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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Ao meu amigo e irmão Serafim Riem, dedico-te esta canção - "God Moving Over the Face of the Waters", do Moby


A ti Serafim, que descanses em paz e que a Luz da Natureza te retribua agora toda a bondade que a ela tu dedicaste ao longo da tua vida.

E que saibamos honrar o teu exemplo, continuando, com coragem e responsabilidade, o trabalho que tu começaste.

A escolha de "God Moving Over the Face of the Waters" para o desfecho de Heat - Cidade Sob Pressão é, sem dúvida, um dos momentos mais brilhantes do cinema contemporâneo, precisamente porque eleva o clímax do filme a uma dimensão quase espiritual de fraternidade. Ao longo de toda a narrativa, Michael Mann constrói as personagens de Al Pacino e Robert De Niro como duas faces da mesma moeda: homens solitários, obcecados pelos seus respetivos códigos de honra e incapazes de se ajustarem ao mundo comum. Embora um seja o caçador e o outro a presa, existe entre eles um entendimento silencioso e uma cumplicidade que nenhuma das suas relações pessoais consegue alcançar. Na célebre cena do café, eles verbalizam esse respeito mútuo, reconhecendo que, apesar de estarem em lados opostos da lei, partilham a mesma essência.

Quando a composição do Moby começa a ecoar na pista do aeroporto, após o confronto final, toda a violência e a adrenalina da perseguição desaparecem instantaneamente, dando lugar a uma melancolia avassaladora. Enquanto McCauley dá o seu último suspiro no chão, Hanna aproxima-se e segura-lhe na mão, num gesto de profunda ternura e dor. A melodia cresce exatamente nesse instante de contacto físico, transformando o desfecho trágico numa verdadeira elegia fúnebre. Hanna não celebra a vitória; pelo contrário, chora a morte do único homem que verdadeiramente o compreendia. É uma imagem de pura irmandade, onde as barreiras da lei se desfazem perante a perda e o respeito mútuo, tornando esta faixa uma escolha profundamente adequada para honrar a memória de alguém que partiu e que se considerava um irmão.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Les Funérailles d'Hélios - La Demoiselle de la Seine




Elle marche seule sur les boulevards,
le brouillard la suit,
les lampadaires la regardent mourir.
Dans ses yeux,
un chœur de voix,
des fantômes qui parlent doucement.

[Refrão]
Pousse-moi,
dans les eaux noires,
la Seine m'appelle,
la Seine m'emporte.

Les mains froides la touchent,
les chaînes invisibles se resserrent,
son sourire est du verre brisé,
son cœur un tambour vide.

[Refrão]
Un seul pas,
un souffle suspendu,
l'eau s'ouvre,
l'eau l'engloutit.

[Refrão]

A canção "La Demoiselle de la Seine" faz parte do álbum intitulado Les Funérailles d'Hélios.
O álbum leva o mesmo nome do projeto musical. Ele foi lançado em 2021 e funciona como uma obra conceitual, onde cada faixa narra uma história melancólica, histórica ou mitológica, envolta em uma sonoridade cinematográfica e sombria.

A letra de "La Demoiselle de la Seine" é profundamente poética e macabra, baseando-se em uma lenda urbana real de Paris do final do século XIX: L'Inconnue de la Seine (A Desconhecida do Sena).

A Inspiração: Diz a lenda que o corpo de uma jovem foi retirado do rio Sena em Paris. O patologista do necrotério ficou tão encantado com a expressão de paz e o "sorriso enigmático" da moça que ordenou a criação de uma máscara mortuária em gesso.

O Tema: A canção explora a beleza na morte e a imortalidade através da arte. Ela descreve a "dama" como alguém que encontrou no rio um refúgio para suas dores, transformando sua tragédia numa lenda eterna.

Simbolismo: O Sena é tratado quase como um amante ou um túmulo de cristal. A música questiona quem ela era e por que sorria, celebrando essa figura que se tornou um ícone da estética melancólica francesa.

Curiosidade: Sabia que o rosto da "Desconhecida do Sena" é o mesmo utilizado até hoje nos bonecos de treino de primeiros socorros (RCP)? Ela se tornou "o rosto mais beijado da história".

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Brigade Internationale - Remember My Death


O nome Brigade Internationale (Brigada Internacional) é uma referência direta às unidades militares compostas por voluntários estrangeiros que viajaram para a Espanha para lutar ao lado da Segunda República Espanhola contra as forças fascistas de Francisco Franco durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

Ao escolherem este nome, a banda evoca uma estética de resistência antifascista, idealismo político e melancolia histórica, temas comuns na subcultura coldwave da época.

Regard Extrême é uma das músicas mais conhecidas da banda, presente no álbum/cassete Regard Extrême lançado em 1984 pela gravadora Wallenberg Produktion.

A canção: Mantém a sonoridade característica do género, com sintetizadores sombrios, linhas de baixo marcantes e uma atmosfera minimalista e melancólica.

Significado da Letra: O título "Remember My Death" (Lembre-se da minha morte) reforça a temática existencialista e fúnebre do grupo, possivelmente ligando-se ao sacrifício dos voluntários das brigadas originais

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Craig, elefante ícone de Conservação da Natureza, morreu este fim-de-semana


Craig, o velho elefante que vivia no parque nacional de Amboseli, Quénia, morreu este fim-de-semana aos 54 anos de idade, aparentemente de velhice e devido ao desgaste da sua última série de molares. Este indivíduo era um símbolo, conhecido de muita gente

Apesar deste desfecho triste é positivo que Craig tenha conseguido ter uma vida longeva, a salvo das ameaças que continuam a pairar sobre esta espécie. As autoridades de conservação quenianas acompanharam a situação e tomaram as medidas para garantir que as presas deste magnífico animal, com 45 kg cada, não foram desviadas para fins ilícitos.

Fonte: Amboseli Trust for Elephants

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Paz ecológica e paz interior


Em cada 1º dia de Janeiro, crio uma lista de objectivos e medito sobre este dia, Dia Mundial da Paz. Preencho o dia escutando música. A música, independentemente do estilo, oferece uma playlist de aprendizado e reflexão. Cada canção ajuda-nos a perceber diferentes dimensões da paz: a empatia, a atenção ao mundo, a consciência da memória ecológica, a capacidade de escutar e respeitar o espaço do outro, e a necessidade de transformação pessoal e colectiva. Aqui segue o texto e a minha sugestão de playlist.

Paz ecológica e paz interior
Quando pensamos em paz, muitas vezes imaginamos apenas a ausência de guerra. Mas a paz é também a capacidade de habitar o mundo sem o ferir e de habitar-nos sem ruído excessivo. Em tempos de crises ecológicas e sociais, aprender a escutar tornou-se uma prática ética, quase revolucionária.

O pós-punk, nascido da fratura e da inquietação urbana, pode parecer sombrio à primeira audição. Mas é precisamente aí que mora a sua lição: recusar o excesso, escutar o vazio e sentir a tensão antes que ela se torne destruição. Entre riffs secos e atmosferas introspectivas, encontramos ensinamentos sobre respeito ao mundo e a nós mesmos.

A música pode refletir a terra ferida e a memória do que perdemos. Canções como “Cities in Dust” dos Siouxsie and the Banshees lembram-nos que civilizações desaparecem, mas deixam vestígios que não podemos ignorar. “Requiem” do Killing Joke é um grito diante do colapso ambiental e social, enquanto “A Forest” do The Cure transforma a natureza em labirinto, mostrando-nos que quando nos perdemos, percebemos a importância da atenção e do cuidado. A paz ecológica é, assim, reconhecer os limites antes que seja tarde demais.

O silêncio e o espaço são fundamentais tanto na música quanto na natureza. Álbuns como “Spirit of Eden” do Talk Talk respiram, respeitam o tempo e o espaço entre as notas — como um ecossistema saudável. Canções como “The Colour of Spring” de Mark Hollis mostram a fragilidade e a atenção às nuances, lembrando-nos da interdependência do mundo natural. E “An Ending (Ascent)” de Brian Eno cria uma paisagem sonora que coexiste sem dominar, ensinando que escutar é, de fato, um ato ecológico.

A paz do mundo começa na paz do indivíduo. Joy Division, em “Atmosphere”, convida-nos a caminhar com cuidado entre os outros, reconhecendo limites e espaço alheio. “Silent Air” do The Sound faz do ar uma metáfora de equilíbrio interior: invisível, mas essencial. E “Faith” do The Cure mostra que aceitar a fragilidade é uma forma de resistência, uma paz construída dentro de nós mesmos.

Mesmo na melancolia do pós-punk, há sinais de reconciliação e esperança. “I Believe in You” do Talk Talk funciona como uma oração laica, celebrando a vida e a esperança. “Second Skin” dos Chameleons lembra-nos da necessidade de transformação e adaptação, como a própria natureza nos ensina.

Em última análise, a paz, seja ecológica ou interior, não se proclama: pratica-se. Nas nossas escolhas, na forma como caminhamos pelo mundo, como consumimos e até como ouvimos música, reside o poder de transformação. O pós-punk, com a sua intensidade e sensibilidade, ensina que menos ruído é mais sentido, e que talvez a revolução mais urgente seja voltar a ouvir o mundo antes que ele se cale.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Curve - Horror Head



Fireworks, blue and green
I can see what they sing
But you are away
You always smile

Boxing ring
The back of mules
You can really see, from the inside
Across the room

There's a horror in my head
When the blanket is gone
From the floor in my castle
Where I see the Sun from [2X]

In the comfort of this room 
The challenge died
Remember you and me
We laughed till we cried

Horror Head, cujo significado não é literal; é mais simbólico e emocional, como é comum na banda. Não fala de “terror” no sentido de monstros ou horror clássico, mas sim de um estado mental sombrio, quase claustrofóbico. A canção é frequentemente interpretada como uma elegia a um amante perdido ou uma exploração de sentimentos de perda profunda e catarse. No clipe oficial da canção Cabeça de Horror utiliza cores vibrantes e cortes rápidos para reforçar essa sensação de desorientação

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Killing Joke - Requiem


Requiem
Killing Joke

Man watching city fall
The clock keeps on ticking
He doesn't know why
He's just cattle for slaughter
The Requiem

When the meaningful words
When they cease to function
When there's nothing to say
When will it start bothering you?
The Requiem

Only a hint of religion
Uncensors to its false depravity
The sound of breaking glass
This is a reflection
The Requiem

“Requiem” funciona como um canto fúnebre para a civilização moderna. O próprio título remete para a missa dos mortos, sugerindo desde logo luto, fim e julgamento. Jaz Coleman apresenta um mundo em colapso moral e espiritual, onde a violência, o medo e a alienação são estados permanentes. Não há redenção nem narrativa linear: a letra é construída como uma sucessão de imagens ameaçadoras, quase proféticas, que apontam para a morte de valores humanos básicos.

A canção expressa uma sensação de inevitabilidade — algo terminou, e o que resta é assistir às consequências. O tom não é de protesto esperançoso, mas de constatação sombria. O “requiem” não é apenas para indivíduos, mas para um sistema inteiro, para uma era que perdeu sentido e direção. Há também uma dimensão ritual e quase xamânica: a voz de Jaz Coleman soa mais a invocação ou aviso do que a canto tradicional.

domingo, 29 de novembro de 2009

Denez Prigent and Lisa Gerrard - An Hini A Garan



An hini a garan (The One I love)

An hini a garan, gwechall bihan er gêr
Pa oamp tostig an eil, an eil ouzh egile
Va c'halon ne gare, gare nemet unan
Pa oan bihan er gêr an hini a garan

An hini a garan, 'm eus kollet da viken
'Mañ degouezhet pell ha ne zistroio ken
Ha setu ma kanan, kanan keti ketañ
Ha setu ma kanan d'an hini a garan

An hini a garan, un deiz 'n eus va losket
Aet eo d'ar broioù pell, d'ur vro n'an'vezan ket
Aet eo d'ar broioù pell da c'hounit e vara
Kollet, kollet un deiz, an hini a garan

In English:

The one I love, before, when we were little at home
when we were so near to each other
My heart was loving ony one
When I was little at home, the one I love

The one I love, I lost forever
Gone far away and will never come back
And this is what I sing for the one I love

The one I love one day left me
For a far away land
A land that I don't know
Lost, lost one day, the one love

sábado, 4 de março de 2006

Sergei Lemeshev- "Elegie" 1940



O grande cantor russo Sergei Lemeshev (1902-1977) canta o romance russo  Elegie composta por Yakovlev. Gravado em 1940.

A "Elegia" interpretada por Sergei Lemeshev em 1940 foi composta por Mikhail Yakovlev (1798–1868) sobre um poema de Anton Delvig. Esta obra é um exemplo clássico do Romantismo Russo da primeira metade do século XIX, mais especificamente do género conhecido como Romance Russo. Composta originalmente na década de 1820, a peça reflete a atmosfera dos salões aristocráticos de São Petersburgo, onde a música e a poesia caminhavam juntas sob a influência da "Era de Ouro" da literatura russa. Diferente das grandes árias de ópera, esta composição foca em um lirismo contido, na melancolia e na expressão íntima da alma, características que Lemeshev, com o seu timbre de tenor lírico impecável, conseguiu elevar ao status de obra-prima da canção russa.

Когда, душа, просилась ты
Погибнуть иль любить,
Когда желанья и мечты
В тебе теснились жить,
Когда ещё я не пил слёз
Из чаши бытия,
Зачем тогда в венке из роз
К теням не отбыл я!

Зачем вы начертались так
На памяти моей,
Единой молодости знак,
Вы, песни прошлых дней!
Я горы, долы и леса,
И милый взгляд забыл;
Зачем же ваши голоса
Мне слух мой сохранил!

Не возвратите счастья мне,
Хоть дышит в вас оно!
С ним в промелькнувшей старине
Простился я давно.
Не нарушайте ж, я молю,
Вы сна души моей;
И слова страшного люблю
Не повторяйте ей!

Tradução
Quando a alma, tu pedias
Para morrer ou para amar,
Quando desejos e fantasias
Em ti queriam habitar,
Quando ainda não bebera o pranto
Desta taça da existência,
Porque não parti, sob o encanto
Das rosas, para a fúria da ausência!

Porque ficastes gravadas assim
Na memória que me invade,
Sinal único da juventude em mim,
Vós, canções de outra idade!
Esqueci montes, vales e florestas,
E o olhar que outrora amei;
Porque é que as vossas vozes, nestas,
O meu ouvido ainda retém!

Não me devolveis a felicidade,
Ainda que nela respireis!
Com ela, na fugaz antiguidade,
Há muito que me despedi, bem sabeis.
Não perturbeis, eu vos imploro,
O sono da minha alma agora;
E a palavra terrível — amo-te —
Não lha repitais, ide-vos embora!


quinta-feira, 8 de setembro de 2005

Música do BioTerra : Killing Joke - Sanity


O comissário europeu alemão Gunther Oettinger defendeu que os países endividados devem pôr a bandeira a meia haste. Saúde Mental, o tema do séc. XXI...claramente!
Sanity
Killing Joke

All across the scenes the statues crumble
We cherished the seconds, counted the days
And people move with lines across their faces
Embracing each other with a smile

For sanity's sake, sanity's sake, sanity's sake
For sanity's sake, sanity's sake, sanity's sake

We'll remember distant times and places
We'll remember summer sun that yields
Shed our bodies heart and soul for love's sake
Civilizations wax and wane.

Inocence will fade away like Autumn
Likewise the dream of youth, the task
And we shall be at peace upon our parting
With the thoughts of loved ones in our hearts

For sanity's sake, sanity's sake, sanity's sake
For sanity's sake, sanity's sake, sanity's sake

So let the sunrise light up the distnat shores
And we'll remember last days of Rome again

“Sanity”, dos Killing Joke, pode ser lida como uma reflexão sombria sobre a inversão do conceito de normalidade numa sociedade profundamente doente. A canção parte da ideia de que aquilo que é socialmente aceite como sanidade corresponde, na verdade, a um estado de conformismo, obediência e anestesia moral. Adaptar-se sem questionar a um mundo marcado pela violência, pelo controlo e pela desumanização passa a ser visto como equilíbrio, enquanto qualquer tentativa de lucidez crítica é rapidamente rotulada como loucura.

Jaz Coleman sugere que a chamada insanidade pode ser uma resposta lógica a um contexto irracional. Há, na letra, uma tensão constante entre consciência e colapso psicológico, como se manter a percepção desperta tivesse um custo mental elevado. A repetição obsessiva das palavras e a urgência do tom vocal reforçam essa sensação de cerco, quase como um mantra perturbador que espelha os mecanismos de condicionamento social.

Mais do que tratar de saúde mental individual, “Sanity” aponta para uma patologia coletiva. A canção denuncia uma sociedade que normaliza o absurdo, a violência e o vazio, e na qual a verdadeira ameaça não é a loucura, mas a aceitação passiva desse estado de coisas. Nesse sentido, a música funciona menos como um relato e mais como um alerta: num mundo desequilibrado, a chamada sanidade pode ser apenas mais uma forma de alienação.

segunda-feira, 21 de março de 2005

Stabat Mater, por João Soares



Transgénica e betonizada
Lacrimosa e dolorosa
Estava a Mãe

Num manto de rio negro
Plásticos e alumínio
As árvores, muito raras e definhadas
Animais, poucos e cancerosos

Seco e pálido, o seu rosto
Amargos e incendiados gritos
Queimados de radioactividade

E os poucos homens guerreando-se
Pelo pouco vil metal para repartir
Exauridos em terrenos de sangue e de mercúrio
João Soares

English Version
Transgenic and betonned /painful and weeping / Was the Mother/ In a mantle of black river /Plastic and aluminum / the trees, very rare and meager /Animals, few and cancerous / Dry and pale, its face Bitter/ and set on fire burnt shouts of radioactivity /And the few men fighting itself/ For little vile metal to distribute/ Exausted in mercury and blood lands

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sábado, 12 de junho de 2004

Música do BioTerra: Killing Joke - Democracy


Killing Joke - Democracy [1996, lyric]

You have a choice, we are your voice
Red, blue or yellow.
We will blow away the green
Another five lane motorway
(You'll never get a referendum anyway)

Funny handshakes. insider dealing
Et in arcadia. arcadia ego
Backhanders and salamanders
A powerhouse that is morally
Mechula
I'm sorry democracy is changing
I'm sorry democracy is changing

I'm not a slogan or a badge
Or a cross in the ballot box
Neither values or objectives
You do not represent my deepest
Thoughts and wishes

Education in obsolete skills
Stereotyping and media projection
Industrial psychologists
Plan a campaign that is financed by
Big business

You have a choice, we are your voice
Red, blue or yellow.
We will blow away the green
Another five lane motorway
(You'll never get a referendum anyway)

“Democracy” (1996) dos Killing Joke é uma canção de denúncia frontal, tanto no significado como no som, representando bem a fase mais pesada e politicamente agressiva da banda.

“Democracy” questiona a própria ideia de democracia no mundo ocidental contemporâneo. Jaz Coleman apresenta-a não como um sistema de participação real, mas como uma ilusão cuidadosamente gerida, onde o poder económico, mediático e militar determina as escolhas antes mesmo de o cidadão votar. A canção sugere que a democracia se tornou um ritual vazio, usado para legitimar decisões tomadas por elites, corporações e interesses geopolíticos.

Há um tom de acusação coletiva: a população é retratada como cúmplice passiva, amnestesiada pelo consumo, pela propaganda e pelo medo. O refrão repetitivo funciona quase como um martelo retórico, sublinhando a ironia de um sistema que se proclama livre enquanto restringe pensamento crítico e ação real. A visão é profundamente distópica, coerente com a obsessão recorrente de Jaz Coleman com manipulação de massas, controlo social e colapso civilizacional.