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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Indigenous Communities Report Dramatic Loss Of Large Bird Species Over 80 Years


A recently published international study reports there are fewer and fewer large bodied bird species in Africa, Latin America and Asia. Led by a large team of researchers based at Institute of Environmental Science and Technology at the Universitat Autònoma de Barcelona (ICTA-UAB), the study finds that birds living in these regions are considerably smaller than those that predominated in 1940. The study documents the collective ecological memories of 10 Indigenous Peoples and local communities and reports a reduction of up to 72% in the mean body mass of the bird species present in these areas between 1940 and 2020.

“The project began in 2013, during my PhD fieldwork in the Bolivian Amazon,” ethnobiologist Álvaro Fernández-Llamazares told me in email. Dr Fernández-Llamazares works as a senior researcher at the ICTA-UAB. “Knowledge holders of the Tsimané people repeatedly told me that the large birds they had grown up with were rapidly disappearing.”

The Tsimané are indigenous people living in lowland Bolivia. They are primarily a subsistence agriculture culture, although hunting and fishing also contribute to many of the settlements’ food supplies.

“The Tsimané interact with birds on a daily basis through hunting, farming, rituals, and storytelling, which gives them long-term ecological memories that extend far beyond the timeframe of scientific monitoring,” Dr Fernández-Llamazares explained to me in email.

“As I later worked with Indigenous communities in other parts of the world, I realized that remarkably similar observations were being made elsewhere. That convergence made me realize that these place-based memories could reveal large-scale patterns of biodiversity change. This is what motivated me to carry out a global analysis to understand what Indigenous and local knowledge systems can tell us about long-term changes in bird populations.”
F I G U R E 1 : Locations of the ten study sites.doi:10.1017/s0030605325102615


The research is based on a global survey of 1,434 adult participants from 10 place-based communities across three continents (Figure 1). In total, Dr Fernández-Llamazares and collaborators surveyed 1,434 adults in ten communities in Bolivia, Chile, Mexico, Brazil, China, Ghana, Kenya, Madagascar, Mongolia, and Senegal. They compiled 6,914 unique bird reports (Figure 2) corresponding to 283 bird species, and compared the bird species most commonly reported during participants’ childhoods with those currently reported in their territories.
Distribution of bird reports over time in the 10 study sites (Fig. 1) and across all sites combined.

The reported differences in bird species were statistically significant in territories such as Tsimane (Bolivia), Timucuy (Mexico), Vavatenina (Madagascar) and Ordos Desert (China). At the same time, no significant differences were reported for Lonquimay (Chile) and Bulgan soum (Mongolia).

The Indigenous Peoples’ cultural memory strongly contrasts with most people’s memories of environmental conditions, which are continually deteriorating over time, a phenomenon known as the Shifting Baseline Syndrome (ref). Basically, in the absence of past information or experience with historical conditions, members of each new generation accept the situation in which they were raised as being “normal”. This psychological and sociological phenomenon is increasingly recognized as one of the fundamental obstacles to addressing a wide range of today’s global environmental issues.

Dr Fernández-Llamazares and collaborators’ analysis reveals the deeply worrying pattern where large bodied bird species are rapidly disappearing from local environments, only to be replaced by smaller bodied species. For example, this study found that the average mass of reported bird species exceeded 1,500 grams (3.3 pounds) in the 1940s, whereas the average mass in 2020 is reported to be closer to 535 grams (1.17 pounds). This coincides with a significant decline in body mass of 72% over eight decades.

The secretary bird (Sagittarius serpentarius) is a large endangered bird of prey that is endemic to open grasslands and savannah of the sub-Saharan region of Africa. Its body mass ranges from 2.3kg to 5kg (5–11 pounds) 

What happened to these large birds? They were likely driven locally extinct because large bird species are more vulnerable than small ones to hunting, habitat destruction and fragmentation, and to infrastructure development, according to Dr Fernández-Llamazares. Further, the loss of these birds threatens biodiversity and environmental health and is accompanied by the loss of key functional roles held by these birds in their ecosystems, particularly seed dispersal, pest control, and forest regeneration.

Dr Fernández-Llamazares and collaborators’ study serves to highlight critically important alterations to the intimate, lived experiences with nature of generations of people within their territories. It also points to the collective impoverishment of Indigenous Peoples’ cultural identity, memory and traditional practices around the world.

“Bird declines are not abstract statistics: they are visible, remembered, and felt by people who live closest to nature,” Dr Fernández-Llamazares stated in email. “When ten Indigenous Peoples and local communities across three continents independently report that birds are getting smaller, it tells us the avian extinction crisis is deeper and more pervasive than we tend to acknowledge with scientific data.”

Source:
Álvaro Fernández-Llamazares et. al. (2026). Indigenous Peoples and local communities report a consistent decline in the body mass of birds across three continents, Oryx | doi:10.1017/s0030605325102615

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

A Estafeta da Existência: O Legado Multigeracional da vanessa-dos-cardos (Vanessa cardui)


O conceito de migração animal evoca frequentemente a imagem de um indivíduo que parte de um ponto A para um ponto B. No entanto, a borboleta-dos-cardos (Vanessa cardui) subverte esta noção, apresentando um modelo de sobrevivência onde o destino não pertence ao indivíduo, mas à linhagem. Este sistema de migração multigeracional é um dos exemplos mais sofisticados de resiliência biológica na natureza.

Presente na América do Norte, Europa, África e Ásia, esta é uma borboleta grande, com uma envergadura de asas que pode chegar aos sete centímetros. O nome científico, Vanessa cardui, inspira-se nos cardos em que as lagartas gostam de se alimentar (embora também se alimentem de outras plantas).

Há uma década, os cientistas sabiam que a bela-dama desaparece da Europa no outono e acreditava-se que migraria para o norte de África. “Eu não acreditava nisso, pois estas regiões são muito frias no inverno e sabemos que esta borboleta não sobrevive ao frio. Como não entra em diapausa, precisa de continuar a mexer-se”, recorda Talavera. Além do mais, no Magrebe havia poucos registos da espécie para esta altura do ano.

E se a resposta estivesse na travessia do Saara, o maior deserto de areia do mundo? “Havia uma pequena hipótese, mas ninguém acreditava que a grande maioria destas borboletas pudesse atravessar o deserto”, reconhece. “Foi uma grande aposta.”

A Continuidade através da Brevidade
A característica mais marcante da V. cardui é a sua capacidade de completar um circuito migratório que ultrapassa os 12.000 km, uma distância impossível de cobrir durante o seu ciclo de vida de apenas poucas semanas. O segredo reside na fragmentação do percurso: o que observamos como um movimento migratório único é, na verdade, uma sucessão de até seis gerações que funcionam como uma estafeta biológica.

Mecanismos de Orientação e Genética
A questão que intriga a ciência é como uma borboleta, nascida no norte da Europa, "sabe" que deve voar para o Sul no outono, sem nunca ter feito o percurso ou tido contacto com as gerações anteriores. Estudos indicam que estas borboletas utilizam uma bússola solar compensada pelo tempo, integrada com a perceção do campo magnético terrestre. Esta informação não é aprendida; é uma herança genética codificada.

Resiliência Ecológica
Ao contrário de outras espécies especialistas, a borboleta-dos-cardos é uma generalista oportunista. A sua capacidade de se alimentar de uma vasta gama de plantas (especialmente cardos e malvas) permite-lhe atravessar desertos e cadeias montanhosas, adaptando-se a diferentes ecossistemas à medida que a sua linhagem avança pelo globo.

Para saber mais:

quarta-feira, 19 de junho de 2024

Calor extremo. Centenas de mortos em peregrinação a Meca


Segundo as atualizações mais recentes da AFP, o número de mortos subiu para 577, mais do dobro do ano passado. Destes, pelo menos 323 eram cidadãos egípcios e, de acordo com as autoridades locais, morreram devido a doenças relacionadas à exposição ao calor.

"Todos morreram de doenças relacionadas com o calor", com exceção de um peregrino que morreu depois de ter sido ferido numa debandada da multidão, disse um diplomata árabe à agência, acrescentando que o número total provém da morgue de um hospital no bairro de Al-Muaisem, em Meca.

Pelo menos 60 jordanos também morreram, mais do que o número oficial de 41 mortos anunciado anteriormente por Amã. Entre as vítimas estarão também cidadãos da Turquia, Indonésia, Irão e Senegal.

As novas mortes registadas elevam o total relatado até agora por vários países para 577, segundo a AFP. Já os diplomatas árabes disseram que o total no necrotério de Al-Muaisem, um dos maiores de Meca, era de 550.

Desconhece-se se as mortes aconteceram depois do início oficial do Hajj, na última sexta-feira, ou se já tinham sido registados falecimentos antes, entre os peregrinos que chegaram com antecedência ao local. Este ano, o Hajj atraiu cerca de 1,8 milhões de peregrinos à Arábia Saudita, sendo a maioria estrangeiros.

Mortes mais que duplicam
Debandadas, incêndios e outros acidentes têm causado centenas de mortes durante a peregrinação anual, nos últimos 30 anos. O número total de mortos durante esta peregrinação muçulmana compara com pelo menos 240 no ano passado, embora a maioria dos países não tenha especificado o número exato de casos relacionados com as elevadas temperaturas.
A peregrinação anual, uma das maiores reuniões religiosas do mundo, realizou-se novamente este ano em pleno verão numa das regiões mais quentes do mundo, com temperaturas que atingiram 51,8 graus Celsius em Meca, a cidade mais sagrada do Islão.

Para a peregrinação deste ano, autoridades locais adotaram medidas para ajudar os peregrinos a suportar o calor no país desértico, incluindo a instalação de nebulizadores na área externa e guardas que iam borrifando água nos fiéis.

O Hajj é um dos cinco pilares do Islão e determina que um muçulmano faça uma peregrinação a Meca pelo menos uma vez na vida, caso tenha condições de fazê-lo. A peregrinação começa com o ritual do "tawaf", que consiste em dar voltas na Kaaba, a estrutura cúbica preta na direção da qual todos os muçulmanos do mundo rezam, localizada no coração da Grande Mesquita.

Depois, os fiéis seguem para Mina, um vale cercado por montanhas rochosas a vários quilómetros de Meca, onde passam a noite em tendas climatizadas. Esta prática é uma fonte de prestígio e legitimidade para a Arábia Saudita, cujo rei leva o título de "Guardião das duas mesquitas sagradas" de Meca e Medina.

Mais de 2.700 casos de exaustão por calor foram registados no domingo, disse o Ministério da Saúde, no final da peregrinação. Já esta quarta-feira, as temperaturas atingiram os 51,8 graus Celsius em Meca.

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Fijus di Terra: 500 anos depois ainda se fala português no Senegal


A história dos fijus di terra remonta ao século XV, quando os portugueses chegaram à costa ocidental da África e estabeleceram relações comerciais e culturais com os povos locais. Os portugueses instalaram-se em vários pontos da região, como Cacheu, Bissau, Ziguinchor e Joal-Fadiouth, e misturaram-se com as mulheres africanas, dando origem a uma população mestiça que adotou o catolicismo e o português como língua.
Os fijus di terra eram os proprietários da terra, diferenciavam-se dos outros grupos étnicos pela língua crioula, pela religião católica e pelos hábitos e roupas europeias. Mantiveram-se fiéis a Portugal durante os períodos de disputa colonial entre franceses, ingleses e holandeses, e resistiram às tentativas de assimilação cultural por parte dos franceses, que dominaram o Senegal a partir do século XIX.
Em 1886, Portugal cedeu a Casamansa à França, mas os fijus di terra continuaram a preservar a sua identidade lusófona. Hoje em dia, eles representam uma minoria étnica no Senegal, mas são reconhecidos pelo governo como uma comunidade específica. Têm direito a ensinar e aprender o português nas escolas públicas, a ter representação política e a participar em atividades culturais e religiosas ligadas à lusofonia.

O crioulo de Casamansa
A língua dos fijus di terra é o crioulo de Casamansa, uma língua crioula de base portuguesa que tem influências do francês, do uolofe e de outras línguas africanas. O crioulo de Casamansa é falado principalmente na cidade de Ziguinchor, a capital regional da Casamansa, mas também noutras localidades como Oussouye, Carabane e Djembering.
O crioulo de Casamansa tem uma estrutura gramatical simples, mas um vocabulário rico e variado. Usa o alfabeto latino e tem uma ortografia própria. É usado pelos fijus di terra para se comunicarem entre si, mas também para se expressarem artisticamente. Há vários exemplos de música, literatura e cinema em crioulo de Casamansa, que mostram a vitalidade e a criatividade dessa língua.
O crioulo de Casamansa é considerado uma língua em perigo de extinção pela UNESCO, pois tem um número reduzido de falantes e enfrenta a concorrência do francês e do uolofe.
No entanto, há iniciativas para promover o seu ensino, a sua documentação e a sua valorização. Uma delas é o projeto Fidjus di Terra (Filhos da Terra), que visa preservar e divulgar a cultura lusófona dos fijus di terra através da educação, da comunicação e da arte.

Mapa de Casamansa (a vermelho)

Os desafios dos fijus di terra
Os fijus di terra são uma comunidade orgulhosa da sua origem e da sua língua, mas também enfrentam vários desafios no contexto atual do Senegal. Um deles é o conflito armado que afeta a Casamansa desde 1982, quando um movimento separatista reivindicou a independência da região. Este conflito gerou violência, deslocamentos e pobreza na zona sul do país, afetando diretamente os fijus di terra.
Outro desafio é a integração social e económica dos fijus di terra no Senegal, que é um país de maioria muçulmana e de língua oficial francesa.
Os fijus di terra são frequentemente vistos como estrangeiros ou minoritários, e sofrem discriminação e marginalização. Têm dificuldades para aceder a oportunidades de emprego, educação e saúde, e para participar plenamente na vida política e cívica do país.
Um terceiro desafio é a preservação da identidade e da língua dos fijus di terra, que estão ameaçadas pela globalização, pela urbanização e pela assimilação cultural.
Muitos fijus di terra emigram para outras regiões do Senegal ou para outros países, como a França, a Guiné-Bissau ou o Brasil, em busca de melhores condições de vida. Nesse processo, eles perdem o contato com as suas raízes e com o seu património lusófono.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Gimme Shelter (The Rolling Stones) feat. Taj Mahal

"Gimme Shelter" é uma canção que queríamos gravar há anos. Esta canção expressa a urgência que todos enfrentamos de nos unirmos como planeta e oferece-nos sabedoria com os versos: "Guerra, crianças, está a um tiro de distância... Amor, irmã, está a um beijo de distância". É realmente tão simples quanto isso. Dedicamos esta música a todas as pessoas perdidas, sem-abrigo e esquecidas deste mundo. É no abrigo uns dos outros que as pessoas vivem.

[Verse 1]
Oh a storm is threat'ning
My very life today
If I don't get some shelter
Oh yes, I'm gonna fade away

[Verse 2]
War children, it's just a shot away
It's just a shot away
War children, it's just a shot away
It's just a shot away

[Verse 3]
Oh, see the fire is sweepin'
Our very street today
Burns like a red coal carpet
Mad bull lost its way

[Verse 2]

[Verse 1]

[Verse 2]

[Verse 4] 7X
It's just a shot away

[Verse 5]
He may love my brother, it's just a kiss away
It's just a kiss away
He may love my brother, it's just a kiss away
It's just a kiss away [5X]
It's just some love away [4X]

Músicos e Localizações
  1. Taj Mahal: Voz e Harmónica (EUA)
  2. Sierra Leone's Refugee All Stars: Voz e Instrumentos (Serra Leoa)
  3. Massamba Diop: Talking Drum (Senegal)
  4. Roselyn Williams: Voz (Kingston, Jamaica)
  5. Sherieta Lewis: Voz (Jamaica)
  6. Washboard Chaz: Tábua de lavar/Percussão (Nova Orleães, EUA)
  7. Char: Guitarra Elétrica (Tóquio, Japão)
  8. Roberto Luti: Guitarra Slide (Itália)
  9. Mermans Mosengo: Voz (Congo)
  10. Jason Tamba: Voz e Guitarra (Congo)
  11. Courtney "Bam" Diedrick: Bateria (Jamaica)