segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Enrico Berlinguer - sobre as revoluções tecnógicas e crise mundial


Era 1º de dezembro de 1983, e quase todo mundo estava mergulhado numa outra Guerra Fria e debatia-se novamente a obra de George Orwell - 1984 . Berlinguer disse: "Acredito que a atitude mais correta diante de certas novas revoluções tecnológicas é considerá-las desde o início como "neutras"... Hoje vejo a possibilidade de dois processos contemporâneos: por um lado, o uso da microeletrónica para fortalecer o poder dos grupos económicos dominantes, o poder do que numa palavra se chama complexo industrial militar. Por outro lado, porém, vejo uma grande difusão de novos conhecimentos que podem levar a um enriquecimento de toda a civilização”.

Página Oficial: Enrico Berlini
Biografia: aqui


The US ultra-rich justify their low tax rates with three myths – all of them rubbish

On Tuesday, the Congressional Budget Office released a study of trends in the distribution of family wealth between 1989 and 2019.

Over those 30 years, the richest 1% of families increased their share of total national wealth from 27% to 34%. Families in the bottom half of the economy now hold a mere 2%.

Meanwhile, a record share of the nation’s wealth remains in the hands of the nation’s billionaires, who are also paying a lower tax rate than the average American.

How do the ultra-wealthy justify their wealth and their low tax rates? By using three myths – all of which are utter rubbish.

The first is trickle-down economics.

Billionaires (and their apologists) claim that their wealth trickles down to everyone else as they invest it and create jobs.

Really? For more than 40 years, as wealth at the top has soared, almost nothing has trickled down. Adjusted for inflation, the median wage today is barely higher than it was four decades ago.

Trump provided a giant tax cut to the wealthiest Americans, promising it would generate $4,000 increased income for everyone else. Did you receive it?

In reality, the super-wealthy don’t create jobs or raise wages. Jobs are created when average working people earn enough money to buy all the goods and services they produce, pushing companies to hire more people and pay them higher wages.

The second myth is the “free market”.

The ultra-rich claim they’re being rewarded by the impersonal market for creating and doing what people are willing to pay them for.

The wages of other Americans have stagnated, they say, because most Americans are worth less in the market now that new technologies and globalization have made their jobs redundant.

Baloney. Even if they’re being rewarded, there’s no reason why the “free market’ would reward vast multiples of what the rich were rewarded with decades ago.

The market can induce great feats of invention and entrepreneurship with lures of hundreds of thousands or even millions of dollars – not billions.

As to the rest of us succumbing to labor-replacing globalization and labor-saving technologies, no other advanced nation has nearly the degree of inequality found in the United States, yet all these nations have been exposed to the same forces of globalization and technological change.

In reality, the ultra-wealthy have rigged the so-called “free market” in the US for their own benefit. Billionaires’ campaign contributions have soared from a relatively modest $31m in the 2010 elections to $1.2bn in the most recent presidential cycle – a nearly 40-fold increase.

What have they got for their money? Tax cuts, freedom to bash unions and monopolize markets and government bailouts. Their pockets have been further lined by privatization and deregulation.

The third myth is that they’re superior human beings.

They portray themselves as “self-made” rugged individuals who “did it on their own” and therefore deserve their billions.

Bupkis. Six of the 10 wealthiest Americans alive today are heirs to fortunes passed on to them by wealthy ancestors.

Others had the advantages that come with wealthy parents.

Jeff Bezos’s garage-based start was funded by a quarter-million-dollar investment from his parents. Bill Gates’s mother used her business connections to help land a software deal with IBM that made Microsoft. Elon Musk came from a family that reportedly owned shares of an emerald mine in southern Africa.

Don’t fall for these three myths.

Trickle-down economics is a cruel joke.

The so-called free market has been distorted by huge campaign contributions from the ultra-rich.

Don’t lionize the ultra-rich as superior “self-made” human beings who deserve their billions. They were lucky and had connections.

In reality, there is no justification for today’s extraordinary concentration of wealth at the very top. It’s distorting our politics, rigging our markets and granting unprecedented power to a handful of people.

The last time America faced anything comparable was at the start of the 20th century.

In 1910, former president Theodore Roosevelt warned that “a small class of enormously wealthy and economically powerful men, whose chief object is to hold and increase their power” could destroy American democracy.

Roosevelt’s answer was to tax wealth. The estate tax was enacted in 1916, and the capital gains tax in 1922.

Since that time, both have eroded. As the rich have accumulated greater wealth, they have also amassed more political power – and have used that political power to reduce their taxes.

Teddy Roosevelt understood something about the American economy and the ultra-rich that has now re-emerged, even more extreme and more dangerous. We must understand it, too – and act.

Robert Reich, a former US secretary of labor, is professor of public policy at the University of California, Berkeley and the author of Saving Capitalism: For the Many, Not the Few and The Common Good. His new book, The System: Who Rigged It, How We Fix It, is out now. He is a Guardian US columnist. His newsletter is at robertreich.substack.com

Vegan for Everything


A dieta estritamente vegetariana ou o estilo de vida vegano exclui o consumo de carne, peixe, ovos e laticínios, no entanto nem sempre é fácil perceber se os alimentos são realmente veganos. Para alguém que está no início de uma alimentação vegana, pode ser ainda mais desafiante saber quais produtos contêm ou não substâncias de origem animal.

Atualmente tem-se visto um grande aumento na oferta de produtos vegan, contudo a maior parte dos produtos nas prateleiras dos supermercados contém ingredientes de origem animal. De modo a confirmar se os produtos são 100% vegan, por vezes os consumidores conferem os rótulos e a lista de ingredientes dos mesmos.


Apesar desse escrutínio, às vezes certas matérias-primas não são muito evidentes, devido ao facto de serem identificadas com códigos (como os aditivos, que são identificados com um “e” e um número) ou por terem um nome complexo e pouco familiar. Para além disso, alguns produtos de origem animal são por vezes utilizados no fabrico como auxiliares (ex. Gelatinas no caso de filtragem do vinho), que não entram na composição do produto final, nem constam na lista de ingredientes, na embalagem do produto.

Por estes motivos, a presença de um selo independente, como o da V-Label, garante aos consumidores se um produto é realmente vegetariano ou vegano, pois a entidade responsável por atribuir a certificação faz uma verificação rigorosa de todas as matérias-primas usadas ao fabricar um produto, muitas das quais facilmente escapariam ao olho atento de qualquer consumidor.


Aqui encontras 10 alimentos que nem sempre são veganos (quando não têm uma certificação vegan, como da V-Label), e que tens de ter em atenção.

1. Chocolate
O cacau pode ser fermentado com cultura microbiana não vegana. Durante o processo de transformação para chocolate, por vezes é adicionado leite ou produtos lácteos, podendo conter caseína e soro de leite.

2. Cerveja
Algumas marcas utilizam uma substância gelatinosa (Ictiocola) obtida da bexiga natatória dos peixes, para clarificar ou filtrar a bebida. Também existem cervejas que no processo de adição de cor e sabor utilizam produtos de origem animal, como por exemplo, o castóreo. Igualmente, também podem conter caseína, proteína de leite, e claras de ovos na sua composição.

3. Vinho
Apesar de o vinho ser obtido através das uvas, durante o processo de clarificação e filtragem podem ser utilizados sangue animal, claras de ovos, gelatina animal, caseína e cola-de-peixe.

4. Gelatina
A gelatina, gomas e marshmallows podem conter colagénio animal, geralmente oriundo de bovinos, utilizados para dar consistência aos produtos.

5. Alimentos vermelhos
Muitos dos alimentos que têm cor avermelhada, como por exemplo, iogurtes, sumos e doces podem conter carmim, um corante derivado do inseto cochonilha.


6. Mel
Apesar de ser natural, o produto é fabricado a partir do esforço das abelhas, então os consumidores com uma dieta vegan optam por não o incluir na sua alimentação.

7. Produtos fortificados com Ómega 3
Alguns sumos, iogurtes e outros alimentos podem ser enriquecidos com Ómega-3, substância obtida através do óleo de peixes.

8. Pão
Em geral o pão é cozinhado com farinha, água, fermento e sal, no entanto a certos pães são adicionados laticínios, ovos, manteiga, leitelho, gelatina ou mel.

9. Açúcar
O açúcar refinado normalmente provém de duas fontes: cana-de-açúcar ou de beterraba. Durante o processo de clarificação do açúcar de cana, por vezes é utilizado carvão de osso, sendo que depois desta etapa deixa de ser considerado vegano.


10. Tisanas
Os chás em si são veganos, como por exemplo chá de camomila, no entanto algumas marcas comercializam misturas de ervas que podem conter ingredientes não veganos. Algumas tisanas contêm mel, carmim, gelatina e leite em pó.

Moda Ética e Sustentável


A marca Patagónia era já conhecida pela sua sustentabilidade e por promover uma economia circular no setor da moda. Mas sabe como funciona a Moda Circular, e se conseguimos encontrar marcas em Portugal que prezam esse modelo económico e contrariam a fast-fashion?

A Patagónia deu o salto em frente para ajudar o meio ambiente: o seu fundador, Yvon Chouniard, de 83 anos, transferiu 98% da propriedade da empresa (com um valor de 3 mil milhões de euros) para a HoldFast Collective, uma organização não-governamental dedicada a combater a crise ambiental, sendo que os restantes 2% são controlados pelo Patagonia Trust Fund, que assegura que a empresa cumpre as responsabilidades solidárias com que se comprometeu.

Segundo a Good On You, a Moda Circular é um sistema em que as roupas e bens pessoais são produzidos num modelo mais consciente; em que a produção de uma peça e o seu fim de vida são igualmente importantes. Este sistema tem em consideração os materiais e a sua produção, enfatizando o valor de usar o produto até ao fim, para depois transformá-lo e dar-lhe outra vida.

Para assegurar uma indústria da moda circular é importante que:

– Se use menos materiais ao produzir itens individuais para que seja mais fácil reciclar;
– Se tente remover de todo os materiais não-recicláveis e altamente poluíveis da cadeia de abastecimento;
– Se tente recapturar tudo, desde retalhos de roupas até às suas embalagens, para reutilização;
– Assegurar a utilização e reutilização o máximo possível;
– Depositar na natureza os desperdícios inevitáveis de forma segura.

Espera-se, assim, um aumento continuo da slow fashion (consumindo menos), o que resultará numa indústria mais limpa, saudável e menos impactante no meio ambiente em geral. Nessa equação, tantos os consumidores como as grandes empresas têm grandes papéis a desempenhar para que se possa ver uma redução significativa da pegada ambiental na indústria da moda, um das mais poluidoras do mundo.

Os consumidores desempenham um papel fundamental no desenvolvimento e implementação da moda circular. Do aumento da demanda e do suporte a modelos mais sustentáveis, estamos a ver a circularidade a infiltrar-se nas cadeias de abastecimento e no fabrico.

A moda circular trouxe consigo uma onda de maior conhecimento para o consumidor e o reconhecimento geral de que as abordagens lineares anteriores para a indústria da moda não podem continuar.

Essa demanda por transparência, longevidade e uma nova estrutura deve continuar no futuro e representa um futuro para a moda que seria menos impactante e estaria mais em harmonia com todos os recursos, processos e pessoas envolvidas.

Embora estejamos longe de um modelo completamente circular na moda, à medida que cada vez mais marcas e consumidores se conscientizam e investem nele, já estamos prevenindo o desperdício e a degradação que de outra forma existiriam, o que é um passo na direção certa.

Marcas portuguesas que se importam com o meio ambiente, promovendo a Moda Circular:

Jacarandá Produz roupa feminina, em slow fashion e produzida em Portugal. Os seus processos de produção são transparentes e sustentáveis

Isto Tem três lojas em Lisboa e uma política de transparência abrangente. Disponibiliza a lista de todas as fábricas com que trabalha e o custo de fabrico de cada peça está disponível no website. Tem certificação Global Organic Textile Standards, e produz roupa unissexo.

Insane in the Rain Casacos impermeáveis feitos a partir de plástico reciclado. Tem por objetivo proteger os oceanos, e é certificada pelo Global Recycled Standard.

Morreu Sacheen Littlefeather, a atriz que recusou o Óscar em nome de Marlon Brando



A atriz e ativista nativa americana Sacheen Littlefeather, vaiada em 1973 quando recusou um Óscar em nome do ator Marlon Brando, morreu aos 75 anos de idade, foi anunciado no domingo.

Há duas semanas, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas norte-americana, que atribui os Óscar, realizou uma cerimónia no novo museu, em Los Angeles, na costa oeste dos Estados Unidos, de homenagem a Littlefeather e, durante a qual, pediu desculpa publicamente pelo tratamento dado à atriz há quase 50 anos.

Antes da cerimónia e em resposta às perguntas dos jornalistas, sobre como se sentia por ter esperado tanto tempo por um pedido de desculpas, Littlefeather afirmou: "Nunca é tarde demais para um pedido de desculpas. Nunca é tarde demais para o perdão".

Numa mensagem, publicada na rede social Twitter, sobre a morte da atriz, a Academia citou Littlefeather: "Quando eu tiver partido, lembra-te sempre que sempre que ao defenderes a tua verdade, manterás viva a minha voz e as vozes das nossas nações e povos".

Littlefeather, membro do Screen Actors Guild, o primeiro sindicato de atores de cinema fundado em 1933, teve então dificuldade em encontrar trabalho em Hollywood

Littlefeather, que era apache e yaqui, foi vaiada nos prémios da Academia de 1973, na primeira cerimónia a ser transmitida em direto para todo o mundo, quando explicou, em nome de Marlon Brando, por que razão o ator recusava aceitar o Oscar de melhor ator em "O Padrinho".

Brando tinha pedido a Littlefeather que recusasse o prémio em seu nome, num protesto contra o tratamento dado pela indústria cinematográfica aos nativos americanos.

"Entrei, como uma mulher orgulhosa, com dignidade, coragem, graça e humildade", disse Littlefeather, na cerimónia do museu.

"Sabia que tinha de dizer a verdade. Algumas pessoas podem aceitá-lo. E algumas pessoas não podem", acrescentou.

A atriz e ativista contou ainda que teve de impedir o ator John Wayne, popularizado pelos vários papéis de 'cowboy' em 'westerns', de a agredir fisicamente quando saiu do palco.

Entrevista ao Guardian, 2021

domingo, 2 de outubro de 2022

Free The Truth - Julian Assange


Hi, I’m Kym Staton, Founder and Director of streaming platform Films For Change . I’m making a new documentary about and in support of Julian Assange as well as the wider issues of free speech and freedom of information. This gofundme page is to help cover the costs of the production phase of the making of this powerful new film.

There have been many documentaries made about Assange that perpetuate false narratives or focus on the drama and controversy of the events leading to him seeking refuge at the Equadorian embassy and his subsequent arrest and current incarceration.

Our film will take a very different approach, and instead make a strong case in support of his freedom, highlight the very significant precedent it sets for investigative journalism and independent media, and how the outcome effects every one of us.
I commenced working on this film project in february 2021, with researching potential people to include in the film, and sources for archive and news footage.

WHAT'S IN IT FOR YOU?
As well as the noble act of suporting this campaign to free assange, and educating and spreading awareness to the wider community on his plight and the associated issue of journalistic freedom, those who support the film in this stage will be part of the journey of the production of this film, and receive regular updates as the project commences. We'll also of course provide all contributers with a link to watch the film online for free once it is eventually completed and launched. Contribributer will also have their name mentioned in the credits at the end of the film. (If you do not wish to have your name mentioned in the credits, please simply email us to advise of this).


TIME FRAME FOR COMPLETION?
We expect that it will take between 12-18 months to complete the production stage, after which we will begin post-production which will take a further 2-3 months to complete the film and have it ready for release.

MAIN OUTLINE
No publicist in history has had such a profound impact on the world that Wikileaks has had. Before Wikileaks, we knew a lot less about the worlds’ powerful institutions and leaders than we do now. We knew only what they wanted us to know. WikiLeaks has enabled us to glimpse rampant corruption and the callousness of war and exposed countless injustices perpetrated by governments and corporations. It was founded on the powerful moral principle that governments and other vested interests should not operate behind walls of secrecy. Wikileaks has released millions of documents of public interest since it was established in 2006, and continues to do so.

No-one can forget or unsee the cruelty that we witnessed in the ‘Collateral Murder’ release. If you have not yet seen it, please look it up on youtube or the wikileaks website.

Julian Assange is the founder of Wikileaks. He has won more than twenty international awards for his journalistm work, and in 2019 was nominated for the Nobel Peace Prize. A chain of contrived events and smear campaigns over a decade of pursuit by the US government has seen him go from award winning journalist to a freezing high security cell in a London prison.

He remains inside Belmarsh Prison where he continues to be held in the same conditions as convicted murderers and armed robbers. He is now into his third year of arbitrary, pre-trial imprisonment, awaiting the outcome of the US government's application for permission to appeal.

On the 4th of January, a UK judge blocked the US request for Julian's extradition on medical grounds, however she denied Julian bail.

Because of the Covid lockdown Assange is not allowed to receive any visitors. He has also not been permitted to see his lawyers in person in over 12 months.

In early January, a London court rejected the US extradition request concerning Assange, but the problems surrounding his case are far from solved. He still faces a 175-year prison sentence in the United States. He is still being held in the high-security Belmarsh prison, and he still awaiting a final verdict after two years of incarceration.

Every major human rights group, including Amnesty International, Human Rights Watch, and Reporters without Borders – are on the same page about this issue.

The new Biden administration is appealling against the UK court’s decision, to refuse extradition on the grounds of Assange’s mental health.

Our Free The Truth: Free Assange Documentary will be an appeal to the majority to add their voice to, and magnify the campaign to free Assange. To urge US authorities to drop the charges against him and allow his family to bring him home. By doing so, we would not only free an innocent man, but on a wider scale, we can take an important step in protecting independent media and free expression.

Campanha: Go Fund Me

Sabotagem Nordsteam e os impactos ambientais


A sabotagem dos pipelines Nordstream 1 e 2 cortou brutalmente o cordão umbilical energético da Alemanha com a Rússia. Parece óbvio para todos de que se trata de terrorismo com origem num "ator estatal", como disseram de imediato os responsáveis dinamarqueses e suecos. Inevitavelmente, Zelensky acusou a Rússia. Mas esse reflexo de Pavlov carece de justificação.

Seria totalmente irracional que Moscovo destruísse não apenas uma copropriedade onde investiu 475 mil milhões de rublos, mas, sobretudo, seria absurdo que anulasse o seu instrumento principal de pressão contra as sanções da UE. Sem pipelines, Moscovo e Berlim ficam em mundos paralelos.

O jornal ECO noticiava que num tweet, Radoslaw Sikorski - ex-Ministro da Defesa e ex-MNE polaco, eurodeputado do PPE, e um peso pesado na política global -, agradeceu aos EUA os danos causados aos pipelines russos. Noutro tweet, Sikorski explicava que os "danos no Nordstream reduzem o espaço de manobra de Putin. Se quiser retomar o fornecimento de gás à Europa, terá de conversar com os países que controlam os gasodutos Brotherhood [Ucrânia] e Yamal [Polónia]".

O "agradecimento", gravemente acusatório a Washington, vindo de um seu fã incondicional, apenas o compromete a ele. Contudo, revela também como os demónios europeus estão à solta. O ódio à Alemanha, e não apenas à Rússia, faz hoje parte integrante da política oficial em Varsóvia, como ficou demonstrado no renovado pedido a Berlim por indemnizações pelas perdas da II Guerra Mundial.

A UE, que alguns adeptos do Dr. Pangloss consideram mais forte e unida do que nunca, recebe hoje sinais de menosprezo das chancelarias por esse mundo fora. Com a CE de Von der Leyen, a "Europa Alemã", que segundo o malogrado Ulrich Beck resultou da gestão da crise do euro por Angela Merkel, está febril. Para merecer respeito em política é preciso conhecer os seus interesses cruciais. E saber defendê-los. A resposta europeia à invasão russa da Ucrânia foi desmesurada, ignorou completamente interesses e fragilidades, curvando-se num servilismo acrítico perante Biden. A coligação de Berlim destruiu, de um golpe, os alicerces de uma UE liderada pela Alemanha: segurança de abastecimento energético; estabilidade do euro; alguma (frágil) capacidade de manobra dentro da NATO. Sem estratégia e à deriva, os próximos meses dirão até que ponto é que a estrada de autoflagelação europeia terá alguma margem de mitigação.[Viriato Soromenho Marques]



What environmental-climate impact will the Nord Stream accident have?
How are natural disasters classified, such as Nord Stream?

Música do BioTerra: Ministry - Disinformation

“I rebel; therefore I exist.” ― Albert Camus


As misinformation and so called fake news
Continues to be rapidly distributed on the internet
Our reality has become increasingly shaped by false information

Fake news
False and fake
Fake news (fake news)

The truth is hiding and the world is unstable
This situation never turns out well (not well)
It's still alive, but we're living in a fable (in a fable)
Ignore the truth, embrace the hell

Welcome to hell

Fake news
Falsе and fake

The new normal, a taste of what's ahead (ahead)
The human race probably won't survive (survive)
We can't go back 'cause the past is dead
We can't go forward 'cause we're buried alive

Disinformation
A cancer that spreads
Disinformation
They control your head

Disinfirmation
This stuff is dangerous
Disinformation has infiltrated our government

We're all stuck in a dystopian bubble
We're all fucked if science is a lie
You ask me, humanity's in trouble (In trouble)
So kiss your ass goodbye

Fake news
False and fake

Sabotagem do Nordsteam

Tucker Carlson's accusations that the Biden administration is somehow involved in causing the Nord Stream damage



As fugas dos gasodutos Nord Stream deverão ser a maior explosão do potente gás com efeito de estufa de que há registo, podendo emitir até cinco vezes mais metano do que foi libertado pela catástrofe do Aliso Canyon, a maior libertação terrestre conhecida de metano na história dos EUA. É também o equivalente a um terço do total anual das emissões de gases com efeito de estufa da Dinamarca, segundo um técnico dinamarquês. Jan Olsen e Patrick Whittle, Associated Press. As grandes organizações ambientais como a Greenpeace e o WWF, limitam-se a referir os elevados índices de metano libertado na atmosfera e nos imponderáveis impactos na vida marinha.

Saber mais:





sábado, 1 de outubro de 2022

Monsanto: A Empresa Mais Maligna do Mundo


Monsanto’s GMO Killer Seeds: Profits Above Human Health
Big Pharma Set to Control Entire Food Supply. Monsanto-Bayer and Bill Gates Join Hands
Monsanto Has a “Discredit Bureau”
Bayer Pays $10 Billion to Settle Thousands of Monsanto Glyphosate Lawsuits

Fact Check: A emergência climática existe


Uma “Declaração Mundial sobre o Clima” assinada por mais de 1.100 pessoas, e compartilhada milhares de vezes nas redes sociais desde agosto de 2022, desafia o consenso científico de que o aquecimento global foi provocado pelo ser humano. As afirmações contidas no documento foram desacreditadas por especialistas e poucas das pessoas que assinaram o documento são cientistas da área. Alguns têm vínculos com a indústria petrolífera e organizações negacionistas em relação ao aquecimento global.

“FIM DE PAPO: 1.200 cientistas e profissionais de todo o mundo liderados pelo Prémio Nobel de Física norueguês Professor Ivar Giaever declaram: ‘Não existe emergência climática.’”, diz uma das publicações que circulam no Facebook, Twitter (1, 2) e Telegram, que incluem links para sites (1, 2) que reportaram a declaração.

Vínculos com a indústria petrolífera

O documento que circula é uma versão atualizada de um texto publicado em 2020 pela Fundação de Inteligência Climática (Clintel), organização com sede na Holanda e fundada por Guus Berkhout — geofísico aposentado que trabalhou para a gigante petrolífera Shell — e pelo jornalista Marcel Crok.

A Clintel descreve-se como uma “fundação independente” e promove os que assinaram o texto como “uma grande variedade de cientistas competentes”.

Seus fundadores desmentiram duas reportagens (1, 2) publicadas nos meios de comunicação holandeses, segundo os quais o dinheiro de companhias de combustíveis fósseis teria financiado o trabalho de Berkhout. “A Clintel nunca recebeu um centavo da indústria petrolífera”, disse Crok à AFP por e-mail em 2 de setembro de 2022.

Entre as cinco companhias petrolíferas mencionadas nos informes holandeses, a Shell comunicou à AFP via e-mail que “não estava ciente” de ter financiado Berkhout e a ExxonMobil disse que a afirmação de que havia financiado a organização era “inexata”. As outras três empresas recusaram-se a comentar.

No entanto, sete dos que assinaram a declaração foram identificados como funcionários da Shell e outros oito são empregados da indústria petrolífera. Crok confirmou à AFP que o próprio Berkhout trabalhou para a empresa Shell “faz uns 40 anos”. Além desses, assinaram o documento 13 engenheiros e geólogos da área do petróleo e diversos especialistas em mineração.

Vários dos signatários (1, 2) teriam ligações, fossem mencionadas na lista ou documentadas noutros registos, com grupos norte-americanos do livre mercado e céticos do clima vinculados à indústria petrolífera: o Heartland Institute, Competitive Enterprise Institute e o Cato Institute.

Cada um desses grupos recebeu dinheiro da gigante petrolífera ExxonMobil, segundo os documentos fiscais e de doadores publicados pelo Greenpeace (1, 2, 3). A companhia foi acusada de minar a ciência para proteger o seu negócio de combustíveis fósseis, algo que nega.

Posto de gasolina da Shell, na Inglaterra, em 7 de junho de 2022 ( AFP / Paul Ellis)

Poucos climatologistas

As afirmações do documento são seguidas de uma lista de 1.113 signatários de 40 países: 1.007 vivos e seis registados como falecidos (com uma cruz ao lado de seus nomes). Outros 26 são denominados “Embaixadores da Declaração Mundial sobre o Clima”, e um já faleceu.

Uma das assinaturas é a de Ivar Giaever, co-vencedor do Prémio Nobel de Física em 1973 pelo seu trabalho sobre supercondutores. O Google Académico indica que ele não publicou nenhum artigo sobre a ciência do clima.

Segundo uma contagem feita pela AFP, 10 signatários descreveram-se explicitamente como climatologistas ou cientistas do clima, menos de 1% do total. Alguns outros  denominaram-se especialistas em paleoclimatologia e ciências atmosféricas.

Também assinaram o documento aproximadamente 40 geofísicos, 130 geólogos e 200 engenheiros de diversas áreas, além de vários matemáticos, médicos e agrónomos.

Captura de ecrã feita em 7 de setembro de 2022 de alguns dos nomes que assinaram a “Declaração Mundial sobre o Clima” 

Entre os signatários estão um pescador, um piloto de avião, um sommelier, um músico, um advogado, um linguista, um professor aposentado, um urologista, um psicanalista e, pelo menos, três representantes sindicais de trabalhadores da energia.

O aquecimento global é um fato

Os documentos que afirmam, cientificamente, a existência do aquecimento global são mais completos do que a “Declaração Mundial sobre o Clima”. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) convidou 721 especialistas de 90 países para serem autores e editores do Sexto Relatório de Avaliação em três partes, publicado entre agosto de 2021 e abril de 2022.

O relatório é a avaliação mais completa do conhecimento científico sobre a mudança climática. Cada parte tem 3.000 páginas. Os autores revisaram centenas de estudos listados por seções de referências e concluíram que há uma evidência “inequívoca” de que o clima está a aquecer como consequência das atividades humanas que envolvem a queima de combustíveis fósseis.

Numerosas publicações nas redes sociais colocaram em dúvida o consenso científico de que os seres humanos estão impulsionando o aquecimento global. No entanto, três análises de estudos climáticos dos últimos anos indicaram que o consenso está perto de 100% (1, 2, 3).

O presidente do IPCC, Hoesung Lee, rodeado de copresidentes, em uma entrevista coletiva a respeito o relatório especial sobre as mudanças climáticas e a Terra, em Genebra, em 8 de agosto de 2019 

Afirmações climáticas falsas

Apesar do consenso, a declaração viralizada nas redes diz que vários aspectos da ciência do clima ainda estão em debate. “O que conta não é o número de especialistas, mas a qualidade dos argumentos”, assinala a Clintel.

O documento inclui uma série de afirmações sobre o tema que foram desacreditadas por especialistas da área, e não fornece as fontes usadas. A AFP e outras organizações verificaram previamente vários dos argumentos:

1. “O clima da Terra tem variado desde que o planeta existe, com fases naturais de frio e calor… Portanto, não surpreende que agora estejamos vivenciando um período de aquecimento”.

Os especialistas citados nesta verificação da AFP em espanhol disseram que o aumento das temperaturas globais nos últimos 150 anos foi anormalmente agudo, impulsionado pelas emissões de carbono posteriores à industrialização.

2. “O mundo aqueceu significativamente menos do previsto pelo IPCC sobre a base do forçamento antropogénico modelado… A política climática baseia-se em modelos inadequados”.

Esta análise, realizada pela Carbon Brief, mostrou que alguns modelos projetavam menos aquecimento do que o visto e outros mais, porém, todos mostraram aumentos de temperatura na superfície entre 1970 e 2016 que não estavam muito longe do que realmente aconteceu. Os especialistas defenderam os modelos em declarações à AFP.

3. “Mais CO2 é favorável para a natureza, trazendo de volta o verde ao nosso planeta. O CO2 adicional ao ar tem promovido o crescimento da biomassa vegetal global”.

Os especialistas citados neste artigo da equipa de verificação alemã da AFP indicaram que as plantas só podem processar uma parte limitada do excesso de emissões de dióxido de carbono e sofrem os efeitos das mudanças climáticas.

4. “Não há evidência estatística de que o aquecimento global esteja intensificando o aparecimento de furacões, inundações, secas e desastres naturais similares, ou fazendo com que eles sejam mais frequentes”.

A World Weather Attribution (WWA) calculou, utilizando métodos que incluem análise de observação de conjunto de dados históricos, que vários desastres foram mais prováveis devido às mudanças climáticas, incluindo inundações e tempestades. Seus métodos foram descritos nesta verificação da AFP em inglês sobre incêndios florestais.

Música do BioTerra: Holygram - Still There

Hoje celebra-se em todo o mundo o Dia Mundial da Música


I saw you there 
We started walking in lines 
The sea was wild 
It left a taste in my mouth 
And I don’t know why 
We started falling apart 
So ease my mind 
With your dystopian hands 
And I’m still there 

And I don’t know why 
We started falling apart 
I saw you change 
In our dandelion grave 
And I’m still there 
I’m still there… 

I saw you there 
We started walking in lines 
The sea was wild 
It left a taste in my mouth 
And I’m still there 
Standing there 
You started walking away 

I saw you 
You started walking away 
The sea was wild

Poema da Semana: Outono, por Fernando Pessoa

Scotney Castle, Kent

"Esqueço-me das horas transviadas
o Outono mora mágoas nos outeiros
E põe um roxo vago nos ribeiros…
Hóstia de assombro a alma, e toda estradas…

Aconteceu-me esta paisagem, fadas
De sepulcros a orgíaco… Trigueiros
Os céus da tua face, e os derradeiros
Tons do poente segredam nas arcadas…

No claustro sequestrando a lucidez
Um espasmo apagado em ódio à ânsia
Põe dias de ilhas vistas do convés

No meu cansaço perdido entre os gelos
E a cor do outono é um funeral de apelos
Pela estrada da minha dissonância…"
Fernando Pessoa, in “Cancioneiro”

Mark Zuckerberg (Facebook) - Céptico do Clima


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sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Livro - A Crise dos Insetos



Sobre o Autor:

Oliver Milman é jornalista, especializado em questões ambientais. Correspondente do Guardian nos Estados Unidos da América, conhece em primeira mão as consequências da crise climática, desde o degelo no Ártico aos incêndios devastadores da Califórnia e à destruição causada pelos furacões em Porto Rico. Ajudou a estabelecer as operações do Guardian na Austrália, reportando os efeitos crescentes das alterações climáticas nas cidades, nas quintas e na Grande Barreira de Coral. Os seus artigos sobre o ambiente, os negócios e a indústria dos media têm sido publicados em diversas revistas, nomeadamente The Age in Australia e The Ecologist e New Internationalist no Reino Unido.

Sinopse:

Os insetos estão por todo o lado. Três quartos das espécies animais conhecidas no nosso planeta são representados por insetos. Mas as pesquisas mais recentes sugerem que o número de insetos está em grave declínio em todo o mundo - nalgumas regiões a redução ultrapassa os 90%. "A Crise dos Insetos" explora essa emergência oculta e mostra que o seu impacto pode até rivalizar com o das alterações climáticas. A maior parte da nossa agricultura conta com os insetos para a polinização. Além disso, são uma fonte de alimento essencial para pássaros e peixes, muitas das suas espécies são responsáveis pela limpeza de rios e lagos e são um suporte fundamental para a manutenção da vida na Terra, especialmente a nossa. Numa investigação sólida e divertida, Oliver Milman fala com os cientistas e entomologistas que estudam esta catástrofe à escala planetária e pergunta por que motivos essas criaturas extraordinárias estão a desaparecer, quais as consequências da diminuição das suas populações e o que podemos fazer para conter a perda dos impérios em miniatura que sustentam a vida como a conhecemos. Constituindo um sinal de alarme, mas também uma celebração da incrível variedade do mundo dos insetos, este livro faz-nos despertar para esse desastre ambiental iminente.

Saber mais (resenhas)

Bibliografia
F. Sánchez-Bayo, K.A.G. Wyckhuys, 2019- Worldwide decline of the entomofauna: A review of its drivers

Críticas ao estudo

Nestlé's Darkest Secret: The Disturbing Truth


Nestlé: um filme de terror da vida real - Este mini-filme de negócios "história da Nestlé" analisa a controversa história da Nestlé, incluindo escândalos nos quais a Nestlé esteve envolvida e acusações contra o grupo Nestlé. No entanto, além de olhar para o mundo sombrio da Nestlé e a perturbadora história de controvérsias e escândalos da Nestlé, também aprenderemos a história de como a Nestlé começou de origens humildes com um produto que salva vidas. Honestamente, a Nestlé é uma história de negócios fascinante, especialmente considerando a frequência com que a Nestlé é mencionada on-line como uma das empresas mais odiadas / mais malignas. Então... Qual é a verdade sobre a Nestlé?

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Carlos Neto: “A escola a tempo inteiro é uma vergonha nacional”


Carlos Neto reformou-se só aos 70 anos. Teve uma vida dedicada à educação e, principalmente, ao papel do corpo e à importância da motricidade humana no processo de aprendizagem. Catedrático da Faculdade de Motricidade Humana (FMH) da Universidade de Lisboa (UL), é conhecido por dizer que brincar é um assunto sério e, nesta conversa com o PÚBLICO, é com determinação que defende que as “crianças não podem ser vítimas do trabalho dos pais”, porque não podem passar 50 horas por semana na escola, ou que “as crianças portuguesas brincam menos do que os prisioneiros nas prisões”. Depois da turbulência causada pelos confinamentos ditados pela covid-19, neste regresso “normal” à escola Neto avisa que “a maior pandemia” que temos agora “é o número de horas em que estamos sentados”.

Este ano lectivo que começa agora pode-se considerar o mais normal desde o início da pandemia. Sem máscaras, sem álcool-gel, sem circuitos alternativos. E os alunos, acha que já ultrapassaram alguns dos traumas da pandemia?
De facto, a pandemia penalizou altamente as crianças, sobretudo aquelas dos primeiros níveis de escolaridade. Foi um verdadeiro Big Brother, não só pelo facto de terem ficado muito limitadas do ponto de vista da expressão das suas energias, dos seus sentimentos, das suas ideias, da sua socialização. Notei que depois dos dois confinamentos, quando regressaram à escola, as crianças vinham com algumas alterações muito significativas do ponto de vista da saúde física, muitas com excesso de peso e algumas até com obesidade e, por outro lado, com um nível de auto-estima e autoconfiança mais baixo. Acima de tudo, notei uma desorganização, uma agitação “motórica” como nunca tinha percebido ao longo de 50 anos de trabalho.

Uma agitação “motórica” significa uma grande necessidade de contacto físico, de estar com os amigos, de correr, saltar, explorar o espaço. Durante a pandemia houve bolhas, corredores, impedimentos de as crianças se contactarem. No espaço escolar, o contacto físico é das coisas mais importantes para as crianças se conhecerem, se estruturarem. Muitos medos entraram no corpo e ainda não foram ainda totalmente digeridos, para além de uma instabilidade “motórica” e também emocional. Os efeitos desta pandemia não estão ainda sarados. Há muitas consequências que eventualmente ainda vão manifestar-se durante alguns anos. As coisas não passam de um dia para o outro. Do ponto de vista emocional, as crianças ficaram muito marcadas. Julgo que este ano temos condições de iniciar um ano lectivo em que possamos resolver muitos destes problemas. Depois da pandemia, também apareceram alguns sintomas de maior agressividade, elementos de bullying e violência.

Um estudo do Ministério da Educação de Maio concluía que um terço dos alunos e metade dos professores apresentavam sinais de sofrimento psicológico.
E também emocionais e físicos. Os corpos ficaram aprisionados, não se mexeram durante um grande período de tempo. Isto tem consequências ao nível da percepção do nosso corpo porque não houve movimento, actividade motora. Esse aprisionamento do corpo tem muitas consequências não só a nível da saúde mental, mas da saúde social e emocional também. Neste momento, temos de estar atentos a esses sinais que ainda estão a manifestar-se e que provavelmente vão durar ainda alguns anos. Julgo que já passámos o pior desta pandemia, mas há ainda um medo persistente na cabeça das pessoas, quer dos pais, quer das crianças e jovens.

Acha que as escolas estão conscientes ou preparadas para essa necessidade de estarem atentas aos sinais e de ajudarem a combater os efeitos desse aprisionamento do corpo?
Numa grande parte dos casos, os agrupamentos de escolas estão atentos, despertos para esse tipo de manifestações. Mas a escola está rodeada de outros factores que afectam o sistema educativo. Vivemos um momento de grande transição digital, robótica, IA, neurociências, genética, mas também uma transição climática e energética. Tudo isto implica uma reinvenção da escola. Esta é a questão principal que se coloca.

A escola tomou consciência, com esta pandemia e com a guerra que agora vivemos, que tem de mudar porque o mundo mudou. Temos de construir um novo modelo de funcionamento das instituições escolares porque nós temos um futuro desconhecido, incerto e imprevisível. A escola que sempre manteve uma função fundamental para o desenvolvimento da sociedade tem de redefinir o seu futuro. Isso implica — como aliás foi muito bem definido pelo relatório da UNESCO que foi publicado recentemente e que faz uma projecção para 2030 — um novo contrato social para a educação: temos de trabalhar juntos para reinventar uma escola nova. Temos de acabar com esta cultura egocêntrica, de um currículo estruturado em disciplinas com currículos exaustivos e intensos e com uma escola a tempo inteiro que, de facto, foi algo de muito penalizador para as crianças. Uma grande parte delas passa 50 horas na escola.

Na altura [primeiro governo de José Sócrates], a escola a tempo inteiro foi apresentada pelo governo como uma grande conquista.
As crianças não podem passar tanto tempo na escola. Têm de ter outras experiências, mais tempo com os pais, mais tempo informal. Hoje, a escola está completamente formatada e formalizada.

Há muitas famílias que não têm tempo para passar mais tempo com as crianças.
Temos de ter um equilíbrio nas políticas públicas no sentido de harmonizar o tempo de trabalho e o tempo passado em família. As crianças não podem, de nenhuma forma, ser vítimas do trabalho dos pais. O tempo escolar tem de ser apreciado de uma forma nova. As crianças deixaram de ter contacto com o espaço natural, de ter tempo para elas próprias, ter tempo para brincar, fazer aventuras, descobrir o espaço público e a sua comunidade. São transportadas para a escola, estão sentadas imensas horas, quase de manhã à noite, em casa, no automóvel, na sala de aula. A sala de aula aprisionou a criança na escola. A sala de aula também tem de ser desconstruída. Esta é uma mensagem fundamental que vem nesse estudo [da UNESCO].

Para além disso, é preciso conectar a aprendizagem com o espaço natural no sentido de haver mais experiências comunitárias. Por outro lado, é preciso ter atenção a esta abundância de propostas de digitalizar a escola de qualquer forma e feitio. Os instrumentos digitais vieram para ficar, mas não podem substituir o professor. Corpos activos são cérebros activos através da acumulação de sentimentos e emoções. Quem não percebe sentimentos não percebe nada de educação. É fundamental que o professor seja guia, mentor, tutor dos alunos a fornecer condições e contextos para que as crianças se apropriem de conhecimentos mas também de competências pessoais. Antes de pensarmos em alunos, temos de pensar em pessoas que estão a crescer, a desenvolver-se para um mundo que é desconhecido. Temos de reavaliar os modelos de ensino, daquilo que deve ser o ensino centrado na criança e no adolescente e não apenas sacrificar a aprendizagem através da avaliação. Há um excesso de cultura de escolarização na nossa escola que tem que ser aliviada. A escola não é só para fazer testes, ter médias, para entrar nos rankings.

A divulgação pública de rankings veio distorcer os objectivos da escola? Há famílias obcecadas com isso.
Há uma expectativa parental e escolar sobre os resultados. Agora com a semestralização é preciso ter algum cuidado sobre como isso vai ser feito. É preciso equilíbrio para que as crianças não tenham um modelo de ensino em que a escola seja apenas um local onde o conhecimento se replica. Não podemos ter uma escola replicativa com crianças sentadas a ouvir de forma pouco participativa. Tem de haver mais participação das crianças no processo de aprendizagem. Temos de tornar a escola um local acolhedor, com entusiasmo, onde seja possível haver alegria e busca de prazer. Isso só é possível numa escola participativa em que aquilo que se aprende é feito através de projectos, mais de perguntas do que de respostas e não apenas de preparação das crianças para testes. Muitas vezes estamos a preparar crianças para memorizar conhecimentos para depositarem nos testes e depois esquecerem. Temos de fazer uma grande reflexão nacional sobre as políticas de acesso ao ensino superior. As escolas, desde a creche até ao secundário, não servem para preparar crianças para entrarem na universidade. Devíamos libertar as escolas para que as crianças e os professores tivessem tempo para aprender as coisas que são importantes.

Mito: Não há necessidade de deixar as bermas das estradas com ervas e arbustos

Manhattan Waterfont

Muitas pessoas pensam assim mas as boas práticas ambientais, de acordo com estudos científicos recomendam a manutenção de corredores ecológicos a ligar as localidades entre as zonas ainda rurais e as urbanas. Esses "corredores ecológicos" são justamente as bermas floridas. Solo vivo com vegetação é uma mais valia. Infelizmente muitas ervas espontâneas da Flora Vascular de Portugal Continental já só ocorrem precisamente em bermas de estradas e há espécies animais, sobretudo insetos, que dependem delas para se abrigarem, efetuarem posturas de ovos e se alimentarem. 

É dramática a redução do número de espécies nativas de ervas espontâneas e paralelamente a expansão assustadora de espécies exóticas invasoras nas bermas dos caminhos e terrenos de Portugal (ex. Erva das Pampas, espanta-lobos, tintureiras, avoadinhas, etc). 

Um dos maiores erros é a aplicação de herbicida, que contamina o solo, o outro o corte das ervas espontâneas em flor, em plena Primavera, antes da fecundação e formação dos frutos e sementes. 

Como são plantas anuais que secam e morrem naturalmente, no fim do seu ciclo de vida, se não completarem o ciclo e não largarem as sementes no solo não se renovam no ano seguinte e vão desaparecendo, acabando por se extinguir.

Uma coisa é o controle e redução das espécies invasoras das bermas, outra coisa é o corte cego e raso. As plantas não são todas iguais.

Sugiro que consulte algumas páginas aqui no Facebook, como a do FLOWer Lab , a da rede polli.NET e Lousada Ambiente para ficar a perceber melhor e ficar a par de boas práticas no que respeita à conservação das ervas e insetos polinizadores, dos quais também depende a produção alimentar. 

Na Alemanha, por exemplo, o mel urbano já rivaliza com o mel das zonas rurais e há quem defenda ser melhor pelo facto de os seus produtores não usarem pesticidas na cidade, ao contrário do que sucede hoje em dia nas zonas rurais. 

Na Alemanha, em Munique por exemplo, o teto das paragens de autocarro e topo dos edifícios é usado para semear ervas (flores silvestres) para alimentar abelhas e outros insetos. Até a Kate, nora do Rei Carlos III contratou arquitetos paisagistas para lhe fazerem um jardim de "ervas daninhas" - flores silvestres- para que as crianças inglesas possam conhecer as espécies da flora selvagem de Inglaterra.

Nós temos uma biodiversidade incrível e damos cabo dela. Mas isto está a mudar. Já vai tarde para as plantas que desapareceram, mas mais vale tarde que nunca.

Benefícios dos Corredores Verdes e de deixar que bermas das estradas tenham ervas e arbustos

Se nos focamos nos benefícios para o meio ambiente, os mais importantes são:
  • Ao haver mais áreas verdes, aumentam a biodiversidade no contexto urbano.
  • Promovem uma mobilidade não poluente: bicicletas ou patinetes, por exemplo.
  • Reduzem a poluição atmosférica e poluição acústica da cidade.
  • Ajudam na não-formação do fenómeno "ilhas de calor", reduzindo a temperatura de forma eficaz.
  • Contribuem para uma melhor gestão das águas pluviais, ou seja, a água das chuvas.
  • Um dos aspectos mais relevantes dos corredores verdes é que, além dos benefícios para o meio ambiente já mencionados, também geram benfeitorias sociais, culturais e económicas. Por exemplo: melhoram a qualidade de vida das pessoas favorecendo a atividade física e o relaxamento mental, promovem a vida cultural ao contar com auditórios ao ar livre ou edifícios para exposições e, em vários casos, são um chamariz turístico com efeitos positivos na economia das cidades.
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quinta-feira, 29 de setembro de 2022

O Ataque ao Calendário Escolar- Parte 2

Amesterdão, 2020. Hora de ponta.

Susana Peralta balizou o seu conceito (ataque às 13 semanas de férias escolares e e informou que temos entre 50% a 100% menos dias de férias ao longo do ano lectivo) num mundo da escola privada. Desculpe, mas a escola REAL portuguesa não é essa.

Além disso há todo um paradigma sócio-ecológico já questionado por vários peritos em diversas áreas (medicina, pediatria, arquitectos paisagistas, urbanistas, etc.) que dizem é urgente mudar Portugal, mas é o colectivo que tem que mudar. 

O ataque ao calendário escolar não vai alterar uma cultura. Temos de pensar muito bem como é que se gere o conceito de tempo, o tempo de vida, quer ao nível da família, amizades inter-pares, amizades intergeracionais, os espaços envolventes e sobretudo aliviar a nossa Escola - onde as crianças/jovens portugueses já passam muitas horas. 

Tem repercussões enormes não ir a pé para a escola, sair de bicicleta, andar na rua, fazer tarefas que permitam descobrir e viver o território de forma plena. As crianças/jovens ao serem transportadas de automóvel para a escola, serem conduzidas, é manipulá-las na sua liberdade de ação.

Educar é dar autonomia, distanciamento, dar a capacidade da criança /jovem resolver por si próprio os seus objetivos, de não ficarem aprisionados e serem conduzidos, manipulados, no seu quotidiano.Foto: Amesterdão, 2020. Hora de ponta.

O Ataque ao Calendário Escolar em Portugal- parte 1


Estou indignado com esta crónica! Temos um clima que não é o da Alemanha, nem Países Baixos ou Nórdicos. Que triste malhar uma vez mais nos professores!

A discussão em reduzir as 13 semanas é politicamente incorrecto e fora da realidade sócio-económica, condições climáticas e precariedade de Portugal.

A meu ver transcrever o ano lectivo dos países mencionados será válido para famílias portuguesas muito ricas e com os seus filhos no ensino privado.

Mais, as “férias” lectivas dos nossos alunos não são iguais às férias dos professores do ensino público. Temos retirados pelo menos 3 dias para fazermos a avaliação de cada período.

Alguns professores estão em Agosto a trabalhar por causa da 2ª chamada de exames nacionais.

Há muitos jovens com 16-19 anos que precisam exatamente das 13 semanas de férias escolares para trabalhar, ajudando os pais ou fazendo economias para entrar na faculdade e pagar apartamento.

Muitas aulas em Junho até já são uma tortura quando começam as vagas de calor cada vez mais duradouras e intensas. Pouco ou nada rendem!!

Imagine dar aulas de Verão no Alentejo ou Algarve e quero ver se aguentava temperaturas de 35-40ºc dentro da sala de aula e alunos aos berros.

"Eu acho que os miúdos não deviam ter férias e estar na escola das 6h às 21h e só com 15 minutos para almoço. De resto era sempre a levar com matéria." - é o que se conclui da sua crónica