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domingo, 21 de janeiro de 2024
João Ribeiro-Bidaoui - Anatomia da Cunha Portuguesa
quinta-feira, 23 de novembro de 2023
ONU vota para criar convenção fiscal global “histórica”, apesar da UE e do Reino Unido se moverem para “matar” a proposta
UN Tax Convention
A Assembleia Geral da ONU votou esmagadoramente a favor da organização desenvolver um quadro fiscal global, apesar das tentativas de última hora de descarrilar o plano por parte dos países ricos, incluindo o Reino Unido, os Estados Unidos e todo o bloco da União Europeia.
Naquilo que os defensores saudaram como uma “vitória histórica”, os países votaram 125 a 48 para adoptar uma resolução apresentada pela Nigéria no mês passado em nome dos Estados-membros africanos, apelando a uma convenção fiscal da ONU que poderia mudar drasticamente a forma como as regras fiscais globais são definidas.
Nove países se abstiveram na votação, realizada em Nova York em 22 de novembro.
O passo sem precedentes é o mais recente desenvolvimento num debate acalorado sobre se as Nações Unidas podem proporcionar uma melhor representação em questões fiscais internacionais para os países em desenvolvimento do que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.
Esta resolução não é apenas um documento político, é um testemunho da nossa determinação colectiva em prol de uma economia global mais justa e mais resiliente.— Representante da ONU, Tijjani Muhammad-Bande
Antes da votação, o representante permanente da Nigéria na ONU, Tijjani Muhammad-Bande, descreveu a resolução como um “farol de esperança”.
“À medida que navegamos num mundo marcado por desafios sem precedentes, incertezas económicas, [o fim] da pandemia da COVID-19 e da actual crise climática, o papel da cooperação internacional eficaz e inclusiva torna-se mais crucial do que nunca”, disse Muhammad-Bande. .
“Esta resolução não é apenas um documento político, é um testemunho da nossa determinação colectiva em prol de uma economia global mais justa e resiliente.”
Durante décadas, a OCDE – um grupo de 38 países maioritariamente de rendimento elevado que inclui o Reino Unido e os EUA – dominou a política fiscal internacional. Mas, nos últimos anos, cresceram as críticas sobre o poder descomunal exercido pelos países ricos nas suas tomadas de decisões a portas fechadas, inclusive nos níveis mais altos da ONU.
No início deste ano, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou num relatório que reforçar o papel da ONU na definição da política era “o caminho mais viável para tornar a cooperação fiscal internacional totalmente inclusiva e mais eficaz”. Essa linguagem foi refletida na resolução recém-adotada.
Desde que a resolução foi apresentada em Outubro, as negociações sobre o documento político agravaram as tensões entre os Estados-membros da ONU. Um negociador de um país em desenvolvimento acusou diplomatas da UE e do Reino Unido de ignorarem as recomendações de Guterres e de tentarem bloquear a resolução.
“Eles estão descartando aquele relatório e pretendem afastar todo o processo e simplesmente matá-lo. Eles não querem trazer questões fiscais aqui [para a ONU]”, disse a pessoa ao Financial Times anonimamente.
Numa alteração de última hora à resolução, o Reino Unido propôs remover qualquer menção a uma “convenção” e, em vez disso, apoiou outra opção mais fraca delineada no relatório de Guterres.
“Se quisermos proporcionar um sistema fiscal melhorado através da comunidade da ONU, deve haver a adesão mais ampla possível desde o início”, disse o representante do Reino Unido.
A alteração foi derrotada por quase dois a um, com 107 países a votarem pela rejeição do que os defensores da transparência descreveram como um esforço para “desfigurar” a resolução.
“Os paraísos fiscais e os lobistas empresariais tiveram demasiada influência na política fiscal global da OCDE durante demasiado tempo”, disse Alex Cobham, executivo-chefe do grupo de defesa Tax Justice Network, num comunicado após a votação.
“Hoje, começamos a retomar o poder sobre as regras fiscais globais que nos afetam a todos.”
No próximo ano, todos os Estados-membros da ONU serão convidados a participar no processo de negociação intergovernamental, independentemente do seu voto.
'Uma mudança verdadeiramente histórica'
O relatório do secretário-geral foi determinado por uma resolução separada adoptada no final do ano passado , que apelava à ONU para intensificar os seus esforços para combater a evasão fiscal e os fluxos financeiros ilícitos. No relatório, Guterres reconheceu os esforços da OCDE para envolver não-membros, mas disse que “muitos desses países consideram que existem barreiras significativas a um envolvimento significativo na definição da agenda e na tomada de decisões”.
Em resposta, Manal Corwin, diretor do Centro de Política e Administração Fiscal da OCDE, disse ao ICIJ que a organização estava orgulhosa do seu “histórico comprovado, permitindo mudanças significativas no cenário fiscal internacional que beneficiaram os países desenvolvidos e em desenvolvimento”.
A OCDE conta entre as suas conquistas o acordo fiscal global de 2021 entre mais de 130 países, que incluiu uma taxa mínima de imposto sobre as sociedades de 15% para empresas multinacionais. Na altura, foi saudado pelos negociadores como um passo histórico no sentido de reduzir a evasão fiscal das empresas, mas a sua implementação tem sido marcada por atrasos .
Em Setembro , um grupo de ministros das finanças da UE alertou que uma convenção fiscal da ONU correria o risco de duplicar os esforços liderados pela OCDE. Essa posição contradiz o apoio do Parlamento Europeu a uma convenção fiscal da ONU no seu relatório sobre “lições aprendidas com os Pandora Papers” em resposta à investigação do ICIJ sobre paraísos fiscais de 2021 .
Outras investigações do ICIJ, como a Paradise Papers e Lux Leaks , destacaram a escala impressionante da evasão fiscal corporativa por parte de algumas das maiores empresas do mundo. Os Paradise Papers expuseram manobras fiscais por parte de mais de 100 empresas, incluindo a Nike e a Apple, a última das quais transferiu lucros em todo o mundo para acumular 252 mil milhões de dólares no exterior.
No seu relatório sobre o Estado da Justiça Fiscal de 2023 , a Rede de Justiça Fiscal alertou que os países poderão perder quase 5 biliões de dólares em receitas fiscais durante a próxima década, à medida que as multinacionais e os indivíduos ricos continuarem a utilizar os paraísos fiscais para reduzir as suas contas fiscais. O relatório identificou quatro países entre as jurisdições que permitem a perda de dinheiro público: Reino Unido, Países Baixos, Luxemburgo e Suíça. Todos os quatro também são membros da OCDE.
Num comunicado, Tove Maria Ryding, coordenadora fiscal da Rede Europeia sobre Dívida e Desenvolvimento, disse que a adoção da nova resolução fiscal da ONU marcou “uma mudança verdadeiramente histórica” e criticou o “grupo minoritário de países principalmente da OCDE” que votou contra ela .
“Isto inclui os países da UE, que afirmam estar comprometidos com a cooperação fiscal internacional, mas provaram hoje exactamente o oposto ao votarem contra a resolução do Grupo África”, disse Ryding. “Ao fazerem isso, não estão apenas a minar um sistema fiscal global justo e eficaz, mas também a agir contra os interesses dos seus próprios cidadãos, que pagam um preço elevado quando indivíduos ricos e grandes empresas utilizam lacunas internacionais para se esquivar aos impostos.”
Próximo passo: Mais negociações
A nova resolução apela à criação de um comité intergovernamental ad hoc composto por não mais de 20 Estados-membros, eleitos tendo em mente o equilíbrio regional e de género, que terá a tarefa de estabelecer os termos de referência para “uma convenção-quadro das Nações Unidas sobre impostos internacionais. cooperação” até agosto de 2024.
O seu trabalho deve ter em conta “as necessidades, prioridades e capacidades de todos os países, em particular dos países em desenvolvimento”, de acordo com a resolução.
A resolução também insta a comissão a adoptar uma abordagem “holística” para definir os termos de referência, considerando “as interacções com outras áreas importantes da política económica, social e ambiental”, ao mesmo tempo que se concentra em prioridades específicas “tais como medidas contra crimes ilícitos relacionados com impostos”. fluxos financeiros.”
Numa conferência de imprensa após a votação, Ryding explicou que as negociações sobre a convenção fiscal só podem começar quando os termos de referência forem acordados, o que pode levar até um ano.
“[Se] os países da OCDE mostrarem a mesma atitude que mostraram hoje, levará uma eternidade para conseguir um acordo verdadeiramente global, e é por isso que queremos realmente sublinhar a importância de que todos esses países demonstrem um verdadeiro espírito de não apenas cooperação. , mas também urgência”, disse Ryding.
“Todos os países estão a perder grandes somas de dinheiro devido à evasão fiscal internacional, por isso não temos realmente tempo a perder.”
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sexta-feira, 15 de julho de 2022
Shinzo Abe: o que é a Igreja da Unificação, do reverendo Moon, citada por assassino de ex-primeiro ministro do Japão para cometer crime
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| Tetsuya Yamagami, assassino confesso de Abe, disse que agiu movido pelo rancor contra uma organização religiosa |
Controvérsia e escândalo assombram há décadas a Igreja da Unificação, um grupo religioso com negócios milionários fundado pelo reverendo Sun Myung Moon que agora está sendo ligado ao assassinato do ex-primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, na última sexta-feira (08/07).
Segundo a imprensa japonesa, Tetsuya Yamagami, o assassino confesso de Abe, disse à polícia que agiu movido pelo rancor contra uma organização religiosa que havia pressionado sua mãe a doar grandes quantias de dinheiro, arruinando assim sua família.
Ele acreditava que Abe havia favorecido esta instituição religiosa no Japão.
Embora a polícia não tenha revelado o nome da organização religiosa, a Federação das Famílias para a Paz Mundial e Unificação (nome usado atualmente pela Igreja da Unificação) confirmou que a mãe de Yamagami era membro da mesma.
Tomihiro Tanaka, responsável pela organização no Japão, confirmou que ela ingressou em 1998, depois saiu e retornou neste ano.
Segundo a imprensa japonesa, a mãe de Yamagami vendeu a sua casa e terrenos há mais de duas décadas para fazer uma doação de cerca de US$ 700 mil.
A Igreja da Unificação afirma que todas as doações são voluntárias.
Embora as razões pelas quais Yamagami considerasse que Abe favorecia a Igreja da Unificação não sejam totalmente claras, sabe-se que o falecido ex-primeiro ministro chegou a participar como palestrante pago num dos muitos eventos organizados por esse grupo religioso.
Além disso, em junho passado, Akihiko Kurokawa, líder do partido NHK do Japão, chamou a Igreja da Unificação de "culto antijaponês" e culpou o avô materno de Abe, o ex-primeiro-ministro Nobusuke Kishi, por ter permitido a chegada dessa organização ao país em 1958.
Mas qual é a origem desta instituição e por que ela causa polémica?
Da Coreia para o mundo
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O reverendo Moon e a esposa oficializando um casamento coletivo em Seul em 2000 |
A Igreja da Unificação foi criada em 1954 na Coreia do Sul por Sun Myung Moon.
É uma variação da teologia cristã baseada na ideia de que, ao pecar, Adão e Eva falharam no plano divino — e que o mundo precisa de um novo messias que seria o próprio Moon.
Segundo suas crenças, a perda da graça divina se deveu ao fato de Eva ter tido relações sexuais ilícitas com o diabo no plano espiritual, o que levou à posterior queda de Adão, e toda a humanidade acabou replicando a linhagem do demónio.
O fundador da Igreja da Unificação, Sun Myung Moon, faleceu em 2012 aos 92 anos
A Igreja da Unificação considera a família como a pedra fundamental da sociedade e do desenvolvimento espiritual, razão pela qual atribui grande importância ao matrimónio — e, de fato, é conhecida mundialmente por organizar grandes casamentos coletivos.
Da Coreia do Sul, esta instituição passou para o Japão e, no final da década de 1950, começou a se deslocar para o Ocidente, onde por décadas foi tachada como uma "seita".
Conseguiu-se estabelecer nos Estados Unidos, onde Moon morou na década de 1970, e desde os anos 1980 está presente em vários países da América Latina, especialmente no Brasil.
Moon visitou a Argentina várias vezes, onde se encontrou com políticos proeminentes, incluindo o ex-presidente Carlos Menem.
Fé e negócios
A Igreja da Unificação é conhecida por sua capacidade de captar recursos financeiros, tarefa na qual tem sido muito bem-sucedida no Japão, onde, segundo especialistas, originam-se cerca de 70% dos fundos que administra, estimados em centenas de milhões de dólares.
Na verdade, um ex-membro do alto escalão da instituição chegou a dizer ao jornal americano The Washington Post que, entre as décadas de 1970 e 1980, Moon levou cerca de US$ 800 milhões do Japão para os Estados Unidos.
Parte desses recursos seriam provenientes da venda de objetos religiosos com supostos poderes espirituais fabricados por empresas que pertenciam à família Moon, mas sobretudo das chamadas "vendas espirituais".
Por meio deste mecanismo, pediam-se aos fiéis doações financeiras para "ajudar a elevar o espírito" de seus entes queridos falecidos.
Segundo pessoas que pertenciam à organização, seus membros no Japão revisam os obituários e depois visitam as casas dos enlutados para dizer a eles que a pessoa falecida entrou em contato com a Igreja e pediu à família que pegasse dinheiro no banco para doar, no intuito de alcançar assim sua elevação espiritual.
Esse mecanismo de arrecadação de fundos gerou vários processos no Japão, nos quais centenas de pessoas afetadas foram recompensadas nos tribunais.
Elgen Strait, ex-membro desta organização, falou ao jornal britânico The Telegraph sobre a pressão que existe para fazer doações.
"Há uma ideia presente em toda a organização de que sua posição espiritual é diretamente afetada pela quantidade de dinheiro que você dá. Nos Estados Unidos, espera-se que você doe 10% da sua renda bruta a cada mês. No Japão, é 30%. Mas isso é só para começar", declarou.
Moon, que em 1982 foi preso nos EUA por evasão fiscal, também se tornou um homem de negócios que, segundo estimativas, tinha uma fortuna de cerca de US$ 900 milhões quando faleceu em 2012, aos 92 anos.
Na época, ele possuía investimentos em um clube de futebol, uma fábrica de automóveis, uma fábrica de armas e no jornal The Washington Times, entre outros negócios.
No Brasil, Moon era dono de grandes extensões de terra na fronteira com o Paraguai. Pela localização estratégica, o Exército brasileiro chegou a manifestar preocupação em 2002, segundo reportagem publicada na época pela revista Istoé.
Poder que atrai
Durante décadas, Moon e a Igreja da Unificação procuraram se relacionar com políticos e figuras conhecidas, e os convidavam como palestrantes pagos nos vários eventos que organizavam.
Segundo especialistas, isso fazia parte de uma estratégia para obter maior credibilidade, por meio da associação com figuras conhecidas.
Assim, por exemplo, na mesma conferência de 2021 da qual Abe participou, chamada "Rally of Hope", também estiveram presentes o ex-presidente americano Donald Trump e o ex-primeiro ministro canadiano Stephen Harper.
Ex-presidentes dos EUA, como Gerald Ford e George H.W. Bush, participaram das conferências dessa organização em meados da década de 1990, assim como o ex-líder soviético Mikhail Gorbachev e o humorista Bill Cosby.
Como o investigador Larry Zilliox, que passou anos investigando Moon, disse ao jornal americano The Washington Post, essa iniciativa tem um objetivo claro.
"Eles vão pagar a quem der a eles legitimidade. Os grandes nomes atraem os nomes menores, que são as pessoas que podem ajudá-los com suas iniciativas locais", afirmou.
Desde a morte de Moon, sua viúva, Hak Ja Han Moon, está à frente da Igreja da Unificação, enquanto dois dos seus filhos estão no comando de organizações menores.
Embora em 2012, a organização tenha dito que contava com cerca de 3 milhões de fiéis em todo o mundo, especialistas acreditam que esse número é superestimado.
O número real varia entre 50 mil e 600 mil membros, segundo diferentes estimativas.
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domingo, 6 de março de 2022
A esquerda no séc. XXI
Para a esquerda nacional e europeia, acredito que é consensual o pensamento de Rosa de Luxemburgo. O comunismo e socialismo do séc. XXI deve ser, a meu ver, claro e não deixar normalizar a extrema-direita. A extrema-direita é camaleónica e apenas tem um único objectivo- ditaduras nacionalistas e anti-democráticas. Está tudo espelhado no Wikileaks (agradeço imenso a Julian Assange) e no Panama-Papers. Sou um cidadão de esquerda, europeu e global, anti-putinista e anti-venturas deste mundo.
Consultar mais:
- Sinónimo de barbárie, Putin só entende a linguagem da violência
- What is Putin’s Endgame? Garry Kasparov on Russia’s Attack on Ukraine
- Dugin: a ligação entre Putin e a extrema-direita europeia
- Dossiê Panama-Papers do International Consortium of Investigative Journalist
Documentário:
Debate:
The War in Ukraine Could Change Everything | Yuval Noah HarariCinco municípios PCP e PS, votam claramente contra a Invasão Russa da Ucrânia, em contraciclo com a Direção Nacional do PCP, que insiste na "ocupação territorial" e acusa a NATO e UE.
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terça-feira, 5 de outubro de 2021
Pandora Papers: Poisoned towns fight for justice
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segunda-feira, 4 de outubro de 2021
The Pandora Papers: How the world of offshore finance is still flourishing
Os Pandora Papers são 11,9 milhões de documentos vazados (abrangendo 2,9 terabytes de dados) que foram publicados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) a partir de 3 de outubro de 2021.
As organizações de notícias do ICIJ descreveram o vazamento de documentos como sua exposição mais ampla de sigilo financeiro até então, contendo documentos, imagens, e-mails e planilhas de 14 empresas de serviços financeiros, em países como Panamá, Suíça e Emirados Árabes Unidos, superando o lançamento anterior dos Panama Papers em 2016, que contava com 11,5 milhões de documentos confidenciais.
No momento da divulgação dos documentos, o ICIJ disse não estar identificando a fonte dos documentos.
Cerca de US$ 32 triliões (excluindo valores não monetários, como imóveis, arte e jóias) podem estar escondidos de serem tributados, de acordo com as notícias.
Key findings from the Pandora Papers investigation
The Pandora Papers is an investigation based on more than 11.9 million documents revealing the flows of money, property and other assets concealed in the offshore financial system. The Washington Post and other news organizations exposed the involvement of political leaders, examined the growth of the industry within the United States and demonstrated how secrecy shields assets from governments, creditors and those abused or exploited by the wealthy and powerful. The trove of confidential information, the largest of its kind, was obtained by the International Consortium of Investigative Journalists, which organized the investigation.
Here are the key takeaways:
1. Country leaders on five continents use the offshore system: The Pandora Papers expose the offshore holdings of 35 current and former country leaders, according to analysis by the ICIJ. The new records show more than $106 million spent by King Abdullah II of Jordan on luxury homes in Malibu, Calif., Washington, D.C., and other locations; millions of dollars in property and cash secretly owned by the leaders of Kenya and the Czech Republic; and the acquisition of a luxury waterfront apartment in Monaco by a Russian woman after she reportedly had a child with Russian President Vladimir Putin. Representatives of Abdullah have denied any impropriety or use of public funds. The Czech and Kenyan leaders did not respond to request for comment, nor did the Kremlin and the Russian woman.
The investigation exposes more than twice as many offshore account holders and political figures as the Panama Papers, an earlier ICIJ-led global study of offshore finance, and relies on a larger trove of confidential information.
2. Some American states have become central to the global offshore system: The U.S. government has condemned prominent offshore financial centers, where promises of discretion have long drawn oligarchs, business tycoons and politicians. But the Pandora Papers expose how foreign political and corporate leaders or their relatives moved money and other assets in recent years from international tax havens to even more secretive American trust companies, including those in South Dakota. The records also show how a firm in Central America became a one-stop shop for American clients, allowing them to conceal their assets while facing criminal investigations or lawsuits.
Offshore financial firms that responded to the ICIJ’s and The Post’s requests for comment issued statements asserting their compliance with legal mandates but declining to answer questions about their clients.
3. A global treasure hunt leads to an indicted art dealer’s offshore trusts — and the Met: The records reveal how a notorious art dealer, Douglas Latchford, and his family set up trusts in tax havens shortly after U.S. investigators began linking him to looted Cambodian artifacts. The Post and its ICIJ partners launched a hunt for antiquities that Latchford and his associates are suspected of selling and examined how offshore companies are used to conceal wrongdoing in the global art trade. Although some museums have returned Cambodian antiquities in years past, dozens tied to the indicted dealer remain in prominent collections, including at the Metropolitan Museum of Art in New York City and the British Museum in London. These museums and others said that they take many precautions to ensure the items they acquire weren’t stolen, and that standards for provenance have changed over the years.
4. U.S. sanctions imposed on Russian oligarchs hit their targets. While American officials say visibility into the private accounts of Putin insiders is rare, the Pandora documents show the reach of sanctions at a time when they are the overwhelming weapon of choice in Washington’s combative relationship with Moscow. Oligarchs — targeted for sanctions because of what the U.S. Treasury has called “malign” activity by Russia — have gone to great lengths to evade their effects, at times reconfiguring their holdings and shifting ownership of assets. Still, the measures took a toll on their targets and triggered losses that spread across the financial networks that include these Kremlin insiders.
domingo, 3 de outubro de 2021
Pandora Papers: quem são os portugueses envolvidos?
Depois do LuxLeaks, Luanda Leaks e dos Panamá Papers, bastaram cinco anos para que o Consórcio Internacional de Jornalista de Investigação desvenda-se um novo escândalo à escala global em torno de negócios offshore. Desta feita, trata-se dos Pandora Papers, uma fuga de informação de 14 empresas especializadas em registar companhias offshore.
Entre os visados, há três nomes portugueses. O atual vice-presidente do PSD e antigo ministro, Nuno Morais Sarmento, o ex-deputado socialista Vitalino Canas e o antigo administrador do BES e ex-ministro do governo de Sócrates, Manuel Pinho.
O semanário Expresso refere que analisou as “listas de nomes de ministros e secretários de Estado; mulheres e maridos de governantes; deputados; políticos e ex-políticos com subvenções vitalícias; membros destacados de partidos políticos e todos os primeiros-ministros e presidentes que ocuparam cargos depois do 25 de Abril”.
Ainda assim os motivos que levam ao aparecimento destes nomes na lista são completamente distintos.
Nuno Morais Sarmento
Nuno Morais Sarmento é advogado e o atual vice-presidente do PSD, foi ainda antigo ministro da Presidência do Conselho de Ministros dos governos de Santana Lopes e Durão Barroso.
De acordo com o Expresso, Morais Sarmento é o único político português no ativo envolvido no Pandora Papers e terá sido beneficiário de uma companhia offshore, registada nas Ilhas Virgens Britânicas, para adquirir uma escola de mergulho e um hotel em Moçambique.
Ao jornal, o ex-ministro que o recurso à "offshore" foi necessário devido a limitações e impedimentos no país africano, quanto à detenção de sociedades e imóveis por parte de cidadãos estrangeiros. Morais Sarmento reitera que a sociedade não teve qualquer outro propósito.
Vitalino Canas
Vitalino Canas é também advogado e foi deputado do PS entre 2002 e 2019, tendo ainda sido secretário de Estado no governo de António Guterres e porta-voz do PS enquanto José Sócrates esteve à frente do Executivo.
O antigo político aprece nas listas de envolvidos por lhe ter sido passada uma procuração para atuar em nome de uma companhia offshore registada nas Ilhas Virgens Britânicas, pertencente a um cidadão russo. No entanto, segundo o Expresso, não há registo que o advogado tenha sido beneficiário.
À TVI, Vitalino Canas disse que não presta mais declarações e que esclareceu ao Expresso que a sua sociedade de advogados atuou dentro da "ética e que honorários foram declarados de acordo com a lei portuguesa".
Manuel Pinho
Manuel Pinho é economista e foi administrador do Banco Espírito Santo, tendo ocupado o cargo de ministro da Economia, entre 2005 e 2009, no governo de José Sócrates. Atualmente, é professor na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.
O capital de Manuel Pinho presente nas "offshores" terá sido utilizado para pagar um apartamento em Nova Iorque por mais de um milhão de dólares. Contudo, existem suspeitas que a estratégia tenha sido utilizada para fugir aos impostos. O ex-ministro garante que não tem qualquer rendimento por declarar ao Fisco.
A nova investigação do consórcio (ICIJ, na sigla em inglês), nomeada “Pandora Papers”, põe a descoberto os segredos financeiros daqueles 35 líderes mundiais (atuais e antigos) e de mais de 330 políticos e funcionários públicos, de 91 países e territórios, entre os quais Portugal.
Entre os nomes referidos na investigação, estão o rei Abdallah II da Jordânia, o primeiro-ministro da República Checa, Andrej Babis, e o Presidente do Equador, Guillermo Lasso, revela a investigação, publicada em órgãos de informação como The Washington Post, BBC e The Guardian.
O ICIJ diz ter baseado a sua investigação numa “fuga sem precedentes”, envolvendo cerca de dois milhões de documentos, trabalhados por 600 jornalistas, a “maior parceria da história do jornalismo”
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sábado, 11 de julho de 2020
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