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quarta-feira, 22 de julho de 2026
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segunda-feira, 22 de junho de 2026
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sábado, 25 de abril de 2026
Apoptygma Berzerk - Eclipse
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quarta-feira, 8 de abril de 2026
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segunda-feira, 6 de abril de 2026
O Simbolismo Fálico nas Civilizações Antigas: Apotropia, Fertilidade e Cosmologia
O culto e o simbolismo fálico, comummente designado por falismo, desempenharam um papel estruturante e transversal na religiosidade e na organização social de inúmeras civilizações da Antiguidade. Longe de ser perspetivado através dos prismas modernos da obscenidade, da vulgaridade ou do tabu moral, o falo era compreendido e venerado como um símbolo sagrado da fertilidade, da vida regenerativa, do poder cósmico e da proteção apotropaica contra forças maléficas e o caos.
Na Antiguidade Clássica, a cultura greco-romana integrou a iconografia fálica no seu quotidiano urbano e ritual. Os romanos recorriam frequentemente ao fascinum, um amuleto em forma de falo usufruído ao pescoço, esculpido nas ombreiras das casas ou gravado no calçamento das vias públicas, motivados pela convicção de que o símbolo possuía a faculdade apotropaica de repelir a invidia - o Mau-Olhado - e salvaguardar crianças e legionários.
Na Grécia Antiga, as hermai, pilares quadrangulares encimados pela cabeça do deus Hermes e dotados de esculturas fálicas proeminentes, delimitavam fronteiras e encruzilhadas com o propósito de demarcar o espaço sagrado e dissuadir intrusos. Paralelamente, os cultos de mistério dionisíacos e priápicos incluíam as phallophoria, procissões em que falos monumentais de madeira eram ostentados publicamente para celebrar Dioniso e Príapo, divindades associadas ao vinho, à abundância dos pomares e à força geradora masculina.
No Antigo Egito, o princípio itifálico vinculava-se diretamente à manutenção da ordem cósmica (Ma'at) e ao ciclo agrícola. O deus Min era invariavelmente representado com o pénis ereto para personificar a energia vital do Faraó, a fertilização do solo e a fartura das colheitas. Da mesma forma, Osíris assumia um papel central na regeneração após a sua morte e desmembramento, sendo a sua reconstituição por Ísis e a subsequente conceção de Hórus o mito fundador da ressurreição e do perpétuo renascimento da natureza.
No Sul da Ásia, o Hinduísmo desenvolveu uma das expressões teológicas mais elaboradas do falismo através do Shiva Lingam. Longe de uma simples representação anatómica, o lingam constitui uma representação anicónica do poder criador de Shiva, simbolizando a origem incriada do universo, o fogo primordial e o absoluto cósmico. Tradicionalmente emparelhado com a yoni, o elemento recetivo feminino, o conjunto articula a interdependência dos princípios masculino e feminino no ato contínuo de criação e dissolução do cosmos.
O registo etnoarqueológico e etnológico confirma tratar-se de um fenómeno pan-humano e trans-histórico... A análise etnográfica de comunidades contemporâneas e o estudo comparativo de registos históricos demonstram que o falismo não é um traço isolado de uma única cultura, mas sim uma constante na forma como a humanidade conceptualiza a vida e o cosmos.
No Japão, as tradições xintoístas preservaram até à atualidade manifestações festivais como o Kanamara Matsuri e o Hounen Matsuri, nos quais esculturas fálicas de grandes dimensões são conduzidas em cortejo ritual para rogar aos kami por partos seguros, fertilidade agrícola, harmonia conjugal e prosperidade comunitária.
Na Mesoamérica pré-colombiana, a evidência arqueológica Maia em sítios como Uxmal revela a presença de monumentos e esculturas de pedra representando falos, empregues em rituais de invocação das chuvas. Tais práticas alinhavam a virilidade humana com os ciclos meteorológicos e a fertilização da terra. Todavia, a distribuição geográfica do falismo transcende amplamente estas culturas. O registo etnoarqueológico confirma tratar-se de um fenómeno pan-humano e trans-histórico.
Desde o Paleolítico Superior europeu, evidenciado em artefactos de osso e pedra polida como o falo de Hohle Fels, com cerca de 28.000 anos, até às culturas celtas e nórdicas que ergueram monólitos fálicos associados a divindades como Freyr, a iconography erótica e itifálica serviu propósitos ontológicos fundamentais. Na Mesopotâmia e no Levante, amuletos e pilares sagrados (massebot) visavam a fertilidade dos campos e o afugentamento de demónios. Na América do Sul, a cerâmica erótica da cultura Moche no Peru utilizava recipientes itifálicos em contextos funerários e rituais de libação, conectando a circulação dos fluidos vitais à sobrevivência dos antepassados. Na África Subsariana, como entre os Bamileke e Yoruba, a estatuária itifálica consagra o status do ancestral e a vitalidade do governante, ao passo que na Oceânia, os entalhes Tiki Maori com genitália proeminente manifestam o Mana, a força espiritual geradora da vida.
Em síntese, o simbolismo fálico em contexto antigo respondeu à necessidade universal de conceptualizar a origem da vida e de domesticar o desconhecido. A posterior marginalização destas práticas e a sua redução ao conceito de "tabu" resultam da sobreposição de estruturas morais monoteístas estritas e da prudência vitoriana, que desligaram o corpo humano da sua dimensão sagrada e cosmogónica.
Referências Bibliográficas
- Collins, R. (2020). The phallus and the frontier: The form and function of phallic imagery on Hadrian’s Wall. In T. Ivleva & R. Collins (Eds.), Un-Roman Sex: Gender, Sexuality, and Lovemaking in the Roman Provinces and Frontiers (pp. 274–309). Routledge.
- Eliade, M. (1958). Patterns in Comparative Religion. Sheed & Ward.
- Johns, C. (1982). Sex or Symbol? Erotic Images of Greece and Rome. British Museum Publications.
- Parker, A. (2021). The Phallus and the Evil Eye: Phallic Amulets in the Roman World. Ancient World Magazine.
- Scott, G. R. (1941). Phallic Worship: A History of Sex and Sex Rites in Relation to the Religions of All Races from Antiquity to the Present Day. Torchstream Books.
- Srinivasan, D. M. (1997). Many Heads, Arms, and Eyes: Origin, Meaning, and Form of Multiplicity in Indian Art. Brill.
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
Gaia e Nossa Conexão Cósmica
“Que nosso tempo seja lembrado pelo despertar de um nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, pela intensificação da luta pela justiça e pela paz e pela alegre celebração da vida”.
Esta frase emblemática encerra o preâmbulo da Carta da Terra, um documento fundamental que apela a uma nova consciência global, apelando ao respeito pela diversidade, sustentabilidade ecológica, justiça social e uma cultura de paz. Este apelo visa transformar a sociedade em direcção a um futuro mais justo e sustentável.
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domingo, 21 de dezembro de 2025
Santuário Cósmico
O santuário cósmico não é um lugar delimitado por paredes ou altares visíveis. Ele existe na totalidade do universo e manifesta-se sempre que o ser humano reconhece a sacralidade da vida. Cada estrela, cada organismo vivo, cada sopro de ar compõe este templo maior, onde tudo está interligado por relações de dependência, equilíbrio e mistério.
A cosmologia científica descreve a evolução do cosmos desde o Big Bang, a formação das galáxias, das estrelas e dos planetas, até ao surgimento da vida. Ao fazê-lo, mostra que somos feitos da mesma matéria primordial que deu origem às estrelas. Esta perceção reforça a ideia do santuário cósmico: não somos visitantes externos, mas expressão consciente de um processo cósmico em contínua transformação. O templo não está fora de nós; ele prolonga-se na nossa própria existência.
A cosmogonia, por sua vez, oferece narrativas simbólicas sobre a origem do mundo. Mitos de criação, tradições religiosas e saberes ancestrais não competem com a ciência, mas respondem a outras perguntas: porquê existimos, qual o nosso lugar, que valores devem orientar a vida. Essas narrativas transformam o cosmos em espaço de significado, onde cada elemento participa de uma história sagrada.
Pensar o cosmos como santuário é admitir que a natureza não é apenas recurso, mas presença. O solo que pisamos, a água que bebemos e a luz que nos aquece participam de uma ordem mais ampla, que nos antecede e nos transcende. Nesse sentido, cuidar da Terra torna-se um gesto espiritual: preservar é reverenciar, destruir é profanar.
O santuário cósmico também convida à humildade. Diante da imensidão do universo, o ser humano percebe a sua pequenez, mas também a sua responsabilidade. Somos parte do todo e, ao mesmo tempo, conscientes dele. Essa consciência transforma-se em ética: uma forma de estar no mundo baseada no respeito, na cooperação e na gratidão.
Por fim, reconhecer o cosmos como santuário é reconciliar ciência e espiritualidade. O conhecimento científico revela as leis e processos que sustentam a vida; a contemplação espiritual atribui sentido e valor a essa revelação. Juntas, elas apontam para uma visão integrada da existência, onde viver é, em si, um acto sagrado.
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sábado, 20 de dezembro de 2025
Clarice Lispector - Estado de Graça
| Santuário Cósmico |
"Quem já conheceu o estado de graça reconhecerá o que vou dizer. Não me refiro à inspiração, que é uma graça especial que tantas vezes acontece aos que lidam com arte. O estado de graça de que falo não é usado para nada. É como se viesse apenas para que se soubesse que realmente se existe. Nesse estado, além da tranquila felicidade que se irradia de pessoas e coisas, há uma lucidez que só chamo de leve porque na graça tudo é tão, tão leve. E uma lucidez de quem não adivinha mais: sem esforço, sabe. Apenas isto: sabe. Não perguntem o quê, porque só posso responder do mesmo modo infantil: sem esforço, sabe-se.
E há uma bem-aventurança física que a nada se compara. O corpo se transforma num dom. E se sente que é um dom porque se está experimentando, numa fonte direta, a dádiva indubitável de existir materialmente.
No estado de graça vê-se às vezes a profunda beleza, antes inatingível, de outra pessoa. Tudo, aliás, ganha uma espécie de nimbo que não é imaginário: vem do esplendor da irradiação quase matemática das coisas e das pessoas. Passa-se a sentir que tudo o que existe — pessoa ou coisa — respira e exala uma espécie de finíssimo resplendor de energia. A verdade do mundo é impalpável."
Clarice Lispector, in Crónicas no 'Jornal do Brasil (1968)'
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domingo, 23 de fevereiro de 2020
O pensamento de George Ohsawa
O pensamento de George Ohsawa é uma síntese filosófica que transcende a simples dietética para se afirmar como um sistema de compreensão do mundo. No âmago da sua doutrina reside o Princípio Único, a lei da mudança eterna regida pela dinâmica entre o Yin e o Yang. Para Ohsawa, o universo não é um conjunto de objetos isolados, mas sim um fluxo constante de energia onde os opostos se procuram e se transformam mutuamente. Esta visão cosmológica serve de base para o que ele designou como o "Julgamento Supremo", a capacidade humana de perceber a unidade por trás de toda a dualidade e, assim, alcançar a liberdade absoluta.
A saúde, neste contexto, é interpretada como um estado de harmonia biológica que permite a expansão da consciência. Ohsawa defendia que o sangue é o suporte físico do pensamento e que a sua qualidade depende inteiramente do que ingerimos e do ambiente onde vivemos. Ao escolhermos alimentos que respeitam a ordem da natureza — privilegiando os cereais integrais como centro equilibrador e os produtos locais e sazonais — estaríamos a alinhar a nossa vibração interna com a do planeta. A doença não era vista por ele como um inimigo a abater, mas como um sinal corretor, um aviso pedagógico de que o indivíduo se desviou das leis naturais.
Para além da mesa, o pensamento de Ohsawa é profundamente ético e pragmático. Ele acreditava que a paz mundial e a felicidade individual eram impossíveis sem a reforma do entendimento humano através da autodisciplina. O seu conceito de "Não-Dualidade" implica que a felicidade e a infelicidade são duas faces da mesma moeda, e que o homem sábio é aquele que aceita as dificuldades com gratidão, utilizando-as como combustível para o crescimento espiritual. Em última análise, a Macrobiótica de Ohsawa é um convite à autonomia: uma via para que cada ser humano se torne o seu próprio mestre, capaz de gerir a sua saúde e o seu destino através da compreensão das leis universais.
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quinta-feira, 15 de junho de 2017
Música do BioTerra: Apoptygma Berzerk - Eclipse
Faz lembrar a citação e premonição e empenho de Carl Sagan.
Faixa do álbum Welcome To Earth - Deluxe Bonus
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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Encontros Improváveis- Clarice Lispector e Robin Guthrie - Sunflower Stories
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domingo, 19 de abril de 2015
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Bioarte
"And now we welcome the New [Era], full of things that have never been..." - Rainer Maria Rilke
domingo, 30 de agosto de 2009
Hoje faço 43 anos - partilho convosco um tema fabuloso de Lisa Gerrard: Space Weaver
Prometo não usar velas: primeiro são menos eficientes que as próprias lâmpadas incandescentes (!) e fluorescentes [ler este artigo com os respectivos cálculos] e segundo já começam a ser muitas para apagar (risos).
Prefiro mesmo ouvir boa música, em boa companhia e estar com amigos e viver um bom dia.
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segunda-feira, 11 de maio de 2009
Documentário - Journey To The Edge Of The Universe
sábado, 15 de abril de 2006
Lisa Gerrard - The end
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