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sábado, 6 de dezembro de 2025

O Avesso das Coisas


Um livro que anda (quase) sempre comigo: O Avesso das Coisas. Livro de aforismos publicado postumamente. Nele, Carlos Drummond de Andrade mostra um quotidiano lírico, curioso, imprevisível e insólito falando de assuntos como paciência, circo, ciúme, natureza, eternidade e literatura.

Por exemplo este: "O tempo consumido em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir as interessantes."

"Assim como os antigos moralistas escreviam máximas, deu-me vontade de escrever o que se poderia chamar de mínimas, ou seja, alguma coisa que, ajustada às limitações do meu engenho, traduzidas um tipo de experiência vivida, que não chega a alcançar a sabedoria mas que, de qualquer modo, é resultado de viver.

Andei reunindo pedacinhos de papel em que estas anotações vadias foram feitas e ofereço-as ao leitor, sem que pretenda convencê-lo do que penso nem convidá-lo a repensar suas idéias. São palavras que, de modo canhestro, aspiram e enveredar pelo avesso das coisas, admitindo-se que elas tenham um avesso, nem sempre perceptível mas às vezes curioso ou surpreendente."

E-Livro: aqui

domingo, 8 de setembro de 2024

"Resta" por Rubem Alves


Lembro-me da festa de aniversário para o meu pai, quando ele completou 60. Pelas aparências ele estava feliz: ele comia, bebia, ria, falava. Em silêncio eu o observava e pensava: “Como está velho…” Vieram-me à memória os versos de T. S. Eliot: “E eles dirão: ‘Seu cabelo, como está ralo!’ Meu casaco distinto, meu colarinho impecável, minha gravata elegante e discreta, confirmada por um alfinete solitário – mas eles dirão: ‘Seu braços e pernas, que finos que estão!'” Compreenderei se pessoas olharem para mim e pensarem pensamentos parecidos aos que pensei ao olhar o meu pai.
Comovo-me ao recordar-me do poema do Vinícius “O Haver”. É um poema crepuscular. Ele contempla o horizonte avermelhado, volta-se para trás e faz um inventário do que sobrou. Fiquei com vontade de fazer algo parecido, sabendo que não sou Vinícius, não sou poeta, nada sei sobre métrica e rimas. E eu começaria cada parágrafo com a mesma palavra com que ele começou suas estrofes: Resta…
Resta a luz do crepúsculo, essa mistura dilacerante de beleza e tristeza. Antes que ele comece ao fim do dia o crepúsculo começa na gente. O Miguelim menino já sentia assim: “O tempo não cabia. De manhã já era noite…” Assim eu me sinto, um ser crepuscular. Um verso de Rilke me conta a verdade sobre a vida: “Quem foi que assim nos fascinou para que tivéssemos um ar de despedida em tudo o que fazemos?”
Restam os amigos. Quando tudo foi perdido, os amigos permanecem. Lembro-me da antiga canção de Carole King “You got a friend”: “Se você está triste, no fundo do abismo e tudo está dando errado, precisando de alguém que o ajude – feche os olhos e pense em mim. Logo logo estarei ao seu lado para iluminar a noite escura. Basta que você chame o meu nome… Você sabe que eu virei correndo pra ver você de novo. Inverno, primavera, verão ou outono, basta chamar que eu estarei ao seu lado. Você tem um amigo…” Eu tenho muitos amigos que continuam a gostar de mim a despeito de me conhecerem. E tenho também muitos amigos que nunca vi.
Resta a experiência de um tempo que passa cada vez mais depressa. “Tempus Fugit”. “Quando se vê já são seis horas. Quando se vê já é sexta-feira. Quando se vê já é Natal. Quando se vê já terminou o ano. Quando se vê não sabemos por onde andam nossos amigos. Quando se vê já passaram cinqüenta anos… ( Mario Quintana)
Resta um amor por nossa Terra, nossa morada, tão maltratada por pessoas que não a amam. Meu deus mora nas fontes, nos rios, nos mares, nas matas. Mora nos bichos grandes e nos bichos pequenos. Mora no vento, nas nuvens, na chuva. Eu poderia ter sido um jardineiro… Como não fui, tento fazer jardinagem como educador, ensinando às crianças, minhas amigas. o encanto pela natureza.
Resta um Rubem por vezes áspero, com quem luto permanentemente e que, freqüentemente, burlando a minha guarda, aflora no meu rosto e nas minhas palavras, machucando aqueles que amo.
Resta uma catedral em ruínas onde outrora moravam meus deuses. Agora ela está vazia. Meus deuses morreram. Suas cinzas, então, voaram ao vento.
Resta, na catedral vazia, a luz dos vitrais coloridos, o silêncio, o repicar dos sinos, o Canto Gregoriano, a música de Bach, de Beethoven, de Brahms, de Rachmaninoff, de Faure, de Ravel…
Resta ainda, nos pátios da catedral arruinada, a música do Jobim, do Chico, de Piazzola…
Resta uma pergunta para a qual não tenho resposta. Perguntaram-me se acredito em Deus. Respondi com versos do Chico: “Saudade é o revés do parto. É arrumar o quarto para o filho que já morreu.” Qual é a mãe que mais ama? A que arruma o quarto para o filho que vai voltar Ou a que arruma o quarto para o filho que não vai voltar? Sou um construtor de altares. É o meu jeito de arrumar o quarto. Construo meus altares à beira de um abismo escuro e silencioso. Eu os construo com poesia e música. Os fogos que neles acendo iluminam o meu rosto e me aquecem. Mas o abismo permanece escuro e silencioso.”
Resta uma criança que mora nesse corpo de velho e procura companheiros para brincar. De que é que a alma tem sede? “De qualquer coisa como tudo que foi a nossa infância. Dos brinquedos mortos, das tias idas. Essas coisas é que são a realidade, embora já morressem. Não há império que valha que por ele se parta uma boneca de criança” ( Bernardo Soares )
Resta um palhaço… Na véspera de minha volta ao Brasil a jovem ruiva sardenda entrou na minha sala e me disse: “Sonhei com você. Sonhei que você era um palhaço”. E sorriu. Tenho prazer em fazer os outros rirem com minhas palhacices. O que escrevo, freqüentemente, é um espetáculo de circo. Pois a vida não é um circo?
Resta uma ternura por tudo o que é fraco, do pássaro ao velho. Fui um adolescente fraco e amedrontado. Apanhei sem reagir. Cresceu então dentro de mim uma fera que dorme. Mas toda vez que vejo uma pessoa humilde e indefesa sendo humilhada por uma pessoa enfatuada, que se julga grande coisa, a fera acorda e ruge. Tenho medo dela.
Resta a minha fidelidade às minhas opiniões que teimo em tornar públicas, o que me tem valido muitas tristezas e sucessivos exílios. Mas sei que minhas opiniões, todas as opiniões, não passam de opiniões. Não são a verdade. Ninguém sabe o que é a verdade. Meu passado está cheio de certezas absolutas que ruíram com os meus deuses. Todas as pessoas que se julgam possuidoras da verdade se tornam inquisidoras. Por isso é preciso tolerância.
Resta uma tristeza de morrer. A vida é tão bonita. Não é medo. É tristeza mesmo. Lembro-me dos versos da Cecília que sentia a mesma coisa. “E fico a meditar se depois de muito navegar a algum lugar enfim de chegar. O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas e nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias. De longe o horizonte avisto, aproxima e sem recurso. Que pena a vida ser só isso…”
Resta um medo do morrer – aquelas coisas que vêm antes que ela chegue. Eu acho que as pessoas deveriam ter o direito, se quisessem, de dizer: “É hora de partir…” E partissem. Se Deus existe e se Deus é bondade não posso crer que Ele ( ou Ela ) nos tenha condenado ao sofrimento, como última frase da nossa sonata. A última frase deve ser bela.
Resta, quanto tempo? Não sei. O relógio da vida não tem ponteiros. Só se ouve o tic-tac… Só posso dizer: “Carpe Diem” – colha o dia como um fruto saboroso. É o que tento fazer.

Rubem Alves, "Pimentas: para provocar um incêndio não é preciso fogo"

segunda-feira, 20 de maio de 2024

Coreógrafo Dimitris Papaioannou


Saber mais:
Dimitris Papaioannou é um ateniense nascido em 1964 que emergiu da cena artística underground grega como uma figura definidora. Começando como criador de banda desenhada, tornou-se diretor, coreógrafo, performer e designer de cenários, figurinos e iluminação. Wikipedia (inglês)

Página Pessoal
Dimitris Papaioannou

segunda-feira, 13 de maio de 2024

Poema - Dakini

Foto: Yevgeniy Repiashenko

Dakini
"Entre o sussurro dos passos e o eco da música,
dança a bailarina na sua própria sinfonia,
entrelaçando sonhos com cada movimento,
escrevendo poesia no ar com a sua graça divina.

Os seus pés pintam versos sobre o chão,
enquanto o seu corpo se torna um poema em movimento,
expressando emoções que as palavras não podem capturar,
transformando o espaço num universo de encanto.

A cada giro e cada salto, conta histórias sem falar,
com a elegância de um verso e a paixão de uma estrofe,
a bailarina tece uma tela de emoções e melodias,
onde a arte e a poesia se fundem numa só harmonia.

Em cada arabesco, em cada voo, em cada queda,
revela-se a essência da vida na sua dança,
e em cada movimento, em cada gesto, em cada olhar,
descobre-se a poesia que habita na alma da bailarina."

João Soares, 11.05.2024

terça-feira, 19 de março de 2024

Poema de Nuno Júdice: O Jogo


Falta cor, falta circo, falta teatro, falta alegria nas ruas. Como faz falta.

O Jogo
Abro a caixa do inverno. Tiro os ventos,
as rajadas da chuva, os bancos de neve de onde
fugiram todos  os pássaros. Desenrolo à minha
frente os pântanos do inverno, Ando à volta
deles para desentorpecer as pernas; sacudo
o frio das mãos, limpo a chuva que se me colou
aos cabelos. Depois volto a lançar os dados
– e avanço até à primavera.

Nuno Júdice, O meu primeiro álbum de poesia, selecção de Alice Vieira, Dom Quixote, Lisboa, 2007

domingo, 11 de fevereiro de 2024

Traça- vídeo muito belo com a interpretação da talentosa bailarina Mikaella Dantas



Para este vídeo trabalhamos a partir do princípio de que no começo era o movimento, a vida embrulhada na Terra. Os corpos, tantos e tão variados, fundiram-se até se erguerem sobre os dois pés, oscilando e visando o equilíbrio, pois os corpos são campos de forças atravessados por mil vectores, tensões e fruições.

Notícias:
  1. Morreu Mickaella Dantas, bailarina de “uma força indomável” [Público,10.02.2024]
  2. “Sofri uma amputação aos 11 anos mas não desisti de ser bailarina” [SIC, 04.01.2023]

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Guerreiras Negras - Aqualtune


Aqualtane, Princesa Africana da região do Congo da família Kinlaza, foi  aprisionada após um conflito entre o Reino do Congo e  Portugal onde liderava um exército de 10 mil homens, traficada como escrava para o Brasil, foge para o quilombo e se torna uma das líderes. Mãe de Ganga Zumba e avó de Zumbi dos Palmares, grandes líderes quilombolas. Graças aos seus conhecimentos organizacionais e na arte da guerra, foi altamente relevante para a consolidação da República de Palmares.
Política, líder religiosa, social e comunitária, luta pelos direitos humanos.

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

segunda-feira, 24 de julho de 2023

Amor de mãe elefante - Elephant mother love


Há fotografias que nos marcam. Como é possível abater elefantes? O tráfico de marfim? Em circos?

Os elefantes africanos são os maiores mamíferos terrestres do mundo, com os machos, em média, atingindo até 3m de altura e pesando até 6 toneladas.

Após o declínio populacional ao longo de várias décadas devido à caça ilegal de marfim e perda de habitat, o elefante africano da floresta está agora listado como criticamente ameaçado. O elefante africano da savana também está listado como ameaçado de extinção na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN.

O número de elefantes africanos da floresta caiu mais de 86% num período de 31 anos, enquanto a população de elefantes africanos da savana diminuiu pelo menos 60% nos últimos 50 anos, de acordo com as avaliações. Ambas as espécies sofreram declínios acentuados desde 2008 devido a um aumento significativo da caça furtiva, que atingiu o pico em 2011, mas continua a ameaçar as populações. Atualmente, existem cerca de 415.000 elefantes africanos em estado selvagem.

Outras grandes ameaças para ambas as espécies de elefantes africanos incluem a conversão contínua dos seus habitats naturais para agricultura e outros usos da terra.

Estamos a fazer o tudo o que podemos para ajudar, desde a monitorização de rebanhos até o treino de guardas florestais comunitários e a proteção do habitat. Ao proteger os elefantes, também estamos a ajudar a apoiar as comunidades locais por meio de medidas para reduzir o conflito entre humanos e elefantes e iniciativas para apoiar os meios de subsistência locais. Precisamos da sua ajuda para protegê-los.

Poque é que os elefantes africanos são tão importantes
Os elefantes desempenham um papel essencial no seu ambiente. Eles são “arquitetos paisagistas” – por exemplo, enquanto se movem e se alimentam, eles criam clareiras em áreas arborizadas, o que permite que novas plantas cresçam e as florestas se regenerem naturalmente.

E depois há a dispersão de sementes. Quando os elefantes comem plantas e frutas com sementes, as sementes muitas vezes ressurgem sem serem digeridas. É assim que muitas plantas se espalham. E os elefantes podem comer sementes grandes que animais pequenos não podem.

Sem os elefantes, a estrutura natural e o funcionamento das suas paisagens seriam muito diferentes, o que teria impactos na restante vida selvagem e nas pessoas que partilham aquele espaço.

A população local depende dos recursos naturais encontrados nos habitats dos elefantes, por exemplo, para alimentação, combustível e rendimento. Como um dos “cinco grandes” da vida selvagem de África, os elefantes são populares entre os turistas, o que pode ser uma importante fonte de rendimento para as comunidades.

Ao ajudar a proteger os elefantes, também ajudamos a garantir que seu ambiente e seus recursos naturais estejam disponíveis para as próximas gerações.

sexta-feira, 7 de julho de 2023

Bailado é isto: Sylvie Guillem Performs "Two" Choreographed by Russell Maliphant


Poesia em movimento. Comunicação universal.  Respirações, concentração, fogo, terra, movimentos aquáticos, movimentos aéreos, indignação, recusa, aceitação, impedância, imprevisto, espanto, geometria, felino, águia, pulsar, densidade, sensualidade e estética. 

Excelentes 7 minutos! Sylvie Guillem interpreta "Two", coreografado por Russell Maliphant

Sylvie Guillem (biografia)
Sylvie Guillem  (instagram)

Russell Maliphant (biografia)

Sites /Youtube
Russell Maliphant Dance Company

quarta-feira, 14 de junho de 2023

Petição - Viver o recreio escolar sem ecrãs de smartphones

ASSINAR Petição

Para: Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República, Senhor Primeiro Ministro, Senhor Ministro da Educação, Direções das Escolas

Petição pública a favor da revisão do atual estatuto do aluno quanto ao uso de telemóveis smartphones nas escolas, a partir do 2º ciclo, em prol da socialização das crianças nos recreios. Para que socializem, conversem cara-a-cara e brinquem. Para que os casos de cyberbulling e contacto com conteúdos impróprios para a sua idade, diminuam.

Numa altura em que vários países e algumas escolas em Portugal, já avançaram com a tomada de decisão de proibir a utilização de telemóveis nas escolas, quer em espaços letivos, como em espaços não letivos, os cidadãos abaixo assinados, apelam ao debate, com a finalidade de se rever o atual estatuto do aluno, onde nos parece faltar sensibilidade e coerência sobre o tema.
Na transição do 4º ano do 1º ciclo, para o 5º ano, do 2º ciclo (9 /10 anos), as crianças ainda precisam de brincar, querem correr e jogar à bola no recreio. Ao brincar, junta-se a questão da integração. Esta é uma fase em que a maioria das crianças irá para uma escola nova, vai ter muitos professores e todo um mundo novo para descobrir.

É nesta fase de mudança que se reforçam e criam novos laços de amizade, tão importantes na criação de relações de confiança entre pares. Deve ser prioridade estimular e fomentar a interação verdadeira, cara-a-cara, para que as crianças possam demonstrar as suas emoções através de expressões faciais e não através de um ecrã.
Consideramos que permitir a utilização de telemóveis nos recreios está a alterar os padrões de socialização das crianças e a sua integração de forma saudável.

Que solução propomos:
Que as escolas estejam equipadas com caixas, cacifos ou armário próprio onde, à primeira hora, os telemóveis sejam guardados e que no final da última hora, os alunos os recolham. Desta forma, os alunos continuam a poder contactar ou ser contactados pelos pais quando chegam à escola e passam a poder fazer atividades de recreio, mas sem utilizar o telemóvel.

Algumas considerações sobre este tema, que constam no atual estatuto do aluno:
r) “Não utilizar quaisquer equipamentos tecnológicos, designadamente, telemóveis, equipamentos, programas ou aplicações informáticas, nos locais onde decorram aulas ou outras atividades formativas ou reuniões de órgãos ou estruturas da escola em que participe, exceto quando a utilização de qualquer dos meios acima referidos esteja diretamente relacionada com as atividades a desenvolver e seja expressamente autorizada pelo professor ou pelo responsável pela direção ou supervisão dos trabalhos ou atividades em curso”;
s) “Não captar sons ou imagens, designadamente, de atividades letivas e não letivas, sem autorização prévia dos professores, dos responsáveis pela direção da escola ou supervisão dos trabalhos ou atividades em curso, bem como, quando for o caso, de qualquer membro da comunidade escolar ou educativa cuja imagem possa, ainda que involuntariamente, ficar registada”;

t) “Não difundir, na escola ou fora dela, nomeadamente, via Internet ou através de outros meios de comunicação, sons ou imagens captados nos momentos letivos e não letivos, sem autorização do diretor da escola”;

Sobre a alínea r) consideramos que há uma falha ao excluir os locais onde não existem atividades não letivas, nomeadamente o recreio;
Por tudo o que já foi exposto, o recreio é o espaço onde as crianças devem socializar. Ao existir a possibilidade de utilização deste tipo de equipamentos no espaço não letivo, nomeadamente no recreio, a socialização saudável diminui drasticamente.

Sobre a alínea s) nesta alínea, já é abordado o local de atividades não letivas, onde achamos que se inclui o recreio, para se falar da captação de som e imagens. O texto diz: (…) não captar sons ou imagens de atividades não letivas
sem a autorização do professor (…). A pergunta que fazemos é: Mas quem vai pedir ao professor se pode fotografar ou filmar um colega no recreio?

Sobre a alínea t), seria mais fácil a total proibição de utilização do telemóvel no recreio. Até porque, considerando a falta de recursos humanos nas escolas, o mais provável é não haver possibilidade de monitorizar estes acontecimentos, pelo que consideramos esta alínea ineficaz.

Reflexões acerca da utilização do telemóvel no recinto escolar

Aos pais:
• Vamos potenciar o brincar ou o jogar online no recreio?
• Preferimos que falem presencialmente ou através de whatsapp, quando muitas vezes estão no mesmo espaço a conversar?
• O controlo parental serve para a nossa criança, na nossa casa, mas não para os telemóveis dos amigos, na escola, por isso, a verdade é que todos acabam por ver tudo, tendo acesso a conteúdos impróprios para a sua idade;
• Existem alternativas aos smartphones para podermos entrar em contacto com as crianças. Os telemóveis smartphones, no espaço escolar, dá-lhes um mundo enorme de possibilidades que acabam por ser viciantes e lhes retiram tempo para outras atividades de socialização.

Aos senhores governantes:
• Que debatam este tema em prol da saúde física e mental das crianças, para que os recreios sejam recreios e que as crianças não se isolem individualmente ou em pares à volta de um telemóvel;
• Que atualizem o estatuto do aluno, no que ao uso do telemóvel no recreio diz respeito;
• Que revejam se faz sentido que o estatuto permita aos professores pedirem telemóvel, sem ser feita uma distinção de ciclos escolares, para elaborar testes e pesquisas, quando há crianças que podem não ter este equipamento;
• Que disponibilizem equipamento mobiliário necessário para armazenar os telemóveis, caso as escolas assim o solicitem;
• Que sensibilizem as direções das escolas a usar os computadores portáteis que o Estado forneceu para os alunos efetuarem as suas pesquisas e não o telemóvel.

Às direções das escolas:
• Pensar em criar o seu próprio regulamento, quanto ao uso do telemóvel na sua escola, tal como fez a escola pública EB3 de Lourosa, no concelho de Santa Maria da Feira e tantas outras privadas;
• Pensar em ter um local próprio para a colocação dos telemóveis à primeira hora e onde os alunos possam recolher o telemóvel no final da última aula;
• Pensar em não incentivar o uso do telemóvel nas salas de aula (a pedido dos professores), quando há crianças que não têm, evidenciando uma diferença entre elas. Esta também é uma forma de exclusão;
• Pensar que os computadores fornecidos pelo Estado podem e devem ter utilidade na escola e não estar apenas em casa;
• Pensar se queremos crianças com vontade de terminar a brincadeira do recreio anterior, ou o nível do jogo online que deixaram a meio;
• Pensar que, mais dia menos dia, já ninguém sabe escrever em papel.

Opinião, Entrevista  e Livro

Escola de Santa Maria da Feira

sábado, 4 de fevereiro de 2023

Escultura - Mount Recyclemore


Rush, now 60, has dedicated his life to recycling, at whatever level. I Am a Mutoid, a new film by Letmiya Sztalryd airing on BBC Four on Sunday, profiles this genial outsider artist who most recently hit the headlines with Mount Recyclemore, a sculpture depicting the G7 leaders in recycled metal and electronic components, positioned to face them as they met in Cornwall this month. That work was created by Rush and collaborator Alex Wreckage (possibly not his real surname) to indict the mountains of defunct computers and outmoded mobile phones slowly choking the planet. Does he think Johnson, Biden and the others will take heed? “Probably not,” he says, “but this is a ground-up movement. Ordinary people around the world seemed touched and inspired by it. Maybe our leaders will eventually catch up.”

Rush’s career as a salvage artist began one midsummer’s morning in the early 1980s when he was in the bath. He decided to shave off his hair. Once shorn, he went out on to Portobello Road in London, but he felt self-conscious so he came back in and glued a rabbit pelt to his bald head, then went out again. Later, he gussied the rabbit fur into a kind of Mohican and became something of a local character, looking like a figure from 2000AD, the British weekly comic he’d loved as a kid that featured a dystopian Mega-City. “You learn a lot from looking funny. Some people get scared, some angry. Sometimes you have to fight. And sometimes you find people who don’t feel threatened.”

He became obsessed with wheels, keeping motorbike spare parts and drip trays for oil in his bedroom. His hands were rarely clean. In London in 1984, he and a bunch of ex-punks formed the MWC. They put on parades down Portobello Road looking like cyberpunk comic book heroes or extras from the Mad Max franchise. They drove mutated motorbikes and flat-bed trucks from which flames rose into the sky, to soundtracks of snarling guitar and dub reggae. These events were a cross between theatre, circus, installation art and – as often as not – really bad traffic jams. “I had no desire to be taken over by society,” says Rush, “or be part of the straight world. I didn’t want to have roots. I wanted to keep on the move.”

He was inspired by his late father, the artist and single parent Peter Rush who, in the late 1960s and 70s, decided the family should hit the road. Peter bought a caravan, painted it jauntily and set off from Romney Marsh in Kent. They got as far as Salisbury, where Peter was knocked over by a car and injured so badly that life on the road came to an end. The MWC was, in part, a reprise of that alternative lifestyle: a collective of artists, musicians and disaffected Britons who creatively reinvented themselves as a tribe of human mutants living on the road, in squats, and – in Rush’s case at one point – a decommissioned Korean war helicopter sitting in a junkyard.

If you don’t mutate, you’re dead. That’s why I'm drawn to being on the road. My life has been about reclaiming the nomadic spirit
They were treated as pariahs by the early 1980s club scene in London, refused admission for looking too weird or potentially troublesome. So they created their own culture, a party scene in squats and abandoned warehouses that predated and inspired late 1980s rave culture. “The Thatcher years were really hard on us,” says Rush. “We became part of the traveller community who experienced persecution.” The culmination of that persecution, Rush tells me, was the Battle of the Beanfield in 1985. The Mutoid Waste Company joined about 140 vehicles known as the Peace Convoy, which headed to Stonehenge for a free festival. But English Heritage took out a last-minute injunction banning the festival and police arrested 537 people from the convoy after a bloody battle.

“That was it for us,” says Rush. “We were effectively driven out of the country.” He and his friends went into exile on the continent for a decade, only occasionally popping back. “In Europe, there wasn’t anything like a party scene or illegal warehouse parties. So we started putting on shows. We were mostly welcomed, unlike at home.” Why didn’t you just settle down? “That wouldn’t have been the mutoid way,” he laughs. But what is the mutoid way? “We’re mutating all the time. If you don’t mutate, you’re dead. That’s why we’re drawn to travellers and being on the road.”

Rush thinks humanity took a wrong turn when we became farmers and set aside the nomadic, hunter-gatherer existence that had characterised our species until then. “My life has been about reclaiming that nomadic spirit. All the festivals we’ve taken part in over the years are really just an echo of what happened when nomadic tribes came into the valleys in summer and partied.”

But he is not the refusenik outsider he used to be. “The key moment came when one of my sons got sick from Agent Orange or DDT or whatever it was left in Berlin’s no man’s land. He needed more serious treatment than dangleberries and herbal tea.” In 1995, after 10 years wandering Europe, he and the MWC returned to Britain, where his son got proper hospital treatment and Rush made his peace with straight society for the sake of his family.

Before Mount Recyclemore, he was probably best known for his long association with Glastonbury. In 1987, the mutoids were allocated a field at the festival site. There, the recyclers built Carhenge and surrounded it with what Rush calls “an apocalyptic Disneyland on acid”. There were sculptures, installations and dinosaurs assembled from scrap metal. Drums were omnipresent and festivalgoers at various levels of consciousness joined the mutoids in beating oil barrels, car wrecks and metal statues.

In later years, Rush’s pyrotechnical spectacles, animatronic robots, sculptures, stage shows and mutant parade of strange vehicles driven by even stranger humans have become key to Glastonbury’s ethos. Rush was behind such annual spectacles as Unfairground, Trash City, Joe Strummer’s Memorial Tree (made from exhaust pipes) and a giant mechanical phoenix that hung over the Pyramid Stage as the Rolling Stones headlined in 2013. Most recently, he built Glastonbury on Sea, a replica of a seaside pier which seemed to imagine the kind of architecture Somerset will need if sea levels rise thanks to the climate crisis.

In 2012, he was invited to art direct and perform the closing ceremony of the Paralympic Games in London. The pariah had become a national treasure. “We’d been hounded out of Britain and now we were representing Britain. The whole thing blew our minds.” During the ceremony, Prince Edward arrived in a mashup of a 1930s gangster car and an Afghan armoured vehicle, and then the MWC drove into the stadium in salvaged, pimped-up rides and put on a show that was as visually compelling as Danny Boyle’s opening ceremony for the Olympics earlier that summer.

Lockdown has given Rush the chance to concentrate on creating other things. Fossil-like works mostly, made from spanners and bike chains, as well as a sculpture consisting of all his dogs from over the years, their heads and bodies crafted from repurposed drills, carburettors and other detritus. It’s a touching memorial: pets reborn as trans-canine mutants.

Some of his work was recently on show at Fulham town hall in London, part of a show called Art in the Age of Now. Does this mean Rush is finally joining the art world, and moving from the street and field to the gallery? “I’ve never wanted to be part of the art world,” he says, “because that would involve cosying up to people I don’t really understand or like.”

While he is a contemporary of such YBAs as Damien Hirst and Tracey Emin, unlike them Rush never went to art school or had his oeuvre collected by Charles Saatchi. That said, he has worked with Banksy and Hirst. The latter gave him tips on how to make bronze versions of sculptures originally created from recycled aluminium.

When lockdown ends, he is hoping to return to his European travels – and put on exhibitions in museums. “I don’t want to be in galleries,” he says. “I want to be in museums like the V&A, Tate Modern and the Musée d’Orsay in Paris.” What’s the distinction? “Private galleries own you and your art. I don’t want that. My principle has long been that if a child thinks a work of art is bollocks, it’s probably no good. Kids can see through nonsense. And I try to remain a child in that sense. Some people think you need to grow up. You don’t. You just need to learn how to keep playing. I’m lucky enough to be still doing that.”

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Documentário: Domínio - "Dominion" (2018), em Português


Dominion é um documentário australiano lançado em 2018 pelo ativista dos direitos dos animais Chris Delforce. 

O filme é centrado numa postura realista sobre práticas agrícolas de animais para educar as percepções do público sobre a agricultura animal, apresentando imagens gráficas reais filmadas secretamente usando câmaras escondidas e drones aéreos. O filme foca seis tópicos: animais de quinta, animais selvagens, animais de companhia, animais de entretenimento, animais de pele e experimentação animal. 
O filme, e o seu movimento Dominion relacionado, é administrado por uma organização de proteção e direitos dos animais, Farm Transparency Project, anteriormente conhecida como Aussie Farms. O filme foi filmado para ser uma sequência documental de longa-metragem de Lucent (2014), que se concentrou principalmente na indústria australiana de criação de porcos.

Sinopse 
Dominion descreve, em 18 capítulos, como diferentes espécies animais são usadas e mal utilizadas de maneiras diferentes. O filme é dividido em segmentos que abrangem diferentes espécies: porcos, galinhas poedeiras e frangos de carne, perus, patos, vacas, ovelhas, cabras, peixes, coelhos, visons, raposas, cães, cavalos, camelos, ratos, animais exóticos, focas e golfinhos , e uma conclusão dos narradores.


Site principal do Filme:

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Yoann Bourgeois – Celui qui tombe (Aquele que cai)

Em Celui qui Tombe, a instabilidade é constante e, para resistir à queda e desafiar as leis da gravidade, são necessários corpos fortes e ágeis. Um espetáculo em que se joga com a vertigem do vazio.


Deixar-se levar ou contrariar a força daquela plataforma imponente? Há uma luta de poder entre os seis bailarinos e o dispositivo de madeira, capaz de se inclinar, girar, balançar e elevar. 
“I planned each chartered course,/ Each careful step along the by way./ And more, much more than this,/ I did it my way”, ouve-se, no hino inconfundível de Frank Sinatra, vincando a vulnerabilidade poética do espetáculo. 
Em Celui qui Tombe (uma criação de 2014, de duração: 60 minutos), o acrobata, ator, malabarista, bailarino e coreógrafo francês Yoann Bourgeois quis levar mais longe as suas tentativas para alcançar um ponto de suspensão, onde se joga com a vertigem sobre o vazio. Os bailarinos, vestidos com roupas informais, procuram manter-se de pé na plataforma, numa situação cada vez mais adversa, criando uma metáfora da luta pela sobrevivência com imagens de uma extrema beleza e, simultaneamente, de uma singeleza comovedora. 
“Depois de ter passado pelo circo, pela dança e pela música, o meu trabalho teatral pode ser hoje considerado uma desconstrução de todos os seus elementos materiais (texto, luzes, ações, figurinos, som…) e a experimentação de novas relações entre esses elementos”, escreveu Yoann Bourgeois. 
É por isso difícil catalogar os seus espetáculos, cuja intensa pesquisa parece caminhar para um género teatral singular. 
Mantenhamo-nos atentos, a capacidade de Yoann Bourgeois surpreender o público parece infindável. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Poster - Parques Aquáticos Sem Golfinhos


O presidente de campanha do The Dolphin Project, Tim Burns, diz que os turistas não imaginam quantos animais são mortos para que eles “possam nadar com aquele golfinho que encontram em algum parque ou resort em suas viagens de férias”.

Atualmente há 3029 golfinhos mantidos em cativeiro e usados como atrações em 336 delfinários de 54 países. São animais confinados a espaços até 200 mil vezes menores do que a extensão do seu habitat, de acordo com a ONG World Animal Protection (WAP).
E se esses animais continuam sendo confinados para apreciação humana é porque há espectadores. No Brasil, por exemplo, a Latam e a CVC Viagens comercializam pacotes que incluem visitas a delfinários.

Ainda que animais em alguns desses parques tenham nascido em cativeiro, a prática continua sendo reprovada por motivos bem óbvios.

O que muita gente ignora é que golfinhos são animais marinhos que necessitam de liberdade e muito espaço para expressar sua inerência biológica, e uma vida em cativeiro, ainda que o animal tenha nascido em confinamento, não altera tal fato.

Um relatório publicado este ano pela organização World Animal Protection destaca que na natureza os golfinhos nadam de 50 a 225 quilómetros por dia, e mergulham centenas de metros de profundidade, o que é impossível em parques e aquários, e como consequência isso afecta a saúde dos animais – além de favorecer estresse extremo, comportamentos neuróticos e níveis anormais de agressividade.

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Asas do Desejo legendado - 1987


Contemplativo e barulhento mesmo em suas mais silenciosas reflexões, “Asas do Desejo”, de Wim Wenders, escancara a alegria e a dor de simplesmente ser.

Asas do Desejo (1987) não por acaso começa da mesma forma que Blade Runner (1982), de Ridley Scott: com um olho abrindo e uma tomada aérea do espaço urbano que delimitará e condicionará a narrativa a se desenrolar pelas próximas horas.

As temáticas deliberadas nas duas obras, a priori, são as mesmas: o que é o ser humano?

No realismo um tanto quanto fantástico de Asas do Desejo, os anjos e os humanos coabitam o planeta. Visíveis apenas para os seus iguais e para as crianças, dada a inocência destas, os anjos já caminhavam pela Terra bem antes da humanidade surgir e estão fadados a caminharem por muito mais tempo, mesmo após nos extinguirmos. Porém, ao conhecer a trapezista francesa Marion (Solveig Dommartin), o anjo Damiel (Bruno Ganz) se mostra insatisfeito com a sua sina e toma uma decisão: quer virar humano.

Este filme fala de uma grande ferida da Alemanha, do povo alemão: o Holocausto. É difícil conceber que este país (com tamanha tradição na filosofia) tenha sido palco de um dos episódios mais tristes, cruéis e estúpidos da História. Pois os personagens desta obra são os herdeiros da Shoah.

No filme de Wenders, uma longa sequência dá a conhecer a biblioteca estatal de Berlim (Staatsbibliothek), um projecto de Scharoun que dialoga com a Philarmonie, do outro lado do passeio.  Talvez mostrando a metáfora do tempo babélico que vivemos, de palavras cujo significado mais íntimo se esqueceu ou não se chega a compreender. E, ao mesmo tempo, da potencialidade absoluta contida nas palavras, da memória como núcleo da identidade, repartida por mil pessoas e mil livros.

Personagens tristes, melancólicas, que parecem ter perdido o “dom” da narrativa. Estes seres não falam de seus sofrimentos com ninguém... se sabemos deles, é por meios dos anjos que ouvem suas almas. Curioso é quando um dos anjos começa a acompanhar um historiador muito velho com a sua grande angústia: “quando eu morrer, quem continuará contando histórias para estas crianças?”. Uma das cenas mais tocantes do filme é, justamente quando ele vagueia por um imenso descampado, onde não existe nada, senão a sua memória do que ali se passava. Ele procura: «Não consigo encontrar a Potsdamer Platz, isto não pode ser Postdamer Platz». “Isto” é a terra devastada que percorre, ao mesmo tempo que lembra que ali, no centro fervilhante da Potsdamer Platz, ficava o Café Josty, onde à tarde se conversava e observava o público, e se fumava o tabaco comprado numa tabacaria de renome. «Não desisto enquanto não encontrar Potsdamer Platz». Noutro momento, o historiador/contador de estórias irá comentar que cada alemão erigiu um muro ao redor de si. Sim, seguramente está falando da morte da narrativa, um tema tão recorrente na obra de Walter Benjamin. Por outro lado, o povo alemão continua sofrendo... no silêncio e na solidão.

Da mesma forma, o texto de Paul Preciado incluído no Sopa de Wuhan, fala de um ensimesmamento potencializado pela pandemia do coronavírus. As fronteiras fechadas dos Estados Nacionais, agora é nossa própria pele; o que Preciado chama de corpo-território. Com a intensificação das redes sociais, todo privado foi engolido por um público-privatizado. Pois é! Não existe mais solidão, mas os sofrimentos (que continuam muitos) ainda não são narrados!!! Quantas vezes pode ser lido no facebook alguém falando de seu sofrimento?! O Outro, além de um concorrente em potencial, virou risco de morte! Um abraço se tornou escândalo nacional, e com razão! Tudo isso serão cicatrizes em nossas almas. Porém Preciado não leva em consideração o sofrimento que Wenders aponta a todo momento em seu filme. Voltando a ele, Wenders fala da crise da narrativa oral, mas aposta na narrativa visual. Para os anjos, tempo e espaço é apenas um detalhe, portanto cenas horríveis do holocausto são mostradas, contrastadas com cenas do momento de então e com um filme que está sendo rodado (metalinguagem). A banda sonora conta com Nick Cave & The Bad Seeds, Crime & The City Solution. A Fotografia é belíssima, principalmente quando o filme está em preto-e-branco. O roteiro é extremamente poético.... logorréico, mas poético. Vale a pena conferir. É nós!

Quando Wim Wenders filmou «As Asas do Desejo», o mundo terminava no Muro. Em 1987, dois anos antes do desmoronamento de um tempo, o realizador não podia prever a reunificação das duas Alemanhas e, sobretudo, que a topografia que o filme registava estava na iminência de desaparecer. 

Saber mais:
Wings of Desire soundtrack
The Angels Among Us (2003)

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Top Mais do BioTerra


Adrian Borland - Long Dark Train 
Apoptygma Berzerk - Major Tom
Pachelbel - Canon in D Major (London Symphony Orchestra)
Pachelbel - Canon in D Major (Voices od Music)
Siouxsie And The Banshees- Swimming HorsesSisters of Mercy- Driven Like the Snow 
Soosh - Take my Hand
Tempers - Strange Harvest

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Musica do BioTerra: Rádio Macau - Cidade Fantasma


Rádio Macau é a banda que mais se aproxima do nível das grandes estrelas internacionais do post-punk. Para mim a melhor banda portuguesa de sempre e a que mais gosto.

Sê bem vindo à cidade rapaz
Sei que a vais gostar de conhecer
Passear nas ruas onde jaz
A memória do que está p'ra ser

É um outro mundo
Aonde o tempo parou
E o vento é rei
E dita a sua lei

Suspendendo no ar
Como um arlequim
Que não pode parar
O princípio e o fim

No vazio das ruas nos portais
Nos vidros quebrados das janelas
Bailam sombras mudas musicais
Em intermináveis tarantelas

É um outro mundo
Aonde o tempo parou
E o vento é rei
Dança tu também

Soerguido no ar
Como um arlequim
Que não pode parar
Olha bem para mim

Suspendendo no ar
Como um arlequim
Que não pode parar
O princípio e o fim

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Documentário - Domínio



Os produtores do documentário “Domínio” (Dominion) disponibilizaram gratuitamente a longa-metragem no YouTube.
Com imagens secretas feitas em drones e de alta definição, é possível conhecer os bastidores da exploração animal na indústria da pecuária, vivissecção, peles e entretenimento.
“Domínio” ficou conhecido como a nova versão de “Terráqueos“, um documentário de 2005 desenvolvido com o mesmo propósito.
Assista o documentário completo abaixo. Active as legendas em português no player.