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domingo, 7 de junho de 2026

The Wild Swans - Bringing Home The Ashes


Melhor som aqui

Letra
[Verse 1]
Goodbye...
Flower of England
The pain never fades away after all this time
World war
And revolution
The heart in the heart of England will never die

[Chorus]
Bringing home the ashes
Is more than I can bear

[Verse 2]
Goodbye
King of sorrow
The curse of a thousand years beneath the gloves
Worn down and hardly breathing
The heart in the heart of England will never die

[Chorus 2]
Bringing home the ashes
Is more than I can bear
When winter lightning flashes
You'll find me lonely there

Significado da canção
A expressão "bringing home the ashes" (trazendo as cinzas para casa) carrega uma dualidade profunda que mistura a melancolia pessoal com o peso da identidade britânica dos anos 80. Por um lado, o título remete subtilmente à famosa competição de críquete entre a Inglaterra e a Austrália, conhecida como "The Ashes", que nasceu de um obituário satírico sobre a morte do desporto inglês. Contudo, no contexto poético da canção, a metáfora adquire um tom muito mais sombrio e espiritual, simbolizando o ato de recolher os destroços, as memórias e o que restou de um passado glorioso após a desilusão ou a destruição. Paul Simpson evoca uma visão romântica, mas cansada, de uma Inglaterra marcada por crises sociais e cicatrizes históricas, sugerindo o fardo quase insuportável de carregar a dor do tempo. Ainda assim, mesmo perante a decadência e o inverno rigoroso, a música recusa-se a ceder ao niilismo total, proclamando com resiliência que o coração da nação nunca morre. Trata-se, no fundo, de um hino sobre a perda da inocência e a maturidade, onde a beleza e a dignidade são resgatadas mesmo quando tudo o que resta são cinzas.
É um daqueles temas que consegue ser incrivelmente luminoso na melodia (pelas guitarras brilhantes), mas profundamente nostálgico e triste na poesia e na voz barítona de Paul Simpson. 
Em resumo, o tom barítono dele contrasta perfeitamente com a envolvência quase celestial das guitarras, criando um ambiente agridoce que é a verdadeira alma da canção. É essa fricção entre a luz da música e a penumbra da voz que a torna tão marcante.
No contexto político a banda tece críticas. A década de 1980 no Reino Unido ficou profundamente marcada pelo governo de Margaret Thatcher, cujas reformas económicas agressivas e de cariz neoliberal transformaram radicalmente o tecido social do país. Cidades industriais e portuárias como Liverpool sofreram um impacto devastador, enfrentando o encerramento de estaleiros, o desemprego em massa e uma forte crispação social, que chegou a culminar em violentos motins urbanos. Foi precisamente neste cenário de sufoco e fratura social que a cena musical local floresceu, utilizando a arte como uma forma de protesto e de fuga à realidade cinzenta. Quando os The Wild Swans lançaram “Bringing Home The Ashes” em 1988, a canção acabou por espelhar de forma perfeita esse ambiente da era "Thatcherista". O contraste entre a melodia luminosa das guitarras e o tom barítono, melancólico e pesado de Paul Simpson traduz a dualidade de uma juventude que se sentia desgastada e sem fôlego face às convulsões políticas da época. Ao evocar imagens de guerras de palavras, revoluções e o peso de carregar as cinzas de um passado glorioso, a letra funciona como um retrato íntimo e político de uma Grã-Bretanha dividida. No entanto, a insistência em cantar que o coração da Inglaterra nunca morre surge como um ato de resistência cultural e de apego à identidade comunitária da classe trabalhadora, que recusava deixar-se abater pela austeridade dos tempos.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

História do naturismo na Alemanha: origens e evolução da Freikörperkultur (FKK)


O naturismo na Alemanha - historicamente designado por Freikörperkultur (FKK) ou "cultura do corpo livre" - não nasceu como uma mera preferência de lazer, mas sim como um movimento social, ético e terapêutico de rejeição aos efeitos colaterais da industrialização acelerada do século XIX.

Integrado no movimento amplo da Lebensreform (Reforma da Vida), o naturismo alemão combateu o sedentarismo urbano, o vestuário vitoriano constritivo e a alienação social, promovendo a regeneração do indivíduo através da luz solar, do ar livre e do desportivismo higienista.

Ensaio histórico: a evolução da Freikörperkultur
1. As origens e a Lebensreform (Finais do Século XIX a 1914)
Na viragem do século XIX para o século XX, a Alemanha viveu uma urbanização fulgurante. Em resposta ao crescimento das metrópoles poluídas e densas, surgiram correntes de medicina natural e higienismo que defendiam a helioterapia (cura pelo sol) e os banhos de ar. A prática da nudez coletiva ao ar livre afirmava-se como uma forma de "des-erotizar" o corpo humano, devolvendo-lhe a pureza natural em harmonia com os elementos da natureza.

Em 1898, fundou-se em Essen o primeiro clube formal de naturismo. Poucos anos depois, a expressão Freikörperkultur tornava-se o estandarte de uma filosofia que unia o vegetarianismo, o exercício físico e o desapego das convenções burguesas.

2. A idade de ouro na República de Weimar (1918–1933)
Foi no período intermédio entre as duas guerras mundiais que a FKK se transformou num movimento de massas. A República de Weimar proporcionou a abertura social necessária para o florescimento de escolas de cultura corporal e parques de ar livre (Freilichtparks).

Nesta época, a FKK dividiu-se em duas grandes correntes sociopolíticas:
  • Corrente Proletária / Socialista- ligada aos movimentos operários e ao Sozialdemokratische Partei Deutschlands (SPD), defendia o naturismo como uma ferramenta de igualdade de classes (sem roupas, desapareciam as marcas de estatuto social) e de emancipação dos trabalhadores.
  • Corrente Völkisch / Conservadora: Assente numa visão romântica da raça e da pureza física, encarava a nudez como um meio de fortalecer a "vitalidade germânica".
3. O Regime Nacional-Socialista (1933–1945)
Com a subida do regime nazi ao poder, a atitude em relação ao naturismo foi ambígua e contraditória. Inicialmente, as organizações de naturismo operário e de esquerda foram banidas e perseguidas. Em contrapartida, certas fações do regime assimilaram a estética do corpo nu e atlético como símbolo da escultura ariana. Em 1942, o regime acabou por regulamentar os banhos nus, permitindo-os desde que isolados do olhar público.

4. A Pós-Guerra: As Duas Alemanhas e a Era Contemporânea
Após 1945, o naturismo seguiu caminhos distintos:
  • Na Alemanha Oriental (RDA): o naturismo teve uma enorme adesão popular, em especial nas praias do Mar Báltico. O regime comunista, após reservas iniciais, acabou por tolerar a FKK, que funcionava para os cidadãos como uma válvula de escape de liberdade individual fora do controlo estatal.
  • Na Alemanha Ocidental (RFA): o movimento reorganizou-se formalmente em 1949 com a criação da Deutscher Verband für Freikörperkultur (DFK)
Hoje, a Freikörperkultur está plenamente integrada na identidade cultural alemã, visível em parques urbanos (como o Englischer Garten em Munique), saunas mistas sem fato de banho e praias dedicadas em todo o país.

Principais Promotores do Naturismo Alemão
  1. Karl Wilhelm Diefenbach (1851–1913): Pintor e reformador social. É considerado o pioneiro espiritual da FKK. Defendeu a nudez, o vegetarianismo e a vida em comunidade ao ar livre na sua comunidade de artistas em Höllriegelskreuth.
  2. Heinrich Pudor (1865–1943): Escritor que cunhou o termo Freikörperkultur em 1902. Publicou a obra seminal de três volumes Nacktkultur (1906), articulando a nudez com a higiene e a reforma social.
  3. Richard Ungewitter (1869–1958): Um dos organizadores e propagandistas mais influentes da fase inicial. Autor da obra Nacktheit (1906), vendeu dezenas de milhares de exemplares promovendo o naturismo como solução para a saúde pública e a regeneração moral.
  4. Adolf Koch (1896–1980): Pedagogista e líder do naturismo socialista durante a República de Weimar. Fundou escolas de cultura física em Berlim onde promovia a ginástica em nudez mista para a classe trabalhadora como forma de higiene corporal e mental.
  5. Alice Bloch (1883–1971) e Bess Mensendieck (1864–1957): Pioneiras na articulação entre o naturismo, a ginástica feminina e a postura física, promovendo o corpo livre de espartilhos e de peias morais.
  6. Hans Surén (1885–1972): Antigo oficial militar que popularizou o naturismo nas décadas de 1920 e 1930 com o livro Mensch und Sonne (1924), vendendo mais de 250 mil exemplares e enfatizando a vertente atlética e ao ar livre.
Referências Bibliográficas
  1. Hau, Michael (2003). The Cult of Health and Beauty in Germany: A Social History, 1890–1930. Chicago: University of Chicago Press.
  2. Jefferies, Matthew (2007).Turning to Nature in Germany: Hiking, Nudism, and Conservation, 1900–1940. Stanford: Stanford University Press.
  3. Ross, Chad (2005).Naked Germany: Health, Race and the Nation. Oxford: Berg Publishers.
  4. Toepfer, Karl Eric (1997). Empire of Ecstasy: Nudity and Movement in German Body Culture, 1910–1935. Berkeley: University of California Press.
  5. Ungewitter, Richard (1906). Nacktheit. Stuttgart: Selbstverlag.
  6. Williams, John Alexander (2007). "The Chaste Yawn of the Nudist: Body Culture and Left-Wing Politics in Weimar Germany". Journal of the History of Sexuality, 16(2), 241-274.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Portugal esgotou hoje recursos que natureza lhe destinava para o ano inteiro, dois dias mais tarde do que no ano passado


Portugal esgota hoje os recursos naturais que tinha disponíveis para este ano, dois dias mais tarde do que no ano passado, passando a consumir "a crédito", indicam dados da organização internacional "Global Footprint Network".

O dia da sobrecarga, explica a organização, indica que de 01 de janeiro a 07 de maio os portugueses consumiram tantos recursos naturais quantos os diversos ecossistemas da Terra conseguem regenerar ao longo de um ano. A partir de agora os portugueses continuam naturalmente a consumir, mas usam mais recursos, em terra ou no mar, do que teoricamente estariam disponíveis, e emitem mais dióxido de carbono do que a natureza pode absorver.

No ano passado o dia em que o país esgotou os recursos foi a 5 de maio, o que quer dizer que melhorou ligeiramente em sustentabilidade.

A estabilização no consumo de recursos do planeta é notada pela associação ambientalista Zero, que, num comunicado no qual comenta a pegada ecológica do país, refere a ligeira melhoria, comparando com o ano anterior.

Mas ainda assim o país começa a exceder os recursos disponíveis para alimentar o estilo de vida dos portugueses decorridos menos de cinco meses do ano. Tal quer dizer que se cada pessoa na Terra vivesse como uma pessoa média portuguesa, a humanidade exigiria cerca de 2,9 planetas para sustentar as suas necessidades de recursos.

O resultado coloca Portugal na média da União Europeia (UE), que este ano teve o dia de sobrecarga em 03 de maio, uma ligeira melhoria também em relação ao ano passado.

Na UE há países que esgotaram há muito os recursos que tinham para o ano todo. Nas contas da "Global Footprint Network" o consumo do Luxemburgo esgotou os recursos logo no dia 17 de fevereiro.

A nível mundial o pior classificado é o Catar, que esgotou a sua parte a 04 de fevereiro. Do outro lado da tabela estão as Honduras, que só têm o dia de sobrecarga a 27 de novembro.

A pegada ecológica avalia as necessidades humanas de recursos renováveis e serviços essenciais e compara-as com a capacidade da Terra para fornecer tais recursos e serviços (biocapacidade).

A 05 de junho, Dia Mundial do Ambiente, a "Global Footprint Network" anuncia o "Earth Overshoot Day" de 2026, o momento em que a necessidade de recursos e serviços ambientais por parte da Humanidade excede a capacidade da Terra para regenerar esses mesmos recursos.

Em 2025 a humanidade esgotou os recursos desse ano no dia 24 de julho, uma semana mais cedo do que em 2024, 01 de agosto.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Diplomata do Mundo: O Papel de Ted Turner no Degelo da Guerra Fria

A influência de Ted Turner no fim da Guerra Fria é um exemplo notável de como o "soft power" e a convicção pessoal podem contornar os canais governamentais tradicionais para alterar o curso da história. Enquanto os diplomatas se mantinham bloqueados em batalhas ideológicas rígidas, Turner atuou como um "diplomata cidadão", alavancando o seu império mediático e a sua fortuna pessoal para perfurar a Cortina de Ferro e humanizar o "inimigo".
Uma das suas contribuições mais significativas foi a criação dos Goodwill Games (Jogos da Boa Vontade) em 1986. Após os boicotes sucessivos aos Jogos Olímpicos de Moscovo, em 1980, e de Los Angeles, em 1984, o intercâmbio atlético e cultural entre as superpotências tinha estagnado completamente. Turner financiou pessoalmente os jogos em Moscovo para reunir atletas americanos e soviéticos, perdendo milhões de dólares no processo, mas alcançando o seu objetivo de provar que a interação pacífica era possível.
Simultaneamente, Turner transformou a comunicação global através da CNN. Ao criar o primeiro ciclo de notícias globais de 24 horas, estabeleceu, de forma não intencional, uma ponte para a diplomacia em tempo real. Os líderes na Casa Branca e no Kremlin podiam subitamente ver os acontecimentos desenrolarem-se no país do outro sem o atraso dos relatórios de inteligência, e Turner utilizou a sua plataforma para transmitir entrevistas com oficiais soviéticos que desafiavam a narrativa simplista do "Império do Mal" frequentemente vista nos meios de comunicação ocidentais.
Esta era testemunhou também o desenvolvimento de uma amizade genuína entre Turner e Mikhail Gorbachev. Turner tornou-se um apoiante assumido das reformas de Gorbachev, a Glasnost e a Perestroika, ajudando a enquadrar estas mudanças como uma oportunidade para a paz e não como um engano tático. A relação entre ambos foi tão profunda que, mais tarde, associaram-se para formar a Green Cross International, unindo as causas da paz e do ambientalismo.
Em última análise, o ativismo de Turner foi movido por um medo visceral da aniquilação nuclear.
Turner defendeu incansavelmente a redução dos arsenais nucleares, argumentando que a verdadeira segurança não vinha da "Destruição Mútua Assegurada", mas da cooperação. Este ativismo culminou mais tarde na criação da Ele defendeu incansavelmente a redução dos arsenais nucleares, argumentando que a verdadeira segurança não vinha da "Destruição Mútua Assegurada", mas da cooperação. Este ativismo culminou mais tarde na criação da Nuclear Threat Initiative (NTI), que trabalha para reduzir os riscos de armas de destruição maciça.
Ele encarava a Guerra Fria não apenas como uma luta política, mas como uma ameaça existencial para o planeta. Ao defender o desarmamento nuclear e ao fomentar a compreensão mútua através do desporto e dos media, ajudou a criar a atmosfera psicológica necessária para que o conflito terminasse sem que um único tiro fosse disparado entre as duas superpotências. O seu legado permanece como um testemunho da ideia de que a segurança global é melhor alcançada através do diálogo e da humanidade partilhada.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Governo paga 20 mil euros para ter SportTV em São Bento - uma atitude sem noção e insensível, típico de narcisistas


Ser confrontado com a notícia de que o Governo de Luís Montenegro decidiu gastar cerca de 20 mil euros para instalar o canal Sport TV na residência oficial do Primeiro Ministro e no Parlamento nesta altura do país é, no mínimo, um sinal de desfasamento profundo entre o que este executivo escolhe como prioridade e aquilo que os cidadãos realmente vivem.
Este contrato de três anos, celebrado por ajuste direto com a NOS, garante acesso ‘premium’ a canais desportivos que transmitem futebol, incluindo a liga portuguesa e competições europeias, e será pago com dinheiro público até 2028 — um montante que se justifica facilmente, mas que politicamente soa a falta de empatia e sentido de realidade face ao sofrimento de quem perdeu casa, energia ou meios de subsistência na sequência das tempestades. 
Não é a questão do valor — 20 mil euros não vão desestabilizar um Orçamento do Estado — é a hierarquia de prioridades que está em causa 
Quando o Governo admite défices para cobrir os apoios às vítimas das calamidades, quando milhares aguardam apoios urgentes e quando a própria resposta estatal foi lenta e insuficiente em muitas regiões, optar por gastar dinheiro dos contribuintes em canais desportivos para o Primeiro Ministro e para o Parlamento é uma demonstração flagrante de falta de noção sobre as expectativas e necessidades do país Esta decisão transmite uma mensagem implícita de desconexão social: enquanto cidadãos lutam com as consequências de uma catástrofe natural, o executivo parece mais preocupado com entretenimento institucional do que com a eficácia da resposta à crise. 
 A incapacidade de priorizar o essencial reflete, sobretudo, uma falta de empatia que não combina com responsabilidade governativa séria. 

Adiado o Doutoramento Honoris Causa de Rosa Mota


A cerimónia de atribuição do Doutoramento Honoris Causa da Universidade do Porto a Rosa Mota, que estava agendada para dia 19 de fevereiro, foi adiada para “data a anunciar oportunamente” por decisão da homenageada, na sequência do “difícil e doloroso contexto que o nosso País atravessa na sequência das recentes tempestades”.

“Vivemos um momento que exige a mobilização plena de todas as instituições públicas e privadas, bem como dos seus representantes, num esforço de todos no auxílio às populações afetadas. (…) Não me sentiria bem, que uma iniciativa que me envolve, por muito honrosa e simbólica que seja, pudesse de alguma forma desfocar ou desviar atenções daquilo que é hoje verdadeiramente urgente”, lê-se no comunicado assinado pela atleta.

Na mesma nota, Rota Mota agradece “profundamente à Universidade do Porto, e em particular à Faculdade de Desporto, a compreensão, a sensibilidade e a solidariedade demonstradas, bem como a enorme honra que me foi concedida”.

O comunicado termina referindo que “a cerimónia será realizada em data a anunciar oportunamente, quando o País reunir condições para, com serenidade, podermos celebrar tão importante momento”.

Recorde-se que a atribuição do Doutoramento Honoris Causa à primeira campeã olímpica portuguesa estava prevista para as 11h00 da próxima quinta-feira, dia 19 de fevereiro. A decorrer na Faculdade de Desporto da U.Porto (FADEUP), a cerimónia contaria com a participação do Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e do Presidente da República de Timor-Leste, José Ramos-Horta, na qualidade de padrinho de Rosa Mota.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Unkle feat. Moby - God Moving Over The Face Of The Waters

O vídeo em questão, intitulado "UNKLE feat. Moby - God Moving Over The Face Of The Waters", é uma montagem que combina a música de Moby com cenas de um dos filmes mais icónicos do ano 2010, resultando numa fusão entre música eletrónica e cinema.

Significado da Canção
A música "God Moving Over The Face Of The Waters" foi composta por Moby para o seu álbum Everything Is Wrong (1995) e tornou-se famosa mundialmente como o tema de encerramento do filme Heat.

Título e Espiritualidade: O título é uma referência bíblica direta ao livro do Génesis 1:2 ("...e o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas").

Interpretação de Moby: Moby descreveu a canção como a sua favorita, afirmando que a compôs com uma visão da criação — um estado de vazio e escuridão antes de algo novo surgir. Musicalmente, a mistura de arpejos de piano delicados com sintetizadores orquestrais simboliza a dualidade entre a luz e a escuridão, a esperança e a tristeza.

Quem é UNKLE?
No contexto deste vídeo específico, UNKLE aparece como o responsável pela mistura ou edição sonora. Fundado por James Lavelle em 1994, o UNKLE é um projeto britânico de música eletrónica e trip-hop conhecido por colaborar com grandes artistas (como Thom Yorke, DJ Shadow e o próprio Moby).

Conexão com o Cinema: O UNKLE tem uma relação profunda com o cinema. Neste caso, o UNKLE atua como um curador audiovisual. James Lavelle (o fundador) sempre teve a visão de que o UNKLE não é apenas uma banda, mas uma experiência estética. Ao colaborar com Ross Cairns, eles pegam em "Elite" (2010) um filme que por si só já é uma obra de arte sobre a condição humana - e dão-lhe uma nova camada emocional através da música.

Ao unir as imagens de "Elite" (violência pura, esforço físico e dor) com esta música espiritual, o vídeo representa a beleza no sofrimento.Os golpes são reais. O filme é um retrato visceral de boxeadores de "bare-knuckle" (combate sem luvas) e lutadores profissionais. Cairns utilizou câmaras de alta velocidade (Phantom) para captar o impacto real dos punhos no rosto, a ondulação da pele e o suor, criando uma estética crua e hipnótica Os "socos genuínos" tornam-se metáforas para as pancadas da vida, enquanto a música de Moby sugere uma elevação espiritual ou superação através dessa dor.

Este vídeo é considerado por muitos fãs como a união perfeita entre a estética da dor e a euforia sonora.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Muitos homens evitam envolver-se na questão da crise climática porque o torna feminino

Arnold Schwarzenegger é um orgulhoso defensor do clima. Homens, não querem ser como o Arnold?



“(Sê homem) Devemos ser velozes como um rio caudaloso
(Sê homem) Com toda a força de um grande tufão
(Sê homem) Com toda a força de um fogo ardente” — “Mulan” (1998)

Preocupar-se com o clima torna-o feminino?

De certa forma, é uma pergunta tola. Mas, por outro lado, é um dilema crucial para aqueles de nós que estão empenhados na luta climática. Porque a triste realidade é que muitos homens evitam envolver-se por estarem convencidos de que isso irá prejudicar a sua masculinidade.

Pelo menos é o que indica um novo estudo.

O artigo revisto por pares é relativamente simples. O professor Michael P. Haselhuhn, da escola de negócios da UC Riverside, recrutou participantes para várias pesquisas e também examinou dados de pesquisas já existentes. Controlou a idade e a ideologia política, factores que podem influenciar a percepção das pessoas sobre a crise climática. E, consistentemente, encontrou uma clara relação entre a expressão de género e a preocupação com o clima.

Especificamente, os homens que atribuem maior importância a "ser homem" são menos propensos a preocupar-se com o aquecimento global, menos propensos a sentir responsabilidade pessoal pela redução do aquecimento e menos propensos a acreditar que o aquecimento é causado pelos humanos. 

Os homens que sentem mais ansiedade em situações que ameaçam a sua masculinidade — como perder no desporto — estão menos convencidos de que as alterações climáticas estão a afectar o planeta como um todo (e os Estados Unidos em concreto).

Porque é que os homens — ou pelo menos alguns homens — se preocupam que a consciência climática dilua a sua masculinidade conquistada com tanto esforço? Haselhuhn descobriu que o desafio surge entre os homens que percecionam a "afetividade" como uma característica feminina. O problema é que preocupar-se com o ambiente também é visto como uma característica afetuosa, pelo menos tradicionalmente.

“Não é só que os homens queiram parecer homens”, disse-me Haselhuhn. “Querem evitar parecer femininos.”

De certa forma, tudo isto é intuitivo e previsível: muitos homens têm egos frágeis escondidos sob as suas aparências arrogantes e robustas. Imagino que o estudo de Haselhuhn não tenha sido nenhuma surpresa para a jornalista Amy Westervelt e para a equipa por detrás do podcast Carbon Bros, uma análise fascinante e profunda da masculinidade tóxica e da negação das alterações climáticas. Basta pensar em Joe Rogan, que destila o negacionismo climático regularmente.

Mas o estudo de Haselhuhn chamou-me a atenção.

Para começar, identificou um mecanismo psicológico que leva os homens — ou pelo menos certos homens — a rejeitar a preocupação com as alterações climáticas. Então, o que podemos fazer, se é que podemos fazer alguma coisa, para contrariar este mecanismo? Se alguns homens receiam que o envolvimento com as questões climáticas possa fazê-los parecer excessivamente efeminados e, portanto, demasiado sensíveis, poderemos reformular a acção climática de formas menos ameaçadoras para estes homens?

Infelizmente, Haselhuhn não tinha uma boa resposta. Disse-me que, na sua pesquisa, tentou reformular a questão climática para que se concentrasse na proteção dos filhos e da família. Mas isso não fez grande diferença.

"Talvez isso ajude um pouco, mas não é a solução", disse.

Noutro estudo, descobriu que, se pedir aos homens que perdoem os colegas de trabalho por erros cometidos no ambiente profissional, eles geralmente dirão que não. Mas se der aos homens a oportunidade de afirmarem primeiro a sua masculinidade — ou seja, deixá-los contar histórias que comprovem a sua masculinidade — e só depois lhes pedir que perdoem, eles tendem a concordar mais facilmente.

Infelizmente, "isto não é tão útil no mundo real", reconheceu Haselhuhn. "Não se pode estar sempre a elogiar os homens e depois perguntar sobre o clima." O seu estudo também me chamou a atenção porque me fez refletir sobre o desporto. Escrevendo sobre desporto e clima nos últimos anos, às vezes pergunto-me: será que há tão pouco activismo climático nos desportos dos EUA porque o sector é tão dominado por homens?

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Crise climática faz com que estâncias de esqui tenham de repensar modelo de negócio

Uma das pistas que acolherá os Jogos Olímpicos de inverno em Cortina d'Ampezzo 

A poucas semanas da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de inverno em Milão-Cortina, prevista para 6 de fevereiro, as pistas da "pérola das Dolomitas" estão cobertas de neve. No entanto, o manto branco típico dos invernos de montanha nem sempre acompanha os turistas e os esquiadores.

Actualmente, é habitual contentarmo-nos com a presença de neve limitada às encostas. E, cada vez mais frequentemente, mesmo nas pistas, é garantida pela produção artificial de neve, o que impõe um aumento dos custos económicos e ambientais, com repercussões também nos preços dos passes de esqui. Assim, o esqui está a tornar-se um desporto reservado apenas àqueles que podem pagar preços incomportáveis para a maioria dos europeus.

A maior parte das estâncias que acolheram os Jogos Olímpicos de inverno deixarão de o poder fazer
Mesmo na famosa estância de esqui da província de Belluno, as alterações climáticas estão a tornar a queda de neve mais rara e as temperaturas mais elevadas. Um problema que afeta todo o arco alpino. O próprio COI, o Comité Olímpico Internacional, reconheceu o impacto do aquecimento global, causado principalmente pela queima de carvão, petróleo e gás.

Inevitavelmente, a própria geografia dos Jogos Olímpicos será afectada. Desde 1924, vinte e um locais acolheram os Jogos de inverno. Um estudo publicado na revista científica Taylor & Francis - realizado por investigadores da Universidade de Waterloo, no Canadá - explica que, se não forem tomadas medidas rápidas e drásticas para combater as alterações climáticas, apenas quatro desses locais continuarão a ser adequados em meados do século.

São elas Lake Placid (Estados Unidos), Lillehammer e Oslo (Noruega) e Sapporo (Japão). Para todos os outros, entre o calor e a falta de neve, será simplesmente impossível voltar a acolher os cinco anéis olímpicos, se a temperatura média global aumentar 4 graus Celsius em relação aos níveis pré-industriais. E, em 2080, apenas a estância de esqui japonesa o poderá fazer.

E não é só isso: mesmo que o Acordo de Paris seja respeitado, ou seja, limitando o aquecimento global a um máximo de 2 graus Celsius, apenas nove locais "olímpicos" poderiam voltar a acolher o evento desportivo em 2050 (apenas oito em 2080).

Itália, França, Suíça, Áustria: quanto vale a economia dos desportos de inverno na região alpina
No entanto, os Jogos só se realizam de quatro em quatro anos e durante apenas algumas semanas. No entanto, para quem vive da economia do esqui, os problemas são uma realidade quotidiana.

Os Alpes são o centro nevrálgico do turismo de inverno europeu. Segundo o Plano de Ação da UE para a região alpina, nela vivem 80 milhões de pessoas (cerca de 15% da população total da UE). E abrange 48 regiões em cinco Estados-Membros (Alemanha, França, Itália, Áustria e Eslovénia), bem como dois países terceiros (Liechtenstein e Suíça). A região alberga também um dos recursos hídricos mais importantes da Europa e uma biodiversidade inestimável.

O Instituto de Investigação Demoskopica prevê um total de cerca de 30 milhões de chegadas do estrangeiro e mais de 93 milhões de presenças nas estâncias de esqui em Itália para a época de 2025-2026, de acordo com a associação profissional Assosport.

A mesma análise indica uma despesa turística direta de quase 15 mil milhões de euros.

Em França, os números são semelhantes, com cerca de 10 mil milhões de euros de volume de negócios, que incluem os teleféricos, o alojamento, a restauração e o aluguer de equipamentos. O setor assegura igualmente (direta e indiretamente) mais de 120 mil postos de trabalho.

Também em solo transalpino, nas estâncias de esqui, uma média de 75% do volume de negócios dos hoteleiros está ligada aos desportos de inverno. Esta percentagem aumenta para 85% no caso das lojas de desporto e para 95% no caso dos teleféricos.

Da mesma forma, na Áustria, estima-se que o turismo de inverno gere um volume de negócios de 12,6 mil milhões de euros, empregando 250 mil pessoas, ou seja, 7,6% do emprego total a nível nacional. Também na Suíça, estima-se que o setor represente uma parte não negligenciável da economia do desporto, que na confederação suíça representa um valor total de cerca de 17 mil milhões de francos suíços (18,3 mil milhões de euros).

Quais são os países europeus com mais estâncias de esqui e mais esquiadores?
No que respeita às estâncias de esqui, de acordo com os dados publicados pelo portal Statista, a Alemanha é o país europeu que acolhe mais estâncias de esqui. São 498, contra 349 em Itália e 317 em França. Completam o top 10 a Áustria (253 áreas de esqui), a Suécia (228), a Noruega (213), a Suíça (181), a Finlândia (76), a Eslovénia (44) e a Espanha (32).

Em termos de quilómetros de pistas para o esqui alpino, é Sestriere, na província de Turim, que detém o recorde, com um total de 400 quilómetros. Em segundo lugar estão duas estâncias suíças: Zermatt, com 360 quilómetros, e St. Moritz, com 350 quilómetros.

Alemanha tem o maior número de esquiadores, seguida da França e da Itália
A Alemanha detém outro recorde: o do número de pessoas a esquiar. De acordo com os dados atualizados para a época de inverno de 2020/2021, trata-se de uns impressionantes 14,6 milhões de pessoas. Este número é significativamente superior aos 8,5 milhões da França, aos 7,2 milhões da Itália e aos 6,3 milhões do Reino Unido.

No entanto, os números mudam significativamente se olharmos para os números em função da população: é o Liechtenstein que tem a percentagem mais elevada, com 36%, seguido da Suíça, com 35%. Em terceiro lugar está a Áustria, com 34%, à frente de alguns países escandinavos. Seguem-se França (13%), Itália (12%), Bélgica (11%), Reino Unido (10%), Espanha (5%) e Portugal (apenas 2%).

Áustria é o maior exportador de equipamento desportivo
Outro dado que dá uma ideia clara do peso da indústria do turismo de inverno é a exportação de equipamento desportivo. Os últimos dados disponíveis são relativos a 2019 e mostram que a Áustria é claramente o país que mais exporta, com 334 milhões de euros. França situa-se nos 100 milhões, Alemanha nos 91 milhões e a Itália nos 54 milhões.

É por isso que os impactos das alterações climáticas serão particularmente pesados para a economia. Um estudo publicado em 2023 na revista científica Nature Climate Change explica que, de um total de 2 234 estâncias de esqui existentes na Europa, 53% não poderão contar com neve suficiente, mesmo com um aquecimento climático de apenas 2 graus Celsius. Em particular, um terço das estâncias de esqui dos Alpes franceses estará condenado, enquanto nos Pirinéus essa percentagem atingirá os 89%.

Se a temperatura média global aumentar 4 graus em relação aos níveis pré-industriais, quase todas as estâncias europeias não poderão contar com uma quantidade suficiente de neve: 98%.

Alterações climáticas afectarão os ecossistemas e as economias das montanhas
"Há uma variabilidade de região para região, mas podemos identificar três grandes categorias de maciços montanhosos na Europa ", diz François Hugues, investigador do Inrae (Instituto Nacional Francês para a Agricultura, Alimentação e Ambiente), à Euronews. "Um grupo que tem altitudes e condições bastante favoráveis, estamos a falar, por exemplo, dos Alpes interiores, principalmente em França, Suíça e Áustria".

"Um segundo grupo", continua o especialista, "inclui situações intermédias, que são muito mais vulneráveis às condições climáticas, como é o caso dos Alpes eslovenos ou dos Pirinéus. Por fim, há territórios que a crise climática já levou ao limite: as montanhas da Península Ibérica ou os Apeninos em Itália. Se o segundo grupo ainda tem alguma margem de manobra, para o segundo, sujeito a escolhas locais destinadas a apoiar certas zonas, é difícil prever retornos económicos positivos continuando a apostar nos desportos de inverno."

Em muitas estâncias, já estão a ser feitas tentativas para atenuar o problema com neve artificial. No entanto, já em 2007, um estudo da OCDE tinha salientado a chamada "regra dos cem dias", ou seja, a ideia de que uma zona deve poder contar com cem dias por ano de abertura, com pelo menos 30 centímetros de neve natural. Caso contrário, é difícil obter a rentabilidade esperada.
Neve artificial, apenas uma solução parcial e não isenta de custos económicos e ambientais

A neve disparada por canhões pode, portanto, ser um apoio, mas não um substituto e o preço deve ser tido em conta: "Para fazer neve numa encosta com um quilómetro de comprimento, cerca de 50 metros de largura e 40 centímetros de espessura, o custo varia entre 30 e 40 mil euros", explica a agência Agi.

Segundo a qual, "o custo de produção da neve artificial varia de 2 a 3,8 euros por metro cúbico, dependendo da temperatura e da humidade do ar. Com estes valores, a produção é de 2,5 metros de neve por metro cúbico de água. O custo da neve por hectare é de 15 mil euros".

"Os custos associados à produção de neve (artificial ) propriamente dita são, de qualquer modo, relativamente marginais em relação aos custos globais de exploração de uma estância de esqui", salienta Hugues. "Mas há também um fator ambiental a ter em conta, que está ligado aos recursos hídricos e à sua disponibilidade. De facto, é muitas vezes necessário criar lagos artificiais para poder dispor da água necessária, e estas obras representam um custo não negligenciável. Em geral, portanto, mesmo para as estâncias menos afetadas pelas alterações climáticas, é necessário repensar os modelos de negócio e adaptá-los às consequências do aquecimento global".

Neve artificial - uma enorme pegada hídrica 
A World Wide Fund for Nature (WWF) sublinhou precisamente o impacto em termos de recursos hídricos da neve disparada por canhões: "para a produção básica de neve (cerca de 30 centímetros de neve, muitas vezes mais) de uma pista de um hectare, são necessários pelo menos um milhão de litros de água, ou seja, mil metros cúbicos. Enquanto a produção de neve subsequente exige, consoante as situações, um consumo de água consideravelmente superior, que corresponde aproximadamente ao consumo anual de uma cidade de 1,5 milhões de habitantes."

É por esta razão quea União Europeia, na revisão do seu plano de ação para a região alpina, contido numa comunicação de 11 de dezembro de 2025, sublinhou que, face à pressão da crise climática, "a gestão comum e bem coordenada dos cursos de água transfronteiriços é essencial para assegurar a proteção integrada, a melhoria e a recuperação dos recursos hídricos e dos seus ecossistemas, e é fundamental para a resiliência e a segurança da água na Europa."

A eletricidade é necessária para fazer funcionar os canhões e as lanças, o que leva a um aumento do consumo e consequentes emissões de gases com efeito de estufa. Contribuindo assim para o círculo vicioso que alimenta a crise climática. De facto, calculou-se no passado que, para nevar artificialmente todo o arco alpino, seriam necessários cerca de 600 GWh, o que equivale ao consumo anual de 130 mil agregados familiares de quatro pessoas.

Custos dos passes de esqui estão a aumentar na Europa: +34,8% em dez anos
As despesas de esqui na Europa aumentaram em média 34,8%, muito acima da inflação, desde 2015, com os maiores aumentos na Suíça, Áustria e Itália. De tal forma que muitas das principais estâncias tornaram-se inacessíveis para a maioria dos turistas.

"O esqui vai tornar-se um desporto para os ricos ", explica Christophe Clivaz, professor da Universidade de Lausanne, ao Valori.it. Na verdade, "já o é, mas vai sê-lo cada vez mais, porque os custos de manutenção das pistas vão aumentar. Sem contar que para esquiar é preciso comprar ou alugar esquis e botas. E depois casacos, calças, luvas, óculos de proteção. Já hoje, num país como a Suíça, uma grande parte da população não tem meios para esquiar, sobretudo as famílias numerosas."

Segundo a associação de defesa do consumidor Assoutenti, um passe diário de esqui para o "Dolomiti Superski", que garante o acesso às doze estâncias das Dolomitas, custa atualmente 86 euros por dia, contra 67 euros em 2021.

Em Roccaraso, Abruzzo, em Itália, o preço de um bilhete semelhante atinge os 60 euros. O mesmo bilhete em 2021 custava 47 euros e no ano passado 58 euros. Em Livigno, na fronteira com a Suíça, registou-se o maior aumento: de 52 euros em 2021 para 72 euros em 2025 (mais 38%).

Os operadores das estâncias de esqui alpinas onde continuará a ser possível esquiar, conclui Hugues, "atrairão turistas ricos de mais longe, clientes provenientes, por exemplo, do Reino Unido, mas também de Espanha ou da Grécia, países onde será cada vez mais difícil esquiar. Isto pode ser positivo do ponto de vista económico, mas vai complicar as coisas do ponto de vista ambiental e climático, uma vez que irá aumentar as emissões de gases com efeito de estufa associadas às viagens turísticas, alimentando ainda mais as alterações climáticas."

Para visualizar os gráficos da Statista aqui

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

O encontro desejado de Cristiano Ronaldo com Trump e as Arábias


Jamal Khashoggi era colunista do Washington Post quando foi assassinado dentro do consulado saudita em Istambul, a mando do governo saudita. O mundo inteiro condenou o crime em 2018, com exceção de Trump. Não se tratava de um mero "things happen". Tratou-se de um assassinato cruel sancionado pelo Estado, motivado pelo exercício da liberdade de expressão. 
Agora Trump 2025 insiste na tecla "Aconteceram coisas, mas o Príncipe não sabia de nada, e podemos ficar por aí", disse aos jornalistas, no Salão Oval. 𝐌𝐞𝐧𝐭𝐢𝐮!! Em novembro desse ano, um relatório da CIA, divulgado na imprensa americana, concluiu Mohammad bin Salman de ter ordenado a morte de Khashoggi, o que causou furor internacional e tensões diplomáticas.
Donald Trump acrescentou ainda que Jamal Khashoggi era "uma pessoa extremamente controversa" (???). 
Mohammed ben Salman disse, por sua vez, que a morte do jornalista foi dolorosa e que a Arábia Saudita fará tudo o que está ao seu alcance "para que não volte a acontecer".
As declarações surgem após o anúncio de um investimento saudita de quase um bilião de dólares nos Estados Unidos, durante a primeira visita do príncipe aos EUA desde 2018.
O The New York Times já tinha avançado que o craque da Seleção portuguesa e do Al Nassr ia regressar aos Estados Unidos, avançando com a marcação de um jogo amigável entre Estados Unidos e Portugal, para março de 2026.
Essa será a primeira vez que Cristiano Ronaldo vai jogar em solo norte-americano desde 2014, altura em que defrontou o Manchester United com a camisola do Real Madrid, a 2 de agosto daquele ano.
Pela Seleção jogou nesse mesmo verão a Nova Jérsia, a 10 de junho, contra a República da Irlanda.
Portanto Cristiano Ronaldo está assim de regresso aos Estados Unidos, país onde não joga há mais de 11 anos, e onde tem uma polémica com Kathryn Mayorga, professora que acusou o jogador de violação em 2017, numa entrevista dada ao jornal alemão Der Spiegel, e num caso que remonta a 2009, quando o jogador esteve de férias em Las Vegas.
Desde então que a presença de Cristiano Ronaldo em solo norte-americano tem sido uma questão polémica, não havendo quaisquer registos públicos do jogador naquele país - o último data de 2016. A ausência foi particularmente notada depois de jogos da Juventus terem sido reagendados para outros locais quando o jogador representava o clube italiano.
No dia em que internamente Donald Trump é pressionado para libertar os ficheiros de Epstein, o jantar de  Cristiano Ronaldo com Donald Trump e  Mohammed ben Salman é uma espécie de sportswahing atendendo que os três são figuras internacionais com escândalos e Ronaldo funcionará como um troféu para a melhoria da imagem de países com problemas de direitos humanos, como a Arábia Saudita e EUA.

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Portugal sobe uma posição (7º lugar em 163) e ultrapassa a Dinamarca na lista de países mais seguros do mundo


O GPI é elaborado pelo Institute for Economics & Peace. E cruzando outros dados como a OCDE, Numbeo e Ministério da Coesão Territorial/Interior de ambos os países, obtemos os seguintes resultados:

1º Taxas de homicídio 
Dinamarca: Cerca de 0,8 a 1,0 caso por 100.000 habitantes.
Portugal: Cerca de 0,6 a 0,8 casos por 100.000 habitantes.
→ Ambas as taxas são consideradas muito baixas e estão entre as mínimas históricas da Europa Ocidental. A diferença entre elas é, normalmente, inferior a 0,3 pontos percentuais.

2.º Furto (crimes contra a propriedade, especialmente roubos reportados por 100.000 habitantes):
Dinamarca: Tende a ter uma taxa moderadamente mais elevada de pequenos furtos (por exemplo, furto de bolsa ou furto de carteira), embora isto varie de acordo com a cidade.
Portugal: Apresenta também taxas baixas, ligeiramente inferiores às da Dinamarca em geral.

No geral, Portugal tem taxas de homicídio e de roubo ligeiramente mais baixas do que a Dinamarca, mas a diferença não é drástica.
Consultar relatório do GPI completo aqui

No ranking FIFA a nossa selecção é 7ª e no ranking UEFA os nossos clubes seguem em 5° (Porto) e 7º (Benfica) 



Conclusão: Estamos melhor em segurança do que em futebol contudo, em ambas, quase lideramos o mundo


segunda-feira, 7 de julho de 2025

É urgente um mundo mais compassivo e progressista

Celebremos a vida, a arte, a literatura, o ensino, a natureza. Os amigos. Num mundo muito polarizado, contaminado por discursos de ódio, é importante refocar e questionar se vale a pena insistir nesta vivência tóxica. Ainda em 3 de julho fomos abalados pela trágica morte de Diogo Jota e seu irmão André Silva. Que seja ímpeto para um mundo mais compassivo e progressista.

🎨 Sabine Ziegler (nasceu em 1968, em Memmingen, na Alemanha)

Asas de Sol
No topo da folha, tão pequenina,
brilha uma joaninha, jóia que caminha.
Vermelha e preta, com graça serena,
traz no seu voo a beleza da cena.

Desliza o dia nas asas douradas,
pousa nos sonhos, nas flores caladas.
Entre silêncios, canta baixinho:
“Sou mensageira do bem e do carinho.”

João Paulo Soares, 4 de julho de 2025

terça-feira, 18 de março de 2025

Gentrificação: o problema de saúde pública que afeta a cidade do Porto


Em 2021, uma equipa de investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) propôs-se a estudar o impacto da gentrificação e da insegurança habitacional na saúde dos habitantes da cidade do Porto. Quatro anos depois, os resultados obtidos mostram que estes fenómenos têm consequências negativas claras na saúde dos portuenses, estando associados ao aumento da solidão, da depressão e até mesmo à deterioração da saúde física.

O projeto HUG: Os efeitos na saúde da gentrificação, da relocalização e da insegurança residencial nas cidades – liderado pela investigadora Ana Isabel Ribeiro, coordenadora do Laboratório Saúde e Território, da Unidade de Investigação em Epidemiologia do ISPUP e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) – surgiu com o objetivo de estudar de que forma a gentrificação urbana, a insegurança habitacional e o deslocamento forçado afetam a saúde física e mental da população.

Um dos primeiros estudos desenvolvidos no âmbito do HUG, liderado pelo investigador José Pedro Silva, procurou estudar a relação entre gentrificação e saúde, no Porto, a partir daquilo que as pessoas que vivem na cidade pensam, dizem e mostram sobre esta realidade. Para isso, os investigadores recorreram ao método Photovoice, que consiste em pedir a um grupo de pessoas que tire fotografias sobre um tema importante para a sua comunidade e que discuta em conjunto o que essas fotografias querem dizer.

Neste caso, foram selecionados 16 participantes da coorte EPIPorto, de contextos sociais e demográficos distintos. Estes participantes aceitaram fotografar a cidade, procurando mostrar, através das suas fotografias, como os processos de gentrificação estão a mudar o Porto e, consequentemente, a vida e a saúde de quem habita a cidade.

A informação que estas pessoas forneceram através das suas fotografias e dos seus testemunhos foi objeto de uma análise intensiva por parte dos investigadores, que procuraram identificar, relacionar e agrupar tematicamente as situações descritas. Estas foram enquadradas em seis grandes temas, cada um deles associado a várias consequências para a saúde dos portuenses – algumas positivas, mas a maior parte delas negativas.

Um Porto cidade mais desigual e com menos saúde
Verificou-se, assim, que o aumento da população flutuante (como turistas ou estudantes de outras cidades e países) revitalizou a cidade e estimulou a economia, mas trouxe também mais stress, ruído e poluição e gerou incerteza sobre a capacidade de resposta dos serviços de saúde face ao aumento de pessoas na cidade.

A dificuldade de acesso à habitação, traduzida sobretudo por preços mais elevados, mas também por processos de desalojamento, deslocou residentes para outras zonas da cidade e para a sua periferia, enfraquecendo laços sociais e gerando consequências graves para a saúde e a qualidade de vida, sobretudo dos mais velhos.

A construção e reabilitação urbana melhoraram infraestruturas, mas aumentaram o ruído, a poluição, as dificuldades de mobilidade e o stress. As mudanças no comércio local reduziram o acesso a bens essenciais, afetando idosos e pessoas com menor mobilidade.

A perda do sentido de lugar, enquanto espaço geográfico com significado afetivo para os seus habitantes, causou alienação, mal-estar psicológico e, em alguns casos, um ressentimento potenciador de violência.

Finalmente, estas mudanças socioeconómicas aumentaram as desigualdades, impactando negativamente a saúde pública e, particularmente, a saúde das populações mais vulneráveis.

Os mais velhos são os que mais sofrem com a gentrificação
A evidência científica internacional e os resultados do já mencionado estudo Photovoice demonstram que os adultos mais velhos são mais vulneráveis aos impactos da gentrificação. Assim, para melhor entender as suas perspetivas sobre o impacto da gentrificação na saúde, foi realizado um novo estudo qualitativo, liderado pelos investigadores Cláudia Jardim Santos e José Pedro Silva.

A partir da análise das entrevistas realizadas, concluiu-se que o ambiente urbano foi amplamente transformado, com a renovação de edifícios e o aumento do número de estabelecimentos comerciais voltados para turistas, elevando o custo de vida e tornando o espaço urbano menos acessível e atrativo para os mais velhos.

O aumento da população flutuante gerou benefícios económicos, mas também trouxe mais ruído, poluição, stress e sérias dificuldades de mobilidade pedonal para este grupo demográfico.

A falta de habitação a preços acessíveis gerou deslocamentos forçados e, com isso, a separação de famílias e o aumento do tempo perdido em deslocações pedonais, afetando a saúde mental e social dos idosos e agravando as desigualdades.

Muitos relataram também sentimentos de desenraizamento e perda de suporte social, com casos de depressão e até mesmo relatos de morte precoce entre a população deslocada.

Por fim, a perda da coesão social foi realçada como uma consequência central da gentrificação, com a perda de redes comunitárias e o maior isolamento.

Más condições habitacionais comprometem o envelhecimento saudável
A gentrificação caminha lado a lado com a insegurança habitacional, um conceito que reflete a dificuldade em garantir uma habitação estável, acessível e com condições adequadas. Assim, através de um outro estudo quantitativo, coordenado por Cláudia Jardim Santos e que envolveu 600 participantes da coorte EPIPorto, procurou-se estabelecer uma relação entre fatores como as condições de habitação, a acessibilidade económica, a habitabilidade e segurança e a estabilidade residencial e os seus impactos em marcadores chave da saúde das pessoas mais velhas, tais como a solidão, a qualidade de vida, a função cognitiva, a perceção do envelhecimento saudável e a qualidade do sono.

O estudo revelou que condições habitacionais precárias, como a falta de aquecimento, infiltrações, humidade e iluminação insuficiente, são muito prevalentes e estão associadas a maiores níveis de solidão e a uma pior qualidade de vida entre adultos mais velhos.

Viver em áreas com elevado nível de ruído, poluição e criminalidade também contribui para o aumento da solidão e reduz a perceção de um envelhecimento saudável. Além disso, a ausência de instalações sanitárias adequadas e o deslocamento forçado comprometem a função cognitiva.

A insegurança habitacional, caracterizada por dificuldades financeiras, despejos e mudanças frequentes de residência, também deteriora a qualidade de vida, intensifica a solidão e está associada a uma pior função cognitiva.

Desempenho cognitivo das crianças piora a cada mudança de residência
Um outro estudo, que incluiu mais de 6.000 crianças da coorte Geração XXI, desenvolvido no âmbito da tese de mestrado em Saúde Pública do estudante Obinna Ezedei, investigou de que forma as mudanças frequentes de residência até aos 10 anos de idade afetam a saúde e o bem-estar infantil.

Os resultados sugerem que a instabilidade residencial está associada a um maior risco de vitimização por bullying e a comportamentos agressivos. Além disso, cada mudança de residência corresponde a uma redução significativa no desempenho cognitivo, especialmente no Índice de Velocidade de Processamento e no Quociente de Inteligência Verbal.

No entanto, alguns destes efeitos variam de acordo com o destino da mudança: crianças que se mudam para áreas com pior qualidade ambiental tendem a apresentar desfechos de saúde mais negativos. Por outro lado, a mudança para regiões com melhor qualidade ambiental está associada a indicadores de saúde mais favoráveis.

É, por isso, fundamental promover a estabilidade residencial para famílias com crianças pequenas e garantir que os ambientes onde vivem sejam verdadeiramente salutogénicos, ou seja, propícios à saúde e ao bem-estar.
Moradores forçados a deixar as suas casas revelam ansiedade, dificuldade em dormir e dizem sentir-se deprimidos

Uma das consequências mais severas da gentrificação é o deslocamento forçado da população, muitas vezes causado pelo aumento das rendas ou pela não renovação dos contratos de arrendamento. Neste contexto, foi levado a cabo um estudo sobre deslocamento direto – a remoção de um agregado familiar da sua casa, por motivos não controlados por ele e preenchendo as anteriores condições necessárias para ocupar o alojamento – no contexto da crise habitacional do Porto, recorrendo a uma amostra de 12 voluntários que, tendo vivido em casas arrendadas, se viram “obrigados” a sair.

O estudo, liderado por José Pedro Silva, revelou que a relocalização forçada tem impactos significativos na saúde física e mental, além de contribuir para a modificação de comportamentos de saúde.

A angústia e a incerteza causadas pela iminência do deslocamento afetam os indivíduos antes mesmo da relocalização, com sintomas de ansiedade e depressão a poderem manifestar-se desde o momento em que surge a ameaça de despejo, e mantêm-se ao longo de todo o processo.

Numa fase posterior, em que já se verificou a deslocação para um novo alojamento, são frequentes os sentimentos de tristeza, impotência e ressentimento, por vezes também associados a sintomas como ansiedade, dificuldade em dormir e sentir-se deprimido. Além disso, a mudança de residência, geralmente para áreas menos centrais ou até para outras localidades, leva a uma reconfiguração do espaço onde se desenrola o quotidiano, implicando deslocações maiores e mais frequentes e mudança de hábitos relevantes para a saúde, por exemplo, a prática de atividade física.

A mudança de residência tem também implicações no que diz respeito aos laços sociais e interações, porque provoca mudanças na vida social das pessoas deslocadas: as interações com algumas pessoas tornam-se menos espontâneas e mais raras, ou deixam mesmo de existir, levando à retração de redes sociais e de suporte. Além disso, as novas relações de vizinhança podem revelar-se mais conflituosas do que as anteriores.

Finalmente, o ambiente residencial também muda frequentemente, podendo, por vezes, prejudicar a saúde, em casos em que a mudança é feita para uma casa sem conforto térmico, com problemas de humidade ou exposta ao ruído.

Tudo isto acontece num contexto habitacional de elevada pressão – marcado pela falta de habitações disponíveis e pelos preços elevados – que diminui as opções para as pessoas que precisam de encontrar um novo sítio para morar.

Refletir soluções para uma cidade mais saudável
Os resultados do projeto HUG vão ser apresentados esta terça-feira, 18 de março, no ISPUP, e mostram claramente que a gentrificação e a insegurança habitacional têm um impacto negativo na saúde dos portuenses, especialmente nos grupos mais vulneráveis.

A equipa do projeto reforça que estas são questões de saúde pública e devem ser abordadas como tal. Os investigadores sublinham ainda a necessidade de adotar políticas eficazes que conciliem a transformação urbana com a justiça social, garantindo que o Porto permaneça uma cidade acessível e saudável para todos os seus habitantes.

A sessão de apresentação dos resultados do projeto HUG contará com a participação de cidadãos, jornalistas, ativistas, investigadores e outros agentes locais. O objetivo não é apenas partilhar as conclusões do estudo com a comunidade, mas sobretudo refletir e discutir soluções que possam promover a saúde e o bem-estar de toda a população.

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Conselhos para envelhecer bem


Escrito por uma alma de 90 anos!
42 lições que a vida me ensinou
“É algo que todos deveriam ler pelo menos uma vez por semana.”
“Certifique-se de ler até o fim.”
“Para celebrar o envelhecimento, escrevi as lições que a vida me ensinou. É a coluna mais pedida que já escrevi.”
“Meu conta-quilômetro rolou para 90 em agosto, então aqui estão elas mais uma vez.”
Escrito por Regina Brett, 90 anos, do Plain Dealer, Cleveland, Ohio.
“A vida não é justa, mas ainda é boa.”
“Quando em dúvida, dê o próximo pequeno passo.”
“A vida é curta demais para desperdiçá-la.”
“Seu trabalho não cuidará de você quando estiver doente, mas seus amigos e família sim.”
“Quite seus cartões de crédito todos os meses.”
“Você não precisa vencer todas as discussões. Seja fiel a si mesmo.”
“Chore com alguém. É mais curativo do que chorar sozinho.”
“Comece a economizar para a aposentadoria no primeiro cheque de salário.”
“Quando se trata de chocolate, a resistência é inútil.”
“Faça as pazes com o passado para que ele não estrague o presente.”
“Não faz mal deixar seus filhos verem você chorar.”
“Não compare sua vida com a dos outros. Você não conhece a jornada deles.”
“Se um relacionamento precisa ser segredo, você não deveria estar nele.”
“Respire fundo. Isso acalma a mente.”
“Desfaça-se de tudo que não for útil. O peso da desordem é maior do que você imagina.”
“O que não te mata realmente te fortalece.”
“Nunca é tarde demais para ser feliz. Mas isso depende apenas de você.”
“Quando for atrás do que ama, não aceite um não como resposta.”
“Use as velas, os lençóis bonitos e a lingerie especial. Hoje é uma ocasião especial.”
“Prepare-se, mas depois siga o fluxo.”
“Seja excêntrico agora. Não espere a velhice para usar roxo.”
“O órgão sexual mais importante é o cérebro.”
“Ninguém está no comando da sua felicidade além de você.”
“Reenquadre os desastres com a pergunta: ‘Isso vai importar em cinco anos?’”
“Escolha sempre a vida.”
“Perdoe, mas não esqueça.”
“O que os outros pensam de você não é da sua conta.”
“O tempo cura quase tudo. Apenas dê tempo.”
“Por melhor ou pior que uma situação seja, ela mudará.”
“Não se leve tão a sério. Ninguém mais leva.”
“Acredite em milagres.”
“Não audite a vida. Apenas apareça e aproveite agora.”
“Envelhecer é melhor que a alternativa: morrer jovem.”
“Seus filhos têm apenas uma infância. Não a desperdice.”
“No fim, tudo o que importa é que você amou.”
“Saia todos os dias. Milagres estão ao seu redor.”
“Se víssemos os problemas dos outros, pegaríamos de volta os nossos.”
“Invejar é perda de tempo. Valorize o que você já tem.”
“O melhor ainda está por vir.”
“Não importa como você se sente, levante-se, vista-se e apareça.”
“Desista do controle.”
“A vida não vem com um laço, mas ainda é um presente.”

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Brave nude world: How and why Berliners get naked together



It’s a Sunday night in Friedrichshain, and four tourists are queued to get into Monster Ronsons, a karaoke bar that bills itself as the most famous in Europe. They’re English, here on an Interrail pass. At the door someone stops them: tonight, to croon out of tune, you gotta lose the clothes. It’s naked karaoke.

“They were like, ‘Okay, when in Berlin!’,” the event’s host recalls. “All night they were walking around like, ‘Oh my god, this is crazy! Are you like this every night?’”

In Berlin, the answer is almost certainly yes. Somewhere in the city, someone is offering space to strip down to skin. The recent rise of these events across the city puts a fresh twist on a long German tradition.

Social nudity – what English speakers might call naturism and what Germans refer to as Freikörperkultur (“free body culture”), or FKK – is as much a part of the national identity as rock-hard bread, airing out the room in the dead of winter and making schport. It’s also changing: across the country, long-running FKK groups are largely failing to captivate young people, address fears about uncomfortable gender dynamics or respond to complaints of rigidity.

Meanwhile, Berlin’s brand of nude attitude is broadening, making room for events previously unexperienced in the buff. It’s not just confined to the lakes and saunas but found at themed parties, yoga classes, art studios, DJ sets. It’s growing in popularity, making statements about consumerism. But it’s also still finding its footing in a city that easily sexualises nudity, still asking the question: where in society should you be allowed to take your clothes off, and how should we act when you do?

Dance Your Pants Off
Break it down this way: you spend two minutes in the morning getting dressed, maybe three. Another few at night. Ten minutes in the shower. On days you have sex (for the average person, once a week), you might spend a little extra time naked, maybe 30 minutes. About a quarter of people sleep naked, but most don’t. Occasionally, you go to the doctor. Occasionally, the sauna. Maybe once or twice a summer, you slip bare into a cool body of water. It’s not unreasonable to assume that on a regular day, you spend less than an hour naked – and likely none of that in front of strangers.

This is what Danielle Barnett is out to offer Berliners: a chance to spend a greater percentage of their lives nude, and a chance to meet in the flesh. The 33-year-old is responsible for adding regular naked opportunities on Berlin’s social calendar – typically two a month. In 2019 she founded The Naked Tea Party, a joyous stripped-down shindig that runs regularly at clubs like Sisyphos, KitKatClub and Kater Blau and holds private events at Pankow House and a sauna in Treptow. “Meeting people without clothing on, there’s this instant feeling of intimacy,” Barnett says. “Like okay, I feel safe with you. I feel like I can see you.”

The name isn’t just an expression – there is tea, though her team is careful that it’s not too hot. (“We definitely have a rule that you should be able to get it on your body and not scream.”) At the private events there’s an opening workshop, and then the night devolves into dance and performance. “We usually have DJs who are playing – sometimes we also have live music, but it’s usually DJ-focused,” Barnett says.

Are the DJs naked too? Absolutely. “A few years ago when I would ask, people were like, you’re crazy. But now DJs who are regularly in the scene, they’re really excited to get an out-of-the-ordinary invitation like this.” Participants at the private events have to apply to attend, to ensure they understand the ethos going in, Barnett says. “We say it explicitly, and I think it’s underlying in what we’re creating: a safer space. Really honouring how vulnerable it is for each of us to do this and be nude in front of one another, and really giving each person the responsibility – it’s up to all of us to make this comfortable.”

Barnett has a long history with nakedness; raised in Southern California, she later moved to San Francisco and started attending naked protests and festivals. “Growing up in Southern California – I mean, I would say it had to do with where I was growing up, but I think any teenage girl – I was never thin enough, I would always be on some sort of diet. I was pretty unhappy with how I looked,” she says. “But then I was up in San Francisco, at a hot spring. And I was seeing people of all ages and sizes naked, seeing people with cellulite and saggy boobs – you know, everything. I remember just crying, and being so touched by this. It was really in seeing other naked bodies more and more over time that I realised oh my god, every single body has curves, has dimples, has hairs, has scars, has all of these things I also have. And I am not so bad after all.”

She also discovered that she loved to host, and she started where she would stay – with tea. “Every Tuesday, I would invite people to my house, and we would all be topless and be drinking tea,” Barnett says. “I also quickly realised I’m an exhibitionist, because I get this thrill when I’m nude in public spaces.”

Today, the events she hosts range from 80 to 200 people, about half of whom are regulars. “We do get a lot of people who come in and they’re so curious and courageous, they join and they’ve never heard of us before,” says Barnett.


“I hear from so many guests, time and time again, that say their lives have been changed by this.” – Danielle Barnett, Naked Tea Party

The nude mood they encounter is often silly and playful. “There’s lots of laughter and lightness in the space. It’s really an innocent, childlike space,” she says, with “people’s booty or penis really jiggling, breasts jiggling – everything”. Accessories are also very welcome, as long as you still bare the important bits. “You can totally wear earrings. Some people wear gloves. Someone came in with a giant hat, which is kind of out of the ordinary, but it was very funny. They said, ‘I’ve never had an opportunity to wear this hat before and I knew this was perfect.’ It was a very big hat.”

In May, Naked Tea Party hosted their first weekend festival at a lake in Brandenburg; it sold out. “I mean, plain and simple, people want more of this,” Barnett says. The demand is such that she’s hired assistants. “I hear from so many guests, time and time again, that say their lives have been changed by this. I think once you’ve made contact with who you are when you’re comfortable, when you’ve accepted yourself being naked, you can’t just forget that overnight.”

Still, there’s resistance in the mainstream, Barnett thinks – last summer, Instagram deactivated the Naked Tea Party account. “Capitalism doesn’t want us to feel good being naked,” she says. “How much can you really sell to someone who’s comfortable being naked and doesn’t need your products? Doesn’t need your makeup? Doesn’t need your fancy yoga clothing?” (Barnett also teaches yoga and works as a birth doula.)

Among devotees, this lack of garb is an equaliser: “The first time we see each other with clothes on we’re like, oh my god, I hardly recognise you.”

Despite a far higher nude-to-clothed ratio than the average person, the profundity of being naked among strangers hasn’t dulled for her. “I feel more connected to my body… being more regularly in nude spaces is also definitely elevating me to take care of myself in other ways.” Nakedness for her is both literal and symbolic. “Yes, we’re removing our clothing, but what else are we allowing ourselves to let go of when we take off our clothes? Shame. Guilt. Fear. Self-doubt,” Barnett says. “Still, I don’t feel safe being naked everywhere. As a society, we have a lot of [room] to grow in just normalising the body.”

Barnett thinks Berlin is progressing – for example, the city’s municipal pool operator adjusted their rules last year to allow women to swim topless. But many of the spaces that allow nudity are still highly sexualised, she says, which can dilute the spirit of getting naked for one’s own empowerment. “I think the individual has to have a really thick skin to not be disturbed by people who might have a different intention. Which is hard sometimes,” she says.

The Naked Tea Party isn’t a sexual space, but it does encourage sexuality. “It’s no explicit sexual interaction – but we are acknowledging our turn-ons, acknowledging eroticism, acknowledging that we’re humans who feel attracted or sexy, and that is a full yes, a full fuck yes.”
Free Association

On June 5, a headline in the German tabloid BILD proclaimed a new national plight: “Nackt-Krise in Deutschland!” A naked crisis in Germany. The alarm was sounded after the German Association for Free Body Culture (DFK), an umbrella organisation for nude-centric groups across the country, cancelled its upcoming 75th anniversary celebration, citing a lack of interest and low registration. At their 50th anniversary, the group boasted 65,000 members; today, participation has plummeted to just over half that: 34,000 members who are on average 60 years old. (One might say things are sagging with age.)

One Cologne resident BILD spoke to compared the national exodus to a religious one. “Naked is no longer popular. Fear of the sun, of drones, of mobile phones. The [FKK] clubs are hit particularly hard. They are losing more members than the Catholic Church,” he told the tabloid.

For a country often associated with guilt, FKK – a culture dedicated to rejecting shame – has a long history in Germany; so much so that Deutschlandfunk radio once called social nudity “a specifically German phenomenon”. FKK traces its roots back to the late 19th century, when new ideas about health and hygiene were on the rise. Early fathers of FKK included Karl Wilhem Diefenbach (for whom a street in Kreuzberg is named), a reformer who rejected monogamy, ate vegan so religiously that he was known as “the kohlrabi apostle” and thought clothing was an “epidemic”. Diefenbach was arrested after a policeman spotted him walking naked outside his Munich home in 1888 (according to a Der Spiegel article, newspapers at the time described him with his “butt irreverently pointed towards the sky”), and sentenced to six weeks in prison for the indecency.

This prudish predilection would soon fall, though. In 1893, several dozen Esseners, compelled by the health benefits of sunlight and air on bare skin, founded the country’s first official FKK association. In 1903, a man named Paul Zimmermann opened the first open-air nude area near Lübeck. The movement climbed in popularity after World War I; hundreds of clubs popped up, with as many women as men. In 1920, Germany’s first nude beach was established on a resort island in the North Sea. And in 1924, a man named Adolf Koch founded a socialist school in Berlin based on the ideals of naturism and naked gymnastics; eventually there were 13 such institutes, and his movement had hundreds of thousands of followers globally.

“What began in the late 1800s as a kind of philosophy of physical health transformed, under authoritarian rule, into a mode of quasi-dissident leisure, and then later into something more temperate, a culturally ingrained but ultimately apolitical national pastime,” The New York Times wrote in 2016.

It wasn’t always apolitical, though. Early German nakedness had ties to antisemitism; other pioneers of the movement, like Heinrich Pudor and Richard Ungewitter, were into many forms of alternative hygiene – including racial. The Nazis, however, weren’t especially big fans, though they ultimately relaxed their crackdown. After World War II, FKK as we know it today became particularly associated with East Germans on their Baltic beaches; the Communist regime initially attempted to stifle naturism, but it prevailed as a symbol of resistance against a repressive state, and by the 1980s was widely practised across East Germany.

It was around this time that nakedness became something Germans did largely with family or close friends; fewer FKK clubs were formed, and more time was spent at shores and saunas – a trend that has continued through the last few decades. Naturism also slowly gained an image problem (the image being old, white, naked men).

DFK president Alfred Sigloch chalks up the clubs’ struggle to retain members to generational problems – the younger naturists don’t enjoy the old guard’s strict rules, like “specified afternoon nap or quiet times”, and there are technological challenges: “Wi-Fi is essential for the young, but for the old, naja,” Sigloch told German media. Of course, it may not be the Wi-Fi that’s the issue so much as the advent of smartphones, leaving the ever-present possibility of being photographed in an FKK space.

Berlin has long been a stronghold of social nudity, and it remains popular here, both at spas like Vabali and the countless surrounding lakes with designated areas for buff-happy bathers to let it all hang loose. Residents native, international and porcine seem to enjoy FKK (in 2020, a wild boar at Teufelssee gleefully snatched a naked sunbather’s laptop; its bare-bottomed prey gave chase). “We don’t go to clothes beaches or lakes. For what reason?” says Berliner Marcel Martin. “If you are nude, if you go somewhere where everyone is nude, the community, the connection, the possibility to actually talk to people is way better than if you go there in a swimsuit.”


Accessibility can be a challenge, though, says Vijay Vijess, a Berlin university employee who uses a wheelchair. “I’ve been to some naked gatherings. Not FKK, but naked parties, events, gatherings, private events. But I want to be part of FKK. I was not sure how I should or where I should go or [who I should] ask,” he says. “I was told that, okay, it’s not for people with [a] disability, because they’re gonna have these kinds of gatherings outdoors, in places where you can not access. But I was not 100% convinced about that answer.”

US-born journalist Mary Katharine Tramontana says she’d be loath to see the naked scene shrivel up. “It’s a nice thing to do with strangers, to be naked,” she says. “It’s sad that the culture is dying out, because it’s a really simple, basic pleasure to feel the sun on your skin.” She may be in luck, because Sigloch and the DFK aren’t tapping out just yet: “We will fight for every naked person. FKK is an ancient culture that will not die out.”

Actively Nude
Getting naked is a solo activity, but being naked, that’s a group one – at least at family sports club FSV Adolf Koch, an FKK group out to preserve the original spirit of social nudity. Founded by the Berlin-based FKK pioneer nearly 100 years ago, they meet almost daily to get a little sweaty and a little skin-ny. Their events calendar offers naked table tennis, volleyball, gymnastics, water sports, workouts and even naked hikes and overnight trips.

“It’s not so much about specific sports, although there are some that are more popular than others. It’s more about this lifestyle and this kind of social nudity, and to combine it with doing something for your health and moving,” says Julian*, a board member and organiser at the club. “I mean, it’s not so uncommon in Berlin to be naked among other people… it’s also quite common at sauna and at lakes. But it’s maybe another level when you are in the community, and when you have a certain commitment to do it with regularity in a group.” FSV Adolf Koch currently has about 110 members who pay monthly dues – though non-members can always come and pay a guest fee.

When Julian, 38, discovered the club in 2012 – initially, he just went to volleyball – he was already interested in trying nude activities; growing up near Frankfurt his parents had been open to it, and he swam naked with friends as a teenager. He spent years attending FSV Adolf Koch as a guest, until the group came under threat in 2016.

“There was a point when the club was in crisis, there were only about 30, 35 members [left], most of them over 70. It was about to be dissolved. So we decided with other people that we could take responsibility and enter the board and try to make it fresh and new again,” he says. “We started to do things like a summer camp or a canoeing weekend or yoga weekend. We tried over the years to connect with other, more progressive collectives that have a connection with social nudity.”

Keeping the club alive is a big undertaking, and none of the four board members get paid. “For every sport you need at least one person that feels responsible for the keys and for welcoming new people, and for this organisational stuff. And so you have to find the people, because the board members can’t do all the work,” he says. If someone leaves and nobody wants to take over, that sport might fall off their calendar – the club has lost badminton and football, though Julian is hopeful that they might return.

There’s also the challenge of outreach – like The Naked Tea Party, FSV Adolf Koch had their Instagram account shut down. But people can find them through their website (feat. a nude blog) and through Meetup, which is how many of their international members stumble on the group, he says. In the meantime, he and the other members work tirelessly to try to expand the club’s reach.

“It’s definitely difficult to reach younger people, but it’s possible. You always have to fight against the negative image that FKK and especially FKK associations have. We are really doing a lot for it, and I think most of the other clubs don’t do it, because they have no awareness that this is important.”

For example, he says, they created an inclusivity group that could shepherd new members who were nervous about trying it out. “There are often people, especially younger people, that kind of have an ambivalence – they’re interested, but they’re also frightened a little bit. They’re afraid that there are only older people, only men, and they don’t feel comfortable. This is why we put a lot of effort into establishing a FLINTA* group, to kind of build a bridge – a safe space where people can arrive first.”

Reports of FKK’s death, Julian says, are somewhat exaggerated. “As with every social movement, it’s going in waves. [There are] phases when it’s more popular, and then it’s kind of out.” In fact, headlines have proclaimed the demise of the movement for years; in 2014, one read “FKK on the decline”, in 2018, another predicted “The return of modesty”.

Julian understands that clubs might need to change their rules to meet the times but laments that some FKK organisations have loosened principles of nudity. “I also know associations, even in Berlin, where most of the members don’t know that they are in a naturist organisation, because they just go to the volleyball training and it’s clothed,” Julian says. “From my point of view, it’s something very special that should be conserved.”

One of the club’s members, a Berlin care worker named Eric*, says for him the appeal is in the community, which is family-friendly and has members of all ages and gender identities. “The special thing for me is you meet people differently than in their normal life. In normal life, you see people with clothes and you make a decision – is he cool, is he not cool?” he says. “Normally in life, I think we are sometimes rude with each other – with social media, dating apps. Sometimes I feel like we go shopping with humans. But this is different. You’re more sensitive, you think about how you behave, how your body is in a room.”

Eric birthday-suits up for yoga, volleyball and the Tuesday night swim, the best part of which is “you don’t have wet clothes”. He’s felt comfortable going textile-free since he was a teen, but naked sports came later.

“Everything around us tells us how we have to be and who we have to be. I think especially in my case, my whole life I had some issues with my body. To be naked gives me more self confidence and more acceptance about my body and how my body is,” he says. “Then I found this association and I thought, to be naked and to do sports would be good.” There’s an extra plus, Eric reports, come winter, when he can attend the indoor activities and stay a naked athlete through the cold months.

Ultimately, the point of naked sports isn’t competition, it’s teamwork. “Everybody has to take a job. For example, the next yoga weekend, I have to take care of the food for everybody,” Eric explains. “This is the idea of an association in Germany – to be together, and everybody gives a part, a small thing, and then it becomes bigger and nicer.”

Mic On, Clothes Off
Back at Monster Ronsons, some 200 people have shown up to sing – and the group was achieving some of the demographic diversity that FKK clubs are still working on. “I’ve been to many naked parties that are predominantly gay men’s spaces. But this was a mixed party with all different trans bodies and female bodies. So I was really happy and proud of the people that turned up,” says BLEACH, Monster Ronsons booker and promoter, and the host of the evening.

A naked drag queen who performs across the city, BLEACH came up with the idea for Naked Karaoke last year. It first ran as a collaboration between Monster Ronsons and Schwuz’s SchlagerNackt-Party. Now, she runs the show herself.

The June singalong was only their second iteration – but the event isn’t going anywhere. “The reaction was so big – everybody wanted to sing. Normally when there’s karaoke, maybe a group of people come and two people want to sing and the rest just want to watch. But everybody wanted to sing,” she says. The skin-baring soloists tend to eschew the karaoke classics (“There was only one Britney”) and put on more of a mobile performance, BLEACH says. “In normal karaoke, you can kind of get away with just standing there and singing, but in naked karaoke, nobody stands still.”

Being naked also erases the judgement of being in the vocal spotlight; who’s going to cringe at your shaky soprano when you’re up there strutting your stuff? “I think there’s a lovely essence – there’s the relationship of being sexy and naked, and then there’s another relationship of just being childish and free. You feel like a little weird kid running around,” BLEACH says.

There’s a moment in the night where it crosses into a kind of delightful mania. “We did ‘Bohemian Rhapsody’ and I split the audience in two. So they did the ‘scaramouche, scaramouche, can you do the fandango?’, and then someone was climbing up the pole, completely naked, and you’re just like, what is going on? It feels like you break into another universe – a naked universe that you didn’t know was possible.”

BLEACH has been a resident of this universe for years. “I used to watch the burlesque girls get naked every night, and that was obviously when I found out that being naked gets the biggest applause,” she says of her first foray into naked drag queendom eight years ago. “I also found it made more people in the audience comfortable. And now if you meet anyone that’s seen me perform, they’ll probably say they’ve seen me more naked than with clothes on.”

A big bonus of nudity, she says, is how quickly you get over the idea that your dick isn’t big enough, so to speak. “I don’t know how they’ve implemented it so deep into everyone’s psyche that your body is not correct – either your penis is too small or you’re too fat or your tits are too tiny. They have literally from birth somehow made us embarrassed of our bodies.”

This was true of her childhood in Essex, where her family made comments about her weight. “That kind of diluted into my psyche for a long time. I didn’t stand up very tall, I didn’t spread my shoulders,” BLEACH says. “But it’s such a magical sight seeing people naked, because then you release all the anxiety you’ve put on yourself and on your body and the way you look. When you see everybody naked, you realise oh, we’re all just like, freaky, jiggly, beautiful things.”

For BLEACH, getting naked is also a potentially revolutionary act: “I was told to wear clothes all my life. Now I’m not wearing clothes, and everything’s fine. So if I was told to pay taxes to fund a government that is doing things that I don’t agree with, maybe I can imagine an alternative world where I don’t do that. That’s my dream, I guess,” she says.

“We are clothing ourselves in fabrics that are bad for us, bad for the planet, that are being produced en masse on cheap labour. And then to take that away, to take all those labels and logos and clothes off the body – I think it gives us an alternative. It gives us a view outside of capitalism.”

The June Naked Karaoke (€10 a ticket) caught the attention of Trisha*, a 21-year-old American student who had been waiting to try her hand (and the rest of her body) at nudity. “It seemed like a good way to experiment with it, at the karaoke party, because it’s kind of activity-based. And also, I think karaoke is way more embarrassing than being naked,” she says.

At the beginning, it was great; she sang ‘99 Luftballons’. “For the first two hours, it was some of the most fun I’ve ever had at an event. Super freeing, very surreal. You don’t feel like you’re naked. You feel very able to connect with people, you feel very unashamed. You feel very welcome to be yourself, to kind of do things that are embarrassing – like karaoke – without thinking too much of them, because you’ve already bared so much of your person and your personality,” she explains. “Everyone was very chatty and very friendly – it’s kind of like this unspoken inside joke with everyone.”

As the night wore on, Trisha – who had come alone – socialised with her fellow singers, some of whom were in harnesses or other fetish wear. A few acted suggestively towards her; one man asked if she had a boyfriend. “I think a lot of people were coming from kink spaces, and because of that, people were bringing kink ideas, behaviours and practices into a space that wasn’t really about that,” she says. “I’ve been in kink-forward Berlin spaces like KitKat and Insomnia, and that’s completely different, because you go into it in the agreement that it’s a sex-focused space, and you don’t feel strange when these things happen, because it’s kind of what you sign up for.”

Ultimately, she’s satisfied her curiosity about nude spaces, and she’s not sure she’ll return. “I think maybe in a few years I’d try it again, but only if I could accept that all of these things might happen and not be in denial that these sexual aspects of this space can be levied against you a little bit non-consensually,” she says. “I don’t regret going – it gave me a lot of food for thought.”

Naked Karaoke does have a designated sex-positive space, but the party is billed as “for nudism and singing naked at its core”. Maintaining that spirit during the night is something BLEACH is focused on. “In all these spaces, as safe as we try to make them, there’s always people there with maybe a different narrative or a different reason for being in that space than the majority of people that are there.”

BLEACH and her team are happy to ask anyone making people uncomfortable to leave. “We had one guy that I think was not there for the naked singing and was there for sexual interaction. But then I found the interesting thing was, boundaries were clearer when people were naked,” she says. “With naked karaoke, obviously there’s a heightened sense of vulnerability. It looked like it gave people more strength to be like, ‘Get the fuck out my fucking face, you fucking weirdo’. Which I thought was really kind of empowering.”

BLEACH acknowledges that there are some naked spaces in Berlin that “lean too much on the sex”. “It can be overwhelming and takes a little bit of time to understand your body in those spaces, and what you want,” she says. She’s also very conscientious of the experience that trans people might have. “If your body is different to everybody else’s – maybe you’ve got tits and a dick, or maybe you’ve chopped your tits off and you’ve got a vulva and you’ve got a beard – this adds another layer of judgement onto you,” she says.

“But when granted a space that is not judgemental, that wouldn’t stare or look or fetishise, which usually happens to naked trans bodies, there’s another element of liberation I’ve seen that has been so magical. And I hope that all naked spaces encourage trans bodies as well intersex bodies. The more that we learn about different kinds of bodies, the more we understand that we are all different – but we are all connected, because we are all the same.”

Body of Art
In the tall grass of Tempelhofer Feld, the hosts of one of Berlin’s newest naked events have laid out the trappings of a picnic: blankets, sunscreen, potato chips, a container of apricots. But it’s not a picnic, and they’ve picked the knee-high vegetation intentionally: this is the Naked Drawing Salon, and atop the blankets, the pastels and coloured pencils are waiting.

Nude models are common in art classes, but here, there’s a twist: not only are the models naked, but the artists get naked too. “The idea [is] that everybody sits as a model – you know how it feels, so there shouldn’t be a hierarchy between the model and [the artists],” says Ninja*, a psychotherapist who founded the monthly salon series with her partner, UK-born sound designer Guy Henderson.

In the winter, they hold the sketching sessions at an old factory space in Neukölln. Now that it’s summer, the artists pose in the natural light of the Feld; when they’re not in the spotlight, they draw in varying states of undress.

Each salon starts with warm-ups, where participants spend a few minutes rendering the person sitting across from them, then move on to 10-minute poses. There’s no pressure to be a master of technique, Henderson says. “None of us are really professional artists,” adds Ninja. “So it’s not that it’s a class, really. It’s nobody teaching somebody something. It’s more the idea of making some time on a Sunday or during the week, and getting inspired by each other.”

The pair came up with the idea for the salon after watching some naked artists perform at last year’s 48 Hours Neukölln, after which they began to search for a creative project to put their energy toward. They invited friends to join them for life drawing, and the idea has grown. “Now it’s really friends of friends of friends of friends,” Henderson says.

Most people at the salon use pastels or pencils on sketchpads, but people can bring anything; they’re hoping someone will bring clay someday. “There was even one person joining us once where she didn’t draw at all, she was just writing poems about what she saw,” Ninja says. “It’s always interesting to see what the people see and how they interpret, or what they focus on,” she adds. “We’ve laughed so many times when [people] focus so much on the butt – it’s so often that people really highlight the butt, you know? Or that you get really into a specific detail of the body. And usually it’s the butt, because it’s so nice to draw.”

There’s little focus on technique. “It’s more about different styles, and really encouraging people when you see, like, wow, that’s a really cool style, kind of unique or different,” she says.

Centring the artistic endeavour is music: each model gets to choose a curated playlist for the group to listen to while they’re being drawn. “In many ways, I think it’s the expression of modelling that is almost as important as the expression of the drawing and painting,” Henderson says. “There’s a lot of creativity in setting up the poses, as much as there [is] in actually drawing and painting the poses.”

A friend of Ninja’s often brings props – an apple, stick, an axe – to hold. Once, they tried using sex toys as props – but it wasn’t as popular. “I got feedback from a friend, and she was saying, ‘Oh, when I read that I was actually getting a little bit upset’, because she really enjoyed that it wasn’t connected to kinky Berlin at all,” Ninja recalls. “She was like, ‘I really enjoy this more artistic view of the naked body and not sexualising the body’.”

The pair do support feeling sexy, though – if you’re going to pose as a naked muse, you might as well feel like one. “When we encourage erotic poses, it’s more that you give the person the space to feel erotic, to express themselves – and then actually, it’s really nice to be drawn. [You] then look at yourself like, wow, that looks actually super hot.” You could use the final art as a Christmas card, she jokes: “Hi, Mom and Dad – greetings from Berlin!”

In this city, both say, it’s not hard to find people who are open to coming to a naked art salon. “People in Berlin carve out space in their lives for experimenting in different cultural activities and adventures,” Henderson says. “If you’re someone who is going to visit Berlin from abroad, or come to live in Berlin from abroad, or from a different corner of Germany, I’m pretty sure there’s going to be an awareness that it’s a city where you can find naked activities, and there might be a reason that you want to come here.”

One attendee, Berlin-based writer Nils Philipp, talks about it almost reverently. “It’s one of those rare occasions where we focus on one thing. There’s no distractions. You and the paper and the model. I like the atmosphere of concentration. You are active with the body, and you also create,” he says.

Like the tourists at Monster Ronsons, he’s discovered that an event like this embodies the city’s spirit. “I mean, we do naked drawing on Tempelhofer Feld. How Berlin can it get?”


O que o texto aborda:
  1. A História e as Raízes da FKK: o texto recua às origens do movimento nudista alemão no início do século XX e o papel de figuras históricas como Adolf Koch, um pedagogo e entusiasta da saúde que promoveu a ginástica sem roupa nos anos 1920 como uma forma de libertação física, higiene e democratização social (a nudez vista como um elemento que eliminava as barreiras de classe social).
  2. Nudismo na RDA (Alemanha Oriental): aborda como o nudismo se tornou uma prática massiva e amplamente integrada na Alemanha de Leste (DDR) durante a Guerra Fria, funcionando muitas vezes como uma forma subtil de escapismo e liberdade individual num Estado altamente controlado.
  3. Positividade Corporal Natural (Body Positivity): o artigo analisa a FKK sob uma perspetiva moderna de aceitação corporal, onde estar nu em público não tem conotação sexual, mas sim de respeito pelo corpo humano em todas as suas formas, idades e tamanhos.
  4. Novas Vertentes e Eventos Sociais Descontraídos: o foco principal do texto está em como a nova geração e a comunidade de Berlim estão a reinventar o nudismo. Em vez de se focar apenas em praias ou lagos tradicionais (Teufelssee, Plötzensee), o artigo destaca eventos sociais modernos de "nudez casual", tais como:

Naked Tea Parties: Encontros sociais para tomar chá e conviver sem roupa.

Karaoke e Life Drawing: Atividades em espaços fechados onde os participantes cantam ou desenham modelos, partilhando o espaço em total nudez, desmistificando o corpo nu em contextos urbanos e artísticos.

Diferenças Culturais e o Choque de Expatriados: Relata a perspetiva de estrangeiros e expats a viver em Berlim que inicialmente se sentem chocados com a naturalidade do nudismo alemão, mas que gradualmente compreendem e adotam a filosofia.