Mostrar mensagens com a etiqueta Muro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Muro. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 12 de junho de 2025

Façam todos o teste de ADN e verifiquem as suas origens. Somos todos primos!


Há vários testes, eu fiz do My Heritage.

Estávamos no ano 2016
O inglês, que é "provavelmente do melhor país no mundo", tem a certeza que é integralmente inglês e foge a sete pés dos alemães. O islandês, que diz ser 100% islandês, sente-se mais importante do que muita gente e a francesa está certa que tem pais franceses, avós franceses, ascendentes unicamente franceses. Mas basta um teste de ADN para derrubar todas as convicções e abalar tudo aquilo em que se acredita: talvez o inglês não seja tão britânico assim, talvez o cubano tenha qualquer coisa do outro lado do mundo. No final de contas, somos todos primos, estamos todos ligados, temos muito mais em comum com outras nacionalidades do que aquilo que se possa pensar — eis a mensagem que a última campanha do motor de busca de viagens Momondo tenta passar. "Não haveria lugar para certas coisas, como extremismo no mundo, se as pessoas conhecessem os seus antepassados desta forma. Quem seria tão estúpido ao ponto de pensar que existem cosias como uma raça pura?", diz, a dada altura, a tal francesa neste vídeo que já é viral. O portal dinamarquês juntou-se à empresa AncestryDNA e testou o ADN de 67 pessoas que aceitaram descobrir o seu passado. O vídeo "The DNA Journey", que ao fim de um mês tem mais de seis milhões de visualizações no YouTube e 29 milhões no Facebook, mostra as primeiras suposições e, depois, as emotivas reacções aos resultados. No entanto, está longe de ser consensual: houve quem criticasse o método científico e a veracidade das reacções, já que algumas das pessoas escolhidas são actores; a empresa, no entanto, emitiu um comunidado em que explica o processo e garante que tudo é real. Esta acção surgiu de um estudo que a Momondo realizou junto de mais de sete mil pessoas de 18 países (entre as quais, cerca de 400 portugueses) e que concluiu que viajar abre mentalidades, diminui a intolerância e aumenta a confiança no outro. Nele, entre outras coisas, mais de 40% pessoas responderam que há hoje mais preconceito do que há cinco anos. Daí surge a campanha "Let's Open Our World" [Vamos abrir o nosso mundo] que promoveu um passatempo para "celebrar a colorida diversidade do mundo", em que qualquer um pode ganhar "uma viagem pelo seu ADN". Até 16 de Agosto, os interessados teriam de convencer a empresa, num texto de 250 caracteres em inglês, como irão ajudar "a abrir o mundo" ao viajarem. As melhores respostas ganharam um kit de ADN. Depois, ao receberem os resultados, foram convidados a filmar a reacção — esse vídeo podia valer viagens para qualquer país que se encontrasse no mapa genético ou para aquele que preferirem. Puderam concorrer residentes de 17 países, entre os quais Portugal.

Em Fevereiro de 2017 Manuel Maqueo Martínez, mexicano de 27 anos, visitou Portugal pela primeira vez. Não veio à toa, veio com uma missão: descobrir as suas raízes portuguesas. Assim, passeou por Lisboa, pelo Porto mas o seu destino principal era Pereira, freguesia de Barcelos – o seu bisavô era português, o sobrenome da mãe Pereira.

No início de 2019, o vídeo tornou-se viral nos Estados Unidos. Enquanto o presidente norte-americano não desistia de erguer um muro na fronteira com o México, a Aero Mexico, companhia aérea mexicana, decidiu lançar uma campanha chamada “DNA Discounts”, em que oferecia descontos em voos para americanos. Os interessados só tinham de fazer um simples teste de saliva. Se tivessem acedência mexicana —e as probabilidades eram muitas — tinham descontos diretos numa viagem para aquele país. 

Foi a forma de a companhia mexicana mostrar a Trump e ao mundo que a ascendência mexicana é generalizada no território americano. Tão generalizada que até há escalões de descontos: uma pessoa com 15% de herança mexicana tem 15% de desconto, 50% dá direito a metade da viagem paga e por aí fora.

Esta é apenas mais uma história daquela que foi, disseram os especialistas, uma das grandes tendências de viagens nos últimos anos. Esteve, aliás, no top das 10 tendências de 2019, segundo a “Lonely Planet”. 

Saber mais: 

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Música do BioTerra: Klangstabil - Cinecitta


Abbiamo la più bella lingua del mondo
ma la parliamo con amarezza e senza forza
e questo fa male
dando vita all'arte come nessun altro popolo
ci accontentiamo di copie sbiadite
ma quanto fa male

Abbiamo inventato l'università
e ci facciamo prendere per scemi
ma guarda che stupidi
Abbiamo creato un paese come nessun altro
e poi ci facciamo rubare la nostra abilità
e questo fa pena

La luce illumina
la facciata rimasta
tenuta da piloni
colonne di cartapesta
dipingete il cielo se fosse realtà
viverci nonn vuole nessuno
in questa, cinecittà

Ridotti a figuranti in una scadente tragicommedia
recitiamo e paghiamo
ma non ti interessa?
Ci lasciamo gestire da un regista da show spazzatura
che ci adopera e ci sfotte, mentre il mondo ci deride
ma non lo vuoi sapere?

Più nessuno ha la spinta di cambiare qualcosa
nessuno combatte, si andrà avanti come sempre
dipende da te

Le quinte marcie non reggeranno più a lungo
i topi di fogna abbandonano la nave che affonda
portandosi via tutto ciò che ha valore
ma vuoi solo stare a guardare, come scompare la tua identità?

quanto dolciume puoi sopportare prima di vomitare?
la frutta colorata e marcia
la dolce vita esiste solo per chi paga

la natura annientata e calpestata e chi se ne frega?
gli appalusi coprono le urla di soccorso
ma sul serio vuoi vivere veramente in mezzo a questa menzogna?

distruggi questo palcoscenico e ricostruisci questo paese
non permettiamo di farci separare
da gelosie ed ingiustizie impiantate nelle nostre teste

La luce illumina
la facciata rimasta
tenuta da piloni
colonne di cartapesta

Italia, culla degli artefici
siamo noi che possiamo creare tutto dal niente
perché non iniziamo a farlo
cacciando via quelli
che dal tutto, hanno creato il nulla

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Música do BioTerra: Billy Bragg - King Tide and the Sunny Day Flood

Há 5 anos atrás. 5 years before.
Good music and truth telling ...


Wouldn't it be wonderful
If we could save the world and all
Simply by collecting up
Tin cans and empty bottles
We all want to believe it's true
But it don't matter what you do
So long as we continue to
Burn our way through fossils

Now it should come as no surprise
To learn about the ocean's rise
The polar caps are melting
With every year that the planet warms
Now people have to understand
We're going to feel it far inland
It's going to shift the seasons
And super-charge the storms

King Tide is a-comin'
King Tide is a-comin'
King Tide is a-comin'
Bringing floodin' on a sunny day
King Tide is a-comin'
Can't you hear the melt waters runnin'?
King Tide is a-comin'
Gonna sweep everything away

And you know
The oceans they connect us all
No one can just build a wall
We have to work together
We can't do this on our own
To think that you can stand aside
Is nothing more than foolish pride
'Cause everyone's a libertarian
'Til the brown water floods their home

Now you may live on higher ground
Feeling like you're safe and sound
Thinking as you look around
This is your lucky day
But everyone beneath the sky
Soon be looking for somewhere high and dry
Nothing you can ever do
Will keep them all at bay, because

The King Tide is a-comin'
King Tide is a-comin'
The King Tide is a-comin'
Bringing floodin' on a sunny day
King Tide is a-comin'
Can't you hear the melt waters runnin'?
The King Tide is a-comin'
Gonna sweep everything away
The King Tide is a-comin'
We have to act today

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Como suicidar a esquerda

Se a esquerda já não existe em Itália, é basicamente porque decidiu não existir mais.


No início dos anos 90, o sistema político italiano implodiu. A investigações dos juízes das «mãos limpas» deitaram abaixo a Democracia Cristã, de centro-direita, - dirigida por Giulio Andreotti, acusado de ligações à máfia - que tinha sido o pilar de todos os governos desde 1948, e o seu aliado Partido Socialista, igualmente corrupto, de Betinno Craxi.

Aquilo que começou como uma operação judicial acabou por mostrar uma crise muito mais profunda, tendo rompido com o modelo de governação do país que se baseava no domínio da Democracia Cristã (DC) e na expressão organizada do descontentamento feita pelo Partido Comunista Italiano (PCI).

Ao mesmo tempo, o PCI, o maior partido comunista europeu em termos de número de militantes e votos, abandonou a designação de comunista, após a queda do Muro de Berlim, em 1989.

O anticomunismo permeou toda a vida política, e o PCI só em parte beneficiou do clima de revolta. Nas eleições de 1976 para a Câmara de Deputados, o PCI obteve 12 614 650 votos, ou seja, 34,37% dos votos - o seu recorde; chegou a ter cerca de 1 850 000 militantes.

Este poder é claramente temido pelos apoiantes da ordem. Desde o início do confronto Leste-Oeste em 1947, salienta o historiador Eric Hobsbawm, «era evidente que os Estados Unidos da América não permitiriam em circunstância alguma que os comunistas chegassem ao poder em Itália. Segunda maior força eleitoral do país, a organização permaneceu às portas do governo num sistema dominado pela Democracia Cristã, que controlava todas as ramificações do Estado através da imposição de lógicas clientelistas, mesmo mafiosas.», citado num artigo de Antoine Schwartz, no Le Monde Diplomatique.

A adopção das teses do «compromisso histórico», de colaboração entre PCI e DC, e a sua manutenção, mesmo depois do assassinato de Aldo Moro pelas Brigadas Vermelhas, com a justificação do combate ao terrorismo e à crise económica, arrastaram a primeira grande queda eleitoral do PCI, que levaram Enrico Berlinguer a tentar inflectir a linha política, para um partido mais movimentista e reivindicativo. Essa tentativa de mudar para uma linha mais à esquerda, teve a oposição crescente de muitos dirigentes do partido. A morte de Berlinguer durante a campanha das europeias de 1984, vai deixar esse movimento de rectificação a meio.

«O grupo de liderança, incluindo o nível local, era muito céptico. Não compreendeu esta mudança política, esta nova radicalidade, e tinha nostalgia não pela política de compromisso histórico que nunca tinha sido aplicada, mas pela política de solidariedade nacional que significava governar com a DC. Quando Berlinguer mudou, avançou muito mais para a esquerda numa abordagem movimentista (de volta às fábricas, movimento feminista, pacifista, etc.) alguns dos líderes já não compreendiam (ou eram contra). E assim, na década de 1980, a corrente reformista fez uma guerra aberta contra o Berlinguer. E Berlinguer defendeu-se nas reuniões da direcção dizendo: "Muito bem, se não concordarem comigo, demito-me e teremos um congresso com moções contraditórias". Os reformistas recusaram, porque conheciam o carisma de Berlinguer e o apoio popular que ele desfrutava no seio do partido. Mas até à sua morte, Berlinguer teve de enfrentar a oposição de uma parte da liderança. No momento da sua morte, o jornalista e líder do Manifesto, Valentino Parlato, falou da morte do "toque de corneteiro que antecipou a carga...". Este é obviamente um episódio fundamental na história do fim da esquerda italiana.», afirma o historiador Guido Liguori, autor de um dos principais livros sobre a liquidação do PCI.

No final da década de 1980, os funcionários do aparelho do partido sentiram que este estava em declínio, o colapso do bloco comunista e a desilusão que este gerou reforçaram esta situação. A queda registada nas eleições legislativas de 1987 foi um choque: o PCI obteve, no entanto, 26,5% dos votos. Um homem deveria liderar e encarnar esta vontade de renovação: Achille Occhetto, nomeado novo secretário em 1988. Homem do aparelho - anteriormente conotado com a ala esquerda do PCI, liderada por Pietro Ingrao - tornou-se o mestre de construção de uma estratégia de transformação liderada por reformadores ansiosos por parecerem modernos e chegarem às cadeiras do poder.

«As ideias de Occhetto abraçaram inegavelmente o novo zeitgeist [espírito da época] liberal. "Somos os filhos de 89", dizia o líder no bicentenário da Revolução Francesa - afastando-se da descendência feia dos revolucionários [jacobinos] de 1793. Em vez de uma visão centrada no conflito social, Occhetto favorece uma retórica que exalta o progresso democrático - aquilo que é alcançado em pequenos passos e não perturba os círculos de poder. Uma vez que é necessário abandonar os ancoradouros, aqui está ele a atirar borda fora este marxismo antigo e obsoleto. O reformismo político está em foco e Occhetto quer que a sua organização se junte à Internacional Socialista. O futuro tem o cheiro azul dos "Estados Unidos da Europa", do "caminho europeu para o socialismo" traçado pelo Jacques Delors. Ser "moderno" significa também repensar o papel do Estado: "O país precisa de um Estado que gere menos", diz o líder, "e que, por outro lado, é mais capaz de fornecer projectos e definir regras para uma pluralidade de assuntos, tanto públicos como privados"», assinala Antoine Schwartz.

O abandono dessa identidade acelerou um processo de adopção gradual da «Terceira Via», teorizada pelo sociólogo Anthony Giddens , que foi traduzida politicamente por Tony Blair, no Reino Unido, e Bill Clinton, nos Estados Unidos.

A deriva do PCI, em PDS, DS, e finalmente em Partido Democrático colocou o partido bastante mais à direita, mesmo da social-democracia, adoptando as teses sociais-liberais.

No Partido Democrata, a linha apoiante da «Terceira Via» é largamente maioritária: as reivindicações dos trabalhadores são vistas como um obstáculo no caminho para a modernização da economia. A convergência com a fracção neoliberal da direita teve lugar com a chegada ao poder de Matteio Renzi, que saiu posteriormente do PD, para fazer um partido ainda mais à direita, o Partido Itália Viva.

Pouco se sabe sobre o passado político de Matteo Renzi para além de que ele era batedor e «nunca leu Gramsci». Muito simplesmente, Renzi é o filho de elementos da elite democrata-cristã. O Partido Democrático tem antigos membros do PCI e da DC a viverem juntos no seu seio. No entanto, em termos de conteúdo, está longe do «compromisso histórico», advogado por Berlinguer, A linha política do PD, ao estilo de Renzi, consistia em copiar as suas medidas sobre as especificações definidas pelas instituições europeias.

A queda de um gigante

Na obra prima do neorrealismo, O Ladrão de Bicicletas (1948) de Vittorio de Sica, o herói do filme vai à polícia numa tentativa de recuperar a sua ferramenta de trabalho, a sua bicicleta roubada, e mandam-no embora sem piedade e sem esperança. O que faz então Allio Ricci, o desesperado proletário? Vai à sede local do Partido Comunista Italiano (PCI) no subúrbio da classe trabalhadora de Roma, Val Maleina, para tentar encontrar ajuda e conforto.

O PCI era um partido de massas, com mais de 1,85 milhões de militantes no final dos anos 70, com uma forte influência em movimentos de massas, como a principal confederação sindical do país, a CGIL, e na confederação de associações ARCI, com mais de três milhões de inscritos. Um partido com enorme presença na sociedade, na história, nos trabalhadores e intelectuais que se eclipsou em pouco tempo.

Logo depois do abandono da designação de comunista, mais de um terço dos militantes saiu quase imediatamente: paulatinamente, o partido de massas que tinha uma forte hegemonia, em grande parte da sociedade, esvai-se e é substituído pelo partido institucional e da comunicação como única forma de chegar às populações. As formações que dele derivaram, e que foram, cada vez mais, para a direita e deixaram de representar os sectores sociais populares e não têm a forte influência que este teve nos meios intelectuais.

De facto, para além de um partido ou de um símbolo, esta renúncia enfraqueceu todo um movimento político, sindical e intelectual, todo um ecossistema militante que em tempos foi capaz de desenvolver as suas próprias concepções do mundo, difundindo o seu gosto pela cultura na sociedade, e defendendo a sua aspiração a um mundo melhor.

Nas eleições que se seguiram ao abandono da identidade comunista, o PDS (Partido Democrático de Esquerda) obtém apenas 20% dos votos e a Refundação Comunista, constituída por parte daqueles que não aceitaram a dissolução, 6%. Mas rapidamente, por via administrativa, esse problema também é resolvido.

«Há outro elemento importante envolvido na crise da esquerda em Itália. Sob a predominância da hegemonia liberal-democrática, o sistema eleitoral foi alterado. Nos anos 90, o sistema proporcional foi abandonado em favor do sistema maioritário, o que forçou as coligações. Assim, a Refundação Comunista teve de fazer parte de coligações de centro-esquerda onde o centro ou a esquerda moderada era predominante. O primeiro governo Prodi morreu porque Prodi não respeitou os acordos com a Refundação que apoiavam o governo a partir do exterior. Dez anos mais tarde, houve outra tentativa com o segundo governo Prodi e esta também durou apenas dois anos, pelas mesmas razões. Não foi implementado um único ponto do programa de esquerda. Isto causou uma forte crise no eleitorado e a Refundação deixou o governo. Em 2008, o sistema eleitoral também foi decisivo. Todos os partidos da esquerda da PD tinham elaborado uma lista chamada "Arcobaleno" (Arco-íris), que supostamente iria obter muito mais votos do que o limiar eleitoral para ser eleito. Mas Veltroni e o PD jogaram a útil carta de voto. "Só o voto útil pode impedir Berlusconi de regressar ao poder". Foi assim que falhou a tentativa de construir um pólo político à esquerda da DP: por causa do espectro de Berlusconi e do voto útil. Enquanto alguns meses antes, Refundação ainda tinha um grupo parlamentar substancial e Fausto Bertinotti, o seu líder, se tinha tornado presidente da Câmara, a esquerda foi completamente destruída nestas eleições. Mas penso que na raiz de tudo está a nova hegemonia liberal, mesmo dentro da própria esquerda.», explica o historiador Guido Liguori.

Alguns dos quadros vindos do PCI, agora nessas formações que lhe renegaram o nome, chegaram a cargos como primeiro-ministro e Presidente da República, mas a política que executaram foi a dos partidos de direita que substituíram no poder.

Em vez de mudarem a vida das pessoas, mudaram de vida

Com o fim do PCI, a capacidade de resistência da esquerda italiana desmoronou-se literalmente, deixando-a desamparada face ao surgimento de uma nova direita ofensiva liderada pelo Berlusconi, que fundou a Força Italia em 1994. É notável", observou o filósofo político Ralph Miliband, «que os especialistas que procuram explicar a adesão de grandes sectores da classe trabalhadora à ideologia conservadora não tenham procurado enfatizar a contribuição dos líderes social-democratas para a desmobilização política produzida tanto pelas suas palavras como pelos seus acto.».

A «terceira via» dá prioridade à igualdade de oportunidades sobre a igualdade de condições de vida e baseia-se numa crença cega nos benefícios do mercado livre; o desejo de renovar a esquerda nesta linha tem o principal efeito de afastar o bloco das classes trabalhadoras.

Este processo de abandono do terreno popular por parte da esquerda não se dá só em Itália, mas dado a força que chegou a ter o PCI, torna-se bastante mais notória aí.

No seu livro A Tirania do Mérito, o filósofo estado-unidense Michael Sandel, fala desse fenómeno, a tomada da representação por parte de elites económicas e com formação superior. «No Reino Unido, em 1979, 37% dos parlamentares trabalhistas eram originários da classe operária; em 2015, já só sete por cento tinham essas raízes», actualmente são menos de 4%. «Em França, mais de 70% da população não tem diploma universitário, mas muitos poucos desses cidadãos conseguem aceder a um lugar parlamentar», nota o filósofo.

«Converter o Congresso e os parlamentos num quase exclusivo das classes «credenciadas» não serviu para que os governos desses países fossem mais eficazes, só tornou os parlamentos menos representativos. Também afastou a população trabalhadora dos partidos tradicionais de esquerda», observa Sandel.

Para o filósofo, o acesso à educação não é independente da classe social, e mesmo se fosse, ela por si não resolveria o problema da desigualdade, mais do que a educação, o que está em causa é o acesso ao poder.

Nesse sentido, o historiador norte-americano Thomas Frank defendeu que os democratas ficaram distraídos de tanto falar em educação e mérito, que renunciaram a fazer uma reflexão clara sobre as políticas que agravaram as desigualdades. Como o facto de a produtividade dos trabalho ter crescido a partir dos anos 80 e os salários terem ficado estagnados. Para o historiador, a desigualdade não se explicava sobretudo pela falta de educação, mas pela perda de poder negocial na sociedade: «O verdadeiro problema não está na inadequada inteligência dos trabalhadores, mas na inadequação do seu poder.», conclui.

Para o economista Thomas Piketty, em artigo publicado no Le Monde, a grande novidade no presente é que a visibilidade da questão social «perdeu intensidade, em parte, porque quando a esquerda esteve no poder perdeu a sua ambição transformadora e aliou-se muitas vezes ao liberalismo triunfante depois da queda do comunismo.»

A perda de estruturas políticas com ambição e que organizem os sectores sociais da classe operária e populares somam-se as profundas alterações sociais que resultam dos processos de globalização conjugados com a integração europeia.

«A Classe operária italiana beneficiou da fraqueza da burguesia. Depois, com a globalização, foi dissolvida. O crescimento parou definitivamente em 1992. E desde então, as gerações perdidas têm sido condenadas, inclusive na universidade, a lutar por empregos precários a 1.200 euros por mês. Isto provoca atitudes puramente defensivas que nada têm a ver com os “amanhãs que cantam”. Estamos a experimentar um declínio real. 40% dos jovens estão desempregados; no ano de 2018 , pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, a esperança de vida caiu no nosso país.», faz notar o sociólogo Marco D'Eramo.

Uma maioria social heterogénea

A desaparição da esquerda, desmobilizou as classes populares e abriu portas para o crescimento do populismo em sectores das pequena e média burguesia e até do operariado em crise que tinham votado comunista.

A política tem o horror ao vazio, e o conflito social reconfigurou-se com aparências enganadoras. Onde havia luta de classes e esquerda e direita, passou a haver outro tipo de conflitos. A consciência de classe foi substituída pela raiva individual e a luta contra o poder dos mais ricos foi transformada em medo do outro e em xenofobia.

«As eleições legislativas italianas de Marços de 2018 - foram vencidas pelo Movimento Cinco Estrelas e pela Liga - marcaram tanto o fracasso eleitoral do bloco burguês como a consolidação da sua hegemonia, que se reflecte na capacidade de dirigir a estratégia dos seus opositores. Tendo em conta o prazo eleitoral, a Liga tinha dado a si própria a imagem (falsa) de um partido anti-euro e nacionalista, enquanto o Movimento Cinco Estrelas dizia opor-se à "casta" de eleitos e "elites" privilegiadas: ambos os movimentos afirmavam estar situados no espaço político para além da direita e da esquerda, tal como definido pelo bloco burguês.», explica Stefano Palombarini no Le Monde Diplomatique.

«Num dos pólos que estruturam este espaço é uma aliança relativamente homogénea que se considera aberta, europeísta, progressista, e que tende a ocultar o papel central da reforma neoliberal no projecto que carrega. Mas esta aliança, o bloco burguês, é uma minoria social.

O bloco burguês não é apenas uma estratégia para a formação de uma aliança social específica, na qual as classes média e alta, anteriormente divididas pela divisão direita-esquerda, se unem para apoiar as reformas neoliberais: é também um projecto cultural e ideológico que visa a completa reestruturação do espaço político. Um projecto que pode ser visto em acção em muitos estados, e que tem sido completamente bem sucedido em Itália.

Neste país, o posicionamento dos actores políticos e as expectativas do eleitorado já não estão organizados em torno da polarização esquerda-direita, mas num espaço definido pelas oposições entre europeístas e nacionalistas, cosmopolitas e identitários, federalistas e soberanistas.

Uma campanha mediática tem assumido constantemente a tarefa de separar os programas políticos "responsáveis" (isto é, de acordo com a transição neoliberal) das posições "populistas" (um rótulo reservado a todos aqueles que se lhes opõem).

No pólo oposto, existe uma maioria social heterogénea que se agrega de forma variável em torno da rejeição da casta, da hostilidade ao euro ou de um impulso nacionalista tingido de xenofobia. O primeiro governo de Giuseppe Conte, baseado na aliança entre os dois vencedores de 2018, mostrou a dificuldade de identificar uma estratégia de mediação capaz de transformar esta maioria social num bloco compacto.

Mas o destino pouco mais glorioso do segundo governo Conte (Movimento Cinco Estrelas - Partido Democrático) mostra que, na presença de relações de poder hegemónicas que levam à negação da relevância da divisão direita-esquerda, as hipóteses de reconstruir a esquerda, mesmo numa versão rosa muito pálida, são próximas de zero.

No espaço estruturado pela ideologia do bloco burguês, a única estratégia política coerente é, portanto, a do bloco burguês. Isto explica a surpreendente conclusão do drama italiano com a unidade nacional em torno de um projecto liberal e europeísta que é socialmente minoritário. Esta conclusão é, no entanto, provisória. Outros actos se seguirão, e as classes sacrificadas por reformas estruturais passadas e futuras serão os protagonistas. Em que papel e de que forma? É demasiado cedo para dizer, tal como é demasiado cedo para saber se estas classes irão procurar um novo caminho democrático após a desilusão gerada por um resultado eleitoral que experimentaram, em 2018, como uma grande vitória, e que acabou por produzir o Draghi.

O que vai acontecer a seguir dependerá em grande parte da capacidade dos actores que se opõem às reformas neoliberais para trazer de volta ao cerne do conflito político as suas consequências concretas em termos das lutas sociais contra a diminuição dos salários, da explosão das desigualdades, da redução da protecção social e da degradação dos serviços públicos. Esta é a forma de desafiar a hegemonia do bloco burguês, e de o derrotar».

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Muro fronteiriço da Polónia vai atravessar a última floresta primitiva da Europa


As obras na fronteira polaco-bielorrussa já começaram, um muro com cerca de 186 km de comprimento. Os cientistas dizem que se trata de um “desastre” ambiental.

Fonte: Natuire, 4/02/2022
                               
A zona fronteiriça entre a Polónia e a Bielorrússia é uma terra de florestas, colinas e vales com rios e pântanos. Mas esta paisagem outrora tranquila tornou-se numa zona militarizada. O governo polaco, influenciado pelas preocupações com o fluxo de migrantes vindos principalmente do Médio Oriente e da Bielorrússia, iniciou a construção de um enorme muro na sua fronteira oriental.

As organizações dos direitos humanos e os grupos de conservação criticam esta medida. O muro vai ter cerca de 5,5 metros de altura e estender-se por 186 quilómetros ao longo da fronteira leste da Polónia, de acordo com a Guarda Fronteiriça Polaca, apesar das leis em vigor que o projeto aparentemente parece violar. A construção da fronteira vai exigir a aragem de ecossistemas frágeis, incluindo na floresta de Białowieża, a última floresta primitiva de planície do continente europeu.

Se ficar concluído nos próximos meses, conforme planeado, o muro vai bloquear as rotas de migração de muitas espécies animais, incluindo lobos, linces, veados, populações de ursos-pardos em recuperação e a maior população remanescente de bisontes-europeus, diz Katarzyna Nowak, investigadora da Estação Geobotânica de Białowieża, que faz parte da Universidade de Varsóvia. Os impactos deste muro podem ser muito abrangentes, uma vez que a fronteira polaco-bielorussa fica num dos corredores mais importantes para o movimento de vida selvagem entre a Europa Oriental e a Eurásia, e as espécies animais dependem de populações variadas para se manterem geneticamente saudáveis.

Os muros fronteiriços estão a aumentar pelo mundo inteiro, e o muro EUA-México é obviamente um dos mais conhecidos. Mas há uma ironia trágica nestes muros, porque apesar de impedirem efetivamente o movimento dos animais selvagens, não travam por completo a migração humana; geralmente só atrasam ou redirecionam as rotas de migrantes. E também não abordam o cerne da questão. Os migrantes encontram muitas vezes formas de ultrapassar os muros, passando por cima, por baixo ou através dos mesmos.

Porém, o espectro de migrantes a cruzar fronteiras tem feito repetidamente com que os governos ignorem as leis que se destinam a proteger o meio ambiente, diz John Linnell, biólogo do Instituto Norueguês de Pesquisa da Natureza.

A construção do muro fronteiriço na Polónia implica um tráfego pesado, muito ruído e luz em florestas primitivas, e estes trabalhos também podem incluir a extração de madeira e construção de estradas.

“Na minha opinião, isto é um desastre”, diz Bogdan Jaroszewicz, diretor da Estação Geobotânica de Białowieża.

Fomentar uma crise
A crise humanitária na fronteira começou no verão de 2021, quando milhares de migrantes começaram a entrar na Bielorrússia, muitas vezes com promessas do governo bielorrusso de assistência para chegar a outros locais na Europa. Mas ao chegar à Bielorrússia, muitos migrantes não conseguiram entrar legalmente no país e milhares tentaram atravessar para a Polónia, Letónia e Lituânia. Os migrantes têm sido frequentemente intercetados pelas autoridades polacas e forçados a regressar à Bielorrússia. Mais de uma dezena de migrantes já morreram de hipotermia, desnutrição ou devido a outras causas.

O conflito entre a Bielorrússia e a União Europeia explodiu quando Alexander Lukashenko reivindicou para si a vitória nas eleições presidenciais de agosto de 2020, apesar das alegações documentadas de que os resultados tinham sido adulterados. Seguiram-se protestos em massa e muita repressão, juntamente com várias sanções da UE. A Polónia e outros governos acusam a Bielorrússia de fomentar a atual crise fronteiriça como uma espécie de retaliação pelas sanções.

Em resposta, o governo polaco declarou estado de emergência no dia 2 de setembro, que permanece em vigor. Muitas das cidades fronteiriças na Polónia perto da bielorrussa só estão abertas para os seus cidadãos e as viagens estão severamente restritas; quer sejam turistas, trabalhadores humanitários, jornalistas ou qualquer pessoa que não viva ou trabalhe permanentemente na zona geralmente não pode visitar ou até mesmo circular pela área.

Este fator tem dificultado a vida para uma variedade de pessoas que vivem nesta região fronteiriça histórica e multiétnica. Os hotéis e as pousadas faliram. Os investigadores que tentam trabalhar na floresta têm sido abordados por soldados com armas que exigem saber o que estão a fazer, diz Michał Żmihorski, ecologista que dirige o Instituto de Pesquisa de Mamíferos da Academia Polaca de Ciências, sediado em Białowieża.

O governo polaco já construiu uma vedação de arame farpado, com cerca de dois metros e meio de altura, ao longo da fronteira através da floresta de Białowieża e em grande parte das áreas fronteiriças circundantes. Há relatos que sugerem que esta vedação já prendeu e matou animais, incluindo bisontes e alces. O novo muro vai começar no extremo norte da fronteira polaco-bielorrussa, confinando a Lituânia, e estender-se para sul até ao rio Bug, cujas margens já estão alinhadas com uma vedação de arame farpado.

“Presumo que isto já tenha um impacto negativo em muitos animais”, diz Michał Żmihorski. “A construção de mais muros vai de certa forma cortar a floresta ao meio.”

Alguns cientistas enviaram uma carta aberta à Comissão Europeia, o poder executivo da UE, para tentar impedir a construção do muro.

Floresta primitiva
Grande parte da floresta de Białowieża está protegida desde o século XV, e a área contém a última grande extensão de floresta virgem de planície, do tipo que cobria a Europa desde os Montes Urais até ao Oceano Atlântico. “É a joia da coroa da Europa”, diz Katarzyna Nowak.

Carvalhos, freixos e tílias com centenas de anos erguem-se sobre um sub-bosque denso e imaculado – onde as árvores caem e apodrecem sem serem perturbadas, explica Eunice Blavascunas, antropóloga que escreveu um livro sobre a região. Esta floresta abriga uma enorme diversidade de fungos e invertebrados – mais de 16.000 espécies entre os dois grupos – para além de 59 espécies de mamíferos e 250 espécies de aves.

No lado polaco da floresta, podem ser encontrados cerca de 700 bisontes-europeus a pastar em vales rasteiros e clareiras florestais, uma população preciosa que demorou um século a recuperar. E também há lobos, lontras, veados e uma população ameaçada de cerca de uma dúzia de linces. Normalmente, estes animais movem-se livremente na zona fronteiriça com a Bielorrússia. Em 2021, um urso-pardo chegou a atravessar a fronteira para a Bielorrússia.

As informações disponíveis sugerem que o governo polaco pode ampliar uma clareira através da floresta de Białowieża e de outras florestas fronteiriças. Para além do impacto na vida selvagem, os investigadores estão preocupados com a poluição sonora e luminosa, e que a construção possa introduzir plantas invasoras capazes de provocar estragos, como espécies de ervas daninhas de rápido crescimento, acrescenta Bogdan Jaroszewicz.

Mas não se trata apenas desta floresta. Bloquear a fronteira leste da Polónia vai cortar a ligação das populações de animais selvagens da Europa com a extensão mais vasta da Eurásia. É um problema à escala continental, diz John Linnell. “O levantamento deste muro fronteiriço é uma questão crítica.”

“Os muros provocam uma fragmentação severa no habitat; impedindo que os animais encontrem parceiros, comida e água; e a longo prazo pode levar a extinções regionais ao cortar o fluxo génico”, acrescenta John Linnell.

Contra a lei?
De acordo com os especialistas jurídicos, a construção do muro contraria não só várias leis ambientais nacionais como acordos internacionais vinculativos.

Por um lado, a floresta de Białowieża é um Património Mundial da UNESCO, uma designação rara que atrai prestígio internacional e turistas. Como parte deste acordo, a Polónia tem de cumprir as restrições da Convenção Património Mundial – que obriga o país a proteger espécies como os bisontes – e evitar danos no meio ambiente na parte bielorrussa da floresta, explica Arie Trouwborst, especialista em direito ambiental da Universidade de Tilburg, nos Países Baixos.

É plausível que a construção do muro possa levar a UNESCO a revogar o estatuto de Património Mundial desta floresta, o que seria um rude golpe para o país e para a região, acrescenta Arie. Até agora, só um património natural é que foi removido da lista da UNESCO.

O lado polaco da floresta de Białowieża também foi designado área protegida Natura 2000 ao abrigo da Diretiva de Habitats da União Europeia, assim como um punhado de outras florestas fronteiriças. Com o novo muro, a Polónia não parece respeitar as leis da UE, que exigem que se evitem atividades e projetos que possam ser prejudiciais para as espécies para as quais o local foi designado, [incluindo] o bisonte-europeu, linces e lobos, diz Arie Trouwborst.

A lei da UE é vinculativa e pode ser aplicada na Polónia pelo Tribunal de Justiça da União Europeia, que pode aplicar multas pesadas, diz Arie. Uma interpretação razoável da lei sugere que o governo polaco, ao construir uma vedação de arame farpado na floresta de Białowieża, já está a violar a Diretiva de Habitats. A lei determina que os projetos potencialmente danosos só podem, em princípio, ser autorizados quando não restarem quaisquer dúvidas científicas razoáveis em relação à ausência de impactos adversos. E é óbvio que a construção de muros adicionais acarreta danos ambientais.

“De uma forma ou de outra, a construção de uma vedação ou muro ao longo da fronteira que não permita a passagem de vida selvagem protegida parece ser contra a lei”, diz Arie Trouwborst.

O Tribunal de Justiça da UE já mostrou que tem capacidade decisória sobre as atividades feitas na floresta de Białowieża. Entre 2016 e 2018, o governo polaco clareou partes da floresta para remover árvores infetadas por besouros. Mas em abril de 2018, o Tribunal de Justiça da UE decidiu que a extração de madeira era ilegal e o governo parou de abater árvores. No entanto, o governo polaco retomou este ano as atividades madeireiras nos arredores de Białowieża.

Muros que se erguem
A Polónia não está sozinha. A tendência global para construir mais muros fronteiriços ameaça desfazer as décadas de progressos feitos na proteção ambiental, sobretudo nas abordagens cooperativas e transfronteiriças de conservação, diz John Linnell.

Algumas das áreas mais proeminentes de construção de muros incluem a fronteira EUA-México; a fronteira eslovena-croata; e toda a circunferência da Mongólia. Grande parte da União Europeia também está vedada, acrescenta John Linnell.

O aumento exponencial na construção de muros parece ter apanhado muitos conservacionistas de surpresa, após quase um século de progresso na construção de corredores naturais e de cooperação entre países – fator particularmente importante na Europa, onde nenhum país é grande o suficiente para atingir todos os seus objetivos de conservação por si só, uma vez que as populações de plantas e animais estendem-se além fronteiras.

“Esta pressa para construir novos muros representa um nível sem precedentes de fragmentação de habitat”, diz John Linnell. “E também revela um colapso na cooperação internacional. Parece que estamos a regressar ao nacionalismo, com países que tentam resolver os problemas internamente... sem pensar nos custos ambientais.”

“Isto revela que há forças externas que podem desfazer os progressos que fizemos na conservação... e o quão frágeis têm sido as nossas conquistas.”

sábado, 11 de dezembro de 2021

Dia Internacional das Montanhas : Né Ladeiras- Çarandilheira



No Dia Internacional das Montanhas celebremos som esta linda canção, de Né Ladeiras
S'ajuntaran las trés comadres
La çarandilheira
Na funçon de l Santu André
Çarandilha-andar, çarandilha-ai-és
A fazer ua merenda
La çarandilheira
E de un bárriu todas trés!
Çarandilha-andar, çarandilha-ai-és
Ua lheba nuobe panes
La çarandilheira
Toucavan cada ua trés
Çarandilha-andar, çarandilha-ai-és
L'outra lheba trinta uobos
La çarandilheira
Toucavan cada ua dieç
Çarandilha-andar, çarandilha-ai-és

S'ajuntaran las trés comadres
La çarandilheira
Na funçon de l Santu André
Çarandilha-andar, çarandilha-ai-és
A fazer ua merenda
La çarandilheira
E de un bárriu todas trés!
Çarandilha-andar, çarandilha-ai-és
Ua lheba nuobe panes
La çarandilheira
Toucavan cada ua trés
Çarandilha-andar, çarandilha-ai-és

E outra lheba un pellerjito
La çarandilheira
De duso cántarus ou trés
Çarandilha-andar, çarandilha-ai-és
E de alhi a un bocadito
La çarandilheira
Chega l marido da Inés
Çarandilha-andar, çarandilha-ai-és
Palus nua, palus n'outra
La çarandilheira
Palus doa an todas trés
Çarandilha-andar, çarandilha-ai-és

E la que lhebou más palus
La çarandilheira
Foi la pobrecita Inés
Çarandilha-andar, çarandilha-ai-és

Tradução para Português
A sarandilheira
Se juntaram as três comadres
A sarandilheira
Para ir ao Santo André
Sarandilha-andar sarandilha-ai-iê
Pra fazer uma merenda
A sarandilheira
E são dum bairro todas as três!
Sarandilha-andar sarandilha-ai-iê

Uma levou nove fatias de pães
A sarandilheira
Cada uma pegou três
Sarandilha-andar sarandilha-ai-iê
A outra levou trinta ovos
A sarandilheira
Cada uma pegou dez
Sarandilha-andar sarandilha-ai-iê

E a outra levou uma mochila
A sarandilheira
Com dois jarros ou três
Sarandilha-andar sarandilha-ai-iê
E dali a pouquinho
A sarandilheira
Chegou o marido da Inês
Sarandilha-andar sarandilha-ai-iê

Pau numa, pau na outra
A sarandilheira
Um pau deu em todas três
Sarandilha-andar sarandilha-ai-iê
Pau numa, pau na outra
A sarandilheira
Levou ao demónio as três
Sarandilha-andar sarandilha-ai-iê

English

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

COP24: a Grande Muralha Verde que deve atravessar a África


Há mais de uma década um projeto procura devolver a vida às paisagens degradadas da África numa escala sem precedentes. A ambição é construir um muro de árvores de 8 mil km que atravesse o continente de leste a oeste.

A chamada “Grande Muralha Verde” deve ir do Djibuti, um país que fica no nordeste da África até à cidade de Dakar, no Senegal. Quando completada, ela será a maior estrutura viva no planeta.

Muro

O muro ecológico está sendo implementado em mais de 20 países e mais de 8 biliões de dólares foram coletados ou prometidos em apoio ao projeto. A ideia é que o muro transforme as vidas de milhares de pessoas que sofrem com a desertificação e a mudança climática nas regiões do Sahel e do Saara.

De acordo com a ONU, a expectativa é de que ele possa ajuda na solução de muitas ameaças que castigam as comunidades da região, como a seca, a fome, os conflitos e a migração.

Visão

O cientista responsável pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, Barron Joseph Orr, explicou que “a iniciativa representa uma visão que começou há algum tempo”. Nessa altura a questão era se seria possível tentar “lidar explicitamente com a área e mudar tudo, não em um ou dois lugares, mas em todo o horizonte.”

Orr participa da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP24, na cidade de Katowice, na Polónia.

O cientista contou que a intensão inicial era transformar a área em “algo verde”, plantando árvores, mas na verdade o que o projeto tenta fazer é “criar um valor agregado para as pessoas que vivem nessas terras, não apenas plantando árvores, mas fazendo de uma forma ligada à economia que sirva para sustentar a subsistência delas e de futuras gerações."

Mudanças

No Senegal, em menos de uma década, já foram plantadas 12 milhões de árvores resistentes à seca. No Níger, nos 5 milhões de hectares de terra já recuperados são agora produzidas 500 mil toneladas de grãos por ano. Na Etiópia, 15 milhões de hectares de terras degradadas foram reabilitadas.

Para Orr, o “sentimento geral é de que que se está caminhando em direção à meta, que é muito grande, são 100 milhões de hectares de terra que estão sendo recuperados." De acordo com o cientista, a expectativa é de que o projeto esteja concluído até 2030 e que com ele, 10 milhões de empregos verdes sejam criados.

Parceria

A iniciativa, liderada pela União Africana, teve a colaboração de muitas organizações como o Banco Mundial, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO, e a ONU Meio Ambiente.

Orr explicou também que além deste projeto no Sahel, a União Africana prevê expandir a iniciativa até o sul do continente e existem também outros projetos semelhantes ao redor do planeta, como um relacionado à Rota da Seda na China.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Musica do BioTerra - Klangstabil - Shadowboy (The awakening)

Quite impressive video. Very underground and what a bunch of sweet people.


I create, you destroy, you wake up the shadowboy

I come out in your night sleep
Like the silence in the street
I withdraw, if you come back
Hoody on and fade to black

You strike the bell and bring to heel
The offspring of a lousy deal
Forced into line in every sense
You cage the bird in ignorance

I create, you destroy, you made me the shadowboy

You took the ground, you cut my view
Brought up walls i can't break through
They swallow my identity
Your walls became a part of me

Your barking voice, your caustic smell
Made me a creature in a shell
I've locked myself up like a fist
What survives deserves to live

I create, you destroy, you complete the shadowboy

I found shelter at the darkened corners
Learned from survivors like rodents and crawlers
I became familiar with marten and fox
Allied in the shadows between all the blocks

They warned me to run before i die out
Follow the dead rails and don't turn around
Follow them till the dead-end
And dive into the woods on the left hand

You can trace but you can't destroy the footprint of a shadowboy

I create, i create, i create, i create, i create
You destroy, you made me the shadowboy

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Donald Trump calls Pope Francis 'disgraceful' for questioning his faith


Donald Trump has called Pope Francis “disgraceful” over the pontiff’s suggestion the Republican presidential frontrunner was “not a Christian” for his plan to build a wall at the Mexican border.

Flying back to Rome from a trip to Mexico, the pope said: “A person who thinks only about building walls, wherever they may be, and not building bridges, is not Christian.”

Trump responded swiftly at a campaign event in South Carolina, saying: “For a religious leader to question a person’s faith is disgraceful.”

“No leader, especially a religious leader, has the right to question another man’s religion or faith,” he told a packed room at a golf course resort. Trump then accused the Mexican government of “using the pope as a pawn”.

“They should be ashamed of themselves, especially when so many lives are involved and illegal immigration is rampant and bad for the United States.”

During his in-flight press conference, the pope insisted he did not mean to sway any Americans with his comments. “As far as what you said about whether I would advise to vote or not to vote, I am not going to get involved in that,” he said.

“I say only that this man is not Christian if he has said things like that. We must see if he said things in that way and in this I give the benefit of the doubt.”

In a press release timed to coincide with his rally, Trump suggested that the leader of the Catholic church would regret not supporting his candidacy. “If and when the Vatican is attacked by Isis, which as everyone knows is Isis’s ultimate trophy,” Trump said, “the pope can have only wished and prayed that Donald Trump would have been president because this would not have happened.

“Isis would have been eradicated unlike what is happening now with our all talk, no action politicians.”

But the billionaire said he did not take the pope’s remarks personally. “The pope said negative things about me because the Mexican government convinced him Trump is not a good guy,” he said.

“The Mexican government has made many disparaging remarks about me to the pope because they want to continuing ripping us off,” he added.

He also dismissed the pope’s remarks in general: “Now it’s probably going to be all over the world. Who the hell cares? OK? I don’t care.”

After the event, attendees approached by the Guardian at the Trump rally took the side of the Republican frontrunner. “I thought the pope was a better person than that,” said Deborah Schwartz, a self-described “Trump groupie” from Round O, South Carolina.

Others simply doubted the pontiff actually used the words he was quoted saying. Elizabeth Wallschlager, a Panamanian immigrant and a Catholic, said: “I don’t think the pope said that.”

An ardent Trump supporter from Kiawah Island, she added: “I think that it’s a misunderstanding. The pope would never say that he doesn’t like anybody. The pope likes everybody.”

Even undecided Republicans, such as Dan Brisker of Seabrook Island, had concerns about the pope’s statement. “I think the pope needs to get out of the political arena and stick to the religious,” Brisker said.

“I don’t think [Trump] disparaged the Pope,” he added – with a concession that “sometimes maybe Donald could use some better words”.

The real estate tycoon, whose campaign shot to prominence with his focus on illegal immigration and pledge to “build a wall and make Mexico pay for it”, is heavily favored by polls to win Saturday’s Republican primary in South Carolina.

His rivals in the primary election warily kept clear of the billionaire’s spat with the pontiff. Florida senator Marco Rubio said he wished to reserve judgment until he read the pope’s full comments, but added the US has “not just a right but an obligation” to enforce its immigration laws.

“We’re a sovereign country, and we have a right to control who comes in, when they come in and how they come in,” Rubio told reporters in Anderson, South Carolina.

“Vatican City controls who comes in, when they come in and how they come in as a city state. And as a result, the United States has a right to do that as well.”

Himself a Catholic, Rubio said Pope Francis is “the head of the church, he’s the successor of Peter, is what I believe, and I have tremendous respect and admiration for him”.

Another opponent and converted Catholic, former Florida governor Jeb Bush, told reporters he would not comment on Trump’s faith. “His Christianity is between him and his creator,” Bush said.

Asked about the pope’s statement about walls, Bush said: “I don’t know what that means. I support walls and fencing where it’s appropriate, for sure ... I think it’s okay as a Catholic to get my guidance as a Catholic from the Pope but certainly not economic policy or environmental policy.”

Trump has previously questioned the faith of another adversary, Ted Cruz, saying: “You gotta remember, in all fairness, to the best of my knowledge, not too many evangelicals come out of Cuba, OK?”

Cruz’s father is an evangelical pastor who emigrated from Cuba, and the senator has pursued extremely religious voters throughout his campaign.

Trump has long sought to prove his own religious bona fides to social conservative voters. The Republican frontrunner has often stated on the stump that the Bible is his favorite book, with his own bestseller The Art of the Deal second.

“As much as I love The Art of the Deal, it’s not even close. We take the Bible all the way,” Trump said in August.

Trump has also repeatedly pledged that if elected, “we’re gonna be saying Merry Christmas again”, but his attempts to demonstrate his faith have gone awkwardly, at best, on several occasions. In a speech at the evangelical Liberty University, for instance, Trump referred to “Two Corinthians” rather than “Second Corinthians”, and later that month he tried to put cash on a communion plate while attending mass in Iowa.

He has also praised the pontiff in the past. Not long after Pope Francis was elected to the Holy See in spring 2013, Trump tweeted: “The new Pope is a humble man, very much like me, which probably explains why I like him so much!”