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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Reno, Danúbio, Elba, Loire. Alguns dos maiores rios da Europa vão secar este verão


Uma vaga de calor prolongada e a ausência persistente de precipitação na Europa estão a deixar os principais cursos de água do continente a níveis criticamente baixos. Rios vitais como o Reno, o Danúbio, o Elba e o Loire estão a registar reduções drásticas no seu caudal, ameaçando a navegação comercial, a geração de energia hidroelétrica e nuclear, a agricultura e os ecossistemas aquáticos.

O Danúbio, o segundo maior rio da Europa depois do Volga, caiu para o nível mais baixo dos últimos 30 anos na Roménia, onde desagua no Mar Negro, segundo a agência governamental Romanian Waters.
De acordo com a agência, o caudal do Danúbio em Baziaș, onde o rio entra no país, desceu para cerca de 1.700 m³ por segundo, pouco mais de um terço da média de julho, que ronda 4.700 m³ por segundo.

A seca deixou longos trechos de areia exposta nas margens junto à fronteira com a Bulgária, com vários serviços de ferry suspensos e barcaças de transporte de cereais paradas, reportou a Reuters. A agência acrescentou que a situação deverá melhorar a partir de 20 de julho, quando se previa chuva em vários condados.

Do outro lado do continente, o outro grande rio europeu, o Reno, também foi afetado pela onda de calor e pela seca. A imprensa europeia notou que o nível da água no ponto crítico de medição em Kaub desceu recentemente para 80–90 centímetros.

O Reno é uma rota de transporte essencial para mercadorias como cereais, minerais, minérios, carvão e produtos petrolíferos, incluindo gasolina. Os baixos níveis do rio têm afetado a navegação, obrigando os navios de carga a navegar parcialmente carregados, o que aumenta significativamente os custos de transporte nos centros industriais europeus.

A Reuters noticiou recentemente que o rio deverá subir ligeiramente após chuvas inesperadas no sul da Alemanha, permitindo que os navios transportem cargas maiores.

Em França, o Loire, com 625 milhas (cerca de 1.005 km), ficou recentemente reduzido a um leito seco com poças isoladas após semanas de calor intenso em Montjean-sur-Loire, segundo relatos da imprensa. O Doubs também secou, evidenciando o agravamento das condições de seca.

Impactos Socioeconómicos e perspetivas
A diminuição dos caudais dos rios afeta não só o comércio e as redes de logística industrial, mas agrava também a crise energética no continente. A escassez de água fria limita a capacidade de refrigeração das centrais nucleares e térmicas, enquanto as albufeiras hidroelétricas operam com reservas mínimas.

Segundo as projeções da Agência Europeia do Ambiente e do Observatório Europeu da Seca, a frequência e a intensidade destes eventos extremos tendem a aumentar devido às alterações climáticas, exigindo reformas urgentes na gestão sustentável dos recursos hídricos na Europa.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

E se o "Fascismo Eterno" de Umberto Eco, tivesse encontrado a ferramenta perfeita na Inteligência Artificial?

O custo da IA não é apenas ecológico; é cultural e político. Convoco os meus amigos à leitura desta minha reflexão profunda sobre o mundo que estamos a construir e a leitura que nos pode salvar do fascismo eterno.

𝐏𝐨𝐧𝐭𝐨 𝐩𝐫𝐞́𝐯𝐢𝐨
Atualmente, o grande desafio é o crescimento exponencial da Inteligência Artificial - um campo que nasceu em meados do século XX, mas que hoje atinge proporções sem precedentes. Os chips de IA, como os GPUs, consomem muito mais energia do que os servidores tradicionais. Este aumento súbito na procura de eletricidade está a pressionar as redes elétricas e, em algumas regiões, a obrigar ao prolongamento da atividade de centrais a gás ou carvão, dificultando as metas de descarbonização.

Para além da eletricidade, a corrida aos minerais raros para construir estes componentes tornou-se insuportável e insustentável. É neste cenário - um mundo polarizado, minado por fraudes e mergulhado numa nova era tecnológica quase imposta - que os algoritmos disparam em todas as direções, perpetuando vieses políticos e alimentando bolhas ideológicas para maximizar o lucro. É assim que o tecnofascismo e o carbofascismo se impõem numa era tecnológica quase imposta. A verdade é que não estamos preparados. Explico porquê no segundo texto.

𝐒𝐞𝐠𝐮𝐧𝐝𝐨 𝐩𝐨𝐧𝐭𝐨 - 𝐀 𝐩𝐨𝐧𝐭𝐞 𝐞𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐚 𝐨𝐛𝐫𝐚 𝐝𝐞 𝐔𝐦𝐛𝐞𝐫𝐭𝐨 𝐄𝐜𝐨 𝐞 𝐚 𝐞𝐫𝐚 𝐝𝐢𝐠𝐢𝐭𝐚𝐥: 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐧𝐨𝐬 𝐝𝐞𝐟𝐞𝐧𝐝𝐞𝐫𝐦𝐨𝐬?

O Fascismo Eterno, obra em que Umberto Eco analisa as estruturas mentais e socioculturais do autoritarismo, ganha uma relevância alarmante quando confrontado com a atual e acelerada evolução da Inteligência Artificial. Embora o ensaio tenha sido escrito na década de 1990, muito antes da explosão dos modelos generativos e dos algoritmos avançados, as catorze características do Ur-Fascismo identificadas pelo filósofo italiano servem como um aviso severo sobre os impactos culturais e políticos da automação tecnológica no comportamento humano.

A primeira grande interseção reside no conceito de novilíngua. Eco alertava que o fascismo eterno recorre a um vocabulário empobrecido e a uma sintaxe elementar para limitar o raciocínio complexo e eliminar o pensamento crítico. Ao transferirmos a produção de textos, discursos e comunicações diárias para sistemas de IA, corremos o risco de padronizar a linguagem de forma global. Estes modelos tendem a gerar respostas estatisticamente previsíveis e polidas, o que pode esvaziar a riqueza linguística, a ironia e a profundidade do debate público, pavimentando o caminho para uma sociedade que aceita mais facilmente narrativas simplistas e polarizadas.

Além disso, o culto da ação pela ação e o consequente desprezo pela reflexão intelectual encontram um terreno fértil na busca cega pela produtividade algorítmica. A pressa em obter resultados imediatos através de prompts substitui muitas vezes o processo humano de pesquisa profunda, erro e ponderação. Quando o ato de pensar é delegado à máquina em nome da eficiência, a capacidade da sociedade para exercer a dúvida filosófica e a contestação - defesas vitais contra regimes autoritários - acaba por atrofiar.

Outro ponto crítico é a obsessão pelo complô e a criação de inimigos imaginários, dinâmicas que alimentam o ecossistema fascista. Atualmente, a Inteligência Artificial é utilizada para potenciar bolhas de radicalização através de algoritmos de recomendação baseados no envolvimento pela indignação e, ironicamente, maximizando o lucro dos plutocratas . A capacidade de gerar desinformação em massa, clones de voz e deepfakes de forma automatizada e barata permite que atores maliciosos criem conspirações personalizadas para diferentes franjas da população, fraturando o tecido social à escala industrial.

Por fim, o populismo qualitativo, onde o líder se assume como a encarnação da vontade de uma massa homogénea, ganha contornos de precisão cirúrgica com o uso de dados processados por IA. A análise automatizada do sentimento das redes sociais permite moldar discursos políticos que não convidam ao debate, mas que ecoam de forma artificial os medos e preconceitos do eleitorado. Assim, o maior perigo não reside numa revolta das máquinas contra a humanidade, mas sim na possibilidade de a IA ser utilizada para automatizar e perpetuar os hábitos mentais mais primitivos e intolerantes que Umberto Eco nos instou a combater.

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sábado, 29 de outubro de 2022

Onde Estão os Pobres?


Por António Guerreiro

A pobreza é histórica e socialmente relativa, os critérios para a sua definição mudam consoante a época e a sociedade.

Ao mesmo tempo que eram divulgados alguns números sobre o aumento da pobreza em Portugal e se publicavam reportagens que amplificam demagogicamente a situação, o Governo depositava 125 euros na conta bancária de uma grande parte dos cidadãos. Esse dinheiro vai alimentar o fluxo económico e volta a reentrar parcialmente nos cofres do Estado. Mas o que importa é cultivar a imagem de um Estado benfeitor.

Muito embora o universo dos beneficiários inclua a maior parte da população e não se limite aos que têm rendimentos muito reduzidos ou se situam abaixo do limiar de pobreza, esta “dádiva”, no contexto em que é feita, arrisca-se a parecer uma manobra de assistência ou um suplemento de generosidade do sistema de protecção social.

Evidentemente, a operação é económica, bastante alargada, e tem objectivos políticos, mas na sua forma e graças à coincidência com a divulgação de dados alarmantes, acaba por se confundir demasiado com a assistência à pobreza. E ser assistido é, como sabemos desde que em 1907 Georg Simmel publicou o seu célebre estudo sobre os pobres, com o qual impulsionou uma “sociologia da pobreza”, o critério essencial para que uma pessoa seja representada pelos outros como pobre.

Onde está afinal esta enorme massa de população pobre se nós não a vemos ou a vemos muito pouco? Não a vemos porque na nossa sociedade (democrática e rica ou com aspirações a tal) é o modelo da riqueza que se tornou conspícuo ou até exuberante, enquanto os pobres foram relegados para a condição da invisibilidade. De outro modo, constituiriam um grande incómodo que justifica, aliás, o assistencialismo: este acaba por ser uma forma de assistência não apenas aos assistidos, mas aos sujeitos da assistência. É preciso apresentar ainda uma outra razão para esta invisibilidade: em países como Portugal há uma pobreza integrada socialmente.

Muitas pessoas com quem nos cruzamos diariamente, que nos prestam serviços e que nos atendem nas lojas, nos supermercados, nos cafés e restaurantes, fazem parte deste estrato social; nos países da Europa do Norte, pelo contrário (embora com alguns desvios que se têm acentuado nos últimos anos), a classe média é a regra geral e a pobreza é quase sempre marginal, os pobres vivem na condição de “restos”, de inadaptados, não formam um conjunto social.

Outra coisa que Simmel nos ensinou é que a pobreza é sempre relativa e, por isso, devemos interrogar a própria noção de pobreza, tal como ela é definida e quantificada pelas estatísticas. Basta mudar um pouco o limiar de pobreza oficial e imediatamente se altera a proporção dos pobres em relação à totalidade do universo populacional.

A pobreza é histórica e socialmente relativa, os critérios para a sua definição mudam consoante a época e a sociedade: um pobre em Inglaterra na época da revolução industrial não é o mesmo que um pobre na Inglaterra de hoje, tal como um pobre na Suíça não se assemelha a um pobre em Portugal. Mas esta definição relativa de pobreza aplica-se também às categorias profissionais. Um exemplo, que tem actualmente uma extrema evidência, demonstrativa desta realidade: a classe dos jornalistas tem os seus pobres, que são a maioria, e os seus ricos, uma minoria.

A pobreza, em sociedades como a nossa, é apenas bem visível quando ostentada pelos “outros”, os que não são como nós, os imigrantes ou os que são etnicamente identificados. Mas, para além de genericamente invisível, é também muda ou, pelo menos, muito pouco eloquente. Não se vê e pouco fala. Há quem fale por ela, muitas vezes instrumentalizando-a, mas é muito raro apreendê-la com voz própria e sem mediações. Uma excepção a esta regra é um livro-reportagem, um fabuloso livro de um notável escritor dos Estados Unidos, William T. Vollmann, intitulado Poor People (2007).

Vollmann percorreu entre 1994 e 2006 vastas zonas do mundo onde prolifera a pobreza e perguntou aos pobres porque é que são pobres. E as respostas que recebeu são as mais variadas: o destino, dizem uns, a preguiça, confessam outros, o infortúnio e as decisões políticas, avançam outros. Enfim, as respostas são muito diferentes e há até uma mulher indiana que lhe respondeu que a sua pobreza era ditada pelas leis da encarnação; e há um sem-abrigo, algures no México, que diz que não se considera pobre porque arranja dinheiro diariamente para se embebedar.

Relatórios 
Índice Multidimensional de Pobreza (ONU-2002)
UNICEF- Análise do impacto da Guerra Rússia-Ucrânia e a desaceleração económica na pobreza infantil na Europa Oriental e na Ásia Central

Política Nacional

domingo, 20 de outubro de 2019

Portuguesa com missão de poupar água ganha prémio de inovação europeu

O prémio foi atribuído pelo trabalho na Trigger Systems, um sistema de rega inteligente que já ajudou a Câmara de Lisboa a poupar mais de 100 mil euros em água.



Aos 25 anos, a jovem agrónoma Sara Guimarães Gonçalves foi uma das vencedoras deste ano dos prémios do Instituto Europeu de Inovação em Tecnologia (EIT) pela sua missão de poupar água através de sistemas inteligentes. Ganhou na categoria EIT Woman, que se destina a destacar projectos desenvolvidos por mulheres na União Europeia.

A vitória foi-lhe atribuída pelo trabalho realizado nos últimos dois anos com a Trigger Systems, uma startup que ajudou a fundar em 2017 para automatizar sistemas de rega em parques, jardins e campos agrícolas, quando estava no último ano da faculdade. A cidade de Lisboa já tem o sistema instalado no Parque Eduardo VII, no Jardim da Estrela, nos Jardins do Campo Grande e na Quinta das Conchas.

“É sempre um pouco paradoxal ganhar numa categoria destinada a eleger mulheres. Por um lado, o reconhecimento é óptimo, mas, por outro, espero que daqui a uns anos este tipo de prémios deixem de ser necessários”, admite ao PÚBLICO Sara Gonçalves, pouco depois da cerimónia de entrega de prémios do EIT em Budapeste. Apesar da licenciatura em Agronomia, aprendeu a programar durante um projecto no último ano da faculdade e está agora a meio de um mestrado em Bioengenharia. “Ainda há muito preconceito em relação às mulheres nestas áreas, mas é preciso deixar de olhar para o género. É preciso existirem tantas mulheres como homens a trabalhar na área de inovação a tecnologia.” Além do reconhecimento, o prémio vem acompanhado de 20 mil euros que Sara Gonçalves diz que vão ser utilizados para continuar a desenvolver o produto.

“O próximo passo é arranjar mais parceiros em Portugal e depois em Espanha, França e Brasil”, prevê Sara Gonçalves, que trabalha lado a lado com Francisco Manso, outro engenheiro agrónomo, mas com mais 20 anos de experiência na área.

A tecnologia depende de uma plataforma online em que são programados algoritmos que são capazes de prever a quantidade de água de que as plantas precisam – o resultado é enviado para o equipamento que está a ser instalado em jardins públicos, campos de golfe e quintas por todos o país.

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segunda-feira, 22 de julho de 2019

Crise hídrica. Especialistas alertam para a urgência de novas soluções

Para evitar uma crise hídrica à escala global, é necessário abraçar novas soluções, alertam os especialistas reunidos em Estocolmo até esta sexta-feira (2018) para a Semana Mundial da Água. A escassez de água, as alterações climáticas e o rápido aumento da população têm ameaçado os ecossistemas. No entanto, o potencial das infraestruturas verdes não tem sido explorado.


Segundo a Organização das Nações Unidas, quase metade da população mundial, 3.600 mil milhões de pessoas já vivem em áreas com potencial escassez de água pelo menos um mês por ano. As estimativas apontam que estes números podem aumentar entre 4.800 e 5.700 mil milhões de pessoas até 2050. 

Até esta sexta-feira, mais de 3.300 representantes de organizações e empresas vão debater ecossistemas, água e boa gestão destes recursos para o desenvolvimento humano.

"A água é a principal causa de conflitos, a migração, a degradação ambiental, a desigualdade e a crise económica", disse Amina Mohammed , secretário-geral adjunto da Organização das Nações Unidas, citado pelo El País, na cerimónia de abertura da cimeira, organizada pelo Stockholm International Water Institute (Siwi). 

"A tragédia do Boko Haram está intimamente ligado à má gestão da água. Uma solução para o conflito tem de ter em conta esse fator", insistiu Mohammed. No entanto, o secretário-geral adjunto da ONU continua convencido de que "a água também é o motor da paz, segurança, prosperidade e igualdade". 

Carin Jämtin, diretor geral da Agência Sueca para o Desenvolvimento e Cooperação Internacional, aproveitou a oportunidade para lembrar que as infraestruturas de água e saneamento são alvos de ataques durante os conflitos, através da negação do acesso à água potável em muitas partes do mundo.

A água pode tornar-se o ponto de partida para abordar os outros Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas para construir um mundo mais justo, divulgados em 2015.Escassez da água: “o novo normal”

A Diretora Executiva Adjunta da ONU Mulheres, Åsa Regnér, destacou como esta situação afeta sobretudo mulheres e meninas, obrigadas a despender um elevado número de horas a recolher água. Ambas são forçadas a abandonar os estudos e estão mais expostas a doenças, violência e assédio.

"Só na África Subsaariana, são gastas 40.000 milhões de horas todos os anos para coletar água, o equivalente a um ano de trabalho para toda a força de trabalho da França”, sublinhou ao El País Regnér.

Em 2017, quase 22 milhões de pessoas ficaram sem água na região de São Paulo. No Brasil. A mesma dificuldade foi registada em La Paz e na Cidade do Panamá.

As alterações climáticas têm afetado o ciclo global da água. A procura por água continua a crescer a uma taxa de cerca de 1% ao ano, especialmente em países com desenvolvimento ou economias emergentes, de acordo com o mais recente relatório sobre o Desenvolvimento Mundial da Água da Organização das Nações Unidas. No entanto, a taxa está destinada a aumentar. 

Um dos objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU é garantir água segura e saneamento adequado para todos.

“A crescente procura por água, juntamente com a má gestão da água, aumentou o stresse hídrico em muitas partes do mundo. A mudança climática está a aumentar a pressão - e está acontecer mais rápido do que previamos”, disse o Secretário-Geral da ONU António Guterres. 

No entanto, “temos as ferramentas necessárias para obter acesso a água e saneamento para todos”, notificou Miroslav Lajčák, Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Potencial das infraestruturas verdes

A infraestrutura baseada na natureza pode ajudar a encontrar soluções sustentáveis, com custos mais baixos em comparação com as alternativas tradicionais. Este tipo de infraestrutura usa ou imita processos naturais para melhorar a disponibilidade e qualidade da água, reduzindo os riscos associados a desastres naturais.

"As Infraestruturas tradicionais já não respondem como esperado às mudanças climáticas", assegura ao El País Sergio I. Campos G., chefe da Divisão de Água e Saneamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento

"Deveríamos ter confiado mais em soluções naturais, combinando-as com as chamadas infraestruturas cinza. Temos que repensar o que achamos que é correto. Fomos para o outro extremo", acrescentou. 

No entanto, admite que existe um certo receio, na medida em que as infraestruturas verdes muitas vezes são consideradas ineficazes ou muito caras.

Uma perspetiva que não corresponde à realidade, alerta Alvar Closas. "As infraestruturas verdes podem fornecer serviços muito valiosos", argumenta o especialista do International Water Management Institute. 

"No entanto, é inútil ter essas soluções se o assunto das águas subterrâneas não for adequadamente administrado. Tem sido colocado em segundo plano, porque é mais difícil de administrar, apesar da importância crucial", acrescentou.

Os exemplos de infraestruturas verdes apresentados pelo International Water Management Institute na cimeira de Estocolmo mostram que é possível aplicar soluções baseadas na natureza, adaptando-as a diferentes contextos.

sábado, 6 de março de 2004

Degradação do Património- há 544 mil fogos vagos em Portugal


A propósito do Caso Entre-os-Rios é importante compreender de forma integrada matérias como a construção em áreas naturais / agrícolas, a persistência dos modelos de (in)sustentabilidade aplicados em Portugal, a extracção de areias e consequentes alterações nos ecossistemas fluviais, os recursos hídricos (sistemas de abastecimento), etc.
Para além disso, concordo com a Associação Gaia- Porto (porto@gaia.org.pt), que a especulação imobiliária está intimamente associada à degradação do património arquitectónico, a modelos de desenvolvimento económico artificiais e perversos e a uma tremenda injustiça social, isto para além do desastre em termos de destruição do património natural, histórico, cultural, etc.

Deixo aqui essa notícia, do publico, salvo erro em princípios de Janeiro
Estudo da Secretaria de Estado da Habitação
Há 544 mil fogos vagos em Portugal

PUBLICO.PT
Dos cerca de cinco milhões de fogos que existem em Portugal, 544 mil estão vagos, à espera de serem vendidos, arrendados, ou sujeitos a demolição, conclui um estudo promovido pela Secretaria de Estado da Habitação.

O estudo detectou também 80 mil famílias que vivem em casas sem as mínimas condições de habitabilidade, o que leva o Governo a pensar que o problema não se resolve com a construção de mais fogos mas sim com a colocação no mercado dos que já existem.

Apesar do nível excedentário de fogos, em 2001 construíram-se mais 105.644, valor considerado "surpreendente" face à construção promovida pelas cooperativas e entidades públicas.

O estudo, que servirá como base de trabalho para as políticas de habitação do Governo, identifica problemas na conservação dos fogos construídos, estimando que 800 mil dos cinco milhões existentes necessitam de recuperação e 325 mil estão "degradados ou muito degradados".

Apesar de estarem em vigor programas de reabilitação habitacionais, os técnicos sublinham que nos últimos dez anos apenas 23.710 fogos sofreram obras de recuperação.

Enquanto em Portugal a construção civil dedica apenas 5,6 por cento da sua actividade para a recuperação de prédios antigos e degradados, esse valor sobe para 33 por cento na média dos parceiros comunitários.