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quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Viúva de Alexei Navalny diz que laboratórios independentes provaram envenenamento mortal do marido

O opositor russo, de 47 anos, um dos principais críticos do Presidente russo, Vladimir Putin, morreu na prisão em fevereiro do ano passado

A viúva do líder da oposição russa Alexei Navalny afirmou hoje que o marido morreu envenenado, na sequência da confirmação por dois laboratórios diferentes depois de análises aos "restos biológicos" do ativista.

"Conseguimos transferir o material biológico de Alexei [Navalny] para o estrangeiro. Laboratórios de dois países diferentes realizaram análises. Estes laboratórios, independentes um do outro, concluíram que Alexei foi envenenado", escreveu Yulia Navalnaya numa mensagem publicada nas redes sociais e na qual exigiu que os resultados destes testes sejam tornados públicos.

O opositor russo, de 47 anos, um dos principais críticos do Presidente russo, Vladimir Putin, morreu na prisão em fevereiro do ano passado.

Navaly estava numa prisão no Ártico para cumprir uma pena de 19 anos sob "regime especial" e, segundo os serviços penitenciários, sentiu-se mal depois de uma caminhada e perdeu a consciência.

A viúva adiantou que Navalny tinha sido transferido para aquela prisão dois meses antes da morte, "claramente para esse fim".

"Durante os três anos que passou atrás das grades, o estado de saúde agravou-se. Não queriam apenas matá-lo, tentaram dominá-lo. Atormentaram-no com fome, frio e isolamento total. Foi impedido de receber telefonemas e visitas e deixaram de lhe entregar cartas. As reuniões com os advogados foram obstruídas. Passou longos períodos numa cela de castigo sem bens pessoais, sem livros e até sem papel ou caneta", contou.

Navalnaya realçou que a cela onde o marido se encontrava tinha "seis metros quadrados, uma chávena, uma escova de dentes e uma cama fixada na parede durante o dia, pelo que não era possível deitar-se nela".

"Esta foi a cela de castigo em que foi assassinado", denunciou.

Segundo Navalnaya, o opositor russo começou a sentir-se mal durante "uma caminhada programada" feita numa cela vizinha.

"O Alexei bateu à porta e disse que se sentia mal (...) Estava deitado no chão, com os joelhos sobre o estômago, a gemer de dor. Disse que o peito e a barriga estavam a arder. Começou a vomitar", contou.

"De acordo com o testemunho de alguns guardas prisionais, Alexei sofreu convulsões, respirava com dificuldade e tossia", acrescentou Navalnaya, referindo que "a ambulância foi chamada mais de 40 minutos depois de Alexei se ter começado a sentir mal".

"Nesse momento, já estava inconsciente. A ambulância, que chegou 10 minutos depois, tentou ressuscitá-lo, mas sem sucesso", adiantou.

A viúva lembrou que, após a morte do marido, prometeu fazer "todos os possíveis para investigar o assassínio de Alexei" Navalny, garantindo que tanto ela como a equipa que apoiava o opositor estão a cumprir essa promessa.

"Os assassinos trabalharam cuidadosamente para eliminar as pistas, mas conseguimos preservar algumas provas", disse.

Contou que conseguiram, em fevereiro de 2024, obter "amostras de material biológico de Alexei [Navalny] e contrabandeá-las em segurança para o estrangeiro".

Agora, os resultados dos testes de dois laboratórios "chegaram à mesma conclusão: Alexei foi assassinado. Mais especificamente, foi envenenado".

Navalnaya lamentou que "os países ocidentais não tenham base legal para abrir processos criminais" relativamente ao caso, mas lembrou que "também há considerações políticas".

"O Alexei era o meu marido. Era o meu amigo. Era um símbolo de esperança para o nosso país. Putin assassinou essa esperança. Temos o direito de saber como o fez. Peço aos laboratórios que realizaram os testes que publiquem os resultados", apelou.

"Parem de bajular Putin em nome de considerações ditas superiores. Enquanto permanecerem em silêncio, ele não para. Talvez alguém esteja a morrer agora por causa de outro envenenamento por Putin. Não apenas na Rússia, pois já vimos casos semelhantes noutras partes do mundo", instou.

"A única forma de confrontar Putin é agir com coragem e franqueza", concluiu.

terça-feira, 15 de julho de 2025

Viúva de Alexei Navalny pede que Itália cancele concerto de maestro apoiador de Putin

Yulia Navalnaya, viúva de Alexei Navalny, líder da oposição russa morto em fevereiro de 2024, pediu quee a Itália cancele um concerto de Valery Gergiev, maestro russo apoiador de Vladimir Putin. O regente tem uma apresentação programada no festival Un’Estate da Re, no palácio de La Reggia di Caserta, na Câmpania, em 27 de julho - caso aconteça, será a primeira aparição de Gergiev na Europa desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022.

Valery Gergiev é um entre muitos artistas russos que não tem se apresentado no Ocidente desde o início da ofensiva do país contra território ucraniano. Caso se apresente na Itália, o país terá rompido um boicote europeu a artistas pró-Kremlin.

Em artigo publicado no jornal La Repubblica nesta terça-feira (15), Yulia Navalnaya afirma que a apresentação de Gergiev no festival seria “um presente para o ditador”. Segundo ela, o maestro não era apenas um “amigo íntimo” e apoiador de Putin, mas também um “promotor” das “políticas criminosas” do presidente russo.

“Como é possível que, no verão de 2025, três anos após o início do conflito na Ucrânia, Valery Gergiev — cúmplice de Putin e pessoa incluída nas listas de sanções de vários países — tenha sido subitamente convidado para a Itália para participar de um festival?”, escreve Navalnaya.

Valery Gergiev, de 72 anos, tem uma reconhecida carreira na música de concerto, que o levou a reger em alguns dos principais palcos do mundo, como o Royal Opera House, em Londres, o Metropolitan Opera, em Nova York, e o Alla Scala, em Milão. Seu apoio a Putin não é uma novidade, e o maestro endossou o líder em campanhas eleitorais, após a anexação da Crimeia em 2014, em um concerto em Palmira, na Síria, em 2016, após as forças russas ajudarem o ex-ditador sírio Bashar al-Assad a retomá-la, e mais recentemente, declarou seu apoio a Putin durante a invasão russa à Ucrânia.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Alexei Navalny e Gonzalo Lira




A hipocrisia da União Europeia e EUA à volta da morte Navalny, menosprezando a morte de Gonzalo Lira. Navalny não era comunista, era liberal e nacionalista, anti-imigração. Lira fez propaganda para o governo russo, pro-Putin e era muito crítico da invasão Rússia-Ucrânia.
Em 19 de setembro de 2007, o famoso opositor russo Navalny fez um dos seus vídeos mais polémicos. Estava ainda no partido nacionalista Narod. Nele, compara imigrantes muçulmanos a insetos e defende o porte de armas de civis para resolverem o problema.

A hipocrisia do Ocidente e a indignação totalmente falsa pela morte do dissidente russo Alexei Navalny são de cortar a respiração. Enquanto torturavam até à morte Julian Assange numa prisão do Reino Unido – um cidadão australiano que trabalhava no Reino Unido e cujo único “crime” é ter revelado verdades sobre os crimes de guerra dos EUA – e praticamente ignoravam a morte de Gonzalo Lira na Ucrânia, estes as pessoas se balançam no cavalo mais alto que conseguem encontrar para culpar a Rússia por ser um regime assassino de injustiça.

O enquadramento da morte de Navalny e a falta de opções que os EUA têm para exercer mais pressão sobre a Rússia são novamente reveladores não só em termos de propaganda, mas também de como os russos conseguiram realmente dissociar com sucesso a sua economia e destino no mundo dos EUA e da UE – enquanto o Ocidente, claro, ainda finge que “desferiu um golpe” na economia da Rússia. Bem, bom para Moscovo. Esperemos que a maioria dos países fora do Ocidente Coletivo fique claro que a dependência do império dos EUA é uma bomba-relógio.