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domingo, 16 de agosto de 2026

Desertificação. Portugal é o quinto país da UE com mais solo afetado


A desertificação em Portugal não mora só no Alentejo
Um relatório publicado em 2026 pelo Centro Comum de Investigação (JRC) da Comissão Europeia, “Rumo a uma melhor caracterização da degradação dos solos e da desertificação na União Europeia”, aplicou, pela primeira vez, uma metodologia comum a toda a União, respondendo a uma recomendação do Tribunal de Contas Europeu. As zonas áridas, semiáridas e sub-húmidas secas cobrem hoje 15% da UE, e a desertificação afecta 530 mil quilómetros quadrados, cerca de 12% do território comunitário, com impacto directo sobre 42 milhões de pessoas. As percentagens mais altas de território sob condições de desertificação registam-se em Espanha (53%), Chipre (45%) e Grécia (36%). Numa tabela mais detalhada do mesmo relatório, Portugal surge em 5.ª posição, com 27,5% do território classificado em desertificação - atrás da Bulgária, que soma 32,85%.

Cerca de 71% do território de Portugal continental apresenta suscetibilidade moderada, alta ou muito alta à desertificação, alerta a associação ambientalista ZERO, na véspera do arranque da 17.ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17).

A conferência começa esta segunda-feira, 17 de agosto, em Ulaanbaatar, na Mongólia, e prolonga-se até dia 28. Sob o lema «Restoring Land. Restoring Hope.» («Restaurar a Terra. Restaurar a Esperança»), a COP17 reúne as 197 Partes da Convenção, representantes da sociedade civil, cientistas e setores ligados à gestão da terra.

Num contexto em que até 40% da superfície terrestre do planeta está afetada pela degradação das terras, a ZERO defende que a conferência deve permitir acelerar a passagem dos compromissos à ação, nomeadamente através da substituição das atuais políticas de reação às secas por medidas de prevenção, preparação e aumento da resiliência dos territórios.

COP17 tenta chegar a acordo sobre resposta global à seca
Uma das principais questões em discussão na Mongólia será precisamente a governação internacional da seca. A COP16, realizada em Riade, em 2024, terminou sem acordo quanto ao modelo a adotar, remetendo para a conferência deste ano a negociação de um quadro global ou protocolo para uma gestão mais proativa das secas e a definição do seu grau de vinculação.

Para a ZERO, é necessário deixar de encarar as secas essencialmente como emergências às quais se responde depois de os seus efeitos se fazerem sentir. A associação defende o investimento antecipado na saúde dos solos, na retenção e utilização eficiente da água, na recuperação dos ecossistemas, em sistemas de alerta precoce e na adaptação da agricultura e do território.

Entre as prioridades que deverão marcar a COP17 estão a criação de um quadro internacional de prevenção e gestão das secas, a recuperação de solos e ecossistemas degradados, a definição de objetivos mensuráveis para o período pós-2030 e a garantia de financiamento, bem como de maior articulação entre as convenções internacionais sobre clima, biodiversidade e desertificação.

Quase um terço do território português tem suscetibilidade alta ou muito alta
Em Portugal, os dados citados pela ZERO a partir do Relatório do Estado do Ambiente mostram que 4,7% do território continental apresenta suscetibilidade muito elevada à desertificação, 27,9% alta e 38,2% moderada, perfazendo cerca de 71% do território nas três classes.

A associação recorda que desertificação não significa necessariamente a transformação de um território num deserto, mas sim a degradação das terras nas regiões secas, resultante da interação entre o clima e as atividades humanas.

As alterações climáticas aumentam o risco, mas, sublinha a ZERO, a desertificação não é inevitável: más práticas na utilização do solo e da água podem acelerar o fenómeno, enquanto políticas adequadas nas áreas da agricultura, floresta, água e ordenamento do território podem preveni-lo e contribuir para a sua inversão.

A COP17 realiza-se ainda no Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores. Em Portugal, as pastagens representam cerca de um quinto da área continental e mais de metade da Superfície Agrícola Utilizada. Quando corretamente geridas, contribuem para proteger o solo da erosão, reter água, armazenar carbono e preservar a biodiversidade, enquanto o sobrepastoreio, a compactação e a perda de coberto vegetal aceleram a degradação.

ZERO pede ao Governo que faça do combate à desertificação uma prioridade
A associação chama também a atenção para a revisão do Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação (PANCD). O processo deverá estar concluído no final deste ano e, segundo a ZERO, o novo programa deve estabelecer objetivos, metas, indicadores, calendário e financiamento concretos.

A organização ambientalista considera essencial articular as políticas de combate à desertificação com agricultura, regadio, gestão da água, florestas, biodiversidade, clima e ordenamento do território. «Combater a desertificação não é simplesmente aumentar a oferta de água», salienta, defendendo antes a recuperação dos solos, a retenção da água no território e a adaptação das culturas e atividades às disponibilidades hídricas.

À entrada da COP17, a ZERO apela, por isso, ao Governo para que assuma o combate à desertificação como uma prioridade nacional ligada à adaptação climática, conclua a revisão do PANCD com metas e financiamento claros, proteja as pastagens e os sistemas agroflorestais e dê prioridade à saúde dos solos e à retenção da água.

Para a associação, prevenir continua a ser a opção mais eficaz: evitar a degradação do solo é mais eficiente do que tentar recuperá-lo depois de perdida a sua fertilidade e capacidade de retenção de água, pelo que a COP17 deverá servir para acelerar essa mudança, tanto a nível mundial como em Portugal.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Grande Muralha Verde restaura 1,66 milhão de hectares na África



Cerca de 1,66 milhão de hectares estão em processo de restauração no Sahel, região africana entre o deserto do Saara e a savana do Sudão. O resultado representa a principal conquista da iniciativa Acelerador da Grande Muralha Verde, que completou cinco anos e teve o relatório apresentado esta semana pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD).

Outros números em destaque do balanço incluem 24 milhões de toneladas de CO₂ equivalente sequestradas ou mitigadas, 4,6 milhões de empregos criados e 46 milhões de pessoas diretamente impactadas.

Segundo a UNCCD, o esforço envolve um conjunto de paisagens restauradas, áreas agrícolas, sistemas de água e comunidades. O objetivo é combinar a recuperação de terras com a segurança alimentar, a geração de oportunidades económicas, o acesso a energia limpa e o aumento da resiliência perante as alterações climáticas e a seca.

A Grande Muralha Verde foi criada em 2007 pela União Africana e pela UNCCD e reúne atualmente 11 países fundadores, numa área de 156 milhões de hectares, do oeste do Senegal ao Corno de África. Já o "Acelerador" foi criado em 2021 para melhorar a coordenação da iniciativa, acompanhar os recursos financeiros e ajudar os países a medir os resultados das ações de restauração.

Resultados parciais
Apesar dos avanços, o próprio relatório alerta que ainda há limitações importantes no acompanhamento dos resultados. O Observatório da Grande Muralha Verde monitoriza mais de 389 projetos, porém menos de 90 apresentam atualmente dados de acordo com os indicadores harmonizados adotados pela iniciativa.

A UNCCD considera os resultados, portanto, iniciais. Além dos 1,66 milhão de hectares em restauração, os dados disponíveis apontam para a criação de 4,6 milhões de empregos, contra uma meta de 10 milhões até 2030, e a produção de 2.315 megawatts-hora de energia limpa. A entidade ressalta que os processos de restauração de terras podem levar anos ou décadas para produzir resultados completos e que o levantamento da totalidade dos projetos ainda está em curso.

Para tentar superar a fragmentação das informações, foi criado em 2024, em Ouagadougou, Burquina Faso, o Observatório da Grande Muralha Verde. A plataforma reúne informações sobre projetos, financiamento, resultados e dados geoespaciais. Segundo a UNCCD, o sistema já foi endossado por dez dos 11 países fundadores.

Também foram criadas coligações nacionais em nove dos 11 países, reunindo ministérios, sociedade civil, universidades, setor privado e meios de comunicação. A intenção é melhorar a coordenação das ações e transformar os compromissos financeiros em resultados verificáveis nos territórios.

Desafio do financiamento
O Acelerador foi lançado após a Cimeira One Planet, em 2021, quando parceiros técnicos e financeiros anunciaram mais de US$ 19 mil milhões em compromissos para a Grande Muralha Verde. A iniciativa passou a funcionar como uma estrutura para coordenar os esforços, acompanhar os recursos e fortalecer a capacidade dos países de demonstrar os resultados obtidos.

O relatório, porém, aponta que a distância entre compromissos e resultados continua a ser um desafio. Além da falta de dados completos, a UNCCD cita dificuldades de coordenação entre diferentes atores e o tempo necessário para que os recursos financeiros se transformem em ações no território.

A próxima etapa deve dar maior peso à comunicação, a mecanismos financeiros inovadores e à gestão transfronteiriça de terras e águas. Entre as possibilidades mencionadas estão obrigações verdes, créditos de carbono e mecanismos de financiamento combinado.

A experiência também procura ampliar a dimensão social da restauração. O relatório destaca iniciativas de geração de rendimento para mulheres, capacitação de jovens e fortalecimento de empreendimentos locais. Num dos exemplos citados pela UNCCD, mulheres do Mali receberam equipamentos e formação e ampliaram uma cooperativa de transformação de produtos agrícolas. No Chade, mulheres foram capacitadas para instalar e reparar painéis solares, transformando o acesso à energia em fonte de rendimento.

COP17
Seca, degradação da terra e restauração dos solos serão temas centrais na 17.ª Conferência das Partes (COP17) sobre Desertificação, que decorre entre os dias 17 e 28 de agosto em Ulan Bator, capital da Mongólia. 

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Relatório aponta caminhos para evitar catástrofe ambiental planetária

A Marcha Mundial pelo Clima levou milhares de pessoas às ruas de Belém (PA) em 15 de novembro de 2025, durante a COP 30, incluindo indígenas e outros povos tradicionais da Amazónia 

Investir na sustentabilidade salvaria milhões de vidas e injetaria biliões de dólares na economia mundial, segundo o Programa das Nações Unidas para o Ambiente

Se o objetivo é viver bem e produzir riqueza a longo prazo, preservar a natureza é o melhor negócio que os seres humanos podem fazer. Em resumo, esta é a mensagem central da sétima edição do relatório Panorama Ambiental Global (GEO-7, na sigla em inglês), produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) e apresentado nesta terça-feira (9/12) como “a avaliação mais abrangente já realizada” sobre o estado de saúde do planeta Terra.

Produzido por um conjunto de 287 investigadores, de 82 países (incluindo vários brasileiros), o documento apresenta um diagnóstico detalhado de como as atividades humanas estão a impactar a natureza e o que precisa de ser feito para minimizar esses impactos, pelo bem da própria humanidade. “A nossa mensagem é muito simples: o tempo está a acabar, mas as soluções existem”, resumiu Ying Wang, uma das coordenadoras do GEO-7, no evento de lançamento do relatório.

A má notícia é que estamos a caminhar a passos largos para um colapso generalizado de todos os sistemas naturais (terrestres, aquáticos, marinhos e atmosféricos) dos quais dependemos para a nossa sobrevivência e a nossa qualidade de vida. A crise climática, causada pela queima de combustíveis fósseis, é apenas parte do problema. Aquecimento global, desflorestação, perda de biodiversidade, desertificação, acidificação dos oceanos, caça e pesca predatórias, degradação e poluição de ecossistemas em geral - entre outros problemas - formam uma combinação cataclísmica de impactos socioambientais que precisam de ser revertidos com urgência.

“O consenso científico é que seguir os caminhos de desenvolvimento atuais levará a mudanças climáticas catastróficas, devastação da natureza e da biodiversidade, degradação debilitante da terra, desertificação e poluição mortal persistente - tudo isso a um custo enorme para as pessoas, o planeta e as economias”, alerta o PNUA.

O relatório enfatiza que a situação atual precisa de ser encarada não apenas como um problema ambiental, mas como uma crise económica, social e existencial de amplo espectro, que ameaça a saúde e a segurança alimentar, hídrica, energética e climática de milhares de milhões de pessoas em todo o mundo. Só a poluição do ar, por exemplo, mata mais de 8 milhões de pessoas por ano.

Alguns indicadores do colapso ambiental destacados no relatório, segundo o PNUA
  1. Taxa de aquecimento global: provavelmente será maior do que as estimativas centrais das projeções anteriores do IPCC  aumentando o risco de ultrapassar irreversivelmente vários pontos de rutura climática (tipping points) nas próximas décadas, incluindo grandes mudanças na circulação oceânica, perda acelerada de mantos de gelo, degelo generalizado do permafrost, declínio de florestas e colapso de ecossistemas de recifes de coral.
  2. Ameaça de extinção: 1 milhão, das cerca de 8 milhões de espécies conhecidas, está ameaçado de extinção, algumas nas próximas décadas. As populações de muitas outras espécies estão em declínio e a sua diversidade genética está a ser significativamente reduzida.
  3. Degradação terrestre: entre 20% e 40% da área terrestre foi estimada como degradada em 2022. Entre 2015 e 2019, pelo menos 100 milhões de hectares (o equivalente ao tamanho da Etiópia ou da Colômbia) de terras férteis e produtivas foram degradados anualmente em todo o mundo.
  4. Volume de resíduos: o volume anual de resíduos sólidos produzidos já ultrapassa os 2 mil milhões de toneladas e, mantidas as tendências atuais, deve aumentar para 3,8 mil milhões de toneladas até 2050.
“Está muito claro que há uma crise ambiental global. O clima da Terra está a mudar, a biodiversidade está a ser perdida, a poluição está a aumentar e as terras estão a degradar-se, e todas essas questões estão interligadas e precisam de ser abordadas em conjunto. Coletivamente, estes problemas estão a minar o bem‑estar humano, a redução da pobreza, a saúde, a segurança alimentar e hídrica, e estão a causar danos económicos e sociais substanciais”, disse o investigador Robert Watson, um dos coordenadores do GEO-7, no lançamento do documento.

O relatório reforça muitos dos alertas feitos durante a COP30, a conferência do clima que ocorreu no mês passado em Belém do Pará, e faz um apelo pelo cumprimento das metas estabelecidas nas convenções sobre Alterações, Biodiversidade e Desertificação da ONU, além dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que “expiram” em 2030 e não serão alcançados pelas políticas atuais. “Sem uma ação rápida e transformadora, a humanidade corre o risco de enfrentar um aumento de três graus Celsius nas temperaturas globais, poluição desenfreada e uma perda catastrófica de biodiversidade”, escrevem os coordenadores do relatório, no prefácio do documento. “Se quisermos evitar uma catástrofe para a humanidade, é preciso agir agora - os próximos cinco anos são cruciais.”

Dentre todos os ecossistemas, os recifes de coral de águas quentes são os que correm risco mais iminente de colapso - justamente em função dessa combinação cumulativa de impactos associados às alterações climáticas, poluição marinha, degradação ambiental, pesca predatória e outras atividades humanas. Estudos citados no relatório indicam que 90% dos corais tropicais poderão desaparecer se o aquecimento global passar de 1,5 °C, o que implicaria prejuízos imensos para a biodiversidade marinha e para milhões de pessoas que dependem desses ecossistemas para a sua sobrevivência.

Até agora, a temperatura média do planeta já aumentou 1,3 °C, em comparação com a média da era pré-industrial, e alguns cientistas estimam que a marca de 1,5 °C de aquecimento será ultrapassada nos próximos cinco a dez anos.

Boa notícia
A boa notícia é que ainda dá tempo de reverter esta situação, se agirmos com urgência, e que isso pode ser extremamente benéfico, não só como estratégia de sobrevivência, mas também de promoção do desenvolvimento económico e social. “Embora existam custos iniciais, o custo económico da inação é muito maior e o retorno a longo prazo do investimento na transformação é nítido”, alerta o documento do PNUA.

Segundo o relatório, a transição para um modelo mais sustentável de desenvolvimento - que não sobreaqueça o planeta nem destrua a natureza - geraria um retorno para a economia mundial de até 20 biliões de dólares por ano a partir de 2050 e de até 100 biliões de dólares por ano a partir de 2070, ao mesmo tempo que evitaria milhões de mortes e tiraria milhões de pessoas da pobreza. O custo das mudanças necessárias para fazer essa transformação positiva, comparativamente, seria de 3 biliões de dólares ao ano até 2040.

O retorno sobre esse investimento, porém, só se concretizará com uma reforma estrutural profunda dos sistemas económico e financeiro globais. “Essa é uma premissa básica do relatório”, diz o cientista Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física e cocoordenador do Centro de Estudos Amazónia Sustentável da USP, que foi um dos revisores do GEO-7. “Tem de se transformar o modelo que nós temos hoje em algo que seja minimamente sustentável do ponto de vista social, económico, ambiental e climático.”

Algumas mudanças fundamentais, segundo o relatório, incluem a eliminação de subsídios e outros incentivos fiscais para atividades geradoras de grande impacto ambiental (como a produção de combustíveis fósseis) e a incorporação do custo de externalidades ambientais e sociais no preço de produtos, de forma a refletir o custo real da sua produção - por exemplo, incorporando os custos dos impactos decorrentes das emissões de carbono e do uso de recursos hídricos e pesticidas no preço de mercadorias agrícolas.

Os investigadores reconhecem que isso poderá elevar o custo de alimentos e energia para o consumidor final, mas argumentam que se trata de um dilema incontornável e que é preciso criar mecanismos de compensação económica e social para amortecer esse impacto. “É um trade-off necessário, que cada sociedade precisa de discutir como implementar”, avalia Artaxo. Ignorar os custos dessas externalidades hoje, segundo ele, só aumenta o custo que as próximas gerações, inevitavelmente, terão de pagar por eles no futuro. “Alguém vai pagar essa conta”, diz Artaxo. “O problema é que o preço aumenta exponencialmente com o tempo, conforme se caminha para a intensificação das alterações climáticas.”

Também é fundamental transitar rapidamente para sistemas agrícolas e energéticos de baixo impacto ambiental, e para modelos de economia circular, capazes de reduzir a produção de resíduos sólidos (como lixo plástico e eletrónico) e a procura por recursos naturais e minerais para a fabricação de novos produtos.

O esforço precisa de ser coletivo e envolver todos os setores, com indivíduos, instituições, empresas e governos a trabalhar em sinergia para produzir uma mudança sistémica de larga escala — incluindo mudanças nos hábitos de consumo, desenvolvimento (e adoção) de novas tecnologias, promoção (e implementação) de políticas públicas favoráveis à sustentabilidade, e assim por diante.

Outro ponto crucial, destacado ao longo de todo o relatório, é a importância da integração e da valorização do conhecimento de populações indígenas e outros povos tradicionais na construção de soluções sustentáveis. “Um planeamento inclusivo envolve conciliar as contribuições, os interesses concorrentes e as diversas visões de múltiplos atores da sociedade, incluindo os povos indígenas e as comunidades locais. A colaboração entre os povos indígenas e os governos locais, regionais e nacionais é essencial nesse sentido”, diz o documento.

Mudanças necessárias para evitar o colapso ambiental global, organizadas em cinco áreas-chave, segundo o PNUMA
  1. Economia e finanças: ir além do conceito de PIB (Produto Interno Bruto) para incluir métricas de riqueza mais inclusivas e abrangentes, que contemplem valores naturais e sociais; precificar as externalidades positivas e negativas para valorizar corretamente os bens; eliminar progressivamente e reorientar subsídios, impostos e outros incentivos que resultem em impactos negativos na natureza.
  2. Materiais e resíduos: implementar design circular de produtos, transparência e rastreabilidade de produtos, componentes e materiais; direcionar os investimentos para modelos de negócio circulares e regenerativos; mudar os padrões de consumo em direção à circularidade por meio da mudança de mentalidades e comportamentos.
  3. Energia: descarbonizar o fornecimento de energia; aumentar a eficiência energética; apoiar a sustentabilidade social e ambiental nas cadeias de valor de minerais críticos; ampliar o acesso à energia e combater a pobreza energética.
  4. Sistemas alimentares: transição para dietas saudáveis e sustentáveis; aumentar a circularidade e a eficiência da produção; e reduzir a perda e o desperdício de alimentos.
  5. Ambiente: acelerar a conservação e restauração da biodiversidade e dos ecossistemas; apoiar a adaptação e a resiliência climática, recorrendo a Soluções Baseadas na Natureza; implementar estratégias de mitigação climática, com redução nas emissões de gases do efeito de estufa.
O relatório completo tem mais de 1200 páginas e 21 capítulos, cada um redigido e revisado por dezenas de cientistas, com base em centenas de estudos e relatórios científicos. O lançamento oficial ocorreu em Nairóbi, no Quénia (onde fica a sede do PNUA), durante a sétima sessão da Assembleia das Nações Unidas para o Ambiente, o órgão máximo de deliberação sobre temas ambientais no sistema da ONU.

“Não precisamos de caminhar no escuro”, diz o investigador Jean Pierre Ometto, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um dos autores brasileiros do relatório. Ele destaca que o documento, ao mesmo tempo que faz alertas preocupantes, aponta os caminhos e oferece as informações científicas para executar as mudanças de rota necessárias. “Não é só que há uma luz no fim do túnel; nós estamos com a lanterna na mão”, disse Ometto ao Jornal da USP. “O que precisamos de fazer é iluminar os cantos certos, para não pisar no buraco.”

Soluções personalizadas
Além do diagnóstico global, o GEO-7 também traz análises e recomendações personalizadas para cada uma das cinco grandes regiões do mundo reconhecidas pela ONU: América Latina e Caraíbas; Europa Ocidental e Outros Estados (incluindo Estados Unidos, Canadá e Austrália); África; Europa Oriental (incluindo a Rússia) e Ásia-Pacífico.

Uma das características diferenciais da América Latina, segundo Ometto, é a sua dependência de recursos naturais e estabilidade climática para a produção de energia e alimentos - uma relação que traz ao mesmo tempo vantagens e vulnerabilidades. No caso do Brasil, alterações nos padrões de chuva causadas pela desflorestação e pelas alterações climáticas, por exemplo, podem ser desastrosas para a agricultura e para a segurança energética do país, já que a maior parte da eletricidade produzida ali vem de hídricas, que dependem da chuva para funcionar.

“Na América Latina e nas Caraíbas, o cenário de Tendências Atuais terá implicações significativas para os sistemas humanos e naturais”, diz o relatório. “As consequências para a biodiversidade e para os sistemas humanos devem intensificar-se devido ao aumento da frequência e da intensidade de ondas de calor e secas extremas. Esses efeitos, agravados por eventos extremos de inundação, exercerão uma pressão crescente sobre os recursos hídricos, com sérias consequências para a pesca e a agricultura.”

“A relação dos países da América Latina com os bens naturais é muito forte. A transição (para um novo modelo de desenvolvimento) precisa de respeitar e resgatar essa relação”, afirma Ometto. Ele é um dos autores principais do Capítulo 20 do relatório, que trata dessas realidades regionais, ao lado da investigadora Danielle Denny, do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), e do Centro de Pesquisa em Carbono na Agricultura Tropical (CCarbon), ambos da USP.

“A América Latina e as Caraíbas são uma região-chave para a transição ecológica, tanto na parte de adoção de tecnologias como na de mudanças de comportamento”, disse Denny, que também é pós-doutoranda na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba.

Este olhar regionalizado do relatório é essencial para desenvolver soluções que sejam compatíveis com a realidade de cada país ou região, aponta Artaxo. “Isso é fundamental, porque não existe uma solução que funcione para todo o mundo. As soluções que funcionam para a China, Estocolmo e Montreal não servem para o Brasil, Rio de Janeiro e Salvador”, compara o investigador.

Uma das implicações disso, segundo Artaxo, é que a ciência brasileira precisa de ser fortalecida para desenvolver essas estratégias personalizadas para a realidade nacional. “Ou nós desenvolvemos, com a nossa própria ciência, estratégias de mitigação e adaptação para cada cidade e cada região brasileira, ou vamos sofrer consequências económicas pesadas”, sacramenta o professor da USP.

terça-feira, 17 de junho de 2025

HOJE - 17 de Junho é o Dia da Desertificação e da Seca, criado pela ONU em 1994


Para aumentar “a consciencialização e promover soluções para a desertificação, degradação da terra e seca”. Em Portugal a desertificação avança mas o Núcleo Regional de Combate à Desertificação do Centro, coordenado pelo ICNF, está inactivo. 

“Mais de metade do PIB global depende de ecossistemas saudáveis. No entanto, todos os anos, uma área do tamanho do Egipto é degradada, provocando a perda de biodiversidade, aumentando o risco de seca e deslocando as comunidades. Os efeitos colaterais são globais - desde o aumento dos preços dos alimentos à instabilidade e à migração". [Fonte]

Neste ano, o lema das Nações Unidas é “Restaurar a Terra. Desbloquear as Oportunidades”.

sexta-feira, 12 de julho de 2024

Organização Meteorológica Mundial alerta para impacto humano nas poeiras da atmosfera


A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou hoje para o impacto das atividades humanas na libertação de poeiras na atmosfera, cujas concentrações aumentaram em 2023 em certas zonas do planeta, como China e Mongólia.

“Necessitamos de estar vigilantes face à contínua degradação ambiental e às alterações climáticas. Provas científicas demonstram que as atividades humanas estão a ter impacto nas tempestades de areia e poeiras. Por exemplo, temperaturas mais elevadas, secas e maior evaporação levam a uma menor humidade do solo, que, combinada com a má gestão da terra, conduz a mais tempestades de areia e poeiras”, advertiu, citada em comunicado, a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.

Segundo a OMM, que hoje divulgou o relatório anual sobre poeiras, no Dia Internacional de Combate às Tempestades de Areia e Poeiras, todos os anos “cerca de dois mil milhões de toneladas de poeiras entram na atmosfera, escurecendo os céus e prejudicando a qualidade do ar em regiões que podem estar a milhares de quilómetros de distância, afetando economias, ecossistemas, tempo e clima”.

Em grande parte, tal deve-se a “uma má gestão da água e da terra”, assinala a OMM, agência da ONU, organização liderada pelo português António Guterres que estima que pelo menos 25% das emissões globais de poeiras têm origem em atividades humanas.

De acordo com o relatório hoje publicado, as concentrações médias de poeiras aumentaram em 2023 no oeste da Ásia Central, no centro-norte da China e no Sul da Mongólia face a 2022.

No ano passado, a tempestade de areia mais severa ocorreu em março na Mongólia, atingindo uma área de mais de quatro milhões de metros quadrados, incluindo 20 províncias da China.

No hemisfério sul, as concentrações de poeiras alcançaram o seu nível mais alto em partes da Austrália Central e na costa oeste da África do Sul.

De acordo com a OMM, as regiões mais vulneráveis ao transporte de poeiras de longa distância são o norte do oceano Atlântico tropical, entre a África Ocidental e as Caraíbas, a América do Sul, o mar Mediterrâneo, o mar Arábico, a baía de Bengala e o Centro-Leste da China.

Em 2023, o pico anual estimado para a concentração média de poeiras registou-se em algumas áreas do Chade, país no Centro-Norte de África abrangido pelo deserto do Sara.

No ano passado, em agosto, uma nuvem de poeiras do norte de África afetou a qualidade do ar em Portugal continental.

As poeiras com origem nesta região do globo voltaram em 2024 a afetar Portugal, e com mais frequência, nos meses de março, abril e junho.

Mas nem tudo é mau, segundo a Organização Meteorológica Mundial, que, citando um novo estudo, realça que a deposição de poeiras do Sara nas águas do Atlântico favorece o crescimento de fitoplâncton (algas microscópicas e cianobactérias), de que se alimentam peixes como o atum-bonito, cuja captura aumentou entre as décadas de 1950 e 2020.

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Aquecimento global deve atingir oferta mundial de alimentos antes de 1,5°C, diz especialista da ONU


É provável que o mundo enfrente grandes interrupções no abastecimento de alimentos bem antes que as temperaturas subam a meta de 1,5°C, alertou o presidente da conferência de desertificação da ONU, já que os impactos da crise climática se combinam com a escassez de água e práticas agrícolas inadequadas para ameaçar a agricultura global. .

Alain-Richard Donwahi, ex-ministro da Defesa da Costa do Marfim que liderou a cimeira Cop15 da ONU sobre desertificação no ano passado, disse que os efeitos da seca estão ocorrendo mais rapidamente do que o esperado.

“A mudança climática é uma pandemia que precisamos combater rapidamente. Veja o quão rápido a degradação do clima está indo – acho que está indo ainda mais rápido do que prevíamos”, disse ele. “ Todo mundo está fixado em 1,5 ºC [acima dos níveis pré-industriais], e é uma meta muito importante. Mas, na verdade, algumas coisas muito ruins podem acontecer, em termos de degradação do solo, escassez de água e desertificação, muito antes de 1,5°C.”

Os problemas de aumento das temperaturas, ondas de calor e secas e inundações mais intensas colocam em risco a segurança alimentar em muitas regiões, disse Donwahi. “[Veja] os efeitos das secas na segurança alimentar, os efeitos das secas na migração da população , o efeito das secas na inflação . Poderíamos ter uma aceleração de efeitos negativos, além da temperatura”, disse ele.

As más práticas agrícolas não estavam ajudando, disse ele. “A degradação do solo vem com maus hábitos, e a forma como fazemos nossa agricultura levará à degradação do solo. Quando o solo é afetado, o rendimento é afetado”, disse ele.

Donwahi pediu aos investidores do setor privado que se envolvam e aproveitem as oportunidades para obter lucro. “O setor privado tem interesse na agricultura e no melhor aproveitamento do solo. Estamos falando de [melhorar] os rendimentos. Estamos falando de agrofloresta , que é mais uma forma de o setor privado rentabilizar o investimento”, afirmou. “Temos que ser inovadores, para encontrar novos veículos para o financiamento.”

Governos de todo o mundo assinaram um tratado comprometendo-se a combater a desertificação em 1992, juntamente com a convenção-quadro da ONU sobre mudança climática, que é o tratado pai do acordo climático de Paris de 2015 , e a convenção da ONU sobre biodiversidade, que visa salvaguardar a abundância de espécies.

Mas o tratado de desertificação recebe menos atenção, e a Cop15 do ano passado sobre desertificação passou despercebida em comparação com a Cop27 do clima e a Cop15 da biodiversidade em dezembro passado. Os Cops da Desertificação são realizados com menos frequência do que as cimeiras do clima: a próxima conferência sobre a desertificação será realizada em Riad em dezembro de 2024, enquanto a próxima cimeira do clima, Cop28, será em Dubai no final de novembro .

Donwahi disse que o mundo não pode se dar ao luxo de ignorar a desertificação. “Precisamos resolver todos os problemas juntos. A desertificação e a seca levam à mudança climática, levam à perda de biodiversidade. E quando você tem alterações climáticas, você tem secas, inundações, tempestades.

“Não são apenas os países pobres, todos estão no mesmo barco [sobre a segurança alimentar]. Mudanças climáticas, secas, tempestades, inundações não conhecem fronteiras, não precisam de visto para entrar num país.”

domingo, 23 de julho de 2023

Caos climático marca o mês de Julho na Terra. Os avisos da NASA e de outros cientistas

Gavin Schmidt, cientista da NASA, avisa que Julho será provavelmente o mês mais quente da Terra. Outros investigadores notam que o actual caos climático vai deixar marcas na terra e no mar.


Vários especialistas climáticos da agência espacial norte-americana (NASA) reuniram-se esta semana em Washington. "Estamos a assistir a mudanças sem precedentes em todo o mundo", constatou Gavin Schmidt, director do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA, que deixou o alerta sobre o que ainda está por vir. Julho de 2023 será provavelmente o mês mais quente do mundo em "centenas, se não milhares, de anos", afirmou o climatologista, citado pela agência AFP.

O caos que se instalou um pouco por toda a parte neste mês de Julho colocou a crise climática bem à vista de todos. Incêndios alimentados por dias consecutivos de calor excessivo, vagas de altas temperaturas que se arrastam por semanas com recordes a ser quebrados em muitos países afectando sobretudo os continentes da Europa, América e Ásia, inundações de grandes proporções que causam vítimas mortais.

As ondas de calor deverão persistir em grande parte do mundo durante o mês de Agosto, disse esta sexta-feira um especialista da Organização Meteorológica Mundial (OMM), na sequência das temperaturas recorde registadas nas últimas semanas.

A OMM disse no início desta semana que esperava que as temperaturas na América do Norte, Ásia, Norte de África e Mediterrâneo fossem superiores a 40 graus Celsius "durante um número prolongado de dias desta semana, à medida que a onda de calor se intensifica". "Devemos esperar, ou pelo menos planear, que estas ondas de calor extremas continuem até Agosto", disse à Reuters John Nairn, conselheiro sénior para o calor extremo da OMM.

Este mês de Julho já conta com algumas quebras de recordes diários, de acordo com ferramentas geridas pela União Europeia e pela Universidade do Maine, nos EUA, que combinam dados terrestres e de satélite em modelos para gerar estimativas. Os dados divulgados não são ainda os dados finais, mas “a tendência para o calor extremo é inconfundível e irá provavelmente reflectir-se nos relatórios mensais mais robustos emitidos mais tarde pelas agências norte-americanas”, referiu esta semana Gavin Schmidt durante uma conferência de imprensa da NASA, citado pelas agências internacionais.

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domingo, 2 de julho de 2023

Is Healthy Soil the Most Effective Tool to Fight Climate Change?

Jaggi Vasudev, known by the honorific title Sadhguru, an Indian yoga guru

There is a rapidly accelerating global call to protect ecosystems, and while biodiversity and nature are part of the overall conversation, less attention has been paid to soil health. But there is no way to talk about climate change, biodiversity or food security without referring to soil degradation. Sadhguru, head of the Isha Foundation, is running a campaign, Conscious Planet – Save our Soil, to change that.

For three decades global yogi Sadhguru has been raising the importance of soil and the alarming threat of soil extinction into the spotlight and says: "Soil is our life, our very body. And if we forsake soil, in many ways, we forsake the planet."

Soil lies at the heart of ecosystem health, providing essential services not just for agricultural production but also for plant growth, animal habitation, biodiversity, carbon sequestration and resilience to droughts or flooding. The decline in soil health is exacerbating many of the most severe challenges from climate change to global hunger.

To give just a couple of examples, poor soil health is contributing to global warming by reducing the volume of carbon absorbed from the atmosphere and driving biodiversity loss by impacting vegetation that provides food and shelter to various animal species.

The goals of the Sadhguru campaign are simple, if ambitious. They involve raising awareness of the importance of soil, inspiring the electorate to support policy around soil health (the goal is 4 billion people or 60% of the world’s electorate) and, in particular, helping to raise and maintain the organic content of soils to a minimum of 3-6%.

Research published in 2020 suggests that around 24 billion metric tons of fertile soils are being lost each year and the United Nations Convention to Combat Desertification has warned that up to 40% of the global land area is already in a degraded state. This is down in part to a changing climate but human activity has a significant role to play, with intensive farming, excessive use of chemical inputs, deforestation and other forms of land-use conversion contributing to the problem.

This has a direct economic impact as well as environmental one. The European Commission recently estimated that Europe loses nine million tonnes of soil annually, while in 2019 Solar Energy UK’s analysis of natural capital value suggested that soil degradation costs the UK alone around £1.2 billion per year.

Food, agriculture and the soil
For the agricultural sector, declining soil fertility raises a number of issues. It reduces both the yields and quality of growing crops, eating into farmers’ profits as well as their ability to produce enough food for the growing population.

Indeed, estimates suggest that around 95% of the food we consume is directly or indirectly dependent on healthy soils, but approximately 52% of the world’s agricultural land has already been degraded.

About 51 million square kilometers of land, which amounts to 70% of the land on the planet, is under agriculture right now. Sadhguru says: "Right now, the United Nations is saying that the world may have agricultural soil only for another 80–100 crops. This means after 45–60 years, there could be severe food shortages, and getting rich soil will become the basis of wars on this planet. And every responsible scientist in the world is pointing out that by 2045, we will be producing 40% less food than what we are producing right now and our populations will be well over 9 billion.

"That is not a world you want to live in or leave for your children and go. But that is what we are creating. In every agricultural land on the planet, a minimum 3–6% of organic matter must be there. If you institute this in the policy of every nation, in 12–15 years’ time, we can significantly mitigate climate change just by attending to the soil.”

Restoration and regeneration of soil can be done in combination with industry too, as for example through agri-solar, with growing interest in the impact of deploying solar PV alongside both crops and animal agriculture. Mark Rowcroft, development director at Exagen, which is promoting the combination of solar PV generation with agriculture wrote: “Land regeneration is as vital to securing a low-carbon future as decarbonising our energy systems. Protecting and nurturing biodiversity has the double impact of restoring soil quality to sequester carbon and improve soil quality and farming yields.”

Soil as a carbon sink
Soil is a significant carbon sink - globally, approximately 75% of terrestrial carbon has been estimated to be stored in soil, which is up to is three times more than the amount stored in living plants and animals.

If the soil is covered and has humus (organic matter), it absorbs the carbon from the atmosphere. At the same time, unhealthy soil, which is ploughed and exposed, is a source of emissions of both carbon dioxide and methane. That means that improving the health of soil can play a major role in increasing carbon sequestration and addressing atmospheric carbon.

Whether you want to fix or reverse climate change, or do carbon sequestration, or limit the temperatures rising in the world, or resolve water scarcity, the connecting need is the need to fix the soil. As Sadhguru points out: “It is also the largest water soak on the planet. If soil is organically rich, we can store eight times more water than all the rivers on the planet put together!” That can have a significant impact on local resilience to drought and/or floods.

Healthy soil underpins many of the approaches that we are taking to address climate change and food challenges. Healthy soil is home to the mycelium that connects plants and trees helps them share nutrients, exchange nitrogen, phosphorus, magnesium, iron, etc. That then helps to keep forests healthy, a goal which is expected to play a critical part in attempts to mitigate and adapt to the challenge of climate change.

Driving finance for soil regeneration
One of the ways in which finance can be funnelled towards soil regeneration is through the voluntary carbon markets. Verra’s methodology for Improved Agriculture Land Management (IALM) for example – which was recently updated – allows farmers to deliver important climate mitigation benefits while improving their incomes and on-farm resilience.

The IALM methodology, which is linked to Verra’s Verified Carbon Standard (VCS), enables carbon financing at scale for projects that remove agriculture greenhouse gasses (GHGs) in numerous ways – including improved fertilizer management, improved water management/irrigation, reduced tillage or improved residue management, improved crop planting and harvesting (e.g., improved agroforestry and crop rotations) or improved grazing practices. Once projects applying the IALM methodology have been verified and validated, farmers are able to gain Verified Carbon Units (VCUs), i.e., carbon credits.

A spokesperson for carbon standard and certification body Verra says: “When improved agricultural land management (IALM) practices are implemented that focus on enriching the soil, it enhances both its role as a carbon sink, allowing it to absorb greenhouse gas emissions instead of releasing them, and wider ecosystem resilience. This resilience helps protect communities against the impacts of climate change-induced extreme weather, such as flooding and drought, with knock-on benefits for food security and health.”

By advancing global efforts to restore soil health and implement more sustainable farming practices in the future, the agricultural industry could play a key role in solving the interconnected crises of food security, climate change and biodiversity loss.

Challenges and opportunities
As the recognition of the importance of soil health – for climate mitigation, biodiversity, and the health of the environment as a whole – has grown, so too has the number of initiatives and campaigns dedicated to raising awareness of this topic. Alongside the French initiative 4 per 1,000, other examples include the Global Soil Partnership and the Coalition of Action for Soil Health.

Innovative methods to direct investment towards enhancing soil health are much-needed, and there are an increasing number of options available for farmers to access additional revenue streams for improving soil health, which is becoming ever-more possible with technological and scientific advancements in monitoring and reporting on soil organic carbon (SOC).

There are challenges as well though. As Aadith Moorthy chief executive of soil carbon marketplace Boomitra points out, the understanding of the role of soil carbon is not as established as forestry, which plays a central role in today’s carbon markets.

More importantly, its not really understood by financiers which means it is seen as a high-risk investment. If this challenge can be overcome though, there are funds in the voluntary carbon markets that might well be able to direct significant financial flows.

Sadhguru says: “Soil degradation is a global scale disaster, but it can be turned around simply with a committed focus. It does not need any absolutely new technology or trillions of dollars. What it needs is a committed approach from the governments.”

To achieve the minimum 3-6% organic matter, Sadhguru believes we need a three-pronged strategy. Firstly, the governments of the world need to incentivize farmers to raise the organic matter in their soil. Secondly, the carbon credit market needs to be simplified so that it is accessible for the farmers. The third part of the strategy calls for market recognition and valuation of the produce as per the organic matter of the soil which it comes from.

There are other opportunities too – robotics, soil monitoring and measurement are sectors in which investors are showing increasing interest – and the potential for transforming agriculture is immense. Sadhguru says that industries and businesses should focus on evolving fertilizers, pesticides, and farm machinery that are more soil friendly, saying: “Today there is enough technology – robotics, artificial intelligence - to transform these things. The science is already there; we know what to do. It is just that the industry has not caught up with it yet.”

Soil and climate action
Given that nearly 40% of climate change is affected by soil, it may seem odd that the topic has not yet become part of the wider climate conversation and indeed, the climate negotiations. Moorthy points out that to date only fourteen NDCs have included soil health in one form or another.

Sadghuru says: “If you fix this one thing, everything will be fixed naturally. Whether you want to fix or reverse climate change, or do carbon sequestration, or limit the temperatures rising in the world, or resolve water scarcity, we need to fix the soil.” So maybe that’s where the focus should be at the next COP.
Fonte: Forbes

sábado, 11 de março de 2023

Tratado histórico para a proteção global dos oceanos é acordado na ONU



O Tratado Mundial dos Oceanos foi finalmente acordado pela Organização das Nações (ONU) na última sexta (4 de março de 2023), após quase duas décadas de negociações. O instrumento global é uma grande vitória para a biodiversidade dos mares e mantém viva a meta de protegermos 30% dos oceanos até 2030.

A criação do Tratado, cujo texto passará por edição técnica e tradução para então ser adotado oficialmente, foi apoiada por mais de 5,5 milhões de pessoas que participaram de abaixo-assinados do Greenpeace ao redor do mundo, com o objetivo de pressionar os líderes mundiais.

Segundo Laura Meller, da campanha de Oceanos do Greenpeace Nórdico, a aprovação do Tratado sinaliza a importância da conservação do meio ambiente superar questões geopolíticas.

“Elogiamos os países por se comprometerem, deixando de lado as diferenças e entregando um Tratado que nos permitirá proteger os oceanos, construir resiliência às mudanças climáticas e proteger a vida e a subsistência de biliões de pessoas”, afirma Meller, ressaltando que os países devem adotar ratificar o Tratado o mais rápido possível.

“O relógio ainda está correndo para entregarmos a meta 30×30. Nos resta meia década e não podemos ser complacentes”

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Tripulação de ativistas do Greenpeace, em 2020, agradecem a adesão de milhões de pessoas ao abaixo-assinado em defesa do Tratado Mundial dos Oceanos (Foto: Andrew McConnell / Greenpeace)

A High Ambition Coalition, que inclui a União Europeia, os Estados Unidos e o Reino Unido, e a China foram atores-chave na intermediação do acordo, assim como os pequenos Estados Insulares e o G77, coalizão de nações em desenvolvimento, que também tiveram atuação importante para o resultado final.

Apesar do Tratado abrir caminhos para a criação das áreas protegidas, ainda há falhas no texto. Os governos já haviam se comprometido com a criação do Tratado na COP 15 (Conferência da Biodiversidade da ONU), em dezembro do ano passado, e agora continuaremos pressionando para que eles assegurem que o Tratado seja colocado em prática de forma eficaz e ambiciosa.

Saber mais:

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Livro- Agricultura Biológica: Boas Práticas Agrícolas Para o Solo e Para o Clima



Trata-se de um manual de boas práticas agrícolas para melhorar o solo, fixar carbono, reduzir emissões poluentes e eliminar a aplicação de herbicidas, cumprindo assim o objetivo de promoção da fertilidade do solo de forma sustentável face às alterações climáticas."



Como está o solo em Portugal?
  • 63% do território do continente classificado como estando suscetível à desertificação e 32,6% com solos em situação degradada (dados de 2020)
  • Plano de Ação Nacional de Combate à Desertificação

sábado, 12 de novembro de 2022

Clima: dez novas visões científicas para garantir um planeta habitável

Temos de evitar problemas climáticos, em vez de gastar energia a remediá-los, alerta relatório divulgado na COP27, no Egipto. A adaptação não pode substituir a mitigação, dizem os cientistas.


Está na hora de desfazermos o “mito da adaptação infinita” às mudanças do clima, alerta o relatório Dez Novas Visões sobre a Ciência Climática, apresentado esta quinta-feira na Cimeira do Clima das Nações Unidas (COP27), que decorre até 18 de Novembro no Egipto.

“1,5 graus não é uma meta, mas sim um limite físico”, afirmou Johan Rockström, director do Instituto Potsdam para o Estudo do Impacto do Clima (PIK, na sigla alemã), na conferência de imprensa em Sharm el-Sheikh.

Rockström faz referência ao Acordo de Paris, que estabeleceu em 2015 o compromisso de limitar o aumento global da temperatura a menos 2 graus Celsius, preferencialmente 1,5 graus. A ideia é que não se veja este número apenas como um objectivo desejável, mas sim uma barreira concreta, bem documentada pela ciência, a partir da qual a adaptação torna-se cada vez mais difícil (se não impossível). “Nós não podemos negociar com o planeta, nem com a atmosfera”, disse Johan Rockström.

O aumento do nível do mar, que pode fazer desaparecer países insulares como Tuvalu, ou mesmo o calor extremo, que pode fazer colapsar o corpo humano, são exemplos de limites rígidos à nossa capacidade de adaptação. “A adaptação em circunstância alguma pode substituir a mitigação”, frisou o cientista.

A luta contra a crise climática desdobra-se em duas vias: a mitigação e a adaptação. As sociedades tentam hoje controlar aquilo que provoca a mudança do clima através da redução da emissão de gases de efeito de estufa (mitigação). Paralelamente, esforçam-se para enfrentar os efeitos actuais e futuros do aquecimento global (adaptação).

Assim sendo, encerrar uma central a carvão é um exemplo de mitigação. Já garantir sistemas de ar condicionado a uma comunidade vulnerável constitui uma forma de adaptação. As duas frentes devem avançar em paralelo e com muita urgência – contudo, segundo o documento agora divulgado, persiste a ideia de que podemos sempre recorrer a uma “adaptação infinita” à medida que os termómetros do planeta disparam.

“Quanto menos mitigarmos, mais teremos de nos adaptar”, avisou Simon Stiell, secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (UNFCCC, na sigla inglesa), no início da apresentação do relatório “alarmante” que vem “confirmar aquilo que já sabíamos”.

A edição deste ano do documento Dez Novas Visões sobre a Ciência Climática foi elaborada por 65 autores de 23 países. Esta equipa foi convocada pelas redes internacionais Future Earth, The Earth League, World Climate Research Program, num esforço conjunto de produzir um documento que traduza para os decisores políticos, de forma clara e objectiva, dez mensagens essenciais para formular planos de acção climática baseados em evidência.

Os autores organizam em dez pontos o que diz a ciência hoje sobre os desafios climáticos, descodificando as interacções complexas entre as mudanças climáticas e outros factores de risco, como conflitos, pandemias, insegurança alimentar e desafios de desenvolvimento. Abaixo, resumimos as dez mensagens essenciais a reter para a acção climática.

1. Questionar o mito da adaptação infinita

Embora o ser humano tenha uma admirável capacidade de adaptação – fomos capazes de habitar zonas geladas e desérticas, por exemplo –, “seremos cada vez mais confrontados com os impactes intoleráveis da mudança do clima”, refere o relatório. Em resumo: a adaptação tem limites e, por isso, apesar de continuar a ser uma vertente essencial da acção climática, não pode substituir uma redução drástica da emissão de gases de efeito de estufa.

2. Mitigar para proteger regiões vulneráveis

Estima-se que 1,6 mil milhões de pessoas vivam hoje em áreas vulneráveis. “Somos capazes hoje de identificar estes hotspots de riscos socioeconómicos. Este número – 1,6 mil milhões – vai dobrar até 2050 se continuarmos a queimar combustíveis fósseis. Isto equivaleria a quase um terço da população mundial”, afirmou Johan Rockström, director do PIK.


3. Novas ameaças na interacção entre clima e saúde

A crise climática é também uma questão de saúde pública. O aquecimento global tem efeitos negativos na saúde humana, animal e ambiental (trata-se de “uma só saúde”, uma vez que os ecossistemas estão interligados). A mortalidade causada por ondas de calor, o aumento do risco de novas pandemias e os fogos florestais a afectar a saúde física e mental são alguns dos exemplos citados.

Kristie Ebi, professora de Saúde Climática da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, lembrou na conferência de imprensa que já temos hoje “pessoas a morrer” em decorrência de eventos climáticos extremos. E que, por isso, a saúde ambiental deve estar “no coração das negociações da COP27”.


4. Antecipar a mobilidade climática

O aumento da intensidade e da frequência de eventos climáticos extremos, assim como dos impactes lentos mas nefastos – a salinização dos solos, por exemplo – vai provocar cada vez mais migrações involuntárias e deslocamentos.

“Podemos hoje dizer com um alto grau de confiança que as alterações climáticas têm afectado os padrões de mobilidade humana. E, para as populações mais desfavorecidas, a própria crise climática pode dificultar a possibilidade de adaptação através da mudança”, afirmou ao PÚBLICO Barbara Sedova, co-autora do relatório e responsável pelo FutureLab do PIK, numa videoconferência.

5. Segurança humana requer segurança climática

As alterações climáticas exacerbam as vulnerabilidades existentes na segurança humana, podendo abrir caminho para conflitos e contextos de violência. Mais uma vez, os cientistas acreditam que uma “mitigação eficaz e oportuna”, combinada com “estratégias de adaptação”, é essencial para manter as populações seguras e garantir a segurança nacional. “A mudança do clima não causa necessariamente conflitos, mas amplifica-os”, Johan Rockström.


6. Usar os solos de forma sustentável

A gestão dos solos deve estar focada no aumento da produção agrícola através de práticas sustentáveis, evitando assim as transformações de áreas verdes e biodiversas em terrenos de cultivo. Isto pode trazer benefícios como a segurança alimentar, a integridade do ecossistema e soluções climáticas. “No entanto, à medida que o planeta aquece, esses co-benefícios do sistema são menos prováveis de continuarem a existir”, lê-se no relatório.

7. Finanças precisam acelerar a transição

As chamadas práticas sustentáveis no sector financeiro não estão a cumprir o principal objectivo, que é o de acelerar mudanças sistémicas profundas em direcção a uma economia verde e descarbonizada. De acordo com o relatório, isto acontece porque as iniciativas sustentáveis ainda estão a ser desenhadas por forma a se encaixarem no modelo de negócios actual, que é muito dependente dos combustíveis fósseis. Assim, o fluxo de capital não se está a deslocar para a área da mitigação, como seria desejável.

8. Perdas e danos são um imperativo global

Os impactes negativos de eventos climáticos extremos já são uma realidade, sendo que a passagem do tempo só vai acentuar as trajectórias actuais. Uma mitigação urgente e uma adaptação adequada são indispensáveis para prevenir maiores perdas e danos em países expostos e vulneráveis. Embora estas perdas possam ser calculadas em termos monetários, há uma porção não quantificável que deve ser estudada e melhor compreendida. Uma política global e coordenada de compensação climática é “urgentemente necessária”, refere o relatório.


9. Envolver os visados nas decisões

A resiliência climática depende de escolhas sociais que vão muito além das decisões políticas que ocorrem nos gabinetes ministeriais. Envolver a comunidade visada em todos os processos de decisão conduz a desfechos mais justos e produtivos. Apesar disso, os esforços de inclusão feitos até agora “têm sido insuficientes para fazer face às necessidades tanto da acção como da justiça climática”, refere o relatório.

10. Quebrar barreiras estruturais

A transformação socioeconómica necessária para “uma mitigação profunda e rápida” tem sido travada por sólidas barreiras estruturais. O obstáculo principal é uma economia alicerçada na exploração de recursos e na manutenção do status quo. O progresso social continua a ser medido através do crescimento do produto interno bruto (PIB), por exemplo, o que só favorece o aumento da emissão de gases de efeito de estufa.

domingo, 16 de outubro de 2022

Dia Mundial da Alimentação promove cuidado com todos para evitar fome



“Não deixe ninguém para trás” é o tema desde ano após preocupações com guerras e desafios para segurança alimentar global; papa Francisco e Guterres enviaram mensagens a evento de comemorações em Roma, sede da FAO.

As Nações Unidas marcam neste 16 de outubro o Dia Mundial da Alimentação. Em 2022, o tema é “não deixe ninguém para trás”.

Para líderes internacionais e chefes de agências da ONU, o momento é de alerta com uma crise global de segurança alimentar e um recorde de pessoas em grave risco de fome na Ásia e na África.

Esperança e ação

O Dia da Alimentação é celebrado em mais de 150 países em locais icónicos como a estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, as Cataratas de Niágara, na América do Norte, e a praça Piccadilly Circus, de Londres, também acolhem atividades.

Em Roma, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, realizou um evento, nesta sexta-feira, com mensagens do secretário-geral da ONU, António Guterres, do papa Francisco e do presidente italiano Sergio Mattarella.

Guterres ressaltou que o mundo vive um período desafiador para a segurança alimentar.

Na mensagem para este ano, o líder das Nações Unidas exorta as partes interessadas a cooperarem para passar do desespero à esperança e à ação.

O diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, disse que diante de uma iminente crise alimentar global, é preciso aproveitar a solidariedade e o impulso coletivo para construir um futuro melhor. Nessa realidade, todos devem ter acesso regular a alimentos nutritivos suficientes.

Soluções justas e duradouras

Em sua mensagem, o papa Francisco listou os desafios desse momento de guerra.

O chefe da Igreja Católica lembrou que a FAO celebra 77 anos e que foi criada para responder as necessidades das vítimas da miséria e da fome no contexto da Segunda Guerra Mundial.

O apelo é que não se perca de vista que as pessoas “não são apenas números, dado um fluxo interminável de estatísticas”.

O papa Francisco pediu ainda que os projetos e intervenções da agência não se limitem a carências circunstanciais ou apelos feitos em contextos de emergência, mas para oferecer soluções justas e duradouras.

Ele destacou que é necessário ressaltar a urgência de enfrentar o problema da pobreza, que está intimamente ligado à falta de nutrição adequada, em conjunto e em todos os níveis.

Para o presidente italiano, Sergio Mattarella, “sem igualdade de acesso à alimentação, milhares de pessoas principalmente aquelas que vivem nos países mais pobres, não podem ter uma vida saudável, educação de qualidade e oportunidades de crescimento social e económico”.

Crise alimentar global sem precedentes

A ONU estima que além das 970 mil pessoas em risco de fome no Afeganistão, na Etiópia, na Somália, no Sudão do Sul e no Iémen, o número de pessoas que passam fome em todo o mundo está aumentando.

Somente em 2021, 828 milhões viviam nessa situação, segundo o relatório Estado de Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo. Cerca de 3,1 biliões de pessoas ainda não podem ter uma alimentação saudável.

Na cerimónia, o diretor executivo do Programa Mundial de Alimentos, PMA, afirmou que a maior preocupação é o que está por vir.

Crises contínuas

David Beasley listou a crise de disponibilidade de alimentos, relembrando que os efeitos de conflitos e das mudanças climáticas ameaçam prejudicar a produção global de alimentos nos próximos meses.

O chefe do PMA destacou que o mundo deve abrir os olhos para a atual crise alimentar global sem precedentes e agir de imediato para impedir que a situação saia do controle.

O presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Álvaro Lario, informou que, este ano, mais do que nunca, o Dia Mundial da Alimentação deve ser um apelo para intensificar as ações de ajuda aos pequenos agricultores do meio rural.

Ele ressaltou que estes produtores fornecem alimentos para suas comunidades e países em crises sucessivas, apesar da desigualdade, da vulnerabilidade e da pobreza.

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