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segunda-feira, 30 de março de 2026

John Horsewell

John Horsewell é um conceituado pintor contemporâneo de nacionalidade britânica, nascido em Inglaterra  entre os anos de 1952. A sua trajetória artística é marcada por uma forte componente hereditária, uma vez que cresceu num ambiente profundamente criativo, tendo sido instruído no seio familiar pelo seu pai e pelo seu avô, ambos pintores profissionais.

Ao contrário de muitos dos seus contemporâneos, Horsewell não seguiu uma formação académica formal em faculdades de Belas Artes. A sua educação foi técnica e prática, moldada diretamente no ateliê da família e consolidada através da experiência no mundo do design de interiores e de galerias de arte após concluir o ensino secundário. Esta base autodidata e artesanal permitiu-lhe desenvolver um estilo muito próprio, que se situa entre o realismo e o impressionismo moderno.

O seu estilo  é definido como um impressionismo contemporâneo profundamente focado na captura da luz e na criação de atmosferas de serenidade absoluta. A sua estética afasta-se do detalhe fotográfico rígido para se concentrar na sensação de um momento, utilizando o que o próprio artista descreve como uma filosofia de "menos é mais". As suas composições são frequentemente minimalistas, apresentando horizontes baixos que dão protagonismo a céus vastos e dramáticos, evocando um sentimento de isolamento pacífico e de evasão da azáfama quotidiana.

O artista é particularmente célebre pelas suas paisagens costeiras, praias banhadas pelo sol e cenas rurais, frequentemente inspiradas pelas suas viagens pela Europa — com especial foco no sul de França e Itália — e pela Florida, nos Estados Unidos. 

A grande marca registada do seu trabalho é a mestria na utilização da espátula (palette knife), que combina habilmente com o uso do pincel. Enquanto as grandes áreas de céu e mar são trabalhadas com pinceladas suaves e fluidas para criar profundidade, os elementos centrais — como os barcos, as rochas ou a vegetação — são esculpidos com camadas espessas de tinta a óleo (técnica de impasto). Esta abordagem confere às telas uma qualidade tridimensional e uma textura rica, permitindo que a luz ambiente da sala interaja fisicamente com o relevo da pintura.

Quanto à paleta de cores, Horsewell utiliza tons que variam entre os azuis profundos e cerúleos dos oceanos e os tons quentes e pastéis das areias e campos europeus. O seu objetivo primordial é sempre o otimismo visual, transformando cada tela numa "janela" para um paraíso idealizado, onde o contraste entre as sombras suaves e os pontos de luz intensa convida o espectador a um estado de contemplação e calma interior.

Um exemplo perfeito desta estética é a obra "Calm Waters" (também conhecida como "Moored Boats"), pintada provavelmente entre 2010 e 2020. Nesta tela, Horsewell utiliza um horizonte baixo e uma paleta de azuis profundos em contraste com tons areia para evocar uma sensação de paz absoluta. Através de pinceladas suaves no céu e relevos texturizados nos barcos e no primeiro plano, o pintor convida o espectador a entrar num cenário de tranquilidade e isolamento regenerador.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Bogdan Kuziv - "Manhã Quente", 2019


Bogdan Kuziv (pintor Ucraniano, nascido em 1965)
 
Estilo: 
A sua obra é frequentemente classificada como realismo crítico, embora apresente fortes influências do impressionismo, especialmente em sua abordagem da luz e na execução de pinturas ao ar livre (en plein air).

Temas:
  1. Paisagens: especialmente as montanhas Cárpatos e a natureza da Ucrânia.
  2. Marinas: pinturas que exploram o mar e temas costeiros.
  3. Natureza-morta: composições detalhadas de flores e objetos.
  4. Arquitetura e cenas urbanas: registos de cidades como Roma e Atenas.
Técnica: 
Trabalha predominantemente com pintura a óleo sobre tela e aquarela sobre papel. É conhecido pelo uso de cores vibrantes e texturas ricas que buscam capturar a "alma" da paisagem.
Formação e Carreira
Formação Académica: Graduou-se em 1994 na Faculdade de Artes e Gráficos da Universidade Nacional Vasyl Stefanyk.
Experiência Internacional: Trabalhou na Polónia (1995–1999) e viveu em Roma, Itália (2001), onde aprimorou seus estudos artísticos.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Eugenia Gorbacheva

Eugenia Gorbacheva (aquarelista Russa, nascida em 1985)

Estilo artístico
Predominantemente impressionista e figurativo, capturando luz, cor, atmosfera e sensação natural em seus trabalhos. 
A aquarela, como meio, destaca-se por sua transparência, fluidez e pelo trabalho com pigmentos solúveis em água — um meio que exige domínio cuidadoso do artista. 

Temas e assuntos
Os seus temas variam bastante, mas paisagens naturais, flores e elementos da natureza, cenas arquitetónicas e marinhas são recorrentes, muitas vezes evocando luz e atmosfera específicas (ex.: montanhas, flores, vilas e cenários costeiros). 

Técnica
Trabalha com aquarela tradicional sobre papel de alta qualidade (como Arches ou papel similar), concentrando-se no controle cuidadoso da água, pigmento e luz. 
A sua técnica envolve capturar transparências, nuances e fluidez típicas da aquarela, explorando o meio para expressar sensação, movimento e profundidade.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

France Jodoin

France Jodoin (pintora Canadiana, nascida em 1961)
Estilo:
É uma artista contemporânea cujas obras se situam entre o impressionismo e o romanticismo europeu moderno.
A sua pintura tem um caráter etéreo e sugestivo, equilibrando representação e abstração, com cenas que parecem vista através de névoa ou luz difusa. 
Os temas muitas vezes evocam marinas, paisagens, cityscapes, flores, figuras e animais, sempre com uma sensação de tempo efémero e uma atmosfera poética. 

Técnica:
Trabalha principalmente com óleo sobre linho, aplicando a tinta de forma gestual e intuitiva, construindo e reconstruindo a imagem com pinceladas fluídas.
Também faz desenhos e gravuras, incluindo técnicas de aquitinta e sugar lift em gravura. 
O seu processo de pintura é instintivo e não preconcebido, permitindo que a obra se desenvolva organicamente no suporte. 

As suas composições convidam o espectador a construir narrativas pessoais, em vez de retratar lugares ou pessoas específicos.

terça-feira, 27 de junho de 2023

Funchal no top 10 dos portos com maior poluição por navios de cruzeiro na Europa


Os portos de Lisboa e do Funchal estão no 'top 10' das infraestruturas portuárias da Europa com maiores níveis de poluição associada a navios de cruzeiro, segundo um estudo divulgado hoje pela associação ambientalista Zero.

"Em termos absolutos, Portugal mantém o 6.º lugar entre os países europeus com maiores níveis de poluição por óxido de enxofre (SOx) emitido pelos navios de cruzeiro, depois de Itália (1.º), Espanha (2.º), Grécia (3.º), Noruega (4.º) e França (5.º)", segundo um novo estudo da Federação Europeia de Transportes e Ambiente, da qual faz parte a Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável.

Esse estudo, que incide sobre os portos da Europa, apresenta os dados de 2022, com a evolução da poluição atmosférica e das emissões de gases de efeito de estufa (GEE) provenientes dos navios de cruzeiro relativamente aos níveis pré-pandemia de 2019, verificando que houve "um agravamento das emissões de SOx em 9%, de óxidos de azoto (NOx) em 18 % e de partículas finas em 25%".

Estes poluentes são responsáveis por doenças cardiovasculares e respiratórias e contribuem para a acidificação e eutrofização do oceano, com consequências negativas para o equilíbrio dos ecossistemas, referiu a associação Zero, indicando que, "de um modo geral, o transporte marítimo é responsável por cerca de 3% das emissões globais de GEE e por cerca de 250 mil mortes prematuras e cerca de 6,4 milhões de casos de asma infantil por ano em todo o mundo".

Segundo o estudo, em 2022, os 218 navios de cruzeiro que navegaram na Europa emitiram mais óxidos de enxofre do que o equivalente a mil milhões de carros.

"Nos portos da Europa, o teor de enxofre do combustível é limitado a 0,1% (1000 ppm - partículas por milhão), mesmo assim 100 vezes mais que os limites impostos ao combustível dos automóveis (10 ppm)", explicou a associação ambientalista.

O 'top 10' dos portos europeus com maiores níveis de poluição associada a navios de cruzeiro é liderado pela cidade espanhola de Barcelona, seguindo-se Civitavecchia (Itália), Pireu (Grécia), Palma de Maiorca (Espanha), Lisboa (Portugal), Hamburgo (Alemanha), Southampton (Reino Unido), Mykonos (Grécia), Thira (Grécia) e Funchal (Portugal).

Ocupando a 5.ª posição deste 'ranking', o porto de Lisboa foi o que registou maior tráfego de navios de cruzeiro (108) na Europa em 2022, à semelhança do que se verificou no relatório anterior publicado em 2019, verificando-se um aumento das emissões de óxidos de enxofre.

"Em Lisboa, os navios de cruzeiro emitiram 2,44 vezes mais SOx do que os cerca de 374 mil veículos de passageiros registados na cidade (cerca de 11 toneladas comparativamente a 4,5 toneladas, respetivamente)", informou a Zero, acrescentando que os navios emitiram cerca de 278 toneladas de NOx, o que corresponde a 12% da emissão deste poluente por parte dos automóveis que circularam na capital portuguesa.

No 10.º lugar, o porto do Funchal registou 96 escalas de navios de cruzeiro em 2022, "um aumento acentuado relativamente a 2019, altura em que registou cerca de 75 escalas", o que contribuiu para elevar os níveis de poluição atmosférica, levando-o a integrar o 'top 10' dos portos mais expostos à poluição por SOx, quando antes ocupada na 15.ª posição.

Para a associação ambientalista Zero, "é urgente limitar a poluição oriunda de navios de cruzeiro" com a adoção de medidas mais rigorosas nos portos portugueses e europeus, seguindo o exemplo de Veneza, que em 2019 tinha o porto de cruzeiros mais poluído da Europa e "em 2022 caiu a pique para a 41.ª posição após ter banido a entrada de grandes navios".

Em comunicado, a Zero alertou que "falsas soluções como o gás fóssil aumentam o impacte ambiental e climático destes grandes monstros poluidores", acusando os operadores de cruzeiros de "campanhas de propaganda verde enganosas" e defendendo que as autoridades portuárias devem evitar quaisquer novos investimentos em infraestruturas de abastecimento de gás fóssil, canalizando esforços e investimento para o fornecimento de combustíveis renováveis de origem não biológica.

domingo, 25 de junho de 2023

Música do BioTerra: Plastique Noir - Mara Hope


The sentinel on the shoal
Where the shore dies every time, every night
Who's able to shut up his screaming will

All the remaining trembling lightpoles
Fade with the morning light
Torches of inquisition for the drunk souls of
The last night, in my dreams seagulls are falling down

Foam celebrates the wedding
Of the sea and the abyss of my heart
Deep blue ocean is fair
Since it grabs closer to the sun

But Mara Hope keeps calm

Biografia e Discografia

Página Oficial

Youtube

“Mara Hope” é uma canção mergulhada em atmosfera sombria e introspectiva, onde o nome “Mara” simboliza tanto uma figura feminina quanto uma presença onírica ou espiritual — associada ao medo, ao desejo e à redenção.

A música explora o contraste entre esperança e desespero, luz e sombra, típicos da estética pós-punk e gótica do Plastique Noir.

“Mara Hope” pode ser entendida como uma metáfora da luta interna pela lucidez em meio ao caos, um apelo à esperança (“Hope”) que sobrevive mesmo nos recantos mais escuros da mente e do mundo. É uma canção sobre renascimento interior, sobre encontrar sentido onde parece não haver saída.

quinta-feira, 15 de junho de 2023

Rio Douro está a ser “privatizado” e transformado num “parque temático”, criticam moradores de Gaia


Os 80 moradores do Edifício Destilaria Residence, situado no Cais do Cavaco, em Gaia, estão frontalmente contra a construção do terminal fluvial que consta da proposta apresentada pela Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) no passado dia 3 de maio.

Esta oposição “deve-se ao reduzido envolvimento da sociedade civil ao longo de todo o processo, que resulta do acordo prévio entre a Câmara Municipal de Gaia e a APDL relativamente a este projeto, o que transformou a consulta pública num mero pró-forma”, revela o comunicado dos moradores.

Os habitantes consideram que esta é “mais uma medida de privatização do rio Douro” que está a ser transformado num “parque temático”. E deixam críticas à forma como a APDL – Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo e a autarquia de Gaia estão a conduzir o processo.

“A despreocupação com o rio Douro e com a qualidade da sua água e ecossistemas é visível nas projeções para o crescimento turístico na Via Navegável do Douro: a APDL estima que em 2035 exista uma frota de 37 navios-hotel no Douro e um total de 125.500 passageiros anuais – aumentos de 48% e 26% face aos números mais recentes, respetivamente”, refere ainda o comunicado.

Ao mesmo tempo, “questionam a ausência de avaliação de sustentabilidade do rio, perante o objetivo de colocar 37 navios-hotel e 125 mil passageiros na Via Navegável do Douro até 2035”.

“A preservação das condições únicas do Douro é do interesse do país e do município. Ao aceitar estes números, a APDL assume, implicitamente, que não se deve estudar, previamente, o limiar da sustentabilidade e a capacidade de assimilação turística do Douro”.

O morador Paulo Leal, citado em comunicado, indica que “não se encontra, em nenhum documento disponibilizado na consulta pública, nenhuma razão que sustente a necessidade de um projeto desta envergadura e neste local específico”. “Os argumentos utilizados, meramente económicos, levam-nos a interpretar que este projeto é mais um passo dos operadores em privatizar o rio Douro, transformando-o num parque temático, afogado num turismo de massas descontrolado, assente numa procura de maximizar os lucros de terceiros sem considerar as preocupações das associações ambientais e da população local. Basta olharmos para exemplos de cidades europeias, como Veneza, que está a recuar neste tipo de atividade, para percebermos que há limites a este crescimento”, acrescenta.

O comunicado recorda as preocupações que vários académicos e especialistas têm levantado nos últimos dias sobre o projeto e assegura que os moradores afirmam que a APDL falhou em responder à totalidade dos seus impactos ambientais, “não apresentando, por exemplo, cálculos e medidas de minimização dos riscos de derrame de combustíveis”.

O grupo de moradores tem solicitado reuniões com decisores e entidades envolvidas no processo, como a Câmara Municipal de Gaia e a APDL, sendo que a porta do autarca Eduardo Vítor Rodrigues permanece fechada. “Até agora a única entidade que nos recebeu foi a APDL, que remeteu tudo para o processo de consulta pública e mostrou pouca preocupação com o bem-estar dos gaienses que aqui vivem todos os dias, mostrando valorizar mais um crescimento turístico descontrolado de pessoas que vêm cá uma vez e nunca mais voltam”, segundo outro morador, José Filipe Mesquita.

Os moradores destacam que a consulta pública do processo – que “resulta do acordo prévio entre a câmara municipal de Gaia e a APDL” – teve um “reduzido envolvimento da sociedade civil”, o que “transformou a consulta pública num mero pró-forma, desconsiderando por completo as preocupações dos gaienses e dos moradores daquela zona ribeirinha”.

Mas os moradores deixam mais críticas, notando que, face ao aumento da frota, “a preservação das condições únicas do Douro é do interesse do país e do município. Ao aceitar estes números, a APDL assume, implicitamente, que não se deve estudar, previamente, o limiar da sustentabilidade e a capacidade de assimilação turística do Douro”.

Os moradores estão “indignados” pelo ““desrespeito pela preservação do rio Douro, que chega ao absurdo de a APDL considerar que uma dragagem de 23 mil m3 e a extorsão de nove mil m2 de margem de Rio acabam por produzir, e cito, impactos “positivos, irreversíveis, de elevada significância”, quer ao nível do ordenamento do território, quer ao nível do uso do solo”.

Somado aos impactos sobre o leito do rio, decorrentes da construção da estrutura de 6.200m2 e 10 metros de altura diretamente sobre o Douro, os moradores consideram “importante alertar para a desfiguração da margem do Douro, sobre a encosta histórica de Vila Nova de Gaia.

“Os moradores do Edifício Destilaria Residence mostram-se ainda revoltados pela escassa consideração pelos impactos negativos nas suas vidas, nas suas famílias e no seu dia a dia, o que a APDL considera, no Resumo Não Técnico do projeto, como “pouco significativos, e, portanto, com reduzido potencial para configurarem situações de desconforto”.

Para terminar, os moradores pedem uma” verdadeira discussão pública, estudos mais aprofundados e um maior escrutínio no processo de tomada de decisão. Tendo sido apenas contactados pela primeira vez em agosto de 2022, mais de dois anos depois do início do estudo do projeto e sem que lhes tenha sido fornecida informação suficiente sobre o mesmo, os moradores vão levar a sua contestação a todas as instâncias, inclusive para lá do processo de consulta pública, que hoje termina”.


O Edifício Destilaria Residence é um edifício histórico do final do século XIX situado no Cais do Cavaco e projetado por um colaborador de Gustave Eiffel como fábrica da Destilaria do Álcool, segundo o comunicado que salienta que “após vários anos ao abandono, este imóvel foi reconvertido para fins residenciais em 2008”.

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Terminal do Cais do Cavaco em Gaia terá dois pisos e será revestido a tijolo


O terminal fluvial do Cais do Cavaco, em Vila Nova de Gaia, desenhado pelo arquiteto Álvaro Siza, terá dois pisos e será revestido a tijolo burro, de acordo com um estudo em consulta pública até 14 de junho.

Segundo o resumo não técnico do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do projeto, o edifício do terminal "de planta retangular, apresenta 180 m [metros] de comprimento e 27 m de largura" e "dispõe de dois pisos, apresentando altura de 10 m, e a sua área de implantação é de 4.825 m2 [metros quadrados]".

"O edifício reveste-se de tijolo burro à cor natural, contrastando com o verde presente na colina a tardoz, e pousa sobre uma plataforma em betão branco. Esta plataforma fundada em estacas, liga-se a terra através de um aterro marginal sobre o rio que suportará um sistema viário mais eficiente para a circulação de veículos que acederão ao terminal", pode ler-se no documento submetido a avaliação ambiental.

De acordo com o estudo disponível no portal Participa, o terminal "deverá dispor de quatro postos de acostagem com capacidade para acolher quatro navios-hotel com comprimento de 80 m", estando também prevista "a possibilidade de acostagem de um navio extra para efeitos de pequena manutenção, cargas ou outros".

Além dos navios-hotel, a infraestrurura fluvial também contempla "a instalação de um pequeno núcleo de recreio náutico com capacidade para cerca de cinco dezenas de embarcações de recreio".

"Com exceção da faixa adjacente à margem, construída em aterro, toda a infraestrutura do terminal será fundada em estacas cilíndricas de betão armado", e "a plataforma do cais oferece uma frente-cais de 343 m de comprimento, com uma largura de 10 m".

Em terra, "do lado da marginal é criada uma alameda servindo-se da via atual e de uma outra via, a construir", permitindo a nova estrutura viária "a inversão de marcha de veículos de grandes dimensões como autocarros ou camiões garantindo uma maior flexibilidade de acessos ao terminal".

No dia 11 de novembro de 2022, a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) anunciou que estava "a desenvolver um projeto de construção de um terminal de embarcações marítimo-turísticas na margem sul do rio Douro", em consonância com a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia quanto ao "local, projeto, arquiteto e enquadramento urbanístico".

De acordo com o estudo colocado em consulta pública no dia 03 de maio, a construção do terminal "tem ainda subjacente a relocalização do cais-base dos navios-hotel que atualmente opera no Cais de Gaia em condições muito limitantes para esta atividade, bem como para a zona urbana em que se insere, em pleno centro histórico da cidade de Gaia".

Apesar de o estudo classificar que os impactos negativos estão "na sua larga maioria qualificados como pouco significativos", o estudo refere também que foram consultados os residentes do empreendimento Destilaria Residence, em frente ao terminal projetado, em que "os proprietários do condomínio foram unânimes a manifestar desagrado com o projeto do terminal cuja cércea interfere com as vistas sobre o rio".

Atualmente, na zona do Cais do Cavaco, "existe uma antiga ponte-cais, em estrutura metálica, desativada desde há vários anos", e, a realizar-se a construção do cais, estima-se que a empreitada demore dois anos, segundo o estudo.

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Mobilidade marítima entre a Madeira e o Continente


Não existe mobilidade marítima entre a Madeira e o Continente, porque falta a Portaria de regulamentação do subsídio de mobilidade marítimo, aprovado em 2015 na Assembleia da República.
Por tal motivo, foi criada esta petição no sentido do Governo da República cumprir na íntegra, o referido subsídio, que certamente, potenciará o interesse de um possível armador de navios ferry, realizar viagens regulares, entre a Madeira e o Continente.
Nós, abaixo assinados, consideramos que não é aceitável, estarmos só dependentes do transporte aéreo que é devidamente subsidiado pelo Estado, mas, limita pessoas com determinadas doenças ou fobias, liberdade de transportar bens pessoais e comerciais, transporte de animais domésticos, etc.. A grande vantagem de um ferry robusto, rápido, e confortável, transportar passageiros, inclusive com as suas viaturas, e carga rodada, inclusive perecível.
O transporte marítimo, desejavelmente por via de navio ferry, é fundamental para o desenvolvimento socioeconómico da Madeira, perante tal, o subsídio de mobilidade marítimo devidamente regulamentado será importante, a exemplo do que acontece nas outras ilhas europeias, por exemplo, as vizinhas ilhas das Canárias.
Assim, e atendendo a que o Estado tem por obrigação beneficiar a mobilidade de transporte dos residentes das suas regiões ultraperiféricas para o exterior, propomos que a Assembleia da República recomende ao Governo da República a emissão da Portaria em falta, do subsídio de mobilidade marítimo aprovado em 2015.
O site “Petição pública”, encontra-se devidamente certificado, e protegido no que respeita aos regulamentos, pela Comissão Nacional de Proteção de Dados.
Recorda-se que, o Presidente da República vetou em julho de 2020, o direito de petição por “Imperativo de Consciência Cívica” o diploma do Parlamento, que aumentava de quatro mil para dez mil, o nº de assinaturas necessárias para uma Petição Pública ser debatida em plenário.
Mais um motivo para os residentes na Madeira, assinarem esta petição, que exige as quatro mil assinaturas em conformidade da população da Madeira.
Os emigrantes, nacionais, e estrangeiros, que não sejam residentes na Madeira, não serão abrangidos pelo referido subsídio, mas, terão a vantagem de alternativa ao transporte aéreo, perante tal, são convidados a assinar a petição.
Esta petição converge para a coesão nacional e territorial exterior, conectividade, sustentabilidade, e competitividade, da RAM e da parte continental portuguesa.
Petição publcada no dia 7 Out. do ano 2020, pelas 13:00h

terça-feira, 18 de junho de 2019

Lisboa é a sexta cidade europeia mais poluída pelos navios de cruzeiro

Fonte e notícia aqui


Lisboa foi a cidade europeia que mais navios de cruzeiro recebeu em 2017. No entanto, um indicador que pode ser bom para a economia da capital acaba por ter um retorno negativo para o ambiente. O alerta vem num estudo da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E) que coloca a Lisboa em sexto lugar entre as cidades europeias mais expostas à poluição por navios de cruzeiro — depois de Barcelona, Palma de Maiorca, Veneza, Civitavecchia (Roma) e Southampton.

Esta foi uma das conclusões do estudo, agora divulgado pela associação ambientalista Zero, que avaliou as emissões de diferentes poluentes provenientes de 203 navios de cruzeiro de luxo de 50 portos europeus. Em 2017, passaram por Lisboa 115 navios de cruzeiro, fazendo do porto da capital o mais concorrido a nível europeu, seguindo-se Barcelona e Palma de Maiorca. Estes navios estiveram estacionados 7953 horas. O porto de Lisboa foi, assim, o terceiro maior porto europeu em termos de horas totais de estacionamento, depois de Barcelona e Veneza. 

De acordo com as contas apresentadas no estudo, os navios de cruzeiro que passaram pelo capital libertaram 3,5 vezes mais óxidos de enxofre — um gás que causa problemas respiratórios, dores de cabeça e indisposição — que os 375 mil automóveis que diariamente circulam em Lisboa. Quanto aos óxidos de azoto — que têm sobretudo origem na queima de combustíveis fósseis (na indústria ou transportes) e estão também na origem de outros poluentes, como as partículas finas e o ozono (ao nível do solo) —, os navios de cruzeiro emitiram quase o equivalente a um quinto dos carros que circulam na cidade.

“Os navios de cruzeiro de luxo são verdadeiras cidades flutuantes alimentadas por alguns dos combustíveis mais poluentes. As cidades estão a restringir a circulação dos veículos a gasóleo, mais poluentes, mas as autoridades locais estão a dar total liberdade às empresas de cruzeiros para continuarem a emitir gases e partículas tóxicas que causam danos imensuráveis na saúde, o que é inaceitável”, nota Francisco Ferreira, presidente da associação ambientalista Zero e professor na área da qualidade do ar Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade Nova de Lisboa. 

Atingir emissões zero

O estudo apresenta ainda resultados em termos nacionais, que colocam Portugal em sexto lugar entre os países europeus mais expostos à poluição por óxidos de enxofre dos navios de cruzeiro, depois de Espanha, Itália, Grécia, França e Noruega. Será fácil de perceber porque estão estes países mais expostos a esta fonte de poluição — são grandes destinos turísticos. Mas também porque, explica a Zero, “têm limites de enxofre nos combustíveis navais menos rigorosos, permitindo assim que os navios de cruzeiro queimem combustível mais sulfuroso (e mais poluente) ao longo dos seus litorais”. 

A associação ambientalista comparou ainda os dados do estudo da T&E com o inventário oficial de emissões de óxidos de enxofre da Agência Portuguesa do Ambiente, referentes a 2017, concluindo que as emissões dos navios de cruzeiro na costa portuguesa foram 86 vezes superiores às emissões dos automóveis que circulam em Portugal (5100 toneladas em relação a 59 toneladas, respectivamente). No total, este poluente libertado pelos navios representa mais de 10% do total das emissões nacionais de óxidos de enxofre (5100 toneladas em relação a 47500 toneladas), diz a Zero em comunicado.

Se olharmos para o contexto europeu, o cenário é semelhante: as emissões de óxidos de azoto dos navios de cruzeiro equivalem a cerca de 15% do total que a frota de automóveis emite num ano, refere o estudo.

“Precisamos de fazer a transição para combustíveis mais limpos de forma voluntária, e que os governos intervenham e imponham, desde já, limites restritivos de emissão nas suas zonas costeiras, e no médio prazo, limites zero nos portos nacionais”, nota Francisco Ferreira. Para a Zero, a Europa “deve implementar, o mais rapidamente possível, um regulamento, a aplicar em todos os portos europeus, com planos para se atingirem limites de emissão zero nos navios, o que pode ser conseguido através da electrificação associada ao armazenamento de energia proveniente de fontes renováveis”.