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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Alguns gigantes da Inteligência Artificial estão a comprar lotes de milhares de livros antigos simplesmente para os copiar - e eliminar de seguida


A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros reporta um aumento de 3,2 milhões de livros nas vendas do primeiro trimestre de 2026. No segundo trimestre, as vendas voltaram a cair, mas ainda assim venderam-se mais de três milhões de livros.

Sim, as pessoas ainda leem. Mesmo retirando as leituras obrigatórias, como manuais escolares e afins, as pessoas ainda dão valor ao ato físico de ler e folhear um livro, mas há quem esteja a comprar milhares de livros simplesmente para os eliminar. Alguns gigantes da IA que estão a comprar lotes de milhares de livros antigos simplesmente para os copiarem e eliminar de seguida [Fonte 1] [Fonte 2] [Fonte 3]. O caso é tão grave que Elon Musk já se apressou a dizer no X que deu ordens para a sua empresa não destruir livros raros nos processos de digitalização.
Se por um lado o mercado de livros usados encontrou compradores massivos que "atiram a tudo o que mexe", transformando um negócio moribundo num negócio extremamente lucrativo, também é verdade que estas empresas não estão meramente a comprar livros para guardar em estantes bonitinhas de uma livraria qualquer. Estas empresas estão a comprar livros para lhes passarem uma guilhotina nas lombadas, colocar em digitalizadores rápidos, copiar página a página e no final tratar o papel como nos recomendam que tratemos: enviar para reciclagem.

Morte ou perpetuidade?
Se é um fato que os livros digitalizados podem garantir mais perpetuidade do que livros numa arrecadação a apodrecer com humidade ou a serem devorados por ratos, também é verdade que podemos nunca mais ter acesso às histórias completas desses livros se a velocidade com que são destruídos for muito maior do que a velocidade com que os ratos os roem.

Estes processos de digitalização não são propriamente projetos de preservação e restauro. Quando estas empresas copiam os livros, não estão a criar um novo livro digital, nem nada parecido. O que estão a fazer é a aumentar o conhecimento dos seus modelos de IA que mais tarde nos apresentarão interpretações ou respostas com base no que aprenderam nesses livros, o que não quer dizer que nos entreguem alguma vez esse livro na sua forma integral.

E mesmo que existam cópias integrais, nada garante que esse arquivo digital sobreviva. Guardar milhões de páginas digitalizadas em alta resolução custa dinheiro. Armazenamento, manutenção, curadoria, gente a organizar e a catalogar. é dispendioso. Se não houver curadoria suficiente que preserve esse arquivo ainda que digital, é bem provável que estas empresas, por puras razões económicas optem por não o fazer. Um ficheiro que já cumpriu a sua função de treino não gera retorno nenhum só por ali estar guardado. O que sobra, nesse cenário, não é o livro nem a sua cópia mas aquilo que o "robot" reteve do treino e da sua própria interpretação do texto. Isso, sim, é uma perda irreversível. Passamos de ter o original para ter, na melhor das hipóteses, um eco eventualmente distorcido dele.

Podemos estar a cometer uma atrocidade cultural ao nível do que aconteceu na Dinastia Qin, na Inquisição Espanhola ou na Alemanha Nazi, eliminando livros em troca de um pret-a-porter que a Inteligência Artificial nos poderá vir, ou não, a dar.

Antecipando as críticas, claro que os propósitos são, de facto, diferentes. Nesses tempos antigos os livros eram destruídos para impedir que o conhecimento chegasse a alguém, destruindo a narrativa desejada. Já uma empresa de IA digitaliza-os para absorver o máximo de conhecimento possível mas as o resultado prático, pode, no final, pode ser semelhante. Em ambos os casos o original desaparece e fica apenas a narrativa que quem ficou com o livro decidiu ou conseguiu reter e transmitir. Um ditador entrega-nos a história reescrita à medida da sua ideologia, uma IA entrega-nos a história reescrita à medida do que o seu treino conseguiu interpretar. Muda a intenção, não muda o efeito: o leitor perde o acesso à obra completa e fica dependente da versão de quem a destruiu.

O livro físico é uma prova física. Um papel é sempre um papel que só se apaga, destruindo. Quando perdermos a referência do papel perderemos a referência do que é incorruptível e do que não é. Quando não tivermos esses livros antigos, não teremos como saber se o que nos estão a dar é o livro, ou se é uma interpretação do livro, ou, ainda pior, se do livro só tem a referência sendo o conteúdo outra coisa qualquer.

Quem será, afinal, o guardião das obras originais quando os livros forem partidos às peças e não soubermos onde está e o que é o todo?

Lembra-se do reCAPTCHA?
Muito provavelmente não sabe mas andámos anos a treinar os algoritmos de IA a interpretar texto sem que sequer nos déssemos conta.

Provavelmente já lhe apareceu, nos testes de segurança de algumas páginas de internet, um texto para "provar que é humano". É o CAPTCHA.

O texto mostra-lhe umas letras quase sempre distorcidas e desalinhadas que pede-lhe que re-escreva o texto. Sempre pensou que fosse o computador a pregar-lhe uma partida, mas não é nada disso. O que o computador está a fazer á a solicitar ajuda humana estatística para identificar textos de documentos antigos ou esbatidos que foram digitalizados. A ratoeira é fácil. Uma palavra ou parte da palavra, é um texto real que o computador conhece. A outra metade é uma foto de um texto antigo digitalizado que o algoritmo não entende e quer perceber o que será. Ao fim de vários milhares de interações, o algoritmo percebe o que os humanos assumem do que leram e fica a digitalização completa.
Imagem do cartaz do filme "Fahrenheit 451", realizado por François Truffaut em 1966. O filme é inspirado no romance homónimo de Ray Bradbury, publicado em 1953. Num futuro distópico, um regime proíbe todos os livros, sendo cada exemplar encontrado queimado. Fahrenheit 451 (equivalente a 233 graus Celsius) é a temperatura a que o papel arde.

Ou seja, de um lado da palavra, o algoritmo valida, com o outro lado, aprende. Sente-se fintado?

Ajudámos o algoritmo, neste caso da Google, a converter milhões de livros e de manuscritos em versões digitais precisas através da nossa interpretação e conhecimento. Mais uma vez ninguém nos explicou antes e mais uma vez a nossa sede de informação foi maior do que o nosso sentido de proteção.

Os grandes fazem-se valer disso.

A IA está a secar
Destruir livros deveria ser um atentado ao património. Destruir livros antigos deveria ser um atentado à humanidade.

Todos sabemos que por questões de eficiência os modelos de aprendizagem da IA não guardam na íntegra toda a informação que vão apreendendo. Ou seja: um modelo de IA não guarda um livro inteiro palavra a palavra. Os modelos guardam a ideia, o conceito e, inevitavelmente, a interpretação deles. Se estas empresas não guardarem os livros na íntegra, o modelo treina-se e vai passando o treino - e não a versão original - de geração em geração do seu algoritmo, fazendo com que se perca a história na íntegra.

As grandes empresas de IA não estão a brincar com os treinos de modelos. Passaram anos a obter informação gratuita na internet. Apanharam jornais, livrarias, bibliotecas, empresas, influencers, redes sociais, enfim, todos nós distraídos, e deixaram os seus modelos a "varrer" literalmente a internet e a caçarem toda a informação que lhes era possível e que ainda por cima era gratuita. Essa foi a base dos modelos que conhecemos mas, e agora?

Depois da implementação da IA dos últimos anos, muitas dessas fontes começaram a ser bloqueadas a robots de IA. Muitos sites instalaram medidas de segurança e já não permitem que sejam abertos por algoritmos. Com isto, os modelos de IA cujo treino assentou em capturar a informação que os humanos já tinham criado e publicado, começam a não ter acesso à última parte da criação atualizada assim como não têm acesso à parte mais antiga da criação humana. Muito provavelmente alguns "robots" não conseguirão ler este mesmo artigo no site da CNN Portugal.

A parte antiga do conhecimento - os livros - estão a querer colmatar com a compra e digitalização de dos mesmos, a moderna ainda se vai ter de resolver mas, quando estivermos bem dependentes da IA, iremos sem pestanejar aceitar qualquer carta de "termos e condições" que lhes permita entrar no nosso computador e ver e até levar tudo o que lá tivermos. É o preço que nos impõem pela inclusão.

Singularidade tecnológica
É precisamente neste apagar da prova física que aceleramos o caminho para a singularidade. No final do dia pode haver uma luta real pelo conhecimento. Ou seja, se a IA absorver todo o conhecimento humano poderá vir a ser a guardiã da sabedoria, o que significa que não precisará dos humanos para aprender porque aprenderá sozinha com base no que já sabe e que é, no limite, tudo o que os humanos já sabem até hoje. Se por outro lado a IA não tiver acesso ao que de novo os humanos criam, tenderá a desligar-se dos humanos ou, em alternativa, a encontrar formas de "roubar" o que não consegue obter deles.

O fundador da OpenAI (Chat GPT) disse esta semana que chegámos perto do ponto da singularidade tecnológica. Ou seja, as máquinas ganham uma "mente" muito mais capaz do que a de qualquer ser humano ou, diga-se, que as máquinas ultrapassam a nossa inteligência.

A nossa sorte ou o nosso azar é mesmo o facto de mesmo estes gurus poderem estar errados. A inteligência não é algo que se possa medir sem contexto nem se garante com todo o conhecimento "scaneado". A inteligência mede-se com base no propósito, na medida em que inteligência é, no fundo, a capacidade de alcançar um propósito. Uma aranha pode ser mais inteligente do que um ser humano se for mais eficaz na forma como concilia os seus dados para alcançar o seu propósito. Quando dizemos que somos o ser mais inteligente à face da terra, não deixa de ser um erro ou mesmo uma audácia.

Se a aranha não tem o propósito de criar um sistema monetário, ou um sistema de saúde ou o que for, a sua inteligência pode extravasar de forma brutal o seu propósito, mas ser infinitamente diminuta para conseguir alcançar o nosso.

O mesmo se aplica à Inteligência Artificial: se o propósito da mesma não é igual ao nosso propósito, como poderemos sequer comparar ambas as inteligências e ainda por cima dizer qual é a maior? E fará sentido criarmos algo mais inteligente do que nós próprios e ainda por cima perdermos a referência integral das obras que fizeram de nós o que somos.

Mais ainda, se na cadeia de predadores a inteligência é sinónimo de topo- não pela dieta e pela biologia, mas pelas ferramentas e pela tecnologia - então acabámos, com todos os nossos livros e escritas, por construir o nosso único predador?

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Mais de 35% das novas páginas da web já são criadas por inteligência artificial

Relatórios e estudos indicam que a inteligência artificial (IA) está a transformar a internet. Mais de 35% das novas páginas da web já são produzidas por IA, enquanto mais da metade do tráfego online é gerada por robôs e sistemas automatizados, cenário que levanta dúvidas sobre a sustentabilidade do modelo económico da web aberta.

Segundo uma reportagem do portal Gizmodo, a adoção crescente de ferramentas de IA generativa coincide com mudanças na Pesquisa do Google. Hoje, respostas produzidas por IA aparecem no topo dos resultados para diversas consultas, reduzindo a necessidade de os utilizadores acederem a páginas da web. Um estudo da Growth Memo aponta que 75% dos utilizadores que utilizam o Modo IA permanecem a conversar com o chatbot em vez de clicar em hiperligações de sites. A tendência preocupa empresas de comunicação social e produtores de conteúdo porque o modelo tradicional da internet depende do tráfego gerado pelos motores de pesquisa. Ao aceder a páginas da web, os utilizadores visualizam anúncios que financiam jornalistas, criadores e outros profissionais responsáveis pela produção de conteúdo original. Com menos visitantes humanos e mais respostas entregues diretamente por IA, esse modelo passa a enfrentar novos desafios.

IA produz, IA consome: a internet está morta?
Outro levantamento mostra que mais de 50% do tráfego da internet atualmente não é gerado por pessoas, mas sim por sistemas automatizados. O dado foi divulgado num relatório da Cloudflare publicado este mês e reforça que os robôs já representam uma parcela significativa da atividade online.

O Google, no entanto, contesta parte das interpretações sobre os impactos dos seus recursos de IA. Em nota enviada ao Gizmodo, um porta-voz da empresa afirmou que o estudo segundo o qual 75% dos utilizadores permanecem no Modo IA "não era representativo", argumentando que os participantes receberam "tarefas forçadas e não naturais que provavelmente influenciaram o seu comportamento". Segundo a companhia, a pesquisa não refletia consultas nem hábitos reais dos utilizadores. A empresa também defendeu a precisão dos seus recursos baseados em IA. Em comunicado ao portal, o Google afirmou: "Testámos rigorosamente a qualidade destes recursos usando amostras estatisticamente significativas de consultas representativas de utilizadores. As respostas são precisas na grande maioria das vezes e, quando erramos, usamos esses exemplos para aprimorar continuamente os nossos sistemas”.

Apesar da defesa da companhia, o Gizmodo relata que as respostas produzidas pelo Modo IA ainda apresentam erros factuais. Num teste feito pelo jornalista Mike Pearl, a ferramenta afirmou, de forma incorreta, que o presidente de Madagáscar seria conhecido pela alcunha "Andy" e inventou um suposto ex-chefe de governo de Montserrat. Após ser questionada, a própria IA reconheceu o erro e respondeu: "Está absolutamente correto, e peço desculpa por ter fornecido informações completamente incorretas na minha última resposta”. Para o Gizmodo, a evolução destas ferramentas também está a alterar o comportamento dos utilizadores. Em vez de procurar páginas publicadas por pessoas, cresce o hábito de fazer perguntas diretamente aos chatbots, que sintetizam a informação disponível na web. A mudança pode reduzir ainda mais o acesso aos sites originais e colocar pressão sobre um modelo que, durante décadas, sustentou financeiramente a produção de conteúdo na internet.

Ler mais:
  1. Cloudflare lança o Precursor para conter o tráfego automatizado através da análise contínua das sessões
  2. Cloudflare Introduces Precursor; One-Click Behavioral Defense Against Modern Bots

quinta-feira, 9 de julho de 2026

A Irlanda é o cão de colo das grandes tecnológicas - e isso compromete a sua presidência da União Europeia

Irlanda assume Presidência do Conselho da UE. Saiba mais aqui
Pode-se admirar um país outrora pequeno, pobre e não industrializado por ter ganho a "corrida ao fundo" e se ter tornado rico. Mas as consequências têm sido nefastas para a democracia, a competitividade e a segurança europeias - e, em particular, para as crianças.

À primeira vista, a Irlanda comporta-se como uma boa europeia, sendo uma firme defensora dos direitos humanos e um farol de progressismo na extremidade ocidental do continente. Mas há uma área vital onde o seu historial está longe de ser perfeito - uma área que deve suscitar preocupação depois de o governo irlandês assumir a presidência rotativa semestral da UE, a 1 de julho. O pacote de regras da UE para a tecnologia e a inteligência artificial será renegociado durante esse mesmo período, mas o Estado e a economia irlandeses foram capturados pelas grandes tecnológicas (big tech). A Irlanda está de tal forma comprometida que, enquanto presidente do Conselho da UE, deveria declarar-se impedida de participar em todas as negociações sobre tecnologia e soberania digital.

A última vez que a Irlanda deteve a presidência da UE foi em 2013, durante as negociações do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD). Um memorando do Facebook descreve uma reunião de 2013 na qual os executivos da empresa se reuniram com o então primeiro-ministro da Irlanda para se queixarem das regras propostas para a privacidade de dados. Saíram do encontro convictos de que tinham a garantia de Enda Kenny de que a Irlanda usaria a sua “influência significativa” como presidente do Conselho da UE para assegurar o que o Facebook apelidou de um “resultado positivo”. Os executivos também participaram num “jantar organizado por políticos irlandeses de topo para analisar as várias formas através das quais os irlandeses poderiam ser prestáveis”.

Os 27 Estados-membros da UE alternam entre si a liderança da presidência. O país incumbente preside às reuniões e, na prática, controla o ritmo das negociações da legislação europeia. Pode prioritizar certos temas e deixar deslizar outros. Por exemplo, Chipre, um país pequeno e vulnerável numa região volátil, conseguiu utilizar a sua presidência, de janeiro a junho deste ano, para colocar os compromissos de defesa mútua na agenda europeia.

Atraídos por benefícios fiscais e por uma cultura de complacência cordial, gigantes como a Google, Meta, Apple, Microsoft, OpenAI, TikTok e X estabeleceram todos as suas sedes europeias na Irlanda. O princípio do “país de origem” da UE determina que o país que acolhe a sede europeia de uma empresa é o responsável por regulá-la em toda a UE. Esta particularidade jurídica transformou a Comissão de Proteção de Dados (DPC) da Irlanda no principal regulador da Europa para o setor tecnológico: a Irlanda pressionou para que assim fosse enquanto presidente do Conselho, em 2013.

Os efeitos deste arranjo são avassaladores. A presidente da DPC admitiu recentemente que, à exceção de “resoluções amigáveis” sobre questões triviais, a Irlanda não concluiu um único inquérito europeu à Google ou a qualquer uma das suas subsidiárias nos dez anos decorridos desde a promulgação do RGPD. As proteções à escala europeia estão paralisadas porque todos os outros Estados-membros têm de esperar que a Irlanda aja numa resposta conjunta da UE.

Quando a DPC aplicou sanções contra empresas tecnológicas, fê-lo de forma deficiente e sob coação de outros reguladores europeus. Agiu, de facto, com uma celeridade invulgar num caso específico, contra a IA Grok de Elon Musk, mas aceitou depois um acordo que parece ter colapsado. O regulador dos média da Irlanda, Coimisiún na Meán, goza de melhor reputação, mas dispõe de poderes muito mais fracos. Há já uma década que a Irlanda mantém aberta a porta dos fundos da regulação, permitindo que gigantescas empresas norte-americanas e chinesas operem com impunidade por toda a Europa. Tornou-se não apenas um paraíso fiscal, mas um paraíso regulatório.

A dependência económica é gritante. Três empresas norte-americanas foram responsáveis por quase metade das receitas fiscais sobre as sociedades na Irlanda em 2024. Em 2022, a Irlanda arrecadou quase cinco vezes mais impostos sobre as sociedades por habitante do que a França ou a Alemanha. Pode-se admirar um país outrora pequeno, pobre e não industrializado por ter ganho a "corrida ao fundo" e se ter tornado rico. Mas as consequências têm sido nefastas para a democracia, a competitividade e a segurança europeias - e, em particular, para as crianças.

O filme de 2026 “Molly vs. the Machines” conta a história de como os algoritmos das redes sociais empurraram conteúdos suicidas para o feed de Molly Russell, de 14 anos, que pôs fim à própria vida em 2017. Há e haverá mais Mollys por toda a Europa, a menos que a Irlanda comece a aplicar as regras de dados da UE que exigem que os “algoritmos de recomendação” sejam desativados por defeito, dado que se alimentam de dados particularmente íntimos.

A Irlanda pode já nem sequer estar a tentar manter as aparências. A mais recente comissária de proteção de dados do país, Niamh Sweeney, foi anteriormente a principal lobista da Meta na Irlanda durante o escândalo da Cambridge Analytica e o período sombrio marcado pelas revelações da denunciante Frances Haugen. O processo do governo irlandês para recrutar Sweeney foi absurdo: o único especialista em tecnologia no júri de seleção era um advogado das grandes tecnológicas. Os critérios de seleção focaram-se em competências genéricas, como a “gestão de relacionamentos”, em vez de tentar contratar um fiscal capaz de investigar as empresas tecnologicamente mais sofisticadas do mundo. Ninguém verificou, durante o processo de contratação, se a candidata indigitada estava vinculada à notória prática da Meta de proibir ex-funcionários de a criticarem - o que amordaçou de forma tão absoluta a antiga executiva e denunciante da Meta, Sarah Wynn-Williams. A Irlanda dota a DPC de dezenas de milhões de euros para operar, mas lobotomiza-a.

E as portas giratórias continuam a rodar: a anterior comissária de proteção de dados, Helen Dixon, acaba de começar a trabalhar para a sociedade de advogados da Meta. A firma continua a deparar-se com vários casos em aberto da Meta contra a DPC. Sob a liderança de Dixon, a DPC processou outras autoridades de dados europeias no mais alto tribunal da UE, porque estas tinham votado no sentido de obrigar a DPC a investigar a utilização que a Meta faz dos dados mais íntimos dos cidadãos. Embora o caso tenha sido rejeitado, a ação de Dixon concedeu à Meta uma trégua de um ano antes sequer de a investigação ter início.

No livro “Careless People”, de Wynn-Williams, a autora articula a visão que a Meta tem da DPC como um “cão de colo”. Isto espelha de forma inquietante a hesitação e a deferência do regulador financeiro irlandês face aos bancos do país nos anos que antecederam a crise bancária de 2008. No início deste mês, a ministra dos Negócios Estrangeiros da Irlanda publicou na sua página do LinkedIn uma fotografia onde posava com uma lobista da Meta. “Excelente reunião ontem com a Meta para discutir prioridades para a próxima presidência europeia da Irlanda”, dizia a legenda, acompanhada de vários pontos de argumentação do memorando da Meta de 2013 que, em 2026, parecem ter-se tornado política oficial do governo irlandês.

A Irlanda é inclusivamente acusada de “bloquear” a instauração de ações populares contra empresas tecnológicas em nome de crianças, ao proibir o financiamento comercial destas ações, embora permita tal financiamento para arbitragens comerciais. De acordo com a sondagem do Eurobarómetro da UE deste mês, 92% dos europeus querem que a UE garanta uma melhor proteção online para os seus filhos. A Irlanda não irá assegurar essa proteção a menos que outros governos da UE comecem a exigi-la de forma insistente. Durante quanto mais tempo irão os líderes europeus tolerar que a Irlanda venda a saúde mental das crianças dos seus países?

Houve um tempo em que a Europa parecia ser a resposta do mundo contra os piores excessos das grandes tecnológicas. A Irlanda sabotou esse sonho a troco de uma recompensa massiva. Se o país não se afastar espontaneamente de todas as discussões tecnológicas durante a sua presidência de seis meses, então Berlim, Paris, Varsóvia, Madrid e Bruxelas deverão exercer sobre a Irlanda o mesmo tipo de pressão que alguns exerceram após a crise bancária. O que foi injusto na altura seria inteiramente justo desta vez.

Saber mais:

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Boom da IA que sustenta mercados pode causar próxima queda, alertam bancos centrais


No seu Relatório Económico Anual, publicado no domingo, o Banco de Pagamentos Internacionais (BIS), conhecido como o banco central dos bancos centrais, alertou que o enorme volume de gastos em IA está a acumular vulnerabilidades financeiras que podem amplificar qualquer choque futuro e propagar-se dos mercados à economia em geral.
Ao apresentar as conclusões, o diretor-geral do BIS, Pablo Hernández de Cos, afirmou que a mensagem é de "urgência", apelando a que os decisores políticos atuem antes de qualquer inversão tornar o ajustamento final mais doloroso.
No centro do alerta está a dimensão do investimento, apesar de o forte fluxo de capitais ter sustentado o crescimento mundial no último ano.
Os cinco maiores "hyperscalers", os gigantes tecnológicos que correm para construir a infraestrutura de IA, deverão comprometer mais de 1 bilião de dólares (878 mil milhões de euros) em investimento ligado à IA em 2025 e 2026, a um ritmo que ultrapassa os lucros e o fluxo de caixa livre e leva alguns a endividarem-se fortemente para acompanhar.
O BIS considera que esta corrida é alimentada pela convicção de que apenas um pequeno número de atores dominantes acabará por prevalecer, o que incentiva as empresas a canalizar dinheiro para projetos cuyos retornos permanecem profundamente incertos.

Ecos de manias passadas
O relatório compara o boom atual da IA com uma longa sucessão histórica, da mania dos canais na década de 1830 e da mania ferroviária britânica nos anos 1840 à eletrificação dos anos 1920 e à bolha das dotcom.
Cada episódio começou com uma verdadeira inovação tecnológica que atraiu mais capital do que os retornos comerciais justificavam, assinala o BIS, tendo todos terminado "com uma eventual inversão do investimento, que desencadeou recessões em toda a economia".
A agravar o risco estão cotações esticadas e esquemas de financiamento pouco transparentes.
O BIS destaca a proliferação de "financiamento circular", em que fabricantes de chips e gigantes da computação em nuvem tomam participações em laboratórios de IA que se comprometem depois a comprar os seus chips e capacidade de computação, reciclando na prática o dinheiro de volta para os investidores originais sob a forma de receitas.
Grande parte do financiamento passa agora por fundos de cobertura e veículos de crédito privado sujeitos a uma supervisão mais leve do que os bancos.
Segundo Zhang Tao, representante-chefe do BIS para a Ásia e o Pacífico, essa dependência de canais não bancários significa que uma desaceleração da IA pode transformar-se numa correção mais acentuada e rápida do que uma crise bancária tradicional.

Custos ocultos dos centros de dados
Para lá dos mercados financeiros, críticos defendem que o verdadeiro custo da expansão da IA está a ser escondido à vista de todos.
Uma preocupação central, analisada pelo Wall Street Journal, é a forma como os gigantes tecnológicos registam contabilisticamente os seus centros de dados.
Ao assumirem que o equipamento dispendioso no interior destes centros permanecerá útil durante mais tempo, as empresas podem diluir o seu custo por mais anos, reduzindo a depreciação registada contra os lucros em cada período e fazendo com que os resultados pareçam mais saudáveis do que o real consumo de caixa sugere.
Mas os chips especializados que estão no coração destas instalações podem tornar-se obsoletos muito mais depressa do que esses calendários prolongados pressupõem, abrindo um fosso entre os lucros reportados e a realidade económica e deixando o balanço mais exposto do que aparenta, caso a procura decepcione ou surjam necessidades significativas de substituição de hardware.

A dimensão física é impressionante.
O economista da Universidade de Columbia Stijn Van Nieuwerburgh estima que esta expansão poderá custar cerca de 8 biliões de dólares (7 biliões de euros) nos próximos seis anos, financiados em parte através de acordos fora de balanço do tipo que o BIS assinalou.
Os custos também já não se limitam às contas das empresas.
Alguns economistas alertam agora para uma chamada "terceira vaga" de inflação, após a pandemia e as tarifas, alimentada desta vez pela expansão da IA. À medida que os fabricantes de chips dão prioridade às peças de maior margem para servidores de IA, a pressão sobre memória e armazenamento repercute-se na eletrónica de consumo.
Na semana passada, a Apple aumentou os preços dos MacBooks, iPads e outros dispositivos, citando um "surto extraordinário de procura de memória e armazenamento" e afirmando nunca ter visto "um aumento do preço de componentes tão elevado, em tão pouco tempo".
As ações da empresa caíram cerca de 6%, a sua pior sessão em mais de um ano, numa altura em que a Microsoft, a Nintendo e a Sony também tomaram medidas semelhantes.
A recente queda da SpaceX, que perdeu mais de 600 mil milhões de dólares em valor de mercado num espaço de três dias, representa um evento de proporções históricas que cruza a volatilidade financeira com a alta geopolítica.
Para lá dos custos ocultos e das pressões inflacionistas, o impacto poderá sentir-se de forma mais alargada na energia.
A Goldman Sachs prevê que os centros de dados representem quase metade do crescimento da procura de eletricidade nos Estados Unidos até 2030, com os preços da energia para os consumidores a deverem subir cerca de 6% ao ano em 2026 e 2027.
O próprio BIS assinala que a fome de eletricidade desta expansão já está a pressionar preços e custos de produção, com possíveis efeitos sobre a inflação, embora sublinhe, tal como muitos economistas, que a IA poderá ainda revelar-se desinflacionista se as prometidas melhorias de produtividade se materializarem.

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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Paul Krugman - Porque é que toda a gente odeia a IA


Muitos leitores estarão provavelmente parados na cena do vídeo acima: Eric Schmidt, o antigo CEO da Google, fez recentemente um discurso de formatura no qual anunciou a chegada da IA - e foi fortemente vaiado pelos estudantes. Isto não foi um caso isolado. Têm ocorrido vários incidentes semelhantes ultimamente, prova de que muita gente odeia agora genuinamente a IA.

Estaremos a falar de uma minoria barulhenta mas não representativa? Não. Uma sondagem recente do Pew Research Center revelou que os adultos americanos acreditam, por uma margem larga, que a IA será negativa para a sociedade e, por uma margem menor, que será má para eles a nível pessoal.


Mas não se sentirá o público sempre assim perante a inovação? A análise do Pew sobre as suas próprias conclusões deu a entender isso mesmo, declarando que:
"A nova tecnologia é frequentemente recebida com um certo grau de curiosidade, bem como de ceticismo. À medida que mais americanos incorporam a IA nas suas vidas, surgem preocupações generalizadas sobre o seu impacto, a sua velocidade e sobre se o governo a consegue regular adequadamente."
Contudo, as próprias sondagens passadas do Pew sugerem que, historicamente, a maioria dos americanos acolheu bem os avanços nas tecnologias de informação. Uma sondagem de 1999 sobre as atitudes face à internet (que ainda era uma novidade) revelou visões extremamente positivas sobre os computadores e a tecnologia, especialmente entre os utilizadores da internet.

E em 2015, quando as redes sociais eram ainda relativamente recentes, o Pew descobriu que 71% do público afirmava que as empresas tecnológicas "têm um impacto positivo na forma como as coisas estão a correr neste país", com apenas 17% a expressar uma opinião negativa.

O facto é que, no passado, os americanos geralmente recebiam as tecnologias emergentes com otimismo. O que explica, então, a atual hostilidade contra a IA? Permitam-me oferecer várias explicações que não se excluem mutuamente.

Primeiro, tememos que a IA faça coisas terríveis porque as empresas que a vendem nos disseram que ela faria coisas terríveis. No ano passado, por exemplo, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, declarou numa entrevista à Axios que a IA poderia eliminar metade dos empregos administrativos de nível de entrada e elevar o desemprego geral para uns impressionantes 20% no espaço de 1 a 5 anos.

Mais recentemente, Amodei e Sam Altman, da OpenAI, tentaram recuar nas suas previsões de um "apocalipse do emprego". Mas por que razão estiveram eles tão dispostos a promover visões apocalípticas em primeiro lugar? A resposta é dinheiro. Eles promoveram a ideia de que tinham uma tecnologia que iria transformar rápida e radicalmente a economia, em parte para deslumbrar Wall Street e garantir financiamento, e em parte para assustar as empresas, levando-as a correr para a adoção da IA por medo de ficarem para trás.

Só tardiamente se deram conta de que declarar que a sua tecnologia iria causar devastação geraria uma reação pública adversa, e que essa reação seria um problema sério. Na verdade, não é apenas o público em geral que está a atacar as empresas que usam ameaças de um apocalipse como estratégia de marketing. Até as grandes corporações dizem que já basta. Satya Nadella, CEO da Microsoft, que se tem mostrado visivelmente relutante em alinhar no fanatismo da IA, disse recentemente ao Wall Street Journal:
"Não se pode dizer, 'olhem, todos os empregos administrativos desapareceram, isto pode até ser uma arma e vamos usar toda a energia disponível para construir centros de dados'."
Segundo, muitas pessoas comuns veem a IA de forma negativa porque sentem que esta lhes está a ser imposta.
É verdade que muitas pessoas utilizam voluntariamente grandes modelos de linguagem (LLMs) por conveniência pessoal ou como ferramenta de produtividade profissional. Mas uma parte significativa do uso da IA não é voluntária. Esta manchete do Wall Street Journal de fevereiro diz tudo: "Empresas obrigam trabalhadores a usar ferramentas de IA".

Porque estão as empresas a fazer isto? Presumivelmente, acreditam que a IA irá aumentar a produtividade. Mas, de igual modo, estão a responder à pressão dos mercados financeiros, que estão a recompensar as empresas que adotam rapidamente a IA, aparentemente sem olhar a resultados demonstrados.

E enquanto os trabalhadores americanos são coagidos a usar a IA, os consumidores americanos estão a ser alimentados à força com IA, queiram ou não. O caso mais dramático é o da Google, que substituiu o seu motor de busca pela IA, sem oferecer a opção de desativar essa função. É preciso recorrer a truques obscuros ou a sites de terceiros para obter os resultados de pesquisa tradicionais.

Portanto, muitas pessoas sentem, com razão, que não estão a ter a liberdade de escolher se querem ou não usar a IA — não usar IA tornou-se difícil, tanto como trabalhador quanto como consumidor.

Terceiro, os centros de dados (datacenters) são uma lembrança altamente visível dos custos da IA. Os centros de dados ocupam extensões enormes de terra — um local proposto no Utah terá o dobro do tamanho de Manhattan. Eles devoram eletricidade e água. Quando geram parte da sua própria energia, criam uma enorme poluição local. Como seria de esperar, há uma oposição intensa à construção de centros de dados. De acordo com uma sondagem da Reuters/Ipsos, 57% os americanos — dois terços dos democratas e metade dos republicanos — opor-se-iam a um centro de dados no seu bairro. Apenas 14% apoiariam.

Quarto, mesmo antes do advento da IA, as empresas tecnológicas já tinham perdido a confiança do público. Ao longo dos anos, o Pew tem questionado regularmente o público sobre as suas opiniões acerca das empresas de tecnologia, perguntando se estas têm um efeito positivo ou negativo "na forma como as coisas estão a correr". Em 2015, a opinião pública sobre as tecnológicas era esmagadoramente positiva. Em 2022, o ano em que o ChatGPT foi lançado, essa boa vontade tinha-se evaporado.


Porque é que os americanos se viraram contra as empresas tecnológicas? Embora isso reflita certamente uma crescente consciencialização dos danos psicológicos e sociais causados pelas redes sociais, muito deve-se também à "merdificação" (enshittification) dos produtos tecnológicos.

Finalmente, a IA está fortemente ligada, na mente do público, aos oligarcas tecnológicos que a estão a impulsionar. Há uma perceção generalizada da crescente concentração de riqueza e poder no topo, e de como isso está a distorcer a nossa política e a prejudicar a nossa sociedade. À exceção dos fiéis do movimento MAGA, os americanos apoiam esmagadoramente políticas governamentais para reduzir a desigualdade de riqueza.



E a IA é amplamente vista, com boas razões, como uma tecnologia que irá aumentar a concentração de riqueza no topo. De facto, como referi, as próprias empresas de IA já nos disseram que a tecnologia terá efeitos extremamente negativos nos trabalhadores.

Existem, portanto, múltiplas razões que se reforçam mutuamente para o público ver a IA de forma negativa. E não, isto não é o ceticismo normal diante da mudança. Esta reação adversa intensa é especial.

E esta reação já está a ter grandes consequências políticas. É verdade que a indústria da IA, fiel ao seu estilo, tem injetado dinheiro nas eleições num esforço para impulsionar políticos amigáveis e derrotar os críticos. Mas a maioria destes esforços falhou. Na verdade, aceitar dinheiro da IA ou estar associado à tecnologia em geral está a começar a parecer politicamente tóxico.

Há um forte elemento de justiça poética nesta reviravolta. A indústria da IA tornou-se deliberadamente ameaçadora como estratégia financeira, acreditando que os mercados recompensariam a aparência de estar na "vanguarda radical". Ao fazê-lo, no entanto, a tecnologia tornou-se altamente impopular. E mesmo numa era em que o dinheiro compra o poder demasiadas vezes, a opinião pública importa.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

‘Indefensible’: Meta unleashes on Anthony Albanese’s journalism levy


Tech behemoth Meta has lashed the Albanese government’s plans to impose a new tax on its Australian revenue to fund journalism, describing it as an “indefensible” regime that will make media companies dependent on government handouts.

In a blog post published overnight, Meta, which owns Facebook, Instagram, WhatsApp and Quest virtual reality products, unleashed its response to the News Bargaining Incentive, a new law attempting to strongarm three of the world’s biggest tech companies – Meta, Google and TikTok – into striking deals funding media outlets.

‘Foreign extortion’
The plan has triggered an angry response from US business lobby groups, which have warned that it falls foul of Australia’s free-trade obligations with the US. The White House described it as “foreign extortion” but, so far, has not stepped in to impose any retaliatory trade measures.

The major Australian media companies, meanwhile, took the rare step of sharing a joint statement in April, warning that without compensation, “journalism becomes unsustainable”. On Wednesday, News Corp Australia chief Michael Miller rejected the notion that the incentive was a tax.

“The government only built this path because Meta refused to sit down at the negotiating table, and again they are flipping the script rather than adhering to Australia’s proposed laws,” he said.

Nine Entertainment chief executive Matt Stanton said it was disingenuous to suggest that following Australian law was blocking investment.

“This initiative would be completely unnecessary if these companies simply adhered to existing Australian law, came to the bargaining table and reached deals for the fair use of our commercial property,” he said.

On Tuesday evening, Albanese backed the importance of the news incentive during a speech at a Parliament House function celebrating 195 years of The Sydney Morning Herald, according to several people who attended the event.

Meta has been a fierce critic of the policy since the beginning, but its rhetoric has escalated as the law comes closer to being introduced. The government wants to legislate the incentive this winter. Meta wrote in its Australian blog that the incentive is a “discriminatory tax built on a false premise”, and said it could remove news from its platforms entirely – as it did in Canada in response to a similar law – and people would use its platforms more.

Its harshest criticism is reserved for the levy being imposed on “consolidated revenue attributed to Australia” – a broad definition that captures its sales of Quest devices and, potentially, Google’s smartphones and other tech products.

“It is broader than digital services taxes, as it is applied on the widest possible revenue base and with no credible connection to news,” Meta wrote.

“The case for extracting revenue from social media services – where publishers voluntarily share news – is not supported by the evidence. Extending that logic to VR headsets and smart glasses is indefensible.”

Meta said it rewarded legacy business models instead of innovation and insulated news publishers from competition. “This is not a plan to save journalism. It is a tax on innovation dressed up as media policy,” it concluded.

“We are vehemently opposed to this legislation. It is discriminatory, economically incoherent, and will not deliver the sustainable news sector that Australian journalists and audiences deserve.”

Google has continued to honour and re-sign its pre-existing commercial deals with Australian media companies, but there are grave fears it would decimate journalist roles if it followed Meta in pulling out.

The policy is playing an active role in the minds of investors. On Tuesday, Macquarie reduced its valuation for Nine from $1.15 to $1.05 a share, ahead of its current price of 92¢, noting the incentive policy could add “an incremental $20 million in annual revenues on high margin”.

Nine owns the Nine Network, streaming platform Stan, out-of-home firm QMS Media and publications including The Australian Financial Review, The Sydney Morning Herald and The Age.

Free TV, the group representing Nine, Southern Cross Media (which owns Network Seven) and Network Ten, has argued in its own submission to Treasury that the scheme is too narrow and should be expanded to include Microsoft and Apple.

It has also called for “robust powers” to be granted to the Tax Commissioner to demand that each tech platform report its Australian revenue. Google and Facebook do not report the full revenue they derive from Australians due to complex resale agreements or because they act as “agents” for low-tax jurisdictions like Singapore or Ireland. The two companies transferred more than $11 billion abroad in 2025.

“Free TV is concerned that there is insufficient power granted to the Taxation Commissioner to investigate whether a platform may exclude Australian-generated gross revenues from its calculations of this amount,” the group wrote.

terça-feira, 2 de junho de 2026

Microsoft unveils seven homegrown AI models in new bid for ‘long term self-sufficiency’


Microsoft has based much of its AI business on models from OpenAI, before expanding more recently to Anthropic. On Tuesday, the company showed how it plans to rely less on both.

At the Build developer conference, the Microsoft AI Superintelligence Team unveiled a family of seven models built from scratch. It’s part of an ongoing effort by the company to build credible in-house alternatives to models from partners and rivals with competing allegiances.

“This is all about long term self-sufficiency for Microsoft and our partners. It’s about models you can trust,” wrote Mustafa Suleyman, CEO of Microsoft AI, in a post announcing the models.

Microsoft is OpenAI’s largest backer, having invested a cumulative total of $13 billion in the ChatGPT maker over multiple funding rounds. The company last year announced an investment of up to $5 billion in Anthropic, and later integrated its technology into a Copilot Cowork AI assistant.

However, Anthropic is also backed by Microsoft rivals Google and Amazon, and OpenAI is increasingly cozy with Amazon — showing the need for Microsoft to control its own AI destiny.

The flagship of the seven newly announced MAI models is MAI-Thinking-1, a reasoning model that Microsoft says draws even with Anthropic’s Claude Sonnet 4.6 in blind human testing, and matches the more capable Claude Opus 4.6 on a widely used coding benchmark.

Suleyman stressed that MAI-Thinking-1 was trained from the ground up with no distillation from other companies’ models, looking to appeal to enterprises that care about clean data lineage.

It’s available in private preview on Microsoft Foundry, where the company also hosts the latest models from OpenAI and Anthropic, including the recently released Claude Opus 4.8.

Microsoft AI also released MAI-Code-1-Flash, a 5-billion-parameter coding model now rolling out in Visual Studio Code and GitHub Copilot, and MAI-Image-2.5, which Microsoft says ranks second on a leading image-editing leaderboard, ahead of Google’s Nano Banana Pro.

The full set of models spans image, voice, transcription, coding and reasoning.

Saber mais:

Inside Microsoft’s Project Solara: A new platform for devices that run AI agents instead of apps

segunda-feira, 25 de maio de 2026

“Estamos a assustar as pessoas”, diz CEO da Nvidia sobre cortes ligados à IA

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, criticou executivos de tecnologia que atribuem despedimentos em massa ao avanço da inteligência artificial (IA) e afirmou que o discurso tem sido usado de forma “preguiçosa” e “irresponsável”. Em entrevista ao canal Channel News Asia na segunda-feira, dia 25, o executivo disse que muitas empresas estarão a utilizar a IA como justificativa pública para cortes que, na prática, terão relação com o excesso de contratações, custos elevados e má gestão.

As declarações de Huang surgem num momento em que gigantes da tecnologia têm feito despedimentos enquanto ampliam investimentos bilionários em IA. Nos últimos anos, os executivos passaram a afirmar que as ferramentas automatizadas estariam a substituir parte da força de trabalho humana, alimentando o medo sobre o impacto da IA no mercado de trabalho.

Para Huang, porém, a linha temporal apresentada por algumas empresas não faz sentido. “A IA acabou de chegar, como é possível que já esteja a causar perda de empregos?”, afirmou o executivo. Segundo ele, algumas companhias passaram a relacionar os cortes de pessoal à tecnologia antes mesmo de esta se tornar amplamente útil em ambientes corporativos.

O CEO da Nvidia também criticou o uso do tema como estratégia de comunicação com investidores e o mercado. “Era apenas uma maneira de parecerem inteligentes, e eu detesto isso”, disse. “Acho que estamos a assustar as pessoas, e isso é irresponsável”.

A discussão ganhou força após casos recentes em empresas de tecnologia. No início deste ano, Jack Dorsey anunciou uma grande redução na equipa da Block e citou o avanço de “ferramentas de inteligência” como parte das transformações na companhia. Ex-funcionários, porém, afirmaram que os cortes estavam ligados principalmente ao excesso de contratações realizado durante a pandemia de covid-19.

Analistas do setor também apontam que o atual ciclo de investimentos em IA tem elevado fortemente os custos operacionais das empresas. O acesso a infraestruturas de computação em nuvem e chips especializados continua caro, o que pressiona os orçamentos e leva as companhias a reverem os planos de contratação. A própria Nvidia tornou-se uma das empresas mais valiosas do mundo justamente por fornecer os chips usados em sistemas de IA.

Apesar disso, Huang afirmou acreditar que a IA poderá gerar mais empregos a longo prazo. Segundo ele, empresas mais produtivas tendem a crescer mais rapidamente e, consequentemente, a aumentar as suas equipas. “Elas tornam-se maiores e mais lucrativas. E quando crescem e se tornam mais lucrativas, acabam por contratar mais pessoas”, disse o executivo.

O discurso de Huang acompanha uma mudança de tom entre os líderes do setor tecnológico. Na semana passada, Demis Hassabis também criticou as empresas que atribuem despedimentos à IA e classificou esse tipo de justificativa como “falta de imaginação” (a famosa “desculpa esfarrapada”).

sábado, 25 de abril de 2026

The Worst Neo Robber Baron of Them All



I’m tempted to give Elon Musk that title. But when it comes to greedy and irresponsible corporate behavior, one CEO is outdoing even Musk.

When the history of this sordid second Gilded Age is written, the list of neo robber barons will obviously include Musk as well as Meta’s (Facebook’s) Mark Zuckerberg, Palantir’s Alex Karp, Palantir’s co-founder and board chair Peter Thiel, Oracle’s Larry Ellison (and his son, David), Google’s Sundar Pichai, Blackstone’s Stephen Schwarzman, and the Trump Organization’s monumentally corrupt Donald Trump, Donald Trump Jr., and Eric Trump.

But one greedy, public-be-damned CEO stands out even above Musk, Trump, and the rest. His name: Jeff Bezos. His corporation: Amazon.

It is difficult for the human mind to comprehend all the ways Bezos is shafting Americans.

Start with prices. According to a newly unsealed filing released Monday in an antitrust lawsuit brought by California Attorney General Rob Bonta, Amazon has pressured major brands like Levi’s and Hanes to demand that competing retailers raise prices on their products.

The New York Times’s David McCabe reports on unsealed evidence that Amazon punishes sellers on its marketplace for offering lower prices on other websites, like those of Walmart or Target. When it spots a competitor’s lower price, Amazon tells the brands to demand that rival sites raise their prices for the products.

The filing includes an email to Hanes from Amazon, with links to Target’s and Walmart’s lower prices, along with Hanes’s apologetic response that it “reached out to Target and Walmart to have the prices increased.” And an email to Levi’s from Amazon, with links to lower-priced khakis on Walmart’s website, along with Levi’s response that Walmart had agreed to raise its price.

According to the lawsuit, Amazon has been able to exert pressure on different brands to raise their prices because of Amazon’s power and reach.

At a time when most Americans are having trouble making ends meet, Amazon’s push to raise prices — to enlarge its profits (and put more money into Jeff Bezos’s pockets) — is beyond unconscionable.

This is hardly Bezos’s and Amazon’s first brush with antitrust law. In 2023, the Federal Trade Commission and 17 states accused Amazon of illegally maintaining a monopoly in online retail by squeezing merchants who sell on its site and prioritizing its own products, resulting in “artificially higher prices.”

In September, the FTC agreed to settle another lawsuit against Amazon that accused it of making it difficult for consumers to cancel its Prime subscription service. Amazon agreed to pay up to $2.5 billion — including $1 billion in penalties and additional payouts to consumers — but didn’t admit or deny wrongdoing.

Meanwhile, The American Prospect’s Harold Meyerson reports that Virginia is subsidizing Amazon’s “second headquarters” in Crystal City, Virginia — just across the Potomac from Washington, D.C. — with $750 million in taxpayer funds, yet the corporation is wildly behind its job-creation pledge. Having promised to create 25,000 new jobs by 2038, it created a mere 1,600 jobs last year and is up to just 29 percent of the number of jobs it promised by now.

Speaking of Amazon jobs: Until earlier this month, attorneys for the National Labor Relations Board were prosecuting Amazon for firing employees that make Amazon deliveries because they’d voted to join the Teamsters, a clear violation of labor laws.

But then, a few weeks ago, the NLRB attorneys — now firmly under control of Trump’s NLRB general counsel — announced they’d reached a “settlement” with Amazon in which Amazon agreed to pay the workers who’d been laid off for more than two years, two weeks’ worth of wages. Two weeks.

Amazon’s workers are among the worst-treated in America.

Ryan Haas of The Western Edge reports that on April 6, an Amazon warehouse worker collapsed and died on the floor of Amazon’s warehouse in Troutdale, Oregon. A co-worker trained in CPR tried to help but was told by a manager to turn around. For more than an hour, employees said, they were instructed to continue picking items and loading trucks as the man lay dead. One manager reportedly told workers to “just turn around and not look” and get back to work.

Jeff Bezos couldn’t care less. As of April 2026, his net worth is estimated to be between $259 billion and $269 billion, making him one of the three richest people in the world.

Like the robber barons of the first Gilded Age, Bezos’s consumption is of the conspicuous kind.

He celebrated his wedding last year to Lauren Sánchez with a multi-day star-studded event in Venice, Italy, estimated to cost more than $50 million, featuring guests like Oprah Winfrey and Kim Kardashian, and including a ceremony on the island of San Giorgio Maggiore and a pajama-themed afterparty at the Arsenal.

His “homes” include three adjacent properties on Indian Creek Island in Florida, costing over $230 million; the former Warner estate in Beverly Hills, California, which features a 13,600-square-foot mansion and a golf course, which he purchased for $165 million; a 14-acre compound on Maui with a 4,500-square-foot main house and 700-square-foot pool; a $23 million mansion in Washington, D.C.; and a massive multi-lot compound with waterfront frontage in Medina, Washington.

But what puts Bezos at the head of all the other robber barons in this second Gilded Age is his slavish sycophancy toward the worst president in American history.

Bezos bought the legendary Washington Post for $250 million in October 2013 and has turned it into a Trump cheerleader — prohibiting its editorial page from endorsing Kamala Harris in 2024 and barring it from writing anything critical about American capitalism or Trump.

(That’s not all Bezos has done to ruin the Post. In February, he fired more than 300 Post journalists, about a third of its staff.)

Then he shamelessly paid $40 million to license the documentary “Melania” plus $35 million to market it — and earned back a tiny percentage. It was a blatant bribe of Trump.

And he does whatever Trump asks. After Trump complained to Bezos about a report that Amazon planned to display for consumers the costs of Trump’s tariffs, Bezos immediately canceled the plan.

Bezos has sucked up to Trump presumably to secure Pentagon contracts for his Blue Origin rocket company, which landed a $2.3 billion NASA contract early in Trump's second term. And to avoid further antitrust lawsuits or labor law scrutiny.

That he has zero scruples does not necessarily distinguish Bezos from the other robber barons of this despicable era.

But his public-be-damned business practices, his especially conspicuous consumption, and his excessive sucking up to Trump make Jeff Bezos the worst CEO of them all.

What can you do? You might share this post and boycott Amazon.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Meta e Google condenadas em julgamento histórico sobre redes sociais viciantes

Mark Zuckerberg à saída do Tribunal de L.A.

As gigantes das redes sociais Meta e Google foram consideradas culpadas no julgamento histórico que decorreu em Los Angeles sobre os impactos negativos das redes sociais e as suas funcionalidades. Os doze jurados determinaram que as empresas foram negligentes ao desenharem aplicações viciantes – Instagram e YouTube – que prejudicaram crianças e adolescentes e ao não alertarem os utilizadores para os perigos. A decisão deu razão à queixosa, uma jovem de 20 anos designada pelas iniciais K.G.M., que acusou a Meta e a Google de lhe causarem problemas severos de saúde mental, incluindo ideação suicida, depressão e imagem corporal negativa.

É um momento raro de responsabilização de gigantes de Silicon Valley e um desfecho que estabelece um precedente legal importante, já que há vários outros julgamentos com alegações semelhantes marcados para os próximos meses. O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, e o chefe do Instagram, Adam Mosseri, estiveram entre as testemunhas interrogadas durante o julgamento, negando as acusações.

Após deliberar por nove dias, o júri decidiu que K.G.M., que começou a usar o Instagram aos nove anos, tem direito a uma indemnização compensatória de três milhões de dólares. A Meta terá de pagar 70% e o YouTube os restantes 30%. O veredicto é especialmente importante porque a queixosa alegou que as aplicações foram desenhadas com funcionalidades propositadamente viciantes, tais como o ‘scroll’ infinito, ‘auto-play’, algoritmos que servem continuamente conteúdos relacionados e notificações constantes. Os seus advogados compararam as funcionalidades com as características dos cigarros ou casinos digitais. O caso inicial incluía as redes TikTok e Snapchat, mas estas chegaram a acordo antes do início do julgamento.

Além da indemnização, os jurados consideraram que as ações das empresas devem ser punidas, algo que será decidido numa fase separada.

“Esta é a primeira vez na história que um júri ouviu testemunhos de executivos e viu documentos internos que acreditamos que provam que estas empresas deram prioridade aos lucros em detrimento das crianças”, disse Joseph VanZandt, um dos advogados de K.G.M.

Numa declaração conjunta da equipa legal, citada pela rádio NPR, VanZandt considerou que este veredicto é maior que um caso isolado. “Durante anos, as empresas de redes sociais lucraram ao visar crianças ao mesmo tempo que ocultavam as suas funcionalidades viciantes e perigosas”, afirmou. “O veredicto de hoje é um referendo – de um júri para toda a indústria – de que o momento da responsabilização chegou.”

Uma porta-voz da Meta disse que a empresa discorda da decisão e está a avaliar as suas opções legais, enquanto a Google/YouTube optou pelo silêncio.

No dia 24 de Março, um julgamento no Novo México já tinha concluído com a determinação de que a Meta violou a lei estadual ao não incluir salvaguardas para impedir predadores de visarem os seus utilizadores mais novos. Nesse caso, trazido pela procuradoria-geral, o júri decidiu que a empresa de Mark Zuckerberg deve pagar 375 milhões de dólares.

Há pelo menos mais oito julgamentos marcados para os próximos meses, incluindo um caso consolidado com vários queixosos contra a Meta, TikTok, YouTube e Snap no norte da Califórnia. Especialistas legais têm comparado estes casos com os julgamentos contra as grandes tabaqueiras nos anos noventa, que resultaram em restrições severas à publicidade e venda de tabaco.