uma parte da nossa mobilidade urbana, mas também da nossa saúde mental!

terça-feira, 12 de agosto de 2025

Quem são os incendiários portugueses?

O fenómeno do incendiarismo em Portugal constitui um dos mais complexos e persistentes desafios sociais, criminais e de saúde pública do país, distanciando-se frequentemente das narrativas populares que atribuem a totalidade dos fogos postos a conspirações imobiliárias ou a redes organizadas de contornos mafiosos. A realidade revelada pela investigação criminal, pela psicologia forense e pelos relatórios da Polícia Judiciária desenha um quadro significativamente mais mundano, mas nem por isso menos trágico, estruturado essencialmente em torno de duas realidades distintas: o incendiário tradicional expressivo e o novo incendiário instrumental.

Na base da pirâmide estatística portuguesa encontra-se uma esmagadora maioria de homens, predominantemente de meia-idade ou idosos, residentes no interior rural e profundamente marcados pelo isolamento social e pela baixa literacia. Neste perfil predominante, o ato de atear fogo raramente é movido por uma lógica de lucro ou planeamento frio. Trata-se, pelo contrário, de um comportamento do tipo expressivo - uma exteriorização descontrolada de frustrações reprimidas, conflitos de vizinhança, disputas de heranças ou sentimentos difusos de rejeição. É um crime de proximidade geográfica e emocional, perpetrado frequentemente num raio muito curto em redor da habitação do próprio criminoso. Adicionalmente, a literatura científica nacional aponta de forma inequívoca o alcoolismo crónico e os défices cognitivos como os principais catalisadores destas ações, onde o fogo funciona como um veículo rudimentar para obter uma efémera sensação de poder ou para quebrar o tédio existencial de comunidades desertificadas.

Em contrapartida, as dinâmicas sociológicas contemporâneas têm feito emergir uma nova tipologia criminal que desafia as metodologias clássicas de investigação: o incendiário instrumental. Este perfil, espelhado na figura do indivíduo com formação técnica ou superior, destaca-se pela racionalidade e pela sofisticação. Aqui, o fogo deixa de ser uma resposta impulsiva a um estímulo emocional e passa a ser uma ferramenta. Recorrendo a dispositivos de ativação retardada - engenhos que combinam velas, pilhas ou temporizadores eletrónicos -, estes criminosos conseguem programar a ignição para momentos de condições meteorológicas extremas, garantindo tempo suficiente para abandonar o local e construir álibis sólidos. As motivações deste grupo estão ligadas a interesses económicos concretos, à sabotagem institucional, à gestão de terrenos ou a conflitos territoriais de caça e pastoreio, representando a franja tecnicamente mais perigosa do incendiarismo em Portugal.

Por fim, os estudos dedicados às minorias deste ecossistema criminal, como as mulheres incendiárias, ajudam a consolidar a visão de que o incendiarismo português reflete as assimetrias e as patologias da própria sociedade. No caso feminino, o crime surge tardiamente na vida das arguidas, quase sempre ancorado a quadros severos de depressão, psicose ou retaliações de natureza estritamente familiar e passional. Desta forma, a análise integrada da realidade nacional demonstra que o combate aos incêndios florestais em Portugal não se esgota na eficácia do dispositivo de combate ou na vigilância florestal; exige, fundamentalmente, uma intervenção profunda nas áreas da saúde mental comunitária, no combate às dependências e na revitalização social de um território interior que, ao ser progressivamente abandonado, se torna o palco ideal para a expressão das mais profundas vulnerabilidades humanas.

Referências bibliográficas

sexta-feira, 20 de junho de 2025

Seis em dez estudantes universitários sentem-se tristes e deprimidos, recorrendo a psicotrópicos

Fonte: Público
Isso é quase geral por essa Europa fora. Não é exclusivo dos jovens Portugueses. Vão às manifes, etc, empenham-se socialmente e depois de revoltados, segue-se a sensação de impotência pois o mundo quase nada mudou. Ficam anódinos, acham que as suas acções são insignificantes. Os professores também estão esgotados, porque o que ensinam (esperança, exposições, empatia) não se reflecte no que se vê no mundo.
Um tema eloquente para reflectir:


A música original é do dinossauro do techno alemão Westbam em combinação com o cantor Richard Butler, conhecido como a voz do brilhante Psychedelic Furs

quarta-feira, 23 de abril de 2025

Dia Mundial do Livro


Leitura é fundamental para reduzir o stresse e melhorar a concentração, sublinha neurologista Antonio Donaire.

O chefe de Neurologia do Hospital CIMA Sanitas, de Barcelona, Espanha, considerou hoje que a leitura é uma ferramenta positiva na saúde mental das pessoas, sendo “fundamental” para reduzir o stresse, melhorar a concentração e a plasticidade cerebral.

O também diretor da Unidade de Epilepsia daquele hospital, Antonio Donaire, destacou, em declarações à agência Europa Press, que “um dos maiores benefícios da leitura é o seu impacto na plasticidade cerebral e na capacidade do cérebro de criar e fortalecer conexões neurais”.

“Ler é um exercício mental que potencializa o desenvolvimento de novas conexões neurais, contribuindo para uma maior agilidade cognitiva mesmo na idade adulta. Ao ler, exercitamos a nossa capacidade de abstração e análise, o que tem um efeito positivo na prevenção do declínio cognitivo”, explicou Antonio Donaire, em vésperas do Dia Mundial do Livro, que é comemorado na próxima quarta-feira.

A reforçar a sua tese, o especialista citou dados do Ministério da Cultura de Espanha, segundo os quais até 51,2% da população espanhola se considera leitora frequente, numa altura em que o consumo de conteúdos digitais está “a fragmentar” a capacidade de atenção, sendo os livros uma ferramenta que promove a concentração sustentada e a memória de trabalho.

A Europa Press refere também que um estudo da Universidade de Sussex, no Reino Unido, mostrou que seis minutos de leitura foram suficientes para reduzir os níveis de stresse em 68% dos inquiridos.

Estas conclusões foram retiradas após comparar os parâmetros fisiológicos e psicológicos de uma série de voluntários antes e depois da leitura, o que coloca esta atividade como uma das mais eficazes para o relaxamento, acima até mesmo de ouvir música ou de caminhar.

“Dada a híper-conectividade gerada pelas media e o uso constante de dispositivos eletrónicos, a leitura oferece uma alternativa saudável que permite desconectar e reduzir a sobrecarga de informação, afirmou o especialista.

A escolha de um livro promove a atenção sustentada e melhora a memória de trabalho, “aspetos essenciais para manter o equilíbrio emocional e cognitivo”, afirmou também a psicóloga Silvia Mérida Expósito.

Em complemento, Antonio Donaire destacou que a leitura ajuda a reduzir os níveis de cortisol, conhecido como o neurónio do stresse, o que promove uma sensação de relaxamento e bem-estar.

O especialista salientou também que a leitura promove a autorregulação emocional, pois melhora a compreensão e a gestão das emoções próprias e dos outros, um “aspeto chave” num contexto de alta estimulação digital.

É por isso que os especialistas da Sanitas defenderam a necessidade de incentivar a leitura entre as crianças, garantindo um desenvolvimento cerebral positivo e consciente.

domingo, 31 de dezembro de 2023

Augusto Cury sobre os sonhos


Augusto Cury - "os sonhos oxigenam a inteligência e irrigam a vida de prazer e sentido”

"Esta pintura vem de um projeto de história musical, Bana Kuma, no qual trabalhei entre 2013 e 2014 com Chris Berry. O nome da personagem é Yakina. A sua mensagem ou lição é que antes de podermos criar mudanças externas, devemos primeiro estabelecer as bases internas. Tudo...tudo começa com um pensamento. O pensamento rapidamente se transforma em intenção se lhe adicionarmos energia. E uma intenção forte estabelecerá as bases para que ocorram ações futuras e manifestações reais. E num nível mais subtil, precisamos plantar as sementes apropriadas para produzir o fruto desejado...Por outras palavras, todos podemos encontrar uma maneira de retribuir. Parecia pertinente para esta época e para todos os tempos, na verdade. Respeitemos todos os começos" - Leif Wold (EUA)
Boas entradas e Bom Ano!

Página Oficial de Augusto Cury

domingo, 17 de dezembro de 2023

A beleza e as propriedades medicinais da Rosa-de-Natal (Helleborus, sp.)


Como agora vivo numa região com casario, observo muito os jardins que os meus vizinhos têm. Hoje vi a rosa de natal ou Helleborus, sp.
Os Helleborus são soberbos arbustos perenes, fáceis de tratar e extremamente resistentes.
Apesar destas caraterísticas, que agradam a qualquer amante de plantas, é a sua época de floração em pleno inverno, que faz com que sejam obrigatórios em qualquer jardim.
Os Helleborus surpreendem-nos com uma riqueza de flores, no momento em que a natureza parece estar a dormir e o jardim está triste e sem cor. A maior parte das variedades começam a florir em novembro, suportando o frio e a neve.
Outras florescem no fim do inverno e continuam a sua floração até à primavera. Após a floração, os Helleborus funcionam como uma ótima planta de cobertura, desde o fim da primavera até ao outono.

Propriedades medicinais
Helleborus é usado no tratamento adjuvante de vários tipos de cancro, bem como de doenças inflamatórias crónicas. A planta contém propriedades de combate ao cancro como resultado da indução específica de apoptose através da via intrínseca do sinal mitocondrial. Também pode ser usado como suporte para ansiedade, demência, depressão e doença de Parkinson. No entanto, é importante lembrar que o uso desta planta deve ser feito com orientação médica, já que em grandes quantidades ela pode ser tóxica.

Alguns cuidados
A planta inteira, da flor às raízes, é tóxica e não comestível. Suas raízes são a parte mais perigosa e são potencialmente fatais se consumidas em grandes quantidades. A seiva da planta pode causar eczema e outras irritações se a pele entrar em contato com ela.
O heléboro é também tóxico para cães, gatos e cavalos.

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Música do BioTerra: Tempers - Strange Harvest


[Verse 1]
Night passing through windows
Turning them on
Turning them off

[Pre-Chorus]
Sometimes all I've got is other people's windows
Sometimes all I've got is other people's windows
Seeing through me

[Chorus]
Let them find you when you know you're lost
You've been kneeling in a false dawn
Let them take you 'coz you don't belong
In these waves

[Verse 2]
Time will come to life again
My strange harvest
Will taste sweet again

[Pre-Chorus]
Something I can't touch is reaching out for me
Something I can't touch is reaching out for me
Seeing through me

[Chorus]
Let them find you when you know you're lost
You've been kneeling in a false dawn
Let them take you 'coz you don't belong
In these waves
Let them find you when you know you're lost
You've been kneeling in a false dawn
Let them take you 'coz you don't belong
In these waves
Let them find you when you know you're lost
You've been kneeling in a false dawn
Let them take you 'coz you don't belong
In these waves

Página Oficial

sábado, 28 de outubro de 2023

Música do BioTerra : The House of Love - Christine


Christine - Still walking at me
Still talking at me
Christine - Such a sense of loss
and the baby cried
Christine

And the whole world dragged us down
The whole world turned aside

Christine - You're in deep, pristine
- With a god-like glow
Christine - Christine - Heart and the glory and me
Chaos and the big sea

Christine - Still walking at me
Still talking at me
Christine

And the whole world dragged us down
Not a sonnet not a sound
And the whole world turned aside
The cruelest hand just turned an eye

Christine

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Imre Van Opstal e Batsheva Dance Company exploram a resiliência humana através da dança


Seja físico, mental ou emocional, o conceito de resistência assume infinitas formas. Sinalizando a força para superar circunstâncias complicadas apenas com resiliência e determinação, é um exercício único – um teste da mente e da fisicalidade do corpo em que o sucesso é medido estritamente pelos próprios padrões.

Página Oficial:
Batsheva Dance Company

Bailarina:
Imre Van Opstal

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Dois Cérebros Emocionais


"Nas décadas de 70 e 80, a sociedade exagerou um pouco na reação a estes estudos sobre o cérebro dividido, surgindo uma panóplia de iniciativas que enfatizavam o «lado esquerdo do cérebro» e o «lado direito do cérebro». Várias escolas alinharam na ideia e criaram programas curriculares que ajudavam a estimular ora um, ora outro, ora ambos os hemisférios cerebrais. O estereótipo da pessoa que usa mais um dos lados do cérebro disseminou-se, com aquelas que tinham o lado esquerdo mais preponderante a mostrarem-se mais organizadas, pontuais e atentas aos pormenores, ao passo que as que tinham o lado direito mais preponderante a saírem-se bem nas áreas da criatividade, da inovação e do desporto. Infelizmente, em reação a essa moda do lado esquerdo/lado direito, a estratégia que muitos pais adotaram para ajudarem os seus filhos a ganharem uma vantagem competitiva foi expô-los a iniciativas que se ajustavam aos seus talentos naturais. Isto fazia sentido, claro, pois queriam que os seus filhos fossem recompensados por aquilo em que revelavam um bom desempenho. Mas se o seu objetivo era gerar crianças mais completas e multifacetadas, então teria sido preferível inscrevê-las em atividades em que não eram boas. Por exemplo, poderiam ter encorajado os jovens com as faculdades científicas e matemáticas mais desenvolvidas a participar em iniciativas ao ar livre, em que pudessem explorar e recolher dados científicos numa floresta. E poderiam ter incitado os jovens com mais propensão para o desporto e para as artes a criarem um qualquer projeto científico ligado aos seus interesses. No entanto, como os pais fizeram o que fizeram, ao longo dos últimos 40 anos as nossas tendências naturais penderam para os dois extremos. Têm surgido alguns textos e cursos especificamente pensados para ajudar a desenvolver o nosso lado menos preponderante, incluindo o livro Drawing on the Right Side of the Brain, um clássico que ainda é muito usado hoje em dia. Além disso, facilmente reconhecemos como os publicitários aperfeiçoaram as suas estratégias de marketing para apelar às preferências do nosso hemisfério esquerdo ou direito. Até os sistemas informáticos que usamos seguem esta lógica: os produtos Apple são vistos como sendo para criativos que usam mais o lado direito, ao passo que tudo o que seja Windows é para pessoas analíticas que usam mais o lado esquerdo .Lembram-se dos telemóveis Blackberry? Davam com o meu hemisfério direito em doido.

Como Funcionam os Dois Hemisférios
Além destes esforços da ciência popular, concebidos para tirar partido das diferenças estereotipadas entre os nossos dois hemisférios, há uma pilha de conhecimentos científicos com base em evidências que nos oferece uma noção bastante clara das diferenças anatómicas e funcionais das duas metades do cérebro. Quem estiver interessado tanto no panorama geral como nos pormenores do que se descobriu acerca destas diferenças ao longo do último século, o livro The Master and His Emissary, da autoria do psiquiatra inglês Dr. lain McGilchrist, é uma leitura fascinante e atualizada. Caso esteja interessado no modo como um psiquiatra de Harvard trabalha com as personagens dos hemisférios esquerdo e direito numa tentativa de ajudar os seus pacientes a/superarem questões relacionadas com doenças mentais, o livro Of Two Minds, escrito pelo Dr. Fredric Schiffer, é muitíssimo esclarecedor. Aborda inclusivamente o facto de as personagens dos dois hemisférios serem tão diferentes que cada uma delas pode manifestar dores e queixas individuais, que o outro não verifica nem exibe. Adicionalmente, se procura uma ferramenta alternativa sobre como gerir questões relacionadas com doenças mentais, o modelo dos Sistemas da Família Interior [Podia ter sido mais corretamente traduzido como Terapia Familiar dos Sistemas Internos, do inglês Internal Family Systems], desenvolvido pelo Dr. Richard Schwartz, é uma estratégia interessante que reconhece e trabalha com as diferentes partes da personalidade de uma pessoa, para que possam colaborar e encontrar uma solução saudável. Cada um destes livros e instrumentos são fascinantes caso queira descobrir mais sobre o cérebro. Os nossos dois hemisférios contribuem constantemente para o todo de um dado momento da nossa experiência, pelo que não estou a sugerir que o lado esquerdo e o lado direito do cérebro funcionam em separado. A tecnologia moderna mostra claramente que, a todo o instante, ambos os hemisférios contribuem para a entrada de informação, para a experiência e para as reações do sistema nervoso. Porém, como disse atrás, as células cerebrais dominam e inibem as suas contrapartes regularmente, pelo que o cérebro não está todo ativo ou todo inativo em nenhuma circunstância, à exceção da morte. Ao pensarmos no funcionamento do cérebro, é natural que nos interroguemos: «Como é possível que um grupo de células cerebrais se coordene para criar uma personalidade sequer?» Não sou a primeira pessoa a fazer esta pergunta, nem sou a primeira a sofrer uma lesão cerebral a manifestar uma alteração na personalidade e, depois, a recuperar as células traumatizadas, regenerar os antigos circuitos, readquirir as antigas aptidões e os velhos traços de personalidade. No entanto, talvez seja a primeira neuroanatomista a fazer esta viagem às profundezas do funcionamento neuronal e psicológico do próprio cérebro e, depois, chegar a estas conclusões únicas acerca das Quatro Facetas. As células cerebrais são criaturas ínfimas e muito belas que se apresentam com diferentes formas e tamanhos, e a sua configuração dita a sua capacidade de realizar as suas funções específicas. Por exemplo, os neurónios sensoriais localizados no córtex auditivo primário de cada um dos nossos hemisférios têm um formato só seu, que lhes permite processar a informação sonora. Outros neurónios cuja função é interligar diferentes regiões no cérebro têm o formato adequado a essa ação, tal como as células relativas ao sistema motor. É importante referir que os nossos neurónios e o modo como eles se coordenam uns com os outros são, essencialmente, comuns a todas as pessoas. Em termos estruturais, os sulcos e os altos e baixos do córtex cerebral externo de todos os seres humanos são praticamente idênticos. Tanto assim que danos causados a uma área específica no seu cérebro destruiria as mesmas funções que destruiria no meu, caso sofrêssemos a mesma lesão. Usando o córtex motor como exemplo, se nós os dois danificássemos esse grupo de células especifico, seria quase certo que ambos ficaríamos com as mesmas zonas do corpo paralisadas. Por detrás das diferenças funcionais entre os nossos dois hemisférios estão neurónios que processam informação de forma própria. Para dar um exemplo: os neurónios do hemisfério esquerdo funcionam de modo linear - pegam numa ideia, comparam essa ideia à ideia seguinte, e depois comparam o resultado dessas ideias."
Jill Bolte Taylor PhD, in O Cérebro a 100% [Whole Brain Living: The Anatomy of Choice and the Four Characters That Drive Our Life] (Páginas 38-41)

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

O Manicómio é insanidade e liberdade


Somos um espaço de criação artística e de inovação no Beato, em Lisboa. Com múltiplos projetos que cruzam a arte, a criatividade, a transformação social e a saúde mental, no centro do projeto estão artistas contemporâneos e criativos com doença mental que são excluídos devido ao estigma da nossa sociedade em relação à loucura.
Nascemos da experiência de mais de vinte anos em hospitais psiquiátricos e no mundo da arte e da cultura, onde fomos encontrando artistas e obras maravilhosas, mas que no entanto eram excluídos dos circuitos comerciais de arte em Portugal simplesmente pelo estigma da sua doença mental. Isto levou-nos a organizar as primeiras exposições artísticas no Hospital Psiquiátrico Júlio de Matos – agora conhecido como Hospital Psiquiátrico de Lisboa-, onde criámos e inaugurámos o ciclo de arte contemporânea deste hospital lisboeta, cruzando e misturando artistas contemporâneos portugueses e estrangeiros já conceituados com artistas do hospital, mantendo o anonimato da obra e derrubando a barreira do estigma que atua não pelo valor da arte, mas sim pela doença.
Em 2018 lançámos o Manicómio, localizado num espaço de cowork com outros profissionais, criativos e empresas, porque sabemos que o futuro passa pela mistura, valorização, normalização e aceitação da loucura.
O Manicómio tornou-se num centro artístico e criativo com:
• O primeiro estúdio e galeria de arte bruta e contemporânea em Portugal, com 14 artistas residentes, onde oferecemos liberdade e representação e agenciamento artístico em vendas, exposições e colaborações;
• A primeira agência criativa de design e comunicação no mundo com criativos com doença mental;
• Atividades de consultoria e advocacia em arte, saúde mental, direitos humanos e trabalho;
Com uma abordagem focada na disrupção, equidade e direitos humanos, o Manicómio atua junto da comunidade artística, sociedade civil, empresas e instituições para transformar o status quo e gerar novos paradigmas de valor.

quarta-feira, 12 de julho de 2023

Jim Morrison


"The most important kind of freedom is to be what you really are. You trade in your reality for a role. You trade in your sense for an act. You give up your ability to feel, and in exchange, put on a mask. There can't be any large-scale revolution until there's a personal revolution, on an individual level. It's got to happen inside first." 

domingo, 28 de maio de 2023

Há seis anos sem telemóveis, alunos de Lourosa já se esqueceram dos ecrãs no recreio


A diretora da Escola EB 2/3 António Alves Amorim, de Santa Maria da Feira, Mónica Almeida, não tem dúvidas em afirmar que restringir o uso dos referidos aparelhos ao contexto pedagógico, quando solicitado por um professor, foi "a melhor coisa" que aí se fez.

Situada na freguesia de Lourosa e frequentada por 630 alunos dessa região do distrito de Aveiro, a EB 2/3 em causa é apontada como exemplo na petição pública "Viver o recreio escolar sem ecrãs de smartphones", que reúne mais de 3.400 assinaturas apelando a que, a partir do 2.º ciclo, crianças e jovens sejam impedidos de usar telemóveis em ambiente escolar.
Os peticionários defendem que a proibição ajudará os alunos a desenvolverem as suas capacidades de socialização e comunicação oral, e também fará diminuir o 'bullying' 'online' e a difusão ilegal de imagens e vídeos com menores.

Mónica Almeida concorda. Diz que isso está demonstrado pelos últimos seis anos de experiência da escola e pela animação que se nota no recreio durante os intervalos: há grupos de alunos em altas gargalhadas, miúdas a caminhar juntas em torno de jardins bem cuidados, rapazes a jogar bola no relvado sintético e até pares românticos a beber sumo na esplanada do bar, sob as árvores.

"Implementámos esta medida há seis anos e o principal objetivo era que os nossos alunos pudessem socializar uns com os outros sem recurso ao telemóvel, porque achávamos que nestas idades, de formação do seu caráter, é muito importante a interação de uns com os outros e não por via dos ecrãs", explica Mónica Almeida.

Embora já em 2017 fosse tida como arriscada, a medida foi aprovada sem dificuldade no conselho pedagógico, pelos docentes, e depois validada também pelo conselho geral, em que pais e encarregados de educação também se mostraram "muito a favor" da mudança.

"O mais difícil foi implementá-la nos alunos que já cá estavam há algum tempo, nomeadamente aqueles que usavam de forma sistemática o telemóvel. Mas depois, em reuniões de delegados [de turma], eles foram os primeiros a assumir que foi uma boa medida, porque passaram a conhecer os seus colegas muito melhor", recorda a diretora.

Em termos práticos, os alunos da EB 2/3 de Lourosa podem levar o telemóvel para a escola, mas, na primeira aula, entregam os aparelhos ao professor, que os deposita numa caixa específica para cada turma, guardada num armário próprio da receção do edifício. Depois, independentemente da carga horária letiva de cada dia, só na última aula é que o professor em funções acede novamente à caixa, para devolver os telefones a seu dono.
Os estudantes mais cumpridores podem manter o telemóvel consigo, desde que esse nunca seja consultado. À primeira infração há um aviso; à segunda o aluno fica suspenso três dias -- "ou mais", como aconteceu durante uma semana com o estudante que gravou um professor e partilhou o vídeo nas redes sociais.

Urgências estão previstas: "Sempre que queiram dar um recado aos seus educandos, os pais ligam para a escola e nós fazemo-lo chegar ao aluno. Quando o educando quiser uma chamada para os encarregados de educação, pode sempre fazê-lo, sem nenhum custo".

É por isso que Inês Santos, que tem 11 anos e frequenta o 5.º C, nem leva o telefone para a escola. Está habituada a prescindir dele desde a escola primária e não tem reclamações sobre a medida: "Assim temos mais tempo nos intervalos para conviver uns com os outros. Dou voltas à escola com as minhas amigas, a caminhar; falamos de como correram os testes, das coisas que fazemos ao fim-de-semana".

Já com 14 anos, Frederico Ferreira acrescenta jogos de futebol, ténis de mesa e matrecos à lista de atividades com que substitui os ecrãs. Lamentando que noutras escolas haja "muita gente parada ao telemóvel a mandar mensagens em vez de falar com os colegas", esse aluno do 9.º F aprecia a política da EB 2/3 António Alves Amorim e diz que os pais até tiveram nela um dos principais fatores que os levaram a matriculá-lo aí.

Quando explica essa proibição a amigos de outros estabelecimentos de ensino é que a situação se complica: "As pessoas acham um bocado estranho e a primeira reação é que ficam espantadas. 'Como é possível uma pessoa nesta idade 'viver' sem o telemóvel?'. Porque, efetivamente, isto é uma realidade muito diferente da do resto das escolas".

A confirmá-lo está Camila Oliveira, professora de Matemática e Ciências que, lecionando na EB 2/3 de Lourosa apenas há cinco anos, mal conseguiu conter o entusiasmo ao saber que a proibição de uso de telemóveis nesse estabelecimento de ensino ia ser tema de notícia e dar-lhe oportunidade de traçar a comparação com o local onde trabalhava antes.

"Venho de uma escola onde os miúdos, mal saíam das aulas, escorregavam pela parede abaixo com o telemóvel e ficavam ali agarrados àquilo. Não havia convívio como há aqui e por isso é que achei isto magnífico. Todas as escolas deviam seguir este exemplo", declara.

Realçando "a coragem da direção" ao decidir que os telemóveis seriam proibidos em todo o recinto escolar e não apenas nas salas de aulas (como estipula o Estatuto do Aluno, ao proibir aparelhos informáticos "nos locais onde decorram aulas ou outras atividades formativas"), Camila Oliveira acrescenta: "Estamos na era das comunicações, mas a nossa sociedade está a ficar doente por causa da falta de comunicação física, presencial. Acho esta medida importantíssima, pela saúde dos nossos filhos -- principalmente a mental".

Maior capacidade de socialização, desenvoltura argumentativa, segurança no discurso em público e empatia são algumas das competências que as duas professoras dizem favorecidas pelo menor contacto com telemóveis. Além disso, a proibição liberta a escola de "um sem-número de problemas, nomeadamente alguns crimes que se cometem nos estabelecimentos de ensino sem que os alunos tenham sequer consciência disso", refere.

Mónica Almeida dá apenas dois exemplos, entre os mais frequentes: a captação ilegal de imagens de alunos, na maioria dos casos em circunstâncias normais de socialização, mas, às vezes, também em situações de 'bullying', 'body shaming' e exposição sexual; e a filmagem de professores em contexto da sala de aula, num crime agravado pela difusão desses conteúdos nas redes sociais.

"Esses comportamentos são da responsabilidade dos pais e nós aqui não temos esse problema. Não usando telemóveis, não compete à escola supervisionar essas questões", conclui.

segunda-feira, 22 de maio de 2023

Música do BioTerra: The Chameleons - A Person Isn't Safe Anywhere These Days

The end of this song, the final minute is pure genius. Rock music does not get any better than this.Sad, that so many people preferred the U2 posers instead of The Chameleons.


As she parts her greying hair
Voices on the stair
When she turns there's someone there

Like a nightmare from the past
To the sound of splintered glass
Dance the monsters in the masks

Men of steel
Just stood laughing in the rain

Have you killed her
Someone said
As they dragged her from her bed
Kicking in her head

What kind of times are these
No one hears, no one sees
As they drive her to her knees

Men of steel
Just stood laughing in the rain

What kind of times are these
As they drive you to your knees
They just stood laughing in the rain
The rain

How can you laugh this one away
Will you ever laugh this one away

Best band nobody knows about.