quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Lumière Sombre - She Dances In Darkness
segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Mareux - The Perfect Girl
quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Fontaines D.C. - I Love You
domingo, 18 de outubro de 2026
Rowland Dark - Dead Radio (starring Vox Sinistra)
sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Fontaines D.C. - Japan
quarta-feira, 14 de outubro de 2026
Kill Shelter & Antipole - A Kiss in the Rain
domingo, 11 de outubro de 2026
Rap, Grunge e Techno: as novas tribos da contracultura dos anos 90, consolidando o legado punk e pós-punk dos anos 80
Como recordei anteriormente, o movimento punk e o pós-punk dos anos 80 moldaram-nos não apenas o gosto musical, mas a própria coluna vertebral e a ética de vida. O underground dessa altura era, na sua essência, um espaço de total liberdade e inclusão radical: não éramos homofóbicos, racistas, gordofóbicos, idadistas ou transfóbicos. Rejeitávamos qualquer preconceito, discriminação ou moralismo tacanho. A margem era o nosso refúgio de igualdade, onde a diferença de cada um era acolhida sem rótulos ou julgamentos.
Com a chegada dos anos 90, essa matriz de liberdade desdobrou-se em novas tribos. Fala-se frequentemente do rap, do grunge e do techno como "movimentos de subversão cultural" dos anos 90 em Portugal. No entanto, mais do que ruturas absolutas, muitos destes fenómenos herdaram ou diluíram o espírito de resistência que o punk e o pós-punk já tinham conquistado nos anos 80. Ainda assim, ao redefinirem a música, a estética e os pontos de encontro da juventude, acabaram por moldar a forma como se vivia à margem no Portugal dessa década.
sábado, 10 de outubro de 2026
Do Punk ao Techno: memórias de como era viver a noite e a contracultura dos anos 80 e 90
quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Deus Ex Lumina and Antipole - Destroy
Kill Shelter and Antipole - Raise the Skies
Esta arquitetura concetual consolida-se no encerramento do videoclipe, através do selo com a inscrição em latim "Oratio pro vivis et mortuis et omnes qui venerunt ante" ("Oração pelos vivos, pelos mortos e por todos os que vieram antes"). Ao invocar simultaneamente os vivos, os mortos e os antepassados, a obra reconecta a dor individual a uma memória coletiva e transgeracional. O sofrimento e a necessidade de erguer os céus deixam de ser uma experiência isolada para se tornarem o elo que une o indivíduo a todos os seres humanos que o antecederam na travessia da mesma escuridão. Deste modo, o ato de cantar e criar transfigura-se num ritual de memória, luto e esperança.
terça-feira, 6 de outubro de 2026
She Past Away - Ruh (Alma)
In The Nursery - Artisans of Civilisation
sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Trentemøller: Swerve
A sonoridade de "Swerve", obra do produtor e compositor dinamarquês Trentemøller (Anders Trentemøller, natural de Copenhaga), reflete uma marcante evolução estética. Tendo percorrido as origens da eletrónica e do minimal techno, o artista dinamarquês firma aqui uma identidade densa que cruza o dream pop, o shoegaze, o post-rock e a indietronica. A faixa é construída a partir de sintetizadores melancólicos, guitarras saturadas em reverberação e um ritmo hipnótico, criando uma atmosfera profundamente cinematográfica, sombria e nostálgica.
No centro da identidade sonora da canção está a contribuição de Sakura Katsuura . A artista e designer empresta a sua voz sussurrada e etérea em japonês, introduzindo uma dimensão íntima que contrasta com a frieza das texturas eletrónicas e reforça a sensação de distanciamento e introspeção. O próprio conceito de "Swerve" - a ideia de mudar bruscamente de direção ou desviar-se — evoca a perda de controlo, a impermanência e a vertigem dos momentos em que a vida muda imprevisivelmente de rumo, deixando o indivíduo a flutuar sem rumo fixo entre memórias e desilusões.
No teledisco, esta narrativa visual é ampliada pelas performances expressivas de um elenco composto por Sakura Katsuura, Sophie Vyshnevska, Viktor Farkas, Anni Chen e Swell . Através de dinâmicas corporais e olhares contidos, o teledisco explora o alienamento e a desconexão emocional na era moderna, retratando corpos fisicamente próximos cujas mentes permanecem isoladas. Com uma iluminação de alto contraste e movimentos de câmara fluidos, a estética cinematográfica gera um ambiente onírico onde o ato de desviar o olhar reflete a incapacidade de encarar a realidade ou o outro diretamente.
Esta fusão estética e conceptual estabelece pontes diretas com referências literárias e filosóficas marcantes. O desvio sugerido no título ecoa o conceito epicurista de clinamen - a inclinação imprevisível dos átomos teorizada por Lucrécio em De Rerum Natura e posteriormente analisada por Gilles Deleuze -, representando a rutura inesperada do fluxo contínuo e a entrada do caos na estabilidade diária. A faixa dialoga também com o existencialismo de Jean-Paul Sartre e Albert Camus ao evocar a alienação e a vertigem perante a ausência de sentido, enquanto a volatilidade das interações no videoclipe espelha a "modernidade líquida" de Zygmunt Bauman e a fragilidade dos laços humanos. Por fim, o contraste entre o vocal em japonês e o ambiente pós-punk remete para a atmosfera de realismo mágico urbana de Haruki Murakami, na qual personagens solitárias atravessam cenários frios imersas num isolamento psicológico e num surrealismo subtil.