Mostrar mensagens com a etiqueta António Gedeão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta António Gedeão. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Dia Nacional da Cultura Científica


A atribuição do Grande Prémio Nacional Ciência Viva 2025 enche-me de alegria profunda e de imensa gratidão. Recebo este reconhecimento com emoção, porque vem de uma instituição que representa a expressão viva da nossa cultura científica.

A Ciência Viva é uma das histórias mais inspiradoras e bonitas do nosso país. Conseguiu algo que parece simples, mas que é profundamente transformador: aproximar a ciência das pessoas. De todas as pessoas. 

A Ciência Viva não é apenas uma agência; é uma ideia tornada movimento. É uma arquitetura de oportunidades que, ao longo de quase três décadas, fez da ciência uma dimensão quotidiana da vida cívica, chegando a escolas, famílias, museus, autarquias, investigadores, artistas e comunidades locais — sempre com um programa coerente, exigente e, simultaneamente, inclusivo. A sua força reside precisamente na diversidade dos públicos a que chega e na capacidade de renovar continuamente as formas de diálogo entre ciência e sociedade.

Neste dia 24 de novembro, Dia Nacional da Cultura Científica, não posso deixar de evocar Rómulo de Carvalho — mestre da curiosidade, da poesia e do rigor — e recordar as palavras visionárias de Mariano Gago, que descreveu esta data como “um momento privilegiado de equilíbrio, reflexão e ação sobre o papel do conhecimento no nosso futuro”. Essa visão permanece viva na Ciência Viva: na forma como estimula o pensamento crítico, alimenta a imaginação e fortalece uma cidadania que não teme fazer perguntas.

A ciência inspira. Abre janelas. Dá linguagem às perguntas que trazemos dentro. E quando vemos crianças e jovens portugueses aproximarem-se dela com paixão, confiança e vontade de transformar, sentimos que há futuro. Um futuro que nasce do espanto, da coragem de pensar mais longe e da liberdade de imaginar.

A ciência tem este poder raro: despertar, em todas as idades, o impulso de descobrir, experimentar e compreender. Ver crianças e jovens encontrar na ciência não apenas uma paixão, mas também um propósito, é uma das maiores conquistas do nosso país democrático. É a prova de que investir na cultura científica é investir em liberdade, futuro e esperança.

Como bióloga, sinto ainda uma responsabilidade acrescida. Num tempo marcado por desafios ambientais sem precedentes, este prémio recorda-me que comunicar ciência, envolver comunidades e valorizar o conhecimento são atos essenciais de cuidado com a natureza e com o mundo vivo. A transição para uma sociedade que reconhece a sua interdependência ecológica só será possível com mais ciência, mais participação e mais cultura científica.

Por tudo isto, este prémio é, para mim, um estímulo e um compromisso renovado: continuar a contribuir para uma ciência presente, aberta, dialogante e capaz de inspirar mudança.
Muito obrigada.

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Dia Nacional da Cultura Científica


Este Dia Nacional da Cultura Científica foi criado em 1996 em Portugal. Foi escolhido o dia 24 de novembro para a sua celebração pois foi neste dia (em 1906) que nasceu Rómulo de Carvalho, o professor de Física e Química responsável pela promoção do ensino de ciência e da cultura científica em solo nacional. Rómulo de Carvalho foi também poeta, sob o pseudónimo de António Gedeão.

Este dia deverá ser «momento privilegiado, todos os anos, de balanço, de reflexão e de acção sobre o papel do conhecimento no nosso futuro» Mariano Gago, Público, 24 de Novembro de 1996.

A ciência e a investigação científica entusiasmam crianças, jovens e adultos. A curiosidade e a ambição do conhecimento, a procura de soluções para os problemas, o confronto de ideias, a audácia do pensamento, são alguns dos alicerces de um encantamento único. Não surpreende a forma extraordinária como tem crescido a comunidade de jovens portugueses que se deixam seduzir pela ciência.

2- Livros Top: Ciência e Literatura - Teresa Firmino à conversa com Teresa Calçada e Rui Agostinho sobre a relação entre Ciência e Literatura: a sua importância para a compreensão do mundo e de como o conhecimento científico pode inspirar a criação literária.

quinta-feira, 21 de março de 2019

Dia Internacional das Florestas e da Árvore

Poema das árvores

As árvores crescem sós. E a sós florescem.
Começam por ser nada. Pouco a pouco
se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.
Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,
e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.
Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,
e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,
e os frutos dão sementes,
e as sementes preparam novas árvores.
E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.
Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.
Sós.
De dia e de noite.
Sempre sós.
Os animais são outra coisa.
Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,
fazem amor e ódio, e vão à vida
como se nada fosse.
As árvores, não.
Solitárias, as árvores,
exauram terra e sol silenciosamente.
Não pensam, não suspiram, não se queixam.
Estendem os braços como se implorassem,
com o vento soltam ais como se suspirassem,
e gemem, mas a queixa não é sua.
Sós, sempre sós.
Nas planícies, nos montes, nas florestas,
A crescer e a florir sem consciência.
Virtude vegetal viver a sós
e entretanto, dar flores.
António Gedeão, “Obra Poética”

terça-feira, 8 de março de 2016

António Gedeão- "Poema do Futuro"


Conscientemente escrevo e, consciente, 
medito o meu destino.
No declive do tempo os anos correm, 
deslizam como a água, até que um dia
um possível leitor pega num livro
e lê,
lê displicentemente,
por mero acaso, sem saber porquê.
Lê, e sorri.
Sorri da construção do verso que destoa
no seu diferente ouvido;
sorri dos termos que o poeta usou
onde os fungos do tempo deixaram cheiro a mofo;
e sorri, quase ri, do íntimo sentido,
do latejar antigo
daquele corpo imóvel, exhumado
da vala do poema.
Na História Natural dos sentimentos
tudo se transformou.
O amor tem outras falas,
a dor outras arestas,
a esperança outros disfarces,
a raiva outros esgares.
Estendido sobre a página, exposto e descoberto,
exemplar curioso de um mundo ultrapassado,
é tudo quanto fica,
é tudo quanto resta
de um ser que entre outros seres
vagueou sobre a Terra.
António Gedeão, in 'Poemas Póstumos'

domingo, 24 de novembro de 2013

Encontros Improváveis: António Gedeão e Sleep Party People- The City Light Died

"É necessário amar, qualquer coisa, ou alguém; amar por claridade, sem dever a cumprir; uma oportunidade para olhar e sorrir."~ António Gedeão


Sleep Party People- The City Light Died

Tenho feito alguns contactos com a terceira idade e acredito que é fundamental CRIAR e PROPICIAR espaços e  mais projectos como a dos AVÓS SOCIAIS que possam proporcionar a transmissão de estórias, fábulas e afectos aos mais novos.



A linha "biológica" é muito forte e por "ignorância" os séniores isolam-se e a sociedade tende a subjugar o primado biológico em vez de procurar a abertura e mais disponibilidade de fazer os idosos ainda muito importantes...senão deixamos morrer em nós a INFÂNCIA...

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Como elevar o primado da diversidade humana dentro da maior mentira do séc. XXI que é a austeridade

Muito precisava desta lentidão e qualidade pedagógica e elevação estética que não existe no telelixo. Os pais e professores estão cada vez mais isolados. Vamos deixar que o economês nos derrube?

Acho que temos que contornar as ideologias e trazer valores ao debate político. Trabalharmos as fronteiras que nos une e que nos divide. Caso contrário, o Holocausto repetir-se-à. A austeridade carrega em si um programa ideológico e não um programa de crescimento ou de economia ou de paz. Imagino-me e tenho cada vez mais a sensação de caminhamos para a autofagia, como no filme Apocalypto. Será a História sempre um eterno Big-bang e um Big-crash? Não poderemos inverter activamente por meios pacíficos? Eu vejo isso pelo meu próprio filho e enquanto professor: há demasiado bullying nas escolas, as aprendizagens estão desfasadas e comprimidas por causa dos exames, quase tudo reduzido a papel e lápis e copiar/colar , mais do que Ensino pelos processos e reflexões. A sociedade desabou/colapsou-se do consumismo e adormecida pela Disney Kids e telelixo e futebol que propaga valores de conflito e parvoíce...Depois o patronato em crise com o trabalhador. Na AR não devia haver disciplina de voto. Aos deputados pede-se mais deveres cumpridos do que zelar por seus interesses e por seus direitos. Sei que alguns são raríssimas excepções, mas indigna-me ver como presidenta da AR, uma reformada aos 40 e poucos anos! Indigna-me saber que quase 60% de deputados são acessores de empresas e de escritórios de advogados...etc, etc...E temos em mãos 1,5 milhão de pobres e 3 milhões em pura sobrevivência...O fio já é grande. Para terminar um video com fotos de várias populações e etnias humanas e um poema cortante de António Gedeão. Cumprimentos a todos.

Homem 
Inútil definir este animal aflito. 
Nem palavras, 
nem cinzéis, 
nem acordes, 
nem pincéis são gargantas deste grito. 
Universo em expansão. 
Pincelada de zarcão 
desde mais infinito a menos infinito. 
António Gedeão

domingo, 24 de abril de 2011

Poema da Semana- António Gedeão : Fala do Homem Nascido



Venho da terra assombrada
do ventre de minha mãe
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém


Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci

Trago boca pra comer
e olhos pra desejar
tenho pressa de viver
que a vida é água a correr

Venho do fundo do tempo
não tenho tempo a perder
minha barca aparelhada
solta o pano rumo ao norte
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada

Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham
nem forças que me molestem
correntes que me detenham

Quero eu e a natureza
que a natureza sou eu
e as forças da natureza
nunca ninguém as venceu

Com licença com licença
que a barca se fez ao mar
não há poder que me vença
mesmo morto hei-de passar
com licença com licença
com rumo à estrela polar"

António Gedeão-José Niza-Adriano Correia de Oliveira

domingo, 20 de março de 2011

Tempo poético: Aurora Boreal

Aurora boreal



Tenho quarenta janelas nas paredes do meu quarto. 
Sem vidros nem bambinelas posso ver através delas o mundo em que me reparto. 
Por uma entra a luz do Sol, por outra a luz do luar, 
por outra a luz das estrelas e o amor dos homens, e o tédio, que andam no céu a rolar.




Por esta entra a Via Láctea como um
vapor de algodão,
por aquela a luz dos homens,
pela outra a escuridão. Pela maior entra o espanto, pela menor a certeza,
pela da frente a beleza que inunda de canto a canto. 
Pela quadrada entra a esperança de quatro lados iguais, quatro arestas, quatro vértices, quatro pontos cardeais 
Pela redonda entra o sonho, que as vigias são redondas, e o sonho afaga e embala à semelhança das ondas.




Por além entra a tristeza,
por aquela entra a saudade,
e o desejo, e a humildade,
e o silêncio, e a surpresa,
e o medo, e a melancolia, e essa fome
sem remédio
a que se chama poesia, e a inocência,
e a bondade,
e a dor própria, e a dor
alheia, e a paixão que se incendeia,
e a viuvez, e a piedade,

e o grande pássaro branco, e o grande
pássaro negro que se olham obliquamente, arrepiados de medo,
todos os risos e choros, todas as fomes e sedes,
tudo alonga a sua sombra nas minhas
quatro paredes. 
Oh! janelas do meu quarto, quem vos pudesse rasgar!
Com tanta janela aberta
falta-me a luz e o ar.
António Gedeão

sábado, 8 de maio de 2010

Homem, por António Gedeão

Homem
Inútil definir este animal aflito.
Nem palavras,
nem cinzéis,
nem acordes, ...
nem pincéis são gargantas deste grito.
Universo em expansão.
Pincelada de zarcão
desde mais infinito a menos infinito.
António Gedeão

domingo, 28 de dezembro de 2008

Odete Santos declama "Calçada de Carriche" de António Gedeão


Aos 39:14 minutos a ex-deputada Odete Santos declama com muita sabedoria o poema "Calçada de Carriche" de António Gedeão

Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe
sobe a calçada.

Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas,
não dá por nada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu da sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada;
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce a calçada,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.
Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

António Gedeão, in 'Teatro do Mundo' 1958

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Sementes de Luz


A razão de ser do título prende-se não só com o facto de se comemorar hoje o Dia da Floresta Autóctone (data que deveria substituir em protagonismo o Dia Mundial da Floresta, celebrado numa época do ano pouco adequada, no nosso País, às plantações de árvores) mas também este vídeo de Sandra Egidio como raíz e tronco sobre o quanto belo tem o mundo e quanta luz pode iluminar os nossos desígnios com mais gestos de solidariedade , de abraços e com ramos e folhas para enviar a boa mensagem e frutos e delas germinando sementes do amanhã, celebrando os esposais entre os humanos e a natureza, citando António Gedeão.

Sítios da Semana


Amanhã, 24 de Novembro é o Dia Sem Compras. Sugiro que visitem Vigotroca: um novo espaço para fazer trocas de bens; é a aposta dum conjunto de associações a favor do consumo consciente, pela reutilização e a reciclagem, pela participação cidadã e a recuperação da rua como espaço de conhecimento, relação e disfrute.




Blogue de Natureza e Fadas, tudo em Chaminé de Fadas

sexta-feira, 21 de outubro de 2005

Racismo Ambiental


Acham que é só em relação a África, Páises das Américas, etc...Não, temos que fazer o melhor e muito para dotar as nossas cidades de habitação, recursos, empregos e distribuição de riqueza sem discriminações nem preconceitos nem xenofobia....potenciadores do racismo ambiental.

Manuel Freire : Lágrima de preta
Música: José Niza
Letra: António Gedeão

--------------------------------------------------------------------------------

Encontrei uma preta
que estava a chorar
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado

Olhei-a de um lado
do outro e de frente
tinha um ar de gota
muito transparente

Mandei vir os ácidos
as bases e os sais
as drogas usadas
em casos que tais

Ensaiei a frio
experimentei ao lume
de todas as vezes
deu-me o qu'é costume

Nem sinais de negro
nem vestígios de ódio
água (quase tudo)
e cloreto de sódio

Na sequência da contribuição dos meus amigos do Terra Viva que muito têm feito para que se fale desta problemática do racismo ambiental, resolvi reproduzir aqui o seu texto. O racismo ambiental é uma forma de discriminação e de prejuízo direccionado em que se torna evidente o resultado catastrófico da hierarquização que os seres humanos estabeleceram entre si e em relação ao meio natural. A hierarquia resulta da percepção de superioridade dos mais poderosos politica, económica e socialmente em relação aos mais fracos, superioridade essa que os faz pensar que podem dispor do que julgam inferior a seu bel-prazer.

Assim sendo, o racismo ambiental pode-se definir como sendo a colocação intencional de lixeiras perigosas, aterros sanitários, incineradoras, indústrias poluidoras, etc., em comunidades habitadas por minorias étnicas ou pelas camadas mais desfavorecidas economicamente da população. Estas comunidades são particularmente vulneráveis porque são vistas como não reivindicativas, sem poder de negociação e fracas politicamente devido à sua enorme dependência dos empregos e ao medo pela própria sobrevivência económica.

Estas são as razões profundas que estão na génese do racismo ambiental:

. Racismo - antes de mais o próprio racismo enraizado nas mentalidades que gera um padrão duplo a respeito das práticas ambientais que são aceitáveis para cada comunidade.

. Poder transnacional e mobilidade das multinacionais - as grandes corporações tornaram-se mais poderosas que os estados nacionais e, com a conivência destes, exercem o seu poder sem dar contas a ninguém a não ser aos seus accionistas. A sua grande mobilidade permite-lhes exercer chantagem sobre as comunidades que vêm a mudança de localização da empresa como uma possibilidade que as leva a aceitar riscos ambientais e perca de direitos laborais.

. O lucro antes das pessoas - O impacto que as industrias de extracção e de processamento têm na saúde humana não importa quando se procura aumentar os lucros.

. Padrões ambientais menos exigentes no estrangeiro - os países em que há regras ambientais menos rígidas são os mais apetecíveis para as multinacionais. As populações são, por sua vez, menos reivindicativas e exigentes.

. Falta de poder - as minorias étnicas na Nigéria, as pequenas comunidades rurais dos EUA, os povos indígenas por todo o mundo, etc. têm algo em comum: não têm poder sobre o seu destino, seja ele político ou de outra natureza.

sexta-feira, 18 de junho de 2004

Poema da Semana - Árvore rumorosa por António Gedeão


Árvore rumorosa pedestal da sombra
Sinal de intimidade decrescente
Que a Primavera veste pontualmente
E os olhos do poeta de repente deslumbra.

Receptáculo anónimo do espanto
Capaz de encher aquele que direito à morte passa
E no ar da manhã inconsequentemente traça
O rasto desprendido do seu canto.

Não há Inverno rigoroso que te impeça
De rematar esse trabalho que começa
Na primeira folha que nos braços te desponta

Explodiste de vida e és serenidade
E imprimes no coração mais fundo da cidade
A marca do princípio a que tudo remonta.

António Gedeão in Primavera