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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Como as cidades estão a transformar os seus rios poluídos em paraísos para banhos

No dia 5 de Julho de 2026, durante uma onda de calor opressiva, parisienses e turistas nadaram no Sena, um de muitos rios que foram limpos e estão a receber novamente banhistas urbanos.

Durante a maior parte da vida de Pauline Janbon, a ideia de tomar banho no rio Sena, em Paris, era inimaginável.

“Quando éramos crianças diziam-nos que havia cadáveres a flutuar na água”, disse Janbon, uma estudante de 20 anos da Universidade da Sorbonne, em Paris. “Tinha a reputação de ser extremamente sujo.”

Em Junho deste ano, porém, quando uma onda de calor inédita assolou o país, Janbon e milhares de parisienses mergulharam nas águas outrora temidas da cidade para se refrescarem. No dia em que a conheci, ela estava junto à margem do Canal Saint-Martin, rodeada por hordas de banhistas, que saltavam, nadavam e boiavam na água.

“Até hoje, nunca tinha dado um mergulho na minha própria cidade”, disse Janbon, enquanto espremia água do cabelo. “Parece que estou de férias.”

Paris é apenas uma de muitas cidades europeias que se têm esforçado para tornar as suas vias aquáticas novamente seguras para banhos. Copenhaga, Basileia, Zurique, Berna e Oslo passaram anos a melhorar os seus sistemas de gestão de águas residuais, criando uma infra-estrutura de águas pluviais e implementando políticas para controlar melhor a poluição aquática. Os seus esforços têm sido maioritariamente bem-sucedidos, com os residentes das cidades da Europa a regressarem às suas águas. E à medida que as alterações climáticas criam ondas de calor mais intensas e frequentes, os urbanistas e residentes também estão a virar-se para estas águas para lidar com os dias mais quentes.

“Estamos a ver pessoas a renegociar os seus contratos sociais com a água nestas cidades”, disse Matthew Sykes, co-fundador e director do programa Swimmable Cities, uma aliança de organizações que promove o direito ao usufruto das vias aquáticas urbanas. “As pessoas começam a perceber que é melhor ter uma cidade onde se possa nadar.”

Um regresso histórico às águas
Até ao início do século XX, tomar banho nos rios urbanos era uma actividade comum na Europa ocidental e em algumas zonas da América do Norte. Eram construídas casas de banhos directamente em cima dos rios e havia sítios que as pessoas visitavam a lazer, bem como para se lavarem. A falta de canalizações em casas particulares significava que estas casas de banho – populares em cidades como Nova Iorque, Londres, Boston, Filadélfia e Paris – eram frequentemente o único sítio onde as pessoas podiam lavar-se.

À medida que a industrialização foi avançando e as populações subiram a pique nas cidades, os rios urbanos da Europa tornaram-se inimaginavelmente sujos. Em Paris, águas residuais, partes do corpo de animais e escoamentos de lavandarias eram despejados directamente no Sena. Por esta razão, a cidade proibiu os banhos em 1923, declarando a água insegura para a saúde humana.

As autoridades municipais começaram a discutir a limpeza do rio em 1988, mas só em 2016 é que a presidente da câmara de Paris, Anne Hidalgo, renovou o empenho da cidade em limpar o Sena, transformando o rio num pilar essencial da candidatura de Paris aos Jogos Olímpicos de Verão de 2024.

“Paris fez muito do trabalho pesado pelas outras cidades”, disse Sykes, comentando que o gabinete do presidente da câmara sofreu muitas críticas da parte da imprensa e dos eleitores. “Tiveram de provar que uma iniciativa como esta, que já tinha sido testada em cidades mais pequenas, era possível em grandes metrópoles urbanas.”

Em Julho de 2025, quando o Sena abriu oficialmente ao público, mais de 100.000 pessoas nadaram nas áreas de banho designadas, levando a cidade a prolongar a época balnear até ao início de Setembro. Agora, com o rio a entrar na sua segunda temporada de banhos, Paris está a provar que limpar os rios não só é possível, como é essencial na época das alterações climáticas.

Em Junho, Paris sofreu a sua onda de calor mais grave de que há registo. França tem poucos equipamentos de ar-condicionado: apenas um quarto das casas e menos de 7 por cento das escolas estão equipadas com sistemas de refrigeração. Em Paris, os edifícios haussamannianos que dão à cidade o seu visual emblemático, são notoriamente mal isolados contra o calor, deixando os parisienses com poucas opções para se refrescarem. Quando as temperaturas aumentaram no final de Junho, os parisienses suados procuraram refúgio nos corredores refrigerados dos supermercados e aguardaram em longas filas para entrar nas piscinas municipais da cidade. No entanto, as opções mais populares para muitos foram os rios e canais recentemente limpos de Paris, aos quais hordas de pessoas desceram para dar o seu primeiro mergulho na cidade.

Cientificamente falando, os parisienses têm poucas razões para se preocuparem com a higiene da sua água. Todos os dias, a cidade monitoriza o Sena em busca de E. Coli e enterococci, que podem causar febre, infecções do tracto urinário e diarreia. Estes testes têm concluído de forma consistente que a água é segura para banhos, de acordo com os regulamentos da União Europeia.

Mesmo assim, um bloqueio mental impede muitos parisienses de nadar no Sena. Em 2021, quando a agência de sondagens IFOP pediu a mil pessoas francesas a sua opinião sobre o Sena, 70 por cento dos inquiridos descreveram-no como sujo, poluído e malcheiroso. Poucos disseram que seriam capazes de mergulhar no rio. E embora essa perspectiva tenha começado a mudar, a longa reputação do Sena como um rio sujo é difícil de limpar.

“Estou feliz por os meus filhos poderem desfrutar da água, mas eu não meto os pés lá dentro”, disse Soizic Prado, de 52 anos, sentada num banco, toda vestida, a ver os filhos brincar. “Tenho a certeza que é segura, mas passei a minha vida inteira a ouvir dizer que a água é suja”, explicou. “Ça donne pas envie” [“Não dá vontade”].

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Climáximo mancha de tinta vermelha fachada da empresa de defesa Thales


Elementos do coletivo Climáximo mancharam, esta segunda-feira, com tinta vermelha a fachada da empresa Thales, especializada em Defesa, em Oeiras, num protesto pela parceria que a firma tem com a produtora de armas israelita Elbit Systems.

A PSP de Oeiras disse à Lusa que os agentes estiveram no local pelas 07:05 e confirmaram a ação, mas já não encontraram nenhum ativista quando chegaram ao edifício.

Numa nota divulgada à comunicação social, os elementos do Climáximo dizem que escreveram a palavra "genocida" a vermelho na fachada da Thales, em Paço de Arcos, a 4.ª maior empresa de armamento, tecnologia e segurança da Europa, produzindo mísseis, carros de combate, drones e outros equipamentos e tecnologias usadas para vigilância e aniquilação de alvos.

Citado no comunicado, o estudante de biologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa Filipe Antunes acusa a Thales de lucrar diretamente "com a morte de milhares de pessoas" e de ser "parte integral de um modelo que promove a matança de pessoas inocentes por todo o mundo" que é “indissociável dos combustíveis fósseis”.

"Estes são um multiplicador da capacidade bélica, sendo a guerra moderna dependente e só possível devido aos combustíveis fósseis", considera o estudante, elemento deste movimento.

Refere ainda que a Thales é central nos esforços de militarização das fronteiras europeias que fazem das pessoas migrantes "alvos de ataque, repressão e desumanização" e considera a empresa "um pilar" na expansão da extrema-direita internacional e no "progresso do imperialismo e de políticas bélicas, genocídas e fascistas".

A questão do cumprimento dos embargos pela Thales é um dos temas mais divisivos no panorama geopolítico europeu, especialmente quando analisamos a linha ténue entre a legalidade estrita e a responsabilidade ética. Para compreender a situação em Portugal e no resto da Europa, é necessário notar que a Thales não opera no vácuo; ela funciona sob um regime de autorizações estatais que, muitas vezes, serve de "escudo" jurídico contra acusações de violação de tratados.

De uma perspetiva puramente legal, a Thales afirma respeitar rigorosamente todos os embargos impostos pela ONU e pelas jurisdições onde mantém sedes, como França e Reino Unido. No entanto, o que observadores internacionais e organizações de direitos humanos apontam é a existência de "zonas cinzentas". Um exemplo recorrente é a exportação de componentes de tecnologia de dupla utilização (dual-use), que podem ser classificados como civis mas acabam integrados em sistemas de armamento. Além disso, a empresa tem enfrentado desafios judiciais significativos, como a queixa-crime apresentada em França por alegada cumplicidade em crimes de guerra no Iémen, sob o argumento de que a manutenção técnica fornecida aos equipamentos da coligação liderada pela Arábia Saudita facilitou ataques a civis.

Outro ponto crítico prende-se com a estrutura multinacional da empresa. Muitas vezes, componentes fabricados numa subsidiária britânica ou australiana podem ser exportados para destinos que enfrentariam maiores restrições se o envio fosse feito diretamente de França. Este fenómeno, descrito por críticos como "triangulação", permite que a empresa se mantenha dentro da lei de cada país, embora possa estar a contornar o espírito dos embargos internacionais mais amplos.
Apesar do discurso de "conformidade", a Thales enfrenta pressões legais significativas:

O Caso do Iémen (Investigação em curso): em 2022, ONGs como a Sherpa e a Amnistia Internacional entraram com uma queixa criminal na França contra a Thales, Dassault e MBDA. A acusação é de cumplicidade em crimes de guerra. Alegam que a Thales forneceu manutenção e sistemas de mira para jatos usados pela Coligação política liderada pela Arábia Saudita em ataques a civis no Iémen, mesmo após as atrocidades terem sido documentadas. A investigação judicial ainda estava ativa em 2025.

Exportações para Israel (2024-2026): após a suspensão parcial de licenças de armas pelo Reino Unido em 2024, surgiram denúncias de que componentes da Thales (como radares para drones Watchkeeper) continuaram a ser enviados. A empresa e o governo alegaram que eram para "re-exportação" (para países como a Roménia), mas grupos como o CAAT (Campaign Against Arms Trade) denunciaram em 2026 que não havia provas de que esses componentes saíram de Israel, sugerindo uma brecha no controle de uso final.

Em suma, embora a Thales raramente seja apanhada numa violação direta e flagrante de um embargo — o que resultaria em sanções catastróficas para os seus acionistas —, ela é frequentemente acusada de beneficiar de interpretações políticas convenientes das regras de exportação. Para a empresa, a validade de uma licença governamental é o selo de ética necessário; para os seus detratores, essa licença é apenas uma formalidade burocrática que não apaga a responsabilidade moral sobre o destino final da tecnologia vendida.

O coletivo, que luta pela "justiça climática", denuncia a "fatia considerável" de emissões do complexo industrial militar, tal como os milhões gastos em armamento e combustíveis fósseis, afirmando que este financiamento deveria antes ser aplicado na criação de um "Serviço Nacional do Clima", para gerir a transição energética, e em empregos no setor dos cuidados e serviços de apoio social, garantindo saúde, educação e alimentação.

"Se não desmantelarmos os combustíveis fósseis, não só não vamos conseguir travar os conflitos atuais como estes se vão multiplicar e escalar em guerras por acesso a comida e água", considera o Climáximo, que convoca a população a juntar-se, no dia 15 de maio, à concentração que vai promover ao final da tarde frente à sede do Governo.

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Urbanidade - Guia de A a Z da Resiliência Urbana


«As cidades não são apenas tijolos e esgotos. São organismos vivos — testados diariamente por ondas de calor, inundações, secas e perturbações.
A questão não é apenas como sobrevivemos, mas como prosperamos de forma diferente após cada choque.
Este guia de A a Z explora os princípios, as práticas e as provocações que fazem com que as cidades não só recuperem, mas também avancem.

Resiliência em 4 Movimentos:
Antecipação e Adaptação — Não espere pelo desastre. Planeie-se para ele.
Inclusão e Justiça — Proteja primeiro aqueles que estão em maior risco.
Natureza e Pensamento Sistémico — As cidades prosperam quando trabalham com a natureza, e não contra ela.
Força Institucional — Os governos locais precisam de autoridade, não apenas de conselhos.»

Fonte: UN Habitat

Saber mais:

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Robert de Niro ataca Trump em Cannes: “Temos de agir agora“


De Niro recebe a Palma de Ouro Honorária na abertura de Cannes. Durante o seu discurso, o ator elogiou o espírito do evento, aberto à arte, a uma “arte que procura a verdade, uma arte que abraça a inclusão”. “E é por isso”, continuou, “a arte é uma ameaça, nós somos uma ameaça para os autocratas e fascistas de todo o mundo”. A partir daí, começou a falar com Donald Trump ("o presidente filisteu americano") para desfazer os seus cortes na ajuda cultural e atacar o seu plano tarifário. “A originalidade na arte não tem preço, mas parece que pode ser tributada.” E pediu que as pessoas se organizassem em apoio da democracia, “sem violência, mas com paixão e determinação”.

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Boicote aos Produtos Americanos: Uma Resposta ao Impacto das Políticas de Trump (com lista de produtos e locais de compra)



Nos últimos tempos, a crescente onda de boicotes a produtos americanos tem ganhado força em várias partes do mundo, e Portugal não está imune a essa tendência. A razão? A resposta das políticas económicas de Donald Trump, que afectaram directamente países aliados, como a União Europeia, com a imposição de tarifas pesadas sobre o aço, alumínio e até produtos como o champanhe e o vinho, sectores vitais da economia portuguesa.

A situação é clara: produtos americanos, que antes eram consumidos com regularidade e até com uma certa adoração, passaram a ser vistos sob outra óptica. O boicote não é mais apenas uma opção de grupos políticos ou ativistas, mas uma resposta de cidadãos comuns, que, como protesto, estão a alterar hábitos de consumo e recusar apoiar marcas ou produtos relacionados com os EUA de Trump.

Em supermercados no Canadá, já se observa a iniciativa de marcar produtos com estrelas negras, uma forma simbólica de facilitar o boicote a produtos europeus com origem nos EUA. Produtos como o famoso Jack Daniel’s, as calças Levi’s ou até mesmo as séries da Netflix, associadas diretamente ao país, têm sido colocados de lado por muitos consumidores que não querem mais apoiar essas marcas enquanto as políticas de Trump persistirem.

Em Portugal, gestos semelhantes podem ocorrer, com mudanças simples de pasta de dentes, evitar as compras em grandes cadeias de distribuição americanas ou até mesmo desmarcar férias nos Estados Unidos. Tudo como forma de dizer “não” ao que consideram uma postura económica arrogante e agressiva por parte do governo americano.

Além disso, as recentes ameaças de Trump, como tarifas de até 200% sobre o champanhe, vinhos e outras bebidas alcoólicas da União Europeia, tem criado grande preocupação no sector vitivinícola português. Se implementadas, estas tarifas poderiam prejudicar gravemente as exportações de vinho, um dos principais produtos do país, especialmente para os Estados Unidos, que é o segundo maior mercado de exportação de vinho português.

Diante disso, é hora de reflectir sobre nossas escolhas como consumidores conscientes. O boicote aos produtos americanos, especialmente aqueles que estão ligados à indústria de luxo e entretenimento (HBO, Netflix, Disney, etc), pode ser uma resposta válida a estas políticas. Afinal de contas, as nossas decisões de compra não são apenas sobre o que consumimos, mas também sobre os valores que apoiamos.

Por isso, convidamos todos a reflectir sobre o impacto das suas escolhas de consumo e a considerar um boicote consciente aos produtos que, directa ou indiretamente, sustentam as políticas que prejudicam a economia e a imagem da União Europeia e, consequentemente, de Portugal. Vamos agir juntos e mostrar que o poder de compra pode ser uma poderosa ferramenta de protesto!



E será um dos subscritores da petição de protesto a enviar às empresas que, em Portugal, comercializam produtos dos EUA:

domingo, 23 de junho de 2024

Milhares de pessoas marcham em Londres pela proteção da natureza e do clima


Londres, 22 jun 2024 (Lusa) - Milhares de pessoas participaram hoje numa manifestação em Londres, promovida por organizações como a Extinction Rebellion (XR) e o World Wide Fund for Nature (WWF), para apelar aos políticos para que atuem pela natureza e pelo clima.

Esta manifestação acontece a menos de duas semanas das eleições legislativas de 04 de julho no Reino Unido. Segundo as recentes sondagens, os trabalhistas estão amplamente em vantagem, prevendo-se, assim, uma pesada derrota para os conservadores, no poder há 14 anos.

A atriz britânica Emma Thompson e o naturalista e apresentador britânico Chris Packham ocuparam os lugares da frente na marcha realizada em Londres, pedindo para se “restaurar a natureza agora”.

Chris Packham explicou que esta é a primeira vez que organizações tão diferentes se unem para uma manifestação, dando como exemplo o National Trust (Fundo Nacional para Locais de Interesse Histórico ou Beleza Natural), que defende a herança britânica, e o grupo ativista ambiental Just Stop Oil, representado por ecologistas que são muito controversos pelas ações contundentes que realizam.

Fazendo-se notar de forma muito colorida, a manifestação decorreu num ambiente de boa disposição, num percurso desde Hyde Park até ao parlamento, em Westminster.

Entre a multidão de manifestantes, que vieram de várias zonas do Reino Unido, havia muitos fantasiados de animais, incluindo girafas e ursos.

“Não há vida sem vida selvagem” e “Não há botão para começar do zero” eram algumas das mensagens dos cartazes erguidos na manifestação.

Em declarações à agência de notícias France-Presse (APF), a atriz britânica Emma Thompson dirigiu-se aos políticos: “Parem de ser tão profundamente irresponsáveis”.
“Não acredito na falta de compromisso deles” com o clima durante a campanha eleitoral, criticou a atriz, que é ativista ambiental, alertando que o planeta está “no meio da tempestade”, manifestando “surpresa ao ver quanta negação ainda existe”.

Emma Thompson disse que apoia o grupo Just Stop Oil, do qual dois ativistas pulverizaram, na quarta-feira, tinta nos monólitos do famoso sítio pré-histórico inglês de Stonehenge.

O Just Stop Oil reclama o fim da exploração de combustíveis fósseis até 2030.

“Penso que apoio todos os que estão a liderar este combate extraordinário”, disse Emma Thompson, defendendo que não se pode mais extrair petróleo do solo.

O naturalista e apresentador britânico Chris Packham disse não estar muito impressionado com o conteúdo dos programas dos vários partidos políticos britânicos.

“Quando se trata de enfrentar os verdadeiros grandes problemas, não há substância, compromisso ou determinação para enfrentá-los, e isso é realmente dececionante”, criticou Chris Packham

domingo, 5 de maio de 2024

Subscreva o Manifesto Mais Cidadania

50 anos após o 25 de Abril, a democracia em Portugal está doente.


SINAIS E SINTOMAS: Polarização, revolta e falta de esperança

Vivemos num sistema político onde os processos eleitorais e os debates parlamentares reforçam ideias preconcebidas e a divisão da sociedade. A composição das assembleias municipais e da República, em conjunto, não é representativa da população: são mais homens, mais velhos e mais ricos que a nossa sociedade. Há a perceção de que as nossas vozes não são ouvidas sobre decisões de interesse geral. Observamos uma elevada abstenção eleitoral e a ascensão de forças antissistema que oferecem como alternativa o autoritarismo.

DIAGNÓSTICO: Reduziu-se democracia a eleições.

A organização em partidos é útil e necessária, mas insuficiente para a persecução dos interesses gerais e da convergência, pois cada qual precisa atender às suas bases de apoio. A necessidade de sobreviver aos ciclos eleitorais dificulta a implementação de políticas públicas de longo prazo. Os processos participativos existentes não mudam os rumos das políticas e não são acessíveis a uma grande parcela da população. Esta conjugação de fatores impede que a maioria das pessoas se sinta ouvida e representada.

TRATAMENTO: Instituir Assembleias Cidadãs.

Assembleias Cidadãs (ACs) são espaços em que pessoas comuns participam em sessões de informação transparentes e discutem, num ambiente estruturado e com a assistência de moderadores, quais são as melhores decisões sobre questões políticas complexas.

A legitimidade democrática deriva dos seus participantes serem, de facto, uma amostra representativa da população geral, ao refletirem a sua diversidade em termos de género, idade, nível de rendimentos, identidade étnico-racial e zona de residência. A amostragem é um método com provas dadas e um longo histórico de utilização nas ciências naturais e sociais, sendo indispensável para a regeneração de democracias doentes.

A aleatoriedade e rotatividade dos participantes é altamente resistente à corrupção e ao desenvolvimento de grupos com interesses particulares.

A etapa de aprendizagem, que precede a etapa de deliberação em pequenos grupos, é um antídoto para decisões baseadas em preconceitos e desinformação, permitindo gerar recomendações políticas pelo bem comum.

RESULTADOS ESPERADOS: Revitalização de laços sociais, regeneração das instituições, prevenção da corrupção.

Muitas experiências internacionais demonstram que ACs podem dar resposta a qualquer questão política, por muito complexa que seja, por exemplo: rever artigos de uma constituição (Irlanda), escolher um novo um sistema eleitoral (Canadá) ou decidir como responder à crise climática (França). Pela sua ação promotora de diálogo entre camadas distintas da sociedade, as ACs geram compromissos que dificilmente seriam atingidos em eleições e referendos, com resultados esperados na melhoria da governabilidade, na (re)estabilização do sistema político e na retoma da confiança nas instituições.

COMO USAR: Aplicação pura ou diluída.

As ACs já demonstraram enorme potencial político. O seu uso mais promissor é serem novas instituições políticas, complementando a representação por via eleitoral (exemplo: Ostbelgien). Em simbiose com os órgãos do poder, podem ser implementadas pelas juntas de freguesias, pelos municípios, pela Assembleia da República ou pelo governo. São uma poderosa ferramenta para encontrarmos consensos em questões de ordem local ou nacional. A sua introdução deve ser progressiva e a sua composição deve ser periodicamente avaliada e ajustada para se obterem os efeitos esperados.

COMO OBTER: Ação direta
Subscreva este manifesto e junte-se à construção de uma iniciativa legislativa para se reconhecer as Assembleias Cidadãs como (mais) uma forma válida do povo exercer o poder político.

Para grandes males, grandes remédios.

NOS 50 ANOS DO 25 DE ABRIL, QUEREMOS MAIS DEMOCRACIA!
25 de março de 2024

quinta-feira, 25 de abril de 2024

25 de Abril - Uma revolução romântica


As fotos documentam uma revolução como não voltei a ver. Civis, mulheres, crianças, sem o menor receio de levar um tiro, apesar de estarem rodeados de armas por todos os lados. (Foto Alfredo Cunha)

sábado, 20 de abril de 2024

Pacheco Pereira sobre Liberdade de Expressão

Pacheco Pereira a pôr os pontos nos iis , no Público. Sobre a Liberdade de Expressão. Não à cultura do cancelamento . Não à cultura do silenciamento e da omissão . Não à hipocrisia . Não ao encobrimento.


"A liberdade de expressão é a primeira fronteira da democracia. A única limitação à liberdade de expressão não é à própria liberdade de se dizer ou escrever o que se entende, por muito que me indigne o que lá está, mas sim saber se é crime ou não. Se for crime, de calúnia, difamação, invenção deliberada de mentiras para atacar alguém, ou qualquer outra forma de abuso legalmente tipificado, que os tribunais sejam chamados a punir os criminosos". Pacheco Pereira no Público.

domingo, 14 de abril de 2024

Música do BioTerra: Zeca Afonso - Em Terra de Trás-os-Montes


Este é o seu nono LP, com as colaborações de Cecília Barreira, Fausto, Fernando Gonzalez, José Luís Iglésias, José Niza, Júlio Pereira, Luís Duarte, Michel Delaporte, Quim Barreiros, Ramon Galarza e Vitorino.
[...Porque gravado em 76, reflecte as vivências desse período é um disco comprometido e datado, mas capaz de sobreviver às situações que lhe deram origem, verdadeiro exemplo da capacidade de intervir artisticamente, sem prejuízo dos valores estético-formais...]. (Viriato Teles)

Em terras de Trás-os-Montes
Entre Coelhoso e Parada
Uma história verdadeira
Foi ali mesmo contada

Algemado por dois pides
Na manhã de vinte e três
La vai Manuel Augusto sem mesmo saber porquê

Com ele vai Marcolino bufo dos Dominadores
Ide às minas da Ribeira
Vereis quem são os Senhores

Nesse lugar de trabalho
Nos confins da exploração
Diz o Marcolino aos pides
Apertem-me esse cabrão

Não contente com a prova
Do zelo que assim mostra
Àquele rapaz honrado
Esta fala então lhe dava:

Sabemos da tua vida amanhã por esta hora
Irás para o forte de Elvas
Diz adeus à vida boa

Também o José António
Foi na mesma interrogado assassino Marcolino
Foste o primeiro culpado

Entre Parada e Coelhoso
Ainda reina a opressão
Não deixem fugir o melro
Não quebrem vossa união

sábado, 13 de abril de 2024

O nome de Zeca Afonso voltou à superfície dos dias, pois aproxima-se o 25 de Abril

No parlamento há 50 deputados que não sairão à rua nesse dia. E mais de um milhão de portugueses decidiram colocar a cruz num partido que não defende a liberdade e a democracia.

José Afonso dedico a ti este poema.

"Na luta pelo povo, Zeca Afonso marchou,
Com a sua voz firme, a opressão enfrentou.
Nas notas das suas canções, ecoava a liberdade,
Era o eco de um povo em busca de igualdade.

No 25 de abril, o seu canto ressoou alto e claro,
Contra o fascismo, ele foi um guerreiro raro.
Mas a vida, implacável, lhe lançou um duro fado,
A esclerose lateral amiotrófica, cruel e desgraçado.

Abandonado por muitos, mas nunca por sua voz,
Zeca lutou até o fim, apesar de ter sido atroz.
O seu corpo enfraquecido, mas o seu espírito não cedeu,
A sua música continuou, o seu legado floresceu.

Pobre e desamparado, assim ele se viu,
Mas a sua alma livre, no coração do povo sorriu.
Hoje, lembramos com saudade o grande Zeca Afonso,
E juramos que o fascismo, em nós, nunca terá pranto."
João Soares, 12.04.2024

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Música do BioTerra: Arcade Fire - Wake Up

Só para noctívagos. Adoro madrugadas. Sinto uma paixão intensa. É um momento em que consigo conversar comigo mesmo. Parece que estou a sós com o meu coração. Penso no passado, imagino o futuro. Tudo aquilo que parece não se engrenar durante o dia, ganha encaixe ao som do silêncio. Escrevo muito. Ouço imensas músicas melancólicas. Um momento envolto na escuridão ou luar, porém, com a mente clara e repleta de luz.

Realizado por Pete Ohs

Versão Rough Trade Records

Live - Glastonbury 2014

Live at Primavera Sound, 2017

Somethin' filled up
My heart with nothin'
Someone told me not to cry

Now that I'm older
My heart's colder
And I can see that it's a lie

Children, wake up
Hold your mistake up
Before they turn the summer into dust

If the children don't grow up
Our bodies get bigger but our hearts get torn up
We're just a million little god's causin' rain storms
Turnin' every good thing to rust
I guess we'll just have to adjust

With my lightnin' bolts a-glowin
I can see where I am goin' to be
When the reaper he reaches and touches my hand

With my lightnin' bolts a-glowin'
I can see where I am goin'
With my lightnin' bolts a-glowin'
I can see where I am go, goin'

You better look out below

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Ativistas da Climate Defiance lograram boicotar um evento de homenagem ao CEO da Exxon, Darren Woods


Ativistas da ClimateDefiance lograram boicotar um evento de homenagem ao CEO da Exxon, Darren Woods. A sala inteira levantou-se e saiu. Woods ganha US$ 20 milhões/ano enquanto aumenta a produção de petróleo e gás globalmente. A sua presença venenosa acabou de contaminar a COP28, onde ele declarou estupidamente que quer reduzir as emissões das operações da Exxon - como se não fosse o seu produto em si que nos estivesse a matar.

Always remember: "Nature is the foundation of the world’s economy. Over half of global GDP is dependent on materials and services that are delivered by ecosystems. " [fonte: Nature restoration]

domingo, 10 de dezembro de 2023

A extrema esquerda europeia é pouco numerosa. Não representa ameaça


O Parlamento Europeu tem como Partido mais representado o PPE (Partido Popular Europeu), com 265 deputados. Diz-se centro-direita e cristão, mas há no seu interior radicais neoliberais e dão cobertura a partidos declaradamente extrema-direita. Vejam o caso do Paulo Rangel, membro do PPE que foi aplaudir a vitória do VOX, em Espanha. A extrema-direita é populista, engana tolos, mentirosa, tem ramos e negócios com armas, são fanáticos nacionalistas, anti-europeístas e beatos. Mais grave, estimulam o discurso do ódio. São mais organizados, mais coordenados que um extremista de esquerda. Não queremos mais fascistas e radicais católicos, esses sim que oprimem e perseguem os judeus, islâmicos, etc. Pesquisem o poder e dinheiro da Opus Dei.

Hoje trago-vos Rodrigo Cuevas, um talentoso artista asturiano, que a pulso tem dinamizado e está a recuperar a língua asturiana (e os seus mitos, lendas e folclore), com as suas produções, teatro e música. Rodrigo Cuevas é portanto um ícone dentro da sociedade espanhola, agregando os opositores à ideologia política do Vox.  

Vejam ainda esta reportagem sobre a História da extrema-esquerda em Portugal, que demonstra a desilusão de incapacidade organizativa da mesma.

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

O anarquismo


O anarquismo é uma corrente filosófica e política que valoriza a liberdade individual, a autogestão, a igualdade e a abolição de todas as formas de autoridade e hierarquia. Embora haja diversas interpretações e abordagens dentro do anarquismo, todas compartilham a visão de uma sociedade baseada na cooperação voluntária, na solidariedade e no respeito mútuo. Aqui estão alguns aspectos interessantes do anarquismo:
1. Valorização da Liberdade Individual: O anarquismo coloca a liberdade individual como um valor fundamental. Acredita-se que as pessoas são mais livres e realizadas quando não são submetidas a estruturas de poder opressivas.
2. Autogestão e Democracia Direta: Os anarquistas defendem a ideia de autogestão, onde as decisões que afetam as comunidades são feitas de forma descentralizada e democrática. A democracia direta é vista como o caminho para garantir que todos tenham uma voz igual nas questões que os afetam.
3. Crítica ao Capitalismo e ao Estado: O anarquismo critica tanto o capitalismo quanto o Estado, argumentando que essas instituições muitas vezes perpetuam a desigualdade e a injustiça social. Em vez disso, propõe sistemas económicos e sociais baseados na cooperação e na Natureza.
4. Foco na Solidariedade e na Comunidade: Os anarquistas enfatizam a importância da solidariedade entre as pessoas. Eles acreditam que, por meio da colaboração e do apoio mútuo, as comunidades podem prosperar de maneira mais justa e sustentável.
5. Ativismo e Resistência: O anarquismo historicamente esteve associado a movimentos de resistência e ativismo social. Anarquistas têm desempenhado papéis importantes em lutas por direitos civis, igualdade de gênero, direitos dos trabalhadores e outras causas progressistas.
6. Sensibilidade Ambiental: Muitos anarquistas são sensíveis às questões ambientais e defendem práticas que respeitam o meio ambiente. Eles frequentemente apoiam ideias de sustentabilidade, simplicidade voluntária e uma relação mais equilibrada entre humanos e natureza.
7. Experimentação Social: O anarquismo, em várias ocasiões, inspirou experiências sociais interessantes, como comunidades autónomas, cooperativas e ecoaldeias que servem como modelos de como a sociedade poderia ser organizada sem hierarquias rígidas.
É importante notar que o anarquismo, como qualquer outra ideologia, tem as suas variações e interpretações. Alguns críticos argumentam que, na prática, a ausência de estruturas de autoridade poderia levar ao caos, enquanto os defensores veem o anarquismo como uma aspiração nobre para uma sociedade mais justa e igualitária. Cada pessoa pode interpretar o anarquismo de maneira diferente, mas a sua ênfase na liberdade, igualdade e solidariedade continua a inspirar muitos ao redor do mundo.

Minha arte digital. Saudades dos cafés, que eram espaços de tertúlias longas e não, como agora, toma-se o café, está-se cerca de 10-20 minutos, lê-se rapidamente o jornal disponível e cada um segue o seu caminho.

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Câmara de Valpaços está contra projeto mineiro de lítio


Perante o interesse da Portugal Fortescue, a Câmara de Valpaços avança que “jamais” poderá aceitar a destruição das florestas, solos, da riqueza ambiental e das potencialidades do concelho.

A Câmara de Valpaços mostrou-se esta terça-feira contra o projeto de lítio proposto para o concelho e apelou aos proprietários para que não aceitem negociar a exploração de minerais nas suas propriedades com a empresa Fortescue.

Foi assinado em maio o contrato entre a Portugal Fortescue e a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), com vista à prospeção e pesquisa de lítio, estanho, tungsténio, ouro, prata, chumbo, zinco, cobre e outros depósitos minerais e metais associados na área designada de Mariola, na freguesia Sonim e Barreiros (Valpaços), um projeto que também se estenderá a Chaves.

A empresa já informou que realiza na quarta-feira, na freguesia de Sonim e Barreiros, uma sessão relativa a este projeto de prospeção e pesquisa, para dar a conhecer a empresa, os trabalhos a executar, tirar dúvidas e prestar esclarecimentos. A propósito, a Câmara de Valpaços emitiu um comunicado através da qual faz saber que “jamais” poderá aceitar a destruição das florestas, solos, da riqueza ambiental e das potencialidades do concelho.

“Continuaremos a mostrar dureza e firmeza na defesa dos nossos valores e levaremos a decisão que venham a tomar até às últimas consequências, recorrendo a todas as instâncias nacionais e internacionais, se assim for necessário”, afirmou a autarquia liderada pelo social-democrata Amílcar Almeida.

O município lembrou que, já em 2019, emitiu um parecer desfavorável à atribuição dos direitos e prospeção da área denominada Mariola, durante a consulta pública aberta pela DGEG, uma posição que foi reiterada em outubro de 2021. O direito de atribuição de prospeção à Fortescue Portugal foi emitido pela DGEG, não tendo o parecer desfavorável emitido pelo município qualquer caráter vinculativo.

“Perante isto, apelamos veementemente a todos os valpacenses que não aceitem negociar a exploração de minerais nas suas propriedades com a referida empresa”, afirmou a autarquia no comunicado. A câmara realçou que “é evidente e reconhecido o impacto negativo aos vários níveis”.

“Iremos continuar a sensibilizar todos para que não aceitem negociar a suas propriedades com a empresa, ainda que a proposta seja tentadora, porque as desvantagens, no presente e no futuro, são devastadoras para o nosso território”, reforçou.

O município disse que se fará representar nas reuniões agendadas pela Fortescue com a população e juntas de freguesia para “dar conhecimento da sua posição contra a exploração” mineira, e adiantou ainda que está a sensibilizar os presidentes das juntas para acompanharem “todos os contactos que a empresa possa vir a desenvolver com as populações”.

No distrito de Vila Real, os projetos de exploração das mina do Barroso, em Boticas, e mina do Romano, em Montalegre, obtiveram em maio e setembro, respetivamente, luz verde da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que emitiu uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável a ambas as minas, embora condicionada à implementação de medidas de mitigação e de compensação.

Entretanto, a Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega e Barroso (CIMAT) revelou uma “total oposição” à implementação dos projetos mineiros em Boticas e Montalegre e manifestou apoio à realização de ações que travem a concretização destas minas.

A CIM agrega os municípios do Alto Tâmega – Boticas, Chaves, Montalegre, Ribeira de Pena, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar – e aprovou recentemente a moção “Oposição à implementação dos projetos da mina do Barroso e da mina do Romano”.

Saber mais: 

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Colapso climático - Em busca de uma saída


Luís Ribeiro, jornalista da Visão escreveu o seguinte: "Este grupo (?) exige 100% de eletricidade de fonte renovável em 2 anos e o fim absoluto da gasolina e do gasóleo nos próximos 7.São exigências absurdas, inapelavelmente impossíveis de cumprir. Quem anda a manipular estes miúdos? Qual é a fonte da ignorância?"
Ora acontece que mais 10 anos a emitir praticamente ao ritmo atual e mesmo depois 20 anos de descida exponencial ainda assim iria fazer com que a atmosfera chegasse aos 450-500 ppm. Acima dos *400* o clima transita para um estado fundamentalmente diferente. Já se iniciaram processos irreversíveis.
Arte digital minha: "Em busca de uma saída"

sábado, 20 de maio de 2023

Rebelde: Agustina Bessa-Luís


"Sendo que a vida humana é dominação organizada, e o princípio da realidade é adaptação a essa mesma dominação - há a rebeldia como actividade nobre." - Agustina Bessa-Luís

domingo, 22 de janeiro de 2023

'Assassinado a sangue frio': ativista morto protestando contra a 'cidade policial' da Geórgia

Assassinato de Manuel Esteban Paez Terán, que se opôs ao centro de treino, é 'sem precedentes' na história do ativismo ambiental, dizem especialistas.


Belkis Terán falava com seu filho, Manuel, quase todos os dias pelo WhatsApp de sua casa na Cidade do Panamá, Panamá. Ela também tinha nomes e números de alguns amigos de Manuel, caso não tivesse notícias do jovem de 26 anos que estava em protesto contra o “Cop City”, um gigantesco centro de treino planeado para ser construído em uma área arborizada perto de Atlanta, Geórgia .

Então, a meio da semana, quando não recebia uma mensagem de Atlanta desde segunda-feira, ela começou a se preocupar. Na quinta-feira, por volta do meio-dia, um amigo de Manuel – cujo nome escolhido foi “Tortuguita” – enviou-lhe uma mensagem de condolências. “Sinto muito”, escreveram. "Para quê?" ela perguntou.

Terán acabou descobrindo que na quarta-feira, por volta das 9h04, um policial ou policiais ainda não identificados atiraram e mataram seu filho. O tiroteio ocorreu em uma operação envolvendo dezenas de policiais da polícia de Atlanta, da polícia do condado de Dekalb, da patrulha estadual da Geórgia, do departamento de investigação da Geórgia e do FBI.

O assassinato surpreendeu e chocou não apenas a família e os amigos de Tortuguita, mas também o movimento ambiental e de justiça social na Geórgia e nos Estados Unidos. As circunstâncias em torno do incidente ainda não estão claras e há demandas para uma investigação completa sobre o assassinato e como ele poderia ter acontecido.

A polícia aparentemente encontrou Manuel numa barraca na floresta de South River, a sudeste de Atlanta, participando de um protesto agora em seu segundo ano, contra os planos de construir uma instalação de treino de polícia e bombeiros no valor de US$ 90 milhões e, separadamente, um estúdio de cinema.

As autoridades dizem que Manuel atirou primeiro num policial estadual “sem aviso” e um policial ou policiais responderam ao fogo, mas não apresentaram evidências para a alegação. O policial foi descrito como estável e no hospital na quinta-feira.

O tiroteio é “sem precedentes” na história do ativismo ambiental dos Estados Unidos, segundo especialistas.

O GBI, que opera sob as ordens do governador republicano Brian Kemp, divulgou poucas informações e na noite de quinta-feira disse ao Guardian que não existe nenhuma filmagem corporal do tiroteio. Pelo menos meia dúzia de outros manifestantes que estavam na floresta no momento comunicaram a outros ativistas que uma única série de tiros pôde ser ouvida. Eles acreditam que o policial estadual poderia ter sido baleado por outro policial ou por sua própria arma de fogo.

Enquanto isso, Terán e ativistas locais estão entrando com uma ação legal, e a mãe de Manuel disse ao Guardian: “Irei aos Estados Unidos para defender a memória de Manuel… Estou convencida de que ele foi assassinado a sangue frio”.

O incidente foi o mais recente de uma intensificação das batidas policiais na floresta nos últimos meses.

Os protestos começaram no final de 2021, depois que a então prefeita de Atlanta, Keisha Lance Bottoms, anunciou planos para o centro de treino. A floresta havia sido nomeada nos planos da cidade quatro anos antes como parte fundamental dos esforços para manter a famosa copa das árvores de Atlanta como um amortecedor contra o aquecimento global e para criar o que teria sido o maior parque da área metropolitana.