quinta-feira, 26 de maio de 2022

A Seca Ameaça Grande Parte do Planeta


Este ano a seca volta a preocupar Portugal, em especial o setor agrícola. Tecnicamente, a seca consiste numa anomalia transitória, mais ou menos prolongada, caracterizada por um período de tempo com valores de precipitação inferiores ao normal numa certa área, sendo causa inicial a escassa precipitação (seca meteorológica), e resultando numa insuficiência de recursos hídricos para suprir a procura (seca hidrológica). Reconhece-se ainda a seca agrícola, entendida como um défice de humidade para satisfazer as necessidades específicas de uma cultura.

As projeções climáticas regionalizadas para a Península Ibérica, revelam uma diminuição da quantidade de precipitação e do número de dias chuvosos, bem como um aumento da duração dos períodos de seca. Pelo contrário, não há sinais de alteração significativa das chuvas fortes. Ou seja, observamos uma tendência para menos chuva, mas não para que os episódios de chuva severa sejam reduzidos.

Os modelos climáticos regionais são agora mais eficientes na simulação da temperatura e extremos hidrológicos, incluindo a intensidade de fortes eventos de chuva e extremos quentes e frios. Os modelos podem agora simular bem as secas, particularmente à escala sazonal, e as projeções de duração e frequência da seca estão a tornar-se mais consistentes em muitas regiões, embora as alterações regionais das chuvas médias continuem a ser incertas. Temos, portanto, mais recursos para uma melhor gestão nacional e regional dos recursos hídricos. 

Sabemos que as crises de qualidade e quantidade da água estão intimamente associadas às alterações climáticas. Um relatório divulgado em Abril pela ONU - The Global Land Outlook - refere que, em apenas vinte anos, a duração dos episódios de seca aumentou 29%. Do conjunto de impactos físicos, humanos e sociais relacionados com o aquecimento global, este é provavelmente o que tem maior expressão. De acordo com o relatório apresentado no âmbito da sessão da Conferência das Partes (COP15) da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, mais de um terço da população mundial será afetada pela seca este ano. Urge planear e preparar os recursos possíveis para mitigar os efeitos de um fenómeno que se está claramente a agravar.

A seca poderá obrigar à deslocação de 700 milhões de pessoas até 2030. Na década seguinte, admite-se que uma em cada quatro crianças viverá numa região onde os recursos hídricos disponíveis serão extremamente reduzidos. Os cenários para 2050 sustentam que as secas afetarão três quartos da humanidade. "Entre 4,8 e 5,7 mil milhões de pessoas viverão em território com défice de água por um período de pelo menos um mês por ano", segundo o relatório da ONU. Os países do hemisfério norte não estão mais seguros. "Se o aquecimento global atingir os 3oC até 2100, as perdas pela seca podem ser cinco vezes mais elevadas do que na atualidade, com o maior aumento nas regiões mediterrânicas e atlânticas da Europa", alerta o relatório. 

Uma abordagem às alterações climáticas que reconheça a importância da água pode combater tanto as causas como os impactos das alterações climáticas. Combinar estratégias de adaptação e mitigação das alterações climáticas com especial enfoque na água, poderá beneficiar a gestão global dos recursos hídricos, incluindo a redução do risco de desastres, e melhorará a disponibilidade de água.

Helena Freitas, Diário de Coimbra, 24.05.2022

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“Lucrar com a dor”: Oxfam lança relatório sobre riqueza acumulada na pandemia

Durante a pandemia surgiu um novo multimilionário a cada 30 horas. Este ano, a cada 33 horas, houve um milhão de pessoas a passar à situação de risco de pobreza extrema. O relatório da Oxfam defende a taxação da riqueza dos multimilionários dos setores que mais lucraram com a pandemia e a atual crise energética e alimentar.


Esta segunda-feira a Oxfam publicou um relatório intitulado “Lucrar com a dor” onde avança dados sobre o nível de riqueza dos multimilionários dos setores que mais lucraram com a pandemia e agora com o aumento dos preços da energia e do setor alimentar.

De acordo com dados da Forbes, desde 2020 existem mais 573 multimilionários, perfazendo atualmente um total de 2.668. Se em 2000 a sua riqueza correspondia a 4,4% do PIB global, agora representa 13,9%. Os 10 homens mais ricos detêm uma riqueza maior do que os 40% da população mundial mais pobre e os 20 mais ricos totalizam uma fortuna maior do que o PIB da África subsariana.

Ao mesmo tempo, com a combinação das várias crises desde 2020, este ano mais de 263 milhões de pessoas podem experienciar um nível de pobreza extrema. A Oxfam faz um cálculo interessante: isto quer dizer que a cada 33 horas mais 1 milhão de pessoas está em risco de pobreza e, em média, desde 2020 que um novo multimilionário surge a cada 30 horas. Esta é provavelmente a imagem mais clara que o relatório nos dá: ao mesmo tempo que um novo multimilionário ascende, um milhão de pessoas confronta-se com pobreza extrema.

As várias faces da desigualdade

Para além dos diferentes níveis de acumulação da riqueza, a Oxfam recolhe dados para descrever a desigualdade enquanto fenómeno multidimensional.

Um aspeto gritante é a discrepância entre níveis de rendimento - por exemplo, em média, levaria a uma pessoa nos 50% mais pobres 112 anos a receber o que alguém nos 1% mais ricos aufere num ano. Com a pandemia, este fosso agravou-se: o rendimento de 99% da população mundial decresceu, equivalendo a 125 milhões de postos de trabalho a tempo inteiro perdidos.

Depois, a pobreza e as dificuldades de acesso ao mercado de trabalho são particularmente mais graves para as mulheres e os grupos racializados sofreram mais com a pandemia. Em 2020, era 1,4 vezes mais provável uma mulher perder o seu emprego e estaria três vezes mais incumbida de trabalho não pago. Já em 2021, comparando com 2019, enquanto havia menos 13 milhões de mulheres empregadas, o emprego masculino tinha recuperado para os níveis anteriores.

As condições de saúde em si são outro fator de desigualdade. A esperança de vida é cerca de 16 anos maior em países de elevado rendimento do que naqueles de baixo rendimento e, como resultado da pandemia, morreram quatro vezes mais pessoas no segundo grupo.

Por fim, a Oxfam salienta que a pandemia reverteu a tendência de convergência entre os dois grupos de países e que, para os países de baixo rendimento, o peso da dívida externa impede os governos de investir em serviços públicos de saúde.

Multinacionais lucraram com a pandemia

Os últimos dois anos, primeiro pelo surto da Covid-19 e depois pelo aumento dos preços da energia e do setor alimentar, reforçado com a guerra na Ucrânia, mostraram-se particularmente proveitosos para quatro setores: farmacêutico, alimentar, energético e tecnológico. Todos eles são áreas caracterizadas por uma grande concentração de mercado, funcionando por oligopólios.

O setor alimentar e o agronegócio, ao mesmo tempo que escala o receio de uma crise alimentar global, aumentou a sua riqueza em 382 mil milhões de dólares nos últimos dois anos, isto é, em 45%. Neste período apareceram 62 novos multimilionários e duas famílias merecem particular destaque - Cargill, detentora da gigante agroalimentar homónima, e os Walton, donos da cadeia de supermercados Wallmart. Os dois grupos registaram lucros avultados e distribuíram grande parte destes em dividendos aos seus acionistas.

Os lucros marginais das grandes petrolíferas quase duplicaram durante a pandemia enquanto se estima que o custo da energia deve aumentar em 50% em 2022. Nos últimos dois anos, a riqueza dos multimilionários no setor do petróleo, gás e carvão aumentou em 53,3 mil milhões de dólares, isto é 24%. Só a BP, Shell, TotalEnergies, Exxon e Chevron, cinco das maiores energéticas, estão a obter, juntas, lucros de 2.600 dólares a cada segundo.

Com a pandemia, as empresas farmacêuticas lucraram extensivamente com o desenvolvimento de vacinas, tratamentos, testes e máscaras, com especial destaque para os grupos Moderna e Pfizer. 40 novos multimilionários surgiram neste setor e as duas gigantes, apenas com a vacina, estão a lucrar 1.000 dólares por segundo. A Oxfam nota que estes lucros são largamente explicados por as duas farmacêuticas cobrarem aos governos até 24 vezes mais do que o custo potencial da produção genérica e por o desenvolvimento das vacinas ter sido amplamente apoiado por investimentos públicos. Mais, o setor farmacêutico é conhecido por recorrer a práticas fiscais agressivas e usufruir de paraísos fiscais.

Quanto ao setor tecnológico, parece ser o mais lucrativo e com maior grau de concentração. Cinco dos 21 maiores grupos económicos são gigantes tecnológicos: Apple, Microsoft, Tesla, Amazon e Alphabet. Estas juntas lucraram no ano passado 271 mil milhões de dólares, quase o dobro do que registaram em 2019.

Tributação de lucros extraordinários e da riqueza como solução

A Oxfam sugere três medidas para responder a estes níveis de desigualdade. Primeiro, um imposto sobre os lucros extraordinários dos maiores grupos multinacionais, em linha com as recomendações da Comissão Europeia, da OCDE e do FMI de tributar os lucros excecionais das energéticas para estancar o aumento galopante dos preços da energia.

A Oxfam propõe um imposto de 90% sobre lucros extraordinários, de forma temporária e transversal a todos os setores. Em setembro de 2020, estimava que um imposto deste género sobre as 32 empresas mais lucrativas durante a pandemia teria gerado uma receita de 104 mil milhões de dólares.

Segundo, impostos de solidariedade pontuais de 99% sobre a riqueza dos novos multimilionários para ajudar a população a enfrentar o aumento do custo de vida. Este tipo de impostos de solidariedade já foram reconhecidos pela OCDE e pelo FMI como opções económicas a considerar. A Argentina, por exemplo, adotou este tipo de medida como forma de financiamento no início da pandemia.

Terceiro, e por último, um imposto permanente sobre a riqueza como forma de equilibrar o tratamento fiscal do trabalho face ao capital. A Oxfam sugere que um imposto progressivo sobre riqueza pessoal de 2% a partir de 5 milhões de dólares, 3% acima de 50 milhões e 5% acima de mil milhões, geraria 2,52 biliões de dólares mundialmente. Este nível de receita tiraria 2,3 mil milhões da pobreza, cobriria a produção de vacinas de Covid-19 mundialmente e garantiria proteção social para a população dos países de baixo e médio-baixo rendimento.

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AGRICULTURA E DESFLORESTAÇÃO – QUE RELAÇÃO?

Tanto a desflorestação como a degradação florestal estão a ocorrer a um ritmo alarmante, agravando as alterações climáticas e a perda de biodiversidade. A expansão das áreas de produção agrícola de matérias-primas, mercadorias ou também chamadas commodities – como o gado bovino, a madeira, o óleo de palma, a soja, o cacau e o café – é o principal motor da desflorestação e a degradação florestal.

Em 2017, a União Europeia (UE) foi um dos maiores blocos consumidores de commodities associadas à desflorestação e à degradação das florestas, responsável por 16% da desflorestação associada ao comércio internacional, num total de 203.000 hectares.

PORTUGAL TAMBÉM É RESPONSÁVEL PELA DESFLORESTAÇÃO NA AMAZÓNIA?

Em Portugal, a pecuária intensiva é o principal motor da desflorestação causada pelas importações, sobretudo ligada à produção de matérias-primas para a alimentação animal como a soja e o milho. A maior parte da soja importada vem do Brasil, onde os grandes campos de soja estão ligados à destruição da Amazónia e de biomassa importantes como o Cerrado e o Pantanal. O agronegócio da soja está também ligado a violações de Direitos Humanos através da apropriação de terras e recursos naturais a comunidades locais.

A importação de mercadorias de países com fraca regulamentação ou controlo dos agroquímicos utilizados na sua produção também aumentam o risco para a saúde pública, sempre que entrem na cadeia alimentar, algo que já se está a verificar.

Portugal emitiu uma exceção à entrada de milho para alimentação animal com limites máximos de resíduos de pesticidas acima do permitido na UE (Despacho nº 28/2022 da DGAV), derivado das necessidades sobretudo da pecuária industrial que vêem o fornecimento a partir da Ucrânia em risco, devido ao atual contexto. A importação desta mercadoria deverá ser reforçada junto de países Sul Americanos, como a Argentina e o Brasil, onde a sua produção poderá estar ligada à desflorestação, degradação de biomas de alto valor e violações dos Direitos Humanos.

Estas matérias-primas estão nos produtos que consumimos diariamente, no entanto desconhecemos os impactes dos produtos disponíveis nos nossos locais de compra. O que compramos contribuir de forma direta ou indireta para a desflorestação? Quanto custa realmente aquilo que consumimos? (ou quais os custos escondidos daquilo que consumimos).

REGULAMENTO DA UE PARA PRODUTOS SEM DESFLORESTAÇÃO

A Comissão Europeia (CE) apresentou uma proposta de regulamento, a 17 de novembro de 2021, com o objetivo de garantir que as cadeias de abastecimento Europeias não causam desflorestação e degradação das florestas.

O regulamento para produtos livres de desflorestação proposto pela CE assume um caminho de transparência e de responsabilização de toda a cadeia de abastecimento, para que se torne cada vez mais difícil a circulação de mercadorias ligadas à desflorestação ou à degradação de ecossistemas florestais. No entanto, algumas definições vagas e aspetos pouco claros podem enfraquecer o regulamento e deixá-lo vulnerável a emendas que comprometam a sua eficácia, tais como:
  • As isenções para empresas, resultantes de uma definição excessivamente abrangente de pequenas e médias empresas (PME), podem deixar de fora cadeias importadoras.
  • A falta de responsabilização do setor financeiro permitirá que se continue a financiar a destruição de florestas tropicais.
  • Mercadorias como a borracha e o milho, a par de outros ecossistemas para além das florestas, já deveriam estar incluídos na primeira versão do regulamento, caso contrário resultarão danos evitáveis e um atraso considerável na concretização dos objetivos do diploma.
  • Não estão devidamente acautelados mecanismos de recurso à justiça em caso de violação dos Direitos Humanos e outros direitos.
O sucesso deste regulamento vai, pois, depender do empenho e ambição dos Estados-Membros, crucial durante a discussão ao longo dos próximos meses. Assegure-se que a sua opinião é representada!

quarta-feira, 25 de maio de 2022

Personalidades lançam manifesto para honrar vida e obra de Gonçalo Ribeiro Telles


O documento, subscrito por personalidades como Elísio Summavielle, Viriato Soromenho Marques, Luísa Schmidt, Helena Roseta, Isabel do Carmo, Fernando Nunes da Silva, José Sá Fernandes e Francisco Ferreira, entre outros, lançado por ocasião do centenário do nascimento de Ribeiro Telles, pretende honrar "a resistência à destruição dos espaços naturais e da sua cultura e a aposta na identidade humana com a Terra".

Explicando a motivação que deu origem a esta iniciativa, a comissão ad-hoc, que conta, entre outros, com nomes como António Eloy, coordenador do Observatório Ibérico de Energia, Aurora Carapinha e Margarida Cancela de Abreu, arquitetas paisagistas, e José Carlos Costa Marques, distinguido em 2009 com o Prémio Nacional de Ambiente Fernando Pereira, defende que se "continuar a pôr em prática" o espírito de Ribeiro Telles.

"Numa altura em que as políticas públicas se alinham em contradição com o que ele sempre defendeu, arrastando a desorganização do território, a destruição da biodiversidade, a destruição da paisagem enquanto valor cultural e identitário, e as lógicas de um desenvolvimento contra o ambiente e a sustentabilidade, apesar de embrulhadas num discurso «verde»", escrevem.

"Honramos, em Gonçalo Ribeiro Telles, no centenário do seu nascimento, o Professor, o Arquiteto Paisagista, o homem político, o defensor do mundo rural, e da cidade entendida como o enlace da sociedade e da natureza, e não como puro artifício", acrescentam.

No documento, defendem que honrar Gonçalo Ribeiro Telles "é defender o municipalismo como forma de organização cívica e de respeito pela história, em vez da artificialização e centralização administrativa constantes".

"É pugnar pela centralidade do solo, da sua proteção, conservação e regeneração. É agir sempre com base no respeito consequente pelas áreas protegidas, valores naturais, ecossistemas e biodiversidade", sublinham.

Os subscritores defendem ainda que honrar Ribeiro Telles "é defender o ar, a água e o solo como fontes primaciais da vida. É defender políticas agro-pastoris-florestais coerentes".

"É entender e atuar na paisagem enquanto sistema vivo, resultante da união íntima entre ecologia e cultura, respeitando a memória biofísica e antropológica que a configura", defendem, acrescentando: "É acreditar que a paisagem é uma realidade fundadora da qualidade de vida das comunidades".

Cientistas de Coimbra desenvolvem novo material que pode substituir o plástico


Uma equipa de investigadores liderada pela Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu um substituto do plástico a partir de nanocelulose combinada com um mineral fibroso, totalmente biodegradável e biocompatível.

Em nota de imprensa enviada à agência Lusa, a UC afirmou que o novo material tem várias aplicações, desde logo “embalagens alimentares e impressões eletrónicas, abrindo portas à fabricação de plásticos mais sustentáveis”.

Segundo o comunicado, o novo material foi desenvolvido ao longo dos últimos três anos, em parceria com o Instituto Politécnico de Tomar (IPT) e a Universidade da Beira Interior (UBI), contando ainda com a colaboração da empresa espanhola TOLSA.

Esta nova solução ecológica, “que, na prática, se traduz numa nova classe de filmes compósitos”, foi produzida a partir de nanocelulose, “obtida através de processos mecânicos, químicos e enzimáticos, combinada com um mineral fibroso, um recurso geológico que permite a redução de custos e a melhoria de propriedades mecânicas e de barreira muito importantes”.

Citados no comunicado, José Gamelas e Luís Alves, respetivamente coordenador do projeto e investigador principal do estudo, explicaram que as propriedades mecânicas derivam de os filmes “terem de ser resistentes”, enquanto as de barreira estão relacionadas com a impermeabilidade aos gases [dos filmes] , ou seja, resistência ao ambiente”.

Segundo os dois investigadores do Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta (CIEPQPF) da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC), “a grande inovação” deste novo substituto do plástico é o uso de minerais fibrosos, “que não têm qualquer risco para a saúde, e também a preparação dos filmes por filtração, o que acelera muito o processo de produção”.

“Por exemplo, com o processo convencional pode durar uma semana até se obter os filmes, enquanto através do método por filtração conseguimos ter os mesmos filmes em poucas horas e com melhores propriedades”, garantiram.

Até agora, os resultados obtidos na investigação “são altamente promissores, demonstrando que esta pode ser uma solução de futuro viável. Aumentar a escala de produção, otimizar processos e explorar as propriedades destes filmes para outras aplicações, nomeadamente para restauro de livros antigos, serão os próximos passos do projeto”, revelaram José Gamelas e Luís Alves.

“Embora o projeto tenha sido pensado para embalagens alimentares e eletrónica impressa, há muitas outras aplicações que podem beneficiar desta solução, tais como a conservação/restauro de documentos importantes em suporte de papel que tenham problemas de degradação com o envelhecimento”, acrescentaram.

Os dois cientistas lembraram ainda que utilização massiva de plásticos e a “incapacidade de fazer uma reciclagem apropriada é cada vez mais um tema de grande importância na sociedade contemporânea”.

“Por isso, é fundamental a procura de novos materiais produzidos a partir de recursos não fósseis, isto é, de recursos renováveis, para reduzir o uso do plástico”, defenderam.

A investigação foi desenvolvida no âmbito do projeto “FilCNF: Nova geração de filmes compósitos de nanofibrilas de celulose e partículas minerais como materiais de elevada resistência mecânica e propriedades de barreira a gases”, financiado em 190 mil euros pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

Saiba mais:

Nanotechnology-enabled genetically engineered RNA interference pesticides: socioeconomic context, modes of action and risks




Watch a recording of a presentation delivered by IATP's Dr. Steve Suppan above titled "Nano-enabled RNAi based pesticides: Modes of Action, risks and regulation."

The development of and investment in nanotechnology-enabled pesticides is a new phase in the effort to fight against weed and pest resistance. Some of these pesticides are in an advanced state of product development and a few are near commercialization. Therefore, an introduction to how these products work (Modes of Action) and their risks is timely. (The benefits claimed for these pesticides are widely publicized by their developers and so are mentioned only in passing here.)

Socioeconomic context

This scientific battle against resistance particularly concerns plants that are genetically engineered (GE) to resist proprietary pesticides and to enable continuation of current extensive monocropping practices that incubate resistance.1 In our November 22, 2021 presentation for a webinar co-organized by the Brazilian Research Network on Nanotechnology Society and Environment (Renanosoma), we showed a photo of a weed scientist standing in a soybean field overgrown with weeds nearly as tall as him. The weed scientist referred to the dramatic increase in the number of herbicide-resistant weed types, forecast to begin as early as 2024, as a Pandora’s Box, a reference to an ancient mythical source of all the evils plaguing the world. A creative headline writer characterized the new nano-enabled GE pesticides developed to prevent further U.S. weed resistance plaguing soy, maize and other crops2 as “Breaking Pandora’s Box.”

Of course, the increased scope and efficacy of weed resistance is not limited to the United States. Weed scientists have documented a sharp increase in weed resistance in Brazil correlated with the introduction of a very high percentage of GE maize, cotton and soybean crops. The same researchers have charted a boom in the number of unique cases of herbicide resistant weeds. Seventeen of 51 weed types are resistant to multiple herbicides. The chart characterizes a “pre-glyphosate era” ending in 2005 with a “post-glyphosate era” of herbicide resistant weeds.3 Because of the economic losses associated with crop yield losses and the costs of more numerous applications of herbicides to more hectares of herbicide resistant GE crops, governments, universities, start-up companies in GE research and pesticide manufacturers have invested public funds and private capital to “Break Pandora’s Box.”

Another important incentive for new pesticide products is government granted patents that confer monopoly rights to commercialize the patented products. Start-ups usually sell active ingredient (AI) and/or related technology patents to a pesticide manufacturer for subsequent incorporation into a patented herbicide, insecticide or fungicide. An agribusiness reporter’s analysis of the value of AI patents scheduled to expire in 2020 estimated the worth of the patents at $4 billion4 of an estimated $68 billion global agrichemical market value in 2020.5 A lot of money is at stake, beyond the value of crops losses, in developing a technology that will “Break Pandora’s Box.”

Three technology types to break a Pandora’s Box of increasing resistance

Pesticide product developers have offered three ways to defeat weed resistance to the GE crop and proprietary pesticide technology package: 
1) apply herbicides more toxic than glyphosate to crops engineered to resist those herbicides; 
2) coat existing AIs with patented nanoscale material coatings to better control the pace of the AI release and in theory reduce the rate of weed resistance; 
3) develop new AIs, also nano-enabled, to “silence” the genomic sequences of the weeds or other pests that are vital for their survival. We’ll discuss the first two technologies proposed to “Break Pandora’s Box” very briefly before focusing on the third nano-enabled GE RNA interference pesticides.

One response to the increasing failure of glyphosate to control weeds in GE crops designed for glyphosate use is a revival in the use of more toxic pesticides, such as dicamba, and the development of new GE crops, above all soy and maize, designed to withstand dicamba applications. However, dicamba is a highly volatile herbicide whose drift has damaged hundreds of thousands of U.S. hectares of horticulture plants and trees not genetically engineered for dicamba. Lawsuits to obtain compensation for dicamba damages continue to grow in scale and number.6 The U.S. Environmental Protection Agency has been sued for allowing dicamba to be commercialized despite what was known about the herbicide’s drift damage when used according to manufacturer instructions.7

Weed scientists at the Brazilian Agribusiness Research Corporation (EMBRAPA) have run test plot studies to estimate how much damage would be caused by dicamba to Brazil’s huge soybean crop, including GE soy designed to resist pesticides other than dicamba.8 These scientists conclude, “A 1% dicamba drift in tropical conditions reduces soybean yield by 12%.” This yield reduction, from dicamba sprayed by farm workers on the ground, would increase over time as weeds in soybean fields became resistant to dicamba. (Pesticide toxicity to farmworkers is discussed briefly at the end of this article.)

A second response to the “Pandora’s Box” of weed resistance to herbicides has been to coat the AIs of current herbicides with nano-scale materials, usually chemically inert nano-clays or nano-composite materials, to control the release rate of AIs and to enable them to penetrate more efficiently weed plant cells, which macro-scale herbicide droplets cannot do. The result is a higher kill rate while using less volume of AI. Embrapa is also engaged in this research, with scientists claiming that nanotechnology-enabled pesticide products will reduce the volume of pesticides applied and in so doing, cause less damage to the environment adjacent to the nano-pesticide sprayed cropland.9

Lessons learned in nano-coating current AIs have been applied to the development of nano-enabled GE RNA interference (i) pesticides. Oddly, the properties of nanomaterials in this new generation of pesticides have received relatively little risk analysis, compared to that received by the CRISPR Cas9 and other GE techniques used to modify RNAi to target specific weed and insect pests.

First, we’ll briefly discuss risks associated with the application of CRISPR Cas9 applied to plants. We’ll summarize the Mode of Action (MoA) of GE RNAi to turn off or “silence” genes in genomic sequences of weeds and insects that are vital for expressing proteins necessary for the targeted pests’ survival. Among the off-target mutations of the CRISPR Cas9 techniques are those in plants and animals surrounding the crops not engineered to resist the new AI, GE RNAi. We review risks associated with those mutations and other risks, including to farmworkers, enabled by the nano-coatings necessary to stabilize and protect the GE RNAi, making it an applicable pesticide.

The role of CRISPR Cas9 GE technique in nano-enabled RNAi pesticide

The idealized image of CRISPR Cas9 is of the Cas9 “scissors,” an enzyme, cutting a genome sequence, with the cut neatly repaired by an RNA messenger (mRNA) “thread,” guided by the data of a genomic library.10 Messenger RNA is defined as “a single-stranded RNA molecule that is complementary to one of the DNA strands of a gene.”11 (mRNA is used in the manufacture of vaccines, including some anti-SARS CoV-2 vaccines.) RNAi is a double stranded RNA molecule designed to suppress in the targeted genomic sequence genes critical for a pest’s survival. The ideal result of GE techniques is a neatly modified sequence that produces only the genetic mutations and corresponding traits informed by the data library.

In practice, however, the use of CRISPR Cas9 can result in hundreds of unintended mutations when the selection of genomic data to guide the mRNA repair is erroneous.12 As a result, the Cas9 “scissors” cuts in the wrong places in the DNA sequence, and the mRNA makes its repair at an erroneous site. Some of these unintended mutations can express harmful traits, while other traits are beneficial or benign. The genetic engineering of naturally occurring RNAi to silence genes in targeted weeds and other pests can likewise result in unintended mutations in the targeted weeds.

A Friends of the Earth (U.S.) report explains, “Developers of RNAi pesticides aim to exploit naturally existing RNAi pathways in plants, animals, and fungi by manufacturing synthetic interfering RNAs of a particular sequence in order to silence a specific gene or genes.”13 The report’s authors continue: “The interfering RNA and a target messenger RNA bind as they share a sequence that is matching or like each other. The messenger RNA is then cleaved and destroyed. No protein is produced, resulting in ‘interference’ of gene expression, also known as ‘gene silencing.”14 If the sequence deleted is large enough to change the structure of the plant, the RNA interference may be heritable from one generation of the target plant to the next. The RNA interference can also affect non-targeted plants if their gene deleted sequences are similar enough to bind with the sequences of non-target plants.15

Some of the risks associated with the GE risks of RNAi pesticides are as follows: erroneous and on-target gene silencing express unwanted traits; long deletions may result in undesirable heritable traits; altered plant genetic composition may result in allergenicity, increased toxicity, changes in nutritional composition; unwanted immunostimulatory effects can reduce white blood cell count in humans and non-target organisms throughout the food chains.16 These risks do not include those associated with the fate and transport of nano-scale materials that coat RNAi, stabilizing it and preventing its destruction by ultra-violate light rays. RNAi would not be an AI without the protective nanomaterials that enable both the RNAi’s survival and its efficacy in killing pests. Risks specific to these nanomaterials are described in the next section.


Downloadable Materials


Download the PDF of the full article on nanotechnology-enabled genetically engineered RNA interference pesticides.

terça-feira, 24 de maio de 2022

Químicos tóxicos na agricultura europeia: a “fruta proibida" continua a cair no nosso prato


O uso de químicos tóxicos na agricultura europeia continua a aumentar em vez de diminuir, alerta um estudo divulgado esta terça-feira pela PAN Europa (Pesticide Action Network – uma rede de organizações não governamentais e instituições que trabalha para minimizar os efeitos negativos dos pesticidas perigosos.

O objetivo da Estratégia Europeia “Do Prado ao Prato” e do Pacto Ecológico Europeu é conseguir reduzir em 50% o uso de pesticidas na agricultura até 2030, mas tal ambição está longe de ser aprovada e aplicada. E, ao contrário do recomendado, várias substâncias químicas usadas em pesticidas, herbicidas, inseticidas e fungicidas — que já deveriam ter sido substituídas — continuam a ser usadas na fruta e vegetais que chegam aos supermercados e às nossas casas.

“Este relatório e as suas conclusões contradizem as declarações oficiais de que o uso de pesticidas tóxicos está a diminuir e que os níveis encontrados se encontram dentro dos limites aceitáveis”, lê-se na introdução ao estudo, que também aponta o dedo aos Estados-membros e à Comissão Europeia por “fracassarem na aplicação do regulamento e na proteção dos consumidores”.

Apesar de a União Europeia afirmar que houve uma redução de 12% no uso das 55 substâncias químicas listadas para substituição, um relatório da Comissão Europeia de 2019 dá conta que o prometido “phasing out” (desde 2011) não aconteceu. De acordo com o estudo da PAN Europa, em vez de diminuir, a taxa de uso aumentou 8,8% em nove anos.

Maçãs, Pêssegos, Peras e Cerejas na Lista

Com base na análise de mais de 97 mil amostras de fruta fresca cultivada na Europa, e em dados oficiais dos 27 Estados-membros, o estudo – "Forbidden Fruit” – revela que, em 2019, perto de um terço da fruta continuava a revelar resíduos de pelo menos um dos 32 piores químicos ainda autorizados na União Europeia, que estudos científicos apontam como sendo desreguladores endócrinos, substâncias persistentes, bioacumuláveis e tóxicas estando associados a problemas de fertilidade ou cancerígenos.

Entre estes constam o fungicida “Ziram” (associado a disrupções endócrinas); o insecticida “Pirimicarb” (suspeito de efeitos carcinogénicos), o fungicida “Metconazole” (potenciais efeitos no sistema reprodutor humano). E a PAN Europa quer vê-los banidos rapidamente e para isso está agora a iniciar uma nova campanha nesse sentido.

Entre a fruta analisada, constataram que metade das amostras de cerejas continham mais 152% das substâncias comparadas com as amostras de 2011; um terço das maçãs revelavam mais 117%; e metade das peras e dos pêssegos, respetivamente, mais 103% e 52%.

Já no campo dos vegetais, o aipo, a salsa e as couves revelaram menor contaminação, mas, mesmo assim, houve um aumento de 19% em comparação a 2011.

Entre os países com mais amostras de fruta e legumes contaminados ao fim destes nove anos de análises, destacavam-se a Bélgica (34%), a Irlanda (26%), a França (22%), a Itália (21%) e a Alemanha (20%).

O Caso Português
Apesar de estar fora deste “top 5”, Portugal também usa estas substâncias nocivas. Os investigadores da PAN Europa verificaram que 85% das amostras de peras e 58% das de maçãs produzidas em Portugal continham resíduos dos químicos da lista.

“Estas substâncias deviam estar a ser substituídas, mas isso não está a acontecer em Portugal nem noutros países”, frisa Pedro Horta, da associação Zero. O ambientalista lembra que “o regulamento europeu impõe um procedimento de aprovação dos produtos que contêm estas substâncias que leve à ponderação de alternativas de substituição, sejam de luta química através de substâncias menos preocupantes ou de práticas de prevenção e/ou controlo dos problemas sanitários que o pesticida pretende resolver”. Porém, diz, “segundo a DGAV nenhuma substituição por alternativas foi feita”.

A Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) confirma-o em carta enviada à Zero no início de maio – e à qual o Expresso teve acesso – referindo que “até à data não foi possível proceder à substituição de produtos fitofarmacêuticos contendo CpS [substâncias ativas candidatas para substituição]”. Entre as razões apresentadas pela DGAV estão: “a falta de alternativas visando uma adequada gestão de resistência dos inimigos”; ou o facto de “o produto ser importante tendo em conta os usos menores para os quais se encontra autorizado”.

Em Portugal estão autorizadas 45 das 55 substâncias que deviam estar em “phasing out” na UE.

Armando Torres Paulo, presidente da Associação Nacional de Produtores de Pera Rocha garante que “os produtores nacionais cumprem os regulamentos europeus e não há qualquer problema com o uso dos pesticidas”. E diz que “houve uma redução significativa nos últimos 10 anos”, mas que "a indústria ainda não encontrou alternativas” aos pesticidas usados e os produtores também não.

Pedro Horta aconselha os consumidores a “comprarem fruta local e da época ou produzida em modo biológico”. O mesmo aconselha a diretora de campanha Salomé Roynel: “Comprem produtos biológicos, sobretudo se estiverem grávidas ou a alimentar crianças, para reduzir o risco”. E lembra que “o risco de comer fruta contaminada com pesticidas aumentou dramaticamente”.

A PAN Europa calcula que a batalha com as grandes multinacionais (como Syngenta e a Bayer) se vai agudizar nos próximos tempos e por isso estão a preparar uma campanha de sensibilização junto da opinião pública, para pressionar os decisores em Bruxelas a agir.

Ler mais:

Países da OCDE avançam lentamente em metas de desenvolvimento sustentável até 2030



Despite progress made since the adoption of the 2030 Agenda for Sustainable Development and its 17 Goals (SDGs), OECD countries have met or are close to meeting only a quarter of the targets for which performance can be gauged, according to a new OECD report.

Virtually all OECD countries are already securing basic economic needs and implementing the policy tools and frameworks mentioned in the 2030 Agenda. But progress towards 21 targets on issues such as ensuring no one is left behind, restoring trust in institutions and limiting pressures on the natural environment are still way off track.

The Short and Winding Road to 2030: Measuring Distance to the SDG Targets says that while OECD countries have eradicated extreme poverty, most of them need to do more to reduce deprivation more broadly. Women, young adults and migrants face greater challenges than the rest of the population, and despite some progress, women’s rights and opportunities are still limited in both private and public spheres. In addition, unhealthy behaviours such as malnutrition and tobacco consumption, which appear to be more common among low socio-economic groups, and disparities in education from early years of life, tend to exacerbate inequalities.

Adopted by world leaders in 2015, the 2030 Agenda calls on all countries to build a better and more sustainable future by focussing on a number of targets grouped under the 17 Sustainable Development Goals. The SDGs themselves are clustered into five broad themes – People, Planet, Prosperity, Peace and Partnerships. For instance, SDGs under the ‘People’ theme aim at eradicating poverty (Goal 1) and hunger (Goal 2), at ensuring that all human beings can fulfil their potential, in particular in terms of health (Goal 3) and education (Goal 4), and without being penalised because of their gender (Goal 5).

The report uses UN and OECD data to assess the performance of OECD countries by looking at their current achievements, whether they have been moving towards or away from the targets, and how likely they are to meet their commitments by 2030. The report also considers how progress may be affected by the COVID-19 pandemic.

The report finds that while most OECD countries are close to eradicating severe hunger, few of them will be able to fully prevent social exclusion or reduce malnutrition by 2030. On average, around one in eight OECD residents are considered as income poor, and unhealthy diets and sedentary lifestyles have led to rising obesity rates in all OECD countries – with an average of 60% of adults being overweight or obese.

The report also confirms that environmental pressures are rising. Progress was made on many fronts including energy intensity, water use and municipal waste management. While some of these positive developments are attributable to policy action and technical progress, the displacement of resource- and pollution-intensive production abroad also explains some of this progress. The use of material resources to support economic growth remains high, and many valuable materials continue to be disposed of as waste.

On the climate front, despite progress achieved in decoupling greenhouse gas emissions from population and GDP growth, total emissions are hardly decreasing, and all OECD countries are continuing to support the production and consumption of fossil fuels. As for biodiversity, despite some encouraging developments in protecting ecosystems, threats to terrestrial and marine biodiversity have been rising. Without more determined action, biodiversity loss will continue.

The report nevertheless identifies a number of other areas where the distance that still remains to meet SDG targets is negligible or small. OECD countries are able to provide everyone with access to some basic amenities, including sanitation, fresh water and energy. OECD countries have also been able to reduce maternal and infant mortality, to afford access to early childhood education, to provide modern education facilities and a legal identity to all citizens.

Presenting the report today, OECD Deputy Secretary-General Jeff Schlagenhauf said: “The SDGs are our promise and our responsibility to future generations. While this report shows that some targets are far from being achieved, the momentum for international action is strong. Opportunities to advance on the agenda are many and should not be wasted given the short time left. To seize these opportunities, we need a rigorous understanding of where countries stand, how quickly they are advancing towards their goals and what should be the priorities for action.”

The 2030 Agenda is global by essence and calls on developed countries to implement fully their official development assistance commitments beyond their borders. However, total official assistance provided by the donor countries of the Development Assistance Committee remains less than half of the intended target of 0.7 per cent of gross national income.

The report also aims at setting out the future statistical agenda on SDGs. Despite progress on measurement, there are still many blind spots. Although data are currently available for almost 70% of the objectives in the Planet category, for instance, only one in three of the targets can be monitored effectively due to limited availability of robust time-series.

The OECD says that the recovery packages deployed by most OECD governments in response to the COVID-19 crisis provide an opportunity to quicken the pace of progress towards meeting the SDGs.

The full report is available here.

Crianças portuguesas não vivem em casas saudáveis, diz relatório da UNICEF


Relatório lamenta que mesmo muitos países ricos não consigam oferecer um ambiente saudável aos seus próprios jovens. Portugal caiu para a 25.ª posição.

As crianças portuguesas não vivem em ambientes saudáveis, sobretudo devido a problemas com a habitação, segundo um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgado esta terça-feira.

O documento, elaborado pelo Centro de Pesquisa Innocenti da UNICEF, coloca Portugal no terceiro lugar, entre 39 países, no que toca ao desempenho geral em termos de indicadores ambientais.

No entanto, Portugal cai para a 25.ª posição no que toca às condições ambientais para as crianças em particular, nomeadamente a poluição do ar e da água e a presença de chumbo no sangue.

O relatório sublinha que cerca de 8% das crianças portuguesas vivem em habitações com problemas graves.

Cerca de 35% das famílias pobres com crianças tinham dificuldade em manter as casas aquecidas em Portugal, enquanto 25% das famílias são afetadas pelo ruído e poluição sonora.

Uma em cada cinco crianças portuguesas é exposta a humidade e bolor em casa, enquanto uma em cada dez famílias pobres com crianças viviam em habitações com pouca iluminação natural.

O centro analisou 39 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e da União Europeia (UE) de acordo com diferentes critérios, incluindo pesticidas, geração de resíduos, humidade doméstica e acesso à luz natural.

O relatório lamenta que mesmo muitos países ricos não consigam oferecer um ambiente saudável aos seus próprios jovens, sublinhando que mais de 20 milhões de crianças têm níveis elevados de chumbo no sangue.

"Não só a maioria dos países ricos não consegue proporcionar aos seus próprios filhos um ambiente de vida saudável, mas, pior ainda, contribui para a destruição de outras crianças, em outras partes do mundo", denunciou num comunicado à imprensa Gunilla Olsson, diretora do Centro Innocenti.

O relatório refere que o ambiente saudável vivido em países como a Finlândia, Islândia e Noruega só é possível através de sistemas com um enorme impacto no planeta em termos de consumo, emissão de gases de carbono e produção de lixo eletrónico.

Mesmo em Portugal, o consumo médio da população exigiria que o planeta Terra tivesse 2,8 vezes os recursos naturais atuais. O valor atinge oito vezes no caso do Luxemburgo.

Os mais jovens estão conscientes da insustentabilidade, com 30% dos portugueses entre os 16 e os 25 “extremamente preocupados” com as mudanças climáticas, um valor que o Centro Innocenti atribui ao aumento dos fogos florestais em Portugal.

Mais de metade dos jovens portugueses sente-se “traído” pelo governo no que toca à crise climática e cerca de um terço pondera não ter filhos “devido às mudanças climáticas”.

segunda-feira, 23 de maio de 2022

Documentário: O Invasor Americano (Where to Invade Next), por Michael Moore (legendado)


O Invasor Americano (Where to Invade Next em inglês) é um documentário dos Estados Unidos de 2015 escrito e dirigido por Michael Moore. No filme, no estilo de um diário de viagem, Moore passa tempo em países como Itália, França, Finlândia, Tunísia, Eslovênia, Alemanha e Portugal , onde experimenta métodos alternativos desses países de lidar com os males sociais e económicos presentes nos Estados Unidos.

É o primeiro filme de Moore em seis anos, estreando em 23 de dezembro de 2015 nos Estados Unidos e Canadá, numa tiragem limitada de apenas uma semana em cinemas de Los Angeles e Nova Iorque para se qualificar para o Oscar. Ele foi estreado novamente em 12 de fevereiro de 2016, em 308 telas. O filme recebeu resenhas geralmente positivas dos críticos.

Resumo
O site Rotten Tomatoes descreve o filme como "uma comédia subversiva onde Moore, desempenhando o papel de 'invasor', visita uma série de nações para saber como os EUA poderiam melhorar suas próprias perspetivas". As nações que visita são Itália, França, Finlândia, Eslovénia, Alemanha, Portugal, Noruega, Tunísia, e Islândia; respetivamente, os temas abordados são os benefícios de trabalhadores, refeição escolar, ensino primário, ensino superior, inclusão de trabalhadores, descriminalização das drogas, sistema prisional, saúde da mulher, e inclusão das mulheres e seu papel de liderança na sociedade. Os países e referências estão listados no site do filme.

Países e tópicos em ordem de aparição:

Na Itália: os direitos trabalhistas e o bem estar dos trabalhadores – férias remuneradas, licença matrimonial, décimo terceiro salário, duas horas de almoço, licença parental - e fala com executivos da Lardini e Claudio Domenicali, CEO da Ducati

Em França: refeição escolar e educação sexual

Na Finlândia: política de educação (quase nenhuma lição de casa, não há testes padronizados), Moore fala com Krista Kiuru, Ministro da Educação finlandês. Moore observa que a música e a poesia foram eliminados do sistema de ensino K-12 dos Estados Unidos.

Na Eslovénia: ensino superior sem dívidas / sem mensalidades, Moore fala com Ivan Svetlik, reitor da Universidade de Ljubljana, e Borut Pahor, presidente da Eslovênia. A Universidade de Ljubljana, ensina pelo menos 100 cursos em inglês.

Na Alemanha: direitos trabalhistas e equilíbrio vida–trabalho. Moore visita a fabricante de lápis Faber-Castell, e observa o valor da educação honesta e franca sobre a história nacional, particularmente no que se refere à Alemanha Nazi.

Em Portugal: Dia de Maio, política de drogas de Portugal, sistema de saúde universal, e abolição da pena de morte

Na Noruega: sistema prisional humano. Moore visita a prisão de segurança mínima Bastøy  e a de segurança máxima, Prisão de Halden. Também observa a resposta da Noruega aos  ataques de 2011 em Oslo e Utøya

Na Tunísia: direitos das mulheres, incluindo a saúde reprodutiva, o acesso ao aborto e o seu papel na Revolução na Tunísia e na elaboração da Constituição da Tunísia de 2014. Rached Ghannouchi desaprova o hijab obrigatório, dizendo: "O estado não deve dizer às mulheres como vestir-se, ou interferir em suas vidas."

Na Islândia: mulheres no poder. Moore fala com Vigdís Finnbogadóttir, a primeira presidente mulher eleita democraticamente; o "Partido Melhor" de Jón Gnarr, que foi eleito Prefeito de Reykjavík; a crise financeira na Islândia em 2008 e a investigação criminal e ação penal de banqueiros, com o procurador Ólafur Hauksson

A queda do Muro de Berlim
Moore destaca que muitas dessas ideias, na verdade, tiveram origem nos EUA, tais como a proibição constitucional de punição cruel e incomum, a abolição da pena de morte, a luta pela jornada de oito horas, o feriado do Dia de Maio, o movimento pela igualdade de direitos da mulher, etc.

domingo, 22 de maio de 2022

Cartaz da Semana- Climate Change Building


Música do BioTerra: Anne Etchegoyen - Le Choeur Aizkoa - Hegoak (Les Ailes)


The Wings

If I had cut off its wings,
He would've been mine
(But) He wouldn't have left

If I had cut off its wings,
He would've been mine
(But) He wouldn't have left

Yes, but there you are!
(But) he would've no longer
Been a bird!

Yes, but there you are!
(But) he would've no longer
Been a bird!

And for me,
He was a bird that I loved
And for me,
He was a bird that I loved16

Lala lala
lala lala, lala

An extract from an article summarizing the metaphor:

“That song is about a bird, but essentially about the character of this bird….about this bird that is very free and wild and how it is a struggle to love a creature that is wild and free,” Igoa said. “But you wouldn’t love the bird if it wasn’t who it was. So all the things that are hard about loving this creature are also what you love about it.”

“Hegoak” is also a metaphor for the Basque people. It would have been easier to give in, to only call themselves Basque and subsume their culture to their occupiers. But then they would not be truly Basque. And so they have fought to remain themselves, to be free within their captivity as a nation, for centuries.

sábado, 21 de maio de 2022

Os bancos faliram em 2008 – e nosso sistema alimentar está prestes a sofrer o mesmo


Grandes produtores de alimentos detêm muito poder – e os reguladores mal entendem o que está acontecendo. Soa familiar?

Nos últimos anos, os cientistas vêm soando desesperadamente um alarme que os governos se recusam a ouvir: o sistema alimentar global está começando a se parecer com o sistema financeiro global no período que antecedeu 2008.

Embora o colapso financeiro tenha sido devastador para o bem-estar humano, o colapso do sistema alimentar não dá nem para imaginar. No entanto, a evidência de que algo está dando muito errado está aumentando rapidamente. O atual aumento nos preços dos alimentos parece o mais recente sinal de instabilidade sistêmica.

Muitas pessoas assumem que a crise alimentar foi causada por uma combinação da pandemia e da invasão da Ucrânia. Embora estes sejam fatores importantes, eles agravam um problema subjacente. Durante anos, parecia que a fome caminhava para a extinção. O número de pessoas subnutridas caiu de 811 milhões em 2005 para 607 milhões em 2014. Mas em 2015, a tendência começou a mudar. A fome tem aumentado desde então: para 650 milhões em 2019 e de volta para 811 milhões em 2020. Este ano provavelmente será muito pior.

Agora prepare-se para as notícias realmente ruins: isso aconteceu em um momento de grande abundância. A produção global de alimentos vem aumentando de forma constante há mais de meio século, superando confortavelmente o crescimento populacional. No ano passado, a colheita global de trigo foi maior do que nunca. Surpreendentemente, o número de pessoas subnutridas começou a aumentar assim que os preços mundiais dos alimentos começaram a cair. Em 2014, quando menos pessoas passaram fome do que em qualquer outro momento, o índice global de preços dos alimentos ficou em 115 pontos. Em 2015, caiu para 93 e permaneceu abaixo de 100 até 2021.

Só nos últimos dois anos expandiu-se. O aumento dos preços dos alimentos é agora um dos principais impulsionadores da inflação, que atingiu 9% no Reino Unido no mês passado. A comida está se tornando inacessível até para muitas pessoas nas nações ricas. O impacto nos países mais pobres é muito pior.

Então o que está ocorrendo? Bem, a alimentação global, como as finanças globais, é um sistema complexo, que se desenvolve espontaneamente a partir de biliões de interações. Sistemas complexos têm propriedades contra-intuitivas. Eles são resilientes sob certas condições, pois suas propriedades de auto-organização os estabilizam. Mas à medida que o estresse aumenta, essas mesmas propriedades começam a transmitir choques através da rede. Além de um certo ponto, uma pequena perturbação pode derrubar todo o sistema quando superado seu limite crítico, então ele colapsa, repentinamente e imparável.

Agora sabemos o suficiente sobre sistemas para prever se eles podem ser resilientes ou frágeis. Os cientistas representam sistemas complexos como uma malha de nós e links. Os nós são como os nós de uma rede antiga; os links são as cordas que os conectam. No sistema alimentar, os nós incluem as corporações que comercializam grãos, sementes e produtos químicos agrícolas, os principais exportadores e importadores e os portos pelos quais os alimentos passam. Os links são suas relações comerciais e institucionais.

Se os nós se comportarem de várias maneiras e seus links entre si forem fracos, o sistema provavelmente será resiliente. Se certos nós se tornarem dominantes, começarem a se comportar de maneira semelhante e estiverem fortemente conectados, o sistema provavelmente será frágil. Na abordagem da crise de 2008, os grandes bancos desenvolveram estratégias e formas semelhantes de gestão de risco, pois buscavam as mesmas fontes de lucro. Eles se tornaram fortemente ligados uns aos outros de maneiras que os reguladores mal entendiam. Quando o Lehman Brothers faliu, ameaçou derrubar todos.

Então, aqui está o que causa calafrios naqueles que estudam o sistema alimentar global. Nos últimos anos, assim como nas finanças durante os anos 2000, os principais nós do sistema alimentar incharam, seus links se tornaram mais fortes, as estratégias de negócios convergiram e sincronizaram e os recursos que podem impedir o colapso sistémico (“redundância”, “modularidade” , “disjuntores” e “sistemas de backup”) foram removidos, expondo o sistema a choques “globalmente contagiosos”.

Numa estimativa, apenas quatro corporações controlam 90% do comércio global de grãos. As mesmas corporações têm comprado sementes, produtos químicos, processamento, embalagem, distribuição e varejo. Ao longo de 18 anos, o número de conexões comerciais entre exportadores e importadores de trigo e arroz dobrou. As nações estão agora se polarizando em superimportadores e superexportadores. Grande parte desse comércio passa por pontos de estrangulamento vulneráveis, como os estreitos turcos (agora obstruídos pela invasão da Ucrânia pela Rússia), os canais de Suez e Panamá e os estreitos de Ormuz, Bab-el-Mandeb e Malaca.

Uma das mudanças culturais mais rápidas da história humana é a convergência para uma “dieta padrão global”. Enquanto nossa comida se tornou localmente mais diversificada, globalmente ela se tornou menos diversificada. Apenas quatro culturas – trigo, arroz, milho e soja – respondem por quase 60% das calorias cultivadas pelos agricultores. Sua produção agora está altamente concentrada em um punhado de nações, incluindo Rússia e Ucrânia. A Dieta Padrão Global é cultivada pela Padrão Global Agrícola, fornecida pelas mesmas corporações com os mesmos pacotes de sementes, produtos químicos e maquinário, e vulnerável aos mesmos choques ambientais.

A indústria de alimentos está se tornando fortemente acoplada ao setor financeiro, aumentando o que os cientistas chamam de “densidade de rede” do sistema, tornando-o mais suscetível a falhas em cascata. Em todo o mundo, as barreiras comerciais foram reduzidas e estradas e portos atualizados, simplificando a rede global. Você poderia imaginar que esse sistema suavemente organizado aumentaria a segurança alimentar. Mas permitiu que as empresas reduzissem os custos de armazenamento e estoques, mudando de estoques para fluxos. Principalmente, essa estratégia just-in-time funciona. Mas se as entregas forem interrompidas ou houver um rápido aumento na demanda, as prateleiras podem esvaziar repentinamente.

Um artigo da Nature Sustainability relata que, no sistema alimentar, “a frequência de choques aumentou ao longo do tempo em terra e mar em escala global”. Ao pesquisar meu livro Regenesis, percebi que é essa série crescente de choques contagiosos, exacerbados pela especulação financeira, que tem impulsionado a fome global.

Agora, o sistema alimentar global deve sobreviver não apenas às suas fragilidades internas, mas também às rupturas ambientais e políticas que podem interagir umas com as outras. Para dar um exemplo atual, em meados de abril, o governo indiano sugeriu que poderia compensar o déficit nas exportações globais de alimentos causado pela invasão da Ucrânia pela Rússia. Apenas um mês depois, proibiu as exportações de trigo, depois que as colheitas encolheram em uma onda de calor devastadora.

Precisamos urgentemente diversificar a produção global de alimentos, tanto geograficamente quanto em termos de culturas e técnicas agrícolas. Precisamos quebrar o controle de grandes corporações e especuladores financeiros. Precisamos criar sistemas de backup, produzindo alimentos por meios totalmente diferentes. Precisamos introduzir capacidade ociosa em um sistema ameaçado por suas próprias eficiências.

Se tantos podem passar fome em um momento de abundância sem precedentes, as consequências da grande quebra de safra que o colapso ambiental podem causar desafiam a imaginação. O sistema tem que mudar.

George Monbiot é um colunista do Guardian

Petição: Criação do Dia Nacional dos Jardins

Para: Ex.mo Sr. Presidente da Assembleia da República


PETIÇÃO

CRIAÇÃO DO DIA NACIONAL DOS JARDINS / 25 de maio

(dia de nascimento do arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles)

Esta petição tem como objetivo atingir o número de subscritores indispensável para ser discutida formalmente na Assembleia da República.

O objetivo final é a institucionalização do Dia Nacional dos Jardins para o dia 25 de maio.

Escolhemos esta data por ser na primavera, mas, principalmente, por ser o dia de nascimento do arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles, recentemente falecido.

Encaramos esta petição e a criação do Dia Nacional dos Jardins como uma justa e merecida homenagem a uma pessoa a quem o País muito deve em termos de ideias inovadoras, obras ambientais de referência e boas práticas inspiradoras.

Gonçalo Ribeiro Telles foi um arquiteto paisagista de eleição, premiado nacional e internacionalmente, um pensador visionário, um político generoso e empenhado e um cidadão exemplar.

Devemos-lhe, entre outras coisas, o ter-nos mostrado que as cidades e as vilas são tanto mais humanas quanto mais verdes e sustentáveis forem.

Devemos-lhe, ainda, o ter-nos ensinado que as cidades e as vilas não devem excluir-se da Natureza que as circunda, mas, pelo contrário, incluir a Natureza dentro delas de forma contínua e harmoniosa.

Finalmente, devemos-lhe a ideia generosa de uma Natureza com pessoas dentro e de cidades e vilas com a Natureza dentro do seu coração e das suas artérias verdes.

Pensamos que o jardim é uma metáfora feliz de tudo o que o arquiteto nos ensinou.

Os jardins são uma síntese com a marca da contemporaneidade.

Uma síntese da cidade e do campo, do urbano e do bucólico, da ordem geométrica das árvores e sebes desenhadas e da irreverência surpreendente das flores campestres.

Os jardins são, também, lugares de encontros.

Um encontro entre a vivência adulta e urbana e as recordações de infância no campo, um lugar de encontro entre o namorado e a namorada (ou o namorado e o namorado, ou a namorada e a namorada), um encontro entre os mais velhos e as crianças, entre os avós e os netos.

Os jardins são os lugares na cidade onde os animais se sentem em casa e os lugares que muitas aves escolhem para fazer a sua casa.

Por tudo isto, gostaríamos que fosse criado o Dia Nacional dos Jardins.

Sonhamos com um dia especial, em que os idosos saiam dos lares e de suas casas para apanhar sol e conversar entre si.

Um dia especial, em que as crianças mais novas vão passar a manhã a brincar à apanhada, a andar de baloiço ou a jogar à bola.

Um dia especial, em que as aulas sejam dadas ao ar livre, nos jardins das escolas e nos jardins e parques das vilas e cidades.

Os heróis não pertencem, apenas, ao nosso passado como País e Povo.

O arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles, esse generoso e paciente jardineiro do Reino da Natureza é, seguramente, um dos heróis do nosso tempo.

Assine a petição para que, no próximo dia 25 de maio de 2022, data do centenário do nascimento do arquiteto, possamos todos homenageá-lo passando grande parte desse dia, felizes e sem máscara, num dos locais que ele mais prezava: os jardins.

Assine a petição!

Turma 10.º L da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, de Portimão.

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Dia Mundial das Abelhas- Europa quer mais abelhas e apicultores


A produção de mel cobre apenas 60% do consumo e a UE importa anualmente 200.000 toneladas de mel de países como a Ucrânia, China, Argentina e México. A Comissão Europeia pretende aumentar o número de colmeias através da PAC. Para além do aspeto produtivo, as abelhas também polinizam outras culturas.

A UE é o segundo maior produtor de mel do mundo, depois da China, que tem o dobro da dimensão da UE, com uma produção anual de 550.000 toneladas. Os mais de 600.000 apicultores e 18 milhões de colmeias na União Europeia geram 280.000 toneladas de mel por ano, de acordo com os últimos números publicados pela Comissão.

No entanto, esta produção não cobre o consumo interno e a UE é obrigada a importar 40% do seu consumo anual de mel, tornando a UE o maior importador mundial de mel.

Cerca de 200.000 toneladas de mel entram todos os anos no mercado da UE. A maior parte do mel importado provém da Ucrânia, China, Argentina, México, Uruguai, Brasil, Cuba e Turquia. Portugal importou 6.300 toneladas de mel de países não comunitários em 2020, de acordo com os dados Comext do Eurostat.

Nos últimos anos, a China tem vindo a perder terreno para países como a Ucrânia nas importações de mel da UE, embora a atual guerra no país possa alterar a origem do mel que entra anualmente nas fronteiras da UE.

Entretanto, as exportações representam 7% da produção europeia (cerca de 21.000 toneladas por ano), destinadas principalmente a mercados como a Suíça, Arábia Saudita, Estados Unidos e Japão.

Produção total aumentou em 16% desde 2014

Como se afirma no último relatório apresentado pela Comissão Europeia ao Parlamento e ao Conselho () (2019), a produção de mel na UE aumentou 16% desde 2014, de 240.000 toneladas em 2014 para 283.000 toneladas em 2018.

Espanha é o principal produtor de mel na UE, seguido de perto pela Roménia, Hungria e Alemanha, embora esta classificação varie consoante o ano. Assim, a Roménia classificou-se acima da Espanha em 2018, com uma produção de 30,9 milhões de toneladas em comparação com 29,2 milhões de toneladas em Espanha, 28,7 milhões de toneladas na Alemanha e 26 milhões de toneladas na Hungria, enquanto no ano anterior, 2017, a Hungria era o principal produtor europeu com mais de 32 milhões de toneladas.

Portugal está em décimo lugar, com uma produção de 10,8 milhões de toneladas em 2018, o que representa uma redução significativa em relação aos mais de 14 milhões de toneladas do ano anterior.

Recuperação no número de colmeias

Nos últimos anos, o número de colmeias na UE recuperou de 11,6 milhões em 2004 para 18,9 milhões em 2020.  Espanha, Roménia, Polónia, França, Itália, Eslovénia e Hungria têm o maior número de colmeias da UE.

Portugal ocupa a 10ª posição com 11.300 apicultores e 754.000 colmeias. Cada apicultor português possui uma média de 66 colmeias, três vezes mais do que a média da UE (21).

No entanto, tem havido uma diminuição da produção média por colmeia, que, dependendo do ano, ronda em média 20 quilos no conjunto da UE, mas é quase metade do que em países como Espanha.

Programas apícolas nacionais

Foi reservado um total de 240 milhões de euros em toda a UE para programas nacionais de apicultura entre 2020 e 2022.  , representando um aumento do financiamento de 11% em relação ao período anterior (2017-2019).

Metade do dinheiro provém de fundos europeus e a outra metade é co-financiada pelos diferentes Estados-Membros de acordo com o número de colmeias em cada país. Espanha recebe o maior volume de dinheiro (5,6 milhões de euros em 2000), seguida pela Roménia. Portugal recebeu 1,7 milhões de euros em 2000 para a implementação do seu Programa Nacional de Apicultura.

Embora a adopção destes programas nacionais de apicultura até agora tenha sido voluntária, todos os Estados-Membros optaram por aderir. A maior parte do dinheiro é destinada à assistência técnica e ao combate a doenças e pragas (varroose e vespa velutina, entre outras), enquanto apenas 3% dos fundos são dedicados à promoção de produtos de qualidade diferenciada.

A apicultura na PAC 2023-2027

Na sua proposta para a PAC para além de 2020, a Comissão propõe a transferência dos programas de apicultura do Regulamento da Organização Comum de Mercado para o Plano Estratégico da PAC.

Esta deslocalização aumentará a visibilidade do setor apícola e assegurará que a sua contribuição para os objectivos globais da Política Agrícola Comum seja tida em conta. A proposta inclui também um aumento do financiamento de programas de apicultura para 60 milhões de euros por ano. Isto significa que durante o período de sete anos da futura PAC, o financiamento da União, juntamente com as contribuições dos Estados-Membros, disponibilizará um total de 840 milhões de euros para o sector.

Outra alteração introduzida pela proposta consiste em tornar obrigatória a participação dos Estados-Membros. Embora os programas de apicultura fossem voluntários no âmbito da OCM, a Comissão propõe torná-los obrigatórios nos planos estratégicos da PAC dos Estados-Membros.

Diferenças significativas nos preços do mel entre países

69% dos apicultores europeus são membros de uma associação de produtores, embora a percentagem varie consideravelmente dependendo do país: enquanto na Alemanha, por exemplo, praticamente todos os apicultores estão organizados, em Espanha estão em minoria. Em Portugal, o número é semelhante à média da UE.

Existem também variações significativas no preço médio de venda do mel. Um quilo de mel multifloral é vendido por 19 euros na Irlanda, 15 euros na Holanda, 13 euros na Finlândia ou Bélgica e 12 euros no Luxemburgo, enquanto no outro extremo da escala estão países como Portugal (4 euros), Bulgária (3 euros) e Roménia (2 euros). Espanha está ao nível da média europeia, com um preço médio de cerca de 6,5 euros.

O mel importado de países terceiros é comprado a cerca de 2 euros por quilo, enquanto que o custo médio de produção seria próximo dos 4 euros no conjunto da UE.

O valor dos polinizadores para a agricultura global

Mas para além do valor económico gerado pelo sector apícola, existe também a sua contribuição através dos serviços ecossistémicos que presta. Embora se estime que pelo menos 20 tipos diferentes de animais fornecem serviços de polinização para as culturas mais importantes do mundo, as abelhas melíferas são os insetos polinizadores por excelência

Segundo as estimativas da FAO , 35% da produção agrícola mundial depende de polinizadores e o seu trabalho silencioso aumenta a produção de 87 das principais culturas alimentares do mundo.

“As abelhas polinizam um terço do que comemos e desempenham um papel vital na manutenção dos ecossistemas do planeta. Cerca de 84% das culturas para consumo humano precisam de abelhas ou outros insetos para as polinizar, aumentar o seu rendimento e qualidade. A polinização das abelhas não só resulta num aumento da quantidade, como também pode melhorar a qualidade dos produtos”, salienta a Organização das Nações Unidas para a Agricultura.

Amêndoas, maçãs, mirtilos, pepinos, cebolas, abóboras ou morangos não seriam possíveis sem a ação dos insetos polinizadores. Mas não é só a alimentação humana que depende do seu trabalho. A função polinizadora das abelhas, por exemplo, é essencial para as culturas de alimentos para animais, como a luzerna.

Elevada mortalidade das colmeias

O primeiro programa europeu de monitorização da mortalidade das colmeias, realizado há 10 anos e denominado projecto Epilobee  , analisou 176.860 colónias de abelhas em 17 países da UE e os seus resultados já alertaram para a magnitude do problema (num terço dos Estados-Membros, as taxas de mortalidade excediam 10% por ano).

Mas esta evolução, longe de ser corrigida, tem vindo a piorar. A cada 20 de maio, quando se celebra o Dia Mundial das Abelhas, os avisos são repetidos e os apelos à sua protecção multiplicam-se.

Nos últimos anos, múltiplos estudos científicos alertaram para o declínio das abelhas, atingidas por várias ameaças: pesticidas, alterações climáticas, a vespa asiática invasora e o ácaro Varroa. Mas há uma, a destruição dos seus habitats através da agricultura intensiva baseada cada vez mais em monoculturas, que a PAC 2023-2027 pretende corrigir.

Corredores verdes, margens de campo não cultivadas, áreas de biodiversidade e valor ambiental serão promovidos através de instrumentos como a ecocondicionalidade reforçada ou esquemas ecológicos, com a correspondente compensação financeira.

Restringir o uso de pesticidas

Outro objetivo europeu, incluído na Estratégia “Do Prado ao Prato”, é a redução de 50% no uso de pesticidas dentro da década, especialmente dos pesticidas mais perigosos e nocivos para o ambiente.

O uso de neonicotinóides, um grupo de inseticidas químicos, está proibido na UE desde 2018. Algumas das substâncias que os compõem (clotianidina, imidaclopride e tiametoxame) demonstraram afetar o sistema nervoso central dos insetos e são, portanto, prejudiciais para as abelhas, muito sensíveis ao atual cocktail de agroquímicos utilizados na produção agrícola.

No entanto, o próprio regulamento da UE deixa a porta aberta à sua utilização quando existe “um perigo para as culturas que não pode ser contido por outros meios razoáveis”. É sob este pressuposto que a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) autorizou nas duas últimas épocas a utilização de neonicotinóides nas culturas da beterraba em 11 países europeus: Espanha, França, Alemanha, Bélgica, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Finlândia, Lituânia, Polónia e Roménia.

A EFSA justifica a sua decisão de autorizar utilizações de emergência de neocotinóides na beterraba sacarina pela “ausência de métodos químicos e não químicos alternativos”. A beterraba sacarina (Beta vulgaris vulgaris) é a principal cultura industrial de açúcar na UE, mas este tipo de pesticida é também comummente utilizado noutras culturas como o milho, girassol, colza e algodão. São aplicadas à semente na fase de sementeira.

Os neocotinóides são os insecticidas mais utilizados nos EUA.

Intervenção obrigatória na nova PAC para o setor da apicultura

O papel do setor apícola na manutenção da biodiversidade é inquestionável e tem sido refletido nos documentos da nova PAC, bem como na Estratégia de Biodiversidade 2030 apresentada pela Comissão Europeia em Maio de 2021. Pela sua própria natureza, as abelhas são os polinizadores naturais mais importantes na maioria dos ecossistemas, e como tal a UE pretende encorajar o seu regresso às terras agrícolas com medidas como a redução de pesticidas e o aumento das margens não cultivadas.

Além disso, a Comissão Europeia pretende promover e reforçar o setor apícola nos diferentes países da UE, encorajando a substituição das gerações e estabelecendo medidas para proteger o mel europeu do mel importado dos países da Europa de Leste, Ásia ou América Latina.

A nova PAC prevê uma intervenção setorial obrigatória em todos os Estados-Membros, incluindo uma série de medidas que os apicultores e as suas organizações poderão realizar, tais como serviços de aconselhamento, assistência técnica, formação, informação e intercâmbio das melhores práticas; investimentos em ativos corpóreos e incorpóreos; bem como outras ações, incluindo ações de combate aos invasores e às doenças das colmeias, em particular a varroose; de prevenção dos danos causados por acontecimentos climáticos adversos e de incentivo ao desenvolvimento e utilização de práticas de gestão adaptadas às condições climáticas em mudança; de repovoamento das colmeias na União, em particular através da apicultura; e de racionalização da transumância.

Os Estados-Membros deveriam igualmente pôr em prática medidas para encorajar a divulgação e promoção do valor dos produtos apícolas junto dos consumidores. Isto, por sua vez, ajudará a aumentar a produção de abelhas e o seu papel polinizador na produção agrícola.