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quinta-feira, 16 de maio de 2024

A vida dos Amish nos EUA


Uma vida como era há 300 anos: a dos Amish nos EUA. Vivem de acordo com as suas próprias regras, rejeitam os avanços tecnológicos, vestem roupas tradicionais e usam carroças puxadas por cavalos. Um encontro com os Amish é como viajar no tempo.

Originários do sul da Alemanha e da Suíça, os Amish levaram a sua cultura e língua para o Novo Mundo. Profundamente enraizados na sua fé, os Amish seguem códigos rígidos e rejeitam a tecnologia moderna. Para quem vê de fora, estas regras podem parecer estranhas. Deslocam-se pelas suas comunidades rurais em carroças puxadas por cavalos, mas se a distância for muito grande, podem recorrer a um serviço de transporte. Não utilizam telefones, a não ser que seja para fins comerciais e o aparelho esteja fora de casa.

Espera-se que as crianças ajudem nas tarefas domésticas, mesmo quando estão na escola. Mas antes de serem batizados como jovens adultos e de finalmente se tornarem parte da comunidade Amish, é-lhes permitido experimentar o chamado rumspringa: um período em que são encorajados a comportar-se como adolescentes comuns — antes de decidirem qual o estilo de vida que preferem. Aqueles que optam por uma existência convencional e moderna são exilados. O filme lança luz sobre um mundo fascinante governado pela tradição.

Regidos por um conjunto estrito de regras conhecido como Ordnung, os Amish são facilmente reconhecidos pelas suas roupas tradicionais, pelas barbas longas dos homens casados e pela rejeição deliberada de grande parte da tecnologia moderna. Atualmente, estima-se que existam cerca de 370 mil Amish espalhados pelo país, com grandes concentrações em estados como o Ohio, o Indiana e a Pensilvânia. A vida nesta comunidade gira em torno da fé, da terra e da família, começando o dia muito cedo, por volta das quatro e meia da manhã, com as tarefas agrícolas e a ordenha dos animais.

Embora evitem a tecnologia nas suas habitações para proteger a harmonia familiar, os Amish demonstram um pragmatismo surpreendente no que toca ao trabalho, alcançando taxas de sucesso empresarial superiores a 80%. Para conseguirem competir no mercado moderno e sustentar as suas numerosas famílias — que têm em média seis filhos —, as regras comunitárias permitem o uso regulado de eletricidade proveniente de geradores ou baterias nas oficinas, bem como o uso de telefones comerciais fora de casa. No entanto, o uso de computadores continua proibido, pelo que dependem de intermediários do mundo exterior para receberem encomendas em papel. O cavalo e a carroça continuam a ser o meio de transporte oficial e espiritual do grupo, mas para distâncias muito longas que cansariam os animais, é comum a utilização de bicicletas elétricas ou a contratação de motoristas não-Amish.

A estrutura social é rigidamente patriarcal e baseia-se numa interpretação literal das escrituras sagradas, onde o homem assume o papel de sustentar a família fora de casa, enquanto a mulher cuida do lar, da horta e da confeção de vestuário, sendo o divórcio e o aborto estritamente proibidos. No que toca à saúde, os Amish recusam qualquer tipo de seguro ou apoio financeiro do governo. Em vez disso, guiam-se pelo conceito de Gelassenheit, que promove a submissão dos desejos individuais em prol do bem comum. Quando um membro necessita de tratamentos médicos dispendiosos, a comunidade organiza leilões de solidariedade onde são doados e licitados bens para cobrir na totalidade os custos médicos.

O documentário aborda também a transição para a idade adulta através da Rumspringa, um período que se inicia aos 16 anos onde os jovens ficam temporariamente isentos das regras da Ordnung. Durante esta fase, têm a liberdade de experimentar o mundo exterior, o que inclui vestir roupas modernas, conduzir automóveis, fumar ou consumir álcool. No fim deste período, os jovens enfrentam a decisão mais importante das suas vidas: submeterem-se ao batismo e comprometerem-se com o estilo de vida Amish para sempre, ou abandonar a comunidade, arriscando-se à excomunhão e ao corte de laços com as suas próprias famílias.

quarta-feira, 28 de junho de 2023

Inside the Amish & Mennonite Community


Este documentário de formato longo oferece uma imersão fascinante na realidade das comunidades anabatistas da Pensilvânia, desmistificando a ideia preconcebida de que o seu isolamento tecnológico nasce da ignorância, ao provar que se trata de uma escolha deliberada e profundamente teológica. No centro da narrativa está a tensão entre o espetro de conservadorismo que divide os Amish de Ordem Antiga dos Menonitas mais progressistas, uma fragmentação que os próprios entrevistados assumem fazer parte do ADN histórico do movimento desde que fugiram da perseguição religiosa na Europa do século dezasseis. Através de testemunhos recolhidos por microfones ocultos, uma vez que a pose para a câmara viola o mandamento bíblico contra as imagens esculpidas e o orgulho, o realizador desvenda como a famosa charrete a cavalo funciona como uma barreira geográfica intencional concebida para manter os indivíduos num raio de ação local, forçando-os a investir na família e nos vizinhos. Esta autossuficiência estende-se à economia e à saúde, áreas nas quais a comunidade opera um sistema de proteção social paralelo que dispensa os fundos governamentais americanos, sendo os elevados custos hospitalares geridos diretamente por diáconos locais e pagos integralmente em dinheiro através de doações comunitárias baseadas no dízimo voluntário. A vida destas famílias é estruturada em torno de rituais de trabalho manual rigoroso, desde a ordenha diária de madrugada até às dinâmicas de educação que confinam as crianças a escolas de uma ou duas salas apenas até ao oitavo ano, uma prática validada pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos no histórico caso jurídico Wisconsin contra Yoder por proteger os menores da influência secularizante do ensino secundário público. O documentário atinge o seu clímax emocional ao recordar o trágico tiroteio na escola de Nickel Mines em 2006, utilizando o evento para ilustrar como a teologia prática deste povo coloca o perdão mecânico e racional acima das reações emocionais humanas, culminando no acolhimento da própria mãe do atirador no seio da comunidade em luto. Ao explorar o fenómeno da Rumspringa, o período de transição na adolescência em que os jovens ganham liberdade temporária para experimentar telemóveis, carros e outras facetas da vida moderna, a produção revela o impressionante índice de retenção da comunidade, dado que a vasta maioria escolhe voluntariamente o batismo adulto e a submissão vitalícia às regras estritas da igreja. Face à crescente pressão do crescimento demográfico e do desenvolvimento urbano em Lancaster County, que obriga à expansão territorial para novos estados, os líderes destas comunidades continuam a reinterpretar a tecnologia caso a caso, banindo as redes sociais e os smartphones do espaço doméstico por considerarem que a conectividade virtual destrói a verdadeira comunicação humana, defendendo em última análise que as suas restrições quotidianas constituem uma forma superior de liberdade e paz mental num mundo contemporâneo assolado pelo isolamento.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

The Amish


O documentário The Amish (2012), produzido pela PBS para a prestigiada série American Experience, propõe uma viagem extraordinária e sem filtros ao quotidiano, à história e à mentalidade de uma das comunidades mais herméticas e incompreendidas dos Estados Unidos da América. Longe da visão idealizada e comercial alimentada pelo turismo de massas, a obra constrói um retrato profundo sobre a constante tensão entre a preservação de uma fé ancestral e as inevitáveis pressões da modernidade capitalista. Ao dar voz tanto a especialistas como a membros e ex-membros da própria comunidade, o filme humaniza este povo, revelando que o seu isolamento não resulta de uma ignorância ingénua, mas sim de uma escolha coletiva consciente, diária e, por vezes, profundamente dolorosa.

No âmago da identidade Amish reside o princípio teológico de estar no mundo, mas não ser do mundo. Encarando-se como peregrinos de passagem pela Terra, onde a existência terrena é apenas um sopro face à eternidade, estruturam toda a sua vida em torno da comunidade, da humildade e da submissão a Deus, rejeitando o individualismo e o consumismo que definem o Ocidente. Historicamente ligados à agricultura, que consideravam a forma mais pura de ligação ao Criador, os Amish enfrentam hoje uma grave crise de espaço devido ao custo astronómico dos terrenos, o que tem empurrado as novas gerações para o trabalho assalariado em fábricas modernas. Esta transição económica é vista com grande apreensão pelos líderes, pois obriga os jovens a conviver de perto com a sociedade secular e com ritmos de trabalho que ameaçam a coesão do grupo.

A vida comunitária é estritamente regulada pelo Ordnung, um código de conduta não escrito que dita desde as regras de vestuário até aos limites no uso da tecnologia. O documentário desmistifica a ideia de que os Amish consideram a tecnologia intrinsecamente pecaminosa; eles rejeitam-na, sim, quando esta ameaça os laços familiares. O automóvel é proibido porque permite uma dispersão geográfica excessiva, e o telefone é mantido fora de casa para que o mundo exterior não invada o espaço doméstico, priorizando-se o contacto face a face. Esta rejeição do progresso estende-se à educação: as crianças apenas frequentam a escola até à oitava classe, aprendendo o essencial da leitura e da aritmética, por se considerar que o ensino secundário promove a competitividade e ideias que afastam os jovens da fé. Esta postura chegou a desencadear uma forte perseguição legal na década de 1960, culminando num julgamento histórico no Supremo Tribunal que acabou por salvaguardar o direito dos pais Amish a retirarem os filhos do sistema de ensino oficial.

A transição para a vida adulta é marcada pelo Rumspringa, um período a partir dos dezasseis anos em que os jovens gozam de maior liberdade para explorar o mundo exterior antes de tomarem a decisão mais importante das suas vidas: o batismo. Sendo uma promessa eterna e voluntária de fidelidade à igreja, o batismo acarreta uma responsabilidade tremenda. O documentário expõe com coragem o reverso desta moeda através do conceito de Meidung (excomunhão ou isolamento). Aqueles que decidem quebrar os votos e abandonar a comunidade sofrem um corte radical nas relações familiares e sociais; os pais e irmãos ficam proibidos de partilhar a mesma mesa ou fazer negócios com o dissidente. Através de relatos comoventes de quem partiu, o filme ilustra a brutalidade psicológica deste afastamento, bem como a rigidez de uma estrutura patriarcal que, nalguns casos reportados, silenciou mulheres vítimas de violência doméstica em nome da submissão feminina.

Apesar destas sombras, o documentário alcança o seu auge emocional ao abordar a capacidade de transcendência espiritual deste povo, exemplificada no trágico tiroteio na escola de Nickel Mines, em 2006, onde um homem da região sequestrou e baleou dez meninas, matando cinco delas antes de se suicidar. A resposta da comunidade chocou e comoveu o mundo: poucas horas após o massacre, os Amish visitaram a família do homicida para expressar um perdão sincero e oferecer apoio financeiro à viúva. O filme explica que, para os Amish, o perdão não implica esquecer a dor, mas sim abdicar voluntariamente do direito à vingança e ao ressentimento, entregando o julgamento a Deus. Como toda a sua cultura assenta na autossupressão e no sacrifício do ego, o perdão - embora imensamente sofrido -surge como uma extensão natural da sua vivência religiosa.

Em suma, The Amish é uma análise brilhante e multifacetada que foge à romantização bacoca e ao julgamento fácil. Ao expor os paradoxos de uma sociedade que alcança uma paz e uma solidariedade comunitária admiráveis à custa da anulação da liberdade individual e da punição severa dos que divergem, o documentário deixa no espetador uma inquietação profunda. Confronta-nos com as escolhas extremas que a preservação de uma utopia espiritual exige e, simultaneamente, funciona como um espelho crítico que nos questiona sobre o que a sociedade moderna, na sua pressa e emancipação individual, poderá ter perdido pelo caminho.

domingo, 20 de maio de 2007

Amish


O grupo religioso norte-americano conhecido por usar carroças é a comunidade Amish. Os Amish são um grupo anabatista cristão que vive principalmente nos Estados Unidos, especialmente nos estados de Ohio, Pensilvânia e Indiana. Eles são conhecidos por seu estilo de vida simples, resistência à tecnologia moderna e compromisso com valores comunitários e familiares.

Os Amish utilizam carroças puxadas por cavalos como principal meio de transporte, em vez de automóveis, como parte de seu esforço para manter uma vida simples e evitar as influências da tecnologia moderna. As carroças, muitas vezes pretas e de design simples, são um símbolo distintivo de sua cultura e práticas religiosas.

Os Amish acreditam que a adoção de tecnologias modernas pode levar à diminuição da comunidade e à perda de valores tradicionais. Portanto, além do uso de carroças, eles também evitam o uso de eletricidade nas suas casas e preferem métodos agrícolas tradicionais.

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