Mostrar mensagens com a etiqueta Banco Mundial. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Banco Mundial. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

A próxima crise financeira global? O alerta do FMI sobre a dívida e as lições de 2008

Vamos deixar isto escrito agora, porque depois da próxima crise não faltarão especialistas a explicar, com a segurança que só o passado permite, por que razão ninguém poderia tê-la previsto: há sinais cada vez mais sérios de que a próxima grande crise financeira está a formar-se. Não sabemos quando chega, nem onde começa, e quem apresentar uma data está provavelmente a vender previsões ao quilo. Mas há uma diferença entre adivinhar e olhar para aquilo que está diante de nós. E aquilo que está diante de nós começa a ficar pouco recomendável.

A dívida pública mundial chegou a quase 94% do PIB em 2025 e o FMI prevê no Fiscal Monitor que atinja 100% já em 2029. O problema, porém, não é apenas haver muita dívida. Os Estados vivem há décadas a refinanciá-la: quando uma obrigação vence, emitem outra e seguem caminho. Durante os anos de juros próximos de zero, este mecanismo era extraordinariamente confortável. Agora deixou de ser. Em 2026, grande parte do dinheiro que os governos da OCDE vão buscar aos mercados destina-se simplesmente a refinanciar dívida já existente, como detalha a OCDE no seu Sovereign Borrowing Outlook. E estão a fazê-lo a taxas muito superiores às que pagavam quando boa parte dessa dívida foi emitida. É aqui que a brincadeira muda de natureza.

Nos Estados Unidos, a taxa das obrigações a 10 anos ultrapassou recentemente os 4,75% e a de 30 anos chegou aos 5,327%, o nível mais elevado desde 2007, segundo dados de mercado recolhidos pela U.S. Department of the Treasury. No Reino Unido, a dívida a dez anos chegou este ano aos 5,13%, máximo desde 2008. No Japão, onde durante uma geração praticamente se esqueceu que a dívida pública pagava juros, a taxa a dez anos ultrapassou os 3% pela primeira vez desde 1996, conforme registado pelo
Bank of Japan. Alemanha e França também estão a assistir a fortes subidas das taxas de longo prazo. Não estamos a falar da Grécia em 2011 ou de um qualquer país periférico a quem os mercados resolveram fechar a torneira. Estamos a falar dos mercados de dívida das maiores economias do mundo.

E isto interessa muito mais do que parece. Se um Estado tinha 100 mil milhões de euros de dívida financiada a 1% e passa progressivamente a refinanciá-la a 4% ou 5%, não precisa de pedir mais dinheiro para começar a ter um problema. Basta substituir dívida barata por dívida cara. A factura dos juros cresce, ocupa uma parcela maior das receitas e começa a disputar dinheiro com tudo o resto: saúde, educação, pensões, investimento público. É nesta altura que regressam palavras como “consolidação”, “ajustamento” e “responsabilidade”, geralmente pronunciadas por pessoas que nunca são objecto de nenhuma das três.

E há uma parte essencial desta equação que torna tudo isto bastante menos confortável: estas montanhas de dívida não estão a ser suportadas por economias a crescer 4% ou 5% ao ano. Estão a ser carregadas por algumas das maiores economias do mundo com crescimentos débeis ou praticamente estagnadas. O
Banco Mundial prevê no Global Economic Prospects apenas 2,5% de crescimento mundial em 2026. Na zona euro, o FMI aponta no World Economic Outlook para apenas 0,9%. Isto não é um pormenor: uma economia que cresce depressa consegue suportar uma dívida elevada com muito mais facilidade porque as receitas, os rendimentos e a própria base económica que sustenta essa dívida também crescem. Quando a economia quase não cresce e o Estado começa simultaneamente a refinanciar dívida a 4% ou 5%, o custo da dívida pode crescer muito mais depressa do que a economia que terá de a pagar. A partir daí, as soluções começam a ser aquelas velhas conhecidas que costumam aparecer com nomes tecnicamente tranquilizadores: mais impostos, menos despesa, inflação ou mais dívida.

E o mercado não está a pedir apenas dinheiro aos Estados. Governos e empresas deverão emitir este ano o equivalente a cerca de 25 biliões de euros em dívida. Ao mesmo tempo, a corrida à inteligência artificial está a exigir quantidades colossais de capital e algumas das maiores empresas tecnológicas começaram a financiar parte desse investimento através da emissão de obrigações. Há, portanto, cada vez mais dívida a disputar o mesmo dinheiro, justamente numa altura em que os investidores começaram a exigir melhor remuneração para o emprestar. A OCDE calcula que a dívida soberana em obrigações dos seus membros já atingiu o equivalente a cerca de 53 biliões de euros e que o peso da dívida dos governos centrais deverá chegar este ano a 85% do PIB, 39 pontos percentuais acima do nível de 2007.

Do outro lado temos mercados financeiros extraordinariamente valorizados. O estudo Global Balance Sheet, do McKinsey Global Institute, mostra que a riqueza das famílias aumentou o equivalente a cerca de 35 biliões de euros em 2025, atingindo aproximadamente 492 biliões de euros, mas apenas cerca de 20% desse aumento resultou de novo investimento líquido em activos reais. A maior parte veio da valorização dos activos e de outros ganhos financeiros. Não quer dizer que a riqueza seja imaginária. Quer dizer que uma parte enorme dela depende de casas, acções e outros activos continuarem a valer aquilo que os mercados decidiram que valem.

Mas há uma diferença importante em relação a 2008. Depois daquela crise, os bancos foram obrigados a reforçar capital, liquidez e financiamento mais estável. O risco, porém, não desapareceu por delicadeza. Uma parte considerável mudou simplesmente de sítio. Fundos de investimento, hedge funds, crédito privado e outros intermediários financeiros não bancários representam hoje o equivalente a cerca de 222 biliões de euros, 51% de todos os activos financeiros mundiais, e este sector cresceu ao dobro do ritmo da banca tradicional. O próprio Financial Stability Board (FSB) reconhece no seu Global Monitoring Report limitações sérias nos dados disponíveis sobre áreas como o crédito privado. E isto não significa que bancos e restante sistema financeiro vivam agora em apartamentos separados e tenham deixado de se falar. Pelo contrário. Os bancos financiam estes fundos, concedem-lhes linhas de crédito, fazem operações de repo, negoceiam derivados, fornecem alavancagem e serviços de margem e recebem deles financiamento. O Banco Central Europeu (BCE) no Financial Stability Review e o Comité de Basileia têm vindo precisamente a alertar para estas ligações e para a possibilidade de um choque nos mercados obrigar fundos alavancados a desfazer posições rapidamente, provocando vendas forçadas e transmitindo novamente as perdas à banca. O próprio BCE admite que existem falhas de informação que limitam a capacidade de perceber todas estas exposições.

É esta combinação que merece atenção: Estados muito mais endividados do que estavam antes de 2008, dívida antiga a ser refinanciada a juros bastante mais altos, necessidades recorde de financiamento, mercados financeiros muito valorizados e um sistema financeiro não bancário gigantesco, alavancado, profundamente ligado à banca e em partes importantes bastante menos transparente.

Separadamente, nenhuma destas coisas provoca necessariamente uma crise. O problema começa quando acontecem ao mesmo tempo e aparece um choque que obriga alguém a vender. Foi assim que funcionaram muitas das anteriores. Primeiro existe liquidez, crédito e valorização. Depois os preços sobem durante tempo suficiente para que a subida passe a ser considerada normal. A seguir vem a alavancagem, porque ganhar dinheiro com dinheiro emprestado parece uma ideia extraordinária enquanto os activos sobem. Finalmente aparece qualquer coisa que ninguém tinha colocado no modelo, os preços caem, alguém precisa de liquidez, começam as vendas forçadas e descobre-se que o sistema era muito mais interligado do que parecia.

Há ainda uma razão adicional para levar a próxima crise particularmente a sério. Em 2008, quando o sistema financeiro começou a cair, foram os Estados que apareceram para o segurar. Garantiram bancos, injectaram capital, aumentaram despesa, assumiram riscos privados e deixaram os bancos centrais baixar os juros para níveis próximos de zero. Na próxima grande crise, muitos desses Estados entrarão em campo já carregados com dívidas muito superiores às de 2008 e a pagar bastante mais para as financiar. A capacidade de salvar novamente o sistema sem apresentar depois a factura à economia real será, por isso, bastante menos confortável. O Banco de Pagamentos Internacionais (BIS) analisa no seu Annual Economic Report precisamente este paradoxo: os bancos estão hoje mais capitalizados e líquidos do que antes da grande crise financeira, mas as ligações entretanto criadas com o sector não bancário abriram novos canais indirectos através dos quais o risco soberano e financeiro pode regressar aos bancos. Em algumas economias, as exposições dos bancos à própria dívida soberana continuam também enormes relativamente ao seu capital.

É por isso que há razões para recear que a próxima grande crise possa ser mais difícil de conter do que a de 2008. Não apenas porque existe mais dívida, mas porque o sistema que terá de absorver o choque é maior, mais interligado e tem uma parcela muito superior dos seus activos fora da banca tradicional. Os fundos de investimento, por exemplo, passaram do equivalente a cerca de 18 biliões de euros em activos em 2008 para aproximadamente 45 biliões de euros em 2023. Mudámos algumas regras depois da última crise, reforçámos os bancos e deslocámos uma quantidade considerável de risco para outros lugares. O risco teve a gentileza de acompanhar a mudança.

Há anos que vamos escrevendo sobre isto. Não porque saibamos prever o futuro, mas porque ainda nos lembramos do passado. E se há uma coisa que a História financeira ensina é que as crises nunca parecem iminentes enquanto os mercados estão a subir. Quando finalmente parecem óbvias, já começaram.

Países europeus têm retirado ouro dos Estados Unidos. A Alemanha, que detém a segunda maior reserva de ouro do mundo, concluiu uma grande repatriação parcial em 2017 (tendo trazido ouro de Nova Iorque e Paris para Frankfurt), mas ainda mantém cerca de 37% (mais de 1.200 toneladas) nos cofres da Reserva Federal em Nova Iorque.  Embora existam debates políticos e apelos de economistas para retirar o restante devido a tensões transatlânticas e imprevisibilidade política, o governo alemão não avançou com uma retirada total recente.

A França concluiu a repatriação total das suas reservas que ainda estavam guardadas no estrangeiro. O banco central francês (Banque de France) finalizou a substituição e transferência das últimas 129 toneladas de ouro que mantinha nos cofres da Reserva Federal de Nova Iorque. Com este movimento estratégico de arbitragem e conformidade regulatória, a totalidade das cerca de 2437 toneladas de ouro que compõem o tesouro soberano francês encontra-se agora centralizada a cem metros de profundidade, no cofre subterrâneo conhecido como La Souterraine, localizado na sede do banco em Paris. A evolução histórica detalhada e os contornos políticos destas movimentações podem ser consultados no artigo sobre a Repatriação de Ouro na Wikipédia

Por sua vez, a Itália adota um modelo de custódia mista e mantém o seu stock intocável há décadas, resistindo a pressões de venda mesmo em períodos de crise. O país possui a terceira maior reserva mundial, com cerca de 2452 toneladas de ouro. Deste total, aproximadamente metade (cerca de 1100 toneladas) está guardada localmente nos cofres fortificados do Palazzo Koch, a sede institucional do Banca d'Italia em Roma. A outra metade da reserva italiana permanece dispersa no estrangeiro por razões logísticas e de liquidez de mercado, dividida maioritariamente entre a Reserva Federal de Nova Iorque, o Banco de Inglaterra em Londres e o próprio Bundesbank em Frankfurt. Mais pormenores sobre o enquadramento económico destas reservas estão disponíveis nas estatísticas atualizadas de mercado da Trading Economics

Finalmente, Portugal destaca-se internacionalmente pela elevada proporção de ouro face ao total das suas reservas financeiras globais. O país detém 383 toneladas de ouro e posiciona-se no topo dos países com maior quantidade de metal precioso por habitante. A gestão da custódia do ouro português pelo Banco de Portugal assenta historicamente numa forte componente externa para facilitar operações financeiras internacionais, embora uma parte relevante continue salvaguardada em território nacional, dividida entre os cofres da sede em Lisboa e o cofre-forte do Complexo do Carregado.

No dia 2 deste mês os Países Baixos transferiram 86 toneladas de ouro dos EUA e Canadá para o Reino Unido

Por isso deixamos o aviso agora. As dívidas são maiores, os custos de financiamento estão a aumentar, os mercados estão extraordinariamente valorizados e uma parte crescente do risco financeiro encontra-se em estruturas sobre as quais os próprios reguladores reconhecem não possuir toda a informação necessária. Não sabemos qual será o detonador nem quando alguém acenderá o fósforo. Mas já existe combustível suficiente para que não seja particularmente sensato discutir se há perigo de incêndio.

Mas não se preocupem demasiado. Enquanto isto se passa, haverá certamente um dérbi, uma polémica nas redes sociais, a final de um reality show ou qualquer assunto suficientemente importante para ocupar três dias de televisão.

Quando chegar a factura, então falamos de economia. Considerem-se avisados.
Baseado no texto de Rise Up Portugal, com alguns ajustes.

domingo, 23 de agosto de 2026

Resíduos de painéis solares podem chegar a 402 milhões de toneladas até 2060


A rápida expansão da energia solar está a criar um novo desafio ambiental: o destino dos painéis fotovoltaicos quando chegam ao fim da sua vida útil. Um estudo internacional publicado na revista Nature estima que o volume global de resíduos de painéis solares poderá atingir entre 297 e 402 milhões de toneladas até 2060.

A investigação, que envolve investigadores da China, Austrália e Suécia, incluindo Jian Zuo, professor da Adelaide University, alerta, contudo, que esta crescente quantidade de resíduos pode transformar-se numa oportunidade económica. Segundo os autores, a reciclagem adequada dos painéis fotovoltaicos poderá gerar benefícios económicos acumulados de centenas de milhares de milhões de dólares até 2060, podendo atingir valores próximos de um bilião de dólares.

“A energia solar é essencial para a transição para um sistema energético de baixo carbono, mas não podemos ignorar o que acontece aos painéis solares no final da sua vida útil”, afirma Jian Zuo. Para o investigador, é necessário começar desde já a planear a reciclagem, de forma a transformar o fluxo crescente de resíduos numa fonte de materiais, em vez de num problema ambiental.

Os painéis solares contêm materiais com valor económico, como silício, prata, cobre e telúrio. Incluem também metais como chumbo e cádmio, que podem representar riscos ambientais caso os equipamentos sejam eliminados de forma inadequada.

Para avaliar as diferentes possibilidades, os investigadores desenvolveram um modelo integrado que analisou 1708 cenários de reciclagem em 32 regiões do mundo, considerando tecnologias disponíveis, preços dos materiais, comércio internacional e políticas de subsídios.

Os resultados indicam que a combinação de tecnologias de reciclagem adaptadas a cada região com o recurso a instalações de reciclagem externas poderá proporcionar os maiores benefícios económicos e ambientais. Esta abordagem permitiria reduzir custos e emissões, sobretudo através do encaminhamento dos resíduos para países com tecnologias de reciclagem mais avançadas e economicamente competitivas.

A solução levanta, contudo, uma questão de equidade. A concentração da reciclagem nas regiões com maior capacidade tecnológica poderá fazer com que os benefícios económicos fiquem igualmente concentrados, deixando países de menores rendimentos com uma parcela reduzida dos ganhos.

“A via de reciclagem mais barata ou eficiente a nível global não é necessariamente a mais justa”, alerta o investigador, defendendo que as políticas de reciclagem devem ter em conta não apenas a eficiência económica, mas também a distribuição dos benefícios e dos impactos ambientais.

O estudo aponta para a possibilidade de recorrer a subsídios decrescentes, que seriam reduzidos progressivamente à medida que a reciclagem se tornasse economicamente viável. Segundo os investigadores, este modelo poderia melhorar a distribuição dos benefícios entre regiões e exigir menos investimento do que a manutenção de subsídios permanentes.

O valor dos materiais recuperados será também determinante. Uma subida dos preços de matérias-primas como a prata, o alumínio e o silício poderá aumentar a rentabilidade da reciclagem, enquanto a evolução tecnológica deverá contribuir para reduzir os custos dos processos.

Para os investigadores, a cooperação internacional será essencial para preparar o setor para o aumento dos resíduos fotovoltaicos. “Precisamos de encarar os painéis solares como parte de uma economia circular, e não como um produto descartável”, defende Jian Zuo.

A conclusão surge num momento em que a indústria fotovoltaica ainda tem oportunidade de criar capacidade de reciclagem antes de o volume de equipamentos em fim de vida atingir o seu pico. Para os autores, antecipar esse investimento será fundamental para evitar que a transição para a energia solar crie um novo problema de resíduos à escala global e para garantir que os materiais dos painéis possam voltar ao ciclo produtivo.

domingo, 5 de julho de 2026

Europe to redefine oil as “sustainable”


The Council's Sustainable Finance Disclosure Regulation (SFDR) revision drops the exclusion that kept fossil fuel expansion out of Europe's transition funds. The decision landed in the middle of the continent's most severe heatwave on record.

In the same week that France logged its hottest day since national records began in 1947, the European Union moved to loosen what the word “sustainable” is allowed to mean on a fund label.

The two events were not connected by design. They were connected by date. On June 24, as a heatwave that the World Weather Attribution group of scientists described as the most severe ever recorded in the region gripped Western Europe, the Council of the European Union adopted its negotiating position on a revision of the SFDR, the EU's rulebook for sustainable financial products. The same group of scientists concluded that June heat of this intensity would have been virtually impossible fifty years ago without human-caused warming. By the end of that week, the World Health Organization's director-general said more than 1,300 excess deaths had been recorded across Europe since June 21.

That was the backdrop against which Europe decided to make room for oil in its sustainable investment rules.
The Council removed the one line that kept oil expansion out of sustainable funds


SFDR was built in 2021 to do two things: steer capital toward the low-carbon transition, and make greenwashing harder. The current revision, often called SFDR 2.0, sorts products into three new categories: sustainable, transition, and ESG basics.

The European Commission's own proposal would have excluded companies expanding their fossil fuel activities from the transition category altogether. The Council deleted that exclusion. In its place, a company opening new oil and gas fields can still qualify for a transition label, provided that around 20% of its capital expenditure is aligned with the EU taxonomy of green activities, and that it adopts a time-bound plan to reduce its operational emissions.

Consider a company that pours the bulk of its capital into expanding oil production and a fifth into wind and solar. Under the Council's proposal, it could still carry a transition label. That label is not cosmetic. Transition and sustainable funds shape how pension funds, insurers, and asset managers allocate trillions of euros, so what the word certifies is not a technicality.

A 20% test on the wrong emissions cannot capture an oil company's real footprint
Here is the detail the headline number hides. The requirement to cut emissions covers a company's Scope 1 and Scope 2, the pollution from running its own operations. It does not touch Scope 3, the emissions released when customers burn the oil and gas the company sells. For a fossil fuel producer, Scope 3 is the overwhelming majority of the harm, by many estimates 80% to 95% of the total. The rule scores the small share and ignores the rest.

The scale of the mismatch is easy to miss. Global clean energy investment is on track to reach around $2.2 trillion in 2026, close to double the money flowing into fossil fuels, according to the International Energy Agency. Yet oil and gas companies account for less than 5% of that clean energy spending. A rule that rewards a 20% capex slice, while ignoring the product itself, measures the smallest part of the story.

A few billion invested in renewables does not cancel out billions spent locking in new fossil production for decades. One reduces future emissions; the other commits them. They are not equivalent, financially or scientifically.

The new definition mirrors the position of a company a court has already faulted
The Council did not invent these criteria in a vacuum. They closely resemble arguments long advanced by parts of the oil industry, which has pressed for a transition category broad enough to take in continued fossil production. TotalEnergies is the most visible example. Between January and June 2026, according to European Parliament transparency records, the company held around 35 meetings with members of the Parliament, several referencing SFDR directly, and its own strategy targets putting 20% of its portfolio into power and low-carbon energy by 2030, the same one-fifth threshold the Council settled on. That is not proof that one produced the other. It is a striking convergence between what an oil major asked for and what member states agreed.

There is a sharper irony in the timing. In October 2025, the Paris Judicial Tribunal found that TotalEnergies had misled consumers with claims about its ambition to reach carbon neutrality by 2050, made while it continued to expand oil and gas production, and ordered the offending statements removed. The company said it would not appeal, and the judgment became final. Less than a year later, the Council is proposing a definition of transition that would let a company doing what the court described, expanding fossil fuels while investing a minority share in cleaner energy, carry a transition label across Europe.

The court's reasoning lands on the same point the fund rule misses. What made the claim misleading was the gap between a transition image and continued fossil expansion. The Council's 20% test widens that gap and stamps it as compliant.

I put these questions to TotalEnergies before publication of this article. In response, a company spokesperson said:
“TotalEnergies' position on the SFDR is well known and has been publicly expressed by the Company in its response to the European Commission's consultation dated 6 April 2026. It is available on the European Commission's website.”
On the court ruling, the spokesperson referred me to a company clarification.

In that clarification, TotalEnergies stresses that the tribunal dismissed most of the claims against it, that the decision concerned three paragraphs about its carbon-neutrality ambition on a French affiliate's customer website rather than its advertising, and that no advertising by its French affiliates was condemned. The company rejects the charge of greenwashing and sets out its record at length: more than €20 billion invested in low-carbon energy worldwide since 2020, €4 billion of it in France; 32 gigawatts of installed renewable capacity producing 50 terawatt-hours of electricity in 2025, up from close to zero in 2020; selection to build France's largest ever renewables project, a €4.5 billion offshore wind farm; and cuts of 36% in emissions from its operated oil and gas facilities between 2015 and 2024, and 55% in methane between 2020 and 2024.

Those last figures, though, are reductions on the company's own operations, the Scope 1 and 2 the fund rule already counts, not on the far larger emissions released when the oil and gas it sells are burned.
The Council says fossil fuel companies still have a role to play

Asked about the greenwashing criticism, a Council spokesperson said companies active in the fossil fuel sector can still contribute to the transition, for example by developing low-carbon fuels or building electric vehicle charging infrastructure.

Campaigners see it differently. Reclaim Finance argued that governments had given in to lobbying from oil majors and opened the door to greenwashing of fossil fuel investment, framing the coming parliamentary vote as a choice between a fossil future and the wellbeing of European citizens.
A weaker label still has to point in the right direction

The Council's defenders make a real argument, and it deserves a fair hearing. The transition category was never meant to be the strictest tier. It exists to finance messy, real-world decarbonization rather than a handful of already-clean companies, and drawing the line too hard, they warn, would only push capital out of Europe into markets with weaker disclosure, or starve the hard-to-abate sectors that most need it.

The argument holds until you look at what the test actually rewards. A transition label, however lenient, has to certify one thing, that a company is moving away from fossil fuels. The Council's version does not require even that. A company can raise its oil output year after year and still qualify, as long as a fifth of its spending points elsewhere. That is not a permissive standard for transition. It is the absence of one, on the single variable that decides whether a transition is happening at all.

There is also a cleaner way to do the thing the rule claims to enable. An oil company that wants to raise money for a wind farm can already issue a green bond, where the proceeds are ring-fenced to that named project and reported on. The capital reaches the clean asset without the parent company's oil expansion borrowing the "sustainable" label. That is the honest instrument, and it exists. What the Council's change adds is not access to green finance but permission to badge the whole enterprise, oil growth included, as transition.

And the fear of capital fleeing Europe cuts the other way. A label that certifies expansion in order to keep money onshore has not kept the money honest. It has moved the greenwashing inside the rulebook.
The decision is not final, and that is where the leverage sits

The Council has agreed only its negotiating position. The European Parliament's economic affairs committee is due to vote on its amendments on July 15, with the full Parliament expected to adopt its position after the summer, before trilogue negotiations with the Council and the Commission later in the year. The direction can still change.

The exclusion the Council stripped out was the Commission’s own. Under the Commission’s proposal, companies expanding their fossil fuel activities are barred from the transition category outright. But the Commission is not a bystander here. It opened the SFDR up in the name of simplification, a drive to cut reporting burdens on the financial industry, and the Council followed that logic a step further. A revision the Commission sold as a remedy for greenwashing is turning into a license for it.

I asked the European Commission directly whether it stands by that exclusion and will defend it in the negotiations. Its full, on-the-record reply was this:

“The Commission remains fully committed to engaging constructively with the co-legislators to achieve a balanced and timely agreement on the proposal.”
A spokesperson also referred me to the Commission's published reasoning, which sets out the exclusion in its own text.

The response leaves the Commission's position open to interpretation. While it does not say the Commission has abandoned its original proposal, it also does not explicitly reaffirm that it will defend this particular safeguard during the negotiations. The stronger rule still exists on paper. Whether it survives the legislative process will depend on the negotiations ahead, and particularly on the outcome in the European Parliament.

The problem was never the oil. It is the label.
Here the argument is easily misread, so it is worth stating plainly. The world will keep burning oil for years while it builds the alternatives. Reasonable people can debate whether Europe is better off pumping some of its own rather than importing every barrel, and amid a run of Middle East supply shocks, that energy-security case is not frivolous. But it is a different question from the one the Council has answered.

Nobody has to call a new oil field clean in order to keep the lights on. Oil can be produced, taxed, regulated, and wound down on a schedule, without being sold to a saver as a contribution to the energy transition. The decision in front of Europe is not whether the oil comes out of the ground. It is whether pulling it out counts as sustainable investment. That is the smaller question, and the far more dangerous one.

If oil is green, nothing is
A sustainable label is not a badge of virtue. It is a piece of information. Markets run on information. A pension fund, an insurer, or a saver moving money into a green product cannot audit a company's drilling plans. They trust the label to tell them what their capital is doing. Europe's sustainably labeled fund market, worth around €10 trillion, exists because that one word is assumed to mean something specific.

Stretch the word to cover a company opening new oil fields, and it stops carrying information. If the same label sits on a wind developer and on an oil major with a 20% side project, it no longer tells them apart. The investor who wanted the real thing can no longer find it. And the company doing the genuine, expensive work of transition loses the one advantage the label was meant to confer, cheaper capital and patient shareholders who believe the plan. Economists have a plain description for markets where buyers cannot separate quality from imitation. The honest product gets crowded out, and in time nobody pays a premium for the label at all.

The damage does not stop at oil. Once extraction qualifies as transition on a one-fifth capex test, every hard-to-abate sector arrives with the same claim, coal with a capture pilot, an airline with a fuel pledge, until the category describes almost everyone, which is another way of saying it describes no one. If oil extraction is green, the honest answer to what is not green becomes very little.

The timing sharpens the risk. Sustainable investing is already on the back foot, worn down by years of greenwashing scandals, funds quietly stripped of their green labels, and a political backlash that treats ESG as an insult. The SFDR move is not an isolated event. In the same days, under pressure from the Trump administration, the World Bank retired its headline target to steer 45% of lending toward projects with climate benefits, and the International Monetary Fund’s own watchdog reported a fading focus on climate, even as the underlying programs survived. That survival was not a gift: at the World Bank, a coalition of nearly 100 countries held the line and forced the plan to continue over Washington's objection, a reminder that the pressure runs both ways. Trust in the category is the scarce resource, and the SFDR revision was written to rebuild it with clearer and stricter definitions. On this one provision, it would do the reverse. It would take the reform meant to restore the meaning of sustainable finance and spend it dissolving the meaning of the word at its center.

Europe does not have to choose between energy security and climate credibility. It can pursue both. What it cannot do is tell investors that new oil production is sustainable without changing the meaning of the word itself. The July vote decides more than the fate of one regulation. It decides whether a green label still carries information an investor can trust, and with it the integrity of the market built on that single word.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Os maiores bancos do mundo comprometeram 906 mil milhões de dólares com empresas de combustíveis fósseis. num aumento "incompreensível" em 2025, revela relatório


O JPMorgan Chase lidera a lista de 65 bancos que estão a tomar decisões incompatíveis com a contenção do aumento das temperaturas globais, afirmam investigadores.

Os maiores bancos do mundo comprometeram 906 mil milhões de dólares ($906bn) em financiamento para a indústria dos combustíveis fósseis no ano passado — um aumento "incompreensível" no investimento que garante mais anos de produção de carvão, petróleo e gás, numa altura em que o planeta continua a sobreaquecer, concluiu um novo relatório.

O surto de novos empréstimos para combustíveis fósseis, que aumentou 64 mil milhões de dólares (quase 8%) em relação a 2024, demonstra que os 65 maiores bancos mundiais estão a tomar decisões incompatíveis com os acordos internacionais para conter o aumento das temperaturas globais, de acordo com a coligação de grupos ambientalistas responsável pela nova análise.

O JPMorgan Chase voltou a ser o principal financiador mundial de combustíveis fósseis, segundo o relatório anual Banking on Climate Chaos, após ter injetado 58 mil milhões de dólares no setor no ano passado — um aumento de 13% face a 2024.

O Bank of America comprometeu a segunda maior quantia com combustíveis fósseis no ano passado, seguido pelos bancos japoneses MUFG e Mizuho Financial. O Citigroup, outro banco norte-americano, fecha o "top 5", com o Barclays, na oitava posição, a ser o banco britânico mais bem classificado.

"O ano passado foi o primeiro em que esperávamos ver uma redução contínua nos números históricos, mas na verdade assistimos a esse aumento, que se prolongou este ano", afirmou Caleb Schwartz, analista de políticas da Rainforest Action Network, um dos grupos responsáveis pelo relatório. "Trata-se, portanto, de uma tendência preocupante."

Questionado sobre os seus empréstimos ao setor dos combustíveis fósseis, um porta-voz do JPMorgan Chase declarou: "Como um dos maiores financiadores de energia do mundo, apoiamos toda a gama de soluções e tecnologias energéticas, com foco na fiabilidade, acessibilidade, segurança e resiliência a longo prazo. Acreditamos que os nossos dados refletem as nossas atividades de forma mais abrangente e precisa do que as estimativas de terceiros."

No acordo climático de Paris, em 2015, os países concordaram em envidar esforços para evitar que o aquecimento global ultrapassasse os 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, limite a partir do qual o mundo sofrerá ondas de calor, cheias, secas e outros desastres alimentados pelas alterações climáticas ainda mais devastadores.

Evitar este limiar exigiria a quase eliminação das emissões que aquecem o planeta resultantes da produção de combustíveis fósseis. No entanto, desde o Acordo de Paris, os maiores bancos do mundo já canalizaram 8,7 biliões  de dólares para a indústria dos combustíveis fósseis para a extração e perfuração de mais carvão, petróleo e gás.

Os cientistas preveem agora que o limite de 1,5°C será ultrapassado de forma iminente, antecipando que a recente sucessão de anos com temperaturas recorde seja superada ainda nesta década.

No rescaldo do ataque dos EUA e de Israel ao Irão, que fez disparar o custo global do petróleo e do gás, várias das maiores empresas de combustíveis fósseis do mundo registaram lucros recorde este ano.

"As empresas históricas de combustíveis fósseis não vão desaparecer sem dar luta", afirmou Niko Lusiani, especialista em clima e energia que editou o relatório deste ano. "Estão a duplicar a aposta para expandir um sistema energético cada vez mais frágil, pouco fiável e arriscado."

O financiamento a combustíveis fósseis está a concentrar-se cada vez mais num grupo restrito de grandes instituições, concluiu o novo relatório, com aquilo a que os grupos ecologistas chamaram a "dúzia suja" a ser responsável por 40% de todo o financiamento do setor. Quase todo o financiamento para combustíveis fósseis provém de seis jurisdições: os EUA, o Canadá, o Japão, a China, o Reino Unido e a União Europeia.

Um total de 26 dos 65 maiores bancos reduziu o seu financiamento a combustíveis fósseis no ano passado, com os bancos europeus BNP Paribas, UBS e La Caixa a liderarem as reduções.

Contudo, os grandes operadores de petróleo e gás não ficaram sem liquidez disponível. Os maiores bancos prometeram 508 mil milhões de dólares para a expansão de explorações de combustíveis fósseis já existentes no ano passado, um aumento de 27% em relação a 2024. Três operadoras norte-americanas de petróleo e gás — Venture Global, Enbridge e Energy Transfer — foram as principais beneficiárias dos fundos emprestados em 2025.

Vários grandes bancos tinham anunciado anteriormente metas para reduzir as suas emissões e restringir os empréstimos a formas de energia particularmente poluentes, como o carvão. Mas, face ao regresso político de Donald Trump — que já classificou a crise climática como uma "treta" ("bullshit") e exigiu a extração desenfreada de combustíveis fósseis —, os bancos voltaram as costas aos compromissos ambientais assumidos anteriormente.

No ano passado, a Net-Zero Banking Alliance, uma iniciativa apoiada pela ONU que pretendia alinhar os empréstimos dos bancos com um cenário de emissões líquidas nulas até 2050, foi dissolvida após a saída de vários membros de relevo.

"Vimos muitos bancos darem as costas, seja de forma silenciosa ou mais ruidosa, num contexto de pressão política, particularmente nos EUA", afirmou Lusiani.

O especialista acrescentou: "A era dos compromissos voluntários não funcionou à escala que necessitamos, o que aponta para um papel muito mais ativo dos reguladores financeiros, legisladores e decisores políticos, especialmente nesses seis grandes centros financeiros."

Em resposta a um pedido de comentário, um porta-voz do Bank of America afirmou que o banco apoia "uma vasta gama de clientes, tanto no setor das energias renováveis como no das energias tradicionais, fornecendo-lhes o capital e o aconselhamento necessários para atingirem os seus objetivos — incluindo o avanço das tecnologias de energia limpa e a garantia de acessibilidade e segurança energética num ambiente cada vez mais complexo e dinâmico".

Por sua vez, um porta-voz do Citi afirmou que a empresa "apoia os clientes na transição para uma economia de baixo carbono, ao mesmo tempo que reconhece a necessidade real de energia segura, acessível e fiável hoje em dia. Estamos empenhados em alcançar emissões financiadas líquidas zero até 2050 e em avançar com a nossa meta de financiamento sustentável de 1 bilião de de dólares, focando-nos em equilibrar a transição com a resiliência energética global".

domingo, 1 de março de 2026

Europe: From the myth of denazification to suicidal Russophobia or The Triumph of the Kakistocracy


The European ruling class is in a terminal state. Elizabeth Kübler-Ross, the Swiss psychiatrist who dedicated herself to treating terminal patients, identified five stages of grief that we go through when we lose someone. The first stage of grief described by Kübler-Ross is denial. Faced with the loss of its prestige, influence, and economic power, and above all with the rise of China and the other BRICS countries, the European ruling class reacts exactly as predicted in this first stage of grief: with denial.

Very angry, confused and astonished by the profound transformations of the world, the European ruling class vehemently denies its own inevitable decline, its growing impotence and the definitive end of the colonial period, its glorious past.

This class, which in 2022 reacted euphorically to Russia’s special military operation in Ukraine, certain of a quick victory in which economic sanctions combined with NATO’s military might would lead to Russia’s defeat and the fall of Vladimir Putin, opening the door to the exploitation of Russia’s natural resources and its colonization by the West, now desperately denies that Ukraine and NATO’s entire arsenal have already been defeated, violently punishing those voices in Europe who dare to state the obvious, that this war is already lost. The mainstream European press, spokesperson for this dying class, without realizing its own ridiculousness, persists in spreading the most absurd lies about the Russian “threat,” about the “imminent collapse” of the Russian economy and its inevitable future, always future, defeat in Ukraine. Denying reality so emphatically does not change reality, it only makes the enormous and lamentable effort of denial even more pathetic. In its terminal state, the European ruling class has lost all shame and credibility, but it is still capable of causing a great deal of harm. To better combat it, then, it is important to remember a little of its history and denounce its most dangerous lies.

The European ruling class and the myth of denazification
The myth of denazification at the end of World War II is a fundamental pillar in the construction of the supposed “moral superiority” of the European ruling class, which is so important in legitimizing its control. This class presents itself as a proud defender of democracy and human rights, as a historical enemy of Nazism and all fascist movements.

The truth that this class tenaciously seeks to hide is that the reconstruction of European capitalism that allowed its own rise to power was carried out with the support and participation of Nazis and Nazi collaborators, especially in Germany.

At the end of World War II, Germany was divided into distinct occupation zones by the Allied armies—the US, the UK, France, and the USSR. However, as historian Mary Fulbrook wrote in her book A History of Germany 1918–2014, there was a huge difference in the treatment of Nazis and their collaborators between the Soviet occupation zone and the other zones:

“In the Soviet zone, given the primarily structural and socioeconomic interpretation of Nazism which prevailed, major efforts were devoted to the land reform which served to abolish the Junker class, the resources of certain Nazi industrialists were expropriated and there were reforms of industry and finance which had not merely reparations as their aim, The Soviets were concerned also to oust individual Nazis from important positions. They carried out purges not only in the political and administrative spheres, but also in the teaching profession and the judiciary.”

“Quite apart from their attempts to gain some sort of compensation for the enormous material and human losses imposed on them by German aggression, the Soviets implemented certain economic policies designed so to transform the socioeconomic structure of their zone that could never again, in the Soviet view, be the material basis for a Nazi capitalist militarism. They sought to eradicate the Junker class and the large capitalists in a stroke.”

Regarding the occupation by Western powers, Mary Fulbrook states:
“It is notable that, in contrast to the Soviet zone, there were no radical transformations in economic structure in the Western zones of occupation.”

“Denazification lurched along in curious ways in the Western zones. It was not quite clear whether the aim was to punish or to rehabilitate former Nazis; and whether the intention was to cleanse the political, administrative and economic spheres of their presence, or to cleanse former Nazis of the taint of Nazism in order to reinstate them in their former areas of expertise. In contrast to the Soviet zone, which effected a major restructuring of society, along with a replacement of the old elites by new personnel, as well as permitting individual rehabilitation, the Western zones tended towards rehabilitation rather than transformation.”

Also, according to Mary Fulbrook:

“Nevertheless, it can be argued that in more subtle, less immediately obvious ways, there was in fact a major socioeconomic reorientation taking place in the Western zones of Germany. In the immediate postwar period, many people thought the way was open for a socialist transformation of Germany. The Allies’ decision to suppress indigenous anti-fascist groups and support moderate and conservative political parties was paralleled in the sphere of economic policy. Indigenous demand, for example, for the socialization of mines, were peremptorily dealt with by the Americans. Socialization measures proposed by the Land governments of Hesse and North-Rhine-Westphalia were suppressed by the Americans and – under American pressure – the British respectively. Subtle pressures were exerted by the Americans to split communist and socialist trade unions, to isolate the former and moderate the latter.”

Finally:

“Former Nazis, both the committed and the conformists, were able to fit easily into Adenauer’s Germany. Although in the immediate postwar period about 53,000 civil servants had been dismissed for membership in the NSDAP, only 1,000 were excluded permanently from any future employment. Under the 1951 Reinstatement Act many were reemployed in the civil service and obtained full pension credits for their service in the Third Reich. By the early 1950s between 40 and 80 per cent of officials were former NSDAP members. Similarly, only a very few members of the judiciary were permanently disqualified. Former Nazis were even able to gain prominent positions in public life. Adenauer was quite prepared to include former Nazis in his cabinet, such as former SS-member Oberlaender as Minister for Refugees. Perhaps the most controversial of Adenauer’s appointments was that of Hans Globke, the author of the official commentary of the Nuremberg Race Laws of 1935, as Adenauer’s chief aide in his Chancellery. “

Regarding the courts responsible for prosecuting Nazis, Mary Fulbrook comments:

“The tribunals soon came to be likened to laundries. One entered wearing a brown shirt and left with a clean starched white shirt instead. Denazification had finally become, not the cleansing of German economy, administration and society of Nazis, but rather the cleansing and rehabilitation of individuals.”

David de Jong, a Dutch journalist who has investigated some particular cases of Nazi industrialists and bankers in Germany, published in 2022 the book Nazi Billionaires – The Dark History of Germany’s Wealthiest Dynasties, where he informs:

“By 1970, Friedrich Flick, August von Finck, Herbert Quandt and Rudolf-August Oetker made up West Germany’s top four wealthiest businessmen in descending order of fortune. All four were former members of the Nazi Party; one of them had been a volunteer Waffen-SS officer; they had all become billionaires.”

In his book, David de Jong devotes special attention to the use of forced labor of prisoners of war in factories in Germany and occupied countries. Mentioning Friedrich Flick, for example, the author writes:

“By 1943, those performing forced labor at Flick’s coal mines increasingly consisted of women and children deemed fit for work in the open-pit mines. Many were Russian teenagers from thirteen to fifteen. By the time Flick’s sixty-first birthday came around, his conglomerate had 120,000 to 140,000 workers. About half of them were forced or enslaved.”

And also:

“IG Farben, Siemens, Daimler-Benz, BMW, Krupp, and various companies controlled by Günther Quandt and Friedrich Flick were some of the largest private-industry users of forced and salve labor.”

“Slave labor collaborations between SS-run concentration camps and German companies included Auschwitz with I.G. Farben, Dachau with BMW, Sachsenhausen with Daimler-Benz, Ravensbrück with Siemens, and Neuengamme with Günther’s AFA, Porsche’s Volkswagen, and Dr. Oetker.”

Ferdinand Porsche, the famous designer and owner of the car factory that bears his name and also of Volkswagen, was a dedicated collaborator with the Nazi regime and a producer of weapons for the German army. Porsche used slave labor not only in Germany, but also at the Volkswagen factory in occupied France. According to de Jong, Porsche was acquitted by a court in Dijon, France, in 1948. And, according to de Jong, “not even mentioned in the trial” was the use of “thousands of French civilians and soldiers as forced laborers and slaves in the Volkswagen complex.”

In 1951, at the height of the Adenauer era, the Stille Hilfe (Silent Help) Association was founded in Germany. The German organization Zukunft braucht Erinnerung (The Future Needs Memory) (1) states on its website that Stille Hilfe is “an organization that was primarily dedicated to supporting Nazi murderers, but which, unfortunately, only became known to the public very late and in a rudimentary form. What was frightening about this aid organization, apart from its incomprehensible intentions, was the fact that certain people were involved in it or supported it. At least until 2011, the organization was still very active.”

Its founder, Princess Helene Elisabeth von Isenburg, devoted herself mainly to providing legal assistance to Nazi war criminals sentenced to death who were imprisoned in Landsberg Prison, under Allied control. She became known as the “Mother of the Landsbergers.” This association also provided financial assistance to Nazi criminals and their families.

It is also important to mention the Blue Division, a group formed by Spanish Francoist volunteers who joined the Nazi army in the fight against the Soviet Union. In 2015, several members of the Die Linke party in Germany questioned the German government (2) about the payment of around €100,000 per year in pensions that were still being made to these former Nazi combatants and their families by the German government, which the Die Linke party considered scandalous. (3)

The fact that an association with the objectives of Stille Hilfe could have been created in Germany in 1953 and that pensions to former Nazi combatants from a foreign country were still being paid in 2015 by the German government are two more striking pieces of evidence against the myth of denazification. Similar events occurred throughout Western Europe, where Nazis and their collaborators played an important role not only in the reconstruction of European capitalism but also in the repression of popular movements demanding revolutionary changes in social organization, such as the socialization of mines mentioned by historian Mary Fulbrook. It was this popular pressure that led to the creation of the welfare state in countries such as Germany, France, and England. It is important to remember that capitalism as an economic system emerged from the war completely discredited and had to be reimposed throughout Europe by the United States with the collaboration of the former European elites who had supported fascism in Italy and Nazism in Germany. With the end of World War II, the fascists, Nazis, and their collaborators had another function of the utmost importance: the fight against the USSR.

The many faces of Russophobia
Russophobia in both Europe and the US have a long history, dating back to the Russian Revolution of 1917. The Cold War period accentuated Russophobia, which became firmly established even in popular culture, where Soviets were always portrayed as caricatured villains in a wide variety of films and books. Paradoxically, it was after the dissolution of the USSR in 1991 that Russophobia took on new dimensions. The years of Boris Yeltsin’s presidency in Russia from 1991 to 1999 were a period of great euphoria in the West regarding its former adversary. The USSR had been defeated, and Russia’s immense natural resources were now available for privatization. According to IMF estimates, capital flight from Russia in the 1990s amounted to about $150 billion. The country was plunged into chaos and economic depression, and in the eyes of the West, Russia was very close to becoming a new Western colony. Upon succeeding Yeltsin in 1999, Vladimir Putin managed to reverse this process of political and economic decline, preventing the neo colonization of Russia, which the West has never forgiven. This is the origin of the demonization of Vladimir Putin, an important ingredient fueling current Russophobia. With the special military mission in Ukraine, Putin has once again thwarted the interests of the West. Through a proxy war in Ukraine, Western powers, with their economic blockades and NATO’s military might, hoped to destroy the Russian economy, overthrow Putin’s government, and put someone like Yeltsin in power in Russia.

sábado, 20 de dezembro de 2025

Mariana Mortágua despediu-se do Parlamento e ouviu elogios de quase todas as bancadas


Mariana Mortágua despediu-se do Parlamento e ouviu elogios de quase todas as bancadas. Cumpriu e fê-lo, com elevação e ética, características que infelizmente já não abundam muito na Assembleia da República.
Como sempre, vejo as redes sociais a destilar ódio a quem combateu o sistema, como pôde. À Mariana devemos sobretudo o seu empenho em desmascarar a rede do BES e isso não interessa para esta gente que nunca gostaram de quem interfere e denuncia o poder podre do país. Doutorada em Economia pela Universidade de Londres. A Mariana já tem emprego, estejam descansados. Em princípio será Professora Universitária no ISCTE. Destaco três livros que são actuais, infelizmente:

1. "Isto é um Assalto" (2013)
Com ilustrações e BD de Nuno Saraiva e design de Rita Gorgulho, este livro descreve o assalto que Portugal está a sofrer. Eles estão a cobrar impostos acima das nossas possibilidades, a retirar subsídios de férias e de Natal que eram as nossas possibilidades, a destruir o Serviço Nacional de Saúde, a escola pública e a Segurança Social que deveriam ser a devolução dos nossos tributos. Eles querem tudo. Eles, a finança, cobram uma renda sobre o nosso futuro e ainda querem convencer-nos de que somos culpados. Por isso, em Isto é um Assalto, faz-se a conta e cobra-se a fatura: verá como os bancos foram financiados pelos nossos impostos, como a austeridade e a chantagem da dívida estão a criar o maior desemprego da história do nosso país, como a troika destrói a vida das pessoas.

2."Privataria" de 2015
«Portugal foi tricampeão de privatizações em 2012, 2013 e 2014, ocupando sempre, nesses anos, o primeiro lugar em volume de vendas a nível europeu. Esta revolução, pela sua escala e pelos setores alcançados - os correios e os aeroportos, por exemplo, tinham sido sempre públicos -, é isso mesmo: uma revolução. Mas a apropriação por privados (ou entidades estatais estrangeiras) de monopólios naturais e outros recursos estratégicos iniciou-se vinte anos antes. Com entoações diferentes, a justificação política foi sempre a da superioridade da gestão privada, aliada à pressão das instituições europeias para a redução do défice e da dívida, uma constante ao longo do tempo, ora em função das regras do "mercado comum", ora dos critérios de convergência para a moeda única, ora do memorando com a troika ou ora ainda do tratado orçamental europeu.»

3. "No Sonho Selvagem do Alquimista" de 2021
Como se cria o dinheiro? Quem é que controla a criação do dinheiro? E quem o detém? Como é que as nossas vidas são condicionadas pelo sistema financeiro mundial?
Neste livro destinado ao grande público, Mariana Mortágua explica os principais processos de criação de moeda e o modo de funcionamento dos bancos. Acompanhando a sua evolução desde a Idade Média, a autora reflete sobre o poder associado às relações financeiras e de dívida. E sobre as novas formas de poder financeiro, nomeadamente a «banca-sombra» e as criptomoedas. O principal argumento é que a moeda, a banca e a finança são demasiado importantes para se manterem fora do espaço de discussão e decisão democráticas.

E quanto ao seu papel, tão criticado pelos portugueses, quando fez parte da flotilha por Gaza, infelizmente a situação continua calamitosa, agravada com as inundações deste Inverno. O acordo de paz na Faixa de Gaza, que vigora desde 10 de outubro é um frágil cessar-fogo entre Israel e o grupo radical palestiniano. Os Palestinianos continuam vítimas de Netanyahu. Israel continua a restringir a ajuda humanitária vital (77% da população ainda sofre de fome aguda, apesar do cessar-fogo) e vários relatos mostram que o país viola o cessar-fogo, não apenas o Hamas como os media destacam mais, os habitantes de Gaza sofrem com tendas inundadas, fome, poluição e doenças.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Ilhéu na Indonésia luta contra gigante suíço do cimento

Quatro residentes da pequena ilha indonésia de Pulau Pari prometeram lutar contra uma das indústrias mais prejudiciais para o clima: o cimento. A sua luta tem feito manchetes em todo o mundo. Nesta reportagem, falámos com eles na sua ilha natal ameaçada.

A partir de Jacarta, é preciso uma hora de barco e depois uma caminhada de cinco minutos para chegar à modesta casa de hóspedes no centro de Pulau Pari, uma pequena ilha cujo nome se tornou conhecido em todo o mundo.

Uma vez chegados, o olhar do visitante é imediatamente atraído por numerosos cartazes que apelam a "salvar a ilha".

De pé, junto ao fogão, a fritar bananas, está Ibu Asmania, gerente da casa de hóspedes. É também ela que está por detrás da primeira queixa climática apresentada na Suíça contra o fabricante de cimento Holcim.

Nesta manhã de quarta-feira de outubro, o terraço da pensão está cheio de gente. Um jornalista e um operador de câmara de um canal de televisão indonésio e dois representantes de uma ONG local também fizeram a viagem. "Viemos para contar a mesma história", diz entusiasmado o jovem jornalista.

O terraço da casa de hóspedes de Ibu Asmania está sempre ocupado, servindo de ponto de encontro para os residentes empenhados na justiça climática

A presença dos meios de comunicação social - incluindo do estrangeiro - já não surpreende ninguém nesta ilha paradisíaca de 1.500 habitantes. O processo que opõe quatro membros desta comunidade ao gigante do cimento Holcim, com sede em Zug, é histórico. Poderá abrir caminho a processos semelhantes na Suíça e noutros países.

Pulau Pari, que fica a cerca de 40 quilómetros a noroeste da capital indonésia, está na linha da frente do aquecimento global, tal como muitas pequenas ilhas em todo o mundo. A população sofre diariamente com o impacto negativo da subida do nível do mar, da degradação do ecossistema marinho e de condições meteorológicas cada vez mais imprevisíveis.

No entanto, os habitantes da ilha, que vivem principalmente da pesca e do turismo, contribuíram muito pouco para as emissões de gases com efeito de estufa responsáveis por estas alterações.

"As alterações climáticas estão a afetar-nos gravemente", diz Asmania. "Mas nós sempre cuidámos da nossa ilha. Estamos a sofrer as consequências das emissões de gases com efeito de estufa de multinacionais como a Holcim. É injusto."

Foi por isso que ela e três outros residentes decidiram deslocar-se à Suíça para intentar uma ação civil contra a Holcim, que consideram corresponsável pela crise climática. Exigem que o fabricante de cimento os indemnize pelos danos sofridos e contribua para medidas de proteção, num total de 14.700 francos suíços (18.200 dólares). Pedem igualmente à empresa que reduza as suas emissões de dióxido de carbono.

Depois de terminado o pequeno-almoço, Asmania, 42 anos, leva-nos para a sua sala de estar, onde apenas o zumbido de um ar condicionado quebra a calma. Na estante, há fotografias emolduradas da sua visita à Suíça, que a mostram em frente ao edifício do Parlamento Federal, em Berna, com vários deputados que apoiam a sua luta.

Um mês após o seu regresso, esta mãe de três filhos não esconde a sua preocupação enquanto "espera impacientemente" por notícias do tribunal de Zug.

Ao contrário dos outros queixosos, Asmania não cresceu em Pulau Pari, mas na cidade de Bekasi, a leste de Jacarta. Isso não a impede de lamentar o facto de o local ter mudado muito nos últimos anos. "Quando vim para cá, era uma ilha de pescadores", diz. Mudou-se para cá com o marido, Tono, com quem casou em 2005.

Na altura, Pulau Pari era conhecida pela sua cultura de algas marinhas, que eram exportadas internacionalmente e constituíam uma importante fonte de rendimento para a população. Depois de transformadas, estas algas eram utilizadas na indústria alimentar e farmacêutica.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Enfrentamos uma emergência de desigualdade


Embora o texto esteja no FT , para assinantes, fui ler a OXFAM. Nesse artigo Lula, Ramaphosa e Sánchez apoiam a criação de um Painel Internacional sobre a Desigualdade. O termo «emergência da desigualdade» refere-se à crescente disparidade na distribuição de rendimentos e riqueza a nível global, que tem levado a uma maior instabilidade política e a uma diminuição da confiança nos sistemas democráticos. Relatórios recentes indicam que os 1% mais ricos capturaram uma parte significativa da riqueza, enquanto milhares de milhões enfrentam insegurança alimentar, destacando a necessidade urgente de agir para resolver estas questões. A OXFAM desafia este bullying geopolítico e tudo fez na cimeira de G20 em Joanesburgo para colocar na agenda o debate. Aconselho a leitura “G20 Extraordinary Committee of Independent Experts on Global Inequality”, pelo Professor Joseph Stiglitz.

Entre 2000 e 2024, o 1% mais rico captou 41% de toda a nova riqueza criada no mundo, refere o relatório. Ao mesmo tempo, uma em cada quatro pessoas no mundo, cerca de 2,3 mil milhões, enfrenta agora insegurança alimentar moderada ou grave, o que significa que salta refeições com regularidade. Esse número aumentou em 335 milhões desde 2019, acrescenta o relatório.

Recomenda-se no relatório a criação de um novo Painel Internacional sobre Desigualdade para aconselhar os governos sobre como enfrentar o problema, à semelhança do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas, designado pela ONU, que apoia o desenvolvimento de políticas climáticas.

Economistas e especialistas em desigualdade, incluindo galardoados com o Nobel e antigos altos responsáveis do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, afirmam na carta dirigida aos líderes mundiais estar preocupados com o facto de “concentrações extremas de riqueza se traduzirem em concentrações de poder antidemocráticas, a corroer a confiança nas nossas sociedades e a polarizar a política”.

A África do Sul, que acolheu a cimeira do G20 a 22 e 23 de novembro, fez com que a desigualdade global fosse um dos temas centrais, apesar de o próprio país ser classificado pelo Banco Mundial como o mais desigual do mundo.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Dia Mundial da Economia de Energia - A energia mais limpa é a que não se consome


O Dia Mundial da Economia de Energia foi criado em 21 de outubro de 1973, logo após a crise mundial do petróleo que começou nesse mesmo ano. O aumento repentino do preço e a escassez deste recurso essencial despertaram a consciência global sobre a dependência energética e a necessidade urgente de racionalizar o consumo.

Esta data convida-nos a repensar a forma como usamos a energia — em casa, no trabalho e nas cidades — e a adotar hábitos mais eficientes e sustentáveis. Economizar energia não significa apenas gastar menos; significa usar melhor, reduzir desperdícios e proteger o planeta.

Todos sabemos que economizar energia é bom para o planeta. Mas, e para o negócio? Neste Dia Mundial da Economia de Energia, vale a pena lembrar que cada kWh poupado é mais um passo dado para empresas se tornarem mais eficientes, competitivas e até mais inovadoras. Porque inovar também é repensar processos, otimizar recursos, fazer mais com menos. A energia mais limpa é, afinal, a que não se consome.

A verdade é que a eficiência energética deixou de ser apenas uma exigência legal: tornou-se uma alavanca estratégica. Não se trata apenas de instalar tecnologia verde ou de cumprir regulamentos; trata-se de criar uma cultura de consumo consciente. É perceber que cada processo, cada equipamento e cada decisão de investimento podem gerar impacto direto nos resultados da empresa. E essa transformação começa dentro de casa: ao mapear processos, identificar desperdícios e agir de forma proativa, as empresas conseguem produzir mais com menos, reduzir emissões e aumentar a competitividade.

Um exemplo claro desta abordagem é a monitorização em tempo real. Quando conseguimos acompanhar, minuto a minuto, como a energia é consumida, deixamos de reagir a problemas e começamos a preveni-los. Os dados deixam de ser números isolados e transformam-se em decisões inteligentes, traduzindo-se em ação e, consequentemente, em resultados. É aqui que se esconde o verdadeiro valor da eficiência: na capacidade de transformar informação em vantagem concreta.

Outro vetor estratégico é a eletrificação da indústria. Portugal tem dado passos importantes, mas ainda há muito a fazer. A eletrificação só é eficaz se estiver integrada com soluções digitais, energias renováveis e armazenamento. Esta transformação exige visão de longo prazo e um trabalho contínuo de melhoria, um processo incremental, mas consistente, capaz de gerar valor real e sustentável.

Depois, a economia de energia também é um exercício de liderança. Empresas que olham para a eficiência como uma prioridade estratégica não estão apenas a cortar custos: estão a construir resiliência, a reforçar a reputação e a abrir portas para novos investimentos.

No fundo, a mensagem é simples: criar hábitos, investir em soluções inteligentes e integrar a eficiência energética na estratégia do dia a dia não é apenas bom para o planeta, é essencial para as empresas que querem liderar o futuro.

⚡ Algumas ações simples que fazem diferença:
  • Substituir lâmpadas incandescentes por LED.
  • Desligar aparelhos e carregadores da tomada quando não estão em uso.
  • Aproveitar a luz natural e melhorar o isolamento térmico das casas.
  • Optar por transportes sustentáveis.
  • Escolher equipamentos com selo de eficiência energética.

sábado, 11 de outubro de 2025

O truque silencioso dos Bancos para te fazer gastar mais


Os bancos sabem mais sobre ti do que imaginas. Não apenas quanto dinheiro tens mas como e quando o gastas. E é com essa informação que aplicam um truque silencioso, quase invisível, que te leva a gastar mais sem te aperceberes. Mas no que consiste o truque silencioso dos bancos?

Este truque dos bancos não é magia. É psicologia (e dados)
Todos os bancos modernos utilizam sistemas de análise comportamental. Ou seja, algoritmos que estudam os teus hábitos de consumo, horários, tipo de compras e até o humor que transpareces nas tuas transações. Sim, o teu cartão também fala. E é aqui que entra o truque.

Cartões virtuais são seguros? Só se fizeres isto antes da compra!
O “limite invisível” que muda tudo
Quando recebes um aumento automático do limite de crédito ou do plafond do cartão, parece um gesto simpático, certo? Na realidade, é uma jogada calculada.

O banco aumenta ligeiramente o teu limite para dar-te uma falsa sensação de folga financeira. Não é suficiente para parecer excessivo, mas o bastante para te fazer pensar: “posso comprar isto, ainda tenho margem”.

E é assim que pequenas compras, 20€ aqui, 30€ ali, transformam-se em dívidas com juros de 15%, 18%, até 25%.

Os arredondamentos “sem dor”
Outro truque muito comum são os pagamentos automáticos arredondados:
Cada vez que pagas com o cartão, o sistema arredonda o valor para cima e coloca os cêntimos “de lado”, geralmente num fundo de poupança ou numa conta associada.

Parece uma boa ideia e até pode ser mas psicologicamente desliga-te do valor real que estás a gastar. Pagas 19,20€ mas sentes que gastaste “menos de 20€”. Esse “quase nada” repetido dezenas de vezes por mês é o que mantém os lucros constantes dos bancos de retalho.

O atraso calculado das notificações
Já reparaste que às vezes as notificações das tuas compras demoram a chegar? Não é sempre erro da app. Alguns bancos atrasam propositadamente o envio de alertas quando o cliente está a fazer várias transações seguidas.

A ideia é simples: não interromper o fluxo de compras. Se recebes notificações a cada 10 segundos, paras para pensar. Mas se só chegas a casa e vês todas de uma vez, já é tarde  e o cartão já trabalhou por ti.

Como não cair nestas armadilhas
Não há como escapar completamente, mas há formas de contrariar a psicologia do sistema:
  1. Desativa limites automáticos e aumentos “pré-aprovados”.
  2. Vê o teu saldo real, não o “disponível”.
  3. Usa apenas alertas imediatos por SMS ou push.
  4. Evita cartões com pagamento diferido porque mascaram o impacto do gasto.
O segredo é simples: quanto mais consciência tens do que gastas, menos te conseguem influenciar.

domingo, 29 de junho de 2025

Gaza’s Hunger Games - Os jogos da fome de Gaza. Artigo de Chris Hedges


Israel’s weaponization of starvation is how genocides always end. I covered the insidious effects of orchestrated starvation in the Guatemalan Highlands during the genocidal campaign of Gen. Efraín Ríos Montt, the famine in southern Sudan that left a quarter of a million dead — I walked past the frail and skeletal corpses of families lining roadsides — and later during the war in Bosnia when Serbs cut off food supplies to enclaves such as Srebrencia and Goražde.

Starvation was weaponized by the Ottoman Empire to decimate the Armenians. It was used to kill millions of Ukrainians in the Holodomor in 1932 and 1933. It was employed by the Nazis against the Jews in the ghettos in World War II. German soldiers used food, as Israel does, like bait. They offered three kilograms of bread and one kilogram of marmalade to lure desperate families in the Warsaw Ghetto onto transports to the death camps. “There were times when hundreds of people had to wait in line for several days to be ‘deported,’” Marek Edelman writes in “The Ghetto Fights.” “The number of people anxious to obtain the three kilograms of bread was such that the transports, now leaving twice daily with 12,000 people, could not accommodate them all.” And when crowds became unruly, as in Gaza, the German troops fired deadly volleys that ripped through emaciated husks of women, children and the elderly.

This tactic is as old as warfare itself.
The report in the Israeli newspaper Haaretz, that Israeli soldiers are ordered to shoot into crowds of Palestinians at aid hubs, with 580 killed and 4,216 wounded, is not a surprise. It is the predictable denouement of the genocide, the inevitable conclusion to a campaign of mass extermination.

Israel, with its targeted assassinations of at least 1,400 health care workers, hundreds of United Nations (U.N.) workers, journalists, police and even poets and academics, its obliteration of multi-story apartment blocks wiping out dozens of families, its shelling of designated “humanitarian zones” where Palestinians huddle under tents, tarps or in the open air, its systematic targeting of U.N. food distribution centers, bakeries and aid convoys or its sadistic sniper fire that guns down children, long ago illustrated that Palestinians are regarded as vermin worthy only of annihilation.

The blockade of food and humanitarian aid, imposed on Gaza since March 2, is reducing Palestinians to abject dependence. To eat, they must crawl towards their killers and beg. Humiliated, terrified, desperate for a few scraps of food, they are stripped of dignity, autonomy and agency. This is by intent.

Yousef al-Ajouri, 40, explained to Middle East Eye his nightmarish journey to one of four aid hubs set up by the Gaza Humanitarian Foundation (GHF). The hubs are not designed to meet the needs of the Palestinians, who once relied on 400 aid distribution sites, but to lure them from northern Gaza to the south. Israel, which on Sunday again ordered Palestinians to leave northern Gaza, is steadily expanding its annexation of the coastal strip. Palestinians are corralled like livestock into narrow metal chutes at distribution points which are overseen by heavily armed mercenaries. They receive, if they are one of the fortunate few, a small box of food.

Al-Ajouri, who before the genocide was a taxi driver, lives with his wife, seven children and his mother and father in a tent in al-Saraya, near the middle of Gaza City. He set out to an aid hub at Salah al-Din Road near the Netzarim corridor, to find some food for his children, who he said cry constantly “because of how hungry they are.” On the advice of his neighbor in the tent next to him, he dressed in loose clothing “so that I could run and be agile.” He carried a bag for canned and packaged goods because the crush of the crowds meant “no one was able to carry the boxes the aid came in.”

He left at about 9 p.m. with five other men “including an engineer and a teacher,” and “children aged 10 and 12.” They did not take the official route designated by the Israeli army. The massive crowds converging on the aid point along the official route ensure that most never get close enough to receive food. Instead, they walked in the darkness in areas exposed to Israeli gunfire, often having to crawl to avoid being seen.

“As I crawled, I looked over, and to my surprise, saw several women and elderly people taking the same treacherous route as us,” he explained. “At one point, there was a barrage of live gunfire all around me. We hid behind a destroyed building. Anyone who moved or made a noticeable motion was immediately shot by snipers. Next to me was a tall, light-haired young man using the flashlight on his phone to guide him. The others yelled at him to turn it off. Seconds later, he was shot. He collapsed to the ground and lay there bleeding, but no one could help or move him. He died within minutes.”

He passed six bodies along the route who had been shot dead by Israeli soldiers.

Al-Ajouri reached the hub at 2 a.m., the designated time for aid distribution. He saw a green light turned on ahead of him which signaled that aid was about to be distributed. Thousands began to run towards the light, pushing, shoving and trampling each other. He fought his way through the crowd until he reached the aid.

“I started feeling around for the aid boxes and grabbed a bag that felt like rice,” he said. “But just as I did, someone else snatched it from my hands. I tried to hold on, but he threatened to stab me with his knife. Most people there were carrying knives, either to defend themselves or to steal from others. Eventually, I managed to grab four cans of beans, a kilogram of bulgur, and half a kilogram of pasta. Within moments, the boxes were empty. Most of the people there, including women, children and the elderly, got nothing. Some begged others to share. But no one could afford to give up what they managed to get.”

The U.S. contractors and Israeli soldiers overseeing the mayhem laughed and pointed their weapons at the crowd. Some filmed with their phones.

“Minutes later, red smoke grenades were thrown into the air,” he remembered. “Someone told me that it was the signal to evacuate the area. After that, heavy gunfire began. Me, Khalil and a few others headed to al-Awda Hospital in Nuseirat because our friend Wael had injured his hand during the journey. I was shocked by what I saw at the hospital. There were at least 35 martyrs lying dead on the ground in one of the rooms. A doctor told me they had all been brought in that same day. They were each shot in the head or chest while queuing near the aid center. Their families were waiting for them to come home with food and ingredients. Now, they were corpses.”

GHF is a Mossad-funded creation of Israel’s Defense Ministry that contracts with UG Solutions and Safe Reach Solutions, run by former members of the CIA and U.S. Special Forces. GHF is headed by Rev. Johnnie Moore, a far-right Christian Zionist with close ties to Donald Trump and Benjamin Netanyahu. The organization has also contracted anti-Hamas drug-smuggling gangs to provide security at aid sites.

As Chris Gunness, a former spokesperson for the United Nations Relief and Work Agency (UNRWA) told Al Jazeera, GHF is “aid washing,” a way to mask the reality that “people are being starved into submission.”

Israel, along with the U.S. and European countries that provide weapons to sustain the genocide, have chosen to disregard the January 2024 ruling by the International Court of Justice (ICJ) which demanded immediate protection for civilians in Gaza and widespread provision of humanitarian assistance.

Haaretz, in its article headlined “‘It’s a Killing Field’: IDF Soldiers Ordered to Shoot Deliberately at Unarmed Gazans Waiting for Humanitarian Aid” reported that Israeli commanders order soldiers to open fire on crowds to keep them away from aid sites or disperse them.

“The distribution centers typically open for just one hour each morning,” Haaretz writes. “According to officers and soldiers who served in their areas, the IDF fires at people who arrive before opening hours to prevent them from approaching, or again after the centers close, to disperse them. Since some of the shooting incidents occurred at night — ahead of the opening — it’s possible that some civilians couldn't see the boundaries of the designated area.”

“It's a killing field,” one soldier told Haaretz. “Where I was stationed, between one and five people were killed every day. They're treated like a hostile force — no crowd-control measures, no tear gas — just live fire with everything imaginable: heavy machine guns, grenade launchers, mortars. Then, once the center opens, the shooting stops, and they know they can approach. Our form of communication is gunfire.”

“We open fire early in the morning if someone tries to get in line from a few hundred meters away, and sometimes we just charge at them from close range. But there’s no danger to the forces,” the soldier explained, “I’m not aware of a single instance of return fire. There’s no enemy, no weapons.”

He said the deployment at the aid sites is known as “Operation Salted Fish,” a reference to the Israeli name for the children’s game “Red light, green light.” The game was featured in the first episode of the South Korean dystopian thriller Squid Game, in which financially desperate people are killed as they battle each other for money.

Israel has obliterated the civilian and humanitarian infrastructure in Gaza. It has reduced Palestinians, half a million of whom face starvation, into desperate herds. The goal is to break Palestinians, to make them malleable and entice them to leave Gaza, never to return.

There is talk from the Trump White House about a ceasefire. But don’t be fooled. Israel has nothing left to destroy. Its saturation bombing over 20 months has reduced Gaza to a moonscape. Gaza is uninhabitable, a toxic wilderness where Palestinians, living amid broken slabs of concrete and pools of raw sewage, lack food and clean water, fuel, shelter, electricity, medicine and an infrastructure to survive. The final impediment to the annexation of Gaza are the Palestinians themselves. They are the primary target. Starvation is the weapon of choice.

Tradução aqui