sexta-feira, 26 de junho de 2026
Pode HAARP provocar terramotos? Verdade por trás do boato que surge após cada desastre natural
sábado, 9 de maio de 2026
Nick Drake - Pink Moon
sexta-feira, 6 de março de 2026
EUA criticam “políticas agressivas” criadas para enfrentar alterações climáticas
quinta-feira, 12 de junho de 2025
Guerra e violência mantêm 122 milhões deslocados em todo o mundo
quinta-feira, 30 de março de 2023
O projeto português para construir (e doar) casas de bambu no Mianmar
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023
O Movimento 969 e a Ma Ba Tha (Myanmar)
terça-feira, 13 de dezembro de 2022
Let me tell you something- O Estado Global da Democracia
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| Martin Luther King, Jr.- Selma March, 1965 |
quinta-feira, 28 de julho de 2022
O que é que a Zara, a H&M ou o Lidl têm a ver com a brutal ditadura de Myanmar?
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022
Fundamentalismo Budista
- Insegurança económica.
- Legado colonial (sentimento de que a cultura nativa foi suprimida).
- Uso político da religião por governos que buscam uma base de apoio sólida e emocional.
sexta-feira, 20 de agosto de 2021
China: A Convivência Nem Sempre Pacífica Entre Humanos e Elefantes
segunda-feira, 10 de junho de 2019
Quem é o monge conhecido como 'Bin Laden budista'
domingo, 14 de agosto de 2011
Filme - Samsara (2011)

Lançado em 2011, Samsara é uma obra-prima do cinema contemplativo e não narrativo, dirigida pelo renomado diretor de fotografia e realizador Ron Fricke e produzida por Mark Magidson. O filme dá continuidade ao estilo visual revolucionário fundado por Fricke em Koyaanisqatsi (1982) e aperfeiçoado em Baraka (1992). Sem utilizar uma única linha de diálogo, voz off ou personagens com enredo tradicional, o documentário confia inteiramente no poder da imagem, da montagem e do som para construir a sua mensagem. Gravado ao longo de cinco anos em vinte e cinco países, o filme foi capturado em película de 70 milímetros e posteriormente digitalizado em resolução 8K, o que confere a cada fotograma uma profundidade, textura e riqueza de detalhes quase hipnóticas.
A força condutora do filme reside nas suas profundas raízes filosóficas e espirituais. O próprio título, Samsara, é uma palavra em sânscrito presente nas tradições do Budismo, Hinduísmo e Jainismo que se traduz literalmente como "fluxo contínuo" ou "roda da vida". Filosoficamente, o conceito descreve o ciclo ininterrupto de nascimento, vida, morte e renascimento, ao qual todos os seres estão presos até alcançarem a iluminação ou a libertação (Moksha ou Nirvana). Ao adotar essa premissa, o filme não busca contar uma história linear, mas sim revelar o ritmo e as contradições desse ciclo na Terra, espelhando a transitoriedade de todas as coisas - desde as paisagens geológicas ancestrais até às criações do homem moderno.
Ao longo de noventa minutos, o filme explora a dualidade da condição humana através de justaposições visuais provocatórias. Inspirando-se no conceito budista da impermanência (Anicca), a câmara de Ron Fricke guia o espectador por uma meditação visual sobre o belo e o grotesco, o sagrado e o profano. Numa sequência, testemunhamos rituais espirituais ancestrais, como a criação meticulosa de um mandala de areia por monges tibetanos ou a grandiosa peregrinação de milhões de fiéis ao redor da Kaaba em Meca. Logo a seguir, somos confrontados com a escala esmagadora do consumo moderno: linhas de montagem automatizadas na Ásia, o processamento industrial de alimentos, os gigantescos aterros de lixo eletrónico e as megacidades que nunca dormem.
Essa alternância reflete uma crítica filosófica ao modo como a humanidade se desligou dos ritmos naturais ao criar a sua própria "roda mecânica" de produção e consumo. Há também uma clara influência da fenomenologia e da filosofia da perceção, pois o filme não impõe uma interpretação fechada. Ao olhar diretamente para os rostos das pessoas retratadas - desde operários de fábrica e dançarinos a presidiários e tribos indígenas -, a câmara exige uma conexão empática e interior por parte de quem assiste, fazendo do próprio espectador o narrador da obra.
O elo que une estas imagens e ideias é a sua banda sonora envolvente, composta por Michael Stearns, Lisa Gerrard (vocalista dos Dead Can Dance) e Marcello De Francisci. A música atua como o coração emocional e o motor narrativo do filme. Ela alterna entre cânticos étnicos profundos, texturas ambientais meditativas e arranjos orquestrais e industriais tensos. O som não serve apenas como fundo, mas sim como o sopro vital que conecta cada corte visual, elevando a experiência de um mero espetáculo fotográfico para uma verdadeira jornada espiritual e reflexiva sobre o nosso papel na teia da vida.
Quais foram os principais locais e países onde o documentário Samsara foi filmado?
O documentário Samsara é uma das produções mais ambiciosas e geograficamente abrangentes do cinema moderno, tendo sido rodado ao longo de cinco anos em mais de cem localizações espalhadas por vinte e cinco países e cinco continentes. Na África, a câmara de Ron Fricke capturou a imponência histórica do Egipto através das Pirâmides de Gizé, da Esfinge e da Mesquita do Sultão Hassan no Cairo, ao mesmo tempo que retratou as tradições da tribo Mursi no Vale do Omo, na Etiópia, a arquitetura de barro da Grande Mesquita de Djenné, no Mali, e os invulgares caixões personalizados em Acra, no Gana. A passagem pelo continente africano destaca ainda a transição entre o natural e o abandonado, evidente nas imponentes dunas de Sossusvlei e na cidade-fantasma de Kolmanskop, na Namíbia, onde o deserto recupera o seu espaço entre antigas construções humanas.




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