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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Alterações climáticas estão a deslocar borboletas em todo o mundo


Uma em cada dez espécies de borboletas em todo o mundo já alterou a sua área de distribuição, com as alterações climáticas e os fenómenos meteorológicos extremos a serem responsáveis por quase 80% dos movimentos registados, revela um novo estudo liderado pela Monash University.

A investigação, publicada na revista científica Nature Ecology & Evolution, é a maior análise global deste tipo e avaliou 6.182 registos de alterações na distribuição de 1.758 espécies de borboletas em 105 países. O trabalho reuniu informação de literatura científica publicada em inglês e noutras línguas, bem como avaliações realizadas por 68 especialistas.

O autor principal do estudo, Shawan Chowdhury, responsável pelo Global Change Ecology Lab da School of Biological Sciences da Monash University, considera que os resultados revelam um mundo natural em rápida transformação e evidenciam falhas importantes na monitorização da biodiversidade.

“Encontrámos espécies de borboletas a alterar as suas áreas de distribuição em todos os continentes onde existem. A dimensão é impressionante e está a acontecer muito para além das regiões mais estudadas da Europa e da América do Norte”, afirma Shawan Chowdhury.

“As alterações climáticas são agora uma força dominante a redefinir os locais onde as espécies conseguem sobreviver. Para muitas borboletas, a única opção para sobreviver é deslocarem-se, muitas vezes rapidamente, para acompanhar as condições adequadas”, acrescenta.

Mais espécies avançam para novas áreas, mas algumas estão a desaparecer
O estudo mostra que 80% das espécies analisadas expandiram a sua área de distribuição, muitas vezes deslocando-se para novos territórios onde as condições climáticas se tornaram mais favoráveis devido ao aumento das temperaturas.

Ao mesmo tempo, 27% das espécies registaram uma redução da sua distribuição e 22% alteraram a sua presença ao longo de gradientes de altitude. No entanto, estas mudanças de altitude foram raramente documentadas nas regiões tropicais, uma situação considerada preocupante devido aos limites térmicos reduzidos das espécies que vivem nesses ecossistemas.

A análise revelou ainda diferenças significativas na quantidade de informação disponível entre regiões. Cinco países europeus - República Checa, Finlândia, Luxemburgo, Espanha e Suécia - destacaram-se por terem registos de alterações de distribuição para mais de metade das espécies de borboletas conhecidas.

Quando considerados apenas os países onde existem registos de espécies que alteraram a sua distribuição dentro ou fora do território nacional, 32 países apresentavam mudanças documentadas em pelo menos um quarto das espécies conhecidas e 10 países em mais de metade.

Falta de dados ameaça regiões tropicais
Para Shawan Chowdhury, uma das conclusões mais relevantes do estudo é a quantidade de informação que ainda permanece desconhecida.

“Uma das conclusões mais surpreendentes é a quantidade de evidência que estava em falta”, afirma.

“Quando incluímos estudos em línguas que não o inglês e conhecimento de especialistas, surgiu uma imagem global completamente diferente. Sem estas fontes, teríamos subestimado drasticamente os padrões globais de alteração de distribuição, sobretudo ignorando padrões importantes nos trópicos, onde vivem 80% das espécies de insetos.”

A investigação identifica grandes lacunas geográficas na monitorização da biodiversidade, nomeadamente na África Central, Sudeste Asiático, Nova Guiné e Bacia Amazónica, regiões consideradas hotspots globais de biodiversidade.

“Estas são as regiões onde as espécies são mais vulneráveis e onde sabemos menos”, alerta o investigador.

“As borboletas tropicais já vivem próximas dos seus limites térmicos superiores. Mesmo pequenos aumentos de temperatura podem ultrapassar esses limites, especialmente quando a alteração do uso do solo fragmenta os habitats de que as borboletas dependem para se deslocarem e acompanharem os climas adequados.”

Borboletas como sinais de alerta dos ecossistemas
Os autores defendem que uma monitorização global mais equilibrada, padronizada e multilingue é essencial para garantir que as estratégias de conservação sejam baseadas em informação completa.

“As borboletas são indicadores de alerta precoce e estão a emitir um aviso em todo o planeta. Se as suas áreas de distribuição estão a mudar desta forma, isso indica alterações profundas em todos os ecossistemas”, afirma Shawan Chowdhury.

“Precisamos urgentemente de uma monitorização global coordenada, sobretudo nos trópicos, para perceber o que as espécies estão a fazer, para onde estão a ir e como podemos protegê-las. Isto é particularmente importante para cumprir as metas do Quadro Global de Biodiversidade Kunming-Montreal.”

O estudo conclui que a redistribuição das espécies impulsionada pelo clima não é uma possibilidade futura, mas uma realidade atual e em aceleração, exigindo novas estratégias de conservação capazes de responder a um planeta onde cada vez mais espécies estão em movimento.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Dia Mundial do Elefante 20026


Introdução e Contexto Histórico

Celebrado anualmente a 12 de agosto, o Dia Mundial do Elefante - instituído em 2012 por iniciativa da realizadora canadiana Patricia Sims e da Elephant Reintroduction Foundation da Tailândia - constitui um marco global para a consciencialização sobre a preservação e gestão sustentável da família Elephantidae. Em 2026, a efeméride assume um caráter de acrescida urgência analítica: o declínio demográfico persistente em África e na Ásia impõe a revisão contínua das estratégias de gestão de ecossistemas, o combate ao comércio ilícito de marfim e a reavaliação ética dos modelos do ecoturismo e dos safaris.

1. Divergência taxonómica: as três espécies reconhecidas
A biogeografia contemporânea e a genómica populacional reconhecem atualmente três espécies distintas de elefantes:
  1. Elefante-de-savana-africano (Loxodonta africana): é o maior mamífero terrestre do planeta. Distribui-se maioritariamente pelas savanas e habitats abertos da África Subsaariana. Encontra-se classificado como Em Perigo (EN) pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN.
  2. Elefante-da-floresta-africano (Loxodonta cyclotis): distinguido formalmente do L. africana devido a evidências genéticas inequívocas, habita as florestas tropicais densas da África Central e Ocidental. De menor porte e com presas mais retas, está classificado como Em Perigo Crítico (CR) pela IUCN, tendo sofrido perdas drásticas devido à caça furtiva.
  3. Elefante-asiático (Elephas maximus): presente de forma fragmentada em 13 países do Sul e Sudeste Asiático. Morfologicamente caraterizado por orelhas menores e por uma única projeção digital na tromba, encontra-se igualmente classificado como Em Perigo (EN) na IUCN Red List.
2. Ponto de Situação Populacional e Ameaças
De acordo com os dados compilados no African Elephant Database mantido pela IUCN, estima-se que restem cerca de 400.000 a 415.000 elefantes africanos na natureza. Relatórios da World Wildlife Fund (WWF) e do programa CITES MIKE (Monitoring the Illegal Killing of Elephants) indicam que a população do elefante-da-floresta declinou mais de 86% em três décadas. A população selvagem de elefantes asiáticos é estimada em apenas 40.000 a 50.000 indivíduos.

As pressões antrópicas organizam-se em três eixos centrais:
  1. Caça furtiva e tráfico: a procura ilegal de marfim continua a perturbar as demografias locais.
  2. Fragmentação de habitat: a conversão agrícola e a urbanização destroem cenários de dispersão.
  3. Conflito Humano-Fauna (CHF): o aumento das sobreposições territoriais gera episódios letais de retaliação motivados pela destruição de culturas agrícolas.
3. Estratégias de Preservação e Conservação
As respostas institucionais assentam na transição para abordagens integradas de paisagem e tecnologia:
  1. Corredores ecológicos Transfronteiriços: iniciativas de grande escala, como a KAZA TFCA (Kavango-Zambezi Transfrontier Conservation Area), conectam parques nacionais em cinco países da África Austral, garantindo rotas de migração seguras.
  2. Tecnologia de rastreio e monitorização: implementação de coleiras com GPS via satélite geridas por organizações como a Save the Elephants e aplicação da plataforma de dados SMART (Spatial Monitoring and Reporting Tool) pelas brigadas de fiscalização.
  3. Mitigação biológica do CHF: desenvolvimento de cercas de colmeias (beehive fences) promovidas por projetos científicos como o Elephants and Bees, que aproveitam o repúdio natural dos elefantes relativamente às abelhas para afastar os animais de áreas agrícolas.
4. Restrições no turismo de safari e atividades recreativas
A indústria do ecoturismo atravessa uma reestruturação normativa impulsionada pelo bem-estar animal e por relatórios globais de entidades como a World Animal Protection.

Proibição de Safaris de Montaria (Elephant Rides)
A exploração turística assente na montaria e contacto direto tem sido desmantelada progressivamente:
Na África Austral (em particular no Botsuana), as diretivas da indústria de safari e das autoridades de conservação baniram as práticas comerciais de passeios a dorso de elefante.

No Sudeste Asiático (Tailândia), estudos de monitorização continuada promovidos pela World Animal Protection registam uma queda consistente na oferta de viagens a monte e a transição gradual para o modelo de "apenas observação" (observation-only sanctuaries).

Restrições de Capacidade e Impacto Ambiental em Safaris
Nos ecossistemas de safari em parque aberto (como no Parque Nacional do Chobe ou na Reserva do Masai Mara), os organismos governamentais aplicam diretrizes rigorosas:
  1. Lotação por avistamento: proibição de aglomeração de mais de 2 a 3 veículos em simultâneo junto a manadas.
  2. Manutenção de distâncias mínimas: para evitar stresse comportamental nas matriarcas e crias.
  3. Proibição do Off-Roading: Confinamento estrito aos trilhos oficiais para evitar a degradação da flora nativa.
Considerações Finais
A análise do estado de conservação dos elefantes em 2026 demonstra que a viabilidade a longo prazo da família Elephantidae depende da consolidação de corredores ecológicos contínuos, do combate intransigente ao crime ambiental e da transição definitiva do turismo recreativo para um modelo ético, sustentável e baseado exclusivamente na observação à distância.

terça-feira, 7 de julho de 2026

OCDE antecipa pressão adicional de choque energético sobre os salários

Os salários reais permanecem abaixo dos níveis de 2021 em cerca de um terço dos países da OCDE e espera-se que o choque energético deste ano exerça pressão adicional sobre os rendimentos, segundo um novo relatório.

Mesmo antes da recente subida nos preços da energia, a recuperação dos salários reais já estava a desacelerar, ao passo que, num terço dos países da OCDE, os salários reais permaneciam abaixo dos níveis observados no início de 2021, pouco antes da onda inflacionária do pós-pandemia.

O crescimento anual dos salários reais foi positivo em praticamente todos os países da OCDE no primeiro trimestre de 2026, mas ficou abaixo do registado um ano antes em dois terços deles.

A média entre os países foi de 2,2% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com 2,7% no primeiro trimestre de 2025, de acordo com o relatório da OCDE divulgado hoje.

Com as novas pressões inflacionárias decorrentes dos custos mais elevados de energia, espera-se que o crescimento dos salários reais desacelere ainda mais, alerta a OCDE, que destaca que os salários dos trabalhadores de menor remuneração "resistiram melhor à inflação do que os da maioria dos trabalhadores, graças aos aumentos do salário mínimo".

Já os mercados de trabalho nos países da OCDE mantiveram-se resilientes, com o emprego total a atingir um nível recorde e a previsão de que continue a crescer neste ano e no próximo.

A OCDE sublinha ainda que existem grandes diferenças regionais nos resultados do mercado de trabalho, sendo que as taxas de desemprego nas regiões com pior desempenho são, em média, mais do que o dobro das observadas naquelas com melhor desempenho.

O relatório salienta também que o comércio e as mudanças tecnológicas afetam os mercados de trabalho locais de maneiras muito distintas, dependendo da sua estrutura industrial.

As regiões com pior desempenho (onde o desemprego é o dobro) são muitas vezes aquelas que não têm empresas preparadas para integrar ferramentas de IA ou onde a mão de obra não tem formação digital para acompanhar a transição. O comércio global favorece agora as regiões que conseguem produzir mais e mais rápido recorrendo a estas novas tecnologias.

O desemprego está baixo e há trabalho, mas o dinheiro que cai na conta ao fim do mês compra menos coisas do que comprava há 5 anos, com a classe média a sentir mais este aperto do que quem ganha o salário mínimo.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

A dupla face da China: líder na transição verde esconde uma corrida às armas nucleares


A geopolítica do século XXI fixou o olhar na China sob o signo de uma profunda contradição. Aos olhos do mundo, Pequim assume-se orgulhosamente como a locomotiva incontestável da transição energética global, liderando a produção de painéis solares, turbinas eólicas e veículos elétricos. No entanto, por trás desta fachada de vanguarda ecológica e de um soft power meticulosamente desenhado para projetar a imagem de uma potência responsável, esconde-se uma realidade consideravelmente mais sombria e bélica: uma aposta sem precedentes na expansão do seu arsenal nuclear.

Durante décadas, o regime chinês manteve uma postura de dissuasão minimalista, assegurando ao plano internacional que o seu armamento atómico servia apenas como último recurso defensivo. Contudo, sob a liderança de Xi Jinping, a China iniciou uma aceleração histórica que quebrou este antigo equilíbrio. Campos de centenas de silos para mísseis balísticos intercontinentais surgiram nas zonas remotas do oeste do país, enquanto a nova "tríade nuclear" — capaz de projetar ogivas por terra, mar e ar — passou a ser exibida com pompa militar. Para lá dos mísseis de longo curso, Pequim investe agora fortemente em mísseis hipersónicos e de teatro de operações regional, armas de "capacidade dupla" que baralham as fronteiras entre o convencional e o nuclear, elevando drasticamente o risco de um erro de cálculo global.

Esta corrida ao armamento é alimentada por uma profunda paranoia estrutural face ao Ocidente e, em particular, aos Estados Unidos. Ao observar o tabuleiro internacional e o conflito na Ucrânia, os estrategas chineses retiraram uma lição clara: a ameaça nuclear russa funcionou como um escudo eficaz para paralisar a intervenção direta da NATO no terreno. É este mesmo manual que Pequim ambiciona replicar na Ásia Oriental. O objetivo desta musculação atómica não é necessariamente desencadear o Armagedon, mas sim construir uma barreira de medo tão robusta que desencoraje qualquer intervenção norte-americana ou dos seus aliados numa eventual invasão a Taiwan.

Paralelamente, a narrativa da transição verde e o investimento massivo na energia nuclear civil servem de cobertura perfeita. Enquanto o mundo aplaude os avanços tecnológicos chineses na descarbonização, o complexo militar-industrial do país absorve recursos e tecnologia de ponta para otimizar os seus vetores de destruição. O país que se vende ao exterior como o garante da sustentabilidade do planeta prepara-se, à porta fechada, para cenários de "guerra nuclear limitada", posicionando mísseis concebidos para paralisar bases inimigas no Pacífico sob uma lógica de retaliação imediata. Esta é a verdadeira distopia chinesa: um império que lidera a transição para um futuro verde com uma mão, enquanto com a outra afia as armas que têm o potencial de extinguir o amanhã.

O documentário divide-se em três partes: 

Parte 1: Do Programa Mínimo à Expansão Histórica
  • A Parada de Pequim: a China exibiu publicamente pela primeira vez a sua "tríade nuclear" completa, demonstrando uma capacidade consolidada de lançar armas nucleares por terra, mar e ar.
  • O Ritmo da Expansão: especialistas apontam que a China se encontra no meio de uma expansão nuclear histórica. O Pentágono projeta que o país alcance as 1.500 ogivas nucleares até 2035.
  • A Motivação de Xi Jinping: o líder chinês é movido pelo receio de um confronto inevitável com o Ocidente liderado pelos EUA. A sua estratégia baseia-se no realismo estrutural: demonstrar poder para forçar as potências ocidentais a abandonarem a política de contenção contra a China.
  • A Inspiração na Rússia: Xi Jinping destacou internamente que a Rússia tomou uma decisão correta após a Guerra Fria ao manter o seu grande arsenal nuclear, o que obriga os rivais a moderar as suas políticas.
  • Os Silos de Mísseis: investigadores descobriram, através de imagens de satélite, mais de 300 silos de mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) em construção nas zonas remotas do oeste da China. Esta foi a forma mais rápida encontrada por Pequim para expandir o seu arsenal e demonstrar a sua capacidade aos EUA.
Parte 2: O Arsenal da Nova Tríade Nuclear
  • O Vetor Aéreo: a mais recente perna da tríade é o míssil balístico lançado pelo ar, conhecido como Jinglay 1 (JL-1).
  • O Vetor Marítimo e a Geografia: os novos submarinos nucleares chineses estão equipados com o míssil Juulang 3 (JL-3), com um alcance superior a 10.000 km. A China enfrenta restrições geográficas marítimas (a "primeira cadeia de ilhas"), onde os aliados dos EUA monitorizam as saídas para o oceano. É por isso que o Mar do Sul da China e a ilha de Hainan são cruciais para esconder os submarinos. O controlo sobre Taiwan daria à China acesso direto e indetetável ao Oceano Pacífico.
  • Mísseis de Teatro de Operações (Médio Alcance): o míssil DF-26 (apelidado de "Guam Killer") tem um alcance de 4.000 km e consegue atingir as forças dos EUA no Pacífico. Estes mísseis possuem "capacidade dupla", o que significa que podem transportar tanto ogivas convencionais como nucleares. Isto gera um perigo de incerteza em tempos de crise, pois os EUA podem confundir um ataque convencional com um ataque nuclear. O DF-17 é o primeiro sistema hipersónico da China, capaz de manobrar a altas velocidades para evitar as defesas antimísseis.
Parte 3: A Doutrina Nuclear e o Risco de Guerra
  • A Lição da Ucrânia: Pequim observou que as ameaças nucleares implícitas de Vladimir Putin resultaram em impedir que a NATO enviasse tropas para o terreno na Ucrânia. A China ambiciona ter a mesma capacidade de dissuasão para evitar que os EUA intervenham num cenário de invasão a Taiwan.
  • A Política de "Não Primeiro Uso" (No First Use): oficialmente, a China mantém a política de nunca ser a primeira a utilizar armas nucleares. Contudo, existem ambiguidades: analistas indicam que Pequim tem planos para ameaçar com o uso nuclear caso alvos estratégicos convencionais no seu território sejam atacados, argumentando que a política só é tecnicamente violada se as armas forem efetivamente disparadas.
  • Lançamento sob Ataque (Launch Under Attack): com a ajuda tecnológica da Rússia, a China está a desenvolver um sistema de alerta precoce para detetar mísseis inimigos. Isto permite adotar uma postura de disparar os mísseis de volta antes que os mísseis do adversário atinjam os silos chineses. O perigo reside no risco elevado de alarmes falsos e interpretações erradas durante uma crise.
  • Guerra Nuclear Limitada: o desenvolvimento de armas regionais mostra que a China está a preparar-se para a possibilidade de uma guerra nuclear limitada com os EUA. Os estrategistas chineses pensam em alvejar bases militares americanas na região (como em Guam, Japão ou Alasca) para aterrorizar os EUA e ganhar vantagem, sem provocar uma retaliação total que leve à destruição mútua global.

sexta-feira, 13 de março de 2026

The "Two mountains" dilemma


Humanity faces a defining choice: do we climb the green mountain of ecological health and community wellbeing, or the gold and silver mountain of endless economic growth that is destroying the foundations of life on Earth?

No country dramatises the conflict between these two competing choices more clearly than China. In elevating its Two Mountains Theory - that lucid waters and lush mountains are as valuable as mountains of gold and silver - China has done the world a paradoxical service. By naming the conflict explicitly, it reveals what most nations conceal: that they are trying to climb two mountains at once.

This two-part series explores the meaning and implications of China’s dilemma.
Part I examines the environmental paradox of China’s Two Mountains strategy: its leadership in renewables and ecological restoration alongside its continued promotion of coal.
Part II looks at the human and global consequences of the conflict and how they bear most heavily on the poor majority.

Together, these reflections underscore a simple truth: no climber can ascend two mountains at once. Humanity must choose.

The Origin of the Two Mountains Theory
In 2005, while serving as provincial party secretary of Zhejiang, Xi Jinping introduced what he called the Two Mountains Theory: lucid waters and lush green mountains are as valuable as mountains of gold and silver. At the time, it was Xi’s local call to temper economic development with environmental protection. When Xi rose to national power -becoming General Secretary of the Communist Party in 2012 and President of China in 2013 - he elevated the Two Mountains Theory to the level of national strategy.

The paradox is clear. China was the first nation to pledge itself to building an Ecological Civilisation. Yet it also continued its established commitment to growing its economy, including using coal as a significant energy source. By giving the contradiction a name [the Two Mountain Theory], China exposes the conflict and gives the world a mirror to view the conflict that every nation faces. Yet most try to obscure it with slogans of “green growth” or “sustainable development.”

Achievements that inspire
Whatever else one says about China, its achievements in ecological innovation are breathtaking in scale and speed. In 2023, China installed more than 217 gigawatts of new solar power capacity—over twice the combined annual additions of the United States and European Union. Reports for 2024 estimate China installed 329 gigawatts of new solar plus 79 gigawatts of wind.

This build-out reflects China’s immense scale. With a population of 1.4 billion people—more than double the combined populations of the US and EU—it faces enormous energy demand. Still, the speed of China’s renewable expansion shows what is technically and financially possible when policy aligns with ecological ambition.

China’s expansion of high-speed rail is equally impressive. Since the early 2000s, China has built more than 45,000 kilometres of high-speed rail—longer than the rest of the world’s networks combined. Trains traveling up to 350 km/h now connect nearly every major city, carrying hundreds of millions of passengers annually.

The achievement is unparalleled in modern history. By contrast, the US has yet to complete even a single true high-speed rail line. Europe’s networks are extensive, but still far smaller in scale. China’s population density and state-driven model give it unique advantages—but its success demonstrates that when a nation makes a clear commitment, massive infrastructure shifts are possible.

China also leads the world in electric mobility. Shenzhen became the first city to electrify its entire bus fleet - more than 16,000 vehicles - and then moved on to electrify taxis. Other cities quickly followed suit. Today, China operates more than half of the world’s electric buses.

Of course, buses alone cannot solve urban congestion, and car ownership continues to rise. But the pace of this transformation shows how quickly urban fleets can transition when backed by policy, subsidies and manufacturing capacity.

China has also undertaken ecological restoration at an unprecedented scale. Its Great Green Wall programme involves planting billions of trees to halt the spread of the Gobi Desert. On the Loess Plateau, decades of restoration have turned one of the world’s most degraded landscapes into fertile farmland, reducing soil erosion and improving rural livelihoods.

These projects have their own limits. Monoculture tree planting has sometimes failed. Ecological complexity is hard to replicate. Still, the scope of China’s efforts offers lessons for other regions facing desertification, from Africa’s Sahel region to India’s drylands.

China has also made urban resilience a priority. Through its “sponge city” programme, China is reimagining urban water management. Cities like Wuhan, Shanghai and Shenzhen are embedding wetlands, green roofs and permeable pavements to absorb rainwater, reduce flooding and disperse heat.

These experiments are not yet universal, and many cities still rely on traditional “grey infrastructure” like concrete drainage systems. But if scaled up effectively, sponge cities could become a global model for adapting to intensifying climate impacts.

Each of these accomplishments demonstrates the power of focused public investment and long-range planning. They also prove that rapid, large-scale transformation is possible.

Contradictions that alarm
Yet, China’s ecological ambition collides with another reality: its plans for continued economic expansion.

Coal addiction: despite its boom in renewable energy, China still generates more than half of its electricity from coal. Even as solar and wind expand, new coal plants continue to be approved. Each one locks in emissions for decades.

Industrial emissions: China is the world’s largest producer of steel and cement, two of the most carbon-intensive industries. They are the backbone of its infrastructure drive but exact steep ecological costs.

Mega-project disruptions: the celebrated Three Gorges Dam produces renewable electricity but displaced more than a million people and disrupted entire ecosystems. Other projects marketed as “green” carry similarly heavy environmental costs.

Governance gaps: environmental laws are tightening, but enforcement is often lax. Public participation is limited, and independent oversight remains weak.

For every inspiring green initiative there remains a countervailing commitment to fossil energy and industrial expansion. This is the Two Mountains paradox made visible.

Comparisons with others
China’s dilemma becomes well demonstrated in the EU and the US. While the EU leads the world in environmental regulation and citizen participation and has pioneered carbon pricing, it has been slow to build out the renewable infrastructure needed to meet its lofty goals. And in the US, we have world-class science, activism and technological innovation, yet fossil fuel interests have captured the politics, even more so under Donald Trump.

The Two Mountains Theory acknowledges the desire for both ecological health and economic expansion, even as it leaves unresolved the impossibility of achieving both. This may be China’s most important contribution to the world: not that it has solved the dilemma, but that it has made it visible. By holding up a mirror, China forces us all to see that the conflict is not uniquely Chinese - it is universal.

No climber can ascend two mountains at once. At some point, China—and all of us—must choose. For the sake of peace, for the wellbeing of the poor majority and for the survival of life itself, there will be no winners on a dead Earth. Humanity must climb the mountain of life.

Read part II here.

Saber mais:

The great divergence between the world’s two superpowers on climate policy continues. Chinese officials passed a major new environmental protection law on the last day of their annual policy meeting in Beijing.

Today’s Bloomberg Green explains what’s in the new legislation and what it means for Chinese climate policy going forward.

domingo, 30 de novembro de 2025

A silent catastrophe: 600 dead while the world looks away


Did you know that more than 4 million people have been affected by catastrophic floods in Southeast Asia this week and more than 600 have already died?

While much of the Western world went about its normal routines, a climate-charged humanitarian disaster was unfolding across Indonesia, Thailand and Malaysia. According to a recent report from Reuters, over 4 million people have now been directly impacted. Entire communities vanished under water. Families were swept away in the night. Roads crumbled. Landslides buried homes with people still inside. Survivors clung to rooftops as rivers exploded out of their banks and swallowed everything in their path. More than 600 lives lost in a few days and yet Western media attention remains fleeting.

“Research published in 2025 found that global media coverage of natural disasters is heavily skewed toward events in countries with close social or genetic ties to the reporting country meaning that catastrophes in many climate-vulnerable regions are largely ignored.”

A week of unimaginable human suffering
In the hardest-hit areas of Indonesia, the death toll climbed to at least 303. Rescue agencies report many missing, entire villages unreachable because roads and communications infrastructure washed away. In southern Thailand, flooding and landslides pushed fatalities into the high hundreds; in some provinces morgues became overwhelmed. Across the region, tens of thousands have been displaced, homes destroyed beyond repair, farmland submerged or swept away, and local economies devastated. Villages remain cut off inside debris-filled flood zones even as relief efforts struggle to reach them.
Behind every statistic there is a human reality:
⚠️ Children wading through waist-deep muddy water after schools collapsed.
⚠️ Parents carrying their children on their backs through flooded roads, uncertain if home still stands.
⚠️ Families living on damp floors or makeshift shelters, hungry, cold, and terrified as rain continues to fall.
⚠️ Farmers staring at drowned fields, their harvests ruined, livelihoods destroyed, futures uncertain.

This is not a disaster. It is collective trauma. This is not “just monsoon season” — this is climate disruption in real time The scale, intensity, and unpredictability of the flooding are not random. Scientists have long warned that a warming world brings heavier rainfall, more volatile storm systems, and increased risk of extreme floods. Warmer air can hold more moisture; warmer seas feed storms; the result is more frequent and more intense rainfall events. Many experts say that what Southeast Asia is enduring now; unusual, catastrophic floods across multiple countries at once is precisely the kind of climate-driven extreme weather that belongs to the future. Today it is the present. This horrific upheaval should not be dismissed as “just bad luck.” It must be seen as a warning, evidence of a planet growing increasingly unstable under human-induced climate change.

Why the world’s silence is so dangerous
When more than 4 million people are affected and 600+ die in a few days — and yet global attention remains shallow — something fundamental is broken. If tragedies in the Global South are treated as distant background noise. If the suffering of millions remains largely invisible to the world’s richest and most powerful countries.If disasters fueled by climate disruption are not met with sustained global solidarity — then we are not just failing in empathy. We are failing in foresight.

Selective attention kills urgency
And without urgency, we will never mount the global response such a crisis demands. And while Asia drowned, something else happened in London This same week, the UK hosted the first-ever National Emergency Briefing at Westminster Central Hall — gathering more than a thousand politicians, business leaders, media figures, faith and community voices, all briefed by a panel of top scientists, health-, food- and security-experts.

The message delivered behind closed doors was unambiguous: the climate and nature crisis is already a national security threat. The same forces tearing apart lives in Southeast Asia — extreme rainfall, destabilized weather patterns, overwhelmed infrastructure — can strike any country.

What climate-driven disasters trigger there, they can trigger here. The flooding in Asia is not a distant regional catastrophe. It is a front-line preview of what could happen anywhere including countries in the Global North. This is not a regional crisis. This is a national emergency everywhere. The floods decimating lives across Southeast Asia are not “somebody else’s problem.” They are a warning — raw, unfiltered, urgent. If we cannot look at the suffering of 4 million people today.If we cannot grant their lives the dignity of our attention.

Then how will we protect our own tomorrow?
Because geography will not protect us from climate collapse. Borders will not stop rising waters. Storms will not ask permission. The question is not if it will happen here — But when. If we stay asleep, the water will open our eyes but that will be too late. One powerful way to wake up the people in charge is to do what a group of courageous scientists and civil-society leaders just did in the UK: host a National Emergency Briefing and put political leaders directly in front of the facts. Bringing politicians into the same room as independent experts without spin, without filters, without delay, is one of the most effective tools we have to cut through denial and inertia. We Don’t Have Time is proud to be the official media partner for this groundbreaking initiative. On this page, you can rewatch the full briefing, hear from the scientists themselves, and learn how the model works:




sábado, 3 de junho de 2023

Report: Forest-razing biomass plant in Indonesia got millions in green funds


A renewable energy project that received millions of dollars in climate financing from the Indonesian government is bulldozing rainforest in the nation’s Papua province, according to a new article by a London-based journalism nonprofit.

Indonesia’s Medco Group, which owns the project — a biomass power plant and wood plantation — has said it will clear 2,500 hectares (6,200 acres) of land to meet the demands of the plant, billed as a way to help the country kick its fossil fuel habit.

But the area to be cleared is highly likely to be carbon-storing forest, according to the report, published this week by The Gecko Project.

Satellite imagery indicates Medco, whose core business is oil and gas, has already razed 187 hectares (462 acres) of natural forest since an infusion of state funding apparently enabled it to resume operations after years of inactivity.

“The Indonesian government’s backing for the project reflects a yawning inconsistency in its plans to tackle climate change,” The Gecko Project wrote in the article.

Really renewable?
Indonesia’s rapid deforestation in recent decades has made the nation of 270 million people a leading contributor to global warming.

In 2007, the Southeast Asian nation produced more greenhouse gas emissions than any country but the U.S. and China, with most of it coming from deforestation and changes in land use as commercial plantations spread across the archipelago.

Two years later, Indonesia pledged to cut greenhouse gas emissions by 26-41% over projected business-as-usual levels by 2020, with the higher end of the range contingent on international aid. President Joko Widodo, elected in 2014, subsequently revised the target to 29-41% by 2030.

He also permanently banned new permits for companies to clear primary forest, though existing licenses, such as Medco’s, were grandfathered in.

Indonesia’s deforestation has since slowed significantly. But the nation has also increased its reliance on coal, with the fossil fuel accounting for more than 60% of its energy mix in 2022.

Under a $20 billion deal reached last year with the G7 group of industrialized countries, Indonesia aims to generate more than a third of its energy from renewable sources, including biomass, by 2030, as a means of weaning itself off fossil fuels.

But while some, including Medco, argue that burning timber for electricity is more sustainable than coal or petroleum, others say it undermines environmental goals if that wood comes from destroying rainforests, which hold huge amounts of carbon and biodiversity.

Indonesian think tank Trend Asia has warned that the country’s plan to ramp up biomass production could result in the clearance of more than 1 million hectares (2.5 million acres) of tropical forest in the coming years.

A $9.4 million lifeline
Medco’s biomass project was initially geared toward producing wood chips for export. From 2010-2014, the company cleared some 3,000 hectares (7,400 acres) of rainforest, establishing a timber plantation in its place, according to The Gecko Project’s report.

In 2014, however, Medco halted expansion of the project because, it said, it was losing money.

Three years later, the project received a lifeline in the form of 60 billion rupiah (then worth about $4.5 million) from PT Sarana Multi Infrastruktur (SMI), a company controlled by Indonesia’s Ministry of Finance that has a mandate to fund renewables.

The money supported the construction of the biomass power plant, allowing the project as a whole to pivot to the domestic market.

In 2021, a Medco executive said in a webinar that the project had received a second tranche of financing from the Indonesian Environment Fund, bringing the total to 140 billion rupiah ($9.4 million).

The fund, known as the BPDLH, is another Ministry of Finance agency, this one tasked with managing funds related to environmental protection and conservation in Indonesia. This includes money from international donors such as the U.N.’s Green Climate Fund, which approved a $103.8 million payment to Indonesia in 2020, and Norway, which agreed to pay $56 million into the BPDLH last year.

A BPDLH director confirmed that Medco had received BPDLH financing, but stressed that international climate funds would only be used in ways approved by donors. Norway said its money had not gone to Medco’s project.

Medco — whose late founder, Arifin Panigoro, served on a key advisory body to President Widodo until his death in 2022 — told The Gecko Project in a written statement, seen by Mongabay, that it intended to clear an additional 2,500 hectares of “land” to supply the biomass plant.

While the firm did not directly address whether this land would be rainforest, it did say it reserved the right to legally clear natural forest, adding it would prioritize wood from its tree plantation due to cheaper acquisition costs.

The Gecko Project says its analysis of Medco’s deforestation to date and of the extent and location of forest remaining in its license area, based on satellite imagery and government land cover maps, indicates the company will continue to target rainforest, possibly including old-growth “primary” forest and carbon-rich swampland in addition to regenerating “secondary” forest.

Medco also said it planned to nearly triple the capacity of the biomass plant from its current 3.5 megawatts, which would increase demand for wood and raise the risk of deforestation, the report says.

The company’s area of operation lies in the Trans-Fly region, whose savannas, grasslands and rainforests are home to dozens of rare animal and plant species and Indigenous communities.

sábado, 6 de junho de 2020

The Evolution of Life



When Sir David Attenborough was in his mid-eighties, many thought he had retired. Instead, he was embarking on a new seven-yearjourney, revisiting some of the most astonishing landscapes and creatures on the planet and using advanced technologies to share a freshperspective on our world. From the depths of the Great Barrier Reef to the rainforests of Borneo, from the fastest bird on earth in Rome tothe legendary Dodo in the Natural History Museum, this remarkable documentary follows David's travels across the globe and throughtime. Featuring spectacular footage and breathtaking CGI, Attenborough's Global Adventure represents a new era of natural history filmmaking.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Quem é o monge conhecido como 'Bin Laden budista'


[Fonte] Ele descreve mesquitas como "bases inimigas" e se refere a muçulmanos como "cães loucos". Também acusa os adeptos do Islã de "roubar e estuprar mulheres birmanesas" e de "se reproduzirem muito rápido".

Durante anos, as autoridades de Mianmar deram proteção e apoio ao monge budista mais polêmico do mundo, Ashin Wirathu, o que lhe permitiu seguir adiante com suas pregações extremas.

Mas depois de seu ataque à chefe de governo Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prémio Nobel da Paz em 1991, as autoridades do país parecem ter concluído que o monge foi longe demais. Agora ele pode ser preso sob acusação de perturbação da ordem pública.

Mas quem é esse monge controverso, conhecido como "Bin Laden budista"?
Primeiros anos
Em 2001, Wirathu chamou atenção ao liderar uma campanha para boicotar empresas que pertenciam a muçulmanos.

Ele foi preso e sentenciado a 25 anos de prisão em 2003, mas solto em 2010, após uma anistia geral. Mas o encarceramento não parece ter reduzido seu fervor ativista contra as minorias muçulmanas do país.

Em seus discursos, ele mistura parábolas budistas com fortes doses de nacionalismo.

Ele fala com calma e clareza durante as entrevistas à imprensa, mas se inflama em reuniões públicas. Suas palavras semeiam o ódio - e a islamofobia existente no país.

Wirathu também fez campanhas pela a aprovação de uma lei que proíbe homens muçulmanos de se casarem com mulheres budistas.

"Você não pode subestimar uma cobra porque ela é pequena. Os muçulmanos são assim", disse ele, certa vez.

Banido das redes sociais
Nos últimos anos, o monge passou a divulgar nas redes sociais a mensagem de que a cultura budista do país seria esmagada por uma crescente população muçulmana.

Eventualmente, o Facebook bloqueou sua conta em janeiro de 2018, citando suas mensagens de ódio contra a minoria muçulmana rohingya do país.

Wirathu afirmou que procuraria outras plataformas para divulgar suas ideias.

"Quando o Facebook me baniu, passei a confiar no YouTube. Mas o YouTube não é abrangente o suficiente, então vou usar o Twitter para continuar o trabalho nacionalista", disse ele.

Ele também compartilha seus vídeos pelo VK, uma espécie de Facebook russo.

Mas não foi apenas o Facebook a bani-lo. Em abril deste ano, ele foi impedido de fazer um sermão na vizinha Tailândia, que também tem maioria budista.

Incompreendido
A popularidade de Wirathu reflete a difícil situação dos muçulmanos de Mianmar, onde formam apenas cerca de cinco por cento da população.

Em julho de 2013, a revista Time publicou uma foto do monge na capa com a legenda "O rosto do terror budista".

"Estou sendo mal interpretado e atacado. Acho que há um grupo pagando à mídia para me difamar. Certamente a mídia online é controlada por muçulmanos", disse ele à BBC em 2013.

Ele foi descrito como "Bin Laden budista" em um documentário lançado em 2015 - apelido rapidamente adotado por alguns veículos de mídia. Porém, Wirathu rejeita a comparação.

Ele diz que abomina a violência. "Eu nem gosto de responder com grosseria", disse.

Críticas à ONU
O budista de 51 anos tem um vasto histórico de controvérsias.

Em 2015, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) enviou uma agente especial para investigar a situação da minoria muçulmana em Mianmar, Wirathu chamou a enviada, a diplomata sul-coreana Yanghee Lee, de "cadela" e "prostituta".

Um relatório da ONU divulgado no ano passado disse que os chefes de militares de Mianmar deveriam ser investigados por genocídio no Estado de Rakhine - depois disso, o Tribunal Penal Internacional abriu uma análise preliminar do caso.

O governo de Mianmar rejeitou o relatório e o monge liderou uma ofensiva contra a ONU.
Os seguidores de Wirathu foram amplamente responsabilizados por tumultos antimuçulmanos no Estado de Rakhine, que começaram em 2012 e culminaram no êxodo de mais de 700 mil pessoas para o país vizinho Bangladesh.

Os nacionalistas do país costumam se referir aos muçulmanos rohingya como "bengalis" (como são chamados os nascidos em Bangladesh) - querendo imputar-lhes uma condição de forasteiros.

Numa entrevista concedida ao jornal britânico The Guardian em 2017, Wirathu acusou o partido do governo, a Liga Nacional pela Democracia, de apoiar secretamente uma agenda muçulmana.

Budismo
Mianmar não tem religião oficial definida pelo governo, mas a sociedade é fortemente influenciada pelo budismo - cerca de 90% da população se diz adepta da religião.

Os monastérios desfrutaram de patrocínio estatal há séculos - a ajuda só terminou no século 19, durante o período colonial britânico.

Magníficos templos budistas enfeitam a paisagem de Myanmar, nutridos pelas águas do Irrawaddy e outros rios. Os mosteiros são donos de grandes faixas de terras aráveis.

O país, com população de 54 milhões, tem uma longa história de ditadura militar e mantém um Exército permanente de mais de 400 mil soldados. Estima-se que o número de monges budistas seja ainda maior, de 500 mil - eles desfrutam de status social elevado e são amplamente reverenciados pela população.

Ma Ba Tha
Wirathu foi inicialmente associado a uma organização chamada 969. Os defensores do grupo dizem que o primeiro número 9 representa os atributos especiais do Buda, o 6 denota as características especiais dos ensinamentos budistas e o último 9 significa as qualidades da Sangha - a congregação de monges.

Mas o grupo 969 era mais conhecido por seu ativismo antimuçulmano.

O grupo recebeu apoio do governo e, em 2013, o então presidente de Mianmar Thein Sein se manifestou abertamente em apoio tanto ao movimento quanto a seu mais proeminente líder, descrevendo Wirathu como "filho de Buda".

Wirathu posteriormente se tornou líder de outra organização chamada Ma Ba Tha - ou a Associação Patriótica da Birmânia (nome antigo de Mianmar), criada em 2014. Ela cresceu rapidamente em todo o país, antes de ser proibida em 2017.

Mas ele continuou espalhando sua mensagem de ódio aos muçulmanos do tranquilo mosteiro Ma Soe Yein em Mandalay - onde ergueu uma exposição permanente de fotos que, segundo ele, mostram as vítimas da "violência muçulmana".

Em uma longa entrevista concedida à BBC em 2013, o monge, vestido com a tradicional túnica de cor laranja, não se arrependeu de suas provocações. "Os muçulmanos só se comportam bem quando são fracos. Quando se tornam fortes, eles são como um lobo ou um chacal; em grandes grupos, eles caçam outros animais", disse ele.

"Eles (muçulmanos) não reconhecem outros grupos como humanos. Eles atacam cristãos e hindus também. Na verdade, eles atacam a todos. Se você não acredita nisso, dê sua tecnologia nuclear ao Talebã. Prometo a você, seu país em breve desaparecerá ", acrescentou.

Ampla influência
Wirathu viaja frequentemente e até estabeleceu laços estreitos com o grupo Bodu Bala Sena ou o BBS, organização anti-Islã do Sri Lanka, também mantida por monges que seguem o ramo teravada do budismo.

"Hoje, o budismo está em perigo. Precisamos que as mãos sejam firmemente mantidas unidas se ouvirmos o alarme", disse Wirathu em uma reunião em 2014.

Porém, o aumento de sua popularidade não foi bem vista por mosteiros tradicionais. O Conselho de Sanga, apoiado pelo governo, proibiu Wirathu de realizar sermões por um ano, em 2017.

Ataque a líder política
Mas os problemas para o monge realmente começaram quando ele atacou a figura mais popular do país, a ativista e líder política Aung San Suu Kyi.

"Ela se veste como uma fashionista, usa maquiagem e anda por aí em elegantes sapatos de salto alto, sacudindo a bunda para estrangeiros", disse ele a uma multidão em abril deste ano.

Em um discurso proferido em maio, Wirathu a acusou de "dormir com um estrangeiro".

Suu Kyi foi casada com o acadÉmico britânico Michael Aris, que morreu de câncer em 1999, enquanto ela estava sob prisão domiciliar imposta pelo regime militar.

"Wirathu é um monge muito popular e comanda um grande número de seguidores. Essa massa fica feliz quando ele ataca os muçulmanos. Mas quando ele atinge Aung San Suu Kyi, sua popularidade leva uma pancada e despenca", diz Myat Thu, co-fundador do centro de estudos Escola de Ciência Política de Yangun.

Educada em Oxford, Aung San Suu Kyi é conhecida como "A Dama" e é tida como líder de fato do país. Seu cargo oficial é o de conselheira do Estado. O presidente, Win Myint, é um aliado próximo.

A Constituição de Myanmar a proíbe de se tornar presidente do país por ter filhos com nacionalidade estrangeira - eles têm dupla cidadania birmanesa e britânica.

O governo civil agora quer mudar termo da Constituição que proíbe Aung San Suu Kyi de assumir o cargo máximo no Executivo do país. Wirathu se opõe às mudanças constitucionais propostas.

"As pessoas têm grande respeito por Aung San Suu Kyi. Mesmo muitos monges linha dura, e que estão com Wirathu, agora podem achar mais difícil apoiar sua diatribe contra Suu Kyi", acrescenta Myat Thu.

"Se Wirathu tivesse sido crítico apenas às mudanças constitucionais, teria sido difícil para o governo tomar medidas contra ele. Mas ele recorreu a ataques pessoais contra Suu Kyi, o que não caiu bem com o público", diz Myat.

"Ele tornou mais fáceis ações do governo contra ele".

Mas Wirathu mantém sua postura desafiadora. "Se eles quiserem me prender, podem fazê-lo", disse ele ao portal Irrawaddy, recentemente.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Dia Mundial do Elefante

Este dia, conhecido mundialmente como World Elephant Day, tem em vista a preservação dos elefantes de todo o mundo. A cada quinze minutos morre um elefante na África, envenenado ou baleado pelo seu marfim e pela sua carne. Na China o marfim vale mais do que o ouro. 

O elefante é o maior mamífero da terra (pode pesar 7 toneladas) e mesmo assim um animal muito vulnerável. A sua tromba é capaz de arrancar ramos ou de apanhar uma única folha do chão. Inteligente, dedicado à família, emocional e com uma memória extraordinária, o elefante é um animal dotado das boas características do homem, mas que recebe os piores comportamentos por parte deste.  

Origem do dia
Símbolo nacional da Tailândia, o elefante mereceu um dia próprio em 2012. O Dia Mundial do Elefante foi fundado pela realizadora canadiana Patricia Sims e pela Elephant Reintroduction Foundation da Tailândia. Atualmente a data é apoiada por cerca de 70 fundações de vida selvagem no mundo.

No dia do Elefante, deixamos algumas curiosidades sobre o maior animal terrestre do mundo:
  1. O elefante pesa entre 4 a 6 toneladas e mede em média quatro metros de altura;
  2. É um mamífero herbívoro, podendo comer entre 70 a 150 kg de alimento por dia;
  3. Pode levantar até 10.000 kg;
  4. Os filhotes podem nascer com 90 kg.
  5. A tromba, tem entre 40000 a 100 000 músculos individuias, sendo este órgão extremamente forte mas também muito sensível - pode arrancar 1 só folha de erva, ou derrubar uma árvore. Serve para arrancar alimento e levá-lo à boca, para beber água (até 14 litros de cada vez), para tomar banho, e serve de tubo de respiração durante a natação, e é usado em interações sociais e para cheirar.
  6. As presas de um elefante crescem continuamente (aproximadamente 15 cm por ano num adulto). São usadas para escavar, para retirar a casca das árvores, transportar árvores ou ramos para criar trilhos, marcar território e como armas, ocasionalmente
  7. São paquidermes, que significa “com pele espessa” (cerca de 2,5 cm de espessura).
  8. As grandes orelhas do elefante são são feitas de material muito fino esticado sobre cartilagem e uma vasta rede de vasos sanguíneos. Nos dias quentes, os elefantes agitam constantemente as orelhas, criando uma brisa suave. Esta brisa arrefece  os vasos sanguíneos à superfície, e o sangue mais fresco circula então.
  9. Mais sobre os elefantes aqui
Atualmente todas as espécies de elefantes são considerados como espécies em perigo de extinção, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (UICN). Os elefantes encontram-se ameaçados pela caça ilegal e perda de seu habitat.

Atividades
Neste dia pode:
  1. aderir a um evento para a proteção dos elefantes no site oficial desta data;
  2. assistir ao premiado documentário “Return to the Forest”;
  3. vestir de cinzento ou roupa com desenhos de elefantes;
  4. desenhar um elefante e colocar o desenho online (20 mil desenhos equivalem a 150 mil dólares na ajuda aos elefantes);
  5. fazer donativos a entidades de proteção de elefantes;
  6. visitar o jardim zoológico; 
  7. divulgar a data nas redes sociais e promover a proteção dos elefantes.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Harold Budd - Bismillahi 'Rrahman 'Rrahman



O título é uma transliteração da frase árabe "Bismillahi 'r-Rahmani 'r-Rahim", que significa "Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso".

A música é frequentemente descrita como "devocional" ou "espiritual", mesmo que Budd não a tenha composto com um propósito estritamente religioso, mas sim para evocar uma sensação de beleza profunda e transcendência.