Mostrar mensagens com a etiqueta Durão Barroso. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Durão Barroso. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 21 de maio de 2026

O Prémio ao Cimento: Cavaco Silva e o "Whitewashing" à Europeia


Bom dia. Acordei a meio da noite para ir à casa de banho e, na ingenuidade de quem acha que consegue controlar tudo (inclusive o tempo), dei uma espreitadela no telemóvel com o intuito de voltar a adormecer... O resto é algo que podem imaginar — algumas horas de sono perdidas. Li esta notícia: "
Cavaco Silva condecorado com a Ordem Europeia do Mérito em Estrasburgo" - fui de imediato ver se era alguma partida de 1 de abril ou mais uma "exclusividade" da edição digital da Folha Nacional - que, para quem anda distraído, é o jornal oficial e o órgão de propaganda do partido Chega. Mas nem uma coisa, nem outra. Aconteceu mesmo!
Logo hoje, que eu ia usar o meu precioso tempo para falar das escolhas (fortemente questionáveis) do selecionador nacional para o Mundial de 2026... Quero que saibam que estou desde as 05:30 (e já passa das 08:00!) a escrever este texto. Porquê? Porque me dei ao hercúleo trabalho de procurar algo que este homem tenha feito para merecer tamanha distinção. Confesso que de pouca coisa me lembrava; tive de fazer arqueologia política, escavar muito numa rocha a que chamam de Google, isto para não fazer má figura, nem enganar ninguém.
Meus amigos, aconteceu terça-feira, na cidade de Estrasburgo, França, Europa — a uns 2.000 quilómetros de Lisboa. No meio de palminhas ensaiadas e sorrisos amarelos, a Múmia de Boliqueime — aquele ser de uma modéstia ímpar que dizia que "nunca tinha dúvidas e raramente se enganava" — recebeu uma medalha do tamanho do seu ego chamada Ordem Europeia do Mérito. Sim, deram-lhe um prémio daqueles grandes, com fitinha dourada e tudo!
E quem melhor para receber um prémio da Europa do que o nosso Doutor Alcatrão, o homem que transformou Portugal num parque de estacionamento gigante? A escolha foi feita por um júri de líderes europeus e, vejam bem a ironia, um deles era Durão Barroso. Alguém que não o conhece de lado nenhum, nem nunca tinha ouvido falar dele, decidiu dar nota positiva ao morto-vivo da nossa política. E lá estava ele, parecia preso por arames (pelas fotos que acompanham a notícia), a receber a medalha ao lado de figuras de relevo mundial, como a alemã Angela Merkel — a "Chanceler de Ferro", também conhecida por "Mamãzinha" no tempo em que controlava os seus subalternos europeus. Imagino a conversa de circunstância em "bom alemão"...
Se bem se lembram, enquanto os outros mandavam de facto nos seus países, o "Bolo Rei" do nosso orçamento limitou-se a gerir o alcatrão de estradas como a A1 e a EN125. Os chefes da Europa acham que ele mereceu o prémio por nos enfiar na UE, mas nós cá na paróquia lembramo-nos bem do que ele fez nos anos 80 e 90 — pormenores que a medalha finge esquecer. Foi a autêntica loucura do betão. Entrou tanto dinheiro vindo de Bruxelas e, em vez de modernizar o país, construir escolas de futuro e hospitais, o agora medalhado gastou quase tudo em autoestradas para podermos viajar mais depressa e gastarmos mais combustível.
Depois, veio o crime no setor primário: o governo aceitou as ordens de Bruxelas de cabeça baixa e trocou os nossos barcos e campos por subsídios para pescadores e agricultores ficarem em casa a ver as telenovelas. O interior esvaziou e passámos a comprar tomates a Espanha com o dinheiro que vinha de fora (porque os nossos já tinham ido à vida). Ainda hoje não os temos.
Para além disso, privatizou bancos e empresas estatais quase às escondidas, num número  de magia financeiro. E quem esquece aquele feitio altivo, com laivos pidescos? Um chefe teimoso e prepotente que ignorou a revolta do buzinão da Ponte 25 de Abril e os protestos dos estudantes contra as propinas. A brilhante ideia de mandar polícias avançar à força contra os seus próprios colegas - a que deram  ao episódio os "Secos e Molhados" — um espetáculo absolutamente lastimável. E, claro, como o homem gostava de silêncio, houve até espaço para a censura, ao proibir um livro do nosso único Nobel da Literatura, José Saramago.
Não esquecendo que essa múmia também não quis dar uma pensão a Salgueiro Maia. Não esquecendo que essa múmia também, umas semanas antes do BES ter entrado em falência, disse sem hesitação que o BES era um banco seguro. E por coincidência o genro dele de nome António Montez ganhou a compra, por proposta em "carta fechada" da atual MEO Arena, quando essa personagem estava falida. 
Durante os seus mandatos presidenciais, a par da governação PSD/CDS-PP liderada por Passos Coelho, o país implementou as duras medidas de austeridade associadas ao resgate da Troika, um rumo que Cavaco Silva chancelou. 
Mas a internet não perdoa e o timing é cruel. Enquanto o para mim "inexpressivo de Boliqueime" subia ao palco todo vaidoso a receber o metal, o feed das redes sociais dava atenção a um jovem, em França, que saltou para um rio perigoso para salvar um pato bebé. A piada faz-se mesmo sozinha: um rapaz arrisca a vida por um patinho indefeso, enquanto a Europa dá uma medalha de ouro ao agora surdo-mudo Cavaco - o homem que usou a força do cimento para empurrar a nossa agricultura e a nossa pesca para o fundo do poço.
Parabéns! Eu não, mas a Europa agradece penhoradamente por nos teres deixado permanentemente agarrados ao soro deles.
Texto adaptado de Luís Santos

quinta-feira, 5 de março de 2026

A invasão do Irão – A Europa, Trump e os partidos portugueses

É deprimente ver programas televisivos onde se confronta a opinião dos deputados dos três únicos partidos com acesso regular aos ecrãs e compará-la com a dos principais líderes europeus.

Os países europeus têm posições para todos os gostos, desde a oposição frontal do PM de Espanha à violação do direito internacional à subserviência do chanceler alemão, que causa inveja ao lacaio de Trump, o sr. Mark Rutte. Até o RU, país que alinhou sempre a política externa pela dos EUA, teve um lampejo de dignidade e desagradou a Trump. Macron, apesar da bravata de deslocar ogivas nucleares para outros países europeus, não tem a coragem de De Gaulle ou Mitterrand. Itália, Hungria e Eslováquia são os aliados óbvios e preferidos do presidente americano que pode não acabar o mandato.

O governo português tomou a posição que o PS provavelmente tomaria, nem por isso honrosa, e que mereceria alguma benevolência se não tivesse admitido participar como observador, ao lado dos piores regimes, no Conselho da Paz de Trump, para Gaza, cuja intenção é substituir a ONU e ser aí presidente vitalício.

Apoiar Trump e Netanyahu na invasão do Irão não é ser solidário com os EUA onde a maioria da população se opõe, é apoiar a aventura criminosa que viola grosseiramente o direito internacional. Nem o facto de invocar diariamente motivos diferentes faz vacilar os apoiantes, que esquecem as funestas invasões do Iraque e do Afeganistão, sempre com dramáticas consequências para a Europa.

Nos três partidos referidos, PSD, Chega e PS, é deprimente ver o alinhamento dos dois primeiros contra o PS, acusando-o de estar, em conjunto com o BE e o PCP, ausentes do debate, na defesa de uma teocracia tenebrosa contra duas democracias, EUA e Israel. Do PS só pode lamentar-se a timidez na defesa do direito internacional e a necessidade de afirmar a sua diferença em relação à posição de Espanha.

No fundo, o PSD e o Chega preferem apoiar um criminoso condenado pelo TPI e outro cuja vitória eleitoral o livrou da condenação e sobre o qual pesam as piores suspeitas, a defender a paz e o direito internacional. Nem o trágico bombardeamento de uma escola cujo erro causou centenas de vítimas, entre mortos e feridos, os faz vacilar.

O PSD podia recordar-se do crime em que o seu antigo líder e PM de Portugal, Durão Barroso, enredou o País na invasão do Iraque, mas não se espera de Montenegro ou de Marcelo um módico de coragem para se afastarem de Trump e Netanyahu.

Da União Europeia o mínimo que deve esperar-se é a defesa do PM espanhol contra os humores e o arbítrio de Trump. Veremos se será solidário com um dos seus membros ou com o seu maior inimigo, se defende os valores civilizacionais e o direito internacional ou se pretende continuar vassala do irascível e desequilibrado PR dos EUA.


Quanto à infâmia do regime iraniano e à necessidade de remoção dos ignóbeis clérigos não pode haver duas opiniões diferentes em países civilizados, mas nunca uma ditadura caiu através de uma invasão nem uma democracia nasceu contra o direito internacional.

A coragem e a decência de Pedro Sánchez permanecerão como exemplo de estadista e patriota perante homúnculos, o único com sagacidade para ver em Trump o aventureiro de que o seu próprio país há de envergonhar-se. Merece ser recordado pela História.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Viriato Soromenho-Marques: entre vegetarianos e canibais


O Presidente do governo espanhol tem estado debaixo de “fogo amigo” pela sua dupla tomada de posição. Primeiro: condenação da guerra ilegal dos EUA e Israel contra o Irão, iniciada com a particular vilania, confessada sem pudor por Trump, de usar negociações como uma cilada para encontrar o melhor momento para assassinar o líder do regime e o maior número possível de seus colaboradores. Segundo: Recusa de Madrid em autorizar o uso das bases espanholas para o transporte de material norte-americano para o teatro da guerra.

Pedro Sánchez resiste sozinho na União Europeia. Já tinha ficado isolado, em 25 de junho de 2025, quando a NATO decidiu aprovar a absurda proposta do presidente norte-americano de aumentar o orçamento militar de cada Estado-membro para 5% do PIB. No rebanho manso dos líderes dos 32 países da Aliança Atlântico, só Sánchez ergueu a voz para afirmar que esse esforço belicista iria causar danos irreparáveis nos investimentos públicos na saúde, educação e apoio social de todos os países que o aplicassem, prejudicando a qualidade de vida dos cidadãos. Será muito difícil que seja apenas Sánchez a pensar aquilo que é óbvio, mas a verdade é que foi ele o único que teve a coragem de dizer o que pensa sem temer represálias de Trump. Essa coragem revelou, claramente, a profunda cobardia em que assenta a obediência do “Ocidente alargado” por tudo o que Washington diga, faça, ou obrigue os “aliados” a dizer e a fazer.

Os fundamentos da posição de Sánchez, contra o apoio ao ataque ilegal de Washington e Telavive a Teerão, são explicitados pelo próprio da seguinte forma: “Não à violação do direito internacional. Não a aceitar que o mundo só pode resolver os seus problemas através de conflitos e bombas. E, finalmente, não a repetir os erros do passado. A posição do governo de Espanha é esta: Não à guerra”. Perante isso, numa reunião com o Chanceler alemão F. Merz, dia 3 de março na Casa Branca, Trump insultou Sánchez e ameaçou cortar relações comerciais com Espanha. Merz, talvez o vassalo mais obediente de Trump, deu razão ao magnata-presidente na crítica a Sánchez, e reiterou a concordância alemã com a operação militar de mudança de regime em Teerão, afirmando que “O Irão não deve ser protegido pela lei internacional”.

Em Portugal, Durão Barroso, entrevistado pela RTP, com um sorriso trocista de quem se sente herdeiro de Metternich ou de Kissinger, acusava Sánchez de ter cometido um “erro grave”, ofendendo o macho dominante do Ocidente. Com a sua experiência de ter hospedado nas Lajes, em vésperas de guerra, os chefes de governo que em março de 2003 iniciariam a destruição do Iraque, sob o pretexto de mentiras tão grosseiras como as usadas hoje por Trump para destruir o Irão, Durão Barroso sentenciou: “A Europa não pode ser o único vegetariano num mundo de carnívoros”. Quando os europeus começarem a pagar o imenso preço económico da guerra de Trump e Netanyahu, talvez uma dieta de batata e couves seja a única alternativa para muita gente.

Na verdade, o que está em causa é algo de bem mais terrível. O início desta guerra, mostrou para todos os líderes políticos do mundo, que a palavra dos EUA não vale nada. O Presidente da paz, que combatia o intervencionismo de Biden e aspirava ao Nobel, enganou os eleitores do seu país e o mundo inteiro. Em especial, Xi e Putin nunca mais darão crédito a quem mata os chefes de Estado dos países com quem está em negociações de paz. Se não formos capazes, como afirma Sánchez, de recusar o caminho da violência, assumindo a via da diplomacia e do respeito pelos outros, indivíduos ou Estados (como exige a Carta das Nações Unidas), acabaremos por mergulhar numa guerra generalizada, culminando na destruição da civilização humana sob o impacto das 12 000 armas nucleares à espera de entrar na história.

Os infelizes que sobreviverem entre os escombros da última das guerras, vegetarão num inferno, sem destino nem salvação. A escolha dos sobreviventes não será entre serem vegetarianos ou carnívoros, mas entre morrerem à míngua ou cederem ao horror do canibalismo… O Ocidente transformou-se num vácuo moral e num deserto de inteligência. Este Portugal de Montenegro e Rangel (herdeiros de Costa), limita-se a colocar um tapete vermelho a todos os caprichos de Washington. Fomos um império. Hoje somos uma estação de combustível no meio do Atlântico. Uma colónia periférica de um Ocidente que promete terminar num crepúsculo explosivo. Sánchez é o único líder que tem a coluna direita, com pés assentes no realismo da prudência, sem abdicar de princípios universais, onde todos se possam acolher. Infelizmente, nesta Europa, que perdeu o rumo e a alma, Sánchez parece ser a exceção que confirma a regra.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Projecto solar SOPHIA: as sete empresas promotoras têm sede no escritório do ‘cardeal do PSD’


A gigante petrolífera British Petroleum (BP), através da sua subsidiária Lightsource Renewable Energy, montou em Portugal uma arquitectura societária assente na criação de uma série de seis sociedades unipessoais por quotas, cinco das quais designadas Special Purpose Vehicles (SPV) — todas sediadas no mesmo endereço em Lisboa: o número 50 da Rua Castilho.

O caso poderia configurar uma banalidade não fosse este endereço coincidir com a sede de um dos mais influentes escritórios de advogados do país, a CSM Portugal, cujo fundador e sócio-gerente é José Luís Arnaut, ex-ministro dos Governos de Durão Barroso e Santana Lopes, e uma das “eminências pardas” do PSD, além de acumular vários cargos empresariais, o mais relevante dos quais a presidência do conselho de administração da ANA – Aeroportos de Portugal. [ocupa o 24º lugar na lista dos europeus mais poderosos de 2025]

É a partir desta base jurídica, sem sede própria, que a BP está a avançar em Portugal, depois de ter comprado, em 2020, a Compatible Opportunity — uma empresa que tinha como sócio um dos filhos de Luís Marques Mendes, candidato à Presidência da República —, com o polémico projecto fotovoltaico Sophia, que pretende ocupar cerca de 400 hectares em diversas freguesias dos municípios de Idanha-a-Nova, Penamacor e Fundão, alvo de forte contestação local e ambiental. No entanto, formalmente, quem promove o projecto é a Coloursflow, uma empresa-filha da Lightsource, com apenas 1 euro de capital social, criada em 2021.

De acordo com a investigação do Página Um entre Agosto de 2024 e Novembro deste ano foram constituídas, para já, cinco sociedades com designações sequenciais — LSBP Portugal SPV 1, LSBP Portugal SPV 2, LSBP Portugal SPV 3, LSBP Portugal SPV 4 e LSBP Portugal SPV 5, todas com um capital social de apenas 1 euro, todas com sede no escritório de Arnaut e todas detidas a 100% pela Lightsource Renewable Energy Portugal, que tem sede desde Novembro de 2023 no número 50 da Rua Castilho, em Lisboa.

Todas estas empresas-filhas da gigante BP partilham igualmente objectos sociais extensíssimos, redigidos de forma quase idêntica, abrangendo desde o planeamento, licenciamento e construção de centrais electroprodutoras até à exploração, manutenção, armazenamento de energia e prestação de serviços de consultoria técnica.

Esta multiplicação de sociedades não é um acaso nem um capricho administrativo: visa proteger a BP do ponto de vista financeiro e dificultar a contestação ao projecto. Com efeito, a opção da subsidiária pelas SPV, com capitais próprios iniciais simbólicos (1 euro, o mínimo permitido pela lei portuguesa), é um modelo clássico de fragmentação jurídica do risco, amplamente utilizado em grandes projectos de energia renovável, sobretudo quando envolvem investimento estrangeiro, financiamento bancário estruturado e elevada probabilidade de litigância.

Cada SPV corresponde, na prática, a um activo ou subprojecto específico, permitindo que eventuais impugnações administrativas, providências cautelares ou pedidos indemnizatórios fiquem confinados a uma entidade sem património relevante, sem trabalhadores e sem autonomia económica real.

Do ponto de vista formal, o esquema é legal. Do ponto de vista material, levanta questões sérias de interesse público. Todas estas sociedades têm capital social meramente simbólico, inexistente capacidade financeira própria e uma gerência que se repete: o gestor português Miguel Lopes Lobo surge como gerente em todas as SPV, acompanhado, nalguns casos, por administradores estrangeiros residentes no Reino Unido. A titularidade última permanece sempre fora de Portugal, numa holding britânica, o que dificulta a responsabilização efectiva em caso de danos ambientais, patrimoniais ou sociais.

A escolha de um escritório de advogados politicamente influente como sede comum das SPV não é um detalhe irrelevante: é ali que se centraliza o controlo jurídico, o relacionamento com a Administração Pública e a gestão estratégica do risco regulatório. Em projectos contestados, esta proximidade aos centros de decisão política e administrativa funciona como uma almofada institucional, reduzindo a exposição directa do investidor e transferindo para as comunidades locais e para o Estado o ónus do conflito.

Importa sublinhar que nenhuma destas sociedades existe para produzir energia por si mesma no curto prazo. Para já, e enquanto decorre a avaliação de impacte ambiental, as SPV existem para deter licenças, direitos de superfície, autorizações administrativas e projectos, que são activos susceptíveis de ser posteriormente vendidos, fundidos ou transferidos sem que a empresa-mãe seja directamente afectada por litígios pendentes. Este constitui um modelo de “lucro global, risco local”, recorrente na indústria das renováveis, mas particularmente sensível quando aplicado a projectos de grande escala implantados em territórios com elevado valor ambiental ou cultural.

quarta-feira, 4 de junho de 2025

José Luís Arnaut - o facilitador das privatizações


Em entrevista ao podcast “A lei e a Prática” do Diário de Notícias, José Luís Arnaut afirma que “a morte do Bloco de Esquerda é um sinal positivo para a economia”. E por economia o ex-ministro do PSD e atual presidente da ANA Aeroportos refere-se ao investidor estrangeiro que “olha para as notícias e vê tetos nas rendas, taxar os ricos, impostos sobre a fortuna” e assusta-se e vai embora. Para o antigo secretário-geral do PSD, “quem o bom senso dos portugueses mandou embora foram esses que tinham essas veleidades, digamos, de criar essas medidas”.

17 de janeiro 2018

O antigo ministro de Durão Barroso e Santana Lopes ficou conhecido como “o advogado das privatizações”, com o seu escritório a estar ligado às vendas pelo Estado da EDP, REN, ANA, TAP e CTT. No caso dos Correios, o seu escritório assessorou o banco Goldman Sachs, que se tornou no maior acionista após a privatização. Arnaut viria a ser nomeado em 2014 para o conselho consultivo internacional do Goldman Sachs, cargo que ainda hoje ocupa.

Entre 2014 e 2016, a sociedade de advogados de Arnaut faturou mais de 400 mil euros em serviços jurídicos à REN, outra empresa privatizada e onde Arnaut ocupa o cargo de administrador não executivo desde 2012.
O centro de negócios, 03 de abril 2019

Em 2013 o governo de Passos Coelho e Paulo Portas concluiu a privatização dos aeroportos portugueses, entregando 95% do capital à multinacional francesa Vinci. Do lado do comprador, estava a assessoria jurídica da CMS Rui Pena & Arnaut, como o ex-ministro à frente da equipa que preparou o negócio. Mais tarde viria a ser recompensado com o cargo de presidente da ANA Aeroportos, que também continua a ocupar hoje.

Segundo os dados biográficos atualizados, além dos cargos na Goldman Sachs, REN e ANA Aeroportos, José Luís Arnaut é ainda presidente adjunto da Associação de Turismo de Lisboa, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Portway, da Siemens, do grupo Super Bock e da Tabaqueira. Até há poucos meses ocupava o mesmo cargo na Federação Portuguesa de Futebol e também presidiu à Associação de Amizade Portugal-Qatar, participando em iniciativas promovidas pela família real daquele país. Em 2021, o consórcio de jornalistas OCCRP - Organized Crime and Corruption Reporting Project - revelou detalhes do negócio de concessão à Vinci de um aeroporto em Belgrado e da compra dos terrenos contíguos a um milionário com ligações ao narcotráfico, que a seguir se tornou sócio de José Luís Arnaut.

sexta-feira, 28 de junho de 2024

Portugal é o único país a alcançar presidência da Comissão Europeia, Conselho e ONU


Com a eleição do ex-primeiro-ministro António Costa pelos chefes de Estado e de Governo da União Europeia, Portugal torna-se o único país a ter alcançado a liderança do Conselho Europeu, da Comissão Europeia e das Nações Unidas.

O ex-primeiro-ministro português, o socialista António Costa, foi ontem eleito pelos chefes de Estado e de Governo da União Europeia como presidente do Conselho Europeu para um mandato de dois anos e meio, foi anunciado em Bruxelas.

De acordo com fontes diplomáticas, a decisão foi adotada numa reunião do Conselho Europeu, em Bruxelas, na qual os líderes da União Europeia (UE) propuseram também o nome de Ursula von der Leyen para um segundo mandato à frente da Comissão Europeia, que depende porém do aval final do Parlamento Europeu, e nomearam a primeira-ministra da Estónia, Kaja Kallas, para Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, sujeita à eleição pelos eurodeputados de todo o colégio de comissários.

Um feito que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, atribuiu esta semana a uma “capacidade extraordinária de Portugal”, que alcançou “apoio e reconhecimento suficientes para o desempenho de altas funções em organizações internacionais variadas e de reputada importância”.

O antigo chefe do Governo socialista António Guterres desempenha atualmente o segundo mandato como secretário-geral das Nações Unidas, cargo que iniciou em janeiro de 2017.

José Manuel Durão Barroso, antigo primeiro-ministro social-democrata, liderou a Comissão Europeia durante dois mandatos, entre 2004 e 2014.

“E houve outras alturas em que tivemos lugares importantes”, salientou Montenegro, dando os exemplos do antigo comissário europeu António Vitorino (PS) à frente da Organização Internacional das Migrações (2018-2023), da presidência do Eurogrupo exercida pelo antigo ministro das Finanças do PS Mário Centeno (2018-2020), ou, atualmente, do antigo ministro social-democrata Jorge Moreira da Silva, que dirige a UNOPS (agência da ONU para as infraestruturas e gestão de projetos).

“É o reconhecimento da qualidade dos nossos cidadãos que se disponibilizam para o exercício de funções políticas, e obviamente de todos os serviços e acompanhamento de retaguarda, incluindo a nossa rede diplomática e todos os funcionários que temos em várias instituições”, referiu o primeiro-ministro esta quarta-feira, no parlamento, durante o debate preparatório do Conselho Europeu.

“O facto de termos um país com uma grande história, termos demonstrado ao longo dos séculos a nossa capacidade, termos uma das línguas mais faladas do mundo - tudo isso tem sido reconhecido”, comentou Luís Montenegro.

Para o chefe do Governo, estas nomeações de portugueses para cargos de topo são uma “oportunidade de não sermos aquilo que às vezes somos, demasiado pessimistas sobre nós próprios”.

terça-feira, 7 de novembro de 2023

António Costa pediu a demissão. E agora?


Não está em causa se o 1º Ministro tem ou não culpa. Até ao trânsito em julgado, António Costa é inocente. E disso tratará a Justiça. O que está em causa é um processo crime grave que é incompatível com o desempenho das funções e com o normal funcionamento das instituições. Por isso, António Costa fez bem em demitir-se. E agora? O que vai acontecer? Existem vários cenários. O Presidente da República pode indigitar um novo 1º ministro, à semelhança do que aconteceu com Durão Barroso quando foi para o Parlamento Europeu, em que Santana Lopes foi indigitado por Jorge Sampaio. Ou pode dissolver a AR e convocar novas eleições ou António Costa ficar em gestão, para ultrapassar o problema do OE 2024. São vários os cenários políticos. Existe a hipótese de Mariana Vieira da Silva ou Fernando Medina serem 1º Ministro de forma interina até às próximas eleições e fazer aprovar o OE 2024. O Presidente da República sempre afirmou que esta maioria absoluta seria a "maioria absoluta do António Costa", contrariando a ideia de que se este saísse, o PS teria legitimidade para continuar a Governar. Por isso, vinculado às suas palavras, Marcelo Rebelo de Sousa, só poderá convocar novas eleições. Mas para quando? Essa é a verdadeira questão. Na minha opinião, o Presidente da República deveria arranjar uma solução política que fizesse este OE 2024 ser aprovado para o país não ficar em governação por duodécimos. Isso seria péssimo para Portugal. Contudo, também sou da opinião de serem convocadas novas eleições, podendo as mesmas realizarem-se no próximo ano e já com este OE aprovado. Esperam-se ainda algumas declarações e reações dos partidos, sendo certo que o Presidente da República convocou o Conselho de Estado para a próxima 5.ª-feira. Como se colocarão os partidos e qual o futuro do PS? Ainda é cedo para falar. Mas os primeiros nomes que saltam à vista para suceder António Costa, provavelmente não serão esses, como por exemplo Pedro Nuno Santos, Mariana Vieira da Silva ou Fernando Medina. Porém não se admirem destes nomes: Álvaro Beleza e José Seguro. Nomes que não estão ligados à "máquina governativa" do PS. Aguardemos os próximos episódios.

sábado, 19 de novembro de 2022

José Eduardo Martins: “O principal obstáculo à economia circular é o conforto”

O advogado, especialista em questões ecológicas e ex-secretário de Estado do Ambiente, fala da natureza humana e da forma como as sociedades estão organizadas para explicar o aparente fracasso da economia circular e das políticas ambientais

José Eduardo Martins, advogado e ex-secretário de Estado do Ambiente, começa por lamentar que andemos “há décadas a falar do mesmo”, aludindo ao facto de ter sido secretário de estado do ambiente do Governo de Durão Barroso, nos idos 2002, e de já na altura os seus interlocutores serem os que agora avista na plateia do auditório da Nova SBE, em Carcavelos. Trouxe às ESG Talks, – uma iniciativa do Novo Banco, em parceria com a PwC, a NOVA SBE, a EXAME e a VISÃO -, as inquietações e provocações de quem trabalha na área há mais de vinte anos e conhece bem o sistema por dentro, numa short talk que agitou a sala.

Neste momento, não tem dúvidas: “O principal obstáculo à economia circular é a natureza humana e a forma como se organizam as sociedades. Estamos todos habituados ao conforto.” Mais à frente há de acrescentar que os políticos “não nasceram propriamente para dizer às pessoas que há conforto a mais.”

Apesar de ter 53 anos, o advogado lembrou que, nos tempos em que havia mais pobreza, as pessoas poupavam mais, reutilizando. Ele, por exemplo, ia à mercearia comprar manteiga e ela era vendida a granel e levada para casa em papel pardo. “Hoje só está tudo a poupar energia porque não há.”


No seu tom característico, José Eduardo Martins notou que agora as coisas estão mesmo a acontecer, pondo em causa a espécie humana. “Começou a ser demasiado sério e impactante.” E virou-se para a China: “Nesse país, onde não há ativismo, as emissões de CO2 são três vezes superiores às da União Europeia e isso afeta o planeta da mesma forma.”

Há 10 anos, acredita, a conferência em que hoje participa teria sido igual. “Não estamos a encarar os desafios. Ficamos a meio caminho entre as palavras e as ações. Podemos fazer melhor: Diversificar. Chegar a mais sítios.” Criticou a opacidade do mundo da reciclagem, os monopólios instalados e defendeu a entrada de novos players no mercado.

José Eduardo Martins acredita na economia circular em alguns setores, com a energia à cabeça, relembrando a reutilização de resíduos, já várias vezes mencionada durante a manhã de conferência. E sugeriu que se estimule cada vez mais as comunidades de energia, de proximidade, sem se utilizar as linhas da REN. São algumas soluções que propõe nesta “guerra pela sobrevivência”.

Para saber mais

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Cristina Martín Jiménez - livro e tese de doutoramento sobre o Clube Bilderberg



A jornalista espanhola Cristina Martín Jiménez, que investiga o secreto clube Bilderberg há 10 anos, conclui que a crise actual não é uma mera “casualidade”, mas o resultado de um plano em benefício dos ricos.

Uma ideia que Cristina Martín Jiménez defende em entrevista à TSF, onde foi falar do seu livro “O Clube Secreto dos Poderosos – Os Planos Ocultos de Bilderberg”.

“A casualidade, tal como ela nos tem sido apresentada, que chegou uma crise de um dia para o outro, a casualidade não existe, o que existe é uma inteligência, um cérebro que pensa como é possível subtrair as soberanias nacionais e como fazer com que todo o dinheiro fique em suas mãos”, assegura Cristina Martín Jiménez.

“Quem saiu beneficiado da crise? Os ricos“, diz a jornalista, que investiga o clube Bilderberg há cerca de 10 anos, e que constata que este grupo secreto pretende “criar um governo mundial único, em mãos privadas”.

“Governaram Portugal, Espanha e Grécia através da Troika“, diz Jiménez. Notando que é formado por “elites”, a jornalista salienta que os “membros do clube conspiram, afastam e colocam presidentes” com o objectivo de “dirigir o planeta como se fosse um tabuleiro de xadrez”.

As reuniões Bilderberg já contaram com a presença de figuras como Barack Obama, Bill Clinton, Tony Blair, José Sócrates, Durão Barroso e Cavaco Silva.

E Cristina Martín Jiménez fala em particular do caso português, considerando que “o que é diferente em relação a outros países é a quantidade de políticos convidados que houve”.

“José Sócrates foi eleito primeiro-ministro de Portugal um ano depois de ter participado da reunião Bilderberg. Tal como Durão Barroso, mesmo que, nas primeiras eleições nacionais a que se apresenta, diz: sei que vou ganhar, só não sei quando”.

“Barroso também já tinha estado no Bilderberg em 1994”, salienta Cristina Martín Jiménez..

A jornalista fala também da participação de Francisco Pinto Balsemão, ex-primeiro-ministro do PSD e proprietário do Grupo Impresa, que detém a SIC e o Expresso, entre outros órgãos de informação, concluindo que “é algo muito importante controlar a imprensa, a opinião pública”.

Balsemão é o único português que é membro permanente do clube Bilderberg. As restantes personalidades portuguesas têm participado nas reuniões como convidados.

Rui Rio e António Costa participaram na reunião Bilderberg de 2008. Pedro Passos Coelho foi convidado para a reunião de 2013.

.

Doutoramento a investigar o clube dos poderosos

Cristina Martín Jiménez nasceu em El Viso del Alcor (Sevilha), em 1974. Escritora e conferencista, doutorou-se em Comunicação e Jornalismo com uma tese dedicada ao Clube Bilderberg. Tem trabalhado e colaborado com vários órgãos de comunicação social, como os canais de televisão Telecinco e Cuatro Televisión, a revista e os jornais Público (Espanha) e El Informador. 

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Jorge Sampaio: o Homem que nunca deixou de continuar a abraçar causas cívicas


Nascido em 1939, filho de um médico especialista em Saúde Pública e de uma professora particular de inglês, Jorge Sampaio passou parte da infância em Inglaterra e EUA e diz a sua biografia oficial(link is external) ter sido uma “experiência que o marcou profundamente”.

Após os estudos nos liceus Pedro Nunes e Passos Manuel, em Lisboa, formou-se em Direito e foi na Universidade de Lisboa que deu os primeiros passos na luta política contra a ditadura. Foi Presidente da Associação Académica da Faculdade de Direito, em 1960-61 - numa eleição em que a sua lista unitária da oposição venceu por apenas um voto de diferença - e Secretário-Geral da Reunião Inter Associações Académicas (RIA), em 1961-62.
Apesar de já ter terminado o curso, na altura em que rebenta a crise académica na capital, Sampaio é um dos líderes da revolta estudantil transformada num dos grandes focos de contestação que a ditadura enfrentou e que abriu caminho a outras lutas estudantis até ao 25 de Abril. A ocupação da cantina universitária por mais de mil estudantes valeu-lhe três dias de prisão em Caxias.

Enquanto advogado, especializou-se em propriedade industrial mas destacou-se na defesa de presos políticos no Tribunal Plenário de Lisboa. Na biografia de Sampaio, da autoria de José Pedro Castanheira, conta-se que foi Mário Soares que o convidou para se estrear como advogado de penal no mediático processo de Beja e que a sua prestação brilhante lhe valeu a alcunha de “Jorge Mason Sampaio” por parte daquele que décadas mais tarde viria a ser o seu antecessor no Palácio de Belém. O seu contacto próximo com os presos políticos viria a ser útil na preparação da revolução, com Sampaio a entregar um croquis detalhado da prisão de Caxias a Otelo Saraiva de Carvalho, em quem votaria nas eleições de 1976.

A primeira participação eleitoral dá-se nas listas da CDE nas eleições de 1969 e recusa o convite para ser um dos fundadores do PS. Depois da Revolução é um dos impulsionadores do Movimento de Esquerda Socialista (MES), com o qual rompe logo no congresso fundador. A adesão ao Partido Socialista dá-se em 1978 e é eleito deputado no ano seguinte, integrando também o Secretariado do partido que viria a liderar dez anos mais tarde. Apesar do longo futuro político que então tinha pela frente, a experiência governativa de Jorge Sampaio já tinha acabado em 1975 com uma curta passagem pela Secretaria de Estado da Cooperação do IV Governo Provisório, liderado por Vasco Gonçalves e com Melo Antunes na pasta dos Negócios Estrangeiros.

Sampaio foi deputado durante toda a década de 1980 e reeleito em 1991, já enquanto líder do PS, no ano em que o partido perde as eleições para a segunda maioria absoluta do PSD de Cavaco Silva. A sua grande vitória à frente do partido deu-se logo após tomar posse, quando decide candidatar-se à Câmara de Lisboa numa coligação à esquerda para acabar com o domínio do PSD e CDS no executivo da capital até então. A direita coligada apresentou Marcelo Rebelo de Sousa como candidato em 1989, mas a coligação PS/PCP vence e obtém 9 dos 17 vereadores. A gestão Sampaio prosseguiria no mandato seguinte, com a coligação alargada à UDP e ao PSR, marcando uma grande transformação no que diz respeito de planeamento e desenvolvimento da cidade. E deu-lhe o capital político nacional de que precisou em 1996 para bater Cavaco Silva, recém-saído de quase uma década à frente do Governo, na primeira volta das eleições presidenciais.

Nos mandatos presidenciais de Jorge Sampaio, a convivência institucional deu-se sobretudo com governos do PS, liderados por António Guterres e José Sócrates. A exceção ocorreu entre 2002 e 2004 e culminou no ponto que acabou por marcar o seu exercício da função presidencial. O governo PSD/CDS vê Durão Barroso abandonar o cargo de primeiro-ministro em julho de 2004 para se tornar presidente da Comissão Europeia e Sampaio recusa-se a convocar eleições antecipadas, como a esquerda - a começar pelo PS, liderado por Ferro Rodrigues, exigia. Acaba por dar posse a Santana Lopes como novo primeiro-ministro, para o demitir seis meses mais tarde, por entender “que a maioria absoluta estava a desconjuntar-se".

"Fartei-me do Santana como primeiro-ministro, estava a deixar o país à deriva, mas não foi uma decisão 'ad hominem'. Ninguém gosta de dissolver o parlamento e eu tomei essa decisão em pouco mais de 48 horas. Hoje faria o mesmo, porque era preciso", afirmou Sampaio 13 anos mais tarde ao seu biógrafo. Apesar dos desacordos que marcaram esse período, o estilo próprio que Jorge Sampaio imprimiu à função presidencial, afetuoso e emotivo, granjearam-lhe popularidade em muitos setores políticos.


Antes disso, ainda com o Governo Durão Barroso/Paulo Portas, Jorge Sampaio impediu que Portugal enviasse um contingente militar para apoiar os EUA na sua invasão do Iraque, como era desejo do então primeiro-ministro e anfitrião da "cimeira da guerra" realizada na base das Lajes. Outro dos pontos altos da sua passagem por Belém ocorreu durante o primeiro mandato, com a intervenção nos bastidores diplomáticos e a mobilização da opinião pública portuguesa no apoio ao processo de independência de Timor-Leste.

Acabada a etapa política em Belém em 2006, Sampaio optou por continuar ativo na intervenção cívica internacional, em particular no quadro das Nações Unidas, que o nomearam Enviado Especial para a Luta contra a Tuberculose e depois Alto Representante da ONU para a Aliança das Civilizações. Neste contexto, deu particular atenção à questão dos refugiados, protagonizando uma campanha de apoio à educação e acolhimento, através de bolsas de estudo e estágios para os jovens sírios e afegãos que atravessaram o Mediterrâneo em direção à Grécia durante a crise de 2015.


Juntamente com Kofi Annan e outros antigos chefes de Estado, Jorge Sampaio foi também um dos promotores da Comissão Global para a Política de Drogas, procurando sensibilizar os decisores políticos a porem um ponto final no proibicionismo e a apostarem na regulação e em medidas de redução de danos para os utilizadores.

sábado, 6 de fevereiro de 2021

A saúde pública à mercê dos negócios e da cegueira geopolítica

As pessoas estão dramaticamente ansiosas pelas vacinas, pelo que não se questionam sobre quem e como as fabrica. E dispensam até a informação que lhes é devida por parte de quem fez as escolhas.
Por José Goulão



A saga das vacinas em Portugal está distorcida. Centra-se na condenável batota para adulteração das listas de prioridades da vacinação que, apesar da sua gravidade, funciona como cortina de fumo para esconder aspectos muito mais inquietantes do processo, o principal dos quais é a submissão do governo e a abdicação da vontade própria perante a inconcebível e corrupta estratégia de selecção, compra e distribuição conduzida pela Comissão Europeia. Uma estratégia que se guia sobretudo pelo lucro e pela secundarização da saúde pública, desvalorizando e silenciando eventuais riscos associados.

O governo português prefere não ter voz na questão das vacinas da Covid-19. Remetendo-se à velha e nefasta posição de «bom aluno», sobretudo em tudo quanto diz respeito à imposição ilegítima do federalismo, arrasta os portugueses e o seu combate à pandemia para uma estratégia discricionária e prejudicial, centrada em volumes de negócios, em monopólios abusivos, em fantasmas e fundamentalismos geopolíticos – deixando a saúde pública à mercê de entidades cuja preocupação principal é a distribuição de dividendos aos accionistas e a recompra das suas próprias acções.

«As entidades seleccionadas para constituir o monopólio têm uma particularidade em comum: fabricam as vacinas contra a Covid-19 segundo metodologias que nunca foram experimentadas em seres humanos e, neste caso, nem mesmo testadas em animais. Em causa estão a tecnologia do ARN mensageiro (mRNA), no caso da Pfizer e de Moderna; e a utilização de adenovírus de chimpanzé, no caso da AstraZeneca»

Os resultados estão à vista. Falha retumbante e permanente nos prazos de entrega assumidos pelo monopólio dos gigantes da indústria farmacêutica na sequência de contratos parcialmente secretos e que os fabricantes das vacinas nunca tencionaram cumprir, sabendo que terão sempre tolerância para o fazer. Não é por acaso que os principais colossos da fabricação de vacinas conseguem amealhar anualmente quase quatro mil milhões de dólares em fugas aos impostos. Como igualmente não é por acaso que a Comissão Europeia tenha assumido, em nome dos governos dos Estados membros, que os fornecedores de vacinas escolhidos a dedo – fugindo às próprias regras de mercado – estejam isentos de qualquer responsabilidade em eventuais danos de saúde sofridos pelos cidadãos vacinados.

Esta é, de facto, a corrupção que mina profundamente o processo europeu de vacinação contra a Covid-19. A viciação das listas das prioridades é, neste quadro, um dano colateral, mais uma manifestação da corrupção nacional instaurada e enraizada ao longo de anos e anos de gestão do chamado bloco central.


Monopólio

A Comissão Europeia, entidade não eleita que há quase um ano vem fracassando estrondosamente na defesa da saúde dos cidadãos europeus perante a pandemia de Covid-19, assumiu autoritariamente a condução do processo de vacinação em nome dos governos dos 27.

A falha no combate à pandemia não é surpresa, sabendo-se que as pessoas nunca foram a preocupação da Comissão, como demonstram a generalização da política de austeridade e o descrédito absoluto do mito da «Europa dos cidadãos».

Por isso, entregar-lhe uma questão de vida ou de morte como é a da vacinação é um erro pelo qual os governos deverão ser responsabilizados. Uma irresponsabilidade que assume proporções de atentado contra a saúde das populações e mina o tremendo e desumano esforço que está a ser desenvolvido pelos profissionais do sector.

Como era de esperar, a Comissão Europeia entregou um processo tão sensível como o da vacinação ao monopólio dos gigantes farmacêuticos, neste caso representados pela alemã e norte-americana Pfizer em aliança com alemã BioNTech; e pela norte-americana Moderna, guiada por Bill Gates & Cia e protegida pela chamada «Aliança das Vacinas» (GAVI), na chefia da qual foi empossado recentemente Durão Barroso – e fica tudo dito. Como terceiro vértice do negócio, a Comissão tolerou a britânica e sueca AstraZeneca.

Os contratos acordados, e que estabelecem o compromisso de fornecimento de centenas de milhões de doses de vacinas, são parcialmente secretos. Informações sobre os seus conteúdos foram remetidas aos membros do Parlamento Europeu em versões censuradas.
O que diz bastante sobre a transparência do processo.

Bruxelas não se dignou explicar aos cidadãos as razões deste monopólio; em seu entender nem tem de fazê-lo. Sabe que as pessoas estão dramaticamente ansiosas pelas vacinas, pelo que não se questionam sobre quem e como as fabrica. E dispensam até a informação que lhes é devida por parte de quem fez as escolhas. Como já há muito vem dizendo o inevitável criminoso de guerra Henry Kissinger, não há como situações de medo e desconhecimento para que as pessoas se coloquem de bom grado sob poderes discricionários e autoritários.

As entidades seleccionadas para constituir o monopólio têm uma particularidade em comum: fabricam as vacinas contra a Covid-19 segundo metodologias que nunca foram experimentadas em seres humanos e, neste caso, nem mesmo testadas em animais.

Em causa estão a tecnologia do ARN mensageiro (mRNA), no caso da Pfizer e de Moderna; e a utilização de adenovírus de chimpanzé, no caso da AstraZeneca. Se isso é absolutamente seguro, na verdade não se sabe bem. As agências reguladoras que respondem perante a Comissão Europeia e os governos postulam que sim, que não há perigo. No entanto, basta consultar a base de dados de ensaios clínicos da Biblioteca Nacional dos Estados Unidos para ficar a saber-se, através do exemplo da Pfizer, que as vacinas da Covid-19 estão a ser ministradas ainda em período de testes. Percebe-se nessa documentação que a fase experimental iniciou-se em 29 de Abril de 2020; a fase das primeiras conclusões terminará somente em 3 de Agosto deste ano de 2021; e a data prevista para conclusão do estudo é apenas 31 de Janeiro de 2023.

«Incidências»

Apesar da situação de emergência que o mundo atravessa – e até por causa disso - um salto no escuro como este exige mais prudência verificada do que tranquilizações apressadas. Exige, sobretudo, informação e esclarecimento, que não são o forte deste processo.

Não é necessário investigar muito fundo através da internet para se perceber que existem casos de sintomas registados após a vacinação merecedores de explicações mais satisfatórias do que «situação normal», «coincidência» ou «a vacina não pode induzir a Covid-19».

Em Israel, por exemplo, onde decorre a mais vasta campanha de vacinação realizada até agora, com utilização do produto da Pfizer, 12 400 dos 189 mil vacinados testaram depois positivo à Covid-19 (6,2%), 69 dos quais já após as duas doses: 5,3% até ao sétimo dia, 8,3% entre o oitavo e o 14.º dia, 7,2% entre o 15.º e o 21.º dia e 2,6% entre o 22.º e o 28.º dia.

Por outro lado, no Sistema de Registo dos Efeitos Adversos das vacinas contra a Covid-19 do CDC dos Estados Unidos, VAERS, foram inseridas 9645 incidências até 22 de Janeiro, entre as quais 329 casos mortais, em pessoas que receberam vacinas da Pfizer e da Moderna. Trata-se de uma base de dados aberta e passiva onde são inscritos voluntariamente os casos registados – e que constituem uma pequena parte da realidade. O CDC considera que os números «estão dentro do esperado» e que não permitem deduzir que exista uma relação de causa e efeito entre a vacinação e os efeitos registados. Outras agências de controlo de doenças, designadamente a britânica e a europeia, procedem exactamente da mesma maneira perante a apresentação de situações adversas surgidas depois da vacinação.


A vacina Sputnik V foi registada em Agosto de 2020 pelo Centro Nacional de Investigação e Microbiologia Gamaleya, em Moscovo, na Rússia. O nome da instituição homenageia o insigne médico, microbiologista e epidemiologista russo e soviético Nikolai Fedorovitch Gamaleya (1888-1949)

Alargar horizontes

Na sua ânsia de conduzir o processo de acordo com os interesses que serve, os dos gigantes da indústria de medicamentos, a Comissão Europeia pôs claramente o carro à frente dos bois e arrastou os governos dos Estados membros numa estratégia infundamentada e sanitariamente arriscada.

Tendo em conta que está em causa o bem mais precioso das pessoas, a sua saúde, a Comissão Europeia e os governos não poderiam nem deveriam encerrar-se num processo estanque entregue a um monopólio pouco fiável em termos de respeito pela condição humana.

Tanto mais que, nos mais puros termos de mercado, existe ampla concorrência em relação à Pfizer, à Moderna e à AstraZeneca. Alguma dela com a vantagem de não ter aproveitado a ocasião para inventar através do recurso a metodologias nunca experimentadas em seres humanos e optar pela imunização à Covid-19 segundo modos mais tradicionais e cientificamente comprovados de produção de vacinas. É o caso, entre outros exemplos, da Coronavac chinesa e da Sputnik V russa. Que estão também elas em fase experimental, porque reduziram o período de duração dos testes e, no caso da russa, saltou também a fase de experiência em animais. Porém, têm a vantagem de resultar de métodos conhecidos e já com décadas de existência e prática, portanto com um histórico de efeitos e incidências menos sujeitos ao risco do desconhecido. A saúde de milhões de pessoas mereceria pelo menos que se pensasse nessas variantes.

Alargando horizontes, a Comissão Europeia proporcionaria uma capacidade de escolha informada aos cidadãos e reforçaria a quantidade, minimizando os riscos de ruptura de abastecimentos.

A Coronavac e a Sputnik V, no entanto, têm a inultrapassável desvantagem de desafiarem o garbo geopolítico ocidental, que pretende convencer as suas opiniões públicas de que sociedades tão «maléficas» não são capazes de produzir medicamentos pelo menos tão bons e eficazes como os dos monopólios farmacêuticos «civilizados».

Que não seja por isso. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, há quase 200 processos no mundo para produção de vacinas contra a Covid-19. Situação que aconselharia a Comissão Europeia e os Estados membros a estudar mais atentamente esses casos e a pesar de maneira muito mais fundamentada e eficaz a defesa do interesse que deveria estar no topo de tudo: a saúde pública.

Há, evidentemente, mais por onde escolher do que a Pfizer, a Moderna e a AstraZeneca com o seu penoso cortejo de atrasos, incumprimentos, garantias insuficientemente fundamentadas e ameaças para cidadão ver. A abundância prometida e contratada de centenas de milhões de doses transformou-se numa arrastada entrega de milhares, aos poucos e arrancada a ferros.

Por isso existem governos, certamente não tão «bons alunos» como o de Lisboa, que começaram a traçar caminhos próprios para cuidar da saúde dos seus. O húngaro, do famigerado Orban, comprou vacinas russas; o sueco, farto de tanta espera, está a fazer o seu próprio contrato bilateral com a AstraZeneca; a Alemanha – a própria Alemanha, imagine-se – encara a possibilidade de fabricar a Sputnik V moscovita.

A estratégia da Comissão Europeia começa a abrir rombos. O receio é que o governo português se lhe mantenha fiel até ao naufrágio anunciado.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Quando Deus é o mercado e a religião é o dinheiro


Carl Levin Milton, advogado e ex-senador pelo Michigan, foi curto e grosso sobre o Goldman Sachs, quando o identificou como “um ninho financeiro de cobras, repleto de ganância, conflitos de interesses e delitos”. O Libération foi fino quando opinou que Durão Barroso fez um simples manguito à Europa.  Eu parafraseio ambos para acrescentar que tudo converge. Se há talento que Durão Barroso sempre teve foi para aproveitar as oportunidades e fazer manguitos à ética e à moral. Foi assim quando desertou do Governo; foi assim quando cooperou com o crime do Iraque; é assim, agora, quando regressa aonde sempre esteve, isto é, para junto dos que promovem fortunas obscenas e calcam os mais fracos. A sua ignóbil conduta faz-me pensar nos valores que a educação instila nos jovens.  

A educação é pautada pela doutrina da sociedade de consumo. Os alunos são orientados para os desejos que a orgia da publicidade fomenta. Paulatinamente, muitos professores foram-se transformando em peões de um sistema sem humanidade. Paulatinamente, aceitaram desincentivar os seus alunos de questionar e discutir causas e razões.  Teoricamente livres, usamos a nossa liberdade para permitirmos que nos condicionem. Tudo é mercadoria, educação inclusa. Preferimos estar sujeitos a mecanismos de controlo social a criar mecanismos de oposição ao sistema e de desenvolvimento de outro tipo de desejos: o desejo de visitar a vida, de cooperar com os outros.  

Os sistemas de educação deixam as nossas crianças sem tempo para serem crianças. Porque lhes definimos rotinas e obrigações segundo um modelo de adestramento que ignora funções vitais de crescimento. O ritmo de vida das crianças é brutalmente acelerado segundo o figurino errado de vida que a sociedade utilitarista projecta para elas. Queremos que elas cresçam depressa. A pressa marca tudo e produz ansiedade em todos. Não lhes damos tempo para errar e aprender com os erros, quando o erro e a reflexão sobre ele é essencial para o desenvolvimento dos jovens. É a ditadura duma sociedade eminentemente competitiva e utilitária, mas pobre porque esqueceu a necessidade de formar os seus, também, pelas artes, pela estética e pela música.  

Muitos dizem que temos a geração mais preparada de sempre. Mas será que temos? Ou será que temos, tão-só, uma geração com uma relação elevada entre o número dos seus elementos e os graus académicos que obtiveram? E preparada para quê? Para responder ao “mercado” ou para responder às pessoas? É que há uma diferença grande entre qualificar e certificar, preparar e diplomar.  Quantos pais e quantos políticos se preocuparão hoje com o desconhecimento dos jovens acerca de disciplinas essenciais para a compreensão da natureza humana? Refiro-me, entre outras, à filosofia, à literatura, à história, à antropologia, à religião, à arte. Obliterados que estão todos com a economia e as finanças, enviesada que é a sua forma de definir a qualidade de vida das sociedades, sempre medida pelo crescimento do PIB mas nunca pela forma como ele é dividido, dão um contributo fortíssimo para apagar a visão personalista da educação e promover a visão utilitarista e imediatista, que acaba comprometendo a própria democracia. Porque troca o pensamento questionante pela aceitação obediente, de que os mercados carecem. Este minguar do conceito de educação vem transformando a sua natureza pluridimensional numa via única, autoritária, geradora do homem mercantil e do jovem tecnológico, de exigências curtas. E não se conclua daqui que desvalorizo o progresso tecnológico, mas tão-só que rejeito o enfoque único nessa via, para que tendemos mais e mais, como referência dominante da decisão política. Provavelmente porque é bem mais fácil manipular o tecnólogo que o artista, o tecnocrata que o livre-pensador.  

A universidade é talvez o mais evidente espelho do que afirmo. Tem a sua natureza cada vez mais corrompida por conceitos de mercado, que vão condicionando o conhecimento gerado pelos seus investigadores. Com efeito, os programas de financiamento da investigação estão marcados pela natureza dos resultados previstos. Hoje procura-se mais a utilidade do conhecimento. Antes partia-se para a procura da verdade, mesmo que essa verdade não tivesse utilização mercantil ou não gerasse lucro imediato. O professor universitário, como intelectual puro, passou de moda. Antes, a missão dos universitários era pensar. Agora é produzir.  A valorização da cultura universal cedeu passo a múltiplos nichos de cultura utilitarista. Houve, por parte dos interesses económicos e empresariais como que uma expropriação do trabalho académico de outros tempos. A utilização da inteligência está canalizada, preferencialmente, para a inovação que interessa às empresas e que elas vão, depois, utilizar, tendo lucros. A universidade, que oferecia conhecimento, vai virando universidade que oferece serviços. A pressão para que os docentes produzam e sejam avaliados por rankings é o reflexo desta nova filosofia, onde Deus é o mercado e a religião é o dinheiro.

In “Público” de 13.7.16

quinta-feira, 27 de março de 2014

Documentário: Goldman Sachs - o banco que dirige o mundo







A Goldman Sachs tornou-se um supra-poder mundial. Um banco “demasiado grande para cair”, que criou e vendeu activos tóxicos para enganar propositadamente os seus clientes e construir um império premiando dirigentes políticos que actuam ao seu favor. Um banco que manda em estados e governos, entre os quais o do nosso país.

José Luís Arnault, antigo braço direito de Durão Barroso e cujo escritório foi um dos intervenientes no processo de privatização da REN, ANA e CTTs, foi a última aquisição política portuguesa da Goldman Sachs.

Este documentário desvenda os mecanismos da Goldman Sachs para dirigir o mundo.
[fonte Inflexão]

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Sair do Nuclear é possível!


A. Do mais recente para o mais antigo

1. Durão Barroso apela à Europa para se empenhar numa terceira revolução industrial, a do nuclear. Mas países como a Áustria, a Alemanha, a Irlanda, a Letónia, a Noruega e a Itália mostram-se reticentes, alegando o aumento dos perigos da proliferação nuclear

2. Na Itália, as autoridades investigam um clã mafioso suspeito de alegado contrabando de lixo nuclear para a Somália para produção de plutónio.

3. Combustível radioactivo da central nuclear de Almaraz vai ser transportado de camião para a Bélgica. Só a segurança representa 297 milhões de euros.

4. Há 30 grupos interessado na construção da central nuclear de Cernavoda, na Roménia.

5. A Letónia, a Estónia, a Lituânia e a Polónia vão assinar acordo de construção de central nuclear que substituirá a de Ignalina. (via blogue Ondas)

B. Ver e ler aqui a lista dos 10 locais mais poluídos do Mundo Relatório 2007 do Blacksmith Institute, publicado em Setembro deste ano, CHERNOBYL, UKRAINE, mantém-se, bem como locais onde existem fábricas de exploração mineira de metais pesados.

C. Sobre o ITER , Stephane Lhomme, da organização ambientalista francesa Sortir du Nucléaire (Sair do Nuclear), disse à IPS que o reactor apresenta uma tecnologia muito perigosa e sem futuro. Lhomme considera provável que o ITER nunca produza energia, o que o converteria num novo fracasso do governo. O Estado francês investiu quase US$ 9 bilhões no reactor nuclear Superphénix antes de fechá-lo em 1998 porque não chegou a gerar um único watt de energia, recordou o cientista. (Julho de 2005)

Como sair do Nuclear?
Impulsionar políticas e práticas de eficiência energética, reestruturação de entidades políticas-chave como a ONU (não haver direito a veto, por exemplo), reestruturação da CEE (reforço de participação cívica, orçamentos participativos, etc...), paradigmas socio-culturais mais equilibrados (regulação da população humana a nível do planeta), de planos nacionais e regionais de Educação Ambiental, Alimentar, de Mobilidade e de Saúde Ambiental transversais em todas as sociedades, produção sustentável de energia e medidas de remediação para as consequências que as alterações climáticas previsivelmente terão a prazo (menos barragens, mais reabilitação do imobiliário construído, agricultura biológica, etc...)