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terça-feira, 4 de agosto de 2026

A geopolítica do cacau: soberania económica, agroecologia e a resistência à monocultura biotecnológica

A recente melhoria nas condições meteorológicas em importantes regiões produtoras trouxe um alívio temporário ao mercado internacional do cacau. De acordo com análises do setor (como as divulgadas pelo portal Mercado do Cacau), a chuva regular favoreceu o desenvolvimento das lavouras, permitindo que a cotação da matéria-prima ensaiasse uma recuperação. No entanto, esse impulso nas bolsas de commodities continua a ser limitado pela acumulação de estoques nos principais portos importadores e pela volatilidade da procura global.

Embora o suporte climático ofereça uma trégua a curto prazo, a cadeia de abastecimento global ainda carrega as cicatrizes do forte défice causado pelo fenómeno El Niño. Os países da África Ocidental - em especial a Costa do Marfim e o Gana, que juntos concentram mais de metade da oferta mundial, além da Nigéria e dos Camarões - continuam a enfrentar desafios estruturais profundos, como o envelhecimento dos pomares, a degradação dos solos e a persistência de doenças como a podridão-parda e o vírus do broto inchado.

Segundo dados estatísticos da International Cocoa Organization (ICCO), o mercado global caminha para um reequilíbrio delicado, passando dos déficits recordes de safras anteriores para uma projeção de pequeno superávit.

Análises detalhadas do International Food Policy Research Institute (IFPRI) revelam que a vulnerabilidade do setor não resulta apenas do clima, mas de uma rigidez estrutural: a dependência da exportação de grãos em bruto e o modelo de monocultura intensiva, que expõe os pequenos agricultores à especulação dos mercados globais.

1. A encruzilhada tecnológica: a pressão do CRISPR e da cultura celular
Como resposta à crise, o Norte Global e as multinacionais agroalimentares têm acelerado a promoção de soluções laboratoriais e patenteadas:
  • Edição genómica (CRISPR/Cas9): Investigações focam-se no desenvolvimento de cacaueiros geneticamente alterados para resistir a fungos e secas, com estudos publicados em revistas como a Nature. Nos EUA (via regras do USDA- SECURE) e progressivamente na UE (através da regulamentação de Novas Técnicas Genómicas - NGT 1 supervisionada pela EFSA), estas plantas caminham para a isenção do rótulo de OGM.
  • Cultura celular e sintéticos: Startups desenvolvem massa de cacau em biorreatores industriais ou alternativas sem cacau por fermentação de precisão, visando suprir a oferta sem depender do cultivo agrícola tradicional.
Para muitos peritos e organizações dos países produtores, este caminho não resolve as causas profundas da crise: transfere o controlo da produção agrícola para patentes corporativas e arrisca marginalizar milhões de pequenos agricultores na África Ocidental.

2. As vias de empoderamento e soberania dos países produtores
Em alternativa à dependência de patentes de laboratório, especialistas em agronomia tropical e economia de desenvolvimento apontam para quatro pilares fundamentais de autonomia e resiliência:

A. Agroecologia e Sistemas Agroflorestais (SAFs)
Em vez de modificar o DNA da planta para suportar solos degradados e Sol pleno, os Sistemas Agroflorestais recriam o ecossistema original do cacaueiro. Ao cultivar cacau sob a copa de árvores nativas, fruteiras e espécies florestais:
  • Mantém-se a humidade do solo e reduz-se a temperatura local em vários graus, anulando os efeitos térmicos do El Niño.
  • Promove-se o controlo biológico de pragas, eliminando a necessidade de pesticidas sintéticos.
  • Garante-se a diversificação de rendimentos dos agricultores com a venda de frutas, madeira e outros alimentos.
B. Processamento Local e Retenção do Valor Acrescentado
A África Ocidental exporta tradicionalmente a matéria-prima em bruto, retendo menos de 10% do valor final de um mercado global avaliado em mais de 100 mil milhões de dólares. O verdadeiro empoderamento passa pela industrialização nacional na Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões, transformando o grão em manteiga, massa e chocolate acabado antes da exportação, retendo os lucros e gerando emprego qualificado localmente.

C. Negociação Coletiva de Mercado (LID - Livelihood Income Differential)
Através de alianças regionais entre governos produtores, a implementação do prémio fixo por tonelada (LID) sobre o preço de mercado assegura um rendimento mínimo digno aos agricultores. O fortalecimento do comércio justo (Fairtrade) e o poder de negociação em bloco impedem que as multinacionais imponham preços abaixo do custo de produção.

D. Seleção Tradicional e Bancos de Germoplasma
O melhoramento agronómico tradicional - com seleção de variedades locais naturalmente resistentes a pragas e secas, aliado a técnicas de enxertia - permite renovar os pomares sem recorrer a transgenia ou CRISPR, preservando o património genético nativo e a autonomia das sementes.

3. Matriz Comparativa de Modelos de Desenvolvimento
DimensãoModelo Tecnológico Ocidental (CRISPR / Biorreatores)Modelo de Soberania Agroecológica (SAFs / Industrialização Local)
Soberania e PropriedadeDependência de patentes e empresas de biotecnologiaControlo comunitário, estatal e dos pequenos agricultores
Resiliência ClimáticaModificação genética da planta (solução laboratorial)Restauração do microclima e da biodiversidade florestal
Modelo EconómicoManutenção da importação de matérias-primas baratasProcessamento local e retenção do valor acrescentado
Rácio de RiscosPerda de mercado para os produtores tradicionaisProteção da biodiversidade e diversificação de rendimentos
A crise do cacau na África Ocidental expôs os limites da monocultura tradicional. No entanto, o futuro do setor não precisa de passar pela entrega do património agrícola a laboratórios estrangeiros: a combinação de agroecologia, justiça comercial e industrialização nos países de origem posiciona-se como a resposta mais duradoura, justa e sustentável.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Ainda o Mundial de Futebol- Denúncia de Racismo

Aleksander Čeferin

As federações de futebol de Cabo Verde, Curaçau, Usbequistão, Congo, Haiti, Argélia, Tunísia, Marrocos, Egito, Gana, Senegal, Costa do Marfim e África do Sul expressam a sua profunda desilusão após as recentes declarações do presidente da UEFA, Aleksander Čeferin, sobre a expansão do Mundial da FIFA e a sua classificação de muitos jogos como 'desinteressantes'.

Para os nossos países, não existe nenhum jogo insignificante no Mundial da FIFA.

Para os nossos países, o apuramento para o Mundial da FIFA representa uma conquista histórica e a realização de um sonho partilhado por gerações.

Sugerir que alguns dos nossos jogos seriam de alguma forma menos importantes é profundamente dececionante e equivale a ignorar os esforços, sacrifícios e aspirações de jogadores, treinadores, clubes, dirigentes do futebol e adeptos em todo o mundo.

Por trás de cada apuramento, existem anos de trabalho árduo e investimento. Por trás de cada seleção nacional, existem comunidades inteiras e milhões de pessoas que veem o futebol como uma fonte de orgulho, esperança e união.

O futebol não pertence a um pequeno grupo de líderes privilegiados. A sua força reside na sua universalidade.

O Mundial da FIFA é a maior competição de futebol do mundo justamente porque reúne diferentes culturas, diferentes histórias e diferentes trajetórias no futebol.

Para muitos países, a participação no Mundial da FIFA não é apenas uma conquista desportiva. É um momento que inspira uma geração, acelera o desenvolvimento do futebol e cria memórias para a vida toda.

Acreditamos que toda a nação que se apura merece respeito.

Cada equipa qualificou-se por mérito.

Cada jogo conta.
Assinado por:
Federação Cabo-Verdiana de Futebol
Federação Senegalesa de Futebol
Federação de Futebol de Curaçao
Federação de Futebol do Uzbequistão
Federação Congolesa de Futebol
Federação Haitiana de Futebol
Em solidariedade com:
Federação Argelina de Futebol
Federação Tunisiana de Futebol
Federação Real Marroquina de Futebol
Federação Egípcia de Futebol
Associação de Futebol do Gana
Federação Marfinense de Futebol
Associação Sul-Africana de Futebol

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Laibach - Musick (feat. Wiyaala)


Musick
(feat. Wiyaala)

(Intro: Wiyaala)
Aha, yeah!
We’re gonna play some musick!

(Verso 1: Wiyaala)
You wake up and it’s there
In the water, in the air
Streaming through your very veins
Dulling all your daily pains
It’s a virus, it’s a cure
It’s the only thing that’s pure
From the cradle to the grave
Everyone is just a slave

(Refrão: Wiyaala & Milan Fras)
Musick!
It’s the rhythm of the heart
Musick!
Tearing everything apart
Musick!
The obsession, the disease
Musick!
Get down on your knees!

(Verso 2: Milan Fras)
Logic is a failing sound
Silence nowhere to be found
Synthesized and digitized
The human soul is advertised
Feed the rhythm, feed the greed
Everything is what you need
The algorithm knows your name
In the hall of sonic shame

(Ponte: Wiyaala)
(Canto em Sissala/Waala)
We dance to the beat of the machine
The loudest sound you’ve ever seen
Can you feel it?
Can you hear it?
It’s taking over your spirit!

(Outro)
Musick...
Musick...
The beat goes on and on and on...
Aha!

A canção "Musick", uma colaboração entre o coletivo esloveno Laibach e a artista ganesa Wiyaala, apresenta-se como uma fusão audaciosa de Eurodance, Industrial e Afropop. Lançada num contexto de exploração da cultura pop globalizada, a faixa marca uma viragem sonora para o grupo, que adota uma estética eletrónica mais vibrante e rítmica, embora mantenha a sua assinatura ideológica sombria e provocadora. Musicalmente, o tema assenta em batidas mecânicas e sintetizadores acelerados, típicos das pistas de dança europeias, que contrastam de forma fascinante com a energia orgânica, os ritmos tribais e o alcance vocal potente de Wiyaala.

No que toca ao significado, a obra funciona como uma crítica mordaz à omnipresença da música na era digital e ao domínio dos algoritmos. O Laibach utiliza a letra para descrever a música não como uma forma de arte sublime, mas como uma patologia, um vício ou um vírus que infeta a sociedade contemporânea. Não temos mais silêncio; a música nos persegue no supermercado, nos fones de ouvido e nas redes sociais. Através do contraste entre a voz profunda e autoritária de Milan Fras e o entusiasmo visceral de Wiyaala, a canção sugere que o ser humano se tornou um "escravo do ritmo", onde a música é utilizada pela indústria para preencher o silêncio e comercializar a alma humana. Em suma, acanção aponta que a música se tornou um produto de consumo rápido ("The human soul is advertised"), perdendo seu caráter sagrado para se tornar uma "doença" da qual não queremos ser curados.

domingo, 29 de março de 2026

Nesta semana a ONU aprovou, por larga maioria, uma resolução que declara o tráfico transatlântico de escravos "o crime mais grave contra a humanidade". O que isso significa?


A Assembleia Geral das Nações Unidas apoiou esta semana, por larga maioria, uma resolução que declara o tráfico transatlântico de escravos "o crime mais grave contra a humanidade".

A resolução histórica aprovada na quarta-feira foi apoiada pela União Africana (UA) e pela Comunidade das Caraíbas (Caricom). Tinha sido proposta pelo presidente do Gana, John Dramani Mahama, que disse: "Que fique registado que, quando a história chamou, fizemos o que era certo em memória de milhões que sofreram a indignidade da escravatura."

Ao saudar a votação, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, afirmou que a riqueza de muitas nações ocidentais foi "construída sobre vidas roubadas e trabalho forçado".

Assinalando os "castigos bárbaros que mantinham o controlo – desde grilhões e coleiras de ferro a açoites e violência sexual", disse que "não se tratava simplesmente de trabalho forçado".

"Era uma máquina de exploração em massa e de desumanização deliberada de homens, mulheres e crianças. As feridas são profundas e muitas vezes passam despercebidas."

A resolução, apoiada por países africanos e caribenhos, não é juridicamente vinculativa, mas os analistas afirmam que transmite uma mensagem poderosa.

"É já um passo enorme e significativo em termos políticos ter este debate na ONU, mesmo que tenha um valor mais simbólico", disse Almaz Teffera, investigadora sénior sobre racismo da Human Rights Watch, à BBC.

Ela afirma que isto poderia aumentar as hipóteses de progresso nas discussões sobre reparações ou alguma forma de compensação.

A resolução foi aprovada por 123 votos a três, com 52 abstenções, incluindo o Reino Unido e os Estados-membros da UE.

Os Estados Unidos, a Argentina e Israel votaram contra.
A Dra. Erieka Bennett, que lidera o Fórum Africano da Diáspora, sediado no Gana, disse à BBC que a votação teve um significado pessoal para os descendentes de pessoas escravizadas, como ela.

"Significa que sou reconhecida, significa que o meu antepassado finalmente descansa em paz". Para mim, pessoalmente, como afro-americano, é algo avassalador – até que se tenha vivido o que aconteceu, é muito difícil perceber o que isso realmente significa.

Os países afetados pela escravatura têm vindo a pedir reparações há mais de um século. Mas o debate intensificou-se nos últimos anos, sobretudo depois de algumas nações e empresas que historicamente lucraram com o trabalho escravo africano terem pedido formalmente desculpa e anunciado medidas de reparação.

Qual é o argumento a favor das reparações?
Dos séculos XV ao XIX, cerca de 12 a 15 milhões de homens, mulheres e crianças africanos foram capturados e traficados para as Américas para trabalharem como escravos.

Foram enviados para colónias controladas por países europeus, como Espanha, Portugal, França e Reino Unido. Acredita-se que dois milhões de pessoas morreram a bordo dos infames navios negreiros.

Os efeitos de séculos de exploração ainda se fazem sentir nos dias de hoje.

No Brasil, o maior recetor de africanos escravizados – 4,9 milhões, a maioria durante o período em que era colónia portuguesa – as pessoas negras têm o dobro da probabilidade de viver na pobreza. como brancos, de acordo com o órgão oficial de estatísticas do país (IBGE).

As reparações têm como objetivo funcionar como uma restituição – um pedido de desculpas e um pagamento às pessoas negras cujos antepassados ​​foram forçados à escravatura. A moção, proposta pelo Gana, insta os Estados-membros da ONU a considerarem pedir desculpa pelo tráfico de escravos e a contribuírem para um fundo de reparações.

A Dra. Esther Xosei, académica, ativista e figura de destaque no movimento global pelas reparações, saudou a votação, mas duvida que faça grande diferença por si só.

"É uma boa vitória [para o movimento pelas reparações], mas vamos recordar “Isto é apenas uma declaração de intenções”, disse ela à BBC.

Xosei acrescentou que, embora fosse “encorajador ver as nações africanas a assumir o protagonismo nestas discussões”, destacou a importância da ação popular.

“Corações e mentes não serão conquistados na ONU.”

“A verdadeira batalha será travada nas ruas, onde as pessoas ainda estão mal informadas sobre a história da escravatura e os seus efeitos duradouros na vida dos africanos e dos seus descendentes.”

Existe algum precedente histórico para as reparações?
Sim – o caso de reparações mais famoso envolve a Alemanha. Desde 1952, a nação europeia pagou mais de 80 mil milhões de dólares (60 mil milhões de reais) às vítimas judias do regime nazi, incluindo pagamentos a Israel.

Mas, até agora, nunca nenhum país pagou reparações aos descendentes de africanos escravizados ou às nações africanas, caribenhas e latino-americanas afetadas.

A maior parte das reparações pagas pelos governos veio sob a forma de indemnizações aos proprietários de escravos no século XIX, e não àqueles que foram escravizados.

Isto inclui o Reino Unido - na década de 1830, após a abolição da escravatura, o país pagou aos proprietários o equivalente a mais de 21 mil milhões de dólares (16 mil milhões de libras) em valores actuais.

Mesmo nações que pediram formalmente desculpas pelo seu papel na escravatura, como a Holanda em 2022, descartaram reparações financeiras diretas aos descendentes de pessoas escravizadas. O governo holandês criou, em vez disso, um fundo de 230 milhões de dólares para "iniciativas e projetos sociais para lidar com o legado da escravatura".

"O mais importante a compreender é que ninguém está a tentar mudar o passado, mas sim a lidar com as suas consequências no presente", explicou a Dra. Celeste Martinez, investigadora especializada em colonialismo espanhol em África.

"Os legados da escravatura ainda persistem hoje sob a forma de racismo e desigualdade. Reconhecer o passado é crucial se queremos sociedades mais justas e democráticas."

quarta-feira, 4 de março de 2026

Laibach - Allgorhythm (feat. Wiyaala) - Allgorhythm


[Intro - Milan Fras]
(Voz cavernosa e ritmada)
There's a lot of talking
When Laibach drops a song
Because we do it raw
Ignoring every law
We're shattering the rules
We're tearing down the walls

[Pré-Refrão - Wiyaala & Milan Fras]
(Wiyaala): Hey! – (Let’s) go and do the dance
(Wiyaala): Hey! – (Let’s) fall into the bubble trance
(Wiyaala): Hey! – This is our last chance
(Ambos): Hey, hey – We all go rhythm!

[Refrão - Wiyaala & Coro]
All go rhythm! All go rhythm!
All go rhythm! All go rhythm!

[Verso 1 - Milan Fras]
We must keep moving on
The past is dead and gone
No matter what you do
No one cares about your point of view
What matters is the algorithm works for you

[Pré-Refrão - Wiyaala & Milan Fras]
(Wiyaala): Hey! – (We all) go and do the dance
(Wiyaala): Hey! – (Let’s) fall into the bubble trance
(Wiyaala): Hey! – This is our last chance
(Ambos): Hey, hey – We all go rhythm!

[Refrão - Wiyaala & Coro]
All go rhythm! All go rhythm!
All go rhythm! All go rhythm!

[Ponte de Chamada - Wiyaala]
All the girls, and all the boys – All go rhythm!
Let's get loud and make some noise – All go rhythm!
Here's a beat you can't escape – All go rhythm!
Step right in and match the shape! – Let's all go rhythm!

[Interlúdio - Milan Fras]
Algorithm... Let's do it!
Algorithm... Slaves to algorithm!

[Refrão Expansivo - Wiyaala & Coro]
All go rhythm! Algorithm!
All go rhythm!
All go rhythm! Rhythm! Rhythm!
All go rhythm!

[Verso "Massas" - Wiyaala & Milan Fras]
(Wiyaala): All the tired and the poor – All go rhythm!
(Wiyaala): Huddled masses at the doors – All go rhythm!
(Wiyaala): The homeless and the rich – All go rhythm!
(Milan): From all the teeming shores...
(Ambos): Let's all go rhythm!

[Clímax Final - Wiyaala]
Some people go kung fu fighting
Some people go bit-coin mining
Oh yeah!
Some nations go dynamiting
We like to do some crazy rhyming
Yeah!
Wow, wow, wow, yeah...

[Outro - Todos]
All go rhythm!
Let's all go rhythm!
All go rhythm!
All go rhythm!
All go rhythm!
ALL!

Este é o single de impacto que prepara o terreno para o novo álbum de estúdio do Laibach, intitulado "MUSICK", com lançamento marcado para 1 de maio de 2026 pela Mute Records.

A faixa "Allgorhythm", gravada pelos Laibach em colaboração com a cantora ganesa Wiyaala, define-se musicalmente como uma fusão audaz entre o Industrial Marcial e o Afropop, operando dentro de uma estética de vanguarda que o grupo esloveno domina há décadas. O título é um trocadilho semântico direto entre as palavras Algorithm (algoritmo) e Rhythm (ritmo), servindo como o pilar central para uma crítica ácida à contemporaneidade digital. Através de batidas mecânicas e repetitivas que contrastam com a voz orgânica e potente de Wiyaala, a canção explora a transição da humanidade de antigos regimes totalitários para o que o grupo sugere ser a nova "ditadura dos algoritmos". Neste cenário, os cálculos matemáticos e os códigos invisíveis passam a ditar o ritmo da vida, decidindo o que consumimos, como pensamos e de que maneira nos movimentamos socialmente.

O significado da obra aprofunda-se no conflito entre o orgânico e o sintético, onde a presença de Wiyaala simboliza o espírito humano, a terra e o pulso vital em resistência contra uma instrumentação fria e robótica que representa a máquina. Esta dinâmica sugere uma luta pela sobrevivência da essência humana dentro de um sistema técnico que tenta quantificar e automatizar todas as formas de expressão. Fiel à sua veia satírica e provocadora, os Laibach utilizam a estética do controlo para denunciar a uniformização global promovida pela tecnologia. A música transforma o acto de dançar num comando autoritário, sugerindo que a massa moderna, embora se sinta livre, está apenas a seguir ordens programadas por inteligências artificiais num regime de opressão invisível e omnipresente.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Indigenous Communities Report Dramatic Loss Of Large Bird Species Over 80 Years


A recently published international study reports there are fewer and fewer large bodied bird species in Africa, Latin America and Asia. Led by a large team of researchers based at Institute of Environmental Science and Technology at the Universitat Autònoma de Barcelona (ICTA-UAB), the study finds that birds living in these regions are considerably smaller than those that predominated in 1940. The study documents the collective ecological memories of 10 Indigenous Peoples and local communities and reports a reduction of up to 72% in the mean body mass of the bird species present in these areas between 1940 and 2020.

“The project began in 2013, during my PhD fieldwork in the Bolivian Amazon,” ethnobiologist Álvaro Fernández-Llamazares told me in email. Dr Fernández-Llamazares works as a senior researcher at the ICTA-UAB. “Knowledge holders of the Tsimané people repeatedly told me that the large birds they had grown up with were rapidly disappearing.”

The Tsimané are indigenous people living in lowland Bolivia. They are primarily a subsistence agriculture culture, although hunting and fishing also contribute to many of the settlements’ food supplies.

“The Tsimané interact with birds on a daily basis through hunting, farming, rituals, and storytelling, which gives them long-term ecological memories that extend far beyond the timeframe of scientific monitoring,” Dr Fernández-Llamazares explained to me in email.

“As I later worked with Indigenous communities in other parts of the world, I realized that remarkably similar observations were being made elsewhere. That convergence made me realize that these place-based memories could reveal large-scale patterns of biodiversity change. This is what motivated me to carry out a global analysis to understand what Indigenous and local knowledge systems can tell us about long-term changes in bird populations.”
F I G U R E 1 : Locations of the ten study sites.doi:10.1017/s0030605325102615


The research is based on a global survey of 1,434 adult participants from 10 place-based communities across three continents (Figure 1). In total, Dr Fernández-Llamazares and collaborators surveyed 1,434 adults in ten communities in Bolivia, Chile, Mexico, Brazil, China, Ghana, Kenya, Madagascar, Mongolia, and Senegal. They compiled 6,914 unique bird reports (Figure 2) corresponding to 283 bird species, and compared the bird species most commonly reported during participants’ childhoods with those currently reported in their territories.
Distribution of bird reports over time in the 10 study sites (Fig. 1) and across all sites combined.

The reported differences in bird species were statistically significant in territories such as Tsimane (Bolivia), Timucuy (Mexico), Vavatenina (Madagascar) and Ordos Desert (China). At the same time, no significant differences were reported for Lonquimay (Chile) and Bulgan soum (Mongolia).

The Indigenous Peoples’ cultural memory strongly contrasts with most people’s memories of environmental conditions, which are continually deteriorating over time, a phenomenon known as the Shifting Baseline Syndrome (ref). Basically, in the absence of past information or experience with historical conditions, members of each new generation accept the situation in which they were raised as being “normal”. This psychological and sociological phenomenon is increasingly recognized as one of the fundamental obstacles to addressing a wide range of today’s global environmental issues.

Dr Fernández-Llamazares and collaborators’ analysis reveals the deeply worrying pattern where large bodied bird species are rapidly disappearing from local environments, only to be replaced by smaller bodied species. For example, this study found that the average mass of reported bird species exceeded 1,500 grams (3.3 pounds) in the 1940s, whereas the average mass in 2020 is reported to be closer to 535 grams (1.17 pounds). This coincides with a significant decline in body mass of 72% over eight decades.

The secretary bird (Sagittarius serpentarius) is a large endangered bird of prey that is endemic to open grasslands and savannah of the sub-Saharan region of Africa. Its body mass ranges from 2.3kg to 5kg (5–11 pounds) 

What happened to these large birds? They were likely driven locally extinct because large bird species are more vulnerable than small ones to hunting, habitat destruction and fragmentation, and to infrastructure development, according to Dr Fernández-Llamazares. Further, the loss of these birds threatens biodiversity and environmental health and is accompanied by the loss of key functional roles held by these birds in their ecosystems, particularly seed dispersal, pest control, and forest regeneration.

Dr Fernández-Llamazares and collaborators’ study serves to highlight critically important alterations to the intimate, lived experiences with nature of generations of people within their territories. It also points to the collective impoverishment of Indigenous Peoples’ cultural identity, memory and traditional practices around the world.

“Bird declines are not abstract statistics: they are visible, remembered, and felt by people who live closest to nature,” Dr Fernández-Llamazares stated in email. “When ten Indigenous Peoples and local communities across three continents independently report that birds are getting smaller, it tells us the avian extinction crisis is deeper and more pervasive than we tend to acknowledge with scientific data.”

Source:
Álvaro Fernández-Llamazares et. al. (2026). Indigenous Peoples and local communities report a consistent decline in the body mass of birds across three continents, Oryx | doi:10.1017/s0030605325102615

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Solos em vários países de África estão repletos de “químicos eternos” que ameaçam ecossistemas e saúde pública



Substâncias poluentes químicas estão a acumular-se nos solos e culturas agrícolas em níveis potencialmente perigosos para os ecossistemas e a saúde pública em vários países africanos.

A revelação é feita por uma investigação publicada este mês na revista ‘New Contaminants’, na qual um grupo de cientistas da China, do Quénia e da Rússia alerta para altas concentrações de ácido perfluorooctanossulfónico (PFOS), integrado na categoria dos poluentes persistentes conhecidos vulgarmente como “químico eternos” devido à sua resistência à degradação, em países como Gana, África do Sul, Quénia e Uganda.

Embora digam que o uso de PFOS tenha sido abandonado em muitas partes do mundo, os investigadores apontam que contaminação histórica, atividades industriais ainda em curso, o processamento de resíduos eletrónicos e descargas de águas residuais, por exemplo, continuam a introduzir essas substâncias nos solos agrícolas africanos.

“O nosso objetivo era chamar a atenção para um desafio ambiental silencioso que tem amplamente passado despercebido em África”, diz, citado em comunicado, Bonface Oginga, primeiro autor do estudo.

“O solo e os sistemas vegetais que suportam a produção de alimentos estão já sob stress. A presença de PFOS acrescenta ainda mais uma camada de pressão que os países não estão devidamente equipados para monitorizar ou gerir”, acrescenta.

A equipa refere que em alguns dos países estudados as lamas resultantes do tratamento de águas residuais contêm altos níveis de “químicos eternos”, pelo que, quando são usadas como fertilizantes agrícolas, esses poluentes entram nas culturas e nos alimentos produzidos. E, a partir daí, podem chegar às populações humanas.

“Compreender como é que os PFOS entram no solo e nas plantas é essencial para avaliar os riscos para as comunidades que dependem da agricultura local”, salienta Fredrick Owino Gudda, coautor do artigo.

No que toca aos impactos ecológicos, os cientistas indicam que a exposição aos PFOS pode afetar as comunidades de microrganismos que vivem e sustentam o bom funcionamento dos solos e interferir negativamente na absorção de nutrientes por parte das plantas. Em regiões onde os solos são já pobres em nutrientes essenciais para as plantas, como fósforo e nitrogénio, a produtividade agrícola pode ser ainda mais reduzida.

Assim, os investigadores apelam aos governos africanos e às respetivas agências ambientais que expandam os seus esforços de monitorização, que adoptem tecnologias avançadas de análise e que reforcem os regulamentos para combater os “químicos eternos”. A par de tudo isso, é imprescindível, argumentam os autores, investir na investigação científica.

“Ao fortalecerem a monitorização, a regulamentação e a investigação, os países africanos podem proteger melhor os seus solos, culturas agrícolas e comunidades face aos riscos de longo-prazo resultantes dos PFOS”, sublinha Chao Qin, que também assina este trabalho.

sábado, 17 de maio de 2025

War/No More Trouble feat. Bono



À medida que viajávamos pelo mundo, encontrávamos amor, ódio, ricos e pobres, negros e brancos, bem como muitos grupos religiosos e ideologias diferentes. Ficou muito claro que, enquanto raça humana, precisamos de transcender das trevas para a luz e a música é a nossa arma do futuro. This Song Around The World conta com a participação de Bono, David Broza, Rocky Dawuni, Mermans Mosengo e músicos que viram e superaram conflitos e ódio com amor e perseverança. Não precisamos de mais problemas, o que precisamos é de amor. O espírito de Bob Marley vive sempre.

Until the philosophy which hold one race
Superior and another inferior
Is finally and permanently
Discredited and abandoned
Everywhere is war, me say war

(We don't need) No, we don't need (no more trouble)
No more trouble!
(We don't need no more trouble)

(We don't need) We don't need (no more) trouble!
We don't need no trouble!

What we need is love (love)
To guide and protect us on (on)
If you hope good down from above (love)
Help the weak if you are strong now (strong)

We don't need no trouble (Need no trouble)
What we need is love
(What we need is love sweet love) Oh, no!
We don't need, no more trouble!
Lord knows, we don't need no trouble!

Speak happiness! (Sad enough without your woes)
Come on, you all, and speak of love
(Sad enough without your foes)

We don't need no trouble (We don't need your troubles)
What we need is love now (What we need is love!)
(We don't need) Oh, we don't need no more trouble!
We don't need, no, we don't need no trouble!

sábado, 11 de junho de 2022

Fast-fashion giant Shein pledges $15m for textile waste workers in Ghana



Chinese fashion behemoth Shein might be the organisation least expected to win applause at an international conference on fashion sustainability, but that’s what happened at this week’s global fashion summit in Copenhagen.

The industry’s largest forum for sustainable progress saw the ultra-fast fashion brand praised for making a donation of $15m (£12m) over three years to a charity working at Kantamanto in Accra, the world’s largest secondhand clothing market.

Liz Ricketts, director of the Or Foundation, a Ghana- and US-based not-for-profit working with Accra’s textile waste workers, announced the fund, tearfully telling the audience that the workers are doing “backbreaking” work.

“They are economic migrants from north Ghana, and are often women and children, some as young as six. They’re carrying clothing bales on their heads which weigh 55kg, being paid a dollar a trip, and coming home to sleep on concrete floors.

“Some carry their babies on their back. Sometimes they fall backwards because of the weight of the bales, and their children are killed [underneath them].”

Ricketts said that 15m secondhand garments arrive in Ghana every week, 40% of them waste. “Ghana doesn’t have landfill or incinerators,” she said. “The clothing enters the environment; some of it goes into the oceans – there are millions of garments on the ocean floor, and the currents push the garments on to the beach.

“There’s a narrative in sustainable fashion that says: ‘There is no ‘away’’. This is the ‘away’.”

Not everyone was convinced by the gesture. “This was public greenwashing,” said one attendee who asked to remain anonymous but echoed the sentiment of several at the summit who believe reduced production of fast fashion is the answer. “This is too easy for Shein; it’s too soon to call them a leader here. They have been valued at $100bn [£80bn] – they have millions to spare. They should be addressing the root cause of the problem.”

The Or Foundation runs a weekly clinic for waste workers in Ghana, assessing the physical damage done by carrying these heavy clothing bales. “We can see the harm this work is doing to their bodies but we can’t do anything to help them,” said Ricketts. She said the Shein fund was not a substitute for responsible behaviour, but part of its extended producer responsibility.

The money promised is from a $50m pot that the firm says is intended to address the ecological and social problems of the global clothing trade.

The foundation says the money will fund an apprenticeship programme for Kantamanto women, help community businesses recycle textile waste and improve working conditions at the market.

Ricketts called on other brands to be honest about their involvement in the waste crisis: “We have been calling on brands to pay the bill that is due to the communities who have been managing their waste, and this is a significant step towards accountability.

“What we see as truly revolutionary is Shein’s acknowledgment that their clothing may be ending up in Kantamanto, a simple fact no other major fashion brand has been willing to state as yet.”

Adam Whinston, head of ESG at Shein, said the company had an “ambitious” impact agenda. “Addressing secondhand waste is an important part of the fashion ecosystem that is often overlooked. We have an opportunity to make change in this space, and we look forward to working with the Or Foundation on this first-of-its-kind effort.”