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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Drab Majesty - Cold Souls

Melhor som aqui
Letra
When you walked away at dawn
I heard your song
And now it's on my mind
Made a design on the right side of my heart
It may be wrong
But it wasn't black or white

[refrão]
Wondering when I look at your life if I caught you dead and numb
If you were only just a dreamer
If we were all night

When you were dead I took you by your head
When you were dead I took you by your head

What a wasted ode to hope
My heart is on the line
Staring at the time
And I gazed amazed
While a quiet storm was born inside your eyes
All dressed in black and white

[refrão]

When you were dead I took you by your head (4X)

Ambiguidade emocional e luto em "Cold Souls" de Drab Majesty
O projeto musical Drab Majesty, oriundo de Los Angeles, Califórnia, destaca-se no cenário alternativo contemporâneo por sua fusão singular de sonoridade vintage e profunda carga conceitual. Idealizado pelo multi-instrumentista Andrew Clinco sob o alter ego andrógino Deb Demure, o projeto conta também com a colaboração do teclista e vocalista Mona D (Alex Nicolaou). A sonoridade do grupo, frequentemente autodenominada como "Tragic Wave", navega pelas vertentes do darkwave, post-punk, synth-pop e shoegaze, caracterizando-se por guitarras arpejadas repletas de chorus e delay, sintetizadores analógicos, ritmos marcados por drum machines e camadas densas e atmosféricas que remetem à estética de gravadoras emblemáticas dos anos 80, como a 4AD.

O conceito do Drab Majesty ultrapassa a dimensão puramente musical, amparando-se em uma complexa teia de influências filosóficas, literárias e esotéricas. Deb Demure adota uma postura de anulação do ego, posicionando-se não como um frontman tradicional, mas como um vaso ou canal transceptor responsável por captar frequências do universo. O visual andrógino, marcado por perucas platinadas, rostos pintados de branco e óculos escuros, busca transcender marcadores tradicionais de género, raça e individualidade. As suas composições dialogam com o hermetismo, o misticismo ocidental, a mitologia clássica - como o mito de Narciso - e a fenomenologia da ufologia e de cultos neocosmológicos dos anos 70 e 80.

A faixa "Cold Souls", integrante do aclamado álbum The Demonstration (2017), exemplifica essa proposta ao explorar temáticas de alienação, desapego material e paralisia emocional. Inspirado pela narrativa de movimentos como o culto Heaven's Gate e Unarius Academy of Science , o álbum e a canção abordam o corpo humano como uma mera "casca terrena", da qual a alma precisa se libertar em busca de transcendência e purgação espiritual. 

Leia também
  1. This is what Drab Majesty would play at their funeral
  2. Q&A: Deb DeMure & Mona D (Drab Majesty) Dispelled & Unmasked
  3. "Too Soon To Tell" if Drab Majesty will be gig of the year

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Silentways - Aeon


Letra
Leave your lips
On my neck
Utterly sweet
Tempting taste
Your honey
Give me
Leave your hands
On my back
Touching me
Thoroughly
So smoothly
Give me
Captivating invitation

Pull me towards you
Dominating exploration
Pull me towards you
Stimulating timeless pacing
Pull me towards you
Fascinating liberation
Pull me towards you

Significado da canção
O significado da canção "Aeon" (termo que remete para um éon, um período de tempo imensurável ou eterno) reside na exploração da dualidade entre o desejo físico e a transcendência temporal. Numa primeira fase, a composição descreve uma entrega e uma intimidade pautadas por uma atração física quase magnética, focando-se explicitamente no toque e no magnetismo dos corpos através de versos como "Leave your lips on my neck" e "Leave your hands on my back". Posteriormente, surge o efeito do tempo através da expressão "timeless pacing", momento em que o refrão transforma essa urgência carnal numa experiência hipnótica e espiritual. O uso da palavra "Aeon" e a alusão a um ritmo estimulante que desafia o tempo sugerem que, perante uma conexão profunda com o outro, a perceção temporal simplesmente desaparece. Deste modo, o plano físico transmuta-se em algo eterno, criando um espaço abstrato onde o tempo exterior deixa de importar e os indivíduos se fundem por completo na melancolia e no transe da música.

sábado, 25 de abril de 2026

Apoptygma Berzerk - Eclipse



Melhor som aqui do álbum Welcome to Earth, 2020

[Verse 1]
As we dwell inside the safe zones that we've made
Where nothing but earthly pleasures seems to matter
The only light we see is from the screens
No will to feel or explore the forgotten dimensions

[Chorus 1]
Some day we'll catch a glimpse of eternity
As the world stands still for a moment
And I guess we will be making history
When we all join hands just to watch the sky
(For a moment)

[Verse 2]
Our selfish lives have made us all go blind
One day we'll awake by a bright light on the horizon
In one second every eye will see the same
And this blinding light will draw all our attention

[Chorus 1] 2x

[Chorus 2]
Some day we'll catch a glimpse of eternity
As the world stands still for a moment
For the very first time and it's meant to be
We'll forget about ourselves and share the moment
(For a moment)

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Depeche Mode - Cover Me

Letra
I've felt better
I've been up all night
I can feel it coming
The morning light

The air is so cold here
It's so hard to breathe
We better take cover
Will you cover me?

Way up here with the northern lights
Beyond you and me
I dreamt of us in another life
One we've never reached

And you know we're sinking
We could fade away
I'm not going down
Not today

The air is so cold here
Too cold to see
We have to take cover
Cover me

Way up here with the northern lights
Beyond these broken bars
I pictured us in another life
Where we're all superstars

A letra e o conceito visual de "Cover Me", cujo teledisco foi realizado por Anton Corbijn, centram-se em temas como o isolamento, a busca por refúgio e a desilusão. Dave Gahan, coautor da canção, explicou que a narrativa aborda a jornada de alguém que viaja para outro planeta na tentativa de escapar aos problemas da Terra, acabando por descobrir que esse novo destino é exatamente igual ao anterior. Esta premissa serve como uma metáfora para a impossibilidade de fugirmos de nós mesmos.

A vulnerabilidade é evidente no refrão "Will you cover me?", que surge como um apelo desesperado por ligação e segurança num ambiente hostil, onde o ar é frio e a respiração se torna difícil. Além disso, inserida no contexto do álbum Spirit — marcado por uma forte vertente política —, a música reflete a angústia perante a autodestruição do planeta e a necessidade urgente de encontrar um novo começo. O vídeo reforça esta sensação de solidão ao mostrar Gahan vestido de astronauta, deambulando por uma cidade deserta e, finalmente, ficando à deriva no espaço, o que simboliza uma profunda desconexão emocional.

Tudo sobre Cover Me (Depeche_Mode)
Depeche Mode - Cover Me (Behind the Song)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Gaia e Nossa Conexão Cósmica


“Que nosso tempo seja lembrado pelo despertar de um nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, pela intensificação da luta pela justiça e pela paz e pela alegre celebração da vida”.

Esta frase emblemática encerra o preâmbulo da Carta da Terra, um documento fundamental que apela a uma nova consciência global, apelando ao respeito pela diversidade, sustentabilidade ecológica, justiça social e uma cultura de paz. Este apelo visa transformar a sociedade em direcção a um futuro mais justo e sustentável.

domingo, 21 de dezembro de 2025

Santuário Cósmico


O santuário cósmico não é um lugar delimitado por paredes ou altares visíveis. Ele existe na totalidade do universo e manifesta-se sempre que o ser humano reconhece a sacralidade da vida. Cada estrela, cada organismo vivo, cada sopro de ar compõe este templo maior, onde tudo está interligado por relações de dependência, equilíbrio e mistério.

A cosmologia científica descreve a evolução do cosmos desde o Big Bang, a formação das galáxias, das estrelas e dos planetas, até ao surgimento da vida. Ao fazê-lo, mostra que somos feitos da mesma matéria primordial que deu origem às estrelas. Esta perceção reforça a ideia do santuário cósmico: não somos visitantes externos, mas expressão consciente de um processo cósmico em contínua transformação. O templo não está fora de nós; ele prolonga-se na nossa própria existência.

A cosmogonia, por sua vez, oferece narrativas simbólicas sobre a origem do mundo. Mitos de criação, tradições religiosas e saberes ancestrais não competem com a ciência, mas respondem a outras perguntas: porquê existimos, qual o nosso lugar, que valores devem orientar a vida. Essas narrativas transformam o cosmos em espaço de significado, onde cada elemento participa de uma história sagrada.

Pensar o cosmos como santuário é admitir que a natureza não é apenas recurso, mas presença. O solo que pisamos, a água que bebemos e a luz que nos aquece participam de uma ordem mais ampla, que nos antecede e nos transcende. Nesse sentido, cuidar da Terra torna-se um gesto espiritual: preservar é reverenciar, destruir é profanar.

O santuário cósmico também convida à humildade. Diante da imensidão do universo, o ser humano percebe a sua pequenez, mas também a sua responsabilidade. Somos parte do todo e, ao mesmo tempo, conscientes dele. Essa consciência transforma-se em ética: uma forma de estar no mundo baseada no respeito, na cooperação e na gratidão.

Por fim, reconhecer o cosmos como santuário é reconciliar ciência e espiritualidade. O conhecimento científico revela as leis e processos que sustentam a vida; a contemplação espiritual atribui sentido e valor a essa revelação. Juntas, elas apontam para uma visão integrada da existência, onde viver é, em si, um acto sagrado.

sábado, 20 de dezembro de 2025

Clarice Lispector - Estado de Graça

Santuário Cósmico
"Quem já conheceu o estado de graça reconhecerá o que vou dizer. Não me refiro à inspiração, que é uma graça especial que tantas vezes acontece aos que lidam com arte. O estado de graça de que falo não é usado para nada. É como se viesse apenas para que se soubesse que realmente se existe. Nesse estado, além da tranquila felicidade que se irradia de pessoas e coisas, há uma lucidez que só chamo de leve porque na graça tudo é tão, tão leve. E uma lucidez de quem não adivinha mais: sem esforço, sabe. Apenas isto: sabe. Não perguntem o quê, porque só posso responder do mesmo modo infantil: sem esforço, sabe-se.
E há uma bem-aventurança física que a nada se compara. O corpo se transforma num dom. E se sente que é um dom porque se está experimentando, numa fonte direta, a dádiva indubitável de existir materialmente.
No estado de graça vê-se às vezes a profunda beleza, antes inatingível, de outra pessoa. Tudo, aliás, ganha uma espécie de nimbo que não é imaginário: vem do esplendor da irradiação quase matemática das coisas e das pessoas. Passa-se a sentir que tudo o que existe — pessoa ou coisa — respira e exala uma espécie de finíssimo resplendor de energia. A verdade do mundo é impalpável."

Clarice Lispector, in Crónicas no 'Jornal do Brasil (1968)'

domingo, 23 de fevereiro de 2020

O pensamento de George Ohsawa

O pensamento de George Ohsawa é uma síntese filosófica que transcende a simples dietética para se afirmar como um sistema de compreensão do mundo. No âmago da sua doutrina reside o Princípio Único, a lei da mudança eterna regida pela dinâmica entre o Yin e o Yang. Para Ohsawa, o universo não é um conjunto de objetos isolados, mas sim um fluxo constante de energia onde os opostos se procuram e se transformam mutuamente. Esta visão cosmológica serve de base para o que ele designou como o "Julgamento Supremo", a capacidade humana de perceber a unidade por trás de toda a dualidade e, assim, alcançar a liberdade absoluta.

A saúde, neste contexto, é interpretada como um estado de harmonia biológica que permite a expansão da consciência. Ohsawa defendia que o sangue é o suporte físico do pensamento e que a sua qualidade depende inteiramente do que ingerimos e do ambiente onde vivemos. Ao escolhermos alimentos que respeitam a ordem da natureza — privilegiando os cereais integrais como centro equilibrador e os produtos locais e sazonais — estaríamos a alinhar a nossa vibração interna com a do planeta. A doença não era vista por ele como um inimigo a abater, mas como um sinal corretor, um aviso pedagógico de que o indivíduo se desviou das leis naturais.

Para além da mesa, o pensamento de Ohsawa é profundamente ético e pragmático. Ele acreditava que a paz mundial e a felicidade individual eram impossíveis sem a reforma do entendimento humano através da autodisciplina. O seu conceito de "Não-Dualidade" implica que a felicidade e a infelicidade são duas faces da mesma moeda, e que o homem sábio é aquele que aceita as dificuldades com gratidão, utilizando-as como combustível para o crescimento espiritual. Em última análise, a Macrobiótica de Ohsawa é um convite à autonomia: uma via para que cada ser humano se torne o seu próprio mestre, capaz de gerir a sua saúde e o seu destino através da compreensão das leis universais.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Música do BioTerra: Apoptygma Berzerk - Eclipse

Que gloriosa celebração desta linda canção e o tema pela paz global unida! 
What a glorious celebration of this beautiful song and the theme of united global peace! 



Faz lembrar a citação e premonição e empenho de Carl Sagan.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

domingo, 30 de agosto de 2009

Hoje faço 43 anos - partilho convosco um tema fabuloso de Lisa Gerrard: Space Weaver

Prometo não usar velas: primeiro são menos eficientes que as próprias lâmpadas incandescentes (!) e fluorescentes [ler este artigo com os respectivos cálculos] e segundo já começam a ser muitas para apagar (risos).

Prefiro mesmo ouvir boa música, em boa companhia e estar com amigos e viver um bom dia.

 



segunda-feira, 11 de maio de 2009

Documentário - Journey To The Edge Of The Universe


A National Geographic apresenta a primeira viagem precisa e ininterrupta da Terra até aos confins do Universo, utilizando um único plano contínuo, graças à espetacular tecnologia de computação gráfica (CGI).

Baseado em imagens captadas pelo telescópio Hubble, "Viagem aos Confins do Universo" explora a ciência e a história por detrás dos corpos celestes distantes do Sistema Solar.

Esta espetacular e épica viagem pelo cosmos leva-nos desde a Terra, passando pela Lua e pelos nossos planetas vizinhos, para fora do nosso Sistema Solar, até às estrelas, nebulosas e galáxias mais próximas e mais além – até aos próprios confins do Universo.

Ao terminar este vídeo, terá uma consciência inédita do universo astronomicamente imenso e invisível em que flutuamos como um grão de poeira no oceano.

Este vídeo leva-o numa viagem pelo universo como se estivesse a assistir a uma aventura de ficção científica. No entanto, precisa de se lembrar constantemente de que o que está a ver é real.