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quinta-feira, 23 de maio de 2024
quarta-feira, 22 de maio de 2024
domingo, 19 de maio de 2024
Duas coisas devem ser completamente evitadas
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| Meghan Spielman - Dynamic Hand Woven Textiles |
Duas coisas devem ser completamente evitadas durante o treino de ocultismo. Nunca devemos prejudicar ninguém através de atos, pensamentos ou palavras intencionalmente ou não. Em segundo lugar, o sentimento de ódio deve desaparecer em nós, caso contrário ele reaparece como um sentimento de medo; pois o medo é suprimido pelo ódio. Devemos transformar o ódio num sentimento de amor, o amor pela sabedoria.
Fonte: Rudolf Steiner – GA 266 – Lições esotéricas 1: Número 44 – Kassel, 26 de fevereiro de 1909
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domingo, 7 de abril de 2024
Música do BioTerra: Zanias - Thanatos (feat. Lynette Cerezo of Bestial Mouths)
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sábado, 6 de abril de 2024
Música do BioTerra: Pachelbel Canon in D Major - the original and best
quarta-feira, 8 de novembro de 2023
A Esperança Digna de Espanto
Enganem-se os que pensam que só nascemos uma vez. Para quem quiser ver, a vida está cheia de nascimentos. Nascemos muitas vezes ao longo da infância, quando os olhos se abrem em espanto e alegria. Nascemos nas viagens sem mapa que a juventude arrisca. Nascemos na sementeira da vida adulta, entre invernos e primaveras maturando a misteriosa transformação que coloca na haste a flor e dentro da flor o perfume do fruto. Nascemos muitas vezes naquela idade avançada onde os trabalhos não cessam, mas se reconciliam com laços interiores e caminhos adiados. Nascemos quando nos descobrimos amados e capazes de amar. Nascemos no entusiasmo do riso e na noite de certas lágrimas. Nascemos na prece e no dom. Nascemos no perdão e no confronto. Nascemos em silêncio ou iluminados por uma palavra. Nascemos na tarefa e na partilha. Nascemos nos gestos ou para lá dos gestos. Nascemos dentro de nós e no coração de Deus.
Não podemos viver sem esperança, mas esta não é uma tarefa nem evidente, nem fácil. Precisamos de uma educação para a esperança. A esperança não é um lenitivo que adormece a dor até que ganhemos coragem para tratar a sério da vida, mas uma força que impregna já o presente e nos motiva para a transformação da história.
A esperança é, então, um dinamismo concreto, uma laboriosidade no aqui e no agora, um fazer aberto ao futuro.
Sobre o seu significado profundo e como se pratica, há aquela história do velho monge que se propunha alcançar o cimo de uma montanha e que, numa das etapas iniciais do caminho, pernoitou numa estalagem. O estalajadeiro reparou na sua fragilidade e tentou dissuadi-lo, enumerando os perigos que o espreitavam. O monge, porém, respondeu: ‘Tenho a certeza de que chegarei lá’. ‘E como é que um homem fraco como tu pode ter semelhante certeza? Para mais, vem aí um inverno duro’. O ancião retorquiu: ‘Coloquei lá em cima o meu coração e por isso sei que, mesmo assim inseguros, os meus passos hão de chegar lá’.
José Tolentino Mendonça, in Expresso, 12.01.2019
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terça-feira, 24 de outubro de 2023
Poema da Semana - "Nego submeter-me ao medo" por Rudolf Steiner
"Nego submeter-me ao medo,
Que tira a alegria de minha liberdade,
Que não me deixa arriscar nada,
Que me torna pequeno e mesquinho,
Que me amarra,
Que não me deixa ser direto e franco,
Que me persegue,
Que ocupa negativamente a minha imaginação,
Que sempre pinta visões sombrias. No entanto, não quero levantar barricadas por medo do medo.
Eu quero viver, não quero encerrar-me.
Não quero ser amigável por medo de ser sincero.
Quero pisar firme porque estou seguro.
E não porque encobri meu medo.
E quando me calo, quero fazê-lo por amor.
E não por temer as consequências de minhas palavras.
Não quero acreditar em algo só por medo de acreditar.
Não quero filosofar por medo de que algo possa atingir-me de perto.
Não quero dobrar-me só porque tenho medo de não ser amável.
Não quero impor algo aos outros, pelo medo de que possam impor algo a mim.
Por medo de errar não quero tornar-me inativo.
Não quero fugir de volta para o velho, o inaceitável, por medo de não me sentir seguro no novo.
Não quero fazer-me de importante porque tenho medo de que senão poderia ser ignorado.
Por convicção e amor quero fazer o que faço e deixar de fazer o que deixo de fazer.
Do medo quero arrancar o domínio e dá-lo ao amor.
E quero crer no reino que existe em mim."
Rudolf Steiner
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quarta-feira, 30 de agosto de 2023
Música do BioTerra: Amália Rodrigues - Sabe-se Lá
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sexta-feira, 25 de agosto de 2023
The owl and the old man
"A man with a beard so long and wide,
And on his shoulder an owl with pride,
Captured in a reflective gaze,
As if lost in some distant maze."
João Soares, 25.08.2023
sábado, 19 de agosto de 2023
Ulrich Schnauss - um compositor humanista e ecologista
terça-feira, 1 de agosto de 2023
Poema da Semana: "Os Rios" por Augusto Gil
"Nasce uma fonte
Rumorejante
Na encosta de um monte,
E, mal que do seio
Da terra brotou,
Logo o seu veio,
Transparente
E diligente,
Buscou e achou
Mais baixo lugar.
Ao brotar da dura frágua,
E uma lágrima de água…
Mas esse humilde fiozinho,
Que um destino bom impele,
Encontra pelo caminho
Um outro que é como ele…
Reúnem-se, fundem-se os dois,
Prosseguem de companhia,
E fica dupla depois
A força que os leva e guia…
Junta-se aos dois um terceiro,
Outros confluindo vão,
E o regato é já ribeiro,
E o ribeiro é rio então…
Caminha sem descansar,
Circula através do mundo…
Até à beira do mar
Omnipotente e profundo."
Augusto Gil (1873-1929)
Augusto César Ferreira Gil, de seu nome completo e portuense de nascimento, o poeta da Inesquecível “Balada da Neve”, que a minha geração recitou de cor, viveu e estudou na cidade da Guarda, licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e exerceu advocacia em Lisboa.
Dizem os estudiosos da literatura portuguesa que a sua poesia se insere numa perspectiva neorromântica nacionalista, influenciada por Guerra Junqueiro e João de Deus, e pelo lirismo de António Nobre. Diz ainda quem sabe, não eu que sou apenas um interessado estudioso, que na sua poesia transparecem as influências do Parnasianismo e do Simbolismo. (Ver notas anexas)
Segundo António José Saraiva e Óscar Lopes, a poesia de Augusto Gil “não pode considerar-se um produto genuinamente popular: é antes um produto da gazetilha jornalística, da graça do teatro ligeiro, da boémia intelectual de café e noitada".
Entre as suas obras destacam-se; “Luar de Janeiro” (1909), “O canto da Cigarra” (1900). “Gente de Palmo e Meio” (1913) e “O Craveiro na Janela”.
O seu nome consta na lista de poetas colaboradores do quinzenário “A Farça” (1909-1910), da revista “As Quadras do Povo” (1909) e do periódico “O Azeitonense” (1919-1920).
A 14 de fevereiro de 1920, foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.
NOTAS;
Rumorejante
Na encosta de um monte,
E, mal que do seio
Da terra brotou,
Logo o seu veio,
Transparente
E diligente,
Buscou e achou
Mais baixo lugar.
Ao brotar da dura frágua,
E uma lágrima de água…
Mas esse humilde fiozinho,
Que um destino bom impele,
Encontra pelo caminho
Um outro que é como ele…
Reúnem-se, fundem-se os dois,
Prosseguem de companhia,
E fica dupla depois
A força que os leva e guia…
Junta-se aos dois um terceiro,
Outros confluindo vão,
E o regato é já ribeiro,
E o ribeiro é rio então…
Caminha sem descansar,
Circula através do mundo…
Até à beira do mar
Omnipotente e profundo."
Augusto Gil (1873-1929)
Augusto César Ferreira Gil, de seu nome completo e portuense de nascimento, o poeta da Inesquecível “Balada da Neve”, que a minha geração recitou de cor, viveu e estudou na cidade da Guarda, licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e exerceu advocacia em Lisboa.
Dizem os estudiosos da literatura portuguesa que a sua poesia se insere numa perspectiva neorromântica nacionalista, influenciada por Guerra Junqueiro e João de Deus, e pelo lirismo de António Nobre. Diz ainda quem sabe, não eu que sou apenas um interessado estudioso, que na sua poesia transparecem as influências do Parnasianismo e do Simbolismo. (Ver notas anexas)
Segundo António José Saraiva e Óscar Lopes, a poesia de Augusto Gil “não pode considerar-se um produto genuinamente popular: é antes um produto da gazetilha jornalística, da graça do teatro ligeiro, da boémia intelectual de café e noitada".
Entre as suas obras destacam-se; “Luar de Janeiro” (1909), “O canto da Cigarra” (1900). “Gente de Palmo e Meio” (1913) e “O Craveiro na Janela”.
O seu nome consta na lista de poetas colaboradores do quinzenário “A Farça” (1909-1910), da revista “As Quadras do Povo” (1909) e do periódico “O Azeitonense” (1919-1920).
A 14 de fevereiro de 1920, foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.
NOTAS;
Parnasianismo - Movimento literário surgido em França, no século XIX, representa, na poesia, o espírito positivista e científico da época, em oposição ao Romantismo. Precedeu em algumas décadas, o Simbolismo. Caracteriza-se pela sacralidade da forma, pelo respeito às regras de versificação, pelo preciosismo rítmico e vocabular, pelas rimas raras e pela preferência por estruturas fixas, como o soneto, no respeito pelos valores estéticos da Antiguidade. O nome deste movimento vem do Monte Parnaso, a montanha que, na mitologia grega era consagrada a Apolo e às musas.
Simbolismo - Movimento literário da poesia e de outras expressões artísticas, surgido em França, no final do século XIX, como oposição ao realismo, ao naturalismo e ao positivismo da época. Movido pelos ideais românticos, teve origens na obra “As Flores do Mal”, do poeta Charles Baudelaire que, por seu turno, se inspirou na obra do norte-americano Edgar Allan Poe. Fundamenta-se, sobretudo, na subjetividade, no irracional e na análise profunda da mensagem, a partir da sinestesia, ou seja, na relação de planos sensoriais diferentes, como, por exemplo, o gosto com o cheiro, ou a visão com o tacto. O nome deste movimento deriva da palavra "símbolo" que, por seu turno, radica no grego “symbolon”, com o significado de um objeto cortado ao meio.
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segunda-feira, 3 de julho de 2023
Cinema - No Coração da Escuridão
O filme de Paul Schrader, First Reformed, cujo título português, «No coração da escuridão», como já é tradição entre nós, torna genérico o que tinha ressonâncias bem precisas. «First Reformed» é a designação de uma velha Igreja reformada de origem holandesa, hoje quase vazia, que está ao cuidado do pastor Ernst Toller. Quase transformada em espaço museológico, parece um memorial de um tempo em que o Homem habitava um mundo que fazia sentido. Se o mal-estar de Toller já emergia do seu passado pessoal, ele encontrará na mudança climática uma avassaladora vivificação do seu sofrimento e interrogações. É essa a grande força do filme: longe de encerrar o acontecimento climático no discurso hesitante ou casuístico que lhe tem sido geralmente dedicado, ainda uma espécie de fenómeno «à parte» no âmbito ambiental, Schrader deixa-o percorrer o filme, dando a ver a força disruptiva com que ele nos atinge hoje, a estranheza que nos traz, a denegação que o acompanha em grande parte da sociedade.
Todo o filme é percorrido pelo fundo da presente degradação ambiental, de que a mudança climática aparece como uma epifania que atinge Michael e Mary, o casal ecologista, e Toller, o pastor. A epifania dá-se quando o entendimento de um fenómeno já presente ascende ao estádio da compreensão súbita. Michael e Mary partilham as mesmas convicções, como ela diz, mas estas, no seu estádio epifânico, desembocarão no suicídio daquele e na maternidade desta. Não preciso de explicitar mais longamente o quadro simbólico dado pelo nome da personagem. O pastor Toller, por seu lado, aniquilado desde a morte do filho no Iraque, só poderá experimentar o regresso à vida na súbita compreensão da convergência dos desastres ambientais. Esta pluralidade epifânica parece-me ser uma excelente forma de traduzir o carácter aparentemente abstrato e contudo violentamente concreto da mudança climática extrema. Aspecto notável: através de subtis indicações cénicas (como a secretária e o computador de Michael), percebemos que o filme não centra a sua visão da mudança climática nas teses que a entendem como fenómeno distendido no tempo: ela habita o presente e transforma agora o mundo que julgáramos conhecer.
A mudança climática é um despertar de forças e elementos que nos envolvem, uma espécie de fenómeno sintético de todas as agressões humanas ao planeta. Mergulhados nelas, longamente esquecidos da sua presença e potência, vemo-la chegar de todo o lado sem percebermos inteiramente a nossa nova condição e o fim de um mundo que julgáramos minimamente estável. First Reformed é o oposto do clássico filme-catástrofe, onde uma ameaça pontual irrompe subitamente sobre as nossas cabeças. Aqui, a ameaça está já entre nós, é parte de um presente que quase todos tentam contornar ou mesmo ignorar. E há um conluio entre empresas destrutivas e igrejas que delas recebem apoios. Como ser perturbado e habitado pela dúvida, Toller isola-se na sua Igreja-Museu, adquirindo assim um recuo notório em relação à hipocrisia da sociedade à sua volta. A mudança climática é a ameaça ambiental última: concretiza os nossos piores receios perante as agressões contínuas ao ambiente; reúne-as numa nova entidade cuja escala parece ultrapassar-nos. Precisamente por isso – e o filme não o esquece – a condição do activista ambiental torna-se particularmente difícil: nunca como hoje tivemos tanta informação sobre o percurso catastrófico das nossas sociedades (na casa de Michael todos os gráficos afixados na parede são bem identificáveis e reais, incluindo a curva exponencial do CO2, verdadeira fotografia do nosso tempo); nunca como hoje as ameaças se entrelaçam umas nas outras ao mesmo tempo que a sociedade escolhe maioritariamente a fuga em frente.
O pastor Toller, que logo na abertura do filme escreve o seu diário, seguindo o modelo clássico do filme de Bresson, Diário de um Pároco de Aldeia, não tem ainda o conhecimento desse processo, mas está preparado para algo de que não sabe ainda o nome. Perdeu o sentido da sua própria vida e ganhou a capacidade de ver o sentido do que acontece «atmosfericamente» à sua volta. Depois do suicídio de Michael, Toller apropria-se de um conjunto de elementos do percurso daquele: o computador, os documentos, o colete-bomba. Através do computador no qual Michael fizera a sua via crucis, Toller caminhará até ao mais fundo de uma situação aparentemente perdida. Esta transmissão é fundamental: não bastaria que Toller fosse procurar à rede as informações que tanto angustiavam Michael: é preciso um transporte comum porque se trata, não da partilha de informação (e os breves encontros entre ambos não tratam dela, mas da angústia e do espírito), mas da partilha de uma revelação. Este percurso quase «iniciático» do protagonista contém, a nosso ver, uma preciosa intuição do realizador: a informação sobre a mudança climática, hoje amplamente disponível, mas objecto constante de contra-informação, não é um desencadeador suficiente da nossa acção. É necessário que ela venha acompanhada de uma reflexão, se não mesmo de uma introspecção, já que a sua significação é radical e põe em causa o modo como vivemos, o que para muitos equivale a pôr em causa o seu propósito na vida.
Situado na América do Norte, onde a mudança climática é ainda polémica, ficamos agradecidos pela aparição deste filme nas nossas longitudes europeias, onde, não aparentando ser polémica, a tecnocratização da questão pelo Acordo de Paris tem tido o condão perverso de a entregar às «forças do mercado» e à burocracia de Bruxelas. Enquanto isso, a população europeia vive embalada e infantilizada pelas promessas da economia circular e pela expansão contínua e delirante dos seus níveis de consumo. Neste quadro, as personagens de First Reformed podem parecer-nos tomadas por um excesso agónico incompreensível. Será, talvez, preciso ir lá onde Michael foi – seriam os campos de extracção por fracking? As areias betuminosas do Canadá? – e poder ver a nossa condição real. Mas tal não é estritamente indispensável. Se olharem os céus, não verão mas sentirão as correntes que se alteram e tudo expõem à resposta terrestre que não esperávamos. O que se segue será impossível não o ver ou sentir. Como neste Verão, singular como todos os que virão.
A mudança climática não é o pretexto deste filme: é o estado do nosso mundo.
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segunda-feira, 21 de novembro de 2022
Dia Mundial do Olá
Este dia surgiu em 1973 em resposta à guerra Yom Kippur (guerra árabe-israelita), por ação de dois professores universitários norte-americanos (Brian McCormack da Universidade do Arizona e Michael McCormack da Universidade de Harvard).
O “olá” é uma palavra muito simples que muitas vezes faz toda a diferença, permitindo o contacto entre pessoas desconhecidas e o quebrar do gelo ou do silêncio numa sala.
O objetivo no Dia do Olá é dizer “olá” a 10 pessoas diferentes, promovendo o contacto entre as pessoas e a paz. Com este dia tenta-se mostrar aos líderes mundiais que os problemas resolvem-se pela comunicação e não pelo uso da força.
Se deixou de falar com alguém, também pode aproveitar para lhe dizer olá e para retomar o contacto nesta data.
Actualmente é celebrado em mais de 180 países do mundo, podendo-se até enviar cartões digitais online em sites específicos deste Dia do Olá.
Políticos, líderes religiosos, vencedores do Nobel da Paz e celebridades são alguns dos maiores promotores deste dia.
31 winners of the Nobel Peace Prize are among the people who have realized World Hello Day's value as an instrument for preserving peace and as an occasion that makes it possible for anyone in the world to contribute to the process of creating peace.
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sábado, 1 de outubro de 2022
Poema da Semana: "Outono", por Fernando Pessoa
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| Scotney Castle, Kent |
o Outono mora mágoas nos outeiros
E põe um roxo vago nos ribeiros…
Hóstia de assombro a alma, e toda estradas…
Aconteceu-me esta paisagem, fadas
De sepulcros a orgíaco… Trigueiros
Os céus da tua face, e os derradeiros
Tons do poente segredam nas arcadas…
No claustro sequestrando a lucidez
Um espasmo apagado em ódio à ânsia
Põe dias de ilhas vistas do convés
No meu cansaço perdido entre os gelos
E a cor do outono é um funeral de apelos
Pela estrada da minha dissonância…"
Fernando Pessoa, in “Cancioneiro”
sexta-feira, 28 de maio de 2021
O que é agricultura biodinâmica?
A agricultura biodinâmica é um método de produção agrícola que relaciona fases da lua e signos do zodíaco.
A agricultura biodinâmica é um modelo de produção agrícola que não utiliza adubos químicos, herbicidas, sementes transgênicas, antibióticos ou hormônios. Por isso, é muito relacionada e confundida com a agricultura orgânica. O método, criado por Rudolf Steiner em 1924, pode ser entendido como um ramo da antroposofia que pretende entender de maneira mais profunda quais são as relações entre o ser humano, a terra e o cosmos.
A agricultura em si é uma atividade sempre impactante, em maior ou menor grau. Assim, Steiner propôs meios de se restabelecer os equilíbrios rompidos por meio da utilização de preparados biodinâmicos, de maneira que as atividades agrícolas não comprometam todo o sistema. Nesse modelo de agricultura, a propriedade agrícola é vista como um organismo vivo, cuja saúde depende das interações entre os seus elementos dentro e fora da propriedade. Dessa maneira, a biodinâmica procura manter um ciclo de produção que seja condizente com a sua área, as espécies utilizadas e seus ciclos naturais.
O termo “biodinâmico” é composto pelas palavras biológico e dinâmico. A primeira refere-se a uma agricultura inerente à natureza, que impulsiona os ciclos vitais pela adubação verde, compostagem, consórcios, rotações de culturas e integração das atividades agrícolas. A segunda, por sua vez, está relacionada à atuação de forças da natureza, o que, na prática agrícola, ocorre pelo uso de preparados biodinâmicos, do conhecimento dos ritmos astronómicos e da formação da paisagem agrícola.
Signos do zodíaco e fases da Lua
A agricultura biodinâmica relaciona signos do zodíaco e meios de cultivo por meio da utilização de um calendário celestial. De acordo com o biodinamismo, dependendo do signo da época, algumas plantas se desenvolvem melhor que outras. A divisão é feita em quatro elementos: água, terra, fogo e ar. Os signos de água são mais propícios para plantas em que o caule é utilizado. Os de terra, as raízes; já os de fogo, as frutas; e os de água, as folhas e as flores.
Além disso, as fases da Lua também são levadas em consideração no calendário da agricultura biodinâmica. Agricultores semeiam em lua nova, porque nesse momento a energia da semente está mais interiorizada. Na crescente, a semente começa a se desenvolver; na lua cheia, a planta está em plenitude e, na minguante, é quando eles não podem abusar da colheita.
Adubação biodinâmica
A adubação biodinâmica busca dar condições para que o solo mantenha a sua estrutura, permeabilidade, microbiologia e cobertura de proteção, estando também ligada a uma série de práticas que garantem eficiência da adubação.
Na agricultura biodinâmica, adubos naturais elaborados a partir de plantas medicinais, esterco e silício são preparados e enterrados no solo para serem submetidos às influências da Terra. Eles podem ser pulverizados no solo e nas plantas ou introduzidos em compostos ou em outras formas de adubos orgânicos.
Os preparados são numerados de 500 a 507, como uma forma de facilitar a comunicação internacional. O mais conhecido entre eles é o composto de número 500, que é responsável por auxiliar no desenvolvimento da planta. Segundo agricultores que praticam esse modelo, o preparado é sempre feito no solstício de inverno que é quando as forças de cristalização da terra estão mais acentuadas. Pega-se chifre de animais mortos e coloca-se esterco. Depois, a mistura é enterrada em um buraco para ser desenterrada no próximo solstício.
Segue-se a nomenclatura dos preparados:
500: chifre esterco;
501: chifre sílica;
502: flores de mil-folhas e bexiga de cervo macho;
503: flores de camomila e intestino delgado de bovino;
504: parte aérea de urtiga;
505: casca de carvalho e crânio de bovino;
506: flores de dente-de-leão e mesentério bovino;
507: suco fermentado de flores de valeriana.
Objetivos da agricultura biodinâmica
A agricultura biodinâmica possui diversos objetivos, como:
- Produzir alimentos de alto valor biológico e nutricional, isentos de produtos tóxicos;
- Preservar a qualidade do meio ambiente;
- Elaborar insumos naturais e que não causem prejuízos ao meio ambiente;
- Valorizar a influência de fenómenos astrológicos na agricultura;
- Estimular a certificação de produtos biodinâmicos;
- Contribuir para o bem-estar dos agricultores;
- Promover a integração entre produtores e consumidores.
Por ser diretamente influenciada por fenómenos astrológicos, a agricultura biodinâmica sofre diversas críticas. No entanto, além de produzir alimentos saudáveis e contribuir para o bem-estar do agricultor, essa prática pode ser considerada sustentável, já que utiliza técnicas benéficas ao meio ambiente.
Referências bibliográficas:
quinta-feira, 19 de novembro de 2020
Desmistificando conceitos: o que é a Antroposofia
A antroposofia foi criada no início do século XX pelo filósofo, educador, artista e esoterista austríaco Rudolf Steiner - também fundador da pedagogia Waldorf, da agricultura biodinâmica, da medicina antroposófica e da euritmia. Há até mesmo um Instituto e uma Faculdade Rudolf Steiner dedicados a disseminar as suas mensagens e ensinamentos.
Segundo a Sociedade Antroposófica do Brasil , ela pode “pode ser caracterizada como um método de conhecimento da natureza do ser humano e do universo, que amplia o conhecimento obtido pelo método científico convencional, bem como a sua aplicação em praticamente todas as áreas da vida humana.”
Justamente por ser tão ampla é que ela pode ser aplicada em diversas frentes, como educação, agricultura, arquitetura e até na medicina. A palavra vem do grego e significa “conhecimento humano”, e é feita de conceitos que dizem respeito à capacidade do ser humano moderno de pensar e compreender o mundo.A Antroposofia busca entender a relação que o mundo ao nosso redor exerce sobre nós
Essa busca pela verdade permeia entre a fé e a ciência, mas define basicamente que a realidade é essencialmente espiritual: ajuda-se o indivíduo a superar o mundo material para então entender o mundo espiritual. Esse entendimento é de suma importância pois, segundo a Antroposofia, há um tipo de percepção independente, não atrelado ao seu corpo, que foge do nosso entendimento físico.
Indo além
Para Steiner, o simples fato de termos consciência do nosso pensar - pois sabemos quando estamos pensando - já demonstra que temos acesso à um outro tipo de consciência, incapaz de ser “rastreada” de maneira física. Num exame, por exemplo, você consegue atestar movimentações cerebrais durante o processo do pensamento, mas não consegue capturá-lo em si.
Em seus escritos, o filósofo definiu a corrente de pensamento como "um caminho de conhecimento para guiar o espiritual do ser humano ao espiritual do universo." Portanto, quem está disposto a mergulhar nessa linha, deve saber que seu objetivo principal é “tornar-se ‘mais humano’, ao aumentar sua consciência e deliberar sobre seus pensamentos e ações; ou seja, tornar-se um ser ‘espiritualmente livre’.”
É fato que o estudioso deixou um grande legado para as diferentes áreas citadas no começo dessa matéria, uma vez que os conceitos dessa filosofia podem ser aplicados de diferentes maneiras. Sua obra toda publicada conta com mais de 350 livros, alguns escritos, e outros frutos de suas mais de 6.000 palestras.
Ele chegou até mesmo a ser presidente da Sociedade Teosófica da Alemanha, corrente que “busca o conhecimento da divindade para alcançar a elevação espiritual”. Mas rompeu com o grupo por considerar que os mesmos não tratavam o Cristianismo e a própria figura do Jesus Cristo com a importância que lhe competiam.
Antroposofia e ciência
Uma das grandes expectativas da Antroposofia é que haja uma renovação das pesquisas científicas, ainda assumindo o antropocentrismo (homem no centro de tudo), mas admitindo também a interferência da natureza. Trazer essa espécie de sensibilidade para os estudos mais complexos pode ser muito vantajoso para a ampliação de teorias, sobretudo na produção de novos medicamentos. Com o aumento dos estudos acerca do tema, aumentou-se também as possibilidades de aplicação - uma delas, no campo da saúde.
E pode-se dizer que isso já está sendo feito. A medicina antroposófica, por exemplo, tem ganho cada vez mais terreno e adeptos, e consequentemente estudos voltam-se para ela. Dentro das práticas dessa medicina, estão incluídos processos terapêuticos como massagens, exercícios, acompanhamento psicológico e alguns medicamentos mais naturais.
A existência dessa corrente aplicada às práticas medicinais geram controvérsias e polémicas, pois não há nenhum estudo científico que comprove sua eficácia, somente testemunhos de pacientes e algumas análises clínicas. O indicado é que as técnicas antroposóficas sejam complementares à outros tratamentos. Você confere no vídeo a seguir, feito pela Associação Brasileira de Medicina Antroposófica, a explicação do médico Bernardo Kaliks sobre um pouco mais desse universo.
Por fim, os antroposóficos insistem que a corrente não é misticismo, ou seja, “baseado em sentimentos e em visões imagéticas sem que sejam acompanhados de um pensamento cognitivo”, mas sim, “fruto de observações permeadas por um pensamento consciente, e é transmitida sob forma de conceitos”.
Ele também não se denomina como religião, não emprega práticas do mediunismo e não possui caráter secreto. A Antroposofia dispensa o que chamam de moralismo, renega a Teosofia (explicada anteriormente) e não pretende ser uma sociedade fechada, mas sim, uma expansão de conhecimento para todos. E você, acredita que fé e ciência podem andar juntos?
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domingo, 7 de abril de 2019
Quando a internet era o pombo correio
![]() |
| Marie Spartali Stillman (1844-1927) - Love’s Messenger |
Quando a internet era o pombo correio. A hiper-globalização acentuou ainda mais o desespero e mais ansiedade que no séc. XIX e na Idade Média.
"Adopte o ritmo da natureza. O segredo dela é a paciência." - Ralph Waldo Emerson
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018
Música do BioTerra: Agnes Obel - The Curse
From the start they didn't know exactly why, why
Winter came and made it so all look alike, look alike
Underneath the grass would grow, aiming at the sky
It was swift, it was just another wave of a miracle
But no one, nothing at all would go for the kill
If they called on every soul in the land, on the moon
Only then would they know a blessing in disguise
The curse ruled from the underground, down by the shore
And their hope grew with a hunger to live unlike before
The curse ruled from the underground, down by the shore
And their hope grew with a hunger to live unlike before
Tell me now of the very soul that look alike, look alike
Do you know the stranglehold covering their eyes?
If I call on every soul in the land, on the moon
Tell me if I'll ever know a blessing in disguise
The curse ruled from the underground, down by the shore
And their hope grew with a hunger to live unlike before
And the curse ruled from the underground, down by the shore
And their hope grew with a hunger to live unlike before
Página Oficial
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
The Challenge of Rudolf Steiner
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
Programa de Rádio "Terra Mãe"
Em 1886 o País explodia de rádios clandestinas que invadiram o espaço nacional com todo o género de temas e conteúdos. No grupo de tertúlias que habitualmente frequentava, uns no café Ceuta (onde falava mais de teatro, cinema), outros no Aviz (onde falávamos e trocávamos discos e músicas), no Estrela de Ouro (onde encontrava os activistas ambientais, na altura em crescimento) e finalmente convivia com um grupo mais "anarquista" que se reunia pomposamente no Majestic. Nesse grupo muito politizado, discutia-se muito de política, declamávamos poemas escritos uns dos outros - um dos membros era dono da livraria ETc- e vários assuntos relativos a artistas e pintores e pintoras vanguardistas). Desse grupo cresceu a ideia e concretizou-se que foi a da criação de uma estação de rádio ímpar, "louca" e absurda. Nasceu assim a Rádio Caos.
O meu programa chamava-se "Terra-Mãe" e nem será preciso estar aqui com muitas explanações quais seriam os objectivos principais. O título é por demais sugestivo: notícias, eventos, reflexões e entrevistas, tudo à volta da promoção da Conservação da Natureza e a prática de soluções mais amigas do Ambiente.
O primeiro dia e das cerca de 30 sessões que fiz, ainda me recordo da primeira vez. Correu muito bem. O fundo musical escolhida era excertos do álbum "Ambient 1: Music for Airports" de Brian Eno. A cada fala ou pergunta e resposta ou durante uma entrevista, interrompia o programa com uma música. A primeira música que toquei no Terra Mãe foi "Avatar" dos Dead Can Dance.
A escolha não foi nada inocente e já era ecoprovocadora. Avatar vem do sânscrito Avatāra, que significa "Descida de Deus", ou simplesmente "Encarnação". No fundo qualquer espírito que ocupe um corpo de carne, representando assim uma manifestação divina na Terra. Eu adoro a Ecologia Profunda e a Ecologia do Ser.
E foi uma aventura espectacular que guardo como muito bons momentos da minha vida.
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