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domingo, 9 de agosto de 2026

Suede - Saturday Night

Melhor som aqui

Letra
[verse 1]
Today she's been walking
She's been talking
She's been smoking
It's gonna be alright
'Cause tonight we'll go dancing
We'll go laughing
We'll get car sick

[verse 2]
And it'll be okay like everyone says
It'll be alright and ever so nice
We're going out tonight
Out and about tonight

[refrão]
Oh, whatever makes her happy
On a Saturday night
Oh, whatever makes her happy
Whatever makes it alright

[verse 3]
Today she's been sat there
Sat there in a black chair
Office furniture
It'll be alright
'Cause tonight we'll go drinking
We'll do silly things
And never let the winter in

[verse 2]

[refrão]

[verse 4]
We'll go to freak shows and peepshows
We'll go to discos, casinos
We'll go where people go and let go

[refrão] 2X

Oh oh
La la la la la la (5X)

A cidade subterrânea e a poética do escapismo em "Saturday Night"
O videoclipe de "Saturday Night", dirigido por Pedro Romhanyi e rodado nos túneis e plataformas do metro de Londres - com destaque para a icónica e desativada estação de Aldwych e alusões a Holborn-, funciona como uma alegoria perfeita sobre a alienação e a solidão nas metrópoles contemporâneas. Toda a narrativa visual constrói um contraste marcante entre o anseio coletivo de festa e celebração associado ao sábado à noite e a crua realidade do isolamento urbano. No centro deste cenário subterrâneo, o vocalista Brett Anderson assume o papel de um flâneur baudelaireano modernizado: um observador poético e solitário que deambula pelas carruagens e corredores de betão, testemunhando a existência de diversas figuras à deriva. Ao longo do percurso, a câmara cruza-se com casais em momentos de intimidade, trabalhadores exaustos, um idoso a carregar um peixe num saco de plástico e jovens imersos numa festa improvisada. Cada uma destas imagens traduz a busca desesperada por pequenos fragmentos de felicidade, afeição ou evasão, refletindo a premissa central da canção de anestesiar a rotina e o peso da vida quotidiana através do hedonismo noturno.

Esta reflexão sobre a melancolia e o escapismo urbano ganhou forma com o lançamento original do tema no aclamado álbum Coming Up, editado a 2 de setembro de 1996, tendo sido posteriormente lançado como o terceiro single do disco a 13 de janeiro de 1997 pela Nude Records. Mais do que uma simples balada de pop-rock, a escrita de Brett Anderson em "Saturday Night" assenta num denso substrato literário e filosófico. A canção dialoga diretamente com o Existencialismo e o Absurdismo de Jean-Paul Sartre e Albert Camus, retratando a tentativa de conferir sentido à existência através do prazer e da evasão temporária diante do vazio da vida moderna. Da mesma forma, a influência do escritor J.G. Ballard é evidente na psicogeografia do videoclipe, onde os transportes subterrâneos e a arquitetura pós-industrial se tornam símbolos da alienação humana. Por fim, a estética decadente da banda inspira-se no romantismo trágico e na ironia de Oscar Wilde, consolidando "Saturday Night" como uma celebração trágica e melancólica do quotidiano nas margens da grande cidade.

A assinatura singular dos Suede: quando a herança transforma-se em identidade
As grandes bandas da história da música raramente surgem num vácuo cultural. A verdadeira originalidade não reside na invenção de uma linguagem inteiramente sem antecedentes, mas sim na capacidade de reunir referências díspares, filtrá-las através de uma vivência própria e devolvê-las ao mundo sob a forma de uma assinatura artística inconfundível. No caso dos Suede, embora a sombra lírica de David Bowie, o romantismo dramático dos The Smiths e a densidade atmosférica do post-punk dos anos 80 estejam presentes no seu ADN, a banda britânica construiu um universo estético e sonoro genuinamente único, que redefiniu o panorama do rock alternativo nos anos 90.

No início dessa década, numa altura em que a cena musical do Reino Unido se encontrava refém do grunge americano e desprovida de uma identidade própria, os Suede irromperam como o catalisador de uma revolução. Eles foram os verdadeiros arquitetos do movimento que mais tarde viria a ser batizado de Britpop, resgatando a essência e a urgência da cultura urbana britânica antes de qualquer outra banda da sua geração. Contudo, enquanto os seus pares versavam sobre o quotidiano da classe trabalhadora com tom satírico ou festivo, a escrita de Brett Anderson fundou um léxico poético singular, frequentemente apelidado de gutter glamour. Anderson transformou a sordidez dos subúrbios cinzentos, a ambiguidade sexual, a decadência das noites de aluguer, o consumo de drogas e o romance trágico dos marginalizados em autênticas odes orquestradas e melodramáticas.

Essa poeticidade decadente encontrou a sua tradução musical perfeita na simbiose entre a vocalidade visceral de Anderson e a arquitetura de guitarra de Bernard Butler nos primeiros discos, e mais tarde na energia vibrante de Richard Oakes. Os Suede refundiram a agressividade áspera das guitarras do post-punk com a grandiosidade e o brilho do glam rock, criando paredes de som dramáticas e melodias de uma sensibilidade pop angustiada que não tinham paralelo na época. O resultado foi uma discografia coesa e marcante - desde a densidade concetual de Dog Man Star ao imediatismo efervescente de Coming Up -, que provou que os Suede não eram uma mera soma das suas influências, mas sim uma das vozes mais originais, audazes e influentes da história do rock britânico.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Holy Motors - Stay the Night


O significado de "Stay the Night" baseia-se na ideia de proximidade efémera e isolamento partilhado. Embora as letras dos Holy Motors sejam minimalistas e abstratas, focando-se mais na criação de uma atmosfera do que numa narrativa linear, a canção funciona como um convite íntimo e vulnerável, mas totalmente despido de ilusões futuras. Ao pedir a alguém para ficar apenas por aquela noite, deixando claro que isso não significa uma ligação para a vida, a letra retrata o desapego moderno e o consolo mútuo entre duas pessoas solitárias. Existe uma aceitação melancólica de que a relação tem um prazo de validade curto, embora a química entre ambas seja descrita como altamente inflamável e perigosa, através da metáfora do fogo e da gasolina. No fundo, a música evoca o cenário de duas almas que procuram um refúgio temporário contra o mundo exterior, isolando-se num quarto escuro para partilhar a sua solidão por breves horas, como se estivessem num motel perdido à beira de uma estrada deserta.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Genders - Life Is but a Dream


I want you to see me everywhere
Don′t try to outsmart me, 'cos I′m already there
You will remember me if I'm the last thing you recall
Seems so promising but you'll never bother at all

Life is but a dream
When you′re next to me
It disappears so easily
You′re just a ghost to me

I am with you
I know you can feel me
From the fountain of youth
Now I'm floating free

Life is but a dream
When you′re next to me
It disappears so easily
You're just a ghost
Just a ghost

A canção “Life Is But a Dream” da banda americana Genders explora a efemeridade da vida e das relações humanas, usando a metáfora do sonho para expressar a fragilidade dos sentimentos e a passagem do tempo. A frase central, “a vida é apenas um sonho”, sugere que momentos de conexão e amor, por mais intensos que sejam, são transitórios e podem desaparecer facilmente, deixando apenas lembranças ou sensações de perda. A letra transmite um desejo profundo de ser lembrado e de marcar presença na vida do outro, mesmo diante da distância emocional, como evidenciado pela ideia de que a pessoa se tornará um “fantasma” ou apenas uma memória. Todo o conjunto de imagens — sonhos, fantasmas, memórias — cria um tom melancólico e introspectivo, refletindo sobre a dualidade entre a intensidade dos sentimentos e a fragilidade da realidade. Em suma, a canção é uma reflexão poética sobre amor, perda e a inevitável efemeridade da vida, mostrando como experiências que parecem reais podem ser tão passageiras quanto sonhos.

terça-feira, 22 de julho de 2025

Editors - No Harm


I'll boil easier than youCrush my bones into glueI'm a go-getterThe system's in redThe room is inbredI'm a go-getter
Don't hold no harmDon't hold no harm
My children despise my wonderful liesI'm a go-getterI see through your wallsAnd your space down your hallsI'm a go-getter
Don't hold no harmDon't hold no harm
The fever I feel, the fake and the realI'm a go-getterMy world just expandsThings just break in my handsI'm a go-getter
Don't hold no harm

A música 'No Harm' da banda britânica Editors explora a complexidade da ambição e as suas consequências. A letra é introspectiva e revela um eu-lírico que se autodenomina um 'go-getter', alguém que busca incessantemente alcançar seus objetivos, mesmo que isso signifique enfrentar adversidades e sacrifícios. A expressão 'I'll boil easier than you, crush my bones into glue' sugere uma disposição para suportar dor e sofrimento em nome de suas ambições, destacando a resiliência e a determinação do personagem.

A repetição da frase 'Don't hold no harm' pode ser interpretada como um mantra de autoafirmação, uma tentativa de minimizar ou justificar os danos causados por suas ações. O eu-lírico parece estar em conflito com as repercussões de sua busca incessante pelo sucesso, reconhecendo que suas 'maravilhosas mentiras' são desprezadas pelos seus filhos. Isso sugere uma reflexão sobre os custos pessoais e familiares de sua ambição, trazendo à tona a tensão entre o desejo de realização pessoal e as responsabilidades sociais e emocionais.

A música também aborda a percepção da realidade e a distinção entre o falso e o verdadeiro, como evidenciado na linha 'The fever I feel, the fake and the real'. O eu-lírico parece estar ciente das ilusões e das verdades que permeiam sua vida, e essa consciência contribui para a expansão de seu mundo, embora as coisas 'quebrem em suas mãos'. Essa metáfora pode simbolizar a fragilidade das conquistas materiais e a efemeridade do sucesso, reforçando a ideia de que a ambição, embora poderosa, pode ser destrutiva e insustentável a longo prazo.

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Paz efémera: um histórico dos cessar-fogos Rússia-Ucrânia



Desde a anexação ilegal da península ucraniana da Crimeia, em 2014, tem havido várias tentativas de dar um fim definitivo à guerra na Ucrânia, envolvendo tanto os apoiadores europeus do país quanto os Estados Unidos – sem qualquer sucesso.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, propôs uma nova rodada de negociações de cessar-fogo em Istambul nesta quinta-feira (15/05). O anúncio coincidiu com um novo ataque com drones a Kiev, dando fim à "trégua" de três dias declarada unilateralmente por Moscou.

Os líderes europeus recusaram a proposta de conversações diretas, enquanto ambas as partes do conflito não declarassem cessar-fogo incondicional. O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, iniciamente apoiou essa proposta, mas decidiu participar das conversas em Istambul após o presidente dos EUA, Donald Trump, insistir que ele deveria fazer isso. Não está claro ainda se Putin irá ou se enviará um representante.

Nos últimos meses, os EUA vêm promovendo prolongadas negociações separadas com a Ucrânia e com a Rússia. Antes de ser eleito, Trump prometera dar fim ao conflito já em seu primeiro dia de presidência. Além de a promessa não ter se cumprido, as repetidas intervenções de Washington denotam um favorecimento dos interesses de Putin.

Apesar do insucesso em alcançar um cessar-fogo duradouro, desde o início da invasão russa da Ucrânia em larga escala em 2022 houve diversos acordos de curto prazo. Kiev e Moscou têm-se acusado mutuamente de violar tanto esses pactos quanto os cessar-fogos declarados unilateralmente.

Desde 1994, a Rússia já rompeu diversos pactos visando assegurar a existência da Ucrânia após a queda da União Soviética (URSS).

Memorando de Budapeste e Tratado de Amizade Russo-Ucraniano
O Memorando de Budapeste foi um acordo entre a Ucrânia e a Rússia, coassinado pelos EUA e o Reino Unido em 5 de dezembro de 1994. A condição fora Kiev concordar em entregar as armas nucleares que a Rússia herdara da URSS. Em troca, Moscou, Washington e Londres se comprometiam a "respeitar a independência e soberania e as fronteiras existentes" e "abster-se de ameaçar ou empregar força contra a integridade territorial e a independência política da Ucrânia".

Além disso, em 1997, o Tratado de Amizade, Cooperação e Parceria comprometia ambas as partes ao "respeito e confiança mútuos" e "respeitar a respectiva integridade territorial".

Ambos os pactos visavam prevenir um conflito entre as duas nações do Leste Europeu. Ao invadir e anexar a Crimeia, no Mar Negro, em fevereiro de 2014, e prosseguir invadindo e atacando território ucraniano, os russos violaram repetidamente seus compromissos sob o Memorando e o Tratado.

Acordos de Minsk
Dois acordos assinados em Bielorussia – país aliado da Rússia – e apoiado por potências europeias, que receberam o nome de sua capital, não bastaram para garantir a paz russo-ucraniana. Firmado em 5 de setembro de 2014, o Protocolo de Minsk (também denominado "Minsk I") continha 12 tópicos relativos à desescalada do recente conflito no leste da Ucrânia, mas fracassou dentro de alguns dias.

Em 12 de fevereiro de 2015 seguiu-se "Minsk II", em que as duas nações em conflito, as forças separatistas pró-russas das regiões ucranianas de Donetsk e Luhansk, e a Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) acordaram sobre 13 pontos. Seguiu-se um cessar-fogo imediato, porém poucas horas antes de a trégua entrar em vigor, russos e ucranianos já se acusavam mutuamente de violações.

Escalada em 2022 e cessar-fogos rompidos
Desde a invasão em larga escala pela Rússia, em 24 de fevereiro de 2022, diversos cessar-fogos de prazo curto foram instaurados e rompidos:
  • 6 de março de 2022: Breve cessar-fogo humanitário é cancelado em meio a notícias de bombardeio da cidade de Mariupol, no Mar de Azov.
  • 8 de março de 2022: Tentativas repetidas de formar corredores de evacuação humanitária redundam em acusações de que a Rússia estaria impedindo a passagem dos civis.
  • 7 de janeiro de 2023: Rússia decreta cessar-fogo unilateral para celebração do Natal ortodoxo. Poucas horas mais tarde, líderes ucranianos relatam a retomada dos bombardeios inimigos. Por sua vez, a imprensa estatal russa acusa a Ucrânia de ataques com drones contra posições militares.
  • 18 de março de 2025: Negociações entre EUA e Rússia na Arábia Saudita, em seguida a telefonema entre Trump e Putin, resultam em acordo de cessar-fogo de 30 dias para "energia e infraestrutura". Zelenski concorda com um cessar-fogo parcial alinhado com essas conversas.
  • 25 de março de 2025: No contexto de negociações lideradas pelos EUA, Ucrânia e Rússia concordam em suspender ofensivas no Mar Negro, uma rota de navegação vital.
  • 27 de março de 2025: Kiev e Moscou acusam-se mutuamente de violar, com ataques à infraestrutura, a trégua temporária de 18 de março.
  • 19 de abril de 2025: Supostamente por razões humanitárias, Putin declara "trégua de Páscoa" das 18h00 (12h00 em Brasília) de 19 de abril à meia-noite de 21 de abril. Ucrânia expressa cepticismo, o presidente Zelenski afirma que ataques com drones continuam. Mais tarde, ele alega que Rússia cometera milhares de violações ao longo do front.
  • 10 de maio de 2025: Rússia declara cessar-fogo unilateral em comemoração aos 80 anos da derrota da Alemanha nazi na Segunda Guerra Mundial. Contudo, a Ucrânia acusa o país de violar sua própria trégua 734 vezes.

sábado, 9 de dezembro de 2017

21 Ideias: Amartya Sen e as liberdades efetivas


Economista agraciado com o Prémio Nobel; intelectual de notável participação nos debates sobre temas como justiça social, desenvolvimento e combate à pobreza; filósofo de grande reputação global: eis algumas das descrições que, com muita justiça, costumam acompanhar o nome do indiano Amartya Sen.

Sen notabilizou-se junto do grande público com os seus trabalhos dedicados ao campo da economia do desenvolvimento, área de estudo para a qual deu contributos decisivos — em especial com o chamado capability approach – abordagem das capacidades, que contrasta a chamada “liberdade negativa” (ausência de impedimentos) com a “liberdade positiva” (condições reais de exercício de um direito).

O conceito de Sen deixa claro que de pouco adianta falar na liberdade que um cidadão tem para fazer algo que, na prática, está privado de condições objetivas para realizar. Foi esta a ideia desenvolvida na sua conferência no Fronteiras do Pensamento.

As grandes ideias propostas por Amartya Sen, no palco do Fronteiras, podem ser lidas na obra 21 ideias do Fronteiras do Pensamento para compreender o mundo atual. O livro reúne o que há de melhor para compreender as mentes contemporâneas: textos de especialistas explicando o pensamento dos conferencistas, seguidos da fala dos convidados, em excertos muito bem escolhidos como representativos das ideias que os colocaram como referências do nosso tempo.

Confira abaixo um excerto da intervenção do Nobel da Economia e não se esqueça de passar pelo site da Arquipélago Editorial para garantir a sua cópia, também à venda nas principais livrarias!

"A visão clássica segundo a qual a pobreza consiste na falta de rendimento é uma falsidade já bem estabelecida pela literatura; argumento há alguns anos que a pobreza consiste, na verdade, na privação de algumas capacidades básicas que exigimos minimamente das pessoas.

Um rendimento mínimo e uma boa saúde não bastam, se viver numa área em que quase não há escolas ou não há boas escolas, quase não há hospitais nem médicos de qualidade e que enfrenta desafios epidemiológicos devido a um serviço de saúde deficiente; nessas circunstâncias, um rendimento alto não é tão útil. Assim, a partir desta abordagem, a pobreza deve ser vista como privação de capacidades, sendo possível, destarte, mover-se na direção da ampliação da sua abordagem.

Até certo ponto, é isso que John Rawls faz ao deslocar o centro da sua análise da noção de rendimento para a noção de bens primários, os quais incluem, como ele diz: direitos, liberdades, oportunidades, riqueza e a base social da autoestima. Mas tudo isso são meios, como o rendimento.

O que, da minha parte, defendo é que é preciso olhar para a liberdade efetiva das pessoas de realizarem os seus próprios projetos. Uma pessoa pode ter bons meios, mas tais meios serão ineficazes se tal pessoa for afetada por doenças hereditárias, ou doenças adquiridas em epidemias, ou se tiver problemas particulares de algum tipo, como alguma incapacidade.

Cabe notar que, de acordo com as estatísticas do Banco Mundial, cerca de uma em cada seis pessoas no mundo apresenta incapacidades sérias de um tipo ou de outro. A questão deve ser abordada de uma perspetiva mais ampla e, para tanto, é preciso examinar as liberdades efetivas das pessoas — e não apenas os meios que elas têm, como os bens primários ou o rendimento —, é preciso focar-se nas suas liberdades formais e no modo como tais liberdades podem acentuar a liberdade de facto.

Se queremos julgar a partir de uma perspetiva que favoreça a pessoa, o indivíduo, cabe-nos concentrar na capacidade da pessoa de fazer ou de ser aquilo que ela tem motivo para valorizar, como a habilidade de levar uma vida livre de doenças, de ir e vir livremente, de participar na vida pública e assim por diante. Esta é a abordagem que eu e, como disse, muitos outros entre nós temos vindo a tentar explorar."